A História de Jesus Cristo

A História de Jesus Cristo

História de Jesus Cristo

Para os cristãos, Jesus Cristo não é meramente uma pessoa importante que viveu e morreu há muito tempo. De acordo com as "Boas Novas" (Evangelhos), em especial o Evangelho segundo João, ele é o próprio Deus Criador, "sem o qual nada do que foi feito se fez” (João 1); que encarnou como homem comum (ou quase) e viveu nesta Terra para nos ensinar quanto ao Caminho da Vida e, principalmente, ao final desta vida terrena, derramar o seu sangue para nos dar a vida eterna, resgatando a humanidade sofredora do poder do pecado, de Satanás e da morte. Ele está vivo hoje, agora, e é a nossa única possibilidade de alcançar a vida verdadeira: a santificada.

Segundo essa visão, aceitar ou rejeitar Jesus Cristo é simplesmente uma questão de vida ou morte. “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 João 5,12). E não estamos falando desta vida neste mundo, apenas. Estamos falando da vida eterna de nossa alma imortal. Não há salvação por nenhum outro meio; porque “debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual sejamos salvos” (Atos 4,12).

Jesus Cristo

Segundo a mesma perspectiva, Jesus é o Cristo que preexistia antes de todas as coisas...

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus.” - João 1,1-3

Pois, nele, foram criadas todas as coisas....Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas...” - Colossenses 1:16, 17

Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU.” - João 8:58

... E os Profetas predisseram a sua vinda:

"Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamará 'Deus Conosco'.” - Isaías 7:14

E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” - Miquéias 5:2

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim....” - Isaías 9:6, 7

Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer....Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi trespassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades...” - Isaías 53:3, 4, 5

Mas independentemente de quaisquer das questões subjetivas da fé, é um fato que a ideia do Deus todo-poderoso, distante e abstrato do judaísmo, comum também a outras religiões ancestrais, foi definitivamente substituída pela do Pai Amoroso, bem real, próximo e presente, a partir da surpreendente vida de Jesus de Nazaré.

Biografia de Jesus Cristo

Biografia de Jesus Cristo

Judeu da Galileia, nascido em Belém, cidade da Judeia meridional, nos últimos anos do reinado de Herodes o Grande, quando Roma dominava a Palestina e Augusto era o imperador. Independente da ótica religiosa, ele produziu uma das mais profundas alterações na história das civilizações, seja por meio da sua imagem mística de “Filho de Deus” ou como profeta, moralista, revolucionário ou outra das muitas facetas a ela atribuídas.

O aparente paradoxo sobre o ano de seu nascimento deve-se a um erro de datação creditado a um monge romano. - No ano 531 da nossa era, um abade romano chamado Dionísio Exíguo, ‘o Pequeno’, escreveu uma carta a um certo bispo Petrônio, reclamando do calendário usado para registrar as datas calculadas para a Páscoa. O ano era '247 anno Diocletiani' (ano de Diocleciano), e lembrava a morte dos mártires cristãos perseguidos pelo imperador romano Diocleciano. Dionísio argumentou que tal calendário lembrava um imperador famoso pela perseguição dos cristãos, e que seria preferível "contar os anos a partir da Encarnação de Nosso Senhor". Dionísio então calculou que o nascimento de Jesus Cristo acontecera exatamente 531 anos antes. A esse ano ele chamou de 'ano I', ou “Il anno Domini nostri Jesu Christi” - Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo. - A carta, assinada em 531 aD ('anno Domini': 'Ano do Senhor') ou dC ('depois de Cristo'), iniciou a contagem de anos que até hoje utilizamos.

Mas, infelizmente, os cálculos de Dionísio estavam errados... A precisa data real do nascimento de Cristo é, até hoje, desconhecida. Os evangelistas não datavam as suas obras e as únicas referências disponíveis são os fatos históricos relatados e datados pelos romanos, que utilizavam o calendário estabelecido por Júlio César em 46 aC. - O calendário romano começava em 753 aC, data da suposta fundação de Roma. - Para os romanos, o ano 1 dC era 753 A.U.C. ('Anno Urbis Conditae' - ano da fundação da cidade).

O Evangelho de Mateus afirma que Jesus nasceu na época de Herodes, o Grande, que segundo os registros históricos romanos morreu em 749 A.U.C., ou seja, 4 aC. Isto quer dizer que Cristo nasceu pelo menos 4 anos “antes de Cristo”, isto é, a partir de 4 aC. - Para muitos estudiosos, o nascimento ocorreu entre 5 e 4 aC. Assim, o ano 2.000 do nosso calendário, contado a partir do que seria o verdadeiro ano do Senhor, já se passou, e ocorreu provavelmente entre 1996/97.

Quanto ao 25 de Dezembro, este só foi fixado como a data de celebração do nascimento de Cristo quando já eram passados mais de quatro séculos da nossa era, - em 440 dC, - numa medida para converter ao cristianismo a festa pagã que se realizava naquele dia. - O objetivo da Igreja era fazer com que os romanos abandonassem os festejos em honra ao deus Mitra, o ‘Sol Invictus’, para celebrar o nascimento de Jesus, a um só tempo Filho de Deus e único Deus verdadeiro: trocar a celebração de um ídolo pela celebração do nascimento do Filho do Deus Vivo.

Um dado curioso: o episódio bíblico da visita dos magos teria ocorrido cerca de 8 meses depois do nascimento de Jesus, ou precisamente em 19/12/06 aC. Essa data exata justificaria inclusive a menção à ‘Estrela Guia’, por uma conjunção planetária identificada em estudos astronômicos modernos.

Os Evangelhos

Os Evangelhos 

O principal testemunho sobre a vida e a doutrina de Jesus está contido nos quatro evangelhos denominados canônicos, que constituem a base da fé cristã. Ali estão relatadas as suas palavras e atos, e também as reações do povo ao que ele dizia e fazia. Aceita-se que tenham sido escritos originalmente em grego, se bem que existam sólidas evidências de que o de Mateus possa provir de um texto aramaico anterior. Há muita controvérsia com relação à época em que foram escritos os Evangelhos, e nós voltaremos a este assunto: muitos pesquisadores respeitados consideram o de Marcos anterior ao ano 80, outros o encaixam num período entre 20 e 25. - Mas entre os especialistas há também aqueles que consideram os Evangelhos como registros quase jornalísticos, produzidos como uma espécie de diário 'online' da vida de Jesus, tendo sido escritos enquanto os fatos aconteciam. – Embora a maioria dos estudiosos rejeite essa última tese, existem evidências bem interessantes nesse sentido, como o célebre “Papiro de Jesus”, descoberto por um pesquisador inglês no século 19. - Esta é uma outra história a ser contada. 

Os relatos dos quatro Evangelhos coincidem entre si no conteúdo principal, mas existem diferenças entre um e outro, embora nenhuma delas esteja diretamente relacionada a conceitos essenciais. Há coincidências importantes, também, entre os Evangelhos e os relatos de historiadores da época, como Flávio Josefo, - correspondente judeu da corte de Domiciano e o maior dos historiadores romanos, e também Tácito, para ficar nos exemplos mais óbvios. Eu falei mais sobre esse assunto aqui.

Filho de José, um carpinteiro de Nazaré da Galileia, e sua esposa Maria, Jesus nasceu quando seus pais estavam em Belém por causa de um recenseamento. Como corria a notícia de que tinha nascido aquele que se tornaria o 'Rei dos Judeus', e como não se sabiam maiores detalhes a respeito, Herodes ordenou a matança de todas os meninos de Belém até dois anos de idade. Jesus, porém, escapou da matança porque seus pais conseguiram fugir para o Egito. Ali permaneceram até a morte de Herodes, alguns meses depois, quando José decidiu regressar com sua família, e estabeleceu-se em Nazaré, onde Jesus provavelmente passou a maior parte da sua vida, trabalhando com o pai nas tarefas de carpintaria.

Segundo Lucas, sua primeira aparição pública se deu aos 12 anos, quando a 'Sagrada Família' visitava Jerusalém: seus pais o encontraram entre os doutores do Templo, ouvindo-os e interrogando-os, e consta que já demonstrava assombrosa sabedoria.

Segundo a tradição cristã, após a morte de José, Jesus compreendeu que estava na hora de começar a cumprir sua missão divina. Aos trinta anos encontrou-se, na Judéia, com seu primo João Batista, filho de Zacarias, famoso na região do Jordão por pregar o batismo para o perdão dos pecados. Ali, também Jesus foi por João batizado, e a partir desse momento iniciou o anúncio das 'Boas Novas', - ‘Evangelho’ no grego, - ou seja, a realização das profecias sobre o Messias e a instauração do Reino de Deus no mundo, a partir de Israel.

Seguiu-se então uma série acontecimentos absolutamente incomuns em sua vida, a começar pelo jejum de quarenta dias no deserto e o episódio miraculoso da conversão da água em vinho nas bodas de Caná, primeira manifestação do seu poder divino. - Iniciou a sua pregação e realizou inúmeros milagres, de Samaria à Galileia. Foi rejeitado em Nazaré, quando declarou que “Um profeta não fica sem honra, a não ser na sua terra, entre os seus parentes, e na sua. própria casa." (Marcos 6, 1-6) – Afirmação que deu origem ao dito popular “Santo de casa não faz milagre”. Em Cafarnaum, às margens do lago Tiberíades ou mar da Galileia, aconteceu o episódio da pesca milagrosa.

Aos 31 anos completou a escolha dos seus 12 apóstolos diretos, todos eles galileus, para segui-lo de perto e aprender os mistérios do Reino do Céu, além de, posteriormente, receber dele a autoridade sobre a sua doutrina e a Igreja nascente. Os doze foram estes:

Os Evangelhos

1) Simão Pedro, o “Príncipe dos Apóstolos”;
2) André, o primeiro “pescador de homens” e irmão de Pedro;
3) João, o “Discípulo Amado”;
4) Tiago o Maior, filho de Zebedeu e irmão de João;
5) Felipe, o místico helenita;
6) Bartolomeu Natanael, o Viajante;
7) Tomé, o Ascético;
8) Mateus Levi, o publicano;
9) Tiago Menor, filho de Alfeu;
10) Judas Tadeu, primo do Cristo;
11) Simão Zelote, o cananeu;
12) Judas Iscariotes, o traidor, que viria a ser substituído por Matias.

Foi também aos 31 anos que Jesus realizou o famoso Sermão da Montanha e pregou suas mais notáveis parábolas, através das quais transmitia sua doutrina ao povo, aos sacerdotes e especialmente aos seus seguidores. No período de seus 32 anos aconteceu a morte de João Batista por ordem de Herodes Antipas, e dois grandes milagres: a multiplicação dos pães e dos peixes e a ressurreição de Lázaro.

Também nesse período Jesus ensinou no templo de Jerusalém, estabeleceu o primado de Simão, a quem chamou 'Pedro' ('pedra', 'rocha'). Foi em presença deste, e também de Tiago e de João, que Jesus realizou o prodígio da Transfiguração, quando, no topo de um alto monte “foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz”. Logo depois, “uma nuvem luminosa os envolveu; e eis que, vindo da nuvem, uma Voz dizia: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi'”...

Algum tempo depois, Jesus entrou triunfante em Jerusalém. - À época de seu nascimento, a Galileia era um conhecido foco da resistência judia contra Roma. O povo judaico esperava por um salvador revolucionário e libertador que recuperasse a sua independência política perdida desde o exílio da Babilônia, no fim do século VI aC; depois de dominados por outros povos, tinham passado ao poder de Roma (63 aC). A pregação de Jesus, portanto, para muitos judeus estava longe de ser coerente com a missão de ser apenas o “rei dos judeus”.

Santa Ceia

Aos 33 anos Jesus foi considerado blasfemo e acusado de conspirar contra o César, quando Tibério era imperador de Roma. Aprisionado no horto de Getsêmani, foi levado até ao pontífice Anás. Ante Caifás, príncipe dos sacerdotes, com quem haviam se reunido os escribas e os anciãos, foi submetido a um processo político/religioso. Depois foi conduzido à residência do procurador romano da Judéia, Pôncio Pilatos, que, sem entender a revolta da população, o enviou a Herodes Antipas. Por um gesto político de Herodes, foi devolvido a Pilatos, que não achou delito naquele homem, mas diante da pressão dos chefes de Israel e de uma multidão incitada por eles, propôs uma permuta de prisioneiros. A maior parte da multidão, porém, optou pela soltura do prisioneiro político Barrabás quando da opção de troca proposta.

Pilatos então pronunciou a sentença da condenação de Jesus à morte na cruz, considerada uma das penas mais cruéis de todos os tempos, depois de declarar-se “inocente do seu sangue”. De acordo com as leis romanas, foi barbaramente flagelado e teve que carregar sua cruz até a colina do Calvário, no monte chamado 'Gólgota' ('Caveira'). Ali foi crucificado junto com dois malfeitores comuns, - segundo cálculos de estudiosos, historiadores e astrônomos, isso aconteceu no dia 7 de abril, dez dias antes de completar 33 anos de idade.

A paixão de Jesus, desde a última ceia até a sua crucifixão e morte, é mais ou menos minuciosamente relatada pelos quatro evangelistas, porém não se pode afirmar com certeza absoluta o lugar exato em que se cumpriu a sentença, pois a destruição de Jerusalém no ano 70 arrasou todos os possíveis vestígios, restando apenas os relatos populares e a tradição. Cinquenta dias após a sua morte, durante a festa de Pentecostes, os apóstolos escolhidos pelo próprio Jesus, entre seus muitos discípulos para divulgar o Evangelho ao mundo, anunciaram a sua ressurreição, e que haviam sido enviados a pregar a todo o mundo a Boa Nova da Salvação.

Jesus de Nazaré

"Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz." - João 18:37

"Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem." - João 7:37-39

"Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne." - João 6:51

"Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas." - João 10:9, 11

"Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a Luz da Vida." - João 8:12

"Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá." - João 11:25

Jesus de Nazaré

Fonte: © 1993 Sociedade Biblica do Brasil

Zoroastrismo | Sistema Religioso-Filosófico da Antiga Pérsia

Zoroastrismo | Sistema Religioso-Filosófico da Antiga Pérsia

Zoroastrismo | Sistema Religioso-Filosófico da Antiga Pérsia

Dois princípios supremos, o bem e o mal, caracterizavam o zoroastrismo. Substituído pelo islamismo, o zoroastrismo reduziu-se a grupos de guebros no Irã e de parses na Índia, mas deixou traços nas principais religiões, como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Zoroastrismo é um antigo sistema religioso-filosófico que repousa no postulado básico de uma contradição dualista, a do bem e do mal, inerente a todos os elementos do universo. Os pressupostos do sistema foram estabelecidos por Zoroastro, ou Zaratustra, que, nascido na Pérsia no século VI a.C., que parece ter sido um reformador do masdeísmo ou mazdeísmo, antiga religião da Média. A doutrina de Zoroastro foi transmitida oralmente e recolhida nos gathas, os cânticos do Avesta, conjunto de livros sagrados da religião.

As reformas de Zoroastro não podem ser entendidas fora de seu contexto social. A sociedade dividia-se em três classes: a dos chefes e sacerdotes, a dos guerreiros e a dos criadores de gado. Essa estrutura se refletia na religião, e determinadas deidades (daivas), estavam associadas a cada uma das classes. Ao que parece os ahuras (senhores), que incluíam Mitra e Varuna, só tinham relação com a primeira classe. Os servos, mercadores, pastores e camponeses eram considerados insignificantes demais para ser mencionados nas crônicas e estelas, embora tivessem seus próprios deuses.

O zoroastrismo prescreve a fé em um deus único, Ahura Mazda, o Senhor Sábio, a quem se credita o papel de criador e guia absoluto do universo. Dessa divindade suprema emana seis espíritos, os Amesas Spenta (Imortais Sagrados), que auxiliam Ahura Mazda na realização de seus desígnios: Vohu-Mano (Espírito do Bem), Asa-Vahista (Retidão Suprema), Khsathra Varya (Governo Ideal), Spenta Armaiti (Piedade Sagrada), Haurvatat (Perfeição) e Ameretat (Imortalidade). Juntos, Ahura Mazda e esses entes travam luta permanente contra o princípio do mal, Angra Mainyu (ou Ahriman), por sua vez acompanhado de entidades demoníacas: o mau pensamento; a mentira, a rebelião, o mau governo, a doença e a morte.

Zoroastrismo | Sistema Religioso-Filosófico da Antiga Pérsia

Como fruto dessa noção, há no zoroastrismo uma série de exortações e interdições destinadas a dirigir a conduta dos homens, para reprimir os maus impulsos. Através do combate cotidiano a Angra Mainyu e sua coorte (que se manifestam, por exemplo, nos animais de presa, nos ladrões, nas plantas venenosas etc.), o indivíduo torna-se merecedor das recompensas divinas, embora tenha liberdade para decidir-se pelo mal, caso em que será punido após a morte. Enquanto religião, o zoroastrismo reduziu sensivelmente a importância de certos rituais indo-arianos, repelindo alguns elementos cerimoniais correntes no Irã, como as bebidas estimulantes e os sacrifícios sangrentos.

Após a adoção oficial do zoroastrismo pelos aquemênidas, no reinado de Dario I, redigiu-se o Avesta ou Zend-Avesta, livro sagrado no qual - na parte denominada gathas, hinos metrificados em língua arcaica - encontra-se a sistematização tardia dessa religião, que teria sido feita pelo próprio Zoroastro. Entretanto, sob os sucessores de Dario, o zoroastrismo transformou seu caráter, convertendo-se em mazdeísmo (ou masdeísmo), impregnado de crenças populares e mais complexo dos pontos de vista escatológico e ritualístico. Apesar dos pontos de contato entre o zoroastrismo clássico e o mazdeísmo aquemênida (como a purificação ritual pelo fogo), permanecem sem resposta conclusiva. Ainda se discutem entre os especialistas numerosas questões relativas à influência que a reforma de Zoroastro por certo exerceu sobre outros movimentos religiosos orientais, inclusive o judaísmo, o cristianismo e o maniqueismo.

Zulus | África do Sul

Zulus | África do Sul

Zulus | África do Sul

Durante todo o século XIX os clãs zulus resistiram bravamente à dominação branca, primeiro contra os bôeres holandeses e depois contra os ingleses, que só os submeteram devido à superioridade militar.

Os zulus são um povo banto da região de Natal, na África do Sul, ligados de perto aos suázis e xhosas. Os zulus eram apenas um dos vários clãs dos nguni até se unirem aos nguni de Natal, no começo do século XIX, e formarem um império guerreiro liderado por Chaka, que foi morto por um rival, Dingaan, antes do contato com os brancos.

Com base numa organização social patriarcal, os zulus praticam a poligamia, assim como o levirato, casamento compulsório da viúva com o cunhado. O homem mais velho de cada clã torna-se chefe e se subordina a um rei. A religião desse povo baseava-se na adoração a um deus criador e em bruxos e feiticeiros, mas depois foi adotado um cristianismo que tendeu a cindir-se em igrejas autônomas ou orientadas por profetas, muitas vezes ricos e influentes. A língua banto dos zulus é uma das predominantes no sul da África.

Tradicionalmente plantadores de grãos, os zulus também foram criadores de gado e mantinham seus rebanhos pela prática do ataque de surpresa aos rebanhos vizinhos. Os colonizadores, no entanto, apossaram-se da água e dos pastos dos zulus, que hoje são empregados em fazendas de brancos ou nas cidades.

Zoonose | Doenças de Animais Transmissíveis ao Homem

Zoonose | Doenças de Animais Transmissíveis ao Homem

Zoonose | Doenças de Animais Transmissíveis ao Homem
A abertura de estradas através da floresta e a construção de novas cidades no interior leva o homem a invadir o ambiente natural de numerosas zoonoses, como a leishmaniose e a febre amarela silvestre. A intromissão tem como conseqüência a inclusão do homem no ciclo de desenvolvimento da doença.

Zoonoses são doenças de animais transmissíveis ao homem. Os agentes que desencadeiam essas afecções podem ser microrganismos diversos, como bactérias, fungos, vírus, helmintos e rickéttsias. O termo antropozoonose se aplica a doenças em que a participação humana no ciclo do parasito é apenas acidental, ou secundária, como ocorre na hidatidose. Nessa parasitose, o ciclo se completa entre cães, que hospedam a forma adulta do parasito, e carneiros, que abrigam a forma larvária. O homem, ao ingerir os ovos provenientes do cão, passa a comportar-se como hospedeiro intermediário, no qual só se desenvolve a forma larvária. O termo zooantroponose se aplica a parasitoses próprias do homem, que acidentalmente podem transferir-se para animais. É o exemplo da amebíase causada pela Entamoeba histolytica, que acidentalmente pode manifestar-se em cães.

Existem, no entanto, muitos parasitos que não causam doenças em animais, mas que, transmitidos ao homem, encontram nesse novo hospedeiro melhores condições de desenvolvimento e multiplicam-se ativamente, aproveitando-se das insuficiências defensivas desse último e acarretando graves lesões. As variantes dessa situação, envolvendo o homem, o agente etiológico e os animais reservatórios, são muito freqüentes na natureza.

Nas comunidades selvagens, o parasito ocupa seu lugar hospedado em animais e transmitido por artrópodes hematófagos. A esse ambiente dá-se o nome de nicho ecológico da doença. A leishmaniose cutâneo-mucosa, doença causada por um protozoário, a Leishmania braziliensis, tem seu ciclo de desenvolvimento entre os roedores (hospedeiros), a Leishmania (parasito) e os flebótomos (transmissores), pequenos insetos hematófagos que vivem na copa das árvores. A doença se mantém dessa forma na natureza até a chegada do homem que, para construir estradas, derruba árvores e permite que o flebótomo possa alcançá-lo e lhe transmita o parasito.


Platero e Eu | Juan Ramon Jimenez


Platero e Eu | Juan Ramon Jimenez

Platero e Eu | Juan Ramon Jimenez
"A noite cai, nevoenta e lilás. Vagas claridades esverdeadas e cor de malva flutuam ainda atrás da torre da igreja. A estrada se encurva



–povoada de sombras, impregnada do perfume das campânulas, do bálsamo das ervas, cheia de canções, de dolência e de sonhos. De repente, um homem sombrio, de boné e aguilhão, a cara feia alumiada, instantaneamente, pela brasa do cigarro, irrompe de uma guarita miserável, encravada entre sacos de carvão. Platero se assusta.



- Que leva aí?



- Pode ver... Borboletas brancas...



O homem procura examinar a sacola com o aguilhão, e eu deixo. Abro-a e ele não vê nada. E o inefável manjar passa livre e inocente, sem pagar seus impostos à Alfândega..."



Poema a Lésbia | Catulo


Poema a Lésbia | Catulo


Poema a Lésbia | Catulo"Vivamos, minha Lésbia, e amemos,
e as graves vozes velhas
– todas –
valham para nós menos que um vintém.
Os sóis podem morrer e renascer:
quando se apaga nosso fogo breve
dormimos uma noite infinita.
Dá-me pois mil beijos, e mais cem,
e mil, e cem, e mil, e mil e cem.
Quando somarmos muitas vezes mil

misturaremos tudo até perder a conta:
que a inveja não ponha o olho de agouro
no assombro de uma tal soma de beijos."


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Poema Concreto | Décio Pignatari


Poema Concreto | Décio Pignatari

Poema Concreto | Décio Pignatari
" um
movi
mento
compondo
além
da
nuvem
um
campo
de
combate

mira
gem
ira
de
um
horizonte
puro
num
mo
mento
vivo"


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Poema de Sete Faces | Carlos Drummond de Andrade


Poema de Sete Faces | Carlos Drummond de Andrade

Poema de Sete Faces | Carlos Drummond de Andrade
"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

(...)

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo."


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