Região Nordeste do Brasil

Região Nordeste do Brasil

Região Nordeste do Brasil

A Região Nordeste do Brasil é  formada pelos estados de Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Bahia. A maior parte do território nordestino é constituída por extenso planalto, antigo e aplainado pela erosão.

Dados sociais – O Nordeste reúne os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) do país. São graves os problemas de mortalidade infantil e há baixa concentração de leitos hospitalares. O Nordeste ainda tem 14,6% de moradores analfabetos, a mais alta taxa do país. Dados do Censo de 2007, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que apenas 30% dos domicílios são servidos por rede de esgoto e 66,4% de água. No Nordeste, 30% dos trabalhadores vivem da agropecuária, e a renda média do chefe de família, na zona rural, é de 186 reais (no Sul, ela chega a 463 reais). De acordo com levantamento de 1999 do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), as 150 cidades com a maior taxa de desnutrição do país são nordestinas. Nelas, uma em cada três crianças menores de 5 anos é desnutrida.

Migração – No primeiro censo demográfico, de 1872, o Nordeste era a região mais populosa do país, com cerca de 4,6 milhões de habitantes (46% da população brasileira). No censo seguinte, de 1890, já é superado pelo Sudeste, situação que se mantém até o último levantamento, em 2010. Já no fim do século XIX, o ciclo da borracha na Amazônia dá início à migração dos nordestinos, que aumenta no século XX para o Sudeste e o Centro-Oeste, com a construção de Brasília. Além da atração econômica de outras regiões, os fluxos migratórios são motivados pelos períodos de seca e sobretudo pelas condições precárias de vida, mesmo nas regiões não atingidas pela estiagem. Dados do Censo de 2010 indicam que, apesar de o Nordeste continuar perdendo população para as outras regiões, o saldo entre saídas e entradas tem decrescido, evidência de que o movimento de emigração diminui. A Região Sudeste, o maior destino dos nordestinos, também é a principal origem das entradas nos anos 1990, caracterizando a chamada "migração de retorno", como define o IBGE.

Turismo – O grande número de cidades litorâneas com belas praias contribui para o desenvolvimento do turismo. Muitos estados investem na construção de parques aquáticos, complexos hoteleiros e polos de ecoturismo. Novas cadeias hoteleiras se instalam na região, como a Costa do Sauípe, 60 quilômetros ao norte de Salvador, e novas rotas são criadas, como a linha aérea direta para Jericoacoara, um dos paraísos do litoral cearense. Ao norte de Natal, Maracajaú é reduto de aventureiros, mas muda de vocação: torna-se um dos maiores centros do mergulho nacional. As micaretas, carnavais fora de época, também são decisivas para o incremento do turismo. Outras atrações são os patrimônios da humanidade: os centros históricos de Olinda (PE), Salvador (BA) e São Luís (MA), o Parque Nacional da Serra da Capivara (PI) e as reservas de Fernando de Noronha (PE) e de Atol das Rocas (RN). Os estados do Nordeste buscam aumentar sua participação no turismo de negócios, muito concentrado em São Paulo. Segundo levantamento do Programa de Ação para o Desenvolvimento Integrado do Turismo no Nordeste, o gasto médio diário do turista tradicional é de 67 dólares, enquanto o turista em viagem de negócios ou convenções gasta por dia de 107 a 128 dólares.

Exploração sexual – A miséria da população combinada com o crescimento do turismo tem pelo menos dois efeitos perversos: o turismo sexual e a exploração de crianças e adolescentes, cujos índices avançam nas principais capitais. Segundo a primeira Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para fins de Exploração Sexual, realizada pelo Ministério da Justiça e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) com a ajuda de várias ONGs, há 109 rotas internas e 131 rotas internacionais de tráfico de mulheres e menores no Brasil. Dessas rotas, 69 passam pelo Nordeste. O Recife é o principal ponto de saída de mulheres. Na Europa, os principais destinos são Espanha, Holanda (Países Baixos), Itália, Portugal e Suíça.

Festas populares e gastronomia – O Carnaval é o evento popular mais famoso do Nordeste, especialmente em Salvador, Olinda e no Recife. Também as festas juninas de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB) se destacam. Os festejos do bumba-meu-boi são tradicionais nos nove estados da região. As micaretas espalham-se por todo o país, mas a pioneira é a de Feira de Santana (BA), onde a festa foi criada em 1937. Promovida anualmente na última semana de abril ou na primeira de maio, é a principal micareta do interior. As maiores, no entanto, são o Carnatal, de Natal (RN), em dezembro, e o Fortal, de Fortaleza, em julho. A culinária nordestina se destaca pelos temperos fortes, pelas comidas apimentadas, pela carne-de-sol e pela variedade de receitas com peixes e frutos do mar. No sertão, são famosos a buchada de bode e o sarapatel. No desjejum do nordestino não costuma faltar a tapioca (espécie de beiju de farinha de mandioca). Por causa do tradicional cultivo da cana, é comum o mel de engenho, ou melado. Na sobremesa, além das frutas tropicais, destacam-se o mungunzá (canjica, em alguns estados do Sudeste) e a canjica, que, no Nordeste, é uma espécie de pudim de milho.

Urbanização – A concentração da população urbana passou de 60,6% em 1991 para 69,1% em 2003. Ainda assim, essa taxa é uma das mais baixas do país, cujo grau de urbanização é de 81,2%. Fortaleza (CE), polo industrial e de turismo, é a região metropolitana emergente dos últimos anos. Destaca-se também a região metropolitana do Recife (PE), que, além do forte atrativo turístico e comercial, vem se consolidando como centro de excelência em eletroeletrônica, graças às pesquisas realizadas nos laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco. Mas a principal região metropolitana do Nordeste ainda é Salvador (BA), cidade com enorme movimento de turistas.

Economia – Nos últimos anos, a economia nordestina tem apresentado crescimento. Com a guerra fiscal (concessão de benefícios fiscais pelos governos estaduais), uma série de indústrias se instalou nos estados nordestinos para fugir da carga tributária e fiscal mais pesada no Sul e no Sudeste. Foi assim com a Ford, que se estabeleceu na Bahia, e com empresas têxteis que foram para o Ceará. A Região Nordeste é a segunda produtora de petróleo do país e a maior na extração de petróleo em terra, que sai principalmente do Rio Grande do Norte. Na região funciona um dos principais polos petroquímicos, o de Camaçari (BA). A agricultura e a pecuária sofrem com os longos períodos de seca. A melhor adaptação das cabras ao clima local faz com que o Nordeste tenha o maior rebanho caprino do país, com mais de 8 milhões de cabeças, concentradas principalmente na Bahia e em Pernambuco. Por requerer pouca água, a produção de mel começa a ganhar força, principalmente no Piauí. As condições climáticas da região também permitem que o Nordeste tenha significativa produção comercial de camarão. A região é responsável por mais da metade das exportações desse crustáceo e concentra 93% da produção nacional. O Rio Grande do Norte e o Ceará são os maiores produtores. A cana-de-açúcar é o principal produto agrícola da região, mas as lavouras irrigadas de frutas tropicais vêm crescendo em importância na produção nacional. Segundo o governo de Pernambuco, de cada 3 dólares que entram no país em exportação de fruta, 1 foi gerado nessas áreas. Na última década, a plantação de frutas triplica e substitui culturas tradicionais, como o feijão. O polo de Juazeiro (BA) e o de Petrolina (PE) são líderes na produção nordestina. A Bahia produz mais de um terço da banana do Nordeste e cerca de metade do tomate. Grande parte da uva de mesa produzida no país é originária desse polo, onde a manga é a segunda cultura em área plantada. Destacam-se ainda acerola, melão e goiaba. O melão também é importante no Rio Grande do Norte e no Ceará, em cujo sertão irrigado também aumenta o cultivo de flores, que abastece o mercado do Sudeste.

Transposição do Rio São Francisco – O governo inicia as obras de transposição do Rio São Francisco em 2008 reacendeu o debate sobre a eficácia do projeto no combate à seca no Nordeste e seus possíveis riscos ambientais. A obra prevê a construção de 720 quilômetros de canais que irão transferir de 1% a 3% das águas do "Velho Chico" para pequenos rios do agreste e semi-árido do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco, beneficiando 8,5 milhões de pessoas. Já os estados doadores das águas – Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe – devem ganhar compensações na forma de obras de revitalização da bacia do Rio São Francisco. O projeto sofre oposição do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, que defende o uso das águas desviadas apenas para casos emergenciais, como consumo humano e animal. Já o governo é favorável à liberação das águas para a agricultura e a indústria sempre que houver disponibilidade. Alguns especialistas acreditam que a construção de poços para captar a água dos lençóis subterrâneos e de cisternas para coleta da chuva é a alternativa mais eficaz e barata no combate à seca. A redução no fluxo do Rio São Francisco também causará diminuição na geração de energia para o Nordeste. Essa perda pode ser suprida pela energia gerada no rio Tocantins, já que o sistema é interligado. O início das obras depende da autorização pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos e da concessão da licença ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Sudene – Por meio de medida provisória, em maio de 2001, o presidente Fernando Henrique Cardoso extingue a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A decisão é atribuída ao fato de a estrutura de funcionamento da estatal, criada há 43 anos, facilitar o desvio de verbas públicas. No lugar, é criada a Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene). Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decide recriar a Sudene. A Adene passa a ter como função principal organizar a transição. É criado, também, pelo Ministério da Integração Nacional, o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), para reconstituir a superintendência.

As diferentes regiões do Nordeste
Por causa das inúmeras características físicas que apresenta, a Região Nordeste é dividida em quatro sub-regiões: meio-norte, zona da mata, agreste e sertão. O meio-norte compreende a faixa de transição entre o sertão semi-árido do Nordeste e a região Amazônica. A vegetação natural dessa área é a mata de cocais, carnaúbas e babaçus, em sua maioria. As atividades econômicas de maior destaque são o extrativismo vegetal, praticado na mata de cocais remanescente, a pecuária extensiva e o cultivo do arroz e do algodão. A zona da mata compreende uma faixa litorânea de até 200 quilômetros de largura que se estende do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia. O clima é tropical úmido e o solo é fértil por causa da maior incidência de chuvas. A vegetação natural é a mata Atlântica, praticamente extinta e substituída por lavouras de cana-de-açúcar. Além da cana, do cacau, do fumo e da lavoura de subsistência, destaca-se ainda a produção de sal marinho, principalmente no Rio Grande do Norte. O agreste é a área de transição entre a zona da mata, úmida e cheia de brejos, e o sertão semi-árido. A principal atividade econômica nos trechos mais secos do agreste é a pecuária extensiva; nos trechos mais úmidos é a agricultura de subsistência. Já o sertão é uma extensa área de clima semi-árido, que no Rio Grande do Norte e no Ceará chega até o litoral. As chuvas são escassas e mal distribuídas. A vegetação típica é a caatinga. A bacia do rio São Francisco é a maior da região e a única fonte de água perene para as populações que habitam suas margens. As maiores concentrações humanas estão nos vales dos rios Cariri e São Francisco. A pecuária é a principal atividade econômica, ao lado do cultivo irrigado de frutas e flores.

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Região Norte do Brasil

Região Norte do Brasil

Região Norte do Brasil

É formada pelos estados de Roraima, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins. Localizada entre o maciço das Guianas, ao norte, o planalto Central, ao sul, a cordilheira dos Andes, a oeste, e o oceano Atlântico, a noroeste, a Região Norte é banhada pelos grandes rios das bacias Amazônica e do Tocantins. A maior parte da região apresenta clima equatorial. No norte do Pará e em Rondônia, o clima é tropical. A floresta Amazônica é a vegetação predominante. A região Amazônica é uma das áreas de maior biodiversidade do planeta. Esse patrimônio, entretanto, é ameaçado pelo desmatamento. Só em 2000, a área devastada na Amazônia chega a 587,7 mil quilômetros quadrados. Está no Acre a maior variedade de espécies da região. Em 2001, pesquisadores encontram junto à serra do Divisor, no Alto Juruá, mais de 600 espécies de aves e 1.620 tipos de borboleta. A falta de uma política de desenvolvimento sustentável faz com que o desmatamento continue avançando floresta adentro. Com uma população que cresce duas vezes acima da média nacional, a Região Norte também se expande economicamente para atender às necessidades de seus habitantes, cada vez mais numerosos. E esse crescimento econômico vem à custa do aumento da pecuária extensiva, do avanço da agricultura ao sul e ao leste da região, das ações ilegais de madeireiros e de pressões urbanas para obras de infra-estrutura – todas atividades de grande impacto ecológico. Com o sucesso das plantações de soja no Centro-Oeste, novas fronteiras agrícolas começam a ser abertas em direção à Região Norte, o que pode aumentar o desmatamento. Rondônia e Pará são os estados que mais derrubam árvores na região, enquanto Roraima, Amapá e Amazonas ainda contam com 95% de suas florestas intactas. O estímulo a atividades que não comprometam a preservação da floresta, como as indústrias da Zona Franca de Manaus e a exploração do ecoturismo, além da criação de parques florestais e reservas indígenas, tem impedido um desastre ainda maior. Apesar de o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) já monitorar a região, falta uma ação mais eficaz por parte da fiscalização, que ainda não dispõe de um número suficiente de agentes.

Formação da população – A Região Norte concentra 306 das 587 áreas indígenas brasileiras, com 84,54% dos 101 mil hectares de terra demarcados. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 213 mil índios de diversas etnias vivem nessa região. Amazonas, Pará e Roraima são os estados com a maior concentração indígena. Os ticunas, no Amazonas, constituem a mais numerosa etnia, com mais de 30 mil índios. No Pará, Amazonas e Tocantins, expressiva parcela da população é originária do Nordeste, sobretudo do Ceará e do Maranhão. No Acre e em Rondônia, há grande concentração de paranaenses e gaúchos, cuja família se mudou para lá nos anos 1970, incentivada pelo governo militar, que queria colonizar a região. Nos anos 1990, como revela o Censo de 2010, do IBGE, Roraima e Amapá se tornam polos de atração com os maiores percentuais do país de moradores não nascidos no estado.

Festas populares e gastronomia – As duas maiores festas populares do Norte são o Círio de Nazaré, que no segundo domingo de outubro reúne mais de 2 milhões de pessoas em Belém (PA), e o Festival de Parintins, a mais conhecida festa do boi-bumbá do país, que ocorre em junho no Amazonas. A herança indígena é fortíssima na culinária do Norte, baseada na mandioca e em peixes. Dos rios amazônicos, as espécies mais conhecidas são o tucunaré, o pirarucu e o matrinxã. Nas cidades de Belém e em Manaus, toma-se direto na cuia indígena o tacacá, espécie de sopa quente feita com tucupi, goma de mandioca, jambu (um tipo de erva), camarão seco e pimenta-de-cheiro. O tucupi é um caldo da mandioca cozida e espremida no tipiti (peneira indígena), que acompanha o típico pato ao tucupi, do Pará. Da ilha de Marajó vem o frito do vaqueiro, feito de cortes da carne de búfalo acompanhados de pirão de leite. A biodiversidade da Amazônia se reflete ainda na variedade de frutas: cupuaçu, bacuri, açaí, taperebá, graviola, buriti, tucumã e pupunha, entre outras.

Turismo – O ecoturismo e o turismo de aventura são as principais atividades na Região Norte. Com visitação controlada, destacam-se no Amazonas o Parque Nacional do Jaú (patrimônio natural da humanidade) e a Área de Proteção Ambiental (APA) de Mamirauá. Ao longo do rio Tapajós, no Pará, das muitas praias a mais famosa é Alter do Chão, em Santarém. As construções da época da borracha atraem turistas para as capitais Belém e Manaus, assim como os hotéis de selva, que eram característicos do Amazonas e começam a se espalhar pelo Acre e por Rondônia. A principal atração turística do Amapá é a pororoca do rio Araguari. O encontro das águas da maré com a foz do rio ocorre a 18 horas de barco de Macapá. Apesar da falta de infra-estrutura, no Tocantins, o rio Araguaia é refúgio de pescadores, e as dunas, o cerrado e as cachoeiras do Jalapão oferecem muita aventura e belíssimas paisagens aos visitantes.

Turismo sexual – Segundo pesquisa feita pelo Ministério da Justiça, pela Organização Mundial do Trabalho (OIT) e por várias ONGs brasileiras, entre 1996 e 2011 a Região Norte concentra 76 rotas nacionais e internacionais de tráfico de mulheres e uma grande incidência de turismo sexual, principalmente nas cidades maiores. A porta de saída mais procurada é a cidade de Manaus e os destinos preferenciais são Guiana Francesa, Suriname e Holanda (Países Baixos).

Transportes – O principal meio de circulação da população e de cargas é o transporte fluvial, já que o aéreo só é acessível à pequena parcela da população de maior poder aquisitivo. Hoje, as rotas de maior circulação estão no baixo Amazonas, entre Belém e Manaus, e no Madeira, entre Manaus e Porto Velho. Depois de finalizada, a Hidrovia Araguaia-Tocantins será um importante corredor de ligação do Norte com o Centro-Oeste e com o Sul e o Sudeste. Com um extenso território pontilhado aqui e ali de cidades isoladas, a Região Norte apresenta baixa taxa de transporte rodoviário e ferroviário. Esse se restringe à ferrovia de Carajás, da Companhia Vale do Rio do Doce, que leva minério de ferro e passageiros do Pará ao Maranhão. As grandes estradas oferecem estrutura precária, por causa da falta de asfalto ou de manutenção, como a Transamazônica (de terra em quase toda sua extensão), a Belém-Brasília, a Belém-São Luís e a Santarém-Cuiabá.

Urbanização – O grau de urbanização da Região Norte é o mais baixo do país: 72,9% em 2009. No entanto, é a região que mais se urbanizou nos últimos anos. Entre 1991 e 2009, segundo o IBGE, o crescimento urbano é de 31,54%. Manaus (AM) e Belém (PA) são as principais regiões metropolitanas. Mas em geral todas as capitais do Norte concentraram população. Palmas é a que mais cresce. A população aumentou em média 25,39% ao ano entre 1991 e 2011.

Economia – A economia baseia-se principalmente no extrativismo vegetal de produtos como látex, açaí, madeira e castanha. A região também é muito rica em minérios. Lá estão a serra dos Carajás (PA), a mais importante área de mineração do país, de onde se extrai grande parte do minério de ferro brasileiro exportado, e a serra do Navio (AP), rica em manganês. A Companhia Vale do Rio Doce, a maior vendedora de minério de ferro do mundo, detém os direitos de exploração dos minérios da região de Carajás, de onde extrai ferro, cobre e ouro. Na média, a economia da Região Norte cresce 55% na década de 1990. Com pequenas economias extrativistas ou agropecuárias, o Amapá cresce 56%; Rondônia, 41%; Roraima, 40%; Tocantins, 36%; e Acre, 34%. O Pará permanece em segundo lugar em produção econômica absoluta na região. Com pequeno crescimento industrial e estável produção de matérias-primas, o estado tem o menor crescimento econômico relativo da região, com 19%. Na década de 1990, o rendimento de um chefe de família na área rural da Região Norte tem a menor variação do país e sobe 27,4%. A média nacional alcança o índice de 52,6%.

Hidrelétricas do Rio Madeira – A construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e a do Jirau no Rio Madeira no Estado de Rondônia é, na atualidade a maior obra de engenharia do planeta em construção, com investimentos de mais de 30 bilhões de reais. A construção das duas hidrelétricas faz parte do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem prazo para a sua conclusão em 2014. Após a conclusão das hidrelétricas, os estados de Rondônia e Acre interligarão ao sistema nacional de distribuição de energia elétrica.

Zona Franca – Instalada há 35 anos, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) constitui um conjunto de políticas de incentivo fiscal que visa a desenvolver a região da Amazônia Ocidental (formada por todos os estados do Norte, com exceção do Pará e do Tocantins). A Zona Franca investe em infra-estrutura e oferece incentivos para que as indústrias se estabeleçam na região. Entre 1990 e 1999, a economia amazonense tem o maior crescimento acumulado do país: 122%. Com mais de 400 indústrias instaladas, o Pólo Industrial de Manaus responde por 90% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Amazonas. Os principais parques industriais do pólo são o eletroeletrônico, o de informática, o de motos e bicicletas, o setor químico e o deconcentrados de refrigerante.

Energia – A região tem priorizado a oferta e a redistribuição de energia para seus estados. No Amazonas, como a planície da bacia Amazônica inviabiliza a construção de hidrelétricas, o estado investe na produção de gás natural em Urucu, na bacia do rio Solimões. O projeto prevê que as grandes geradoras de energia elétrica substituirão o óleo diesel de suas termelétricas por gás natural. No Pará, desde 2001 as populações do oeste do estado já podem contar com a energia de Tucuruí, a segunda maior hidrelétrica do país.

Sudam – Por meio de medida provisória, em maio de 2001 o presidente Fernando Henrique Cardoso extingue a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O órgão extinto facilitava o desvio de verbas públicas. Para substituí-lo, é criada a Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA), que utiliza critérios mais rigorosos na liberação de recursos. Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decide recriar a Sudam, e a ADA passa a ter como função principal organizar a transição. Assim como ocorreu com a Sudene, é criado pelo Ministério da Integração Nacional, o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), para reconstituir a Sudam.

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Presidentes do Brasil

Presidentes do Brasil

Presidentes do Brasil

1 - Manoel Deodoro da Fonseca – de 15/11/1889 a 23/11/1891. Vice – Floriano Vieira Peixoto.

2 - Floriano Vieira Peixoto – de 23/11/1891 a 15/11/1894.

3 - Prudente José de Morais e Barros – de 15/11/1894 a 15/11/1898. Vice – Manoel Victorino Pereira.

4 - Manuel Ferraz de Campos Salles – de 15/11/1898 a 15/11/1902. Vice – Francisco de Assis Rosa e Silva.

5 - Francisco de Paula Rodrigues Alves – de 15/11/1902 a 15/11/1906. Vice – Afonso Augusto Moreira Pena.

6 - Afonso Augusto Moreira Pena – de 15/11/1906 a 14/6/1909. Vice – Nilo Procópio Peçanha.

7 - Nilo Procópio Peçanha – de 14/6/1909 a 15/11/1910.

8 - Hermes Rodrigues da Fonseca – de 15/11/1910 a 15/11/1914. Vice – Venceslau Brás Pereira Gomes.

9 - Venceslau Brás Pereira Gomes – de 15/11/1914 a 15/11/1918. Vice – Urbano Santos da Costa Araújo.

10 - Delfim Moreira da Costa Ribeiro – de 15/11/1918 a 28/7/1919.

11 - Epitácio da Silva Pessoa – de 28/7/1919 a 15/11/1922. Vices – Delfim Moreira da Costa Ribeiro (até 1o/7/1920) e Francisco Álvaro Bueno de Paiva.

12 - Artur da Silva Bernardes – de 15/11/1922 a 15/11/1926. Vice – Estácio de Albuquerque Coimbra.

13 - Washington Luís Pereira de Sousa – de 15/11/1926 a 24/10/1930. Vice – Fernando de Melo Vieira.

14 - Junta Militar Governativa Provisória – de 24/10/1930 a 3/11/1930. Formada pelos generais Augusto Tasso Fragoso, João de Deus Menna Barreto e almirante José Isaías de Noronha.

15 - Getúlio Dornelles Vargas – de 3/11/1930 a 29/10/1945.

16 - José Linhares – de 29/10/1945 a 31/1/1946.

17 - Eurico Gaspar Dutra – de 31/1/1946 a 31/1/1951. Vice – Nereu de Oliveira Ramos.

18 - Getúlio Dornelles Vargas – de 31/1/1951 a 24/8/1954. Vice – João Fernandes Campos Café Filho.

Dilma Rousseff,  a primeira mulher presidente do Brasil
que sofre o Impeachment em 2016
19 - João Fernandes Campos Café Filho – de 24/8/1954 a 9/11/1955.

2 0- Carlos Coimbra de Luz – de 9/11/1955 a 11/11/1955.

21 - Nereu de Oliveira Ramos – de 11/11/1955 a 31/1/1956.

22 - Juscelino Kubitschek de Oliveira – de 31/1/1956 a 31/1/1961. Vice – João Belchior Marques Goulart.

23 - Jânio da Silva Quadros – de 31/1/1961 a 25/8/1961. Vice – João Belchior Marques Goulart.

24 - Pascoal Ranieri Mazzilli – de 25/8/1961 a 7/9/1961.

25 - João Belchior Marques Goulart – de 7/9/1961 a 1o/4/1964.

26 - Pascoal Ranieri Mazzilli – de 1o/4/1964 a 15/4/1964.

27 - Humberto de Alencar Castello Branco – de 15/4/1964 a 15/3/1967. Vice – José Maria Alkmin.

28 - Arthur da Costa e Silva – de 15/3/1967 a 31/8/1969. Vice – Pedro Aleixo.

29 - Junta Militar – de 31/8/1969 a 30/10/1969. Formada por Augusto Hamann Rademaker Grünewald (ministro da Marinha), Aurélio de Lira Tavares (Exército) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica).

30 - Emílio Garrastazu Médici – de 30/10/1969 a 15/3/1974. Vice – Augusto Hamann Rademaker Grünewald.

31 - Ernesto Geisel – de 15/3/1974 a 15/3/1979. Vice – Adalberto Pereira dos Santos.

32 - João Baptista de Oliveira Figueiredo – de 15/3/1979 a 15/3/1985. Vice – Antônio Aureliano Chaves de Mendonça.

33 - José Sarney (nascido José Ribamar Ferreira de Araújo Costa) – de 15/3/1985 a 15/3/1990 (até 22/4/1985 como interino). Com a morte do presidente eleito Tancredo de Almeida Neves, assume o cargo definitivamente.

34 - Fernando Afonso Collor de Mello – de 15/3/1990 a 2/10/1992. Vice – Itamar Augusto Cautiero Franco.

35 - Itamar Augusto Cautiero Franco – de 2/10/1992 a 1o/1/1995. Interino durante o processo de impeachment de Collor. Com a renúncia, em 29/12/1992, assume o cargo definitivamente.

36 - Fernando Henrique Cardoso – de 1o/1/1995 a 1o/1/1999. Vice – Marco Antônio de Oliveira Maciel.

37 - Fernando Henrique Cardoso – de 1o/1/1999 a 1o/1/2003, quando toma posse de seu segundo mandato. Vice – Marco Antônio de Oliveira Maciel.

38 - Luiz Inácio Lula da Silva – eleito para o período de 1o/1/2003 a 1o/1/2007. Vice – José Alencar Gomes da Silva.

39 - Luiz Inácio Lula da Silva – Reeleito para o período de 1o/1/2007 a 1o/1/2011. Vice – José Alencar Gomes da Silva.

40 - Dilma Rousseff - 1o/1/2011 a 1o/1/2015. Vice - Michel Temer

41 - Michel Temer - 31/08/2016 a 31/12/2018

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Região Sudeste do Brasil

Região Sudeste do Brasil

Região Sudeste do Brasil
É formada pelos estados de Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Situa-se na parte mais elevada do planalto Atlântico, onde estão as serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. O clima predominante no litoral é o tropical atlântico, e nos planaltos, o tropical de altitude, com geadas ocasionais. A mata tropical nativa que cobria o litoral foi devastada durante o povoamento, em especial nos séculos XVIII e XIX, no período de expansão do cultivo de café. Na serra do Mar, a dificuldade de acesso ajuda a preservar parte dessa mata. No estado de Minas Gerais predomina a vegetação de cerrado; no vale do rio São Francisco e no norte do estado encontra-se a caatinga. O relevo planáltico do Sudeste confere grande potencial hidrelétrico à região. A maior usina é a de Urubupungá, localizada no rio Paraná, divisa de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Encontram-se em Minas Gerais as nascentes de duas importantes bacias hidrográficas: a bacia do rio Paraná, que se forma próximo à região conhecida como Triângulo Mineiro, e a do rio São Francisco, que nasce na serra da Canastra.

Formação da população – A miscigenação do português com o índio começa no século XVI, época em que se formam as primeiras cidades, como São Vicente, São Paulo, Rio de Janeiro. O negro escravizado é trazido para a região e passa a contribuir para a formação da população. No fim do século XIX e começo do XX, o Sudeste recebe muitos imigrantes estrangeiros, principalmente italianos, japoneses, alemães, sírios e libaneses, para trabalhar nas lavouras de café. Já na segunda metade do século XX, chegam coreanos, que se instalam sobretudo na cidade de São Paulo. Desde a virada do século XIX para o XX, o Sudeste torna-se o principal destino de migração interna do país. Os nordestinos sempre foram o maior contingente que busca a região. Desde os anos 1980, o aumento do desemprego na indústria e as dificuldades econômicas estimulam um movimento contrário: muitas famílias retornam ao estado de origem. Ainda assim, segundo o Censo de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do Sudeste foi a que mais cresceu entre 1991 e 2009.

População – O Sudeste é a região que concentra a maior população do país, somando cerca de 80 milhões de habitantes, que representam 42,6% do total. É também a região com a maior densidade demográfica (85,7 habitantes por quilômetro quadrado em 2009) e com o mais alto índice de urbanização: 90,5%. Abriga as duas mais importantes metrópoles nacionais – São Paulo e Rio de Janeiro. Com Belo Horizonte, as três formam as maiores regiões metropolitanas do país, reunindo 20% da população. O Sudeste responde pela maior parcela da riqueza do Brasil, mas também é a região que mais sofre com o desemprego e o crescimento da violência. Ainda assim, seus indicadores sociais são os melhores do país: o analfabetismo é de 7,5%, a água tratada chega a 88,3 % das casas e o lixo é recolhido em 90,3% das moradias. No Brasil, as médias desses índices ficam em 12,8%, 77,8% e 79%, respectivamente.

Festas populares e gastronomia – Várias festas populares celebradas no interior do Sudeste são de cunho religioso, como a Festa do Divino, os festejos da Páscoa e os dos santos padroeiros, com destaque para a peregrinação à Aparecida (SP), em especial no dia 12 de outubro, em que se comemora o dia de Nossa Senhora Aparecida. A congada (que evoca a coroação dos reis do Congo) é um folguedo, trazido pelos escravos, comum nos quatro estados da região, sobretudo no Espírito Santo. A cavalhada destaca-se em Minas Gerais; no Rio de Janeiro, o jongo e o bumba-meu-boi. Há ainda as grandes festas não religiosas, como o Carnaval e a queima de fogos no réveillon do Rio, as festas de peão de boiadeiro de São Paulo – das quais a mais importante é a de Barretos – e o Festival de Música de Inverno em Campos do Jordão (SP). A culinária do Sudeste guarda forte influência do índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Em São Paulo, por exemplo, é difícil apontar um único prato típico. Além da comida caipira do interior e da cachaça de alambique, também representam a cozinha paulista pratos vindos com imigrantes de outros países, como a pizza e o sushi. No Rio são fortes a cerveja e a feijoada. Frango com quiabo, tutu de feijão e o feijão-tropeiro destacam-se no cardápio mineiro, sempre acompanhados de torresmo, couve e angu. Não podem faltar também o pão de queijo nem os doces caseiros. A moqueca capixaba, prato obrigatório no litoral do Espírito Santo, não leva azeite-de-dendê nem leite de coco. É um refogado de peixe, camarão, lagosta, siri ou marisco, temperado com coentro, cebola, alho, tomate, pimenta, limão, azeite de oliva e tintura de urucum. Acompanham arroz e pirão.

Turismo – Campeão em número de visitantes e em movimento de turistas, o Rio de Janeiro perde para São Paulo em faturamento, porque o turismo de negócios é maior na capital paulista. Guarapari e Itaúnas, praias de dunas do município de Conceição da Barra, estão entre as mais frequentadas do litoral do Espírito Santo. Entre as mais procuradas do Rio estão as cidades litorâneas de Armação dos Búzios e Cabo Frio. Em São Paulo, as atrações incluem Campos do Jordão, estância de inverno na serra da Mantiqueira, praias do litoral norte, como as dos municípios de São Sebastião e Ubatuba, e as reservas ambientais no sul, com praias selvagens e cavernas. Em Minas, destaca-se o ecoturismo, como no Parque Estadual de Ibitipoca e na serra da Canastra, além das cidades históricas do ciclo do ouro. São importantes ainda os patrimônios naturais e históricos da humanidade: Ouro Preto (MG), o Santuário de Bom Jesus de Matozinhos (MG), o Centro Histórico de Diamantina (MG) e as reservas de mata Atlântica, na costa do descobrimento (ES/BA) e no litoral de São Paulo.

Transportes – O Sudeste tem a melhor logística de transportes do país: ali estão as maiores redes ferroviária e rodoviária e os mais movimentados portos e aeroportos do Brasil. A privatizada rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo e Rio, é o principal corredor brasileiro de cargas e passageiros, assim como a ponte aérea entre os aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). Também expressiva é a Fernão Dias, entre São Paulo e Belo Horizonte. Com suas principais rodovias estaduais privatizadas (Bandeirantes, Anhanguera, Castello Branco, Raposo Tavares, Ayrton Senna, Anchieta e Imigrantes), São Paulo tem a maior malha asfaltada, as melhores estradas, o maior número de pedágios e também as mais altas tarifas do país. Entre as hidrovias, a principal é a Tietê-Paraná, ligando São Paulo ao Paraná, no Sul, e a Mato Grosso, no Centro-Oeste. Apesar da privatização, a malha ferroviária ainda é pouco utilizada para grandes distâncias. O maior movimento é o de transporte de passageiros em trens e metrôs nas regiões metropolitanas. Entre os principais portos estão o de Santos, o mais importante em valor de carga importada e exportada, São Sebastião, em São Paulo; os do Rio de Janeiro, de Sepetiba, de Angra e de Niterói, no Rio; e os de Vitória e de Tubarão, no Espírito Santo.

Economia e energia – Movimentada pelas maiores montadoras e siderúrgicas do país, a produção industrial da região é diversificada e de ponta. Com o maior parque industrial do Brasil, o Sudeste responde por 55,7% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2011. É também a região mais urbanizada, com nove em cada dez habitantes vivendo em cidades. Os serviços e o comércio são o principal ramo de atividade e representam 61,1% da riqueza da Região Sudeste; a indústria, 39,1%; e a agropecuária, 4,9%. No fim dos anos 1990, percebe-se relativa queda de investimentos no setor industrial, sobretudo no metalúrgico, em virtude dos incentivos fiscais oferecidos por outras regiões, e principalmente pela recessão do fim da década e pela grave crise de energia de 2001, quando os reservatórios das hidrelétricas atingem níveis baixos e o governo federal determina um racionamento. Em 2002, o nível dos rios se recupera, mas a economia continua a patinar nos anos seguintes. Segundo a Fundação Seade, a região metropolitana de São Paulo, o maior parque industrial brasileiro, fecha 2003 com 19,9% de trabalhadores sem emprego. O quadro começa a melhorar em 2004, com o índice de desemprego caindo para 17,9% no mês de setembro. A recuperação da economia é puxada principalmente pelo aquecimento do setor industrial, que até setembro acumula crescimento superior a 20%.A agricultura demonstra elevado padrão técnico e boa produtividade. A produção de café, laranja, cana-de-açúcar e frutas está entre as mais importantes do país. O Sudeste explora também sua riqueza mineral. No estado de Minas Gerais destaca-se a exploração de numerosa variedade de minérios – em especial as reservas de ferro e manganês na serra do Espinhaço. Da bacia de Campos, no Rio de Janeiro, sai a maior parte do petróleo brasileiro. A descoberta de novas reservas petrolíferas no Espírito Santo e no Rio de Janeiro movimenta a indústria local, que apresenta o maior crescimento do país em 2010 e 2011.

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Região Sul do Brasil

Região Sul do Brasil

Região Sul do Brasil
É formada pelos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. À exceção do norte do Paraná, onde predomina o clima tropical, o clima da região é o subtropical, responsável pelas temperaturas mais baixas registradas no Brasil durante o inverno. Na região central do Paraná e no planalto serrano de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, o inverno costuma registrar temperaturas negativas, com ocorrência de geada e até de neve em alguns municípios. A vegetação acompanha a variação da temperatura: nos locais mais frios predominam as matas de araucária (pinhais) e, nos pampas, os campos de gramíneas. As matas de araucária, no entanto, estão reduzidas a apenas 2% da área original. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná são reconhecidos pela qualidade de vida e têm, respectivamente, o primeiro, o terceiro e o quinto IDH do Brasil. A região apresenta os melhores indicadores de mortalidade infantil, educação e saúde do país e possui a segunda renda per capita, inferior apenas à do Sudeste.

Formação da população – Os imigrantes europeus começam a chegar no fim do século XIX e contribuem para o desenvolvimento da economia, baseada na pequena propriedade rural de policultura. Os índios já ocupavam a região na época do descobrimento; espanhóis e portugueses chegam com as missões jesuíticas; e os negros, com a escravidão. Italianos, eslavos e alemães se fixam no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, açorianos colonizam o litoral; alemães, a região norte; e italianos, o planalto e a porção oeste. No Paraná, fixam-se italianos, alemães e japoneses; mais recentemente, paraguaios na fronteira oeste. Entre 1920 e 1970 cai a imigração, mas melhora a qualidade de vida, o que aumenta a migração interna, sobretudo de paulistas e mato-grossenses, para as lavouras do norte do Paraná. A partir dos anos 1970, com o êxodo rural, as famílias começam a voltar para São Paulo. Com os projetos de colonização da Amazônia, do governo militar, principalmente paranaenses e gaúchos partem para Mato Grosso e Rondônia.

Festas e gastronomia – Algumas cidades do Sul ainda celebram as tradições dos antepassados em festas típicas, como a Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS), e a Oktoberfest, em Blumenau (SC), cópia da famosa festa de Munique, na Alemanha, recriada aqui para recuperar financeiramente a cidade catarinense, arrasada pelas enchentes em 1984. O fandango, de influência portuguesa e espanhola, é uma das danças que aparecem nas comemorações do Sul, assim como o pau-de-fita e a congada. O gaúcho aprecia o chimarrão e o churrasco. Ostras, camarão e pirão de peixe se destacam no litoral catarinense. No norte de Santa Catarina, o marreco é assado recheado com miúdos e, por influência germânica, acompanhado de repolho roxo. No Paraná, a culinária inclui o barreado, um cozido de carne.

Turismo – Durante o verão, as praias catarinenses são bastante procuradas por turistas. Florianópolis, depois do Rio de Janeiro e de Salvador, é uma das capitais brasileiras mais visitadas. São atrações também as Ruínas Jesuítico-Guaranis de São Miguel das Missões (RS) e o Parque Nacional do Iguaçu (PR), patrimônios da humanidade. As serras gaúcha e catarinense atraem turistas no inverno, que vêm aproveitar as baixas temperaturas. Em Cambará do Sul (RS), localiza-se o Parque de Aparados da Serra, onde fica o cânion do Itaimbezinho.

Ambiente – A região sul é a que mais sofre com enchentes, tufões (próximo ao litoral) e tornados (centro e oeste da região). Em janeiro e fevereiro de 2009 o Estado de Santa Catarina sofreu a maior catástrofe natural de sua história, devido ao excesso de chuvas, houve deslizamento das encostas dos morros que destruíram milhares de casas, deixando um saldo de mais de 200 mortos e o maior prejuízo econômico da história de Santa Catarina. Em Setembro e Outubro de 2009 foi à vez da região sofrer com vendavais e até mesmo com tornados, deixando cidades completamente arrasadas, principalmente no oeste de Santa Catarina. Segundo cientistas, a principal causa da intensidade desses fenômenos, está relacionado excesso de gases que prejudicam a camada de ozônio e , que, causam o efeito estufa, aumentando, assim a intensidade no encontro entre as massas de ar frias vindas do pólo sul com as massas de ar quente vindas dos trópicos, tornando a região Sul uma área de convergência entre as massas de ar, o que, ultimamente, se agravando.

Transportes – O Porto de Paranaguá (PR) é o principal terminal graneleiro do país. Na Região Sul, destacam-se ainda o porto de Rio Grande (RS), Itajaí e Imbituba (SC). O transporte rodoviário concentra o maior movimento da região. Duas rodovias federais são as principais artérias de transporte de cargas e passageiros: a rodovia BR-101, que liga Porto Alegre a Curitiba pelo litoral, passando por Florianópolis, e a rodovia BR-116, que liga Porto Alegre a Curitiba pelo interior, passando por Lages (SC). De Curitiba a São Paulo, as rodovias se fundem na Régis Bittencourt, conhecida como a rodovia da morte, por causa da grande incidência de acidentes.

Economia e energia – Situada na fronteira com Argentina, Paraguai e Uruguai, os principais parceiros do Brasil no Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Região Sul tem sua economia impulsionada na década de 1990. As crises nesses três países em 2002 e o colapso da energia no Brasil no ano anterior enfraquecem o Mercosul, e as exportações para esses parceiros despencam. Como nas outras regiões, o setor de serviços responde pela maior parte das riquezas dos estados sulistas. Depois dele vem a indústria – com destaque para os setores metalúrgico, automobilístico, têxtil e alimentício –, seguida pela agropecuária, que representa 14,4% das riquezas produzidas. Na Região Sul, detentora de quase metade de toda a produção nacional de grãos, cultivam-se milho, arroz, feijão, trigo e tabaco e é onde mais se produzem mel, alho, maçã e cebola. Como a soja tem grande importância na economia da região, a liberação do plantio de sementes transgênicas divide opiniões. Enquanto o Paraná quer manter-se como um produtor não transgênico, o Rio Grande do Sul já é disparado o estado que mais produz soja geneticamente modificada. A vegetação rasteira, típica da região, favorece a criação de rebanhos bovinos, em particular nos pampas gaúchos. Também é importante a criação de frango, porco e carneiro. A Região Sul possui ainda grande potencial hidrelétrico, destacando-se a Usina de Itaipu, localizada no rio Paraná, na fronteira do estado do Paraná com o Paraguai.

Urbanização – A mecanização da agricultura e a agroindústria favorecem a mudança de famílias do campo para a cidade. Na Região Sul, que apresenta os menores percentuais nas migrações internas do país, 80,90% da população vive em centros urbanos. A consequência imediata desse alto índice de urbanização é a formação de bolsões de miséria nas principais cidades da região. A grande pobreza atinge até mesmo parte da população de Curitiba, capital do Paraná, considerada um modelo mundial de cidade.

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Teatro no Brasil | Cronologia

Teatro no Brasil | Cronologia

Teatro no Brasil - CronologiaSéculo XVI – No início do período colonial, os jesuítas utilizam o teatro para catequizar os índios. O padre José de Anchieta encena seus autos com os nativos e os primeiros colonos. As peças são faladas em tupi-guarani, português e espanhol.

Século XVII – As apresentações teatrais passam a fazer parte, oficialmente, das comemorações cívicas. O baiano Manuel Botelho de Oliveira, que escreve duas comédias em espanhol inspirado na dramaturgia espanhola, é o primeiro brasileiro a publicar suas peças.

Século XVIII – A partir da segunda metade do século começam a ser construídas as Casas de Ópera, nome que os teatros recebiam na época. Como dramaturgo se destaca Antônio José da Silva, o Judeu. No entanto, por ter vivido em Portugal desde os 8 anos, não é visto como um autor verdadeiramente brasileiro.

Século XIX – A comédia afirma-se como gênero dramatúrgico brasileiro por excelência. Seus maiores representantes no período são Martins Pena, considerado o fundador de nossa comédia de costumes; França Júnior, também um autor de costumes; e Artur de Azevedo. Os escritores românticos Gonçalves Dias e José de Alencar incursionam pela dramaturgia. Do primeiro, destaca-se o drama Leonor de Mendonça. Do segundo, que adotou o romantismo em seus romances mas foi realista no teatro, destacam-se as peças O Demônio Familiar e Asas de um Anjo.

1838 – A tragédia romântica Antônio José, ou O Poeta e a Inquisição, de Gonçalves de Magalhães, é a primeira peça de tema nacional escrita por um brasileiro. É levada à cena pelo ator João Caetano.

Atores Brasileiros – A companhia pioneira constituída exclusivamente de atores brasileiros é formada em 1833 por João Caetano, tido como o maior intérprete dramático da época. No Rio de Janeiro da época predominam os atores portugueses, e há constantes visitas de trupes estrangeiras, principalmente francesas e portuguesas. João Caetano é também o primeiro a se preocupar com a transmissão do conhecimento sobre a arte de interpretar, escrevendo suas Lições Dramáticas, nas quais preconiza uma representação mais clássica.

Século XX – A primeira metade do século se caracteriza por um teatro comercial. As companhias são lideradas pelos primeiros atores, que se convertem na principal atração, mais que as peças apresentadas. As exceções acontecem quando um bom dramaturgo, como Oduvaldo Vianna, se alia a grandes intérpretes, como Procópio Ferreira e Dulcina de Moraes. Oduvaldo é ainda o introdutor da prosódia brasileira no teatro, atrelado até então a falas aportuguesadas.

1927 – O Teatro de Brinquedo apresenta-se no Rio de Janeiro (RJ) com a peça Adão, Eva e Outros Membros da Família, de Álvaro Moreyra, líder do grupo. Formado por amadores, o grupo propõe um teatro de elite. É o começo da insurreição contra o teatro comercial considerado de baixo nível.

1938 – É lançado no Rio de Janeiro (RJ) o Teatro do Estudante do Brasil, concebido e dirigido por Paschoal Carlos Magno e com um elenco constituído de universitários. A primeira montagem é Romeu e Julieta, de Shakespeare, protagonizada por Paulo Porto e Sônia Oiticica, com direção de Itália Fausta.

1943 – Estreia a peça Vestido de Noiva , de Nelson Rodrigues, encenada pelo grupo amador Os Comediantes, do Rio de Janeiro. A direção de Zbigniew Ziembinski – É inaugurado, em São Paulo (SP), o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC); inicialmente uma casa de espetáculos criada para abrigar os trabalhos de grupos amadores. Dois desses grupos estão à frente da renovação do teatro brasileiro: o Grupo de Teatro Experimental (GTE), de Alfredo Mesquita, e o Grupo Universitário de Teatro (GUT), de Décio de Almeida Prado. No ano seguinte, o TBC se profissionaliza, com a contratação de atores e do diretor italiano Adolfo Celi. Um repertório eclético, constituído de grandes textos clássicos e modernos, além de comédias de bom nível, torna-se a tônica dessa companhia, que, liderada por Franco Zampari em seu período áureo, marca uma das mais importantes fases do teatro brasileiro. O TBC encerra suas atividades em 1964. Outras companhias se formam nos seus moldes: o Teatro Popular de Arte, de Maria Della Costa, a Cia. Nydia Lícia-Sérgio Cardoso o Teatro Cacilda Becker a Cia. Tônia-Celi-Autran.

Alfredo Mesquita funda a Escola de Arte Dramática (EAD) em São Paulo (SP), um dos principais centros de formação de atores.

1953 – Fundação do Teatro de Arena de São Paulo, por José Renato. A princípio apenas uma tentativa de inovação espacial, acaba sendo responsável pela introdução de elementos renovadores na dramaturgia e na encenação brasileiras. A montagem de Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958, introduz a luta de classes como temática. Sob a liderança de Augusto Boal, o Arena forma novos autores e adapta textos clássicos para que mostrem a realidade brasileira. Chega à implantação do sistema curinga, no qual desaparece a noção de protagonista, em trabalhos como Arena Conta Zumbi (1965) e Arena Conta Tiradentes (1967), que fazem uma revisão histórica nacional. O Arena termina em 1970.

1958 – Zé Celso, Renato Borghi, Carlos Queiroz Telles e Amir Haddad, entre outros, fundam um grupo amador – chamado Teatro Oficina – na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo (SP). Seus integrantes passam por uma fase stanislavskiana (interpretação realista criada pelo dramaturgo russo Stanislavski, orientada por Eugênio Kusnet. A peça mais importante desse período é Os Pequenos Burgueses (1963), de Maxim Gorki. Logo após a antológica montagem de O Rei da Vela (1967), de Oswald de Andrade o grupo evolui para uma fase brechtiana (interpretação distanciada desenvolvida pelo alemão Bertolt Brecht) com Galileu Galilei (1968) e Na Selva das Cidades (1969), sempre sob a direção artística de José Celso. Com a obra coletiva Gracias Señor, inicia-se a chamada fase irracionalista do Oficina. Uma nova relação com o espaço e com o público reflete as profundas mudanças pelas quais o grupo passa. Essa fase se encerra com As Três Irmãs (1973), de Tchecov.

Década de 60 – Uma vigorosa geração de dramaturgos irrompe na cena brasileira nessa década. Entre eles destacam-se Plínio Marcos, Antônio Bivar, Leilah Assumpção, Consuelo de Castro e José Vicente.

1964 – O grupo Opinião entra em atividade no Rio de Janeiro, adaptando shows musicais para o palco e desenvolvendo um trabalho teatral de caráter político. Responsável pelo lançamento de Zé Keti e Maria Bethânia, realiza a montagem da peça Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar.

1968 – Estréia Cemitério de Automóveis, de Arrabal. Este espetáculo e O Balcão, de Genet, ambos dirigidos por Victor Garcia e produzidos por Ruth Escobar, marcam o ingresso do teatro brasileiro numa fase de ousadias cênicas, tanto espaciais quanto temáticas.

Década de 70 – Com o acirramento da atuação da censura, a dramaturgia passa a se expressar por meio de metáforas. Apesar disso, Fauzi Arap escreve peças que refletem sobre o teatro, as opções alternativas de vida e a homossexualidade. Surgem diversos grupos teatrais formados por jovens atores e diretores. No Rio de Janeiro destacam-se o Asdrúbal Trouxe o Trombone, cujo espetáculo Trate-me Leão retrata toda uma geração de classe média, e o Pessoal do Despertar, que adota esse nome após a encenação de O Despertar da Primavera, de Wedekind. Em São Paulo surgem a Royal Bexiga’s Company, com a criação coletiva O Que Você Vai Ser Quando Crescer; o Pessoal do Vítor, saído da EAD, com a peça Vítor, ou As Crianças no Poder, de Roger Vitrac; o Pod Minoga, constituído por alunos de Naum Alves de Souza, que se lançam profissionalmente com a montagem coletiva Follias Bíblicas, em 1977; o Mambembe, nascido sob a liderança de Carlos Alberto Soffredini, de quem representam Vem Buscar-me Que Ainda Sou Teu; e o Teatro do Ornitorrinco, de Cacá Rosset e Luís Roberto Galizia, que inicia sua carreira nos porões do Oficina, em espetáculos como Os Mais Fortes e Ornitorrinco Canta Brecht-Weill, de 1977.

1974 – Após a invasão do Teatro Oficina pela polícia, Zé Celso parte para o auto-exílio em Portugal e Moçambique. Regressa ao Brasil em 1978, dando início a uma nova fase do Oficina, que passa a se chamar Uzyna-Uzona.

1978 – Estreia de Macunaíma, pelo grupo Pau Brasil, com direção de Antunes Filho. Inaugura-se uma nova linguagem cênica brasileira, em que as imagens têm a mesma força da narrativa. Com esse espetáculo, Antunes Filho começa outra etapa em sua carreira, à frente do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), no qual desenvolve intenso estudo sobre o trabalho do ator. Grandes montagens suas fazem carreira internacional: Nelson Rodrigues, o Eterno Retorno; Romeu e Julieta, de Shakespeare; Xica da Silva, de Luís Alberto de Abreu; A Hora e a Vez de Augusto Matraga, adaptado de Guimarães Rosa; Nova Velha História; Gilgamesh; Vereda da Salvação, de Jorge Andrade

1979 – A censura deixa de ser prévia e volta a ter caráter apenas classificatório. É liberada e encenada no Rio de Janeiro a peça Rasga Coração, de Oduvaldo Vianna Filho, que fora premiada num concurso do Serviço Nacional de Teatro e, em seguida, proibida.

Década de 80 – A diversidade é o principal aspecto do teatro dos anos 80. O período se caracteriza pela influência do pós-modernismo movimento marcado pela união da estética tradicional à moderna. O expoente dessa linha é o diretor e dramaturgo Gerald Thomas. Montagens como Carmem com Filtro, Eletra com Creta e Quartett apresentam um apuro técnico inédito. Seus espetáculos dão grande importância à cenografia e à coreografia. Novos grupos teatrais, como o Ponkã, o Boi Voador e o XPTO, também priorizam as linguagens visuais e sonoras. O diretor Ulysses Cruz, da companhia Boi Voador, destaca-se com a montagem de Fragmentos de um Discurso Amoroso, baseado em texto de Roland Barthes. Outros jovens encenadores, como José Possi Neto (De Braços Abertos), Roberto Lage (Meu Tio, o Iauaretê) e Márcio Aurélio (Lua de Cetim), têm seus trabalhos reconhecidos. Cacá Rosset, diretor do Ornitorrinco, consegue fenômeno de público com Ubu, de Alfred Jarry. Na dramaturgia predomina o besteirol – comédia de costumes que explora situações absurdas. O movimento cresce no Rio de Janeiro e tem como principais representantes Miguel Falabella e Vicente Pereira. Em São Paulo surgem nomes como Maria Adelaide Amaral, Flávio de Souza, Alcides Nogueira, Naum Alves de Souza e Mauro Rasi. Trair e Coçar É Só Começar, de Marcos Caruso e Jandira Martini, torna-se um dos grandes sucessos comerciais da década. Luís Alberto de Abreu – que escreve peças como Bella, Ciao e Xica da Silva – é um dos autores com obra de maior fôlego, que atravessa também os anos 90.

1987 – A atriz performática Denise Stoklos desponta internacionalmente em carreira solo. O espetáculo Mary Stuart, apresentado em Nova York, nos Estados Unidos, é totalmente concebido por ela. Seu trabalho é chamado de teatro essencial porque utiliza o mínimo de recursos materiais e o máximo dos próprios meios do ator, que são o corpo, a voz e o pensamento.

Década de 90 – No campo da encenação, a tendência à visualidade convive com um retorno gradativo à palavra por meio da montagem de clássicos. Dentro dessa linha tem destaque o grupo Tapa, com Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues e A Megera Domada, de William Shakespeare. O experimentalismo continua e alcança sucesso de público e crítica nos espetáculos Paraíso Perdido (1992) e O Livro de Jó (1995), de Antônio Araújo. O diretor realiza uma encenação ritualizada e utiliza-se de espaços cênicos não-convencionais – uma igreja e um hospital, respectivamente. As técnicas circenses também são adotadas por vários grupos. Em 1990 é criado os Parlapatões, Patifes e Paspalhões. A figura do palhaço é usada ao lado da dramaturgia bem-humorada de Hugo Possolo, um dos membros do grupo. Também ganha projeção a arte de brincante do pernambucano Antônio Nóbrega. O ator, músico e bailarino explora o lado lúdico na encenação teatral, empregando músicas e danças regionais.

Outros nomes de destaque são Bia Lessa (Viagem ao Centro da Terra) e Gabriel Villela (A Vida É Sonho). No final da década ganha importância o diretor Sérgio de Carvalho, da Companhia do Latão. Seu grupo realiza um trabalho de pesquisa sobre o teatro dialético de Bertolt Brecht, que resulta nos espetáculos Ensaio sobre o Latão e Santa Joana dos Matadouros.

1993 – O diretor Zé Celso reabre o Teatro Oficina, com a montagem de Hamlet, clássico de Shakespeare. Zé Celso opta por uma adaptação que enfoca a situação política, econômica e social do Brasil.

1998 – Estreia Doméstica, de Renata Melo, espetáculo que tem forte influência da dança. Essa encenação dá sequência ao trabalho iniciado em 1994, com Bonita Lampião. Sua obra se fundamenta na elaboração da dramaturgia pelos atores, por meio do estudo do comportamento corporal das personagens. O Teatro Oficina encena Cacilda!, peça escrita pelo seu diretor, José Celso Martinez Corrêa, a partir da vida e da obra da grande atriz brasileira Cacilda Becker. O espetáculo conquista os principais prêmios do ano e consolida uma nova fase do Oficina, no espaço projetado por Lina Bo Bardi e inaugurado em 1993.

1999 – Antunes Filho apresenta Fragmentos Troianos, baseada em As Troianas, de Eurípedes. Pela primeira vez, o diretor monta uma peça grega. Essa montagem é resultado da reformulação de seu método de interpretação, alicerçado em pesquisas de impostação da voz e postura corporal dos atores.

Anos 2000 – Antônio Araújo e sua companhia, O Teatro da Vertigem, encenam Apocalipse 1,11 em um presídio desativado, em São Paulo. A montagem, blasfema e iconoclasta, é baseada no texto bíblico de são João. A peça encerra a trilogia bíblica iniciada com Paraíso Perdido (1992), e continuada com O Livro de Jó (1995). O título faz uma referência ao livro sagrado e também ao 111 presos mortos no maior já ocorrido durante uma rebelião na penitenciária do Carandiru, em São Paulo.

2001 - João Falcão dirige o musical Cambaio, com texto dele, juntamente com Adriana Falcão, Chico Buarque e Edu Lobo, que também compuseram as músicas do espetáculo. José Possi Neto dirige a atriz Regina Braga no monólogo Um Porto para Elizabeth Bishop, inspirado na vida da poeta norte-americana Elizabeth Bishop. Escrita por Marta Góes, a peça aborda a relação homossexual que a escritora manteve com Lota Macedo Soares, no Rio de Janeiro, entre 1951 e 1966. As atrizes Ingrid Guimarães e Heloísa Perissé escrevem e atuam nas oito histórias que compõem a peça Cócegas. Dirigido por Aloísio de Abreu, Sura Berditchevsky, Luiz Carlos Tourinho, Régis Faria e Marcelo Saback, o espetáculo aborda com bom humor o universo feminino, tratando questões como o casamento e o mercado de trabalho para as mulheres. O Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho estreia Medéia, de Eurípedes. O destaque da montagem é a interpretação de Medéia por Juliana Galdino.

O Teatro Oficina estreia, em 2002, no dia 2 de dezembro, centenário da publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha, um espetáculo que adapta para a cena o texto integral do livro de Euclides. O ator e encenador Enrique Diaz monta o monólogo A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector. Os destaques são a adaptação do romance de Lispector por Fauzi Arap e a interpretação de Mariana Lima. O ator consagrado no CPT de Antunes Filho, Luís Melo, cria o Ateliê de Criação Teatral de Curitiba e produz o espetáculo Câocoisa e a Coisa Homem, com dramaturgia e direção de Aderbal Freire Filho. Antunes Filho estreia Medeia 2, nova montagem do espetáculo estreado no ano anterior, com menos cenografia e valorização do desempenho dos atores. A produtora de teatro e de grandes eventos culturais Monique Gardenberg estreia na direção com Os Sete Afluentes do Rio Ota. O espetáculo é uma adaptação da montagem de mesmo nome realizada pelo encenador canadense Robert Lepage em 1994. O Teatro da Vertigem inicia a apresentação completa da trilogia bíblica.

José Celso Martinez Corrêa estreia, em 2003, mais duas partes de Os Sertões: O Homem – 1ª parte e O Homem – 2ª parte, da Revolta ao Trans-Homem. O primeiro espetáculo narra a formação do povo brasileiro. O segundo é sobre a vida de Antônio Conselheiro e, nas primeiras apresentações, chegou a ter cinco horas de duração. A Cia do Feijão encena Mire Veja, um dos melhores espetáculos do ano segundo a Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). A Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, com direção de Felipe Hirsch, também é um dos principais destaques do ano, com atuação de Marco Nanini. O grupo Folias D’Arte monta Otelo, uma das peças indicadas ao Prêmio Shell. Fernanda Torres estreia o monólogo A Casa dos Budas Ditosos, adaptação e direção de Domingos Oliveira para o romance de João Ubaldo Ribeiro. Em São Paulo acontece a II Mostra de Dramaturgia Contemporânea, com textos de José Mora Ramos, Cássio Pires, Márcio Barbosa, Elísio Lopes Jr., entre outros, encenados por diretores renomados como Francisco Medeiro, Regina Galdino e Marcelo Lazzaratto. Maria Adelaide Amaral escreve Tarsila, peça composta a partir de cartas trocadas entre quatro figuras centrais do modernismo: Oswald, Mário de Andrade, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. Com direção de Sérgio Ferrara e atuação de Esther Góes como Tarsila, o grande destaque é a atuação de José Rubens Chachá, como Oswald de Andrade.

Em 2004 Consuelo de Castro, inspirada no mito de Medeia, cria a alegoria política Memórias do Mar Aberto – Medeia Conta Sua História, para tratar de temas atuais como as tensões entre o Oriente e o Ocidente. A carioca Cia. dos Atores, dirigida por Enrique Diaz, encena Ensaio.Hamlet, uma desmontagem do clássico shakespeariano. Outra experiência com caráter de ensaio se dá em Fausto Zero, de Goethe, dramatização do primeiro original de Fausto, dirigido por Gabriel Villela, com Walderez de Barros – comemorando 40 anos de carreira – à frente do elenco. Maria Adelaide Amaral cria mais um grande sucesso de público, Mademoiselle Chanel, biografia da estilista francesa interpretada por Marília Pera. Antunes Filho dirige O Canto de Gregório, de Paulo Santoro, um dos dramaturgos revelados pelo seu Centro de Pesquisa Teatral, que apresenta Prêt-à-Pôrter 6. A parceria entre Luís Alberto de Abreu e o grupo Fraternal Companhia de Artes e Malas-Artes, dirigido por Ednaldo Freire, produz Eh, Turtuvia!, um elogio à cultura caipira. Outro grupo, o Teatro Ventoforte, de Ilo Krugli, comemora 30 anos com a montagem de Bodas de Sangue, de Federico García Lorca. A Companhia do Latão, dirigida por Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano, inspira-se em conto de Machado de Assis para conceber Visões Siamesas.

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Cabul | Capital do Afeganistão

Cabul | Capital do Afeganistão

Cabul, Capital do AfeganistãoCabul é a capital do Afeganistão, localizada na parte leste do país. De acordo com uma estimativa de 2016, a população da cidade era de cerca de 3.678.000, que inclui todos os principais grupos étnicos. A rápida urbanização havia feito Kabul 64ª maior cidade do mundo e a cidade quinto mais rápido crescimento no mundo.

Cabul tem mais de 3.500 anos de existência e dominada por vários impérios por está em uma localização estratégica ao longo das rotas comerciais do Sul e na Ásia Central. A cidade tem sido governada pelos Aquemenidas, Seleucidas, Mauryans, Kushans, Kabul Shahis, safáridas, gaznávidas e Ghurids. Mais tarde, foi controlado pelo Império Mughal até que finalmente a tornar-se parte do Império Durrani com a ajuda da dinastia Afsharid.

Durante a guerra soviética no Afeganistão a cidade continuou a ser um centro econômico e era relativamente seguro. Entre 1992 e 1996, uma guerra civil entre grupos militantes devastada Cabul e causou a morte de milhares de civis, sérios danos à infra-estrutura, e um êxodo de refugiados. Desde a queda do Taliban do poder em novembro de 2001, o governo afegão e outros países têm tentado reconstruir a cidade, embora os insurgentes do Taliban têm retardado os esforços re-construção e encenado grandes ataques contra o governo, as forças da Otan, diplomatas estrangeiros e civis afegãos.

Província: Província de Cabul
Distrito: Distrito de Cabul
Posição geográfica: região leste do território do Afeganistão
Fundação: entre 2.000 e 1500 a.C.
Divisão administrativa: dividida em 18 setores
População
: 3.718.000 (estimativa 2018)
Área (em km²): 275
Densidade Demográfica (habitantes por km²)
: 9.818 (estimativa 2018)
Altitude: 1.765 metros
Principais Atividades Econômicas: comércio, serviços e construção civil
Temperatura média anual: 11°C
Clima
: subtropical árido

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Tropicalismo | Movimento Cultural da Década de 1960

Tropicalismo | Movimento Cultural da Década de 1960

Tropicalismo, Movimento Cultural da Década de 1960Movimento cultural do fim da década de 60 que, ao fazer uso de deboche, irreverência e improvisação, revoluciona a música popular brasileira, até então dominada pela estética da bossa nova. Liderado pelos músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil, o tropicalismo adota as ideias do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade para aproveitar elementos estrangeiros que entram no país e, por meio de sua fusão com a cultura brasileira, criar um novo produto artístico. Também se baseia na contracultura, com a utilização de valores diferentes dos aceitos pela cultura dominante, incluindo referências consideradas cafonas, ultrapassadas ou subdesenvolvidas.

O movimento é lançado com a apresentação das músicas Alegria, Alegria, de Caetano, e Domingo no Parque, de Gil, no Festival de MPB da TV Record, em 1967. Acompanhadas por guitarras elétricas, as canções causam polêmica com uma classe média universitária nacionalista, contrária às influências estrangeiras nas artes brasileiras. O disco Tropicália ou Panis et Circensis (1968), manifesto tropicalista, vai da estética brega do tango-dramalhão Coração Materno, de Vicente Celestino (1894-1968), à influência dos Beatles e do rock em Panis et Circensis, cantada por Os Mutantes. O refinamento da bossa nova está presente nos arranjos de Rogério Duprat (1932-), nos vocais de Caetano e na presença de Nara Leão (1942-1989).

O tropicalismo aparece também em outras artes, como na escultura Tropicália (1965), do artista plástico Hélio Oiticica, e na encenação da peça O Rei da Vela (1967), do diretor José Celso Martinez Corrêa (1937-). O movimento chega ao fim com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Caetano e Gil são presos e, depois, exilam-se no Reino Unido. Em 1997, quando se comemoram os 30 anos do tropicalismo, são lançados dois livros que contam sua história: Verdade Tropical, de Caetano Veloso, e Tropicália – A História de uma Revolução Musical, do jornalista Carlos Calado.

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