Caju | Características Aromáticas do Caju

Caju | Características Aromáticas do Caju

Caju | Características Aromáticas do Caju

O caju não é uma fruta, mas o pedúnculo sumarento do verdadeiro fruto do cajueiro: a castanha. De cor amarelada ou vermelha (ou em matizes dessas duas cores) e em forma de pera, o caju pode atingir nove centímetros de comprimento, caracterizando-se por seu riquíssimo teor de vitamina C.

Aromático e saboroso, apesar de adstringente, o caju é consumido, de preferência, em forma de doce. De seu sumo, com a adição de água e açúcar, faz-se um refresco, a cajuada. Por meio de processos de fermentação, obtêm-se diversas bebidas alcoólicas, como vinhos, licores e aguardentes.

Nativo do Brasil e típico do litoral nordestino, o cajueiro (Anacardium occidentale) é uma árvore da família das anacardiáceas, a mesma da mangueira. De caule em geral tortuoso e galhos muito contorcidos, pode chegar a 15m de altura, embora seja comum tornar-se esgalhado e baixo. Desde o século XVI, o cajueiro foi difundido por missionários portugueses na África oriental e na Índia, sendo hoje bastante cultivado em todo o cinturão tropical da Terra.


Toda a planta constitui verdadeira panaceia na medicina popular e seu uso pelos índios, como remédio, é anterior aos tempos do Brasil-colônia. As flores contêm anacardina e, como as castanhas, saborosas depois de torradas, passam por tônicas e até afrodisíacas. As folhas novas, em decoção, são tidas como embriagantes, mesmo em pequena quantidade. Do cajueiro aproveitam-se ainda a madeira, de colorido róseo; a casca, recomendada contra aftas e infecções na garganta; a goma que exsuda, um sucedâneo da goma-arábica; e os frutos ainda novos, com que se fazem diversos pratos da cozinha brasileira.

O maior cajueiro do Mundo
O maior cajueiro do mundo, também conhecido como cajueiro de Pirangi, é uma árvore gigante localizada na praia de Pirangi do Norte no município de Parnamirim, a doze quilômetros ao sul de Natal, capital do estado brasileiro do Rio Grande do Norte.

A árvore cobre uma área de aproximadamente 8500 m², com um perímetro de aproximadamente 500 m e produz cerca de 70 a 80 mil cajus na safra, o equivalente a 2,5 toneladas. E seu tamanho é o equivalente a 70 cajueiros. O cajueiro teria sido plantado em 1888 por um pescador chamado Luís Inácio de Oliveira; o pescador morreu, com 93 anos de idade, sob as sombras do cajueiro.

O maior cajueiro do Mundo
O maior cajueiro do Mundo

Angiospermas | Características das Plantas Angiospermas

Angiospermas | Características das Plantas Angiospermas

Angiospermas | Características das Plantas AngiospermasAs angiospermas constituem uma das duas grandes divisões em que se repartem as plantas superiores (com flores e sementes) e se denominam fanerógamas; a outra divisão é a das gimnospermas, cujas sementes estão contidas numa escama e não em ovário. Essas árvores, como os abetos e ciprestes, são pouco comuns no Brasil.

A maior parte das espécies de plantas superiores enquadra-se na divisão das angiospermas, que engloba uma imensa diversidade de formas vegetais, desde árvores de grande porte, como os baobás e eucaliptos, até as ervas mais comuns nos campos e no solo das matas. Algumas espécies, como as orquídeas, ostentam flores soberbas, enquanto outras, como os cereais, as hortaliças, os tubérculos e as árvores frutíferas, são básicas para a alimentação humana.

Características gerais
A principal característica das angiospermas é a presença de uma série de peças, não raro muito vistosas, que compõem a corola e o cálice (o chamado perianto) e circundam os órgãos reprodutores propriamente ditos. Além disso, os óvulos ou células femininas não se encontram a descoberto, tal como ocorre nas coníferas e demais gimnospermas, mas acham-se protegidos pelos chamados carpelos, folhas modificadas que se fecham sobre si mesmas para guardar as células incumbidas da reprodução. As angiospermas compreendem grande diversidade de árvores, arbustos e espécies herbáceas, rasteiras e aquáticas. Distribuem-se por todo o mundo e ocupam os habitats mais distintos, do Ártico aos trópicos, passando por matas, desertos, estepes, montanhas, ilhas, águas continentais e oceânicas. Sua importância econômica é fundamental, já que as angiospermas incluem a maioria das espécies arbóreas utilizadas pelo homem, todas as plantas hortícolas, as ervas produtoras de essências, especiarias e extratos medicinais, as flores, os cereais e uma grande quantidade de espécies das quais são obtidos numerosos produtos de interesse industrial.

A forma e a vistosa aparência das flores variam enormemente de uma espécie a outra. As plantas anemófilas, cuja polinização se efetua pela ação do vento, apresentam flores simples, sem perianto (corola e cálice) vistoso, e sementes providas de asas. As plantas que praticam a polinização entomófila, intermediada por insetos, têm flores vistosas, muitas de grande beleza, como as orquídeas, rosas e dálias, acompanhadas às vezes dos chamados nectários, órgãos produtores de essências que as dotam de delicados aromas.

As angiospermas subdividem-se em dois grupos: dicotiledôneas e monocotiledôneas. As primeiras se caracterizam por apresentarem um embrião com dois cotilédones ou folículos. Nas dicotiledôneas desenvolvidas, o caule experimenta crescimento em grossura, existe uma raiz principal, da qual partem ramificações secundárias, e a nervação das folhas apresenta-se também ramificada, a partir de uma via central. Por sua vez, as monocotiledôneas, como seu nome indica, têm um único cotilédone no embrião. Nos espécimes desenvolvidos não existe crescimento em grossura (crescimento experimentado contudo, mas de modo diferente do que ocorre nas dicotiledôneas, por algumas espécies que têm porte arbóreo), as raízes se apresentam em feixes da mesma extensão e grossura e as folhas estão sulcadas por nervuras paralelas.

A origem das angiospermas parece residir em algumas ordens de gimnospermas arcaicas, como as das cicadales e cordaitales. Seus representantes mais antigos procedem do período jurássico, na era mesozoica.
Dicotiledôneas. As dicotiledôneas formam o grupo mais numeroso das angiospermas, no qual se destacam, pelo interesse das plantas que as integram, as seguintes ordens: fagales, salicales, urticales, magnoliales, ranunculales, papaverales, cariofilales, capparales, cactales, cucurbitales, rosales, fabales, mirtales, cornales, ramnales, scrofulariales, lamiales e asterales.

A ordem das fagales inclui espécies arbóreas de notável desenvolvimento, em especial nas regiões temperadas. Algumas, como a faia e o castanheiro, são típicas de zonas climáticas frias e úmidas; outras, em contrapartida, vegetam em zonas bem mais secas, como acontece com o carvalho e o sobreiro.

Na ordem das salicales encontram-se árvores caracterizadas por uma ampla área de dispersão e nítida preferência por terrenos úmidos, como o chorão e o choupo.

A ordem das urticales é composta tanto por árvores, como a amoreira, a figueira e o olmo, quanto por espécies de crescimento herbáceo, entre as quais a urtiga e o lúpulo.

A ordem das magnoliales reúne espécies arbóreas ou arbustivas que constituem a base morfológica a partir da qual se desenvolveram as demais angiospermas. Acham-se entre elas a magnólia, a canela e o boldo.

Na ordem das ranunculales destacam-se algumas espécies herbáceas conhecidas pelos princípios tóxicos que contêm, como o ranúnculo, o acônito e o heléboro, e espécies floríferas de pequeno porte como a anêmona e o delfínio ou esporinhas.

São também herbáceas muitas das integrantes da ordem das papaverales, como as papoulas silvestres, fornecedoras de matéria-prima para a extração do ópio e seus derivados. Na mesma ordem há árvores como o pau-d'alho, arbustos que fornecem condimentos, como a alcaparra, e espécies ornamentais odoríferas, como o resedá.

Na ordem das cariofilales agrupam-se muitas espécies herbáceas que também têm interesse do ponto de vista ornamental, como o cravo, ou alimentício, como a acelga, o espinafre e a beterraba.

Importantes para a alimentação humana são ainda certas espécies da ordem das capparales, como a couve, o rabanete, o nabo e a mostarda.

As cactales congregam a importante família dos cactos, plantas adaptadas aos climas desérticos e que acumulam água em seus tecidos. Já na ordem das cucurbitales estão contidas importantes espécies hortícolas, como a abóbora, o melão, a melancia e o pepino.

Da ordem das rosales fazem parte as roseiras, o morangueiro e as árvores frutíferas de ocorrência mais comum nas regiões temperadas, como a macieira, a pereira, a cerejeira, o marmeleiro, o pessegueiro e o damasqueiro. A ordem das fabales, identificada antes com a das rosales, pelas afinidades que as ligam, é composta por espécies como o trevo e a alfafa, além de outras destinadas à alimentação humana, como o feijão, a ervilha, a fava, o grão-de-bico e o alcaçuz.

Entre as mirtales incluem-se os eucaliptos, grandes árvores nativas da Austrália que se dispersaram por todo o mundo graças à rapidez com que crescem, facilitando assim a extração de madeira. Na ordem das ramnales, cabe mencionar, por sua importância para o homem, a videira, planta de que foram obtidas inúmeras variedades e de cujos frutos fermentados se obtém o vinho.

A ordem das scrofulariales compreende a família das solanáceas, na qual há várias espécies alimentícias, como a batata, o tomate, a beringela, e outras de grande importância econômica, como o fumo, ou medicinal, como a beladona e o meimendro.

Entre as lamiales há plantas herbáceas de ampla área de dispersão, como a digital ou dedaleira, da qual se extrai um princípio ativo muito tóxico, usado no tratamento de doenças cardíacas. Na mesma ordem estão ainda agrupadas plantas aromáticas como a menta, a sálvia, o tomilho e o orégano.

A ordem das asterales conta por sua vez com a grande família das compostas, integrada por espécies como o cardo, a artemísia, a margarida, o crisântemo, a calêndula e o girassol.

Monocotiledôneas
No grupo das monocotiledôneas, é menor o número de ordens, convindo mencionar entre elas, pelo interesse das espécies que englobam, as seguintes: liliales, iridales, orquidales, bromeliales, poales e arecales.

A primeira delas inclui plantas aquáticas, como os juncos, e plantas bulbosas, quer comestíveis como o alho e a cebola, quer ornamentais pela beleza das flores, como a açucena, o narciso e a tulipa. Na ordem das iridales há igualmente diversas plantas ornamentais, como o gladíolo e a íris.

Entre as orquidales ressalta a família das orquídeas, nativas em sua maioria dos trópicos e apreciadas pela beleza invulgar de suas flores. Algumas espécies, como a baunilha americana, assumiram grande importância econômica.

Também a ordem das poales inclui espécies de importância fundamental para o homem: as da família das gramíneas, entre as quais se destacam os cereais mais comuns na alimentação.

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Mato Grosso | História e Geografia do Estado de Mato Grosso

Mato Grosso | História e Geografia do Estado de Mato Grosso

Mato Grosso | História e Geografia do Estado de Mato GrossoO Mato Grosso é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado na região Centro-Oeste. Tem a porção norte de seu território ocupada pela Amazônia Legal, sendo o sul do estado pertencente ao Centro-Sul do Brasil. Tem como limites: Amazonas, Pará (N); Tocantins, Goiás (L); Mato Grosso do Sul (S); Rondônia e Bolívia (O). Ocupa uma área de 903.357 km², pouco menor que a Venezuela. Sua capital é Cuiabá.

As cidades mais importantes são Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Barra do Garças, Sinop, Tangará da Serra, Cáceres, Comodoro, Primavera do Leste, Sapezal, Alta Floresta e Sorriso. Extensas planícies e amplos planaltos dominam a área, a maior parte (74%) se encontra abaixo dos 600 metros de altitude. Juruena, Teles Pires, Xingu, Araguaia, Paraguai, Rio Guaporé,Piqueri, São Lourenço, das Mortes e Cuiabá são os rios principais.

História - Pelo Tratado de Tordesilhas (de 7 de junho de 1494) o território do atual estado do Mato Grosso pertencia à Espanha. Os jesuítas, a serviço dos espanhóis, criaram os primeiros núcleos, de onde foram expulsos pelos bandeirantes paulistas em 1680. Em 1718, a descoberta do ouro acelerou o povoamento. Em 1748, para garantir a nova fronteira, Portugal criou a capitania de Mato Grosso e lá construiu um eficiente sistema de defesa.

Durante as bandeiras, uma expedição chegou ao rio Coxipó em busca dos índios coxiponés e logo descobriram ouro nas margens do rio, alterando assim o objetivo da expedição. Em 1719 foi fundado o Arraial da Forquilha, às margens do rio Coxiponés, formando o primeiro grupo de população organizado na região (atual cidade de Cuiabá). A região de Mato Grosso era subordinada a Rodrigo César de Menezes. Para intensificar a fiscalização da exploração do ouro e a renda ida para Portugal, o governador da Capitania muda-se para o Arraial e logo o eleva a nível de vila chamando de Vila Real do Bom Jesus de Cuyabá. Com os tratados de Madri (1750) e Santo Ildefonso (1777), Espanha e Portugal estabeleceram as novas fronteiras. A produção de ouro começou a cair no início do século XIX. Em 1892, durante a derrubada do governo de Manuel Murtinho, houve, por parte dos revoltosos, uma intenção de separação de Mato Grosso da República dos Estados Unidos do Brasil, criando-se, para tanto, o Estado Livre da República Transatlântica - o que não encontrou apoio.

Em 1917, a situação se agravou, provocando intervenção federal. Com a chegada dos seringueiros, pecuaristas e exploradores de erva-mate na primeira metade do século XIX, o estado retomou o desenvolvimento.

Em 1977, a parte sul do estado foi legalmente desmembrada, formando assim um novo estado, o Mato Grosso do Sul - o que na prática só se daria em 1979.

Primeiros tempos
O primeiro a desbravar a área que viria a constituir o estado do Mato Grosso foi o português Aleixo Garcia (há quem lhe atribua, sem provas decisivas, a nacionalidade espanhola), náufrago da esquadra de Juan Díaz de Solís. Em 1525, ele atravessou a mesopotâmia formada pelos rios Paraná e Paraguai e, à frente de uma expedição que chegou a contar com dois mil homens, avançou até a Bolívia. De volta, com grande quantidade de prata e cobre, Garcia foi morto por índios paiaguás. Sebastião Caboto também penetrou na região em 1526 e subiu o Paraguai até alcançar o domínio dos guaranis, com os quais travou relações de amizade e de quem recebeu, como presente, peças de metais preciosos.

Os fantásticos relatos sobre imensas riquezas do interior do continente sul-americano acenderam as ambições de portugueses e espanhóis. Os primeiros, a partir de São Paulo, lançaram-se em audaciosas incursões, nas quais prearam índios e alargaram as fronteiras do Brasil. As bandeiras paulistas chocaram-se com tropas espanholas do cabildo de Assunção e com resistência das missões jesuíticas.

Desde 1632, os bandeirantes conheciam, de passagem e de lutas, a região onde os jesuítas haviam localizado as suas reduções de índios e que os espanhóis percorriam como terra sua. Antônio Pires de Campos chegou criança, em 1672, com a bandeira paterna, às depois famosas minas dos Martírios. Já adulto, retomou o caminho da serra misteriosa e navegou, de contracorrente, os rios Paraguai e São Lourenço, embicando Cuiabá acima, até o atual porto de São Gonçalo Velho, onde se chocou com os índios coxiponés, que se retiraram, derrotados, e se deixaram aprisionar como escravos.

Corrida do ouro
A notícia de índios pouco ariscos e descuidados logo se espalhou. Em 1718, um bandeirante de Sorocaba, Pascoal Moreira Cabral Leme, descendente de índios, subiu o rio Coxipó até atingir a aldeia destruída dos coxiponés, onde deu início à rancharia de uma base de operações. Às margens do Coxipó e do Cuiabá, Cabral Leme descobriu abundante jazida de ouro. A caça ao índio cedeu vez, então, às atividades mineradoras. Em 8 de abril de 1719, foi lavrado o termo de fundação do arraial de Cuiabá, e aclamou-se Pascoal guarda-mor regente "para poder guardar todos os ribeiros de ouro, socavar, examinar, fazer composições com os mineiros e botar bandeiras, tanto aurinas, como ao inimigo bárbaro".

A notícia da descoberta de ouro não tardou em transpor os sertões, dando motivo a uma corrida sem precedentes para o oeste. A viagem até Cuiabá, distante mais de 500 léguas do litoral atlântico, exigia de quatro a seis meses, e era arriscada e difícil em consequência do desconforto, das febres e dos ataques indígenas.

Rodrigo César de Meneses, capitão-general da capitania de São Paulo, chegou a Cuiabá no fim de 1726 e ali permaneceu cerca de um ano e meio. A localidade recebeu o título de Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá. Constituiu-se a câmara e nomeou-se um corpo de funcionários encarregados de dar cumprimento ao rigoroso regulamento fiscal da coroa. Em 1729 foi criado o lugar de ouvidor.

Defesa da terra
As extorsões do fisco, a hostilidade dos índios e as doenças levaram os mineiros à busca de paragens mais compensadoras, Cuiabá e Paraguai acima, rumo à serra dos Parecis. Disseminados os povoadores pelos arraiais, a grande linha normativa da política do reino era manter e ampliar as fronteiras com terras de Espanha.

As lavras de ouro intensificaram o povoamento do Mato Grosso e impuseram a estruturação de um poder local para melhorar a fiscalização dos tributos e a vigilância dos limites com as terras espanholas. Em 9 de maio de 1748, um alvará de D. João V criou a capitania de Cuiabá, com privilégios e isenções para aqueles que lá quisessem fixar-se, com o objetivo de fortalecer a colônia do Mato Grosso e, assim, conter os vizinhos, além de servir de barreira a todo o interior do Brasil.

Problemas de fronteiras
O Tratado de Madri, de 1750, reconheceu as conquistas bandeirantes na região do Mato Grosso, para dirimir questões de limites entre Portugal e Espanha. Outro tratado, de 1761, modificou o anterior, ao proibir construções fortificadas na faixa de fronteira. Os espanhóis exigiram a evacuação de Santa Rosa, ocupada e fortificada por Rolim de Moura, que resolveu enfrentá-los. Travou-se luta, sem vantagem decisiva para nenhuma das partes. Afinal, os castelhanos se retiraram em 1766, já sob o governo do sucessor de Rolim, seu sobrinho João Pedro da Câmara. Expulsos os jesuítas das missões espanholas, em 1767, a situação tornou-se mais tranquila para Portugal.

Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, que governou de 1772 a 1789, tomou, porém, a iniciativa de reforçar o esquema defensivo. Construiu, à margem do Guaporé, o forte real do Príncipe da Beira, no qual chegaram a trabalhar mais de duzentos obreiros, e no sul, sobre o rio Paraguai, abaixo do Miranda, o presídio de Nova Coimbra. Fundou Vila Maria (mais tarde São Luís de Cáceres, ou simplesmente Cáceres), Casalvasco, Salinas e Corixa Grande. Criticou severamente o novo tratado luso-espanhol de 1777 (Tratado de Santo Ildefonso) no tocante ao Mato Grosso, por achar que encerrava concessões prejudiciais a Portugal. Usou no levantamento cartográfico e na delimitação de fronteiras os serviços de dois astrônomos e matemáticos brasileiros recém-formados em Coimbra, Francisco José de Lacerda e Almeida e Antônio Pires da Silva Pontes, e dos geógrafos capitães Ricardo Francisco de Almeida Serra e Joaquim José Ferreira.

Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o futuro marquês de Vila Real de Praia Grande, chegou a Cuiabá em 1796 para assumir o cargo de capitão-general, com recomendação da metrópole para elaborar um plano de defesa que protegesse a capitania contra qualquer tentativa de invasão. A guerra com os espanhóis foi deflagrada em 1801, quando Lázaro de Ribera, à frente de 800 homens, atacou o forte de Coimbra, defendido bravamente por Ricardo Franco, com apenas cem homens, que conseguiram repelir o invasor. A paz, todavia, só foi firmada em Badajoz, em 6 de maio de 1802. A capitania, com meio século de vida autônoma, consolidou sua estabilidade territorial e neutralizou de imediato o perigo de novas invasões.

No fim do período colonial, registrou-se certo declínio da capitania. Cuiabá e Vila Bela haviam sido elevadas à categoria de cidade. Em 20 de agosto de 1821, Magessi foi deposto pela "tropa, clero, nobreza e povo", como "ambicioso em extremo, concussionário insaciável, hipócrita". Formou-se em Cuiabá uma junta governativa que jurou lealdade ao príncipe D. Pedro, e outra, dissidente, em Vila Bela, com o que se estabeleceu a dualidade de poder.

Em abril de 1878, em função do Tratado de Ayacucho, foram enviadas para Corumbá-MT as "Plantas Geográficas dos Rios Guaporé e Mamoré", sendo que a cartografia para delimitar os limites fronteiriços dos rios Guaporé e Mamoré foi levantada e apresentada pela 2ª Seção brasileira, sediada na mesma cidade, tendo sido todas chanceladas pelos Delegados brasileiros e bolivianos. Continuando a descrição diz Destas cabeceiras continuam os limites pelo leito do mesmo rio até sua confluência com o Guaporé, e depois pelo leito deste e do Mamoré até sua confluência com o Beni, onde principia o Rio Madeira. Em 1878 e 1879, houve troca de Notas da Chancelaria bolivana com a Embaixada do Brasil em La Paz, acusando o recebimento e aprovando a "Carta Geral", conforme ajustado na 7ª Conferência da Comissão Mista.

Independência do Brasil
A notícia da independência do Brasil foi recebida ao raiar do ano de 1823. Um governo provisório único substituiu as duas juntas e foi instalado em Cuiabá, o que transformou Vila Bela em "capital destronada".

As lutas entre as tendências conservadora e liberal refletiram-se na província durante o primeiro reinado e a regência. Foi montada em Cuiabá a tipografia na qual seria impresso o primeiro jornal da província, A Tifis Matogrossense, cujo primeiro número circulou em 14 de agosto de 1839. A situação econômico-financeira da província se agravou, com um déficit orçamentário crescente.

Guerra do Paraguai
Os governos se sucederam sem acontecimentos de maior relevo até a guerra do Paraguai. Uma guarda defensiva montada em 1850 no morro do Pão de Açúcar pelo governador João José da Costa Pimentel irritou o governo paraguaio. Pimentel então recuou ante gestões diplomáticas realizadas em Assunção. Foi substituído pelo capitão-de-fragata Augusto João Manuel Leverger, barão de Melgaço, cujo primeiro governo durou de 1851 a 1857.

Leverger recebeu ordem de concentrar toda a força militar da província no baixo Paraguai, para esperar os navios que deveriam subir o rio com ou sem licença de Solano López. Mudou-se então para o forte de Coimbra, onde permaneceu cerca de dois anos.

O coronel Frederico Carneiro de Campos, nomeado presidente provincial em 1864, subia o rio Paraguai para assumir o posto quando seu navio — o Marquês de Olinda — foi atacado e aprisionado por uma belonave paraguaia. Logo que o Paraguai rompeu as hostilidades, revelou-se a fraqueza do sistema defensivo brasileiro no Mato Grosso, prevista por Leverger. Caiu logo Coimbra, após dois dias de resistência. Em seguida, foi a vez de Corumbá e da colônia de Dourados. A guerra seguiu seu curso, marcada por episódios como a retirada de Laguna, a retomada e subsequente abandono de Corumbá. Dessa cidade, as tropas brasileiras trouxeram para Cuiabá uma epidemia de varíola que teve efeitos devastadores. Para o povo, 1867 seria o "ano das bexigas", mais que da retomada de Corumbá.

Os últimos anos do império registraram um lento desenvolvimento da província, governada de outubro de 1884 a novembro de 1885 pelo general Floriano Peixoto. Em 9 de agosto de 1889, assumiu a presidência o coronel Ernesto Augusto da Cunha Matos, sob cujo governo se realizou a eleição de que saíram vitoriosos os liberais — triunfo celebrado em Cuiabá com um pomposo baile em 7 de dezembro, pouco antes de chegar à cidade a notícia da queda da monarquia.

República
As aspirações republicanas e federalistas no Mato Grosso tinham tido expressão confusa em várias revoltas, mas no remanso do segundo reinado as agitações se aplacaram. As campanhas pela abolição e pela república tiveram ali repercussão modesta. Ao iniciar-se o período republicano, o Mato Grosso tinha uma população calculada em oitenta mil habitantes. A província ficava segregada: sem estradas de ferro, eram necessários cerca de trinta dias de viagem, passando por três países estrangeiros, para atingi-la, a partir do Rio de Janeiro, por via fluvial.

Em 7 de maio de 1892, Generoso Ponce, a frente de quatro mil homens, iniciou o cerco às forças adversárias na capital e dominou-as em menos de uma semana. Em 22 de junho caiu Corumbá. Vitorioso o Partido Republicano, Manuel Murtinho retornou ao poder.

Surgiu mais tarde, entretanto, uma desavença entre os dois líderes, Ponce e Murtinho. O rompimento consumou-se em dezembro de 1898, com uma declaração pública de Manuel Murtinho, apoiado por seu irmão Joaquim Murtinho, ministro da Fazenda do presidente Campos Sales. Seus partidários conquistaram o poder, num ambiente de grande violência. Mais tarde, contudo, Ponce e Murtinho reconciliaram-se e formaram novo agrupamento político. A vitória dessa corrente política se deu com o movimento armado de 1906, que culminou na morte do presidente Antônio (Totó) Pais de Barros. Seguiu-se um período de interinidade na presidência. Generoso Ponce foi afinal eleito em 1907. A economia do estado melhorou com a abertura de vias férreas a partir do leste (Jupiá, Três Lagoas e Água Clara) e do oeste (Porto Esperança, Miranda e Aquidauana), para se encontrarem em Campo Grande. A ligação ferroviária com São Paulo foi fator de progresso para o Mato Grosso, por intensificar o comércio e valorizar as terras da região.

Questão do mate
Com o novo presidente, Joaquim Augusto da Costa Marques, que assumiu em 1911, avultaram as pressões da companhia Mate Laranjeira no sentido de renovar o arrendamento dos seus extensos ervais no sul do estado. A pretensão suscitou nova divergência entre Murtinho e Ponce: o primeiro defendia a prorrogação do contrato até 1930, com opção para a compra de um a dois milhões de hectares, enquanto Ponce queria a divisão da área em lotes de 450 hectares, que seriam oferecidos a arrendamento em hasta pública.

Morto Ponce, a empresa ganhou novo trunfo com o apoio do senador situacionista Antônio Azeredo. Mas o antigo presidente do estado, Pedro Celestino Correia da Costa, tomou posição contrária. Os deputados estaduais hostis à prorrogação do contrato fizeram obstrução e impediram que ela fosse aprovada. Finalmente, a Mate Laranjeira foi frustrada em suas pretensões, com a aprovação da lei nº 725, de 24 de agosto de 1915.

O general Caetano Manuel de Faria Albuquerque assumiu o governo em 15 de agosto de 1915. Seus próprios correligionários conservadores tentaram forçá-lo à renúncia, e ele, tendo a seu lado Pedro Celestino, aceitou o apoio da oposição, num movimento que se chamou "caetanada". Contra seu governo organizou-se a rebelião armada, com ajuda da Mate Laranjeira e seus aliados políticos. Na assembleia foi proposto e aprovado o impedimento do general Caetano de Albuquerque. Consultado, o Supremo Tribunal Federal não tomou posição definitiva, e o presidente Venceslau Brás acabou por decretar a intervenção no estado em 10 de janeiro de 1917. Em outubro, no Rio de Janeiro, os chefes dos dois partidos locais concluíram acordo, mediante o qual indicava o bispo D. Francisco de Aquino Correia para presidente, em caráter suprapartidário. O prelado assumiu em 22 de janeiro de 1918, e fez uma administração conciliadora, assinalada por uma série de iniciativas.

Depois de 1930
Até a revolução de 1930, a administração estadual lutou com graves problemas financeiros. No período pós-revolucionário, sucederam-se os interventores. Em 1932, o general Bertoldo Klinger, comandante militar do Mato Grosso, deu apoio armado ao movimento constitucionalista de São Paulo. Em 7 de outubro de 1935, a Assembleia Constituinte elegeu governador Mário Correia da Costa. Incidentes ocorridos em dezembro de 1936, quando foram feridos a bala os senadores Vespasiano Martins e João Vilas Boas, deram causa à renúncia do governador e a nova intervenção federal.

Separação
A velha ideia da separação só veio a triunfar em 1977, por meio de uma lei complementar que desmembrou 357.471,5km2 do estado para criar o Mato Grosso do Sul. A iniciativa foi do governo federal, que alegava em primeiro lugar a impossibilidade de um único governo estadual administrar área tão grande e, em segundo, as nítidas diferenças naturais entre o norte e o sul do estado. A lei entrou em vigor em 1º de janeiro de 1979.

As políticas econômicas de apoio preferencial à exportação e à ocupação e desenvolvimento da Amazônia e do Centro-Oeste, implantadas a partir da década de 1970, levaram a novo surtos de progresso no Mato Grosso. A construção de Brasília contribuiu para acabar com a antiga estagnação. Uma vez inaugurada a nova capital, o Mato Grosso continuou a atrair mão-de-obra agrícola de outros estados, pois oferecia as melhores áreas de colonização do país. Graves problemas persistiam, porém, na década de 1980. O sistema de transporte, embora tenha ganhado a rodovia Cuiabá-Porto Velho em setembro de 1984, ainda não bastava para escoar a produção estadual; as instalações de armazenamento deixavam a desejar; a disponibilidade de energia elétrica (120.000 kW em 1983) era insuficiente; eram precários o saneamento e os serviços de saúde e educação.

Também o problema ecológico apresentava-se gravíssimo: inúmeras espécies dessa região já foram extintas e outras estavam em processo de extinção, como os jacarés, caçados à razão de dezenas de milhares por mês. Para coibir esses abusos, o governo federal lançou a Operação Pantanal e criou o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense.

Subdivisões
• Microrregião de Alta Floresta
• Microrregião do Alto Araguaia
• Microrregião do Alto Guaporé
• Microrregião do Alto Pantanal
• Microrregião do Alto Paraguai
• Microrregião do Alto Teles Pires
• Microrregião de Arinos
• Microrregião de Aripuanã
• Microrregião de Canarana
• Microrregião de Colíder
• Microrregião de Cuiabá
• Microrregião de Jauru
• Microrregião do Médio Araguaia
• Microrregião do Norte Araguaia
• Microrregião de Paranatinga
• Microrregião de Parecis
• Microrregião de Primavera do Leste
• Microrregião de Rondonópolis
• Microrregião de Rosário Oeste
• Microrregião de Sinop
• Microrregião de Tangará da Serra
• Microrregião de Tesouro

Geografia
O Mato Grosso ocupa uma área de 903.357 km² do território brasileiro e localiza-se a oeste do Meridiano de Greenwich e a sul da Linha do Equador, tendo fuso horário -4 horas em relação a hora mundial GMT. No Brasil, o estado faz parte da região Centro-Oeste, fazendo fronteiras com os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Amazonas, Rondônia,Tocantins, além de um país, a Bolívia. A capital (Cuiabá) está localizada a 15º35'55.36" lat. e 56º05'47.25" long., sendo conhecida, por isso mesmo, como coração da América do Sul.

Clima
O estado apresenta sensível variedade de climas. Prevalece o tropical superúmido de monção, com elevada temperatura média anual, superior a 26º C e alta pluviosidade (2.000mm anuais); e o tropical, com chuvas de verão e inverno seco, caracterizado por médias de 23°C no planalto. A pluviosidade é alta também nesse clima: excede a média anual de 1.500mm.

Vegetação
O estado do Mato Grosso é revestido por uma vegetação em que predominam as florestas, como prosseguimento da mata amazônica. Na área do Pantanal Mato-Grossense que permaneceu nos limites do estado ocorre um revestimento vegetal composto de cerrados e campos. A zona de florestas compreende 47% da área do estado, os cerrados 39% e os campos 14%.

Hidrografia
A drenagem da região se faz por meio de dois sistemas, os dos rios Amazonas e Paraguai. Ao primeiro pertencem o Juruena e o Teles Pires (formadores do Tapajós), além do Xingu e do Araguaia, este na fronteira com Goiás. O principal afluente do rio Paraguai no estado é o rio Cuiabá.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Informática | História e Teoria Matemática da Computação

Informática | História e Teoria Matemática da Computação

Informática | História e Teoria Matemática da Computação

Informática é a ciência e a tecnologia que se ocupa do armazenamento e tratamento da informação, mediante a utilização de equipamentos e procedimentos da área de processamento de dados. Em poucos anos, nas últimas décadas do século XX, a informática revolucionou a atividade humana em todos os níveis. Com o acelerado progresso obtido tanto no campo da tecnologia dos computadores, quanto no da programação, a informática deixou de ser uma área reservada a especialistas e se insinuou cada vez mais na vida cotidiana, o que permite, entre outras vantagens, o acesso das pessoas a um volume cada vez maior de informação.

História da Informática
Ao longo dos séculos, foram feitas muitas tentativas de fabricar máquinas capazes de realizar automaticamente cálculos aritméticos e outras operações inteligentes. Exemplos disso são a machina arithmetica, construída pelo filósofo e matemático francês Blaise Pascal entre 1642 e 1644; a máquina de calcular inventada nessa mesma época pelo também filósofo e matemático Gottfried Wilhelm Leibniz; e o "enxadrista" que o espanhol Leonardo Torres Quevedo construiu no início do século XX.

Entre as máquinas que antecederam os modernos computadores ou processadores eletrônicos estão, principalmente, a máquina analítica projetada na primeira metade do século XIX pelo matemático e inventor britânico Charles Babbage, que foi o primeiro computador mecânico, e a máquina tabuladora do americano Herman Hollerith, que trabalhava no departamento de censo dos Estados Unidos e idealizou um sistema de tratamento de informações com o qual, mediante o uso de cartões perfurados, conseguiu aumentar de dois para duzentos o número de dados processados por minuto. Esses cartões, que receberam o nome do inventor, foram utilizados pelos computadores até 1970 como sistema de entrada e saída de dados. Da companhia fundada por Hollerith, a Tabulating Machine Company, surgiu mais tarde a International Business Machines Corporation (IBM).

Três décadas antes de Hollerith concretizar seu projeto, foi publicada a obra do matemático britânico George Boole, An Investigation into the Laws of Thought (1854; Investigação das leis do pensamento). Boole considerava que os processos mentais do ser humano eram resultado de uma associação sucessiva de elementos simples que se podiam expressar sobre uma base de duas únicas alternativas: sim ou não. Foi essa a origem do método matemático de análise formal conhecido como álgebra de Boole. Considerado na época uma simples curiosidade, o método viria a constituir o fundamento teórico da informática moderna.

Só depois da segunda guerra mundial, entretanto, foram construídos os primeiros computadores eletrônicos propriamente ditos, capazes de realizar grande número de operações em alta velocidade. Essas máquinas só podiam ser operadas por especialistas, que delas obtinham um rendimento muito inferior ao que oferecem, por exemplo, as mais simples calculadoras pessoais de hoje. Consumiam, além disso, muita energia elétrica e apresentavam todo tipo de dificuldades técnicas para a instalação. Como funcionavam com válvulas eletrônicas, tinham de ser refrigeradas mediante sistemas de ar condicionado. Esse era o caso do ENIAC (sigla de electric numerical integrator and calculator), primeiro computador digital eletrônico de grande porte. Criado por John Presper Eckert e John William Mauchly, em 1946, para solucionar problemas militares, o ENIAC funcionava com 18.000 válvulas.

Em pouco tempo, os transistores substituíram as válvulas eletrônicas, o que aumentou notavelmente a rapidez dos computadores. A microeletrônica permitiu depois que se incorporassem numa pequena pastilha, que recebeu o nome de circuito integrado, ou chip, todos os elementos da unidade central de processamento, ou processador, de um computador. Os microcomputadores, baseados em microprocessadores de um único chip, são cada vez mais potentes e acessíveis, e seu emprego estende-se às mais diversas aplicações.

Na evolução dos equipamentos de informática tornou-se habitual referir-se às etapas de desenvolvimento como "gerações", embora nem sempre haja acordo quanto a seu número ou quanto aos critérios utilizados em sua diferenciação. De modo geral, admite-se a existência de cinco gerações. A primeira, que foi empregada de 1945 ao fim da década de 1950, caracterizou-se pelo uso de válvulas eletrônicas. A invenção do transistor e sua incorporação aos computadores marcam o início da segunda geração da informática, que por sua vez abriu caminho, em meados da década de 1960, à terceira geração, caracterizada pela incorporação dos circuitos impressos. Com o desenvolvimento dos circuitos integrados miniaturizados (microprocessadores), no fim dessa mesma década, apareceram no mercado os computadores chamados de quarta geração. Finalmente, os computadores de quinta geração, em cujo desenvolvimento -- tanto no terreno tecnológico quanto no teórico (inteligência artificial) -- trabalhava-se intensamente desde inícios da década de 1980, seriam capazes de realizar atividades intelectuais similares às do ser humano, ou seja, de certo modo reproduzem processos tidos como próprios do raciocínio.

Teoria matemática da computação
O grande volume de operações efetuadas pelos computadores e a velocidade de solução dos problemas propostos exigem dessas máquinas uma estrutura material complexa, mas os princípios matemáticos que regem essas operações são simples e se fundamentam no sistema de numeração binário.

Sistema decimal e sistema binário
Existem tantos sistemas de numeração quanto números de um único algarismo. Assim, pode-se falar de sistemas binário, terciário, decimal etc. O mais utilizado é o sistema decimal, no qual se utilizam dez algarismos para representar todos os números, que podem também ser expressos em potências de dez.

Por exemplo, vejamos o número 37. No sistema decimal a primeira casa, da direita para a esquerda, é a das unidades; a segunda, a das dezenas; a terceira, das centenas; a quarta, dos milhares, e assim por diante. O 7, em 37, representa sete unidades ou sete "uns". O 3, na coluna seguinte da esquerda, representa três vezes dez, ou trinta. Assim:

         10.000   1.000    100   10   1
         ______________________________
            0       0        0    3   7
O sistema binário, que usa somente o 1 e o 0, baseia-se em método idêntico, exceto que cada casa equivale a somente duas vezes o valor de "um" a sua direita. Para escrever 37 no sistema binário, coloca-se 1 nas colunas que somam 37 e 0 nas restantes. A resposta é 100101 (pois 32 + 4 + 1 = 37). Assim:

           32    16    8    4    2    1
           ____________________________
            1     0    0    1    0    1
O sistema binário, que foi empregado na antiguidade pelos chineses, constitui na atualidade o sistema básico das diferentes linguagens da informática. Nele, todos os números podem ser expressos como potências de dois por combinações dos algarismos 0 e 1 apenas. Os componentes de um computador, usados para armazenamento e processamento, trabalham com um princípio bastante simples. Eles só têm dois estados possíveis, tal como uma lâmpada comum -- acesa e apagada. Nos computadores, "acesa" representa 1 e "apagada", 0. Diversas combinações de "uns" e "zeros" podem representar números ou letras. As equivalências entre números decimais e binários são:

1     1        5    101         9   1001
2    10        6    110        10   1010
3    11        7    111        11   1011
4   100        8   1000        12   1100
Para o número decimal 93.645, por exemplo, tem-se:

          9       3       6       4       5
        1001    0011    0110    0100    0101
De forma análoga, o número decimal 251 pode ser representado como potências de dez:
2 x 102 + 5 x 101 + 1 x 10

ou como potências de dois, na forma binária:

1 x 27 + 1 x 26 + 1 x 25 + 1 x 24 + 1 x 23 + 0 x 22 + 1 x 21 + 1 x 2 (ou 11111011).

Operações no sistema binário. Como se pode observar, à facilidade de representar todos os números com apenas dois algarismos se opõe a dificuldade de trabalhar com números de muitos dígitos. Por essa característica, o sistema binário de numeração é adequado ao computador, que efetua cálculos a grande velocidade. A simplicidade das operações aritméticas binárias também recomenda a utilização desse sistema, no qual a soma e a multiplicação se resumem nas seguintes fórmulas:
soma                     multiplicação
0 + 0 =  0                 0 x 0 = 0
0 + 1 =  1                 0 x 1 = 0
1 + 0 =  1                 1 x 0 = 0
1 + 1 = 10                 1 x 1 = 1
Assim, para realizar todas as operações de soma e multiplicação, basta utilizar oito relações básicas, que seriam muito mais numerosas no sistema decimal.

Hardware
Todo sistema de informática consta de duas partes fundamentais e complementares. De um lado, o equipamento físico do sistema, chamado hardware; de outro, o software, ou suporte lógico, denominação que compreende, em sentido amplo, todos os programas (séries de instruções lógicas) que dirigem o funcionamento do computador. Existem também circuitos impressos capazes de conter, de forma permanente, programas e dados. Essa parte do sistema de informática é chamada firmware. Sua principal utilidade é proteger o sistema de cópias e falsificações que possam prejudicar comercialmente a firma que o desenvolveu.

Tipos de computadores
Os modernos computadores dividem-se em dois grandes grupos -- os analógicos e os digitais. Os analógicos operam com grandezas físicas (por exemplo, variações de voltagem) e os digitais fazem-no com valores numéricos.

De emprego muito mais restrito, os computadores analógicos são usados em cálculos nos quais as informações que entram na máquina variam com o tempo, pois uma de suas características essenciais é a facilidade de substituir parte de sua estrutura por um sistema físico real. Com isso, apresentam facilidade de trabalho em tempo real, interagindo perfeitamente com o ambiente, pelo que são amplamente utilizados na aerodinâmica e pilotagem automática de aviões. Os computadores digitais operam com números expressos diretamente como dígitos e executa basicamente cálculos aritméticos e toma decisões lógicas.

Visando a aplicações científicas, existem computadores que combinam as melhores ou mais convenientes qualidades dos computadores analógicos e digitais. As razões para o uso de um sistema híbrido são: combinar a velocidade do computador analógico com a precisão do digital; permitir fácil integração do computador com o ambiente; aumentar a flexibilidade da simulação analógica com o uso da memória e do sistema operacional do computador digital;; aumentar a velocidade da computação digital com o uso de sub-rotinas analógicas; e permitir a entrada de dados tanto em forma contínua como discreta.

Os computadores compõem-se de três elementos principais: a unidade central de processamento (UCP, em inglês CPU), capaz de realizar operações aritméticas e lógicas; a memória, que armazena a sequência de operações a realizar, os dados, os resultados intermediários e os finais; e os dispositivos de entrada e saída, ou periféricos, que permitem a introdução de programas e dados (input) e a saída de resultados (output).

A unidade básica de informação é o bit (do inglês binary digit), que só pode adotar um entre dois valores: 0 ou 1. No entanto, por meio de codificação e decodificação da informação, também se podem processar os números decimais, os caracteres gráficos habitualmente utilizados na escrita, além de símbolos e sinais procedentes de diversos sensores e dispositivos periféricos.

Denomina-se palavra uma sequência de bits que contenha uma unidade de informação capaz de ser processada de uma só vez. A palavra é geralmente formada por 8, 16, 32 ou 64 bits. Quanto maior esse número, maior também a potência (velocidade de processamento) de um computador. A palavra pode conter dados independentes entre si. O computador interpreta esse conjunto de bits de acordo com uma codificação previamente estabelecida que pode, assim, ter um significado muito diferente de seu equivalente numérico.

O sistema de codificação é um dos aspectos mais importantes para o processamento da informação. Grande parte desse processamento está centrada na transmissão de informações dentro do sistema: entre diferentes posições da memória, entre o computador e outros dispositivos periféricos a ele conectados, e também entre diferentes computadores. A transmissão de informação deve realizar-se de acordo com convenções estabelecidas, que são chamadas protocolos de comunicação. Com esses recursos é possível não só a transmissão e o intercâmbio da informação, mas também a correção de erros que, embora improváveis, podem ocorrer.

Unidade central de processamento
A CPU lê a informação contida na memória e realiza as operações solicitadas, ativando e desativando os dispositivos de entrada e saída necessários (monitor, impressora, teclado etc.). Compõe-se de uma série de circuitos eletrônicos que incluem diversos elementos, dos quais o principal é o processador. A maioria dos computadores médios e pequenos têm o microprocessador num só chip, o que simplifica seu projeto e fabricação e aumenta seu rendimento.

Muitas das características mais importantes de um computador, como o número de bits que pode processar de uma só vez, a frequência dos impulsos do relógio, que determina sua rapidez e a quantidade de memória que pode utilizar ou controlar diretamente, são determinadas pelo tipo de processador com que é equipado. Em muitos casos, ao supervisionar todo o trabalho do computador, o processador central pode ficar saturado. Por isso, instalam-se processadores auxiliares especializados em certas atividades, como cálculos matemáticos, gerência da memória ou controle de dispositivos de entrada e saída.

Memória
A memória central de um computador é constituída de chips que se comunicam com a CPU pelo condutor (ou bus) de dados, que é um conjunto de tantos cabos elétricos quantos sejam os bits que formam a palavra no sistema de processamento da CPU. Os chips de memória central podem ser, basicamente, de quatro tipos: RAM, ROM, PROM e EPROM. A RAM (iniciais da expressão em inglês random-access memory, memória de acesso aleatório) é uma memória de acesso direto na qual se podem escrever e apagar dados a qualquer momento. A informação que contém desaparece quando se desliga o computador, mas, devido a sua velocidade e versatilidade, é a que a CPU utiliza mais intensamente. A memória ROM (do inglês read-only memory, memória somente de leitura) permite apenas a leitura dos dados que contém, em geral gravados pelo fabricante e de conteúdo inalterável. Utiliza-se sobretudo para o armazenamento de programas de partida, indicação do número de série do aparelho etc.

As memórias PROM (programmable read-only memory, memória programável somente de leitura) e EPROM (erasable programmable read-only memory, memória apagável e reprogramável somente de leitura) constituem casos particulares da anterior. O usuário pode gravar uma única vez na PROM e várias vezes na EPROM, após apagar seu conteúdo pelo emprego de radiação ultravioleta. O usuário comum não manipula, em geral, esse tipo de dispositivos, que servem para aplicações técnicas muito especializadas.

Dispositivos de entrada e saída
A principal utilidade dos dispositivos de entrada e saída, ou periféricos, é tornar possível a comunicação do computador com o exterior. Sem tais dispositivos o usuário não poderia introduzir dados e instruções no equipamento, nem receber sua resposta. Os dispositivos mais comumente empregados pelo usuário são o teclado, a tela ou monitor, os dispositivos de memória externa (discos e fitas), os mouses, scanners e canetas ópticas e as impressoras e plotters (traçadores de gráficos e quadros).

Dispositivos de memória externa
A memória externa, ou auxiliar, permite o armazenamento de grandes quantidades de informação. Tem a vantagem, em relação à memória RAM, de manter o conteúdo gravado, mesmo ao desligar-se o computador. É também intercambiável entre equipamentos similares ou compatíveis, ou seja, aqueles que são construídos segundo especificações técnicas comuns de comunicação e funcionamento. A memória externa consiste em geral de discos ou fitas magnéticas. Os discos flexíveis, também chamados floppy disks, ou disquetes, são constituídos de uma base circular de material plástico recoberto por uma película de óxido magnético. Para sua proteção, é introduzida num envoltório especial de papelão ou de plástico. São de baixo custo, mas sua capacidade de armazenamento e velocidade de acesso são reduzidas. A maioria dos equipamentos de informática possuem drives (dispositivos de acionamento) para esses disquetes: os microcomputadores pessoais mais antigos, como sistema principal; e os mais modernos, além dos de médio e grande porte, como sistema auxiliar.

Os discos rígidos têm grande capacidade de armazenamento
Neles a superfície magnética não é intercambiável e permanece ligada à cabeça de leitura e ao motor que os faz girar. São construídos segundo várias tecnologias, entre as quais se destaca a dos discos rígidos, em que as cabeças de leitura nunca tocam a superfície magnética, aumentando a rapidez de acesso e a vida útil. Há também discos rígidos intercambiáveis, que costumam apresentar problemas de ajuste, o que diminui sua confiabilidade e capacidade de armazenamento. Tanto os discos flexíveis quanto os rígidos permitem o acesso direto a uma determinada posição mediante um sistema de índices internos. Isso acelera o processo de busca e gravação de dados.

As fitas magnéticas, que surgiram antes, têm velocidade de acesso inferior à dos discos, uma vez que, por sua própria configuração, a busca e a gravação de dados se realizam de modo sequencial. Atualmente são usadas principalmente como suporte de cópias de segurança (back-up) de material armazenado em discos. Além dos discos e das fitas magnéticas, os sistemas recorrem a suportes ópticos como o disco compacto (compact disc), que permite o armazenamento de quantidades imensas de informação e sua leitura a velocidades muito altas. Juntamente com a central e a externa existem outros tipos de memória (Ramdisk, Buffer, Cache etc.), que servem para evitar o repetido acesso àquelas, favorecendo com isso uma maior rapidez de operação do computador.

A unidade que serve de medida da capacidade de memória de um dispositivo de informática é o byte, formado na maioria dos casos por oito bits. A combinação destes - formando os números binários que se podem obter com oito bits - permite a criação de códigos com um máximo de 256 caracteres. O mais difundido desses códigos é o ASCII (American Standard Code for Information Interchange, código-padrão americano para o intercâmbio de informação).

Telas
O periférico de saída de computador mais comum é a tela, seja de televisão ou de um monitor de vídeo. Os diferentes modelos de tela podem ser monocromáticos ou em cores, e sua capacidade de representação de caracteres é muito variável. Existe ainda a chamada touch-screen, na qual um toque na tela exerce o mesmo efeito que o uso do teclado ou mouse.

Impressoras
Os dispositivos básicos de saída são as impressoras e os traçadores de gráficos (plotters), que permitem representar sobre papel os resultados das operações realizadas pelo computador. As impressoras mais comuns são as matriciais, as de margarida e as a laser. As matriciais dispõem de um cabeçote com certo número de pequenos pinos. A configuração dos pinos que a cada impulso batem na fita de impressão, e esta no papel, determina a forma do caráter impresso. Essas impressoras podem imprimir algumas centenas de caracteres por segundo, de acordo com o modelo. As impressoras de margarida usam um dispositivo que lembra essa flor, em que cada "pétala" é uma haste que tem na extremidade externa, em relevo, um caráter, como nos tipos de máquina de escrever. São relativamente lentas, mas sua impressão é de grande qualidade. As impressoras a laser são impressoras matriciais de grande densidade de pontos, em que os pinos foram substituídos por raios laser. Elas conjugam a qualidade com a rapidez na impressão.

Outros dispositivos de entrada e saída
Existem muitos outros periféricos que podem ser conectados ao computador. O meio pelo qual se realiza essa conexão chama-se interface, e seu funcionamento é regulado por um protocolo de comunicação que deve ser o mesmo para o computador e o periférico. Um exemplo típico é o modem, abreviatura de modulador-demodulador, com o qual um pequeno computador doméstico pode comunicar-se com outros, inclusive muito maiores e mais complexos, por linha telefônica. Segundo o mesmo princípio de interconexão podem-se formar redes locais, que são conjuntos de computadores capazes de intercambiar dados e de compartilhar periféricos.

O computador é o mecanismo de controle ideal para muitos processos automatizados. A maior parte dos instrumentos de medida, como termômetros, dinamômetros, voltímetros e muitos outros podem ser conectados a computadores, que registram e analisam suas medidas.

Software
Seja qual for a complexidade de seu hardware, um sistema de informática necessita de outro componente, o software, ou suporte lógico, sem o qual o computador seria incapaz de realizar tarefa alguma, por mais simples que fosse. O software compreende basicamente os sistemas operacionais, as linguagens de programação e os programas propriamente ditos.

Sistema operacional
O sistema operacional é o gerenciador e organizador de todas as atividades realizadas pelo computador. Estabelece as regras pelas quais se trocam informações entre a memória central e a externa, e determina as operações elementares que o processador pode realizar. O sistema operacional deve ser carregado na memória central antes de qualquer outra informação, o que reduz a memória disponível para o usuário em grau que varia segundo a complexidade do sistema e as opções que ofereça. Para evitar que a memória central disponível nos computadores pessoais seja insuficiente para carregar o sistema operacional, foram desenvolvidos os chamados sistemas operacionais de disco (disk-operating systems ou DOS), em que se armazenam em discos, em forma de programas, certas funções que, em computadores mais avançados, estão disponíveis diretamente na memória central. O sistema operacional organiza também as comunicações do computador com o exterior, controlando os periféricos e as prioridades de diferentes tarefas e usuários que o sistema deve atender simultaneamente.

Linguagens de programação
Os programas indicam ao computador a tarefa a realizar e como efetuá-la, mas para isso é preciso codificar essas ordens numa linguagem que o sistema possa entender. Em princípio, o computador só entende instruções expressas num código específico chamado código de máquina. A partir desse código elaboram-se as chamadas linguagens de alto e de baixo nível.

As linguagens de baixo nível utilizam códigos muito parecidos com os de máquina, o que possibilita a elaboração de programas muito potentes e rápidos. São, no entanto, difíceis de aprender. As linguagens de alto nível são, ao contrário, muito mais fáceis de usar, pois nelas um só comando ou instrução pode equivaler a milhares em código de máquina. O programador escreve seu programa numa dessas linguagens, sob a forma de sequências de instruções. Antes de executar o programa, o computador o traduz para o código de máquina de uma só vez (linguagens compiladoras) ou interpreta instrução por instrução (linguagens intérpretes).

Entre as linguagens em uso, podem ser citadas as seguintes:
(1) Fortran (Formula translation system). Criado em meados da década de 1950, o Fortran ainda era, na década de 1990, a linguagem mais usada para aplicações técnico-científicas.

(2) Cobol (Common business-oriented language). Criado em 1959, a Cobol é a linguagem mais usada no comércio e na indústria.

(3) basic (Beginner's all-purpose symbolic instructions Code). Criado em 1963 para usuários que não fossem programadores profissionais, a linguagem Basic é de aprendizado simples e de uso barato. Por isso logo conquistou grande aceitação, principalmente depois que os microcomputadores entraram no mercado e que se superaram certas dificuldades que limitavam a velocidade do processamento com ela.

Programas
Denomina-se programa o conjunto de instruções transmitidas a um computador - mediante uma linguagem qualquer de programação - para a execução de uma tarefa específica. Diz-se, assim, que um programa é de contabilidade, ou de administração etc. É dispensável que o usuário conheça uma linguagem e que elabore seus próprios programas, já que a cada dia aparecem no mercado mais programas, destinados a diferentes finalidades, para cuja utilização bastam algumas noções mínimas de informática. Entre os de uso mais generalizado estão os processadores de texto, as planilhas de cálculo, os bancos de dados, os programas gráficos, de editoração eletrônica etc.

Informática nas sociedades modernas
As aplicações da informática transformaram profundamente e continuam transformando quase todas as atividades humanas. Assim, além de sua importância fundamental para o cálculo e para as tarefas administrativas, primeiras finalidades para que foi orientada, a informática converteu-se numa excepcional ferramenta de trabalho em terrenos tão diversos quanto as comunicações, o ensino, a medicina e a saúde, o desenho industrial, a automação, a editoração e as artes gráficas.

Seus contínuos progressos, bem como o constante barateamento dos equipamentos de informática, abriram caminho para a chamada informática doméstica. Com o uso dos computadores pessoais, a informática deixou de ser um terreno reservado aos especialistas e profissionais, e se faz cada vez mais presente na vida cotidiana, o que, entre outras vantagens, abre acesso a quantidades cada vez maiores de informação.

A informatização generalizada de todas as atividades humanas trouxe à discussão, desde a década de 1970, questões referentes a dois temas importantes: a violação de privacidade e o desemprego causado pela automação dos processos industriais. Não obstante, a mesma revolução tecnológica que causou o desemprego exige paralelamente a incorporação ao mercado de trabalho de mão-de-obra cada vez mais especializada. A criação de grandes bancos de dados, públicos ou privados, onde podem ser armazenadas informações sobre os cidadãos de um país, levou vários governos a regulamentar o acesso a esse tipo de informação, para proteger o direito das pessoas à privacidade.

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Asteroides | Características dos Asteroides

Asteroides | Características dos Asteroides

Asteroides | Características dos Asteroides

Os asteroides são rochas remanescentes da formação dos planetas. Esse processo teria deixado fragmentos por todo o espaço interplanetário, pois eles são encontrados a até 1 ano-luz do Sol, ou seja, a 9,5 trilhões de km desta estrela, uma distância que supera mais de mil vezes a de Plutão. Até  novebro de 2011, 106.165 asteroides haviam tido suas órbitas calculadas e 12.282 nomeados oficialmente. Estima-se, no entanto, que existam alguns milhões de asteroides no sistema solar.

A tendência atual é reconhecer quatro importantes concentrações de asteroides. A maior delas, chamada de Grande Cinturão, reúne os asteroides que giram em torno do Sol entre as órbitas de Marte e Júpiter. Neste agrupamento fica Ceres, o maior dos asteroides rochosos conhecidos, com mil quilômetros de diâmetro, e milhões de corpos menores, a maioria com apenas alguns centímetros.

O segundo grupo situa-se mais próximo do Sol e do nosso planeta: são os NEOs, sigla em inglês para Near Earth Object , ou objetos próximos da Terra, identificados principalmente a partir de 1999 e monitorados para evitar colisões. Astrônomos ingleses explicaram, na época, que essas rochas cósmicas podem ter sido arrancadas aos milhares do Grande Cinturão, num passado remoto, passando, em seguida, a gravitar perto da Terra. Em 2001, o número desses asteroides, cuja órbita se conhece com precisão, chegava a 300. Em 2004, um desses asteroides, chamado Toutatis, de quase 5 km de comprimento, passou a pouco mais de 1,55 milhão de quilômetros da Terra, quatro vezes a distância que nos separa da Lua.

Cinturão de Kuiper
Cinturão de Kuiper – Há também uma grande concentração de corpos pequenos na região de Urano e outra, ainda maior, para além da órbita de Plutão, no chamado Cinturão de Kuiper. Calcula-se que existam 200 milhões de objetos neste cinturão, cuja existência só ficou comprovada em 1994. Naquele ano, a norte-americana Jane Luu, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, detecta 35 mil corpos com diâmetro entre 100 km e 400 km para além de 500 milhões de km da órbita de Plutão. Hoje há uma tendência a classificar esses objetos como planetas menores, uma nova categoria de astros, dos quais o maior seria o próprio Plutão. Esses últimos corpúsculos são feitos principalmente de gelo e de poeira aglomerada, ao contrário dos outros três conjuntos, nos quais predominam os corpos inteiramente rochosos.

A região de Kuiper é uma fonte permanente de surpresas. Em julho de 2001, pesquisadores do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica anunciam a descoberta de um corpúsculo ainda sem nome, designado pela sigla 2001 KX76. Com 1 270 km de diâmetro, ele é maior que Ceres (900 a 1.000 km) e Caronte, a lua única de Plutão (1 200 km de diâmetro).

Em 2004, astrônomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia e de Yale descobriram no Cinturão de Kuiper o maior objeto reconhecido no sistema solar desde Plutão. Batizado de Sedna (nome da deusa inuit, um povo indígena do Ártico), pode ser o décimo planeta do sistema solar. Baseado na medição de luz refletida pela sua superfície, captada pelos telescópios terrestres, o Sedna seria 25% menor que Plutão, ou teria por volta de 1.400 km de diâmetro – Plutão tem cerca de 2.302 km. A descoberta de um objeto desse tamanho no Cinturão de Kuiper coloca de novo em discussão a ideia de que Plutão também seria um asteroide. Por enquanto, ele permanece classificado como um planeta e Sedna está sendo classificado como asteroide.

Instrumentos de observação – Por serem muito pequenos e escuros, torna-se difícil estudar as características dos asteroides rochosos por meio de telescópios terrestres. Por isso, a concentração de rochas que flutuam nas vizinhanças da Terra só foi descoberta graças ao desenvolvimento de instrumentos de observação cada vez mais potentes na década de 1990. Seu número é estimado em várias dúzias de corpos com mais de 5 quilômetros de diâmetro, mais de 2 mil deles com cerca de 1 km de diâmetro e pelo menos 200 mil com diâmetro aproximado de 500 m. Os programas de rastreamento, que reúnem telescópios do mundo inteiro em constante prontidão, como o norte-americano Neat (sigla para Near Earth Asteroid Tracking, em inglês), localizaram menos de 20% do total dos asteroides com mais de 100 m de diâmetro.

A queda de um dos corpos grandes desse grupo na superfície da Terra poderia extinguir a espécie humana e até a vida terrestre, como se acredita ter ocorrido com os dinossauros há 65 milhões de anos. Por isso, alguns caçadores de asteroides defendem a ideia de desenvolver foguetes dotados de raios laser ou mesmo de bombas nucleares para destruir um possível invasor do espaço terrestre. Cálculos estatísticos, contudo, revelam que o risco de ocorrer um choque entre a Terra e um corpo com mais de 1 km de diâmetro é de apenas um a cada 300 mil anos.

As melhores observações de asteroides são feitas pelas sondas espaciais. Em 1991, a sonda Galileu, a caminho de Júpiter, passou perto de Gaspra e, em 1993, de Ida, descobrindo que este último arrastava consigo um satélite, batizado de Dactyl. Dois outros corpos foram fotografados pela sonda Near-Shoemaker: Mathilde, em 1997, e Eros, em 1998. No ano seguinte, a Deep Space 1 cruzou com outro asteroide, o Braille. Mas, uma falha nos instrumentos de navegação levou a nave a passar muito rápido pela rocha e não permitiu fotos nítidas. Em 2001, a Near-Shoemaker tornou-se o primeiro artefato produzido pelo homem a pousar em um asteroide, o Eros, a 315 milhões de quilômetros da Terra – distância duas vezes maior que a do nosso planeta ao Sol.

Um asteroide gigante pode ter sido a causa da extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos. Mas um outro bólido, muito mais antigo, também pode ter sido responsável pela extinção maciça de 90% das espécies marinhas e 70% das terrestres no período Permiano (250 milhões de anos) – última grande matança global antes do aparecimento dos dinossauros. O impacto do asteroide e atividades vulcânicas ocorridas sincronicamente podem ter causado as extinções, segundo os cientistas.

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Percepção e Percepção Visual

Percepção e Percepção Visual

Percepção e Percepção VisualPercepção é o termo utilizado em psicologia para designar o processo pelo qual se conhecem situações e objetos próximos no tempo e no espaço. Objetos distantes no tempo não podem ser percebidos, mas apenas evocados, imaginados ou pensados. Também não podem ser percebidos objetos distantes no espaço, quando ultrapassados os limites operacionais dos órgãos receptores ou quando obstruídos por obstáculos.

Diferentemente dos demais animais superiores, que captam e retêm as imagens da realidade a partir de sensações, o homem tem também a faculdade da percepção, ou seja, é capaz de interpretar esses dados sensoriais e integrá-los à consciência.

Para a maioria dos psicólogos, percepção é o processo cognoscitivo que permite ao observador tornar-se consciente de objetos, situações ou acontecimentos concretos e presentes. Os termos "objetos, situações ou acontecimentos" indicam que pela percepção se conhece não apenas uma qualidade do mundo circundante, como ocorre na sensação, mas uma totalidade mais complexa. O termo "presente"  distingue percepção de memória e o adjetivo "concreto" a diferencia da inteligência, que se processa no nível da abstração. Os psicólogos associacionistas consideram a percepção um simples produto de diversos elementos sensitivos vinculados a experiências anteriores. Os da escola da Gestalt (psicologia da forma) acentuam seu caráter global.

Atenção

O processo perceptivo mediante o qual o ser seleciona determinados elementos do fluxo sensorial e filtra os dados proporcionados pela sensação é um mecanismo de alerta do sistema nervoso que tem o nome de atenção. A atenção é necessária para fazer frente à limitada capacidade de absorção de informação externa. A informação de entrada de um determinado objeto ou aspecto da realidade pode organizar-se em "figuras" (Gestalten), que permitem manter numa situação de pré-consciência a parte da informação que se considera marginal. Entre os fatores objetivos que determinam a atenção figuram a posição do estímulo, sua intensidade física, seu tamanho, o fundo sobre o qual se destaca, seus movimentos, cores, luminosidade etc. Os fatores subjetivos são a novidade do estímulo, o caráter que poderá ter (desejável ou de potencial ameaça), sua incongruência etc.

Para que se tenha percepção de algum objeto, este precisa destacar-se do resto do mundo fenomênico, de forma a que sua estrutura se diferencie nitidamente dos demais objetos que o rodeiam. Estes, mais difusos, passarão a ser o "fundo" sobre o qual o objeto ("figura") se destaca. A relação figura-fundo varia segundo diferentes fatores e está sujeita a modificações que em determinadas circunstâncias podem transformar a figura em fundo e vice-versa. Às vezes será a proximidade de vários estímulos o fator decisivo para que estes se constituam em figura; em outras, será sua semelhança, intensidade, continuação etc.

Assim se explica, por exemplo, porque determinados sons de uma melodia se destacam de outros, pertencentes ao acompanhamento, embora estes, eventualmente, possam ser mais fortes ou estar mais próximos entre si. Há casos em que a passagem de figura a fundo e vice-versa ocorre pela saturação produzida no sistema nervoso por uma mesma classe de estímulos; é o que acontece quando alguém, ao fixar o olhar em determinados tipos de azulejos com desenhos simétricos, percebe maior ou menor nitidez de alguns deles, sem que tenha ocorrido qualquer modificação real no estímulo externo. Também a expectativa interna do indivíduo contribui para que ele perceba certos objetos em detrimento de outros, que se diluem no fundo.

Percepção visual
Além dos fatores gerais que determinam o que seja fundo, existem outros, específicos, para diferentes categorias de objetos e situações. Assim, para a percepção visual de profundidade, ou seja, a visão dos objetos em três dimensões no espaço, intervêm o contexto visível, a fisiologia ocular e a movimentação da cabeça. Sobre o contexto visível influem: (1) a interposição dos objetos, pela qual o que cobre parcialmente o outro surge aparentemente mais perto do observador; (2) o tamanho relativo, que faz a figura maior ser vista como mais próxima; (3) a perspectiva linear, pela qual quanto maior for a convergência linear, tanto mais distante parecerá o objeto; e (4) o jogo de luz e sombra, que também interfere na percepção da distância relativa dos objetos. Todos esses fatores são amplamente utilizados em pintura, para criar a percepção de três dimensões em figuras representadas sobre o plano, que só tem duas dimensões.

A percepção do movimento pode ser produzida não apenas pelo deslocamento real do objeto, mas também pela adição rápida e sucessiva de estímulos visuais procedentes de objetos fixos, como ocorre no cinema. Mesmo a percepção da causalidade, ou seja, a percepção do movimento de um objeto como se fosse causado por outro, depende da presença de uma série de fatores precisos. Isso pode fazer com que uma ação seja considerada efeito de uma causa, quando na realidade houve apenas uma simples sucessão de movimentos.

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Afasia De Expressão, Afasia Sensorial e Afasia Amnésica

Afasia De Expressão, Afasia Sensorial e Afasia Amnésica

Afasia De Expressão, Afasia Sensorial e Afasia AmnésicaAfasia é um distúrbio da linguagem decorrente de lesões cerebrais que afetam a capacidade de exprimir ou compreender os signos verbais. Ao contrário de deficiências como a surdez, localizadas nos órgãos periféricos de recepção e emissão da fala, ela tem origem nos centros cerebrais responsáveis pela linguagem. Do ponto de vista clínico, a afasia é uma manifestação de disfunções dos centros da fala e pode ser classificada de acordo com seus principais sinais exteriores.

O ato de falar supõe a escolha e combinação de algumas das milhares de palavras que compõem o universo vocabular do indivíduo. Uma desorganização no mecanismo cerebral que regula essa articulação pode manifestar-se clinicamente sob a forma de afasia.

Afasia de expressão
O discurso do indivíduo assemelha-se à linguagem telegráfica, com a emissão de sons que se repetem. A leitura e o canto não são afetados, mas outras funções intelectuais, como o cálculo, podem ser prejudicadas.

Afasia sensorial
A fala espontânea é formalmente correta, mas carece de sentido. O sujeito afetado não compreende as ordens recebidas nem é capaz de um discurso coerente. A perturbação se localiza no mecanismo de evocação das palavras e se verifica também na leitura.

Afasia amnésica
Decorre de um distúrbio geral da capacidade de abstração. A perturbação dominante se relaciona à evocação das palavras, que frequentemente são substituídas por expressões como '"a coisa", "o negócio" ou por gestos explicativos.
Afasia de condução. Caracteriza-se pela impossibilidade de compreender e de se fazer compreender associada ao distúrbio da repetição verbal. A dificuldade em estruturar o enunciado se manifesta também na leitura e na escrita.

Outras disciplinas além das ciências médicas tomaram a afasia por objeto de estudo. A linguística reinterpretou o fenômeno relacionando-o aos dois polos fundamentais em que se estrutura a linguagem, a emissão e a recepção, e aplicou a afásicos os métodos de análise da comunicação verbal normal. A psicologia classificou as perturbações do enunciado como decorrentes do transtorno de mecanismos internos, no caso dos psicóticos, e simples resultado de uma organização particular da linguagem, sem comprometimento do sistema de comunicação propriamente dito.

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Inteligência e Criatividade

Inteligência e Criatividade

Inteligência e CriatividadeInteligência é o conjunto de aptidões em função das quais os indivíduos aprendem mais rapidamente novas informações e se revelam mais eficientes no manejo e aproveitamento adequado de conhecimentos já armazenados por meio de aprendizados anteriores. Essa definição, bastante genérica, é a adotada pela psicologia, embora algumas correntes de pensamento prefiram conceituar a inteligência de forma diferente. Este é o caso, por exemplo, do psicólogo suíço Jean Piaget, para quem a inteligência é uma qualidade que se expressa pela maneira como o indivíduo se adapta ao meio, implicando tal adaptação processos de assimilação e acomodação. Já o psicólogo inglês Charles Edward Spearman definiu a inteligência, no começo do século XX, como a capacidade de fazer deduções a partir de relações e correlações. O psicólogo americano David Wechsler, a quem se devem duas das escalas de inteligência mais comumente usadas, definiu inteligência como a capacidade global do indivíduo para atuar de acordo com as finalidades previstas, para pensar racionalmente e atuar de maneira eficaz em relação a seu ambiente.

De todos os atributos especificamente humanos, o mais valorizado é a inteligência, pois é por meio dela que a pessoa compreende as situações e adapta-se ou reage a elas como lhe parecer mais adequado.

Níveis de abordagem
Historicamente, fixaram-se duas abordagens para o estudo da inteligência: a quantitativa, ou estatística, e a qualitativa. A primeira concentrou-se na análise das diferenças individuais e visou basicamente a medida. A segunda orientou-se no sentido de descobrir as leis gerais do comportamento inteligente. Essa última orientação, que reflete a tradição fixada mediante os estudos de lógica e epistemologia, expressa a influência das pesquisas efetuadas em nível de psicologia comparada.

Com o passar do tempo, essas orientações evoluíram por caminhos próprios e independentes, do que resultaram desvantagens consideráveis. Uma delas foi o descompasso entre o elevado número de pesquisas sobre elaboração e eficiência de testes e a reduzida atenção dada aos processos psicológicos que participam da obtenção de respostas corretas. Houve tentativas de unificação dessas duas linhas de abordagem, mas a prática mais frequente foi a análise separada dos aspectos quantitativos e qualitativos.

Na pesquisa dos aspectos qualitativos, acentuaram-se as estratégias de solução de problemas e processos de formação de conceitos. No estudo dos aspectos quantitativos, o interesse centralizou-se na detecção das aptidões efetivamente envolvidas nas estratégias de solução de impasses e na questão da medida.

Abordagem quantitativa
A introdução do conceito de inteligência em psicologia remonta ao final do século XIX, com os filósofos ingleses Herbert Spencer e Francis Galton. Para ambos, a inteligência identifica-se com uma aptidão geral superposta a aptidões específicas. Spearman partiu da constatação de que existem correlações positivas entre os diversos testes, e para explicá-las admitiu a intervenção de um fator geral comum a todos, e que atuaria ao lado de fatores específicos para cada teste. Ao estudar esse fator geral, Spearman identificou-o com uma espécie de energia geral ou mental. Podia-se comparar o funcionamento psíquico com o de máquinas, cujo acionamento correria por conta de uma fonte geradora de energia, que é o fator geral.

Medição da inteligência
A primeira grande tentativa de mensuração da inteligência foi feita pelo psicólogo francês Alfred Binet. Convidado a participar de uma comissão organizada pelo governo francês para estudar o problema da educabilidade dos débeis mentais, Binet elaborou um método que constava de uma série de perguntas bastante simples, que eram propostas às crianças. Os resultados obtidos de uma delas era comparado aos produzidos pelas outras da mesma faixa de idade. A técnica de Binet consistiu em partir da observação do que fazem os sujeitos mais bem dotados em relação à média dos indivíduos. Não partiu, portanto, de uma conceituação prévia do que pudesse ser a inteligência. Sua metodologia nunca se revelou adequada, mas salvou-se sua perspectiva operacional.

Binet partiu do princípio de que, em média, as crianças mais velhas têm a inteligência mais desenvolvida que as mais novas. Nessas condições, conservou em seus testes os itens nos quais os desempenhos melhoravam com a idade e rejeitou os outros. Ao compor o primeiro teste de inteligência, Binet estabeleceu o resultado médio para crianças de três, quatro, cinco anos etc. Sempre que uma criança de seis anos alcançava no teste um resultado que correspondia à média das crianças de cinco anos, era considerada retardada em seu desenvolvimento mental. Embora com idade cronológica de seis anos, apresentava idade mental de cinco anos.

Deve-se à contribuição de William Stern a formulação dos resultados não mais em termos de idade mental, mas em termos de quociente de inteligência (QI). A ideia consistiu em dividir a idade mental (IM) pela idade cronológica (IC) e multiplicar o resultado por 100, segundo a fórmula QI = (IM / IC) x 100.

O método de Binet revelou-se inadequado quanto às possibilidades de aplicação ao nível do adulto. Essa dificuldade foi superada pelo psicólogo americano Edward Lee Thorndike, que partiu de dois grupos claramente identificáveis como integrados por indivíduos brilhantes e por indivíduos deficientes. A escala métrica de Binet foi publicada em 1905. Mas logo sofreu revisões, quando em 1908 foi traduzida para o inglês. Em 1916 foi feita nova revisão, graças a Lewis Madison Terman, da Universidade de Stanford. A fórmula, dita de Stanford-Binet, voltou a reestruturar-se em 1937 e 1960, e desde então ficou sendo a fórmula mais usada de avaliação da inteligência individual.

Constância do QI
De maneira geral, o QI é estável e só muda muito lentamente. No adulto é bastante constante, e apresenta poucas alterações na faixa entre os 15 e os 25 anos, ou mesmo trinta anos. Daí em diante ocorre um lento declínio. Como a inteligência não é constituída apenas por uma simples aptidão, mas de várias, registra-se em algumas delas certo incremento, mesmo após os quarenta ou cinquenta anos. Nas crianças, a constância do QI depende de um meio adequadamente estimulante.

Inteligência e criatividade
Posteriormente a pesquisa orientou-se para as relações entre inteligência e criatividade. Supõe-se que, ainda quanto positivamente correlacionadas, uma distingue-se da outra, de vez que indivíduos que apresentam altos índices de capacidade criativa nem sempre se revelam altamente dotados nos testes de inteligência.

Os testes de medida para avaliação de uma ou outra apresentam grandes diferenças. Os testes de inteligência são concebidos de forma que os resultados produzidos sejam rigorosamente os programados ou previstos pelos construtores da prova. São muito rígidos e só admitem um tipo de resposta correta. Já os testes elaborados para avaliar condições de criatividade caracterizam-se pela plasticidade ou flexibilidade em relação às respostas admitidas. São, portanto, provas "abertas", que admitem mais de uma resposta correta. Diz-se por isso que enquanto a inteligência depende de processos convergentes, a criatividade subordina-se a produções divergentes.

Inteligência e hereditariedade
Uma das questões clássicas no estudo da inteligência diz respeito a ser ela hereditária ou não. Os resultados das pesquisas experimentais mostraram-se inconclusivos. Num dos experimentos mais citados, ratos machos e fêmeas mais inteligentes foram acasalados, o mesmo acontecendo com outros menos inteligentes, até a sétima geração. Comparando-se os resultados em aprendizados de labirinto, os ratos do primeiro grupo mostraram-se bastante superiores aos do segundo. Embora tal resultado pareça comprovar a hereditariedade da inteligência, nada esclarece e apenas evidencia ser a hereditariedade um fator importante mas não único.

Outro fator apontado como relevante para a inteligência é o meio, a partir de uma outra experiência com ratos. Dividida uma ninhada em dois grupos, um foi submetido a ambiente limitado e restrito e outro a ambiente rico e estimulante. Os resultados apontaram enorme vantagem para o grupo que recebeu melhor incentivo do ambiente. Entretanto, também nesse caso o resultado é unilateral, pois nada diz sobre o papel da hereditariedade, embora deixe clara a importância do meio.

Os resultados mostram-se também pouco esclarecedores com sujeitos humanos. Em experimentos com gêmeos idênticos realmente se comprova a importância dos fatores genéticos. Contudo, para que os experimentos pudessem ser efetivamente esclarecedores seria necessário que os meios atuantes fossem totalmente diversos. Em suma, ambos os fatores são importantes, e por isso o psicólogo canadense Donald Olding Hebb sugere a conveniência de distinguir entre o que chama de inteligência A e inteligência B: a primeira seria essencialmente determinada por condições genéticas; a segunda, tanto por fatores hereditários quanto ambientais.

Inteligência e raça
A questão da relação entre inteligência e raça está intimamente correlacionada com a anterior. Hebb afirma não existir base científica para se acreditar que a inteligência A esteja de alguma forma correlacionada com a cor da pele, seja ela negra, amarela ou branca. Uma vez que o teste de inteligência supõe o conhecimento prévio dos materiais do teste, ou um contato anterior com eles, fica evidente que o QI não pode servir de base para a comparação da inteligência A de pessoas de culturas diferentes. Todas as comparações somente poderão ocorrer em relação à inteligência B, que se for baixa, não expressará obrigatoriamente uma inteligência A baixa, pois dependerá substancialmente das condições do meio, isto é, das oportunidades oferecidas pelo ambiente em função do qual se desenvolve o indivíduo.

Fases de desenvolvimento
Para Piaget, pesquisador que mais contribuiu para o estudo do desenvolvimento da inteligência, a criança está sempre criando e recriando seu próprio modelo de realidade e desenvolve-se mentalmente ao integrar conceitos mais simples em conceitos de nível mais elevado. Piaget defende assim o conceito de "epistemologia genética", espécie de cronograma estabelecido pela natureza para o desenvolvimento da capacidade infantil de pensar.

Esse cronograma desenrola-se em quatro estágios: no primeiro, chamado período sensório-motor, que vai do nascimento até um ano e meio ou dois anos, a criança começa a tomar consciência de seu próprio corpo, de seus reflexos físicos inatos e da possibilidade de manipulá-los para fazer coisas interessantes ou ter prazer. Começa também a tomar consciência de si mesma como uma entidade separada e das coisas a sua volta como entidades separadas também.

O segundo estágio é o do pensamento pré-operacional e vai mais ou menos dos dois aos sete anos. A criança consegue manipular simbolicamente seu universo, por meio de representações internas, ou pensamentos, sobre o mundo exterior. Durante essa fase, ela aprende a representar os objetos por meio de palavras e a manipular mentalmente as palavras, tal como anteriormente manipulara os objetos físicos.

No terceiro estágio, chamado de operacional concreto, dos sete aos 11 ou 12 anos, a criança começa a utilizar algumas operações lógicas, como a reversibilidade, a classificação dos objetos por suas semelhanças e diferenças, e também a compreender os conceitos de número e de tempo. Introduz-se, assim, a lógica no processo de pensamento da criança.

O quarto estágio é o período das operações formais, que começa aos 12 anos e se estende pela vida adulta. Caracteriza-se pela capacidade de pensar ordenadamente e pelo domínio do pensamento lógico, o que enseja uma espécie de experimentação mental mais flexível. Nesse estágio final, a criança aprende a manipular ideias abstratas, a formular hipóteses e a entender as implicações de sua maneira de pensar e da maneira de pensar dos outros.

Desvios da normalidade
Tomando-se como referência a inteligência caracterizada como normal, registram-se desvios tanto ascendentes quanto descendentes. Estes caracterizam-se como retardamentos, e se manifestam em relação à maturação, à aprendizagem ou à adaptação social. A determinação dos retardamentos é feita por meio da aplicação dos testes de inteligência. Assim, um indivíduo com resultado equivalente a 70 ou 85 de QI é considerado ligeiramente retardado. Na faixa de cinquenta a setenta de QI, considera-se retardamento em grau moderado. Os índices graves são os abaixo de cinquenta, caso em que o indivíduo necessita de custódia. Os retardamentos podem provir de fatores anteriores, concomitantes ou posteriores ao nascimento. Um dos casos mais comuns é o do mongolismo, ou síndrome de Down, cujos portadores apresentam 47 cromossomos em suas células, ao invés do número normal de 46 cromossomos.

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