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Instrumentos Musicais | Percussão


Instrumentos Musicais | Percussão

A musicologia (ciência que estuda assuntos musicais, como acústica, estética, rítmica, métrica, folclore, entre outros) divide os instrumentos de percussão em dois tipos. Os idiófonos são aqueles em que o som é produzido no próprio corpo do instrumento. Nos membranofones, o som é produzido por meio da percussão em membranas esticadas.

Adufe
espécie de pandeiro quadrado, pequeno e oco, de origem portuguesa. Utilizado antigamente na Folia de Reis e nas pastorinhas. Atualmente, o adufe é usado como instrumento de comando de algumas congadas.

Agogô
é formado por duas campânulas (espécie de sino achatado, sem badalo) de ferro, ligadas por uma haste, que soam quando se bate nelas com um pedaço de metal. Muito usado no samba e nos rituais religiosos afro-brasileiros.

Berimbau
esse instrumento de percussão de uma corda só tem forma de arco e uma cabaça ou coité, que funciona comoressoador. É de origem banto, sendo largamente difundido na África meridional. No Brasil, é o instrumento tradicional da capoeira.Os toques executados no berimbau por uma baqueta correspondem a diferentes momentos do jogo da capoeira, que são: Angola,São Bento Grande, São Bento Pequeno, Idalina, Iúna e Cavalaria. Este último era usado para avisar os capoeiras da aproximação da polícia.

Atabaque
espécie de tambor de madeira que pode ser percutido com as mãos ou com varetas. Aparece em tamanhos variados,cada qual produzindo um som diferente, no candomblé, na umbanda e nos cortejos do afoxé. Os rituais de candomblé utilizam trêstipos de atabaque: rum (o maior), rumpi (o médio) e lé (o menor).

Caixa
tambor cilíndrico de duas peles percutido com duas baquetas, pendurado no pescoço ou no ombro do músico. Há duas versões: uma de tamanho menor e de som mais agudo e outra maior, de sonoridade mais grave. Presente em várias danças e folguedos, como as congadas, o maracatu, a marujada e o moçambique.

Ganzá
também chamado de canzá, é um cilindro fechado que contém sementes, pedrinhas ou grãos de chumbo, tocado como um chocalho. É utilizado no samba, na dança do coco, no maracatu rural, entre outros. Em algumas regiões, o ganzá é tratado como mineiro (PE) e, em outras, como reco-reco (MG).

Carimbó
tambor de origem africana feito de tronco escavado, medindo cerca de 1 metro de comprimento por 30 centímetros de largura. O tocador senta-se no próprio instrumento e produz o som com as mãos. Está presente na dança de mesmo nome,principalmente no estado do Pará. Tambores escavados em tronco de árvore são também usados em outros batuques banto-brasileiros, como o jongo do vale-paraibano, o tambor-de-crioula maranhense e o zambê potiguar.

Cuíca
também conhecida como puíta, é um pequeno barril revestido de pele em uma das extremidades, à qual está fixada uma tira de couro ou uma haste de madeira que produz um som rouco quando friccionada com um pano úmido. De origem africana banto, foi trazida para o Brasil pelos escravos do Congo e de Angola. As cuícas agudas têm presença marcante nas baterias das escolas de samba, enquanto as graves aparecem em folguedos, como o bumba-meu-boi do Maranhão.

Ganguê
campânula (espécie de sino com a boca achatada, sem badalo) de metal, medindo de 20 a 30 centímetros de comprimento, que é percutida com um pedaço de ferro ou madeira. Muito presente nos maracatus pernambucanos.MaracáMaracá
chocalho feito de cabaça, coco ou metal, bastante usado pelos índios. Está presente em diversos rituais e no folguedo do bumba-meu-boi do Maranhão.PandeiroPandeiro
instrumento de percussão com um aro de madeira ou metal coberto de pele de animal ou material sintético e circundado por chapinhas de metal denominadas platinelas. Um dos instrumentos mais populares do Brasil, está presente em diversas danças,folguedos e festas.PandeirãoPandeirão
espécie de pandeiro maior, sem as chapinhas de metal, que chega a ter 75 centímetros de diâmetro. O instrumento,presente nos folguedos do boi do Maranhão, deve ser afinado no calor da fogueira.Reco-recoReco-reco
feito de madeira ou bambu, possui talhos transversais que produzem som quando friccionados com uma vareta. Os reco-recos utilizados no samba são de metal com raspador de mola.SurdoSurdo
grande tambor de som grave, utilizado como instrumento de marcação de ritmo nas escolas de samba. Divide-se em surdo de primeira, surdo de segunda e surdo de corte, este último utilizado pelo solista.Tamancos de madeiraTamancos de madeira
são utilizados pelos homens na dança chamada de fandango-tamanco, no litoral paranaense e no interior do estado de São Paulo.XequerêXequerê
cabaça envolta em uma rede de contas, utilizada em rituais religiosos afro-brasileiros, nos afoxés e nos blocos afros da Bahia.
ZabumbaZabumba

espécie de tambor cujos dois lados são revestidos de pele de animal ou material sintético. Ele fica pendurado por uma alça no pescoço do músico. Zabumba é também uma denominação dada a um tipo de grupo instrumental típico da Região Nordeste, formado pela zabumba propriamente dita, caixas, pífanos ou gaitas. Presente em diversos folguedos de todo o Brasil.
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Instrumentos Musicais


Instrumentos Musicais

Instrumentos Musicais
São os instrumentos que produzem sons por meio da vibração do ar em uma coluna com orifícios. Popularmente chamados de instrumentos de sopro.


Instrumentos Musicais Flauta
nome dado a vários tipos de instrumento feitos de um tubo dotado de orifícios, soprado perpendicular ou transversalmente.No Brasil, as flautas são conhecidas também como pifes, pífaros ou pífanos. Podem ser feitas de bambu, madeira ou até de canosde PVC ou ferro. São bastante comuns na música brasileira, principalmente na Região Nordeste.
Instrumentos Musicais Sanfona
instrumento de fole com pregas que movimentam o ar quando comprimidas ou distendidas, produzindo som. Também conhecida como acordeão ou gaita no sul do país, ela pode possuir teclados e botões. Aparece em várias tradições musicais, como os bailes gaúchos, as congadas, os reisados nordestinos e as festas juninas.

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Instrumentos Musicais | Cordas

Instrumentos Musicais | Cordas

São os instrumentos que produzem sons por meio da vibração de cordas, popularmente chamados de instrumentos de corda.

Bandolim
instrumento de origem italiana tocado com palheta e que possui o bojo de ressonância arredondado. É utilizado em danças e folguedos, como fandangos, marujadas, folias e terno de reis.

Banjo
de origem norte-americana, é semelhante ao cavaquinho, porém a caixa de ressonância é forrada com pele de animal ou sintética, o braço é comprido e estreito, e o som, mais grave. Utilizado no carimbó paraense.

Cavaquinho
espécie de viola pequena, com quatro cordas. De origem portuguesa, está presente em todo o Brasil como um dos principais instrumentos do samba e do choro, participando ainda do fandango, das folias de reis e das congadas.

Rabeca
de origem árabe (rebab), é uma espécie de violino de som grave, com três ou quatro cordas, normalmente, de náilon. O músico, em geral, apóia o instrumento no peito ou no ombro esquerdo. Presente em danças e folguedos, como a congada, o moçambique e o fandango. Com o nome de ravé, é utilizada nas tradições musicais dos índios guaranis.

Viola-de-cocho
espécie de violão pequeno, com cinco cordas. Feito de tronco escavado, com tampo sem abertura ou com um pequeno furo, é um instrumento típico dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, utilizado na dança do Cururu, na de São Gonçalo e no Siriri.

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Abertura Musical

Abertura Musical

Abertura Musical

As primeiras óperas, escritas no período barroco, começavam de forma abrupta, sem uma peça instrumental que as antecedesse. Foi somente no início do século XVII, por iniciativa de Monteverdi, que as óperas passaram a ser dotadas de abertura.

Peça orquestral de introdução a óperas, operetas, cantatas, oratórios e obras de música sacra, a abertura evoluiu de simples preparação do ambiente tonal a uma síntese da obra a que serve de pórtico. Inicialmente, não tinha uma relação maior com a obra executada em seguida, destinando-se apenas a preparar o espírito dos ouvintes para a apresentação de uma peça musical. Assim, as aberturas das óperas sérias e cômicas de Cimarosa são perfeitamente iguais.

Foi somente em meados do século XVII que Lully criou óperas e bailados com aberturas expressivas, identificadas com o clima psicológico das obras que preludiavam. Suas aberturas começavam com um movimento grave e majestoso, seguido de outro, vivo e alegre, e encerravam-se com uma repetição do primeiro, porém com diferente trabalho temático. Essa forma, conhecida como abertura francesa, perdurou até meados do século XVIII, quando Gluck criou, para Ifigênia em Áulida (1774), uma abertura grandiosa de estilo classicista, que resume espiritualmente a ópera. Weber, por outro lado, sistematizou o emprego dos temas principais da ópera como temas sinfônicos da abertura, notadamente na de Der Freischütz (O franco-atirador).

Essas duas tendências reuniram-se em Wagner: suas aberturas para O navio fantasma, Tannhäuser e Os mestres cantores são sinfonias às quais o enredo da ópera serve de programa, e os temas são os motivos principais da própria ópera. Em outros casos, como em Tristão e Isolda, a abertura é substituída por um prelúdio, mais breve, também com uso de motivos da ópera, mas sem pretensão de esgotá-los; nesses casos, voltou-se ao uso da abertura como mera preparação de espírito dos ouvintes. O mesmo acontece em muitas óperas italianas e francesas (Verdi, Bizet) do século XIX.

Já a forma italiana, atribuída a Alessandro Scarlatti, inicia-se com um movimento vivo (ou allegro), seguido de um trecho lento (ou adagio), finalizando com um movimento rápido (ou presto). Mais tarde, essa forma foi modificada, com a introdução de um minueto, transformado posteriormente em scherzo por Beethoven, dando origem ao esquema da sinfonia moderna.

As aberturas das óperas do século XIX seguem um dos seguintes tipos: a abertura em forma de sonata, de que é exemplo Don Giovanni, de Mozart, e a que pertencem também as aberturas independentes ou de concerto; a abertura de pot-pourri, em que se coordenam os temas mais salientes da ópera, e de que são exemplo muitas aberturas de Rossini, como Guillaume Tell; a abertura sinfônica, em que os temas principais da ópera preludiada são expostos como síntese prévia da obra.

Desse gênero são as aberturas de Weber para Der Freischütz, Oberon e Euryanthe; as de Wagner, sobretudo a de Tannhäuser; as de Verdi; e a de O guarani de Carlos Gomes. A ópera do século XX dispensa em geral a abertura.

Canção de Rolando

Canção de Rolando

Canção de Rolando

A Canção de Rolando é obra-prima da "canção de gesta" medieval e dos mais antigos poemas épicos da língua francesa. A versão mais antiga da obra data de 1100 e está no "manuscrito de Oxford", descoberto na biblioteca de Oxford em 1832. O clímax do poema é a batalha de Roncesvalles, no ano 778, pequeno incidente bélico entre francos e bascos que foi descrito com grandiloqüência.

A autoria dos 3.998 versos de rima assonante da Canção de Rolando - em francês, La Chanson de Roland - foi atribuída ao trovador normando Toroldo, ou Théroulde, embora a tendência seja considerá-la obra coletiva e anônima.

Desenvolve-se a canção a partir da conquista da Espanha dos sarracenos por Carlos Magno, que em seguida recebe de Marcílio, rei de Saragoça, a garantia de rendição. Aconselhado pelo valente guerreiro Rolando, um de seus 12 pares, Carlos Magno envia Ganelão, padrasto de Rolando, em negociação de paz. Revoltado com a indicação para a perigosa incumbência, Ganelão trama com Marcílio a desgraça de Rolando. Numa tentativa de fazer Carlos Magno abandonar a Espanha, Marcílio lhe envia tributos e reféns. Ganelão prepara uma emboscada e nomeia seu enteado para a retaguarda do exército do rei franco. Com apenas vinte mil homens, Rolando se vê cercado pelo inimigo e se nega a soar a trompa para pedir auxílio ao imperador, conforme lhe aconselha o amigo Olivier. Ao atingir o limite de suas forças, porém, Rolando tenta em vão destruir sua espada mágica e a golpeia contra uma rocha. Manda então soar a trompa, mas já é muito tarde. Ao chegar, Carlos Magno só encontra os cadáveres de seu exército. Aniquila, então, o inimigo, toma Saragoça e mata Marcílio. Ao regressar à França, conta a morte de Rolando a Alda, sua prometida, que morre de dor. Ganelão, o traidor, é julgado e condenado.

A composição do poema, em estilo direto e sóbrio, é estruturada e coerente. O herói, Rolando, apresenta as características mágicas e sobre-humanas dos heróis míticos. O tema medieval da Canção de Rolando foi incorporado às letras do Renascimento italiano e retomado, sob diversas formas, na literatura. No sertão nordestino brasileiro, a história foi difundida pela literatura de cordel, denominada História de Carlos Magno e dos doze pares de França.

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Blues, Música Popular Americana

Blues, Música Popular Americana

#Blues, Música Popular AmericanaAs formas simples mas expressivas do blues tornaram-se uma das mais importantes influências na música popular americana.

A típica pungência do blues, forma de música folclórica criada pelos escravos nos Estados Unidos, decorre do abaixamento em quartos de tom do terceiro e do sétimo - às vezes também do quinto - graus da escala ocidental, o que gerou as chamadas blue notes, executadas instrumentalmente com a bemolização daqueles graus da escala. A forma blues serviu na década de 1920, e depois, como arcabouço para as canções de Bessie Smith e também para o estilo pianístico percussivo que engendrou o boogie-woogie. O blues singer do sul foi uma espécie de cantador, que percorria os campos e às vezes se fixava nas cidades, cantando as tristezas e as alegrias de seu povo. Os mais famosos blues singers primitivos foram Huddie "Leadbelly" Ledbetter, William Lee Conley, "Big Bill" Broonzy e "Blind" Lemon Jefferson.

A grande depressão e as guerras mundiais causaram a dispersão geográfica do blues, já que muitos negros do sul foram para o norte dos Estados Unidos. O blues adaptou-se, então, aos ambientes urbanos mais sofisticados. As letras das músicas inspiraram-se em temas urbanos e a guitarra elétrica criou um som emocionalmente intenso.

Antes do surgimento do jazz orquestral, destaca-se a obra de W. C. Handy, que harmonizou o blues com os acordes "de igreja". Na década de 1930, a forma típica da improvisação do blues consistia, para um chorus em si bemol, em quatro compassos em si b, dois em mi b, dois em si b, dois em fá e dois em si b.

O blues influenciou muitos outros estilos musicais, como o rock, na voz de Elvis Presley e outros cantores famosos.

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Ritmo Musical

Ritmo Musical

Ritmo MusicalRitmo é a organização das durações sonoras. Sons idênticos e em sequência regular, como o tique-taque de um relógio, não constituem, por si só, um ritmo. É necessário percebê-los por grupos, para que surja a estrutura rítmica em seu conjunto. A ritmização é, por conseguinte, um processo subjetivo, explicado pelos princípios psicológicos que regem a percepção das formas.

Enquanto a pintura e a escultura são composições no espaço, a música se desenvolve no tempo. Em decorrência disso, o ritmo -- relacionado à duração dos sons -- é elemento indispensável na peça musical. Não se pode analisá-lo, no entanto, sem levar em conta as outras características do som: uma mesma célula rítmica produzirá efeito muito diverso se executada por um piano, um tambor ou uma orquestra.

As origens do ritmo na música ocidental são controversas. Sabe-se que a notação métrica foi inventada por volta do século XII e ganhou notável complexidade durante o século XIV. Esse refinamento foi abandonado pelos compositores do Renascimento, que privilegiaram o aspecto harmônico. No século XVII, houve uma divisão entre o ritmo ligado às danças e aquele calcado no modelo da fala, encontrado nos solos vocais. Essa caracterização repercutiu na ópera, na distinção entre ária e recitativo. O século XIX assistiu a uma erosão do sistema métrico -- juntamente com a do sistema tonal -- mediante polirritmias, subdivisões e irregularidades, o que levou vários compositores do século XX a abandonar a métrica. No início do século XX, o compositor Émile Jaques-Dalcroze questionou um dogma da música ocidental -- o princípio de criar ritmos a partir da subdivisão de uma unidade de tempo predeterminada -- e reaproveitou antigas teorias de criação do ritmo por adição de valores, além de utilizar também polirritmias e sistemas métricos do Extremo Oriente.

Tempo e compasso - A duração de um som é expressa por uma unidade cujo valor absoluto varia de uma peça para outra e é denominada "tempo". Numa sequência de sons de mesma intensidade, emitidos com regularidade, a distância entre cada um deles e o seguinte representa um tempo. A percepção auditiva atribui-lhes automaticamente importâncias desiguais. Dois ou mais tempos, organizados em grupos onde um deles predomina como forte, formam a célula métrica denominada compasso. De acordo com a periodicidade de ocorrência dos tempos fortes, os compassos simples se classificam em binários ou ternários. Os compassos compostos, formados pela combinação de compassos simples, podem ser regulares, quando resultam da soma de dois compassos iguais, e irregulares, quando constituídos por partes de valores diferentes. Na música ocidental, são comuns os compassos binários e os ternários, além dos compostos, como o quaternário e o compasso de seis tempos.

Batuque (Música)

Batuque (Música)

#Batuque (Música)

O termo batuque designa uma dança africana que consiste em uma roda da qual participam os músicos e espectadores, enquanto um ou vários solistas dançam ao centro. Também o termo samba é empregado para designá-la. Caracterizam-na requebros, sapateados, palmas e estalar de dedos, e um de seus elementos específicos é a umbigada para convidar um dos espectadores a substituir o dançarino solista.

Uma das expressões coreográficas mais antigas no Brasil, o batuque remonta ao século XVIII. Sua origem mais provável são as danças do Congo e de Angola, de onde foram transportadas para terras brasileiras.

A dança pode ser ou não acompanhada de cantos, mas o ritmo é sempre marcado por instrumentos de percussão. Com suas características originais, o batuque caiu em desuso, mas o termo subsiste como designação genérica de certos tipos de danças acompanhadas por forte instrumental de percussão. Às vezes, refere-se apenas a esse acompanhamento.

O batucajé seria, para alguns, o batuque sacro ou de intenção religiosa, dançado como parte do culto afro-brasileiro, tanto no candomblé baiano quanto na macumba carioca e fluminense. A rigor, não existe uma diferença entre batuque e batucajé, pois ambos têm as mesmas características coreográficas.

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Noturno, Composição Musical de Caráter Melancólico

Noturno, Composição Musical de Caráter Melancólico

#Noturno, Composição Musical de Caráter Melancólico

Noturno é uma composição musical de caráter melancólico, evocativa da noite ou inspirada por ela. Durante o século XIX, foi cultivado como peça pianística. O gênero foi criado pelo compositor irlandês John Field, cujo primeiro ciclo de noturnos, publicado em 1814, estava entre os modelos utilizados por Chopin.

Praticado por poucos compositores, o noturno teve seus momentos de grandeza na primeira metade do século XIX, com as 19 peças de Chopin, e atraiu depois alguns mestres do século XX.

Denominado Nachtstück pelos alemães, o noturno aparece na vasta obra pianística de Schumann e, mais tarde, entre as composições do russo Scriabin e de outro alemão, Hindemith. São notáveis os três noturnos para orquestra de Debussy, que apresentam brilhantes contrastes. No século XX, o maior artista do gênero foi Béla Bartók, que compôs obras com peculiar acento trágico.

O notturno italiano do fim do século XVIII, peça ligeira para conjunto camerístico, parece não apresentar relação com o noturno do século XIX. Semelhante à serenata e ao divertissement, foi originalmente concebido para apresentações noturnas e, em geral, ao ar livre.

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Poema Sinfônico

Poema Sinfônico

 Poema Sinfônico

Poema sinfônico é a composição musical para orquestra inspirada em tema extramusical, chamado programa, geralmente mencionado no título da obra. Estruturado frequentemente num único movimento, sua forma musical é livre. Tanto o gênero quanto o termo "poema sinfônico" foram criados por Franz Liszt que, em obras como Les Préludes (1848; Os prelúdios) - sobre o tema das Méditations poétiques, de Alphonse de Lamartine - tencionava produzir paráfrases musicais das ideias, sentimentos e atmosfera transmitidos pelo texto poético. Liszt acreditava que o impulso criador do compositor produziria espontaneamente uma forma musical compatível com as características de cada obra poética, ou seja, que a forma seria determinada pelo conteúdo e não por um modelo.

As composições musicais associadas a um assunto enquadram-se em duas categorias principais: a sinfonia programática, que preserva a maior parte das regras da forma sinfônica; e o poema sinfônico, forma orquestral em que o assunto determina a estrutura musical da composição.

A literatura foi a principal inspiração de Tchaikovski em Francesca da Rimini (1876); o pensamento de Nietzsche foi o ponto de partida de Also sprach Zarathustra (1896; Assim falava Zaratustra), de Richard Strauss; e o nacionalismo motivou Jean Sibelius em Finlandia (1900). Strauss levou às últimas consequências a imitação musical da narrativa literária, reproduzindo em Don Juan (1889) o último batimento do coração do protagonista agonizante e, por meio de sons incidentais, o balir de um carneiro. Do poema sinfônico nasceu o balé sinfônico: Igor Stravinski concebeu para a dança inúmeras obras baseadas em histórias russas.

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Balada, O Que é Balada?

Balada, O Que é Balada?

Balada, O Que é Balada?São conhecidos como balada diversos gêneros poéticos e musicais de origem popular e, inicialmente, ligados ao canto e à dança. É como se apresentam, em meados do século XIII, na Provença e na península itálica, já ostentando várias formas. No século seguinte, ao musicá-las, o poeta e compositor Guillaume de Machaut regularizou o gênero em três quadras, cada uma com seu estribilho, para o canto em três ou quatro vozes. No século XV, apareceram baladas literárias sem qualquer vinculação com a música, como as de François Villon, em oitavas, de características totalmente originais. Uma delas, a "Ballade des pendus" (1489; "Balada dos enforcados"), é unanimemente apontada como obra-prima.

Existem obras literárias com o nome de balada desde o final da Idade Média. Entre as que ficaram célebres, incluem-se algumas de François Villon, William Wordsworth e Samuel Coleridge.

A balada narrativa, de transmissão oral entre os cantadores ingleses e escoceses do século XV, era semelhante ao modelo provençal. O tipo ballad-stanza, estrofe de quatro versos rimados aos pares e com destaque para o refrão, era empregado para contar feitos lendários de guerreiros e heróis populares. Assim como os romances espanhóis dessa mesma época, o gênero deu origem à balada literária do século XVIII, depois de serem publicadas, na Inglaterra, as Reliques of Ancient English Poetry (1765; Relíquias da antiga poesia inglesa), do bispo Thomas Percy, que incluíam "Edward, o Edward", "Robin Hood" etc. A coletânea fixou um modelo que exerceu grande influência não só na literatura inglesa como em toda a Europa, e conferiu uma nota típica aos autores pré-românticos e do Sturm und Drang.

Ficaram célebres as Lyrical Ballads (1798; Baladas líricas), de Wordsworth e Coleridge, particularmente "The Ancient Mariner" ("O velho marinheiro"), de Coleridge, com uma atmosfera fantástica. Na Alemanha, sobressaíram como cultores do gênero Gottfried August Bürger, sobretudo com Lenore (1773) e Die Weiber von Weinsberg (1775; As mulheres de Weinsberg), e Goethe, entre cujas Balladen und Romanzen (1800) estão "Der Zauberlehrling" ("O aprendiz de feiticeiro"), "Die Braut von Korinth" ("A noiva de Corinto") e "Der Totentanz" ("A dança macabra"). As baladas de Schiller adquiriram um tom muito diferente, com intenção moral e sentido religioso. Também foram baladistas em língua alemã os poetas Ludwig Uhland, Heinrich Heine e o suíço Conrad Ferdinand Meyer.

No século XIX, o gênero, já em decadência, ainda contou com importantes contribuições de poetas  escandinavos e de outras línguas, como o tcheco, o húngaro e o finlandês, enquanto apareciam na França as Odes et ballades (1828), de Victor Hugo, e muito mais tarde as Ballades françaises, de Paul Fort. Na Inglaterra, estiveram entre os últimos autores desse tipo de poesia o pré-rafaelita Dante Gabriel Rossetti das Ballads and Sonnets (1881; Baladas e sonetos) e o Oscar Wilde da tocante Ballad of Reading Gaol (1898; Balada do cárcere de Reading). Foi dentro desse contexto que alguns compositores românticos, especialmente Chopin e Brahms, numa alusão subjetiva ao gênero literário, deram a peças suas o nome de balada. As do primeiro foram publicadas entre 1836 e 1842, e as do último em 1856.

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Banda de Música

Banda de Música

Banda de Música

A banda se compõe de um conjunto de músicos que utilizam principalmente instrumentos de sopro e percussão. Do ponto de vista musical, diferencia-se da orquestra sinfônica pelo fato de só ocasionalmente empregar instrumentos de cordas e por servir-se de outros que lhe são característicos, como os bombos e bombardinos. A tradição militar da banda se evidencia no uso de uniformes por seus componentes, no tipo de instrumentos empregados e no repertório que costuma executar.

O aparecimento das bandas de música, tradicionalmente militares, no universo civil ocorreu numa época em que a música transcendeu os limites dos salões e das salas de concerto para participar das manifestações artísticas populares nas ruas e praças das cidades.

Desde a antiguidade clássica, grupos instrumentais acompanhavam as tropas em campanha, para levantar-lhes o moral. O gradual aperfeiçoamento dos instrumentos musicais ocasionou a criação de bandas em quase todas as unidades militares, como símbolo e estímulo para os soldados. As bandas militares dos diversos exércitos se distinguiam umas das outras pelos instrumentos escolhidos e pelas peças interpretadas. Cada país incorporava às suas bandas os instrumentos mais característicos de sua cultura, como a gaita na Escócia e os pífaros na Alemanha.

A partir do século XIX, a concentração da população nas cidades determinou um novo tipo de relacionamento social, estabelecido sobretudo em lugares públicos. As bandas deixaram de ser um elemento ligado à guerra e adquiriram uma nova função: a de alegrar festas e demais encontros populares, contribuindo assim para a difusão da música.

Música Pop

Música Pop

Música Pop

Música pop é a expressão que, desde a década de 1960, designa um movimento musical de grande importância comercial patrocinado pela indústria fonográfica internacional. Referendado e apoiado pelos grandes meios de comunicação como o cinema, o rádio, a televisão e o vídeo, diferenciou-se das raízes folclóricas e utilizou formas, modismos e instrumentos característicos. A expressão - embora derivada do inglês pop music, abreviatura de popular music - refere-se a um modo específico de produção industrial e aos estilos, principalmente americanos, que assim se consagraram, como o rock, a disco-music, o rap e o funk. Não se aplica a todos os gêneros de música popular, mesmo àqueles que foram mais tarde incorporados pelas multinacionais do disco, como o jazz, o samba, o bolero e outros.

Uma auréola mística cercou, desde a década de 1960, os ídolos da música pop, fenômeno da arte comercial caracterizado por uma busca de originalidade que não exclui o apelo à extravagância. Jimi Hendrix, símbolo da música negra na década de 1970, quebrava sua guitarra após cada concerto e Michael Jackson empregou parte de sua imensa fortuna em técnicas cosméticas e cirúrgicas para suavizar os traços raciais e clarear a pele.

A música pop, que abrange diversas tendências estéticas, dirigiu-se sobretudo à juventude dos países industrializados, em especial os anglo-saxões, embora tenha sido divulgada por todo o mundo e utilizado temas da atualidade política e social e da realidade cotidiana. Entre suas principais características, destacam-se a simplicidade da estrutura composicional, a utilização de solistas ou pequenos conjuntos e a busca de novas sonoridades por meio de equipamentos elétricos e eletrônicos: instrumentos, sistemas de amplificação, experimentos acústicos na gravação de discos etc.

A importância da imagem do artista, amplamente divulgada por equipes de promoção especializadas, e do lançamento sobretudo de cantores - mais do que instrumentistas e compositores - adquiriu, inclusive fora do contexto musical, características genuínas de movimento social.

Música comercial - A história registra, desde a Idade Média, gêneros musicais que obtiveram grande divulgação e popularidade. É o caso das óperas napolitanas do período barroco, das óperas vienenses e parisienses do século XIX e das comédias musicais do século XX. A comercialização da música contava, entretanto, apenas com o recurso dos espetáculos ao vivo, o que restringia naturalmente seu alcance e rentabilidade.

O período de depressão econômica que teve início em 1929 e terminou com a segunda guerra mundial causou grande desaceleração no processo de produção artística. A geração do pós-guerra, ainda muito jovem, conquistou o espaço social e revolucionou a arte e a moda em todos os aspectos. O rock foi sua principal expressão musical. O crescimento econômico e os avanços tecnológicos do período favoreceram uma expansão inusitada dos meios de telecomunicações e da indústria do disco, que tomou o rock como primeiro grande produto. Os primeiros ídolos da juventude, tais como Jerry Lee Lewis, Elvis Presley e Little Richard, alcançaram popularidade nunca antes obtida por músicos e o fenômeno pop, avalizado pelos meios de comunicação, transformou-se num dos elementos básicos da cultura de massas do século XX.

Os grandes movimentos da juventude a partir da década de 1950 estiveram sempre ligados a algum gênero musical rapidamente transformado em produto comercial. Ao rock e seus derivados, de música rápida e dança às vezes acrobática, se contrapuseram gêneros mais suaves e românticos. Posteriormente, o movimento hippie enfatizou a canção folk americana, incorporou alguma influência da música oriental e caracterizou-se pela busca de figuras emblemáticas, o que também foi assimilado pela produção industrial.

A década de 1960 registrou a aparição de uma série de grupos britânicos que, a partir do modelo americano, dirigiram sua música para públicos de classe média. The Beatles, quarteto vocal e instrumental procedente de Liverpool, suavizou a sonoridade do rock e, a partir de 1964, quando se tornou famoso em todo o mundo, chegou a notável perfeição de construções melódicas e a extraordinária comunicação com o público. Na mesma época surgiram os Rolling Stones, outro grupo britânico, ainda ativo na década de 1990, que empregou formas e letras mais agressivas.

Nos Estados Unidos, a balada country foi revivida, com estilos pessoais, por Bob Dylan, Simon and Garfunkel, Joan Baez e outros grupos e cantores. Ray Charles, James Brown, Jimi Hendrix e inúmeros grupos vocais, como The Supremes, representaram a música negra. Certos instrumentistas e cantores, como John Mayall e Janis Joplin, combinaram o rock a formas tradicionais do blues. Essas tendências foram industrialmente exportadas com rapidez a diversos países, sobretudo na Europa e América, onde se integraram às tradições populares. Expostas a essa música de origem americana, outras culturas musicais ingressaram na indústria internacional com gêneros nativos adaptados a uma linguagem mais universal, como o reggae de Jimmy Cliff e Bob Marley, de origem jamaicana.

Nas décadas de 1970 e 1980, a estratégia comercial da indústria fonográfica seguiu novos rumos: ao invés de tomar como produto gêneros musicais surgidos espontaneamente, as empresas gravadoras passaram a interferir cada vez mais no processo criativo, a ponto de contratarem músicos para produzir sob encomenda discos cuja aceitação no mercado era considerada relativamente assegurada, com base em pesquisas de opinião e testes de produto. A polêmica avaliação quanto à qualidade artística da obra musical deu lugar ao controle estatístico de seu desempenho comercial enquanto artigo de consumo. As grandes redes de comunicação - jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão - colaboraram diretamente para o sucesso do novo sistema, por meio de matérias publicitárias de veiculação paga pelas gravadoras que "trabalhavam" o produto, influenciando a opinião pública e induzindo o consumo.

A música disco foi a primeira concretização do novo procedimento. Inteiramente construída em estúdio mediante sofisticada tecnologia, não necessitava sequer de intérpretes com domínio técnico ou talento especial. As novas máquinas eletrônicas permitiam a produção a baixo custo da música, por uma equipe reduzida, em tempo recorde. O resultado não podia ser repetido no palco com a mesma facilidade e essa produção teve como principal destinatário o público que afluía às salas de baile ou discotecas, para dançar ao som de música gravada.

Atualmente, a parafernália de efeitos eletrônicos está desenvolvida também para o espetáculo ao vivo, o que se verifica em mega-shows realizados ao ar livre ou em estádios, em que o imenso público mal consegue ver o artista mas recebe, em compensação, o impacto de uma amplificação sonora de alta potência, de efeitos pirotécnicos e imagens do palco ampliadas em telão. Nas décadas de 1980 e 1990, consolidou-se a tendência à predominância de cantores solistas, capazes de executar coreografias de efeito. Nesse período, destacaram-se dois nomes cuja produção de shows e divulgação internacional assumiram proporções gigantescas: a cantora Madonna, cuja temática propositalmente polêmica envolve sexo e religião, e Michael Jackson, que se tornou o maior fenômeno comercial da música pop desde o surgimento de The Beatles.

A expressão música pop terminou por assumir conotação estilística. As formas tradicionais da música em todo o mundo aproveitaram elementos da produção pop em combinações temáticas e estruturais de grande originalidade. Em certos casos, a relação do artista com a indústria fonográfica se baseia em maior liberdade criativa e o resultado musical é mais variado e imprevisível. Podem ser considerados música pop os trabalhos de artistas como Sade, Tom Waits, Laurie Anderson e, no Brasil, Rita Lee, o grupo Titãs e Jorge Benjor, que utilizam recursos típicos da música comercial, como instrumentos e efeitos eletrônicos, além dos próprios gêneros de composição.

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Ars antiqua e Ars Nova

Ars antiqua e Ars Nova

Ars antiqua e Ars NovaDenominou-se ars antiqua (arte antiga) a polifonia do período que se estendeu, na França, por volta de 1160 até meados da década de 1320. Caracterizou-se por um contraponto cada vez mais elaborado. Como coincidiu no tempo e no espaço com a arquitetura religiosa do Ocidente, alguns a chamaram de arte "gótica".

Na história da música medieval, registraram-se duas correntes opostas: ars antiqua e ars nova. Ambas marcaram a polifonia do Ocidente entre os séculos XII e XIV e contribuíram para sua evolução.

Na maior parte anônima, a música antiqua teve seus expoentes em Perotino, no século XII, sucessor de Leonino e Albert na Notre-Dame de Paris e compositor da mais antiga peça para quatro vozes; Franco de Colonia, no século XIII, codificador do novo sistema de notação de que proviria o moderno; e Pierre de la Croix, também no século XIII, que antecipou a ars nova. A partir de Perotino, a ars antiqua propagou-se à Itália, Espanha, Inglaterra e Escócia.

A mais importante das formas surgidas com a ars antiqua foi o motete, que consistia na apresentação simultânea de mais de um texto. Originou-se provavelmente da adição de um segundo texto (para as vozes altas) ao de uma composição sacra de caráter polifônico (com a voz baixa e mais lenta). Com o tempo, o latim, a língua do segundo texto, deu lugar ao francês, conferindo-lhe um caráter mais profano. Surgiram composições em que o texto sacro da voz baixa, em latim, era acompanhado por um ou mais textos seculares cantados pelas vozes altas.

A expressão ars nova (arte nova) foi cunhada por Hugo Riemann, em oposição à ars antiqua, para designar o extraordinário florescimento musical do século XIV, sobretudo na França. O nome derivou-se de Ars nova musicae (1325), tratado de Philippe de Vitry. A música da península itálica - Florença, Bolonha, Pádua, Pisa - embora ainda influenciada pela música francesa, adquiriu feições próprias, denominando-se ars nova italiana.

As inovações surgiram na segunda metade do século XIII, com notas de valores menores e ritmos mais elaborados. Os dois mestres da ars nova viveram no século XIV: Vitry e, sobretudo, Guillaume de Machaut, cuja obra por si só representou mais de metade do acervo musical que restou daquele período. Isto porque, salvo o caso de Machaut, os expoentes da ars nova eram mais professores de composição do que compositores. Foram eles que criaram as regras ainda válidas da polifonia e do contraponto. A Missa de Notre-Dame, para quatro vozes, única missa conhecida de Machaut (composta, segundo tradição não documentada, para a coroação do rei Carlos V em Reims), tornou-se modelo do gênero e constituiu grande marco da música polifônica.

A obra de Machaut revelou como nenhuma outra, as feições distintivas da ars nova: ritmo extremamente elaborado, uso de textos duplos da mesma língua, maior riqueza de instrumentação, maior liberdade de execução (determinados fragmentos podem ser omitidos), certo pitoresco no fraseado, alguma angulosidade na composição e entrada sucessiva das vozes, não mais simultânea, como na ars antiqua, embora na obra de Machaut os dois estilos se fundissem harmoniosamente. Com sua música, uma síntese da ars nova, Machaut preparou a grande expansão dos polifonistas dos séculos XV e XVI.

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Ária (Música)

Ária (Música)

Ária (Música)

Denomina-se ária a peça para cantor solista com acompanhamento instrumental, de importância fundamental na ópera, mas também presente em cantatas e oratórios. Criada no Renascimento italiano, em 1602 o termo foi usado por Giulio Caccini na publicação de uma coletânea de canções para voz solo com acompanhamento instrumental. A partir de então, a maioria das canções em estrofes publicadas na Itália chamaram-se árias e, em 1607, Monteverdi introduziu a forma na ópera, em Orfeu. No começo do século XVII, popularizaram-se as composições destinadas ao canto para uma só voz acompanhado de viola ou alaúde, como a air de cour francesa, que se originou de melodias populares, e as ayres inglesas de John Dowland e Thomas Campion.

A partir do século XVII, Giacomo Carissimi, Alessandro Stradella e outros fixaram a estrutura da cantata como breve peça dramática em verso, composta por duas ou mais árias precedidas de recitativos. No final do período barroco, a distinção formal entre música sacra e profana praticamente desaparecera: a cantata era largamente utilizada nos cultos e o oratório e as representações da paixão de Cristo desenvolveram-se de forma semelhante à ópera, com recitativos, árias, partes corais etc.

Na ópera, a ária representa uma parada dramática no ritmo dos acontecimentos, quando um personagem toma a frente da cena e expressa intensamente suas emoções e pontos de vista. Alessandro Scarlatti usou amplamente a chamada ária da capo (peça em três partes, em que a terceira é a repetição da primeira), estilo tipicamente italiano que utiliza textos curtos e destaca o virtuosismo do cantor. O  alemão Christoph Gluck, no século XVIII, defendeu maior liberdade na estrutura da ária em relação às normas acadêmicas.

A ária encontrou papel definitivo no drama lírico italiano de autores como Rossini. No século XIX, passou por grande desenvolvimento estrutural e foi empregada em todas as óperas. Richard Wagner, a partir sobretudo de Tristão e Isolda (1857-1859), abandonou as formas clássicas italianas e integrou a ária ao conjunto da ópera, no mesmo nível de importância das partes instrumentais. As profundas transformações da música ocidental no século XX, como o surgimento do novo sistema composicional dodecafônico e a formação de um imenso público atingido pelos meios de telecomunicação, trouxeram novos elementos a essa antiga forma.

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Tonalismo e Atonalismo

Tonalismo e Atonalismo

Tonalismo e AtonalismoTonalismo é um sistema teórico que estrutura a composição musical em torno de uma nota principal, a tônica, segundo regras harmônicas específicas. É a tônica que define a tonalidade de determinado trecho musical. O atonalismo corresponde à ausência desse princípio.

O sistema tonal, ou tonalismo, impôs-se a partir do século XVII e dominou toda a música ocidental nos séculos XVIII e XIX. No final do século XIX, as obras de Richard Wagner levaram o cromatismo romântico a extremos que prenunciaram o atonalismo do século XX.

Várias culturas organizam sua música em torno de um ou mais sons fundamentais, para os quais tende a melodia. A ideia ocidental de tonalismo corresponde, em seu conjunto, ao sistema específico de relações entre as notas e os acordes que predominou entre 1650 e 1900, e presente desde então em diversas correntes da música sinfônica e popular.

A organização das notas na escala diatônica faz prevalecer alguns sons sobre os outros e estabelece uma ordem hierárquica e funcional entre eles. Esse é um dos principais fatores determinantes da alternância entre momentos de tensão e de repouso numa composição tonal. A nota que representa, num trecho musical, a sensação máxima de repouso ou conclusão, recebe o nome de tônica. Outra nota, a dominante, origina o acorde que conduz diretamente à tônica, num giro harmônico chamado cadência perfeita ou final. O argumento básico das obras tonais é a reiteração das tensões, criadas pela presença da dominante, e sua resolução na tônica. Outro fator de tensão na teoria tonal é o desvio da harmonia para outras tonalidades, efeito conhecido como modulação.

As primeiras tentativas deliberadas de abandono do sistema tonal levaram ao atonalismo. O surgimento dos movimentos atonais na música ocidental ocorreu no início do século XX, sobretudo com os representantes da escola expressionista de Viena, formada em torno de Arnold Schoenberg.

O atonalismo utilizou a escala cromática de 12 semitons, em substituição à escala diatônica. A uniformidade dessa escala - devido à equidistância entre as notas, o que não ocorre na escala diatônica nem na maioria das escalas em todo o mundo - anulou por completo a funcionalidade e a hierarquia tonal entre os sons, com o que se pretendeu recuperar a melodia e o ritmo como bases da música. Menos que um novo sistema, o atonalismo era inicialmente a negação racional do anterior, o tonal. Como afirmação de um novo parâmetro composicional, surgiu em seguida o dodecafonismo ou música serial, proposto pelo próprio Schoenberg e baseado não mais numa escala, mas numa série de 12 sons definida, segundo algumas regras primordiais, de acordo com a preferência de cada compositor.

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