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Tese-Manifesto do Cinema Novo

Tese-Manifesto do Cinema Novo

Tese-Manifesto do Cinema Novo
"Uma Estética da Fome" - Tese-manifesto com os princípios e propostas do Cinema Novo, apresentado e publicado originalmente em 1965.
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A fome latina, por isto, não é somente um sintoma alarmante: é o nervo de sua própria sociedade. Aí reside a trágica originalidade do Cinema Novo diante do cinema mundial: nossa originalidade é nossa fome e nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida. ( De Aruanda a Vidas Secas, o Cinema Novo narrou, descreveu, poetizou, discursou, analisou, excitou os temas da fome: personagens comendo terra, personagens comendo raízes, personagens roubando para comer, personagens matando para comer, personagens fugindo para comer, personagens sujas, feias, descarnadas, morando em casas sujas, feias, escuras: foi esta galeria de famintos que identificou o Cinema Novo com o miserabilismo, hoje tão condenado pelo Governo do Estado da Guanabara, pela Comissão de Seleção para Festivais do Itamarati, pela crítica a serviço dos interesses oficiais, pelos produtores e pelo público – este último não suportando as imagens da própria miséria. Este miserabilismo do Cinema Novo opõe-se à tendência do digestivo, preconizada pelo crítico-mor da Guanabara, Carlos Lacerda: filmes de gente rica, em casas bonitas, andando em automóveis de luxo; filmes alegres, cômicos, rápidos, sem mensagens, e de objetivos puramente industriais. Estes são os filmes que se opõem à fome, como se, na estufa e nos apartamentos de luxo, os cineastas pudessem esconder a miséria moral de uma burguesia indefinida e frágil, ou se mesmo os próprios materiais técnicos e cenográficos pudessem esconder a fome que está enraizada na própria incivilização. Como se, sobretudo, neste aparato de paisagens tropicais, pudesse ser disfarçada a indigência mental dos cineastas que fazem este tipo de filmes. O que fez do Cinema Novo um fenômeno de importância internacional foi justamente seu alto nível de compromisso com a verdade; foi seu próprio miserabilismo, que, antes escrito pela literatura de ’30, foi agora fotografado pelo cinema de ’60; e, se antes era escrito como denúncia social, hoje passou a ser discutido como problema político. Os próprios estágios do miserabilismo em nosso cinema são internamente evolutivos. Assim, como observa Gustavo Dahl, vai desde o fenomenológico (Porto das Caixas), ao social (Vidas Secas), ao político (Deus e o Diabo), ao poético (Ganga Zumba), ao demagógico (Cinco Vezes Favela), ao experimental (Sol sobre a Lama), ao documental (Garrincha, Alegria do Povo), à comédia (Os Mendigos), experiências em vários sentidos, frustadas umas, realizadas outras, mas todas compondo, no final de três anos, um quadro histórico que, não por acaso, vai caracterizar o período Jânio-Jango: o período das grandes crises de consciência e de rebeldia, de agitação e revolução que culminou no golpe de abril. E foi a partir de abril que a tese do cinema digestivo ganhou peso no Brasil, ameaçando, sistematicamente, o Cinema Novo.) Nós compreendemos esta fome que o europeu e o brasileiro na maioria não entendeu. Para o europeu, é um estranho surrealismo tropical. Para o brasileiro, é uma vergonha nacional. Ele não come mas tem vergonha de dizer isto; e, sobretudo, não sabe de onde vem esta fome. Sabemos nós – que fizemos estes filmes feios e tristes, estes filmes gritados e desesperados onde nem sempre a razão falou mais alto – que a fome não será curada pelos planejamentos de gabinete e que os remendos do tecnicolor não escondem, mais agravam seus tumores. Assim, somente uma cultura da fome, minando suas próprias estruturas, pode superar-se qualitativamente: e a mais nobre manifestação cultural da fome é a violência. (A mendicância, tradição que se implantou com a redentora piedade colonialista, tem sido uma das causadoras de mistificação política e da ufanista mentira cultural: os relatórios oficiais da fome pedem dinheiro aos países colonialistas com o fito de construir escolas sem criar professores, de construir casas sem dar trabalho, de ensinar o ofício sem ensinar o analfabeto. A diplomacia pede, os economistas pedem, a política pede: o Cinema Novo, no campo internacional, nada pediu: impôs-se pela violência de suas imagens em vinte e dois festivais internacionais.)

Do Cinema Novo: uma estética da violência antes de ser primitiva é revolucionária, eis aí o ponto inicial para que o colonizador compreenda a existência do colonizado; somente conscientizando sua possibilidade única, a violência, o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora. Enquanto não ergue as armas, o colonizado é um escravo; foi preciso um primeiro policial morto para que o francês percebesse um argelino.

Explicação: Já passou o tempo em que o Cinema Novo precisava explicar-se para existir: o Cinema Novo necessita processar-se para que se explique, à medida que nossa realidade seja mais discernível à luz de pensamentos que não estejam debilitados ou delirantes pela fome. O Cinema Novo não pode desenvolver-se efetivamente enquanto permanecer marginal ao processo econômico e cultural do continente latino-americano; além do mais, porque o Cinema Novo é um fenômeno dos povos novos e não uma entidade privilegiada do Brasil: onde houver um cineasta disposto a filmar a verdade, e a enfrentar os padrões hipócritas e policialescos da censura intelectual, aí haverá um germe vivo do Cinema Novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do Cinema Novo. Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema e sua profissão a serviço das causas importantes de seu tempo, aí haverá um germe do Cinema Novo. A definição é esta e por esta definição o Cinema Novo se marginaliza da indústria porque o compromisso do Cinema Industrial é com a mentira e com a exploração. Não temos por isto maiores pontos de contato com o cinema mundial, a não ser com suas origens técnicas e artísticas.O Cinema Novo é um projeto que se realiza na política da fome, e sofre, por isto mesmo, todas as fraquezas conseqüentes de sua existência.

Nova York, Milão, RioJaneiro – 1965."

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Semana da Arte Moderna

Semana da Arte Moderna

Semana da Arte ModernaReunidos em São Paulo em 1922, intelectuais e artistas brasileiros rebelam-se contra o academicismo predominante na época e pronunciam-se por uma cultura baseada nas raízes nacionais

A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos. O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.

Toda a História bandeirante e a História comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos.

Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senagâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases. Negras de jóquei. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil. (...)

A estatuária andou atrás. As procissões saíram novinhas das fábricas.

Só não se inventou uma máquina de fazer verso - já havia o poeta parnasiano.

Ora, a revolução indicou apenas que a arte voltava para as elites. E as elites começaram desmanchando. Duas fases: - a deformação através do impressionismo, a fragmentação, o caos voluntário. De Cézanne a Mallarmé, Rodin e Debussy até agora; 2ª o lirismo, a apresentação no templo, os materiais, a inocência construtiva.

O Brasil profiteur. O Brasil doutor. E a coincidência da primeira construção brasileira no movimento de reconstrução geral. Poesia Pau-Brasil.

Como a época é miraculosa, as leis nasceram do próprio rotamento dinâmico dos fatos destrutivos.

A síntese.

O equilíbrio.

O acabamento de carrosserie.

A invenção.

Uma nova perspectiva.

Uma nova escala.

Qualquer esforço natural nesse sentido será bom. Poesia Pau-Brasil.

O trabalho contra o detalhe naturalista - pela "síntese" contra a morbidez romântica pelo "equilíbrio" geômetra e pelo acabamento"

técnicos; contra a cópia, pela "invenção" e pela "surpresa".

Uma nova perspectiva:

O estado de inocência substituindo o estado de graça que pode ser uma atitude do espírito.
O contrapeso da originalidade nativa para inutilizar a adesão acadêmica.

A reação contra todas as indigestões de sabedoria.

O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna.

Apenas brasileiros de nossa época. O necessário de química, de mecânica, de economia e de balística.

Tudo digerido. Sem meeting cultural. Práticos. Experimentais. Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem comparações de apoio.

Sem pesquisa etimológica. Sem antologia.

Bárbaros crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil.

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Expressionismo | Corrente Artística do Exagero das Figuras


Expressionismo | Corrente Artística do Exagero das Figuras


Expressionismo | Corrente Artística do Exagero das FigurasExpressionismo, corrente artística que, pela deformação ou exagero das figuras, buscava a expressão dos sentimentos e emoções do autor. Este movimento surgiu como reação aos modelos dominantes nas artes européias desde o Renascimento, particularmente nas ultrapassadas academias de Belas-Artes. O artista expressionista buscava a experiência emocional, preocupando-se mais com as emoções do observador do que com a realidade externa. Para aumentar a dramaticidade da comunicação artística, exageravam e, mesmo, distorciam os temas trabalhados.

Embora o termo expressionismo não se aplicasse à pintura antes de 1911, suas características se encontram nas criações de quase todos os países e períodos. Parte da arte chinesa e japonesa dá mais importância à essência do que à aparência física. Os grandes nomes da Europa medieval exageraram suas figuras nas igrejas românicas e góticas, objetivando aumentar a carga espiritual de suas criações. A intensidade expressiva, criada pela distorção, aparece também no século XVI nas obras de artistas maneiristas, como o pintor espanhol El Greco e o alemão Matthias Grünewald. Os autênticos precursores do expressionismo vanguardista apareceram no final do século XIX e começo do XX. Entre eles destacam-se o pintor holandês Vincent van Gogh, o francês Paul Gauguin e o norueguês Edvard Munch, que utilizavam cores violentas e linhas fortes para aumentar a intensidade de seus trabalhos.

O grupo expressionista mais importante do século XX surgiu na Alemanha. Entre suas figuras de proa estão os pintores Ernst Ludwig Kirchner, Erich Heckel e Karl Schmidt-Rottluff, que fundaram em Dresde (1905) o grupo denominado Die Brücke (A ponte). Em 1906, Emil Nolde e Max Pechstein aderiram ao movimento e, em 1910, Otto Müller. Em 1912, fizeram uma exposição coletiva aliados a um grupo de Munique denominado Der Blaue Reiter(O cavaleiro azul), do qual faziam parte os pintores alemães Franz Marc, August Macke e Heinrich Campendonk, o suíço Paul Klee e o russo Wassily Kandinsky. Esta primeira fase do Expressionismo Alemão foi marcada por uma visão satírica da burguesia e forte desejo de representar emoções subjetivas. Die Brückedissolveu-se em 1913, um ano antes do início da I Guerra Mundial (1914-1918). Os Fauvistas — particularmente o pintor francês Georges Braque e o espanhol Pablo Picasso — influenciaram e foram influenciados pelo Expressionismo Alemão.

A fase seguinte do Expressionismo se chamou Die neue Sachlichkeit (Nova Objetividade) e surgiu junto com a desilusão reinante após a I Guerra Mundial. Fundada por Otto Dix e George Grosz, foi marcada pelo pessimismo existencial e por uma atitude irônica e cínica diante da sociedade. Este período do Expressionismo transformou-se em movimento internacional, podendo-se perceber a influência dos alemães no trabalho de artistas de várias partes do mundo, entre eles, os austríacos Oskar Kokoschka e Egon Schiele, os franceses Georges Rouault, Chaïm Soutine, o búlgaro nacionalizado francês Jules Pascin e o norte-americano Max Weber.
Na América Latina, o principal nome do Expressionismo é o equatoriano Oswaldo Guayasamín que, influenciado pelos muralistas mexicanos, utilizou esta estética para retratar a realidade dos indígenas do seu país. Na Espanha, o Expressionismo teve forte cunho social e seus nomes mais importantes são José Gutierrez Solana, Benjamín Palencia, Pancho Cossío, Francisco Mateos, Rafael Zabaleta e Eduardo Vicente.

No Brasil destacam-se Antonio Garcia Bento, Benedito Calixto de Jesus, Lasar Segal, pintor da dor e sofrimento humanos, e Anita Malfatti, que modernizou a pintura brasileira com temas nacionalistas, entre eles O Tropical, de 1916.

O grito
O grito (1893), de Edward Munch, é considerado o primeiro quadro expressionista. Embora o pintor norueguês não militasse nas campanhas desse movimento, tornou-se seu principal precursor pela capacidade de retratar os conflitos internos de seus personagens.


Picasso, Pablo Ruiz (1881-1973), pintor e escultor espanhol, considerado um dos artistas mais importantes do século XX. Artista multifacetado, foi único e genial em todas as atividades que exerceu: inventor de formas, criador de técnicas e de estilos, artista gráfico e escultor.

Período de formação
O gênio de Picasso manifestou-se desde muito cedo: aos 10 anos de idade, fez suas primeiras pinturas e, aos 15, passou com brilhantismo nos exames para a Escola de Belas Artes de Barcelona, com a grande tela Ciência e Caridade (1897), ainda em moldes acadêmicos.

Período azul
Entre 1900 e 1902 fez três viagens a Paris, onde se estabeleceu finalmente, em 1904. Os temas das obras de Edgar Degas e de Henri Marie de Toulouse-Lautrec, bem como o estilo deste último, exerceram grande influência em Picasso. A casa azul (1901) demonstra sua evolução para o período azul, assim chamado pelo predomínio dos tons dessa cor nas obras realizadas nessa época.

Período rosa
Pouco depois de se estabelecer em Paris, nos anos de 1904 e 1905, iniciou o chamado período rosa, concentrando sua temática no mundo do circo e criando obras como Família de arlequins (1905).

Protocubismo
No verão de 1906, durante uma estada em Gosol, Andorra, sua obra entrou em uma nova fase, marcada pela influência das artes gregas, ibérica e africana. O célebre retrato de Gertrude Stein (1905-1906) revela um tratamento do rosto em forma de máscara. A obra chave desse período é As senhoritas de Avignon (1907), em que rompe a profundidade espacial e a forma de representação ideal do nu feminino, restruturando-o por meio de linhas e planos cortantes e angulosos.

Cubismo analítico e sintético
Entre 1908 e 1911, Picasso e Georges Braque, inspirados no tratamento volumétrico das formas pictóricas de Paul Cézanne, trabalharam em estreita colaboração, desenvolvendo juntos a primeira fase do cubismo, hoje conhecida como cubismo analítico. Nela se destaca Daniel Henry Kahnweiler (1910).
Em 1912, Picasso realizou sua primeira colagem, Natureza morta com cadeira de palha. Esta técnica assinala a transição para o cubismo sintético.

Escultura cubista
O busto em bronze de Fernande Olivier (também conhecido como Cabeça de mulher, 1909) mostra a consumada habilidade técnica de Picasso no tratamento das formas tridimensionais. Compôs ainda grupos como Bandolim e clarinete (1914), constituídos por fragmentos de madeira, metal, papel e outros materiais.

Realismo
Em estilo realista figurativo são: Pablo vestido de arlequim (1924), Três mulheres na fonte (1921), As flautas de Pã (1923), Mulher dormindo na poltrona (1927) e Banhista sentada(1930).

Pinturas: 1930-1935
Vários quadros cubistas do início da década de 1930, em que predominam a harmonia das linhas, o traço curvilíneo e um certo erotismo subjacente, refletem o prazer e a paixão de Picasso por seu novo amor, Marie Thérèse Walter, como se observa em Moça diante do espelho (1932).

Guernica
Em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil espanhola, a aviação alemã, por ordem de Francisco Franco, bombardeou o povoado basco de Guernica. Poucas semanas depois Picasso começou a pintar o enorme mural conhecido como Guernica, em que conseguiu um esmagador impacto como retrato-denúncia dos horrores da guerra.

A II Guerra Mundial e os anos do pós-guerra
A deflagração e o posterior desenvolvimento da II Guerra Mundial contribuíram para que a paleta de Picasso se obscurecesse e a morte se tornasse o tema mais freqüente da maior parte de suas obras. É o que se vê em Restaurante com caveira de boi e em O ossário(1945).

Últimos trabalhos
Em 1964, realizou a maquete de Cabeça de mulher,monumental escultura em aço soldado, erigida em 1966, no Centro Cívico de Chicago.

Pablo Picasso
A imensa obra do pintor e escultor espanhol Pablo Picasso exerceu uma grande influência na arte contemporânea. Estabelecendo-se em Paris, em 1904, Picasso adotou de início um estilo próximo ao do pós-impressionismo. Mais tarde, em suas mais de 20 mil obras, desenvolveu outras tendências artísticas. É considerado o artista mais importante do século XX.

Arte Fantástica

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Arte Conceitual de H. P. Lovecraft

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