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Como Resumir Textos


Como Resumir Textos

Como Resumir TextosLer não é apenas passar os olhos no texto. É preciso saber tirar dele o que é mais importante, facilitando o trabalho da memória. Saber resumir as ideias expressas em um texto não é difícil. Resumir um texto é reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse.

Para se realizar um bom resumo, são necessárias algumas recomendações:

1. Ler todo o texto para descobrir do que se trata.

2. Reler uma ou mais vezes, sublinhando frases ou palavras importantes. Isto ajuda a identificar.

3. Distinguir os exemplos ou detalhes das ideias principais.

4. Observar as palavras que fazem a ligação entre as diferentes ideias do texto, também chamadas de conectivos: "por causa de", "assim sendo", "além do mais", "pois", "em decorrência de", "por outro lado", "da mesma forma".

5. Fazer o resumo de cada parágrafo, porque cada um encerra uma ideia diferente.

6. Ler os parágrafos resumidos e observar se há uma estrutura coerente, isto é, se todas as partes estão bem encadeadas e se formam um todo.

7. Num resumo, não se devem comentar as ideias do autor. Deve-se registrar apenas o que ele escreveu, sem usar expressões como "segundo o autor", "o autor afirmou que".

8. O tamanho do resumo pode variar conforme o tipo de assunto abordado. É recomendável que nunca ultrapasse vinte por cento da extensão do texto original.

9. Nos resumos de livros, não devem aparecer diálogos, descrições detalhadas, cenas ou personagens secundárias. Somente as personagens, os ambientes e as ações mais importantes devem ser registrados.

(BISOGNIN, Tadeu Rossato Descoberta & Construção, 8ª série, São Paulo, FTD, 1994.)

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Numeral e Número | Língua Portuguesa

Numeral e Número | Língua Portuguesa

Numeral e Número | Língua Portuguesa
Numeral, na nomenclatura gramatical brasileira, é a classe de palavras que designa a quantidade dos objetos ou sua posição numa série. Os numerais podem ser cardinais, quando indicadores de quantidade (um, dois, três); ordinais, quando dão ideia de ordem ou posição (primeiro, segundo); fracionários (meio, terço) e multiplicativos (duplo, triplo). Os numerais podem ser expressos em algarismos romanos (I, V, XX) ou arábicos (1, 5, 20).

Nos títulos honoríficos, na designação dos capítulos de livros e na determinação de datas e horários, empregam-se frequentemente os numerais.

Figuradamente, o numeral pode expressar número indeterminado, como por exemplo na frase: "Já lhe disse isso mais de mil vezes." Em datas, quando se trata do primeiro dia do mês, dá-se preferência ao ordinal: primeiro de janeiro (e não um de janeiro). Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos etc., empregam-se, de um a dez, os ordinais e, de 11 em diante, os cardinais. Por exemplo, diz-se papa João Paulo II (segundo), mas papa João XXIII (vinte e três). Quando aparece anteposto, o numeral é normalmente lido como ordinal, como em XX Salão do Automóvel (vigésimo).

Número

Número

Número é a flexão que as palavras variáveis sofrem, em muitas línguas, para indicar singular -- um ser único (um peixe) ou um conjunto de seres considerados como um todo (substantivo coletivo: cardume) - ou plural - mais de um ser (peixes) ou mais de um desses conjuntos (cardumes).

A diferença existente entre "um peixe" e "vários peixes", "um cardume" e "vários cardumes" exprime-se em português mediante a flexão de número. Embora a palavra cardume se refira também a muitos peixes, gramaticalmente é classificada como singular, porque se aplica a um conjunto de peixes.

Substantivos. Quanto à flexão do plural, em português os substantivos se classificam em três grupos: os terminados em vogal ou ditongo; os terminados em consoante; e os compostos.

Terminados em vogal ou ditongo. Forma-se o plural de substantivos terminados em vogal ou ditongo: (1) pelo acréscimo de -s ao singular, se o substantivo termina em vogal (livro/livros), em ditongo oral (pai/pais) e no ditongo -ão, quando a palavra é paroxítona (acórdão/acórdãos), monossilábica (mão/mãos) e ainda em alguns poucos oxítonos (cidadão/cidadãos, irmão/irmãos); (2) pela mudança do final -ão para -ões, na maioria dos oxítonos em -ão (botão/botões); (3) pela mudança do final -ão em -ães, em reduzido número de oxítonos (capitão/capitães).

Alguns substantivos terminados em -o, cuja vogal tônica é o fechado (ô), passam, no plural, a ter o aberto (ó): caroço/caroços, poço/poços. Não são poucos, porém, os substantivos que conservam no plural o o fechado do singular (cachorro/cachorros, polvo/polvos), além de palavras homógrafas de formas verbais em que o o tônico é aberto: "acordos", plural de "acordo", com o o tônico fechado, homógrafo de "acordo", do verbo "acordar", com o tônico aberto), adornos, brotos, encostos.

Há substantivos em -ão que têm mais de uma forma de plural, com preferência, contudo, para o plural em -ões: (1) plural em -ães e -ões (alazão: alazães e alazões); (2) plural em -ãos e -ões (anão: anãos e anões); (3) plural em -ãos, -ões e -ães (aldeão: aldeãos, aldeões e aldeães); (4) plural em -ães e-ãos (refrão: refrães e refrãos).

Terminados em consoanteO plural de substantivos terminados em consoante obedece às seguintes normas: (1) substantivos terminados em -r e -z formam o plural pelo acréscimo de -es ao singular (açúcar/açúcares; cartaz/cartazes), com exceção de "caráter" (caracteres); (2) os terminados em -al, -el, -ol, e -ul trocam no plural o -l por -is: catedral/ catedrais; papel/papéis; anzol/anzóis; paul/pauis. São exceções: mal/males, real/réis (moeda antiga), cônsul/cônsules; (3) os oxítonos em -il mudam o -l para -s: funil/funis; projetil/projetis (ao lado de projétil/projéteis); reptil/reptis (ao lado de réptil/répteis); (4) os paroxítonos em -il mudam a terminação para -eis: fácil/fáceis; fóssil/fósseis; (5) os terminados em -n fazem o plural mediante acréscimo de -es (cânon ou cânone/cânones) ou apenas de -s (abdômen: abdômenes ou abdomens; dólmen: dólmenes ou dolmens; líquen: líquenes ou liquens); "espécimen", além do plural "espécimens", faz "especímenes", com acréscimo de -es e deslocamento da tônica, ademais de "espécimes", do singular alternativo "espécime"; (6) os terminados em -m (índice de nasalidade da vogal anterior) mudam o-m para -n, a que se apõe o -s do plural: viagem/viagens; pudim/pudins; (7) os terminados em -s formam o plural pelo acréscimo de -es ao singular, quando são oxítonos (ananás/ananases); os paroxítonos ou proparoxítonos são invariáveis (o pires/os pires, o ônibus/os ônibus), como também o são os monossílabos (cais, pus, cós -- embora se documente o plural coses); (8) os paroxítonos em -x são invariáveis: o tórax/os tórax; o ônix/os ônix; (9) nos diminutivos formados com -zinho e -zito, o substantivo primitivo faz o plural, perdendo o -s: anõe(s) + zinhos = anõezinhos; cãe(s) + zitos = cãezitos.

Alguns substantivos só são usados no singular. Exemplos são nomes de metais (cobre), salvo quando empregados em sentido figurado ("cobres", no plural, tem o sentido de "dinheiro"), e nomes abstratos (fé). Já outros só são empregados no plural (alvíssaras, anais, antolhos, arredores, exéquias, férias, fezes, matinas, núpcias, pêsames, primícias, víveres).

Compostos Os substantivos compostos de elementos aglutinados ou de elementos justapostos sem hífen formam o plural como se fossem substantivos simples: aguardente/aguardentes; malmequer/malmequeres. Quando há hífen, distinguem-se: os formados por dois substantivos (tenente-coronel/tenentes-coronéis), substantivo e adjetivo (amor-perfeito/amores-perfeitos), adjetivo e substantivo (gentil-homem/gentis-homens), numeral e substantivo (quinta-feira/quintas-feiras), em que ambos os termos variam, salvo quando o segundo for um substantivo que funcione como determinante específico do primeiro, que será o único a variar: navios-escola, mangas-espada (mangas em forma de espada), salários-família (salários para a família).

Pronomes e adjetivosMerecem referências na flexão de número dos pronomes: o plural de modéstia (nós em lugar de eu) e o uso do vós de cerimônia (aplicável a uma só pessoa). Os adjetivos simples seguem as regras que se aplicam aos substantivos. Nos compostos, apenas o último elemento vai para o plural (luso-brasileiro/luso-brasileiros), excetuados os casos de surdo-mudo (surdos-mudos) e dos adjetivos referentes a cores, que não variam, quando o segundo elemento for substantivo (tecidos amarelo-canário).

Português | História e Estrutura da Língua Portuguesa

Português | História e Estrutura da Língua Portuguesa

Português | História e Estrutura da Língua Portuguesa

O português é uma língua neolatina ou românica. Pertencente ao grupo itálico da grande família do indo-europeu, derivou-se da principal língua itálica, o latim. É falada em Portugal, no Brasil, em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, assim como em encraves de colonização portuguesa na Ásia (Macau, Goa, Damão e Malaca) e da Oceania (Timor). A mistura com línguas nativas, na África, produziu uma série de dialetos, ditos crioulos.

A língua que Olavo Bilac chamou de "última flor do Lácio, inculta e bela" é uma das que alcançaram maior difusão geográfica em todo o mundo, pois é falada nos cinco continentes. Ademais, o português é culturalmente significativo sobretudo por sua literatura, na qual se mostra um instrumento de alta eficiência da criação estética em poesia e prosa.

HistóricoO português nasceu da evolução do latim vulgar levado pelos legionários romanos para a península ibérica, transformada em província do Império Romano em 197 a.C. César fundou, entre outras cidades, Pax Julia (cujo primeiro nome se transformaria em Beja) e criou na Lusitânia um dos baluartes da latinização do país. Estrabão observou que os turdetanos, na Bética, haviam esquecido a língua materna, e expressavam-se em latim. Essa língua radicou-se na península, até que, no século V, se deu a invasão dos bárbaros, e com ela se intensificou a corrupção da linguagem.

Com a presença dos árabes, no século VIII a decadência do latim acentuou-se, intensificada pelo fato de terem os invasores uma brilhante civilização própria. Os próprios cristãos arabizaram-se e João, bispo de Sevilha, traduziu a Bíblia para o árabe. O latim reduziu-se a alguns falares vernáculos e quase desapareceu das Espanhas, como havia de suceder no norte da África. Chegou a chamar-se "aljamia" o linguajar latino e era como se se dissesse "o bárbaro", o estrangeiro, em oposição à "aravia", a língua árabe.

A península contava ainda com outras línguas românicas importantes: o castelhano (ou espanhol) e o catalão. A região que vai do Minho ao Douro, campo de batalha frequente entre cristãos e muçulmanos, era pouco povoada e, para consolidar sua posse, D. Afonso VI de Castela, em torno de 1095, separou da monarquia leonesa o Condado Portucalense, que de direito ia do Minho ao Tejo mas, de fato, do Minho até o Mondego, e foi concedido ao conde Henrique de Borgonha. O nome provinha-lhe da cidade de Portucale, à margem direita do Douro - na verdade, a cidade do Porto, correspondendo a Cale a atual Vila Nova de Gaia, à margem esquerda. É bastante provável que antes de a região tornar-se reino independente, no século VII, o "romanço lusitânico" aí falado já constituísse uma nova língua, o "protoportuguês".

O domínio do idioma português seguiu a expansão do reino para o sul, até o Algarve, no século XIII. Os sucessos estimularam as oposições religiosas e os portugueses passaram a evitar a língua árabe. Não podendo volver ao esquecido latim, aceitaram a fala barbarizada da gente mais humilde. Os literatos compuseram uma língua de compromisso, o galaico-português, ao lançar mão dos recursos encontrados no português e no galego. Tal foi a língua dos trovadores, que se ilustraram na corte do castelo de Guimarães e até nos mosteiros.

O galaico-português enxameia de formas e palavras de uma língua e da outra, mas apresenta traços da influência franco-provençal, não possui proparoxítonos e utiliza o sufixo -udo como desinência do particípio na segunda conjugação: acendudo, atrevudo, bevudo, conhoçudo, creçudo, estendudo, vendudo etc. Com o advento da dinastia de Avis (1385), a língua portuguesa começou a afirmar sua fisionomia própria e em breve tornava-se língua nacional.

O francês antigo, bem como o provençal antigo, comparados com o francês e o provençal falados hoje, são outras línguas. Isso não ocorre com o português antigo. Este representa uma fase envelhecida do idioma, sem contudo ser outro. Velho em algumas formas, arcaico em muitas palavras, obsoleto na preferência de certas expressões (e diverso na pronúncia, provavelmente), o português dos primeiros tempos é sempre inteligível, pois a gramática é a mesma.

Como língua comum, o português formou-se inicialmente  em torno de Coimbra e mais tarde ao redor de Lisboa, conquistada aos mouros por Afonso Henriques, primeiro rei português, e depois capital da nação, centro irradiador do padrão linguístico. Na história da língua, distinguem-se dois períodos principais: (1) o arcaico, desde as origens, no século XII, ao século XV; (2) e o moderno, do século XVI em diante. Uma outra classificação considera os períodos clássico (séculos XVI e XVII) e o pós-clássico (XVIII em diante).

A disciplina gramatical teve início no período clássico, quando se elaborou a primeira gramática da língua, de Fernão de Oliveira, publicada em 1536. Também se verificou nesse período a consolidação da língua literária, de acentuada influência do latim clássico e cujo melhor exemplo é o poema épico de Camões Os lusíadas (1572), obra-prima de presença indelével nas fases que se seguiram. Não obstante a vigência de uma norma central lisboeta, o português de Portugal apresenta falares regionais no norte (trasmontano, interamnense, beirão), no centro (estremenho) e no sul (alentejano e algarvio).

No Brasil, o português foi implantado no século XVI, com os traços arcaicos que se conservavam na linguagem popular da metrópole. Graças à imigração constante, no período colonial, o português moderno prevaleceu. Na atualidade, fala-se em todo o Brasil uma língua que, sem se opor à de Portugal, dela se distingue por peculiaridades de vocabulário, os "brasileirismos", e toma como padrão a norma culta das cidades principais, o Rio de Janeiro sobretudo.

Gramática histórica Na evolução do latim ibérico para o português, observam-se certos fatos que deram à língua atual sua fisionomia.

No capítulo da fonologia, as vogais, de modo geral, mantiveram-se, a não ser o i-breve, que evolveu para ê, e o u-breve, que se transformou em ô. As consoantes iniciais mantiveram-se. As geminadas (com exceção de rr) simplificaram-se. As intervocálicas fortes abrandaram-se. Muitas das brandas intervocálicas desapareceram. Os grupos de consoantes + l, se iniciais, passaram a ch, como: plorare > chorar, flamma > chama. Se intervocálicos, deram em lh, como: triblu > trilho, vetlu > velho. As consoantes finais oclusivas freqüentemente se vocalizam no interior dos vocábulos: ora em i-reduzido: recepta > receita, regno > reino, octo > oito; ora em u-reduzido: absente > ausente, alteru > outro, octo > oito. Todos esses metaplasmos dão uma fisionomia particular ao português.

A lexiologia portuguesa de origem latina era paupérrima. Os lexicógrafos não registram mais de cinco mil palavras que tenham vindo do latim por tradição oral. O ulterior enriquecimento é obra cultural do século XIV, sobretudo do período clássico. Entretanto, todo o vocabulário denotativo é latino, excetuando-se uma ou outra palavra. Exemplos: cada (grego katá, já romanizada), fulano (árabe fulan, acrescentada por intermédio do castelhano).

Naturalmente a expansão geográfica do povo lusitano ensejou a anexação de um riquíssimo vocabulário, colhido nas cinco partes do mundo. Mas é notável a plasticidade que a língua demonstrou de aportuguesamento, de sorte que, sem estudo, ninguém pode saber a extração dos termos que emprega. Fato curioso é a eliminação constante, ao longo dos séculos, das palavras árabes, muitas das quais são, no entanto, utilíssimas.

A morfologia portuguesa simplificou-se muito. Desapareceram os casos e, portanto, as declinações, a não ser nos pronomes pessoais. O neutro singular passou a ser masculino e admitiu outro plural (lignum > lenho, lenhos); o neutro plural passou a feminino singular, admitindo também outro plural (ligna > lenha, lenhas). O caso latino que persistiu no português em geral foi o acusativo (por isso chamado caso lexicogênico), com perda do m final no singular. As desinências de graus deixaram de usar-se como tais; e as que hoje se ouvem, quando latinas, devem-se aos eruditos nas escolas.

Os verbos latinos, repartidos por quatro conjugações, esquematizaram-se em três: os da terceira conjugação latina passaram para a segunda (míttere > meter), ou para a quarta (-míttere >-mitir). Houve grande vacilação, no português antigo, sobre a conjugação que haveria de prevalecer: correger > corrigir, caer > cair etc. No português criou-se um futuro do subjuntivo, como no castelhano e no galego, proveniente do futuro perfeito do indicativo latino. Surgiu no português, como no galego, um infinitivo variável. Caducaram vários particípios, e formas nominais do verbo.

A sintaxiologia registra menor maleabilidade do português, em consequência do grande desgaste das flexões. Mas os princípios fundamentais da concordância e da regência continuam os mesmos (naturalmente não pode haver concordâncias de casos, pois que os casos desapareceram).

Gramática portuguesaA fonologia muito equilibrada, circunstância que a aproxima do francês e do italiano, é uma das principais características do português.

A língua tem 13 vogais, oito orais -- u, ô, ó, á, a, é, ê, i -- e cinco nasais -- ~u, õ, ã, ~e, ~i -- sendo que, em algumas regiões, ouvem-se outras. Carece de fonemas aspirados ou africados. Possui três pares de consoantes fricativas -- f/v, ç/z, x/j (exemplos: fé/vó, sá/zé, xá/jó); três pares de consoantes oclusivas: p/b, t/d, k/g (exemplos: pé/bom, tá/dó, que/giz); e três consoantes nasais -- m, n, ñ (exemplos: tomo, anão, manhã). A consoante lateral l pode ser usada como lh, a exemplo dos casos lado e olho, enquanto a consoante vibrante r pode ser dobrada: rã, urra (e esse r geminado pode ser substituído por um gargarizado, mais áspero do que o r-grasseyé parisiense).

Outra particularidade da língua portuguesa é o fato de o acento tônico, no caso de vocábulos polissilábicos, poder cair em qualquer das três últimas sílabas. Também é característica a existência de palavras átonas, que se arrimam nas outras por meio de próclise ou de ênclise. Os ditongos, orais e nasais, são sempre decrescentes, isto é, terminam nas vogais reduzidas u ou i, exceto quando se situam depois de k ou g, e começam por u reduzido. Conta ainda o português alguns tritongos, que podem ser parcialmente nasais. Ocorrem sempre depois de k, ou de g, e começam por u reduzido. Ditongos outros, crescentes, podem surgir na linguagem descuidada, ou em certos artifícios de linguagem poética.

A lexicologia da língua portuguesa é das mais ricas que existem, mas não apresenta aspectos especialmente singulares. É predominantemente latina, mais pela importância do que pelo número de vocábulos latinos que abriga.

A sintaxiologia da língua portuguesa revela um analitismo que decorre do amplo desenvolvimento de suas perífrases. Predomina, na construção, a ordem direta, em que o sujeito antecede o verbo e o complemento ou complementos. A voz ativa predomina sobre a voz passiva, e as orações sem sujeito - ou as de sujeito indefinido - na maioria das ocasiões não têm o sujeito gramatical usado no francês ou nas línguas germânicas, isto é, o on, o man, o one.

IdiotismosAs palavras apresentam-se ao espírito como os elementos materiais, por assim dizer, da linguagem interior. Materializam as ideias e são como que as pedras de uma construção. Mas não se podem  fazer transposições de uma língua para outra sem se obedecer a precauções. Em primeiro lugar, há, em cada língua, um número considerável de palavras auxiliares, que não correspondem a quaisquer ideias: surgem como instrumentos ou peças necessárias ao encadeamento das palavras-ideias, e nem sempre encontram correspondentes  em outras línguas. Além disso, há certos torneios particulares, e até sui generis, que decorrem de velhos hábitos adquiridos. Tudo isso constitui os chamados idiotismos.

Palavras como homem, chove, azul ou bem correspondem a noções claras, a ideias que povoam o mundo interior de quem fala. Mas é, ele ou que não encontram nenhuma correspondência ideativa. O verbo ser, em seu emprego mais corrente, apenas relaciona um nome a outro, provido este do toque nocional, variável ao infinito, que falta ao verbo (Um homem é bom ou mau, alto ou baixo, inteligente ou estúpido); ele pode referir-se a qualquer ente do gênero masculino (homem, leão, muro); que, seja pronome, seja conjunção, não contém em si nenhuma noção precisa. No primeiro caso, toma emprestado o valor de seu antecedente (a mulher, ou o homem, ou o carro que eu vi), no segundo é mera palavra de ligação (Peço-te que venhas). No latim não há o pronome ele, nem a integrante que. No russo, não se usa correntemente o verbo ser.

O curioso, porém, é que as palavras não ideativas, as chamadas denotativas, são as principais em cada língua, porque características de cada uma. São criações gramaticais. Quando não encontram versão em outras línguas, constituem idiotismos (do grego idiótes, "particular", "privado"). As palavras ideativas, pelo contrário, se não acham paralelo em outra, facilmente se podem introduzir. Basta que a ideia se comunique, e se divulgue. Palavras ideativas criam-se à vontade, ou se importam. Às vezes surgem sem necessidade alguma, por moda, por contágio. Quando as ideias desaparecem, também elas podem sair de circulação. Tudo é contingente. Mas nas palavras denotativas não é possível mexer.

Talvez os principais idiotismos do português se possam resumir do seguinte modo:
(1) A existência de cinco pronomes neutros para o singular: isto, isso, aquilo, tudo, o. Tais palavras referem-se às coisas, e podem combinar-se ainda em: tudo isto, tudo isso, tudo aquilo, tudo o. No castelhano também existem outras tantas palavras neutras: esto, eso, aquello, ello, lo. Trata-se, pois, de uma particularidade ibérica.

(2) O português constrói orações nominais (isto é, as de sujeito e predicativo, que exprimem estado ou qualidade) com três verbos distintos: ser, estar, ficar, conforme se define o ser-sujeito em caráter definitivo, provisório (ou recente), ou num momento em que ele muda de aspecto: Frederico é forte; Frederico está forte; Frederico fica forte. Nenhuma outra grande língua da Europa faz isso tão natural e agilmente.

(3) O infinitivo variável, flexionando-se pessoalmente, é um dos mais profundos traços do português. Assim sendo, essa forma verbal concorre com o subjuntivo, e o indicativo, principalmente nas orações subordinadas. Entretanto, pode alternar até com o imperativo. Peço-te passares por lá (= Peço-te que passes por lá). Creio estarmos preparados (= Creio que estamos preparados). Passar bem! (= Passe bem!). O uso do infinitivo variável foi mais extenso no português antigo e é mesmo mais notável na língua popular do que no português literário moderno. É, hoje, um maravilhoso recurso de clareza, ou de ênfase, a que é lícito recorrer mesmo quando a gramática postula o contrário.

Se não tivesse empregado o infinitivo variável, Camões teria escrito uma frase ambígua naquele célebre passo: "Ó Netuno, lhe disse, não te espantes / de Baco nos teus reinos receberes" (Os lusíadas, VI, 15). Com que ufania exclama ele, diante do estrangeiro: "Vai ver-lhe a frota, as armas, e a maneira / do fundido metal, que tudo rende, / e folgarás de veres a polícia (= civilização) / portuguesa na paz, e na milícia" (Ib., VII, 72).

Repare-se em como o segundo infinitivo, variável, torna a frase mais leve, e o pensamento mais evidente, na seguinte passagem de Alencar: "Nem por isso os outros deixaram de continuar o seu giro, e as estações de seguirem o seu curso regular" (Correr da pena). O infinitivo variável existe também no galego, e surgiu em dialetos ibéricos e itálicos.

(4) O predicativo preposicionado, isto é, introduzido por preposição, é uma das tendências que se têm acentuado no português. Embora se diga Afonso é considerado um talento, parece perfeitamente natural dizer Afonso é tido por talento, ou ainda Afonso é tido em muito. Se um português diz naturalmente ele me chamou amigo, um brasileiro preferiria recorrer à preposição: Ele me chamou de amigo. Alguns puristas chegaram a censurar de viciosa esta última construção, sem reparar que o mesmo se tem feito com outros verbos sinônimos: "D. José cognominava de renegado o fugitivo sócio" (Camilo Castelo Branco, Amor de salvação); "Está averbando de suspeita ou falazes tão ligeiras e infundadas ilações" (Latino Coelho, Camões).

(5) Um idiotismo funcional é o aspecto iterativo que modernamente se tem dado ao presente perfeito do indicativo. Enquanto nas outras línguas esse tempo evolveu naturalmente para o passado, em português não exprime simples passado, senão passado reiterado. "Tenho reclamado" não significa "reclamei", como em outras línguas, mas "reclamei, reclamei, reclamei e ainda estou no propósito de reclamar".

(6) O infinitivo preposicionado em substituição do gerúndio é também traço do português, e também moderno. É sabido que as línguas românicas criaram para o infinitivo a possibilidade de o ligarem com uma preposição e, assim, tornaram supérfluas várias formas nominais do verbo latino, como supinos, particípios, gerundivo e mesmo as formas gerundiais distintas do ablativo. O português estendeu essa possibilidade até o gerúndio ablativo, de modo que se pode dizer "está a chover", em lugar do primitivo "está chovendo". No Brasil, prefere-se o gerúndio, de uso generalizado.

(7) O emprego de "estar com" na acepção de "ter" é muito da índole portuguesa. Podemos perfeitamente dizer "tenho sede, tenho sono, tenho a chave". Também nos é lícito expressar-nos "estou sequioso, estou sonolento". Mas o mais natural será: "Estou com sede, estou com sono, estou com a chave."

(8) O analitismo português, já assinalado, pode ainda ser lembrado como um dos traços idiomáticos mais marcantes da língua. De um modo geral, as línguas românicas evolveram do sintetismo latino para um decidido analitismo. Mas talvez nenhuma chegou a tão grande desenvolvimento nesse terreno como o português. Enquanto o alemão (no ramo germânico) conservou e estimulou o gosto pela palavra composta, o português fez o contrário. Se a expressão perifrástica é desgraciosa e comprida, não se lhe pode negar, em geral, a clareza de significação. Uma palavra como apud não consegue ser tão expressiva como as suas traduções dicionarizadas: "junto de", "ao pé de", "perto de", "diante de", "ao lado de", "na presença de", "em companhia de", "em casa de", "à vista de", "segundo", "conforme", "em relação a", "no tempo de". Experimente-se traduzir o alemão bei, ou o inglês by. As perífrases verbais do português são, na verdade, uma construção infernal para o estrangeiro, mas emprestam grande sutileza à expressão.

Português no BrasilA língua que se fala no Brasil, ainda que transpareçam traços característicos locais, é em essência, como já se mostrou, a mesma que se pratica em Portugal, pois que se compendia na mesma gramática.

Foneticamente, assinale-se que no Brasil não se criou fonema novo. (No espanhol da Argentina, uma expressão como calle mayor se pronuncia aproximadamente como "káje ma'jor", fazendo-se ouvir o som de j, inexistente em terras de Castela.) Certos fonemas conhecidos no tupi-guarani não conseguiram subsistir nos vocábulos brasileiros dessa fonte. Mas é certo que portugueses e brasileiros, conquanto não pratiquem sistemas fonéticos diversos, têm hábitos por vezes diferentes.

Quanto à lexiologia, deve-se notar que não se gerou no Brasil nenhum denotativo: determinativos, pronomes, preposições, conjunções etc. são os mesmos nos dois países. O vocabulário ideativo, no entanto, enseja grandes reparos, ou porque as palavras correspondam a ideias não-correntes em Portugal, ou porque se tenha dado sentido novo a certas palavras, ou porque se introduziram outras sem necessidade. Nas últimas linhas de Os Maias, onde Eça de Queirós diz: "Então, para apanhar o americano, os dois amigos romperam a correr desesperadamente pela rampa de Santos", é possível que um escritor brasileiro escrevesse: "Então, para pegar o bonde, os dois amigos começaram a correr desesperadamente pela ladeira de Santos."

Muitas das invenções carreiam nomenclatura nova, quase nunca coincidente, de um e de outro lado do Atlântico. Dizem os portugueses: caminho-de-ferro, combóio, chulipa. E os brasileiros: estrada de ferro, trem, dormente. "Carril" tem as preferências lusitanas; os brasileiros dizem "trilho". De qualquer maneira, o vocabulário ideativo é contingente e pode renovar-se completamente sem que a língua se abale.

Quanto à morfologia, nenhuma observação a fazer. Usam-se no Brasil, absolutamente, as mesmas desinências, e nada se permite de especial. Os prefixos e sufixos são fundamentalmente os mesmos.

Na sintaxe, o ponto nevrálgico é a questão da colocação dos pronomes pessoais átonos. É que, embora átonas, tais partículas são muito mais ponderáveis no Brasil do que em Portugal. Assim sendo, os brasileiros as colocam onde lhes parecem que soam melhor. Em Portugal, sendo por demais tênues, elas correriam o risco de não ser percebidas se não se sujeitassem a posições rígidas, onde o ouvido já as espere. Alencar escreveu em Iracema: "A rola, que marisca na areia, se afasta-se o companheiro, adeja inquieta de ramo em ramo", para evitar o ciciar de um "se se afasta" (çi çi afáxta) ou para não bisar numa sílaba que lhe oferecia um "sibilo desagradável".

Ora, tal não acontece aos portugueses, que ali proferem um monossílabo (çiç afáxta). Sem se dar inteiramente consciência do fato, os brasileiros desenvolveram hábitos de sínclise pronominal que nunca foram definitivamente estabelecidos em Portugal e que estão sujeitos à moda e a gostos particulares. Os demais preceitos sintáticos acatam-se nos dois principais países de língua portuguesa.

Dialetologia portuguesaEm 1901, José Leite de Vasconcelos doutorou-se na Universidade de Paris com uma tese retumbante intitulada Esquisse d'une dialectologie portugaise (Esboço de dialetologia portuguesa) e apontou no território da metrópole diversos dialetos: o interamnense e o transmontano, ao norte; o beirão e o estremenho, ao centro; o alentejano e o algarvio, ao sul. Mas não se podem aceitar a existência desses dialetos, como os italianos ou os alemães, pois em quase nada se distinguem. Constitui um esforço de eruditismo o poder diferençá-los, tal a extraordinária unidade de expressão característica do mundo português.

O mesmo autor reconhece a existência de dialetos insulares, nos Açores e na Madeira, e aponta vários dialetos de ultramar, entre os quais o "brasileiro". Decide-o a priori, dizendo: "Se eu chamo dialeto, por exemplo, o português de Trás-os-Montes, com mais forte razão devo dar esse nome ao português do Brasil, ou 'brasileiro'..." Mas acontece que, se o Brasil for tratado com o mesmo interesse que ele demonstrou com respeito a Portugal, verifica-se que não há dialeto que se possa intitular "brasileiro": haverá muitos dialetos brasileiros, tão insignificantes no fundo quanto os de Portugal.

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Artigo | Classe de Palavras em Língua Portuguesa

Artigo | Classe de Palavras em Língua Portuguesa

Artigo | Classe de Palavras em Língua PortuguesaEm português, artigo é a palavra variável que precede o substantivo e concorda com este em número e gênero. Quando determina o substantivo de maneira particular, chama-se definido (o, a, os, as); quando a ele se refere de maneira geral, chama-se indefinido (um, uma, uns, umas). Assim como determina ou indetermina o substantivo, o artigo, anteposto a qualquer outra categoria gramatical transforma-a em substantivo, como em o amar, o sim, os longes, a louca.

Embora não seja essencial ao discurso e, por isso, em alguns casos possa até ser omitido, o artigo muitas vezes altera substancialmente o significado de uma frase como, por exemplo, se em vez de "acharam uma mulher", anuncia-se que "acharam a mulher".

Além de suas formas simples, os artigos definidos apresentam formas em que se combinam com as preposições a, de, em, por, o que dá origem a ao, do, nas, pelos etc. Quando o artigo definido feminino (a, as) se combina com a preposição a, forma-se a crase, encontro de duas vogais idênticas, escritas uma ao lado da outra no português arcaico (aa) e hoje representadas com um acento grave (à): elas chegaram cedo à cidade. Ao se substituir a palavra cidade por outra que seja masculina, percebe-se claramente a existência do artigo e da preposição: elas chegaram cedo ao lugar. Os artigos indefinidos combinam-se com as preposições em e de, o que dá origem a num, numa, nuns, numas, dum, duma etc.

Antes de nomes próprios de pessoa, a presença do artigo é de uso coloquial e familiar: "O João está?", "A Maria já foi embora", dando também conotação de informalidade o uso do artigo anteposto aos adjetivos possessivos, como em o meu pai, a nossa menina etc. Em contrapartida, a omissão do artigo, nesses casos, dá à frase um toque de elegância. Também se omite o artigo antes de certas expressões de tratamento, antes de palavras como terra e bordo quando usadas como antônimos (os passageiros vieram de bordo para terra) e antes da palavra casa, quando não se refere a uma moradia específica (chegou cedo a casa). Alguns nomes de cidade são empregados com artigo (o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto; opcionalmente, o Recife).

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Advérbio | Classificação dos Advérbios e Locução Adverbial

Advérbio | Classificação dos Advérbios  e Locução Adverbial

Advérbio | Classificação dos Advérbios  e Locução Adverbial

Advérbio é a palavra invariável que expressa uma circunstância do verbo ou a intensidade da qualidade dos adjetivos, reforça outro advérbio ou mesmo toda uma oração. Exemplos: Sairei agora. João é pouco estudioso. Falou muito mal. Possivelmente, não haverá aula amanhã. Na frase, o advérbio desempenha a função sintática de adjunto adverbial.

É difícil a comunicação sem o advérbio. Diante de uma pergunta simples como "O senhor vai se candidatar?", quase toda resposta mais completa exigirá a utilização de um advérbio.

Classificação dos advérbiosDe acordo com a ideia que exprimam, os advérbios assim se classificam: (1) advérbios de afirmação: certamente, sim etc.; (2) de dúvida: porventura, quiçá, talvez etc.; (3) de intensidade: assaz, bastante, demais, mais, meio, menos, muito, pouco, quão, quase, tão etc.; (4) de lugar: abaixo, acolá, adiante, aí, além, através, atrás, dentro, fora, longe, perto etc.; (5) de modo: assim, bem, debalde, depressa, mal, e a maioria dos terminados em "mente": ruidosamente, fatalmente etc.; (6) de negação: não; (7) de tempo: agora, ainda, amanhã, antes, cedo, então, jamais, outrora, sempre etc.

Advérbios interrogativos. São palavras ou expressões que, nas interrogações diretas ou indiretas, indicam circunstâncias de causa (Por que não dizes a verdade? Quero saber por que não dizes a verdade), lugar (Onde mora sua irmã? Não sei onde mora sua irmã), modo (Como passa você? Diga-me como passa você) e tempo (Quando prestarás exame? Quero saber quando prestarás exame).

Locução adverbial. Duas ou mais palavras com valor de advérbio formam uma locução adverbial, cuja classificação é a mesma que a dos advérbios: de afirmação (por certo), de dúvida (por acaso), de intensidade (de todo), de lugar (por aqui), de modo (às pressas), de negação (de maneira alguma), de tempo (em breve).

Advérbios em mente. Quando dois ou mais advérbios em "mente" vêm modificando a mesma palavra, costuma-se conservar o sufixo apenas no último da série. Ex.: Discursou lógica e serenamente.

Palavras de classificação à parteA Nomenclatura Gramatical Brasileira deu classificação à parte, mas sem denominação especial, a determinadas palavras habitual e impropriamente incluídas entre os advérbios. São palavras que denotam, entre outras circunstâncias, continuação (Mas você ainda não sabe da novidade... Então é certo que ele ficou zangado?), designação (Eis-me aqui), exclusão (Todos saíram, menos eu. Salvo Antônio, todos concordam), explicação (Os batráquios, a saber, os sapos, rãs e pererecas... O Brasil, isto é, o maior país da América do Sul...), inclusão (Mesmo os mais avisados podem errar. Inclusive os mais velhos não souberam como agir), realce (Eu cá não me incomodo. Ele é que sabe), retificação (Encontrei quinze, aliás, vinte pessoas. Passou toda a tarde tocando, digo, arranhando o violino).

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Adjetivo | Palavra Que Caracteriza o Substantivo

Adjetivo | Palavra Que Caracteriza o Substantivo

Adjetivo | Palavra Que Caracteriza o SubstantivoAdjetivo é a palavra variável que caracteriza os seres nomeados pelo substantivo, descrevendo-lhes uma qualidade, o modo de ser, a aparência ou o estado: menino estudioso; pessoa prestativa; ambiente aprazível; criança débil. Uma mesma palavra pode ser substantivo (quando usada como termo determinado: um jovem aplicado) ou adjetivo (quando usado como termo determinante: um advogado jovem).

Os adjetivos dão mais precisão ao sentido dos substantivos ou lhes conferem um juízo de valor. Usados com acuidade, realçam o estilo; em excesso, enfraquecem-no.

O adjetivo diz-se substantivado quando, antecedido de um determinativo (geralmente um artigo), não funciona como termo determinante de nenhum substantivo: o desagradável da situação (comparar com "uma situação desagradável", em que "desagradável" funciona como adjetivo).

O adjetivo pode ser substituído por palavras ou expressões de outra classe gramatical, bem como por orações: (1) rio gigante (substantivo em função de adjetivo); (2) poltrona sem comodidade (locução formada por preposição + substantivo, substituível por "incômoda"); (3) escrita que não se consegue ler (oração de valor adjetivo, equivalendo a "ilegível").

Os adjetivos que se referem a continentes, países, regiões, estados, cidades, províncias, vilas e povoados denominam-se pátrios (europeu, alemão, amazônico, paraense, campista, minhoto etc.); os que se aplicam a raças ou povos, denominam-se gentílicos (latino, germânico). Os sufixos -ês ou -ense, -ão ou -ano, são os mais usados para a formação de adjetivos pátrios e gentílicos. Nos adjetivos pátrios compostos, o primeiro elemento assume forma alatinada, em geral reduzida: anglo-germânico, austro-húngaro, euro-asiático, franco-italiano, greco-latino, hispano-americano, indo-europeu, ítalo-suíço, galaico-português, luso-brasileiro, sino-soviético, teuto-argentino.

Emprego do adjetivo. O adjetivo pode desempenhar as funções sintáticas de adjunto adnominal (termo acessório, posposto ou anteposto ao substantivo, modificando-o sem intermediário: bom filho, filho bom) ou de predicativo (termo essencial, que exprime qualidade transmitida ao substantivo por intermédio de um verbo, explícito ou implícito: O mar estava calmo. Atrevida (é) essa resposta!).

Como predicativo, o adjetivo pode modificar o sujeito (predicativo do sujeito), o objeto direto (predicativo do objeto direto) ou o objeto indireto (predicativo do objeto indireto). Como predicativo do sujeito, usa-se com verbo de ligação (ser, estar, parecer, ficar etc.), explícito ou implícito, como nos exemplos acima (O mar estava calmo. Atrevida essa resposta!), ou com verbo intransitivo (João dorme tranquilo), caso em que, de certa maneira, também assume valor adverbial (embora predicativo do sujeito, com o qual concorda, também modifica a ação expressa pelo verbo). Como predicativo do objeto direto ou do objeto indireto, usa-se com verbo transitivo (Considera-o corajoso. Chamei-lhe tolo).

Em frases como "Falavam alto", "Sorriu amarelo", as palavras alto e amarelo estão sendo usadas com valor adverbial.

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História da Língua Portuguesa

História da Língua Portuguesa

O português se desenvolveu na parte ocidental da Península Ibérica, a partir do latim trazido pelos soldados romanos desde o século III a.C. A língua começou a diferenciar-se dos outros dialetos românicos depois da queda do Império Romano e das invasões bárbaras no século V. Começou a ser usada em documentos escritos por volta do século IX.

Em 218 C, os romanos conquistaram  a parte ocidental da Península Ibérica, composta principalmente pelas províncias romanas de Lusitânia e Galécia (compreendem a atual região centro-sul de Portugal). Os mesmos trouxeram consigo uma versão popular do latim, do qual se acredita que todas as línguas latinas tenham se derivado. Embora a população da Península Ibérica tenha se estabelecido muito antes da colonização romana, poucos traços das línguas nativas persistiram no português moderno.

Entre 409 e 711, enquanto o Império Romano entrava em colapso, a Península Ibérica foi invadida por povos de origem germânica, conhecidos pelos romanos como bárbaros. Estes bárbaros (principalmente suevos e visigodos) absorveram rapidamente a cultura e a língua romana; contudo, e como as escolas romanas foram encerradas, o latim foi libertado para começar a evoluir sozinho. Isso, porque cada tribo bárbara falava o latim de uma maneira diferente. A uniformidade da península rompeu-se, levando à formação de línguas bem diferentes (galaico-português ou português medieval, espanhol e catalão).

Acredita-se, em particular, que os suevos sejam responsáveis pela diferenciação linguística dos portugueses e galegos quando comparados com os castelhanos. As línguas germânicas influenciaram particularmente o português em palavras ligadas ao contexto de guerras.

A configuração atual da língua foi largamente influenciada por dialetos moçárabes falados no sul, na Lusitânia. Por bastante tempo, o dialeto latino desta província romana e depois do Reino Suevo desenvolveu-se apenas como uma língua falada, ficando o latim reservado para a língua escrita.

O mais antigo documento latino-português é chamado de Doação à Igreja de Sozello; encontra-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e é datado do ano de 870 d.C.

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Lista de Acrônimos e Siglas

Lista de Acrônimos e Siglas

Lista de Acrônimos e Siglas
Linguagem
Estes acrônimos são largamente utilizados em conversações em tempo real, telegramas, e SMS. Embora a sua quase totalidade derive do inglês, foram universalizadas pela Internet e são utilizadas em praticamente qualquer língua.

AFAIK: As Far As I Know (Tanto quanto eu sei)
BRB: Be Right Back (Volto já)
BTW: By The Way (Por falar nisso)
IIRC: If I Recall Correctly (Se me lembro corretamente)
IM(H)O: In My (Humble) Opinion (Na minha humilde opinião)
IOW: In Other Words (Por outras palavras)
LOL: Laughing Out Loud (Rir à gargalhada)
NM(H)O: Na Minha (Humilde) Opinião
ROTFL: Rolling On The Floor Laughing (Rolando no chão a rir)
RTFM: Read The Fucking Manual (Leia a porcaria do manual)
STFU: Shut The Fuck Up (Cala a boca)
WB: Welcome Back (Bemvindo de volta)
WYSIWYG: What You See Is What You Get (O que vê é o que obtém)

Telecomunicações

Hardware
CPU: Central Processing Unit
USB: Universal Serial Bus

Protocolos
HTTP: HyperText Transfer Protocol
OSI: Open Systems Interconection

Formatos digitais
JPEG: Joint Photographic Experts Group
PNG: Portable Network Graphics

Terminologia
GNU: GNU is Not Unix (recursivo)
GUI: Graphical User Interface

Organizações
ESA: European Space Agency (Agência Espacial Europeia)
GNR: Guarda Nacional Republicana
Gestapo: Geheime Staatspolizei (Polícia secreta do estado)
Interpol: International Police (Polícia Internacional)
IEEE: Institute of Electrical and Electronics Engineers
ISS: International Space Station (Estação Espacial Internacional)
NASA: National Aeronautics and Space Administration
NATO: North Atlantic Treaty Organization
OMS: Organização Mundial de Saúde
ONU: Organização das Nações Unidas.
OTAN: Organização do Tratado do Atlântico Norte
PSP: Polícia de Segurança Pública
SIS: Serviço de Informação Secreto
UE: União Europeia

Medicina
HIV: Human Imunodeficiency Virus (Vírus da Imunodeficiência Humana)
SIDA: Síndrome de Imuno-Deficiência Adquirida
VIH: Vírus de Imuno-deficiência Humana

Esportes
NBA: National Basketball Association (Liga Nacional de Basketball)
SCP: Sporting Clube de Portugal
SLB: Sport Lisboa e Benfica.
FCP: Futebol Clube do Porto
HCB: Hóquei Clube de Braga
ABC: Académico Basket Clube

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Como Elaborar Resenhas

Como Elaborar Resenhas

Como Elaborar Resenhas1. Definições

Resenha-resumo:
     É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou julgamento de valor. Trata-se de um texto informativo, pois o objetivo principal é informar o leitor.

Resenha-crítica:
     É um texto que, além de resumir o objeto, faz uma avaliação sobre ele, uma crítica, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião, também denominado de recensão crítica.
2. Quem é o resenhista

     A resenha, por ser em geral um resumo crítico, exige que o resenhista seja alguém com conhecimentos na área, uma vez que avalia a obra, julgando-a criticamente.
3. Objetivo da resenha

     O objetivo da resenha é divulgar objetos de consumo cultural - livros,filmes peças de teatro, etc. Por isso a resenha é um texto de caráter efêmero, pois "envelhece" rapidamente, muito mais que outros textos de natureza opinativa.
4. Veiculação da resenha

     A resenha é, em geral, veiculada por jornais e revistas.
5. Extensão da resenha

     A extensão do texto-resenha depende do espaço que o veículo reserva para esse tipo de texto. Observe-se que, em geral, não se trata de um texto longo, "um resumão" como normalmente feito nos cursos superiores ... Para melhor compreender este item, basta ler resenhas veiculadas por boas revistas.
6. O que deve constar numa resenha

Devem constar:
  • O título
  • A referência bibliográfica da obra
  • Alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada
  • O resumo, ou síntese do conteúdo
  • A avaliação crítica

7. O título da resenha

     O texto-resenha, como todo texto, tem título, e pode ter subtítulo, conforme os exemplos, a seguir:
Título da resenha: Astro e vilão
Subtítulo: Perfil com toda a loucura de Michael Jackson
Livro: Michael Jackson: uma Bibliografia não Autorizada (Christopher Andersen) - Veja, 4 de outubro, 1995

Título da resenha: Com os olhos abertos
Livro: Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago) - Veja, 25 de outubro, 1995

Título da resenha: Estadista de mitra
Livro: João Paulo II - Bibliografia (Tad Szulc) - Veja, 13 de março, 1996

8. A referência bibliográfica do objeto resenhado

     Constam da referência bibliográfica:
  • Nome do autor
  • Título da obra
  • Nome da editora
  • Data da publicação
  • Lugar da publicação
  • Número de páginas
  • Preço
Obs.: Às vezes não consta o lugar da publicação, o número de páginas e/ou o preço.

Os dados da referência bibliográfica podem constar destacados do texto, num "box" ou caixa.

Exemplo: Ensaio sobre a cegueira, o novo livro do escritor português José Saramago (Companhia das Letras; 310 páginas; 20 reais), é um romance metafórico (...) (Veja, 25 de outubro, 1995).
9. O resumo do objeto resenhado

     O resumo que consta numa resenha apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.

     Pode-se resumir agrupando num ou vários blocos os fatos ou idéias do objeto resenhado.

     Veja exemplo do resumo feito de "Língua e liberdade: uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (Celso Luft), na resenha intitulada "Um gramático contra a gramática", escrita por Gilberto Scarton.


     "Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, a inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

     O velho pesquisador apaixonado pelos problemas de língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística;o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante".






     Pode-se também resumir de acordo com a ordem dos fatos, das partes e dos capítulos.

     Veja o exemplo da resenha "Receitas para manter o coração em forma" (Zero Hora, 26 de agosto, 1996), sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", produzido pela LDA Editora, com o apoio da Beal.

Receitas para manter o coração em forma


     "Na apresentação, textos curtos definem os diferentes tipos de gordura e suas formas de atuação no organismo. Na introdução os médicos explicam numa linguagem perfeitamente compreensível o que é preciso fazer (e evitar) para manter o coração saudável.

     As receitas de Cozinha do Coração Saudável vêm distribuídas em desjejum e lanches, entradas, saladas e sopas; pratos principais; acompanhamentos; molhos e sobremesas. Bolinhos de aveia e passas, empadinhas de queijo, torta de ricota, suflê de queijo, salpicão de frango, sopa fria de cenoura e laranja, risoto com açafrão, bolo de batata, alcatra ao molho frio, purê de mandioquinha, torta fria de frango, crepe de laranja e pêras ao vinho tinto são algumas das iguarias".





10. Como se inicia uma resenha

     Pode-se começar uma resenha citando-se imediatamente a obra a ser resenhada. Veja os exemplos:


     "Língua e liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995, 112 páginas), do gramático Celso Pedro Luft, traz um conjunto de idéias que subvertem a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veementemente, o ensino da gramática em sala de aula.






     Mais um exemplo:


     "Michael Jackson: uma Bibliografia Não Autorizada (Record: tradução de Alves Calado; 540 páginas, 29,90 reais), que chega às livrarias nesta semana, é o melhor perfil de astro mais popular do mundo". (Veja, 4 de outubro, 1995).






     Outra maneira bastante freqüente de iniciar uma resenha é escrever um ou dois parágrafos relacionados com o conteúdo da obra.

     Observe o exemplo da resenha sobre o livro "História dos Jovens" (Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt), escrita por Hilário Franco Júnior (Folha de São Paulo, 12 de julho, 1996).

O que é ser jovem

Hilário Franco Júnior

     Há poucas semanas, gerou polêmica a decisão do Supremo Tribunal Federal que inocentava um acusado de manter relações sexuais com uma menor de 12 anos. A argumentação do magistrado, apoiada por parte da opinião pública, foi que "hoje em dia não há menina de 12 anos, mas mulher de 12 anos".

     Outra parcela da sociedade, por sua vez, considerou tal veredito como a aceitação de "novidades imorais de nossa época". Alguns dias depois, as opiniões foram novamente divididas diante da estatística publicada pela Organização Mundial do Trabalho, segundo a qual 73 milhões de menores entre 10 e 14 anos de idade trabalham em todo o mundo. Para alguns isso é uma violência, para outros um fato normal em certos quadros sócio-econômico-culturais.

     Essas e outras discussões muito atuais sobre a população jovem só podem pretender orientar comportamentos e transformar a legislação se contextualizadas, relativizadas. Enfim, se historicizadas. E para isso a "História dos Jovens" - organizada por dois importantes historiadores, o modernista italiano Giovanno Levi, da Universidade de Veneza, e o medievalista francês Jean-Claude Schmitt, da École des Hautes Études em Sciences Sociales - traz elementos interessantes.






     Observe igualmente o exemplo a seguir - resenha sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", LDA Editores, 144 páginas (Zero Hora, 23 de agosto, 1996).

Receitas para manter o coração em forma

Entre os que se preocupam com o controle de peso e buscam uma alimentação saudável são poucos os que ainda associam estes ideais a uma vida de privações e a uma dieta insossa. Os adeptos da alimentação de baixos teores já sabem que substituições de ingredientes tradicionais por similares light garantem o corte de calorias, açúcar e gordura com a preservação (em muitos casos total) do sabor. Comprar tudo pronto no supermercado ou em lojas especializadas é barbada. A coisa complica na hora de ir para a cozinha e acertar o ponto de uma massa de panqueca,crepe ou bolo sem usar ovo. Ou fazer uma polentinha crocante, bolinhos de arroz e croquetes sem apelar para a frigideira cheia de óleo. O livro Cozinha do Coração Saudável apresenta 110 saborosas soluções para esses problemas. Produzido pela LDA Editora com apoio da Becel, Cozinha do Coração saudável traz receitas compiladas por Solange Patrício e Marco Rossi, sob orientação e supervisão dos cardiologistas Tânia Martinez, pesquisadora e professora da Escola Paulista de Medicina, e José Ernesto dos Santos, presidente do departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Os pratos foram testados por nutricionistas da Cozinha Experimental Van Den Bergh Alimentos.





     Há, evidentemente, numerosas outras maneiras de se iniciar um texto-resenha. A leitura (inteligente) desse tipo de texto poderá aumentar o leque de opções para iniciar uma recensão crítica de maneira criativa e cativante, que leva o leitor a interessar-se pela leitura.
11. A crítica

     A resenha crítica não deve ser vista ou elaborada mediante um resumo a que se acrescenta, ao final, uma avaliação ou crítica. A postura crítica deve estr presente desde a primeira linha, resultando num texto em que o resumo e a voz crítica do resenhista se interpenetram.

     O tom da crítica poderá ser moderado, respeitoso, agressivo, etc.

     Deve ser lembrado que os resenhistas - como os críticos em geral - também se tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema, escritores, etc.), que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de "ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé".
12. Exemplos de resenhas

     Publicam-se a seguir três resenhas que podem ilustrar melhor as considerações feitas ao longo desta apresentação.

Atwood se perde em panfleto feminista

Marilene Felinto
Da Equipe de Articulistas

     Margaret Atwood, 56, é uma escritora canadense famosa por sua literatura de tom feminista. No Brasil, é mais conhecida pelo romance "A mulher Comestível" (Ed. Globo). Já publicou 25 livros entre poesia, prosa e não-ficção. "A Noiva Ladra" é seu oitavo romance.

     O livro começa com uma página inteira de agradecimentos, procedimento normal em teses acadêmicas, mas não em romances. Lembra também aqueles discursos que autores de cinema fazem depois de receber o Oscar. A escritora agradece desde aos livros sobre guerra, que consultou para construir o "pano de fundo" de seu texto, até a uma parente, Lenore Atwood, de quem tomou emprestada a (original? significativa?) expressão "meleca cerebral".

     Feitos os agradecimentos e dadas as instruções, começam as quase 500 páginas que poderiam, sem qualquer problema, ser reduzidas a 150. Pouparia precioso tempo ao leitor bocejante.

     É a história de três amigas, Tony, Roz e Charis, cinqüentonas que vivem infernizadas pela presença (em "flashback") de outra amiga, Zenia, a noiva ladra, inescrupulosa "femme fatale" que vive roubando os homens das outras.

     Vilã meio inverossímel - ao contrário das demais personagens, construídas com certa solidez -, a antogonista Zenia não se sustenta, sua maldade não convence, sua história não emociona. A narrativa desmorona, portanto, a partir desse defeito central. Zenia funcionaria como superego das outras, imagem do que elas gostariam de ser, mas não conseguiram, reflexo de seus questionamentos internos - eis a leitura mais profunda que se pode fazer desse romance nada surpreendente e muito óbvio no seu propósito.

     Segundo a própria Atwood, o propósito era construir, com Zenia, uma personagem mulher "fora-da-lei", porque "há poucas personagens mulheres fora-da-lei". As intervenções do discurso feminista são claras, panfletárias, disfarçadas de ironia e humor capengas. A personagem Tony, por exemplo, tem nome de homem (é apelido para Antônia) e é professora de história, especialista em guerras e obcecada por elas, assunto de homens: "Historiadores homens acham que ela está invadindo o território deles, e deveria deixar as lanças, flechas, catapultas, fuzis, aviões e bombas em paz".

     Outras alusões feministas parecem colocadas ali para provocar riso, mas soam apenas ingênuas: "Há só uma coisa que eu gostaria que você lembrasse. Sabe essa química que afeta as mulheres quando estão com TPM? Bem, os homens têm essa química o tempo todo". Ou então, a mensagem rabiscada na parede do banheiro: "Herstory Not History", trocadilho que indicaria o machismo explícito na palavra "História", porque em inglês a palavra pode ser desmembrada em duas outras, "his" (dele) e story (estória). A sugestão contida no trocadilho é a de que se altere o "his" para "her" (dela).

     As histórias individuais de cada personagem são o costumeiro amontoado de fatos cotidianos, almoços, jantares, trabalho, casamento e muita "reflexão feminina" sobre a infância, o amor, etc. Tudo isso narrado da forma mais achatada possível, sem maiores sobressaltos, a não ser talvez na descrição do interesse da personagem Tony pelas guerras.

     Mesmo aí, prevalecem as artificiais inserções de fundo histórico, sem pé nem cabeça, no meio do texto ficcional, efeito da pesquisa que a escritora - em tom cerimonioso na página de agradecimentos - se orgulha de ter realizado.



Estadista de mitra

Na melhor bibliografia de João Paulo II até agora, o jornalista Tad Szulc dá ênfase à atuação política do papa

Ivan Ângelo

     Como será visto na História esse contraditório papa João Paulo II, o único não-italiano nos últimos 456 anos? Um conservador ou um progressista? Bom ou mau pastor do imenso rebanho católico? Sobre um ponto não há dúvida: é um hábil articulador da política internacional. Não resolveu as questões pastorais mais angustiantes da Igreja Católica em nosso tempo - a perda de fiéis, a progressiva falta de sacerdotes, a forma de pôr em prática a opção da igreja pelos pobres -; tornou mais dramáticos os conflitos teológicos com os padres e os fiéis por suas posições inflexíveis sobre o sacerdócio da mulher, o planejamento familiar, o aborto, o sexo seguro, a doutrina social, especialmente a Teologia da Libertação, mas por outro lado, foi uma das figuras-chave na desarticulação do socialismo no Leste Europeu, nos anos 80, a partir da sua atuação na crise da Polônia. É uma voz poderosa contra o racismo, a intolerância, o consumismo e todas as formas autodestrutivas da cultura moderna. Isso fará dele um grande papa?

     O livro do jornalista polonês Tad Szulc João Paulo II - Bibliografia (tradução de Antonio Nogueira Machado, Jamari França e Silvia de Souza Costa; Francisco Alves; 472 páginas; 34 reais) toca em todos esses aspectos com profissionalismo e competência. O autor, um ex-correspondente internacional e redator do The New York Times, viajou com o papa, comeu com ele no Vaticano, entrevistou mais de uma centena de pessoas, levou dois anos para escrever esse catatau em uma máquina manual portátil, datilografando com dois dedos. O livro, bastante atual, acompanha a carreira (não propriamente a vida) do personagem até o fim de janeiro de 1995, ano em que foi publicado. É um livro de correspondente internacional, com o viés da política internacional. Szulc não é literariamente refinado como seus colegas Gay Talese ou Tom Wolfe, usa com freqüência aqueles ganchos e frases de efeito que adornam o estilo jornalístico, porém persegue seu objetivo como um míssil e atinge o alvo.

     Em meio à política, pode-se vislumbrar o homem Karol Wojtyla, teimoso, autoritário, absolutista de discurso democrático, alguém que acha que tem uma missão e não quer dividi-la, que é contra o "moderno" na moral, que prefere perder a transigir, mas é gentil, caloroso, fraterno, alegre, franco ... Szulc, entretanto, só faz o esboço, não pinta o retrato. Temos, então, de aceitar a sua opinião: "É difícil não gostar dele".

     Opus Dei - O livro começa descrevendo a personalidade de João Paulo II, faz um bom resumo da História da Polônia e sua opção pelo Ocidente e pela Igreja Católica Romana (em vez da Ortodoxa Grega, que dominava os vizinhos do Leste), fala da relação mística de Wojtyla com o sofrimento, descreve sus brilhante carreira intelectual e religiosa, volta à sua infância, aos seus tempos de goleiro no time do ginásio ""um mau goleiro", dirá mais tarde um amigo), localiza aí sua simpatia pelos judeus, conta que ele decidiu ser padre em meio ao sofrimento pela morte do pai, destaca a complacência de Pio XII com o nazismo, a ajuda à Opus Dei (a quem depois João Paulo II daria todo o apoio), demora-se demais nos meandros da política do bispo e cardeal Wojtyla, cresce jornalisticamente no capítulo sobre a eleição desse primeiro papa polonês, mostra como ele reorganizou a Igreja, discute suas posições conservadoras sobre a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base, CEBs, na América latina, descreve sua decisiva atuação na política do Leste Europeu, a derrocada do comunismo, e termina com sus luta atual contra o demônio pós-comunista. Agora o demônio, o perigo mortal para a humanidade, é o capitalismo selvagem e o "imperialismo contraceptivo" dos EUA e da ONU.

     Szulc, o escritor-míssil, não se desvia do seu alvo nem quando vê um assunto saboroso como a Cúria do Vaticano, que diz estar cheia de puxa-sacos e fofoqueiros com computadores, nos quais contabilizam trocas de favores, agrados, faltas e rumores. O sutil jornalista Gay Talese não perderia um prato desses.

     Entretanto, Szulc está sempre atento às ações políticas do papa. Nota que João Paulo II elevou a Opus Dei à prelatura pessoal enquanto expurgou a Companhia de Jesus por seu apoio à Teologia da Libertação; ajudou a Opus Dei a se estabelecer na Polônia, beatificou rapidamente seu criador, monsenhor Escrivã. Como um militar brasileiro dos anos 60, cassou o direito de ensinar dos padres Küng, Pohier e Curran, silenciou os teólogos Schillebeeckx (belga), Boff (brasileiro), Häring (alemão) e Gutiérrez (peruano), reduziu o espaço pastoral de dom Arns (brasileiro). Em contrapartida, apoiou decididamente o sindicato clandestino polonês, a Solidariedade. Fez dobradinha com o general dirigente polonês Jaruzelski contra Brejnev, abrindo o primeiro país socialista, que abriu o resto. O próprio Gorbachev reconhece: "Tudo o que aconteceu no Leste Europeu nesses últimos anos teria sido impossível sem a presença deste papa".

     Talvez seja assim também com relação ao que acontece com as religiões cristãs no nosso continente. Tad Szulc, com cautela, alerta para a penetração, na América Latina, dos evangélicos e pentecostais, que o próprio Vaticano chama de "seitas arrebatadoras". A participação comunitária e o autogoverno religioso que existia nas CEBs motivavam mais a população. Talvez seja. Acrescentando-se a isso o lado litúrgico dos evangélicos que satisfaz o desejo dos fiéis de serem atores no drama místico, não tanto espectadores, tem-se uma tese.

     O perfil desenhado por Szulc é o de um político profundamente religioso. Um homem que reza sete horas por dia, com os olhos firmemente fechados, devoto de Nossa Senhora de Fátima e do mártir polonês São Estanislau e que acredita no martírio e na dor pessoais para alcançar a graça.






Um gramático contra a gramática

Gilberto Scarton

     Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de idéias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.

     Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

     O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.

     Essa fundamentação lingüística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.

     Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.


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