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História do Nordeste Brasileiro na Obra de José Lins do Rego

História do Nordeste Brasileiro na Obra de José Lins do Rego

História do Nordeste Brasileiro na Obra de José Lins do Rego
A história do Nordeste Brasileiro na obra de José Lins do Rego pode ser vista tanto sob o ângulo literário quanto sob o ângulo crítico, dada a riqueza da prosa desse escritor.

Para compreender bem a história de um fato ou um período histórico, de uma nação ou de uma civilização, é necessário que nos sirvamos de toda forma de documentação possível. Entre as documentações que estão disponíveis tanto ao historiador quanto ao público não especializado, encontra-se a literatura. No caso específico do Brasil, a literatura, desde o século XIX, sempre foi de fundamental importância para a compreensão da formação nacional em sua integralidade, isto é, no que tinha de melhor e de pior. O paraibano José Lins do Rego (1901-1957) está entre os grandes escritores brasileiros que, em suas obras, legaram ao país um grande painel histórico.

Na década de 1930, quando Getúlio Vargas empreendia um ciclo de grandes transformações no Brasil, muitos escritores da região Nordeste destacaram-se na área do romance. Essa fase da literatura brasileira é conhecida como “O Romance de 1930” ou, mais especificamente, “O Romance Regionalista”. Apesar do termo “regionalista” remeter a uma atmosfera provinciana, esses livros desenvolveram temáticas, tensões e análises psicológicas e sociais que foram muito além de algo que ficasse restrito regionalmente.

José Lins do Rego foi um dos mais inventivos autores do chamado Romance de 1930. De 1932 a 1936, esse escritor produziu e publicou cinco romances aos quais deu a alcunha de “Ciclo da cana-de-açúcar”. São eles, na ordem cronológica: “Menino de Engenho” (1932), “Doidinho” (1933), Banguê (1934), “O Moleque Ricardo” (1935) e, por fim, “Usina” (1936). Muitos historiadores e analistas sociais comparam esse ciclo de obras do escritor paraibano com o ciclo “Introdução à formação da sociedade patriarcal no Brasil”, do antropólogo pernambucano Gilberto Freyre, cujo primeiro volume é “Casa Grande & Senzala” (1933).

A comparação entre a obra (não literária) de Freyre e a obra literária do “Ciclo da cana-de-açúcar”, de Lins do Rego, justifica-se pelo fato de que ambos tiveram a pretensão de descrever a atmosfera da vida privada em torno dos engenhos de açúcar do Nordeste brasileiro. A história do Nordeste, em especial da região de Pernambuco e Paraíba, é atravessada pela economia açucareira e pela família patriarcal que se formou a partir dessa economia. Enquanto Gilberto Freyre construiu um sistema interpretativo do patriarcalismo brasileiro, Lins do Rego construiu um painel imaginativo e narrativo.

Em “Menino de Engenho”, primeira obra publicada por Lins do Rego, conta-se a vida de um menino de inícios do século XX que vai para uma fazenda antiga, da época colonial, em que era efervescente a produção de açúcar. Todas as descobertas da fase da adolescência, esse menino as têm nessa fazenda. Na medida em que evolui a personalidade do garoto, o quadro histórico da região vai sendo pintado pelo autor.

Essa e as demais obras de Lins do Rego são indispensáveis para a compreensão da história do Brasil, sobretudo no que diz respeito à formação do Nordeste.

História das Forças Armadas Brasileira


História das Forças Armadas Brasileira

História das Forças Armadas Brasileira
As Forças Armadas são instituições permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob autoridade do presidente da República. Cabem às três Armas a defesa da soberania nacional, a garantia dos poderes constitucionais e, quando solicitadas, em situações emergenciais, também a manutenção da lei e da ordem. As Forças Armadas não têm poder de polícia, ou seja, não devem ser empregadas em funções de segurança pública ou no combate a movimentos sociais e ao crime organizado, como é o caso do narcotráfico. No entanto, em caso de extrema necessidade, assumem tais atribuições, se autorizadas pelo presidente. Um exemplo disso foi a atuação das Forças Armadas na luta contra o crime organizado no Rio de Janeiro, em 2002, na forma de apoio logístico e de inteligência às forças policiais.Em 1999 é criado o Ministério da Defesa, que passa a incorporar os antigos ministérios militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Parte de sua atenção é dirigida a uma fiscalização mais intensa das fronteiras brasileiras.


Serviço militar obrigatório – O alistamento militar é obrigatório para todo brasileiro do sexo masculino no ano em que completa 18 anos. As punições para o jovem que não se alista vão desde o impedimento para obter passaporte e carteira profissional até a impossibilidade de prestar exame em qualquer estabelecimento de ensino. As mulheres e os sacerdotes são isentos do serviço obrigatório.

Exército

O Exército atua não só na defesa da ordem e da legalidade em todo o território nacional como também é chamado para missões em situações de emergência e interesse social – por exemplo, enchentes e secas. O efetivo do Exército em 2004 é de 192 mil militares. Deste total, 2 mil são mulheres, oficiais ou sargentos.

Formação – Jovens interessados em seguir a profissão a partir do posto de soldado ou cabo podem fazer cursos de qualificação na mesma unidade em que prestam o serviço militar obrigatório. Para quem deseja seguir carreira como praça, o Exército mantém a Escola de Sargentos de Armas. No fim do curso, o recém-formado é promovido a terceiro-sargento, podendo chegar, no máximo, ao posto de capitão. Os que pretendem atingir escalões mais altos precisam estudar na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) ou no Instituto Militar de Engenharia (IME), ambos no estado do Rio de Janeiro.

História da Marinha do Brasil

A Marinha brasileira tem como função primordial orientar e controlar a Marinha mercante (transporte de cargas), garantir a segurança da navegação e contribuir com a formulação, a implementação e a fiscalização de políticas sobre o mar e águas interiores. Seu efetivo é de 48 mil militares.

Formação – O curso de preparação de praças da Marinha dura 11 meses e se realiza nas escolas de aprendiz-marinheiro. Para o posto de fuzileiro naval existem cursos de preparação no Rio de Janeiro, em Brasília, Salvador, Natal e Ladário (MS). A Marinha oferece ainda o curso de graduação da Escola Naval, no Rio de Janeiro. É preciso prestar concurso para a admissão ou ter passado pelo curso preparatório do Colégio Naval, em Angra dos Reis (RJ). Com duração de quatro anos, a escola prepara oficiais do Corpo de Fuzileiros, do Corpo da Armada e do Corpo de Intendente da Marinha.

Marinha do Brasil é a instituição e força armada naval composta pelos oficiais e praças, estabelecimentos, embarcações e correspondente material bélico destinados à defesa do estado brasileiro.

A extensão da costa -- mais de sete mil quilômetros-- e os 55.000km2 de águas internas do Brasil caracterizam uma realidade geográfica que impõe a necessidade de uma poderosa força naval.

HistóriaOs navios deixados por D. João VI ao retornar a Lisboa, após o período de permanência da corte no Brasil, formaram o núcleo em torno do qual começou a desenvolver-se a Marinha do Brasil independente. Entre 1822 e 1823 foi criada a "esquadra da independência", cujo objetivo era reforçar a capacidade de defesa do império. Seu primeiro comandante foi o oficial inglês Lord Thomas John Cochrane, contratado por José Bonifácio no posto de primeiro almirante. O papel da Marinha logo se tornou decisivo para a consolidação da independência. Cochrane combateu vitoriosamente na Bahia, no Nordeste e na Província Cisplatina.

História da Marinha do Brasil

Em 1824, sob o comando do general Francisco de Lima e Silva, a brigada reprimiu a Confederação do Equador, em Recife. Outros nomes importantes nas campanhas de consolidação foram João Francisco Oliveira Botas, John Taylor, John Grenfell, Rodrigo José Ferreira Lobo, Rodrigo Pinto Guedes, Teodoro Alexandre de Beaurepaire e James Norton. No bloqueio do porto da Bahia, escunas e canhoneiras brasileiras, comandadas por João Botas, impediram o abastecimento dos navios portugueses. Na mesma época, John Taylor, à frente da fragata Niterói, perseguiu a esquadra lusa até a foz do Tejo.

Depois de 1824, a Marinha lutou junto ao poder central contra movimentos revolucionários, como a campanha cisplatina (1825-1828), em que se revelaram os talentos de Tamandaré, Barroso e Inhaúma. De 1848 a 1849, foi a vez da repressão à revolução praieira, em Pernambuco. Na guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852), a esquadra brasileira sobressaiu no célebre episódio da passagem de Tonelero, em 17 de dezembro de 1851 e, ainda no Sul, participou de combates na campanha oriental de 1864-65.

Na Guerra do Paraguai, a Marinha empenhou-se em várias ações decisivas, como a tomada de Paysandú, em janeiro de 1865, e a batalha do Riachuelo, em 11 de junho de 1865. Para lembrar essa batalha, comemora-se em 11 de junho o Dia da Marinha. Importantes foram também a travessia do rio Paraná (16-17 de abril de 1866), a passagem de Curupaiti (15 de agosto de 1867) e a de Humaitá (19 de fevereiro de 1868). Além dos grandes líderes Tamandaré, Barroso e Inhaúma, celebrizaram-se no conflito Antônio Carlos de Mariz e Barros, João Guilherme Greenhalgh e Marcílio Dias. Nos últimos anos do império, a Marinha brasileira passou por notável aprimoramento técnico e material. Em 1884 incorporou o encouraçado Riachuelo e em 1885 o Aquidabã, vasos de guerra do mais alto padrão existente na época. A armada brasileira era respeitada, então, como uma das maiores do mundo.

No início do período republicano, a Marinha do Brasil passou a construir e incrementar seus próprios estaleiros e, entre 1906 e 1910, sob os governos de Rodrigues Alves a Nilo Peçanha, foram comprados na Europa encouraçados, cruzadores e torpedeiros. Em 1914 foram adquiridos três submarinos e um tênder. Tinha início a primeira guerra mundial, e a divisão naval em operações de guerra, da Marinha do Brasil, fez o patrulhamento e defesa anti-submarina do Atlântico sul, na área situada entre Dakar, as ilhas de Cabo Verde e o estreito de Gibraltar. Seu comandante era o almirante Pedro Max Fernando de Frontin. Em Dakar, a peste dizimou 464 dos dois mil homens da divisão.

História da Marinha do Brasil
A partir da década de 1930, a construção naval no Brasil se intensificou. Na segunda guerra mundial, coube à Marinha, inicialmente, manter a neutralidade brasileira mediante o patrulhamento as águas territoriais (1939-1942). Após o torpedeamento, em agosto de 1942, de cinco navios mercantes nacionais, e com a declaração de guerra ao Eixo, no dia 22 do mesmo mês, a Marinha do Brasil integrou-se ao esforço de guerra. Participou efetivamente da batalha do Atlântico, quando escoltou a força expedicionária brasileira até a Europa, em cooperação com a quarta esquadra americana. Perdeu três navios e 477 homens no conflito, enquanto a marinha mercante perdia 31 navios e 569 homens.

Ensino e adestramentoPor meio de sua diretoria de ensino, a Marinha do Brasil empenha-se na formação e no preparo técnico-profissional de todo o seu pessoal. A formação de oficiais começa no Colégio Naval, em Angra dos Reis RJ (primeiro e segundo graus) e completa-se na Escola Naval, no Rio de Janeiro RJ (nível superior). Ao fim do curso, os guardas-marinhas estagiam no navio-escola Custódio de Melo, onde recebem instrução complementar e travam conhecimento com outros povos e armadas. Depois disso, vão integrar os corpos da armada, dos fuzileiros navais e de intendentes da Marinha. A formação de especialistas nas diversas áreas cabe ao Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, no Rio de Janeiro.

As escolas de especialização e aperfeiçoamento formam o pessoal de serviço da Marinha. Após o curso, os novos marinheiros estão aptos a ingressar na Escola de Formação de Pessoal para a marinha mercante no Rio de Janeiro e em Belém-PA. O Centro de Fluviários de Pirapora-MG forma mão-de-obra especializada para as bacias fluviais da Amazônia e do São Francisco. A Escola Técnica do Arsenal de Marinha forma técnicos em estruturas navais, mecânica e eletrotécnica, telecomunicações e outras especialidades.

Força Aérea Brasileira

Força Aérea Brasileira

A Força Aérea Brasileira (FAB) é dividida em três grandes unidades operacionais – de transporte, de carga e de patrulhamento –, subdivididas em grupos, esquadrões e esquadrilhas. A FAB tem como missão defender o espaço aéreo nacional e gerenciar a aviação civil, a infra-estrutura aeroportuária e o Correio Aéreo Nacional, além do programa espacial brasileiro. É responsável também pelo gerenciamento do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). O efetivo é de 55 mil militares.

Formação – Para a base da hierarquia da FAB existe o Curso de Especialização de Soldados (Cesd). Com duração de 18 semanas, o programa é ministrado em diversos comandos aéreos regionais. Na formação de praças, o principal curso é o da Escola de Especialistas da Aeronáutica (Eear), em Guarantiguetá (SP), com duração de um ano e meio. Para oficiais, há o curso de graduação da Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP). São quatro anos de estudo. A academia forma oficiais de infantaria, intendentes e aviadores. Neste último caso, porém, antes da AFA é obrigatório cursar os dois anos da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), em Barbacena (MG).

A Força Aérea Brasileira (FAB) é uma das três forças armadas que constituem o poder militar do Brasil e a ela compete, especificamente, realizar as missões típicas de uma força aérea: conquista e manutenção do controle do ar, operações aerotáticas e aeroestratégicas, defesa aérea, proteção das linhas de navegação marítima etc. A FAB coopera ainda com as demais forças armadas na garantia dos poderes constitucionais, da ordem legal e da integridade das fronteiras; assegura a busca e salvamentos aéreos; e executa os serviços do Correio Aéreo Nacional.

Os primórdios da aviação militar no Brasil pertencem   à história da Marinha, depois à do Exército, uma vez que desde 1913 o país contou com uma escola de aviação naval e em 1919 criou-se o Serviço Aéreo do Exército. Só em 1941 foi criada a Força Aérea Brasileira.

O Ministério da Aeronáutica foi criado em 20 de janeiro de 1941, em meio à segunda guerra mundial, e assumiu a responsabilidade por todos os assuntos referentes à aeronáutica militar e civil, cabendo-lhe, basicamente, organizar, adestrar e aparelhar a FAB; cooperar com os demais órgãos do governo para garantir a ordem legal e assegurar a defesa nacional; orientar, desenvolver e coordenar a aviação civil e comercial; e ainda incentivar as indústrias aeronáuticas do país.

HistóricoEm 1913, a Marinha fundou a primeira escola de aviação naval brasileira e dois anos depois ocorreu a primeira ação bélica da aviação no Brasil,  na campanha do Contestado. Em 1916 estabeleceu-se a base aeronaval da ilha das Enxadas, e dois anos depois uma missão militar francesa foi enviada ao Rio de Janeiro com o objetivo de orientar a criação do Serviço Aéreo do Exército, transformado em 1927 na arma da aviação, enquanto se fundava a Escola de Aviação Militar.

No final da década de 1920 e início da década de 1930, a aviação naval e a do Exército passaram por grande desenvolvimento. Em 1931 foi inaugurado o Serviço Postal Aéreo Militar, mais tarde Correio Aéreo Militar e, em 1934, Correio Aéreo Nacional.

Com a criação do Ministério da Aeronáutica, a aviação militar e naval foram reunidas numa força autônoma que, pelo decreto nº 3.302, de 22 de maio de 1941, recebeu o nome de Força Aérea Brasileira. Nesse mesmo ano a FAB instituiu um sistema de patrulhamento anti-submarino ao longo das costas brasileiras e a Escola de Aviação do Campo dos Afonsos foi transformada na Escola de Aeronáutica. Em 18 de novembro de 1943 foi criado o 1º Grupo de Aviação de Caça, que participou da segunda guerra mundial equipado com 48 aparelhos Thunderbolt P-47 americanos, dos quais 16 foram derrubados em combate e quatro perdidos em acidentes, com a morte de cinco pilotos.

Com o fim do conflito, a Comissão Militar Mista Brasil-Estados Unidos propiciou à FAB grande quantidade de material e aviões excedentes da guerra. Em 1953 foram adquiridos no Reino Unido caças Gloster Meteor, os primeiros aviões a jato da FAB, substituídos em 1973 por aparelhos franceses Mirage III, a que se acrescentaram a partir de 1975 os americanos F-5E Tiger II. No começo da década de 1970 foi criada a Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer), que produziu os aparelhos militares Xavante, AMX e Tucano.

OrganizaçãoA unidade básica da FAB é o esquadrão, constituído por duas ou mais esquadrilhas de aviões do mesmo tipo. A FAB conta com esquadrões de instrução, de caça, de patrulha, transporte de tropas, transporte aéreo, busca e salvamento, reconhecimento fotográfico, busca e distribuição de submarinos, e de paraquedistas, entre outros. As unidades aéreas têm por sede a base aérea, que lhes fornece apoio pessoal e material necessário.

A proteção ao vôo no Brasil obedece a um sistema integrado que compreende o controle de tráfego aéreo e a defesa aérea. O Ministério da Aeronáutica é responsável pela instalação, operação e manutenção de extensa rede de equipamentos, que funcionam 24 horas por dia, no auxílio à navegação e ao pouso, tanto da FAB quanto da aviação civil.

Ensino Para a formação e aperfeiçoamento do pessoal, a FAB conta com diversos estabelecimentos de ensino. A Escola Preparatória de Cadetes do Ar, com sede em Barbacena MG, prepara alunos para o oficialato. A Academia da Força Aérea, em Piraçununga SP, forma os oficiais da ativa, aviadores e intendentes, enquanto a Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá SP, forma sargentos especialistas. A Escola de Oficiais Especialistas e de Infantaria de Guarda, em Curitiba PR, destina-se ao aproveitamento em nível superior dos sargentos especialistas. A Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, em São Paulo SP, tem por fim atualizar os conhecimentos técnicos dos oficiais. A Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica prepara, no Rio de Janeiro, oficiais superiores que aspiram ao generalato. O Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos SP, de nível superior, compreende várias entidades de pesquisa e desenvolvimento, entre as quais o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

Força Expedicionária Brasileira

Força Expedicionária Brasileira

Chamou-se de Força Expedicionária Brasileira (FEB) ao contingente militar que tomou parte ativa na campanha da Itália, lutando ao lado dos aliados, no segundo semestre de 1944 e primeiro de 1945.

O envio de tropas brasileiras para lutar na Europa durante a segunda guerra mundial foi decidido depois que vários navios brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães. O Brasil declarou guerra oficialmente aos países do Eixo no dia 22 de agosto de 1942.

A determinação do governo brasileiro era de enviar à Itália três divisões de infantaria (DI), além de elementos de apoio, num total de sessenta mil homens. O contingente, organizado em unidades semelhantes às do Exército americano, estaria subordinado à direção estratégica do alto comando americano. Entretanto, apenas a primeira divisão participou da luta e, com o fim da guerra, as outras duas não chegaram a embarcar. Assim, a colaboração brasileira, no tocante a forças terrestres, totalizou 25.334 homens, sob o comando do então general-de-divisão João Batista Mascarenhas de Morais. Também participou do conflito o lº Grupo de Caça, da Força Aérea Brasileira.

Os maiores problemas enfrentados pelo Exército brasileiro na mobilização do contingente foram a falta de preparação técnica e psicológica e a deficiência de equipamento e instalações. A tropa recrutada e os voluntários vindos de todo o país se concentraram na Vila Militar, num subúrbio do Rio de Janeiro. A instrução da tropa foi dificultada pelo fato de que o Exército brasileiro ainda se pautava pelos ensinamentos da missão militar francesa, que esteve no Brasil em 1921, e teve que se adaptar rapidamente à doutrina militar americana, completamente estranha aos militares brasileiros. Havia poucos instrutores para o número de soldados e o resultado do treinamento ficou bem abaixo do esperado. Se a preparação não houvesse prosseguido na Europa, o que atenuou as deficiências da época do embarque, dificilmente a FEB teria conseguido desincumbir-se  de suas missões.

Chegada na Itália O governo brasileiro recorreu aos Estados Unidos para que facilitassem o transporte do grupamento para a Itália. Em julho de 1944, o navio-transporte General Mann estava no Rio de Janeiro, à disposição da FEB. Os embarques do contingente foram escalonados e começaram no dia 2. Os últimos elementos da FEB só chegariam na Itália em 22 de fevereiro do ano seguinte. Esse escalonamento resultou no emprego fragmentado da divisão, o que criou vários problemas para seu comandante.

Uma vez na Itália, o 1º escalão de embarque rumou de Nápoles para Tarquínia, onde foi incorporado ao V Exército americano. Devido a uma grave redução dos efetivos sob seu comando, o general americano Mark Clark, comandante do V Exército, apressou o treinamento dos pracinhas brasileiros, para que pudessem entrar rapidamente em ação. Em razão de sua inexperiência, o grupo foi destacado de início para um setor relativamente calmo, até que, segundo as palavras de Mark Clark, "tivesse recebido a inoculação do combate".

Na noite de 15 de setembro de 1944, o destacamento da FEB, sob o comando do general Zenóbio da Costa, entrou em linha, na região de Vecchiano, ao norte de Pisa, em substituição a tropas americanas. Ao amanhecer, avançou para o norte e em três dias apoderou-se de Massarosa, Camaiore e Monte Prano, depois de vencer resistência esporádica do inimigo, em retirada para novas posições nos Apeninos, a chamada linha Gótica. Nessa fase, até o dia 26 de setembro, a FEB perdeu cinco homens e teve 17 feridos, mas avançou 18km e fez 31 prisioneiros.

Avanço rumo ao Pó No dia 28 de setembro, o general Zenóbio recebeu ordens do V Exército para que a FEB avançasse na direção de Castelnuovo di Garfagnana, progredindo através do vale do rio Sarchio. A 6 de outubro, as localidades de Fornaci e Coreglia Antelminelli foram ocupadas pelos brasileiros, que capturaram, quase intacta, uma fábrica de munições e acessórios para aviões. Em 30 de outubro o destacamento brasileiro conquistou La Rochette, Lama di Sotto, Lama di Sopra, Prodoscello, Pian de los Rios, Colle e o monte San Quirico, completando assim a primeira etapa da operação de tomada de Castelnuovo, porta de acesso ao vale do Pó. Devido à importância estratégica da localidade, as tropas do Eixo desfecharam um contra-ataque e retomaram posições. Após o incidente, encerrou-se a participação do general Zenóbio nas linhas de frente, pois ele teve de supervisionar a preparação de mais dois regimentos de infantaria brasileiros que haviam chegado à Itália.

Os efetivos da FEB foram deslocados para uma frente mais importante, no vale do rio Reno, já que o objetivo de Mark Clark era "conquistar Bolonha antes do Natal". Os dois escalões brasileiros recém-chegados foram incorporados ao combate sem passar pelo planejado período de sessenta dias de adaptação e treinamento. Apesar do empenho aliado em tomar Bolonha, os alemães resistiram tenazmente em suas posições, do mar Tirreno ao Adriático. Na frente brasileira, fracassaram três ataques ao monte Castelo, em novembro e dezembro, fato que teve grande repercussão no Brasil. Em 21 de fevereiro de 1945, após um período de imobilização causada pelo inverno rigoroso, a 10ª divisão de montanha, unidade de elite americana, apoderou-se do monte Belvedere, enquanto a FEB, em ação combinada, capturava finalmente Monte Castelo, depois de 12 horas de combate.

Os ataques conjugados da FEB e da 10ª divisão de montanha prosseguiram. Os americanos conquistaram seu segundo objetivo, o monte Della Toraccia, graças em parte à conquista de La Serra pelos brasileiros, o que facilitou a posição americana. Em 5 de março de 1945, a FEB ocupou os montes Della Castellana e de Castelnuovo, abrindo definitivamente a estrada de Porreta Terme-Marano ao tráfego aliado. Com o objetivo de completar a ruptura da posição inimiga, a oeste do rio Reno, as forças brasileiras se apoderaram das regiões de Vergaro e Tole, atingindo o vale do rio Pó.

Os brasileiros conseguiram uma importante vitória em Montese, tomada em 21 de abril de 1945. A partir daí, prosseguiu o avanço aliado no vale do Pó, para evitar a evasão de tropas alemãs para o norte, onde poderiam tentar reagrupar-se. No dia 28 de abril, a FEB, que apertara o cerco sobre os alemães que se retiravam, conseguiu fazê-los retrair-se para Fornovo, onde se renderam. Nessa jornada, foram capturados 14.779 soldados da 148ª divisão de infantaria alemã e remanescentes de outras tropas do Eixo.

O dispositivo militar nazi-fascista na Itália estava em franca desagregação. A FEB ocupou a região de Piacenza e Alessandria, enquanto a 1ª divisão blindada americana tomava Novara e seguia até Turim, onde o 75º Corpo de Exército alemão, através de seu comandante, o general Joseph Pemsel, se rendeu aos aliados. Forças avançadas brasileiras fizeram junção em 2 de maio com tropas francesas, em Susa.

Vitória final Na noite de 29 de abril de 1945, emissários do comando alemão apresentaram os termos da rendição, assinada no palácio real de Caserta. Pouco depois, em 2 de maio, foi anunciada a capitulação incondicional das tropas do Eixo no Mediterrâneo, assinada em Florença.

Em 11 de maio de 1945, na catedral de Alessandria, celebrou-se missa solene em homenagem aos componentes da Força Expedicionária Brasileira tombados na Itália. Em 6 de junho, o ministro da Guerra ordenou que as unidades da FEB se subordinassem ao comandante da 1ª Região Militar, o que, em última análise, significava a dissolução do contingente.

As cinzas dos 451 oficiais e praças brasileiros mortos no conflito, entre eles oito pilotos da FAB, foram transladadas do cemitério de Pistóia, na Itália, para o Brasil, em 5 de outubro de 1960, e hoje repousam no monumento aos mortos da segunda guerra mundial, no Rio de Janeiro.

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Guerras, Revoltas e Lutas Idealistas no Brasil


Guerras, Revoltas e Lutas Idealistas no Brasil

Guerras, Revoltas e Lutas Idealistas no BrasilTudo tem uma história. Muitas das coisas que nossos antepassados usavam e faziam já não existem mais; outras modificaram-se, algumas permanecem como eram. A História estuda os fatos do passado e tenta verificar suas causas (por que ocorreram) e suas consequências (os acontecimentos que provocaram).

Ao mesmo tempo, procuramos saber como todos os elementos se alteraram ao longo do tempo e por quê. Ou seja, pesquisamos os acontecimentos importantes que marcaram a vida dos povos, dos países, das cidades, que fatores influíram em tais acontecimentos e o que resultou deles. A História é contada principalmente por meio do estudo dos documentos escritos, que podem ser lidos e entendidos pelo historiador.

Se um povo deixou apenas sinais não escritos sobre sua vida, trona-se difícil para o historiador contar com precisão a História desse povo. Como o historiador não presenciou os fatos do passado, ele precisa basear-se em documentos. mas deve ter muito cuidado, porque esses documentos podem não dizer a verdade. Por isso, ele compara diversos documentos, procurando ver até que ponto eles dizem a mesma coisa. Por exemplo: uma partida de futebol pode ser contada de forma diferente pelos torcedores de um ou outro time. Diante de um caso assim, o historiador se preocuparia com os fatos concretos (quem foram os participantes dos jogo, quem foi o juiz, quem marcou os gols etc...). Não confiaria só na opinião de uma pessoa, que poderia estar querendo apenas mostrar as vantagens de seu time.

Muitos livros de História do Brasil, por exemplo, começam sua narrativa no ano de 1500, quando os portugueses tomaram posse do território brasileiro. Há livros que mal se referem ao índios, que eram milhões na época do Descobrimento. A maioria dos livros de História também deixa de explicar a tragédia do extermínio dos índios, que hoje não passam de 250.000 indivíduos ou mais, ainda ameaçados pela invasão de terras onde vivem. Nesse trabalho, preocupei-me em narrar os fatos que foram mais importantes para o povo, que é o principal herói de nossa História. Essa História, assim contada, inclui os índios e a população pobre, e não se resume a mostrar uma lista de datas, fatos e nome de heróis.

Invasão Holandesa - A Luta dos EstrangeirosInvasão Holandesa, A Luta dos Estrangeiros - Com a expulsão dos holandeses da Bahia, a Companhia das Índias Ocidentais, teve grandes prejuízos econômicos. Uma poderosa esquadra foi aparelhada para atacar Pernambuco, em consequência da produção açucareira. O governador Matias de Albuquerque não dispunha de forças suficientes para resistir: fugiu, então, para o interior, onde fundou o Arraial do Bom Jesus. Para combater os holandeses, adotou a tática da guerrilha, que estava dando bons resultados até que Calabar decidiu auxiliar os holandeses. Maurício de Nassau realizou uma habilidosa administração, fazendo diminuir a revolta dos luso-brasileiros contra a ocupação holandesa.

Na Batalhas de Guararapes, os holandeses foram obrigados a render-se. Um fato pouco discutido na história do Brasil é a forte presença dos judeus em Pernambuco. A sociedade pernambucana era dividida em escravos e senhores. Os judeus eram comerciantes e artesãos. Os judeus preferiam os holandeses, porque prometiam espaço econômico e político, mas acabavam vítimas da repressão holandesa, sendo seus cultos proibidos e as sinagogas fechadas. Seu líder era o rabino Isaac Aboab da Fonseca. Expulso, partiu em 12 de setembro de 1624, acompanhado de vários membros da antiga comunidade. Foram para o norte da América e fundaram a cidade de Nova Iorque.

O estudo histórico afirma que a luta contra os holandeses criou um sentimento favorável aos nativos como índios, negros e brancos que defenderam a pátria, em comum amor por sua terra. Como consequência aclamaram Amador Bueno, em São Paulo no ano de 1641, como se refugiando no mosteiro São Bento para não morrer. A rebelião conhecida como Nosso Pai, em 1666, em Pernambuco era para libertar Pernambuco de Portugal. O capitão-general Jerônimo Furtado de Mendonça foi derrotado, preso e mandado para a Europa e ficou encarcerado numa fortaleza na Ásia. Essa invasão, a holandesa envolveu muitas pessoas e muitas foram mortas. Criou heróis como Filipe Camarão e Henrique Dias.

Beckman, A Luta da Nobreza - Foi liderada pelo senhor de engenho Manuel Beckman e seu irmão Tomás, tendo como palco o Estado do Maranhão, em São Luís em 25 de fevereiro de 1684. O motivo foi a falta de mão-de-obra, porque poucos negros chegavam ao Maranhão e os índios não podiam ser escravizados. Isso criou vários choques entre colonos e religiosos deste 1624, antes da rebelião de Beckman. Chega no Maranhão, em 1653, padre Vieira. Em 1655, atribui aos jesuítas os cuidados dos negócios indígenas. Em 1661, há um sério conflito, e os jesuítas são expulsos. Em 1667, sobe ao trono o rei D. Pedro II e os jesuítas voltam a ter influência, e padre Vieira obtém do rei um decreto dando liberdade aos índios.

Sem índios escravos, falta mão-de-obra, então a Companhia de Comércio oferecia-se mandar alimentos importados e a comprar a produção maranhense. Mas isso não aconteceu pois, não chegavam os produtos e os negros eram poucos e o valor era alto. Um novo governador foi enviado, Gomes Freire de Andrade, que chegou para aplicar duras penas aos líderes rebeldes. Manuel Beckman e mais dois chefes do movimento foram enforcados.

Emboabas, A Luta pelo Ouro - Os paulistas abriram os sertões para descobrir ouro e os portugueses injustiçados com a ambição dos paulistas, provocou conflitos e isso gerou a Guerra dos Emboabas. Os portugueses eram conhecidos como emboabas. A guerra começa com o cerco de Sabará pelos emboabas, incendiando aldeias e matando pessoas. Os paulistas procuram desforra. Ocorreu uma sangrenta matança de diversos paulistas, no chamado Capão da Traição, não importa quem o consiga, ou paulistas ou emboabas. O final da Guerra dos Emboabas foi desfavorável aos paulistas. Quando voltam derrotados são chamados de covardes e retornam à luta para vencerem. A guerra durou dois anos (1708 a 1710) e o que os paulistas queriam era apenas o ouro.

Mascates - A Luta dos Comerciantes - 1º Os senhores de engenho foram incapazes de imaginar sua fortuna entrando em declínio, em função da queda dos preços do açúcar no mercado europeu. Sofrendo a crise dos preços do açúcar , os senhores de engenho começaram a recorrer aos mascates. Enquanto os mascates prosperavam nos seus negócios, os senhores de engenho tornavam-se, dia-a-dia, mais endividados.

2º Conscientes de sua importância como classe social, os comerciantes do Recife solicitaram ao rei de Portugal, que seu povoado fosse elevado a categoria de vila. Queriam ver Recife dona de sua própria Câmara Municipal, independente de Olinda, para a qual devia impostos e obediência administrativa. Para garantir suas posses os senhores brasileiros fizeram a guerra. Ao final do conflito, os mascates saíram vitoriosos.

Balaiada, A Luta dos Que não Sabem - Foi uma revolta popular ocorrida na Província do Maranhão entre 1838 a 1841. Envolveu grande número de sertanejos. Teve início com uma luta que envolveu pessoas de dois grupos políticos opostos: os bem-te-vis, que defendiam posições liberais, e os cabanos, que defendiam posições conservadoras. Raimundo Gomes Vieira, conhecido como Cara Preta, aproveitou um incidente ocorrido em 13 de dezembro de 1838, na Vila da Manga, para provocar a luta e resolveu assaltar a cadeia, para libertar os presos. A luta entre bem-te-vis e cabarros alastrou-se pelo sertão de todo a Província, e o líder oposicionista Raimundo Teixeira Mendes é assassinado.

Manuel dos Anjos Ferreira, fabricante de balaio, e por isso apelidado de Balaio, foi à luta porque queria vingança. É bem característico dos balaios, pois todos queriam vingar-se de alguma coisa. Em julho de 1839, os balaios conseguiram conquistar a cidade de Caxias, no interior maranhense. Para conter a revolta dos balaios, o Governo Regencial enviou tropas. A esta altura, os próprios políticos bem-te-vis, perdendo o controle sobre os sertanejos, resolveram apoias as tropas governamentais. Tais tropas eram comandadas, em 04 de fevereiro de 1840, pelo Coronel Luís Alves de Lima e Silva, o futuro duque de Caxias que, sem muita dificuldade, conseguiu controlar a região.

Os principais chefes da Balaiada foram:
Manuel dos Anjos Ferreira: fazedor de balaios
Cosme Bento das Chagas: líder dos escravos fugitivos
Raimundo Gomes: vaqueiro

Raimundo Gomes continuou lutando, sendo preso e morreu no navio que o levava a São Paulo. Cosme, foi capturado vivo, foi morto por enforcamento. Em 13 de maio de 1841, Caxias dava por finda a repressão.

Inconfidência Mineira - A Luta dos Poetas e RicosInconfidência Mineira, A Luta dos Poetas e Ricos - Dona Maria I, rainha de Portugal, por um alvará de 1785 proibiu quaisquer manufaturadas do Brasil. Dentro os fatores que tornaram precária a situação econômica de Portugal, no séc. XVIII, conta-se o célebre Tratado de Mthuen. (1703). Esse tratado em questão, aparentemente favorável a ambas as partes, estipulava o seguinte:
  • ficariam os portos de Portugal abertos aos tecidos de origem inglesa
  • os vinhos portugueses passariam a pagar, na Inglaterra, apenas 2/3 dos direitos de importação que pesavam sobre os demais.
O famoso Marquês de Pombal, dirigiu a partir de 1750 os destinos de Portugal. O ouro, que há muito tempo vinha sendo explorado, estava diminuindo e o trabalho dos mineiros foi-se tornando cada vez menos rendoso. Em Minas Gerais, contudo, deviam os mineradores responsabilizar-se por um mínimo de cem arrobas, quando havia atraso no pagamento as autoridades procediam à Derrama, ou seja, a cobrança de todos os impostos atrasados. Devido a isso, começou-se a Inconfidência Mineira. Foi na verdade uma rebelião de gente rica. Os grandes inconfidentes eram homens de famílias abastadas que lutavam para implantar a democracia e a livre-concorrência econômica.

Participavam desse grupo:
  • ¦ Cláudio Manoel da Costa: minerador, poeta e escritor
  • ¦ Alvarenga Peixoto: minerador latifundiário
  • ¦ Tomás Antonio: poeta
  • ¦ Joaquim José da Silva Xavier: alferes
O projeto dos inconfidentes incluía medidas como:
  • ¦ Constituir uma República
  • ¦ Instalar uma Universidade
  • ¦ desenvolver manufaturas no País
  • ¦ estimular a agricultura, doando terras as famílias pobres
Belos planos, mas que foram por água abaixo, porque entre eles havia um traidor chamado Joaquim Silvério dos Reis. Ele contou tudo ao governador, este, para que a revolta não estourasse, mandou suspender a cobrança dos impostos atrasados, a derrama, porque sem a derrama os inconfidentes perdem o maior motivo para sensibilizar o povo e estimular o apoio à revolta. O resultado foi a prisão de Tiradentes em 10 de maio de 1789, no Rio. Os outros foram presos em Minas, dias após. Depois de muitos interrogatórios, saiu a sentença: Tiradentes foi condenado a morte e os outros foram expulsos do Brasil e mandados para a África. Tiradentes foi enforcado, seu corpo dividido em partes colocados em postes e sua cabeça apodreceu em Vila Rica.

Apesar de todas as atrocidades, a chama da liberdade que Tiradentes acendeu não se apagou. Haveria ainda outras lutas, até que o sonho de independência dos inconfidentes de tornasse realidade.

A República de 1817 - A Luta de “Quase” Todos - No século XIX, apesar de todas as lutas, o Brasil ainda era colônia de Portugal. As ideias de independência e revolução se espalhavam, então, o governador de Pernambuco, sabendo dos planos através de uma denúncia, mandou prender os líderes do movimento. O general Barbosa de Castro, que estava encarregado de prendê-los, foi morto no próprio quartel. Ao saber, desta notícia, o Governador mandou Alexandre Tomás submeter os rebeldes, este, porém, também foi recebido a tiros, morrendo em seguida.

Em 8 de março de 1817 estava constituído um governo republicano em Recife. Em 19 de março a Paraíba instala a sua República. Nos dias 02 e 15 de maio ocorreram combates de Utinga e Pindoba. O governo republicano renuncia e a 20 de maio de 1817 os portugueses esmagam a República.

Em seguida, foi constituído um Governo Provisório que tinha como propostas básicas:
  • - proclamar a República;
  • - abolir alguns impostos;
  • - elaborar uma Constituição.
Essa Constituição, estabelecia a liberdade religiosa e de imprensa, bem como a igualdade de todos perante a lei. Não querendo ferir os interesses dos senhores de engenho, os revolucionários pernambucanos adotaram, quanto à escravidão negra, uma posição que contrariava a ideologia liberal de Revolução. Diziam desejar a abolição da escravidão, mas de forma “lenta, regular e legal”.

Todos os líderes do Movimento, entre eles Teotônio Jorge, José de Barros Lima, Pedro de Sousa em 10 de julho de 1817. Muito sangue correu, era o governo português mantendo a todo custo, o seu poder.

Confederação do Equador, A luta contra a Contra - Revolução - Em 1821 João VI volta para Portugal, e os portugueses reorganizam as formas de explorar a colônia. A burguesia mercantil queria liberdade comercial. Com a presença inglesa cada vez mais forte na economia brasileira, era claro que um dos dois grupos, a burguesia mercantil ou os brasileiros republicanos faria a independência. As coisas começam a mudar. Mesmo José Bonifácio, chamado de Patriarca da Independência só acerta a causa da separação de Portugal em agosto de 1822. O 7 de setembro foi mais um golpe contra-revolucionário para esmagar as insurreições libertárias e republicanas que um ato contra Portugal. Foi um ato contra-revolucionário que enfraqueceu a verdadeira revolução libertária, atrelando o Brasil à Inglaterra e mantendo as mesmas relações econômicas e políticas da colônia, permanecendo os privilégios dos grandes senhores latifundiários e da burguesia mercantil: posse da terra, da administração e dos escravos.

Seguro no poder, Pedro I trai seus compromissos políticos, ao dissolver a Assembleia Constituinte de 1823 e outorgar uma Constituição. Em 1824, surge a insurreição conhecida como Confederação do Equador, que é o movimento revolucionário pernambucano que se manifesta em reação à política absolutista de D. Pedro I. A trincheira do veterano das revoluções libertárias foi ocupada por Frei Caneca, que atacava D. Pedro I, classificando o Poder Moderador com a “chave da opressão da Nação Brasileira”.

Ao tomar conhecimento das proporções do movimento revolucionário que se espalhava pelo Nordeste, D. Pedro I, rapidamente, tratou de organizar tropas militares para impedir que a Confederação do Equador se impusesse como uma realidade definitiva. Por altos preços, o Imperador contratou uma esquadra naval, comandada pelo escocês Lorde Cochrane, uma força terrestre comandada pelo brigadeiro Lima e Silva para matar os revoltosos. Em 12 de setembro de 1824, soldados vencem os confederados em Recife, que fogem para Olinda e rendem-se.

Diversos líderes do movimento foram presos e condenados à morte; outros conseguiram fugir. Entre os condenados estava frei Caneca que recebeu a pena de enforcamento. Esta pena, contudo, foi transformada em fuzilamento, porque não havia em Pernambuco nenhum carrasco que se dispusesse a levar o frei à força. E, assim, a violência oficial sufocou a Confederação do Equador. Assim, em 7 de setembro de 1822, foi proclamada a Independência, rompendo-se oficialmente os laços da dominação política portuguesa.

Sabinada - A luta bem falada- Os liberais de Salvador estavam agrupados e deram origem às ideias que iriam desembocar na rebelião conhecida como SABINADA. O plano de sabinos era proclamar uma República na Bahia, mas eles não pretendiam que o regime republicano vigorasse para sempre. Este duraria enquanto o rei-menino fosse menor e estivesse impossibilitado de assumir o poder. As camadas inferiores da população não participaram da Sabinada. Era portanto, uma revolta da camada média. Há pontos em comum entre os Sabinos e os Farrapos. O líder farroupilha Bento Gonçalves esteve preso em Salvador, onde influiu sobre o ânimo dos baianos. Os Sabinos eram ideológicos e os Farrapos mais pragmáticos. A Sabinada obtém a vitória em 7 de novembro de 1837 com a adesão de parte das tropas do governo. O Império contra-ataca e vence em 15 de março de 1838. Sabino foi deportado para o Mato Grosso, onde morreu.

Farroupilha - A luta traída em Porongos - A Revolução Farroupilha, também conhecida como a Guerra dos Farrapos, foi a mais longa revolta de todo o período regencial e imperial e ocorreu na Província do Rio Grande do Sul. Os motivos de ordem econômica estão entre suas principais causas: o R.S. era um grande produtor de charque. O seu mais importante centro consumidor eram as Províncias do Nordeste. Os produtores gaúchos reclamavam do Governo Central uma maior proteção para o seu negócio , em da concorrência que sofriam de Países como o Uruguai, a Argentina e o Paraguai que exportavam para o Brasil. Reclamavam também dos baixos preços para os seus produtos, dos autos impostos, etc...

Num manifesto de 29 de agosto de 1938, Bento Gonçalves, com razão, denunciava o assalto do Governo Central contra o Rio Grande, pois o Rio Grande estava sendo descapitalizado, transformando numa estalagem do Império. Cresce-se a essa situação uma estiagem em 1832, prejudicando toda a colheita e seca as pastagens, matando o gado. Em 1833, enchentes que alagam as terras baixas. Em 1834, uma praga de carrapatos atacam os animais. A temperatura política começa a ferver no início de 1835, quando se instalou a Assembleia Legislativa. As hostilidades dos farroupilhas contra Fernandes Braga, culminaram, no dia 20 de setembro, com choques armados nos arredores de Porto Alegre. Feijó preferiu, entretanto, enfrentar Bento Gonçalves, enquanto Fernandes Braga Foge para o Rio Grande. O Governo Central nomeia Araújo Ribeiro, que não consegue tomar posse, então Bento Manuel Ribeiro abandona os farrapos e luta pelo governo.

Em 1837, Bento Gonçalves conseguiu fugir.
A República de Piratini luta contra o Império. Tempo depois, Bento Gonçalves está de volta, liderando a guerra. Garibaldi aparece, funda-se em Santa Catarina a República Juliana. Desde 1842 que o futuro duque de Caxias está no governo do Rio Grande, enviado pelo Império. É um grande organizador. Refaz o exército imperial, celebra acordos com Manuel Oribe. E ao seu lado está Bento Manuel Ribeiro. Em 26 de maio de 1843, acontece a Batalha de Ponche Verde, que os farrapos vencem, comandados por Davi Canabarro. Em 1845, foi assinado um tratado de paz entre as tropas imperiais. Os farrapos aceitam o acordo. Eis alguns dos seus artigos:
  • - o indivíduo indicado presidente da Província é aprovado pelo Governo Imperial.
  • - os oficiais republicanos que forem indicados passarão a pertencer ao Exército do Brasil no mesmo posto, e os que não quiserem pertencer ao Exército não serão obrigados a servir.
  • - todos os cativos que serviram a República, terão direito à liberdade.
  • - em toda sua plenitude, será garantida a segurança individual e de propriedade.
  • - Governo Imperial tratará da linha divisória com o Estado Oriental.
Os farrapos evitam os escravos na suas tropas, porque em caso de vitória, podem causar mudanças na situação, mas na guerra, os farrapos incorporam os negros às tropas com vigilância especial. Os negros não chegavam a oficiais porque eram comandados por brancos. Em 14 de novembro de 1844, acontece a batalha de Porongos que é a forma arranjada entre Caxias e Canabarro para exterminar os negros. A Revolução Farroupilha termina com o extermínio de negros escravos, onde escondem-se dois heróis sob a capa da traição para entrar na história usando o poder.

Cabanada - A luta dos posseiros - Foi uma grande revolta popular. Dela participaram pessoas vindas da camadas mais pobres da sociedade. Tratava-se dos cabanos, uma extensa multidão de pessoas humildes, constituída de negros, índios e mestiços que moravam em cabanas, quase todos viviam à beira dos rios, em estado de absoluta miséria. A revolta dos cabanos era, portanto, uma tentativa para modificar aquela situação de injustiça social de que eles eram vítimas. É ela um dos mais, senão o mais notável movimento popular do Brasil. É o único em que as camadas mais inferiores da população conseguem ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. Apesar de sua desorientação, apesar da falta de continuidade que o caracteriza, fica-lhe contudo a glória de ter sido a primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva do poder.

Praieira - A luta das contradições - Foi a revolta dos liberais exaltados de Pernambuco que constituíam o Partido da Praia. Em 1848, o partido dos liberais exaltados indispôs-se contra a situação de Pernambuco, onde o poder econômico era dominado pela aristocracia rural e pelos comerciantes portugueses. O povo em geral vivia em permanentes dificuldades econômicas.

Em 7 de novembro de 1848 começa a insurreição.
Foi na Revolução Praieira que , pela primeira vez no Brasil, as influências socialistas modernas se fizeram sentir. O Manifesto do Mundo, publicado a 1º de janeiro de 1849, revela a influência dos movimentos socialistas europeus e, sobretudo, da insurreição operária de 1848 na França. Apesar da omissão quanto ao trabalho escravo, entre as medidas propostas constavam o voto livre e universal, a liberdade de imprensa, o trabalho como garantia de vida para o cidadão, a extinção do Poder Moderador e a Reforma do Poder Judiciário para garantir os direitos individuais. O líder da Cabanada, Vicente de Paula, tem papel destacado na perseguição aos praieiros Pedro Ivo e Caetano Alves. O movimento começou em 7 de novembro de 1848 e foi sufocado em 4 de abril de 1849, com a rendição em Água Preta. Em 28 de novembro de 1851 o Império da anistia aos praieiros.

Índios - A luta de Quinhentos Anos - É muito comum ouvir falar em Descobrimento do Brasil. Essa expressão refere-se ao fato de os portugueses terem encontrado uma terra que até então (1500) era desconhecida dos europeus. Em 1500, portanto, o Brasil foi descoberto para os europeus. Todos sabiam que já viviam milhões de índios, portanto, esta terra não era desconhecida e sem dono. Ela estava distribuída entre os numerosos grupos indígenas que a ocuparam. É verdade que a ideia de posse e propriedade, no caso dos índios, não tem mesmo sentido que tinha para os portugueses e que ainda tem para nós, ou seja, o sentido de propriedade privada. O território pertencia aos índios, era ocupado por eles, assim, a presença dos portugueses foi uma ocupação, uma invasão. Os europeus julgavam que os povos “não civilizados” não tinham os mesmos direitos que eles, como o da posse das terras. Os europeus consideravam-se donos do mundo e achavam que todos os outros povos deviam seguir as leis que existiam na Europa. A hostilidade e as guerras dominaram o relacionamento entre portugueses e índios. Estes foram exterminados pela ambição e sede de lucros dos invasores que, achando-se no direito de ocupar a nova terra, foram destruindo tudo o que encontravam pela frente. Ainda hoje existe a ideia de que os índios são seres inferiores, que não têm os mesmos direitos que os brancos. É essa a mentalidade que nos foi transmitida pelos colonizadores. Seria muito mais fácil para eles justificar o extermínio dos índios se estes fossem considerados seres inferiores, sem nenhum direito, nem mesmo à vida. O mundo do índio começou a desmoronar no momento do encontro com o branco. Este considerava-se superior, dono da verdade, com direito sobre a terra, a liberdade e a própria vida do índio. Os conquistadores europeus chegaram ocupando a terra do índio, obrigando-o a trabalhar em troca de objetos de pouco valor e matando quem resistisse.

Diante dos invasores portugueses, os índios reagiram violentamente, promovendo uma guerra sem tréguas contra o invasor branco, tentando expulsá-lo do Brasil. Essa foi a primeira reação dos indígenas quando perceberam as intenções dos portugueses, de tomar conta da terra, dominando tudo. No confronto armado os índios levaram a pior pois viviam dispersos e não tinham como unir-se para enfrentar os invasores, suas armas eram menos poderosas que as dos portugueses, que já tinham aramas de fogo. Não podendo vencer e expulsar os portugueses, muitas tribos indígenas tentaram conviver pacificamente com eles. Nesse caso, também os índios levaram a pior, porque, foram obrigados a abandonar os costumes de sua gente, e a trabalhar para os brancos como escravos, e ainda ficaram sujeitos a todas as doenças dos brancos, contra as quais seus organismos não tinham defesa. Aqui também o resultado foi o extermínio do índio, embora de forma mais lenta do que na guerra. Sem poder enfrentar o branco na guerra e não querendo conviver pacificamente com ele, muitos indígenas resolveram fugir para o interior do Brasil na tentativa de manter um modo de vida próprio, longe dos invasores. Mesmo assim os índios se deram mal, pois os invasores organizavam expedições armadas para aprisioná-los com o objetivo de os escravizar. Como se vê, de uma forma ou de outra, os índios saíram perdendo em sua luta contra os portugueses. Hoje, os poucos índios que restam, tentam manter em suas mãos as poucas terras que ainda possuem. Para isso estão lutando para que essas terras sejam demarcadas, isto é, tenham diversas bem claras, para impedir a invasão dos fazendeiros e das grandes empresas agropecuárias.

Negros - A luta inconclusa - Um fator, decisivo para a substituição do trabalho indígena, foi a baixa produtividade. Além de lutar tenazmente contra a escravidão, o índio era mau trabalhador, de pouca resistência física e baixíssima eficiência. Além disso, não sabia trabalhar metais, apenas atingira o estágio da pedra polida, e só conhecia métodos muito rudimentares de cultivo. Não podia, por isso, adaptar-se às técnicas requeridas na grande lavoura. A escravidão negra foi a solução alternativa. Os negros não eram considerados pessoas, mas simples mercadorias, coisas. Por isso não eram contados como gente-dois homens, dez homens - mas vendidos em peças e em toneladas. Eram as “peças das Índias”, “peças da África”, as “toneladas de negros” representando os “sopros de vida”, “os fôlegos vivos”. A própria forma como se comercializavam os negros africanos era reflexo da sua desumanização: não se vendia um negro, dois negros, vendiam-se peças; uma peça não significava um negro, como uma tonelada não significava mil quilos de negros.

O quilombo de Palmares durou 57 anos.
Palmares surgiu no início do século XVII e começou a crescer bastante por volta de 1630, onde o domínio holandês em Pernambuco e a subsequente resistência dos luso-brasileiros ao invasor resultaram na desorganização das lavouras com a fuga de escravos que se intensificou. Quando conseguiam fugir reuniam-se em comunidades chamadas quilombos. O quilombo era formado por aldeias, chamadas mocambos. Palmares chegou a ter milhares de habitantes negros e seu principal comandante foi Zumbi. A Guerra dos Palmares foi uma das mais importantes do Brasil Colonial. De 1644, quando aconteceu o primeiro ataque, até 1695, quando o Zumbi foi assassinado, Palmares foi atacado mais de trinta vezes. A morte de Zumbi, segundo Domingos Jorge Velho, teria acontecido em 20 de novembro de 1695.

Zumbi morreu, mas seus ideais de liberdade permaneceram vivos; novos quilombos foram organizados e os escravos continuaram lutando pela sua libertação. Fugindo ao esquema das demais revoltas ocorridas durante o período regencial, uma rebelião de escravos sacudiu a Bahia em 1835. Havia muitos que pertenciam a nações de cultura islâmica, como os haussas e os nagôs.

O nome malê, alias, designava os negros que sabiam ler e escrever em árabe. A profusão de periódicos abolicionistas correspondia à realidade de um movimento que estava longe de ser homogêneo. Varias correntes e opiniões contraditórias coexistiam no movimento. Os moderados cujo melhor exemplo é sem duvida a figura de Joaquim Nabuco temiam as agitações sociais e achavam que a luta pela abolição deveria se processar institucionalmente, entre as paredes do Parlamento. Primeiro a captura na própria África, depois a travessia do Atlântico, nos tumbeiros, a venda no mercado de escravos, o trabalho pesado nas minas ou plantações, a perspectiva sempre presente dos castigos corporais e das humilhações, tal foi a acolhida prestada a um dos componentes do povo brasileiro, ao longo de quatro séculos de escravidão.

Aos poucos, os partidários da Abolição gradual começaram a ganhar terreno.
Finalmente, em 1888, os antiescravistas conquistaram a maioria do Parlamento, refletindo a nova correlação de forças, a sete de maio de 1888 o Congresso aprovava, por imensa maioria, um projeto de Lei. Assinado a 13 de maio pela regente do trono, Princesa Isabel, o projeto transformou-se na Lei Áurea. Entre tanto, ao contrário do que se esperava a abolição não significou a emancipação efetiva da população escravizada. Sem medidas institucionais que promovessem a integração à sociedade, os negros foram entregues à própria sorte. Na realidade, a abolição veio afastar alguns dos obstáculos ao desenvolvimento da economia brasileira, cujo polo dinâmico se baseava cada vez mais no trabalho assalariado.

Alfaiates - A luta pela liberdade - Em 1798 foi fundada em Salvador uma sociedade cujo os integrantes dedicavam-se à tradução de textos de Rousseau e outros filósofos, divulgando ativamente os ideais republicanos na Bahia. Apesar de seu caráter secreto, essa sociedade estendeu sua influência para além do círculo das elites ilustradas, atingindo as camadas médias e pobres, inclusive escravos da população baiana. A amplitude dessa influência se explica pela profunda crise econômica e social por que passava Salvador no final do século XVIII. Quando apareceram os manifestos, o Governador deu ordem para a devassa, ou seja, para que se fizessem investigações e prisões. Aguilar Pantoja, havia traduzido livros franceses e trechos de Rousseau, ao seu lado Agripino Barata, que representa um dos intelectuais no movimento. A liderança dos setores urbanos mais pobres cabia ao soldado mulato Lucas Dantas, pertencente ao batalhão das milícias.

A conjuração estendia-se dos escalões superiores aos estratos mais baixos da sociedade colonial. O sistema colonial absolutista era condenado e pregava-se a necessidade de um levante que proclamasse a República e a Abolição, abrisse os portos brasileiros ao comercio mundial e pusesse fim às discriminações entre negros e brancos e a todos os privilégios existentes, garantindo-se a liberdade para desenvolver a industria e o comércio. Muitos pretos e mulatos foram condenados à morte, pela forca, seguida de esquartejamento no dia 8 de novembro de 1799.

Cabanagem - A luta do povo no poderCabanagem - A luta do povo no poder - A Cabanagem foi uma grande revolta popular. Dela participaram pessoas vindas das camadas mais pobres da sociedade. O primeiro líder dos cabanos foi o padre Batista de campos. Na luta contra o governo central, os cabanos juntaram-se aos fazendeiros e comerciantes locais, esperando conseguir melhores condições de vida. Como os cabanos queriam muito mais: comida, casa, trabalho, entraram na luta para valer. No dia 6 de janeiro de 1835, o povo consegue unir-se para derrubar o governador Lolo de Sousa, matando-o e libertaram os presos políticos. Imediatamente foi constituído um novo governo, presidido por Antonio Malcher. Antonio Malcher é um conciliador, está com os cabanos devido ao ódio que tem aos portugueses. No entanto, a aliança entre os cabanos durou pouco, pois Malcher traiu o movimento, fazendo acordo com as tropas do governo. Por isso, os revoltosos o mataram e o substituíram por Francisco Vinagre, que assumiu o governo paraense. Mas devido as guerras e guerrilha, na terra e no mar, Francisco Vinagre, sem condições de resistir, entregou-lhe o poder, sendo preso. A este sucedeu, Eduardo Angelim, que ajudado por guerrilheiros como Bento Ferrão, vence as tropas de ocupação e chega ao poder. Angelim manda fuzilar negros rebeldes e vai se refugiar no interior para continuar a luta. Essa guerra cruel só terminou em 1840, quando os últimos cabanos se entregaram, sem terem conseguido atingir os objetivos pelos quais lutara. À revolta dos cabanos contra as péssimas condições em que viviam, o governo respondeu apenas com violência e morte.

Quebra - quilos - A luta dos semi-líderes - Os sertanejos revoltaram-se com a introdução do sistema métrico no Brasil, pois, sentirem-se prejudicados pois, estavam sendo roubados nos pesos e medidas. Então rebelaram-se, invadindo cidades saqueando armazéns e pegaram os pesos i metros e jogaram nos rios. Na época do Quebra-quilos eram cobrados impostos, pois na medida em que o povo precisa de mais dinheiro, o governo cria mais imposto. Como em todo o País que adotou o sistema, em 1873 decidiu-se o governo imperial a obrigar o cumprimento da Lei, e os que não cumprissem seriam multados. Em 1874 acontece a primeira ação dos quebra-quilos, em uma vila perto de Campina Grande, na Paraíba. A partir daí, começa a violência não só com os pesos e medidas, mas sim com os impostos e a vida miserável. O Quebra-quilos nasce de um movimento sem líderes. Na visão dos camponeses o imposto era um papel, a lei, queimando-se a lei, acabava-se os impostos.

Canudos - A luta pela utopia realCanudos - A luta pela utopia real - Nascido em Quixeramobim, Ceará, em 1828, Antonio Vicente Mendes Maciel teve uma infância privilegiada para uma criança do sertão. Filho de um comerciante estudou latim, francês, aritmética e geografia. Seu destino foi diferente. Com a morte do pai, casou-se e passou a exercer o comércio. Mas não era essa sua vocação. Em breve, cheio de dúvidas, abandonou o negócio e ganhou o sertão. Um novo choque lhe estava reservado. fugindo com um soldado de polícia, sua mulher o abandonou. Casa-se de novo com Joana e quem tem um filho. Deixa ambos em 1865, e passa a vagar pelos sertões acompanhando missionários. Seu prestígio já estava consolidado. Um grupo de fiéis o acompanhava sempre, ajudando-o na reconstrução de igrejas e muros de cemitério. Mas a medida que a forma do beato aumentava, a hierarquia eclesiástica começou a preocupar-se. Não demorou muito para que se multiplicasse as perseguições. O beato foi preso em 1876 e, para ser solto, teve de prometer que abandonaria suas pregações. A promessa não foi cumprida. No ano seguinte, o conselheiro e seus adeptos estavam de volta aos sertões da Bahia. Em 1893, conselheiro desafiou ostensivamente a República. Na praça central do município de Bom Conselho queimou as tábuas onde estavam afixados os editais que anunciavam os novos impostos a serem cobrados pelo Governo. Foi nessa época que, tendo sua prisão decretada e vendo-se obrigado a fugir das volantes, achou que chegara a hora de criar sua própria comunidade.

O lugar escolhido foi a fazenda de canudos, à beira do rio Vaza-Barris, que se encontrava abandonada. Sob a autoridade do Conselheiro, os fiéis logo se organizaram. Todos os bens pessoais deveriam ser entregues à comunidade. A forma do arraial sagrado de Belo Monte, como passara a chamar-se a provação, espalhou-se com rapidez. Era uma comunidade ideal, voltada para o bem comum, verdadeira utopia em pleno sertão baiano, à parte e à revelia do Brasil oligárquico e republicano. Isto a condenou à destruição. Em outubro de 1896, quando foram avisados de que na cidade próxima de Uauá estava uma tropa com a missão de aprisionar o Conselheiro e dissolver o arraial, os jagunços de Canudos não se surpreenderam. Havia muito que o beato previra uma guerra que precederia o fim do mundo, com profundas transformações. Assim, guiados pela fé, os jagunços não esperaram pelo ataque, partiram ao encontro da tropa, que apanhada de surpresa, foi totalmente destroçada. Os políticos da República não puderam tolerar uma derrota tão humilhante. Canudos passou a ser retratada como uma “fortaleza monarquista” a ameaçar a estabilidade do regime. Em dezembro de 1896, uma segunda expedição, apoiada pelo Exército, foi enviada contra o arraial. Era comandada por um major, Febrônio de Brito, e dispunha de armas moderas. Novamente as tropas subestimaram a força e a habilidade dos jagunços. Usando táticas de guerrilha, estes surpreenderam a expedição muitas vezes pelo caminho. E de tal forma conseguiram desorganizá-la que, ao chegar a Canudos, a munição já era escassa e os soldados estavam exaustos. Sem condições de combater, o major ordenou a retirada.

Foi organizada uma terceira expedição, sob o comando do coronel Moreira César. Com toda munição suficiente e conhecendo as táticas que o inimigo empregara das outras vezes, o coronel confiava numa vitória fácil. O percurso até Canudos não apresentou dificuldades, e a expedição penetrou no arraial de Belo Monte. Era o que os jagunços esperavam. Tocaiados em cada casa, em cada beco, em cada esquina, os homens do Conselheiro combateram, espalhando o pânico entre os soldados, desnorteados naquele labirinto de vielas. Quando Moreira Cessar caiu morto, a tropa debandou, numa retirada vergonhosa. A lenda de Canudos agitava a opinião pública em todo o País. A notícia de mais uma derrota infligida pôr fanático esfarrapados a uma moderna divisão do Exército acirrou o ânimo dos militaristas, que exigiam retaliação.

Comandada pelo general Artur Oscar de Andrade Guimarães, a quarta expedição. Pelo caminho, a tropa foi castigada inúmeras vezes pelas guerrilhas dos jagunços; antes de chegar a canudos, já perdera 1200 homens, mas vieram reforços. A luta continuou por muitos meses e durante todo esse tempo novos soldados foram sendo incorporados à força combatente.

A última batalha foi travada a 5 de outubro de 1897.
Morto pouco antes, o Conselheiro não chegou a ver o aniquilamento de seu povo. Era o fim de um sonho, ou, nas palavras de Euclides da Cunha, de um episódio na série reservada “para as loucuras e os crimes da nacionalidades...”

Nada pior do que histórias mal contadas e que nos obrigam a decorar. Num livro de História do Brasil, os problemas de uma história mal contada torna-se grave, pois, faltam pedaços na História e a mesma não convence. Esse tipo de História torna-se chata e cansativa porque fala de um mundo que não nos diz respeito, um mundo do qual nós, o povo, não participamos. Aqui, o que o autor pretendeu foi em mostrar uma história onde aparecem os conflitos de classe, as contradições sócio-econômicas que existiram e que, de algum modo, persistem em nossos dias. A história apresentada nesse trabalho deve ser vista como algo definitivo e categórico .

O passado é algo complexo que deve ser interpretado, reconstruído pelo historiador. O propósito não é fazê-lo aceitar passivamente as interpretações do passado, e sim discutir, questionar e que use mais a reflexão do que da memória. O que se espera dessa História do Brasil, é que para uma Geração consciente possa ajudá-lo entender melhor a realidade brasileira em evolução e a participar conscientemente da sociedade em que vivemos.

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História da Escravidão no Brasil e no Mundo

História da Escravidão no Brasil e no Mundo

Escravidão é a situação social do indivíduo ou grupo, obrigado a servir, sob coação, a outra pessoa, que exerce sobre ele direito de propriedade. Tal costume -- institucionalizado durante séculos -- permitia ao senhor apropriar-se da totalidade do produto do trabalho escravo e dispor de sua pessoa como mercadoria, sem levar em conta sua autonomia e dignidade como indivíduo.

O brasão de Sir John Hawkins, o maior traficante de escravos britânico e criador da frota que derrotou a Invencível Armada, tinha como efígie um negro com uma corda no pescoço. Dificilmente se encontrará melhor símbolo da patologia social que é a escravidão.

Origens A escravidão nem sempre existiu nas sociedades humanas, como não existe em muitas sociedades primitivas contemporâneas. Os povos coletores e caçadores não a praticaram, como também foi quase inexistente entre os pescadores. As origens da escravidão estão mais ligadas ao sedentarismo, e portanto ao surgimento, no neolítico, do pastoreio e da agricultura.

No quarto milênio antes da era cristã os textos legais dos sumérios descreviam os escravos como "homens de países estrangeiros", o que parece designar prisioneiros de guerra. O código de Hamurabi (c.1750 a.C.) considerava também escravos os devedores insolventes, que eram vendidos com suas famílias. Os escravos permanentes traziam na orelha um furo, que os distinguia dos escravos por tempo determinado.

Na civilização grega, os trabalhos artesanais e agrícolas eram realizados por escravos. Os prisioneiros de guerra eram vendidos em mercados, como o de Delos. Vendidos ou comprados como objetos, não podiam ser soldados nem tomar parte nas assembleias, mas eram autorizados a praticar o comércio e a participar de atos religiosos. Por volta do século III a.C., os romanos passaram a utilizar grande número de escravos em trabalhos agrícolas e domésticos. Apesar das leis que lhes amparavam os direitos e da possibilidade de comprarem sua própria liberdade, eram tratados geralmente com dureza, o que originou sangrentas revoltas, como a liderada por Espártaco no século I a.C. O cristianismo, ao proclamar a igualdade de todos os homens, contribuiu para aliviar a situação dos submetidos ao regime de escravidão.

O código de Manu, o mais antigo conjunto de leis da Índia, identificava seis tipos de servos: o cativo de guerra; o servo doméstico; o servo nascido de mulher escrava na casa do senhor; o homem comprado ou ganho; o herdado; e o que foi feito escravo por não ter como pagar uma multa. Poderiam adquirir a liberdade, nas seguintes condições: o escravo de guerra, se deixasse em seu lugar outro, que se encarregasse das tarefas a ele incumbidas; e o escravo por dívida, se liquidasse seu débito. Um escravo que salvasse a vida do senhor não só teria direito à liberdade, como receberia um prêmio.

A China não conheceu a compra e venda de escravos, mas havia pessoas escravizadas por diversas razões: miseráveis vendiam a liberdade para não morrer de fome; réus de crime de alta traição transformavam-se em escravos do poder público, no palácio real; os filhos desses condenados podiam ser castrados e usados como eunucos e vigias dos haréns; as adúlteras, expulsas de casa, não tinham alternativa senão venderem-se como escravas; os devedores podiam tornar-se escravos do credor. Essas práticas vigoraram na China até o século XVI.

Servidão na Idade Média A crise da agricultura, no final do século III, apressou a evolução da escravidão e do colonato livre em servidão, cuja forma plena caracterizaria as relações de produção na época feudal. Formalizou-se o vínculo que os obrigava a permanecer na terra e a não abandonar seu cultivo. Além disso, os servos da gleba tinham de pagar uma renda anual e assumir os encargos que gravavam a propriedade.

Servidão na Idade Média
Servidão na Idade Média 

Para os senhores, essa política representou excelente ganho econômico, pois transformou os escravos - a quem eram obrigados a manter, vestir e vigiar constantemente, que produziam pouco e estavam sujeitos a doenças e velhice - em colonos responsáveis pela própria subsistência. Essa tendência, somada à influência restritiva do cristianismo, limitou a existência de escravos na Europa aos indivíduos de outra raça e cultura, importados de outras terras.

Outra modalidade vigente na Idade Média foi a escravidão voluntária, principalmente entre os germanos. Consistia no contrato pelo qual uma pessoa livre se fazia escrava de outra, mediante pagamento em dinheiro ou, em caso de penitência para salvação da alma, sem qualquer pagamento. As invasões bárbaras trouxeram condições gerais de insegurança e falta de recursos, que contribuíram para aumentar a escravidão voluntária, só extinta por volta do século XIV.

Na Espanha visigótica, a escravidão existia tanto entre vencedores quanto entre vencidos. Apenas um terço da população era livre; o restante era formado de escravos e libertos. O poder do senhor sobre os servos tinha limitações: o servo não podia ser morto ou mutilado, atos punidos com metade da pena reservada aos casos de morte e mutilação de homens livres. Reconhecia-se assim o direito do escravo à vida, e sua personalidade era igualmente admitida para comparecer em julgamento.

O cristianismo exerceu influência inegável no favorecimento de manumissões e na introdução do princípio de que não podia haver escravos cristãos na posse de senhores de outra crença. Em 325, no Concílio de Niceia I, os escravos passaram a ser admitidos ao sacerdócio. A igreja, porém, nunca condenou expressamente a escravidão, nunca tentou aboli-la diretamente nem a eliminou de sua jurisdição. Os primeiros doutores da igreja recomendavam que os servos continuassem em sua condição servil. Por isso, o cristianismo primitivo encontrou resistência entre os escravos, que denunciavam os cristãos como antropófagos e incestuosos. Por temor à massa dos escravos, os senhores cristãos não se atreviam a destruir os ídolos dos campos. Santo Agostinho considerava a escravidão uma punição imposta ao pecador; para santo Tomás de Aquino, era uma das consequências inevitáveis do pecado original; santo Anselmo achava natural que os filhos de escravos mantivessem a condição dos pais.

Ainda que, na época medieval, a escravidão não tivesse desempenhado papel econômico importante no norte da Europa, o tráfico de escravos continuou, em especial, nas regiões mediterrâneas, exercido principalmente por mercadores orientais. Os mercadores hebreus foram os que mais se destacaram nesse comércio e no século VI obtiveram de são Gregório Magno e dos imperadores carolíngios licença para a atividade. Venezianos, catalães e genoveses exerciam publicamente o tráfico. Até os conventos adquiriam escravos e a igreja não conseguiu sequer impedir que cristãos vendessem outros cristãos.

A partir do século XIII, a intensificação do comércio marítimo e a pirataria fizeram recrudescer o tráfico de escravos, realizado principalmente pelas cidades italianas. O comércio de homens, já de há longo tempo praticado pelos árabes de Marrocos, aumentou ainda mais quando navios italianos, provençais e catalães passaram a frequentar portos do norte da África para compra de negros do Sudão. As guerras de conquista árabes impulsionaram o mercado de escravos. Nas cruzadas e na reconquista da península ibérica, também os cristãos aprisionaram muitos muçulmanos.

Na baixa Idade Média, embora a escravidão persistisse na Europa, foi o mundo muçulmano que se tornou o principal utilizador de escravos, em geral urbanos. A escravidão já estava profundamente arraigada nas tradições da Arábia quando o Islã surgiu. O Alcorão não a condenava, mas aconselhava que os escravos fossem tratados com humanidade e considerava ato piedoso e meritório sua manumissão. Essa consideração, entretanto, não impediu que os muçulmanos participassem intensamente do tráfico de escravos. Piratas marroquinos escravizavam tripulantes e passageiros dos navios por eles aprisionados.

A escravidão em grande escala para exploração dos campos e minas era praticamente desconhecida no mundo muçulmano. O escravo era essencialmente doméstico e em geral bem tratado nas famílias ricas. Escravos e ex-escravos podiam mesmo atingir posições elevadas na sociedade e no governo. Os libertos de qualquer raça ou proveniência eram assimilados sem dificuldades e o exemplo mais célebre dessa situação é a dinastia dos mamelucos no Egito. A prática mais cruel da escravidão muçulmana era a utilização de eunucos.

Nos séculos XIII e XIV o tráfico de escravos aumentou consideravelmente nos países mediterrâneos e preparou o surgimento de uma nova época de escravidão intensa nas colônias europeias da América. Os países ibéricos, onde ainda persistia a utilização de escravos, principalmente muçulmanos, foram os responsáveis pela abertura de um novo capítulo na história da escravidão. O tráfico negreiro, até então nas mãos dos muçulmanos, passou a ser exercido por representantes de Portugal, que explorava o litoral africano. Aos poucos os europeus assumiram o controle desse comércio. A partir de 1444, os portugueses passaram a adquirir diretamente no Sudão os primeiros contingentes de escravos negros, e no século XVI Lisboa e Sevilha eram os principais pontos de comercialização de escravos da Europa.

Os descobrimentos e a escravidão. No início da exploração econômica das terras descobertas no continente americano, os colonos tentaram escravizar a mão-de-obra indígena, mas os índios revelaram-se pouco dóceis, revoltavam-se ou fugiam para as florestas. Eram pouco resistentes às doenças transmitidas pelos colonizadores e não aceitavam a exploração a que estes os queriam submeter. Contavam ainda com o apoio dos missionários, que propunham um abrandamento no trato com os indígenas como forma de facilitar seu trabalho de catequese.

Bartolomé de Las Casas, bispo de Chiapas, levantou-se em defesa dos índios e sugeriu que se empregasse mão-de-obra negra, já submetida a escravidão. Isso já vinha sendo praticado em pequena escala. Em 1517, um nobre espanhol obteve licença para importar um número determinado de negros africanos para trabalhos na ilha de São Domingos. Começou aí a importação de milhares de negros para as Antilhas e para o continente americano, onde a escravidão negra coexistiria com a escravização dos índios. O enorme desenvolvimento que a escravidão tomou em todo o continente, está ligado ao surto da economia açucareira, que exigia abundante mão-de-obra nas plantações.

O apogeu do tráfico negreiro foi atingido no século XVIII, com o constante aumento do uso de produtos tropicais na Europa. Entre 1781 e 1790 importavam-se 82.000 escravos por ano, dos quais 35.000 por ingleses, 24.000 por franceses, 18.000 por portugueses, quatro mil por holandeses e mil por dinamarqueses. As principais regiões fornecedoras eram o golfo da Guiné, a região de Angola e Moçambique. Quando a escravidão se radicou fortemente no continente americano, a Igreja Católica reconheceu expressamente a validade da instituição, enquanto a atitude das demais igrejas cristãs não diferiram muito dessa.

Escravidão no Brasil
Escravidão no Brasil
Escravidão no BrasilA mão-de-obra africana ajustava-se à agricultura e ao regime de trabalho servil, sem os intransponíveis obstáculos culturais do escravo ameríndio, inapto ao trabalho contínuo. Sua introdução no Brasil, na verdade, foi uma extensão da corrente escravocrata existente em Portugal. Inicialmente, o sistema comercial que vigorava no tráfico de escravos não se inclinou ao fornecimento dessa mão-de-obra aos colonos estabelecidos no Brasil. A preferência dos comerciantes escravagistas era para o rico mercado de Castela, com reexportação para as áreas de mineração da América e para a promissora agricultura nas Antilhas.

Desde 1539 os colonos estabelecidos no Brasil reclamavam da falta de mão-de-obra para o cultivo da cana-de-açúcar e o incremento dos engenhos, rogando ao rei licença para adquirir escravos. Em 1542, o donatário de Pernambuco solicitou autorização para adquirir escravos na Guiné, por conta própria, alegando que a produção açucareira não poderia arcar com o soldo de empregados. Somente em 1559, quando a indústria já estava com suas bases assentadas, a coroa decidiu permitir o ingresso de escravos negros no Brasil: cada senhor podia trazer 120 escravos do Congo. Com essa permissão, começou o tráfico negreiro oficial no Brasil, que somou-se a aquisições isoladas existentes em São Vicente e na Bahia.

Negros e mulatos, uns ainda escravos, outros já alforriados, acompanharam Tomé de Sousa na edificação da cidade de Salvador, em 1549. Esses grupos foram os precursores de milhões de negros africanos que, por dois séculos e meio, foram trazidos para o Brasil.

Na época do descobrimento, Portugal já estava de posse dos arquipélagos da Madeira e de Cabo Verde, do litoral da Guiné, das ilhas São Tomé e Príncipe, da embocadura do Zaire e de Moçambique, e havia plantado uma fortaleza na Costa do Ouro (Gana). No século XVI teve início a conquista de Angola. De todos esses locais vieram escravos para o Brasil.

O monopólio do comércio de escravos era exercido pelas feitorias estabelecidas nas ilhas desertas da Madeira e Cabo Verde. Os negreiros iam buscar os escravos nos "rios de Guiné", uma extensa região cortada por rios e canais navegáveis, muito maior que a atual Guiné-Bissau. Na ilha de Bissau e no rio Cacheu ficavam os entrepostos, cercados de paliçadas e guarnecidos com artilharia, a cargo de "lançados", brancos e mulatos que se incumbiam de reunir os escravos e mercadorias em locais onde as embarcações portuguesas pudessem recolhê-los. Os negros das tribos fulas e mandingas, vindos da Guiné Portuguesa, foram desembarcados em todo o Nordeste para trabalhar nas lavouras canavieiras e nas fábricas de açúcar. Posteriormente, com a fundação de Belém, no Pará, representantes daquelas tribos foram trabalhar em várias regiões da Amazônia. Eram transportados por uma companhia privilegiada, a Cacheu.

Esses negros, chamados genericamente "peças de Guiné", logo foram absorvidos pela população brasileira. Os fulas tinham como singularidade a cor opaca, tendendo para o pálido e, em pouco tempo, essa característica tornou-se um qualificativo comum para todo o negro com a mesma compleição. As expressões fulo, negro fulo, negrinha fula, passaram, mais tarde, por extensão, a aplicar-se à ausência momentânea de cor nas faces das pessoas, indistintamente negros ou brancos. Daí a expressão perpetuada até os dias atuais: "fulo de raiva". Os mandingas, que à época da escravidão viviam um processo de islamização, uma vez que provinham de terras atingidas por aquela cultura, não haviam deixado de lado suas antigas crenças e com elas aportaram no Brasil. Esses negros deram à língua portuguesa, com suas designações tribais, novos sinônimos para encantações e artes mágicas.

A partir de 1576, com a fundação de Luanda, abriu-se nova fonte de escravos. Os negros de Angola passaram a concorrer com os da Guiné em todos os portos principais de escravos: Rio de Janeiro, Bahia, Recife e São Luís. Em 1641 os holandeses já dominavam Pernambuco e para lá trouxeram de Angola contingentes de negros que eram vendidos também aos senhores do Ceará e Alagoas. Povos negros de língua banto chegaram ao Brasil quase ininterruptamente, até o fim do tráfico em 1850: muxicongos, benguelas, rebolos e caçanjes de Angola. Do Congo, vieram os cambindas.

Com base ou escala em Luanda, os tumbeiros - navios negreiros, em geral de pequeno porte - contornavam a região meridional do continente para alcançar Moçambique, de onde traziam negros macuas e anjicos para serem vendidos no Brasil. Os tumbeiros faziam o tráfico para o Brasil em condições tão precárias que grande parte da carga - entre trinta e quarenta por cento - morria durante a viagem.

No século XVIII iniciou-se o tráfico com a Costa da Mina, litoral setentrional do golfo da Guiné. Os portugueses já haviam tentado estabelecer-se na região desde 1482 e levantado ali o castelo de São Jorge da Mina, de onde se originou o nome. O forte caíra em poder dos holandeses ao tempo em que dominavam o Nordeste brasileiro. Embora uma provisão real de 1644 tenha permitido a navios matriculados na Bahia e no Recife o comércio na Costa da Mina, este só teria confirmação real em 1699. Foram então autorizadas a realizar o resgate de escravos naquela área 24 embarcações. Estavam registradas no porto da Bahia e cada uma levava tabaco, açúcar e aguardente suficientes para a compra de 500 negros.

O tráfico encaminhou para o Brasil negros das mais variadas tribos, como fântis e achantis, txis e gás, estes das vizinhanças do castelo da Mina; euês e fons, conhecidos no Brasil por jejes; iorubas, no Brasil chamados de nagôs; tapas, hauçás, canures, fulas, mandingas e grunces. Destinavam-se às minas, onde eram vendidos a bom preço. As condições de transporte eram as melhores de todo o período do tráfico. Ao contrário do que ocorria com os tumbeiros vindos de Angola, os que vinham da Costa da Mina tinham perdas insignificantes. Dada a suposição de que se originavam de áreas onde havia mineração, os negros da Costa da Mina custavam mais caro que os trazidos de Angola.

Em pouco tempo esses negros constituíram uma elite da massa escrava, especialmente do ponto de vista religioso. Tapas, nagôs, hauçás e malês (muçulmanos), comandaram os negros da Bahia em sucessivas insurreições entre 1806 e 1835. Xangôs, candomblés, macumbas, todos os cultos negros do Brasil, obedecem, em linhas gerais, ao modelo de culto oferecido por nagôs e jejes. No início dos trabalhos de mineração foram muito procurados, mas por volta de 1750 apenas mil deles eram adquiridos anualmente em Minas Gerais, à medida que a exploração do ouro e dos diamantes passava das mãos dos particulares para o governo da metrópole. Concentrados em maior número na Bahia, passaram a ser vendidos para serviços domésticos urbanos no Rio de Janeiro, Recife e Maranhão.

A ocupação do território brasileiro alterou substancialmente a disposição do elemento escravo no país. No início os portos de desembarque também eram os centros de distribuição de escravos: o de São Luís abastecia a Amazônia; o de Pernambuco, em Recife, abastecia as cidades do Nordeste; o da Bahia servia também a Minas Gerais; o do Rio de Janeiro, também a parte de Minas Gerais e São Paulo. A partir dessas localidades o escravo era vendido para outras praças do interior, como Goiás e Rio Grande do Sul. As sucessivas mudanças no quadro econômico do país, do açúcar para o ouro, do ouro para o café, impuseram intenso, demorado e variado contato linguístico, religioso e sexual entre os negros das mais diversas nações africanas.

Quando a exploração do açúcar, decadente e em ruína, chegou praticamente à bancarrota, iniciou-se o ciclo do ouro. Os trabalhadores, ociosos nas regiões do litoral, foram transferidos para as minas, que absorviam grandes contingentes de mão-de-obra e forçaram a intensificação do comércio com Angola e Costa da Mina. Em breve, a exploração do ouro e também a de diamantes, que era feita por iniciativa particular, passou a controle direto do governo da metrópole, inicialmente com os contratos, e em seguida com a Real Extração. O negro, que já estava parcialmente desviado para a agricultura e a pecuária, passou então a ser utilizado na cultura do café e, durante a guerra civil americana, do algodão. Em consequência, adotou a língua portuguesa, a religião cristã, os costumes nacionais e se destribalizou por completo.

Durante o período da escravidão distinguiam-se três tipos de negros: o novo ou boçal, recém-chegado da África e sem conhecimento dos costumes do país; o ladino, africano, mas já com experiência da sociedade brasileira, e o crioulo, nascido e criado no Brasil. Todos foram compelidos a ajustar-se às novas condições de vida. Inicialmente, a Igreja Católica apenas batizava o novo antes que ele seguisse para seu destino, mas durante algum tempo, nas cidades, tentou orientar para a religião cristã, primeiro os ladinos, em seguida os crioulos e os mulatos, favorecendo a criação de irmandades.

O governo central recrutou negros e pardos para formações militares subalternas, as ordenanças, chamadas posteriormente de henriques, em homenagem a Henrique Dias, chefe de uma delas, que se distinguiu na guerra contra os holandeses. Mas o trabalho produtivo - em suas várias acepções - foi o fator de assimilação mais constante, que impôs a língua, a alimentação, os hábitos de trabalho e repouso, as relações familiares, a etiqueta e a disciplina. Esse fenômeno produziu de um lado negros forros (alforriados) e libertos e, por outro, três tipos de trabalhadores, o negro do campo, o negro do ofício e o negro doméstico.

O negro conquistou a liberdade de maneira precária, constantemente ameaçada pela polícia e pelo arbítrio dos brancos. O negro forro era libertado diretamente por seu senhor, em geral em testamento. O negro liberto, comprava a liberdade ou a obtinha em virtude da lei, de promessa do governo ou por prestar serviços especiais. A alforria contemplava preferencialmente os velhos e os doentes, e se em muitos casos era concedida por reconhecimento ou bondade, também serviu à conveniência de senhores, que desse modo se eximiam de alimentar e vestir um negro não mais produtivo. O próprio escravo podia obter sua alforria, caso tivesse juntado uma soma igual àquela por que fora adquirido, e propusesse a transação ao senhor. Juntas de alforria, mais ou menos associadas às irmandades do Rosário e de São Benedito, agiam no sentido de que o dinheiro angariado por todos servisse sucessivamente à libertação de cada um de seus membros.

No que se refere à legislação o negro foi beneficiado pela Lei do Ventre Livre, de 1871 e pela dos sexagenários, em 1885. Alguns negros foram alforriados por prestarem serviços especiais, como os soldados de Henrique Dias, os praças do batalhão de Libertos da guerra da independência na Bahia e os escravos que serviram às tropas brasileiras na guerra do Paraguai. No final do império, negros de "filiação desconhecida" obtiveram a liberdade com base na legislação que determinava que "o brasileiro só é escravo se nascido de ventre escravo".

Contudo, a grande maioria dos escravos não gozou de condições tão propícias. No campo, o negro foi a mão-de-obra nos canaviais e nas roças de tabaco do Brasil colônia, e nos cafezais e algodoais à época do império. O negro do campo esteve sempre, mais do que qualquer outro, à disposição do senhor. Era este quem fornecia suas vestimentas, alimentação, moradia e controlava até mesmo suas relações sexuais. Enquanto o tráfico negreiro não despertou indignação e revolta e mesmo sanções internacionais, o negro escravo foi alvo dos castigos mais atrozes e aviltantes que um ser humano podia enfrentar: tronco, açoite, viramundo, cepo, libambo, peia, gonilha são denominações das brutalidades terríveis a que foi submetido, isso quando a agressão não era maior, como pontapés no ventre de escravas gestantes, olhos vazados e dentes quebrados a martelo. O trabalho de sol a sol (cerca de 14 horas por dia) transformava o negro de campo num verdadeiro trapo humano. Como reação, os negros tentaram organizar-se em quilombos, promover levantes ou abandonar em massa as fazendas, e quase sempre foram reprimidos a ferro e fogo.

O negro de ofício (também chamado "de partes" ou "oficial") coexistia com o negro de campo, mas ocupava um lugar ligeiramente superior na escala social. Originou-se do trabalho em moendas e caldeiras, nas fábricas de açúcar do século XVI. Mais tarde surgiram negros ferreiros, marceneiros, pedreiros, seleiros, canoeiros e barbeiros e mulheres costureiras. Na primeira metade do século XIX já havia, no Rio de Janeiro, bons profissionais negros, serralheiros, ourives, sapateiros, alfaiates capazes de cortar casacas e chapeleiras que competiam com as francesas. Esses negros serviam ao senhor, a seus vizinhos, e às vezes a toda a comunidade. No litoral, em 1837, um escravo qualquer custava 400$000 (quatrocentos mil-réis), mas o preço de um "oficial" oscilava entre 600$000, 800$000 e um conto de réis.

O negro doméstico trabalhava como pajem, moço de recados, capanga e criado quando homem. Babá, cozinheira, mucama, doceira, quando mulher. Eles se traduziam nas "crias da casa", nos "afilhados" e nos "homens de confiança". Todos, entretanto, serviam à ostentação do senhor como símbolo de poder e riqueza. Alguns aprendiam a ler, outros reuniam pecúlio suficiente para uma vida menos submissa. Esse tipo de negro existiu em maior número nas regiões açucareiras do Nordeste, nas minas do final do século XVIII e, no Rio de Janeiro, nos últimos anos de escravidão.

Com o tempo, os excedentes do negro doméstico deram lugar a dois novos tipos: o negro de aluguel e o negro de ganho. O primeiro era preparado pelo senhor para servir a outrem e lhe trazer ganhos; o segundo pagava ao senhor certa soma diária, em troca de liberdade de ação. O negro de aluguel passou a ter colocação em atividades de tipo industrial, nas fábricas de tecidos, mas também no trabalho em metais, madeira, edificações e tudo o que o mercado exigisse no momento. No Rio de Janeiro e São Paulo, os negros foram absorvidos pelo serviço doméstico para os estrangeiros e burgueses da cidade. Quando a Lei Áurea foi assinada, em 13 de maio de 1888, beneficiou apenas 750.000 escravos, menos de um décimo da população negra existente no Brasil.

O negro, ao longo de sua história no país, influenciou sensivelmente os costumes brasileiros. Histórias do Quibungo deleitaram e aterrorizaram crianças; os cultos de origem africana, com orientação jeje-nagô, floresceram nos centros principais e conquistaram adeptos em todas as classes sociais; a capoeira, que antes servira à defesa da liberdade do negro, passou a ser vista como uma forma brasileira de arte marcial; o batuque de Angola saiu dos terreiros das fazendas e invadiu as cidades sob a forma de lundu, baiano, coco, samba e variações; a cozinha brasileira tem muitos pratos de origem africana: vatapá, caruru, arroz de cuxá. A feijoada teve origem na cozinha dos escravos. Os cortejos do rei do Congo serviram de modelo aos maracatus e afoxés e aos desfiles das escolas de samba.

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