As Maiores Cidades do Mundo

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RankCidadePaísPopulação
1ShanghaiChina24,153,000
2BeijingChina18,590,000
3KarachiPaquistão18,000,000
4IstanbulTurquia14,657,000
5DhakaBangladesh14,543,000
6TokyoJapão13,617,000
7MoscowRussia13,197,596
8ManilaFilipinas12,877,000
9TianjinChina12,784,000
10MumbaiÍndia12,400,000
11São PauloBrasil12,038,000
12ShenzhenChina11,908,000
13GuangzhouChina11,548,000
14DelhiÍndia11,035,000
15WuhanChina10,608,000
16LahorePaquistão10,355,000
17SeoulCoreia do Sul10,290,000
18ChengduChina10,152,000
19KinshasaCongo D.R.10,125,000
20LimaPeru9,752,000
21JakartaIndonésia9,608,000
22CairoEgito9,500,000
23Cd. do MéxicoMéxico8,919,000
24TehranIran8,847,000
25BaghdadIraq8,765,000
26XianChina8,705,000
27LondresReino Unido8,674,000
28New York CityEUA8,550,000
29NanjingChina8,460,000
30BangaloreÍndia8,444,000
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Argélia | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Argélia

Argélia | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Argélia

Argélia - Aspectos Geográficos e Sociais da Argélia

Geografia: Área: 2.381.741 km². Hora local: +3h. Clima: árido subtropical, mediterrâneo (litoral). Capital: Argel. Cidades: Argel (1.800.000), Oran (755.852), Constantine (668.000).

População: 39 milhões; nacionalidade: argelina; composição: árabes argelinos 83%, berberes 17%. Idiomas: árabe, berbere (oficiais), francês. Religião: islamismo 96,7%, sem religião 3%, cristianismo 0,3%.

Relações Exteriores: Organizações: Banco Mundial, FMI, ONU, Opep, UA. Embaixada: Tel. (61) 248-4039, fax (61) 248-4691 – Brasília (DF); e-mail: sanag277@bsb.terra.com.br.

Governo: República com forma mista de governo. Div. administrativa: 48 departamentos subdivididos em comunas. Partidos: Frente de Libertação Nacional (FLN), União Nacional Democrática (RND), Movimento da Sociedade pela Paz (MSP), Frente Islâmica de Salvação (FIS) (ilegal desde 1992). Legislativo: bicameral – Assembleia Nacional Popular, com 389 membros; Conselho da Nação, com 144 membros. Constituição: 1976.

Localizada no norte da África, a Argélia é a segunda maior nação do continente, atrás do Sudão. Colônia da França por 132 anos, conquista a independência em 1962, após quase dez anos de guerra. A partir de 1992 vive uma onda de violência por causa da oposição entre o regime militar e grupos fundamentalistas islâmicos, que querem implantar no país um Estado muçulmano. A guerra civil já fez mais de 100 mil vítimas. A paisagem argelina é dominada pelo deserto do Saara, que ocupa 85% do território. Nele há extração de petróleo e gás natural, responsável pela quase totalidade das exportações. Na reduzida e fértil faixa litorânea, vivem 90% dos argelinos. A população compõe-se de árabes e de uma importante minoria berbere. As condições de vida na Argélia, entre as melhores do continente, são prejudicadas pela guerra interna e pela queda internacional no preço do petróleo.

História da Argélia

Bandeira da ArgéliaHistória da Argélia

Na Antiguidade, as planícies férteis do litoral, originalmente habitadas pelos berberes, são ocupadas ou incorporadas por diferentes povos e impérios: fenícios (segundo milênio a.C.), cartagineses (século IX a.C.) e romanos (século II a.C.). Na Idade Média, vândalos e bizantinos sucedem-se na região. Com a expansão do islamismo, passa ao domínio árabe (século VII) e, no século XVI, torna-se possessão otomana, período em que é fundado o reino de Argel. Em 1830, a França inicia a conquista do país. A dominação definitiva só se dá em 1857.

Independência – A luta pela independência começa depois da II Guerra Mundial com o levante popular de 1945, violentamente reprimido. Em 1954 se organiza a Frente de Libertação Nacional (FLN), que inicia a insurreição armada contra o domínio francês. Em março de 1962, a França reconhece a independência argelina, e mais de 1 milhão de colonos franceses (os pieds-noirs, pés pretos) voltam a seu país. O poder fica com a FLN, que se declara partido único e escolhe Ahmed Ben Bella para presidente, num regime de tipo socialista. Em 1965, Ben Bella é deposto por um golpe militar e o coronel Houari Boumedienne, também da FLN, assume o poder. Boumedienne nacionaliza empresas petrolíferas francesas, distribui terras dos ex-colonos e adota política externa pró-soviética. Com sua morte, em 1978, Chadli Bendjedid assume a Presidência e inicia a reaproximação com a França e com os Estados Unidos (EUA).

Argel - Capital da Argélia
Argel, capital da Argélia
Fundamentalismo – Nos anos 1980, a queda na cotação do petróleo leva o país a uma crise econômica. O governo corta gastos públicos, sobretudo nas áreas sociais. Em 1988, uma crise no abastecimento de água e produtos básicos provoca protestos da população e o questionamento da legitimidade da FLN. Diante de pressões e agitações, uma reforma constitucional, em 1989, põe fim ao regime de partido único, dando liberdade às pregações fundamentalistas da Frente de Libertação Islâmica (FIS), uma das principais organizações oposicionistas. A FIS vence as eleições locais, em 1990, e as legislativas, em 1991, nas quais conquista 188 cadeiras no Parlamento, contra 43 dos demais partidos. A vitória iminente da FIS no segundo turno da eleição presidencial leva o Exército a dar um golpe de Estado, em janeiro de 1992. Os militares forçam Bendjedid a renunciar e instalam no poder um Alto Conselho de Segurança (HCS), que indica Muhammad Boudiaf à Presidência.O golpe tem o apoio velado do Ocidente – em especial da França, o maior importador do gás argelino. A decretação da ilegalidade da FIS e a prisão de militantes levam a uma onda de atentados, atribuídos ao Grupo Islâmico Armado (GIA), que mantém relações com a FIS. O conflito chega ao auge em julho de 1992, com o assassinato de Boudiaf. Ele é substituído por Ali Kafi, que condena o líder da FIS, Abbasi Madani, a 12 anos de prisão. Em 1994 surge o Exército Islâmico de Salvação (AIS), braço armado da FIS. No mesmo ano, o HCS indica o ministro da Defesa, Liamine Zéroual, à Presidência. Conciliação Em 1995, Zéroual é eleito presidente, sob acusações de fraude. Nas eleições de 1997, a União Nacional Democrática (RND), que apóia o governo, obtém a maioria no Parlamento, que tem parte das cadeiras ocupadas pela FLN e por islâmicos moderados. No mesmo ano, Madani recebe liberdade condicional. A FIS anuncia então a ruptura com o GIA e defende uma solução pacífica para o conflito. O período é marcado pela ocorrência de sistemáticas chacinas contra a população civil, que a Anistia Internacional atribui tanto aos fundamentalistas quanto aos grupos paramilitares pró-governo. Em busca do diálogo com a oposição islâmica, Zéroual inicia, em 1998, a aplicação da lei que torna obrigatório o uso do árabe nas repartições públicas. A medida descontenta a minoria berbere .

Novo presidente – O ex-primeiro-ministro Abdelaziz Bouteflika, da FLN, vence as eleições presidenciais de 1999, apoiado pelo governo. Em setembro, Bouteflika obtém 98,6% dos votos, num plebiscito, a favor da proposta de "concórdia civil". Em janeiro de 2000, o AIS abandona a luta armada, mas a guerrilha islâmica continua, com o GIA. Também seguem atuando grupos paramilitares pró-governo.

Nas eleições para a Assembleia Nacional, em 2002, os partidos no governo – FLN e RND – obtêm 247 das 389 cadeiras (63%). Jacques Chirac torna-se, em 2003, o primeiro presidente francês a visitar o país desde a independência (1962). Em maio, o presidente Bouteflika nomeia Ahmed Ouyahia primeiro-ministro, afastando Ali Benflis, que deseja concorrer à Presidência.

Reeleição – Em outubro de 2003, a FLN escolhe Benflis como candidato à Presidência. Dois meses depois, a Justiça suspende as atividades da FLN, a pedido da ala pró-Bouteflika, o que provoca uma cisão no partido. Em abril de 2004, Bouteflika concorre por uma coalizão e se reelege com 85% dos votos, derrotando Benflis (FLN), com 6,4%. Em janeiro de 2005 é preso o principal dirigente do GIA, Nourredine Boudiafi.

O berbere também passa a idioma oficial

A Assembleia Nacional da Argélia muda a Constituição em abril de 2002 e torna otamazirte, língua berbere, idioma oficial do país, ao lado do árabe. É uma concessão à minoria berbere da Argélia – 25% da população. O anúncio concretiza acordo feito pelo governo em outubro de 2001, após meses de rebelião berbere, com mais de 60 mortes. O povo berbere, originalmente nômade, habita o norte da África há milênios. Sua língua é da família do egípcio e do somali. Na Argélia, os berberes se concentram na Cabília – região próxima ao litoral, que se estende do leste de Argel à fronteira com a Tunísia. Os protestos começam em abril de 2001, após a morte de um estudante nas mãos da Gendarmerie – polícia militarizada. Milhares de pessoas atacam postos policiais, queimam viaturas e invadem prédios federais. Em maio, meio milhão de pessoas protesta em Tizi Uzu, na Cabília. Em junho, mais de 1 milhão se manifestam na capital. Mesmo após a oficialização do tamazirte, continua a tensão. As eleições legislativas de maio são largamente boicotadas na Cabília, com greve geral, choques de rua e poucas seções eleitorais conseguindo funcionar. A participação também é baixa nas eleições presidenciais de 2004.

Argel

Argel, capital e principal porto desse país, ergue-se sobre um promontório, na baía do mesmo nome. Na antiguidade o lugar foi ocupado por uma feitoria cartaginesa que, durante o domínio romano, era conhecida como Icosium. As posteriores invasões de vândalos e árabes destruíram a cidade, que no século X foi reconstruída pela dinastia fatímida e rebatizada com o nome de Argel. Incorporada em 1518 ao império turco otomano, ao longo do século XVI sofreu vários assédios por parte da esquadra espanhola, que pretendia acabar com a pirataria berbere. Em 1830 os franceses ocuparam o país e transformaram Argel num dos principais centros econômicos e administrativos de seu império colonial.

A cidade onde Miguel de Cervantes esteve em cativeiro chegou a ser capital provisória da França durante a segunda guerra mundial, antes da independência da Argélia.

Durante o domínio francês, a antiga casbá ou alcáçova (fortaleza) turca foi rodeada pela moderna cidade europeia, que se espalhou entre a baía e as colinas circundantes. A atividade financeira e a exportação de vinhos através de seu porto incrementaram a importância econômica da cidade a partir de 1880. Na segunda guerra mundial as forças aliadas se estabeleceram em Argel, que entre junho de 1943 e agosto de 1944 foi sede do governo da França livre.

Na década de 1950, com o início do levante argelino contra a colonização francesa, Argel tornou-se o centro do movimento de libertação. Os choques entre os rebeldes e o exército francês duraram até 1962, quando a cidade passou a ser capital da Argélia independente. Depois disso, Argel manteve sua força como porto exportador de vinhos, cereais, cortiça e minerais e importador de produtos químicos e minerais. Suas principais indústrias são a mecânica, a química e a de transformação de produtos agrícolas.

Argel liga-se por terra com o resto do país e conta com um aeroporto. O conjunto arquitetônico da casbá contém diversas mesquitas e edifícios históricos.

Argel
Argel - Capital da Argélia
Argel - Capital da Argélia
Argel - Capital da Argélia

Apuleio Apuleio

Lúcio Apuleio nasceu em Madaura, na Numídia (moderna Argélia), por volta do ano 124. Educado em Cartago e Atenas, viajou pelo Mediterrâneo, interessando-se por ritos de iniciação como os associados ao culto da deusa egípcia Ísis. Versátil e familiarizado com os autores gregos e latinos, ensinou retórica em Roma antes de regressar à África para casar-se com uma rica viúva, cuja família o acusou de ter recorrido à magia a fim de conquistar seu afeto. Para defender-se de tal acusação escreveu a Apologia (173), obra da qual emanam as informações disponíveis sobre sua vida.

A crise ideológica de Roma no século dos Antoninos, quando o ceticismo cortesão se entrelaçou ao crescente influxo dos cultos orientais, serviu de pano de fundo à elaboração da obra de Apuleio, notável figura da literatura, da retórica e da filosofia platônica de sua época.

Escreveu ainda diversos poemas e tratados, entre os quais Florida, coletânea de trabalhos de eloqüência, mas a obra que lhe deu fama foi a narrativa em prosa em 11 livros a que chamou Metamorfoses e se tornou conhecida como O asno de ouro. São aí relatadas as aventuras do jovem Lúcio, que é transformado por magia em burro e só recupera a forma humana graças à intervenção de Ísis, a cujo serviço se consagra. O episódio mais destacado dessa obra-prima de Apuleio -- o único romance da antiguidade a chegar completo aos nossos dias -- é a bela fábula de "Amor e Psiquê", que pode ser interpretada como narração puramente estética ou, então, como alegoria da união mística. O episódio, aliás, destoa do estilo do romance em geral, pois este relaciona cenas grotescas, terrificantes, obscenas e, em parte, deliberadamente absurdas.
O tema de "Amor e Psiquê" foi retomado por muitos escritores, entre os quais, no século XIX, os poetas ingleses William Morris e Robert Bridges. Outras passagens de O asno de ouro reapareceram no Decameron, de Giovanni Boccaccio, no Don Quixote, de Miguel de Cervantes, e no Gil Blas de Alain Le Sage. Apuleio morreu em Cartago, provavelmente após o ano 170.

Louis Althusser Louis Althusser

Louis Althusser nasceu em Biermandreis, Argélia, em 1918. Passou a segunda guerra mundial em um campo de concentração na Alemanha e, embora católico na juventude, em 1948 ingressou no Partido Comunista Francês. Na Escola Normal Superior, de Paris, formou uma equipe de grande importância para a discussão de seu pensamento. Tanto que Pour Marx (1965; Em defesa de Marx) ainda é obra coletiva. Lire le Capital (1964-1965; Leitura do Capital, em colaboração com J. Rancière e P. Macherey), enfeixa o melhor de sua contribuição.
Apesar da dilaceração de sua vida emocional, o filósofo Althusser fascinou os jovens da década de 1960 e imprimiu unidade à reflexão marxista, cujas bases teóricas consolidou.

Althusser chama a atenção para as duas fases do trabalho teórico de Marx, mostrando que só a de 1845 em diante é efetivamente materialista e científica, dialética e revolucionária. Ligando-se a um grupo que congregava Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault, Roland Barthes e Jacques Lacan, Althusser rejeita o humanismo em benefício de um "socialismo científico". Autor ainda de Lénine et la philosophie (1969), exerceu explosiva influência no movimento estudantil de março de 1968. Seus últimos anos foram marcados pela tragédia. Tomado por crises de psicose maníaco-depressiva, estrangulou a mulher em 1980 e foi internado em um hospital psiquiátrico. Morreu em Paris em 22 de outubro de 1990.

Ahmed Ben Bella Ahmed Ben Bella

Ahmed Ben Bella nasceu em Marnia, perto de Oran, em 25 de dezembro de 1918. Sexto filho de uma família rural abastada, estudou na escola francesa de Oran e, mais tarde, em Tlemcen, onde entrou em contato com os movimentos nacionalistas. Na segunda guerra mundial, lutou no exército francês e foi condecorado por bravura. Encerrado o conflito, seu ardor autonomista o levou a participar, em 1950, do ataque à administração dos correios de Oran, ação pela qual foi preso e condenado à pena de trabalhos forçados. Conseguiu fugir em 1952 para o Cairo e transformou-se em um dos principais dirigentes da Frente de Libertação Nacional (FLN) no exílio.

Conquistada a independência, a política de Ben Bella para a Argélia foi socializante no plano interno, e de neutralidade entre os blocos comunista e capitalista, no plano externo.

Em outubro de 1956, o avião em que viajava para Marrocos foi interceptado por aeronaves francesas. Levado para a França, Ben Bella só obteve a liberdade em 1962, quando foram assinados os acordos de Evian, pelos quais a França reconhecia a independência da Argélia. De volta a seu país, foi eleito chefe do governo e, no ano seguinte, presidente da república.

Em 19 de junho de 1965, foi deposto pelo golpe de estado de Houari Boumedienne. Encarcerado durante quase 15 anos, recuperou a liberdade em 1980. Desde então, participou da oposição ao regime argelino.

Santo Agostinho Santo Agostinho

Aurélio Agostinho, em latim Aurelius Augustinus, nasceu em Tagasta, atualmente Suk Ahras, na Argélia, em 13 de novembro de 354, filho de Patrício, homem pagão e de posses, que no final da vida se converteu, e da cristã Mônica, mais tarde canonizada. Agostinho estudou retórica em Cartago, onde aos 17 anos passou a viver com uma concubina, da qual teve um filho, Adeodato. A leitura do Hortensius, de Cícero, despertou-o para a filosofia. Aderiu, nessa época, ao maniqueísmo, doutrina de que logo se afastou. Em 384 começou a ensinar retórica em Milão, onde conheceu santo Ambrósio, bispo da cidade.

"O último dos antigos" e o "primeiro dos modernos", santo Agostinho foi o primeiro filósofo a refletir sobre o sentido da história, mas tornou-se acima de tudo o arquiteto do projeto intelectual da Igreja Católica.

Cada vez mais interessado pelo cristianismo, Agostinho viveu longo conflito interior, voltou-se para o estudo dos filósofos neoplatônicos, renunciou aos prazeres físicos e em 387 foi batizado por santo Ambrósio, junto com o filho Adeodato. Tomado pelo ideal da ascese, decidiu fundar um mosteiro em Tagasta, onde nascera. Nessa época perdeu a mãe e, pouco depois, o filho. Ordenado padre em Hipona (391), pequeno porto do Mediterrâneo, também na atual Argélia, em 395 tornou-se bispo-coadjutor de Hipona, passando a titular com a morte do bispo diocesano Valério. Não tardou para que fundasse uma comunidade ascética nas dependências da catedral.

Em sua vida e em sua obra, santo Agostinho testemunha acontecimentos decisivos da história universal, com o fim do Império Romano e da antiguidade clássica. O poderoso estado que durante meio milênio dominara a Europa estava a esfacelar-se em lutas internas e sob o ataque dos bárbaros. Em 410 santo Agostinho viu a invasão de Roma pelos visigodos e, pouco antes de morrer, presenciou o cerco de Hipona pelo rei dos vândalos, Genserico. Nesse clima, em que os cismas e as heresias eram das poucas coisas a prosperar, ele estudou, ensinou e escreveu suas obras.

Pensamento. As obras mais importantes de santo Agostinho são De Trinitate (Da Trindade), sistematização da teologia e filosofia cristãs, divulgada de 400 a 416 em 15 volumes; De civitate Dei (Da cidade de Deus), divulgada de 413 a 426, em que são discutidas as questões do bem e do mal, da vida espiritual e material, e a teologia da história; Confessiones (Confissões), sua autobiografia, divulgada por volta de 400; e muitos trabalhos de polêmica (contra as heresias de seu tempo), de catequese e de uso didático, além dos sermões e cartas, em que interpreta minuciosamente passagens das Escrituras.

No pensamento de santo Agostinho, o ponto de partida é a defesa dos dogmas (pontos de fé indiscutíveis) do cristianismo, principalmente na luta contra os pagãos, com as armas intelectuais disponíveis que provêm da filosofia helenístico-romana, em especial dos neoplatônicos como Plotino. Para pregar o novo Evangelho, é indispensável conhecer a fundo as Escrituras, que só podem ser bem interpretadas através da fé, pois apenas esta sabe ver ali a revelação de verdades divinas. Compreender para crer e crer para compreender, tal é a regra a seguir.

Baseado em Plotino, santo Agostinho acha que o homem é uma alma que faz uso de um corpo. Até naquele conhecimento que se adquire pelos sentidos, a alma se mantém em atividade e ultrapassa o corpo. Os sentidos só mostram o imediato e particular, enquanto a alma chega ao universal e ao que é de pura compreensão, como os enunciados matemáticos. Mas se não é através dos sentidos, por qual via a alma consegue alcançar as verdades eternas? Será através do sujeito particular e contingente, ou seja, o homem que muda, adoece e morre?

Tudo indica que, se o homem mutável, destrutível, é capaz de atingir verdades eternas, sua razão deve ter algo que vai além dela mesma, não se origina no homem nem no mundo externo, mas em Deus. Portanto, Deus faz parte do pensamento e o supera o tempo todo. Desse modo só pode ser achado e conhecido no fundo de cada um, no percurso que se faz de fora para dentro e das coisas inferiores para as coisas superiores. Ele não pode ser dito ou definido: é o que é, em todos os tempos e em qualquer lugar (é clara, nessa concepção, a influência de Platão, que santo Agostinho assume em vários pontos de sua obra).

Outra contribuição decisiva é sua doutrina sobre a Santíssima Trindade. Para Agostinho a unidade das três pessoas é perfeita: não se podem separar, nem uma se subordina à outra, como defenderam Orígenes e Tertuliano, mas a natureza divina seria anterior ao aparecimento das três pessoas; estas se apresentam como os três modos de se revelar o mistério de Deus. A alma, para santo Agostinho, se confunde com o pensamento, e sua expressão, sua manifestação é o conhecimento: por meio deste a alma, ou o pensamento, se ama a si mesma. Assim, o homem recompõe nele próprio o mistério da Trindade e se vê feito à imagem e semelhança de Deus: se ele ama e se conhece dessa maneira, ele conhece e ama a Deus, conseqüentemente mais interior ao ser humano do que este mesmo.

O famoso cogito de Descartes ("Penso, logo existo"), em que a evidência do eu resiste a toda dúvida, é genialmente antecipado por santo Agostinho em seu "Se me engano, sou; quem não é não pode enganar-se". Ele valoriza, pois, a pessoa humana individual até quando erra (o que, neste aspecto, não a torna diferente da que acerta). Talvez por isso dê o mesmo peso à parte humana e à parte divina no que diz respeito à encarnação do Cristo.

A salvação do homem, na teologia agostiniana, é algo completamente imerecido e que depende tão só da graça de Deus; graça que, no entanto, se manifesta aos homens por meio dos sacramentos da igreja visível, católica. Importantes para a salvação, esses sacramentos compreendem todos os símbolos sagrados, como o exorcismo e o incenso, embora a eucaristia e o batismo sejam os principais para ele.
Santo Agostinho caiu, porém, em profundas contradições, por ter combinado o neoplatonismo com antigas tradições do cristianismo popular, o que acontece na maneira como conceitua a predestinação, ensinamento que exercerá grande influência no pensamento teológico posterior. Para ele Deus pode salvar qualquer pessoa, mas ao mesmo tempo não tem como anular os sacramentos. Isso levou o filósofo a se referir à salvação como algo, nesse aspecto, um tanto relativo, de tal modo que muitos dos que se acham aparentemente afastados da igreja na verdade se encontram dentro dela.

Da mesma forma que concebe a natureza divina, santo Agostinho concebe a criação, idéia pouco tratada pelos gregos e característica dos cristãos. As coisas se originaram em Deus, que a partir do nada as criou. Pois o que muda e se move, o que é relativo e passa ou desaparece requer o imutável e o absoluto, essência do próprio Deus, que criou as coisas segundo modelos eternos como ele mesmo. Assim, o que o platonismo chamava de lugar do céu passa a ser, no pensamento agostiniano, a presença de Deus. Tudo o que existe no mundo foi criado ao mesmo tempo, em estado de germe e de semente. Como estes existem desde o início, a história do mundo evolui continuamente, mas nada de novo se cria. Entre os seres da criação existe uma hierarquia, em que o homem ocupa o segundo lugar, depois dos anjos.

Santo Agostinho afirma-se incapaz de solucionar a questão da origem da alma e, embora tão influenciado por Platão, não acha a matéria por si mesma condenável, assim como não encara como castigo a união da alma com o corpo. Não seria este, como se disse tanto, a prisão da alma: o que faz do homem prisioneiro da matéria é o pecado, do qual deve libertar-se pela vida moral, pelas virtudes cristãs. O pecado leva o corpo a dominar a alma; a religião, porém, é o contrário do pecado, é a dominação do corpo pela alma, que se orienta livremente para Deus, assistida pela graça.

Uma das mais belas concepções de santo Agostinho é a da cidade de Deus. Amando-se uns aos outros no amor a Deus, os cristãos, embora vivam nas cidades temporais, constituem os habitantes da eterna cidade de Deus. Na aparência, ela se confunde com as outras, como o povo cristão com os outros povos, mas o sentido da história e sua razão de ser é a construção da cidade de Deus, em toda parte e todo tempo. A obra de santo Agostinho, em si mesma imensa, de extraordinária riqueza, antecipa, além disso, o cartesianismo e a filosofia da existência; funda a filosofia da história e domina todo o pensamento ocidental até o século XIII, quando dá lugar ao tomismo e à influência aristotélica. Voltando à cena com os teólogos protestantes (Lutero e, sobretudo, Calvino), hoje é um dos alicerces da teologia dialética. Santo Agostinho morreu em Hipona, em 28 de agosto de 430. E nessa data, 28 de agosto, é festejado como doutor da igreja.

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Benin | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Benin

Benin | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Benin

Benin | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Benin
Geografia: Área: 112.622 km². Hora local: +4h. Clima: tropical. Capitais: Porto Novo (administrativa), Cotonou (sede do governo). Cidades: Cotonou (536.827), Porto Novo (179.138), Parakou (103.577), Abomey (66.595).

População: 7,5 milhões; nacionalidade: beninense; composição: fons 39%, iorubas 12%, gouns 12%, baribas 12%, adjas 10%, sombas 4%, aizos 3%, minas 2%, dendis 2%, outros 4%. Idiomas: francês (oficial), bariba, fulani, fon, ioruba. Religião: crenças tradicionais 51,5%, cristianismo 28% (católicos 20,8%, outros 7,2%), islamismo 20%, sem religião e ateísmo 0,3%, outras 0,3%.

Relações Esteriores: Organizações: Banco Mundial, FMI, OMC, ONU, UA. Consulado Honorário: Tel. (11) 3231-1644, fax (11) 3214-3439 – São Paulo (SP); e-mail: consuladobenin@uol.com.br.

Governo: República presidencialista. Div. administrativa: 12 departamentos. Partidos: coalizão Movimento Presidencial (União pelo Benin do Futuro – UBF, Movimento Africano pelo Desenvolvimento e o Progresso – Madep, entre outros), Renascimento de Benin (RB), da Renovação Democrática (PRD). Legislativo: unicameral – Assembleia Nacional, com 83 membros. Constituição: 1990.

Pequeno país no oeste da África, banhado pelo golfo da Guiné, Benin – chamado Daomé até 1975 – foi um dos maiores entrepostos de escravos entre os séculos XVII e XIX. Muitos foram trazidos para o Brasil, razão pela qual Benin mantém forte vínculo cultural com a Bahia. A feijoada e o acarajé fazem parte da culinária beninense, e o vodu, prática religiosa da maioria da população, é semelhante ao candomblé. Antes de se tornar colônia francesa, em 1892, Benin era o centro do reinado Fon de Daomé, um dos mais importantes da África Ocidental. O Palácio Real de Abomey, antiga sede da monarquia, é considerado patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O norte é a região mais pobre. No sul, a pesca e a agricultura sustentam a economia.

História do Benin

Bandeira do BeninHistória do Benin

Ao ser descoberto pelos portugueses, por volta de 1484, o território que corresponde ao atual Benin era dominado pelo reino de Alada, de origem ioruba, ali instalado desde o século XII. Um conflito de sucessão, no século XVII, dá origem aos reinos de Daomé (ao norte, onde predominava o dialeto fon) e de Hogbonu (ao sudeste, mais tarde denominado Porto Novo). Esses reinos passam a vender prisioneiros de guerra aos portugueses, tirando vantagem do rentável comércio de escravos. No fim do século XIX, os dois reinos são subjugados pela França, e o território torna-se protetorado francês, com o nome de Daomé. Em 1904 passa a ser administrado diretamente pela metrópole. O domínio colonial encerra-se em 1960, quando, incapaz de sustentar economicamente o território, a França lhe concede a independência. Hubert Maga torna-se o primeiro presidente de Daomé. A partir de 1963, o país mergulha na instabilidade política, com seis sucessivos golpes militares.

Regime militar - Em 1972, um grupo de oficiais subalternos toma o poder e institui um regime de tipo socialista, liderado pelo major Mathieu Kérékou. Em 1975, o país passa a se chamar Benin. Kérékou nacionaliza companhias estrangeiras, estatiza empresas privadas de grande porte e cria programas de saúde e educação. Na década de 1980, o regime político entra em crise. Em 1989, uma onda de protestos leva Kérékou a promover uma abertura política e econômica. Com a instituição do pluripartidarismo, surgem mais de 50 partidos. Nicéphore Soglo, chefe do governo de transição formado em 1990, é eleito presidente em 1991.

Porto Novo, Capital do Benin
Porto Novo, Capital do Benin

Ajuste do FMI
– Soglo enfrenta oposição a seu programa econômico, que inclui medidas austeras, como a redução no funcionalismo público. Nas eleições de 1996, Kérékou retorna à Presidência. No ano seguinte, o governo acerta um plano de ajuste estrutural com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que, além das demissões no setor público, prevê privatização de empresas estatais. As medidas levam a uma greve geral em fevereiro de 1998. Nas eleições parlamentares de 1999, os partidos de oposição obtêm mais da metade (42) das 83 cadeiras da Assembleia Nacional. O resultado aumenta a divisão política existente entre o norte, governista e região natal do presidente, e o sul, majoritariamente oposicionista. Em 2000, o presidente denuncia uma tentativa de golpe por parte de membros do Exército.

No primeiro turno das eleições presidenciais de 2001, o presidente Kérékou obtém 45% dos votos, seguido por Soglo (27%), que desiste de concorrer no segundo turno, sob a alegação de fraude, no que é seguido pelo terceiro colocado. No fim, Kérékou reelege-se para a Presidência, com 84% dos votos, derrotando Bruno Amoussou, o quarto colocado no primeiro turno.

Tráfico de crianças – No mesmo ano, a Justiça emite ordem de prisão contra a tripulação do cargueiro MV Etireno, de bandeira nigeriana, acusada de traficar crianças de Benin. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o navio havia levado 220 crianças para fora do país. O episódio chama a atenção para a escravidão infantil no continente africano. O governo de Benin faz esforços para enfrentar o problema e integra um programa com esse objetivo coordenado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Disputa de fronteira – As eleições legislativas de 2003 são vencidas pela coalizão governista Movimento Presidencial, que conquista 52 cadeiras das 83 da Assembleia Nacional. Em agosto, a Nigéria fecha a fronteira com Benin, alegando a grande incidência de crimes, como contrabando e tráfico humano. A medida traz prejuízos à economia beninense e é revogada após uma semana de tensão. Em novembro, a Corte Internacional de Justiça começa a examinar a disputa de 40 anos sobre o traçado da fronteira entre os dois países. Em julho de 2004, Nigéria e Benin entram em um acordo para retraçar juntos sua linha fronteiriça.

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Bolívia | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Bolívia

Bolívia | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Bolívia

Bolívia | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Bolívia

Geografia: Área: 1.098.581 km². Hora local: -1h. Clima: equatorial (depressão amazônica), de montanha (altiplano). Capitais: La Paz (sede do governo e administrativa), Sucre (legal). Cidades: Santa Cruz de la Sierra (1.135.526), La Paz (793.293), Alto (649.958), Cochabamba (517.024), Sucre (215.778).

População: 9,9 milhões; nacionalidade: boliviana; composição: quíchuas 30%, aimarás 25%, eurameríndios 15%, europeus ibéricos 15%, outros 15%. Idiomas: espanhol, quíchua, aimará (oficiais). Religião: cristianismo 94,1% (católicos 88,3%, protestantes 6,4%, outros 3,9% - dupla filiação 4,5%), outras 4,1%, sem religião e ateísmo 1,7%.

Relações Exteriores: Organizações: Banco Mundial, Comunidade Andina, FMI, Grupo do Rio, Mercosul (membro associado), OEA, OMC, ONU. Embaixada: Tel. (61) 366-3432, fax (61) 366-3136 – Brasília (DF); e-mail: embolivia.brasilia@terra.com.br.

Governo - República presidencialista. Div. administrativa: 9 departamentos. Partidos: Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), Ação Democrática Nacionalista (ADN), Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR), União Cívica Solidariedade (UCS), Movimento ao Socialismo (MAS). Legislativo: bicameral – Senado, com 27 membros; Câmara dos Deputados, com 130 membros. Constituição: 1947.

A Bolívia é uma das nações mais pobres da América do Sul, com alta taxa de analfabetismo e o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do continente. Situada no centro-oeste da América do Sul, não tem saída para o mar. Em seu território, a cordilheira dos Andes atinge a largura máxima (650 quilômetros). É onde se localizam o árido altiplano andino e as principais cidades, como La Paz, a capital mais alta do mundo (3.636 metros). No norte e no leste, as montanhas dão lugar a planícies cobertas pela Floresta Amazônica e, no sudeste, à pantanosa região do Chaco. Os indígenas bolivianos têm a tradição de mascar a folha de coca, também usada em chás e medicamentos. Na segunda metade do século XX, a Bolívia passou a ocupar um lugar central no tráfico mundial de cocaína, reduzido nos últimos anos com o programa de erradicação das plantações ilícitas. O país tem histórica disputa com o Chile pelo acesso ao mar, pois perdeu parte de seu território para o país vizinho na Guerra do Pacífico, no fim do século XIX.

História da Bolívia

Bandeira da BolíviaHistória da Bolívia

Os índios quíchuas e aimarás que habitam o altiplano são dominados no século XV pelo Império Inca. Com a conquista espanhola, nas primeiras décadas do século XVI, são escravizados para trabalhar nas minas de prata, o que dá espaço para revoltas, como a de Tupac Amaru II, no século XVIII, que se inicia na região do atual Peru. Em 1809, o Alto Peru, como a região era conhecida, é uma das primeiras colônias espanholas a se rebelar, conquistando a independência em 1825, sob a liderança de Simón Bolívar e Antonio José de Sucre. Bolívar é o primeiro presidente do país, cujo nome, Bolívia, é dado em sua homenagem.

Perdas territoriais - Na Guerra do Pacífico (1879/1884), o país perde para o Chile seu acesso ao oceano Pacífico. Em 1903 encerra o conflito com seringueiros brasileiros ao vender ao Brasil o atual estado do Acre. A descoberta de petróleo no sudeste provoca a Guerra do Chaco (1932-1935), e a Bolívia perde o território para o Paraguai. Em 1951, Víctor Paz Estenssoro é eleito presidente. Os militares impedem sua posse, mas ele estabelece o poder civil em 1952, apoiado em uma rebelião popular. A reforma agrária e a nacionalização das minas provocam boicote internacional ao estanho boliviano. Um golpe militar em 1964 leva à Presidência o general René Barrientos.

Golpes de Estado - Após a morte de Barrientos, em 1969, o país mergulha na instabilidade. Em 1971, o general Hugo Bánzer Suárez assume o governo, suspende as eleições e bane os sindicatos e os partidos políticos. Sua renúncia, em 1978, abre novo período de golpes. Em 1980, Hernán Siles Zuazo, de centro-esquerda, elege-se presidente, mas um golpe instala no poder o general Luis García Meza. Acusado de ligações com o narcotráfico, Meza é deposto em 1981. Em 1982, os generais entregam o poder a Siles Zuazo. Inflação As eleições de 1985 trazem de volta Paz Estenssoro, que enfrenta os sindicatos e adota um pacote recessivo. O plano, imposto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), derruba a inflação. Nas eleições de 1989, nenhum candidato obtém maioria, e o Congresso escolhe como presidente Jaime Paz Zamora. O autor do plano contra a inflação, Gonzalo Sánchez de Lozada, do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), chega à Presidência em 1993. Seu governo é marcado por conflitos com os camponeses, em virtude da política de erradicação do cultivo da coca, e com a Central Operária Boliviana (COB), por causa das privatizações. Em 1996, a Bolívia acerta a construção de um gasoduto para transportar gás boliviano ao Brasil. A nação torna-se membro associado do Mercosul em 1996. Hugo Bánzer retorna ao poder nas eleições de 1997 e prossegue com a política de austeridade, que desencadeia greves e manifestações em 1998 e 1999.

Erradicação da coca - Durante o governo de Bánzer, o cultivo ilegal da folha de coca é erradicado. Mas a economia entra em crise sem o dinheiro do narcotráfico. O governo enfrenta protestos violentos dos camponeses que plantam a coca, os cocaleros. Eles resistem à política de substituição de culturas. A petrolífera espanhola YPF descobre, em 2000, um dos maiores depósitos de gás natural da América do Sul, com 380 milhões de metros cúbicos. A reserva fica em Tarija, no sul do país. Índios aimarás que defendem a criação de um território autônomo bloqueiam durante dez dias as estradas que ligam La Paz ao resto do país.

Hugo Bánzer, com câncer, renuncia à Presidência em 2001. O ex-presidente Sánchez de Lozada, do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), e o líder sindical dos plantadores de coca, Evo Morales, do Movimento ao Socialismo (MAS), são os mais votados no primeiro turno da eleição presidencial direta em 2002. Morales defende a reestatização da economia e a manutenção do cultivo de coca. Em agosto, o Congresso elege Sánchez de Lozada no segundo turno.

La Paz, Capital da Bolívia
La Paz, Capital da Bolívia
Queda do presidente - Em setembro de 2003, os camponeses bloqueiam estradas em protesto contra o projeto do governo de construir um gasoduto para exportar gás natural para os EUA e o México via Chile, país com o qual a Bolívia mantém a disputa por acesso ao oceano. Em 11 de outubro, o Exército mata 26 manifestantes em El Alto, na periferia de La Paz. Em consequência, uma revolta popular atinge o país. Em 15 de outubro, dezenas de milhares de mineiros e camponeses, liderados por Evo Morales, marcham pela capital e exigem a renúncia do presidente. No dia 17, quando os mortos em confrontos já somam 78, Sánchez de Lozada renuncia e vai para os EUA. Assume então o vice, Carlos Mesa, empresário sem partido. Ele reduz drasticamente a campanha de erradicação da coca e convoca um plebiscito sobre a exploração do gás. Em julho de 2004, mais de 80% dos eleitores votam na proposta do governo de reforçar o controle do Estado sobre o gás e o petróleo, com a recriação da estatal que havia sido privatizada e o aumento de impostos sobre as multinacionais.

Tendências separatistas surgem no leste boliviano
Os conflitos que resultaram na queda do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, em 2003, acirraram as rivalidades entre os bolivianos que habitam os Andes e os moradores da região de Santa Cruz de la Sierra, no leste do país. Essa região, próxima à fronteira do Brasil, ostenta diferenças étnicas, culturais e econômicas em relação à maior parte da Bolívia. Seus habitantes são brancos ou mestiços, na maioria, enquanto no altiplano predominam os índios aimarás ou quêchuas. A economia é mais dinâmica, impulsionada pela exportação de soja, cultivada em grandes fazendas, e pela exploração do gás natural. Hoje a região concentra 25% da população boliviana e gera mais de um terço do PIB.Os empresários de Santa Cruz de la Sierra temem que o aumento da influência dos movimentos indígenas no governo central, em La Paz, resulte em regras desfavoráveis aos investimentos estrangeiros, importantes na região. Esse receio dá alento a um crescente movimento separatista. Em junho de 2004, dezenas de milhares de manifestantes fizeram uma passeata reivindicando a autonomia regional. Uma parcela desse movimento defende abertamente a secessão, com a formação de um país independente.

Governo Evo Morales - Nas eleições presidenciais de Dezembro de 2005, Evo Morales conseguiu sair como vencedor ao obter 53,74% dos votos, frente a 28,59% de seu principal opositor, Jorge Quiroga. Pela primeira vez na Bolívia um indígena sobe ao poder mediante o voto popular por uma margem considerável sobre o segundo postulante. Morales tem o apoio dos camponeses indígenas do pobre Altiplano Andino, que falam idiomas autóctones como o quéchua e o aimará, enquanto seus adversários são os políticos das províncias das planícies, que fazem fronteira com Brasil, Paraguai e Argentina, e têm forte presença branca, concentrando historicamente o poder econômico do país.

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Grécia Antiga | História da Civilização Grega

Grécia Antiga | História da Civilização Grega

Grécia Antiga, História da Civilização GregaA Civilização surge entre os mares Jônico, Egeu e Mediterrâneo, por volta de 2000 a.C. É formada pela migração de povos nômades de origem indo-europeia, como os aqueus, os jônios, os eólios e os dórios. As cidades-estados (pólis), forma política que marca a vida grega, aparecem no século VIII a.C. As duas mais importantes são Esparta (oligárquica e agrícola) e Atenas (democrática e comercial).

A Civilização Grega compreendia uma área de 77.000 km², abrangendo três regiões: Grécia Asiática, localizada numa estreita faixa na Ásia Menor, Grécia Insular, nas ilhas dos mares Jônio e Egeu, e Grécia Continental, ao sul da Península Balcânica. A maior parte do relevo dessas regiões era montanhoso, com um solo impróprio para o desenvolvimento da agricultura, realidade que levou os gregos a fazerem do comércio marítimo sua principal atividade. Além disso, este foi um dos fatores que resultaram no surgimento de cidades-estados independentes e afastadas umas das outras. Povoada por aqueus, jônios, eólios e dórios, a Grécia Antiga é considerada o berço da civilização ocidental.

A história da civilização grega é dividida em quatro fases:

Período Homérico

Grécia Antiga | História da Civilização GregaTal período, que vai do século XII ao VIII a.C, é marcado pela sociedade dividida em génos, grandes grupos familiares que tinham um descendente em comum.

Cada grupo era chefiado pelo patriarca, detentor do poder político, econômico, jurídico e religioso. Além disso, as propriedades de terras eram coletivas e havia uma economia de subsistência. Contudo, aos poucos certos membros dos génos começaram a reivindicar porções de terra conforme o seu maior grau de parentesco com o patriarca.

Assim, surgia a propriedade privada e as classes sociais.

Período Arcaico

Entre os séculos VIII ao VI a.C, os génos começaram a se unir, com o fim de proteger seus interesses. A união de dois génos deu origem às fratrias, que se agruparam e formaram as tribos. Aos poucos, esse processo de unificação entre várias tribos deu origem às polis, isto é, às cidades-estados: Atenas, Esparta, Tebas, Corinto, Mileto, entre outras. Outro fato importante no Período Arcaico foi a expansão colonial grega em virtude da procura por novas terras e alimentos fora da Grécia, o que resultou na fundação de diversas colônias na costa dos mares Mediterrâneo, Egeu e Negro.

Período Clássico

No Período Clássico (século VI ao IV a.C.) a Grécia conheceu seu apogeu, entretanto, envolveu-se em inúmeras guerras. As Guerras Médicas foram resultado do conflito entre gregos e persas pela supremacia marítima do Mundo Antigo. A Guerra do Peloponeso foi outra importante guerra entre a Confederação de Delos, liderada por Atenas, e a Liga do Peloponeso, liderada por Esparta.

Período Helenístico

Após a Guerra do Peloponeso, a Grécia se enfraqueceu, se tornando um alvo fácil para Felipe II, rei dos macedônios em 338 a.C. Seu filho, Alexandre Magno, assumiu o poder e adotou uma política expansionista, conquistando diversas regiões e provocando a fusão da cultura grega com a cultura oriental. Também foi neste período que as ciências tiveram seu primeiro e grande desenvolvimento.

Religião Grega

Religião Grega

Os gregos eram povos politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. A principal divindade era Zeus, símbolo da justiça, razão e autoridade. Os deuses gregos eram muito semelhantes aos homens: se casavam, tinham filhos, sentiam amor e ódio. Além dos deuses, havia os semideuses, heróis e muitas lendas. O conjunto destas crenças é chamado de mitologia.

Cultura Grega Cultura Grega 

Os gregos tiveram grande importância no desenvolvimento da ciência, das artes e da filosofia, uma vez que a Grécia é considerada o berço da civilização ocidental. O clima de liberdade das cidades favoreceu o surgimento dos primeiros filósofos, como Sócrates, Platão e Aristóteles. Nas artes, os gregos tiveram destaque na escultura (Fídias, Míron e Praxíteles) e arquitetura (estilo dórico, jônico e coríntio). Alguns dramaturgos, como Ésquilo, Spofocles, Eurípedes e Aristóteles foram muito importantes. Grandes obras da Idade Média, como o Colosso de Rodes e o Farol de Alexandria foram inspiradas na arte helenística.

Os gregos foram povos que contribuíram grandemente para o desenvolvimento da cultura e da ciência. A filosofia foi o grande legado do pensamento grego. Os primeiros filósofos buscavam entender os fenômenos da natureza por meio de explicações racionais e organizadas, fugindo das justificativas mitológicas. Aliás, a própria mitologia foi outra grande contribuição grega: até hoje, vários filmes, séries e histórias são baseados na mitologia e nos deuses da Grécia, vistos como seres superiores, embora tivessem sentimentos iguais aos dos homens.

Os gregos apreciavam muito o teatro. As peças aconteciam em grandes anfiteatros ao ar livre; as filas começavam a se formar um dia antes das apresentações. Em relação ao teatro, é válido citar os mais importantes escritores de peças da Grécia Antiga, Ésquilo e Sófocles. A arte grega, que tanto influenciou a arte romana e a renascentista, buscava retratar corpos com o máximo de perfeição, exaltando a beleza estética.

Ainda podemos citar outras fantásticas contribuições dos gregos, como o desenvolvimento dos Jogos Olímpicos, criados em homenagem a Zeus, o principal dos deuses, e o desenvolvimento da democracia.
Rivalidade Entre Esparta e Atenas

Rivalidade Entre Esparta e Atenas

Esparta e Atenas, ao mesmo em que foram as principais cidades gregas, também representaram uma das maiores antíteses de toda a Idade Antiga. As duas cidades eram totalmente diferentes em vários pontos: a maneira de fazer política, a importância da guerra, das artes e da cultura, entre outros aspectos.

Esparta fora uma cidade fundada pelos dórios durante o século IX a.C. totalmente diferente de todas as cidades da época. Na verdade, Esparta parecia mais um acampamento militar do que uma cidade propriamente dita. Essa era a principal característica dos espartanos: o seu caráter essencialmente militar.

Para se ter uma ideia, os mesmos eram educados segundo uma rigorosa disciplina; o objetivo da educação espartana era transformar seus cidadãos em guerreiros fortes, obedientes e competentes. Fora por meio da guerra que Esparta conquistou  diversas cidades. A sociedade  era dividida em espartanos, descendentes dos dórios e únicos a ter direitos políticos, periecos, descendente dos aqueus que exerciam atividades ligadas ao comércio e artesanato, e os hilotas, escravos de guerra.

A começar pela sua fundação, Atenas já se diferenciava de Esparta, tendo sido fundada pelos jônios. Os atenienses sobreviviam principalmente da agricultura, da pesca e do comércio marítimo. A sociedade ateniense era dividida em eupátridas (grandes proprietários de terra), georgóis (pequenos proprietários), dimiurgos (artesões especializados) e escravos.

Diferentemente de Esparta, que focava na guerra, Atenas valorizava a educação de seu povo. Isso fez com que a cidade tenha se transformado no centro cultural e intelectual do Ocidente. É em Atenas que surge a filosofia e a democracia, isto é, a cidade foi o berço de todo o Mundo Ocidental.

Expansão – Entre os séculos VII a.C e V a.C. ocorrem migrações de populações gregas a vários pontos do Mediterrâneo, como resultado do crescimento da população, das brigas internas e da necessidade de novas terras cultiváveis. Os gregos fundam colônias na Trácia (na costa da Macedônia e ao norte do mar Egeu), no sul da península Itálica e na Ásia Menor (atual Turquia). O conflito entre as colônias da Ásia Menor e o Império Persa resulta nas Guerras Médicas (492 a.C.-448 a.C.), vencidas pelos gregos. A rivalidade político-econômica entre Atenas e Esparta dá origem à Guerra do Peloponeso (431 a.C. a 404 a.C.), vencida por Esparta. Em 359 a.C., as cidades-estados são submetidas ao Império Macedônico.

Sociedade
– Os gregos cultivam oliveiras, trigo e vinhedos. Seu artesanato, especialmente a cerâmica, tem ampla difusão pelo Mediterrâneo. O comércio marítimo é a principal atividade econômica, que impulsiona o aparecimento de padrões monetários e moeda de metal. A mão-de-obra escrava é utilizada em todos os setores da economia. Cada pólis tem a própria instituição política, organização social e divindade protetora. Os gregos criam as Olimpíadas, desenvolvem a narrativa mitológica, a filosofia, a dramaturgia, a poesia, a história, as Artes plásticas e a arquitetura. Dedicam-se também ao estudo das ciências, como astronomia, física, química, medicina, mecânica, matemática e geometria. Na sua religião politeísta, Zeus é o deus principal.

Política – A pólis de Esparta é o maior exemplo de estrutura oligárquica da Grécia. O comando cabe à classe dos espartiatas (ou esparciatas), que formam a minoria da população. Essa elite mantém o poder por meio do militarismo. Ao contrário de Esparta, Atenas é o exemplo de uma pólis que troca o governo oligárquico pelo democrático. A democracia ateniense se estabelece a partir de 510 a.C., com as reformas implantadas pelo legislador Clístenes. No século V a.C., considerado o século de ouro de Atenas, os cidadãos decidiam o destino da pólis por votação direta, na ágora, a praça pública. O sistema entra em decadência com a derrota de Atenas por Esparta, na Guerra do Peloponeso (de 431 a.C. a 404 a.C.).

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