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Bestiário (Literatura Medieval)

Bestiário (Literatura Medieval)

#Bestiário (Literatura Medieval)

Redigido em prosa ou verso, bestiário foi um gênero literário popular na Idade Média, com intenção moralizante. Com base na ideia de que tudo na natureza é fonte de ensinamentos úteis à salvação do homem, depois de enumerar os caracteres físicos dos animais, muitas vezes fabulosos, acrescentava uma interpretação de que se tira conclusão moral.

Redigidos em sua maioria em latim ou francês, os bestiários constituem documentos preciosos para o estudo da mentalidade medieval. Com sua visão poética do mundo, influenciaram o desenvolvimento da alegoria e do simbolismo na literatura e nas artes.

O mais antigo bestiário medieval conhecido é o de Philippe de Thaon (século XII), escrito em francês, com 38 capítulos e 3.194 versos. Os 22 primeiros capítulos são dedicados a Deus e aos animais terrestres, os 11 seguintes ao homem e aos pássaros, os últimos ao diabo e aos minerais. Do início do século XIII é o Bestiaire, de Gervaise, com um texto breve que eliminava alguns dos animais presentes no original de Thaon. O leão, o antílope e o unicórnio permaneciam como os mais importantes, sendo comparados a Deus, a Jesus e à Virgem.

Mais desenvolvido e da mesma época, Le Bestiaire divin (O bestiário divino), de Guillaume Le Clerc, tem 3.426 versos e retoma os mesmos exemplos de Philippe de Thaon. Entre 1210 e 1218, Pierre de Beauvais compôs dois bestiários em prosa, com animais de nomes diferentes, introduzindo o lobo e o cão.

De todas essas obras, apenas Le Bestiaire d'amour (c.1250; Bestiários de amores), de Richard de Fournival, é puramente profano. Os animais que aí figuram servem para ilustrar os segredos do comportamento amoroso, enquanto nas qualidades que lhes são atribuídas buscam-se comparações e argumentos próprios para cortejar uma dama.

O primeiro bestiário ocidental ilustrado, com desenhos ainda grosseiros, data do século X e encontra-se na Bibliothèque Royale de Belgique, em Bruxelas. Entre os primeiros de origem oriental, destaca-se o da biblioteca de Esmirna (c.1100). Os bestiários ilustrados tornaram-se comuns a partir do século XII. Em geral, seu valor artístico não é grande, mas os bestiários ingleses apresentam execução mais cuidadosa. Apesar de a importância dos bestiários não estar nas ilustrações, estas tiveram influência nas esculturas românicas e góticas com figuras de animais, e nas drôleries (caprichos) das miniaturas medievais.

No século XX, a tradição medieval foi retomada pelo poeta francês Guillaume Apollinaire, cujo Le Bestiaire ou Cortèje d'Orphée (1911; O bestiário ou cortejo de Orfeu) foi ilustrado pelo pintor Raoul Dufy. Certas parábolas de Kafka são bestiários em miniatura. Na literatura hispano-americana, Jorge Luis Borges e Julio Cortázar também criaram obras de zoologia fantástica.

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Beowulf (Literatura Anglo-Saxônica)

Beowulf (Literatura Anglo-Saxônica)

#Beowulf (Literatura Anglo-Saxônica)

De autor desconhecido e composto provavelmente na primeira metade do século VIII, o poema, ambientado na Escandinávia do século VI, contém numerosas alusões a outras lendas e heróis germânicos. Não existem provas da existência real do príncipe sueco Beowulf, embora alguns fatos tenham comprovação histórica. O estilo é grave e o metro é o mesmo da antiga poesia inglesa: um verso dividido em duas metades de igual peso, unidas por aliteração.

A mistura entre realidade e lenda confere a Beowulf, o mais antigo poema conservado da literatura anglo-saxônica, extraordinária capacidade de evocação.

O poema, em duas partes, tem cerca de três mil versos. A primeira relata como Beowulf acode em auxílio ao rei da Dinamarca, cujo país era ameaçado há 12 anos pelo ogre Grendel. Com 14 companheiros, Beowulf derrota o monstro e, mais tarde, a mãe deste, que tenta vingar a morte do filho. Na segunda parte, Beowulf, depois de reinar por cinquenta anos em seu país natal, trava sua última batalha com um dragão que aterroriza o povo. Embora consiga derrotá-lo, Beowulf também morre na luta.

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Moralidades (Literatura)

Moralidades (Literatura)

#Moralidades (Literatura)Moralidades são obras dramáticas medievais que se definem pelo maior nível de abstração e elaboração no tratamento das questões religiosas e éticas do que os gêneros precedentes. Enquanto os mistérios e milagres consistem basicamente na encenação fiel de narrativas bíblicas, as moralidades têm como principal marca o enredo original. Foi essa característica a que mais contribuiu para a transformação do teatro medieval, que deixou de ser instrumento de proselitismo religioso para tornar-se uma forma de livre expressão artística.

Diferentes em forma e conteúdo dos mistérios e milagres, gêneros preponderantes na Idade Média, as moralidades abriram caminho para a secularização do drama medieval e da afirmação do teatro como arte independente da igreja.

A maior parte das inovações radicais introduzidas pelas moralidades é de tipo formal, profundamente influenciadas pela literatura homiliar (que prega a moral evangélica) da Idade Média. Nos sermões se inspira o conteúdo de promessa das chamas do inferno para os que não resistem às tentações do diabo. A forma alegórica, que é a própria essência das moralidades, deriva da poesia medieval.

Nas moralidades mais antigas de que se tem notícia, surgidas em York, Inglaterra, no fim do século XIV, a ação era sempre um combate pela posse da alma do homem, travado entre os sete pecados capitais e as sete virtudes teologais. Esse esquema continha todo o espírito e a forma das moralidades. O tema básico era a salvação da alma, mas a variedade de personificações e incidentes atestavam a criatividade teatral de autores, que frequentemente introduziam episódios cômicos em suas lições morais. Muitas vezes os diabos, eternos derrotados, eram desmoralizados e levavam grandes surras em cena. Sob o aspecto da crítica ao erro, muitas vezes a moralidade estava mais próxima da farsa, da sátira e da paródia que dos mistérios e milagres. O tom moralizante, a mistura de gêneros, a investigação introspectiva sobre a natureza do bem e do mal e a figura do diabo presentes nas moralidades tiveram grande significação no desenvolvimento do teatro inglês, que evoluiu para a fórmula elisabetana.

A primeira moralidade inglesa preservada, The Castle of Perseverance (1425; O castelo da perseverança), tem como tema as peripécias do homem que hesita entre os bens terrenos e a salvação de sua alma. A natureza alegórica da peça pode ser constatada pelos nomes de seus 34 personagens, entre eles Humildade, Generosidade, Orgulho e Ira.

O gênero evoluiu até atingir o ápice de rendimento teatral e literário em Everyman (c.1492; Todo mundo). Nessa obra, tida como exemplar entre as moralidades, já são claros os indícios de secularização, pois as próprias figuras alegóricas são mais humanizadas: Boas Companhias, Primo, Parente, Beleza, Boas Ações etc. Tanto Everyman quanto o texto original em que se inspira, atribuído ao clérigo holandês Petrus Diesthemius, tornaram-se conhecidos em toda a Europa pela versão latina, Hecastus (1539), de autoria do humanista holandês Georgius Macropedius.

Depois disso, acentuou-se o processo de secularização do teatro medieval e o debate ético começou a ser encarado independentemente do problema religioso. Exemplo disso é Wyt and Science (1530; Espírito e ciência), moralidade escrita por John Redfern sobre o estudo e o mundo acadêmico, com os seguintes personagens: Espírito, um estudante; Senhora Ciência, com quem ele quer casar; Razão, seu pai; Experiência, sua mãe; Instrução, Estudo, Diligência, Recreação Honesta etc.

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Ficção Científica (Gênero Literário)

Ficção Científica (Gênero Literário)

Ficção Científica (Gênero Literário)

Gênero literário que se desenvolveu no século XX e espraiou-se para outras formas de manifestação artística, principalmente para o cinema, a ficção científica tem como tema principal a reflexão sobre as descobertas da ciência e a evolução tecnológica. Literatura característica de uma época de transição, em que a fé cega nos enunciados científicos e no progresso tecnológico, vigentes no século XIX, deram lugar à desconfiança e ao temor, a ficção científica traduz uma mudança geral de mentalidade em relação à ciência. No entanto, a atitude da ficção científica nem sempre é crítica: tanto pode adotar o culto cientificista e otimista, como uma posição de pessimismo e anticientificismo.

As conquistas da ciência e da tecnologia, suas possibilidades sem limites e suas experiências às vezes temerárias constituem a matéria-prima da ficção científica.

A ficção científica funda-se sobre o possível e nisso difere da literatura fantástica, que se baseia numa impossibilidade real. Por isso, os precursores do gênero, como o Frankenstein (1818), de Mary Shelley, e o Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1886; O médico e o monstro), de Robert Louis Stevenson, são ficção científica; enquanto o Dracula (1897), de Bram Stoker, não pertence a esse gênero, mas à literatura fantástica. Ao mesmo tempo, a ficção científica também se distancia da ciência, pois esta tem como projeto principal descrever a realidade, enquanto a literatura procura desenvolver os conflitos entre as exigências do homem e os limites impostos pelo mundo exterior. Como busca na ciência os meios para tornar-se convincente aos olhos do leitor, a ficção científica torna-se uma literatura conjectural, do "pode ser". Quando esse "pode ser" se torna uma ameaça à sobrevivência da humanidade, a ficção científica assume o papel de crítica social, tanto mais evidente quanto mais se aproxima o futuro previsto pelos futurologistas da ciência.

AntecedentesMuitos citam como antecessores da ficção científica Ariosto, Kepler, Cyrano de Bergerac, Voltaire, Swift e outros autores de utopias ou de relatos de viagens fantásticas, que de uma forma ou de outra utilizaram temas depois explorados pela ficção científica. Uma análise rigorosa mostra, porém, que a semelhança é ilusória. Na maioria dos casos, essas utopias ou viagens são alegóricas, filosóficas ou satíricas e têm endereço em seu próprio tempo, desde a Utopia de Thomas More ao Micromégas de Voltaire. As ficções do Iluminismo são meras transposições da realidade com objetivo crítico.

O mesmo se deve dizer da ficção utópico-fantástica do século XIX e princípio do século XX, em autores como Lamartine, em La Chute d'un ange (1838; A queda de um anjo), Balzac, Edgar Allan Poe, Edward Bellamy, Samuel Butler, Mark Twain e, no século XX, Karel Capek, Ievgeni I. Zamiatin, George Orwell e Hermann Hesse. Kingsley Amis chamou a atenção para The Tempest (A tempestade), de Shakespeare, como espécie de ficção científica antecipada. Ape and Essence (1949; O macaco e a essência), de Aldous Huxley, é também pura ficção científica, mas na verdade, como as obras dos autores referidos, não foi concebido nesse contexto. Já C. S. Lewis, conquanto tenha feito uma ficção de fundo religioso-doutrinário, inscreveu-se deliberadamente no campo da ficção científica e foi aceito como tal. Para alguns, ele é autor do melhor romance de ficção científica, Out of the Silent Planet (1938; Além do planeta silencioso).

Precursores da ficção científicaAutênticos precursores foram Júlio Verne, H. G. Wells e Olaf Stapledon. O primeiro escreveu uma ficção didática, com a modesta intenção de contribuir para a difusão de conhecimentos científicos, mas revelou-se narrador fascinante e espírito profético. Suas antecipações técnicas se realizaram com precisão espantosa, considerados os poucos elementos de que dispunha.

As antecipações de H. G. Wells não são menos ambiciosas que as de Verne: Wells acreditava-se profeta, mas, embora não tenha sido feliz nas profecias, quase toda sua obra continua viva. Ao morrer, em 1946, tinha visto toda uma literatura surgir na esteira de algumas de suas obras.

Olaf Stapledon, da mesma forma, não teve êxito em suas profecias, mas nesse caso as extrapolações históricas eram de cunho filosófico e não tecnológico. Last and First Men (1930; Os últimos e os primeiros homens) encerra quase todas as hipóteses temporais e biológicas exploradas pela ficção científica, apesar de Stapledon não utilizar máquinas. Em 1937, com Star Maker (O criador de estrelas), tentou um projeto ainda mais ambicioso: a história do universo.

Há, por fim, outro nome de grande importância no desenvolvimento da ficção científica, também autor de literatura fantástica. Trata-se de Howard Philips Lovecraft, autor de admiráveis histórias de horror e do sobrenatural, criador de mitos macabros e arquétipos obsessivos. Sua influência literária foi considerável, embora restrita a um pequeno círculo, do qual viriam a destacar-se Robert Bloch e Henry Kuttner. Em mais de um sentido, é um simbolista, com sua prosa suntuosa, de rasgos barrocos.
A grande geração da ficção científica. Justamente em 1937, ano em que morreu H. P. Lovecraft, tomou impulso a segunda geração da ficção científica americana, chamada "grande geração": apareceram Eric Frank Russel e L. Sprague De Camp. No ano seguinte, tornaram-se conhecidos Lester del Rey, Arthur C. Clarke e Ray Bradbury e, em 1939, Alfred Elton Van Vogt, Robert Heinlein, Theodore Sturgeon, Isaac Asimov e Fritz Leiber. Foram esses escritores que construíram o que hoje se entende por ficção científica. Deixando de lado a parafernália tecnológica, é uma literatura que recolhe o otimismo dos americanos e suas incertezas econômicas e políticas, num mundo às vésperas da segunda guerra mundial.

Durante a guerra e depois dela, o gênero cresceu ainda mais. Seu novo e palpitante assunto, a bomba atômica, deixara de ser uma ficção. Surgiu o pânico nuclear, o perigo das mutações provocadas pelas radiações e a guerra fria. A ficção científica do pós-guerra se debruça exaustivamente sobre esses problemas. Entre 1949 e 1953, surgiu um sem-número de revistas especializadas. Novos temas e novas conjecturas foram propostos: além da química, da física nuclear, da biologia, da arqueologia, da eletrônica e da astronáutica, cuida-se de história, de psicologia, de religião e de sexo. A parapsicologia aparece com frequência. Já se falava numa space opera parapsicológica: seres humanos dotados de poderes supranormais. A ficção científica se transmitiu às artes plásticas, à arquitetura, à engenharia e à moda.

Ray Bradbury foi o nome que mais solidamente se firmou e o primeiro a obter reconhecimento literário junto à crítica. Sua ficção é ambivalente, mais fantasiosa do que científica, e lhe granjeia prestígio como contista. Em 1952, Clifford D. Simak reuniu em livro os contos de City (Cidade), um dos clássicos do gênero. More Than Human (Mais que humano), de Theodore Sturgeon, é de 1953. Desse mesmo ano é Fahrenheit 451, de Bradbury.

Novos ficcionistasA terceira e a quarta gerações de autores de ficção científica, qualitativamente e em conjunto superiores às primeiras e mais diversificadas quanto à temática, reúnem Philip José Farmer, que abordou a temática sexual; Edmund Cooper; William Tenn; Brian Wilson Aldiss; James Bliss, com A Case of Conscience (1958; Um caso de consciência); Frederik Pohl; Walter M. Miller Jr., com a ficção científica religiosa de A Canticle for Leibowitz (1960; Cântico para Leibowitz); Avram Davidson; Judith Merril; o contista Robert Sheckley; Algis Budrys; J. G. Ballard e, especialmente, Roger Zellazny. Kurt Vonnegut Jr., escritor que também abraça outros gêneros, adquiriu popularidade junto ao público jovem. Em Sirens of Titan (1959; Sereias do Titã) e Mother Night (1961; A mãe noite), ele revela sua preocupação com as perspectivas de um conflito global.

Fora dos Estados Unidos e do Reino Unido, onde a língua comum permitiu o intercâmbio quase imediato, a ficção científica desenvolveu-se somente entre franceses e russos. Merece citação também o polonês Stanislav Lem, autor de Solaris.

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Drama na Literatura

Drama na Literatura

Drama na Literatura

Em sentido geral, drama é toda composição literária que expõe uma ação por meio de personagens que falam e agem entre si em aparente objetividade, excluindo a presença de um autor que conduza a narrativa (forma épica) ou extravase sentimentos pessoais (lírica). Nesse sentido, define-se como um dos três gêneros literários fundamentais, ao lado do épico e do lírico, segundo a visão clássica de Platão, sistematizada por Aristóteles e desenvolvida dialeticamente por Hegel. Em sentido estrito, historicamente mais rigoroso, trata-se de um gênero que surge em determinadas circunstâncias histórico-sociais, um capítulo da literatura teatral assim como a tragédia, a comédia, o auto medieval, a farsa etc.

A classificação das obras literárias segundo o gênero - épico, lírico e dramático -, estabelecida pelos pensadores gregos da antiguidade, manteve-se inalterada durante séculos e deu lugar a inúmeras controvérsias teóricas dentro das diversas correntes de pensamento que têm procurado apreender e explicar a multiplicidade do fenômeno literário.

Como gênero teatral, o drama surgiu em meados do século XVIII, quase ao mesmo tempo que a revolução francesa, graças ao empenho teórico-prático dos intelectuais do Iluminismo, como os enciclopedistas franceses (sobretudo Diderot) e os teóricos que lutavam por um teatro nacional burguês na Alemanha pré-romântica (principalmente Lessing). Nasceu com a ascensão da burguesia, comprometido com uma exigência definida de realismo e verdade social.

Alguns dos elementos que viriam a constituir o drama podem ser encontrados nas peças satíricas da antiga Grécia e no drama litúrgico da Idade Média. Durante o Renascimento, ao lado da imitação dos modelos clássicos que dominou a arte ocidental, surgiram reações diversas contra o artificialismo do teatro: na Itália, a commedia dell'arte; na Espanha, o drama teológico de Calderón de la Barca e a obra de Lope de Vega, que antecipa o drama revolucionário com Fuenteovejuna e inventa a comédia de capa-e-espada, com personagens burgueses; na Inglaterra, o teatro de Shakespeare e contemporâneos despreza a regra das unidades e mistura o cômico ao trágico.

Drama burguêsAs reflexões sobre as relações sociais caracterizam o novo gênero, o drama burguês, em que os heróis são personagens da vida cotidiana, semelhantes ao público burguês -- público racional a que só o mundo real poderia agradar, como afirmou Diderot.

Na Alemanha, Lessing, expoente do Iluminismo, propõe um teatro nacional e burguês na obra Hamburgische Dramaturgie (1767-1769; Dramaturgia de Hamburgo). Seu pensamento seria fundamental na eclosão do movimento pré-romântico alemão, influenciando o grupo Sturm und Drang (Tempestade e ímpeto) e os então jovens Goethe e Schiller.

Pré-romantismo alemão O início do romantismo alemão se encontra no grupo Sturm und Drang, nome tomado a uma peça de Maximilian Klinger cuja ação mistura cenas desconcertantes sem unidade ou coerência. O pré-romantismo proclama um individualismo anárquico, numa explosão lírica impetuosa e irracional, que traz o impacto das mitologias e das religiões. Situa-se entre o instinto e o intelecto, a primitiva inocência e o mundo civilizado.

As duas figuras mais notáveis do drama pré-romântico alemão são justamente Goethe e Schiller, que em suas obras fundamentais abandonam o ímpeto da mocidade, trocando-o por uma severa disciplina clássica. O primeiro é autor de um dos grandes momentos da literatura universal, Fausto, que reúne ao mesmo tempo elementos dramáticos, épicos e líricos. Schiller aparece como um dos fundadores do drama pré-romântico alemão, principalmente com Die Räuber (1781; Os salteadores).

Contemporâneo do romantismo alemão propriamente dito é Heinrich von Kleist. Um lugar à parte merece a obra de Georg Büchner, que antecipa o expressionismo e o teatro épico, ao mesmo tempo profundamente vinculada aos grandes temas metafísicos e políticos  do início do século XIX.

A explosão do subjetivismo romântico iniciado na Alemanha atingiria a França com Victor Hugo, Alexandre Dumas e Alfred de Musset, e a Rússia, com Pushkin. O drama romântico retoma a tradição shakespeariana e medieval, mesclando-a com o melodrama popular cultivado por August von Kotzebue, na Alemanha, e Guilbert de Pixérécourt, na França.

Drama realista O realismo na França se iniciou com os romances de Flaubert e Balzac e continuou no teatro com Alexandre Dumas Filho, celebrizado pela peça La Dame aux camélias (1852; A dama das camélias). Entretanto, a estrutura do drama realista atingiu o ponto máximo na obra do norueguês Ibsen, cujo teatro é um levantamento impiedoso dos valores da burguesia. A partir dele, todo o grande teatro se transforma em contestação da sociedade vigente, processo que culmina na contestação do próprio drama como forma pura.

O realismo psicológico marca a primeira fase de August Strindberg, na Suécia. Em sua segunda fase, ele é místico, herdeiro de Dostoievski e Nietzsche, anunciador de Kafka e Pirandello. Dessa fase é a peça Till Damaskus (1898-1904; O caminho de Damasco), que pode ser considerada a primeira contestação drástica do drama como forma literária e o princípio do expressionismo. Inicia-se a subjetivação radical na literatura dramática. Elementos líricos penetram o drama e começa a aparecer em seguida o teatro de Wedekind, precursor do expressionismo.

Na Rússia, o encontro de dois extraordinários homens de teatro, Stanislavski e Dantchenko, foi a origem do Teatro de Arte de Moscou. Esse teatro se materializou, como repertório, com a obra de dois dos mais importantes dramaturgos de todos os tempos: Tchekhov e Gorki. Tchekhov construiu suas peças a partir da ausência de intriga, em oposição à "peça bem-feita". Eliminou os chamados nós dramáticos e levou o naturalismo às últimas consequências, a ponto de superá-lo por uma espécie de neo-impressionismo ainda mais realista e revelador. Gorki retomou o tema de Tchekhov, o fim da burguesia, e anunciou os novos tempos revolucionários. Em sua obra fundamental, Na dne (1902; Ralé), desenvolveu um novo tipo de realismo crítico.

Com o inglês Bernard Shaw, mais que com Ibsen e Tchekhov, manifestou-se a impossibilidade de tratar certos temas dentro da estrutura dramática tradicional. Os três autores, em medidas diferentes, chegaram a um impasse formal. Os limites do drama ficaram evidentes e Shaw praticamente desmontou seus últimos preconceitos.

Contestação do realismoNa Alemanha explodiu o expressionismo, às vezes revolucionário, como na obra de Ernst Toller, em geral extremamente subjetivista, com imenso vigor lírico em seus mais autênticos representantes, como Carl Sternheim, Georg Kaiser e Arnold Bronnen. Surgiu o teatro político, baseado no documento e na agitação revolucionária, vinculado aos movimentos revolucionários de seu tempo, em torno da figura de um dos maiores encenadores, Erwin Piscator. Surgiu sobretudo o grande homem de teatro do século XX, Bertolt Brecht.

Nos Estados Unidos, Eugene O'Neill, com obras de grande vigor e influência decisiva nos dramaturgos posteriores, foi visivelmente influenciado por Strindberg e Ibsen, por Wedekind e Freud.
Na Itália, Pirandello descobriu a teatralidade na própria crise entre a ficção e a realidade. Suas obras dão ênfase à trágica condição humana. Está aberto o caminho para mais uma negação do drama, o teatro do absurdo, de Beckett e Ionesco.

Drama contemporâneoOs autores contemporâneos que não se desvincularam dos esquemas tradicionais da estrutura dramática são, nos Estados Unidos, os dramaturgos ligados aos movimentos políticos da década de 1930, como Clifford Odets, Lilian Hellman, Tennessee Williams e, sobretudo, Arthur Miller. Cite-se ainda Edward Albee que, em certo sentido, retoma Strindberg. Outros pontos de referência necessários são, na Inglaterra, o teatro rebelde de John Osborne e Arnold Wesker; na França, as peças de tese existencialistas de Camus e Sartre; na Itália, a dramaturgia de Ugo Betti.

A contestação ao drama veio com obras que constituem uma crítica demolidora aos valores tradicionais da burguesia: o teatro dos expressionistas, o teatro do absurdo de Beckett e Ionesco e, principalmente, o teatro épico de Brecht. Experiências dramatúrgicas recentes tornaram-se também a própria negação do drama, com uma linguagem cênica despojada de artifícios, tentativas de retorno aos rituais primitivos, supervalorização do espetáculo ou do improviso em detrimento do texto, e com o teatro de rua. Na obra de Brecht, a antiga divisão em gêneros perdeu o sentido: elementos tidos como essenciais da poesia épica se incorporaram à poesia dramática, da mesma forma que o expressionismo incorporou elementos da lírica.

O drama, embora transformado, resistiu. Muitas das peças que incorporaram conquistas formais e estruturais lançadas pelo expressionismo e pelo teatro épico mantiveram, não obstante, as leis tradicionais do realismo psicológico, como se observa na melhor dramaturgia americana do século XX.

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Romance, Evolução Histórica do Romance Como Gênero Literário

Romance, Evolução  Histórica do Romance Como Gênero Literário

#Romance, Evolução  Histórica do Romance Como Gênero LiterárioRomance é um gênero da literatura que transpõe para a ficção a experiência humana, em geral por meio de uma sequência de eventos que envolvem um grupo de pessoas em um cenário específico. A diferença entre romance e novela é flutuante; uma das distinções possíveis seria definir o romance como uma narração extensa em prosa, e a novela como uma mais breve, intermediária entre o romance e o conto. Pode-se ainda distinguir o romance da novela definindo esta como exposição de uma situação conflituosa, em que causas e efeitos são apresentados resumidamente, ao passo que no romance inclui a evolução e o desfecho de todos os acontecimentos, com o panorama social ou histórico.

Um romancista clássico, como Charles Dickens, não deixava fios soltos na trama. Prestava contas ao fim de todos os personagens, mesmo os mais obscuros. Já o romancista moderno acompanha mais de perto o curso da vida, que é muitas vezes gratuita, sem sentido e inacabada.

Os elementos fundamentais do romance são o enredo, a caracterização dos personagens e o narrador. O enredo só foi posto de lado a partir da segunda metade do século XIX, por escritores que desejavam transformar o romance em obra de arte verbal. Nessa época, a crítica literária enfatizou a importância dos caracteres bem definidos dos personagens. Exigia-se coerência do caráter do personagem principal, chamado então de "herói", numa visão do romance que foi minada pelo surgimento de heróis fracos, indecisos ou medíocres, como em Madame Bovary, de Gustave Flaubert. No século XX, apareceu até o anti-herói, com o primeiro plano da narrativa ocupado por forças sociais ou outras que o dominam.

O terceiro elemento constitutivo do romance é o narrador. O romance moderno prefere a narração na terceira pessoa. Mas enquanto em grande parte dos romances oitocentistas o narrador intervém na ação - o exemplo clássico é o Narrador do Proust -, os autores modernos preferem o narrador invisível e imparcial. Henry James e Joseph Conrad chegaram a destruir a noção de um narrador a par do enredo, substituído por narradores intermediários, que se perdem, ou só contam aquilo que sabem, ou interpretam os fatos a sua maneira. Em Climats, de André Maurois, o marido conta metade da história e a mulher a outra metade: é a história de seu casamento, malogrado por uma série de equívocos. Em Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell, cada um dos quatro narradores conhece apenas uma faceta particular do drama, o que dá ao leitor uma visão fascinante e calidoscópica do enredo. Em The Murder of Roger Ackroyd (1926; O assassinato de Roger Ackroyd), Agatha Christie inovou o romance policial: o assassino é o narrador.

Subgêneros A importância relativa do enredo e  dos personagens e o papel do narrador determinam a forma do romance, da qual depende a maior ou menor importância do diálogo na narração. Mas para classificar os vários subgêneros do romance é necessário considerar não apenas a forma de tratamento dos materiais, mas os próprios materiais do enredo.

Romance de cavalariaO romance de cavalaria surgiu por volta do século XV, caracterizado pelo enredo bastante complicado, quase fantástico, pseudo-romântico e de estilo enfático. Os típicos romances de cavalaria pertencem ao ciclo arturiano, como Amadís de Gaula (1508), na versão espanhola de Garcí Rodríguez de Montalbo, Palmerín de Oliva (1511) e Palmerín de Inglaterra (1547). Muito lidos até o início do século XVII, os romances de cavalaria foram precursores do romance de aventuras do século XIX, entre os quais se destaca Treasure Island          (1883; A ilha do tesouro), de Robert Louis Stevenson.

Romance galante No século XVII surgiu o romance galante, uma forma de evasão aristocratizante cujo modelo é o romance pastoril, criado em fins do século XV por Iacopo Sannazzaro. O romance galante teve como contrapartida o romance picaresco, gênero criado na Espanha do século XVI. Precursor do romance naturalista, contrapunha à vida dos aristocratas aquela do povo faminto, com autobiografias reais ou fictícias de um personagem de baixa extração social que tenta sobreviver por meio de expedientes. Entre os autores do gênero destaca-se Mateo Alemán, autor de Guzmán de Alfarache (1599) e Francisco Gómez de Quevedo y Villegas, com Historia de la vida del Buscón llamado D. Pablos, ejemplo de vagamundos y espejo de tacaños (1626; História da vida do gatuno chamado D. Pablos, exemplo de vagabundos e espelho de trapaceiros).

Romance sentimental O romance sentimental teve como precursora a grande obra do abbé Prévost, Manon Lescaut (1731). Com o avanço do século, o sentimentalismo entrou em conflito com as convenções sociais, que a paixão erótica pretendia derrubar. O criador do gênero, Samuel Richardson, contribuiu com uma dose de hipocrisia puritana para encobrir a licenciosidade íntima de obras como Pamela (1740) e Clarissa (1747-1748). Na Alemanha, o romance sentimental adquiriu caráter de romance de educação, que perdurou até o final do século XIX. Já não tratava da inadaptação do indivíduo à sociedade, mas de sua educação para adaptar-se ao meio. Uma das mais importantes obras desse subgênero é Wilhelm Meisters Lehrjahre (1795-1796; Anos de aprendizagem de Wilhelm Meister) de Goethe.

Romance góticoO romance gótico, típico do pré-romantismo do século XVIII, constituiu uma reação ao racionalismo iluminista e, ao mesmo tempo, ao aristocracismo. Foi cultivado sobretudo na Inglaterra e caracterizou-se pelo vivo interesse pela Idade Média, a beleza da arquitetura gótica, as sociedades secretas, a Inquisição, e os monges. Abordou toda série de horrores nos conventos, em castelos assombrados, mistérios terrificantes, torturas, quadros de antepassados que começam a falar etc. A Alemanha produziu um dos mais conhecidos romances góticos, Elixiren des Teufels (1815-1816; As drogas do diabo), de E. T. A. Hoffmann. Nos Estados Unidos, o gênero foi representado por Charles Brockden Brown, que influenciou os contos de horror de Edgar Allan Poe. Na Inglaterra, destacaram-se o irlandês Charles Robert Naturin, autor de Melmoth the Wanderer (1820; Melmoth, o errante), e Mary Shelley, que escreveu Frankenstein (1818), em que aparecem elementos de ficção científica.

Romance históricoO romance histórico surgiu no início do século XIX, caracterizado pela reconstrução, com enredo fictício, dos costumes, fala e instituições do passado, com uma mistura de  personagens históricos e de ficção. O primeiro romance histórico da literatura universal foi Waverley (1814), de Sir Walter Scott, mas o modelo de todos os romances históricos e do romance realista foi The Heart of Midlothian (1818; O coração de Midlothian) do mesmo autor, que se tornou mais conhecido com a publicação de Ivanhoé (1818), Kenilworth (1821) e Quentin Durward (1823), os livros mais lidos na Europa e nas Américas até meados do século XIX. O maior de todos os romances históricos foi Voina i mir (1862-1869; Guerra e paz), em que Lev Tolstoi relata as aventuras de duas famílias aristocráticas durante as guerras napoleônicas, no início do século XIX, tendo como fundo as complexas relações entre as diferentes camadas da sociedade russa da época. Do romance histórico derivou o sub-gênero chamado "de capa e espada", popular e cujo mestre foi o francês Alexandre Dumas pai, autor de Les Trois mousquetaires (1844; Os três mosqueteiros).

Romance urbano O romance urbano é, historicamente, sinônimo de romance realista, especialmente no século XIX. A evolução deste tipo de romance na França passou por Honoré de Balzac e Gustave Flaubert até chegar ao naturalismo de Émile Zola. Na Inglaterra, Charles Dickens, deformou o realismo pelo elemento humorístico e caricatural. Seus principais representantes foram George Eliot, com Middlemarch (1872) e Thomas Hardy, autor de Jude the Obscure (1896; Judas, o obscuro). A fórmula do romance realista francês conquistou adeptos importantes em todas as literaturas e é nesse estilo que se costuma escrever a maioria dos romances.

O romance realista politicamente crítico também é chamado de romance político. Nesse gênero foram escritas importantes obras como: Le Rouge et le noir (1830; O vermelho e o negro) e La Chartreuse de Parme (1839; A cartuxa de Parma) de Stendhal, Otci i deti (1861; Pais e filhos) de Turgueniev, Besi (1871-1872; Os demônios) de  Dostoievski, Nostromo (1904) de Joseph Conrad, e La Condition humaine (1933; A condição humana), de André Malraux. Um dos romances políticos mais influentes do século XX foi Mat (1906; A mãe) de Maksim Gorki, de que descende o neo-realismo italiano.

Romance psicológicoEm comparação com o romance realista, o romance psicológico dirige sua atenção menos para as forças determinantes, exteriores da sociedade; prefere prescrutar e analisar os motivos íntimos das decisões e indecisões humanas. O primeiro exemplo perfeito do gênero foi Les Liaisons dangereuses (1782; As ligações perigosas) de Choderlos de Laclos. Entretanto, o prestígio do romance psicológico só chegou ao auge por volta de 1880, quando Stendhal foi redescoberto e Dostoievski traduzido. Deste último, Prestuplenie i nakazanie (1866; Crime e castigo) é uma das obras-primas do gênero.

Romance policial O romance policial trata de esclarecimento de um crime pela habilidade e coragem de um detetive. Em geral, são características do romance policial a falta de interesse pela vítima e pela psicologia do criminoso. O gótico e o folhetim foram precursores imediatos deste subgênero. As primeiras narrativas policiais se devem a Edgar Allan Poe. Um precursor do romance policial, com elementos góticos, foi The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1886; O médico e o monstro), de Robert Louis Stevenson.) Mas a dedução lógica de Poe só reapareceu nos contos de Conan Doyle, autor de The Hound of the Baskervilles (1902; O cão dos Baskervilles) e criador do detetive Sherlock Holmes. Doyle criou o esquema que dominou o romance policial até cerca de 1930.

Entre os mais famosos autores do policial destaca-se Aghata Christie, criadora do detetive Hercule Poirot. O belga Georges Simenon, que se tornou famoso com a criação do comissário Maigret, escreveu nada menos que 125 romances policiais entre 1931 e 1952. Maigret não procede pela dedução lógica, como Poirot ou Holmes, e soluciona os crimes com base na atmosfera social e na psicologia dos criminosos.

Romance de ficção científica O subgênero ficção científica surgiu em 1920 e se firmou a partir de 1937, com as obras de Hugo Gernsback, John Wood Campbell e Edward Ernest Smith. Os temas são em geral invenções ou descobertas secretas, autômatos dotados de inteligência, monstros espaciais ou de laboratório, guerras intergalácticas etc. Os precursores deste subgênero foram Júlio Verne, H. G. Wells e Olaf Stapledon. As antecipações técnicas de Júlio Verne se realizaram com grande precisão, mas é a H. G. Wells, autor de War of the Worlds (1898; A guerra dos mundos), que cabe o título de criador da ficção científica.

A chamada grande geração da ficção científica nos Estados Unidos se formou a partir de 1937, quando surgiram Eric Frank Russel e Lyon Sprague De Camp. Entre as décadas de 1940 e 1950 a ficção científica registrou grande expansão. Surgiu então o primeiro escritor do subgênero a obter o reconhecimento literário junto à crítica, Ray Bradbury, autor de The Martian Chronicles (1950; As crônicas marcianas).

Nouveau romanA precursora e fundadora do nouveau roman foi Nathalie Sarraut, com o seu Portrait d'un inconnu (1947; Retrato de um desconhecido), chamado por Jean-Paul Sartre de anti-romance. Nos fundamentos do noveau roman está a rejeição do romance psicológico e a defesa de uma antipsicologia no romance. Nessas obras o homem foi descrito como coisa entre as coisas, com o predomínio de uma descrição dos objetos. As análises psicológicas dos personagens pelo romancista deram lugar à representação direta e fragmentada das ações e pensamentos dos personagens. A ordenação geométrica do universo foi levada ao extremo rigor em Dans le labyrinthe (1959; No labirinto) de Alain Robbe-Grillet. Este notabilizou-se ainda com La Jalousie (1957; O ciúme) e pelo roteiro do filme L'Année dernière à Marienbad (1961; O ano passado em Marienbad).

O fim do romance já foi proclamado várias vezes, sobretudo na década de 1970. Ulisses (1922), de James Joyce, teria sido o último romance e seria impossível prosseguir a linha alegórico-metafísica, de Franz Kafka. O gênero teria como única saída viável o romance-documento, baseado em fatos. Entretanto, a produção de romances, em estilo tradicional ou em estilo vanguardista, jamais cessou.

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Beat Generation, Movimento Literário da Década de 1950

Beat Generation, Movimento Literário da Década de 1950

Beat Generation, Movimento Literário da Década de 1950O movimento literário e comportamental conhecido como beat generation, surgido nos Estados Unidos no início da década de 1950 reuniu poetas e escritores inconformados com o rumo de massificação e consumismo tomado pela sociedade americana após a segunda guerra mundial. Os beatniks, como os membros do movimento eram depreciativamente chamados, responderam com protesto e marginalização à falta de perspectivas da sociedade moderna. Concentrado sobretudo nos bairros boêmios de Nova York, como o Village, e San Francisco, o movimento assumiu um individualismo anárquico caracterizado pelo uso de gírias tomadas de empréstimo aos músicos de jazz e por roupas negligentes.

Apolítica e indiferente aos problemas sociais, a geração beat opunha aos valores da sociedade de consumo a libertação individual, a purificação e a exaltação dos sentidos por meio das drogas, do sexo, do jazz e das disciplinas zen-budistas.

A expressão beat generation veio da palavra beat (cansado, abatido), embora seus integrantes preferissem explicá-la como abreviatura de beatified (beato), referência a sua busca do transcendental pela atitude mística e pelo desprezo aos valores materiais.

Allen Ginsberg foi o poeta mais representativo do movimento. Ficou célebre seu poema Howl (Uivo), violenta crítica à sociedade desumanizada pela tecnologia e pela militarização. Os poetas beat desejavam libertar a poesia do preciosismo acadêmico e trazê-la de volta para as ruas. O verso era frequentemente caótico e repleto de obscenidades. Os romancistas, como Jack Kerouac, autor de On the Road (1958; Na estrada), produziam textos livres e desordenados, em que lançavam sentimentos e pensamentos sem plano ou revisão, com os quais pretendiam transmitir a experiência imediata. Por volta de 1960, quando o movimento começava a entrar em declínio, escritores como Ferlinghetti, Gregory Corso, Philip Whalen e Gary Snyder já eram conhecidos e estava aberto o caminho para novas tendências e autores anticonvencionais.

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