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A Estrela da Manhã | Manuel Bandeira

A Estrela da Manhã | Manuel Bandeira
A Estrela da Manhã
(Manuel Bandeira)

Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã
Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda a parte
Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã
Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário
Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos
Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras
Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto
Depois comigo
Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra e direi coisas de
[uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás
Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã.
Manuel Bandeira
(Em Estrela da vida inteira)

Romances Indianistas

Romances Indianistas

Romances Indianistas
Este é o gênero que trouxe maior popularidade a Alencar. São três romances: O guarani, Iracema e Ubirajara. Notamos neles, além do indianismo que reflete o nacionalismo e a exaltação da natureza da pátria, uma preocupação histórica: nos dois primeiros romances citados, Alencar mescla personagens reais com personagens fictícios; há uma preocupação muito grande em tudo datar e localizar (Alencar chegou a pesquisar textos quinhentistas).

Em O guarani , o índio, individualizado em Peri, aparece civilizado, em contato com os brancos; Alencar até o batiza, para que ele possa salvar Cecília (sem a condição de cristão, o índio não seria confiável!). Iracema , romance baseado numa lenda do período de formação do Ceará, retrata o nativo brasileiro – no caso, a índia – em seu primeiro contato com o branco colonizador. Da relação entre Iracema e o português Martim nasce Moacir, o primeiro cearense. O romance Ubirajara o índio pré-cabralino, ou seja, o nativo americano em seu estado mais puro, anterior à chegada do português colonizador.

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Alves & Cia |Eça de Queirós

Alves & Cia |Eça de Queirós

Alves & Cia |Eça de QueirósAlves & Cia. é a firma da qual são sócios Machado e Alves e o título deste "pequeno romance" sobre o adultério e suas conseqüências. Quando no dia do aniversário de Ludovina, esposa de Godofredo (Alves), este a surpreende abraçada Machado, começa a história. Alves perturbado com a surpresa, se retira e Machado foge da sala. Alves expulsa Lulu para a casa do pai (que recebe a notícia feliz com a pensão que receberá junto) e decide que ele e Machado tirarão na sorte quem se suicidaria. Posto que Machado e as testemunhas achem isto ridículo, vai-se decidindo por um duelo de pistolas, logo por um de espadas (porque "não foi tão sério"), logo por duelo nenhum. Ludovina viaja com o pai e volta mais tarde. Machado volta trabalhar num clima seco e frio onde antes houveram dois grandes amigos. Já nessa época Alves quer a reconciliação. O tempo vai passando, Alves se reconcilia com Ludovina, sua amizade com Machado renasce; a firma prospera, Machado casa, enviuva, casa novamente, etc. Ao final de 30 anos, os três são felizes e ainda muito unidos, mas nunca esquecem o episódio lamentável em que se envolveram; Alves sente-se feliz que não se precipitara.

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Alexandre e Outros Heróis | Graciliano Ramos

Alexandre e Outros Heróis | Graciliano Ramos

Alexandre e Outros Heróis | Graciliano RamosEm 1944, compendiando estórias coletadas do folclore alagoano, Graciliano entrega ao seu público o livro Histórias rias de Alexandre, reunindo as fanfarronices de um típico mentiroso, nos depois aproveitadas pelo humorista Chico Anísio no personagem “Pantaleão”. - Esta obra foi reeditada postumamente, em 1960, com o titulo Alexandre e outros heróis.

Contos brasileiros que nos falam de um homem cheio de conversas, meio caçador e meio vaqueiro, alto, magro, já velho, chamado Alexandre, que vivia antigamente no sertão do nordeste. Tinha um olho torto e falava cuspindo a gente, espumando como um sapo-cururu, mas isto não impedia que os moradores da redondeza, até pessoas de consideração, fossem ouvir as histórias fanhosas que ele contava. As impossíveis histórias de Alexandre pertencem ao folclore do nordeste; mais que uma criação literária, são de valor antropológico. A mulher, Cesária, fazia renda e adivinhava os pensamentos do marido. Tinha sempre uma resposta na ponta da língua e estava sempre pronta a completar a narração do marido. E eles não brigavam, não discutiam. Alexandre era homem de posses miúdas e Cesária nada possuía. Os outros personagens viviam todos na orla da mendicância declarada, flutuando entre a magia e a arte popular sem preço, indivíduos marginais, inofensivos, não integrados em nenhuma atividade produtiva. E as histórias que Alexandre conta ao seu público humilde têm um traço comum: são inverossímeis. Só poderiam acontecer no âmbito da ficção. Por trás de Alexandre, locutor das histórias, há o narrador, uma figura cuja identidade muito se discute, disfarçado na figura do seu personagem.

A Primeira Aventura de Alexandre, História de uma Bota, Uma Canoa Furada e A Doença de Alexandre contém motivos conjugados da superioridade e da imunidade de Alexandre. Em O Olho Torto de Alexandre, ele narra as circunstâncias que o fizeram vesgo, amplificando-as com um fator suplementar: vê melhor pelo olho defeituoso. As outras histórias configuram um animal excepcional: História de um Bode, Um Papagaio Falador, Um Missionário, História de uma Guariba e Moqueca. Aparece, também, o objeto excepcional, verificável nos três contos restantes: O Estribo de Prata, O Marquesão de Jaqueira e A Espingarda de Alexandre. Tem-se, assim, nesses relatos, dois níveis bem nítidos e que se opõem com clareza: o nível real e o sonho, feito de compensações, no qual o real é superado e, por força do contraste, salientado. Enfim, este é um livro irônico, bem humorado, escrito inicialmente para criança, mas no qual os adultos acham ainda mais graça.

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Agosto | Rubem Fonseca

Agosto | Rubem Fonseca

Agosto | Rubem FonsecaO grande tema dos contos de Rubem Fonseca é a violência. A violência que percorre as ruas brasileiras, numa espécie de guerra civil não declarada entre ricos e pobres. A guerra se travou internamente e Rubem Fonseca soube revelá-la.

O que confere maior verossimilhança ainda a seus relatos são a técnica narrativa e a linguagem. O escritor carioca sente-se à vontade nos textos em primeira pessoa, o narrador sendo ao mesmo tempo o protagonista. Mas para tipo social existe uma linguagem distinta. O policial tem o seu código, o seu estilo, e assim o político e assim o advogado, numa multiplicidade lingüística verdadeiramente assombrosa para um só autor.

1. Introdução ao tema:

Com um pé na ficção e outro na História, Rubem Fonseca faz deste romance uma narrativa policial. A História não é só o pano de fundo. Transcorrendo em agosto de 1954, o livro apresenta os vultos históricos daqueles episódios, que culminaram com o suicídio de Getúlio Vargas, como se fossem protagonistas do próprio romance. Assim figuras como Getúlio Vargas, seu irmão Benjamim, a filha Alzira, o polêmico tenente Gregório Fortunato, ministros (Tancredo Neves, os militares Zenóbio de Castro e Mascarenhas de Moraes) o brigadeiro Eduardo Gomes, só para citar alguns, têm voz e ato no livro.

O narrador apresenta com desenvoltura diálogos, ações, pensamentos, dramas e dúvidas de personagens como estes. Simultaneamente à narrativa da crise que levaria Getúlio ao suicídio, provocada pela tentativa de assassinato de Carlos Lacerda, o autor desenvolve a história ficcional ao redor do personagem central do romance: o comissário Alberto Matos.

2. Enredo:

Agosto de 1954, caos e escândalos políticos aparecendo diariamente nas páginas dos jornais. Getúlio Vargas, Presidente da República, começa perder sua popularidade. O povo está dividido entre o Presidente e Carlos Lacerda, jornalista implacável que diz desmascarar o governo brasileiro. Gregório Fortunato - chefe da guarda pessoal de Vargas - consciente de que o jornalista constitui uma ameaça, planeja um atentado contra a sua vida.

Outro crime acontece: o assassinato de um milionário em sua própria residência, um luxuoso apartamento duplex, em bairro de classe média alta, na cidade do Rio de Janeiro. São crimes que cercam a vida do Comissário Mattos. Sofrendo de terrível úlcera no estômago, envolvido com duas namoradas, o Comissário suspeita que a mão negra que arma os pistoleiros da Rua dos Toneleros em Copacabana, onde ocorre o atentado a Lacerda, deve ser a mesma que mata o milionário na cama.

O atentado a Lacerda fere um coronel da Marinha; explodem manifestações na imprensa e nas ruas. O povo exige explicação do governo. Gregório Fortunato é preso e começa a ser diariamente interrogado. O presidente perde progressivamente sua base política, encontra-se numa situação dúbia. Se renunciar, será ainda mais criticado pelo povo; se permanecer no poder, terá que enfrentar a fúria da UDN e de muitos militares importantes que já não o apóiam.

O Comissário tem uma única pista do assassinato do milionário: um anel dourado e alguns pêlos de negro no sabonete do banheiro. Suas namoradas, Salete e Alice, no seu pé, perturbam-no. Alice, casada com um rico empresário, Pedro Lomagno, desabafa seu drama: diz que seu marido tem uma amante, Luciana Aguiar, viúva de Paulo Gomes Aguiar, o homem cujo assassinato é investigado por Mattos. O Comissário, por sorte acaba ouvindo algo de que realmente suspeita: o fato de Pedro Lomagno ter um amigo negro, chamado Chicão.

Após descobrir que o anel não pertence a Gregório Fortunato, a suspeita recai sobre Chicão. O raciocínio é simples. Matar o amigo para ficar com a mulher e a fortuna. Pedro sente a pressão do Comissário e manda Chicão eliminá-lo.

Enquanto isso, a situação se torna cada vez mais crítica par o Presidente. A câmera mostra os xadrezes entupidos. Vargas marca uma reunião com os ministros no Palácio do Catete. A reunião estende-se à madrugada. Cada ministro faz a sua análise da situação política nacional. Ao final, o Presidente, cansado, solitário e deprimido, sobe para a ala residencial do Palácio e decide "sair da vida para entrar na História". Um tiro no peito rouba-lhe a vida e convulsiona o país. O suicídio é encarado como saída derradeira para a situação catastrófica.

Com o estômago ardendo, Mattos, após voltar do velório de Vargas, vai para seu apartamento para se encontrar com Salete. Momentos mais tarde, quando ambos se encontram deitados, percebem a presença sorrateira de um negro alto e forte, que identificam como Chicão. Mattos entrega-lhe o anel. Chicão não poupa nem a moça.

Ao final do romance, temos uma quantidade de elementos: a corrupção policial, as negociatas políticas no Senado e na Câmara, a compra de favores. A derrota do único honesto, o Comissário Mattos, é sinal da impossibilidade de existir algum resquício de honestidade naquele meio. A última página do livro diz que "a cidade teve um dia calmo", apenas dois dias após a turbulência da morte de Getúlio Vargas. Afinal, esta é uma cena brasileira: as convulsões ocorrem, mas tudo sempre volta à calma com o se nada tivesse acontecido.

Obs.:Fato histórico

Em relação aos acontecimentos políticos do ano em questão, o livro resgata o início do fim do já desgatado governo Vargas e das corrupções que nele ocorriam. Este início foi marcado pelo famigerado atentado da rua Toneleros, na qual o alvo era o jornalista Carlos Lacerda, maior opositor ao governo de Getúlio Vargas. Lacerda sai apenas ferido do atentado, enquanto que o major Vaz, da Aeronáutica, que o acompanhava, morre. A partir de então, unem-se forças de todos os lados contra Getúlio Vargas, responsabilizando-o pelo atentado. A aeronáutica resolve fazer uma investigação paralela à da polícia e consegue descobrir e prender o atirador, Alcino, o motorista do carro e Climério, subchefe da segurança do Palácio do Catete. Através deles chegam ao mandante do crime, Gregório Fortunato, o Anjo Negro, chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas. Com isto, as forças armadas, Aeronáutica, Marinha e Exército, juntamente com a imprensa e a opinião pública, dirigida pela mesma, forçam de todo o jeito a renúncia de Vargas da Presidência da República. Acuado e sem apoio, Vargas apela para a única saída honrosa para a crise, o suicídio, onde em sua carta-testamento escreveu que saía da vida para entrar na história.

Personagens

Raimundo, porteiro do edifício Deauville, abandona a portaria de madrugada. Enquanto isso, acontece a morte de Paulo Gomes Aguiar. O comissário Alberto Mattos encontrou um anel de ouro com a inicial "F" gravada no banheiro da empresário morto. O chefe da guarda pessoal de Getúlio programava um atentado contra Carlos Lacerda.

Paulo Gomes Aguiar era casado com Luciana e esta era amante de Pedro Lomagno. Pedro era casado com Alice.

Inicialmente, Mattos acha que o anel era de Gregório Fortunato, depois descobriram que era de um negro por causa dos pelos encontrados no sabonete. Mattos conversa com Raimundo e este diz que um negro foi ao apartamento de Luciana. Luciana e Pedro dizem que foi um macumbeiro. Pedro manda Chicão matar Raimundo. Pedro vai com mattos ver o macumbeiro, mas ele não era grande, forte e com os dedos grossos como o anel indicava. Gregório era o mandante da Rua Tonelero, onde Climério, Alcino e o taxista Nelson estavam envolvidos. Alcino, ao invés de matar Lacerda, acabou matando o Major Vaz. O taxista foi pego, pois sua placa foi identificada e contou tudo. Climério foge e vai para Tinguá, mas é denunciado e preso. A morte de vaz tem uma percussão muito grande. Os aliados de Lacerda estavam fazendo o povo acreditar que foi Getúlio Vargas que mandou matar o Major Vaz.

Os aliados queriam de Getúlio renunciasse. Todos os policiais recebiam dinheiro dos banqueiros do bicho para que os bicheiros não fossem presos. Mattos e Pádua eram os únicos que não aceitam o suborno. Idílio tenta comprar Mattos e este lhe dá um pontapé. Então Ilídio quis matar Mattos, contratando Turco Velho. Os outros bicheiros não deixam que isso ocorra. Pádua descobre que foi Turco Velho que quis matar Mattos e o elimina. Luiz Magalhães Sustentava salete e esta era namorada de Mattos.

Gregório é preso e diz que foi Lutero Vargas o mandante do crime da rua Tonelero. Pedro Lomagno foi quem planejou a morte de Paulo Gomes Aguiar. Paulo tinha que morrer ou acabaria levando a Cemtex à falência. Contratou Chicão para matá-lo. Alice briga com Pedro e passa a morar na casa de Mattos. Como era meio desequilibrada, tenta incendiar a casa de Mattos. Getúlio Vargas estava sendo pressionada a renunciar, então pediu licença do governo. Na mesma noite suicidou-se.

Houve revoltas do povo, indignados com a morte de Getúlio. Mattos prende todos policiais numa sala e solta todos os presos. Teodoro conversa com Rosalvo. Paulo Aguiar estava metido em negociatas com o senador Freitas, licenças da importação foram conseguidas com fraudes com Cexim. Sabia demais e foi morto. ele achavam que Mattos desconfiava que foi o senador Vitor Freitas que mandou matar Paulo, para esconder sua participação na roubalheira. Teodoro contou para Clemente sobre as suspeitas de Mattos. Clemente contrata Genésio para matar Mattos. A cada dia que passa, Mattos sofre mais com sua úlcera duedenal. Salete vai morar com ele em sua casa. Chicão vaia a casa de Mattos e recebe se anel de ouro devolta. Quando Mattos vai ligar para a polícia, Chicão mata Mattos e Salete, a mando de Pedro Lomagno. Pois Mattos havia descoberto que o assassino era Chicão e o perseguiria para sempre caso vivesse. Pouco depois, Genésio chega na casa de Mattos e encontra os corpos estendidos no chão. Genésio diz a Clemente e Teodoro que havia matado Mattos e Salete. Com isso recebe seu dinheiro. Pádua suspeita que foi Ilídio que mandou matar Mattos, então o mata

Comentário

Os primeiros fatos da obra Agosto são reais (crime da Rua Toneleros e o suicídio de Vargas). Contudo, o principal personagem, o Comissário Mattos, é fictício. O Comissário, na verdade, é o "alter ego" do autor Rubem Braga. A obra é narrada, em terceira pessoa, do ponto de vista do ingênuo, porém inteligentíssimo, Comissário.

Rubem Braga não tece críticas à situação da época; ele, simplesmente, narra os fatos do ponto de vista de alguém correto, vítima de brutalidades políticas e de corrupção policial. O autor entra na história que mancha o país e, por isso, cria este "outro eu" para atingir seu objetivo. Visando dar conotação fictícia à história que envolveu fatos reais, Fonseca cria outros personagens, justamente para dar vida ao seu "alter ego" . É o caso de suas namoradas. A obra, além de tudo, reflete ganâncias e obsessão pelo poder. Apesar de complexa realidade que foi a década de 50, Agosto é uma obra objetiva e fácil compreensão.

Com este livro, o autor fornece uma análise imparcial dos conflitos políticos e sociais do contexto histórico em que a obra está inserida (1950-1954) e acaba despontando como um dos mais importantes romancistas contemporâneos. Um dos pontos característicos dessa obra é o intenso paralelismo entre os fatos reais e a ficção que, somados a uma linguagem simples e coloquial, proporcionam ao leitor uma leitura agradável.

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As Mãos, Os Pés e o Ventre | Esopo

As Mãos, Os Pés e o Ventre | Esopo

As Mãos, Os Pés e o Ventre | Esopo
Cheios de inveja, os Pés e as Mãos disseram ao Ventre:

- Só você se aproveita dos nossos trabalhos, e não faz outra coisa do que receber nossos ganhos sem ajudar-nos no mínimo que seja. Portanto, escolhe uma destas duas coisas: ou encarregue-se você mesmo da sua manutenção, ou morra de fome. Ficou, pois, abandonado o Ventre, e não recebendo comida durante muito tempo, foi perdendo seu calor e ficou debilitado, com o que os demais membros do corpo se enfraqueceram também, foram perdendo as forças até que pouco depois todos eles morreram.

Ninguém se basta a si mesmo para tudo.

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A Serpente de Bronze | Humberto de Campos

A Serpente de Bronze | Humberto de Campos

A Serpente de Bronze | Humberto de CamposTítulo: A Serpente de Bronze
Autor: Humberto de Campos
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
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Tornaram logo os israelitas a murmurar, pelo que mandou o Senhor contra eles serpentes venenosas, cuja mordedura queimava como fogo. E morrendo muitos com dores atrocíssimas, veio o povo ter com Moisés, e disse: "Pecamos contra o Senhor e contra ti; roga-lhe que nos livre destas serpentes". Anuiu Moisés ao pedido, e o senhor lhe deu a seguinte ordem: - "Faze uma serpente de bronze, e arvora-a no alto de um poste; e todo o que, sendo mordido, olhar para ela, será salvo". Obedeceu Moisés, e todos aqueles que tinham sido feridos, e olharam para a serpente de bronze, ficaram curados." - D. Antônio de Macedo Costa, Resumo da História Bíblica p. 39, pag. 71.

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A Velha Izerguil | Máximo Gorki

A Velha Izerguil | Máximo Gorki

A Velha Izerguil | Máximo GorkiTítulo: A Velha Izerguil
Autor: Máximo Gorki
Gênero: Contos
Categoria: Literatura Russa
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Ouvi estes relatos perto de Akkerman, na Bessarábia, à beira-mar. Uma noite, terminada a vindima quotidiana, o grupo de moldavos com quem eu trabalhava foi até à praia. A velha Izerguil e eu ficámos, deitados no chão, na sombra espessa das cepas, vendo em silêncio os vultos dos que iam para o lado do mar diluírem-se na névoa profunda da noite. Caminhavam, cantavam, riam; os homens, morenos, com fartos bigodes pretos e caracóis espessos que lhes caíam para os ombros, com camisas russas e amplas bombachas cossacas; as mulheres e as raparigas alegres e vivas, bronzeadas como eles e de olhos azul-escuros. Tinham os cabelos negros e sedosos, desfeitos, e o vento, morno e suave, brincava fazendo tilintar as moedas neles entrançadas. A brisa soprava numa onda larga e regular, mas às vezes parecia saltar por cima de um obstáculo invisível, lançava uma rajada mais forte e fazia ondular os cabelos das mulheres como crinas fantásticas por cima das cabeças. Isso dava-lhes um ar estranho e fabuloso. E à medida que se iam afastando, a noite e a imaginação tornavam-nas cada vez mais belas. Alguém tocava violino; uma das raparigas cantava com uma voz suave de contralto e chegava até nós o som dos risos.

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O Juiz de Paz da Roça | Martins Pena

O Juiz de Paz da Roça | Martins Pena

O Juiz de Paz da Roça | Martins PenaTítulo: O Juiz de Paz da Roça
Autor: Martins Pena
Gênero: Teatro
Categoria: Literatura Brasileira
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Enredo
A peça passa-se na roça e aborda com humor o jeito particular de ser da gente roceira do Brasil do século XIX, focando as cenas em torno de uma família da roça e do cotidiano de um juiz de paz neste ambiente e explorando uma série de situações em que transbordam a simplicidade e inocência daquelas pessoas.

Na comédia, o juiz de paz é um pequeno corrupto que usa a autoridade e inteligência para lidar (e suportar) com a absurda inocência dos roceiros, que lhe trazem os mais cômicos casos. O escrivão aparece como servo mais próximo do juiz e viabiliza suas ordens; no entanto, não é intencionalmente corrupto e chega a surpreender-se com algumas decisões de seu superior. A família de Manoel João (incluindo o negro Agostinho) mais José da Fonseca formam o núcleo mais importante da peça. Os outros personagens são roceiros que servem para apresentar ao juiz de paz as esdrúxulas situações que ele deve resolver.

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A Morenhinha | Joaquim Manuel de Macedo

A Morenhinha | Joaquim Manuel de Macedo

A Morenhinha | Joaquim Manuel de MacedoTítulo: A Morenhinha
Autor: Joaquim Manuel de Macedo
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
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A história conta sobre Augusto, rapaz que aposta com amigos ( incluso Felipe ) que não ficaria apaixonado por mais de 15 dias por mulher alguma, sua pena ( em caso de perda) será a de escrever um romance para estes amigos.

O romance A moreninha é o fruto desta aposta (há aqui um exercício de metalinguagem)

Augusto é estudante e colega de Felipe, cuja irmã é Carolina.

ugusto quando criança jurou amar eternamente uma menina cujo nome ignora e fica inconstante em seus amores, até que conhece Carolina, pela qual se apaixona e persegue.

Quando no final ficam noivos, ela primeiro manda-o casar-se com sua amada de infância e depois revela ela ser esta amada.

O livro é um exemplo clássico do Romantismo, tendo sido seu primeiro exemplo brasileiro.

Ele gira em torno de sua heroína perfeita e seu herói que luta para ter o amor desta e os obstáculos para sua realização, no caso a promessa infantil.

Também são bem representados os costumes do Rio de Janeiro da década de 1840 e a classe dos estudantes, da qual Macedo fazia parte na época da escrita do livro.

A obra de Macedo apresenta todo o esquema e desenvolvimento dos romances românticos iniciais: descrição dos costumes da sociedade carioca, suas festas e tradições, estilo fluente e leve, linguagem simples, que beira o desleixo, tramas fáceis, pequenas intrigas de amor e mistério, final feliz, com a vitória do amor.

Com esta receita, Macedo consegue ser o autor mais lido do Brasil em seu tempo.

Macedo foi, por excelência, o escritor da classe média carioca, em oposiçào à aristocracia rural.

Sua pena tinha o gosto burguês; seus romances eram povoados de jovens estudantes idealizados, moçoilas casadoiras, ingênuas e puras e demais tipos que perambulavam pela agitada cidade do Rio de Janeiro.

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Encarnação | José de Alencar

Encarnação | José de Alencar

Encarnação | José de AlencarTítulo: Encarnação
Autor: José de Alencar
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
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O livro Encarnação, de José de Alencar, só foi publicado em 1877, postumamente. É o último dos romances urbanos do autor. As personagens femininas de Alencar propõem-se, inicialmente, como retratos emoldurados pela marca da firmeza, da inteligência e do espírito crítico. À medida que a narrativa se desenvolve revelam-se como duplos da personagem masculina e confirmação do seu desejo.

A personagem feminina, criada no registro masculino, não coincide com a mulher real do cotidiano. No espaço da ficção, nasce a heroína literária romântica sempre pronta a ser o desejo do seu herói. No texto, surge uma miragem de mulher, tornando-se um modelo a seguir.

Encarnação é o elogio da submissão.No início do romance, Amália é aquela que zomba do amor romântico, do homem ideal ? Fênix dos maridos. Entretanto, ela mesma torna-se a Fênix de um desejo alucinado. Quando Hermano fica viúvo, ela procura a todo custo conquistar o seu amor. Bem narcisista, ela vê em Hermano a possibilidade de realização de um sonho, de preenchimento do seu tédio, de esperança de plenitude. A diferença é que Amália morre enquanto Amália, mas Hermano permanece o mesmo. O processo de conquista implicará a transformação de Amália em Julieta, por meio de um jogo de gestos, penteados e hábitos da esposa morta, até que Hermano, confundindo as duas mulheres, acabará por apaixonar-se por Amália e realizar-se no imaginário desse amor de conjunção total. Com esse jogo, Amália perde sua identidade. Hermano se apaixona por um ideal. Amália pode ser considerada o protótipo da submissão a um modelo patriarcal, por legitimar o narcisismo de Hermano. Ideal masculino, submissa, por isso é heroína.
No título Encarnação está implícita a atitude de Amália ao assumir a identidade de Julieta para conquistar o amor de Hermano.

Os espaços principais no romance são: o cotidiano da vida cortesã no Rio de Janeiro, segunda metade do século XIX, casa do Sr. Veiga (pai de Amália), casa de Hermano (ao lado), quarto de Julieta (cristalização de um passado), casa em ruína (libertação da imagem de Julieta morta, da obsessão).

O olhar sustenta a ficção. No romance, Amália cria sua ficção e faz dela a sua vida. A curiosidade e o olhar para as casas vizinhas estruturam o enredo e permitem o conhecimento e o contato entre os protagonistas.

As manifestações lúdico-musicais (ópera, teatro, piano, canto, sarau) comparecem nos romances urbanos de Alencar como ingredientes da ?escolhida sociedade? da corte. Os eventos servem de aproximação e definição do par amoroso. O canto funciona como uma chave que abre a passagem entre o mundo da fantasia e o mundo da realidade, entre a mulher imaginada e a mulher com quem depara. Depois quebra a indiferença inicial entre Hermano e Amália. Esta percebe o sentido simbólico da ópera Lúcia de Lammermoor e a executa, com a intenção de atrair sua atenção.

São, ainda características marcantes na obra: foco narrativo entre primeira e terceira pessoas, metalinguagem, linguagem rica e minuciosa, enredo perfeito, grande suspense Vale a pena conferir a incapacidade de lidar com o passado de Hermano e a curiosidade e compulsão de olhar da personagem Amália.

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O Lapso | Machado de Assis

O Lapso | Machado de Assis

O Lapso | Machado de AssisTítulo: O Lapso
Autor: Machado de Assis
Gênero: Contos
Categoria: Literatura Brasileira
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Não me perguntem pela família do Dr. Jeremias Halma, nem o que é que ele veio fazer ao Rio de Janeiro, naquele ano de 1768, governando o conde de Azambuja, que a princípio se disse o mandara buscar; esta versão durou pouco. Veio, ficou e morreu com o século. Posso afirmar que era médico e holandês. Viajara muito, sabia toda a química do tempo, e mais alguma; falava correntemente cinco ou seis línguas vivas e duas mortas. Era tão universal e inventivo, que dotou a poesia malaia com um novo metro, e engendrou uma teoria da formação dos diamantes. Não conto os melhoramentos terapêuticos e outras muitas coisas, que o recomendam à nossa admiração. Tudo isso, sem ser casmurro, nem orgulhoso. Ao contrário, a vida e a pessoa dele eram como a casa que um patrício lhe arranjou na rua do Piolho, casa singelíssima, onde ele morreu pelo natal de 1799. Sim, o Dr. Jeremias era simples, lhano, modesto, tão modesto que... Mas isto seria transtornar a ordem de um conto. Vamos ao princípio.

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Sonetos | Luís de Camões

Sonetos | Luís de Camões

Sonetos | Luís de CamõesTítulo: Sonetos
Autor: Luís de Camões
Gênero: Poesia
Categoria: Literatura Portuguesa
Arquivo: PDF
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Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

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Versos Inscritos numa Taça de um Crânio | Lord Byron

Versos Inscritos numa Taça de um Crânio | Lord Byron

Versos Inscritos numa Taça de um Crânio | Lord ByronTítulo: Versos Inscritos numa Taça de um Crânio
Autor: Lord Byron
Gênero: Poesia
Categoria: Literatura Britânica
Arquivo: Doc
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Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência -curto dia-,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

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Marginália | Lima Barreto

Marginália | Lima Barreto

Marginália | Lima BarretoTítulo: Marginália
Autor: Lima Barreto
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
Arquivo: PDF
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Essa questão dos pescadores originários de Póvoa do Varzim, em Portugal, que, desde muitos anos, se haviam especializado, entre nós, na pesca em alto mar, e como que a tinham monopolizado, por parecer terminada, merece ser epilogada, pois muitas são as notas que se lhe podem apor à margem. De parte a parte, nas afirmações e atos de um e outro adversário, um espírito imparcial encontra o que observar e material para reflexões. Os defensores lastimosos dos "poveiros", que não se quiseram naturalizar brasileiros e, por isso, se repatriaram, encarniçaram-se contra os japoneses, entre outros motivos, porque eles se insulam na massa da população nacional, com a qual parece não quererem ter senão rápidos contatos, os indispensáveis para os seus negócios. Curioso é que encontrem, unicamente nos japoneses, essa repugnância pela imitação com o geral da população brasileira, quando os tais "poveiros" a possuem ou possuíam também, a ponto de não permitirem que, entre eles, houvesse outra gente, empregada nas suas pescarias, senão os naturais de Póvoa do Varzim.

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Batracomiomáquia: A Guerra Entre Rãs e Ratos | Homero

Batracomiomáquia: A Guerra Entre Rãs e Ratos | Homero

Batracomiomáquia: A Guerra Entre Rãs e Ratos | Homero
Homero (Circa 850 a. C. - Grécia)
O primeiro (e soberano) grande autor da literatura européia, Homero é mais um nome lendário do que um escritor com uma biografia própria. Supõe-se originário da Ásia Menor, onde teria vivido entre os anos 1.100 e 900 antes de Cristo. "Um poeta desconhecido que teria escrito a Ilíada e, provavelmente, a Odisséia." Além dessas obras imortais, a ele também são atribuídos os Hinos Homéricos, Epigramas, A pequena Ilíada e Batraquiomiomáquia, aqui presente. Este "poema heróico-cômico, inicialmente atribuído, por Plutarco, a Pigres de Cárie, só foi publicado em Veneza, em 1489, e é considerado como a "primeira manifestação humorística da literatura européia".

Ao iniciar, rogo ao coro de Helicon que assista a minha alma para entoar o canto que recém registrei nas tábuas sobre meu joelho - uma luta imensa, obra marcial plena de bélico tumulto -, desejando que chegue aos ouvidos de todos os mortais como os ratos se distinguiram ao atacar as rãs, imitando as proezas dos gigantes filhos da terra. Tal como entre os homens se conta, seu princípio aconteceu da seguinte maneira: Sedento, depois de se livrar de uma doninha, um rato submergia sua ávida barba ali perto, num lago, e se reconciliava na água doce como mel, quando viu uma rã tagarela, que no lago tinha suas delícias, e que assim lhe falou: Inchabochechas: - Quem és tu, forasteiro? De onde chegastes nestas ribeiras? Quem te engendrou? Dize-me tudo honestamente, e que não perceba eu que mentes. Se te considerar digno de ser meu amigo, levar-te-ei a minha casa e te darei muitos e bons presentes de hospitalidade. Eu sou lnchabochechas e, no lago me honram como perpétuo guerreiro das rãs; meu pai Lodoso me criou e deu-me à luz Rainha-das-Águas, que com ele se juntara amorosamente às margens do Erídano. Observo que também és formoso e forte, mais ainda do que os demais; e deves ser rei e valoroso combatente nas batalhas. Mas, ande, revele-me já tua linhagem!

Justificar
Roubamigalha: - Por que me perguntas por minha linhagem? Conhecida é e a de todos os homens e deuses, e até das aves que no céu voam. Eu me chamo oubamigalha, sou filho do magnânimo Róipão e tenho por mãe Lambedentes, filha do rei Róipresunto. Mas... Como poderás conseguir que eu seja teu amigo, se minha natureza é completamente diversa da tua? Para ti, a vida está na água, mas eu costumo roer o quanto os homens possuem; não se me oculta o pão enfeitado que se guarda no redondo cesto; nem a grande torta recheada de gergelim; nem a talhada de presunto; nem o fígado dentro de sua branca túnica; nem o fresco queijo, de doce leite fabricado; nem os ricos doces, que até aos imortais apetecem; nem coisa alguma das que preparam os cozinheiros para os festins dos mortais, espargindo condimentos de toda sorte aos borbotões. Jamais fugi da horrível gritaria insana das batalhas, mas sempre me encaminho para o tumulto e imediatamente me junto aos combatentes mais avançados. O homem com seu grande corpo é coisa que não me assusta, pois, imiscuído-me na cama em que repousa, mordo-lhe a ponta do dedo e até o pego pelo calcanhar, sem que sinta ele qualquer dor nem o desampare o doce sono enquanto eu o mordo. Dois são os inimigos a quem, em grande forma, eu temo sobre tudo o mais na terra: o gavião e a doninha, que terríveis pesares me causam; e também o lutuoso cepo onde se oculta a traidora morte. Mais temo porém a doninha, que é fortíssima e, ao me esconder numa toca, na própria toca vai ela me procurar. Não como rábanos, nem couves, nem abóboras; nem me alimentos de verdes acelgas nem aipo; que estes são vossos manjares próprios dos que habitam a lagoa.

lnchabochechas, sorrindo, respondeu:

Inchabochechas: - Ó, forasteiro, das coisas do ventre muito te envaideces; também nós, as rãs, temos muitas coisas admiráveis de se ver, tanto no lago como em terra firme, pois Zeus Cronion nos deu um duplo modo de viver, e tanto podemos saltar na terra como mergulhar na água, habitando moradas que de ambos elementos participam. Se desejares comprová-lo, mui fácil te há de ser: monta nas minhas costas, agarra-te a mim para não escorregares e chegarás tranqüilo ao meu palácio. Assim falou - e deu as costas a ele. O rato, subindo de um salto ao lugar indicado, prendeu as mãos no pescoço macio. E a princípio regozijava-se contemplando os hortos vizinhos e deleitando-se com o nado de Inchabochechas; mas assim que se sentiu molhado pelas ondas cor de púrpura, brotaram-lhe copiosas lágrimas e, tardiamente arrependido, lamentava-se e arrancava os cabelos, apertando com suas patas o ventre da rã, com o coração aos pulos com o insólito da aventura, ansiando em voltar à terra firme; enquanto isso, um glacial terror fazia-o gemer. Estendeu então a cauda sobre a água, movendo-a como um remo; e, enquanto pedia às divindades que o ajudassem a chegar no chão firme, as ondas cor-de-púrpura iam banhando-o. Gritou finalmente - e estas foram as últimas palavras que sua boca proferiu:

Roubamigalha: - Com toda a certeza não foi assim que sobre seus ombros levou a amorosa carga o touro que, através das ondas, conduziu à Creta a ninfa Europa - como, nadando, a mim transporta sobre os seus esta rã que mal ergue seu amarelo corpo por entre a branca espuma. De repente apareceu uma hidra com o pescoço sobre a água. Que amargo espetáculo para os dois! Ao vê-la, submergiu lnchabochecha sem lembrar da qualidade do companheiro que, abandonado, ia morrer. Foi-se portanto a rã ao fundo do lago e assim evitou a negra morte. O rato, quando a rã o soltou, caiu de costas na água; e apertava as patinhas; e, em sua agonia, soltava guinchos agudíssimos. Muitas vezes submergiu ele na água, muitas outras conseguiu flutuar, aos coices; não conseguiu no entanto escapar ao seu destino. O pêlo molhado aumentava seu peso. E, ao perecer nas águas, tais palavras pronunciou:

Roubamigalha: - Teu proceder não haverá de passar despercebido, ó lnchabochechas, que este náufrago fizeste despencar do teu corpo como uma pedra. Em terra, ó mui perversa, não me vencerias nem no vale-tudo, nem na luta, nem na corrida; mas te valeste da fraude para jogar-me nágua. Tem a divindade um olho vingador e pagarás teu crime ao exército de ratos, sem que consigas escapar. E assim expirou ele na água. Mas aconteceu de vê-lo Lambeprato, que se achava sobre a branda relva da ribeira; e a proferir horríveis chiados correu para dar notícia aos ratos. Assim que estes a souberam, ficaram dominados de terrível ira. Ordenaram em seguida aos arautos que, ao romper da aurora, convocassem todos para uma reunião na morada de Róipão, pai do desditado Roubamigalha, cujo cadáver apareceu estendido na lagoa, pois o mísero já não se achava mais próximo da ribeira: ia flutuando no meio do charco. E quando, ao surgir da madrugada, todos acudiram ao encontro, Róipão, irritado com a sorte do filho, foi o primeiro a falar:

Róipão: - Amigos! Embora a mim em particular as rãs causaram tanta dor, a atual desventura a todos nós alcança. Sou muito desgraçado, pois perdi três filhos. Ao mais velho, matou-o a muito odiada doninha, pondo-lhe as garras em uma toca. Ao segundo, levaram-no à morte os cruéis homens, inventando uma engenhosa armadilha à qual chamam ratoeira e que é a perdição dos ratos. E o que era meu terceiro filho, tão caro a mim e a sua veneranda mãe, afogou-o lnchabochechas, levando-o para o fundo da lagoa. Mas eia, armai-vos, guarnecei vossos corpos com lavradas armaduras e saiamos todos contra as rãs. Expondo tais razões, a todos persuadiu a que se armassem; e a todos armou Ares, que é quem cuida da guerra. Primeiro ajeitaram a seus músculos bainhas de verdes favas bem preparadas, que então abriram e que durante a noite haviam roído das plantas. Puseram-se couraças de peles hastes, dispostas com grande habilidade, depois de esfolarem uma doninha. O escudo consistia numa tampa, das que levam uma lamparina no centro; as lanças eram longuíssimas agulhas, labor de Ares em bronze; e o capacete era uma casca de ervilha por sobre as frontes. Assim armaram-se os ratos. Ao perceberem isso, as rãs saíram da água e, reunidas, celebraram uma comissão para tratar do pernicioso embate. E, enquanto procuravam saber qual a causa daquele levante e tumulto, acercou-se deles um arauto com uma varinha na mão - Furaondas, filho do magnânimo Róiqueijo - e anunciou-lhes a funesta declaração de guerra:

Furaondas: - Ó, rãs! Os ratos nos ameaçam com guerra e me enviaram para vos dizer para se armarem para a luta e o combate, pois viram nágua a matar Roubamigalhas vosso rei lnchabochechas. Pelejai, pois, vós, os mais valentes entre as rãs. Assim começou, e seu discurso penetrou em todos os ouvidos e mexeu com as mente de todas as rãs. E como sobrou a culpa para lnchabochecha, ele falou:

Inchabochechas: - Amigos! Não levei o rato à morte, nem o vi perecer. Deve ter-se afogado enquanto brincava às margens do lago, imitando o nadar das rãs; e os perversos me acusam - a mim, que sou inocente. Mas, adiante, busquemos de que modo nos será possível destruir os pérfidos ratos. Vamos cobrir o corpo com as armas e vamos nos colocar nos altos da ribeira, no lugar mais abrupto; e quando vierem eles nos atacar, fisguemos os que de nós se aproximarem pelos cascos e tiremo-los rapidamente do lago, dentro de suas próprias armadilhas. E depois que na água se afogarem, pois não sabem nadar, vamos erigir um alegre troféu que o ratocídeo comemore. E assim a todos persuadiu que se armassem. Cobriram suas pernas com folhas de malca; puseram-se as couraças de verdes acelgas; transformaram habilmente em escudos folhas de couve; tomaram como se lança fosse cada qual os seus juncos longos; e cobriram a cabeça com elmos que eram conchas de caracóis. Vestida a armadura, enfileiraram-se no alto da ribeira, brandindo as lanças, cheios de furor. Então, ao estrelado céu, chamou Zeus as divindades, e mostrando-lhe a batalha e os fortes combatentes, que eram muitos e manejavam longas lanças - como se pusesse em marcha um exército de centauros ou de gigantes -, perguntou sorridente quais deuses ajudariam as rãs e quais os ratos? E disse a Atenéia:

Zeus: - Filha! Irás por ventura auxiliar os ratos, já que todos saltam em teu templo, onde se divertem com o vapor da gordura queimada e com manjares de toda espécie?E Atenéia respondeu-lhe:

Atenéia: - Ó pai! Jamais iria prestar ajuda aos aflitos ratos porque eles já me causaram um sem-número de males, destruindo os diademas e as lâmpadas para beberem o azeite. E ainda mais me atormenta o ânimo o fato de me roerem e ainda esburacarem uma túnica de sutil trama que eu mesma havia tecido; e agora a costureira me constrange pelo ocorrido - horrível situação para uma imortal! -, pois comprei fiado o tecido para tecer e agora não sei como irei devolver a ele. Mesmo assim, não pretendo defender as rãs, que tampouco elas têm juizo: recentemente, ao voltar de um combate em que muito me cansei, elas não me permitiram cerrar os olhos com seu alarido; e estive deitada, sem dormir e com a cabeça dolorida até ouvir o galo cantar. Portanto, ó Deuses!, vamos nos abster de dar-lhes a nossa ajuda, pois combaterão corpo a corpo mesmo que uma divindade se lhes oponha - vamos nos divertir todos contemplando aqui do céu a batalha.Assim falou, e os restantes deuses obedeceram-na e todos juntos se encaminharam para determinado lugar estratégico. E então os mosquitos anunciaram, com grandes trombetas, o fragor horroroso do combate; e Zeus Cronida no céu troou, dando o sinal para a funesta luta. Começou com Chiaforte ferindo Lambehomem com a lança, cravando-a no ventre e no fígado: o rato caiu de boca para baixo, os pêlos manchados e, ao tombar com grande baque, as armas ressoaram sobre seu corpo. Depois Habitatocas, como alcançara Lamacento, enterrou-lhe no peito a forte lança: a negra morte apresou o caído e voou-lhe a alma do corpo. Acelguívoro matou Penetraondas atirando-lhe o dardo no coração e nas mesmas margens matou também Róiqueijo. Rãdojunco, ao ver Furapresunto, começou a tremer, tirou o escudo e fugiu, saltando na água. Descansanalama, o irrepreensível, matou o Comedordecapim e Gozadoraquático feriu também de morte ao rei Róipresunto, atingindo-lhe com o cabo da arma na parte de cima da cabeça: o cérebro do rato fluiu-lhe pelo nariz e a terra manchou-se de sangue! Lambepratos matou com a lança Descansanalama, o irrepreensível: a escuridão velou seus olhos. Ao vê-lo, Comealho agarrou Farejado pelos pés e, ao apertar o tendão com força, afogou-o no lago. Ladrãodemigalha quis vingar seu companheiro defunto e feriu Comealho no ventre, bem no meio do fígado: caiu a rã a seus pés e o espírito dela foi para o Hades. Andaentrecouves atirou-lhe de longe um punhado de lama que lhe borrou o rosto todo e por pouco não o cegou. Ficou raivoso o rato e, colhendo com a mão uma enorme pedra, verdadeiro obus da terra, com ela feriu Andaentrecouves abaixo do joelho: partiu-se a perna direita da rã, que caiu de costas no pó. Tagarela veio em seu auxílio e, atacando Ladrãodemigalha, feriu-o no ventre: enterrou-lhe todo o afiado junco e, ao arrancar a arma, os intestinos esparramaram-se no solo. E, assim que o viu no alto da ribeira, habitatocas - o qual, sentindo-se bastante abatido, retirava-se coxeando do combate - saltou num fosso para escapar da horrível morte. Róipão feriu Inchabochechas na extremidade do pé; e este; aflito, jogou-se no lago. Ao vê-lo caído e exausto, Alguívoro abriu caminho por entre os combatentes dianteiros e avançou sobre Róipão com seu junco em lance, não conseguindo, porém, romper-lhe a couraça, na qual cravou a ponta da arma. Feriu-o, no entanto, no forte casco de reforço, fazendo-se êmulo do próprio Ares, o divinal Cataorégano, único combatente que se destacava por entre a multidão de rãs. Mas partiram contra ele que, ao perceber-se assim acuado, não quis esperar seus esforçados heróis e acabou submergindo na parte mais profunda do lado. O mancebo Roubaparte, entre todos destacado e filho do irrepreensível Roedorqueespreitaopão, recebeu deste a ordem para que se juntasse ao combate, e o filho garantiu, esbravejando, que haveria de exterminar toda a linhagem das rãs. Foi a elas com ganas de luta; rompeu ao meio uma casca de noz e armou-se. Temerosas, as rãs retiraram-se para o lago. E haveria ele de levar a cabo seu propósito, pois grande era sua força, se não o houvesse percebido imediatamente o pai dos homens e dos deuses: Zeus, que compadecido das rãs, moveu a cabeça e assim falou:

Zeus: - ó Deuses! Enorme é a façanha que meus olhos vão contemplar. Muito perplexo deixou-me Roubaparte ao se vangloriar de que haverá de destruir as rãs do lago. Enviemos o quanto antes Palas Atenas, que é quem produz o tumulto da guerra, ou Ares, para que o retirem da batalha, independente de sua valentia.Ares respondeu-lhe:

Ares: - Nem o poder de Palas Atenas nem o de Ares haverão de bastar para livrar as rãs da horrível derrota. Mas mesmo assim sigamos em seu auxílio, ou então move tu a tua arma, com a qual mataste os titãs, que eram em muito melhores do que todos; e desta maneira será dominado o mais valente, tal como em outros tempos fizeste perecer o robusto varão Capaneo, o grande Enceladonte e as ferozes famílias dos Gigantes. Assim disse, e Zeus arremessou seu brilhante raio. Antes, emitiu um trovão que fez estremecer o vasto Olimpo, e em seguida lançou o raio - a terrível arma de Zeus que voou serpenteando da sua soberana mão. A queda do raio a todos causou pavor, tanto às rãs quanto aos ratos; mas nem por isso o exército destes últimos abandonou o combate, talvez esperando ainda mais do que destruir a linhagem das beligerantes rãs, se Zeus, no Olimpo, compadecendo-se delas, não lhes houvesse imediatamente enviado ajuda. De pronto apresentaram-se uns animais com ombros como bigornas, de garras curvas e andar oblíquo, pés torcidos, com bocas como tesouras, peles de crustáceos, com ossos consistentes, costas largas e reluzentes, cambaios, lábios prolongados, e que olhavam pelo peito e tinham oito pés e duas cabeças, indomáveis; eram caranguejos que puseram-se a cortar com suas bocas as caudas, pés e mãos dos ratos, cujas lanças se dobravam ao enfrentar os novos inimigos. Temeram-nos os tímidos roedores e, cessando qualquer resistência, puseram-se em fuga. E assim, ao pôr-do-sol, terminava aquela batalha que só um dia durara.

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Admirável Mundo Novo | Aldous Huxley

Admirável Mundo Novo | Aldous Huxley

Admirável Mundo Novo | Aldous HuxleyCom este título, o famoso livro de utopia/ficção científica do escritor inglês Aldous Huxley descreve um mundo futuro (não tão admirável), onde as crianças serão concebidas e gestadas em laboratórios, em linhas de produção artificiais, com um controle total sobre o desenvolvimento dos embriões pelos cientistas do Estado. Na década dos 30, quando o livro foi escrito, o espectro de um governo autoritário, armado de recursos de alta tecnologia, obsessionado com a uniformidade e com o controle total da população, eram temas comuns na literatura, devido, evidentemente, ao surgimento apavorante de ideologias totalitárias modernas, como o fascismo e o comunismo de estado.

A ideia de clonagem do ser humano, ou seja, a produção científica de milhares de seres humanos perfeitamente iguais uns aos outros, era outro tema recorrente, inspirado em parte pelos avanços da genética, e por outro, pela visão proporcionada pelas fileiras infindas de soldados inteiramente iguais, marchando com passo de ganso nas manifestações de massa do nazismo em Nüremberg. Visões desse pesadelo distópico, brilhantemente imaginado por Huxley vieram à tona nesta semana, com o anúncio, por cientistas escoceses, de que tinham obtido clones perfeitos em duas ovelhas. Os pesquisadores, Keith Campbell e David Solter, do Roslin Institute, de Edinburgh, utilizaram uma técnica bastante conhecida, que já tinha sido usada anteriormente com dezenas de espécies, desde plantas até sapos, mas nunca em mamíferos tão complexos como uma ovelha. Esta técnica foi inventada por um cientista chamado Gurdon, na década dos 70. Utilizando avanços na cultura de células vivas fora do corpo, e de novos aparelhos de micromanipulação, que permitem ao pesquisador operar delicadamente uma única célula, sem matá-la, Gurdon retirou células já diferenciadas (isto é, formadas embriologicamente) do intestino de uma perereca, extirpou seus núcleos, onde existe o DNA e os cromossomas (o material genético), e os implantou em óvulos, dos quais o núcleo tinha sido previamente retirado. Como resultado, notou que os genes do novo núcleo se desdiferenciavam e produziam um novo ser, totalmente idêntico ao que tinha doado o núcleo.

A clonagem, então se tornava possível (no ser humano, a única situação natural em que isso ocorre é nos gêmeos univitelinos). No experimento com as ovelhas, os cientistas fizeram exatamente a mesma, coisa, tendo aperfeiçoado o método de cultura de células, e de implante do embrião recém formado no útero de ovelhas-mães, uma técnica já perfeitamente dominada, e utilizada em grande escala na pecuária para aumentar a qualidade dos rebanhos. Teoricamente, o trabalho abre as portas para a produção em massa de animais clonados. E qual seria a vantagem disso ? Evidentemente, os pesquisadores podem selecionar um doador de núcleos que seja um exemplar perfeito da espécie, para fins econômicos, e "brincar de Deus", como diz o título da reportagem da revista "Veja", ou seja, derrotar os mecanismos lentos e imprevisíveis da seleção artificial por reprodução, e chegar diretamente a milhares de cópias desse exemplar. Outra vantagem é, que conhecendo bem um exemplar, a menor variabilidade biológica do rebanho facilitará sua alimentação, prevenção e tratamento de doenças, e previsão de ganhos ponderais, de produção de lã, etc. A pergunta que todo mundo está fazendo é se isso seria possível crianças com genomas idênticos (é o caso dos gêmeos univitelinos, ou seja, originários da divisão do mesmo óvulo fecundado) têm muitíssimas coisas em comum, inclusive vários aspectos da personalidade e inteligência. É como se uma fosse uma cópia quase perfeita da outra. Atemorizante, porque abre caminho para muitos abusos, principalmente em sociedades autoritárias ou grupos anti-sociais, como aquela seita japonesa que soltou gás no metrô de Tóquio. Do ponto de vista de um casal que quer ter vários filhos, a clonagem poderá ter várias aplicações interessantes.

Uma possibilidade medica e eticamente justificada seria aquela em que os pais têm risco genético alto de terem filhos deficientes ou com doenças congênitas. Caso eles tenham a sorte de ter um filho inteiramente normal, poderão clonar o genoma deste para gerar um segundo filho, o qual correrá um risco muitíssimo menor de ter a doença. Creio, mesmo, que esta será uma conduta recomendada rotineiramente pelos geneticistas em tais casos. Uma outra possibilidade correlata é quando os pais estão tão encantados com um filho já nascido (se a criança for excepcionalmente bonita e/ou inteligente, por exemplo), que desejam uma cópia idêntica do mesmo. Assim, correrão menos riscos de ter um segundo filho fora das características desejadas. Esta, evidentemente, já cria alguns problemas de ordem ética e moral; mas não legal, pois se a técnica existe e é segura, não deve cair, a meu ver, sob o escrutínio da justiça: afinal ninguém necessita permissão de um juiz para ter filhos gêmeos univitelinos. Uma polêmica maior é criada quando uma pessoa deseja ter um filho que seja uma cópia perfeita de si mesma. Isso poderá ocorrer em vários casos, de gravidade ética cada vez maior. Primeiro, o da mãe biológica que deseja clonar um filho com o genoma de seu marido ou uma filha a partir de si mesma (neste caso a clonagem eqüivale a uma partenogênese, um evento comum em muitos animais, mas teoricamente muito difícil de ocorrer naturalmente no ser humano). Segundo, o de uma mãe solteira que deseja clonar o genoma de algum grande homem ou mulher (um artista de cinema admirado, um prêmio Nobel super-inteligente, etc.). Será que a Sharon Stone gostaria de doar algumas cé ;lulas suas para essa finalidade ? Teoricamente, ela poderia ter muitas e muitas filhas tão bonitas e inteligentes quanto ela...Terceiro, o de um homem solteiro que deseja clonar a si mesmo, usando uma "barriga de aluguel" (uma mãe não biológica, implantada artificialmente com o embrião). Até aqui, eu ainda acho é tudo relativamente aceitável, do ponto de vista da Ética médica. Nada que seja muito grave ou danoso para a sociedade e para as pessoas. Enquanto estivermos nesse nível, não estaremos invertendo grandemente a ordem natural das coisas (eu até acharia interessante, por exemplo, ter um filho idêntico ao que eu sou. Seria a mesma coisa que tomar conta de mim mesmo, me ver quando era bebezinho, acompanhar e influenciar meu próprio crescimento !). O Papa, evidentemente, não deve concordar muito comigo nesse aspecto, e a Igreja deverá, previsivelmente, ser totalmente contrária a essas idéias. Os problemas ficam realmente feios se um regime autoritário começar a fazer clonagem em massa. Algo, por exemplo, como , estabelecer "linhas de produção" de super-elites inteligentes, fazendo nascer centenas de milhares de Einsteins... Ou então, pegar um super-soldado geneticamente perfeito e absolutamente sociopata, e replicar seu genoma aos milhares. Ou pior, um Sadam Hussein ou um Idi Amim produzindo sucessores idênticos a eles mesmos. Imaginem só o que Adolf Hitler teria feito se tivesse essa tecnologia em suas mãos...

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A Velhice do Padre Eterno | Guerra Junqueira

A Velhice do Padre Eterno | Guerra Junqueira

A Velhice do Padre Eterno | Guerra JunqueiraNeste livro Antero de Quental dispara balas contra a Igreja, mas não contra Deus. O anticlericalismo de Quental manifesta-se forte aqui, com críticas ferozes aos curas e aos papas, sua gula, avareza, ganância e todos os defeitos possíveis. Mas aparece também o sentimento de religiosidade, já que o autor não nega a existência de Deus, apenas a validade e moralidade da Igreja Católica. Este livro foi ilustrado por Leal da Câmara, que reflete em suas aquarelas os sentimentos e impressões de Antero de Quental, com padres bonachões e imagens como Jesus conversando com Voltaire e Deus escarrando. Num aspecto técnico, Quental usa rimas em todos os versos, apesar de não se preder exageradamente a metrificação.

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O Subterrâneo do Morro do Castelo | Lima Barreto

O Subterrâneo do Morro do Castelo | Lima Barreto

O Subterrâneo do Morro do Castelo | Lima BarretoTítulo: O Subterrâneo do Morro do Castelo
Autor: Lima Barreto
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
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O Subterrâneo do Morro do Castelo, de Lima Barreto, traz para o leitor a descoberta de galerias subterrâneas sob o convento jesuíta instalado no alto do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro. O interesse do tema para os contemporâneos era a suspeita de que os jesuítas, ao serem expulsos do Brasil 200 anos antes, tivessem escondido parte dos tesouros da Ordem nos subterrâneos do convento, aguardando um bom momento para resgatá-lo.

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Análise Literária do Primo Basílio | Eça de Queirós

Análise Literária do Primo Basílio | Eça de Queirós

Análise Literária do Primo Basílio | Eça de QueirósJosé Maria Eça de Queirós nasceu na Póvoa de Varzim, em 1845. Em Coimbra, estuda Direito e liga-se a uma ruidosa geração acadêmica, entusiasmada com as idéias de Proudhon e de Comte.

Conhece Antero e inicia sua carreira literária com a publicação de folhetins, mais tarde reunidos sob o título de Prosas Bárbaras (1905).

Durante a Questão Coimbrã, mantém-se à margem, como simples espectador. Formado, segue para Lisboa, a tentar a advocacia. Mais adiante, liga-se ao grupo do Cenáculo (1868), liderado por Antero, depois de passar algum tempo dirigindo um jornal em Évora (Distrito de Évora, 1867).

Em 1869, viaja ao Egito para fazer a reportagem da inauguração do Canal de Suez, de que vai resultar O Egito, publicado pòstumamente (1926). No regresso, participa das Conferências do Cassino Lisbonense (1871) e em seguida está em Leiria como administrador do Concelho, condição para que pos• sa ingressar na carreira diplomática, como é de seu desejo. De sua estada em Leiria (seis meses), nasce-lhe a inspiração para escrever O Crime do Padre Amaro (1875). Aprovado em concurso, é nomeado cônsul em Havana (1873), mas no ano seguinte está em Brístol (Inglaterra), onde fica até 1878. Finalmente, translàda-se para Paris, realizando assim um velho sonho. Na paz bonançosa que alcança em Neuilly, casa-se e entrega-se mais do que nunca à criação literária. É ali que, cercado de familiares e amigos, falece em 1900.Reunindo condições pessoais e históricas propiciadoras do trabalho intelectual, Eça de Queirós tornou-se dos maiores especialistas em Língua Portuguesa, alcançando ser, na esteira de Garrett, uma espécie de divisor de águas linguístico entre a tradição e a modernidade. Tem exercido considerável influência em Portugal e no Brasil, até os nossos dias. Eça de Queirós cultivou o romance, o conto, o jornalismo, a literatura de viagens e a hagiografia. Romance: O Mistério da Estrada de Sintra (em colaboração com Ramalho Ortigão, (1871), O Crime do Padre Amaro (1875), O Primo Basílio (1878), O Mandarim (1879), A Relíquia (1887), Os Maias (1888), A Ilustre Casa de Ramires (1900), A Correspondência de Fradique Mendes (1900), A Cidade e as Serras (1901), A Capital (1925), O Conde d'Abranhos (1925), Alves e Cia. (1925). Conto: Contos (1902). Jornalismo, literatura de viagens e hagiografia: Uma Campanha Alegre (2 vols., 1890-1891), Cartas de Inglaterra (1903), Prosas Bárbaras (1905), Ecos de Paris (1905), Cartas Familiares e Bilhetes de Paris (1907), Notas Contemporâneas (1909), O Egito (1926), Últimas Páginas (1912), etc. Toda essa rica produção literária pode ser arrumada em três fases fundamentais, conforme o eixo em torno do qual girava a curiosidade de Eça. A primeira fase da carreira queirosia na começa com artigos e crônicas publicados entre 1866 e 1867 na Gazeta de Portugal e pòstumamente coligidos no volume Prosas Bárbaras, e termina em 1875, com a publicação d0 Crime do Padre Amaro. Fase de indecisão, preparação e procura, dum escritor ainda jovem e romântico, à mercê duma heterogênea influência, especialmente de origem francesa, tendo à frente Baudelaire e Gérard de Nerval. De mistura, o fascínio por Heine e Hoffmann, tudo convergindo para a formação de atmosferas de mistério e desgarrada fantasia, travestidas numa linguagem lírica e melíflua. Pertencem ainda a essa fase preparatória: O Alistério da Estrada de Sintra, uma espécie de romance policial, entre sério e jocoso, escrito de parceria com Ramalho Ortigão, e a colaboração de Eça a As Farpas, jornal satírico dirigido por Ramalho, mais tarde reunida em Uma Campanha Alegre. Em suma': um môço de talento, em disponibilidade para a aventura do espírito, experimentando armas, no encalço dum caminho próprio. Do ponto de vista literário, é a fase menos importante da carreira de Eça, embora tenha interêsse para o seu conhecimento enquanto homem durante a juventude, e do escritor num estágio ainda primário, mas em que já vislumbra o prosador do futuro.

Com a publicação da versno definitiva d0 Crime do Padre Amaro (1875), que Eça vinha escrevendo desde 1871, inicia-se a segunda fase de sua carreira, que se estende mais ou menos até 1888, com a publicação dOs Maias. Aderindo às teorias do Realismo iconoclasta a partir de 1871, Eça coloca-se sob a bandeira da República e da Revolução, e passa a escrever, em coerência com as idéias aceitas, obras de combate às instituições vigentes (Monarquia, Igreja, Burguesia) e de ação e reforma social. Tais romances compromissam-se. com o ideário da geração de 70, e valem como flagrante, embora deformado, retrato da sociedade Portuguesa sua contemporânea, erguido em linguagem original, plástica, já impregnada daquelas qualidades características de seu estilo: naturalidade, fluência, vigor narrativo, precisão, "oralidade" antideclamatória. Junte-se-lhes o pendor inato para certo lirismo melancólico e para a sátira e a ironia, utilizadas estas com sutileza e graça, facilmente transformáveis em riso que vem do ridículo daquelas criaturas escolhidas pelo escritor como exemplos típicos duma sociedade deliqüescentemente hipócrita. São romances de "atualidade", "crônicas de costumes", ainda hoje relativamente vivos, graças à focalização de algumas mazelas constantes do homem (como o Conselheiro Acácio, símbolo da vulgaridade pedante e viciosa, e o Primo Basílio, donjuan hipócrita, e assim por diante). Certamente seguindo o exemplo de Balzac, e aproveitando a experiência de Flaubert, Eça intenta oferecer um painel tão variado quanto possível da sociedade Portuguesa contemporânea: O Crime do Padre Amaro passa-se em Leiria, uma pequena vila de província, beata e soturna, onde um padre corrupto seduz e leva à morte a infeliz e ingênua Amélia, sob a proteção do confessionário e da superstição: aqui, a análise impiedosa do clero revela-o deteriorado como, aliás, estava toda a estreita sociedade provinciana, porque erguida sôbre falsos preconceitos e uma moral de ocasião. Com O Primo Basílio, Eça desloca-se para a cidade, a sondar as mesmas moléstias degenerescentes no centro nevrálgico da Nação, a Capital: o ficcionista penetra agora no recesso dum lar burguês pretensamente sólido e feliz, e nele descobre a existência de igual podridão moral e física; um matrimônio efetuado "no ar" por Luísa, uma adolescente tonta de todo e cheia duma vida imaginativa e vegetativa, revela-se frágil com o afastamento do marido, Jorge, que viaja para o Alentejo a fiscalizar suas "minas", e a chegada do sedutor, o Primo Basílio; formado o célebre trio amoroso, o núcleo mesmo da organização burguesa, o casamento, deixava-se atingir mortalmente pelo adultério. Com A Relíquia, Eça analisa com irreverência e ternura a hipocrisia religiosa. Teodorico engana a Titi até o fim dos dias com sua falsa crença religiosa, até que a troca duma relíquia santa por uma peça feminina de lingerie desmascara definitivamente os propósitos com que realizara a peregrinação aos lugares santos; seu sonho com Cristo, que ocupa grande parte do roman ce, é um "sinal": revela um pouco o oculto sentimento pessoal de Eça e o quanto ele talvez desejasse dizer que o regresso a Cristo em sua verdade humana poderia ser um caminho de salvação. Percebe-se, porém, no afastamento geográfico e social da personagem, uma atenuação da tese realista que orientou Eça nos romances anteriores. Com Os Maias, volta ao cenário português, para examinar a alta sociedade lisboeta em todas as suas camadas, de financistas, políticos, jornalistas, literatos, fidalgos, etc.: o romance gira em tórno dum caso de incesto que só se desvenda quase ao fim, servindo de pretexto para Eça pintar um largo afrêsco da fidalguia Portuguesa em decomposição. Estruturalmente defeituoso, porquanto o primeiro volume é uma longa preparação para um caso absurdo e folhetinesco de amor físico entre dois irmãos, o romance vale sobretudo como documento social e pelo estilo em que Eça o construiu. iJ pouco, entretanto, para justificar que o ficcionista gastasse quase dez anos em sua elaboração.

Algumas das obras dessa fase, especialmente as primeiras, documentam o aparecimento do romance, stricto sensu, em Portugal, livre da contaminação novelesca ainda comum no Romantismo. De estrutura e composição modelares, enquanto romances, atestam um momento de austeridade na história da ficção, transformada que foi em obra de rigor e estudo, e em arma de ação revolucionária e reformadora das consciências. Apesar do lado perecível, algumas dessas obras, como O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio, estruturalmente permanecerão como romances-modêlo, ao menos num estágio da evolução histórica do romance.

A terceira e última fase da carreira de Eça de Queirós corresponde aos anos seguintes à publicação dOs Maias (1888) até à morte do escritor (1900) . Alcançando a maturidade, o escritor resolve erguer uma obra de sentido construtivo, fruto da dolorosa consciência de ter investido inutilmente contra o burguês e a família. Ao derrotismo e pessimismo analítico da etapa anterior, sucede um momento de otimismo, de esperança e fé, transubstanciado em idealismo não mais científico, mas tendo por base o culto dos valôres da Alma e do Espírito. A Ilustre Casa de Ramires (1900), A Correspondência de Fradique Mendes (1900) e A Cidade e as Serras (1901) contêm a viragem operada em sua carreira, dirigida agora no sentido da superação da ironia, pelo menos da ironia zombeteira, e da sátira dissolvente. A crença substitui o ceticismo cínico e corrosivo de antes. O modo como se expressa o desvio para a direita é diverso em cada uma dessas obras; mas sempre evidente. No primeiro romance, Gonçalo Mendes Ramires encontra em África o epílogo feliz de uma existência de erros e de fraquezas, consumida na ânsia de ascender politicamente por qualquer meio, inclusive em troca da honra de Gracinha, sua irmã. Nos outros, especialmente nA Cidade e as Serras, põe-se a tese segundo a qual o homem só é verdadeiramente feliz longe da Civilização, do Progresso, da Máquina, isto é, no culto da Natureza e da Simplicidade. Eça supera o esteticismo cientificista da fase anterior e admite uma concepção de vida mais larga e humanitária. Assim, atingia o máximo de suas possibilidades de artista e artesão da prosa, muito embora, é certo, o romancista desaparecesse então para ceder lugar ao memorialista, ao idealista, a refletir maduramente no significado da existência do homem à face da terra e no transcendental da vida como participação do indivíduo numa ordem cósmica que pretende conhecer e com ela identificar-se. Eça alargava uma posição de espírito antes presente em Júlio Dinis, e que, depois dele, será freqüente no Simbolismo.

Ao longo da evolução sofrida pela mundividência de Eça de Queirós, vai-se operando igual e clara transformação em sua linguagem. Antes "objetiva", definidora, cheia de pormenores indicativos de situações psicológicas e patológicas, experimenta agora um processo de decantação, de transfiguração, plasticizando-se em diafaneidades aladas próximas do mais poético lirismo. Observe-se que Eça atinge, nessa quadra, o seu esplendor de estilista, mas em detrimento da narrativa romanesca, colocada em segundo plano. Tal evolução se presencia em alguns de seus contos, que são verdadeiros modelos no gênero ("Singularidades de uma Rapariga Loura", "Perfeição", "Suave Milagre", "José Matias") e, ainda, em Últimas Páginas, biografias de santos, onde alcançou o vértice do seu estilo, caracterizado por uma inspirada linguagem de salmo, que flui metafìsicamente, numa suavidade de fonte secreta. Tudo o mais que deixou apresenta menos interêsse, salvo o romance póstumo A Capital (1925), que seria fadado a mais alto destino, não fôsse o ficcionista ter morrido antes de o rever: é possível que a semelhança com as Ilusões Perdidas, de Balzac, o tenha obrigado a relegar a obra ao esquecimento. Entretanto, não desmerece aquele que é, pelo conjunto da obra, o mais importante prosador do Realismo português e dos maiores da Língua.

A tradição tem reconhecido em Eça de Queirós o maior romancista da Literatura Portuguesa, chegando alguns a considerá-lo como tal para toda a Língua Portuguesa. Afora o exagêro, o discutível e o subjetivo da última opinião, é necessário ponderar que, no tocante à outra, existe meia verdade. Subjetiva igualmente, labora ainda no erro de confundir escritor com romancista, que são coisas diferentes. Em Eça, atrai mais o escritor que o romancista, sobretudo nas obras da fase final de sua carreira; os romances da segunda fase, apesar de se terem salvo de maior constrangimento estético, valem muito pelas qualidades de escritor, pois, enquanto romance, deixam algo a desejar, por seu esquematismo psicológico e social. Eça observava bem a sociedade de seu tempo, mas escasseavam-lhe os dons de psicólogo e a imaginação transfiguradora que fazem o grande ficcionista, como é, por exemplo, Camilo Castelo Branco. Enquanto escritor, pelo poder de transmitir pela palavra a carga de sentimentos e de dores cuja expressão constitui problema para o comum de seus confrades e dos homens não-escritores, - ocupa lugar de tôpo, legando um rol de soluções expressivas de largo e profundo curso no século XX. Por êsse lado, Eça mantém-se extraordinàriamente vivo e atuante no espírito de grande massa de leitores ainda hoje. Está entre os mais lidos em Língua Portuguesa: aí reside, sem dúvida, seu grande e imperecível mérito. E se lhe juntarmos o de haver emprestado à ficção Portuguesa um modo todo seu de estruturar romances, estará sintetizada a importância ainda viva de Eça nos quadros literários em nosso idioma.

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