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Índia, Aspectos Gerais da Índia

Índia, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Índia

ÍNDIA, ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIOECONÔMICOS DA ÍNDIAGeografia: Área: 3.287.782 km². Hora local: +8h30. Clima: de monção (maior parte), tropical, equatorial (S), árido tropical (NO), de montanha (N). Capital: Nova Délhi. Cidades: Mumbai (ex-Bombaim) (aglomeração urbana: 17.000.000. cidade: 12.200.000). Calcutá (aglomeração urbana: 13.400.000. cidade: 4.800.000). Délhi (aglomeração urbana: 12.800.000. cidade: 10.120.000). Bangalore (4.600.00), Madras (4.500.000), Nova Délhi (600.000) (2016).

População: 1.300 bilhão (2016); nacionalidade: indiana; composição: indo-arianos 72%, drávidas 25%, mongóis e outros 3%. Idiomas: hindi, inglês (oficiais), línguas regionais (principais: telugu, bengali, marati, tâmil, urdu, gujarati). Religião: hinduísmo 74,5%, islamismo 12,1%, cristianismo 6,2% (independentes 3,4%, outros 3,5% - dupla filiação 0,7%), crenças tradicionais 3,4%, sikhs 2,2%, outras 1,3%, sem religião e ateísmo 1,5% - dupla filiação 1,2%. Moeda: rúpia indiana

Relações Exteriores: Organizações: Banco Mundial, Comunidade Britânica, FMI, OMC, ONU. Embaixada: Tel. (61) 248-4006, fax (61) 248-7849 – Brasília (DF); e-mail: indemb@indianembassy.org.br, site na internet: www.indianembassy.org.

Governo: República parlamentarista. Div. administrativa: 25 estados. Partidos: do Congresso, do Povo Indiano (Bharatiya Janata) (BJP). Legislativo: bicameral – Conselho de Estado, com 245 membros; Casa do Povo, com 545 membros. Constituição: 1950.

O território da Índia ocupa a maior parte de uma vasta planície que, isolada do restante da Ásia pela cordilheira do Himalaia, forma o Subcontinente Indiano. O solo é fértil, há extensos recursos minerais e rios caudalosos, como o Ganges, considerado sagrado pelos hindus. O país lidera a produção de várias culturas agrícolas. Aldeias rurais convivem com megacidades, como Mumbai – ex-Bombaim – e Calcutá. O tamanho da população (mais de 1 bilhão de habitantes) contribui para a existência de imensos contrastes: mesmo com o 11º maior Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2001, cerca de 600 milhões de indianos vivem na miséria. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2050 a Índia será o país mais populoso do mundo, superando a China. No extremo oposto, a considerável parcela dos indianos com acesso à educação garante ao país papel de destaque na produção científica – farmacêutica e informática. Além da diversidade de línguas e culturas, a Índia é a terra de origem do hinduísmo. Violentos choques entre a maioria hinduísta e as minorias muçulmana e sikh já levaram ao assassinato de líderes políticos e continuam a abalar o país. Além das tensões internas, há o conflito com o Paquistão pela posse da Caxemira.

Bandeira da ÍndiaHistória da Índia

A origem da nação hindu é a civilização que se desenvolve desde 2500 a.C. no vale do rio Indo, onde fica o Paquistão. A região é conquistada em 1500 a.C. pelos arianos, que implantam uma sociedade baseada num sistema de castas. Após a invasão de Alexandre, o Grande, entre 327 a.C. e 325 a.C., forma-se, em 274 a.C, o Reino de Asoka, que unifica a Índia sob o budismo. A cultura hindu recupera espaço e atinge o apogeu no século IV com a dinastia Gupta. No início do século VIII, o oeste da Índia é invadido pelos árabes, que trazem o islamismo. A nova fé conquista camadas importantes da população, que vêem no Islã – cuja premissa é a igualdade de todos diante de Deus – uma oportunidade de escapar da rigidez social do sistema de castas.

Nova Délhi, Capital da Índia
Nova Délhi, Capital da Índia
Domínio ocidental - O auge da hegemonia muçulmana, com a dinastia Mogul (de 1526 a 1707), coincide com a presença ocidental na Índia, impulsionada pelo comércio de especiarias. Em 1510, os portugueses completam a conquista de Goa, na costa oeste do país. Ingleses, holandeses e franceses criam companhias de comércio com a Índia. Em 1690, os ingleses fundam Calcutá, mas só depois de uma guerra contra a França (1756/1763) o domínio do Reino Unido se consolida. No século XIX, os ingleses reprimem várias rebeliões anticolonialistas. Paradoxalmente, a cultura britânica torna-se um fator de união entre os indianos, que, com o inglês, adquirem uma língua comum. O Partido do Congresso, organização política que governaria a Índia independente, é fundado em 1885 por uma elite nativa de educação ocidental. Nos anos 1920 cresce a luta nacionalista sob a liderança do advogado Mohandas Gandhi, conhecido como o Mahatma ("grande alma"). Pacifista, Gandhi desencadeia um movimento de desobediência civil que inclui o boicote aos produtos britânicos e a recusa ao pagamento de impostos. Independência A luta contra o colonialismo britânico termina com a independência, em 1947. Sob incentivo britânico, líderes muçulmanos indianos decidem formar um Estado independente, o Paquistão. A partilha, baseada em critérios religiosos, provoca o deslocamento de mais de 10 milhões de pessoas. Choques entre hindus e muçulmanos deixam quase 1 milhão de mortos. Gandhi, a contragosto, aceita a divisão do país e é assassinado por um fundamentalista hindu, em 1948.

Guerras com o Paquistão - Em 1947, logo após a divisão, Índia e Paquistão entram em guerra pelo controle da Caxemira. Há uma trégua no ano seguinte, com a primeira divisão da Caxemira entre os dois países. A hostilidade indiano-paquistanesa enquadra-se na

Guerra Fria – a Índia tem o apoio soviético, e o Paquistão, o respaldo dos Estados Unidos (EUA). O primeiro governante da Índia independente, o primeiro-ministro Jawaharlal Nehru, adota uma política estatizante de inspiração socialista. Nehru morre em 1964. Em 1966, sua filha, Indira Gandhi, assume o poder. Índia e Paquistão entram novamente em guerra, em 1971, quando o governo indiano apóia os separatistas bengalis da província do Paquistão Oriental. Os paquistaneses capitulam, reconhecendo a independência de Bangladesh.

Conflitos étnicos - Em 1974, a Índia explode sua primeira bomba atômica. Indira Gandhi deixa o governo em 1977, mas retorna em 1980. Irrompem conflitos étnicos por todo o país. Os sikhs, grupo étnico e religioso, formam uma organização pela independência do estado do Punjab, no norte, onde são maioria. Uma série de atentados leva a primeira-ministra a ordenar, em 1984, a invasão do santuário sikh, o Templo Dourado de Amritsar. Centenas de sikhs morrem na ação. Em represália, Indira é assassinada. O filho de Indira, Rajiv Gandhi, assume o governo, em meio à agitação étnica, a acusações de corrupção e ao crescimento do partido religioso hindu Bharatiya Janata (BJP) nas eleições de 1989. O Partido do Congresso perde a maioria parlamentar, e Rajiv renuncia. Durante a campanha de 1991, vencida pelo partido, Rajiv é morto por separatistas tâmeis do Sri Lanka.

Fundamentalismo hindu - A animosidade entre hinduístas e muçulmanos, insuflada pelo BJP, gera conflito em torno de uma antiga mesquita em Ayodhya, no Estado de Uttar Pradesh, instalada onde, segundo a tradição hindu, teria nascido o deus Rama. O governo se omite, e, em 1992, milhares de hinduístas destroem a mesquita, deflagrando uma onda de violência que deixa 1,2 mil mortos. Em 1996 inicia-se uma fase marcada pela formação e queda de coalizões. O BJP é o partido mais votado nas eleições de 1998. Com o apoio de forças regionais e ultranacionalistas, obtém a maioria parlamentar, e seu líder, Atal Bihari Vajpayee, torna-se primeiro-ministro. A Índia realiza cinco explosões nucleares subterrâneas no deserto do Rajastão, em maio de 1998. O Paquistão responde com seis testes nucleares. O gabinete de Vajpayee cai em abril de 1999. O triunfo militar indiano em novo embate na Caxemira, em maio, garante a vitória do BJP e de partidos aliados nas eleições de setembro e outubro. Vajpayee é reconduzido à chefia de governo.

Em 2001, ataques militares e atentados terroristas fazem crescer a tensão na Caxemira. No início de 2002, muçulmanos ateiam fogo a um trem que transporta peregrinos hindus de volta de Ayodhya, o que desencadeia confrontos que deixam mais de 800 mortos. Em julho, o muçulmano A.P.J. Abdul Kalam, cientista mentor do programa de mísseis indiano, é eleito presidente.

Acordos internacionais - Em 2003, o governo modifica sua política de "não disparar primeiro" em relação às armas nucleares, prevendo a possibilidade de usá-las em retaliação a ataques químicos e biológicos. A visita de Vajpayee à China resulta no reconhecimento, pela Índia, da soberania chinesa sobre o Tibet. Em contrapartida, a China reconhece a anexação do antigo reino budista do Sikkim pela Índia, ocorrida em 1975.

Economia - Nos últimos anos, a Índia torna-se o maior exportador mundial de softwares. Em 2000, a indústria de programas para computador movimenta quase 6 bilhões de dólares – contra apenas 150 milhões dez anos antes. A economia vem crescendo nos últimos anos, a 5% ou mais por ano, o que não tem sido suficiente, no entanto, para fazer frente à miséria da maioria da população. Eleições Em maio de 2004, o Partido do Congresso, liderado por Sonia Gandhi, viúva do ex-primeiro-ministro Rajiv Gandhi, vence as eleições. Sonia, no entanto, não assume o posto de primeira-ministra, dizendo que jamais planejara exercer a função. Um possível motivo para a decisão é o fato de Sonia ter nascido na Itália, o que enfraquece sua posição diante dos adversários. O Parlamento elege, então, o ex-ministro das Finanças Manmohan Singh, de seu partido. Em setembro de 2004, Índia, Brasil, Alemanha e Japão candidatam-se, juntos, a cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU, numa eventual reforma da instituição.

Tsunami - A Índia é um dos países mais afetados pelo tsunami, em dezembro. As ondas gigantes atingem particularmente sua costa sudeste e as ilhas Andaman e Nicobar. Há pelo menos 10,5 mil mortos, segundo estimativa de janeiro de 2005.

Conflito no topo do mundo

Situada na cordilheira do Himalaia, a Caxemira é o pivô de uma disputa envolvendo Índia e Paquistão desde a independência. A primeira guerra, iniciada em 1947, termina no ano seguinte, com a divisão da região: cerca de um terço fica com o Paquistão (Azad Caxemira e Territórios do Norte) e o restante, com a Índia (Jammu e Caxemira). O Paquistão quer que a população local, de maioria muçulmana, decida se Jammu e Caxemira devem permanecer como parte da Índia ou se integrar ao país vizinho. A Índia rejeita a ideia.

Corrida nuclear - Grupos muçulmanos na Caxemira indiana iniciam uma rebelião em 1989, reivindicando a independência da região ou anexação ao Paquistão. A Índia acusa o governo paquistanês de apoiar os separatistas. Pelo menos 38 mil pessoas morrem no conflito, a fronteira é militarizada e desencadeia-se uma corrida nuclear. Os dois vizinhos chegam à beira da guerra em maio de 1999, quando tropas paquistanesas, com os rebeldes, invadem posições do lado indiano. No mês seguinte, forças indianas rechaçam os ocupantes, o que resulta em 1,2 mil mortes. Os dirigentes dos dois países ensaiam uma aproximação em 2001, com encontro na cidade indiana de Agra. Mas a reunião termina em impasse, com o Paquistão exigindo um plebiscito para definir o futuro da região e a Índia reafirmando que a Caxemira realiza periodicamente eleições democráticas, o que torna o plebiscito desnecessário.

Tensão crescente - Em dezembro, comandos suicidas investem contra o Parlamento indiano. Catorze pessoas morrem. A Índia culpa dois grupos separatistas da Caxemira, com base no Paquistão. A tensão cresce, e, no auge da crise, em maio de 2002, mais de 1 milhão de soldados dos dois países estão alocados na região. Em junho, Estados Unidos e Reino Unido lançam uma ofensiva diplomática para evitar a guerra. As relações entre Índia e Paquistão voltam a se deteriorar em 2003, com novos testes de mísseis de ambos os lados. Em janeiro e fevereiro, os dois países promovem expulsão mútua de diplomatas. A situação melhora em abril, quando o então primeiro-ministro indiano Atal Behari Vajpayee faz viagem-surpresa à Caxemira. As relações diplomáticas são restabelecidas em maio. Em novembro, a Índia aceita a proposta do Paquistão de um cessar-fogo. Em 2004 ocorrem avanços nas negociações, com encontros de líderes dos dois países. A Índia passa a negociar com separatistas moderados em janeiro e, em novembro, retira parte de suas tropas da região. Os atentados terroristas, no entanto, não cessam.

Arquitetura IndianaArquitetura Indiana

A arquitetura indiana compreende o conjunto de tradições que, a partir do terceiro milênio a.C., dominou a construção no subcontinente indiano (Índia, Paquistão, Sri Lanka), com reflexos na Indochina e Indonésia. Abrange desde magníficos templos de hinduístas, budistas, jainistas e muçulmanos, até os modernos edifícios cuja construção começou a partir da dominação britânica.

De origem essencialmente religiosa, a arquitetura indiana acabou por assimilar, durante a colonização européia e a ocupação britânica, os estilos europeus de construção.

Vale do Indo
A primeira civilização urbana de que se tem notícia desenvolveu-se no vale do rio Indo, no atual Paquistão. Mohenjo-daro, a "colina dos mortos", Harappa e Kalibangan são os sítios mais importantes dessa cultura. Trata-se de um conjunto de ruínas de três cidades superpostas. O plano de uma delas deixa ver uma trama regular de ruas e avenidas, algumas de 7,5m de largura, com prédios de vários andares. As construções eram de tijolos semelhantes aos atuais, mas não utilizavam colunas. Uma das ruínas mais imponentes é a de um balneário, talvez usado em cerimônias religiosas. Há restos de um enorme templo sob as ruínas de um templo budista posterior, o que impede a escavação. Esses sítios são os exemplos mais antigos de povoações previamente planejadas e construídas com método.

Período Mauria
Após a expulsão dos gregos, que, liderados por Alexandre o Grande, invadiram a Índia em 326 a.C., estabeleceu-se o império Mauria, que introduziu o budismo no país. Seu auge aconteceu sob o reinado de Açoka, época em que surgiram os primeiros monumentos em pedra, de influência grega, como o palácio de Pataliputra, centro político do reino. Entre os templos, que se adaptaram ao budismo professado pelo imperador, destacam-se os estupas, monumentos funerários, de forma hemisférica e que indicam estar enterrada no local uma relíquia sagrada, como o grande estupa de Sanchi.

Esse período marcou o início da arquitetura em pedra, que imitava construções religiosas em madeira, já desaparecidas. A forma típica da arquitetura Mauria é o templo budista escavado na rocha. O templo de Lomas Rsi, nas montanhas de Barabar (século III a.C.), representa essa fase: ao portal, cuja decoração imita o ornato em madeira, segue-se uma câmara retangular, que conduz a um aposento circular, de teto abobadado. A segunda câmara é o estupa. As paredes, sem decoração, são cuidadosamente polidas.

São também construções típicas da época Mauria grandes pilares circulares de pedra, com capitel campaniforme, que sustentam esculturas animais simbólicas. O mais famoso desses monumentos é o capitel de leões erguido em Sarnath, onde Buda pregou seu primeiro sermão. Com a destruição do império Mauria, poucas décadas após a morte de Açoka, floresceram as dinastias Sunga, no Ganges, e Andhra, na costa sudeste (século II a.C. a II d.C.)

Período Sunga e Andhra
A obra-prima do período Sunga é o grande estupa de Bharhut, na Índia central (atual Madhya Pradesh), que data aproximadamente do século II a.C. Outros templos (caitya) dessa dinastia são os de Bhaja e Kondane, perto de Bombaim, verdadeiras catedrais budistas, cujo interior era dividido, por fileiras de colunas, em nave principal e alas laterais. No fundo, de planta semicircular e teto abobadado, ergue-se o estupa, principal elemento do culto. Acredita-se que tanto o estupa como o santuário têm implicações simbólicas em relação ao cosmo.

O grande estupa de Sanchi, do período Andhra (por volta de 75 a.C.), tem como característica principal quatro toranas (pórticos) profusamente ornamentados, num violento contraste com o interior despojado da caitya. Os mosteiros jainas Udayagiri e Khandagiri, em Orissa, datam provavelmente do começo da era cristã; lavrados na rocha, sobreviveram às vicissitudes da história e ao clima subtropical.

Período Kushan
O ponto alto da arquitetura Kushan é o famoso templo de Mahabodhi, em Buddh Gaya, originalmente erguido no século II da era cristã para marcar o local onde Buda atingiu a iluminação. O monumento sofreu numerosos acréscimos e restaurações até o século XIX. A forma original é o retângulo de 6 por 15m, sobre o qual se eleva uma torre de 55m de altura, em forma de pirâmide truncada (sikhara). Uma restauração, no século XIX, eliminou o elemento mais importante: arcos e abóbadas pontiagudas na câmara interior, de origem obviamente não-indiana.

Períodos Gupta e Chalukya
No princípio do século IV, a dinastia Gupta expulsou os Kushan e organizou um novo império, com capital em Pataliputra. É desse período a cidade de Aihole, que segue um plano arquitetônico diferente. O período Gupta marca o início do apogeu da arquitetura indiana e a difusão de sua estrutura mais característica: um templo de base quadrada e uma torre piramidal, de linhas retas ou curvas e amplamente decorado com ornamentos arquitetônicos ou figurativos.

O principal templo budista do período Gupta é o de Ajanta, na verdade uma sucessão de trinta santuários cavados na pedra e admirados por sua rica decoração pictórica. Quanto a templos hinduístas, o mais antigo conhecido é o de Ugayagiri, junto a Bhilsa, no Bhopal (século IV). Escavado na rocha, esse templo foi imitado em Badami e Pattadkal.

A evolução do templo estrutural pode ser traçada a partir do templo de Vishnu, em Deogarh, do período Chalukya: simples quadrado murado, com pórtico de acesso e falsas janelas, cada qual exibe um relevo que representa um dos avatares da divindade, tudo sob pesada sikhara. A maioria dos monumentos Chalukya são templos dedicados as divindades hinduístas, principalmente Shiva, Vishnu e Durga, como as cavernas de Badami e Ellora e os templos de alvenaria de Aihole, Badami e Pattadakal.

Período medieval
A arquitetura indiana do período medieval, de base hinduísta, apresenta-se em dois estilos: o meridional e o setentrional. Essa divisão se baseia no formato da sikhara. A sikhara setentrional ou ariana, composta de várias camadas horizontais que se afinam no cimo, ostenta no ápice a amalaka (grande pedra em forma de cogumelo estriado), o que pode ser visto nos santuários de Bhudaneswar, em Orissa. A sikhara meridional possui apenas de três a cinco segmentos horizontais, limitados por pesadas cornijas. No cimo exibem, em lugar da amalaka, uma cúpula quadrada ou octogonal, chamada stupika. No templo de Aihole, aproximadamente do ano 600, os dois tipos de sikhara ocorrem simultaneamente.

Na Índia meridional situam-se ainda os sete santuários de Mamallapuram, próximo a Madrasta, do ano 640 aproximadamente, famoso monumento escavado, cada qual em um gigantesco penedo e segundo modelos arquitetônicos distintos. O templo da Montanha Sagrada (Kailasanatha), em Ellora, escavado na pedra entre os séculos VIII e X, é um dos principais monumentos da arquitetura do período. Da mesma época é também o estilo dravídico, cujo exemplo mais puro é o templo de Malegitti Sivalaya, do início do século VIII. Seus últimos grandes centros foram Vijayanagar e Madura, já durante as invasões muçulmanas. O período medieval é caracterizado pelo desenvolvimento das mandapas, imensos saguões.

Sri Lanka, Indochina e Indonésia
Os templos de Anuradhapura, antiga capital budista do Sri Lanka (antes Ceilão), foram erguidos a partir do século III a.C., assim como santuários (dagobas) e estupas. Os melhores exemplos da arquitetura khmer no Camboja são os templos de Angkor Wat e Bayon, respectivamente dos séculos XII e XIII.

O grande santuário de Borobudur, o mais nobre monumento arquitetônico de Java, representa a ilustração do cosmo e simboliza os mundos material e espiritual de Buda. Sua estrutura se resume no perfil hemisférico de um gigantesco estupa e contém uma pirâmide em degraus (parasada).

Períodos muçulmano e Mongol
Os muçulmanos, que já invadiam a Índia para pilhar as ricas cidades desde o século VIII, se estabeleceram no norte do país a partir do século XIII. A chamada torre de Vitória, ou Qutb Minar, de 73 metros de altura, é o marco da arquitetura muçulmana na Índia. Foi erguida em Delhi, por volta de 1200. Seu modelo arquitetônico predominou até o século XIX nas regiões subjugadas pelo Islã. A mesquita de Quwat-ul-Islam foi construída entre 1206 e 1290, com restos de material de templos hindus devastados. A grande mesquita de Ahmed, inspirada nos templos jainas do monte Abu, data do começo do século XIII.

No princípio do século XVI, os mogóis, grupo islâmico de cultura persa, invadiram e dominaram boa parte da Índia, liderados por Baber. A invasão mogol representou o renascimento da arquitetura islâmica no norte da Índia: os estilos persa e indiano, entre outros, fundiram-se com êxito em obras de raro refinamento e qualidade. São exemplos de monumentos desse período o grande forte de Agra (século XVI) e a mesquita de Jami Masjid, em Fatehpur Sikri.

O mais expressivo monumento da arquitetura indiana de influência islâmica é o Taj Mahal, túmulo erguido por xá Jahan entre 1632 e 1649, para sua favorita, Mumtaz Mahal. Em mármore branco, ricamente decorado com incrustações de pedras semipreciosas e cercado por magníficos jardins, é considerado uma das obras-primas da arquitetura mundial.

Tradições européias e período contemporâneo. Desde o século XVI começaram a surgir na Índia construções inspiradas na arquitetura européia, embora muitas vezes incorporassem fortes elementos nativos. Pelo menos algumas dessas obras tinham grande valor, sobretudo a arquitetura barroca da colônia portuguesa de Goa, onde se ergueram esplêndidos edifícios na segunda metade do século XVI. Algumas dessas construções sobreviveram, e entre as mais famosas delas está a igreja de Bom Jesus, começada em 1594 e terminada em 1605.

Nos séculos XVIII e XIX ergueram-se diversas construções de estilo neoclássico em áreas controladas ou influenciadas pelos europeus. Após a ocupação britânica, a arquitetura tradicional praticamente desapareceu, apesar das tentativas de mesclar as tradições autóctones com as técnicas ocidentais. Particularmente importante é o projeto de Le Corbusier para a nova capital do Punjab, Chandigarh, com a colaboração de diversos arquitetos locais. Outros mestres americanos e europeus também contribuíram para criar um movimento arquitetônico moderno, de grande vitalidade, que está em processo de adaptação às necessidades e tradições locais.

Arte IndianaArte Indiana

A arte indiana é um instrumento para a elevação do espírito. Sua função essencial é traduzir o divino em imagens e, por meio delas, promover a ligação do devoto com a divindade. Desde o terceiro milênio a.C. até a dominação britânica, no século XIX, a arte indiana esteve condicionada pelas vicissitudes históricas, que levaram a península do Hindustão a ser invadida por diferentes povos, que nela difundiram várias crenças religiosas. Nas diversas etapas históricas, os princípios estéticos permaneceram quase imutáveis: a íntima relação do homem com a natureza, que levou ao surgimento de formas sinuosas, dotadas de grande sensualidade, e o sentimento religioso (hindu, budista ou islâmico), que conduziu à edificação de uma enorme variedade de monumentos funerários e templos.

Segundo antigos textos indianos, "as portas do céu se abrem para quem retrata divindades; mas não para quem cria imagens de meros mortais". Por isso, a intenção dos artistas indianos não era criar obras de arte, no sentido ocidental do termo; as esculturas, pinturas e templos estabelecem uma aproximação com o Princípio Supremo, do qual a divindade é um símbolo. A imagem é uma manifestação da divindade; o templo é sua casa e, miticamente, seu corpo.

Origens históricas

Afora artefatos paleolíticos e neolíticos, os mais antigos objetos artísticos da Índia datam do terceiro milênio a.C., quando uma civilização ainda mal conhecida começou a desabrochar no vale do Indo, em torno das cidades de Mohenjo-daro e Harappa. Nesses sítios foram encontradas pequenas esculturas, pertencentes a dois grupos. O primeiro, ligado à Mesopotâmia, é de figuras de celebrantes, cilíndricas e modeladas convencionalmente; o segundo, de que fazem parte um torso masculino em arenito de Harappa e uma bailarina em cobre de Mohenjo-daro, traduz de modo vivo o movimento, característica básica de toda a futura produção artística da Índia. As obras de arte mais características são sinetes retangulares que representam animais, associados a sinais pictográficos de uma escrita não decifrada. Encontrados também na Mesopotâmia, comprovam o intercâmbio entre as duas civilizações, e foram talvez usados para marcar mercadorias exportadas.

Em torno de 1500 a.C., os arianos (indo-europeus) invadiram a Índia. Trouxeram o ferro, subjugaram os indígenas dravidianos e ocuparam o Punjab e o vale do Ganges. Seguiu-se o período védico, cuja organização social resultou do encontro entre a cultura ariana (invasora) e a dravídica (subjugada). À exceção de pequenas moedas com símbolos e discos lavrados em arenito, não há restos arqueológicos. Nessa época foram elaborados os mais antigos textos indianos, os Vedas, que encerram todo o saber bramânico.

Arte Mauria (c.321-185 a.C.)
Nada restou da arte produzida no longo intervalo entre o ocaso da civilização do Indo e o século II a.C., quando a dinastia Mauria assumiu o poder e fez do budismo a religião oficial. A arte desse período é naturalmente dedicada a propagar a nova religião. Embora ainda guarde resquícios iranianos e helênicos, influência da invasão de Alexandre no ano 326 a.C., a simbologia já é indiana. As famosas colunas de Açoka, em arenito polido, têm mais de 15m de altura e retratam animais admiravelmente esculpidos.

O mais belo monumento do período é o capitel de inspiração persa aquemênida, encontrado em Sarnath, local dos primeiros ensinamentos de Buda. Exibe no topo quatro leões, que sustêm um disco, hoje perdido, símbolo da lei budista. Essa figura foi incorporada ao brasão de armas da União Indiana e também ao emblema da doutrina universal de Buda. Os belos portões das estupas (monumentos funerários de forma hemisférica) de Bharhut e Sanci, as estátuas monumentais de espíritos das árvores e das pedras, de formas voluptuosas e sensuais, e pequenas figuras em terracota associadas à cultura do vale do Indo, pertencem também à época Mauria.

Arte Sunga e Andhra (c.185-73 a.C.)
Durante as dinastias Sunga e Andhra, nos séculos II e I a.C., predominou uma estética popular, que estabeleceu as bases de toda a iconografia indiana posterior. As manifestações mais notáveis de arte sunga são as esculturas em monumentos budistas, como a balaustrada do estupa de Bharhut, ou a cercadura do recinto sagrado de Buddh Gaya, inspiradas nas jakatas (encarnações prévias) de Buda. As figuras têm maior desenvoltura técnica que as do período anterior, e algumas revelam um senso pungente da beleza humana. A pedra, em alto e baixo-relevo, é o material favorito.

Algumas esculturas que integram o grande estupa de Sanchi, que datam do período de hegemonia da dinastia Andhra (75-50 a.C.), são obras-primas. Representam símbolos budistas, animais, pássaros e seres humanos, em meio a um intrincado labirinto de formas e volumes. Apesar de evocarem a doutrina do casto Buda, as figuras femininas de yakshis (espíritos guardiães de tesouros), com suas estreitas cinturas, bustos e coxas, são de grande sensualidade. Essa vitalidade sensual é elemento peculiar a quase toda a arte autenticamente indiana; o despojamento observado nas estupas corresponde, de modo mais adequado, à filosofia budista da abnegação.

Arte de Gandhara
A arte da escola de Gandhara (região que abrangia os atuais Afeganistão e Paquistão) desenvolveu-se a partir do século I da era cristã, sob o patrocínio do império Kushan. Embora surgida após a queda das dinastias gregas, é essencialmente helenística. Representa a transição de um estilo puramente simbólico, em que o Buda só podia ser evocado por meio de símbolos, para outro em que a divindade assume aparência antropomórfica. Essa foi a principal contribuição da arte de Gandhara: a imagem helenizada do Buda. Embora o volume e hieratismo das figuras sejam hindus, o modelado é tipicamente grego.

Os artistas do período produziram também imagens hieráticas e frontais de Buda, segundo a chamada "lei das comparações": pernas retas como troncos de palmeira, tórax de leão, braços semelhantes a trombas de elefantes e cabeça em forma de ovo, elementos que  persistiram em manifestações posteriores.

Arte Gupta (c.320-600 d.C.)
No decorrer dos séculos IV e V da era cristã, a maior parte da Índia foi reunificada sob a dinastia Gupta. A expressão artística mais importante desse período é o conjunto de pinturas murais cíclicas nas paredes e tetos do santuário de Ajanta. São ilustrações da forma mais desenvolvida do budismo, chamado de Grande Veículo ou Mahayana. Uma das obras-primas é o bodhisattva ("iluminado", encarnação de Buda) do Lótus Azul, na primeira das 26 cavernas de Ajanta.

A despeito do conteúdo religioso, os afrescos de Ajanta parecem atestar uma devoção quase lírica à beleza e ao calor do mundo sensorial. A técnica empregada nessas pinturas, assim como nas do santuário de Bagh, foi ensinada em manuais da época, ainda conservados. Primeiro, a parede rochosa recebia uma camada de barro, esterco e debulho de arroz; depois uma camada fina de cal, na qual se desenhavam os contornos, que depois de coloridos, eram cobertos por outra camada fina de cal. Nessa superfície lisa, com os contornos do esboço ainda visíveis, aplicavam-se diversas camadas de tinta, até que a pintura "florescesse", na expressão da estética indiana antiga. Inspiradas nas fábulas das encarnações de Buda, essas pinturas retratam não apenas bodhisattvas, mas também vários tipos humanos em diversas atitudes, sob as emoções mais variadas e de todas as classes sociais. Nos tetos predominam os padrões decorativos.

No período Gupta, a escultura chegou ao apogeu. Não obstante as diferenças iconográficas, em função das três religiões que coexistiram na época -- jainismo, hinduísmo e budismo - observa-se um estilo coeso, também encontrado em Myanmar, Tailândia e Camboja, entre os séculos V e VII. Exemplos admiráveis da escultura hinduísta são os mukhalingams (símbolos fálicos com imagens entalhadas de Shiva) de Bhumara e Gop, os relevos de Udayagiri, que representam Durga, as cenas do Ramayana, em Ellora, e os relevos de Rajagrha. Em Udayagiri, avulta a gigantesca figura de Varaha, representação do deus Vishnu na figura de um porco, aberta na pedra em meio a uma caverna que lhe serve de nicho.

A figura naturalista dos Budas de Gandhara é gradativamente substituída por outra, totalmente indiana na concepção. Conserva o antropomorfismo, mas o senso heróico das proporções humanas e a sensualidade com que são evocados os personagens parecem remontar diretamente à tradição kushan. As esculturas de arenito achadas em Sarnath, que obedecem a cânones matemáticos, são manifestações artísticas da mais alta qualidade. São obras-primas do período o Buda de Sarnath e o torso do bodhisattva Avalokiteshvara, de Sanci, hoje no Museu Indiano de Londres.

Período medieval (c.650-1200)
Com a queda do império Gupta, no final do século V, o poder se dispersou entre várias dinastias, que ergueram muitos templos no centro e sul da Índia. Importantes exemplos da arte pós-Gupta são os templos rupestres hindus em Ellora e na ilha de Elephanta, com abundante decoração escultórica, construídos segundo o modelo dos viharas (mosteiros) budistas, mas bem maiores.

A escultura em pedra predominou durante a dinastia Pallava (c.600-850), com destaque para o conjunto de Mahabalipuram (Os Sete Pagodes), que data do século VII e ao qual pertence o monumental relevo da "Penitência de Bhagiratha e a descida do Ganges", com grande riqueza de detalhes pictográficos. De grande impacto é o relevo de Shiva subjugando o demônio Ravana, ilustração do Ramayana, no templo de Ellora.

As esculturas da ilha de Elephanta, em que se destaca um monumental ícone de Shiva, foram seriamente danificadas, no século XVI, pelos portugueses, que  usaram as cavernas para fins militares. A arte de Bihar, que floresceu sob a dinastia dos Pala (c.750-1200), produziu belas imagens budistas em xisto preto com pinturas na capa de madeira e iluminuras dos séculos XI e XII, preservados no Nepal e em Bengala.

Durante a dinastia Hoysala (c.1100-1310) produziram-se esculturas num xisto escuro de fina granulação, que permitia grande riqueza de detalhes. Com ele foram feitos frisos contínuos de personagens, um em cima do outro, para cobrir as bases das celas dos templos, além de colunas, torneadas e esculpidas, que sustentam pórticos e vestíbulos. No teto, dançarinas voluptuosas. Em Somnathpur, encontra-se a imagem monolítica de Gommatesvara, filho de um dos primeiros 24 Jinas da mitologia jaina: com 17 metros de altura, é uma das maiores do mundo.

Da escola de iluminuras do reino do Gujarati, sobrevivem textos jainas em manuscritos de fibra de palmeira, um de 1237 e outro de 1427, com iluminuras, fortemente coloridas. A pintura Rajput floresceu entre os séculos XVI e XIX em Rajputana e outros centros montanhosos do Punjab. A temática hindu, com cenas épicas, como o amor de Krishna por sua amante Radha, é expressa em delicadas transparências.

Período muçulmano e mogol
As contínuas invasões muçulmanas provocaram o desenvolvimento de expressões indo-islâmicas na arte indiana, como a decoração da Torre da Vitória (Qutb Minar), que mistura elementos hindus. Com a invasão mogol, no princípio do século XVI, Agra e Delhi, as principais cidades do império, conheceram o esplendor da miniatura. Seu incentivador foi o imperador Akbar, que atraiu para a corte importantes miniaturistas persas. As ilustrações, de grande virtuosismo, utilizam cores fortes e abundância de dourados e prateados. Narram antigas lendas e os feitos mais importantes dos diversos monarcas. Há também representações de animais, especialidade do artista Mansur (século XVII).

Época moderna
Com a incorporação da Índia ao império britânico, as artes indianas estagnaram. Tentativas de fundir as tradições antigas aos movimentos ocidentais degeneraram em estilos híbridos, sem grande valor. No período pós-independência, alguns artistas tiveram sucesso na busca do equilíbrio entre antigo e novo. Na pintura, destacaram-se Jamini Roy, herdeiro da tradição bengali, e Amrita Sher Gil, que optou por fundir os estilos oriental e ocidental.
Rio Brahmaputra
Rio Brahmaputra no Tibet

Rio Brahmaputra

Nas planícies baixas de seu trecho final, o rio Brahmaputra ("filho de Brahma") deposita limos que formam um solo aluvial muito fértil, mas suas cheias freqüentes provocam grandes desastres.

O rio Brahmaputra tem 2.900km de extensão e uma descarga média da ordem de 12.000m3 por segundo. Percorre parte do Tibet (região autônoma da China), o território indiano de Assam e, por fim, Bangladesh. Desemboca no golfo de Bengala, depois de unir-se ao Ganges e ao Meghna. Seu regime é pluvionival no Tibet e pluvial (chuvas monçônicas, principalmente) no restante do curso. Na verdade, o clima de sua bacia vai do frio e aspereza do Tibet até as condições de umidade e calor generalizado que prevalecem no vale de Assam e em Bangladesh.

Nasce a quatro mil metros de altitude, no maciço tibetano de Kailas. Com o nome de Tsangpo, atravessa o Tibet meridional de oeste para leste, primeiro ao longo de uma depressão longitudinal, trecho em que acolhe as águas dos rios Ragas, Kyi Chu e Gyamda. Depois corre por uma zona muito acidentada, onde forma profundas gargantas e corredeiras. Ruma bruscamente para o sul e penetra em Assam, onde é conhecido com o nome de Dihang. À medida que se afasta das regiões montanhosas, amplia sua área de inundação. A partir da confluência com o Luhit, percorre um vale muito largo e plano em direção sudoeste, dividindo-se em vários braços, e recebe as águas do Subansiri. Penetra na planície de Bangladesh, onde é conhecido como Jamuna. Em Goalundo, pouco antes da foz, une-se ao Ganges. As águas dos dois rios formam o Padma e este, abrindo-se num gigantesco delta, desemboca no golfo de Bengala.

Navegável nos últimos 1.300km, a partir de Dibrugarh, o Brahmaputra é uma das principais vias de comunicação do estado indiano de Assam e de Bangladesh. Suas margens são acompanhadas por rodovias e ferrovias que não o cruzam por falta de pontes. Pequenas barcaças e balsas transportam pessoas e veículos de uma margem para a outra. A exploração metódica do rio só se iniciou em 1884, quando J. F. Needham descobriu que o Tsangpo formava o curso alto do Brahmaputra.
Reino de Asoka

Reino de Asoka

O surgimento do Reino de Asoka é desconhecido. Sabe-se que reinou provavelmente entre 265 e 238 a.C., período em que trabalhou exaustivamente pela expansão do budismo por toda a Índia. Depois da sangrenta conquista da região de Kalinga, atual estado indiano de Orissa, no oitavo ano de seu reinado, Asoka deixou-se comover pelos sofrimentos dos vencidos, renunciou às campanhas guerreiras e empreendeu o que denominou "conquista pelo darma", ou seja, pelos preceitos morais e religiosos.

O último dos grandes imperadores da dinastia indiana Mauria distinguiu-se por suas notáveis obras sociais, os cuidados com o meio ambiente e o empenho em divulgar os princípios do budismo.

Asoka entendia o darma como a prática de virtudes como honestidade, compaixão, brandura e temperança. Evitava mencionar uma religião ou filosofia em especial e falava do budismo apenas aos seguidores. Assegurou liberdade religiosa a seus súditos e permitiu que cada um vivesse segundo seus princípios, respeitando o ponto de vista dos demais.

Além de pregar, Asoka mandou também gravar em pedra seus editos, que, além de divulgar a prática da virtude, forneceram valiosas informações sobre sua vida. O pilar encontrado em Sarnath, ornamentado com a figura do leão, que se tornou o símbolo nacional da Índia, é o mais famoso deles. Açoka morreu provavelmente em 238 a.C.

CalcutáCalcutá

Calcutá, Kalikata em bengali, é a capital do estado indiano de Bengala Ocidental. Encontra-se às margens do rio Hooghly, embora sua área de influência se estenda ao delta e à planície do Ganges, no vale do Assam, e às zonas de Bihar, Orissa e Madhya Pradesh.

Cidade mais populosa da Índia e um dos principais portos do país, Calcutá certamente deve seu nome à deusa Kali.

Em 1690, comerciantes britânicos sob as ordens de Job Charnock fundaram o posto defensivo de Calcutá, na margem leste do rio Hooghly. Entre 1707 e 1717, a Companhia das Índias Orientais comprou as terras adjacentes. Calcutá foi capital da Índia britânica de 1773 a 1912. O papel desempenhado pela cidade na segunda guerra mundial, como base de operações das forças aliadas, favoreceu o desenvolvimento de sua indústria e comércio. De 1946 a 1964 foi palco de violentos confrontos entre muçulmanos e hindus. Nas décadas seguintes, Calcutá e Bengala Ocidental se destacaram frequentemente por seus governos de esquerda num país dominado por partidos mais conservadores.
Apesar do clima subtropical, quente e úmido, o crescimento demográfico da cidade foi notável ao longo do século XX, devido à afluência de refugiados e de imigrantes atraídos por suas indústrias. Mescla de elementos coloniais e autóctones, Calcutá tem uma área urbana de 425km2, com deficiências de serviços de água e esgotos, vias de comunicação e outros serviços públicos.

A economia de Calcutá se baseia na atividade de seu porto e na produção de papel, algodão, seda, açúcar, artigos de juta, alimentos, calçados, confecções, maquinarias, aço, ferro etc. A cidade é também um centro financeiro. As influências arquitetônicas orientais e ocidentais se entrelaçam em Calcutá: o Vitoria Memorial, um dos edifícios mais bonitos da cidade, é uma mescla dos estilos europeus clássico e mongol. A influência britânica pode ser constatada nos parques públicos, nas instituições culturais e nas mansões dos ricos empresários. Importante centro cultural e educacional, a cidade sedia as universidades de Jadavpur, Calcutá e Rabindra Bharati.

Cidade de Calcutá
Mahatma Gandhi

Mahatma Gandhi

Líder do movimento de independência indiana nascido em Porbandar, estado de Gujarat, cujos princípios religiosos da não-violência e a crença na santidade de todos os seres vivos, seguidos com sucesso em suas atividades políticas, o consagraram mundialmente. O título dado Mahatma, que significa alma grande,expressou o respeito e a veneração do povo indiano por seu líder. Estudou no Samaldas College, em Bhavnagar, e direito na Universidade de Oxford, Inglaterra. Retornou à Índia (1891) e depois mudou-se para Natal, África do Sul, país com uma grande população de indianos, onde exerceu a advocacia (1893-1914) e deu início a sua luta localizada contra as injustiças e humilhações sofridas pelos indianos residentes.

Fundou uma seção do Partido do Congresso e estabeleceu os fundamentos da resistência pacífica, o satyagraha, baseada nos princípios da luta sem violência e no sofrimento como instrumento para resistir ao adversário. Voltou à Índia (1915), apoiou os britânicos durante a primeira guerra mundial, mas o massacre em Amritsar (1919), no estado do Punjab, onde soldados britânicos mataram cerca de 400 indianos, fez com que iniciasse sua luta pela independência do país (1920), o resultou em um período na prisão (1922-1924).

Ao ser libertado teve que trabalhar intensamente na reunificação das comunidades e do Partido do Congresso extremamente divididos entre hindus e muçulmanos. Após a notória campanha da desobediência contra o imposto do sal (1930), aceitou uma trégua com o Reino Unido e concordou em participar da II Conferência da Mesa Redonda (1931), em Londres, na qual mais uma vez reivindicou a independência de seu país.

Voltando à Índia em dezembro (1931), reassumiu a campanha da desobediência e foi novamente preso e condenado. Neste período manteve fundamentais contatos políticos com Jawaharlal Nehru, outro dos grandes líderes da futura nação indiana. Em protesto contra a decisão do governo britânico de segregar as castas inferiores, os párias (1932) fez mais uma de suas notórias greves de fome.

Deixando o Partido do Congresso (1934) concentrou-se num programa de organização da nação a partir da luta em favor dos pobres, que incluía o incentivo às indústrias regionais e a implantação de um sistema de educação voltado para as necessidades do povo. Com a eclosão da segunda guerra mundial, voltou à militância ativa e pediu a retirada imediata dos britânicos (1942), o que resultou na prisão dos principais dirigentes do Partido do Congresso. Terminada a guerra (1945) deu-se início a uma nova etapa nas relações indo-britânicas que resultou com a formação de dois estados independentes (1947): a Índia, majoritariamente hindu, e o Paquistão, muçulmano.

Foi assassinado por um fanático hinduísta, enquanto rezava em Delhi, e suas cinzas foram lançadas no rio Ganges.

Madre Teresa de CalcutáMadre Teresa de Calcutá

Madre indiana nascida em Skopje, na Macedônia, cuja dedicação em vida aos pobres da Índia lhe valeu um Prêmio Nobel da Paz (1979). Filha de merceeiro albanês, ingressou na Ordem de Nossa Senhora de Loreto e foi para a Irlanda (1928) para estudar no Instituto da Bendita Virgem Maria, mas logo embarcou para a Índia onde estudou enfermagem, mudou-se para as favelas e começou a trabalhar com os pobres de Calcutá. Dizia que recebeu um chamado divino (1946) para se dedicar aos pobres e viver entre eles. Adotou a cidadania indiana e foi-lhe cedido um albergue de peregrinos, perto do templo de Kali, onde ela fundou a Ordem das Missionárias da Caridade (1948) e passou a dar assistência aos necessitados.

Com a colaboração de voluntários organizou dispensários e escolas ao ar livre e fundou inúmeros centros para cegos, idosos, leprosos, aleijados e moribundos. Sua ordem (1950) recebeu sanção canônica do papa Pio XII. O papa Paulo VI presenteou-a com a limusine por ele utilizada em sua visita à Índia (1964) e ela rifou o carro, para ajudar a financiar uma colônia de leprosos. Em reconhecimento a seu apostolado, o governo indiano concedeu-lhe (1963) a medalha Senhor do Lótus. Sua ordem, já presente em vários países, tornou-se subordinada somente ao papa (1965).

Pelo trabalho da ordem foi indicada para o Nobel da Paz (1975), mas só ganhou o prêmio quatro anos depois (1979) pela sua luta contra a pobreza na Índia. Paulo VI concedeu a madre Teresa o primeiro Prêmio João XXIII da Paz (1971). Sua saúde começou a decair, após um ataque cardíaco (1983). Já debilitada solicitou ao papa João Paulo II seu afastamento da liderança da congregação (1990).

Em agosto deste ano ficou internada em razão de problemas cardiorrespiratórios e morreu em 5/9, de ataque cardíaco, em Calcutá, Índia. Foi beatificada em 19 outubro (2003) pelo papa João Paulo II. Como fundadora das Missionárias da Caridade, foi testemunho vivo de amor a Jesus Cristo por sua entrega total a serviço dos mais pobres entre os pobres. Seu exemplo haverá de ter sido um guia para a consciência da humanidade.

Fonte: http://www-geografia.blogspot.com.br/