Alfabetização e Letramento

Alfabetização e Letramento

Alfabetização e LetramentoForma de obter acesso ao conhecimento acumulado pelo homem por meio da escrita, a alfabetização é um dos grandes problemas com que se defrontam os países menos desenvolvidos, em função do crescimento demográfico.

Alfabetização é a maneira de se transmitir o domínio sobre o conjunto de signos que compõem o código linguístico escrito (o alfabeto), a fim de que por meio desse código o indivíduo se comunique, seja pela emissão da mensagem (escrita) ou por sua recepção (leitura). Para ser alfabetizado não basta aprender a desenhar o nome, é preciso saber utilizar-se com desembaraço da leitura e da escrita no cotidiano.

Entre os diversos métodos empregados para a alfabetização, alguns remontam a milênios e outros são recentes e bastante inovadores. Os principais métodos são o sintético, que parte da letra e da sílaba para a palavra (soletração), e o analítico, que parte de frases inteiras e as decompõe nos elementos constitutivos, as palavras. Ambos são largamente utilizados e um não exclui o outro. Em geral, a alfabetização ocorre na infância, depois que a criança já conseguiu dominar determinadas funções, processos mentais e motores. Os jardins de infância e estabelecimentos semelhantes destinam-se a estimular esse desenvolvimento, através de atividades lúdicas, música e dança. Em seguida, esse processo é aperfeiçoado pelo ensino formal, ministrado em escolas e colégios.

Alfabetização de adultos
Por diversas razões, é muito grande o número de pessoas que não tiveram acesso ao ensino escolar na fase da infância. Em quase todo o mundo elas formam um enorme contingente de analfabetos, que se vêem privados da participação plena nas possibilidades culturais oferecidas pela sociedade em que vivem. Esse problema é mais premente nos países menos desenvolvidos, pois não têm condições de estabelecer uma rede de ensino que atenda a suas populações. O problema agrava-se devido ao crescimento demográfico contínuo e acelerado que se verifica nesses países. Os países desenvolvidos, além de terem estabelecido, há muito tempo, uma rede de ensino eficiente, têm índices de crescimento demográfico baixos, estáveis ou até negativos.

A preocupação com o combate do analfabetismo tem levado muitos países a empreenderem campanhas maciças de alfabetização. A princípio, os resultados mostram-se bastante animadores.

No entanto, quando cessa o empenho inicial e os alfabetizadores deixam a região, a população local retorna a um estado de analfabetismo prático. Para se obter resultado duradouro, é fundamental a criação de uma infra-estrutura eficaz, com a rápida formação de pessoal para a tarefa, o estabelecimento de condições para que se mantenha e desenvolva o aprendizado, a adequação de métodos e a motivação econômico-social do grupo-alvo.

Atuação da UNESCO: Nesse esforço, tem sobressaído a atuação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que vem prestando colaboração a muitos países menos desenvolvidos, em várias partes do mundo. A UNESCO patrocinou as campanhas do pedagogo brasileiro Paulo Freire, realizadas no Brasil (1961-1964) e no Chile (1964-1967), com base no método que leva seu nome, compreendendo a criação dos "centros populares de cultura", que promoviam a alfabetização a partir de palavras do universo semântico da população-alvo (no caso de lavradores, por exemplo, seriam termos ligados ao cultivo da terra, de uso diário entre eles) e permaneciam no local, estimulando o desenvolvimento da habilidade adquirida. A campanha empreendida em Cuba, a partir de 1961, reduziu o índice de analfabetismo ao nível dos países mais cultos do mundo, sendo considerada exemplar.

Caso à parte é o das línguas ágrafas, que, embora faladas pela população, não possuem expressão escrita. A UNESCO tem cooperado na elaboração de material didático em algumas línguas nativas, com intuito de pôr fim à situação anômala de alguns países em que os cidadãos que sabem ler e escrever, além de constituírem uma minoria, só conseguem fazê-lo em um idioma alheio, imposto à força pelos anos de dominação colonial ou devido à total inexistência de documentos escritos em sua própria língua.

Alfabetização e Letramento
O homem sempre sentiu necessidade de se comunicar com seus semelhantes e de registrar o que via e percebia do mundo ao seu redor.

Na Pré-História, houve tentativas humanas de transmitir mensagens por meio de desenhos, sinais e imagens, mas isso ainda estava longe da criação da escrita. Somente após a elaboração de um conjunto organizado de signos (símbolos) que surgiu propriamente a escrita, tornando mais fácil a expressão dos pensamentos. Esse processo foi longo e gradual, de tal maneira que a história da escrita se funde à história da própria humanidade.

As civilizações que habitavam a região onde hoje encontramos o Oriente Médio criaram, por volta de 4000 a.C., os primeiros alfabetos, que nada mais eram do que pictogramas (desenhos simplificados) que refletiam seus hábitos e culturas.

Na antiga civilização dos sumérios, surgiu a escrita cuneiforme. Outra grande civilização que fazia uso da escrita pictográfica era a dos egípcios. Vale ressaltar que cada civilização desenvolvia tipos diferentes de ideogramas figurativos, ou seja, embora todos utilizassem desenhos para a formação do alfabeto, cada povo possuía o seu conjunto de símbolos de acordo com a realidade de cada civilização.

A importância do surgimento da escrita para a história das civilizações é tão grande que é considerada como um marco fundamental do desenvolvimento.

Pressupostos Teóricos
A escrita funciona como um elemento organizador da atividade social, como instrumento de registro e documentação. Sua invenção resultou do desenvolvimento dos grupos humanos e, principalmente, da necessidade de fazer registros, de anotar coisas e de ampliar a capacidade de armazenar e de registrar informações importantes.

A apropriação da escrita é um processo complexo e multifacetado, que envolve tanto o domínio do sistema alfabético/ortográfico quanto à compreensão e o uso efetivo e autônomo da língua escrita em práticas sociais diversificadas. A partir da compreensão dessa complexidade é que se tem abordado alfabetização e letramento como processos diferentes e complementares.

Historicamente o conceito de alfabetização se identificou ao ensino aprendizado da “tecnologia da escrita” do sistema alfabético de escrita, o que em linhas gerais significa na leitura, a capacidade de decodificar os sinais gráficos transformando os em sons e na escrita à capacidade de decodificar os sons da fala transformando-os em sinais gráficos. (BRASIL, 2007).

Na década de 80 o conceito de alfabetização foi ampliado com as contribuições dos estudos sobre a psicogênese da aquisição da língua escrita, particularmente com os trabalhos de Emília Ferreiro e Ana Teberosky.

De acordo com estes estudos o aprendizado do sistema de escrita não se reduziria ao domínio de correspondência entre grafemas e fonemas, mas se caracterizaria como um processo ativo por meio do qual a criança, desde os seus primeiros contatos com a escrita, construiria e reconstruiria hipóteses sobre a natureza e o funcionamento da língua escrita, compreendida como um sistema de representação.

Progressivamente o termo passou a designar o processo não apenas de ensinar e aprender as habilidades de codificação e decodificação, mas também o domínio dos conhecimentos que permitem o uso dessas habilidades nas práticas sociais de leitura e escrita.

É diante dessas exigências que surge uma nova adjetivação para o termo alfabetização funcional, criada com a finalidade de incorporar as habilidades de uso da leitura e da escrita em situações sociais e posteriormente, a palavra letramento.

Tendo em vista que a leitura é condição essencial para que se possa compreender o mundo, os outros, as próprias experiências e a necessidade de inserir-se no mundo da escrita, torna-se imperativo que o aluno desenvolva habilidades lingüísticas para que possa ir além da simples decodificação de palavras.

Assim, “letramento é o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e a escrever, bem como o resultado da ação de usar essas habilidades em práticas sociais, é o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter se apropriado da língua escrita e ter-se inserido num mundo organizado diferentemente: a cultura escrita”.

Deste modo, em um ambiente escolar, as contribuições trazidas pelos alunos devem ser partilhadas e acrescidas mediante a contribuição do professor, que aprende, ensina e interage na construção desse conhecimento cada vez mais enriquecido.

Segundo Magda Soares, dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque, no quadro das atuais concepções psicológicas, lingüísticas e psicolingüísticas de leitura e escrita, a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita se dá simultaneamente por esses dois processos: pela aquisição do sistema convencional de escrita – a alfabetização, e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita – o letramento.

Não são processos independentes, mas interdependentes, e indissociáveis: a alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só pode desenvolver-se no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonema-grafema, isto é, em dependência da alfabetização.

A aquisição da leitura e da escrita está relacionada ao desenvolvimento da capacidade simbólica do ser humano. Leitura e escrita não se desenvolvem naturalmente como a fala, pois envolvem funções diferentes do cérebro.

Tornar-se alfabetizado – ter domínio da escrita alfabética – é um direito de todos, mas para que se possa formar um cidadão letrado precisa-se escolarizar as práticas sociais de leitura e escrita a partir de situações reais de comunicação.

Conforme Kleiman (2002), a cristalização do termo letramento, nos meios acadêmicos, deu-se pela necessidade de se desvincular os estudos sobre alfabetização, no sentido restrito, como já discutimos (competência/capacidade individual de uso e prática da escrita), dos estudos sobre letramento (práticas letradas sociais, culturalmente determinadas) justamente pela diversidade, complexidade e amplitude do fenômeno letramento: o conceito de letramento começou a ser usado nos meios acadêmicos numa tentativa de separar os estudos sobre o "impacto social da escrita" dos estudos sobre alfabetização, cujas conotações escolares destacam as competências individuais no uso e na prática da escrita (KLEIMAN, 2002, p. 15).

Para Soares (2001), cabe à escola alfabetizar letrando, ou seja, ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo aprenda, ao mesmo tempo, o domínio do código escrito e os usos sociais da escrita. Dessa forma, o processo de alfabetização coloca como pano de fundo o letramento escolar: inserir, em um contexto específico, no caso a escola, diferentes práticas cotidianas de leitura e de escrita. Segundo esta autora, a escola pode ensinar o educando a buscar informações nos jornais, revistas, livros e fazer uso delas. Pode ensiná-lo a seguir instruções, escrever um bilhete ou uma lista de compras. Pode até auxiliá-lo a descobrir a si mesmo, através do envolvimento com a leitura e com a escrita.

Portanto, sugere-se que para o professor alfabetizar letrando é necessário que, primeiramente, ele obtenha informações sobre as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno, adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados; desenvolva no aluno a prática de reconhecer e utilizar os diferentes gêneros textuais que circulam na nossa sociedade; incentive-o a utilizar a leitura e a escrita de forma criativa, descobridora, crítica, autônoma e ativa, e, principalmente, desenvolva uma metodologia avaliativa sensível, preocupado com a pluralidade de vozes e a variedade de discursos e linguagens diferentes, reconhecendo o conhecimento que o educando já traz na sua bagagem cultural, e respeitando, acima de tudo, esse conhecimento.

Por fim, acredita-se que com a inclusão da prática do letramento contribui-se com a formação do cidadão, promovendo novas formas de relações no indivíduo, desenvolvendo nele capacidades múltiplas de interação com a sociedade ao abrir caminho para o acesso aos conhecimentos do mundo no qual ele vive. Essas são as implicações de alfabetizar letrando.

Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Ensino Fundamental de Nove Anos: orientações para a Inclusão da criança de seis anos de idade/organização do documento: Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento.- Brasília: FNDE, Estação Gráfica, 2006.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996. Publicada no Diário Oficial da União em 20 de dezembro de 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Pró-Letramento. Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Alfabetização e Linguagem. Fascículo I. Brasília. 2007.

CAVÉQUIA. Márcia Paganini. Alfabetização/Márcia Paganini Cavéquia. São Paulo: Scipione, 2004. – (A escola é nossa)

CÓCCO. Maria Fernandes. ALP: Alfabetização, análise, linguagem e pensamento: um trabalho de linguagem numa proposta socioconstrutivista/Maria Fernandes Cócco, Marco Antônio Hailer. São Paulo: FTD, 1995.

JUNG, Brigitte Klemz. Fundamentos do letramento e da alfabetização/Brigitte Klemz Jung, Rosi Valéri Corrêa Araújo. - Blumenau: Edifurb: Gaspar: ASSEVALI Educacional, 2008.

SOARES. Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. 26a Reunião Anual da ANPED – GT Alfabetização, Leitura e Escrita. Poços de Caldas, 7 de outubro de 2003.

STEINLE
. Marlizette Cristina Bonafini et al. Instrumentação do trabalho pedagógico nos anos iniciais do Ensino Fundamental/ Marlizette Cristina Bonafini Steinle; Elaine Teixeira França; Érica Ramos Moimaz; Ana Maria de Souza Valle Teixeira; Sandra Regina dos Reis Rampazzo; Edilaine Vagula. Londrina: Editora UNOPAR, 2008.

ZÓBOLI. Graziella. Práticas de Ensino: Subsídios para a atividade docente. São Paulo. Ática: 1996.
Por: Iara Maria Stein Benítez e Fábio Tsukayama - Atualizado em 01/03/2012
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Concordância Verbal


Concordância Verbal
Regra geral: sujeito composto anteposto = plural (ex: paulo e elias foram) / posposto = singular ou plural (ex: foi/foram paulo e elias)

SINGULAR
·         Sujeito composto por “nem um nem outro”, “um ou outro”, “é muito”, “é pouco”, “é mais de”, “é menos de”, “é tanto” = quantidade, “mais de um” (ex: mais de um faz), “um dos que”, “algum de”, “uma parte de
·         Sujeito composto por  coletivo (ex: uma porção de homens viu o que aconteceu)
·         Sujeito composto, ligado por “com” = companhia / “ou” = exclusão/sinomia (exs: paulo ou eugênio vai, paulo com eugênio vai)
       Obs: verbo antes = mais próximo

3ª PESSOA DO SINGULAR
·         Sujeito composto por “quem” / “qual” (exs: qual de vóis é?, sou eu quem diz)
·         Verbo + índice de indeterminação do sujeito “se” (precisa-se de motoristas)
       Obs: pregam-se botões
·         Verbos impessoais = haver/fazer/estar/ir - tempo/existir/temperatura (exs: faz/há três dias que ele saiu, fazia dez horas, fazia dez graus)
Obs: Locuções verbais = transmissão de impessoalidade (ex: vai haver)
         hão de existirem / hão de fazer = ênfase (ex:vão haver muitas pessoas)
         existir/acontecer = pessoais (ex: existem muito motivos)
         o sofrimento, as desilusões, as traições da vida, nada/tudo faz (“resuminadora”)

MAIS PRÓXIMO OU PLURAL
·         Sujeito composto posposto (ex: foi/foram Paulo e João)
·         Sujeito composto por “não só... mas também”, “não só... como”, “bem como” (exs: não só eu, mas meus filhos, estou/estamos com gripe. luiz, bem como seus irmãos, foi/foram a  missa)
·         Sujeito composto por “tanto... como”, “tanto...quanto” (exs: tanto o marido como a mulher mentiram, tanto você quanto seus amigos estão certos)

ANTECEDENTE DO SUJEITO
·         Sujeito composto por  que” (ex: fui eu que resolvi)

PLURAL
·       Sujeito composto anteposto (ex: paulo e joão foram)
·       Ligados por “como” (ex: o jovem como o idoso são sensíveis)
·       Sujeito composto por “quantos de” (ex: quantos de nós serão aceitos)
·       Pronomes pessoais diferentes: a 1a. prevalece sobre a 2a. e 3a. e a 2a. sobre a 3a (exs: eu, tu e ele somos / tu e ela sois)
·       Sujeito ligado por “com” = cooperação / “ou” = inclusão, antomímia, retificação (ex: a viúva com os filhos saíram)
Obs: já não se fazem mais casas como antigamente

SINGULAR OU PLURAL
·         Sujeito composto por “um e outro” (um e outro ficou/ficaram)
·         Sujeito composto por  “a maioria”, “a maior parte de” / “grande parte de” / “alguns de” / “um grande número de” / “muitos de” + nome no plural (ex: a maior parte dos alunos fiajou/viajaram)
·         Sujeito composto por  um dos que” (ex: sou um dos que foi/foram)
·         Sujeito composto por  cerca de”, “mais de”: concorda com o numeral (exs: mais de um morreu, cerca de vinte escaparam)
·         Sujeito composto por porcentagem ou fração (exs: vinte porcento sobreviveu/sobreviveram, um terço foi)
·         Tudo”, “isso”, “aquilo”, “o que” + verbo ser + nome plural (ex: tudo é/são flores)

Obs: o filho é as alegrias dos pais (ser humano) / o problema são as dívidas (coisa)
         os Estados Unidos são uma potência (com artigo) / Estados Unidos é uma potência
         Os Luzíadas imortalizaram Camões        
         hajam vistos os perigos / haja visto a incidência
         elas mesmas se corrigiram
         raiva, ódio, inveja, tudo é reprovável (palavra “resuminadora”)
         hoje são 14 de abril / hoje é dia 14 de junho / são 10 horas / são 10km até lá
         entre mim e você
         fomos à cantina e voltamos dacantina / acredito nas pessoas e gosto das pessoas
         eles propôs o acordo, mas ela discordou do acordo
         a escola em que estudei / a pessoa a quem obedeço / a mulher de quem nunca esqueço 
         a cidade em que morava / a praia a que iremos / o filme de que mais gostei / a empresa emque trabalho
         deram três horas no relógio / o relógio deu dez horas
         faltam poucas horas para acabar
         é proibido entrada / é proibida aentrada.

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Literatura Árabe

Literatura Árabe

Literatura ÁrabeA extraordinária riqueza e vivacidade da literatura árabe não foram suficientes para garantir sua difusão no mundo ocidental. Os motivos desse desconhecimento secular são tanto estilísticos -- complexidade de tradução da métrica árabe, cultivo de temas alheios às peculiaridades ocidentais -- como religiosos e políticos, derivados do confronto secular entre cristãos e muçulmanos.

Apesar disso, a importância da cultura árabe, núcleo central do Islã, foi progressivamente reconhecida no transcurso do século XX, durante o qual se produziria também um fértil revivescimento literário em que as técnicas ocidentais se combinaram com os temas tradicionais desenvolvidos pelos autores árabes clássicos.

Origens
Antes do aparecimento de Maomé, com exceção de alguns pequenos porém florescentes centros comerciais como Yathrib (mais tarde Medina) e Meca, a península arábica era povoada por nômades beduínos agrupados em tribos. A literatura desses povos, de tipo oral e que só se conhece por compilações posteriores, constitui a base da produção islâmica subseqüente.

Durante o período pré-islâmico desenvolveram-se dois dos gêneros básicos das letras árabes: a prosa rimada, que parece ter sido empregada sobretudo por adivinhos, curandeiros e magos, e a poesia. Esta concentrava-se nos temas caros aos nômades, que se resumiam na estrofe tradicional da gasida, composta por um prólogo descritivo de caráter lírico e amoroso, um canto de elogio ao chefe do grupo tribal e uma terceira parte dedicada à exaltação guerreira e ao escárnio dos inimigos. Esses motivos, juntamente com o louvor às virtudes da caça e à dura vida do deserto, configuravam a lírica primitiva, cujo representante mais celebrado foi Imru al-Qays.

Maomé e o califado omíada
A pregação de Maomé, que faleceu no ano de 632, conseguiu aglutinar as tribos árabes dispersas, conferindo-lhes unidade política e proporcionando-lhes uma fé monoteísta comum: o Islã. O Alcorão ou Corão (al-Quroan), livro sagrado dessa religião, foi composto com os versículos recitados pelo profeta, graças, segundo a tradição muçulmana, a revelações diretas de Alá, ou Deus. Formado por 114 suras, ou capítulos, o Alcorão começava narrando a peregrinação de Maomé pelo deserto e suas convicções religiosas em um estilo de prosa rimada que mais tarde caiu em desuso por considerar-se herético tentar imitar o profeta. As últimas suras abandonavam esse tom inicial para desenvolver uma prosa mais concisa, cujo propósito se destinava principalmente a estabelecer os princípios morais e administrativos que deviam reger a comunidade islâmica.

Em seguida às convulsões internas que sucederam à morte de Maomé, no ano de 661 instaurou-se o califado omíada que, continuador da expansão pelo Oriente e norte da África, estabeleceria sua capital em Damasco. A importância do período omíada na literatura árabe reside não tanto na produção de seus autores como no fato de que, durante esse tempo, fixaram-se as formas e tendências dominantes em séculos posteriores.

No campo da lírica, gênero predominante de expressão artística na cultura árabe, continuaram a prevalecer os motivos tradicionais beduínos por intermédio de autores como Jarir e al-Farazdaq. O auge da vida cortesã, afastada das duras condições da existência no deserto, propiciou o surgimento de uma poesia sensual, centrada na descrição dos prazeres do amor e do vinho. Seus principais expoentes foram Ibn Abi-Rabina e Ibn Yazid.

A literatura popular, inspirada em temas cotidianos e festivos, lendas etc., com emprego de uma métrica menos estrita, começou a se consolidar nesse período. Importante nesse aspecto foi a tradução que Ibn al-Muqafa realizou, por volta de 745, da coleção de fábulas e apólogos Kalila e Dimna, de origem indiana. Esse texto serviu de inspiração a toda uma série de compilações posteriores e exerceu grande influência no Ocidente a partir de suas traduções medievais.

O acontecimento mais destacado da literatura omíada foi a aparição do terceiro gênero clássico, a prosa, que, embora em estado ainda incipiente, foi empregada nos textos referentes ao hadith, ou tradição islâmica, e nos documentos administrativos.

Esplendor e decadência: dos abássidas ao império otomano. 
A instauração, no ano 750, do califado abássida, com sede em Bagdá, significou o autêntico começo da literatura árabe clássica, que alcançou seu auge por volta do século X. Para esse desenvolvimento foi decisivo o trabalho das escolas lingüísticas de Kufa e Bassora, cujos avanços constituiriam a base da lexicografia árabe. O progressivo desmembramento do califado, a crescente influência dos turcos seldjúcidas desde o século XI, as invasões mongóis do século XIII e, por último, a consolidação do império otomano nos séculos XIV e XV foram os motivos primordiais do ofuscamento das letras árabes.

Poesia
A poesia árabe do fim do século VIII e primeira metade do século IX foi dominada pelo confronto entre a escola antiga e a moderna. A primeira delas, que teve como mais conhecido representante Abu al-Atahiya, mantinha uma fiel submissão aos preceitos islâmicos e tratava de temas fundamentalmente religiosos.

A escola moderna, ao contrário, inclinava-se para os motivos báquicos e sensuais, iniciados já no período omíada e que eram os preferidos da corte de Bagdá. A crescente influência dos elementos persas na capital foi um dos fatores que impulsionaram a nova tendência. Entre os que a cultivaram destacaram-se Bachchar ibn Burd, Abbas ibn al-Ahnaf e, sobretudo, Abu Nuwas, que em seus últimos anos voltou-se para uma poesia de grande profundidade filosófica.

A reação islâmica ante o abandono das virtudes tradicionais desembocou em fins do século IX na chamada poesia "neoclássica", cuja influência se prolongou durante o século seguinte. Essa era uma lírica extremamente cuidadosa com a forma, que alternava os temas religiosos com os "modernos", de uma perspectiva pouco comprometida. Nomes destacados foram os do príncipe Abu Firas e do califa Ibn al-Mutaz, que combinou a vertente ligeira e nostálgica com a recuperação dos motivos cinegéticos e guerreiros pré-islâmicos. O poeta mais célebre da época -- e talvez de toda a literatura árabe -- foi porém o sírio al-Mutanabi. Dominando todos os estilos, sua obra caracteriza-se pelo vigoroso poder das metáforas e pelas evocadoras descrições da natureza. Ele foi, além disso, o principal representante da chamada "poesia partidarista", de tom satírico e polêmico, cujo objetivo era favorecer as aspirações de determinados grupos políticos.

A partir do século XI a poesia do Oriente começou a dar mostras de esgotamento. Exceções foram a revitalização da muqama, gênero narrativo em prosa rimada que teve notáveis cultivadores em al-Hamadani e al-Hariri, e a obra de Abu al-Maari. Este autor deu à literatura árabe uma de suas obras mais originais, o poema filosófico Epístola do perdão, em que se descrevia uma viagem pelo céu e pelo inferno com a aparição de escritores já falecidos, o que levou os arabistas do século XX a apontá-lo como um dos precursores da Divina comédia de Dante.

Foram os reinos independentes ocidentais que deram a esse período literário suas obras mais brilhantes, principalmente na Espanha muçulmana. O primeiro grande poeta andaluz foi paradoxalmente um teólogo, Ibn Hazm, cujo tratado sobre o amor O colar da pomba, de corte autobiográfico, introduziu uma série de poemas em que a relação entre homem e mulher era tratada com singular delicadeza expressiva. Al-Mutamid conferiu a sua obra um caráter muito mais sensual, baseado em modelos orientais, enquanto Ibn Zaidun foi o principal cultivador da lírica neoclássica, rica em descrições da vida na Espanha muçulmana e de suas férteis várzeas.

A decadência e a afetação em que desde o século XII caiu a poesia amorosa, com exceções como o andaluz Ibn Sahl, determinou que os criadores mais destacados fossem místicos (sufis) como al-Sustari e principalmente Ibn al-Arabi, teólogo de origem espanhola que desenvolveu sua obra em Damasco. Tughra-i no Oriente e Ibn Guzman na Espanha aproximaram-se de uma incipiente tentativa de crítica social, que não chegou a consolidar-se. O último grande poeta clássico árabe foi provavelmente o egípcio Ibn al-Farid, cuja obra constituiu uma síntese peculiar entre profundidade mística e imagens sensuais, em clara antecipação de autores como são João da Cruz.

Prosa
O trabalho de fixação lingüística levado a cabo pelos letrados omíadas começou a dar frutos já nos primeiros decênios da dinastia abássida, com o surgimento do gênero adab, um tipo de literatura erudita em prosa, de origem persa, que tentava combinar a clareza didática e o entretenimento. Seu grande impulsionador no século IX foi al-Djahiz, natural de Bassora, cujos Livros da eloqüência e da clara exposição e Livro dos animais, conjunto de agudas reflexões sobre a sociedade islâmica, foram os modelos de outros cultivadores do gênero. Entre eles é preciso destacar, no mesmo século, Ibn Qutaiba, um dos grandes educadores do pensamento árabe.

O período de transição entre os séculos IX e X trouxe consigo a cristalização dos esforços realizados para consolidar a língua árabe por parte das escolas de Kufa e Bassora, cujo expoente máximo foi o iraniano Sibawaihi, e o desenvolvimento da historiografia. Esta achava-se ainda estreitamente vinculada a questões religiosas e sua preocupação principal era a reconstrução dos fatos da vida de Maomé e a expansão posterior do Islã. Tal trabalho, que contou com notáveis representantes em al-Baladuri, autor do Livro das conquistas, e Ibn Abd al-Hakam, alcançou a culminância com os monumentais Anais, de al-Tabari. Nos 15 volumes que compunham essa enorme obra, o autor legou à posteridade uma compilação de documentos tradicionais, com citação precisa das fontes e uma objetividade de que careciam seus predecessores.

Seria no terreno das ciências e da filosofia que o gênio árabe sobressairia com maior pujança. A conquista dos antigos territórios bizantinos permitiu que os pensadores islâmicos se familiarizassem com a obra dos filósofos gregos. As numerosas traduções que deles se fizeram constituiriam mais tarde, em boa medida graças ao papel de intermediário desempenhado pela Espanha muçulmana, uma das fontes básicas do redescobrimento de Platão e Aristóteles na escolástica européia.

Os grandes filósofos árabes foram antes de tudo eruditos universais, preocupados com todos os ramos do saber. Assim, al-Kindi, al-Farabi e al-Biruni promoveram o estudo das idéias e concepções gregas e escreveram diversos tratados sobre matemática, geografia, astronomia e ciências naturais. O mestre do pensamento árabe, porém, foi sem dúvida Avicena (Ibn Sina), que nasceu em 980 em Bukhara, atualmente parte do Usbequistão. Cientista excepcional, cujo Cânon de medicina exerceu decisiva influência no desenvolvimento dessa disciplina, Avicena tentou em sua obra filosófica conjugar os ensinamentos da doutrina aristotélica com a ortodoxia islâmica. Embora nunca tenha desejado abandonar esta última, seu esforço para harmonizar razão e fé provocou nos séculos seguintes, como reação, o surgimento do sufismo, ou misticismo islâmico, que alguns estudiosos no entanto associam a certas teses do próprio Avicena. O principal representante desse movimento foi al-Gazali, autor de A incoerência dos filósofos.

Igualmente ao que ocorrera na lírica, o centro da especulação filosófica árabe deslocou-se de forma paulatina em direção aos reinos islâmicos da África e Espanha. Durante os séculos XII e XIII, neles surgiram místicos como os anteriormente citados Ibn al-Arabi e Ibn al-Farid, e os filósofos andaluzes Abentofail (Ibn Tufail) e Averroés (Ibn Ruchd). Este último, considerado o principal pensador árabe depois de Avicena, levou a cabo uma interpretação de Aristóteles que, recolhida por estudiosos europeus, se converteria em foco de polêmica da filosofia medieval e renascentista no Ocidente.

O século XIV, dominado pela decadência da cultura árabe, proporcionou paradoxalmente uma de suas maiores contribuições ao saber universal: o desenvolvimento da ciência histórica. Seus primeiros impulsionadores foram o egípcio Ibn al-Atir e o marroquino Ibn Batuta, cujas Viagens permaneceram como preciosa fonte de informação sobre o mundo muçulmano. O gênero alcançaria a culminância com o magrebe de origem andaluza Ibn Khaldun, autor de uma extraordinária História universal inacabada. Destacam-se nela duas partes: o prólogo em três volumes, em que pela primeira vez se efetuava uma profunda reflexão sobre a filosofia da história, e a História dos berberes, em que, com critério inteiramente novo, abordava-se o estudo de uma sociedade concreta a partir de perspectivas científicas e sociológicas. Pouco compreendido em sua época, Ibn Khaldun passou a ser considerado desde o início do século XX um dos grandes nomes do pensamento medieval. Notável continuador da tradição historiográfica foi o egípcio al-Maqari.

Literatura popular
Junto aos gêneros "cultos" mencionados, a literatura árabe sempre possuiu uma vertente popular de grande riqueza, em forma de relatos escritos em prosa e em prosa rimada, que de certa forma compensaram a inexistência do romance. A culminância e resumo dessas narrativas foram as célebres Mil e uma noites, cujo núcleo original achava-se em uma coleção persa de contos, traduzida por volta do século X. Nos séculos seguintes acrescentaram-se a ela diversas histórias, oriundas de textos indianos e persas ou de caráter nitidamente árabe, como as referentes à corte de Harun al-Rachid em Bagdá. A primeira fixação do texto só ocorreu no século XV, em boa parte devido ao fato de que os estudiosos não consideravam a obra literatura autêntica por seu tom coloquial, distanciado do estilo clássico. O êxito que as diferentes edições da obra alcançaram no Ocidente fez, contudo, com que os autores árabes concedessem às Mil e uma noites um lugar privilegiado em sua literatura, plenamente justificável pela magia e vivo frescor de seus relatos.

Obscuridade e renascimento
A imposição generalizada da língua turca pelo império otomano e a preponderância de outros grupos étnicos foram a causa principal do amplo declínio da literatura árabe, que durante séculos limitou-se a repetir de maneira estereotipada os temas tradicionais.

Alguns eruditos isolados contribuíram, porém, para a manutenção do legado do saber clássico. Assim, no século XVII o otomano Hayi Kalfa escreveu em árabe uma história universal, enquanto o iraquiano al-Bagdadi desenvolvia importante trabalho enciclopédico em seu Celeiro da literatura. Já no século seguinte o iemenita Murtada al-Zabid revitalizou os estudos lingüísticos.

A campanha napoleônica no Egito é tradicionalmente considerada o início da abertura árabe para o Ocidente, que determinaria, fosse pela rejeição ou assimilação das novas idéias, o curso da chamada literatura neo-árabe. O palestino Marun al-Naqas, por exemplo, difundiu o teatro nas letras árabes mediante a reelaboração de obras italianas e francesas, e os poetas sírios Francis Marras e Adib Ishaq adotaram a estética romântica, enquanto pensadores como o egípcio Gamal ad-Din al-Afghani propugnavam um "pan-islamismo" que combinava a reivindicação da fé tradicional com a influência do liberalismo ideológico europeu.

Só em fins do século XIX, no entanto, os escritores árabes começariam a expressar-se com voz própria e poderosa, centrada de início na denúncia do colonialismo e posteriormente nos problemas das novas nações independentes.

No campo da lírica, o grande artífice da recuperação foi o egípcio Ahmed Sawqi, que residiu muito tempo na Europa e faleceu em 1932. Cantor por excelência de seu país natal, Sawqi devolveu à poesia árabe o brilho da época neoclássica, matizado pela influência do romantismo e do simbolismo europeus. Seu trabalho foi continuado pelo "grupo libanês", que desenvolveu a maior parte de sua obra como emigrados e cuja figura central seria Gibran Khalil Gibran. Embora desde 1923 tenha começado a escrever em inglês, Gibran foi sempre um autor admirado no mundo árabe e alcançou grande popularidade no Ocidente, ainda que a aguçada sensibilidade de seus poemas e contos nem sempre fosse bem compreendida.

A breve vida do iraquiano Abd al-Wahab al-Bayati não o impediu de desenvolver uma obra fundamental na poesia árabe contemporânea. Cultivador inicial de uma lírica de tipo social e comprometido, com obras como As armas e os meninos, Bayati posteriormente acrescentou a essa temática uma preocupação filosófica e existencial que alcançaria a culminância no extenso canto O hino da chuva e na coletânea A morte na vida. Os outros dois grandes nomes da renovação poética do século XX foram o sírio Ali Ahmad Said, chamado Adonis, que deu ao verso livre um tratamento hermético próximo ao surrealismo, e o egípcio Abas Mahmud al-Aqad, que em sua prolífica obra poética e ensaística soube combinar as preocupações sociais com a exigência da depuração estética.

A eclosão das guerras entre árabes e israelenses e o crescente nacionalismo marcaram de forma decisiva a obra dos poetas surgidos após 1950, entre os quais se destacaram os palestinos Mahmud Darwis e Samih al-Quasim.

A aparição e o desenvolvimento da novela constituíram o traço mais original da nova literatura. A consolidação do gênero teve lugar no Egito, graças à obra de dois autores que foram também, ao lado de seu compatriota Salama Musa, mestres do pensamento árabe: Tawfiq al-Hakim, que em O despertar de um povo, inspirado nas revoltas anticolonialistas de 1919, pesquisou as fontes profundas do nacionalismo árabe, e Taha Husain, escritor cego cuja autobiografia Os dias uniu as ressonâncias clássicas a uma profunda análise psicológica. O próprio al-Hakim proporcionaria seus melhores momentos ao novo gênero teatral, em que também se destacou seu versátil compatriota Yusuf Idris.

Outro egípcio, Nagib Mahfuz, elevou a narrativa a uma altura excepcional com obras como sua célebre Trilogia, publicada na década de 1950, e A taberna do gato preto, tentativa de fusão do teatro e da novela. A Trilogia, considerada por muitos críticos a maior obra da literatura árabe do século XX, constitui uma ambiciosa tentativa de refletir, sob o prisma da vida cotidiana no Cairo, as transformações da sociedade egípcia desde os começos da primeira guerra mundial, com um estilo realista que não renunciava, no entanto, à inclusão de elementos simbólicos e experimentos lingüísticos. Em 1988 Mahfuz tornou-se o primeiro árabe a receber o Prêmio Nobel de literatura.

A marca da obra de Mahfuz se tornaria perceptível em quase todos os romancistas posteriores, entre os quais cabe destacar o sudanês al-Tayib Salih, autor do excelente Época de emigração para o norte, o libanês Suhayl Idris e o sírio Zakariya Tamir. A grave crise surgida com a questão palestina e as contradições entre o pujante nacionalismo e a necessidade de renovar as estruturas tradicionais seriam as preocupações básicas desses autores como, em suma, de toda a literatura árabe da segunda metade do século XX.

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Batatinha Quando Nasce

Batatinha Quando Nasce

Batatinha Quando Nasce
Batatinha quando nasce,
põe a mão no coração.
Por saber que por amor,
vai sofrer desilusão.

O cravo brigou com a rosa,
debaixo de uma sacada.
A traição descoberta,
no peito é uma facada.

Ciranda cirandinha,
vamos todos cirandar.
Quem não sofreu por amor,
pode a pedra atirar.

Se esta rua fosse minha.
eu mandava ladrilhadar.
Para essa ingrata,ir embora,
e pra sempre,não voltar.


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Por Que Ler um Livro...

Por Que Ler um Livro...

Por Que Ler um Livro...
Ler um livro é desinteressar-se a gente deste mundo comum e objetivo para viver noutro mundo. A janela iluminada noite adentro isola o leitor da realidade da rua, que é o sumidouro da vida subjetiva. Árvores ramalham. De vez em quando passam passos. Lá no alto estrelas teimosas namoram inutilmente a janela iluminada. O homem, prisioneiro do círculo claro da lâmpada, apenas ligado a este mundo pela fatalidade vegetativa do seu corpo, está suspenso no ponto ideal de uma outra dimensão, além do tempo e do espaço. No tapete voador só há lugar para dois passageiros: Leitor e autor.

O leitor ingênuo é simplesmente ator. Quero dizer que, num folhetim ou num romance policial, procura o reflexo dos seus sentimentos imediatos, identificando-se logo com o protagonista ou herói do romance. Isto, aliás, se dá mais ou menos com qualquer leitor, diante de qualquer livro; de modo geral, nós nos lemos através dos livros.

Mas no leitor ingênuo, essa lei dos reflexos toma a forma de um desinteresse pelo livro como obra de arte. Pouco importa a impressão literária, o sabor do estilo, a voz do autor. Quer divertir-se, esquecer as pequenas misérias da vida, vivendo outras vidas desencadeadas pelo bovarismo da leitura. E tem razão. Há dentro dele uma floração de virtualidades recalcadas que, não encontrando desimpedido o caminho estreito da ação, tentam fugir pela estrada larga do sonho.

Assim éramos nós então, por não sabermos ler nas entrelinhas. E daquela primeira fase de educação sentimental, que parecia inevitável como as espinhas, passava quase sempre o jovem monstro para uma crise de hipercrítica. Devido à necessidade de um restabelecimento de equilíbrio, o excesso engendrava o excesso contrário. A pouco e pouco os românticos perdiam terreno em proveito dos naturalistas. Dava-se uma verdadeira subversão de valores na escala da sensibilidade e a fantasia comprazia-se em derrubar os antigos ídolos. Formava-se muitas vezes, coincidindo com manifestações mórbidas que são do domínio da psicanálise, um pedantismo da clarividência, tão nocivo como a intemperança imaginosa ou sentimental, e talvez mais ingênuo, pois refletia um ressentimento de namorado ainda ferido nas suas primeiras ilusões.

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Nuvens de Tempestade Espetaculares

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