Absolutismo Monárquico na Inglaterra e na França

Absolutismo Monárquico na Inglaterra e na França

Absolutismo Monárquico na Inglaterra e na França
A partir da Baixa Idade Média, a Europa começou a passar por significativas transformações sociais, econômicas, políticas e culturais. O renascimento comercial permitiu a criação de uma burguesia forte. Entretanto, as raízes do modelo de organização feudal eram óbvios empecilhos aos interesses dos burgueses. Além disso, durante a Alta Idade Média, o poder dos reis era, na prática, semelhante ao dos senhores feudais. Estas duas situações resultaram em uma espécie de aliança entre rei e burguesia: esta pagava impostos àquele e em troca recebia sua proteção.

Tal aliança levou à criação gradual das monarquias nacionais, ou seja, países com idiomas próprios, territórios e moedas definidas. A formação das monarquias nacionais foi essencial para o enriquecimento ainda maior da burguesia e para o aumento da arrecadação de impostos para os monarcas.

Além disso, a expansão marítimo-comercial permitiu que os reis obtivessem grandes tesouros, o que tornou seus poderes maiores ainda. Vale lembrar também que nesta época a Igreja se encontrava enfraquecida pela Reforma Protestante. Todos estes fatores foram decisivos para a criação do absolutismo, ou seja, um sistema de governo no qual os reis têm um poder universal, acima de todos os grupos sociais.

Entre os principais reis absolutistas, podemos citar Henrique VIII (Inglaterra), Elizabeth I (Inglaterra) e Luís XIV (França).


1- As bases das monarquias nacionais:
a- Justiça real
b- Exército real
c- Imposto único
d- Moeda única
e- Teoria – rei representante de Deus na terra

2- Fatores que contribuíram para a centralização do poder real
a- O crescimento do poder real juntamente com a expansão do comércio
b- Apoio que os comerciantes davam aos reis
c- A perda parcial do poder da nobreza, em benefício do rei

3- Teóricos do absolutismo
Surgiram várias teorias justificadoras do estado absolutista:

a- Nicolau Maquiavel – defende que a política deve atender ao interesse nacional.
b- Thomas Hobbes – em seu livro Leviatã, mostra que o estado seria uma grande entidade todo poderosa que dominaria todo cidadão. Para Hobbes a autoridade do Estado deve ser absoluta, para proteger os cidadãos contra a violência e o caos da sociedade primitiva. É licito o rei governar despoticamente já que o próprio povo deu o poder absoluto.
c- Jacques Bossuet – para ele o poder real emana de Deus. A autoridade do rei é sagrada, ele age como um ministro de Deus e rebelar-se contra ele é rebelar-se contra Deus.
d- Jean Bodin – autor de a República, defende a ideia da soberania não partilhada. Para ele o poder também emana de Deus e o príncipe tem o poder de legislar sem precisar do consentimento de quem quer que seja.
e- Hugo Grotius – defende o governo despótico, o poder ilimitado do estado, afirmando que sem ele estabeleceria o caos e a turbulência política.

Absolutismo Monárquico na Inglaterra e na França

Absolutismo, Teoria do Absolutismo

Absolutismo é a forma de governo caracterizada pela concentração total de poder em mãos de um só indivíduo ou de um grupo de indivíduos. As chefias coletivas constituem, porém, casos excepcionais do sistema governamental absolutista, podendo ser consideradas etapas na evolução do processo de concentração integral do poder ou situações sui generis, em que a divisão de forças entre os chefes não permite a afirmação de superioridade por parte de um só dos componentes do núcleo dirigente.

"O estado sou eu." A conhecida sentença de Luís XIV da França, o Rei Sol, sintetiza a essência do absolutismo: o regime político em que uma pessoa, o soberano, exerce o poder em caráter absoluto, sem quaisquer limites jurídicos.

O que caracteriza o absolutismo é a ausência completa de limitações ao exercício do poder. Não há pesos e contrapesos reguladores das relações entre o poder executivo e as agências legislativas e judiciárias constituintes da organização estatal. A maquinaria constitucional, quando existente, está sempre à mercê da vontade do governante, que a pode alterar sem aprovação de órgão público.

O sistema encontra sua mais fiel representação nas formas de governo das monarquias da Europa ocidental nos séculos XVII e XVIII. O soberano possuía, de direito e de fato, a soma total dos atributos do poder: legislava, julgava, nomeava e demitia, instituía e cobrava impostos, organizava e comandava as forças armadas.

História
Nos primeiros séculos do feudalismo o rei era apenas o primus inter pares (primeiro entre iguais), governava por escolha e consentimento da nobreza e dela dependia para fazer a guerra e concluir a paz, assim como para impor ao estado um sistema fiscal. Nessa fase do regime feudal, a vida política das nações foi marcada por um antagonismo constante entre o poder real, que procurava expandir-se, e os interesses da nobreza, que tendiam a limitá-lo.

A luta terminou no século XVI com a subordinação da nobreza ao poder real. A ideia do absolutismo firmou-se com a outorga aos monarcas dos atributos da majestade e com a submissão das igrejas nacionais ao controle temporal do soberano.
Teoria do absolutismo

Teoria do absolutismo

Em busca de bases ideológicas que conferissem legitimidade ao poder absoluto, os monarcas faziam derivar diretamente de Deus sua autoridade sobre os homens e as coisas incluídas nos limites de seus domínios. O direito divino concedia ao governante o poder temporal, enquanto o espiritual cabia ao papa. Cedo, porém, a expansão das tendências absolutistas levou o monarca a pretender também a direção suprema do movimento religioso nacional. A igreja, com interesses universais e uma política própria, tornou-se uma rival capaz de contestar e limitar o poder absoluto do soberano.

Ao procurar atingir as prerrogativas reais, a Reforma protestante contribuiu para fortalecer a tese do direito divino, dispensando a ação intermediária de Roma. Por sua vez, os governantes  viram nas ideias da Reforma o veículo adequado para abolir a influência de Roma e assumir também o comando da vida espiritual de seus povos.

Paradoxalmente, o chamado "despotismo esclarecido" do século XVIII, em contestação frontal aos dogmas religiosos, não impedia aos monarcas reclamarem, mais que em qualquer outra época, origem divina para os poderes  que se atribuíam. E o reinado de Luís XIV, que se estendeu do fim do século XVII ao princípio do XVIII, constitui o momento culminante do absolutismo.

As teorias do direito divino perderam definitivamente a força depois da revolução francesa e da independência dos Estados Unidos. Chegam, porém, até nossos dias os vestígios desse período, com os títulos e prerrogativas formais de certas monarquias, como a inglesa, em que o monarca é também chefe da igreja (anglicana) e exerce seus poderes "pela graça de Deus".

A monarquia absoluta fundamentou-se, no entanto, em argumentos de maior conteúdo racional que a origem divina. O chamado "pai do patriarcalismo", Sir Robert Filmer, sustentava na primeira metade do século XVII que o estado era a família, e o rei era o pai. A submissão à autoridade patriarcal era o veículo e a essência do dever político.

Seu contemporâneo, Thomas Hobbes, um dos mestres da filosofia política inglesa, arguía em sua obra De corpore político (1650; Do corpo político) que o homem só pode viver em paz, em sociedade, se concordar em se submeter ao poder político absoluto de um soberano. Para Hobbes, a delegação total de poderes era um ato de auto-preservação, e o soberano devia colocar-se acima das leis e além de qualquer tipo de limitação. Hobbes admitia que o poder absoluto pudesse ser exercido por uma assembleia representativa, mas considerava preferível o governo individual. Nisso, aproxima-se da maioria dos teóricos do absolutismo.

Mesmo entre os pensadores que, como Jean-Jacques Rousseau, no século XVIII, partiam da premissa de uma "vontade coletiva", expressa pela maioria dos cidadãos, a ideia do governo pelo povo rapidamente se transforma no exercício do poder por um chefe único, em nome do povo.

Prática do absolutismo
Francisco I da França (1515-1547) pode ser considerado um absolutista, com a Itália fornecendo as máximas despóticas e os juristas do direito romano as bases teóricas doutrinárias. O primeiro estado nacional, porém, onde as doutrinas absolutistas vigoraram com nítida configuração foi o eleitorado de Brandemburgo, núcleo do poder dinástico em que se fundou o reino da Prússia.

A captação dos recursos financeiros indispensáveis à formação e controle das forças armadas constituiu o instrumento de que se serviu Frederico Guilherme o Grande Eleitor (1640-1688) para implantar em seus domínios o sistema absoluto. Ao fim de um período de atritos com a nobreza, logrou estabelecer o princípio  que isentava a aplicação da renda pública dos votos das classes representativas de interesses locais. A nobreza foi compensada às expensas dos camponeses, e os Junkers (nobres), ao entregarem o poder político, consolidaram uma influência econômica e social no interior do país, com os resultados que mais tarde se fizeram sentir na organização política e social da Prússia

Data desses primórdios do absolutismo uma das mais constantes características do sistema, a formação de uma classe burocrática que termina por controlar, ou ao menos diluir, o poder individual do governante. A burocracia com efeito limitativo, apta a manipular o poder conferido ao soberano absoluto, foi uma constante em todas as sociedades despóticas, cercadas de uma elite que se perpetuava no governo.

Os movimentos revolucionários de cunho liberal que sacudiram a Europa em 1848 puseram fim definitivamente aos regimes monárquicos de caráter absolutista.

Absolutismo moderno
No século XX, com a crescente complexidade da máquina governamental, insuscetível de controle individual, regimes totalitários apresentam aspectos de absolutismo burocrático, em que os governantes dividem a autoridade com funcionários que controlam o sistema econômico nacional e as forças responsáveis pela continuidade do poder. Embora com o abandono da forma monárquica, os regimes totalitários apresentam extrema concentração de poder em mãos do governante. O governo é exercido em nome do estado ou em representação de uma doutrina político-social dominante.

As ditaduras do século XX inovam, porém, em relação a suas antecessoras, ao estender à sociedade como um todo a autoridade política. Outro aspecto que constitui novidade nas formas modernas absolutistas é exemplificado pelas doutrinas fascistas e nazistas, que dominaram a Itália e a Alemanha até o fim da segunda guerra mundial.

 Luís XIV (1638-1715), da FrançaAbsolutismo Monárquico (Séculos XVII e XVIII)

Sistema de governo no qual o poder é concentrado nas mãos do monarca, característico dos regimes da maioria dos Estados europeus entre os séculos XVII e XVIII. Os reis controlam a administração do Estado, formam exércitos permanentes, dominam a padronização monetária e fiscal, procuram estabelecer as fronteiras de seus países e intervêm na economia nacional por meio de políticas mercantilistas e coloniais. Também criam uma organização judiciária nacional, a justiça real, que se sobrepõe ao fragmentado sistema feudal.

A centralização do poder desenvolve-se a partir da crise do feudalismo. Com o crescimento comercial, a burguesia tem interesse em disputar o domínio político com os nobres e apoia a concentração do poder. A Reforma Protestante do século XVI também colabora para o fortalecimento da autoridade monárquica, pois enfraquece o poder papal e coloca as igrejas nacionais sob o controle do soberano. Com a evolução das leis, com base no estudo do direito romano, surgem teorias que justificam o absolutismo, como as de Nicolau Maquiavel (1469-1527), Jean Bodin (1530-1595), Jacques Bossuet (1627-1704) e Thomas Hobbes (1588-1679).

O Estado absolutista típico é a França de Luís XIV (1638-1715). Conhecido como o Rei Sol, a ele é atribuída a frase que se torna o emblema do poder absoluto: "O Estado sou eu". Luís XIV atrai a nobreza para o Palácio de Versalhes, perto de Paris, onde vive em clima de luxo inédito na história do Ocidente. Na Inglaterra, no início do século XVI, Henrique VIII, segundo rei da dinastia Tudor, consegue impor sua autoridade aos nobres com o apoio da burguesia e assume também o poder religioso. O processo de centralização completa-se no reinado de sua filha Elizabeth I. No século XVIII surge o despotismo esclarecido, uma nova maneira de justificar o fortalecimento do poder real, apoiada pelos filósofos iluministas.

O processo de extinção do absolutismo na Europa começa na Inglaterra com a Revolução Gloriosa (1688), que limita a autoridade real com a Declaração de Direitos (Constituição), assinalando a ascensão da burguesia ao controle do Estado. Na França, o absolutismo termina com a Revolução Francesa (1789). Nos outros países europeus, ele vai sendo derrotado com as Revoluções Liberais do século XIX.

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Fim da União Soviética (URSS) em 1991

O Fim da União Soviética (URSS) em 1991 e as Novas Repúblicas (CEI)

O FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA (URSS) EM 1991A União Soviética foi um dos países mais importantes para a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, também foi um dos países mais abalados economicamente. Mesmo assim, o governo de Joseph Stálin foi capaz de realizar um eficiente planejamento, colocar a URSS nos trilhos do desenvolvimento e transformá-la em uma das grandes potências mundiais, ao lado dos Estados Unidos.

Após ter governado a URSS por 29 anos, Stálin morreu em 1953, sendo sucedido por Nikita Krushev. O governo de Stálin, embora tenha transformado a União Soviética em uma potência, foi marcado pelo autoritarismo, ditadura, falta de liberdade e corrupção. Krushev, quando assumiu o poder, decidiu acabar gradativamente com a política autoritária do governo anterior e procurou adotar uma política de paz com os países capitalistas.

No entanto, em 1964, Krushev foi deposto, sob a acusação de abuso de poder. Em seu lugar assumiu Leonid Brejnev, o qual governou até 1982. Foi justamente nessa época (por volta de década de 70) que os problemas econômicos e sociais se acentuaram. Em razão da URSS se manter isolada economicamente da maior parte do mundo, sua indústria se tornou atrasada. Se há alguns anos o país fora um grande exportador de alimentos, passou a ser importador. Com o declínio da atividade industrial e agrícola, surgiram inúmeros problemas sociais, principalmente o aumento do desemprego.

Após a morte de Brejnev, em 1982, Andropov e Constantin Tchernenko assumiram o governo. No entanto, foi em 1985, com a entrada de Mikhail Gorbatchev, que a União Soviética passou por bruscas mudanças políticas, econômicas e sociais. Ciente dos problemas que o país passava, Gorbatchev propôs dois planos: a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência).

A perestroika nada mais era do que um conjunto de medidas que propunha modernizar e dinamizar a economia do país. Assim, o plano autorizava a existência de empresas privadas, a entrada gradual de multinacionais e estimulava a concorrência entre as empresas. Já a glasnost previa a diminuição da atuação do Estado na vida do cidadão, ou seja, nas questões civis. Por meio da glasnost, foi dada liberdade de expressão, os presos políticos foram soltos, entre outras medidas.

Com estas profundas mudanças, tornou-se claro que a União Soviética estava com seus dias contados. Temendo o quadro político que estava instalado na Rússia, as outras repúblicas começaram a exigir autonomia. Em 1991, quase todos os países já eram independentes. O fim definitivo da URSS foi oficializado em 21 de dezembro de 1991, com a criação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), organização supranacional formada por Rússia, Ucrânia, Bielorrússia (atual Belarus), Cazaquistão e Uzbequistão.
Fim da URSS

Fim da URSS

A estagnação econômica a partir de meados da década de 70, aliada à corrida armamentista, coloca em evidência as deficiências e distorções estruturais da sociedade soviética e a necessidade de reformas urgentes. A URSS enfrenta dificuldades crescentes para manter sua hegemonia na Europa Oriental, recua na Ásia, África e América Latina e naufraga no Afeganistão.

Mikhail Gorbatchov (1934- ), funcionário de carreira do Partido Comunista da União Soviética, torna-se um dos principais assessores de Iuri Andropov durante o curto governo deste, entre 1982 e 1984. Em março de 1985 é eleito secretário-geral do partido, após a morte de Konstantin Tchernenko, que substituíra Andropov. Em 1986, desencadeia a glasnost e a perestroika, que, como ele próprio reconhece depois, definem o que deve ser destruído e mudado, mas não o que deve ser construído no lugar das estruturas antigas. Isso desencadeia movimentos que Gorbatchov não consegue controlar, conduzindo uma grave crise econômica, social e política, à sua própria queda, em 1991, e à desintegração da União Soviética. Seus entendimentos com os Estados Unidos e a Europa Ocidental para o desarmamento e a eliminação dos regimes socialistas na Europa oriental lhe granjeiam grande prestígio internacional, particularmente no Ocidente.

Perestroika – A perestroika, ou reestruturação econômica, é iniciada em 1986, logo após a instalação do governo Gorbatchov. Consiste num projeto ambicioso de reintrodução dos mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e retomada do crescimento. A perestroika visa liquidar os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados nacionais e estrangeiros. O Estado continua como principal proprietário, mas é permitida a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio varejista e serviços não-essenciais. Na agricultura é permitido o arrendamento de terras estatais e cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento é projetada por meio da conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo, e de investimentos estrangeiros.

Glasnost – A glasnost, ou transparência política, desencadeada paralelamente ao anúncio da perestroika, é considerada essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política nacional de realizar as reformas. Abrange o fim da perseguição aos dissidentes políticos, marcada simbolicamente pelo retorno do exílio do físico Andrei Sakharov, em 1986, e inclui campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas com a intervenção ativa dos meios de comunicação e a crescente participação da população. Avança ainda na liberalização cultural, com a liberação de obras proibidas, a permissão para a publicação de uma nova safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número crescente de jornais e programas de rádio e TV que abrem espaço às críticas.

Desagregação nacional – A descompressão política, que permite a expressão do descontentamento numa escala inédita desde a Revolução de 1917, combinada com o impasse na condução das reformas econômicas, mergulha a União Soviética numa crise no final dos anos 80. A produção se desorganiza devido à ausência de uma estratégia definida de reestruturação econômica. O único ponto claro da perestroika é a liquidação do antigo sistema de planejamento centralizado. A estruturação de um novo sistema é obscura. Organizam-se máfias, constituídas por antigos dirigentes de empresas e ministérios, que se apropriam do patrimônio público e acumulam fortunas. O Partido Comunista se divide em facções antagônicas. A União se desagrega, como resultado da pressão de movimentos nacionalistas e autonomistas nas diversas repúblicas. Um plebiscito, em 1990, aprova a continuidade da União, mas conflitos étnicos agravam o processo desagregador. O governo central perde poder sobre as repúblicas.

Golpe de Agosto – Em 19 de agosto de 1991, Gorbatchov enfrenta um golpe de Estado dado por civis e militares conservadores, que pretendem manter a União e revogar boa parte das reformas liberalizantes. Mas a reação ao golpe conta com o apoio da maioria das Forças Armadas e da população, assim como de diversas repúblicas. Em Moscou a resistência é dirigida por Boris Yeltsin (presidente da Rússia), Ruslan Khasbulatov (presidente do Parlamento da União) e pelo general Alexander Rutskoi, tendo como centro a defesa do Parlamento (Casa Branca).

Dissolução do império – Como conseqüência da resistência aos golpistas e do enfraquecimento da posição política de Gorbatchov, Yeltsin assume o poder de fato, proibindo o funcionamento do Partido Comunista na Rússia. O poder crescente de Yeltsin força a renúncia de Gorbatchov, em dezembro de 1991. As repúblicas declaram independência sucessivamente: a Lituânia, a Estônia e a Letônia em 22 de agosto, seguidas pela Ucrânia (24/8), Bielorrússia (25/8), Geórgia e Moldávia (27/8), Azerbaijão, Quirguizia e Uzbesquistão (30/8), Tadjiquistão (9/9) e Armênia (22/9). Em 9 de dezembro de 1991, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia formam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), dando por revogada a existência da URSS. Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomênia, Quirguizia e Tadjiquistão aderem à CEI em 14 de dezembro.

A CEI e as Novas RepúblicasA CEI e as Novas Repúblicas

Desde sua fundação, a Comunidade dos Estados Independentes vem se debatendo com sua natureza ambígua: embora não seja um país, é mais do que uma simples comunidade econômica de nações, pois tem Forças Armadas centralizadas, o rublo ainda circula nas repúblicas que a integram e mantém-se em grande parte intacta a relação de supremacia da Rússia sobre as demais unidades da extinta Federação. Mas a explosão de contradições durante muito tempo represadas pelo Kremlin abala a coesão e as instituições ainda precárias da nova comunidade. Divergências sobre o controle do arsenal nuclear e a ratificação do Tratato Start, de desarmamento, que a URSS tinha assinado com os EUA em julho de 1991; desentendimentos sobre a partilha proporcional, entre as repúblicas, da antiga dívida externa soviética, de US$ 74 bilhões; e a necessidade de conformar-se às regras do FMI para obter, no Ocidente, uma ajuda de US$ 24 bilhões, prometida pelos Estados Unidos e pela Alemanha, são alguns dos problemas globais enfrentados pela CEI em 1992.

Lutas pela independência – Mas há outros litígios que, em alguns casos, degeneraram em guerra aberta: a presença de 130 mil soldados do ex-Exército Vermelho na Letônia, Lituânia e Estônia, sob a alegação de que é preciso garantir a segurança da comunidade russa residente nesses países, mantém a tensão entre a Rússia e os Estados bálticos. Na Moldávia, o governo luta com os separatistas da autoproclamada República do Trans-Dniestr, habitada por russos e ucranianos que temem a possibilidade de integração dessa república à Romênia (os separatistas contam com o apoio do 14o Exército russo, estacionado em sua região). No Cáucaso, a Armênia e o Azerbaidjão continuam lutando pela posse do enclave de Nagorno-Karabakh, com grande número de baixas de parte a parte. Entre a Rússia e a Ucrânia, além da disputa pelo controle da frota do mar Negro e do arsenal nuclear, há também a disputa pela posse da Criméia, habitada majoritariamente por russos, mas sob jurisdição ucraniana desde 1954 (o território luta pela independência, não se contentando com o status de autonomia relativa concedido por Kíev). A Geórgia, embora não pertença à CEI, tem também conflitos internos: além do que opõe os partidários e opositores do ex-presidente Zviad Gamsakhurdia, deposto em janeiro de 1992, há também a guerra das autoridades de Tbilisi com a Ossétia do Sul, território georgiano que reivindica a anexação à Ossétia do Norte, pertencente à Federação Russa (todas essas questões são herança da política stalinista de separar os grupos étnicos para enfraquecê-los).

Federação russa – A própria Federação Russa, as voltas com problemas políticos e econômicos dos mais graves, é uma colcha de retalhos de reivindicações das minorias étnicas que a compõem e ameaçam fazê-la implodir da mesma forma que a ex-URSS. O novo Tratado da Federação Russa, assinado por Boris Yeltsin, em março de 1992, com 18 das 20 repúblicas autônomas que a integram não encontra uma solução para seus problemas mais sérios: a reivindicação de soberania da Tartária, proclamada em 21/3/1992; o separatismo da Chechenia-Inguchétia, convertida em duas unidades independentes por um decreto do Soviete Supremo de junho de 1992; o desejo da comunidade russo-alemã de restaurar a antiga República Autônoma do Volgf, eliminada por Stalin em 1941; e a proposta de que a lakutia e a Buriatia, o distrito da Niénetz e as repúblicas de Komi e Tuva, territórios autônomos da Sibéria, fundem-se nos Estados Unidos do Norte da Ásia. Em todos esses casos, a secessão seria economicamente desastrosa para Moscou, que perderia o controle sobre o petróleo tártaro, as jazidas de ouro buriatas e de gás natural nenétsio, o cobalto tuvânio, os diamantes iakútios, e assim por diante. Para complicar as coisas, o presidente Boris Yeltsin encontra-se, desde o início de 1992, em rota de colisão com Ruslán Khásbulatov, o presidente do Parlamento, com quem debate a distribuição do poder. Isso os levará, até o final do ano, à confrontação aberta.

Comunidade dos Estados Independentes (CEI) – Instituída em 21/12/1991, integrada pela maior parte das repúblicas que formavam a extinta União Soviética: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Geórgia, Moldávia, Quirguízia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomênia, Ucrânia, Uzbequistão e Azerbaidjão. Sede em Minsk, na Bielorrússia. É gerida por conselhos de chefes de Estado e de governo das repúblicas participantes. A CEI não é um país, pois cada uma de suas unidades constitutivas é politicamente soberana; mas é mais do que uma comunidade econômica, pois tem forças armadas centralizadas. Além disso, embora os países membros estejam criando gradualmente suas próprias moedas, o rublo ainda circula paralelamente na maioria delas.

Tendências Contemporâneas
Os últimos 25 anos são marcados por uma rápida e intensa reordenação da política e da economia em todo o mundo. Na política, o principal fator de mudança é o fim da polarização Estados Unidos-União Soviética. A perestroika de Gorbatchov e a queda do muro de Berlim precipitam o desmonte da União Soviética. Emergem conflitos localizados, antes abafados pela polarização. Muitos deles têm caráter étnico ou religioso. O racismo e o extremismo de direita ganham novo fôlego. E o crescimento do fundamentalismo islâmico assusta o Ocidente. Na economia, novos blocos são formados. Os Tigres Asiáticos aceleram seu desenvolvimento, os Estados Unidos enfrentam dura concorrência do Japão em seu próprio território e a velha idéia da unificação da Europa é mais uma vez retomada com a criação da Comunidade Econômica Européia – hoje, União Européia.

Socialismo e social-democracia – A desagregação da União Soviética e o fracasso das experiências socialistas no Leste Europeu, assim como as reformas de mercado na China, disseminam a idéia de que a doutrina socialista está morta. A solução para alcançar a justiça econômica e social passa a ser a social-democracia, que desde a década de 50 administra o sistema capitalista em bem-sucedidas sociedades europeias, ou o próprio liberalismo ou neoliberalismo, que pretende deixar o capitalismo funcionar sem qualquer amarra. Entretanto, a social-democracia e o neoliberalismo também entram em crise no início da década de 90, por sua incapacidade em dar solução aos problemas sociais postos pelos novos parâmetros da revolução tecnológica.

Conflitos – Em 1994 persistem conflitos regionalizados na ex-URSS, ex-Iugoslávia, África, Índia e Sri Lanka. Na ex-URSS os conflitos mais graves são a guerra entre a Armênia e o Azerbaijão, a luta na Moldávia entre as populações de etnia romena e russa, a luta dos rebeldes da Abcásia para separar a região da Geórgia e a guerra civil no Tadjiquistão, que opõe, de um lado, uma aliança entre militantes islâmicos e os partidários de uma democracia em moldes ocidentais e, do outro, os antigos dirigentes comunistas apoiados pelo Exército russo. Na ex-Iugoslávia, sérvios, croatas e muçulmanos travam uma guerra para definir da maneira mais favorável o mapa da inevitável partilha da Bósnia entre os três grupos étnicos. Na vizinha Croácia, persiste a tensão entre o governo nacional e as milícias formadas pela minoria sérvia, que controlam um terço do território do país. Na África continua a guerra fratricida de Angola e os conflitos em Ruanda, na Somália e no Chade. Entre os conflitos étnicos da Índia, sobressai a campanha movida por grupos extremistas hindus contra a numerosa minoria muçulmana. No Sri Lanka, a rebelião tâmil contra a maioria cingalesa continua a manifestar-se em atentados terroristas.

A CEI - Comunidade de Estados Independentes
A Comunidade de Estados Independentes, formada pelas repúblicas da antiga União Soviética, tende cada vez mais a dar ênfase à independência dos Estados-membros e desprezar o aspecto de comunidade. Apesar de manterem laços econômicos muito estreitos, como herança da antiga União, e de formalmente constituírem forças armadas unificadas, cada república procura estruturar suas próprias forças armadas e libertar-se das antigas dependências econômicas, criando relações separadas tanto com a Europa e os Estados Unidos quanto com a Ásia. As tensões étnicas permanecem, assim como os problemas políticos. A Rússia, após o confronto entre o Parlamento e o presidente Yeltsin, em 1993, mantém seu plano de reconversão econômica, com altas taxas de desemprego mas inflação em baixa, e procura reconquistar a hegemonia sobre as demais repúblicas.

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Egito Antigo | História da Civilização Egípcia

Egito Antigo | História da Civilização Egípcia

Egito Antigo | História da Civilização Egípcia

Situado no nordeste da África, em uma região conhecida como Delta do Nilo, o Egito foi uma das maiores civilizações de toda a Idade Antiga. Sem dúvida, a existência do Rio Nilo foi de suma importância para o desenvolvimento desta civilização, visto que estes povos habitavam uma área desértica e de clima seco. Foi por causa da existência do rio que os egípcios puderam tornar a terra propícia para o desenvolvimento da agricultura. Isso explica a célebre frase do historiador grego Heródoto “O Egito é um presente do Nilo”.

Durante milhares de anos, vários grupos de pessoas de diversas origens foram se fixando nas proximidades do Nilo, cultivando plantas e domesticando animais. Na medida em que esses grupos iam crescendo, acabavam se aliando e formando unidades administrativas independentes (nomos), as quais começaram a disputar o controle das terras. Após vários anos de conflitos, a realidade que prevaleceu foi a da existência de dois reinos: o Baixo e o Alto Egito. Aproximadamente no ano de 3200 a.C, o rei do Alto Egito, Menés, conquistou o Baixo Egito, unificando os dois reinos e se tornando, portanto, o primeiro faraó da história. Esta fase, da junção dos povos em nomos até a unificação dos reinos, é chamada de período Pré-Dinástico.

A fase posterior, na qual o Estado egípcio já havia nascido, é denominada Período Dinástico. Neste época, o faraó representava mais do que um simples rei; era visto como a encarnação dos próprios deuses, exercendo a função de chefe administrativo, militar, juiz supremo e sumo sacerdote.

No Antigo Império (de 3200 a.C a 2300 a.C.), o Egito conheceu seu apogeu. Um resultado disso foi a construção das famosas pirâmides de Quéops, Quéfrem e Miquerinos. No Médio Império (de 2100 a.C. a 1750 a.C.), o governo egípcio conseguiu uma grande prosperidade material, resultado de suas trocas com os povos orientais das margens do Mediterrâneo. No Novo Império (de 1580 a.C. a 525 a.C.), os egípcios adotaram uma política expansionista, assumindo o controle de várias regiões. No entanto, enquanto os faraós e os altos funcionários esbanjavam riqueza, a maioria da população era pobre e obrigada a pagar altos impostos, o que provocava a insatisfação popular e o declínio gradual do poder faraônico.

A estrutura da sociedade  egípcia era altamente rígida. No topo estava o faraó, seguido de seus sacerdotes, nobres e funcionários reais. Nas camadas baixas estavam os artesãos, camponeses e, por último, os escravos. A principal atividade econômica era a agricultura: trigo, cevada, algodão, linho e frutas. Também é valido ressaltar a existência de um discreto desenvolvimento do artesanato e do comércio (trocas).

Os egípcios eram povos politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses, representados na maioria das vezes pelas figuras de animais da região. Criam também na vida após a morte: o indivíduo seria julgado pelo deus Osíris e, caso absolvido, voltaria para o seu corpo. Por tal motivo estes povos desenvolveram a técnica da mumificação, com o fim de evitar ao máximo a decomposição dos corpos.

Os egípcios deixaram vários legados para a humanidade, a começar pelo calendário de 365 dias e a divisão do dia em 24 horas. Também podemos citar a arquitetura (usada em obras como o Monumento de Washington, nos Estados Unidos), a escrita hieroglífica, a medicina, entre outros exemplos.

Religião no Egito AntigoReligião no Egito Antigo

É provável que em nenhuma outra civilização as crenças religiosas tenham determinado de forma tão nítida a organização social como no antigo Egito. Para os egípcios, tidos por Heródoto de os mais religiosos dos homens, a vida cotidiana era regida pelos preceitos de sua fé: o conhecimento científico, os textos literários e os majestosos templos enfatizavam a excelsa eternidade dos deuses diante da fragilidade humana.

Características gerais e evolução
A religião egípcia desenvolveu-se ao longo de cerca de três mil anos, durante os quais só de maneira tardia e tangencial recebeu influências alheias. Seu regime teocrático unia na mesma pessoa o representante dos deuses e o chefe político. Essas circunstâncias bastam para explicar, ao mesmo tempo, por que as transformações advindas com o decorrer do tempo não afetaram as concepções religiosas básicas e a tendência sincretista a unir em harmonia diferentes divindades regionais.

Na concepção dos egípcios, o mundo surgira de um caos oceânico primigênio - reflexo talvez da influência do rio Nilo em suas vidas - que ameaçava voltar a tragá-lo. Eram salvos da catástrofe pela vontade dos deuses, único elemento a garantir o equilíbrio. Assim, a religião tinha caráter marcadamente ritual, o que assegurava para seus praticantes o favor divino e a sobrevivência depois da morte.

Antigo e médio impérios. Antes da unificação do país, por volta de 3100 a.C., existiam no vale do Nilo numerosos cultos. Os deuses locais eram representados, em geral, por figuras de animais, ou combinavam formas antropomórficas e zoomórficas. Os faraós centralizavam todo o poder e eram tidos como encarnação de Hórus, o grande deus, filho de Osíris, senhor dos mortos, e da deusa Ísis. A missão dos reis divinizados era manter a ordem estabelecida pelos deuses, o maat, cujos preceitos fundamentais eram a verdade, a justiça e a paz social.

Os cultos locais, no entanto, não foram suprimidos. Na mitologia de Mênfis, por exemplo, Ptah era o deus criador; na de Heliópolis esse papel era atribuído a Atum, sincretizado com Rá, o deus-Sol. As duas divindades foram associadas e cada uma ganhou traços da outra. Essa proliferação de divindades não parecia surpreendente aos egípcios. Muitos historiadores opinam que eles as consideravam como diversas manifestações ou aspectos da divindade primordial. A predominância de uma ou outra, pois, dependia fundamentalmente de questões políticas. Durante o Médio Império, foi Osíris a figura principal do panteão.

Novo Império

Os reis tebanos da XVIII dinastia, iniciada em 1567 a.C., impuseram seu deus Amon a todo o Egito e identificaram-no com o antigo deus solar Rá. Assim, a divindade passou a ser cultuada como Amon-Rá, "o único criador da vida". Em meados do século XIV a.C., Amenhotep IV adotou o nome de Akenaton, trocou Amon por Aton (o disco solar) e proscreveu as divindades locais. Depois de sua morte, a casta sacerdotal restabeleceu Amon e voltou ao politeísmo oficial.

Após a conquista do Egito por Alexandre o Grande no final do século IV a.C. e da instauração da dinastia ptolomaica, a religião egípcia adotou algumas formas gregas. As civilizações helenística e romana também assimilaram cultos de origem egípcia, como o de Osíris, que, unido a elementos neoplatônicos e gnósticos, foi uma das fontes da difusão das religiões de mistérios no Mediterrâneo.

Ritos funerários
Ritos funerários

As pirâmides, os hieróglifos com fórmulas mágicas, os corpos mumificados e, sobretudo, o Livro dos mortos -- que ensinava como enfrentar o julgamento de Osíris e, desde a XVIII dinastia, era enterrado com aqueles que podiam adquiri-lo -- dão testemunho da preocupação central da religião egípcia. Nas instruções formuladas pelo rei Merikara lê-se: "O importante é que o homem sobrevive depois da morte e seus feitos o acompanham até o final. A existência ali embaixo é para toda a eternidade."

Durante o Antigo Império, só o rei era iniciado para a vida futura. Ao morrer, convertia-se em Osíris e seu filho passava a encarnar o novo Hórus, como administrador da ordem estabelecida pelos deuses. Posteriormente, os ritos funerais foram estendidos aos dignitários reais, enterrados perto do faraó, e a outras pessoas, cujos restos eram sepultados em covas.

A vida depois da morte era considerada semelhante à terrena; por esse motivo, enterravam-se com o defunto elementos de uso cotidiano, inclusive alimentos, e nas tumbas eram feitas pinturas que documentavam seus costumes. Diante da possibilidade de que sobreviessem os mesmos perigos que espreitavam a existência presente, provia-se o falecido dos amuletos e conjuros que o haviam protegido em vida.

Templos e casta sacerdotal
Considerava-se que os templos eram morada dos deuses e neles se conservavam suas estátuas. Só o rei podia apresentar oferendas ao deus principal, mas delegava essa função aos sacerdotes que cuidavam do templo. Estes, a princípio, eram funcionários que exerciam também outras tarefas administrativas. Provenientes de diferentes regiões, os sacerdotes impuseram aos poucos suas interpretações da mitologia e favoreceram o culto de seus próprios deuses.

As doações dos reis enriqueceram os principais templos com tesouros e terras, que se tornaram propriedades da divindade e se converteram em centros culturais, econômicos e políticos. Era frequente que em um templo se venerasse um deus, sua esposa e seu filho -- grupo de deidades concebido à semelhança da família egípcia -- e , às vezes, algum deus "hóspede", próprio de outra região. Os rituais eram múltiplos e observados pontualmente. Diariamente, aos primeiros raios de sol, abriam-se as portas dos templos e entoavam-se cânticos e hinos.

No que se refere às ideias cosmogônicas, os templos representavam, em pequena escala, a concepção egípcia do mundo. O santuário situava-se em geral no lugar mais alto do templo, como alusão ao monte primordial a partir do qual fora criado todo o universo; os tetos eram decorados com estrelas e as colunas, com motivos de lotos ou de plantas de papiro, como símbolo dos pântanos do caos primordial. Os rituais litúrgicos reproduziam a criação para atrair o rejuvenescimento sobre a cidade.

Religiosidade popular no Egito

Religiosidade popular

Por falta de uma doutrina teológica elaborada e acessível, a religiosidade popular se caracterizava pela preocupação com o além, por temores e superstições sobre a vida presente e a futura e por uma moral orientada para enfrentar o julgamento que sobreviria à morte.

O povo não entrava nos templos, reservados aos sacerdotes previamente purificados; não obstante, abriam-se cavidades em suas paredes para que os súditos acorressem a apresentar suas oferendas e súplicas. Nas solenidades, as estátuas dos deuses saíam em procissão e podiam ser vistas por todos.

Num lugar de destaque nas casas, eram veneradas pequenas estátuas dos antepassados ou de alguma divindade menor. A elas eram acrescentados amuletos e conjuros contra toda sorte de perigos, dos quais permaneceram abundantes restos arqueológicos.

Morte
Para o egípcio, a morte é um objetivo de temor e detestação absoluta. Ninguém sabe, verdadeiramente, o que se passa no além e esta incerteza cede lugar a todas as angústias. Isto talvez explique o inverossímil pacote de presente com que os egípcios embalam o fim de sua existência. Os defuntos, especialmente se deixados sem sepultura, são seres poderosos, capazes de voltar para perseguir os vivos, que escrevem cartas para eles muitos frequentemente, implorando ajuda ou tentando livrar-se de suas inquietações.

O além é um lugar cheio de perigos onde todos os mortos, inclusive o rei, devem se justificar diante dos guardiões das portas diante de diversos tribunais divinos e o de . Existe um lugar de exterminação para aqueles que não chegam lá. O próprio sol, que no curso de sua navegação noturna aquece os mortos justificados, é colocado em perigo pelos ataques da serpente Apófis. Um rei morto deve pedir emprestado as capacidades de e do sol para renascer, como o segundo, em sempiterna manhã. Seu percurso é exatamente igual ao do sol.

O luto é uma verdadeira instituição no Egito e, sem dúvida, também um espetáculo. Ele é visível; os homens param de se barbear e de raspar o cabelo, as mulheres abandonam toda vaidade, se cobrem de poeira e deixam gotejar sua maquiagem. O luto pode, igualmente, ser muito barulhento: ontem, como hoje, existem choronas profissionais que fazem eco às lamentações familiares. o luto dura 70 dias, tempo que o corpo passa longe dos seus familiares, nas mãos dos embalsamares.

Além do desejo de conservar o corpo para a eternidade, de escapar ao desaparecimento material da decomposição, o morto deseja conhecer o destino de , protótipo da múmia. O corpo deste deus, abominavelmente despedaçado, podia ser reconstituído, mantido em sua forma de ser vivo por linaduras e, finalmente, conduzido à, vida pelos cuidados de , e . está vivo, no mundo dos mortos certamente, mas bem vivo e capaz de agir igual a quando estava na terra. Que melhor garantia de sobrevivência o egípcio poderia encontrar que este divino exemplo?

Os Egípcios
Como acreditavam na imortalidade da alma, embalsamavam os mortos, para que tivessem vida eterna. Produziam poemas, construíram magníficos palácios e templos. Para escrever, os egípcios utilizavam desenhos: os hieróglifos.seu governo era fortemente centralizado na pessoa do monarca, chamado faraó, também chefe religioso supremo, como sumo-sacerdote dos muitos deuses em que acreditavam. O Estado controlava todas as atividades econômicas. A sociedade era organizada em classes: família do faraó, sacerdotes, nobres, militares, agricultores, comerciantes e artesãos escravos. As maiores contribuições dos egípcios foram: os fundamentos de aritmética, geometria, filosofia, religião, engenharia, medicina; o relógio do sol; o sistema de escrita e as técnicas agrícolas. Hoje o Egito tem pouca identidade com os tempos antigos, mas o seu território, onde a natureza permanece basicamente a mesma - uma combinação especial do rio nilo com o deserto -guarda os vestígios daquela que foi uma das mais importantes civilizações da Idade Antiga.

Crenças
Os egípcios viviam muito apegados as suas crenças. Na vida deles tudo tinha alguma coisa ligada com a religião, desde a escolha do nome até o sepultamento do corpo. Uma das mais conhecidas e admiradas crenças dos egípcios é o culto a com aparência de animais. Os egípcios acreditavam que um deus descia a Terra e era denominado , que governava o Egito sua vida inteira.

A imagem é apenas uma evocação no Egito. Alguma representação (pintura ou estátua), escrita (fórmula em papiro ou óstracos), enunciado (preces) existem realmente. Para destruir alguém irremediavelmente, é preciso destruir seu nome de forma que ninguém possa mais pronunciá-lo (isso foi feito com alguns reis como por exemplo com ). Uma cena de oferenda na parede do túmulo proporciona ao morto alimentação eterna. Acontece mesmo dos hieróglifos representarem seres perigosos na forma de mutilados para que sejam impedidos de retomar seu poder de ação: caso serpentes e leões "saíssem da palavra", seriam temíveis.

Do camponês ao faraó, na vida cotidiana ou na ocasião de um ritual de templo, todos recorrem à magia, mais frequentemente com um objeto benéfico. A execução de certos objetos (estatuetas de bruxaria em cera, madeira ou pedra) são acompanhados pela recitação ou escrita de textos que fazem apelo aos deuses, a seus nomes ou a suas manifestações. Usar um amuleto ou uma cordinha atada sete vezes, da qual pende um papiro com uma fórmula inscrita, enrolado e bem fechado em um estijo, são atos comuns de magia.

Do mundo exterior ao altar da estátua divina, o sacerdote passa da luz à sombra, do barulho ao silêncio, da "terra" ao "céu"... No comprimento do eixo principal do templo o solo é , às vezes, progressivamente levantado e o teto progressivamente abaixado, como para convergir em direção ao santo dos santos. De uma parte a outra deste eixo, há salas anexas onde são armazenados e preparados as oferendas e objetos necessários ao culto. Por direito, o sacerdote se desliga dos acessos com o exterior e volta-se ao restante do domínio do deus: lago sagrado, moradias, armazéns, escolas e biblioteca, oficinas e escritórios

A grande sala de hipostila em merece todas as suas denominações. "Grande" sala de hipostila, por suas dimensões: 103 m por 52. As doze colunas centrais com desenhos de papiro possuem quase 23 m de altura e seus capitéis, nos quais 50 pessoas poderiam manter-se de pé, 15 m de circunferência. "Floresta de colunas", pois foram construídas no reinado de 122 novas colunas com desenhos de papiro e altura de aproximadamente 15 m, que sobem em direção a um céu estrelado onde o sol faz passar seus raios por imensos claustros de 8 por 5 m.

As cerimônias de fundação acontecem à noite, de preferência na lua nova, para facilitar, graças às estrelas (Ursa Maior), a orientação em direção ao norte. Após determinar os ângulos da construção, estica-se corda entre estacas a fim de delimitar as trincheiras da infiltração das águas que indica o sentido horizontal e oferece os sedimentos da fundação. Molda-se o primeiro tijolo, coloca-se em lugar da areia e depois as pedras de ângulo. Terminados os trabalhos, o templo é inaugurado com purificações, a cerimônia de Abertura da boca e grande festa popular.

O templo é a casa do deus, representado por uma estátua em uma nave de pedra ou madeira. O culto que ela recebe cada dia é o equivalente ao serviço se um ser vivo, sendo alimentada e vestida. Só o rei pode se comunicar com os deuses: ele efetuando o culto de todos os templos do país. Os "sacerdotes", os servidores do deus são, na realidade, apenas seus delegados. O culto mantém a harmonia do Universo (), faz viver os deuses e os reúne, em contrapartida, eles concedem ao rei os benefícios do que faz em proveito do país.

Alguns personagens importantes obtém do rei o raro favor de figurar no templo representados em estátuas, o que lhes faculta numerosas vantagens, como o recebimento de oferendas depois destas terem passado pelos altares dos deuses, a notoriedade do nome e o fato de passar a permanecer ao séquito do deus. Trata-se de verdadeira distinção honoríca que prova que a pessoa participa de pequenos papéis no cotidiano do rei e do deus, como na prestação de serviços ao rei e ao templo. Em algumas estátuas, o proprietário se coloca como intermediário: se os passantes pronunciam seu nome e lhe fazem oferendas, ele promete intervir em favor deles junto ao deus.

O templo não é um lugar público, aberto a todos. Já que o povo não pode ver o deus em sua casa, então o deus sai em procissão e se mostra (Festa de Opet, Bela festa do Vale, festa dos mortos, saída de Sokaris, festa de Min...). A estátua do deus, abrigada em um altar portátil, é colocada em uma barca igualmente portátil. Acompanhada por uma escolta militar e sacerdotal, em meio a uma ruidosa alegria popular, ela circula pelas ruas e também pode ser carregada em uma barca de verdade para navegar sobre o . É por ocasião desta "saídas" que o deus ganha novos oráculos.

Os operários têm seus deuses favoritos. , patrono dos artesãos, possui capelas na cidade e na entrada do Vale das Rainhas, e Sokaris velam pela necrópole, , Renenuté e Tueris pela prosperidade da família, divindade de origem asiática como Anat, Reshep, Cadesh, são adotadas. Dezesseis capelas são construídas no próprio interior da cidade e cada casa possui um oratório para o culto dos ancestrais das famílias. Enfim, rei Amenófis I, sua mãe, Ahmés-Nefertari e beneficiam-se de uma veneração estritamente local.

As estátuas do defunto, visíveis na parte pública do túmulo, fazem com que ele seja lembrado pelos visitantes. São também o meio de incitá-los à generosidade e lembrá-los que um de seus primeiros deveres é "doar oferendas aos deuses e a refeição funerária aos mortos". Os visitantes podem fazê-los de duas maneiras, ou levando realmente alimentos, ou se contentando em ler a fórmula da oferenda que será assim considerada ativada, os deuses invocados na fórmula fornecerão, a partir de seus altares, a refeição no mundo dos mortos.

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Feudalismo | Como Surgiu o Feudalismo?

Feudalismo | Como Surgiu o Feudalismo?

O FEUDALISMO
Entre os séculos V e X, a Europa passou por significativas mudanças de cunho social, político e econômico. A crise do Império Romano resultou em uma grande diminuição da atividade comercial, originando a ascensão de uma economia baseada na subsistência. As invasões bárbaras geraram um clima de bastante insegurança, obrigando as populações urbanas a migrarem para o campo.

Este conjunto de fatores resultou no que chamamos de feudalismo, que nada mais é do que um modo de organização social e político baseado nas relações entre senhor feudal e servo. Os reis cediam grandes pedaços de terra aos nobres em troca de apoio militar. Cada porção de terra era chamada de feudo, e seus donos, senhores feudais. Tal título era hereditário, ou seja, passava de pai  para filho.

A economia feudal era baseada na agricultura e na pecuária. A força de trabalho dos feudos era composta por antigos servos e plebeus da sociedade romana. Tais indivíduos firmavam uma espécie de pacto com os senhores feudais, no qual se comprometiam a lhe servir, pagar impostos e cumprir diversas outras obrigações. Em troca, o senhor feudal lhe dava proteção e o direito de usar a terra para seu próprio sustento.

Desta forma, o poder dos senhores feudais passou a ser maior até mesmo do que o do próprio rei, uma vez que este não era capaz de interferir diretamente nas regras estabelecidas dentro dos feudos.

Durante cinco séculos, aproximadamente, o feudalismo foi a forma de organização predominante em toda a Europa. Tal situação só mudou a partir do desenvolvimento de técnicas e instrumentos de produção mais modernos, aspecto que resultou em uma nova ascensão do comércio e no crescimento expressivo dos centros urbanos.

Como surgiu o feudalismo

Como surgiu o feudalismo

O feudalismo nasceu depois que o Império Romano virou picadinho por causa das invasões bárbaras no século V. Entretanto, os invasores bárbaros não liquidaram completamente a civilização romana. Na verdade, as novas sociedades que surgiram na Europa foram o resultado da mistura de elementos da sociedade romana com elementos da sociedade dos invasores germânicos.

Feudalismo

O Feudalismo

Para entender o feudalismo, temos que lembrar que a história existe mesmo. O que queremos dizer com isso? Que a economia funcionava de um modo totalmente diferente de hoje, quando vivemos num mundo capitalista. Lembre bem, no feudalismo investir e lucrar não eram os objetivos econômicos.

A sociedade feudal era basicamente rural. Isso quer dizer que quase todas as pessoas viviam no campo. O trabalho na agricultura era pesado e cansativo, mas os trabalhadores camponeses ficavam com poucos frutos. O motivo ‚ que as terras pertenciam a uns poucos privilegiados, os nobres.

Os nobres, também chamados de senhores feudais, eram proprietários do feudo. Eles tinham uma vida mansa. Moravam no castelo, não trabalhavam nem um pouco e passavam boa parte do dia se empanturrando de comida e bebida. Usavam boas roupas, gostavam de ouvir a música dos trovadores e eram grandes guerreiros, utilizando pesadas armaduras no campo de batalha. É claro que essa mordomia toda só era possível porque o senhor feudal (o nobre) vivia à custa do trabalho dos servos.

Os servos não eram escravos, pois não pertenciam aos nobres. Não podiam ser vendidos para outro senhor feudal. Mas também não eram livres a ponto de ir procurar emprego onde quisessem. Portanto, ainda não existiam anúncios classificados na porta dos castelos. Os camponeses servos tinham direito a usar um pedaço de terra do feudo para cultivar para si e para criar alguns animais. Observe que o senhor feudal não fazia nenhum investimento, e até mesmo os instrumentos de trabalho (foices, machados, ancinhos,bois para movimentar o arado) pertenciam aos servos. No final, os servos acabavam ficando apenas com uma parte do que haviam produzido, pois deviam muitas obrigações feudais ao nobre. Vida dura, a dos servos. trabalhavam como mulas e, sempre ameaçados pelo fantasma da fome, dormiam perto do chiqueiro e acordavam com os bichos.

O feudo era, antes de tudo, uma grande propriedade rural, um latifúndio. O trabalho era todo realizado pelos servos. Eles tinham que cultivar a área senhorial ( de 30% a 40% da área total do feudo). Havia ainda as terras comunais, utilizadas tanto pelo senhor (por intermédio do trabalho dos servos domésticos quanto pelos camponeses. Essa área servia de pastagem a animais, colheita de frutas e madeira e era exclusiva para a caça do nobre.

O senhor feudal morava em seu castelo, em geral um confortável casarão de madeira. Só no apogeu do feudalismo, e pertencentes a grandes senhores, que os castelos seriam de pedra. Os camponeses moravam mesmo em barracos de barro e palha, pulguentos e gelados. Sem televisão para fazer esquecer a própria miséria.

A economia do feudo tendia a ser de subsistência, ou seja, o feudo geralmente produzia apenas para a sobrevivência das pessoas que viviam nele. A produtividade era baixa e por isso sobrava pouco para comerciar. O que nos leva a concluir que o comércio e as cidades (que dependem da comida produzida no campo) eram pouco desenvolvidos.

As obrigações feudais
Os senhores feudais exploravam descaradamente os servos. Aparentemente, havia uma comunidade entre eles (e não um contrato assinado, como há no capitalismo): os servos trabalhavam enquanto o senhor lhes dava proteção em caso de guerra e abrigo em caso de calamidade. Na prática havia mesmo ‚ coerção: o nobre tinha a seu serviço um bando de cavaleiros mal-encarados e armados até os dentes, prontos para meter a espada no servo desdentado metido a desobediente.

Assim, o servo devia diversas obrigações aos senhores feudais. As mais destacadas eram:
• Corvéia. Trabalho de graça do servo, alguns dias por semana, em área senhorial. Também havia a obrigação de construir pontes, reparar o castelo, elogiar o nobre e dizer que ele era muito inteligente e generoso...

• Talha. O servo devia entregar ao senhor feudal parte de sua colheita (uns 10%) e uma O importante quantidade fixa de aves, mel, ovos, porcos, objetos de madeira e lã.

• Banalidades. Inúmeras taxas, criadas a inúmeros pretextos, e que não eram nada banais. Podiam ser taxas pelo uso do moinho, do forno, lagar (tanque para espremer uvas e fazer vinho), multas, impostos para comprar equipamentos militares e mais outros tantos.

A fragmentação Política
No apogeu do feudalismo, entre os séculos IX e XIII, a Europa estava dividida em inumeráveis feudos. Cada um deles era um minimundo isolado, com suas próprias leis, cobranças de impostos, força armada. Todos esses feudos, claro, seguiam a vontade dos seus proprietários nobres. O rei, portanto, não passava de um grande nobre, com pouca autoridade além do próprio feudo. Não tinha controle sobre todos os súditos.

A hierarquia feudal teve origem nas guerras do passado, ainda no tempo das invasões bárbaras. Um grande chefe militar vencedor distribuía as terras conquistadas para seus auxiliares mais próximos, que assim se tornavam seus vassalos.

Os vassalos tinham a obrigação de dar apoio militar ao seu suserano (o chefe que lhes tinha cedido um feudo), de pagar o resgate se ele fosse capturado numa batalha, de puxar o saco dele e rir de suas piadas sem graça.

Os vassalos também podiam distribuir parte de suas terras para pessoas que seriam, por sua vez, seus vassalos, e assim por diante, numa corrente que unia desde os senhores feudais mais poderosos, até a pequena nobreza. Repare que os servos, de certa maneira, eram o grau mais baixo da hierarquia da vassalagem.

A Igreja católica e o feudalismo

A Igreja católica e o feudalismo

A Igreja católica era extremamente poderosa. Em primeiro lugar, porque a maioria das pessoas era católica fervorosa. Depois, porque a Igreja era rica, dona de vastos feudos. Muitos de seus bens vinham de doações que nobres deixavam em testamento. Geralmente, os altos postos eclesiásticos (da Igreja) eram preenchidos por filhos da nobreza. Ou seja, a cúpula da Igreja e os nobres pertenciam à mesma classe dominante, a dos senhores feudais.

A Igreja também dominava a vida cultural. Assim como os servos se subordinavam aos senhores, a vida cultural era serva dos padres. Os clérigos (homens da Igreja ) eram das poucas pessoas que sabiam ler. Numa época em que não havia televisão nem programas de auditório, a Igreja era uma grande fonte de informação e até de lazer. Tudo o que se dizia e se pensava devia ter a autorização dela. Quem a contrariasse era considerado um herege (inimigo do cristianismo) e atirado numa masmorra fria e úmida ou numa quente e sequinha fogueira.

Como se vê, a Igreja tinha um importante papel político. Ela era aliada dos senhores feudais e muitas das ideias que difundia serviam para tornar as pessoas mais obedientes aos nobres. Nos sermões dos padres, os camponeses ouviam abobrinhas do tipo "é preciso se conformar com a pobreza, pois foi Deus quem a desejou". É por isso que muitas revoltas sociais contra a exploração feudal foram consideradas heresias. Outra ideia difundida era a de que a sociedade feudal seria eterna, pois teria sido Deus que desejou que "uns rezassem (a Igreja), outros combatessem (os nobres) e outros trabalhassem (os servos)". Desse modo, os trabalhadores estavam subjugados pela espada e pela cruz.

A justiça feudal
Imagine que um servo se sentisse injustiçado pelo senhor feudal. A quem ele iria reclamar? Àquele que controlava as leis e julgamentos no feudo, ou seja... o próprio senhor feudal!

O nobre poderia, gentilmente, propor para "deixar o julgamento nas mãos de Deus". como seria isso? O servo deveria segurar um ferro em brasa, ou então ser amarrado a uma pedra enorme e atirado no fio: diziam que se ele fosse inocente Deus não o deixaria queimar-se ou afogar-se... Dá para perceber que poucos servos conseguiam o que queriam.

Novas forças econômicas
A partir do século IX a economia feudal europeia começou a se desenvolver com firmeza. Já não existiam mais os ataques dos povos bárbaros nem as pestes (epidemias de doenças mortais) que tanto tinham preocupado a Europa nos séculos anteriores.

Descobertas tecnológicas permitiram o crescimento da produção. Isso resultou em mais comida e bebida na mesa, melhores roupas e mais objetos - não só para os nobres mas até para alguns servos. É fácil reparar que essa melhoria nas condições de existência estimulou o crescimento da população. O efeito também foi inverso: mais gente, mais produção, mais desenvolvimento econômico.

Muitos feudos começaram a produzir excedentes, ou seja, mais do que precisavam para manter sua sobrevivência física. Era possível então vender esse excedente e, com o dinheiro obtido, comprar outras coisas, vindas de outras regiões. Dá para perceber que por causa disso, o comércio cresceu um bocado. As moedas, muito úteis no comércio, adquiriram maior importância. Quanto mais desenvolvido é o mundo das mercadorias, maior o poder do dinheiro. Quanto mais poderoso é o dinheiro, mais frágeis são os homens...

Era comum os comerciantes se reunirem em alguns locais para trocar mercadorias, informações e moedas, para beber e contar vantagens sobre suas conquistas amorosas. Tratava-se das feiras medievais. Algumas dessas feiras ficaram tão importantes que se tornaram permanentes e deram origem a cidades.

Nas cidades vivia a maioria dos comerciantes e artesãos, que vendiam ou faziam as mercadorias que os nobres tanto apreciavam. A cidade e o campo foram especializando suas atividades econômicas. Ou seja, enquanto o campo se dedicava principalmente à agricultura e à criação de animais, as cidades começaram a concentrar os artesãos e comerciantes. Os nobres apreciavam sua mercadorias vendidas pelos comerciantes e artesãos, e não hesitavam em botar a mão na bolsa e pagar em ouro. Com isso, claro, as cidades foram crescendo e enriquecendo. Como muitas delas ficavam dentro das terras dos nobres, também tinham que pagar tributos feudais. Mas a partir do século XIV muitas cidades tinham se tornado ricas o bastante para se libertar dos senhores feudais e obter plena autonomia.

As cidades medievais, cercadas de muralhas de proteção, tinham o nome de burgos. Nelas, moravam os trabalhadores e a classe social que estava nascendo e que daria muito o que falar: a burguesia.

A crise do século XIV

A crise do século XIV

No século XIV, aconteceu a primeira grande crise do feudalismo. Simplesmente, a economia feudal não consegui mais produzir o suficiente para alimentar a população que crescia cada vez mais. É fácil entender. Os senhores feudais não investiam em tecnologia. Por causa disso, o aumento da produção agrícola tinha vindo, principalmente do desbravamento de novas terras. Chegou um momento em que não havia mais terras disponíveis para ampliar o cultivo. Veio, então, a fome. Para piorar, os nobres e os reis aumentaram os impostos. Como sempre, os pobres é quem pagaram o pato, sem comer tal pato. Aliás, sem comer quase nada.

O comércio italiano com os árabes levou para a Europa tapetes, porcelana, especiarias e ... a PESTE NEGRA. Os burgos estavam entulhados de gente que vivia em casebres mergulhados em esgotos e habitados por certos animaizinhos domésticos sorridentes e peludos como ratos. Como você sabe, os ratos podem transmitir muitas doenças. Foi o que aconteceu. A peste bubônica fez seus estragos: quase 40% da população do continente morreu. Foi uma catástrofe demográfica. A população da Europa só voltaria a ser a mesma no século XVII.

Cidades inteiras foram abandonadas. A mão fria da morte fez faltar mão-de-obra nos feudos. As rendas dos senhores feudais caíram. Muitos deles tiveram que vender seus bens para pagar o que deviam aos banqueiros. Pra se segurar, a nobreza caiu de sola em cima dos mais fracos: aumentou o número de tributos sobre os servos humildes e descalços. Estouraram então muitas rebeliões camponesas. As mais famosas foram as jacqueries, na França. Os camponeses invadiam os castelos e tomavam tudo o que podiam. Depois, dividiam entre si as terras do senhor feudal.

Até quando durou o feudalismo?
A burguesia e as relações de produção capitalistas germinaram por volta dos séculos XI e XII, quando começou um intenso crescimento urbano e comercial. Elas foram se desenvolvendo no interior do feudalismo como uma praga que cresceu até destruir a sociedade feudal. Quando essa destruição final aconteceu? No momento das revoluções burguesas. Foram elas que garantiram o triunfo do capitalismo e da burguesia. Na Inglaterra, por exemplo, a revolução ocorreu em 1640-1689. Na França, em 1789-l8l4. Na Europa, no Japão e nos Estados Unidos o capitalismo afirmou seu domínio pleno durante o século XIX.

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Tempestades Incríveis

Paisagens Espetaculares