A Exilada | Pearl S. Buck

A Exilada | Pearl S. Buck

A Exilada | Pearl S. Buck"E acrescentava, com muita simplicidade:

– Sherman dizia que a guerra era como o inferno. E ele agora deve saber se é assim ou não, porque já deve estar no inferno há uns bons anos.
Ou então dizia:

– Ninguém na minha família era partidário da escravatura. Éramos tão inimigos da escravidão quanto Lincoln. Éramos americanos, e não podíamos admitir que houvesseescravos na América, e menos ainda apoiar tal fato. Mas não era aquela a boa maneira de libertar os escravos : deixá-los abandonados, aos bandos. Depois da guerra não nos atrevíamos a andar por longe de casa, e nós não tínhamos muitos negros na nossa zona. Lembro-me que o mano Cornelius teve que entrar na Ku-Klux-Klan, para se garantir de qualquer agressão dos escravos libertos. Outras vezes ela desatava subitamente a rir, e ria até que os olhos se lhe enchessem de lágrimas."

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A Ferrovia do Diabo | Manoel Rodrigues Ferreira

A Ferrovia do Diabo | Manoel Rodrigues Ferreira

A Ferrovia do Diabo | Manoel Rodrigues Ferreira"No século passado, com a proclamação da República, surgiu uma questão de limites entre os Estados do Amazonas e de Mato Grosso. A pendência foi dirimida em 11 de novembro de 1889 pelo Acórdão nº 4 do Supremo Tribunal Federal, que determinou fosse observada como linha de limite entre ambos os Estados, a cachoeira de Santo Antônio do rio Madeira, no paralelo de 8º48' (oito graus e quarenta e oito minutos). Entretanto, o Governo de Mato Grosso nunca se incomodou com Santo Antônio, tanto que era o Estado do Amazonas quem ali mantinha autoridades estaduais, ou seja, um posto alfandegário. 

Mas agora nesse ano de 1908 as coisas estavam assumindo uma nova feição, pois estava sendo construída uma ferrovia que ali sempre começara e ficaria quase inteiramente dentro do Estado de Mato Grosso exceto cerca de sete quilômetros entre Santo Antônio e Porto Velho, que se situava no paralelo de 8º45'36" (oito graus, quarenta e cinco minutos e trinta e seis segundos). Santo Antônio, além de apresentar agora a perspectiva de uma grande cidade, já o era neste ano de 1908, com uma população de pouco mais de trezentos habitantes, devido à construção da ferrovia. Era, pois, necessário e urgente que Mato Grosso tomasse conta do que era seu. Por isso, a Assembléia Legislativa de Mato Grosso aprovou a Lei nº 494, sancionada pelo Presidente desse Estado no dia 3 de junho de 1908, e cujo artigo 1º dizia: 'Fica criada no norte do Estado, uma comarca especial, formada de um só município, com a denominação de Santo Antônio do rio Madeira e tendo os seguintes limites: partindo da cachoeira de Santo Antônio no rio Madeira, no paralelo de 8º48', o rio Madeira acima até a foz do rio Guaporé (...) até encontrar a cachoeira de Santo Antônio no rio Madeira a linha que extrema os territórios dos Estados de Mato Grosso e do Amazonas".

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Ciclo do Gado | História do Brasil

Ciclo do Gado

Ciclo do Gado

Entende-se por ciclo do gado, na história do Brasil, o período situado entre meados do século XVI e o final do século XVIII, durante o qual as instituições sociais, políticas e econômicas foram influenciadas pela expansão da pecuária no país, principalmente no Nordeste.

A disseminação dos rebanhos bovinos pelo interior do Brasil, mediante um comércio ativo de reses, carne charqueada e couro, assegurou o desenvolvimento de áreas inóspitas e a expansão geográfica colonial, servindo de fator de unidade em quase todo o país.

Já Pero Vaz de Caminha se referia, na carta que enviou a D. Manuel, à inexistência de animais domésticos na nova terra. O boi instalou-se inicialmente à beira-mar, nos três principais núcleos povoadores da colônia, de onde se irradiou: São Vicente, para onde chegaram os primeiros animais ingressados no Brasil, mandados trazer de Portugal em 1534 por D. Ana Pimentel, esposa de Martim Afonso de Sousa; Pernambuco, onde se fixaram as reses trazidas por Duarte Coelho em 1535; e Bahia, onde se localizaram as reses vindas das ilhas do Cabo Verde, na caravela Galga, trazidas por ordem de Tomé de Sousa, em 1549. No ano de 1576, o historiador Pero de Magalhães Gândavo afiançava existir gado abundante em todas as capitanias do Brasil.

Importância econômica do boi. A criação do gado era orientada no sentido de juntar animais para os engenhos de açúcar, e o rápido desenvolvimento dos núcleos pastoris primitivos foi possibilitado pela proibição inicial de abater reses, para não desfalcar os rebanhos. Como não contribuísse para o erário real como o açúcar e o ouro, por nunca ter-se elevado à importância econômica desses produtos, mesmo em seu fastígio, o pastoreio não desfrutava de regalias e sua sobrevivência deveu-se, no litoral, ao açúcar e, no interior, à dificuldade de organização da agricultura nas terras de mineração.

O açúcar originou o primeiro surto da criação de gado bovino, utilizado como elemento motor nos trapiches e engenhos, e para puxar carros de lenha e açúcar. Entretanto, as próprias Ordenações Reais determinavam que a pecuária só deveria ser feita sem prejuízo da lavoura de cana-de-açúcar. Mas foi o boi que criou condições estáveis para a vida e a prosperidade coloniais, com atuação ponderável na dinâmica dos fatores que contribuíram decisivamente para a concretização de certos fatos da nacionalidade. Ressalte-se a relevância do gado na fixação das primeiras levas de colonizadores; no desenvolvimento da agroindústria do açúcar; no devassamento e na ocupação de áreas desérticas; no êxito da exploração aurífera e consequente povoamento da região Centro-Oeste; na abertura de vias de trânsito, interligando núcleos povoadores e consolidando a estrutura econômica, política e social do país; na produção e nos transportes, pois o carro de bois foi o meio de transporte por excelência do interior brasileiro nos quatro primeiros séculos; na alimentação da população; enfim, no enriquecimento do folclore.

Ciclo do couro. O movimento pastoril deu origem a um fenômeno de acentuada importância na história pátria: a formação de latifúndios. Para efetivar a posse e o domínio das sesmarias e para prevenir a caducidade das doações, os senhores de sesmarias valiam-se do expediente de encaminhar para elas prepostos com boiadas. A própria forma de pagamento do trabalho de capatazes e vaqueiros, o sistema de quartas (de cada quatro reses, uma para o preposto), dava origem a novas fazendas de gado. A difusão do pastoreio tornou-se tão grande em dada época que se falou no "período do couro", ocasionado pela possibilidade de retirar da indústria pastoril, depois das necessidades vitais, os objetos de conforto. Do amplo emprego industrial do couro decorreu sua exportação para a metrópole em todo o período colonial.

Pecuária e povoamento. O povoamento do sertão brasileiro tomou forte impulso no século XVII, devido às vias de trânsito abertas pelo gado. Não existia no Brasil nada que se assemelhasse às excelentes estradas que os colonizadores espanhóis receberam como legado dos incas, por exemplo. Tampouco à coroa interessava o estabelecimento de uma rede viária de importância, que desse ensejo a correntes apreciáveis de comércio interno, libertando os grupos ilhados na orla marítima da total dependência das importações da metrópole. Nesse sentido, foram de importância capital para o desenvolvimento e povoamento da colônia as estradas boiadeiras, os caminhos de gado, que tiveram influência marcante na delimitação das capitanias hereditárias, sobretudo nos limites de profundidade. Essas correntes povoadoras criaram novas vilas: Itabaiana (1665), Jaguaribe, Cachoeira e São Francisco do Conde (1693) e Santo Amaro das Brotas (1697), numa interiorização progressiva que continuou no século XVIII. Eram caminhos terrestres, que só de passagem cruzavam rios e, ao contrário do que ocorria no bandeirantismo, todos eles dentro dos limites do Tratado de Tordesilhas.

Partindo daqueles três núcleos primitivos, o gado se expandiu por todo o Brasil, levando nesse movimento pelo menos dois séculos, o XVII e o XVIII. Em 1589, com a conquista de Sergipe por Cristóvão de Barros, criou-se um campo novo e vasto para a expansão do gado baiano. As manadas movimentaram-se rumo às novas terras, até alcançarem a margem direita do São Francisco, onde se espalharam e multiplicaram, a ponto de ter esse rio sido denominado, por muito tempo, "rio dos currais". Mais ou menos na mesma época operou-se movimento idêntico, menos acentuado, em Pernambuco. Em duas colunas, uma pela margem direita do São Francisco, a baiana, e outra pela esquerda, a pernambucana, espalhou-se a gadaria pela Bahia, Sergipe e Pernambuco, primeiro impulso do movimento expansionista que mais tarde atingiria todo o Nordeste.

Expansão e conflito. Os currais instalados junto das fazendas de açúcar, com o fim de atender ao funcionamento dos engenhos, cresceram rapidamente. À medida que se desenvolviam o pastoreio e a lavoura, tornava-se difícil a coexistência de ambos. A prosperidade da agroindústria do açúcar exigia vastas áreas para o espraiamento da cana. As desavenças entre criadores e senhores de engenho se amiudaram a tal ponto que, em 1701, para proteger as plantações, a coroa determinou o afastamento do gado num mínimo de dez léguas (sessenta quilômetros) da costa, onde se encontravam os canaviais, engenhos e mandiocais. Teve início assim o desbravamento das incultas regiões sertanejas. A Casa da Torre, na Bahia, erguida por Garcia d'Ávila, almoxarife de Tomé de Sousa, foi a mais poderosa força na expansão do gado, sobretudo na direção do Nordeste. Salientaram-se, nos anais de seus domínios territoriais, Francisco Dias d'Ávila e Antônio Pereira. Os Guedes de Brito foram outros criadores que ocuparam grande parte dos sertões baianos. Fator que não pode ser esquecido foram as jazidas de sal, os "barreiros do sertão", descobertas no vale do São Francisco, no Ceará e em Alagoas, que propiciaram a expansão da pecuária no Nordeste.

No decorrer do século XVIII iniciou-se a penetração efetiva do gado no Nordeste. O gado baiano do São Francisco tomou duas direções: uma para o centro da colônia, na direção das minas, e outra para o norte. Essa última corrente, chamada dos "sertões dentro", varou a Bahia, margeou o Atlântico, pelo sertão de Jacobina e, desviando-se do Espinhaço, atingiu o rio São Francisco. Transposto este, alcançou o Gurgueia e o Canindé, afluentes da margem direita do Parnaíba. Acompanhou esse rio e invadiu o Piauí, prosseguiu até o Maranhão, onde confluiu com o gado pernambucano que, subindo o Itapicuru, adentrava pelo sertão. Fundindo-se numa só, as duas correntes seguiram para sudeste e irromperam no Ceará. Não é demais o cômputo de um século para o desenvolvimento dessa irradiação, finda a qual o gado se difundira em todo o sertão nordestino, criando-se assim a primeira zona pecuarista no Brasil -- o Nordeste. Entre os grandes desbravadores do período estão Domingos Jorge Velho, Domingos Afonso Mafrense e Francisco Garcia d'Ávila, que ocuparam com suas boiadas toda a parte ocidental do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, o Piauí e, posteriormente, transpondo o Parnaíba, o Maranhão. Mais tarde, o espólio de Mafrense passou a ser gerido pelos jesuítas.

O gado e o ciclo do ouro. No princípio do século XVIII, com a descoberta do ouro, quando o gado já se assenhoreara de uma área imensa ao longo das ribeiras do São Francisco, a geografia do boi no Brasil ampliou-se de maneira considerável. Partindo inicialmente das margens do São Francisco, e depois de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão, o gado se espalhou pela região das minas, penetrando depois em terras mato-grossenses e goianas. Também do Rio Grande do Sul vinha gado para as minas, pelo caminho de Sorocaba.

Essa ocupação, atraída pelo lucro fácil das minas, destinou-se a princípio ao consumo dos povoados rapidamente surgidos, que sofriam terríveis crises de abastecimento. Em pouco tempo, o Centro-Oeste, inclusive Minas Gerais, se transformaria, devido ao ouro, na zona pastoril mais importante do país, substituindo, após o esgotamento das minas, o ouro e os diamantes como riqueza econômica.

Com a corrida do ouro, verificou-se grande aumento do preço do boi, que quintuplicou nos campos de mineração, e do escravo, cujo êxodo muito prejudicou a indústria canavieira. Houve um processo de esvaziamento dos núcleos iniciais de povoamento que adensou a população das zonas de mineração e, despovoando as plantações litorâneas, impôs sério abalo à economia açucareira. A esse deslocamento humano somou-se o enorme afluxo de portugueses para os centros mineradores, acometidos da febre do ouro. Fechados que estavam, pela coroa, os caminhos das zonas auríferas para outras regiões, numa tentativa de sustar o desvio do ouro, e proibida naquelas zonas qualquer outra atividade que não o garimpo, o recurso extremo da criação de gado à solta e a importação continuada de reses se apresentou como solução para a alimentação dos mineiros.

Em Goiás, os mananciais auríferos não produziram copiosamente senão durante um quarto de século, e em seguida o gado se transformou na maior riqueza daquele estado. Em Mato Grosso, foi no Pantanal que o boi se fixou, instalando-se nas planícies fertilizadas pelas cheias dos afluentes do Paraguai.

Pecuária no Sul.

Pecuária no Sul. Os campos férteis da região Sul apresentam as condições mais favoráveis à criação, atividade que propiciou sua ocupação. No Rio Grande do Sul avulta a importância do trabalho desempenhado pelos padres da Companhia de Jesus na disseminação do gado vacum. Mesmo enquanto não se achava definida a posse das terras que se estendiam desde Laguna até o rio da Prata, e já iniciadas as incursões dos bandeirantes paulistas por essa vasta área, todo o Sul se transformou num imenso curral de gado, principal móvel da disputa entre Portugal e Espanha pela posse da região.

Durante todo o transcurso do século XVII, os espanhóis se estabeleceram na margem esquerda do Prata. Entre eles havia jesuítas que trouxeram muitas cabeças de gado, no início daquele século. Um fato importante para a proliferação do gado no extremo-sul foi a criação de vacarias. Também os bandeirantes paulistas têm a seu crédito a difusão do gado de São Paulo no Rio Grande do Sul. Com a fundação da colônia de Sacramento, em 1680, intensificaram-se as lutas pela posse das terras e do gado.

Os primeiros estabelecimentos de criação fundados pelos portugueses no sul do Brasil datam de meados do século XVIII e decorreram das incursões dos bandeirantes contra as reduções jesuítas. Mais tarde, como os padres e os índios abandonassem a região e como os bandeirantes desviassem suas atenções para Mato Grosso, o gado, abandonado a seu próprio destino, multiplicou-se assombrosamente.

O boi na alimentação. Como fonte de alimentação, o gado vacum teve na indústria das carnes secas seu principal consumidor durante a fase áurea do ciclo do gado, sobretudo no Nordeste e no Rio Grande do Sul. A indústria saladeiril surgiu no Ceará, no século XVIII, e foi durante muitas décadas esteio da economia nordestina, graças à intensa atividade pastoril do interior, às salinas naturais no litoral e às condições climáticas locais. Era essa espécie de carne o alimento principal dos milhares de escravos. Foi o capitão-mor José Pinto Martins, proprietário de uma "oficina" de carnes no Ceará quem, transferindo-se em 1780 para o extremo sul do país, deu impulso definitivo à indústria de carnes secas, os charques, no Rio Grande do Sul.

Sahel | Zona Ecoclimática da África

Sahel | Zona Ecoclimática da África

Sahel | Zona Ecoclimática da África

O Sahel é a zona ecoclimática e biogeográfica de transição entre o deserto do Saara ao norte e a savana sudanesa ao sul. Estende-se pelo norte do continente africano, entre o Oceano Atlântico e o Mar Vermelho. O termo árabe sāḥil (ساحل) significa literalmente "borda, costa", que descreve a aparência da vegetação do Sahel como um litoral que delimita o mar de areia do Saara.

O Sahel abrange o território (indo de oeste para leste) do norte do Senegal, sul da Mauritânia, Mali, norte de Burkina Faso, a ponta mais meridional da Argélia, Níger, norte da Nigéria, orla central do Chade e Sudão, Eritreia e parte norte da Etiópia. É delimitada no norte pelo Saara e no sul pela savana menos árida.

Geografia
O Sahel cobre uma distância de 5.400 km do Oceano Atlântico, a oeste, até o Mar Vermelho, a leste, através de um cinturão que varia entre várias centenas e mil quilômetros de largura, cobrindo uma área de 3.053.200 km². É uma ecorregião de transição de pastagens semi-áridas, savanas, estepes e áreas de matagal espinhosa que fica entre a savana sudanesa arborizada ao sul e o deserto do Saara ao norte.

A topografia do Sahel é principalmente plana, e a região está principalmente entre 200 e 400 metros de altitude. Existem muitos planaltos isolados e áreas montanhosas, embora geralmente sejam designados como ecorregiões separadas, pois sua flora e fauna são diferentes das planícies circundantes. A precipitação anual varia de 200 mm no norte do Sahel a cerca de 600 mm no sul.

Através da história da África, a região já recebeu alguns dos reinos mais avançados, que se beneficiaram do comércio que atravessava o deserto. Coletivamente, esses estados eram conhecidos como reinos sahelianos.

Sahel | Zona Ecoclimática da África
Sahel | Zona Ecoclimática da África
Sahel | Zona Ecoclimática da África

Flora do Sahel
O Sahel é coberto principalmente por pradarias e savanas, com áreas de floresta e mato. Grama e grama são distribuídos uniformemente por toda a área, dominada por espécies de grama anuais como Cenchrus biflorus, Schoenefeldia gracilis e Aristida stipoides. Quanto às árvores, as espécies dominantes são diferentes tipos de acácia, sendo a Acacia tortilis a mais comum, juntamente com a Senegal Acacia e a Acacia laeta. Outras espécies de árvores incluem Commiphora africana, Balanites aegyptiaca, Faidherbia albida e Boscia senegalensis. Na parte norte do Sahel, diferentes tipos de vegetação desértica, como Panicum turgidum e Aristida sieberana, alternam com pastagens e savanas. Durante a longa estação seca, muitas árvores perdem as folhas e os pastos morrem.

Fauna do Sahel
No passado, o Sahel abrigava uma multidão de populações de mamíferos em pastoreio, incluindo o Oryx dammah, o Nanger dama (dama das gazelas), Gazella dorcas (Gazelle dorcas) e os Eudorcas rufifrons (gazela vermelha), além dos bubalinos. (Alcelaphus busephalus buselaphus), juntamente com grandes predadores como Lycaon pictus, chita (Acinonyx jubatus) e leão. As maiores espécies viram seus números bastante reduzidos pela caça excessiva e pela luta por comida, e agora várias espécies estão vulneráveis ​​(dorcas gazelle e rufifrons gazelle), ameaçadas (a lady gazelle, a lycaon pictus, a chita, o leão) ou extinto (o oryx dammah está possivelmente extinto na natureza e o bubalo se extinguiu).

As zonas úmidas sazonais do Sahel abrigam aves migratórias que viajam no continente africano e nos corredores aéreos europeus de aves da África.

Clima do Sahel
Seu clima é tórrido e é caracterizado pela escassez de chuvas e duas estações marcadas: uma longa, seca e inverno e outra chuvosa, entre julho e setembro, curta e verão. Destaca sua fauna abundante, embora dispersa pela ação antrópica, com a presença de grandes ungulados, bovídeos e felinos.

O limite norte do Sahel, após a média de 150 mm de precipitação isoyeta, no período de 1931 a 60, que atravessa o continente africano de leste a oeste, está entre 50 e 100 km mais ao norte do que o mesmo isoyeta no período 1968-97. Cidades importantes nesta faixa que ficaram mais secas: Nouakchott, na Mauritânia; Agadez, no Níger; Cartum, no Sudão.2 O mesmo pode ser dito do limite sul do Sahel, que também avançou para o sul, mas com uma distância um pouco menor, em média.

No entanto, desde 1982, as chuvas aumentaram e, em alguns lugares, também a vegetação.

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Contos | Johannes V. Jensen

Contos | Johannes V. Jensen

Contos | Johannes V. Jensen"Isso eu vi com os meus próprios olhos e jamais esquecerei.

O sacerdote chegou tarde e, logo a seguir, passo a passo, os agentes russos, como sempre, a fim de vigiá-lo, para ver se ele não trazia para os "opositores" os socorros da religião. Durante todo o tempo eles ficaram ao relento, diante das janelas trancadas, sem poder encontrar a pista. O padre encomendou os doentes e se foi; os quatro morreram na mesma noite.

Poucos dias depois, dois filhos do ferreiro também morreram.

A mãe deles pagou caro pela caridade, mas suportou o golpe com radiosa coragem. De volta ao enterro, disse à minha mulher:

- Perdi meus filhos, perdi... Mas, com sua morte, eles resgataram quatro almas da perdição eterna."

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A Marcha Para o Oeste | Cláudio e Orlando Villas Boas

A Marcha Para o Oeste | Cláudio e Orlando Villas Boas

A Marcha Para o Oeste | Cláudio e Orlando Villas Boas"Sábado, 4 de setembro. A bruma continua, os trabalhos do campo também. Folga só aos domingos. Quatrocentos metros de pista já estão prontos. O sol, impotente para furar a bruma, contenta-se em ficar lá no alto como uma desenxabida bola amarela. As muriçocas nos descobriram. Até ontem nada vínhamos sentindo. Esta noite, como se estivessem em festa, não deixaram ninguém dormir. Logo cedo uma onça esturrou tão perto que os cachorros levaram um susto. Despertados, acuaram-na a menos de cinqüenta metros. Aflita, ela não teve outra saída senão subir numa árvore inclinada. A acuação renhida dos cachorros impacientava-a, e ela fuzilava com os olhos os importunos perseguidores. 

Quando chegamos, pudemos ainda vê-la arriada nas patas dianteiras, pronta, mas sem coragem para o salto que ameaçava. Era uma belíssima canguçu. Quando nos viu, tirou os olhos dos cachorros e passou a vigiar nossos movimentos. O quadro era estupendo, e por um instante tivemos pena de tirar a vida de tão belo animal. Até ali vinha vivendo feliz e livre como rei invencível das matas. Agora tinha apontado contra si o cano ameaçador de uma carabina 44. Mesmo sentindo-se observada, ela não fez um só gesto brusco nem perdeu a aparente tranqüilidade. Seus movimentos continuavam seguros e calmos. Com a nossa presença os cães se calaram, e ela, com os olhos miúdos, vivos, continuava nos fuzilando enquanto com uma das patas limpava vagarosamente a baba que caía da boca. Com o primeiro tiro a onça vacilou, os cachorros latiram, ela se firmou novamente no tronco onde estava. O tiro, porém, fora mortal. Novamente vacilando, ela deslizou pelo tronco até que, perdendo completamente o equilíbrio, caiu pesadamente ao solo. A manhã tinha sido movimentada, mas o campo reclamava os homens. Deixamos um deles tirando o couro da onça e tocamos para lá."

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A Menina Morta | Cornélio Pena

A Menina Morta | Cornélio Pena

A Menina Morta | Cornélio Pena"Pairava sôbre o Grotão inexplicável magia, uma presença indefinível de incerteza e de fuga. Parecia terem seus moradores pressentido a proximidade do advento de alguma desgraça, e tôda a imensa extensão de terra se transformara em grande mar profundo, de águas traiçoeiras, sôbre as quais a fazenda flutuava vacilante a abandonada, sem rumo certo, arrastada por suas ondas negras. Todos se evitavam o mais possível, e as senhoras permaneciam em seus quartos a maior parte do dia e era com frases de saudações banais que se encontravam, sem gestos de familiaridade e de confiança mútua. Carlota andava pela casa, o olhar vazio, como se estivesse à procura de alguma coisa, mas suas mãos não se desprendiam da cintura, e em nada tocava, ao passar silenciosa pelas salas onde todos se calavam quando a via. 

O nome de Celestina não foi mais pronunciado, e não se soube notícias dela por muito tempo, sem ninguém ter se preocupado com sua viagem e sua volta à vila de Pôrto Novo, onde devia ficar residindo. O médico francês, a quem cabia repartir o serviço do partido com o recém-casado, passara a vir diàriamente pela manhã e assim não foi sentida sua falta, e tudo prosseguia na sua monótona sucessão, na trama tranquila do trabalho dos negros, agora feito cautelosamente, sem seus ecos chegarem até a casa. O Sr. Manuel Procópio assumira a direção da lavoura e da criação, e visto os feitôres o respeitarem e conhecerem de muitos anos, não se fazia sentir a ausência prolongada e inexplicada do verdadeiro dono e senhor daquele extenso domínio. Tudo adormecera pois lentamente, em ambiente de paz ameaçada, de espera angustiada em que viviam, e o pêso dessa existência parecia esmagar o grande telhado irregular, tornado ainda mais sombrio sôbre as janelas sempre fechadas, dando a ideia de se terem cerrado sôbre luto da família, e ninguém se atrevia a gritar ordens, a chamar em altas vozes, ou fazer os animais baterem com as patas nas pedras. 

Essa expectativa chegara ao seu acme quando vieram de volta as tropas portadoras de mercadorias até as pontas dos trilhos da estrada de ferro em construção, e que dessa vez, em razão da suspensão do tráfego por algum tempo, tinham ido até o pôrto de Mauá. Traziam cartas e grande carga, tôda ela guardada na tulha, pois eram objetos de valor e delicados no dizer dos dísticos muito grandes escritos em letra vermelha, colados sôbre os caixotes de pinho. Carlota manteve sôbre si muito tempo a missiva a ela entregue, coberta de obreias pretas, prêsas entre os dedos. Não podia reunir as idéias, e sua cabeça parecia ôca, ressonante como a ampla gruta onde se precipitasse a corrente rápida de algum rio, e qualquer movimento por ela feito provocava dores agudas em sua nuca. Notara surprêsa estar o papel debruado de prêto, e bem sabia ser seu significado a morte de alguém, mas estava agora certa dessa perda nada significar em sua vida, incapaz de ser agitada, pois era ela própria fantasma sem compreensão, sem sentimentos, sem ligação à sua volta. Tinha mêdo entretanto de surgir de repente diante de si qualquer acontecimento que a obrigasse a vibrar, e a forçasse a se despertar a si mesma, a reentrar na vida enfim..."

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A Montanha Mágica | Thomas Mann

A Montanha Mágica | Thomas Mann

A Montanha Mágica | Thomas Mann"Dois dias de viagem apartam um homem – e especialmente um jovem que ainda não criou raízes firmes na vida – do seu mundo cotidiano, de tudo quanto ele costuma chamar seus deveres, interesses, cuidados e projetos; apartam-no muito mais do que esse jovem imaginava enquanto um fiacre o levava à estação. O espaço que, girando e fugindo, se roja de permeio entre ele e seu lugar de origem, revela forças que geralmente se julgam privilégio do tempo; produz de hora em hora novas metamorfoses íntimas, muito parecidas com aquelas que o tempo origina, mas em certo sentido mais intensas ainda. Tal qual o tempo, o espaço gera o olvido; porém o faz desligando o indivíduo das suas relações e pondo-o num estado livre, primitivo; chega até mesmo a transformar, num só golpe, um pedante ou um burguesote numa espécie de vagabundo. Dizem que o tempo é como o rio Letes; mas também o ar de paragens longínquas representa uma poção semelhante, e seu efeito, conquanto menos radical, não deixa de ser mais rápido."

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