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Memórias da Rua do Ouvidor | Joaquim Manuel de Macedo

Memórias da Rua do Ouvidor | Joaquim Manuel de Macedo 

Memórias da Rua do Ouvidor | Joaquim Manuel de MacedoTítulo: Memórias da rua do Ouvidor
Autor: Joaquim Manuel de Macedo
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
Arquivo: PDF
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Como a atual Rua do Ouvidor, tão soberba e vaidosa que é, teve a sua origem em um desvio, chamando-se primitivamente Desvio do Mar, e começando então (de 1568 a 1572) do ponto em que fazia ângulo com a Rua Direita, neste tempo com uma só linha de casas e à beira do mar. Como em 1590, pouco mais ou menos, o Desvio do Mar recebeu a denominação de Rua de Aleixo Manoel, sendo ignorada a origem dessa denominação; o autor destas Memórias recorre a uns velhos manuscritos que servem em casos de aperto, e acha neles a tradição de Aleixo Manoel, cirurgião de todos e barbeiro só de fidalgos; começa a referi-la, mas suspende-a no momento em que vai entrar em cena a heroína, que é mameluca, jovem e linda, e deixa os leitores a esperar por ele sete dias.

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Minha Formação | Joaquim Nabuco


Minha Formação | Joaquim Nabuco

Minha Formação | Joaquim NabucoTítulo: Minha Formação
Autor: Joaquim Nabuco
Gênero: Biografia
Categoria: Literatura Brasileira
Arquivo: PDF
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A maior parte de Minha Formação apareceu primeiro no Comércio de São Paulo, em 1895; depois foi recolhida pela Revista Brasileira, cujo agasalho nunca me faltou... Os capítulos que hoje acrescem são tomados a um manuscrito mais antigo. Só a conclusão é nova. Na revisão, entretanto, dos diversos artigos foram feitas emendas e variantes. A data do livro para leitura deve assim ser 1893-99, havendo nele ideias, modos de ver, estados de espírito, de cada um desses anos.

Tudo o que se diz sobre os Estados Unidos e a Inglaterra foi escrito antes das guerras de Cuba e do Transvaal, que marcam uma nova era para os dois países. Algumas das alusões a amigos, como a Taunay e a Rebouças, hoje falecidos, foram feitas quando eles ainda viviam. Foi para mim uma simples distração reunir agora estas páginas; seria, porém, mais do que isso uniformá-las e querer eliminar o que não corresponde inteiramente às modificações que sofri desde que elas primeiro foram escritas.

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Viagens de Gulliver | Jonathan Swift


Viagens de Gulliver | Jonathan Swift

Viagens de Gulliver | Jonathan SwiftTítulo: Viagens de Gulliver
Autor: Jonathan Swift
Gênero: Contos
Categoria: Literatura Britânica
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O autor destas Viagens, Sr. Lemuel Gulliver, é meu antigo e íntimo amigo; há, parece, alguma relação entre nós pelo lado materno. Há cerca de três anos, o Sr. Gulliver fartando-se do assédio de pessoas curiosas que iam procurá-lo em sua casa em Redriff, comprou um pequeno pedaço de terra, com uma casa aprazível, perto de Newark, em Nottinghamshire, sua terra natal; onde agora vive retirado, embora na boa estima entre seus vizinhos.

Embora Mr. Gulliver tenha nascido em Nottinghamshire, onde seu pai viveu, eu o ouvi dizer que sua família veio de Oxfordshire; confirmando o fato, observei no cemitério da igrega em Bandury, neste condado, diversas tumbas e monumentos dos Gullivers.

Antes de deixar Redriff, confiou-me a custódia dos papéis que se seguem em minhas mãos, com a liberdade de dispor deles como achasse melhor. Eu os percorri cuidadosamente três vezes. O estilo é correto e simples; e o único defeito que encontrei é que o autor, à maneira dos viajantes, é um pouco por demais detalhista. Há um ar de aparente verdade no todo; e realmente o autor era tão distinguido por sua veracidade, que se tornou uma espécie de provérbio entre seus vizinhos em Redriff, quando alguém afirmava algo, dizer, era tão verdade como se o Sr. Gulliver o tivesse dito.

Por conselho de algumas pessoas prestigiosas, às quais, com a permissão do autor, mostrei estes papéis, agora aventuro-me a lançá-los ao mundo, esperando que possam ser, pelo menos por algum tempo, um entretenimento melhor para nossos jovens nobres, que as garatujas comuns de políticos e partidos.

Este volume teria sido pelo menos duas vezes maior, se eu não tivesse forçado a tirar inumeráveis passagens relativas aos ventos e ondas, bem como às variações e finalidades nas diversas viagens, juntamente com as descrições minuciosas do manejo do navio em tempestades, no estilo dos marinheiros; bem como a conta de longitudes e latitudes; embora tenha razão de temer que o Sr. Gulliver ficasse um pouco insatisfeito. Mas resolvi talhar o trabalho tanto quanto possível à capacidade geral dos leitores. Contudo, se minha própria ignorância dos negócios marítimos me levou a cometer alguns erros, só eu sou responsável por eles. E se qualquer viajante tiver a curiosidade de ver o trabalho inteiro, como veio das mãos do autor, estarei à disposição para satisfazê-lo.

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Uma Pupila Rica | Joaquim Manuel de Macedo

Uma Pupila Rica | Joaquim Manuel de Macedo

Uma Pupila Rica | Joaquim Manuel de MacedoTítulo: Uma Pupila Rica
Autor: Joaquim Manuel de Macedo
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
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Uma pupila rica intitula-se comédia, mas é na verdade um drama sobre as tentativas de um tutor de apoderar-se da herança de sua protegida, casando-a com seu filho, mantendo a fortuna na família e assim evitando a falência. Mas o amor vai interferir nessa trama e atrapalhar esse casamento por interesse. Essa temática do rico herdeiro cuja herança é alvo da ambição de pessoas inescrupulosas é bastante comum na literatura e no teatro do século XIX, tendo sido inclusive abordada em 1845 na famosa comédia de Martins Pena, O noviço. Outras características do enredo - como a defesa dos interesses femininos e o anti-escravagismo - são também muito freqüentes na obra de Joaquim Manuel de Macedo. A peça, embora completa e acabada, permaneceu inédita mesmo depois da sua morte em 1882. Isso provavelmente se deveu ao insucesso crítico de Antonica da Silva, seu último texto encenado em vida, de 1880, e do
posterior recolhimento do autor em sua residência, ao que parece sofrendo de algum tipo de doença mental. Há no entanto uma certa confusão sobre a data em que foi escrita. A cópia existente na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional é datada de 1840, onde é creditada ao dr. Manuel Joaquim de Macedo (?). Ora, existiu um Manuel Joaquim de Macedo, que não era doutor, mas maestro de profissão, sobrinho do nosso autor, para quem musicou algumas obras teatrais. Nesta data, no entanto, ainda não era nascido. O próprio Joaquim Manuel de Macedo em 1840 tinha apenas 20 anos de idade, e ainda não era formado em medicina (só vai sê-lo em 1844), portanto não podia se intitular doutor. Se fosse verdade, Uma pupila rica teria antecedido em quase uma década a sua estréia como autor teatral (O cego, 1849), e permanecido guardada por 42 anos, o que não parece verossímil, entre outras coisas pelo estilo maduro e comedido do texto, longe das brejeirices românticas de sua juventude.

Apesar dessa data equívoca estar bastante visível na primeira página da cópia manuscrita, tanto J. Galante de Souza (O teatro no Brasil, INL, 1960 e Machado de Assis e outros estudos, Ed. Cátedra / INL, 1979) quanto Tania Rebelo Costa Serra ( Os dois Macedos / A luneta mágica do II Reinado, Fundação Biblioteca Nacional/DNL), os dois melhores estudiosos de Joaquim Manuel de Macedo, que confessadamente não leram a peça, a dataram de 1870. Esse outro erro, do qual os dois pesquisadores não são culpados, por sua vez originou-se de artigo de Artur Mota publicado na seção Perfis Acadêmicos da Revista da Academia Brasileira de Letras nº 113, de maio de 1931, páginas 80/99. Nele é informado que os originais pertenceram ao extinto Instituto dos Bacharéis em Letras (1867-1875) e é feita a referência à cópia existente na Biblioteca Nacional. Embora Galante de Souza considerasse que Artur Mota "não merecia crédito total por não revelar suas fontes" (página 316 do já citado O teatro no Brasil), reproduziu essa informação, por sua vez repetida no livro de Tania Rebelo Costa Serra. Em 1995, Uma pupila rica foi pela primeira vez editada em co-edição da Prefeitura Municipal de Itaboraí, RJ (terra natal do escritor) com a Biblioteca Nacional. Foi nela que baseamos o nosso texto, que, por ter permanecido inédito, possui alguns lapsos e trechos de difícil entendimento, assinalados respectivamente como sic e ilegível. Outras pequenas falhas (troca de nome de personagens ou da numeração de cenas) foram corrigidas por notas de pé de página.

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Camões | Joaquim Nabuco

Camões | Joaquim Nabuco

Camões | Joaquim NabucoTítulo: Camões
Autor: Joaquim Nabuco
Gênero: Poesia
Categoria: Literatura Brasileira
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Quando no dia 10 de Junho de 1580, Luís de Camões expirava em Lisboa, na mais completa miséria, ao desamparo de todos, abandonado até de si mesmo, se alguém lhe dissesse que ele só morria para ficar imortal, talvez que o Poeta, esmagado como o Gladiador pelo seu próprio destino, sem que no vasto Anfiteatro uma voz, um gesto, um olhar, pedisse compaixão para ele, afastasse com indiferença essa esperança de uma vida que não é mais do homem, mas tão somente do seu gênio e da sua obra. Entretanto, senhores, por mais que a consciência transforme numa tragédia pessoal cada um dos nossos sofrimentos, que aos olhos de um espectador desinteressado que abrangesse o interior de todas as almas, não pareceriam mais dramáticos do que a queda silenciosa da ave ferida no vôo, o que são todos os infortúnios reais e verdadeiros do Poeta, comparados à glória que nos reúne a todos, trezentos anos depois da sua morte, em torno da sua estátua? O homem é o nome.

A parte individual da nossa existência, se é a que mais nos interessa e comove, não é por certo a melhor. Além desta, há outra que pertence à pátria, à ciência, à arte; e que, se quase sempre é uma dedicação obscura, também pode ser uma criação imortal. A glória não é senão o domínio que o espírito humano adquire dessa parte que se lhe incorpora, e os Centenários são as grandes renovações periódicas dessa posse perpétua.

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Jangada de Pedra | José Saramago

Jangada de Pedra | José Saramago

Jangada de Pedra | José SaramagoO romance se inicia com a narração de alguns casos insólitos - Joana Carda e a vara de negrilho, Joaquim Sassa e o arremesso de uma pedra ao mar, José Anaiço e os estorninhos e Pedro Orce e o tremor da terra e Maria Guavaira e o fio de lã - onde são interligados mais adiante na narrativa. A Península Ibérica acaba por se soltar do continente europeu. Joaquim Sassa fica sabendo do fenômeno ocorrido com José Anaiço, indo em sua procura para saber a correlação desses fatos com a desagregação da Península. Joaquim Sassa e José Anaiço partem em Dois Cavalos ( carro de Joaquim Sassa ) rumo à Venta Micena (Espanha) à procura de Pedro Orce , que sente constantemente a terra tremer. 

As autoridades, comprovando tal fenômeno, e, embora não consigam explicá-lo, pedem a Pedro Orce que não comente isso com ninguém. No encontro dos três, viajam à região fronteiriça da Espanha com a França para verem o fenômeno. Decidem por ir à Lisboa. A caminho da capital portuguesa, fazem uma pequena estada em Albufeira. O caos nesta e noutras cidades se torna generalizado. A população, sem ter moradia, começa a invadir os hotéis, que estão vazios por falta de turistas. Choques entre o povo e as tropas do governo geram um clima de intranquilidade. 

A parcela rica da Península ibérica acaba por abandoná-la, levando consigo boa parte de seus capitais por receio dos movimentos populares que aconteciam. Ao chegarem à Lisboa, hospedam-se no Hotel Bragança. O fenômeno dos estorninhos chama a atenção da imprensa, que descobre os nossos protagonistas. Manchetes nas redes de televisão, rádios e jornais levam as autoridades a buscarem Joaquim Sassa e Pedro Orce para averiguações. Joana Carda vai ao encontro do grupo por ser portadora de outro fenômeno (aludido no início do enredo). Joana Carda hospeda-se no Hotel Borges. 

O grupo empreende uma viagem à Ereira, onde Joana passou a viver depois de separada e se dá o fenômeno da vara de negrilho. Inicia-se um romance entre Joana e José Anaiço. Ao chegarem ao local do risco, encontram o Cão Constante, carregando um fio de lã azul à boca, que se junta ao grupo, afeiçoando-se a Pedro Orce. Os quatro seguem o cachorro que os leva à região da Galiza, hospedando-se no caminho na casa de Joaquim Sassa no Porto. O destino do grupo é a casa de Maria Guavaira, viúva há três anos, portadora de outro fenômeno: "... não fiz mais do que desmanchar uma meia velha, dessas que serviam para guardar dinheiro, mas a meia que desmanchei daria um punhado de lã, ora o que aí está corresponde à lã de cem ovelhas, e quem diz cem diz cem mil, que explicação se encontrará para este caso,...". Começa um idílio amoroso entre Maria Guavaira e Joaquim Sassa . O rádio noticia a probabilidade de colisão entre a Península e o arquipélago de Açores. Inicia-se outra etapa da viagem, em direção ao oeste peninsular. A viagem é feita pelo grupo em uma galera, pois Dois Cavalos não funcionara mais. Maria Guavaira conduz a galera que é puxada inicialmente por um, posteriormente por dois cavalos (Pigarço e Alasão). 

A evacuação do leste português é generalizada, deixando cidades abandonadas e a população em desespero. Os governos português e espanhol se mostram ineficientes quanto ao amparo desse grande contingente de emigrantes. Já distantes da Europa, os Estados Unidos e o Canadá se preparam para dar as boas vindas à Península, começando a idealizar as novas relações estrangeiras entre esses dois grupos. Acontece o inesperado - a Península acaba por se desviar do arquipélago de Açores, mudando naturalmente seu curso ao norte. Todos reiniciam o retorno às suas casas. Nossos viajantes, entretanto, resolvem continuar viajando - agora em direção aos Pirineus. As duas mulheres do grupo acabam por ter relações com Pedro Orce, o que provoca um clima instável nos viajantes. Os viajantes permanecem juntos,mesmo com um certo ressentimento que predominava. Chegam ao fim da Península, extasiados com o espetáculo natural que presenciam. 

A Jangada de Pedra pára. Portugal fica voltado aos Estados Unidos e a Espanha para a Europa. Pedro Orce ainda afirma que a terra treme, o que acaba por se confirmar com a retomada do movimento peninsular, que fica a girar em torno de seu próprio eixo durante um mês. "Dois Cavalos seguia devagar (...), agora os viajantes demoravam-se nos lugares (...)". Por essa ocasião, as mulheres percebem que estão grávidas, não sabendo ao certo sobre a paternidade. O grupo encontra Roque Lozano, o qual viera em seu burro ( Platero) para ver o desregramento. Roque Lozano junta-se aos viajantes para retornar à sua casa (Zufre), como era idéia de todos. A Península começa a vagar rumo ao sul. Os Estados Unidos perdem o interesse de antes pelos povos peninsulares, onde "todas" as mulheres ficam grávidas. Joana Carda tem pressentimentos quanto a Pedro Orce . Este morre no momento em que a galera pára e ele não sente mais o tremor da terra. O grupo descansa para retomar a viagem. O tempo da narrativa é psicológico. Embora haja referências cronológicas, elas não predominam, além de serem em grande parte imprecisas. 

O espaço é a Península Ibérica a vagar pelo Oceano Atlântico. Os narradores são múltiplos e alternados (variando entre 10 pessoa do singular e plural e 30 pessoa ), o que anula um pouca a presença do narrador tradicional. Personagens principais: Joana Carda Portuguesa divorciada que mora na região de Ereira. Ao riscar o chão com uma vara de negrilho, os cachorros de Cerbère começam a ladrar, ação que não faziam a séculos. Joaquim Sassa Português (Porto), trabalha em um escritório, estando de férias por uma praia ao norte de Portugal. Lança uma pesada pedra no mar, espantando-se com a grande distância que ela vem a tomar antes de afundar. José Anaiço Português (Ribatejo) com o ofício de professor que fica sendo acompanhado constantemente por uma nuvem de estorninho. Pedro Orce Próximo dos sessenta anos, espanhol da região de Orce, farmacêutico no vilarejo de Venta Micena. Ele sente a terra tremer enquanto que os sismógrafos não conseguem detectar nenhum tremor. Maria Guavaira Habitante da região rural da Galiza, puxa um fio azul de lã de uma meia que se multiplica exageradamente em comprimento. É este fio, através do cão Constante, que traz os outros personagens acima à sua casa. A linguagem e o estilo da obra O autor se utiliza de períodos e parágrafos muito longos (estes chegando às vezes a uma página ou mais). Há uma total erradicação dos sinais de pontuação (usando predominantemente a vírgula e o ponto). As falas de narrador e personagens são às vezes confundidas, onde o uso do discurso indireto livre é bastante influenciador. A metalinguagem também se faz presente no romance, onde se percebe leves doses de ironia. Dividida em 23 capítulos, a obra preserva o português lusitano (imposição do autor aos países de língua portuguesa), fazendo-se valer de expressões populares típicas de Portugal.
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Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade | Mahatma Gandhi

Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade | Mahatma Gandhi

Minha Vida e Minhas Experiências com a Verdade | Mahatma Gandhi"Gostaria de não ter que escrever este capítulo; mas sei que me será necessário esvaziar mais de uma taça amarga deste gênero, durante a minha narração. E não poderei proceder de outro modo, se sou, como o pretendo, um fiel zelador da Verdade. Eis pois aqui o meu penoso dever: ser forçado a relatar o meu casamento, com a idade de treze anos. Quando vejo ao meu redor os meninos dessa idade, que confiaram aos meus cuidados, e medito sobre o meu próprio casamento sinto-me inclinado a apiedar-me de mim e a felicitá-los por haverem escapado à minha sorte. Não encontro um só argumento moral em favor de casamentos tão ridiculamente precoces.

Que o leitor não se equivoque. Trata-se de casamento e não de esponsais. Pois, no Kâthiyâvâr, existem dois ritos bem distintos: esponsais e casamento. Os esponsais são, da parte dos progenitores, uma promessa preliminar de unir pelo casamento as duas crianças, menino e menina; e essa promessa não é inviolável. A morte do moço não implica na viuvez da moça. Trata-se de um acordo que só obriga aos pais, e ao qual as crianças ficam alheias. Muitas vezes, mesmo, dele não têm conhecimento. Prometeram-me em casamento três vezes — e eu de nada soube. Contaram-me que duas meninas a mim destinadas haviam morrido sucessivamente; donde concluo que me fizeram noivo três vezes. Lembro-me vagamente, no entanto, que o terceiro dos meus esponsais se verificou no meu sétimo ano de vida. Mas não tenho nenhuma lembrança de haver sido informado do acontecimento. E no presente capítulo é do meu casamento que falo — do qual me recordo muito claramente."

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