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História do Carnaval no Brasil e no Mundo

História do Carnaval no Brasil e no Mundo

#História do Carnaval no Brasil e no Mundo

Carnaval é o período de festas e divertimento compreendido entre o dia de Reis e a Quaresma, especialmente os três dias que precedem a quarta-feira de Cinzas, em fevereiro ou março. Entre as festas carnavalescas realizadas fora do calendário oficial podem ser citadas a mi-carême, na França, e a  "serração da velha", no Brasil. Segundo Luís da Câmara Cascudo, esta última consistia numa festa popular em que "um grupo de foliões serrava uma tábua, aos gritos estridentes e prantos intermináveis, fingindo serrar uma velha que, representada ou não por algum dos vadios da banda, lamentava-se num berreiro ensurdecedor". Essa cerimônia caricatural esteve muito em voga no século XVIII, em Portugal, e tinha lugar principalmente durante a Quaresma. Tal modalidade de divertimento surgiu no Brasil no início do século XVIII.

A dança, o canto, a máscara e a liberdade de comunicação entre as pessoas, refreada durante o ano, caracterizam o carnaval, festa popular que valoriza a força erótica, o riso e o inusitado.

Não se sabe ao certo qual a origem da palavra carnaval. Na opinião de Antenor Nascentes, se aplicava originariamente à terça-feira gorda, a partir de quando a Igreja Católica proibia o consumo de carne. Outros etimólogos propõem como origem o baixo latim carnelevamen, modificado mais tarde em carne, vale! que significa "adeus, carne!" Carnelevamen pode ser interpretado como carnis levamen, "prazer da carne", antes das tristezas e continências que marcam o período da Quaresma.

Origem e antiguidade clássica

A origem do carnaval é também objeto de controvérsia, mas tem sido frequentemente atribuída à sobrevivência e evolução do culto de Ísis, das bacanais, lupercais e saturnais romanas, das festas em homenagem a Dioniso, na Grécia, e até mesmo das festas dos inocentes e dos doidos, na Idade Média. Por sucessivos processos de deformação e abrandamento, essas festas teriam dado origem aos carnavais dos tempos modernos, como os que se realizam em Nice, Paris, Roma, Veneza, Nápoles, Florença, Munique e Colônia. Independentemente de sua origem, é certo que o carnaval já existia na antiguidade clássica e até mesmo na pré-clássica, com danças ruidosas, máscaras e a licenciosidade que se conservam até a época contemporânea.

Idade Média

A Igreja Católica, se não adotou o carnaval, teve para com ele alguma benevolência. Tertuliano, são Cipriano, são Clemente de Alexandria e o papa Inocêncio II foram grandes inimigos do carnaval mas, no século XV, o papa Paulo II foi muito mais tolerante e chegou a autorizar o uso da Via Lata, diante de seu palácio, como palco do carnaval romano, com corridas de cavalos, carros alegóricos, batalhas de confetes, corrida de corcundas, lançamento de ovos e outros folguedos populares.

Essas formas de bufoneria medieval entraram em declínio e o carnaval tornou-se menos grosseiro e violento. O tétrico e o macabro tomaram o lugar do deboche. Ficaram célebres as famosas danças macabras da Idade Média, durante as quais homens e mulheres desfilavam diante da Morte, que, impassível, lhes ouvia as queixas e, "depois de chasquear um verso com os suplicantes, lhes descarregava a foice".

Renascimento e tempos modernos. Introduzido pelo papa Paulo II, o baile de máscaras começou a fazer sucesso nos séculos XV e XVI, na Itália e também na França, onde sobreviveu durante a revolução francesa e depois dela, com um período de renascimento entre 1830 e 1850. Ainda no século XIX, em Londres, ficou famoso o baile promovido pelo Instituto Real de Pintores e Aquarelistas em 1884, quando os artistas ingleses se fantasiaram com máscaras dos mestres do passado ou de príncipes e monarcas amigos.

O carnaval transformou-se, assim, numa celebração ordeira de caráter artístico, com bailes e desfiles alegóricos, forma que iria aos poucos desaparecer na Europa, entre o final do século XIX e início do século XX. Essas características, no entanto, sobreviveram em carnavais de algumas cidades europeias, entre as quais Munique e Nice.

Carnaval no Brasil

O entrudo português constituiu, no Brasil colonial e monárquico, a forma mais comum de brincar o carnaval. Consistia num folguedo violento: eram atiradas sobre as pessoas água, farinha, cal e outras substâncias que molhavam e sujavam o transeunte. Proibido no Rio de Janeiro pelo prefeito Pereira Passos, em 1904, e alvo de protestos na imprensa, o entrudo civilizou-se progressivamente até o aparecimento de outros instrumentos de brincadeiras: o confete, a serpentina e o lança-perfume.

Carnaval carioca

O zé-pereira (tocador de bombo) marcou época nos antigos carnavais do Rio de Janeiro. O sapateiro português José Nogueira de Azevedo teria sido o introdutor, em 1846, do hábito de animar a folia carnavalesca com zabumbas e tambores, percutidos em passeata pelas ruas. Meio século mais tarde, o ator Francisco Correia Vasques encenou uma paródia de Les Pompiers de Nanterre (Os bombeiros de Nanterre), na qual cantou a quadrinha que celebrizou o já consagrado personagem carnavalesco: "E viva o zé-pereira / Pois que a ninguém faz mal / Viva a bebedeira / Nos dias de carnaval."

Bailes

O primeiro baile carnavalesco carioca realizou-se no Hotel de Itália, na atual praça Tiradentes, por iniciativa dos proprietários, animados pelas notícias do sucesso dos bailes de máscaras europeus. Em 1846 a atriz Clara Dalmastro organizou um baile de máscaras no teatro São Januário, dando início à moda dos bailes em casas de espetáculos, generalizada por volta de 1870. No final do século, cerca de cem bailes eram oferecidos aos carnavalescos da cidade, em teatros e clubes. Celebrizaram-se os bailes do Teatro Municipal, realizados de 1932 a 1975, e os dos hotéis de luxo como o Glória, o Copacabana Palace e o Quitandinha, em Petrópolis.

Máscaras e fantasias

Até a década de 1930, era costume brincar o carnaval com fantasias ou máscaras, estas introduzidas em 1834 por influência francesa. As ricas máscaras de veludo ou cetim, assim como as fantasias de marinheiro, pierrô, colombina e arlequim usadas nos bailes, foram progressivamente abandonadas e substituídas por trajes sumários e confortáveis. Sobreviveram nas ruas os foliões vestidos de mulher, autênticos travestis ou brincalhões grotescamente disfarçados, hábito já registrado em carnavais de meados do século XIX. Outros personagens são encarnados especialmente por crianças, como os super-heróis da televisão, os palhaços e o bate-bola. Em meados do século XX despertavam admiração os desfiles de riquíssimas fantasias, restritos aos salões, em que se atribuíam prêmios nas categorias luxo e originalidade.

Corsos

A moda do corso, lançada em fins da década de 1900, mobilizou multidões durante aproximadamente trinta anos. Consistia numa passeata carnavalesca de automóveis enfeitados que conduziam foliões, os quais brincavam com os demais participantes e com os pedestres. Confete, serpentina e lança-perfume eram usados em profusão, enquanto se cantavam os sucessos musicais do carnaval do ano ou de anos anteriores. O corso se iniciava às quatro horas da tarde do domingo de carnaval e se prolongava pela madrugada. Essa modalidade carnavalesca desapareceu com o advento dos carros fechados, que substituíram os conversíveis usados nos corsos.

Cordões, blocos e ranchos

Os cordões começaram a participar dos festejos carnavalescos da cidade por volta de 1880, para desaparecer nos primeiros anos do século XX. Entre esses primeiros grupos de mascarados, em que saíam palhaços, reis, diabos e baianas, contam-se o Flor de São Lourenço, o Cordão dos Invisíveis, o Estrela da Aurora e a Sociedade Carnavalesca Triunfo dos Cucumbis. Estruturavam-se segundo uma mesma norma: um conjunto de foliões fantasiados, conduzidos por um mestre munido do apito de comando, dançava e cantava ao som de instrumentos de percussão. Era costume expor os estandartes dos cordões nas sedes dos jornais, antes do carnaval.

Os blocos, grupos de foliões fantasiados que se divertem em passeatas carnavalescas pelas ruas, dançando e cantando ao som de baterias, são outra tradição do carnaval carioca e de outras cidades do Brasil. Os ranchos carnavalescos, originados do rancho de Reis nordestino, começaram a aparecer no carnaval carioca no início do século XX como cortejo mais organizado e evoluído que o cordão e o bloco. Desfrutaram de grande popularidade junto aos apreciadores do carnaval de rua o Flor do Abacate, Ameno Resedá, Mamãe Lá Vou Eu e Rosa de Ouro.

Sociedades carnavalescas

As grandes sociedades que apareceram na segunda metade do século XIX não se limitavam aos desfiles carnavalescos. Seu prestígio se apoiava também em atividades sociais e políticas. Os integrantes das sociedades eram cidadãos participantes da vida nacional, abolicionistas e republicanos, e os grandes clubes funcionavam também como sociedades literárias e musicais. Nos chamados carros de crítica, tomavam posição contra abusos e erros das autoridades ou a propósito de questões em que a coletividade estivesse empenhada.

O Congresso das Sumidades Carnavalescas foi responsável pelo primeiro desfile do gênero, em 1855. Surgiu logo depois a União Veneziana, de curta duração, e duas dissidências do Congresso das Sumidades: a Euterpe Comercial e os Zuavos Carnavalescos. Os Tenentes do Diabo desfilaram em préstito pela primeira vez em 1867 e fizeram história como uma das mais populares sociedades carnavalescas. Seus aficionados eram chamados baetas. Outras sociedades muito populares foram os Democráticos, cujos admiradores se chamavam carapicus, e os Fenianos, cujo nome é uma referência aos revolucionários irlandeses que lutavam contra os britânicos, aplaudidos pelos "gatos". A Embaixada do Sossego, o Clube dos Embaixadores, os Pierrôs da Caverna, o Clube dos Cariocas e os Turunas de Monte Alegre também saíam em préstitos, formados por batedores, carro abre-alas, uma comissão de frente montada, um carro-chefe, carros alegóricos e de crítica e banda de clarins.

Escolas de samba

A Deixa Falar, do bairro do Estácio, que reunia os sambistas Nilton Bastos, Ismael Silva e Alcebíades Barcelos (Bide), foi a primeira escola de samba do Rio de Janeiro, fundada em 1928. A praça Onze foi eleita pelos sambistas para as concentrações nos domingos e terças-feiras de carnaval. Logo se multiplicaram as agremiações, algumas das quais desapareceram com pouco tempo de existência e outras prosperaram, como a Estação Primeira, do morro da Mangueira; a Vai Como Pode, futura Portela, do bairro de Madureira, e outras.

As escolas de samba da atualidade são sociedades civis legalmente registradas, elegem dirigentes e dispõem de órgãos representativos. As mais importantes têm sede própria, denominada quadra, onde se realizam bailes e ensaios durante os meses que precedem o carnaval. Algumas desenvolvem atividades assistenciais, principalmente com as crianças da comunidade.

Uma escola de samba, ao desfilar, dispõe em certa ordem os elementos que a constituem. O carro abre-alas inicia o desfile, seguido da comissão de frente, que representa a direção da escola. A porta-bandeira leva o estandarte da escola e executa, com o mestre-sala, uma coreografia especial. A dupla representa os anfitriões da escola. Os mais hábeis sambistas da escola, os passistas, desfilam à frente das alas. A bateria das grandes escolas se compõe de centenas de ritmistas que tocam surdos, taróis, pandeiros, tamborins, cuícas e outros instrumentos de percussão. Os grandes grupos de componentes fantasiados denominam-se alas e são intercalados pelas alegorias, montadas sobre carretas.

Música carnavalesca

A partir da marcha Abre alas, composta por Chiquinha Gonzaga em 1899, vários outros gêneros se popularizaram como música de carnaval: samba, marcha-rancho, batucada e samba-enredo permaneceram como os ritmos prediletos dos foliões do Rio de Janeiro. Até o final da década de 1960, a música de carnaval foi um fenômeno cultural e musical específico. A Rádio Nacional divulgava grande número de composições que, a cada ano, disputavam a preferência do público, cantadas nos bailes e nas ruas. Algumas dessas canções tornaram-se clássicas das festividades do período e passaram a ser executadas em todos os carnavais. Entre elas se contam Cidade maravilhosa (1935), Mamãe eu quero (1937) e Jardineira (1939), assim como outras mais recentes.

A ascensão da televisão e o declínio do rádio contribuíram para minimizar a importância desse fenômeno. A afirmação da linguagem televisiva, que privilegia o aspecto visual do carnaval, acarretou uma divulgação maior das escolas de samba, cujo desfile, transmitido para todo o país, passou a ser o ponto alto do carnaval carioca. Os sambas-enredo das escolas, bem como o som de suas baterias, tornou-se o ritmo carnavalesco dominante.

Carnaval baiano

Salvador apresenta um carnaval em que se misturam as mais autênticas tradições negras, como o cortejo dos afoxés, entre os quais se destacam os Filhos de Ghandi, com novidades introduzidas periodicamente nos ritmos e no instrumental, logo assimiladas pela multidão de foliões. Assim, o frevo baiano se executa ao lado de ritmos como o samba-reggae e a timbalada. O trio elétrico, palco ambulante montado sobre um caminhão e munido de caixas acústicas e alto-falantes, transmite a música executada por um conjunto e acompanhada pela multidão. Criado pelo folião Antônio Adolfo do Nascimento em 1950, o trio elétrico transformou-se no principal elemento do carnaval baiano.

Olinda e Recife

No carnaval pernambucano predominam os blocos de frevo, música de ritmo frenético e contagiante, executada por batida sincopada e instrumentos de sopro. Os dançarinos de frevo podem usar guarda-chuvas para facilitar o equilíbrio. O ponto alto do carnaval do Recife é o cortejo do Galo da Madrugada, bloco que sai às cinco horas da manhã do sábado do bairro São José e percorre a cidade, acompanhado por centenas de milhares de pessoas.

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Elegia (Poesia Grega)

Elegia (Poesia Grega)

#Elegia (Poesia Grega)

A elegia surgiu na Grécia Antiga, com Calino de Éfeso (século VII a.C.), Tirteu e Mimnermo. Seus poemas eram cantos guerreiros que incitavam à luta. Calímaco, importante poeta alexandrino do século III a.C., foi um dos primeiros a escrever elegias no sentido moderno do termo, ou seja, como poemas líricos e tristes. Sua elegia Os cabelos de Berenice, da qual só restaram fragmentos, constituiu o primeiro modelo do gênero.

Inicialmente definida pelo metro específico, chamado metro elegíaco, a elegia passou a designar um gênero poético que se caracterizou não pela forma, mas pelo assunto: a tristeza dos amores interrompidos pela infidelidade ou pela morte.

Entre os romanos, o primeiro grande poeta elegíaco foi Tibulo. Seus três livros sentimentais, muito lidos durante a Idade Média, influenciaram fortemente os poetas da Renascença. Foram preferidos às elegias de Propércio, que inauguraram um subgênero, com poemas ardentemente eróticos. O mais importante dos elegíacos romanos foi Ovídio: os Poemas tristes e as Cartas do Ponto, que lamentavam seu exílio, se aproximam bastante das elegias modernas.

No século XVI, a elegia transformou-se num dos gêneros poéticos mais cultivados, embora ainda pouco definido. Em Portugal, o primeiro escritor de elegias foi Sá de Miranda, mas Camões foi o principal: da edição de 1595 de suas obras completas, constam quatro elegias, tidas pelas melhores em língua portuguesa. Na França da Renascença, destacou-se no gênero Pierre de Ronsard.

Na poesia inglesa, a elegia apareceu com Astrophel, lamento fúnebre de Edmund Spenser. Durante quase três séculos produziram-se, dentro desse modelo, alguns dos maiores poemas da literatura inglesa, como Lycidas, de Milton (1638), Adonais, de Shelley (1821), sobre a morte de Keats, e muitas outras. Contudo, a mais famosa elegia da língua inglesa foi Elegy Written in a Country Church Yard (1751; Elegia escrita num cemitério de aldeia), de Thomas Gray, meditação sobre a morte de gente humilde e anônima e uma das obras capitais do pré-romantismo europeu.

Em outras literaturas, a elegia assumiu características pagãs, como as belas e eróticas Römische Elegien (1797; Elegias Romanas), de Goethe, obra-prima da literatura alemã. No século XX, a obra mais importante no gênero foi sem dúvida Duineser Elegien (1923; Elegias de Duíno), do poeta alemão Rainer Maria Rilke. No Brasil, o mais importante autor de elegias foi Fagundes Varela, no século XIX. Destacaram-se ainda Cristiano Martins, Vinícius de Morais e Dantas Mota, no século XX.

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Pré-Romantismo

Pré-Romantismo


Pré-Romantismo é um movimento artístico surgido no século XVIII, na Europa, cujas principais características se apoiam no conceito de criação instintiva e original (em oposição ao princípio de imitação, básico no classicismo), bem como na expressão individual livre. A denominação engloba todos os fenômenos caracterizados como antecedentes do romantismo, que provocou, no século XIX, radical transformação nas artes, na literatura e até mesmo na filosofia. O movimento é também conhecido pelo termo alemão Sturm und Drang (Tempestade e Tensão).

Ao contrário do romantismo, que não tardou a vingar, o pré-romantismo teve que enfrentar durante muito tempo a oposição dos racionalistas e classicistas, apesar de ser defendido por personalidades de valor reconhecido.

A consolidação do pré-romantismo deve-se à influência do romancista francês Jean-Jacques Rousseau, que o transformou num sentimento revolucionário, embora o movimento tenha na obra do poeta inglês Edward Young sua expressão mais acabada. À parte o exemplo de Rousseau, cuja obra foi indispensável à transformação das correntes pré-românticas no romantismo do século XIX, a França foi apenas caixa de ressonância do sentimentalismo inglês e alemão.

A base filosófica do pré-romantismo é a ideia de que a criação artística deve-se ao entusiasmo criador, à imaginação, e não está sujeita a regras, como acreditavam os classicistas e os racionalistas, nem é produto da razão. Essa premissa da predominância da imaginação na produção artística já era defendida na Itália durante o século anterior pelo escritor Gian Vincenzo Gravina, entre outros. Para os pré-românticos, a criação instintiva está ligada à originalidade tanto em termos individuais quanto coletivos: o gênio de um povo poderia se manifestar num determinado artista.

Em Conjectures on Original Composition (1759; Conjeturas sobre a composição original), Young fornece as características do movimento, que teve como obras mais famosas o romance Die Leiden des jungen Werthers (1774; Os sofrimentos do jovem Werther), de Goethe, baseado em La Nouvelle Héloïse (1760; A nova Heloísa), de Rousseau, mas inteiramente original; e o drama Die Raüber (1781; Os salteadores), de Schiller, ao qual se seguiram várias tragédias em prosa que serviram para consolidar o movimento.

O escândalo marcou o aparecimento de algumas obras pré-românticas, como já ocorrera com Histoire du chevalier Des Grieux et de Manon Lescaut (1731; História do cavalheiro Des Grieux e de Manon Lescaut), do abbé Antoine-François Prévost, uma das produções que caracterizam a associação, apenas esboçada na época anterior, do sentimentalismo com a luxúria. Além disso - como ocorre em Werther, que, segundo alguns, não se trata apenas da narrativa de uma paixão infeliz -, alguns autores incluíram em suas obras uma pitada de crítica social.

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Pré-Rafaelismo

Pré-Rafaelismo

#Pré-Rafaelismo

Pré-rafaelismo foi um movimento constituído em meados do século XIX por um grupo de jovens artistas ingleses que reagiram fortemente contra a pintura anedótica, vazia e prosaica então proposta pela Royal Academy de Londres. Análogo ao dos pintores nazarenos da Alemanha, que o precedeu de pouco, o grupo teve entre seus objetivos expressar ideias autênticas e voltar-se para a apreensão direta da natureza. As obras produzidas por seus integrantes acabaram por se caracterizar pela grande idealização de seus temas.

Inspirado por um escasso conhecimento da arte italiana dos séculos XIV e XV, o pré-rafaelismo manifestou uma admiração sem limites pela  simplicidade da arte anterior à do Renascimento, e desafiou a tradição acadêmica europeia, que idolatrava o classicismo de Rafael.

O nome pré-rafaelismo provém da designação da Irmandade Pré-Rafaelita, espécie de sociedade "secreta" formada em 1848 por três alunos da Royal Academy: Dante Gabriel Rossetti, talentoso ao mesmo tempo como pintor e poeta, William Holman Hunt e John Everett Millais, todos com menos de 25 anos. A eles se juntaram depois o pintor James Collinson, o pintor e crítico F. G. Stephens, o escultor Thomas Woolner e o crítico William Rossetti (irmão de Dante Gabriel).

Logo o grupo começou a produzir obras polêmicas e não desprovidas de valor. Seus integrantes, opondo-se ao materialismo e à opressão social, recorreram a temas da literatura romântica e medieval para denunciar as injustiças de sua época ou, o que foi mais frequente, exaltar as virtudes da vida do passado. Embora os quadros de Rossetti tendessem a uma atmosfera mais nebulosa, a maioria pintou num estilo bem linear, com efeitos variados de luz e um apego fotográfico à proliferação de detalhes, o que normalmente reduzia a força da composição.

De início a irmandade expôs anonimamente, e todos os artistas assinavam suas pinturas com as iniciais PRB, do nome em inglês do grupo, Pre-Raphaelite Brotherhood. Quando a identidade e a juventude dos artistas se tornaram públicas, em 1850, suas obras sofreram duras críticas, quer por transgredirem os ideais de beleza então vigentes, quer por tratarem temas religiosos com aparente irreverência. Não obstante, o principal crítico da época, John Ruskin, defendeu a arte pré-rafaelita, e seus praticantes nunca ficaram sem patronos. Embora os integrantes do grupo tenham teoricamente rejeitado a artificialidade, na prática boa parte de sua produção se revela artificial, pela visão sentimental do passado que transmite. A vitalidade e o frescor são as qualidades mais admiráveis da arte pré-rafaelita.

O pré-rafaelismo teve profunda influência na pintura e nas artes decorativas da Inglaterra. A vida ativa do movimento, no entanto, foi de no máximo dez anos. No fim da década de 1850 Rossetti se juntou a dois artistas mais jovens, Edward Burne-Jones e William Morris, e derivou para um escapismo romântico. Millais, bom desenhista e retratista, acabou por fazer sucesso como pintor acadêmico. Só Hunt, que após romper com o grupo viajou pelo Egito e a Palestina, onde encontrou novos temas, manteve-se fiel ao estilo. No fim da vida, o meticuloso Hunt, sempre apegado aos detalhes, publicou um livro sobre o movimento: Pre-Raphaelism and the Pre-Raphaelite Brotherhood (1905; O pré-rafaelismo e a Irmandade Pré-rafaelita).

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Pintura, História, Materiais e Técnicas de Pintura

Pintura, História, Materiais e Técnicas de Pintura

#Pintura, História, Materiais e Técnicas de Pintura

Pintura é a forma de expressão artística que consiste em representar elementos tomados à realidade ou à imaginação sobre um suporte plano, por meio de pigmentos ou outros recursos cromáticos. A concepção teórica de pintura varia conforme a época e as circunstâncias, ou seja, de acordo com as técnicas disponíveis e os padrões estéticos dominantes. Além desse plano histórico e sociocultural, varia também de artista para artista, na forma de reunir alguns elementos básicos - linha, cor, luz, perspectiva e composição - para construir o espaço pictórico, em obediência ao estilo pessoal de cada pintor e a opções teóricas e técnicas.

Cada época conheceu estilos e gêneros pictóricos que lhe foram característicos, na maioria das vezes figurativos. No entanto, as diversas vanguardas do século XX frequentemente renunciaram aos elementos tradicionais da pintura, sobretudo a perspectiva e o figurativismo.

Tradicionalmente, a pintura se divide em dois grandes campos: pintura mural, subordinada aos propósitos da arquitetura, e pintura de cavalete.  Esta última compreende, em princípio, oito categorias ou classes distintas, em razão dos gêneros representados: (1) retábulos e cenas religiosas; (2) mitos, lendas, tradições poéticas e cenas históricas; (3) pintura de gênero, ou representação de cenas do cotidiano, costumes, festas, folguedos populares etc.; (4) paisagens e representação de animais ao ar livre; (5) arquitetura e vistas de cidades e interiores de edifícios; (6) naturezas-mortas, ou reunião mais ou menos aleatória e espontânea de objetos sobre uma superfície; (7) retratos, categoria em que se inclui o nu; e (8) caricaturas.

Materiais e técnicas de pintura - As técnicas de pintura desenvolvidas em cada período histórico dependem do desenvolvimento de cada povo e dos materiais disponíveis. De maneira geral, os três materiais básicos são um pó colorido ou pigmento, um adesivo líquido e um suporte. O pigmento pode ser mineral, animal, vegetal ou sintético; o fluido, ou adesivo, pode ser água ou óleo, quando não mistura de ambos; e o suporte pode ser tecido, papel, papiro, couro, madeira, papelão, pedra, metal, vidro e parede.

Segundo o efeito que deseja alcançar, o pintor pode usar diversos utensílios para distribuir o pigmento: pincel, espátula, paleta, faca etc. As técnicas não identificam apenas períodos históricos; relacionam-se com a própria evolução da arte, já que se aperfeiçoaram com o tempo e com as experiências dos grandes mestres. As mais empregadas são as seguintes:

Secco - Antiga técnica de pintura mural já conhecida no Egito, a pintura a secco consiste em aplicar caseína, têmpera ou cola aglutinante colorida sobre o reboco seco. As cores, opacas, aderem ao suporte como uma finíssima película. Tem afinidades com o afresco, mas é mais fácil de dominar. A camada de pintura, no entanto, pode ser danificada por mudanças súbitas de temperatura, que provocam descascamento e destruição de trechos da superfície.

Afresco - Pintura feita sobre o reboco ainda fresco, o afresco dispensa aglutinantes, ao contrário do processo a seco. É técnica dificílima, pois o artista só pode trabalhar enquanto o reboco não seca, de sorte que o trabalho não pode ser retocado.  Aperfeiçoado na Itália do século XIV, o afresco tem seu melhor exemplo nos murais executados por Michelangelo no teto da capela Sistina, no Vaticano.

Mosaico - A técnica do mosaico consiste em encastoar pedrinhas coloridas num campo úmido de argamassa, de modo a formarem desenhos geométricos, representações humanas ou paisagens. Essa arte já era praticada na Babilônia, inicialmente apenas no revestimento de pisos. A partir do século IV da era cristã, porém, o mosaico começou a ser também usado em paredes, abóbadas, absides e tetos.

Vitral - Possivelmente surgida no Oriente Médio, no século IX, a técnica do vitral chegou à Itália no século seguinte e consiste na justaposição de diversas porções de vidro colorido e transparente, de formas e dimensões variadas, unidas entre si por nervuras metálicas, para formar figuras ou composições decorativas.

Silicato de etila - O silicato de etila tornou possível a pintura de murais externos sobre concreto, pois adere de modo permanente a esse material e resiste às mais rigorosas condições climáticas.

Encáustica - A descoberta em 1845 de uma caixa de pintura a encáustica no túmulo de um pintor na cidade francesa de Saint Médard-des-Prés possibilitou a reconstituição dessa antiga técnica. Aperfeiçoado por Praxíteles e descrito em minúcias por Plínio o Velho, Teofrasto e Dioscórides, o processo foi largamente empregado durante toda a antiguidade clássica e consiste na utilização de pigmentos mesclados a cera de abelha refinada, com ou sem aplicação de óleos, resinas ou outros materiais aglutinantes. As tintas são aplicadas e manipuladas com a ajuda de uma fonte de calor. Os mais antigos exemplos conhecidos são os célebres retratos das múmias de Fayum, a que alguns especialistas atribuem origem grega e outros, egípcia.

Têmpera - Genericamente, têmpera é todo meio pelo  qual se obtém uma superfície fosca. A técnica básica é antiquíssima e já era usada por egípcios, gregos e romanos. Os pigmentos são misturados a uma emulsão e fixados com um agente como clara de ovo ou caseína. Quando se acrescenta boa quantidade de óleo, o resultado é a têmpera-óleo, insolúvel em água. A têmpera não permite o impasto (efeito em que a pintura sobressai sobre o fundo), mas as cores obtidas, sólidas e secas, jamais racham ou amarelecem.

Óleo - O mais difundido método de pintura de cavalete a partir do século XV, a pintura a óleo, foi inventado em Veneza por Antonello da Messina, que eliminou, da têmpera, o uso da água e do agente emulsionante. Óleos secos de linhaça, de amêndoas, papoulas e outros são diluídos pela adição de veículos especiais e misturados aos pigmentos. Oferece diversas vantagens sobre a têmpera: não se altera com a secagem e seca lentamente, o que permite modificações, faculta efeitos de claro-escuro e possibilita o impasto. Ainda é a técnica preferida pelos pintores ocidentais. Alguns dos antigos mestres, no entanto, exploraram a chamada técnica mista, que se acha na transição entre a têmpera e o óleo, como em Van Eyck, Dürer e Grünewald.

Aquarela - Os egípcios já conheciam a aquarela no século II da era cristã. Mais singela de todas as técnicas do ponto de vista material, é executada com cola e gesso, de preferência sobre suporte de papel ou pergaminho. Exige grande habilidade, uma vez que não permite arrependimentos. Teve seu apogeu na obra do pintor Albrecht Dürer.

Guache - De certo modo, toda pintura de cavalete anterior ao século XV pode ser considerada guache. O nome deriva do italiano guazzo (aguada) e designa um tipo de pintura em que as cores são diluídas em água, misturadas com goma e reduzidas a pó, característica que a distingue da aquarela.

História, estilos e artistas

#Pré-históriaPré-história - As mais antigas representações pictóricas que se conhecem remontam ao período Paleolítico (30000-10000 a.C.): são as pinturas ditas rupestres (isto é, gravadas na rocha), executadas nas paredes de cavernas e abrigos, com finalidades mágicas e rituais. Os temas preferidos eram figuras de animais em tamanho grande -- bisões, cervos, cavalos etc. Pintadas em tons naturais de ocre, vermelho e negro, as figuras aparecem isoladas, sem formar cenas. Os melhores exemplos são encontrados nas cavernas francesas de Trois-Frères e Lascaux, e em Altamira, na Espanha.

As pinturas paleolíticas levantinas, localizadas em abrigos naturais do levante espanhol, são posteriores: figuras humanas estilizadas, de pequeno tamanho, formavam cenas da vida cotidiana, especialmente de caça e dança.

Civilizações pré-clássicas - Por meio de papiros e do legado no interior das pirâmides, a humanidade pôde conhecer fragmentos da pintura egípcia, uma das mais ricas da antiguidade. No Egito, a pintura era uma arte mágica: acreditava-se que, se uma pessoa fosse representada num retrato, este passaria a ter vida própria, realidade em si mesmo. Os registros, horizontais, representavam cenas protagonizadas pelo faraó e acontecimentos da vida cotidiana.

Esse trabalho era marcado por uma série de convenções quanto à perspectiva (dorso e olhos representados de frente, cabeça e pés de perfil) e às cores (mulheres jovens e bonitas em amarelo pálido, homens ricos e poderosos em castanho, e assim por diante). As melhores pinturas egípcias decoravam as câmaras mortuárias das classes superiores, em cores inigualáveis, que recriam variados episódios. A pintura cretense, em muitos aspectos semelhante à egípcia, alcançou o apogeu no ano 1600 a.C. Em cores vivas e traços fortes, foi muito utilizada na decoração de palácios, como o de Cnossos.

Grécia, Roma e Bizâncio - O ideal da pintura grega era a reprodução fiel da natureza, naquilo que possuía de mais belo e harmônico. Embora os afrescos e as pinturas de cavalete não tenham resistido ao rigor do tempo, os textos e lendas citam alguns pintores gregos famosos, como Apeles e Zêuxis, cujas obras teriam sido copiadas em mosaicos romanos e vasos de cerâmica. Os melhores exemplos da pintura grega antiga, porém, se acham na cerâmica de figuras negras sobre fundo vermelho (final do século IV e início do século V a.C) e na de figuras vermelhas sobre fundo negro, de meados do século V a.C.

A pintura romana, que se desenvolveu sob a égide do realismo e do naturalismo, teve seu ponto culminante nos afrescos de Pompeia e Herculano, onde os historiadores identificam quatro estilos: (1) o de incrustação, que imitava a decoração sobre mármore; (2) o arquitetônico, que criava a ilusão de estruturas arquitetônicas; (3) o ornamental, com guirlandas e enfeites; e (4) um quarto estilo, que mistura arquitetura falsa, paisagens imaginárias e cenas mitológicas. A influência do cristianismo pôs fim a esse período de profundo realismo e fez nascer uma arte de cunho mais simbólico. Enquanto isso, o mosaico passava a merecer a preferência dos artistas e alcançou grande importância em Bizâncio e Ravena.
Pintura medieval - A arte paleocristã deixou, nos muros das catacumbas, extensa iconografia cristã, baseada em animais (pombo, cordeiro), figuras humanas (o bom pastor, o suplicante), passagens dos Evangelhos e símbolos, como o monograma formado pelas letras gregas alfa e ômega, que representava "o Cristo como princípio e fim". Após o Edito de Milão (313), essa iconografia impregnou os mosaicos e miniaturas. Na mesma temática, a pintura bizantina competia com a riqueza do mosaico, sobretudo nas miniaturas sobre madeira, típicas do leste europeu, com figuras estilizadas do Cristo e da Virgem.

Um dos maiores pintores de ícones foi Andrei Rublev, autor do célebre ícone da Trindade. Essa arte medieval influenciou a pintura românica, em geral em afrescos e com intenção didática. As cenas religiosas decoravam os muros das igrejas para educar os fiéis iletrados. Era uma pintura esquemática e simbólica, de cores planas e perfis bem marcados. A iluminura, praticada especialmente pelos monges, atingiu nível elevadíssimo a partir do século VII na Irlanda, França, Inglaterra e Alemanha, enquanto o afresco se desenvolveu particularmente na Itália, durante o século XIII.

Como a arquitetura gótica limitasse o espaço da pintura, a arte voltou-se para as expressões mais compatíveis com a época, como a técnica dos vitrais, a miniatura e a iluminura, que caracterizaram o chamado estilo franco-gótico dos séculos XIII e XIV. Com suas cores vivas e o domínio da linha, essas artes abriram caminho ao estilo italiano, criado no fim do século XIII por Cimabue e outros.

Renascimento - No final do século XIII, os artistas italianos passaram a inspirar-se nos ideais da antiguidade clássica, tendência que motivou a eclosão do Renascimento. Giotto, Masaccio, fra Angelico, Lippi e Botticelli são alguns dos pintores que abriram caminho para o Renascimento italiano.

A partir dos ensinamentos de Giotto, os pintores italianos do Quattrocento iniciaram uma renovação cujo berço foi Florença. Em busca de representação mais verossímil da realidade, os artistas empenharam-se na conquista da luz e do espaço, e no domínio da figura humana. Entre os precursores dessa busca estiveram Piero della Francesca e Masaccio. Uma segunda geração florentina, encabeçada por Sandro Botticelli, firmou um estilo mais elegante e detalhista. No Portugal dessa época, o políptico de são Vicente, obra-prima de Nuno Gonçalves, lembra o rigor e a precisão de seus contemporâneos flamengos.

Foi principalmente no século seguinte, todavia, que as descobertas do século XV floresceram. No Cinquecento, o centro cultural mais importante foi Roma, dominada por figuras como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael. Na transição para o século XVI, uma série de artistas venezianos, como Antonello da Messina e Giovanni Bellini, que conheciam a técnica do óleo, perseveraram no estudo da luz, da cor e da paisagem, de modo que assentaram as bases da escola veneziana. Esta, no século XVI, deu mestres como Tiziano, Tintoretto e Veronese.

Após o máximo esplendor do classicismo no Cinquecento, sobreveio uma época de crise, em que muitos artistas rejeitaram a harmonia e a idealização naturalista dos mestres renascentistas e assumiram uma atitude de busca obsessiva do estilo (em italiano, maniera) e da técnica. Alguns desses pintores, chamados maneiristas, imprimiram a suas obras uma intensa artificialidade, a que não faltava porém, o refinamento. Seus melhores representantes foram Rosso Fiorentino e Jacopo da Pontormo, que passaram a exercer forte influência na pintura de seu tempo, inclusive em Michelangelo. Ao final do século XVI, o maneirismo evoluiu para um estilo eclético que desembocou no barroco.

Pintura flamenga - A partir do século XV, no norte da Europa, surgiu uma geração de artistas conhecidos como os "primitivos flamengos". Dentre os pintores religiosos dessa escola figuram alguns dos maiores criadores de formas da história da pintura, como Jan van Eyck, Rogier van der Weyden, Hugo van der Goes, Hans Memling e Gerard David. Enquanto isso, Hieronymus Bosch pintava visões fantásticas que antecipavam até o surrealismo do século XX.

Pieter Brueghel, que começou imitando-o, tornou-se o maior expoente do Renascimento flamengo, enquanto Rubens se fazia o maior mestre do barroco e Van Dyck, ao emigrar para a Inglaterra, distinguiu a corte inglesa das primeiras décadas do século XVII com muitos dos melhores retratos de todos os tempos.

Renascentismo e barroco na Europa - Dentre os grandes holandeses que se sucederam aos  renascentistas, figuram Jacob van Ruisdael, Jan Josefoz van Goyen, Frans Hals e Jan Steen, de orientação e virtudes semelhantes às dos mestres flamengos. Todos esses, porém, seriam suplantados pela genialidade de Vermeer e, sobretudo, de Rembrandt, mestre do claro-escuro e da profunda reflexão. Dentre os alemães, sobressaem Albrecht Dürer, Mathias Grünewald, Hans Holbein e Albrecht Altdorfer, tido como o primeiro paisagista puro da Europa.

Desde o século XV também a Espanha contou com notáveis escolas de pintura, em que sobressaíram Pedro Berruguete, Bartolomé Bermejo e Luis de Morales. Os mais destacados, no entanto, seriam Murillo, El Greco, de origem cretense e formação maneirista, Velázquez, que sintetizava o espírito nacional, e Goya, último dos mestres antigos e primeiro entre os modernos, que atingiu o apogeu em sua chamada "série negra".

Alguns dos melhores pintores barrocos franceses foram Jean Fouquet (século XV), Georges de la Tour, os irmãos Le Nain e os Clouet. O classicismo alcançou o auge na obra de Nicolas Poussin e Claude Gelée, dito Claude Lorroin, grandes mestres da paisagem e evocadores de uma antiguidade revalorizada.

Barroco italiano - Mais uma vez, a Itália reagiu ante a estética vigente e deu origem a novo movimento pictórico. Em oposição ao maneirismo, artistas como Caravaggio aprofundaram um estilo mais naturalista, que reencontrava a luz e a representação da realidade. Em vez do equilíbrio e domínio da linha, que caracterizavam o estilo renascentista, os realistas preferiam as cenas movimentadas e violentas. A cor adquiriu importância vital, e a técnica preferida foi o óleo. Os temas dominantes eram de caráter religioso, especialmente após o triunfo da Contra-Reforma.

Além do estilo "tenebroso" de Caravaggio, que exerceu forte influência sobre outros artistas, também surgiu na Itália outra linha mais elaborada, com paisagens serenas e composições equilibradas. Seus maiores representantes foram Lodovico Carracci, fundador da Academia de Bolonha, e seu irmão Annibale, que decorou a abóbada do palácio Farnese. O final do barroco italiano foi marcado pela decoração suntuosa de abóbadas e tetos, cujos mestres foram Pietro da Cortona e o padre Andreas Pozzo.

Pintura no Século XVIII e XIX - Durante o século XVIII, a França tomou o lugar da Itália como centro cultural.  A elegância e a sensualidade invadiram a pintura, expressas nas obras de Antoine Watteau e François Boucher. Gêneros como o retrato e as naturezas-mortas começaram a ganhar maior popularidade. Na Itália, Giambattista Tiepolo decorava abóbadas em estilo suntuoso, ao mesmo tempo que proliferavam as vedute, vistas urbanas pintadas com minúcias por artistas como Canaletto e Francesco Guardi. Na Inglaterra, William Hogarth satirizava impiedosamente a sociedade de sua época, enquanto Gainsborough cultivava o retrato aristocrático.

O início do século XIX assistiu ao declínio da estética neoclássica e ao triunfo do romantismo, que pregava o sentimentalismo, o amor à natureza e a liberdade. Seus representantes mais genuínos foram Théodore Géricault e Eugène Delacroix, de inspiração histórica e literária, com clara preferência pela cor em relação ao traço. O romantismo britânico teve no paisagista e animalista William Turner um antecipador do impressionismo, e em William Blake um extravagante também muito adiante de seu tempo. Na Alemanha, estimava-se sobretudo o paisagismo romântico de Caspar David Friedrich.

A reação contra o romantismo e a influência da técnica fotográfica levaram a pintura ao máximo do realismo, num movimento que se concentrou na paisagem, como na obra de Corot e na crítica social, como em Gustave Courbet, Jean-François Millet e Honoré Daumier. Nessa tendência triunfou também a pintura ainda mais voltada para fatos e episódios históricos, que exaltava as glórias nacionais.

O realismo, no entanto, foi superado pelo impressionismo. Surgido na França no final do século XIX, o estilo pretendia captar o momentâneo e o fugaz, com a valorização da luz e a pintura de motivos ao ar livre. Seus representantes mais característicos, Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Édouard Manet, Edgar Degas e Berthe Morisot, contaram com o apoio de Cézanne, cuja obra, uma das mais influentes de seu tempo, já antecipou o fauvismo e o cubismo. Dois artistas de gênio, Van Gogh e Gauguin, que libertaram a cor e a forma de sua realidade objetiva, iniciaram os caminhos do fauvismo e dos expressionistas.
#Pintura no Século XX

Pintura no Século XX - Entre 1900 e 1920, o fauvismo (do francês fauve, animal selvagem, fera) fez-se, em tudo, uma apoteose da luz, sobretudo com Matisse, Maurice de Vlaminck, André Dérain e Raoul Dufy. Nessa época, a escultura africana exerceu grande fascínio sobre muitos artistas europeus. Sua influência, às vezes, foi decisiva, e imprimiu à pintura de alguns uma reação antiimpressionista de revalorização do volume, como na obra do retratista Modigliani. Não foi menos importante a descoberta da pintura naïf (ingênua) ou primitiva, cujo representante mais imaginoso foi Henri Rousseau.

O expressionismo, para o qual a obra deve incorporar toda a subjetividade do artista, contou com precursores em Toulouse-Lautrec, James Ensor e Georges Rouault, mas sistematizou-se na Alemanha com o norueguês Edvard Munch, Ernst Ludwig Kirchner, Karl Schmidt-Rottluff, Emil Nolde e particularmente o austríaco Oscar Kokoschka. Outro expressionista admirável, Chaim Soutine, viveu no sul da França. O movimento foi dos que mais se expandiram em toda parte, inclusive na América.
Sob o signo da inovação, da ruptura e da vanguarda, a pintura do século XX reuniu ainda muitos outros movimentos e estilos. O cubismo, defendido e praticado a partir de 1908 por Pablo Picasso e Georges Braque, passou a decompor as imagens e recompô-las em nova organização, geométrica. Picasso levou essa mudança às últimas consequências e realizou uma obra revolucionária, em todos os aspectos. Acabou, sobretudo com sua contribuição, a vigência de toda a teoria herdada da pintura espacial renascentista.

Surgiram quase na mesma época o futurismo italiano de Carlo Carrà e Umberto Boccioni, o construtivismo russo (1913) dos irmãos Naum Gabo e Antoine Pevsner, o muralismo erótico de Gustav Klimt, o dadaísmo de Hans Arp e Marcel Duchamp, que prenunciava outros movimentos contemporâneos, e sobretudo o surrealismo, em que a pintura se voltou para as imagens e intenções do inconsciente, com personalidades e rumos tão distintos como Salvador Dalí, Max Ernst, Joan Miró, Marc Chagall, René Magritte, Paul Klee - mais tarde mestre da arte abstrata - e Giorgio de Chirico, este também ligado à "pintura metafísica", a que igualmente se vinculou a arte sutil das naturezas-mortas de Giorgio Morandi.

A essa altura, os pintores já começavam o processo que os dividiu entre o figurativismo (em cujas obras se mantêm figuras ou modelos da realidade exterior) e o abstracionismo (em que a subjetividade do artista se expressa sem nenhuma referência às formas do mundo externo). Na chamada arte concreta, posterior, a subjetividade dá lugar a construções objetivas, em geral geometrizantes, como no rigoroso trabalho do holandês Piet Mondrian, de enorme influência.

Entre os iniciadores do abstracionismo estão o russo Vassili Kandinski, que estudou na Alemanha e trabalhou tanto nesse país como na França; os franceses Francis Picabia, Robert e Sonia Delaunay, e o tcheco Frank Kupka. A tendência disseminou-se pelo mundo e tornou-se uma das mais duradouras do século, com desdobramentos que variaram até quanto aos materiais empregados. Estes adquiriram sentido crítico e demolidor na obra de Jean Dubuffet.

Foram também importantes, para os rumos da pintura no final do século XX, os movimentos pop art, surgidos nos Estados Unidos na década de 1960, que combinavam elementos dos quadrinhos e da publicidade, motivos do folclore urbano americano e toda sorte de iconografia de massa, com expoentes como Roy Lichtenstein, Claes Oledenburg, Andy Wharol e Robert Rauschenberg; e de op art, baseado na ilusão de óptica e na manipulação precisa de formas e cores. Entre seus nomes mais representativos estão Victor Vasarely, Bridget Louise Riley, Richard Anuskiewicz, Larry Poons e Jeffrey Steele.

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Bobo, Origem dos Bobos da Corte

Bobo, Origem dos Bobos da Corte

#Bobo, Origem dos Bobos da CorteProfissão de origem obscura, o bobo era o indivíduo em geral disforme cuja função era divertir os reis e grandes senhores com suas momices, trejeitos e piadas quase sempre sarcásticas. Séculos antes da era cristã, há referências a bobos na Grécia e em Roma: bufões disformes e anões parecem ter sido empregados como amuletos, na crença de que a disformidade evitava o mau-olhado. As referências aos bufões reaparecem no século XII, tornando-se frequentes nos séculos XIV e XV, sobretudo na França.

Famosos bobos da corte no Renascimento foram Il Matello, da corte de Isabella d'Este; Triboulet, que serviu a Luís XII e Francisco I; e Kunz von der Rosen, o leal e inteligente bufão de Maximiliano I.

O último bobo da corte de França foi L'Angely, que, sempre ao lado de Luís XIII, assustava os cortesãos com seu sarcasmo. A profissão entrou em decadência na Europa no século XVIII, embora florescesse na Rússia, onde não raro os nobres eram rebaixados a essa função. Os bobos tiveram participação importante na literatura medieval e renascentista.  Na música, o bobo aparece na ópera Rigoletto, de Verdi. Velázquez pintou diversos retratos do bobo da corte de Filipe IV de Espanha.

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Mosaico, Definição e contexto Histórico da Arte do Mosaico

Mosaico, Definição e contexto Histórico da Arte do Mosaico

#Mosaico, Definição e contexto Histórico da Arte do MosaicoMosaico é a composição plástica que consiste em pequenas peças de pedra, vidro ou cerâmica, de várias cores, coladas sobre uma superfície. A perenidade das obras artísticas realizadas em mosaico é notável, devido à resistência dos materiais empregados.

O mosaico artístico tem muito em comum com a pintura: representa uma imagem bidimensional e se faz por meio de uma técnica indicada para decorar grandes superfícies.

História - Entre as culturas do antigo Oriente ocorreu uma técnica semelhante à do mosaico. Edifícios do III milênio a.C., na Mesopotâmia, apresentam paredes externas decoradas com cones de terracota coloridos, em motivos de triângulos, losangos e ziguezagues. Mas não se trata ainda do mosaico propriamente dito, pois as peças são inseridas em ranhuras, enquanto no mosaico elas aparecem aderidas a uma superfície. Os primeiros mosaicos conhecidos datam do século VIII a.C. e são feitos de fragmentos de cristal de rocha, técnica aprimorada pelos gregos no século V a.C.

Na Grécia apareceram as primeiras peças montadas com tesselas, peças de mármore cortadas em triângulo, quadrado ou qualquer outra forma regular capaz de ajustar-se perfeitamente à grade que constitui a superfície do mosaico. Em Alexandria desenvolveu-se uma inovação técnica, a opus vermiculatum ("obra vermiforme", em alusão às filas ondulantes de tesselas). Pérgamo, outro centro do mundo helenístico, notabilizou-se pelas escolas de mosaico.

Os romanos adotaram essa forma elaborada de mosaico, tanto em suas casas quanto nos templos. Um dos melhores exemplos romanos, talvez executado por gregos, é o que representa a batalha de Isso, em que Alexandre o Grande derrotou Dario III (333 a.C.). Em Roma, o mosaico foi transformado em um meio decorativo comum, e com isso passou a ser usado em assoalhos decorados. São desenhos simples, pois provavelmente para o espírito prático do romano, não fazia sentido utilizar formas muito sofisticadas em assoalhos, submetidos ao desgaste.

Na arte cristã são comuns os mosaicos destinados a decorar muros e paredes, encontrados já nas catacumbas romanas. A partir do Edito de Milão (313 da era cristã), pelo qual Constantino concedeu liberdade de culto aos cristãos, o mosaico começou a ser utilizado nas basílicas. Nessa época as tesselas deram lugar às pastilhas de vidro colorido, mais brilhantes. Os mais antigos mosaicos cristãos de parede em Roma são os do mausoléu da filha de Constantino, na igreja de Santa Constança. Pela beleza, destaca-se o mosaico em forma de abóbada de Santa Prudenciana, em que um majestoso Cristo de barba longa, com uma toga recamada de ouro e sentado num trono cravejado de pedraria, explica a nova lei aos apóstolos.

Na arte bizantina, o mosaico atingiu o auge. Houve uma modificação formal: o real foi substituído pelo abstrato; foram preferidas as formas rígidas e majestosas; o fundo aderiu à figura e a perspectiva desapareceu; as cores são intensas e luminosas, com reflexos dourados. As igrejas, com as laterais da nave e as abóbadas cobertas desses mosaicos, adquiriram caráter suntuoso. São variados os exemplos de mosaico bizantino, no século V. Um dos mais antigos é o da rotunda de São Jorge, de Tessalonica, composta de oito quadros que representam santos em prece, em vestes gregas sobre um fundo enfeitado de ouro e pedrarias. Na igreja de São Davi, também de Tessalonica, a decoração da abside representa uma visão profética: um Cristo jovem e imberbe, com a mão direita erguida e ladeado pelos profetas Habacuc e Ezequiel, anuncia uma nova era.

Do século VI, encontram-se em Ravenna os mosaicos de Sant'Apolinario Nuovo, montados em duas épocas. A nave é decorada com três séries de mosaicos: as duas superiores são do tempo de Teodorico, rei dos ostrogodos de 493 a 526; a inferior é da época de Justiniano, imperador romano de 527 a 565. Na entrada do templo aparece são Pedro ao lançar a rede, o fariseu e o publicano. A parede norte representa milagres e parábolas. Entre as janelas estão figuras de apóstolos e profetas e acima um friso formado por um zimbório encimado por duas pombas e um quadro que representa uma passagem da vida do Cristo.

O segundo grande período do mosaico bizantino ocorreu nos séculos XI e XII, época em que o motivo principal é a liturgia católica. As figuras são nobres, de gestual solene; as composições são simples e quase abstratas. Como exemplo, destacam-se os mosaicos da igreja de Dafni, próximo a Atenas e a de Hosios Loukas, na Fócida, região da Grécia.

Fora da influência bizantina, são raros os exemplos de mosaicos. Os mais importantes são os da catedral de Torcello (início do século XI), da igreja de Martorana, em Palermo (século XII), da catedral de Monreale (século XII) e de San Marco, de Veneza. Nesta última, a montagem foi iniciada no fim do século XI por bizantinos e concluída por venezianos até o século XIV.

Técnicas de montagem. Na execução de um mosaico escolhe-se uma de duas técnicas: o método direto e a montagem em cartão. No primeiro, recobre-se a superfície do mural ou piso com uma camada de cimento, sobre a qual traçam-se as linhas gerais da composição. Em seguida, aplica-se uma fina camada de gesso sobre a área em que se vai trabalhar durante um mesmo dia. Finalmente, substituem-se pequenos pedaços desse gesso pelas tesselas. Na montagem em cartão, o artista esboça o mosaico, parte por parte, em cartões, sobre os quais fixa levemente as tesselas pelas faces que deverão ficar expostas ao final do trabalho. Incrusta depois o conjunto no mural e retira o cartão, para deixar visível o motivo.

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