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Adolescência | Características Físicas e Psicossociais dos Adolescentes

Adolescência | Características Físicas e Psicossociais dos Adolescentes

Adolescência | Características Físicas e Psicossociais dos Adolescentes

Entende-se como adolescência a fase compreendida entre a infância e a idade adulta, durante a qual se definem os caracteres sexuais secundários e se evidenciam as qualidades específicas do indivíduo. Nas sociedades simples e homogêneas, como as comunidades rurais, o período de preparação do adolescente para a vida adulta é mais curto e menos conflitivo do que nas sociedades complexas. A longa fase de dependência, que na civilização contemporânea se estende por aproximadamente dez anos, entra em choque com o desenvolvimento parcial alcançado pelo adolescente e determina uma etapa crítica e repleta de contradições.

O primeiro amor e a primeira desilusão, a rebeldia e a disposição de mudar o mundo são sentimentos próprios de uma etapa da existência marcada por intensa atividade de iniciação, decisiva para a vida posterior do indivíduo. A adolescência normalmente é vivida como um período em que coexistem grandes transformações e crise profunda.

A importância que psicólogos e educadores atribuem à adolescência é fenômeno recente. Até o começo do século XX, a etapa de transição era breve e caracterizada principalmente por alterações biológicas. A integração à vida adulta se dava de forma mais imediata, pois os papéis sociais eram menos diversificados e já estavam determinados pela herança familiar. Os estudos antropológicos indicam que nas comunidades primitivas contemporâneas a adolescência é marcada apenas pelo desenvolvimento físico. Uma simples cerimônia de iniciação integra o indivíduo na vida adulta. O progresso científico e tecnológico trouxe maior complexidade à sociedade moderna e a consequente dificuldade de integração do adolescente, além do aumento quantitativo das populações jovens que se verifica em grande parte dos países.

Características físicas

A adolescência se caracteriza, do ponto de vista anatômico, por fenômenos como o crescimento acelerado (estirão), o desenvolvimento do corpo e a modificação da aparência. O surgimento dos seios na moça, o crescimento da barba e a mudança de voz no rapaz obrigam o adolescente a adquirir uma nova consciência de seu corpo. Do ponto de vista fisiológico, as trocas hormonais próprias do período provocam reações diversas, das quais a mais importante é o aparecimento do desejo sexual.

Todas essas novidades relativas ao corpo são perturbadoras para o adolescente, sobretudo porque não ocorrem sempre da mesma maneira, ou na mesma idade. É mais comum, por exemplo, que a menina apresente a menarca (primeira menstruação) entre os dez e os 14 anos, mas o fenômeno é muito variável em função de determinações genéticas, socioeconômicas ou emocionais.

Características psicossociais

As transformações físicas por que passa o adolescente têm forte repercussão psíquica, que se revela em comportamentos típicos e transitórios. A consciência recém-adquirida da masculinidade ou feminilidade desperta a necessidade de auto-afirmação, que se manifesta em primeiro lugar como um anseio de liberdade em relação à família. O núcleo familiar, que durante a infância funcionou como fonte de proteção e segurança, na adolescência se torna opressivo. O ambiente doméstico se transforma em palco de conflitos que podem dar margem a graves sentimentos de rejeição.

A aprendizagem formal pode ser prejudicada pelo fato do indivíduo estar especialmente voltado para si mesmo e para o objeto de seu desejo sexual. Nessa etapa, em que as emoções impedem um exercício intelectual disciplinado, pode ocorrer pela primeira vez o fracasso escolar, agravado pela atitude desafiadora e crítica que o adolescente costuma manter para com os educadores e qualquer adulto investido de alguma autoridade.

A percepção do desejo sexual e os comportamentos agressivos são responsáveis pelo surgimento do sentimento de culpa, que se atenua quando o adolescente descobre um objeto amoroso. Os romances na adolescência, no entanto, podem conduzir a grandes frustrações, para as quais o indivíduo não se encontra ainda preparado. Nesse caso, estará sujeito a estados alternados de depressão e euforia. A integração a um grupo de jovens que compartilhem os mesmos interesses pode ser uma boa alternativa para contrapor as frustrações e substituir, em alguns aspectos, a família, em cujo seio o adolescente já não se sente à vontade.

Teorias sobre  a adolescência

Os especialistas têm estudado o comportamento dos adolescentes sob diversos enfoques. De modo geral, a psicologia moderna reserva ao adolescente um espaço próprio, do qual estão afastadas as atitudes autoritárias e repressivas.

Teoria biogenética

A primeira tentativa de sistematização do comportamento do adolescente, influenciada pela teoria evolucionista de Darwin, foi a teoria biogenética. Pretende explicar as condutas como decorrentes de alterações biológicas geneticamente determinadas. A exuberância do adolescente se explica pelo desenvolvimento neurológico e glandular. A teoria biogenética é basicamente descritiva e não propõe alternativas terapêuticas.

Teoria culturalista

A fonte principal da teoria culturalista é a antropologia cultural. Os traços característicos do comportamento do adolescente são resultado da integração do indivíduo na comunidade. Os conflitos decorrem de pressões culturais. A adolescência pode ser uma fase de crises ou de alterações graduais, segundo o tipo de cultura em que apareça.

Teoria psicanalítica

 A psicanálise atribui relativamente pouca importância à adolescência. O desenvolvimento da personalidade é vinculado à evolução da libido e à passagem progressiva do princípio do prazer ao princípio da realidade. As fases de evolução da libido, no entanto, não são estáticas. Apresentam uma integração contínua e dinâmica, e isso significa que as características sexuais primitivas não desaparecem por completo quando a personalidade avança para um estágio superior. O final da infância é marcado por um estado de latência, devido às pressões da socialização. A adolescência é o período em que as fases pré-genitais da libido regridem para dar lugar à sexualidade genital madura. O complexo de Édipo, o complexo de castração e outros conflitos próprios da sexualidade infantil desaparecem, mas podem reeditar-se em comportamentos típicos da transição, como a paixão por pessoas muito mais velhas. Em síntese, a teoria psicanalítica enfatiza na adolescência o conflito entre os impulsos instintivos e o estabelecimento de valores.

Teoria de Spranger

A teoria de Eduard Spranger fundamenta-se na filosofia da cultura, para a qual as leis que regem a natureza não são aplicáveis às ciências humanas. Assim, o crescimento físico e as transformações sexuais sofridas pelo adolescente não constituem o essencial de seu estado. A consciência da sexualidade é o que importa, não o fenômeno fisiológico que ocorre independentemente da consciência. Spranger distingue erotismo de sexualidade. O erotismo não é uma função da sexualidade, mas esta é decorrente do erotismo. Ambos constituem uma totalidade de vivências. O desenvolvimento da personalidade na adolescência depende de uma estruturação psíquica que se dá principalmente pela aquisição da consciência de si mesmo. Os conflitos são produto do choque de valores sociais, éticos e religiosos. O sistema de valores depende do meio em que o adolescente vive e se integra.

Teoria de campo

Para Kurt Lewin a adolescência é uma fase marginal, que não se situa no campo definido do adulto nem da criança. O aumento da perspectiva temporal é intenso na adolescência: o adolescente integra o passado e vive em função dos objetivos situados no futuro. Tal como acontece com os que pertencem às minorias, o adolescente procura apoio em seu próprio grupo e se revolta contra os outros. As diferenciações somáticas são relevantes na adolescência e produzem efeitos na auto-imagem, um de seus valores predominantes, assim como o modo como é visto pelo grupo. A teoria de campo mostra que a adolescência é um período transitório, de aspecto altamente dinâmico, entre o espaço de vida da criança e o da maturidade.

Teoria cognitiva de Jean Piaget

As intensas alterações decorrentes do amadurecimento psíquico e sexual do adolescente provocam um desequilíbrio provisório que conduz posteriormente a um equilíbrio superior. O reconhecimento do mundo exterior se dá na criança pelo contato dos sentidos e pela ação concreta. Na adolescência, as estruturas intelectuais que comandam o conhecimento se tornam aptas ao raciocínio lógico e abstrato, sem necessidade de apoio na experiência e na ação. O adolescente é capaz de formular teorias e de desenvolver atitudes críticas e contestatórias. A partir do pensamento abstrato recentemente adquirido, o adolescente elabora planos de vida. A intensa atividade reflexiva explica a fantasia e a idealização. A integração na sociedade adulta se faz por meio de projetos, sistemas teóricos e mesmo de reformas sociais. O amor e a vida afetiva assumem grande importância em consequência do afastamento da realidade pela via da abstração. A adaptação social definitiva ocorre quando o adolescente parte da criação reflexiva para a realização objetiva de projetos.

RebeldiaRebeldia

De todos os adolescentes são esperados comportamentos rebeldes e a rebeldia já virou, inclusive, sinônimo de adolescência. Esta relação feita entre esta fase da vida e este padrão comportamental faz com que a rebeldia seja entendida como uma característica própria da idade, que passa com o tempo e que, como tal, não pode ser solucionada nem discutida. Na verdade a rebeldia é um comportamento comum na fase adolescente, comum no sentido de frequente e não de próprio desta fase. O próprio da fase adolescente, universal e que inevitavelmente acontece com todos os jovens normais, são as mudanças corporais, o aparecimento do interesse sexual, a mudança de outros tipos de interesse e uma nova forma de se relacionar com o mundo, que não é mais infantil nem adulta e que, portanto, caracterizam uma fase de transição muito marcante.

Todas as transformações biológicas e físicas provocam reações diferentes nas pessoas que lidam com o adolescente. Uma grande confusão a respeito do que permitir, o que proibir e o que pode ser aceito desta nova pessoa, acontece com os adultos. Todas as modificações da adolescência provocam conflitos na forma do adulto se relacionar com o adolescente e a sociedade também provoca discussões e leis confusas, que autorizam o voto e outras responsabilidades e desautorizam responsabilidade criminal e outras coisas, fazendo com que a maturidade do jovem seja vista de diferentes formas. Tudo isto é polêmico, controverso e confuso e é este conjunto de coisas que caracteriza o ambiente do adolescente como confuso e conflituoso. A institucionalização das características adolescentes também provocam expectativas de que com todos eles, tudo aconteça exatamente da mesma forma nesta fase e a criança que cresce ouvindo que será assim a partir de determinada idade, provavelmente desenvolve alguns comportamentos para responder ao esperado, sem que isto se desenvolvesse normalmente.

Frente a estes aspectos, é desleal atribuir à fase adolescente toda a responsabilidade pela rebeldia comum nesta fase. Dependendo da relação familiar e do grupo de convívio do adolescente, suas características podem ser diferentes do esperado. Nem todos os jovens desenvolvem os mesmos comportamentos convencionados como característicos, e nem todas as famílias têm problemas na definição de como educar o adolescente. A rebeldia pode ser apenas uma reação à falta de jeito dos adultos para lidar com esta nova fase, da falta de compreensão, apoio e esclarecimento das modificações, que podem assuntar o jovem, se forem absolutamente desconhecidas, e de outros problemas de trato com esta pessoa, que não pode mais ser tratada como a criança que era, e que não tem maturidade suficiente para assumir uma vida adulta. Se os adultos que se relacionam com o adolescente continuam a tratá-lo como criança, se não conseguem aceitar que os interesses dele são outros e não tiverem condições de estabelecer uma relação de colaboração e confiança, a probabilidade de rebeldia na adolescência continuará sempre fazendo com que esta característica seja marcante nesta fase.

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Relaxamento | Psicologia

Relaxamento | Psicologia

Relaxamento | Psicologia

Do ponto de vista fisiológico e psicológico, relaxamento é a redução voluntária ou involuntária do tônus muscular do corpo, com o objetivo de pôr fim a estados de fadiga corporal ou de esgotamento psíquico. Os métodos de relaxamento constituem um valioso instrumento terapêutico no tratamento de neuroses, alterações psicossomáticas e lesões neurológicas.

Na vida diária, o termo relaxamento é associado à noção de tranquilidade e ao desejo de escapar do estresse e do ritmo acelerado da vida moderna.

Precedentes dos métodos de relaxamento

Ao contrário do que ocorre com os orientais, o interesse do mundo ocidental pelo fenômeno do relaxamento não é filosófico, pois ele aparece apenas de modo esporádico na tradição mística cristã e, na medicina, constitui uma derivação de fenômenos como o magnetismo e a hipnose. O médico alemão Franz Anton Mesmer, que deu nome ao mesmerismo, inventou no século XVIII um método de tratamento baseado no magnetismo, que se processava num ambiente sugestivo onde as manifestações de histeria e euforia eram seguidas de estados de languidez, devaneio, prostração e adormecimento. A evolução do mesmerismo, que levou à prática do sono magnético como método de insensibilizar o paciente submetido a cirurgia, preparou a base para a sugestão verbal e a hipnose propriamente dita.

O cirurgião James Braid, de Manchester, introduziu o termo hipnose para designar uma técnica de indução de sono artificial, com perda de memória. A partir de 1841, ele usou experimentalmente o hipnotismo e refutou a crença popular segundo a qual a habilidade para hipnotizar se relacionava à passagem mágica de fluidos ou outra influência do cirurgião sobre o paciente. Os especialistas franceses que criaram a escola de Nancy, em 1875, defenderam o caráter puramente psicológico do estado hipnótico e de suas  propriedades (anestesia, catalepsia, alucinação etc.) e situaram sua origem na sugestão verbal, que servia não somente para provocar o estado hipnótico, mas também para levar ao paciente imagens psíquicas de cura. Nessa investigação, chegaram mesmo a prescindir da hipnose prévia, induzindo verbalmente a simples imaginação de um estado físico e produzindo, com êxito, em muitas ocasiões, a realização efetiva desse estado.

A escola de Salpêtrière, do doutor Jean-Martin Charcot, utilizou a hipnose para o tratamento de histéricos, que ele fazia entrar em catalepsia, provocando crises e acessos violentos. O criador da psicanálise, Sigmund Freud, descobriu, a partir das experiências de Charcot, que o efeito da hipnose dependia da relação pessoal entre paciente e médico, o que o levou a abandonar o método hipnótico. Na psicanálise freudiana, a posição relaxada sobre o divã é apenas uma circunstância facilitadora da busca do trauma original, da análise dos sonhos e da livre associação.

Métodos ocidentais de relaxamento

Os métodos ocidentais de relaxamento mais conhecidos são o treinamento autógeno de Johannes Heinrich Schultz e o método de relaxamento progressivo de Edmund Jacobson. Schultz, neurologista e psiquiatra berlinense, notou que os pacientes hipnotizados sentiam o corpo mais pesado e uma sensação difusa de calor. Isso o levou a pensar que se produzia nessa circunstância um relaxamento muscular e uma dilatação vascular periférica. Se essas sensações eram básicas nos estados sugestivos, e não meramente concomitantes, poder-se-ia ensinar aos pacientes como produzir em si mesmos, de forma voluntária, tais sensações e, portanto, os estados psíquicos correspondentes -- daí o nome de treinamento autógeno.

O método compreende dois ciclos

No primeiro, ou inferior, ensina-se o indivíduo a auto-induzir uma sensação de peso ou calor, mediante exercícios de concentração em zonas do corpo, no ritmo cardíaco e na respiração. Dessa forma, se consegue amortecer a própria ressonância emocional e facilitar o auto-esclarecimento e a auto-expressão espontânea. No ciclo superior, de caráter mental, busca-se a concentração sobre objetos, cores, sentimentos, conceitos, relações pessoais, objetivos etc.

Dedicado à psicofisiologia, o doutor Jacobson, de Chicago, partiu do estudo fisiológico e clínico das tensões dos músculos e de sua importância em psicologia e em terapêutica para estabelecer seu método de relaxamento. Observou que o simples ato de pensar um ato motor desencadeava na musculatura correspondente potenciais de ação mínimos, mas mensuráveis, embora não se produzisse movimento. Isso levou-o a pensar que os estados de nervosismo, emoção, reflexão etc. poderiam  estar associados a modelos neuromusculares transitórios, razão pela qual o relaxamento progressivo das zonas corporais poderia comportar um repouso cerebral regional. O método consiste no aprendizado da percepção das próprias contrações musculares e de seu relaxamento. Diferentemente do que sucede com o treinamento autógeno, são produzidas fases ativas de contração.

Neurofisiologia do relaxamento

A musculatura estriada é percorrida por um duplo sistema de inervação motora: as fibras motoras alfa, que se integram, para sua coordenação, no sistema reticular, e as fibras nervosas alfa, conectadas com as primeiras e que mantêm indiretamente o tônus ou tensão muscular adequados, também controlado pelo sistema reticular. Da mesma forma que uma central telefônica, esse emaranhado reticular pode sofrer uma sobrecarga provocada por tensões que venham a ocasionar desordens orgânicas como úlceras, rigidez muscular, tremores, dores na nuca etc. Quando é introduzida a atividade de relaxamento, o feixe ou círculo vicioso da tensão que se realimenta a si mesmo se rompe, descarregando o estímulo reticular e baixando o tônus muscular, o que diminui quase todas as funções orgânicas.

Respiração e relaxamento

A respiração é o aspecto fundamental do relaxamento. É bem conhecido o papel central que a respiração ocupa na ioga e o fato de que um ramo da hatha-yoga, o pranayama, tem por objetivo o domínio de uma série de técnicas respiratórias. Enquanto no Oriente se atribui à respiração um acento subjetivo e mental, no Ocidente o enfoque é predominantemente fisiológico. Desse ponto de vista, por sua situação especial entre os processos vegetativos e voluntários, pode-se utilizar a respiração para influir consciente e voluntariamente em processos involuntários ou inconscientes. Como a causa do estresse e das doenças psicossomáticas se encontra sempre numa alteração forçada do ritmo natural dos processos vitais, ao recuperar a respiração natural se adquire uma vivência interna de harmonização ou identificação com a natureza que se estende, com sua continuação, aos demais processos orgânicos.

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Psicose | O Que é Psicose?

Psicose | O Que é Psicose?

#Psicose | O Que é Psicose?
A psicose é utilizada em diferentes sentidos e em diversas situações. É comum que tenhamos contato com este termo através de filmes e livros, os quais se referem a um comportamento anormal, ou ainda como referência de um medo ou terror, que acomete várias pessoas ao mesmo tempo, aparecendo como “psicose coletiva”. As definições em psiquiatria também são muitas e não há nenhuma plenamente satisfatória. A psicose é caracterizada por alterações psicológicas muito graves e muito mais comprometedoras que outros distúrbios, como é o caso da neurose. 


Para diagnosticar uma psicose, o profissional observa o nível de consciência do paciente, se ele está sonolento, desperto ou em vigília, se é capaz de se concentrar, de memorizar, se tem noção de tempo e de espaço, se reage afetivamente, se tem ideias a respeito das coisas que se lhe apresentam, se é capaz de raciocinar e se tem percepção e juízo da realidade. Todas estas observações apontam o nível de comprometimento apresentado por um psicótico. A característica psicológica que apresenta um nível de comprometimento mais preocupante é o juízo da realidade apresentado pelo paciente. A comunicação fica quase totalmente prejudicada, porque esta síndrome provoca a incapacidade de reconhecer fatos e fazer relações entre eles. A principal alteração do juízo é caracterizada pelo aparecimento do delírio, onde o paciente distorce totalmente a realidade e acredita plenamente nas suas fantasias, ficando irredutível a qualquer tentativa de argumentação lógica. 

A psicose não se refere a uma doença específica, trata-se de uma síndrome, ou seja, de um conjunto de doenças diferentes, que possuem sinais e sintomas semelhantes. A esquizofrenia é um dos quadros psicóticos de maior importância. As doenças afetivas, que se caracterizam por fases de depressão e mania, podem também se apresentar como quadros psicóticos, apresentando os conteúdos afetivos da doença como características do delírio. A fase depressiva apresenta delírios de ruína, de culpa, prejuízo, morte, o paciente se sente responsável por grandes catástrofes mundiais, por guerras e desastres. Na fase maníaca os delírios são de grandeza ou de poder. Os quadros psicóticos são caracterizados também por visões de situações fúnebres, por depressão, a pessoa pode chorar muito e ouvir vozes que podem ser de comando ou podem estar chamando pessoas que já morreram, além de outros delírios. A psicose pode aparecer em qualquer fase da vida.

O autismo é um exemplo de uma psicose típica da infância que se caracteriza por um alheamento e pela falta de contato com as pessoas. O uso de drogas como LSD e cocaína podem causar sintomas psicóticos. O álcool também pode causar alucinose alcoólica e o delirium tremens. Algumas doenças como tumores cerebrais e até a AIDS podem levar ao aparecimento da síndrome. A psicose é tratada com medicamentos e, em casos mais graves, a internação é inevitável, mesmo que tenha como objetivo um tratamento rápido com alta precoce. O indivíduo psicótico não tem consciência do seu estado e, por este motivo, pode recusar a medicação. Estas características da síndrome reforçam a ideia da importância da intervenção da família até que o paciente possa tomar conta de si próprio.

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Morte | Conceitos Etimológicos sobre a Morte

Morte | Conceitos Etimológicos sobre a Morte

#Morte | Conceitos Etimológicos sobre a MorteMorte, do ponto de vista físico, é o que ocorre quando cessa a vida de um indivíduo, seja por causas naturais, como velhice ou alterações funcionais devidas ao desgaste dos tecidos e órgãos, seja por motivos acidentais e causas externas. Na morte rompe-se o equilíbrio biológico e físico indispensável à manutenção da vida.

O único fenômeno que desperta no homem igual ou maior interesse que a vida humana é, possivelmente, a extinção da própria vida. Pelo que envolve de inelutável, trágico e misterioso, a morte é objeto de estudo da medicina, da psicologia, da filosofia e da antropologia.


Na natureza, vida e morte estão indissoluvelmente unidas, pois a primeira é condição para a segunda. Além disso, a vida de alguns seres depende da morte de outros, numa complexa cadeia de ações interdependentes em que alguns organismos se alimentam de outros para obter a matéria e a energia de que necessitam. Na cadeia natural da vida, a própria evolução das espécies depende da morte.

Em filosofia, a morte ou a consciência da morte é tema de reflexão sobre o homem e a existência. Do ponto de vista da antropologia social, o fenômeno inevitável da morte é estudado em suas representações nas diferentes sociedades. Por meio da comparação sistemática, verifica-se como as várias sociedades humanas classificam e absorvem o fato de que, periodicamente, alguns de seus membros desaparecem. Na morte, manifesta-se o problema do desaparecimento do corpo físico, do indivíduo e também de sua própria vida social. É preciso que se cuide não só de dar lugar a um corpo - transformado em objeto inerte - por motivos práticos, como também é necessário que se restabeleça uma continuidade na vida social momentaneamente interrompida.

No funeral, a coletividade manifesta as diferenças de significado entre, por exemplo, a morte de um chefe de família, considerado um ser social completo, e a de uma criança na primeira infância, quando ainda não se constituiu em representante completo de seu grupo social, que nela apenas havia começado a investir. Por meio dos rituais, o grupo reorganiza suas relações e encontra um momento para refletir sobre as próprias convenções e sua finitude.

As religiões que separam o corpo da alma, com isso, visam à imortalidade. De outra maneira, busca-se a imortalidade de figuras políticas importantes ao dar seus nomes a ruas e praças. Para imortalizar um membro de uma coletividade, escolhe-se como referência uma das máscaras sociais desse indivíduo, geralmente a que teve maiores consequências para o grupo ao qual pertenceu. Reduzem-se, assim, todos os papéis sociais desempenhados pelo indivíduo a somente aquele que foi mais importante do ponto de vista público. Machado de Assis, por exemplo, é cultuado como escritor, e não como marido ou funcionário, numa relação em que o homem e o papel público que desempenhou se identificam de maneira quase absoluta. A imortalidade, desse modo, concilia num plano sociológico (ou simbólico) a morte do corpo (que ameaça todo o grupo social) com a sobrevivência e a perpetuidade do sistema social. Por isso, todas as sociedades conhecidas pela antropologia social cuidam da imagem social do morto.


Morte física. A suspensão das funções vitais nos seres humanos se reconhece por uma série de sinais, dos quais os mais importantes são: (1) paralisação dos centros nervosos vitais, representada por perda da consciência, da mobilidade voluntária, da reação reflexa aos estímulos e do tono muscular; (2) paralisação da respiração, o que provoca imobilidade respiratória, silêncio auscultatório e quietude radioscópica costodiafragmática; (3) parada das funções circulatórias, com paralisação cardíaca e da corrente sanguínea, o que se manifesta por cessação das pulsações, expressão de morte, palidez, desingurgitação, diminuição da tensão ocular, descoloração retiniana, apagamento do brilho da córnea e deformação ovalar da pupila.

Imediatamente após a morte produz-se um estado de relaxamento e flacidez em todos os músculos do corpo. Após certo tempo, no entanto, inicia-se um lento processo de contração muscular, conhecido pelo nome de rigidez cadavérica, que afeta tanto a musculatura estriada do aparelho locomotor como o miocárdio, o diafragma e os músculos de fibra lisa. Terminados os processos abióticos, iniciam-se novas atividades bioquímicas que conduzem o cadáver à destruição ou desintegração. São os processos cadavéricos destrutivos: autólise e putrefação.

Em consequência do aumento dos recursos à disposição da medicina em tempos recentes, como transplantes de órgãos e aparelhos de manutenção artificial das funções vitais, cresceu também o interesse na definição de critérios para determinar a ocorrência da morte, especialmente importantes em casos de potenciais doadores de órgãos e de indivíduos cuja vida depende do funcionamento de equipamentos. Entre esses novos critérios, o mais importante é a ausência de funcionamento do tronco cerebral - área na base do cérebro que se junta ao topo da medula espinhal e controla as funções de consciência, respiração e pressão sanguínea do organismo - e a parada irreversível da respiração espontânea. Diante dessas evidências, diz-se que ocorreu morte cerebral e não há possibilidade de recuperação.

O diagnóstico de morte cerebral se faz em três etapas e visa a determinar se houve perda irreversível da função do tronco cerebral. Primeiro se apura a causa do coma e se procura estabelecer com certeza que o paciente sofreu lesão irreversível na estrutura cerebral. O conceito de irreversibilidade se baseia na ausência de melhora com a passagem do tempo e com as seguidas tentativas de reverter o quadro clínico. Depois, devem ser excluídas todas as causas possíveis de uma disfunção reversível do tronco cerebral, como hipotermia, intoxicação por drogas ou perturbação metabólica grave. Finalmente, deve-se demonstrar a ausência de todos os reflexos do tronco cerebral, além de confirmar que o paciente é incapaz de respirar, mesmo sob forte estímulo.

Um teste de função do tronco cerebral dura menos de meia hora. O médico verifica a presença das seguintes reações normais: (1) constrição das pupilas em resposta a estímulos luminosos; (2) piscar de olhos em resposta ao estímulo da córnea; (3) contrações da face como reação à pressão firme logo acima do globo ocular; (4) movimentos oculares em resposta à inserção de água gelada nos ouvidos; e (5) tosse ou engasgo após a introdução de um cateter nas vias aéreas. O teste deve ser feito em duas ocasiões diferentes.

A concepção de morte relacionada à perda da capacidade de estar consciente (embora os conteúdos da consciência não tenham sido afetados), combinada à apneia irreversível, fornece equivalentes filosoficamente seguros, eticamente aceitáveis e clinicamente aplicáveis aos conceitos de "separação da alma com relação ao corpo" e de "perda do sopro vital", tão importantes para algumas culturas.


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História da Astrologia

História da Astrologia

História da AstrologiaA astrologia estuda a influência dos astros, especialmente por meio dos signos, no caráter, no comportamento e no destino dos homens. A grande popularidade de que essa disciplina desfruta modernamente, aliada ao rigor matemático e à coerência interna de suas relações, faz com que muitos pretendam para ela a categoria de ciência, sem levar em conta que seus postulados, embora plausíveis, não podem ser submetidos a comprovação experimental.

Desde tempos imemoriais os homens acreditaram que os astros exercem influência sobre sua vida e sobre os acontecimentos. Um sistema complexo de relações, em que se misturam matemática e adivinhação, foi estabelecido pelas antigas civilizações mesopotâmicas, com o propósito de determinar as leis que regem as relações entre os astros, os homens e os fatos.


HistóriaA astrologia nasceu na Babilônia, relacionada à matemática e à astronomia, disciplinas muito desenvolvidas naquela civilização. O sistema astrológico babilônio constava de seis mil signos, cuja observação e interpretação visavam a estabelecer uma relação entre os acontecimentos terrenos e a organização celeste, a fim de melhor atender à vontade dos deuses. Desta derivava a legitimidade do poder constituído e a ela deviam prestar contas o rei e demais dirigentes.

Para os antigos povos mesopotâmicos, os próprios deuses estavam submetidos aos azares do destino, de forma semelhante ao que ocorria com os mortais. Não se acreditava que o destino de cada indivíduo fosse predeterminado em detalhe, mas a astrologia permitia conhecer, em linhas gerais, as obrigações e possibilidades de vitória ou derrota dos governantes sem, no entanto, desprezar a noção de responsabilidade. O código de Hamurabi (século XII  a.C.) prescrevia severas penas para médicos e arquitetos incompetentes, e não lhes reconhecia o direito de invocar o destino para justificar erros. Os astros assinalavam tendências gerais; descobrir as regras que eles ditavam levava à retidão, não à fatalidade.

Vários séculos antes de nossa era a astrologia já era conhecida na Índia, China, Egito, Pérsia e Grécia. Nesta última, seu desenvolvimento foi favorecido pela obra de filósofos como Heráclito e Pitágoras. Os gregos sistematizaram os conhecimentos astrológicos de maneira particular. Entre os séculos VI  e III a.C. modificaram o zodíaco babilônio, dando-lhe a configuração que conhecemos atualmente, e atribuíram cada divisão do círculo zodiacal a um deus. Planetas e deuses ocupantes de cada casa zodiacal teriam influência sobre a conformação física, o temperamento e o destino das pessoas. O horóscopo, sistema que relaciona datas e lugares geográficos à posição dos astros, passou a ser usado para previsões no campo das atividades políticas, bélicas e de colonização.

Durante a antiguidade clássica, a astrologia confundiu-se com a astronomia e perdeu o caráter sagrado, mas não sua natureza tradicional e empírica. Teve muito prestígio durante a Idade Média, apesar da condenação da igreja, que a considerava contrária à doutrina cristã. Entre os árabes as práticas astrológicas também se disseminaram: foram criadas várias escolas às quais concorriam astrólogos árabes, persas e hebreus. No Renascimento, a astrologia conheceu um momento de apogeu: grandes astrônomos da época, como Tycho Brahe e Copérnico, valorizavam a disciplina; artistas representavam seus símbolos em quadros, esculturas e edifícios, bem como pensadores aspiravam a construir um sistema universal de relações que estabelecesse a correspondência entre o macrocosmo celeste e o microcosmo humano.

Com o desenvolvimento e prestígio crescente das ciências exatas, porém, as práticas astrológicas durante muitos anos permaneceram limitadas aos horóscopos - muitas vezes forjados - publicados por jornais e revistas. Mas atualmente ganharam novo alento. Multiplicaram-se as publicações especializadas e firmou-se a profissão de astrólogo, misto de adivinho e conselheiro, que faz previsões e sugere comportamentos baseados principalmente no mapa astral - configuração celeste no momento do nascimento do consulente - que elabora.


Zodíaco e astrologia
A carta celeste se divide, para a astrologia, em 12 casas, cada uma presidida por uma constelação, que dá origem a um signo do zodíaco. O signo principal ou solar, o signo ascendente e o signo lunar determinam uma série de características e tendências relativas à constituição física, caráter e preferências da pessoa nascida sob sua influência. Os quatro elementos da natureza -- água, ar, fogo e terra - se relacionam, cada um, a três signos e emprestam  suas características aos nativos dos mesmos. Os signos de água são Peixes, Câncer e Escorpião; os de ar, Aquário, Gêmeos e Libra; os de fogo, Áries, Leão e Sagitário e os de terra são Capricórnio, Touro e Virgem. Para a astrologia, as pessoas nascidas sob um signo de fogo são dinâmicas e empreendedoras, enquanto que os nativos dos signos de água apresentam temperamento oscilante e flexível.

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Atitude

Atitude

#AtitudeO americano Gordon Allport definiu a atitude como uma disposição nervosa e mental, fruto da experiência e que exerce uma influência dinâmica e orientadora sobre todos os objetos e situações com os quais guarda alguma relação. Nesse sentido, pode-se considerar a atitude como uma forma de motivação social (portanto, de caráter secundário em relação à motivação biológica, de tipo primário), que impulsiona e orienta a ação para determinados objetivos ou metas. Grande parte da conduta humana, sobretudo a conduta social, seria inexplicável sem o conceito de "atitude", que tem recebido diversas interpretações na psicologia moderna.

Além dos processos motivacionais, é possível encontrar na atitude componentes cognitivos e afetivos. De fato, tem-se conjecturado sobre a interconexão entre as variáveis de caráter emotivo da personalidade, isto é, a relação entre os traços do temperamento e as atitudes.

Por outro lado, cabe definir as atitudes como algo mais distante das "tendências" e mais próximo das "convicções", que guiam a ação mediante o reforço da orientação para um determinado objetivo. Nessa perspectiva, uma atitude é menos específica que um motivo, uma vez que não se refere a uma tendência realmente existente, mas somente à probabilidade de que ela possa ocorrer em  determinadas circunstâncias. Outra diferença entre motivo e atitude residiria no caráter relativamente variável do primeiro frente à maior persistência da segunda, que seria uma disposição geral do indivíduo de enfrentar os fatos de determinada maneira.

Na linguagem geral, o termo tende, porém, a ser particularizado: fala-se, assim, de uma atitude agressiva perante certas situações por parte de uma pessoa, o que não implica que ela possua, habitualmente, uma personalidade agressiva.

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Pensamento

Pensamento

PensamentoPensamento é o conjunto de atividades que se incluem no estudo dos processos cognitivos superiores da formação de conceitos, do raciocínio e da solução de problemas. O pensamento se caracteriza por exigir períodos mais ou menos longos de latência, durante os quais as atividades internas são suspensas ou interrompidas. A latência ocorre quando o indivíduo se defronta com situações novas, mais ou menos complexas, para as quais não encontra esquemas de resposta já montados ou estruturados por aprendizagem prévia.

A psicologia moderna, e sobretudo a escola behaviorista, raramente fala de inteligência, a não ser em relação a sua medida nos testes. Fala de pensamento, entendendo por isso o processo de procura da solução de um problema.


A manifestação máxima do pensamento é o raciocínio, pelo qual se chega a novas verdades a partir de outras anteriormente conhecidas. O raciocínio se desenvolve de duas formas: a indução, que parte dos dados particulares para alcançar uma lei geral; e a dedução, que de verdades gerais destaca afirmações particulares. A natureza das premissas no procedimento dedutivo, assim como os fatores emocionais, influem na aparição de erros lógicos nos raciocínios. A forma mais perfeita do raciocínio é o pensamento criativo, caracterizado por desenvolver-se em várias fases: preparação ou organização dos dados existentes; determinação da dificuldade do problema e elaboração de pensamentos sobre o assunto; aparição espontânea de pensamentos relacionados com o problema; e iluminação ou organização de uma ideia central ou esquema que proporciona a solução do problema.

Formação de conceitos
Cabe distinguir o pensamento de outros processos afins, como a percepção e a imaginação. Frente à percepção, que exige a presença real de objetos, e ao contrário do que ocorre com a imaginação que, apesar de não ter a mesma exigência, também os representa iconograficamente (isto é, sob a forma de imagens), o pensamento pode prescindir dos objetos e, o que é mais importante, representa-os de forma simbólica. Essa representação simbólica se efetua por meio de um processo de abstração. A partir de uma seleção feita sobre os dados sensoriais, o pensamento constrói conceitos representativos do mundo exterior e do que nele acontece.

Raciocínio e processo de solução de problemas
Costuma-se definir a psicologia do pensamento como a teoria de todos os processos de solução de problemas, mas seu campo de estudo compreende as propostas de realização de tarefas de caráter estritamente intelectual. São qualificados como intelectuais alguns dos processos cuja realização foi observada nos animais superiores, especialmente nos primatas. Não obstante, comprovou-se que, conquanto os animais possam utilizar instrumentos e consegui-los por meios naturais, não podem elaborá-los utilizando outros instrumentos. Foi demonstrado que sua manipulação dos conceitos se dá sempre na relação imediata conceito-efeito físico, sem que se dê nenhuma elaboração de segunda ordem na relação conceito-conceito.

A perspectiva behaviorista tenta explicar o processo de solução de problemas usado por todos os organismos superiores, inclusive o homem. Para isso, utiliza uma estratégia de aprendizagem em que um organismo é orientado para um objetivo determinado, que se traduz na execução de atividades inicialmente frustradas e depois progressivamente acertadas em virtude de avanços parciais que se produzem por casualidade. Essa conduta cada vez mais acertada tende a repetir-se, enquanto os atos errôneos "se extinguem", desaparecem. A tática é aplicável não só ao problema concretamente estudado, mas a todos os demais do mesmo tipo.

Os psicólogos da escola gestaltista concederam muita atenção às questões relacionadas com o pensamento em geral, e com o processo de solução de problemas em particular. Para esses teóricos era mais importante compreender do que acumular dados experimentais em torno do processo, como fazem os behavioristas. Isso não os impediu de realizar um grande número de experiências, orientadas especificamente para a comprovação de determinados princípios gerais, como o da reorganização dos diferentes elementos que constituem o problema. Segundo os psicólogos dessa escola, todo problema tem uma "estrutura" que deve ser descoberta, equilibrada ou reorganizada. Esses processos se produzem em virtude de uma iluminação repentina (insight), que permite vislumbrar a solução desejada ou a forma do processo que a ela conduz. As contribuições dessa corrente foram de grande valia para a constituição da perspectiva cognitiva.

Na psicologia cognitiva, que considera os sujeitos humanos como sistemas de processamento de informação, o processo de solução de problemas é estudado no contexto da realização de uma tarefa que constitui o problema, cuja resolução tem lugar num "espaço de busca de soluções" situado dentro do sistema. As estratégias de busca da solução podem ser, nessa perspectiva, de tipo algoritmo (mecânico) ou de tipo heurístico. Em geral, a estratégia será algorítmica se o espaço de busca for pequeno (se o número de soluções possíveis for manejável), enquanto serão adotadas táticas de caráter heurístico (isto é, recursos que permitem limitar de forma aproximada o espaço de busca) se as soluções possíveis são muitas ou infinitas. Em qualquer um dos casos, o hábito prévio adquirido pelo sujeito com respeito à tarefa em questão ou outras parecidas influi sobre a realização. Também têm influência muitos outros fatores, entre eles a forma das instruções que definem o problema e o tempo dado para a busca da solução. Uma das estratégias possíveis para a busca de soluções consiste na aplicação de um raciocínio de tipo lógico, de caráter dedutivo ou indutivo, que pode ajustar-se de forma mais ou menos estrita às regras da lógica, o que pode tomar a forma de raciocínio específico de um contexto determinado (matemático, físico etc.)
Psicologia intercultural do pensamento
Na medida em que o pensamento ocupa posição central na determinação da conduta, submetida a influências culturais, e aparentemente se veja afetado por fatores como a memória e a percepção, que apresentam indícios de variação intercultural, autores de diversas tradições teóricas tentaram descobrir as relações entre cultura e pensamento mediante a realização de estudos interculturais. Os estudos confirmaram que a influência cultural está presente em todos os níveis de pensamento, desde a percepção até a resolução de problemas, mediante mecanismos como o estabelecimento da pertinência do problema proposto ou a familiaridade com o mesmo. Tais fatores podem modificar-se de um contexto cultural para outro, o que significa que nem todas as culturas estão igualmente preparadas para responder de forma flexível e adequada a certos tipos de problema.

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