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Câncer, Medicina e Evolução no Combate ao Câncer

Câncer, Medicina e Evolução no Combate ao Câncer

Câncer, Medicina e Evolução no Combate ao Câncer

Câncer é uma enfermidade que se caracteriza pelo  crescimento autônomo e desordenado de células e  tecidos por motivos ainda desconhecidos. Atinge indivíduos de qualquer idade, sendo, porém, mais comum em pessoas adultas. Muitas das hipóteses levantadas sobre as causas do câncer caíram no descrédito da ciência; outras são ainda discutidas. O certo é que, se a doença incipiente for cedo combatida, a sobrevida de um indivíduo canceroso poderá ser bem mais longa, e em certos casos poderá até levar à cura.

Designação genérica de qualquer tumor maligno, o câncer não é uma doença recente nem exclusiva do homem. Ataca todos os seres vivos e sua origem remonta às primeiras formas de vida na Terra.

O mecanismo que leva uma célula sã a se transformar em cancerosa denomina-se carcinogênese. As células cancerosas, uma vez formadas, não se detêm em sua multiplicação. Invadem os tecidos adjacentes por via circulatória ou linfática, destruindo-os. O tecido neoplásico (canceroso) apresenta uma estrutura diferente da dos tecidos e órgãos de que se originou, com uma rápida e ilimitada capacidade de se reproduzir, perturbando o funcionamento normal dos órgãos. Daí serem essas formações neoplásicas chamadas de tumores malignos. Amiúde aparecem focos cancerosos secundários em pontos do corpo distantes do núcleo original: são as metástases.

Desde a formação da primeira célula cancerosa até a ocorrência de metástase, a evolução do quadro clínico costuma ser lenta. Dependendo da parte do corpo atingida, pode durar anos até sobrevir a morte. Sob todos os aspectos, os tumores malignos se contrapõem aos benignos: estes não são perigosos, crescem com mais lentidão do que aqueles e em geral não perturbam o bem-estar da pessoa nem acarretam a morte.

Certos tipos de câncer, como os gliomas do olho, neuroblastomas e adenossarcomas embrionários são mais frequentes em crianças do que em qualquer outro grupo etário, embora seja reduzida a incidência de tumores malignos na faixa de idade que vai de 5 a 14 anos. O câncer do testículo aparece mais em adultos jovens, em geral abaixo dos trinta anos de idade. Os carcinomas (cânceres de estrutura epitelial) do útero e da mama incidem mais em mulheres entre 45 e 65 anos de idade. Os sarcomas (tumores de tecido conjuntivo) ocorrem com igual frequência em todas as décadas da vida.

EtiologiaOncologia ou cancerologia é a parte da medicina que estuda o câncer, ou seja, as neoplasias malignas, do ponto de vista de sua origem, quadro clínico, evolução e cura. Não foi possível ainda determinar o fator inicial que leva ao crescimento anômalo de células aparentemente normais. Há diversos tipos de neoplasias e cada uma delas não apresenta necessariamente a mesma etiologia. Dentre os agentes descritos como cancerígenos, os mais importantes são os agentes físicos, os virais, os químicos, os hereditários, os imunológicos e as chamadas doenças pré-cancerosas.

Agentes físicosNa gênese de vários tipos de tumores existem agentes físicos importantes. Assim, por exemplo, no desencadeamento dos osteossarcomas (tumores ósseos), há fortes indícios quanto à influência direta de um fator físico, como é o trauma. É clássico surgir em atletas um osteossarcoma de membro inferior após uma fratura, como ocorre com jogadores de futebol.

São importantes ainda as radiações ionizantes (raios X, beta, alfa, gama) e ultravioletas. A ação cancerígena deve-se à liberação da energia, que atravessa os tecidos e altera a estrutura celular, provocando mutações nas células. Os tumores desencadeados por efeito da radiação solar guardam nítida relação com carcinomas de pele. Devido à presença de agentes carcinógenos, fatores ambientais também podem provocar diferentes tipos de câncer. Um agente cancerígeno importante é a poluição atmosférica, produzida pela combustão de hidrocarbonetos.

Agentes virais e hormonais O avanço das técnicas de investigação biomédica permitiram descobrir a estreita relação entre certos vírus e alguns tipos de câncer em vários animais. Alguns vírus da família herpes, por exemplo, estão relacionados ao desenvolvimento de leucemias crônicas. Alguns tumores parecem guardar relação de causa e efeito com determinados vírus. O linfoma de Burkitt, muito comum na África, revelou nítida ligação com uma virose, sugerindo que o câncer poderia ser originário de um vírus.

Agentes químicosO câncer de pulmão tem evidente relação com irritantes químicos derivados do alcatrão da hulha (contidos no cigarro), os quais são muito utilizados, em cancerologia experimental, na produção de câncer de pele. Seu papel cancerígeno está comprovado. O tabaco ou os produtos de combustão do cigarro tendem, entre outros efeitos graves, a paralisar o movimento dos cílios que forram a mucosa dos brônquios. Com o tempo, a mucosa brônquica perde esse mecanismo protetor e suas células ficam expostas a agressões diretas, sofrendo transformações que podem chegar ao câncer brônquico ou carcinoma broncogênico.

Outros agentes químicos já mostraram sua estreita relação com o desencadeamento de tumores, como certos medicamentos e substâncias químicas. Alguns sais biliares que existem no organismo humano, quando isolados, concentrados e aplicados em animais, mostram-se também cancerígenos.

É interessante observar que o câncer no colo do útero parece ter incidência bastante rara entre as mulheres judias. O fato é possivelmente reflexo da circuncisão do homem judeu, segundo pesquisa feita. Explica-se pela influência do esmegma (secreção peniana, das glândulas bálamo-prepuciais), normalmente presente nos indivíduos não circuncidados, que possui em sua composição um hidrocarboneto cancerígeno, o esaqualeno.

Ainda entre os fatores químicos cancerígenos, há a influência dos hormônios. Assim, o câncer de colo do útero incide com frequência muito maior em mulheres com ciclo estrógeno-progesterônico presente, isto é, antes da menopausa. Já o de corpo de útero é mais comum após a menopausa. No homem, o câncer de próstata é favorecido pela presença de testosterona (hormônio sexual masculino), razão pela qual sua terapêutica deve incluir a remoção cirúrgica dos testículos ou o bloqueio medicamentoso da testosterona.

Fatores hereditáriosAinda não foi cientificamente comprovada a hereditariedade como fator etiológico do câncer. Nas discussões em torno desse problema, predomina a corrente que defende a existência de um fator hereditário condicionando um fator predisponente, em indivíduos de determinada família. Há inúmeras famílias com maior incidência da doença que na população geral. Sabe-se, além disso, que o fator hereditário não predispõe ao desenvolvimento do câncer no mesmo órgão em todos os indivíduos da família. A importância da hereditariedade, porém, não justifica alarme quando surge um caso de câncer em um membro da família. O fator hereditário, ao que tudo indica, está ligado às condições imunológicas de cada organismo.

Fatores imunológicosO organismo humano dispõe de um sistema imunológico capaz de reconhecer, através de um "código" molecular, tudo que faz parte do organismo e tudo que é estranho ao mesmo. Esse sistema tem por finalidade mobilizar as defesas do organismo, no sentido de eliminar os fatores estranhos, considerados agressores. Pelas células do sangue (glóbulos brancos) ou de elementos humorais (anticorpos), o organismo combate e neutraliza os agentes estranhos -- vírus, bactérias, proteínas e células estranhas, não reconhecidos pelo sistema imunológico como constituintes normais do organismo. O câncer, porém, não é combatido por esse sistema.

Estudos relacionados principalmente com os transplantes de órgãos revelaram que talvez a implantação de um câncer num organismo pudesse estar relacionada a uma falha na codificação do sistema imunológico. Já se descreveram casos de indivíduos portadores de câncer desenvolvido por imunossupressores, que são medicamentos usados em pacientes com órgãos transplantados ou com doenças de auto-agressão.

Em outros casos descritos, em que doadores de órgãos tinham câncer, os receptores, na vigência do tratamento com imunossupressores, desenvolveram o mesmo câncer, só cessando o processo com a suspensão da droga, o que ocasionou também a rejeição do órgão transplantado. Tentou-se então relacionar o fator hereditário com uma herança de um defeito no sistema imunológico. Nada há, porém, de definitivamente provado nesse setor. Existe ainda referência à possibilidade de que outros agentes, como os vírus, modifiquem o código imunológico e permitam, com isso, o aparecimento de uma neoplasia maligna.

Doenças pré-cancerosasEntre os fatores etiológicos do câncer, citam-se, ainda, as doenças pré-cancerosas, como a gastrite atrófica, considerada precursora do câncer de estômago; a úlcera do estômago, passível de malignizar-se; a polipose gástrica e intestinal; e a pancreatite crônica, associada, com certa frequência, a um câncer do pâncreas. Os tumores de fígado (hepatomas), por sua vez, incidem mais frequentemente em indivíduos com cirrose do fígado.

Certos tumores benignos constituem também lesões pré-cancerosas em variados graus. Estão entre eles os adenomas benignos da tireoide, os papilomas da bexiga e os "sinais" pigmentados da pele. A dermatite de radiação (resultante da queimadura crônica por ação dos raios X) representa uma lesão pré-cancerosa, pois dela pode sobrevir um câncer até muitos anos depois. As verrugas que crescem na pele, sobretudo de pessoas idosas, podem degenerar em epiteliomas ou cânceres da pele. Muitas cicatrizes (o tecido cicatricial não tem elementos protetores contra a irritação crônica) podem degenerar em câncer.

Conclusão Em relação à etiologia do câncer, tudo parece ocorrer como se houvesse um terreno predisponente, que se torna real de acordo com a presença dos fatores desencadeantes (agentes químicos, físicos e biológicos). Esse terreno predisponente poderia ser, segundo alguns, a herança do defeito imunitário, e, segundo outros, a herança de células cancerosas, que ficariam inativas até o momento em que os fatores desencadeantes agissem, quando então o processo eclodiria. Há ainda a possibilidade de que fatores exógenos condicionassem um defeito no sistema imunológico, e que células mutantes não fossem combatidas por esse sistema, o que levaria ao aparecimento do câncer.

Classificação e distribuição Há muitos tipos de câncer e em cada tecido podem-se originar diversas classes de manifestações oncológicas. A classificação dos processos tumorais se estabelece em função do tecido de que procedem. Didaticamente, as neoplasias dividem-se em dois grandes grupos, conforme a origem embriológica: os carcinomas e os sarcomas. Carcinomas são os tumores de tecidos derivados do ectoderma do embrião, que dá origem à pele, glândulas e tecido nervoso; sarcomas, os derivados do mesoderma do embrião, origem do tecido conjuntivo, ossos, serosas e músculos.

Tanto carcinomas quanto sarcomas são subclassificados conforme o tipo de estrutura que  "imitam". Assim, os adenocarcinomas imitam uma glândula; os osteossarcomas, ossos; os osteocondromas, articulações; os linfossarcomas, gânglios linfáticos; os reticulossarcomas, células reticulares etc.

Existem ainda tumores mistos, ou que não se classificam em nenhum dos dois tipos. As leucemias são também neoplasias, mas devem ser consideradas à parte. Classificam-se em: mieloides, linfoides, eosinofílicas e monocíticas, conforme o tipo de célula sanguínea afetada. Quando o tipo de célula não é totalmente diferenciado, trata-se de leucemia indiferenciada. As leucemias podem ser ainda agudas ou crônicas, conforme o quadro clínico e a evolução.

Outras classificações dividem os cânceres em: tumores do tecido epitelial (carcinomas), tumores do tecido conjuntivo (sarcomas), tumores do tecido hematopoético (leucemias, linfomas, mielomas), tumores do tecido nervoso (gliomas etc.), tumores mistos (carcinossarcomas e teratomas malignos) e tumores especiais (melanoma, seminoma, timoma etc).

O câncer se distribui em todo o reino animal e vegetal, mas a incidência de um ou outro de seus tipos é maior em determinadas espécies. Entre os animais, os ratos apresentam alta predisposição ao câncer, razão pela qual são muito usados na cancerologia experimental. O câncer da mama é comum nos cães; o melanoma do ânus, em determinadas raças de cavalos; e o epitelioma de pálpebra, em gatos.

Influências raciaisNa espécie humana é extremamente difícil explicar as influências raciais sobre o câncer. É fato que alguns povos, talvez por seu caráter antropológico, por fatores ecológicos, ou por fatores alimentares, são mais predispostos a determinados tipos de câncer do que outros.

Entre os chineses o câncer de nasofaringe é mais comum que outros, e o mesmo ocorre com o câncer do fígado entre os bantos e os malásios. O sarcoma não-AIDS hemorrágico de Kaposi (da pele dos membros) é mais comum nos povos do Mediterrâneo, nos judeus, nos italianos e nos chineses. O câncer de mama é raro entre os povos primitivos. O melanoma não é comum entre os negros. Já o câncer de estômago é duas vezes mais frequente entre os japoneses que entre os europeus.

Frequência em relação ao sexo. Em relação ao sexo, na raça humana em geral, a frequência do câncer é maior entre as mulheres que entre os homens, devido à grande incidência do câncer de útero e de mama. Além disso, há certa predominância de um ou outro tipo de câncer conforme o sexo, o que é também difícil de explicar. Assim, o câncer de estômago é mais frequente no homem, numa relação de 3:2. O sarcoma não-AIDS hemorrágico de Kaposi ocorre praticamente só em homens, assim como o câncer de mama é quase exclusivo da mulher.

Frequência em relação à idade. O câncer é uma doença que costuma ocorrer após os quarenta anos, mas pode incidir em qualquer idade. Sua frequência em relação à faixa etária varia também conforme o tipo de câncer. Algumas formas incidem em crianças, outras em jovens e outras quase somente em velhos.

Do nascimento até o sexto ano de vida, os gliomas dos olhos, os neuroblastomas e os adenossarcomas dos rins ocupam lugar importante na relação das causas de mortalidade infantil. Dos 6 aos 16 anos, há uma estranha pausa na incidência do câncer; apenas as leucemias agudas costumam ocorrer nesse período.

Nos adultos jovens (antes dos trinta anos), há certa incidência do câncer de testículos e dos sarcomas (cânceres derivados da linhagem mesenquimal). Os carcinomas (linhagem epitelial) são raros nas crianças, jovens e adultos, enquanto os sarcomas incidem em qualquer idade, com a mesma frequência.

Epidemiologia - Vários fatores entram em jogo nos estudos que relatam a distribuição e incidência do câncer na raça humana: fatores climáticos, ecológicos, alimentares, genéticos e raciais. Todavia, há grande dificuldade para a obtenção desses dados, que, na maioria dos países, não são fidedignos. A falta de um censo nacional, a falta de registros de óbitos de um sem-número de casos e o mau preenchimento dos atestados de óbito, como ocorre na grande maioria dos países subdesenvolvidos, não permitem conclusões e estudos definitivos a respeito.

Diagnóstico No levantamento da história clínica do paciente (anamnese), impõe-se pesquisar todos os sintomas mencionados, inclusive os que eventualmente pareçam sem importância. Essa conduta visa a um diagnóstico precoce, uma vez que, tratando-se de câncer, quanto mais cedo for detectado, maior a probabilidade de cura.

Entre as numerosas técnicas de detecção precoce recomenda-se o auto-exame de mamas e os exames médicos preventivos, como o de Papanicolau, para a detecção do câncer de colo de útero, e a mamografia, para o câncer de mama. Os raios X ajudam muito no diagnóstico de câncer do pulmão.

Na anamnese devem ser incluídas queixas sobre lesões na pele, emagrecimento, febre de causa não esclarecida, inapetência, manifestações ganglionares, lesões de boca e deglutição difícil. Devem também ser consideradas as alterações dispépticas (má digestão, azia, arrotos, estufamento abdominal etc.), das funções intestinais ou urinárias, da mama e do ciclo menstrual; presença de sangue nas fezes, na urina, em vômitos e no esperma; aparecimento de tosse seca, falta de ar, icterícia, diabetes, prurido sem causa aparente, anemias, sinais hemorrágicos de pele, fraturas aparentemente sem explicações, dores em qualquer parte do corpo, alterações na voz etc.

Ainda na anamnese, devem ser pesquisadas as atividades profissionais do indivíduo, de vez que existem cânceres estreitamente relacionados a esse fator. Assim, o manuseio com raios X e radioisótopos tem sua importância comprovada no desencadeamento do câncer. Dentistas, radiologistas, cirurgiões ortopedistas, técnicos de raios X etc. devem ser alertados e orientados nesse sentido.

Pacientes que lidam com anilina, benzidina ou betanaftilina podem desenvolver câncer de bexiga. Indivíduos que trabalham com sais de cromo, pó de asbesto e níquel, estão mais sujeitos a câncer no trato respiratório (nariz, laringe, brônquios e pulmão); enquanto os que manipulam benzol estão mais expostos à leucemia.

A investigação dos antecedentes pessoais, incluindo as doenças pregressas, permite pesquisar condições pré-cancerosas. Calculose da vesícula, leucoplasias (placa branca mucosa, frequente na boca, língua, vagina etc.), sífilis (devido à relação entre sífilis na língua e câncer nessa região), cervicites (no colo uterino), traumas (fraturas, pancadas), queimaduras, tumores benignos, úlcera de pele, úlcera no aparelho digestivo, cirrose, pancreatite, radiodermites, polipos, nevos (pintas ou sinais).

Os hábitos do paciente também se revestem de importância no diagnóstico do câncer. O fumo, por exemplo, é potencialmente cancerígeno. Sabe-se que o fumante de cigarros tem maior propensão para a doença que o de charutos ou de cachimbo, em comparação com os não fumantes. Os fumantes de cachimbo apresentam maior incidência de câncer de língua e lábio. O álcool, pelo fato de, em certo número de casos, desencadear cirrose hepática, pancreatite, gastrite ou esofagite -- condições eventualmente pré-cancerosas -- também deve ser lembrado nesse interrogatório.

A procedência do indivíduo deve ser levada em conta, tendo em vista certas peculiaridades regionais na distribuição do câncer. No Rio Grande do Sul, por exemplo, há uma incidência maior de câncer do esôfago, fato relacionado com a ingestão do chimarrão extremamente quente, que provocaria queimaduras do esôfago, com a consequente possibilidade de surgir um câncer a partir daí.

Os antecedentes familiares também fazem parte do interrogatório. A pesquisa de indivíduos cancerosos na família pode, em alguns casos, ajudar no diagnóstico, ou pelo menos na orientação propedêutica do paciente. Um exame clínico acurado, a seguir, deve descartar aproximadamente cinquenta por cento da possibilidade de haver câncer. Na metade dos casos o câncer pode ser visto ou apalpado pelo médico. Assim, tumores de pele, boca, fígado, faringe, mama, ânus, pênis, escroto, útero, ovário, gânglios etc., podem ser perfeitamente perceptíveis ao exame clínico.

Os exames complementares são de grande valia, inclusive na pesquisa de tumores ocultos. Os exames de sangue, como o hemograma (na pesquisa da leucemia), eletroforese de proteínas, dosagem de  mucoproteínas, dosagem de fosfatases ácidas (na pesquisa de câncer de próstata), dosagem de fosfatases alcalinas (na pesquisa de tumores ósseos e hepáticos), dosagem de alfa-fetoglobulina (na pesquisa de tumor no fígado), hemossedimentação etc., constituem importantes recursos auxiliares para o diagnóstico.

A endoscopia (laringoscopia, broncoscopia, cistoscopia, esofagoscopia, gastroscopia, gastrofotografia, duodenoscopia, retossigmoidoscopia, colonoscopia etc.) faz parte do arsenal propedêutico, proporcionando ao médico possibilidades diagnósticas precoces no campo do câncer.
Além da endoscopia, a medicina conta com o recurso da radiologia geral e da radiologia especializada. A tomografia computadorizada e a ultra-sonografia, assim como a radiografia do crânio, ossos, mama (mamografia e ductulografia), tórax, brônquios (broncografia), esôfago, estômago, duodeno, intestino delgado, intestino grosso (enema baritado), artérias (arteriografia), gânglios (linfografia), genitais femininos (ginecografia e histerossalpingografia) e rins (urografia excretora e pielografia ascendente) auxiliam sobremaneira o médico em seu caminho para o diagnóstico.

São úteis ainda o exame de urina, com pesquisa de sangue e de proteínas (no mieloma), o mielograma (exame citológico da medula óssea), o exame citológico do escarro, o exame do líquido de ascite (derrame líquido intraperitonial) e o exame do líquido pleural (derrame líquido na pleura). O médico pode também lançar mão da gamagrafia (utilização de raios-gama, em lugar dos raios X), da ecografia (utilização de ondas sonoras e sua propagação) e da radioisotopia (que utiliza radioisótopos marcando substâncias que são incorporadas pelos órgãos a serem estudados) que enriqueceram ainda mais a pesquisa diagnóstica.

A radioisotopia, particularmente, é de uso rotineiro na pesquisa do tumor hepático (hepatoma), através do hepatograma; na pesquisa do tumor de rim (nefrograma ou mapa renal); no tumor de pâncreas (mapeamento pancreático) e na pesquisa do tumor de tireoide (mapeamento de tireoide).

Entre os exames complementares incluem-se, finalmente, os exames citológicos e anatomopatológicos, que consistem no estudo citológico e histológico do material obtido por punção de líquidos, punção de tumores e gânglios, ou ainda, por biópsias realizadas nos vários órgãos (fígado, gânglios, pele, baço etc.). Esse material pode ser obtido por meio de cirurgia ou de exames especializados, como a peritonioscopia (exame instrumental da cavidade abdominal), a colposcopia (exame do colo uterino), a broncoscopia, a gastroscopia, a esofagoscopia etc.

Alguns sintomas da doençaO câncer do esôfago causa dificuldade progressiva de engolir, sobretudo alimentos sólidos. A doença começa insidiosamente, sendo difícil identificá-la no início, por ausência de sintomas específicos. O aparecimento de fenômenos dispépticos (dificuldades digestivas) numa pessoa até então sadia, com sintomas sugestivos de úlcera gastroduodenal, associados com emagrecimento, anemia e inapetência inexplicáveis, pode estar vinculado a um câncer gástrico. O câncer do pâncreas raramente apresenta sintomas precoces. Uma dor abdominal profunda acompanhada de dor lombar, diarreia e icterícia (na ausência de cálculos da vesícula), pode gerar suspeita de câncer pancreático. Os cânceres do reto muitas vezes são diagnosticados erroneamente como hemorroidas em suas fases iniciais, em virtude da eliminação repetida de pequenas quantidades de sangue no ato da defecação.

O câncer de mama se inicia como um pequeno nódulo, indolor, mas de crescimento progressivo. Depois, torna-se aderente à pele, repuxando-a, e esta se ulcera; o mamilo frequentemente se inverte. Todo nódulo que aparece na mama deve ser suspeito de câncer até prova em contrário. O câncer de colo do útero muitas vezes se anuncia por excessiva hemorragia durante a menstruação ou no intervalo das menstruações. Os cânceres da bexiga e dos rins causam inicialmente hematúria (perda de sangue na urina), micção frequente e dolorosa. O câncer da próstata em geral não apresenta sintomas, mas pode provocar dificuldade na micção. Às vezes, o primeiro sintoma é uma dor lombar provocada por metástases para a coluna ou para os ossos pélvicos. O câncer ósseo não raro se anuncia por dor local e aumento de volume da área afetada.

O câncer da língua se apresenta como fissura, ou úlcera crônica ou porção endurecida, sobretudo no bordo posterior e lateral, sendo dos poucos cânceres que se mostram dolorosos desde o início. O câncer de laringe causa precocemente rouquidão e alterações da voz. O estridor e a dispneia constituem sintomas de fase avançada da doença. O câncer do pescoço em geral é secundário a uma neoplasia maligna primitiva da boca, da faringe, da laringe, do tórax ou do abdômen. O câncer do pulmão vem aumentando sua incidência. Exterioriza-se por tosse contínua e rebelde aos medicamentos comuns; outras vezes por dor torácica, dispneia ou hemoptises. Muitas vezes nenhum sintoma se manifesta, embora a radiografia já mostre, no tecido pulmonar, a imagem do câncer.

Tratamento As armas terapêuticas disponíveis para o tratamento do câncer são fundamentalmente três: cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Dependendo do tipo histológico do câncer e de sua sensibilidade, o tratamento poderá incluir uma, duas ou mesmo as três armas simultaneamente.

A eficácia do tratamento cirúrgico, aconselhável em grande número de cânceres, depende da fase em que se encontre a doença no momento em que foi indicado o tratamento. A cirurgia é adotada amiúde nos casos de câncer de pele, ossos, gânglios, estômago, boca, laringe, pulmão, esôfago, intestinos, rins, bexiga, mucosas, brônquios, fígado (quando localizado), tireoide (alguns tipos), língua, lábios, ânus, reto, mama, útero etc.

Boa parte dos tumores, após extirpados, exige tratamento acessório quimioterápico ou radioterápico. O tratamento cirúrgico é por excelência mutilante, e muitas vezes, dependendo da extensão do câncer ou do número de órgãos atingidos, sua excisão poderá levar o paciente à morte. Acredita-se que, com o evoluir da ciência, talvez venha a ser possível a exclusão da cirurgia do esquema terapêutico do câncer.

O tratamento quimioterápico inclui a hormonioterapia e os antiblásticos. Alguns tumores respondem temporariamente à administração de hormônios, como é o caso do câncer de mama e de próstata; daí a razão do uso de hormônios na terapêutica.

Os antiblásticos são substâncias químicas que intervêm no metabolismo das células jovens, impedindo seu crescimento e reprodução. Como as células cancerosas obedecem a tal padrão, alguns tipos de câncer respondem a essas drogas e sustam seu desenvolvimento. Os antiblásticos, largamente usados, consideram-se de escolha no tratamento das leucemias e dos linfomas. Servem, além disso, como terapia acessória nos casos de cirurgia.

A radioterapia utiliza radiações emitidas por um "tubo" que contém rádio e cobalto, ou ainda radiações emitidas por substâncias marcadas com radioisótopos para inibir o crescimento de tumores. É largamente usada como complementação do tratamento cirúrgico e como acessória ao tratamento quimioterápico.

Alguns tipos de câncer são altamente sensíveis às radiações, como os linfomas, a leucemia mieloide crônica, alguns cânceres de pele, o câncer de pulmão, o câncer de esôfago e alguns cânceres de tireoide, além de outros, razão pela qual a radioterapia é bastante usada nesses casos. Pode-se também usar a radioatividade para tratamento de alguns órgãos, mediante administração de substâncias radioativas.

Prognóstico O prognóstico do câncer é extremamente variável e difícil de avaliar. Não se pode negar, porém, que quando o diagnóstico é precoce há mais possibilidade de cura. Quando o diagnóstico é tardio, o  prognóstico é quase sempre péssimo. No Japão, devido à alta incidência de câncer de estômago, iniciaram-se levantamentos de massa (mass survey) com gastrocâmara (fotografia gástrica), conseguindo-se surpreender inúmeros casos incipientes de câncer gástrico, ainda assintomáticos. Esses casos foram operados e tiveram cura total. Já nos países ocidentais, o câncer de estômago é diagnosticado geralmente tarde e a porcentagem de cura é muito baixa.

Há também variação do prognóstico quanto ao tipo de tumor. Na pele, o melanoma não tem bom prognóstico; já os carcinomas baso-celulares e espino-celulares têm boas possibilidades terapêuticas. Na tireoide, os carcinomas papilíferos têm um ótimo prognóstico.

Diante de cada caso, não é fácil estabelecer-se prognóstico sobre o tempo de vida: espera-se às vezes, péssima evolução, e obtém-se resultado contrário, e vice-versa. Casos de involução (cura espontânea do câncer), ainda que extremamente raros, podem registrar-se.

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Mongolismo ou Síndrome de Down

Mongolismo ou Síndrome de Down

#Mongolismo ou Síndrome de DownMongolismo é um tipo de atraso mental congênito, acompanhado de diversas anomalias morfológicas. Os núcleos das células dos indivíduos afetados possuem um terceiro exemplar (trissomia) do cromossomo 21, o que lhes dá um número total de cromossomos igual a 47, um a mais do que o normal. O nome da anomalia provém das características faciais, sobretudo das pálpebras, semelhantes às dos mongóis.

Também denominado síndrome de Down, o mongolismo é mais freqüente em crianças nascidas de mulheres com mais de quarenta anos. O diagnóstico pré-natal é possível pelo exame de amostras de líquido amniótico.

O mongoloide apresenta cabeça pequena e achatada atrás; nariz curto e de base larga; prega cutânea vertical que liga as duas pálpebras, no canto interno do olho; fendas palpebrais inclinadas para fora e para cima; boca exígua, que torna a língua saliente; e acentuada hipotonia muscular. Ocorrem também alterações ósseas e outras malformações, em particular no coração, o que faz com que muitas crianças afetadas não completem o primeiro ano de vida.

O atraso mental varia, mas é sempre acentuado. Mesmo assim, quando acompanhada com carinho e educação adequada, a criança consegue realizar muito bem seus cuidados pessoais diários e executar tarefas simples. Começa a falar mais tarde que as outras crianças e se expressa por meio de frases simples, mas dorme e se alimenta normalmente. Em geral tem gênio dócil e é carinhosa. O mongolismo não é hereditário, e muito raramente se encontram dois casos da doença na mesma família, a não ser quando se trata de gêmeos do mesmo sexo. A ocorrência é de um caso para cada 800 nascimentos, mas cresce para um em quarenta no caso de mães com mais de quarenta anos.

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Endocrinologia e as Principais Alterações Endócrinas

Endocrinologia e as Principais Alterações Endócrinas

#Endocrinologia e as Principais Alterações Endócrinas

A endocrinologia é o ramo da medicina que estuda as alterações das glândulas endócrinas, ou de secreção interna, que fabricam e lançam na corrente circulatória diversas substâncias. Até o final do século XIX, as investigações nesse campo limitavam-se a observar o que ocorria quando se extirpavam determinadas glândulas de um animal. Só com os avanços obtidos, na primeira metade do século XX, nos campos da fisiologia e da bioquímica começou-se a interpretar o significado das disfunções glandulares e sua conexão com os processos internos do organismo.

Distúrbios orgânicos como os apresentados por crianças gigantes, adultos anões e homens obesos e de voz aguda só vieram encontrar explicação racional a partir do estudo do sistema endócrino, perdendo assim o halo de mistério que os envolveu durante séculos.

Os hormônios, produzidos pelas glândulas endócrinas, são responsáveis por diversos processos em pontos do organismo distantes entre si. A ação hormonal controla o metabolismo, regula as funções orgânicas e prepara o corpo para enfrentar situações externas de emergência ou para adaptar-se ao meio.

Principais alterações endócrinasAs alterações endócrinas relacionam-se principalmente com o excesso de secreção (hiperatividade) ou com sua carência (hipoatividade) por parte das glândulas correspondentes. Esses distúrbios têm diferentes causas -- genéticas, nutricionais, traumáticas ou decorrentes da idade, da formação de tumores etc.

O funcionamento deficiente da hipófise - glândula extremamente importante, pois dirige o funcionamento de todo o sistema endócrino mediante a liberação de uma série de substâncias reguladoras das outras glândulas - pode acarretar diversos problemas. Sua hipersecreção provoca, entre outras síndromes, o gigantismo e a acromegalia. O primeiro afeta indivíduos jovens e se caracteriza por provocar crescimento acelerado e extraordinário de características patológicas. A acromegalia ocorre em adultos e, embora não altere a estatura do indivíduo, provoca o crescimento exagerado dos pés e das mãos, acompanhado às vezes de deformações faciais, como o crescimento do nariz e dos lábios.

A tireoide, glândula de fundamental importância por regular o metabolismo geral do organismo e influir de forma decisiva no crescimento, pode sofrer alterações como o bócio exoftálmico, resultante da hipersecreção tireoidiana que se manifesta no aumento da atividade cardíaca, irritabilidade, crescimento acelerado do pescoço, dilatação das órbitas oculares etc.; e o mixedema, causado pela secreção glandular deficiente, e na qual se observam anemia, apatia e indolência, além de outros problemas.

A hipofunção das suprarrenais ocasiona o mal de Addison, que dá aos indivíduos afetados uma cor parda. A secreção deficiente de insulina no pâncreas causa o diabetes melito, grave alteração do metabolismo dos carboidratos, e que eleva o nível de glicose no sangue. Os distúrbios na secreção dos hormônios sexuais dão origem a inúmeros quadros patológicos como a atrofia dos órgãos genitais e interferências no metabolismo.

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Rubéola, Contágio, Sintomas e Tratamento

Rubéola, Contágio, Sintomas e Tratamento

Rubéola, Contágio, Sintomas e TratamentoRubéola é uma doença epidêmica provocada por vírus e transmitida pelo contato direto com o doente. Manifesta-se como uma infecção muito leve que, na maioria das crianças, se assemelha a um forte resfriado. Uma vez contaminado, o indivíduo fica imune à doença pelo resto da vida. O período de incubação da rubéola pode durar de dez a vinte dias. Geralmente, o primeiro sinal da doença é o aparecimento, no rosto, de pintas rosadas que se espalham rapidamente por todo o corpo. O paciente apresenta ligeira elevação de temperatura, e os gânglios podem aumentar atrás das orelhas, nas laterais do pescoço e na nuca. O único tratamento recomendado é descanso e dieta leve à base de líquidos. Por volta do quinto dia, todos os sintomas desaparecem. 

Nos primeiros meses de gravidez, mulheres não-imunizadas devem evitar contatos com doentes contaminados por rubéola, porque a infecção, embora sem complicações sérias para adultos e crianças, é capaz de provocar danos irreversíveis ao feto.

Em casos raros, (um em cada seis mil) a rubéola é seguida de inflamação do encéfalo, ou encefalite. Nos adultos, a complicação mais comum é a artrite. Sabe-se, no entanto, que quando acomete mulheres grávidas, a doença é capaz de provocar lesões no feto. Os recém-nascidos podem manifestar retardo no crescimento, encefalite, glaucoma, dilatação do fígado e do baço, icterícia, carência de plaquetas no sangue -- o que dificulta a coagulação -- e lesões nos ossos longos.

Imunizam-se com vacinas de vírus vivos atenuados crianças de ambos os sexos, com o objetivo de aniquilar o vírus do ambiente e erradicar a infecção; e meninas de 11 e 12 anos, ou imediatamente antes da puberdade, para aumentar o número de mulheres em idade fértil imunes à rubéola.

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Cirurgia Plástica

Cirurgia Plástica

Cirurgia Plástica

Cirurgia plástica é a especialidade cirúrgica que trata da correção dos defeitos físicos causados por lesão traumática ou congênita, bem como por alterações deformantes em virtude da progressão de enfermidades. Destina-se à reestruturação e reparação de tecidos superficiais danificados. A cirurgia estética, uma de suas ramificações, visa à melhoria da aparência física do paciente. Submetem-se a ela as vítimas de lesão acidental e pessoas insatisfeitas com alguma parte de seu corpo.

A cirurgia plástica, além da função reparadora dos defeitos físicos, dedica-se também a solucionar problemas relacionados à "função de aparência", de importância crescente na sociedade contemporânea.

HistóricoNo Egito e na Índia antiga já era conhecida a cirurgia plástica. O papiro de Erebs, do século XV a.C., menciona transplantes de pele. Textos sagrados indianos, dos séculos VI e V a.C., referem-se à restauração de narizes daqueles que os tiveram decepados por inimigos ou como castigo por adultério. Os médicos transplantavam o tecido muscular da face para a ferida da fossa nasal. Foi Gaspare Tagliacozzo, professor de anatomia da Universidade de Bolonha, o primeiro autor de uma obra científica sobre a cirurgia plástica, em 1597. No século XIX acelerou-se o processo de cicatrização nos transplantes de pele com o uso de pele de espessura total.

Na primeira guerra mundial, devido ao acúmulo de mutilações e queimaduras, surgiram equipes de ortopedistas-dentistas-cirurgiões, que acompanhavam de modo sistemático o comportamento dos tecidos transplantados. A segunda guerra mundial forçou o surgimento de novas técnicas no tratamento de homens gravemente desfigurados em combate. O I Congresso Internacional de Cirurgia Plástica e Reparadora realizou-se em 1955 e logo depois foi fundada a International Society of Aesthetic-Plastic Surgery, associação internacional dos especialistas no ramo. No século XX, a cirurgia plástica voltou a atenção para o tratamento de queimaduras e a cirurgia maxilofacial.

Princípios e técnicasAs operações e técnicas empregadas pelos especialistas em cirurgia plástica são basicamente as mesmas utilizadas pelos outros cirurgiões. Todavia, as características singulares dessa especialidade exigem maior preocupação com as cicatrizes, que devem ser pouco perceptíveis, o que implica incisões de preferência em local não visível e costuras cirúrgicas ou suturas delicadas.

O fundamento da cirurgia plástica é o implante ou enxerto de materiais obtidos de tecidos vivos de pele, cartilagem, mucosa ou osso para reparação ou substituição da parte danificada, ou daquela que se deseja extirpar por razões estéticas. O reimplante deve ser realizado com materiais afins ao tecido primário para que permaneça vivo. É conveniente que o doador seja o próprio paciente, caso em que a técnica recebe o nome de auto-enxerto ou enxerto autógeno. Em caso de necessidade, é substituída pelo homo-enxerto ou enxerto homógeno, cujo sucesso depende do máximo grau de afinidade biológica entre doador e receptor.

Em lesões como amputações traumáticas ou queimaduras, em que regiões extensas são afetadas, recorre-se a enxertos dérmicos ou epidérmicos com material retirado das costas ou dos músculos, locais dos quais se pode retirar tecido sem maiores danos. No entanto, em caso de reconstituição de órgãos que possuem forma, relevo e textura definidos, não basta apenas repor o tecido cutâneo. Em operações como as reparações de nariz, pavilhão auditivo, lábio etc., empregam-se colágenos, massas de tecido constituídas em geral de células epidérmicas e subcutâneas que mantêm o pedículo nutriente e que são aplicadas a uma zona lesada adjacente. Nas últimas décadas do século XX tornou-se comum também a lipoaspiração, processo pelo qual a gordura subcutânea é aspirada por meio de uma cânula ligada a bomba de sucção.

Indicações de cirurgia plástica Entre os processos patológicos submetidos com maior frequência à cirurgia plástica cabe assinalar malformações congênitas, queimaduras, sequelas da extirpação de tumores malignos e consequências de vários tipos de traumatismo. São comuns as reparações das fissuras congênitas do lábio (lábio leporino), do palato (goela-de-lobo), assim como reconstruções de ossos da face, mandíbula, couro cabeludo, caixa craniana etc., danificados por traumatismo.

No âmbito da cirurgia estética também é elevada a incidência das intervenções para estiramento da pele e para modificações do nariz, mama, abdome etc. Na pele, as intervenções plásticas mais habituais destinam-se à reconstituição de tecido queimado. As cirurgias mais frequentes nas extremidades são as relacionadas à reparação de lesões congênitas, ou de alterações deformantes produzidas por processos como artrite reumatoide. Tronco e órgãos genitais são objeto de cirurgia plástica em casos como lipectomia ou excisão de tecido adiposo dos quadris e correção de deformações penianas ou vaginais.

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Medicina, História da Medicina

Medicina, História da Medicina

#Medicina, História da Medicina

Medicina é o conjunto de ciências e técnicas que têm por objetivo prevenir, atenuar e curar doenças. Tem como pontos de partida a anatomia e a fisiologia do homem e, em sua prática específica, abrange a etiologia, a patologia, o diagnóstico, o prognóstico, a terapêutica, a profilaxia, a deontologia médica e outros setores correlatos. À medida que se multiplicaram os recursos para examinar e tratar as diversas partes do corpo ou as diferentes situações do organismo humano ao longo da vida, surgiram as especialidades médicas, cada vez mais numerosas.

Desde a origem da espécie, o homem, por instinto de defesa, procurou remédio contra ferimentos e doenças. Vestígios do neolítico mostram que já se praticava então a trepanação e se conheciam as propriedades curativas de agentes naturais como a luz solar, o frio, o calor e a água. Entendida como meio de cuidar da saúde, a medicina existe, portanto, desde o aparecimento do ser humano, mas como ciência e tecnologia seu surgimento é muito recente e indissociável dos tempos modernos.

Medicina pré-históricaRepresentações gráficas, ossos humanos e objetos de uso cirúrgico encontrados em sítios pré-históricos mostram o registro da tentativa de tratar de doenças como raquitismo, obesidade, reumatismo e tuberculose. Algumas fraturas consolidadas observadas em fósseis podem creditar-se à cura natural, mas outras resultaram inegavelmente da intervenção humana.

Ligada inicialmente à crença em poderes sobrenaturais, a arte de curar nasceu ao mesmo tempo mágica e empírica. A doença era vista como castigo a alguma transgressão ou, pelo menos, como resultado da ação de força maléfica. Os magos buscavam a cura na associação de medidas propriamente terapêuticas com ritos e amuletos. Pouco a pouco se reuniram, assim, conhecimentos e práticas: banhos, dietas e numerosos remédios provenientes dos três reinos da natureza, especialmente o vegetal.

Mesopotâmia Documentada por textos cuneiformes de Nínive, a medicina dos povos da Mesopotâmia é talvez a mais antiga da qual se conhece uma teoria: o coração é sede da inteligência e o fígado, centro da circulação. O médico interpretava os sonhos, a que se atribuía grande importância. O exercício da profissão foi pela primeira vez regulamentado no código de Hamurabi. A medicina assírio-babilônica conheceu os sintomas e a evolução de muitas doenças e praticou curas dietéticas, prescrições higiênicas e profiláticas, e algumas cirurgias.

Egito Vinte séculos antes da era cristã, faziam-se no Egito operações como a trepanação do crânio. Papiros escritos entre 1700 e 1200 a.C., alguns dos quais copiavam outros muito mais antigos, mostram que para efetuar um diagnóstico os egípcios já empregavam as indicações oferecidas pelo pulso, pela palpitação e talvez pela auscultação, e detectavam diversas doenças do abdome, amígdalas, olhos, coração, baço e fígado. Os remédios mais usados eram mel, cerveja, levedura, azeite, cebola, sementes de linho, funcho, aloé, ópio etc.

Homero considerava os médicos egípcios, também elogiados por Heródoto e Diodoro da Sicília, superiores a todos os outros. Anexas aos grandes templos havia escolas médicas. As técnicas de embalsamamento, contudo, embora seus praticantes formassem uma classe especial, não parecem ter influenciado muito o conhecimento da anatomia humana.

Índia Com fontes no primeiro período védico, por volta do século XV a.C., a medicina indiana fundava-se não em estudos anatômicos, mas numa construção sistemática em que se relacionavam os elementos constitutivos do microcosmo - o homem - e os do macrocosmo -- o universo. Saúde era a harmonia entre os humores vitais. A vinculação da medicina a princípios espirituais, base da ioga, foi especialmente importante no budismo. Os grandes mosteiros incluíam hospitais, leprosários e depósitos de medicamentos.

Basicamente preventiva, a medicina indiana via na dietética, aliada à higiene, o fundamento da terapêutica. Séculos antes do descobrimento da vacinação, os hindus já inoculavam a varíola. A alimentação básica compunha-se de cereais e legumes, com proibição de bebidas alcoólicas. Remédios de origem animal, mineral e sobretudo vegetal combinavam-se a outros recursos terapêuticos: clisteres, vomitivos, unguentos, sangrias, ventosas, sanguessugas, banhos de vapor, inalações e pulverizações. A cirurgia indiana foi a mais notável da antiguidade. Praticava-se com mestria extração de tumores, de abscessos e de corpos estranhos, punções, sutura de feridas, operações de cálculo de vesícula e até enxertos de pele.

ChinaA concepção chinesa do mundo, expressa nos princípios do tao, do yin e do yang, orientava a prática médica. Como na Índia, atribuía-se a doença à desarmonia entre o indivíduo e o cosmo.    A medicina teria surgido com os três soberanos lendários (c. 2950-c.2600 a.C.): Fu Hsi, a quem se credita o I Ching; Shen Nung, pai da terapêutica vegetal; e Huang-ti, criador dos ritos e tido como autor do Nei ching, clássico da medicina interna, cujos pontos difíceis seriam esclarecidos mais tarde no Nan ching, atribuído a Pien Tsio (c.430-350 a.C.). Tao Hong-king (452-536 d.C.), mestre taoísta, compilou a farmacopéia de Shen Nung e descreveu 365 drogas minerais, vegetais e animais.

As seculares práticas chinesas atingiram o apogeu de 618 a 907, na época Tang, quando o ensino médico foi controlado pelo estado. Fizeram-se tratados de oftalmologia, obstetrícia, cirurgia, acupuntura, pediatria, higiene e sexologia. A contaminação com varíola como método preventivo foi mencionada pela primeira vez em 1014, por Wang Tan, talvez sob influência irano-indiana.

Durante a dinastia Yuan (1260-1368), organizou-se o colégio imperial de medicina e reimprimiu-se uma enciclopédia médica. Na época Qing (1644-1911), editaram-se outras enciclopédias de assuntos gerais que incluíam a área médica, tema exclusivo da obra de referência Espelho de ouro da medicina, aproximadamente do ano 1700 da era cristã. Invadida pela medicina ocidental a partir dessa época, a medicina tradicional chinesa foi revalorizada depois da revolução comunista, em meados do século XX.

GréciaNas civilizações helênicas, a prática da medicina também esteve inicialmente ligada ao misticismo. Atribuíam-se poderes curadores a várias divindades, mas o deus da medicina seria Asclépio (o Esculápio dos romanos), em cujos santuários, situados junto a fontes e termas, faziam-se as consultas, para receber suas receitas em forma de oráculo.

A medicina científica e leiga, na Grécia, surgiu no seio das primeiras escolas filosóficas, como o pitagorismo. Alcméon de Crotona (séculos VI-V a.C.), médico, astrônomo e filósofo, escreveu o mais antigo livro de medicina grega de que se tem notícia: o Peri phýseos (Da natureza), de que Galeno e Plutarco conservaram fragmentos. Nele se encontra a origem da teoria humoral, que seria retomada por Hipócrates, segundo a qual a saúde resulta da harmonia entre os humores: sangue, pituíta, bile negra e bile amarela.

Outros homens célebres dedicaram-se à medicina na Grécia antiga, mas foi Hipócrates quem sistematizou o saber médico de seu tempo, enriquecendo-o com importantes observações. A medicina moderna confirmou muitas das afirmações do Corpus hippocraticum (Coleção hipocrática), textos provenientes da escola médica de Cós.

Alexandria e RomaEm torno de 300 a.C., mestres helênicos fundaram em Alexandria, no Egito, uma grande escola de medicina em que ensinaram Herófilo e Erasístrato, também gregos. O primeiro, por seus trabalhos de dissecção do corpo humano, fez progredir notavelmente o conhecimento das doenças e da anatomia. Ambos realizaram detalhados estudos do cérebro humano e deram nome a muitas das partes que o compõem, assim como às membranas que as recobrem. A escola de Alexandria entrou depois em decadência.

Em Roma, o exercício profissional da medicina passou a existir com a chegada dos médicos gregos, um dos quais, Asclepíades de Bitínia, fundou uma escola que perdurou após sua morte, por volta de 40 a.C. O governo estimulou o ensino médico e promoveu a saúde pública. Criaram-se leis especiais de higiene, cujo cumprimento foi exigido com severidade. Construíram-se hospitais perto dos campos de batalha e, mais tarde, nas cidades do império.

Também nascido na Grécia, Galeno, que viveu no século II, foi o principal nome da medicina em Roma. Fez cuidadoso estudo do esqueleto humano e, pela dissecção de animais -- a de pessoas era proibida --, especialmente de macacos antropoides, deu continuação ao estudo da fisiologia. Alguns de seus livros são meras listas de medicamentos; outros, contudo, descrevem os ossos com muita exatidão.

Medicina medieval e renascentista No início da Idade Média, a medicina foi cultivada quase somente nos mosteiros. A contribuição árabe, sobretudo para a difusão, em traduções e comentários, do saber greco-romano, muito influenciou a Europa cristã e a medicina da época. Nomes como o de Avicena, cujo Cânon seria básico até o século XVI, desfrutaram de grande prestígio. Os centros de ensino médico proliferaram nos territórios dominados pelos árabes. A partir do século IX, a medicina começou a desvincular-se da tutela da igreja e surgiram escolas notáveis, como as de Salerno, Pádua, Bolonha e Montpellier.

Com o Renascimento, o pensamento humanístico, a revalorização do saber greco-romano, a invenção da imprensa e o interesse pela pesquisa produziram considerável impulso nas ciências médicas, reforçado pelo nascimento de uma escola de arte dedicada à investigação anatômica. Leonardo da Vinci e Michelangelo foram grandes estudiosos do corpo humano, e Andreas Vesalius é pioneiro da anatomia científica moderna.

Outras grandes personalidades da época foram: Paracelso, que acentuou a importância do método experimental e estudou a sífilis; Girolamo Fracastoro, que pesquisou o contágio e intuiu a existência de germes capazes de se reproduzirem; Miguel Servet, que descobriu a "pequena circulação" do sangue; Andrea Cesalpino, que admitiu a possibilidade de uma "grande circulação"; e Ambroise Paré, que nas hemorragias cirúrgicas substituiu a cauterização  pela ligadura das artérias.

Séculos XVII e XVIII A partir do fim do século XVI realizaram-se descrições mais adequadas às descobertas empíricas e pesquisou-se de maneira mais precisa o funcionamento dos órgãos. A invenção e o aperfeiçoamento do microscópio abriram à observação áreas até então inacessíveis: estudaram-se tecidos orgânicos e microrganismos, o que melhorou o conhecimento dos agentes patogênicos. O uso do método científico e a progressiva sistematização do saber originaram as primeiras especializações.

Devem-se registrar, sobretudo, trabalhos como os dos ingleses William Harvey, que descobriu a grande circulação do sangue, e Thomas Sydenham, a que se deve a descrição da escarlatina, da malária e da dança-de-são-vito ou coreia de Sydenham; do italiano Marcello Malpighi, que estudou ao microscópio os capilares sangüíneos; e dos holandeses Reinier de Graaf e Antonie van Leeuwenhoek.

A prática da autópsia tornou-se cada vez mais frequente ao longo do século XVII, o que permitiu ampliar o acervo de conhecimentos e relacionar o aspecto e as características das lesões internas do organismo com as respectivas causas patológicas.

Foi de grande relevo a influência de outras ciências sobre a medicina. A partir da química, Antoine Lavoisier descobriu ser a respiração uma combustão. As experiências com eletricidade feitas por Luigi Galvani e Alessandro Volta, o primeiro dos quais mostrou que estímulos elétricos podiam induzir os músculos ao movimento, modificaram as concepções fisiológicas e abriram horizontes. Nesse terreno, Albrecht von Haller elaborou, no século XVIII, sua teoria da irritabilidade, com a qual procurava explicar os movimentos musculares.

Às ideias mecanicistas, que ganhavam terreno em todas as frentes da ciência, opunham-se teorias vitalistas, que recorriam, para justificar o funcionamento do organismo, a um "princípio vital", situado além da percepção sensorial. O exercício da medicina nos séculos XVII e XVIII, no entanto, ainda era em geral precário e mal aparelhado. A emergência, por exemplo, era prestada nas barbearias, em que se praticava o curandeirismo.

No Iluminismo, a medicina incluiu entre suas áreas de interesse as doenças mentais. Phillipe Pinel, considerado fundador da psiquiatria, iniciou a transformação dos centros em que, em condições terríveis do ponto de vista médico e humano, eram postos os dementes. Tal iniciativa não foi um fato isolado: em muitos países europeus, difundiu-se uma tendência generalizada à melhoria das redes hospitalares e da saúde pública.

A fisiologia da digestão foi minuciosamente pesquisada. René-Antoine de Réaumur comprovou as funções do suco gástrico -- cuja produção pelo estômago Lazzaro Spallanzani demonstrou -- na digestão dos alimentos. William Prout, no século XIX, revelou a presença de ácido clorídrico no estômago e sua intervenção nos processos digestivos.

Um dos mais importantes eventos médicos da época foi a difusão, na Europa, da inoculação variólica, a partir da qual Edward Jenner descobriu, em 1796, a vacinação. Também na transição entre os séculos XVIII e XIX, Samuel Hahnemann formulou os princípios da homeopatia, arte curativa baseada na lei de similitude. Apesar dos ataques de que foi alvo, a homeopatia obteve sucesso no tratamento de várias afecções e difundiu-se lenta mas solidamente.

Século XIX Com os progressos da anatomia, da fisiologia e de outras disciplinas, a medicina firmou-se, no século XIX, como ciência experimental. Johannes Müller publicou suas descobertas no Handbuch der Physiologie des Menschen (1830-1840; Manual da fisiologia humana), e seu discípulo Rudolf Virchow estabeleceu as bases da patologia celular. Claude Bernard, autor da noção de meio interno e um dos fundadores da endocrinologia, expôs seu rigoroso método em Introduction à l'étude de la médecine expérimentale (1865). Sir Charles Bell fez importantes descobertas na fisiologia do sistema nervoso e escreveu New Idea of the Anatomy of the Brain (1811; Nova concepção da anatomia do cérebro). François Magendie avançou no estudo dos nervos motores e sensoriais.

A constatação de que as doenças são provocadas por pequeníssimos organismos vivos (então denominados micróbios) e a busca de uma terapêutica adequada incluem-se entre os fatos mais significativos da medicina do século XIX. Louis Pasteur provou que a fermentação e a putrefação eram causadas por microrganismos (bactérias) e lançou métodos de prevenção do carbúnculo no gado, da cólera nos galináceos e da raiva no homem e no cão. Suas descobertas permitiram a Joseph Lister dar início, na cirurgia, ao que se veio a chamar anti-sepsia.

A descoberta do bacilo da tuberculose e do vibrião da cólera por Robert Koch, outro pioneiro da bacteriologia, fez com que surgissem dessa ciência novas técnicas de diagnóstico, como a reação de Wassermann para a detecção da sífilis, inventada no início do século XX por August von Wassermann. O emprego da anestesia geral em cirurgia foi a maior contribuição da medicina americana nesse período. Para isso se utilizou gás de óxido nitroso e depois éter, cujo uso com finalidade anestésica foi feito provavelmente pela primeira vez por William Thomas Morton. A partir de meados do século, preferiu-se o clorofórmio. A anti-sepsia e a anestesia representaram imenso progresso na prática cirúrgica.

O papel dos insetos na transmissão de certas doenças foi verificado por Sir Patrick Manson na elefantíase, por Sir Ronald Ross na malária e por Carlos Finlay, Walter Reed e William Gorgas na febre amarela. Almroth Wright conseguiu controlar a febre tifoide por meio de vacinação. A descoberta dos raios X, por Wilhelm Conrad Röntgen, e a do rádio, por Pierre e Marie Curie, propiciaram vários tipos de diagnóstico e de tratamento que, apesar de arriscados, foram novas conquistas significativas.

Entre os séculos XIX e XX, Pavlov e Freud foram responsáveis por contribuições que marcaram a fundo as ciências do comportamento, o primeiro pelos estudos do sistema nervoso central e os reflexos condicionados, o segundo pela psicanálise, cuja repercussão incidiu principalmente sobre o século seguinte e levaram à reformulação da psiquiatria, da psicopatologia e da própria compreensão da natureza humana.

Século XXComo aconteceu em tantas outras ciências e tecnologias, no século XX as conquistas da medicina aceleraram-se e multiplicaram-se como nunca. O desenvolvimento das técnicas de pesquisa em microbiologia e os progressos registrados em bioquímica, citologia e genética permitiram aprofundar a análise das causas das doenças em níveis jamais alcançados. Ácidos nucleicos, proteínas, hormônios e vitaminas foram revelando sua estrutura aos pesquisadores, ao mesmo tempo que se organizavam e sistematizavam novos campos como a imunologia, a virologia, a dermatologia e a oftalmologia.

Aperfeiçoaram-se extraordinariamente os procedimentos de exame do paciente e elaboraram-se técnicas operatórias que possibilitaram cirurgias de alta precisão, sobretudo a neurocirurgia, a cirurgia cardiovascular e os transplantes de órgãos. Em 1967 Christiaan Barnard fez o primeiro transplante de coração e na década de 1980 obtiveram-se êxitos notáveis em transplantes múltiplos de órgãos, como rim e fígado. Também se implantaram órgãos artificiais, especialmente corações fabricados com materiais plásticos, como o Jarvik 7.

Deve-se a Paul Ehrlich, que estabeleceu a afinidade seletiva de certos tecidos com determinados produtos químicos, a inauguração da era da quimioterapia, incrementada pela obtenção da primeira sulfamida por Gerhard Domagk, e dos antibióticos (a começar pela penicilina), a que estão ligados, entre outros, os nomes de Alexander Fleming, Howard Florey, Ernst Chain e Selman A. Waksman, descobridor da estreptomicina e da actinomicina. Todos esses fármacos imprimiram profunda renovação às práticas terapêuticas, em relação aos processos infecciosos.

Assistiu-se também às inovações ainda mais revolucionárias da eletrônica e da informática na clínica, nos hospitais e em novos desdobramentos da radioterapia. A saúde pública, nos países desenvolvidos, adquiriu grande eficiência e, depois da criação, em 1946, da Organização Mundial de Saúde (OMS), o planejamento médico ganhou escala planetária. Apesar de todas as conquistas, no entanto, no fim do século XX a medicina continuava a enfrentar enormes desafios, entre os quais se podem citar o câncer em suas várias formas; a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), que se alastrava de forma epidêmica e assustadora; as doenças degenerativas, de maior incidência nos países desenvolvidos, exatamente por terem estes superado a maior parte dos outros males; os surtos epidêmicos e as afecções endêmicas, assim como os graves males resultantes da desnutrição e da miséria, em muitas regiões do Terceiro Mundo.

 Medicina no Brasil

Medicina no Brasil

Colônia. A saúde dos índios brasileiros despertou a atenção dos descobridores. Afora ferimentos por luta ou acidente, picadas de insetos ou problemas resultantes da caça de animais, eram raras as doenças observadas nos indígenas pelos primeiros cronistas. Em sua medicina, rituais, amuletos e remédios supersticiosos somavam-se a práticas como abluções, repouso, jejum, uso do calor sob várias formas e utilização de ervas.

Nesse particular, é impossível distinguir hoje o que era autóctone do que foi acrescentado pelos missionários. Supõe-se que o emprego da ipecacuanha ou poaia - vomitivo, expectorante e antidisentérico - e do jaborandi - tônico, diurético e diaforético - é contribuição, importantíssima, do índio. Os padres buscaram espécies parecidas com as da Europa ou do Oriente e introduziram várias drogas vegetais.

A murta-do-mato, sucedânea da quina, obteve tal sucesso na profilaxia das febres que passou a ser exportada, como "pó dos jesuítas", para a metrópole. Usavam-se também alecrim, estimulante; carimã e mingaus de mandioca, ditos excelentes para aliviar distúrbios intestinais; fumo umedecido com saliva ou, como fumaça, soprado em picadas venenosas; e guaraná, contra males intestinais, dores nevrálgicas e sobretudo como tônico e reconstituinte.

Outros recursos eram caldo de jenipapo, contra pústulas; leite de cansanção, em conjuntivites; óleo e bálsamo de copaíba, antitetânico tópico; folha de caroba, em erisipelas; casca de barbatimão, em piodermites; bálsamo de caboreíba, expectorante; raiz de jalapa, sementes de mamona e de coco andá-açu, purgativos; malva, em inflamações locais; e urtiga, revulsivo, como ajuda às ventosas de chifre de boi.

Ventosas, sangrias e sarjaduras foram levadas pelos padres, a quem as circunstâncias haviam imposto o exercício da medicina, e para os quais essa atividade era, além de obra de misericórdia, arma de catequese, pois as curas desacreditavam o pajé. Os índios, porém, se ressentiram gravemente do contato com os estrangeiros. Sem imunidade natural contra males que desconheciam, foram dizimados até por doenças infantis vindas de fora, como catapora e sarampo. Os brancos (portugueses, franceses e holandeses) trouxeram a varíola, sífilis, lepra e tuberculose; os negros, a bouba, tracoma, ainhum, escorbuto, opilação, esquistossomose, maculo ou mal-de-bicho e a dracunculose ou bicho-da-costa (filária da conjuntiva).

A primeira epidemia (1549) não foi identificada; a segunda (1554) parece ter sido de gripe pulmonar; as duas seguintes (1561 e 1563), de varíola, atacaram desde o Recôncavo até Piratininga, e mataram trinta mil índios, só na Bahia. A varíola acometeu anualmente de 1597 a 1616 e, em surtos esporádicos, entre 1664 e 1683. Nos últimos meses de 1685, houve em Pernambuco uma epidemia de febre amarela.

O espanhol Mestre João, bacharel em artes e medicina, cirurgião del-rei, foi o primeiro médico a pisar terras brasileiras, mas como observador dos astros na frota de Cabral. Tomé de Sousa trouxe o cirurgião-mor Jorge Valadares, que residiu em Salvador até 1553. Com Duarte da Costa chegou o primeiro físico-mor, Jorge Fernandes. Afonso Mendes, novo cirurgião-mor, acompanhou Mem de Sá.

Exceto os citados, poucos físicos, cirurgiões, barbeiros (na época, curandeiros) e licenciados vieram para o Brasil no período colonial. Alguns, militares destacados para ministrar junto à tropa, ansiavam pela volta ao reino. Outros deslocavam-se de povoado em povoado e só começaram a fixar-se no fim do século XVII. Cem anos mais tarde, havia quatro médicos instalados na cidade do Rio de Janeiro, três em Recife e dois em Belém do Pará. Tal escassez explica a proliferação do curandeirismo.

Além disso, a medicina portuguesa era ainda um misto de tirocínio, ciência e crendice. O médico e cirurgião Luís Gomes Ferreira, radicado em Sabará MG, descreveu acuradamente as parasitoses no Erário mineral (1735), mas pendurava alambre branco ao pescoço dos pacientes para conjurar sonhos tristes. João Antônio Mendes, cirurgião-mor do reino em Minas Gerais, autor de um guia prático de medicina caseira, Governo de mineiros (1770), receitava minhocas para resolver panarícios e pó de pescoços de galo torrados contra dor de garganta.

Desde a metade do primeiro século da colonização, as santas casas de misericórdia prestaram bons serviços. As mais antigas são a de Olinda, que já funcionava em 1540; a de Santos, fundada em 1543; e a da Bahia, criada em 1549. Seguiram-se as do Rio de Janeiro, do Pará, de São Luís do Maranhão, de Igaraçu, da Paraíba, de Itamaracá, de São Paulo, de Sergipe, do Espírito Santo e de Campos dos Goitacases (RJ).

A população contava ainda com a assistência de uns poucos hospitais. Entre outros, o da Venerável Ordem Terceira da Penitência, erguido em 1648, e o da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, de 1733, ambos no Rio de Janeiro; o de Nossa Senhora do Paraíso e São João de Deus, instituído em 1684 no Recife pelo governador D. João de Sousa; e o de São João de Deus, anterior a 1728, fundado em Cachoeira (BA).

Império - A vinda da corte portuguesa trouxe medidas de melhoria sanitária e, sobretudo, marcou o início do ensino médico no Brasil. Antes, era preciso estudar em Portugal. O primeiro brasileiro a formar-se em medicina em Coimbra foi o padre Bernardino Pessoa de Almeida, que, de volta, abandonou a batina para casar-se e clinicou em Olinda e Recife. O mais ilustre foi Francisco de Melo Franco (1757-1823), filho e irmão de médico, precursor da puericultura brasileira com seu Tratado de educação física dos meninos (1790), publicado em Lisboa.

Em fevereiro de 1808, D. João VI restabeleceu os cargos de cirurgião-mor do Exército e físico-mor do reino e nomeou, para o primeiro, o pernambucano José Correia Picanço, lente jubilado de Coimbra. A conselho deste, no mesmo mês ordenou a criação da Escola de Cirurgia do Salvador e, em abril, a da Escola de Cirurgia de São Sebastião do Rio de Janeiro. Esta última transformou-se em Academia Médico-Cirúrgica em 1813; a da Bahia, em 1815. Ambas tornaram-se faculdades de medicina em 1832.

O próprio Picanço escolheu e fez nomear os professores da escola da Bahia. Na do Rio de Janeiro, onde frei Leandro do Sacramento lecionou botânica médica, dois ilustres portugueses, Joaquim da Rocha Mazarém e José Maria Bontempo, lançaram os germes da influência francesa, que viria a ser dominante. Para isso também contribuíram os médicos brasileiros formados, desde o século anterior, em Montpellier.

Em 1888 reuniu-se no Rio de Janeiro o I Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia. Ainda no segundo reinado, a fundação de várias instituições, como a do Laboratório de Fisiologia Experimental do Museu Nacional em 1881 e do Instituto Pasteur em 1888, preparou o desenvolvimento da pesquisa científica que passou a caracterizar, mais tarde, a fase racional da medicina brasileira. Fundada em 1829 com o nome de Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, a Academia Nacional de Medicina é a mais antiga das sociedades brasileiras dessa área. Muito antes, contudo, as primeiras associações científicas do país já incluíam médicos em seus quadros. Com o lançamento, em 1829, por iniciativa de José Francisco Xavier Sigaud, do Propagador das Ciências Médicas ou Anais de Medicina, Cirurgia e Farmácia, nascia a imprensa especializada.

Seguiram-se, entre outras publicações, o Semanário de Saúde Pública (1881), mais tarde Boletim da Academia Nacional de Medicina, a Gazeta Médica Brasileira (1882) e o Brasil Médico (1887). A Gazeta Médica da Bahia, importante na história da pesquisa experimental, surgiu em 1886 em Salvador. A Revista Médico-Cirúrgica do Brasil circulou ininterruptamente de 1893 ao início da década de 1960.

RepúblicaNos primeiros anos da república, o governo, empenhado em tratar as doenças epidêmicas e endêmicas, cujos índices aumentavam, criou o Conselho de Saúde, reorganizou o Serviço Sanitário Terrestre, unificou o Serviço de Higiene da União e criou a Diretoria Geral de Saúde Pública. Na passagem do século, a peste bubônica atingiu Santos, São Paulo e Rio de Janeiro, o que levou à fundação do Instituto Soroterápico de São Paulo, depois Instituto Butantã, criado por Vital Brasil, e do Instituto Soroterápico Federal, depois Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos, hoje Instituto Osvaldo Cruz.

Ambos produziram trabalhos admiráveis, como as pesquisas de Cardoso Fontes sobre o bacilo da tuberculose, a descoberta da tripanossomose americana por Carlos Chagas e os estudos de Gaspar Viana sobre o tratamento do granuloma venéreo, da ozena e da leishmaniose por injeções endovenosas de tártaro emético. Em 1903, quando Osvaldo Cruz foi nomeado para a Diretoria Geral de Saúde Pública, ainda grassavam no Rio de Janeiro sérias epidemias de febre amarela. Animado pelos resultados que a comissão americana obtivera em Havana e pelos trabalhos de Emílio Ribas em São Paulo, Osvaldo Cruz formulou seu plano para extinguir o mosquito transmissor.

Apesar da resistência do Parlamento, da imprensa, da população e da categoria dos médicos à ação sanitária, em 1907 o governo anunciou que a febre amarela deixara de ser o maior flagelo do país. A instituição da vacina obrigatória contra a varíola, em 1904, também provocou revolta, mas a campanha acabou bem-sucedida.

As vitórias de Osvaldo Cruz, assim como a de Carlos Chagas sobre a gripe espanhola em 1918, sua descoberta do Trypanosoma cruzi e sua teoria domiciliar de transmissão da malária mostraram bem a maioridade científica do Brasil. Na segunda metade do século XX, dois médicos brasileiros destacaram-se a serviço de agências especializadas da Organização das Nações Unidas: Marcolino Candau, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (1953-1973), e Josué de Castro, presidente do Conselho da FAO, sigla inglesa da Organização de Alimentação e Agricultura (1952-1956).

Criado em 1931, o Ministério da Educação e Saúde foi desmembrado em 1953 para formar o da Educação e Cultura e o da Saúde. A Escola Nacional de Saúde Pública é de 1954; o Departamento Nacional de Endemias Rurais, de 1956; e o Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, de 1959. Nas últimas décadas do século, no entanto, em função do grande crescimento demográfico e dos crescentes problemas sociais, o Brasil ressentia-se de uma saúde pública e  sistema hospitalar cada vez mais insatisfatórios, sob sucessivos escândalos de inoperância e corrupção.

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Autópsia, Como é Feita uma Autópsia?

Autópsia, Como é Feita uma Autópsia?

#Autópsia, Como é Feita uma Autópsia?A autópsia, também chamada mais apropriadamente necrópsia, é a dissecação e o exame detalhado de um cadáver e de seus órgãos para determinar a causa da morte, observar os efeitos da doença, identificar as sequências de alterações e, assim, demonstrar a evolução e os mecanismos dos processos mórbidos.

Fundamental para determinar a causa da morte, a autópsia desempenha importante papel na elaboração de estatísticas de mortalidade e na indicação de contágios e epidemias. Ajuda também a revelar erros, a detectar novos males e modalidades de doenças.

As primeiras dissecações para estudo de doenças, realizadas por médicos de Alexandria, ocorreram por volta do século III a.C., mas foi Galeno, no final do século II da nossa era, o primeiro a comparar os sintomas e os sinais mórbidos do paciente com as constatações feitas no exame da parte lesada do cadáver.

A retomada dos estudos de anatomia no Renascimento possibilitou a identificação de anormalidades. Giovanni Battista Morgagni, considerado o pai da patologia moderna, descreveu em 1761 o que se podia ver no cadáver a olho nu. Comparou os sintomas e observações de cerca de 700 pacientes com o que se encontrava anatomicamente no exame de seus corpos. Assim, o estudo do paciente substituiu o estudo de livros e a comparação de tratados.

A autópsia moderna expandiu-se para abranger a utilização de todo o conhecimento e de todos os  instrumentos das ciências básicas especializadas. O exame estendeu-se a estruturas que, por muito pequenas só podem ser vistas através do microscópio eletrônico e à biologia molecular.

MétodoO primeiro passo é uma inspeção completa da parte externa do cadáver, em busca de alguma anormalidade ou lesão, é um exame minucioso do interior do corpo e de seus órgãos. Em geral, seguem-se outros estudos, como análises microscópicas de células e tecidos, culturas e análises químicas.

Faz-se no torso uma incisão em forma de Y, que parte de cada axila ou de cada ombro até a base do esterno e daí continua até o baixo abdome, onde as virilhas se unem na área genital. Cada órgão pode ser removido separadamente para exame, ou o conjunto dos órgãos torácicos são extraídos em um único grupo e os abdominais em outro grupo. Os grandes vasos do pescoço, cabeça e braços são ligados e os órgãos retirados em bloco para dissecação. Os órgãos do pescoço são examinados no local ou removidos por baixo. O cérebro é examinado no crânio, e depois de seccionadas suas ligações, é removido em bloco. A medula espinhal também pode ser extraída.

Daí em diante a dissecação efetua-se pelas costas,  exceto quando se encontra algo que exija modificação no método. Em geral, os grupos de órgãos são removidos juntos para que se determine se há alteração em suas interações funcionais.

O anatomista passa então a examinar a superfície externa e seccionada de cada órgão, suas estruturas vasculares, inclusive artérias, vasos linfáticos, tecido fibroso e nervos. Se necessário, ele pode recolher material para exames posteriores. Imediatamente após a conclusão do processo, todos os órgãos são devolvidos ao corpo e as incisões cuidadosamente suturadas. Uma vez reconstituído o corpo, não resta nenhum indício da autópsia. Concluídos todos os exames -- histológico, químico, toxicológico, bacteriológico e virológico -- elabora-se um relatório que descreve a causa do óbito.

A autópsia na medicina forense. Empregada em casos de crimes e acidentes, a autópsia forense deve descrever em detalhes a aparência exterior e as partes internas do cadáver. A investigação do local do óbito é importante, pois a avaliação das circunstâncias pode ser fundamental para se esclarecer uma morte suspeita, como, por exemplo, causada por suicídio. A documentação fotográfica também é necessária. A autópsia deve ser sempre completa a fim de excluir qualquer causa que possa ter contribuído para o óbito.

Se possível, a hora da morte e o grupo sanguíneo devem ser determinados. Em todas as autópsias, e sobretudo em casos de medicina legal, convém que as descobertas sejam ditadas a um estenógrafo ou gravador mesmo enquanto o anatomista executa o procedimento. Esse registro muitas vezes se torna uma prova legal e deve, portanto, ser completo e preciso.

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