DIPLOMACIA, HISTÓRIA DA DIPLOMACIA NO BRASIL E NO MUNDO

Diplomacia, História da Diplomacia no Brasil e no MundoDiplomacia, História da Diplomacia no Brasil e no Mundo

O exercício da diplomacia era feito, já desde a antiguidade clássica, sob a forma de missões temporárias para solução de determinado problema, firmar uma aliança ou propor condições de paz. Só a partir do século XV, sobretudo na Itália, dividida em pequenos estados independentes e rivais, começou-se a adotar a prática das missões permanentes.

Em sentido amplo, diplomacia é a expressão da atividade do estado no campo das relações internacionais. Abrange não só a condução das negociações entre estados, mas ainda o direito internacional público e a política externa. Em uma acepção mais restrita, é a gestão das relações internacionais por negociação, o método pelo qual essas relações são ajustadas e geridas pelos embaixadores e enviados. No Brasil, na primeira metade do século XX, o diplomata e jurista brasileiro Hildebrando Acióli a definiu como a "arte de representar os estados, uns perante os outros, ou o conjunto de regras práticas referentes às relações pacíficas e às negociações entre os estados".

O emprego do termo "diplomacia" para designar a condução dos negócios internacionais é recente. Só a partir do Congresso de Viena, em 1815, é que o conceito ganhou forma definida, com regras e convenções próprias. Na diplomacia moderna, assumem cada vez maior importância os contatos diretos entre governos, por meio de visitas, nas quais são assinados acordos e declarações conjuntas.

Histórico

A diplomacia, no sentido de relações entre diferentes agrupamentos humanos, data, provavelmente, da pré-história. Mesmo entre os selvagens, havia a necessidade de negociar. No momento em que esses "negociadores" primitivos passaram a ser ouvidos, em vez de trucidados, estava criado o princípio da imunidade que até hoje acompanha a diplomacia.

Como ciência ou arte das negociações, a diplomacia evoluiu lentamente, partindo das margens do Mediterrâneo. Suas origens podem ser encontradas nas relações entre as cidades-estados da Grécia. Antes disso, os contatos entre os estados eram esporádicos e caóticos; não se concebia a ideia de um mundo composto de estados fortes e fracos, que vivessem em harmonia sob um sistema de normas de conduta internacional.

O mundo helênico criou processos comuns de prática diplomática, reconheceu a inviolabilidade dos embaixadores e fixou regras que proibiam a aceitação de presentes ofertados durante o curso de suas missões no estrangeiro. A partir do século VI a.C., os gregos adotaram a prática de escolher seus embaixadores entre os mais eloquentes oradores e os mais hábeis advogados. Competia-lhes pleitear suas causas ante as assembleias populares de cidades estrangeiras. Os membros dessas missões diplomáticas gozavam de certas imunidades e de alta consideração, evidenciando a existência, ainda que implícita, de regras de conduta internacional.

Os romanos adotaram a grande maioria dos métodos estabelecidos pelos gregos. A posição em que se colocavam, de superioridade sobre as demais nações, impedia, porém, um justo intercâmbio diplomático. Foi na área do direito internacional que se situou a principal contribuição de Roma para a diplomacia. A doutrina da validade dos contratos se estendia aos tratados e às imunidades concedidas ao embaixador. Passaram a compreender seus séquitos e sua correspondência, a ser garantida pelo ius gentium (direito dos povos), mesmo em tempo de guerra. Só nos últimos estágios do Império Romano, a necessidade da diplomacia e a destreza na arte de negociar se fizeram sentir. Os imperadores bizantinos, forçados a compensar pela diplomacia um poderio militar em declínio, revelaram-se mestres consumados nessa arte.

Na Idade Média, a ordem social estabelecida na Europa não se baseava no estado centralizado - ponto de partida essencial da diplomacia - mas em uma estrutura feudal hierárquica, dominada pela nobreza, em permanente agitação guerreira. Negociava-se a paz ou alianças com a mediação da igreja. Com o crescente poder do papado, surgiu uma diplomacia eclesiástica que empregava métodos políticos convencionais.

No início do Renascimento, o papa mantinha contatos por meio de representantes seus junto ao Sacro Império Romano-Germânico e às cortes dos mais importantes monarcas europeus. Entretanto, não há documentação fidedigna que permita estabelecer com segurança o caráter dessa representação. A primeira missão diplomática permanente, devidamente documentada, foi estabelecida em Gênova, em 1455, por Francesco Sforza, duque de Milão. Assim, a Itália, com seus numerosos estados independentes, deu origem a uma ativa diplomacia engajada na formação de alianças e em competições de poder.

Nos séculos XIII e XIV, Florença contava entre seus embaixadores personalidades como Dante Alighieri, Petrarca e Boccacio, e, mais tarde, Maquiavel e Francesco Guicciardini. Veneza, em contato assíduo com Bizâncio, devido à expansão de seu comércio no Levante, criou, ainda no início do século XIII, uma série de regras para nortear a conduta de seus embaixadores. Entre elas, a da devolução dos presentes recebidos e da apresentação de relatórios com os resultados da missão e todas as informações que pudessem ser úteis aos interesses da república.

A diplomacia italiana deu origem à figura do diplomata profissional, cuja atividade era vista, na época, com extrema suspeita. Na luta pelo poder, a nova diplomacia abandonava o idealismo medieval pelo idealismo político, baseado nos ensinamentos de  Maquiavel, que traçou em sua obra Il Principe (1513; O príncipe) o comportamento político aconselhado aos chefes de estado da Renascença, baseado no cinismo e na duplicidade moral.

O aparecimento de estados nacionais dominados por monarquias absolutas tornou a política dinástica a força motriz da diplomacia europeia. Os métodos maquiavélicos ajustavam-se perfeitamente às necessidades da época. A diplomacia dos séculos XVI e XVII subornava, financiava revoluções e intervinha nos negócios internos dos estados sem nenhum constrangimento.

Com o aparecimento da obra do diplomata e jurista holandês Hugo Grotius, em 1625, as práticas maquiavélicas sofreram séria contestação. A instituição de uma ordem harmoniosa entre os estados, fundada no equilíbrio de poder, tornou-se condição essencial para uma união pacífica e duradoura. Essas ideias orientaram a política externa do cardeal Richelieu, estadista francês, cuja ação diplomática lançou as bases de uma diplomacia profissional, objetivando o interesse da nação e apoiando-se na força da opinião pública. No período da paz de Vestfália, em 1648, que conduziu a uma nova ordem internacional, a representação diplomática se difundiu, mesmo entre países de menor importância.

Nos séculos XVII e XVIII, a diplomacia era um recurso para manter o princípio do iustum potentiarum equilibrium (justo equilíbrio das potências), de capital importância na preservação da ordem internacional vigente e proclamado na paz de Utrecht em 1713, que pôs fim à guerra da sucessão na Espanha. Graças ao princípio do equilíbrio de poder foi possível conter o expansionismo napoleônico. A hegemonia francesa desapareceu com Napoleão, e o Congresso de Viena em 1815, assembleia comparável à de Vestfália pela abrangência do acerto internacional, restabeleceu o equilíbrio perturbado por Bonaparte.

Os nomes de Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord e de Klemens von Metternich dominaram a diplomacia do começo do século XIX, associados à teoria da comunidade europeia de nações, conhecida como Sistema Geral Europeu ou o Concerto Europeu. Em 1815, o pacto da Santa Aliança, assinado por quase todos os soberanos da Europa, representou um esforço bem articulado, mas insuficiente, para conter o espírito de nacionalidade que, sobretudo na Alemanha e na Itália, depois de 1848, tendia irresistivelmente à unidade política, fundada em bases nacionais.

Surgiram então dois grandes estadistas, o italiano Camillo Benso Cavour e o alemão Otto von Bismarck, cujas atividades diplomáticas marcaram profundamente a segunda metade do século XIX e alteraram o sistema de distribuição de forças na Europa. A aliança da França com a Sardenha, obra de Cavour, preparou o caminho para a unificação da Itália, apresentada pela primeira vez como tese política no Congresso de Paris de 1856. Por seu lado, Bismarck fundou o império germânico, destinado a influir decisivamente nos desenvolvimentos políticos e militares que caracterizaram o fim do século XIX e a primeira metade do século XX.

A incapacidade da diplomacia de evitar a primeira guerra mundial desacreditou os métodos até então empregados e o Tratado de Versalhes (26 de junho de 1919) introduziu sérias alterações na diplomacia mundial. A política de gabinete, entregue a reduzido número de personalidades e conduzida no segredo das chancelarias, foi substituída pela diplomacia aberta e sob controle democrático, inspirado no primeiro dos 14 pontos do presidente americano Woodrow Wilson, tudo dentro do foro da Liga das Nações.

A Carta das Nações Unidas não modificou os princípios fundamentais da Liga das Nações. A diplomacia moderna é hoje conduzida publicamente por meio de congressos e conferências, mas as antigas práticas de negociações reservadas parecem ressurgir à medida que os novos métodos se mostram insuficientes para garantir a paz. Nesse aspecto, é de notar a frequência dos chamados encontros de cúpula, que reúnem chefes de governo.

Prática diplomáticaPrática diplomática

Relacionada com a parte formal dos atos diplomáticos, a prática da diplomacia diz respeito à forma extrínseca dos atos internacionais. Inclui também os agentes diplomáticos, seus direitos e deveres.

Na Grécia como em Roma, reconheciam-se aos embaixadores certos privilégios, que evidenciavam a importância atribuída às relações internacionais. Quando a representação diplomática se tornou a regra entre os estados, os usos e costumes utilizados no trato com representantes estrangeiros aos poucos se consolidaram e encontraram sua codificação nas decisões do Congresso de Viena, de 1815. O tratado sobre imunidades diplomáticas formulado naquela ocasião tornou-se o guia e a fonte de autoridade no tocante à conduta das relações diplomáticas, até que a nova Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas foi adotada na Conferência da ONU sobre Relações e Imunidades Diplomáticas (1961).

Segundo essa convenção, o estabelecimento de relações diplomáticas e o envio de missões permanentes têm lugar pelo consentimento mútuo das partes interessadas. O chefe de missão deve, previamente, receber o agreement do governo junto ao qual está acreditado. Três categorias de chefe de missão foram reconhecidas: (1) embaixadores ou núncios; (2) enviados, ministros e internúncios; (3) encarregados de negócios. A sede da missão diplomática, suas comunicações, arquivos e documentos são considerados invioláveis. Os correios, a correspondência e os meios de transporte são livres de taxas, interferência ou inspeção, e fica assegurado o direito de hastear bandeira e exibir o emblema nacional. Os diplomatas e suas famílias gozam de imunidade criminal e fiscal, e estão isentos de serviço militar.

Os funcionários a serviço do secretariado das inúmeras organizações internacionais, instituídas especialmente depois da segunda guerra mundial, usufruem igualmente de privilégios diplomáticos. O caráter extraterritorial da Liga das Nações foi reconhecido pelo Conselho Federal Suíço, em 1926, e a sede da ONU, embora situada em Nova York, foge à jurisdição do estado americano.

Entre os recentes desenvolvimentos que alteram as práticas diplomáticas, é de notar a crescente importância atribuída às regras processuais que regem as discussões internacionais. Em assembleias onde se representam, muitas vezes, mais de uma centena de países, com idiomas distintos e interesses diversos, os preceitos regimentais, previamente adotados, abreviam os debates e ordenam a boa marcha dos trabalhos.

Cerimonial ou protocolo. Entende-se por cerimonial ou protocolo o conjunto de regras, usos e costumes que regem o convívio de sociedade internacional. Seu propósito é facilitar o intercâmbio diplomático, evitando o desrespeito aos direitos e privilégios outorgados aos representantes estrangeiros e às autoridades nacionais.

Precedência entre estados e chefes de estado. O artigo 16 da Convenção de Viena de 1961 estabelece a precedência dos chefes de missão de acordo com a data e hora em que tenham assumido suas funções. Na ONU e agências especializadas, a precedência se processa por ordem alfabética em língua inglesa.

Linguagem diplomática. O latim foi, durante muitos séculos, a língua de uso universal. Em 1645, o Tratado de Vestfália vinha redigido em latim. Daí para a frente o francês passou a ser utilizado com crescente frequência. A partir de 1800, o Reino Unido começou a se dirigir em inglês às demais chancelarias europeias.

Com a ascendência política e econômica dos Estados Unidos e a formação da Comunidade Britânica de Nações, o inglês aos poucos tornou-se o idioma usual nas negociações diplomáticas. A ONU adotou cinco línguas oficiais: o chinês, o espanhol, o francês, o inglês e o russo, embora só o francês e o inglês sejam línguas de trabalho, isto é, aquelas em que todo documento deve ser obrigatoriamente impresso.

Credenciais. Denomina-se credencial o documento pelo qual o chefe de missão diplomática é acreditado por seu soberano ou presidente junto ao chefe do estado onde irá exercer suas funções. Na carta credencial, confiada fechada ou lacrada ao titular da missão, indicam-se o nome, a categoria e as funções que o enviado exercerá, e solicitam-se fé e crédito para tudo que diga seu portador.

Plenos poderes. A carta de plenos poderes é o documento pelo qual o chefe de estado, ou o ministro das Relações Exteriores em seu nome, autoriza um agente diplomático a negociar e assinar tratados ou a representá-lo em congressos e conferências internacionais. Antes da assinatura de um tratado é usual a apresentação das cartas de plenos poderes, fato que, de hábito, vem registrado no texto do próprio tratado.

Nos congressos e conferências internacionais, a prática é a designação de um comitê encarregado de examinar os plenos poderes apresentados pelas delegações participantes. A forma desse documento varia de país para país. Sua essência, porém, é a clara manifestação de que o titular está autorizado a tomar parte nas negociações e assinar as decisões que delas resultarem.

Diplomacia modernaDiplomacia moderna

As relações internacionais sofreram profundas modificações em seus processos, como consequência das duas grandes guerras mundiais ocorridas na primeira metade do século XX, dos progressos dos meios de comunicação, e do impacto do desenvolvimento científico e tecnológico sobre a vida internacional contemporânea.

A primeira e a segunda guerras mundiais lançaram grandes dúvidas sobre a eficácia do sistema de equilíbrio de poder, até então adotado como único meio hábil de prevenir controvérsias e assegurar a paz mundial. Atrravés da Liga das Nações e da ONU, os artífices da paz, em Versalhes (1919) e San Francisco (1945), procuraram no estabelecimento da segurança coletiva um sistema que substituísse com vantagem o desacreditado equilíbrio de poder. Os novos métodos, baseados na ação coletiva para reprimir a agressão, levaram necessariamente à diplomacia parlamentar, conduzida politicamente, por intermédio de congressos e conferências e das assembleias e conselhos de organizações internacionais.

Para esse tipo de diplomacia, que suplementa o sistema clássico de representação bilateral, requer-se do diplomata conhecimento especializado e emprego de táticas que a diplomacia tradicional ignorava ou prescindia. Os meios de comunicação, que permitem o contato permanente e imediato com as chancelarias, imprimem alta velocidade às negociações.

Influência da tecnologia. Os progressos científicos e tecnológicos exerceram importante influência na conduta e na substância da moderna diplomacia. Novos temas foram acrescentados às agendas das discussões internacionais, ampliando o campo de ação diplomática. Problemas como a utilização pacífica da energia nuclear, o domínio do espaço cósmico e o aproveitamento das riquezas do fundo do mar são assunto de debate na assembleia e nos conselhos da ONU, assim como em suas agências especializadas e em conferências sobre temas específicos. Em várias dessas reuniões, mais de uma centena de países participa dos debates, obrigando a uma organização administrativa complexa e criando a figura do funcionário internacional, cuja mais alta expressão é o secretário-geral da ONU.

Observa-se ainda o progressivo desaparecimento da figura do diplomata tradicional, oriundo de uma classe aristocrática, ciosa de seus privilégios e monopolizadora do controle das relações internacionais. A democratização da diplomacia contemporânea tende a despertar o interesse popular para a condução dos negócios internacionais, submetendo-os, mais do que em qualquer outra época, ao crivo e também à força dinâmica da opinião pública.

Diplomacia brasileiraDiplomacia brasileira

Desde o regime colonial e ao longo do império e da república, o Brasil serviu-se da diplomacia, mais do que da força armada, para solucionar os problemas atinentes a sua formação e crescimento. Durante os 13 anos que permaneceu no Brasil, depois da transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, D. João VI demonstrou excepcional dinamismo em matéria de política externa: declarou guerra à França, ocupou a Guiana, decretou a abertura dos portos às nações amigas, assinou o tratado de comércio em 1810 com o Reino Unido, ocupou por duas vezes a Banda Oriental (Uruguai) e elevou o Brasil à categoria de reino unido.

Com a volta de D. João VI para Lisboa, D. Pedro, na qualidade de príncipe regente, criou em 2 de maio de 1822 a Repartição dos Negócios Estrangeiros, separada da pasta da Guerra e entregue à direção de José Bonifácio de Andrada e Silva. A este coube orientar tanto as relações externas da parte do reino unido que se desmembrava, como as do império então fundado. Dirigiu as gestões para o reconhecimento da independência, nomeou os primeiros representantes diplomáticos exclusivamente brasileiros e resolveu, com intervenção inglesa, o conflito com Portugal.

A partir da maioridade de D. Pedro II, a diplomacia brasileira enfrentou os problemas, criados com o Reino Unido, relativos ao tráfico de negros africanos para o Brasil, e foi conduzida a uma série de intervenções em relação aos países do Prata. Campanhas militares foram empreendidas contra a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. Para a solução dessas questões, contou o império com um corpo diplomático bem aparelhado e servido por personalidades como o visconde de Sinimbu, o marquês de Abrantes, o marquês de Paraná, o visconde do Rio Branco e o barão de Cotejipe.

Como evidência do bom nome alcançado pela diplomacia brasileira, em diversas ocasiões o imperador, por intermédio de seus ministros plenipotenciários, foi escolhido árbitro em questões internacionais. O corpo diplomático brasileiro contou ainda, nesse período, com a contribuição de homens como o marquês de Barbacena, o visconde de Cabo Frio (Luís da Cunha Moreira), o visconde de Cairu, o barão de Penedo (Francisco Inácio Carvalho Moreira), o barão de Ponte Ribeiro (Duarte da Ponte Ribeiro) e o visconde do Rio Branco.

A diplomacia brasileira, a partir da proclamação da república, em 1889, manteve, em suas linhas gerais, as mesmas diretrizes do período colonial e do império. O primeiro cargo de embaixador brasileiro foi provido em janeiro de 1905, com a designação de Joaquim Nabuco para Washington. No âmbito regional, a ação diplomática brasileira procurou, na solução pacífica das controvérsias e no pan-americanismo, os meios de resolver suas questões de limites. No quadro universal, o país envolveu-se nos conflitos extracontinentais que, em 1914 e 1939, marcaram a evolução política mundial no século XX.

A questão do Acre, com a Bolívia, foi resolvida com a assinatura do Tratado de Petrópolis em 1903, pelo barão do Rio Branco, ficando o Brasil de posse de toda a região contestada. Os limites com a Guiana holandesa foram fixados sem dificuldades em 1906, e  com a Colômbia em 1907, pelo tratado de limites e navegação fluvial, baseado no princípio do uti possidetis (fórmula diplomática que estabelece o direito de um país a um território, direito esse fundado na ocupação efetiva e prolongada), advogado pelo Brasil. O mesmo fundamento foi ponto de partida para a solução da questão dos limites com o Peru, por meio do tratado de limites, assinado em 1909.

O Brasil e o recurso ao arbitramento. O império e a república utilizaram, em várias oportunidades,  recurso ao arbitramento para a solução de conflitos internacionais. A ele recorreu acertadamente a monarquia para a solução da questão Christie, com o Reino Unido. Pelo arbitramento foram também resolvidas as questões de limites com a Argentina, a Guiana francesa e a Guiana inglesa.

O Brasil e o pan-americanismo. Quanto ao pan-americanismo, desde os tempos do Brasil como reino unido, vinham tendo curso ideias relativas à organização de uma liga americana que congregasse e difundisse os interesses dos países do hemisfério. O Brasil, apesar de sua condição de única monarquia americana, deu apoio às iniciativas que visavam à união dos povos do continente para fins políticos ou jurídicos. Participou da primeira Conferência Pan-Americana (Washington, 1889-1890), bem como das demais reuniões gerais ou especiais que se lhe seguiram.

Pela carta de Bogotá, em 1948, e das resoluções das reuniões dos ministros das Relações Exteriores das repúblicas americanas, o pan-americanismo, por intermédio da Organização dos Estados Americanos (OEA), tornou-se um dos elementos fundamentais da política externa brasileira.

O Brasil nas duas guerras mundiais. Como beligerante na primeira guerra mundial, o Brasil participou da Conferência de Versalhes, em 1919, e foi membro, até 1926, da Liga das Nações. Na segunda guerra mundial, a declaração de guerra à Alemanha e à Itália ocorreu em 1942. O envio de uma força expedicionária ao teatro de guerra europeu deu ao Brasil a situação de único país latino-americano representado na Conferência da Paz, realizada em Paris, em 1946. Membro fundador da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil tem ocupado, por eleição, lugares nos mais importantes conselhos da organização.

As reformas na diplomacia brasileira. O serviço diplomático brasileiro, cujas primeiras reformas se deram no império em 1842, e depois em 1859, sofreu constantes modificações, acompanhando a evolução dos processos diplomáticos. A reforma Melo Franco, de 1931, extinguiu o corpo permanente da secretaria de estado, distribuindo seus funcionários entre o corpo diplomático e o consular. A reforma Osvaldo Aranha, de 1938, fundiu esses dois quadros em uma única organização administrativa. Em 1945, criou-se o Instituto Rio Branco, dedicado à preparação de diplomatas.

ALBÂNIA - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DA ALBÂNIA

Mapa da Albânia

Albânia - Aspectos Geográficos e Sociais da Albânia

Geografia: Área: 28.748 km². Hora local: +4h. Clima: mediterrâneo. Capital: Tirana. Cidades: Tirana (343.078), Durrës (99.546), Elbasan (87.797), Shkodër (82.455) (2015).

População: 3,7 milhões (2016); nacionalidade: albanesa; composição: albaneses 90%, gregos 8%, outros 2% (2013). Idiomas: albanês (oficial), dialetos regionais (principais: guegue, tosco). Religião: islamismo 38,8%, cristianismo 35,4% (católicos 16,8%, ortodoxos 16,1%, outros 2,6%), sem religião 16,6%, ateísmo 9%, bahaísmo 0,2%.

Relações Exteriores: Organizações: Banco Mundial, FMI, OMC, ONU. Consulado Honorário: Tel. (11) 3875-6922, fax (11) 3875-5344 – São Paulo (SP); e-mail: thomasamaral@hotmail.com.br

Governo: República parlamentarista. Div. administrativa: 12 regiões subdivididas em comunas e municipalidades. Presidente: Alfred Moisiu (desde 2002). Primeiro-ministro: Fatos Nano (PSS) (desde 2002). Partidos: Socialista da Albânia (PSS), coalizão União para a Vitória (Democrático da Albânia-PDS, Frente Nacional Albanesa-PBK, entre outros). Legislativo: unicameral – Assembleia do Povo, com 140 deputados. Constituição: 1998.

Situada na península Balcânica, a Albânia faz fronteira com a Grécia, a Macedônia e a Sérvia e Montenegro, países com os quais partilha três grandes lagos. O principal deles é o Ohrid, alimentado pelo rio Drin, cujas barragens fornecem 80% da energia elétrica do país. Após 40 anos de isolamento sob regime comunista, emerge como a nação mais pobre da Europa. A crise econômica tem levado milhares de albaneses a emigrar. Fora da Albânia existem albaneses étnicos na Macedônia e na província sérvia de Kosovo.

Bandeira da AlbâniaHistória da Albânia

A Albânia atual corresponde à antiga Ilíria, região litorânea ocupada por povos de língua indo-europeia por volta do século X a.C. Conquistada pelos macedônios no século IV a.C. e pelos romanos em 168 a.C., é incorporada ao Império Bizantino em 395. No século XV cai em poder dos turcos, que convertem a população ao islamismo e adotam uma política despótica. Isso desperta, no fim do século XIX, o nacionalismo albanês, duramente reprimido. Após as Guerras Balcânicas, em 1912, o país alcança a independência, ficando sob proteção das grandes potências. A província de Kosovo, contudo, permanece com a Sérvia, embora possuísse população de 800 mil albaneses. Depois de breve experiência republicana, torna-se uma monarquia conservadora, liderada por Ahmet Beg Zogu, proclamado rei em 1928 com o nome de Zog I.

Regime comunista – Invadida pela Itália em 1939, a Albânia torna-se comunista com o fim da II Guerra Mundial, sob o comando de Enver Hoxha, que havia liderado a resistência. Ele governa ditatorialmente até morrer, em 1985. Nesse período, distingue-se pelo rompimento sucessivo com antigos aliados. O primeiro é a Iugoslávia, em 1948: os albaneses apóiam o ditador soviético Josef Stálin no conflito com o iugoslavo Josip Broz Tito. Em 1961, Hoxha corta relações com a União Soviética e alia-se à China de Mao Tsé-tung. Em 1981 rompe com os chineses.

Tirana
Tirana
Abertura política – O sucessor de Hoxha, Ramiz Alia, promove a abertura. O regime admite os partidos oposicionistas e restitui a liberdade religiosa. As eleições de 1992 conduzem Sali Berisha, do Partido Democrático da Albânia (PDS), à Presidência. Em 1997, a falência de um esquema financeiro fraudulento respaldado pelo Estado, que prometia lucros anuais de até 300%, causa prejuízos à população. O Partido Socialista da Albânia (PSS), ex-comunista, lidera protestos em Tirana. Há confrontos, nos quais morre pelo menos 1,5 mil pessoas. Mais de 15 mil se refugiam na Itália. Para pôr fim à crise, as eleições parlamentares são antecipadas. O PSS vence, e Sali Berisha renuncia. O Parlamento elege para a Presidência o líder do PSS, Rexhep Mejdani. Fatos Nano, também do PSS, é o novo primeiro-ministro.

Conflito em Kosovo – Em 1998, o assassinato do deputado Azem Hajdari, líder do PDS, gera distúrbios na capital. Acusado de envolvimento no crime, Nano renuncia e é substituído como premiê por Pandeli Majko (PSS). No mesmo ano, a escalada de violência na província iugoslava de Kosovo leva milhares de kosovares de etnia albanesa a se refugiar na Albânia. A eclosão desses conflitos traz à tona o projeto de uma "Grande Albânia", país que encerraria em suas fronteiras os albaneses da região. Os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Iugoslávia, em março de 1999, aumentam o fluxo de albaneses kosovares para o país.

Nas eleições de 2001, o PSS obtém 73 cadeiras no Parlamento, contra 46 da coalizão União para a Vitória, liderada pelo PDS. Em 2002, PSS e PDS elegem o general da reserva Alfred Moisiu como presidente. Moisiu indica Fatos Nano (PSS) para primeiro-ministro. A oposição realiza manifestação, em fevereiro de 2004, na qual milhares de pessoas pedem a renúncia de Nano, acusado de não haver melhorado o padrão de vida da população.

Rei Zog IRei Zog I

Ahmet Bey Zogu foi o primeiro presidente da Albânia, depois da sua independência. Governou desde 31 de Janeiro de 1925 até 1 de Setembro de 1928, quando se auto-proclamou rei. Governou como rei Zog I desde 1 de Setembro de 1928 até 12 de Abril de 1939, quando foi sucedido pelo rei Xhafer Ypi.

Ahmet Zogolli era filho de Xhemal Paşa Zogolli e de sua segunda esposa, Sadijé Toptani. Sua família, formada por grandes proprietários de terras, governava um Beylik e tinha autoridade feudal sobre a região de Mat. A família de sua mãe, os Toptani, dizia-se descendente da irmã do maior herói albanês, um general do século XV chamado Skanderbeg.

Foi educado na academia militar do Lycée Impérial de Galatasaray, em Constantinopla , então sede do decadente Império Otomano que, tecnicamente, governava a Albânia. Logo após a Primeira Guerra Balcânica, que deu uma precária independência ao país sob influência da Áustria, transfere-se para o Imperial e Régio Exército Austro-Húngaro, onde alcançou a patente de coronel. A dissolução do Império Austro-Húngaro, causada pela derrota na Primeira Guerra Mundial, força Ahmet a voltar para casa em 1919, após passar alguns meses em Roma. Após a morte de seu pai, em 1911, ele foi apontado por seu irmão mais velho, Xhelal Bey Zogu, como Bey de Mat  e chefe do clã Gheg, embora o destino da família e da cidadela estivessem a cargo de suas três irmãs mais velhas, que tiveram um importância fundamental na vida do futuro rei Zog.


Xhafer Bej Ypi Xhafer Bej Ypi (IPA: [dʒafɛɾ yp bɛj]; 1880, Starje - Dezembro de 1940), era um Bektashis muçulmano e político albanês.

Seus pais eram Asilan (um fazendeiro) e Zavalani, e Ypi licenciou-se na universidade de Istambul.
Em 1920-1921, ele foi ministro da Administração Interna e Ministro da Justiça. Ocupou também o cargo de Ministro da Instrução Pública.

Como líder do Partido Popular, em finais de dezembro de 1921, formou um governo onde Fan S. Noli foi o ministro dos Negócios Estrangeiros e Ahmed Zogu era o ministro da Administração Interna. Ypi foi primeiro-ministro até 4 de dezembro de 1922 e, em 1922, após a renúncia de Noli, acumulou, interinamente, as funções de ministro das Relações Exteriores.

De 2 de dezembro de 1922 até 31 de janeiro de 1925, Ypi foi membro do Conselho Superior (entidade colegial que chefiava o Estado colegial, posição anteriormente detida por Guilherme de Wied). Em junho de 1924, deixa a Albânia por causa da revolta de Noli mas, oficialmente, continuou a manter o cargo.
Durante o reinado Zog, Ypi era inspetor-chefe da Corte Real.

Quando teve início a ocupação italiana, Ypi saudou os italianos que tinham "libertado" a Albânia "da pesada escravidão do sanguinário Zogu". Depois do rei Zog ter fugido, de 9 abril a 12 abril Ypi foi presidente e Plenipotenciário da Justiça da Administração de Comissão Provisória e, assim, agindo como chefe de Estado. A partir 12 de abril, ele foi o Ministro da Justiça no governo de Shefqet Verlaci. Foi morto por um bombardeamento aérea.

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ALEMANHA - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DA ALEMANHA

Alemanha - Aspectos Geográficos e Sociais da Alemanha

Alemanha - Aspectos Geográficos e Sociais da AlemanhaGeografia: Área: 356.733 km². Hora local: +4h. Clima: temperado. Capital: Berlim. Cidades: Berlim (3.388.400), Hamburgo (1.726.400), Munique (1.228.000), Colônia (967.900), Frankfurt-am-Main (641.100) (2016).

População 83,5 milhões (2016); nacionalidade: alemã; composição: alemães 95%, turcos 2%, outros 3% (1996). Idiomas: alemão (oficial), dialetos regionais. Religião: cristianismo 75,8% (protestantes 37%, católicos 34,9%, outros 6,7% - dupla filiação 2,8%), sem religião 17,2%, outras 4,8%, ateísmo 2,2% (2016).

Relações Exteriores: Organizações: Banco Mundial, FMI, G-8, OCDE, OMC, ONU, Otan, UE. Embaixada: Tel. (61) 442-7000, fax (61) 443-7508 – Brasília (DF); e-mail: embaixadalemanha@cd-graf.com.br, site na internet: www.embaixada-alemanha.org.br.

Governo: República parlamentarista. Div. administrativa: 16 estados. Partidos: Social-Democrata (SPD), União Democrata-Cristã (CDU), União Social-Cristã (CSU), Verde, Democrático-Liberal (FDP), Nacional Democrático (NPD). Legislativo: bicameral – Conselho Federal, com 69 membros; Assembléia Federal, com 603 deputados. Constituição: 1949.

Berlim
Berlim
Ocupando posição central na Europa, a Alemanha abriga a segunda maior população do continente. Seu território compreende planícies ao norte, planaltos no centro e os Alpes no sul. Fortemente industrializada, a nação possui o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, depois dos Estados Unidos (EUA) e do Japão.Derrotado em duas guerras mundiais, o país esteve dividido por 40 anos em Alemanha Ocidental e Oriental, funcionando como pivô do equilíbrio geopolítico europeu durante a Guerra Fria. A queda do Muro de Berlim, em 1989, marca o início da reunificação, reforçando seu papel como país-chave no cenário mundial e no processo de adoção do euro, a moeda da União Européia (UE). Embora a integração já se tenha completado, permanecem disparidades entre o oeste e o leste da nação. O alto custo da reunificação agrava os problemas econômicos. Houve aumento do desemprego e, depois de um fraco crescimento na década de 1990, a economia do país entra em recessão no fim de 2001 e só dá sinais de melhora após dois anos . Recentemente, a Alemanha assume presença econômica destacada em países do antigo bloco socialista no Leste Europeu.

História da Alemanha

A origem dos povos do grupo linguístico dos germânicos remonta a 1700 a.C. Informações históricas precisas sobre a presença dos germânicos às margens do Reno, porém, datam das incursões romanas, no tempo de Júlio César, entre 55 a.C. e 53 a.C. Com a desintegração do Império Romano, em 476, são criados vários reinos germânicos, consolidados pelo imperador franco Carlos Magno, entre 772 e 802. Além de anexar a Saxônia, a Baviera, a Renânia e outras áreas ao domínio do recém-criado Sacro Império Romano, Carlos Magno converte os germânicos ao cristianismo. O domínio franco encerra-se em 911, com a eleição, pelos duques germânicos, de Konrad I, o primeiro rei da Alemanha. Em 962, Otto I passa a ser o imperador do Sacro Império Romano-Germânico (o I Reich). Entre os séculos XI e XII, o domínio germânico expande-se a leste, mas as lutas entre os príncipes e os conflitos com o papado enfraquecem a centralização monárquica. A Reforma Protestante e a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) contribuem para manter a fragmentação política.

Unificação Alemã

Em 1815, após o fim das guerras napoleônicas, é organizada a Confederação Germânica, sob a hegemonia da Áustria e da Prússia. As revoluções populares de 1848, marcadas pelo nacionalismo e por aspirações liberais, levam à formação do primeiro Parlamento germânico. Em 1862, Otto von Bismarck torna-se chanceler da Prússia, introduzindo um programa de desenvolvimento industrial e a modernização do Exército. A unificação alemã envolve guerras contra a Dinamarca (1864), a Áustria (1866) e a França (1870). Em 1871, Guilherme I é proclamado Kaiser (imperador) do II Reich. A partir de 1880, a nação conhece nova fase de expansão econômica.

República de Weimar

Sob Guilherme II, a Alemanha apóia o Império Austro-Húngaro contra a Rússia, o que leva o país à I Guerra Mundial. Com a derrota, é proclamada a República, em 1919, na cidade de Weimar. O Tratado de Versalhes, que coloca fim ao conflito, proíbe o rearmamento alemão, impõe perdas territoriais e estabelece pesadas reparações de guerra. A República de Weimar (1919-1933) vive uma grave crise econômica e social. A inflação dispara em decorrência da emissão de moeda para o pagamento das dívidas de guerra. Em 1924, o país reorganiza seu sistema monetário e estimula a indústria. Por cinco anos vive em relativa prosperidade, até ser atingido pela crise mundial de 1929. Milhões de desempregados juntam-se ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, o partido nazista, liderado por Adolf Hitler.

Nazismo

Em 1933, Hitler torna-se chanceler (chefe de governo) e transforma a Alemanha em uma ditadura dominada pelos nazistas, chamada de III Reich. Inicia o rearmamento do país e suprime liberdades políticas e civis. Em 1938, a Áustria e os Sudetos, região de língua alemã da então Tchecoslováquia, são anexados por Hitler. A invasão da Polônia pelos alemães, em 1939, desencadeia a II Guerra Mundial. A Alemanha forma uma aliança militar com a Itália e o Japão, conhecida como Eixo, que obtém vitórias expressivas entre 1940 e 1942. Os nazistas criam campos de extermínio e matam milhões de oposicionistas, judeus, ciganos e homossexuais. Após a derrota para os soviéticos na Batalha de Stalingrado, em 1943, o III Reich começa a ser expulso dos territórios ocupados. Em 1945, tropas aliadas invadem a Alemanha. Hitler suicida-se em abril, e, em maio, o país se rende incondicionalmente à União Soviética (URSS), aos Estados Unidos (EUA), ao Reino Unido e à França. Pelos acordos de Yalta e Potsdam, a Alemanha é dividida: os ocidentais ocupam o oeste e os soviéticos, o leste. O país perde territórios para a Polônia e para a URSS.

Guerra Fria 

Em 1949 são criadas a República Federal da Alemanha (RFA, ou Alemanha Ocidental), capitalista, e a República Democrática Alemã (RDA, ou Alemanha Oriental), socialista. Berlim é dividida em duas (ocidental e oriental), e sua parte ocidental fica ilhada na RDA. No governo do primeiro-ministro Konrad Adenauer (de 1949 a 1963), da União Democrata-Cristã (CDU), a RFA vive fase de prosperidade, estimulada pelo Plano Marshall, projeto de reconstrução da Europa capitalista, comandado pelos EUA. As duas repúblicas alemãs tornam-se o centro do conflito entre EUA e URSS durante a Guerra Fria. Em 1948, os soviéticos ordenam o bloqueio de Berlim, rompido por uma gigantesca ponte aérea dos EUA. Em 1955, a Alemanha Ocidental ingressa na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental. A Alemanha Oriental reage e adere, no mesmo ano, ao Pacto de Varsóvia, bloco militar liderado pela URSS. Em 1961, autoridades orientais constroem o Muro de Berlim, com a finalidade de deter o fluxo de refugiados para o Ocidente. Em 1973, RDA e RFA entram na Organização das Nações Unidas (ONU) como dois Estados soberanos.
Mapa da Alemanha

Queda do Muro de Berlim

O dirigente alemão oriental Erich Honecker, no poder desde 1971, resiste à liberalização no bloco comunista, deflagrada em meados da década de 1980 na URSS. Em 1989, milhares de alemães orientais fogem para a Alemanha Ocidental pela Tchecoslováquia, pela Polônia e pela Hungria. Em outubro, manifestações pró-democracia levam à substituição de Honecker por Egon Krenz. No mês seguinte, sob pressão, Krenz ordena a abertura do Muro de Berlim, que logo é derrubado pela população. O episódio dá início ao processo de reunificação. Na primeira eleição livre da RDA, em 1990, vence a Aliança pela Alemanha, pró-unificação. Impulsionada pelo chanceler da RFA, Helmut Kohl (da CDU), realiza-se a união monetária (julho) e política (outubro). O novo Parlamento confirma Kohl no cargo de chanceler.

Alemanha reunificada 

O país paga um preço alto pela reunificação, com aumento do desemprego. Num clima social tenso, os imigrantes sofrem atentados de grupos neonazistas. O governo impõe, em 1996, um programa de austeridade, com corte de benefícios previdenciários. A vitória do Partido Social-Democrata (SPD) nas eleições de 1998 representa a maior derrota eleitoral da CDU no pós-guerra. Como não obtém maioria parlamentar, o SPD coliga-se com o Partido Verde e indica Gerhard Schröder como chanceler.

Escândalo político

Uma investigação sobre suborno no governo, em dezembro de 1999, resulta no maior escândalo político recente no país. A Justiça descobre que o ex-chanceler Helmut Kohl recebera contribuições ilegais no valor de 1 milhão de dólares. Em janeiro de 2000, Kohl renuncia à presidência honorária do partido.
Como consequência dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, o Parlamento alemão aprova, em novembro, a participação do país na intervenção militar no Afeganistão. As investigações revelam que os atentados foram planejados na Alemanha, na chamada célula de Hamburgo da organização terrorista Al Qaeda. Em dezembro, o Parlamento aprova um pacote de medidas antiterrorismo. Suspeitos são presos, grupos radicais islâmicos, banidos e dezenas de milhões de euros são confiscados de contas suspeitas de financiar o terror. Em 2003, o marroquino Mounir Motassadeq, residente na Alemanha, é condenado a 15 anos de prisão como cúmplice dos atentados nos EUA.

Imigração

Nas últimas décadas, a Alemanha atrai milhares de imigrantes, o que alimenta o crescente sentimento xenófobo. Mas a estagnação demográfica – marcada por baixas taxas de natalidade e pelo envelhecimento da população – torna o país dependente de mão-de-obra estrangeira. Uma lei aprovada em 2002 favorece a entrada de estrangeiros altamente qualificados e impõe mais rigor contra a imigração ilegal.

Guerra no Iraque

A Alemanha se distancia dos EUA nos primeiros meses de 2003 ao recusar apoio ao plano norte-americano de ataque militar ao Iraque. A posição de Schröder corresponde à da opinião pública – mais de 90% dos alemães, segundo as pesquisas, são contrários à guerra.

Crise Europeia

A Alemanha ainda está às voltas com o alto custo da reunificação. Conhecida como a locomotiva da Europa, por sua força industrial e financeira, o país está em estagnação econômica desde o início da década de 1990. Em 2003, a economia dá frágeis sinais de melhora, pois o Produto Interno Bruto (PIB) cresce 0,75%. Mas o desemprego continua alto – atinge 10,5% no fim do ano, em comparação com os 7,7% no fim de 2001. As dificuldades agravam-se com a recessão nos Estado Unidos, o principal mercado para as exportações. Em 2002, o valor das ações das empresas despenca e as falências batem recorde. O déficit público chega a 3,8% do PIB, mais do que o permitido pelas normas monetárias da União Européia (UE). Apesar disso, a UE não aplica sanções contra o país. Num esforço para reavivar a economia, o chanceler Gerhard Schröder apresenta, em março de 2003, um pacote de reformas de cunho neoliberal, intitulado Agenda 2010. Entre outras medidas, o pacote facilita as demissões e reduz o seguro-desemprego. Apesar das críticas dos sindicatos, a Agenda 2010 é aprovada, em maio, por mais de 90% dos deputados. Em agosto e setembro de 2004, dezenas de milhares de manifestantes em toda a Alemanha saem às ruas em protesto contra o corte nos direitos trabalhistas previstos nas reformas. As manifestações são maiores no leste alemão, onde a taxa de desemprego é muito mais alta e os salários são menores que no oeste.

Crise Mundial

A Alemanha sofre com a recessão devido à crise mundial que se inicia em agosto de 2008. O PIB, que é a soma de todas as riquezas que o País produz, teve queda em 2009 de 2% e crescimento de apenas 0,5% em 2011.

Literatura Alemã Literatura Alemã

Os povos germânicos - cuja língua comum, nas diversas fases de evolução, constituiu ao longo dos séculos um primordial elemento unificador -- careceram de fronteiras precisas no decorrer de sua história. O próprio Sacro Império Romano-Germânico não passou de uma ficção política dentro da qual se incluíam inúmeros territórios independentes. Neste texto, portanto, serão considerados todos os escritores em língua alemã que contribuíram com sua obra para o desenvolvimento da cultura germânica, tanto nos antigos principados e domínios da Prússia e do império austro-húngaro quanto na Suíça ou nos atuais estados da Áustria e das duas Alemanhas, unificadas em 1990.
Apesar de seu extraordinário florescimento a partir do fim do século XVIII, quando desperta a consciência nacional, a literatura alemã, entre as europeias, é provavelmente a que maiores dificuldades enfrentou em sua gestação, por causa do lento e complexo processo de unificação política.

Idade Média

Literatura germânica primitiva
A cultura dos primeiros povoadores da Germânia manteve íntima vinculação com a da Escandinávia. A primeira amostra literária conhecida é o Hildebrandslied (Canto de Hildebrando), fragmento de uma saga heroica do fim do século VIII.

Essa tradição épica também se refletiu nas primeiras obras realizadas com propósito doutrinário, como a versão dos Evangelhos escrita no século IX pelo monge Ottfried e a anônima epopéia Heliand (Salvador), sobre a vida de Cristo.

Alta Idade Média

Durante os séculos seguintes, a literatura foi marcada pelo fenômeno da progressiva cristianização, que por um lado uniformizou o alemão medieval, mas por outro limitou sua expressão escrita, já que os autores, clérigos na maioria, preferiam empregar o latim. Durante os séculos XII e XIII, no entanto, houve um extraordinário florescimento, caracterizado pelo ressurgimento da épica.

Épica

A maior parte dos textos épicos desse período dá ênfase aos elementos puramente cristãos. As gestas das Cruzadas, por exemplo, constituíam o núcleo da Kaiserchronik (Crônica dos imperadores) e de Salman und Morolf.

Ao lado dessa tendência mantinha-se, apesar de tudo, a nostalgia da tradição heroica que, além de textos como Gudrun e Das Heldenbuch (O livro dos heróis), daria seu mais grandioso e duradouro monumento com o Nibelungenlied (Canção dos nibelungos), considerado a epopeia nacional do povo alemão. Redigido no princípio do século XIII por um anônimo poeta austríaco, bom conhecedor da literatura meridional, o texto se mostrava, no entanto, plenamente imerso no mundo escandinavo, pelo realismo e pelo vigor da narrativa. A sombria grandeza com que se descrevia a destruição, pelos hunos, do povo dos heróis, encarnado pelos burgundos, constituía um autêntico canto de despedida do passado lendário e das antigas virtudes guerreiras, substituídas pelos novos ideais cristãos.

Lírica

A poesia narrativa, que teve um pioneiro no criador anônimo do Alexanderlied (Canto de Alexandre), encontrou seu melhor expoente na transposição, para a mentalidade germânica, dos romances bretões sobre a corte do rei Artur. Os principais representantes desse gênero, todos na transição entre os séculos XII e XIII, foram Hartmann von Aue, Gottfried von Strasburg, que deu ao seu Tristan und Isolde (Tristão e Isolda) uma inusitada sensualidade, e Wolfram von Eschenbach, autor do místico Parzival (Parsifal).

No desenvolvimento da lírica, foi determinante a influência da poesia francesa e provençal, ponto de partida dos chamados minnesänger, que recaíram nos temas do amor cortês. Seu melhor representante foi Walther von der Vogelweide.

Fim da Idade Média

O progressivo clima de agitação religiosa que sacudiu os principados alemães durante os séculos XIV e XV, e que desembocaria na Reforma, acarretou o declínio da produção literária "culta" em favor da estritamente confessional.

Outro traço característico dos novos tempos foi a paulatina substituição dos escritores aristocráticos por indivíduos procedentes da burguesia artesanal, os meistersinger (mestres-cantores). O teatro e a prosa tiveram suas melhores expressões nas farsas e narrativas de tema popular, possuidoras de uma vitalidade que não aparecia nas obras religiosas. Particularmente apreciados foram os relatos em torno do personagem de Till Eulenspiegel, que antecipava a figura do pícaro.

As décadas situadas entre o fim do século XV e a promulgação das teses de Lutero, convencionalmente consideradas como o início da Reforma, foram dominadas por uma série de autores que, como Ulrich von Hutten, combinaram a sátira corrosiva com os ataques à Igreja Católica. O mais destacado representante dessa tendência foi Sebastian Brant, autor da alegoria satírica em verso Das Narrenschiff (1494; A nau dos insensatos).

Reforma e barroco

Ideologia e literatura na Reforma. A imposição da ortodoxia religiosa luterana, radicalmente oposta à cultura renascentista meridional, marcou de forma decisiva a literatura alemã do século XVI, sujeitando-a a normas estritas . A especulação filosófica, à exceção de autores influenciados pelo neoplatonismo italiano, como Paracelso e Jakob Bohme, desapareceu quase por completo para ceder a vez ao polemismo teológico.

O melhor cultor desse gênero foi o próprio Martinho Lutero, que em seus salmos e escritos ideológicos, assim como em sua célebre tradução da Bíblia, criou uma norma linguística que constitui a base do atual idioma alemão. O poeta e dramaturgo Hans Sachs, herdeiro da tradição dos meistersinger, soube dar a sua produção didática, dirigida contra as teses papais, um elevado tom literário, e revitalizou as comédias de costumes ou Fastnachtsspiele.

Século do barroco 

Os autores alemães do século XVII tiveram que enfrentar os mesmos problemas que seus predecessores, isto é, a tensão religiosa e os conflitos dela derivados, em particular a devastadora guerra dos trinta anos. Apesar disso, nesse período se fixaram as bases do brilhante ressurgimento posterior. Nesse processo, elemento importante foi a denominada "escola da Silésia", cujo criador, Martin Opitz, estabeleceu, com seu Buch von der deutschen Poeterei (Livro do poetizar alemão), um modelo estilístico baseado nos renascentistas franceses e italianos. Seus continuadores Andreas Gryphius e Johann Scheffler, místico católico conhecido pelo pseudônimo de Angelus Silesius, introduziram maior profundidade temática, reflexo da influência do barroco meridional.

O grande escritor da época barroca foi no entanto um narrador, Johann Jakob Grimmelshausen, autor do romance Abenteuerlicher Simplicius Simplicissimus (O aventureiro Simplício Simplicíssimo), inspirado no gênero picaresco espanhol. Sua profundidade filosófica era realçada pela viva descrição dos horrores da guerra.

Século XVIII: Iluminismo

Estética e ensaio. O advento do século XVIII produziu uma reação racionalista que, depois de abandonar a influência inicial dos autores ingleses e franceses, desembocou no fim do período num idealismo que pretendia conjugar o individual e o universal, traço plenamente germânico.

O introdutor das tendências racionalistas na Alemanha foi o filósofo Wilhelm Gottfried Leibniz, primeiro representante da Aufklärung ou Iluminismo alemão. No terreno estético, o suíço Johann Cristoph Gottsched defendeu uma norma de beleza baseada no classicismo francês.

Outros dois estudiosos suíços, Jakob Bodmer e Johann Jakob Breitinger, foram os primeiros a postular um princípio que se tornaria básico no pensamento alemão: a imaginação criadora não pode submeter-se à razão, e ambas devem complementar-se. Determinante nos novos rumos artísticos foi a obra de Gotthold Ephraim Lessing, que preconizou, em seu tratado Laocoonte, um particular classicismo que buscasse a adequação entre o espírito e sua expressão literária, sem se prender aos limites do formalismo.

A obra de Immanuel Kant, criador do idealismo transcendente, deu o passo definitivo para a independência da filosofia e da cultura alemãs. Sua afirmação de que o conhecimento da realidade só pode ser alcançado mediante o aprofundamento nas faculdades do próprio sujeito, com a consequente defesa do individualismo e da liberdade humana, constituiu o germe do idealismo metafísico e do romantismo que dominaram a primeira metade do século XIX.

Classicismo e romantismo

Sturm und Drang e século de Goethe. No período entre 1770 e 1850, que foi chamado "o século de Goethe", sucederam-se e aparentemente se sobrepuseram três correntes criativas dentro da literatura alemã: o Sturm und Drang (Tempestade e tensão) movimento pré-romântico de renovação encabeçado por Johann Gottfried von Herder, e cujo nome foi tirado de uma obra de Friedrich Klinger; o classicismo de Weimar, que corresponde à época da maturidade de Goethe e Schiller; e o romantismo.

Deve-se notar, contudo, que a diferença entre classicismo e romantismo não foi, na Alemanha, tão nítida quanto em outros lugares. Ambas as tendências compartilhavam o desejo de evitar uma mera racionalização da natureza e do mundo exterior, e aspiravam a estabelecer, tanto pelo intelecto quanto pelo sentimento, a harmonia entre o indivíduo e a realidade que ele capta com os sentidos. Esse anseio, em boa parte derivado da influência do idealismo metafísico predominante na filosofia alemã da época, levava ao projeto de fusão com o mundo num único espírito universal. Somente numa fase posterior esses elementos filosóficos deram lugar à exaltação do fantástico e irracional, característica básica da segunda geração romântica.

Portanto, ao falar de classicismo e romantismo na Alemanha, é preciso levar em conta que tanto um como outro constituíram manifestações de um mesmo clima espiritual.

A primeira crítica importante contra as concepções racionalistas partiu de Johann Georg Hamann, cujas teses Herder aprofundou e ampliou. Foi este último quem recolheu a expressão Sturm und Drang para definir a nova sensibilidade; e, com seu conceito de um "espírito dos povos" que reflete nas tradições e nos cantos folclóricos, determinou o interesse dos poetas românticos por esses temas e estimulou o nacionalismo alemão.

Classicismo de Weimar. A expressão "classicismo de Weimar" remete à obra dos dois titãs da literatura germânica, Goethe e Schiller, que entre 1794 e 1805 (Goethe desde 1775) viveram naquela cidade, sob a proteção de Carlos Alberto da Saxônia.

A imensa obra de Johann Wolfgang Goethe, que abarcou os mais diversos campos, não pode ser esquematizada em poucas linhas. Figura fundamental do Sturm und Drang com seu romance Die Leiden des jungen Werthers (Os sofrimentos do jovem Werther), depois de sua chegada a Weimar começou a abandonar o individualismo romântico inicial para adotar uma postura mais próxima dos ideais clássicos, e nesse sentido foi de grande influência sua estada na Itália, entre 1786 e 1788. Ali deu forma definitiva aos dramas Torquato Tasso e Egmont, reflexos de seu interesse em conjugar sentimento e forma harmônica. O romance Wilhelm Meisters Lehrjahre (Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister) -- a cujo protagonista, de evidente raiz autobiográfica, o autor dedicou outras duas obras -- mostrou com clareza o conceito de Goethe sobre a vida: um contínuo processo de aperfeiçoamento espiritual.

O escritor alemão dedicou a última etapa de sua vida à grandiosa realização do poema dramático Fausto, cujas duas partes apareceram respectivamente em 1808 e 1832, ano em que ele morreu. Concebido como imensa alegoria do desejo humano de penetrar o segredo último da existência, desde o primeiro momento Fausto foi reconhecido como uma obra-prima na história do espírito humano. O escritor russo Alexandr Pushkin afirmou: "Representa a nova poesia, assim como a Ilíada é o monumento da antiguidade clássica".

Também cultor dos mais diversos gêneros literários, o gênio de Friedrich Schiller encontrou sua mais completa expressão no campo do teatro, ao qual deu peças imortais como Don Carlos, Wallenstein, Maria Stuart e Guilherme Tell. Em todas, Schiller mostrou talento singular e dinamismo dramático, além da vontade ética de oposição a toda tirania; o célebre poema "An die Freude" ("Ode à alegria"), imortalizado por Beethoven em sua nona sinfonia, é a síntese perfeita dos ideais humanistas do autor, que exerceu enorme influência sobre os criadores românticos.

Romantismo

O impulso de renovação dado por Schiller e Goethe à literatura alemã se refletiu no aparecimento de um extraordinário grupo de escritores que, abandonando a imitação das correntes literárias estrangeiras, deram expressão própria ao espírito germânico.

Teóricos das novas tendências artísticas foram Wilhelm Wackenroder e os irmãos August e Friedrich Schlegel, que atacaram as convenções neoclássicas e defenderam a recuperação da primitiva poesia germânica.

Poesia

Situado entre o classicismo e o apogeu romântico, Friedrich Hölderlin foi o principal expoente da lírica do período. Tanto em suas odes e elegias quanto no romance poético Hyperion e na tragédia incompleta Der Tod des Empedokles (A morte de Empédocles), Hölderlin soube aliar a nostalgia por uma Grécia de ressonâncias míticas à concepção trágica da existência humana, expressa em versos de esmagadora beleza. Na obra de Friedrich von Hardenberg, conhecido como Novalis e autor dos sombrios Hymnen an die Nacht (Hinos à noite), foram mais patentes os elementos irracionais.

A compilação de baladas populares Des Deutschen Knaben Wunderhorn (1805-1808; A cornucópia maravilhosa do garoto alemão), realizada por Achim von Arnim e Clemens Brentano, revelou-se decisiva no que se refere ao gosto pelo lendário e pelo sentimento mágico da natureza, característico do segundo romantismo, cuja voz poética mais pura foi Joseph von Eichendorff.

Ficção

À exceção de figuras isoladas como Johann Paul Richter, conhecido como Jean-Paul, que, com seu realismo de costumes, antecipou tendências posteriores, a ficção romântica foi dominada pelas mesmas concepções da poesia. A recuperação dos contos tradicionais empreendida pelos irmãos Grimm influenciou Ludwig Tieck, Adalbert von Chamisso e Friedrich de la Motte-Fouqué, os quais desenvolveram um modelo de relato curto que associava a atmosfera fantástica ao sentimento elegíaco. E.T.A. Hoffmann conferiu a essa temática aspectos mais sombrios e sarcásticos e, em Die Elexiere des Teufels (Os elixires do diabo), criou um modelo de narrativa de terror que viria a ter influência duradoura.

Teatro

Embora menos cultivado que outros gêneros, o teatro conheceu nesse período dois autores singulares. Wilhelm von Kleist, que também escreveu romances (Michael Kolhaas), deixou em suas tragédias Penthesilea e Prinz Friedrich von Homburg (O príncipe Frederico von Homburg) a marca de um gênio torturado pelas contradições do espírito humano. Georg Büchner, expoente máximo do movimento A Jovem Alemanha, introduziu em Dantons Tod (A morte de Danton) e Woyzeck um sentimento de rebeldia que ultrapassava o individualismo romântico para entrar na crítica social.

Nacionalismo e realismo na segunda metade do século XIX

Clima ideológico
A partir de meados do século XIX tanto as tendências românticas como o idealismo metafísico sofreram violento ataque, reflexo do clima de agitação política que se estendia por toda a Europa.

No terreno filosófico, tal reação teve suas expressões mais radicais no materialismo revolucionário de Karl Marx e no niilismo de Arthur Schopenhauer. Friedrich Nietzsche, pensador visionário e exímio mestre da linguagem, defendeu, em obras como Also sprach Zarathustra (Assim falou Zaratustra) e Jenseits von Gut und Böse (Além do bem e do mal), uma espécie de vitalismo trágico baseado na aceitação do destino humano e na subversão dos valores morais.

A produção literária moveu-se entre polos semelhantes, oscilando, a depender dos diversos autores, entre o nacionalismo exaltado, a crítica social e o pessimismo.

Poesia

Um dos principais impulsionadores das tendências da época foi Heinrich Heine, que, em seus poemas iniciais do Buch der Lieder (Livro das canções), aliou as descrições líricas à sátira contra costumes da época. Sua obra realizada em Paris, para onde se transferiu em 1831, mostrou uma acentuação dos traços sarcásticos, que alcançaram singular expressão em Romanzero (Romanceiro) e Atta Troll.

Os temas populares, matizados pelo classicismo em Edward Mörike, dominaram a lírica de Ludwig Uhland e Joseph von Scheffel. Mais radicais foram o naturalista Arno Holz e Christian Morgenstern, autor de uma poesia sardônica e desesperançada.

Romance

A progressiva ascensão do realismo também marcou a narrativa alemã do período. Na ficção de costumes e regionalista destacaram-se Theodor Storm, Theodor Fontane, Herman Suddermann e Wilhelm Raabe. Maior intenção crítica revelaram Karl Gutskow, um dos líderes do movimento da Jovem Alemanha, e o já citado Arno Holz.

O romance histórico teve notáveis cultores no suíço Gottfried Keller e em seu compatriota Conrad Ferdinand Meyer, que em Jürg Jenatsch descreveu, como referência simbólica à sua época, a desoladora situação da Europa durante a guerra dos trinta anos. Finalmente, a análise psicológica dominou os retratos da sociedade rural realizados pelo austríaco Adalbert Stifter.

Teatro

A recuperação da tragédia, como forma de expressar os conflitos entre o homem e a sociedade e de manifestar as aspirações nacionalistas, preponderou durante muito tempo na cena alemã por meio de Friedrich Hebbel e do austríaco Franz Grillparzer. O renovador do gênero seria Gerhart Hauptmann, que, influenciado pelo naturalismo do romancista francês Émile Zola, fez em Vor Sonnenaufgang (1889; Antes da aurora) e Die Weber (1892; Os tecelões) uma crua descrição das condições de vida das classes populares.

A obra posterior de Hauptmann evoluiu para um simbolismo de índole religiosa. Seu radicalismo inicial, no entanto, abriu caminho para outros dramaturgos da transição entre os dois séculos, como Frank Wedekind, crítico das convenções burguesas com Frühlings Erwachen (Despertar da primavera), e o austríaco Arthur Schnitzler, que em Reigen (Ronda) parodiou a estereotipada sociedade vienense da época.

Século XX

Criação literária até a segunda guerra mundial 
A atmosfera de rarefação política e as convulsões causadas pelas duas guerras mundiais aos povos germânicos, que assistiram a uma contínua alteração de suas fronteiras, preponderavam nos rumos da produção literária. O movimento expressionista, com sua exasperada concepção da arte e sua rejeição ao militarismo e à mecanização, foi disso um bom exemplo. Tal sentimento de crise, no entanto, não seguiu trilhas concretas de expressão, mas foi refletido pelos diferentes autores segundo suas convicções pessoais.

Ficção. Foram dois os nomes de maior celebridade entre os muitos e brilhantes romancistas da época. Thomas Mann, autor de Die Buddenbrooks (Os Buddenbrooks), Der Zauberberg (A montanha mágica) e do quase picaresco Die Bekenntnisse des Hochtaplers Felix Krull (As confissões do vigarista Felix Krull), expressou, em estilo clássico e ao mesmo tempo irônico, a decadência da cultura européia, sem com isso renunciar ao reconhecimento de seus valores. O tcheco Franz Kafka, antecessor do existencialismo e do sentimento do absurdo, legou em seus contos e nos romances Das Schloss (O castelo), Der Prozess (O processo) e Die Verwandlung (A metamorfose) uma lúcida e desolada análise lírica do abismo entre as aspirações do homem e sua existência real.

Entre os escritores austríacos, Robert Musil executou em seu inacabado Der Mann ohne Eigenschaften (O homem sem qualidades) uma sutil descrição do processo de decomposição do império austro-húngaro, fenômeno que Radetzkymarch (A marca de Radetzky), de Josep Roth, também refletiu. Hermann Broch, por sua vez, criou com Der Tod des Vergil (A morte de Virgílio) uma reflexão histórica de profundas conotações metafísicas.

Outros autores de destaque foram: Emil Ludwig; Heinrich Mann, irmão de Thomas e autor da trilogia Das Kaiserreich (O reino do Kaiser); Hermann Hesse, cujo peculiar espiritualismo obteve notoriedade mundial com Der Steppenwolf (O lobo das estepes); Jacob Wassermann; os expressionistas Franz Werfel e Alfred Döblin; e Erich Maria Remarque, que no antimilitarista In Westen nichts Neues (Sem novidades no front) descreveu os horrores da primeira guerra mundial. Sob outra perspectiva, Hans Carossa pretendeu recuperar as concepções goethianas, e Ernst Jünger, que manteve ambíguas relações com o nazismo, escreveu uma série de romances filosóficos que seriam revalorizados a partir de 1960.

Poesia. Pode-se dizer que a lírica alemã dessa época foi dominada por duas correntes principais: simbolismo e expressionismo. A primeira, influenciada pelos autores franceses, teve em Stefan George e Hugo von Hoffmansthal destacados expoentes. Próximo deles, mas com maior ênfase nas implicações metafísicas e linguagem de portentosa depuração, situou-se o tcheco Rainer Maria Rilke. O  misticismo desse autor, presente desde suas primeiras obras, alcançou o auge expressivo em Die Sonette an Orpheus (Sonetos a Orfeu) e Duineser Elegien (Elegias de Duíno), que desde a data de sua publicação, 1923, foram louvados pela crítica como obras-primas da lírica universal.

A poesia expressionista, que enfatizava em tom escandaloso a desumanidade e o esmagamento da civilização urbana, teve destacados cultores em Georg Heym e Ernst Stadler. O mais original, todavia, foi o austríaco Georg Trakl, cujos versos herméticos e pessimistas apresentavam conotações surrealistas.

Teatro. Assim como na lírica, o expressionismo adotou no teatro formas de rejeição frontal à sociedade da época, perpetuando o legado de Frank Wedekind por meio de autores como Reinhard Sorge, cujo Bettler (1912; O mendigo) é considerado o primeiro drama expressionista, e Fritz von Unruh. O líder do grupo, Georg Kaiser, evoluiu do radicalismo de Die Bürger von Calais (1914; Os burgueses de Calais) e Von Morgen pis Mitternachts (1916; Da manhã à  meia-noite) para um estilo mais sossegado, em que o desejo de transformação social se unia à indagação simbólica sobre o espírito humano. Disposição similar animou o também poeta Hugo von Hofmannstahl no drama filosófico Der Turm (A torre), inspirado em Calderón de la Barca.

A adoção do ideário marxista pelo dramaturgo Bertolt Brecht, que inicialmente se vinculara a tendências expressionistas e anarquistas, gerou uma série de obras, escritas entre 1920 e 1956, data da morte do autor, que revolucionaram o palco europeu. Brecht defendia a necessidade de criar um teatro de tese que empregasse técnicas de distanciamento em relação ao espectador, de tal modo que este não fosse "subjugado" pela obra e refletisse sobre a mensagem que ela continha. Brilhantes expressões dessas ideias foram, entre outras, a ópera Aufstieg und Fall der Stadt Mahagonny (Ascensão e queda da cidade de Mahagonny), a antimilitarista Mutter Courage und ihre Kinder (1939; Mãe Coragem e seus filhos), a paródia sobre o nazismo Der Aufhaltsame Aufstieg des Arturo Ui (A ascensão resistível de Arturo Ui) e Leben des Galilei (1938-1939; A vida de Galileu), sobre a figura do astrônomo renascentista. Brecht foi criticado por outros autores, que achavam suas ideias rígidas em demasia, e para os quais a produção desse artista só se alça acima de suas próprias convenções graças aos dotes de profundo lirismo e ironia. O certo é que, para além da aceitação ou não de suas opiniões teóricas, a obra do escritor alemão, baseada num humanismo crítico, marcou muitas das tendências europeias posteriores.

Literatura do pós-guerra

A lembrança da guerra e o desejo de compreender suas circunstâncias dominaram os primeiros anos da literatura alemã do pós-guerra.

No romance, tal preocupação foi evidente tanto nos autores que desenvolveram seu trabalho na Alemanha ocidental, como Walter Jens e Theodor Plivier, autor do duríssimo Stalingrado, como nos que permaneceram no lado oriental, caso de Arnold Zweig e Anna Seghers.

O sentimento de culpa vivido por muitos dos escritores germânicos foi lentamente dando lugar a uma maior serenidade na análise dos anos anteriores. Determinante nesse processo seria a obra de Heinrich Böll, que, além da denúncia do belicismo em Wo warst du, Adam? (Onde estiveste, Adão?), atentou para os problemas da reconstrução pós-bélica em Billard um halb Zehn (Bilhar às nove e meia). Na Áustria, Heimito von Doderer trabalhou, em Die Dämonen (Os demônios), a intenção de compreender sua época buscando as raízes na Viena de 1920.

O aparecimento, em 1959, do romance de Günther Grass Die Blechtrommel (O tambor de lata), satírica e delirante reconstrução das últimas décadas da história do país, e a narrativa experimental de Peter Weiss Der Schatten des Körpers des Kutchers (1960; A sombra do corpo do cocheiro) devolveram à Alemanha um lugar privilegiado dentro da ficção européia. A linha de renovação estilística desses autores foi continuada por Alexander Kluge, Uwe Johnson, Arno Schmidt, que deu à prosa em língua alemã uma de suas obras-primas com o onírico Zettelstraum (O sonho de Zettel), Siegfried Lenz, os austríacos Peter Handke, Martin Walser e Thomas Bernhard, e a alemã-oriental Christa Wolf. Em outra linha, Michael Ende usou a estrutura tradicional do conto infantil para tecer suas alegorias sobre o mundo contemporâneo: Momo e Die Unendlich Geschichte (A história sem fim). Em meados da década de 1980, Patrick Suskind assombrou a crítica com Das Parfüm (O perfume).

Merecem capítulo à parte três autores que trabalharam em diversos gêneros, dando sempre às suas criações uma marca de profunda independência. O austríaco de origem húngara Elias Canetti, que iniciou sua produção, entre as duas guerras, com a sátira filosófica Die Blendung (Auto-de-fé), recebeu em 1981 o Prêmio Nobel graças a várias obras de análise do mundo contemporâneo, como o ensaio Masse und Macht (Massa e poder). O suíço Max Frisch, autor de romances (Stiller, Homo Faber) e peças teatrais cheias de ironias, como Die Chinesische Mauer (A muralha chinesa), e seu compatriota Friedrich Dürrenmatt, renovador do gênero policial em Der Richter und sein Henker (O juiz e seu carrasco) e dramaturgo demolidor em Der Besuch der alten Dame (A visita da velha senhora) e Die Physiker (Os físicos), também obtiveram repercussão internacional.

O terreno dramático seria basicamente ocupado por autores que cultivaram também a narrativa, como os citados Dürrenmatt e Frisch. Peter Weiss, que em Die Ermittlung (O interrogatório) e Marat-Sade renovou as concepções brechtianas com uma técnica de superposição de realidades distintas, e Rolf Hochhuth, autor de Die Stellvertreter (O vigário), sobre o envolvimento da Igreja Católica com o nazismo, foram talvez os criadores de maior destaque.

A lírica alemã soube renovar o legado expressionista com a depuração estilística de Paul Celan e Hans Magnus Enzensberger, que também ganhou o reconhecimento da crítica por seus ensaios sobre as condições políticas e sociais na Alemanha. Deram caráter mais experimental às suas obras Christoph Meckel e Wolf Biermann, cujo singular texto Preusaicher Ikarus. Lieder/Balladen/Gedichte/Prosa (Ícaro prussiano. Canções, baladas, poesia, prosa) refletiu, na própria multiformidade, o sempre presente afã de renovação da literatura alemã.

Canção dos Nibelungos

Canção dos nibelungos (Nibelungenlied) é o nome por que é conhecido Der Nibelungen Not (A desgraça dos nibelungos), epopéia em alemão medieval, de autor desconhecido, provavelmente austríaco, do início do século XII. O poema destaca-se da literatura cortesã da época pela violência e ênfase no sentimento de vingança. Sua difusão, na literatura universal, foi limitada pelas dificuldades do alemão medieval.

Ao contrário do que acreditavam os primeiros estudiosos modernos da literatura medieval, a Canção dos nibelungos não é a expressão impessoal da alma popular, mas obra de um poeta culto, que, baseado em lendas nórdicas e teutônicas, criou uma obra de força dramática comparável à das tragédias gregas.

Canção dos Nibelungos
Canção dos Nibelungos
Na mitologia germânica, os nibelungos eram uma raça de anões cujo rei se chamava Nibelung. O poema, no qual o nome designa vários personagens, exalta o paganismo germânico e a figura do herói, quase divinizado, que não escapa ao destino inelutável a que se submetem deuses e homens. Sua versificação é impecável: a métrica é a dos cantos mais antigos dos Minnesänger (trovadores), com estrofes de quatro versos, rimados dois a dois.

O poema divide-se em duas partes: na primeira, de 19 cantos, o herói Siegfried apaixona-se por Kriemhild, irmã do rei nibelungo Gunther. Casa-se com ela e ajuda Gunther a casar-se com Brunhild, a rainha da Islândia. A discórdia entre as duas mulheres, no entanto, faz com que Brunhild mande o escudeiro Hagen assassinar Siegfried. Na segunda parte, em vinte cantos, contrapõem-se Hagen e Kriemhild. Esta se casa com Átila, rei dos hunos, e vinga-se de Hagen, matando-o com a espada de Siegfried. A segunda metade do poema tornou-se um verdadeiro canto fúnebre do mundo germânico pagão. A morte lendária de Siegfried confundiu-se com a extinção histórica da linhagem burgúndia, levada a efeito por Átila no ano 437.

Existem, em bibliotecas alemãs, três versões da obra: o manuscrito A, da Biblioteca Estadual de Munique; o manuscrito B, de Sankt Gallen; e o manuscrito C, de Donaueschingen, o mais antigo, com data anterior a 1250. A base para as edições modernas foi o manuscrito B, datado de c.1260 e considerado o mais próximo do original.

Depois da primeira edição parcial da obra, lançada em Zurique em 1757, publicaram-se várias versões dos manuscritos. Dos poemas inspirados na epopéia, o mais importante é a trilogia em versos de Friedrich Hebbel intitulada Die Nibelungen (1862; Os nibelungos), evocação da luta entre o espírito pagão germânico e o cristianismo. Já a célebre tetralogia Der Ring des Nibelungen (1856-1874; O anel dos nibelungos), de Richard Wagner, foi diretamente inspirada na saga nórdica, não na Canção dos nibelungos.
Leipzig
Leipzig

Cidade de Leipzig

Sede de uma das mais célebres universidades européias, a cidade de Leipzig, além de importante centro comercial, é universalmente conhecida por suas atividades culturais, especialmente as que se relacionam com a música, as artes plásticas e as letras.

Leipzig, uma das grandes cidades da Alemanha e a mais importante da Saxônia, situa-se a 182km de Berlim, numa planície um pouco ao norte da confluência dos rios Pleisse, Parthe e Weisse Elster. Movimentado entroncamento ferroviário, é também capital do distrito de mesmo nome.

As primeiras menções à cidade remontam ao século XI. Documentos do ano 1015 referem-se ao povoado fortificado chamado Urbs Libzi, a futura Leipzig, que em 1170 foi elevada à categoria de município. Encravada no cruzamento de rotas comerciais de grande importância, a cidade transformou-se num lugar privilegiado para a atividade dos mercadores. Organizavam-se ali duas grandes feiras anuais: a da Páscoa e a de São Miguel, que no século XV alcançaram a categoria de feiras imperiais.

Durante o século XVII, Leipzig se constituíra no maior centro comercial da Alemanha. Ao longo da guerra dos trinta anos, várias batalhas se travaram em suas proximidades, como as de Breitenfeld, em 1631 e 1642, e a de Lützen, em 1632. Em 1813 a batalha das nações, em que os aliados europeus derrotaram Napoleão, também travou-se nos arredores da cidade.

A partir do século XV, a abertura da universidade e o florescimento da indústria editorial outorgaram a Leipzig papel de destaque na cultura alemã. Em 1839 a cidade beneficiou-se com a construção de uma ferrovia que a comunicou com Dresden, o que aumentou ainda mais sua atividade industrial. Leipzig tornou-se um dos focos do movimento operário alemão.

À produção tradicional de Leipzig -- livros e casacos de pele -- agregaram-se indústrias pesadas, têxteis, químicas e de maquinaria. Sua feira industrial da primavera é uma das mais importantes do mundo. A universidade conserva seu prestígio e a cidade conta ainda com várias escolas de arte, museus e algumas das bibliotecas mais importantes da Europa. Entre os monumentos de Leipzig sobressaem a Thomaskirche, ou igreja de São Tomás, do século XIII; a Rathaus, o velho Conselho Municipal; a Alte Handelsbörse, ou Antiga Bolsa, e o Porão (adega) de Auerbach.

Aachen Cidade de Aachen

A cidade de Aachen, conhecida também como Bad Aachen, Aix-la-Chapelle e Aquisgrano, localiza-se no estado da Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha, próximo à fronteira da Bélgica e dos Países Baixos. Foi fundada pelos romanos no século I e recebeu o nome de Aquae Grani em homenagem a Apolo Grano, o deus greco-romano protetor dos banhos. Devastada pelos bárbaros em 881, foi reconstruída em 983. Tornou-se cidade imperial livre por volta de 1250, mas em conseqüência de sua localização, distante do centro do império, começou a decair no século XVI. Um violento incêndio, em 1656, deixou-a em ruínas. Durante a segunda guerra mundial Aachen sofreu pesados bombardeios e foi a primeira cidade alemã importante a cair em mãos dos aliados, em 20 de outubro de 1944.

Escolhida por Carlos Magno como capital do Sacro Império Romano-Germânico, Aachen foi sede de 32 imperadores ao longo de oito séculos. Três vezes arrasada e reconstruída, tem em suas águas termais e seus monumentos pontos de permanente interesse turístico.


Aachen foi palco de três históricas reuniões internacionais: o tratado de maio de 1668, que pôs fim à guerra da devolução entre a Espanha e a França; a resolução sobre o fim da guerra da sucessão da Áustria, em outubro de 1748; e o Congresso de 1818, que sancionou a retirada da Santa Aliança da França após a derrota de Napoleão. Numerosos sínodos, concílios e dietas foram realizados em Aachen.

O núcleo da cidade antiga ergue-se sobre uma colina ao sul da atual zona edificada. Ruínas de muralhas e fossos ainda podem ser encontradas nas ruas estreitas e de traçado sinuoso, no molde medieval. Em torno da praça do grande mercado estão localizados a casa Consistorial e outros edifícios oficiais.

A cidade é o centro industrial e comercial de uma importante região carbonífera. Seu parque industrial inclui fábricas de máquinas, têxteis, móveis e produtos químicos. A siderurgia e o turismo são as principais atividades econômicas. Há 27 fontes de águas medicinais, uma das quais de temperatura extraordinariamente elevada. Aachen liga-se ao resto do país por uma vasta rede ferroviária e por rodovias.

Entre os monumentos notáveis destaca-se a catedral, na qual são perceptíveis dois estilos: a capela palatina foi construída na forma característica românica-carolíngia e o coro é um exemplar típico da arte gótica. Na galeria que circunda a capela se encontram o trono e o mausoléu de Carlos Magno. As igrejas de São Paulo e São Nicolau, restauradas depois da segunda guerra mundial, e o Rathaus (paço municipal), onde foi assinada a paz de Aachen (1748), são outros monumentos importantes. O museu Suermondt abriga relíquias do período carolíngio e o Museu Internacional do Jornal reúne documentos da imprensa de todas as épocas.

Unificação Alemã Unificação Alemã

Com o Congresso de Viena (1815), a região onde é o atual território da Alemanha foi dividida em 38 Estados independentes. Entre todos eles, Áustria e Prússia eram as nações mais poderosas e tinham posições divergentes. Enquanto a Áustria era um país predominantemente agrícola e não via com bons olhos a ideia da unificação alemã, a Prússia acreditava que desta forma era possível proporcionar um grande desenvolvimento à região.

Um claro exemplo da divergência entre os dois países foi a exclusão da Áustria do “zollverein”, um acordo que eliminava as taxas alfandegárias, assinado entre a Prússia e todos os outros Estados alemães. Em 1862, o rei da Prússia nomeou Otto Von Bismark como primeiro-ministro, o que foi fundamental para a unificação alemã.

Von Bismark era extremamente nacionalista e via o uso da força militar como principal alternativa em qualquer conflito. A primeira investida do mesmo foi a conquista dos ducados dinamarqueses de Schleswig e Holstein, uma vez que suas populações eram predominantemente alemãs. Em 1866, o primeiro-ministro provocou um conflito com a Áustria e saiu vencedor. Tal vitória foi de suma importância naquele contexto, uma vez que reduziu a grande influência política dos austríacos, abrindo o caminho para a criação da Confederação Germânica dos Estados do Norte.

Mesmo com a unificação do Norte, os Estados do sul se mantiveram neutros, e Von Bismarck não interveio nessa situação. Para finalmente unificar toda a nação alemã, a estratégia do primeiro-ministro era a de provocar uma grande guerra e despertar o espírito nacionalista em todos os alemães.

A França foi o alvo, já que era declaradamente contra tal unificação. Em 1º de Setembro de 1870, os franceses foram derrotados, tendo sido obrigados posteriormente a pagar uma multa muito grande para os padrões da época e a ceder a região da Alsácia-Lorena. Após todos estes conflitos, o império alemão finalmente se unificou e começou a viver um período de grande desenvolvimento econômico e industrial.
Idioma Alemão

Idioma Alemão

No decurso do seu completo desenvolvimento histórico, os povos germânicos tiveram na língua alemã um fator de unificação que lhes permitiu manter uma tradição cultural comum.

O alemão é uma língua indo-européia, do grupo germânico, usada principalmente na Europa central e em certas regiões da Europa oriental e ocidental. A certidão de nascimento dessa língua são os Strassburger Eide (Juramentos de Estrasburgo), do ano 842, que estabeleceram a fronteira entre os germânicos alemães e os germânicos francos (transformados pela latinização completa em franceses).

Fronteiras da língua. Em grande parte da Europa central e oriental as fronteiras políticas e as lingüísticas nunca coincidiram. A língua alemã é falada na Alemanha, na Áustria e na maioria dos cantões da Suíça. Na Europa ocidental existem ilhas lingüísticas do alemão em Luxemburgo e nos cantões belgas de Eupen e Malmédy; o alemão também é falado na Alsácia (França) e na província de Bolzano (Tirol italiano). Essas ilhas lingüísticas têm escassa importância literária; os alsacianos, que participaram fortemente da literatura alemã medieval, foram depois afrancesados e só usam alemão como dialeto falado.

De importância literária muito maior são os grupos de fala alemã na Europa oriental. Na área em que se instalou a República Tcheca, que pertenceu até 1918 à Áustria, sempre se usou parcialmente o alemão, sobretudo em Praga; esta abrigou até 1945 uma minoria alemã, da qual saíram escritores importantes como Rainer Maria Rilke e Franz Kafka. Existiam ou existem ilhas lingüísticas do alemão na Transilvânia (Romênia) e sobretudo nos países bálticos, cuja minoria de fala alemã teve forte atividade literária, especialmente na segunda metade do século XVIII.

A língua alemã falada divide-se em grande número de dialetos, de pronúncia bem diferente do alemão literário, que na Áustria, na parte alemã da Suíça e nas regiões rurais do norte da Alemanha é usado exclusivamente na vida pública, na escola e nos livros e periódicos. As diferenças quanto à língua falada são tão notáveis que o austro-alemão, o Schwyzerdütsch (na Suíça) e o Plattdeutsch (baixo alemão), quando falados, são praticamente incompreensíveis aos alemães de outras regiões.

Evolução histórica. A língua alemã é, historicamente, o resultado da primeira Lautverschiebung (mutação consonântica), ocorrida durante a época das grandes migrações e terminada antes do ano 750. Por essa mutação, efeito da influência da pronúncia celtizada e romantizada dos alemães do sul, o Hochdeutsch (alto alemão) separou-se definitivamente de todas as outras línguas germânicas e do Plattdeutsch. O resultado foi o Althochdeutsch (alemão antigo), da época carolíngia, tão diferente do alemão moderno, que parece uma língua estrangeira. Nele foram redigidos os primeiros textos da literatura alemã.

Uma segunda mutação aconteceu por volta de 1130, sob a influência do dialeto bávaro-austríaco. Seu resultado foi o Mittelhochdeutsch (alemão medieval), em que estão redigidos todos os textos literários da época entre 1130 e 1250.

Uma tentativa de reunificação da língua, com base nos dialetos da Saxônia, foi feita no século XIV pela chancelaria do imperador Carlos IV (1346-1378) em Praga. Essa "linguagem da chancelaria" foi adotada no século XV pelas autoridades da Alemanha do centro e do sul, sendo que a invenção da imprensa tipográfica forçou a unificação, para que a venda dos livros impressos se tornasse possível em todo o território de língua alemã. No começo do século XVI a unificação foi concluída pela tradução da Bíblia (1522-1534) por Martinho Lutero, que conferiu ao dialeto saxônico a dignidade de nova língua literária, o Neuhochdeutsch.

Morfologia. Entre os traços mais característicos do alemão atual estão a declinação de substantivos e pronomes, a existência de três tempos primitivos dos verbos (infinitivo, indicativo passado e particípio passado) e de dois tipos de conjugação: fraca ou regular e forte ou irregular. A sintaxe apresenta certas estruturas rígidas de ordenação das palavras na frase. Uma oração assertiva pode começar pelo sujeito ou qualquer outro elemento, mas o verbo conjugado (principal ou auxiliar) ocupa sempre a segunda posição. O verbo principal, nos tempos compostos, aparece sempre no final da oração. A voz passiva constrói-se com o auxiliar werden ("tornar-se") e apresenta a particularidade de poder ser empregada mesmo com verbos intransitivos, mediante uma construção impessoal.

Albrecht Wenzel von Wallenstein Albrecht Wenzel von Wallenstein

Albrecht Wenzel Eusebius von Wallenstein, também chamado Waldstein ou Valdstyn, nasceu em Hermanice, Boêmia, em 24 de setembro (14 de setembro, no calendário juliano) de 1583. Órfão aos 13 anos, foi matriculado por seu tio numa escola protestante na Silésia e, em 1599, na Universidade Protestante de Altdorf. Viajou pela Alemanha, França e Itália de 1600 a 1602, e converteu-se ao catolicismo em 1606. Em 1617, enriquecido depois da morte da mulher, financiou uma força mercenária em apoio a Fernando II, futuro imperador do Sacro Império Romano- Germânico, na guerra contra Veneza.

A ambição de Wallenstein, comandante austríaco na guerra dos trinta anos, levou-o a tentar acordos de paz à revelia do imperador Fernando II, que ordenou seu assassinato.

Por ocasião da luta contra Cristiano IV da Dinamarca, Fernando II o convocou. Wallenstein reuniu cerca de cinqüenta mil homens, entre veteranos, bandidos e miseráveis da Alemanha, prometendo premiá-los com o saque das regiões conquistadas. Venceu os dinamarqueses e recebeu o título de almirante-general do Báltico. Organizou então uma esquadra para conquistar a Dinamarca e a Suécia, mas o imperador, temendo dar-lhe excessivo poder, assinou a paz com Cristiano no Tratado de Lübeck, em 1629, e deu a Wallenstein os ducados de Sagan e Mecklenburg.

O general, no entanto, foi reconvocado quando Gustavo II Adolfo da Suécia invadiu o Sacro Império Romano-Germânico. O confronto entre os adversários ocorreu na batalha de Lützen em novembro de 1632. Embora Gustavo II Adolfo morresse em combate, a vitória foi sueca. Na esperança de obter acordos vantajosos para si próprio, Wallenstein entrou em negociações com várias potências, mas caiu em descrédito. Acusado de traição, Wallenstein foi assassinado em Eger, na Boêmia, em 25 de fevereiro de 1634, a mando do imperador.

Albrecht DürerAlbrecht Dürer

Albrecht Dürer nasceu em Nuremberg, em 21 de maio de 1471. Filho de um ourives célebre, aprendeu desenho com o pai e mostrou surpreendente precocidade no "Auto-retrato" que executou aos 13 anos. Por indicação do pai, entrou em 1486 para o ateliê de Michel Wohlgemuth a fim de aprender pintura e gravura em madeira. Seu primeiro quadro conhecido, um retrato de seu pai, data desse período.

Figura principal da arte alemã do século XVI, o pintor e gravador Dürer criou uma obra em que conjuga o estilo clássico renascentista, que conheceu na Itália, ao gótico germânico.

Na primeira das quatro viagens que faria, por volta de 1490, Dürer visitou os Países Baixos e depois a Alsácia, onde conheceu a obra do gravador alemão Martin Schongauer, morto havia pouco, cujo traço firme e preciso teve influência determinante em sua obra posterior. Radicou-se então em Basiléia, na Suíça, e ali executou a primeira xilogravura que sem sombra de dúvida pode ser-lhe atribuída, intitulada "São Jerônimo curando o leão". Possivelmente na mesma época pintou o famoso "Auto-retrato com flor de cardo".

De volta a Nuremberg, casou-se em 1494 e pouco depois empreendeu viagem para Veneza, a fim de estudar a arte renascentista italiana, com a qual havia tido contato no ateliê de Wohlgemuth. Conheceu então as obras de Antonio Pollaiuolo, Andrea Mantegna e Leonardo da Vinci e passou a interessar-se pelo ideal de beleza clássico, os nus e a perspectiva.

Retratos de importantes personalidades alemãs, como o de Frederico o Sábio, eleitor da Saxônia, conservado no Museu do Prado (Madri), e "A adoração dos magos" (Uffizi, Florença) revelam a enorme influência que a composição espacial, a luz e o colorido da pintura italiana exerceram sobre Dürer. De 1498 são as 15 gravuras em madeira, "O Apocalipse". Da mesma época são as gravuras da paixão de Cristo, ditas "A grande Paixão", só editadas em 1511, quando apareceu também "A pequena Paixão", série de 37 gravuras. Essas séries mostram a mesma influência, embora persistam nelas a imaginação e a força expressiva gótica próprias da arte alemã.

Em 1505, já famoso como gravador, viajou novamente a Veneza e pintou alguns de seus melhores quadros religiosos: "Jesus entre os doutores" e "Festa do rosário". Seu estilo tornou-se mais rico e o ideal clássico renascentista mostrou-se totalmente assimilado, como se verifica em "Adão e Eva", um dos primeiros nus da pintura alemã. Desses anos são também suas melhores gravuras, entre as quais se destacam "O cavaleiro, a morte e o diabo", "São Jerônimo em sua cela" e "Melancolia", realizados entre 1513 e 1514 e já muito associados à estética renascentista.

Entre 1512 e 1519, Dürer esteve a serviço do imperador Maximiliano I, de quem fez retratos e desenhos. Sua última viagem, realizada em 1520 aos Países Baixos, deu-lhe a oportunidade de conhecer o novo imperador Carlos V e estudar as principais obras da pintura flamenga.

Dürer passou seus últimos anos em Nuremberg, dividindo o tempo entre o trabalho artístico e o teórico. Pintou outros retratos e sua obra mais conhecida, "Os quatro apóstolos", que ilustra bem a fusão dos estilos germânico e italiano. Começou a redigir um tratado de pintura, do qual só completou a parte referente à anatomia humana, publicado postumamente sob o título Vier Bücher von menschlicher Proportion (Quatro livros sobre as proporções do corpo humano). Escreveu também duas obras sobre geometria e arquitetura. Albrecht Dürer morreu na cidade natal, em 6 de abril de 1528.

Albert Einstein Albert Einstein

Albert Einstein nasceu na cidade alemã de Ulm, em 14 de março de 1879. Filho de um pequeno industrial judeu, iniciou os estudos em Munique e cedo se destacou no estudo da matemática, física e filosofia. Ainda na infância, incentivado pela mãe, começou a estudar violino, instrumento que o acompanharia ao longo da vida. Com o objetivo de tornar-se professor, concluiu o curso de graduação no Instituto Politécnico de Zurique, em 1900, época em que já dedicava a maior parte de seu tempo ao estudo da física teórica. Obteve nessa época a cidadania suíça e, não tendo conseguido colocação na universidade, aceitou um lugar no departamento de patentes em Berna.

O mais célebre dos cientistas do século XX, responsável por teorias que revolucionaram não apenas a física, mas o próprio pensamento humano, Einstein acreditava que só a evolução moral impediria uma catástrofe a nível planetário.

Em 1905, ano em que concluiu o doutorado, Einstein publicou quatro ensaios científicos, cada um deles com uma grande descoberta no campo da física. No primeiro, fez uma análise teórica do movimento browniano, produzido pelo choque das partículas de um líquido sobre corpos microscópicos nele introduzidos; no segundo, formulou uma nova teoria da luz, com o importante conceito de fóton, baseando-se na teoria quântica proposta em 1900 pelo físico Max Planck; no terceiro, expôs a formulação inicial da teoria da relatividade e no quarto e último trabalho, propôs uma fórmula para a equivalência entre massa e energia, a célebre equação E = mc2, pela qual a energia E de uma quantidade de matéria, com massa m, é igual ao produto da massa pelo quadrado da velocidade da luz, representada por c.

Descoberta da relatividade. No ensaio dedicado à relatividade, intitulado "Elektrodynamik Bewegter Körper" ("Movimento eletrodinâmico dos corpos"), o cientista afirma que espaço e tempo são valores relativos e não absolutos, ao contrário do que se acreditava até então. Afirma ainda ser a da luz a velocidade máxima no universo e acrescenta: para o corpo que se deslocasse a essa velocidade, o tempo sofreria uma dilatação, ao mesmo tempo em que se registraria uma contração do espaço. Assim, o corpo que permanecesse em repouso envelheceria em relação ao outro corpo, em movimento.

Cada vez mais respeitado no meio acadêmico, Einstein ensinou em Berna, Zurique e Praga, entre os anos de 1909 e 1913. Foi então convidado a ocupar uma cátedra na Universidade de Berlim, que pouco depois acumulou com a direção do respeitado Instituto Kaiser Wilhelm. Nessa época, sua grande preocupação era a generalização da teoria da relatividade, com a elaboração de uma nova teoria capaz de interpretar, por meio de considerações semelhantes, o campo eletromagnético e o campo gravitacional, que acabaria por receber a denominação de teoria do campo unificado. Em 1916, o cientista publicou Grundlage der allgemeinen Relativitätstheorie (Fundamento geral da teoria da relatividade), formulação final da teoria geral da relatividade. Nesse mesmo ano, passou a manifestar uma preocupação com os problemas sociais que o acompanharia ao longo de toda a sua carreira.

Em 1919, Einstein tornou-se conhecido em todo o mundo, depois que sua teoria foi comprovada em experiência realizada durante um eclipse solar. Por essa época começou a viajar pelo mundo, não apenas para expor suas teorias físicas, mas também para debater problemas como o racismo e a paz mundial. Uma dessas viagens o traria ao Brasil, em 1925. Em 1921, foi agraciado com o Prêmio Nobel de física e indicado para integrar a Organização de Cooperação Intelectual da Liga das Nações. No mesmo ano, publicou Über die spezielle und allgemeine Relativitätstheorie gemeinverständlich (Sobre a teoria da relatividade especial e geral), obra de divulgação.

A noção de equivalência entre massa e energia, a do continuum quadridimensional e outras descobertas de Einstein provocaram uma verdadeira renovação do pensamento humano, num período de grande fertilidade intelectual, com interpretações filosóficas das mais diversas tendências. Os resultados de suas descobertas foram utilizados como argumento tanto pelos defensores do empirismo de total rigor lógico quanto pelos adeptos do idealismo matemático, segundo o qual o universo pode ser reduzido à abstração das fórmulas e das relações numéricas.

Bomba atômica e pacifismo. Em 1933, um ano após visitar universidades e instituições de pesquisas nos Estados Unidos, Einstein renunciou a seus cargos na Alemanha, onde os nazistas já estavam no poder, e fixou residência em território americano. Passou a ensinar no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, do qual se tornaria diretor. Em 1940 adotou a cidadania americana.

Durante esse período, o desenvolvimento de armas nucleares e as manifestações cada vez mais freqüentes de racismo no mundo constituíram as principais preocupações de Einstein. Os físicos alemães Otto Hahn e Lise Meitner tinham descoberto como provocar artificialmente a fissão do urânio. Na Itália, as pesquisas de Enrico Fermi indicavam ser possível provocar uma reação em cadeia, com a liberação de um número cada vez maior de átomos de urânio e, em conseqüência, de enorme quantidade de energia. Fermi, que acabara de chegar aos Estados Unidos, e os físicos húngaros Leo Szilard e Eugene Wigner pediram então a Einstein que entrasse em contato com a Casa Branca. Ele escreveu então uma carta ao presidente Franklin Roosevelt em que alertava para o risco que significaria para a humanidade a utilização pelos nazistas da tecnologia nuclear na fabricação de armas de grande poder destrutivo. Logo após receber a mensagem, o chefe de estado americano deu início ao projeto Manhattan, que tornou os Estados Unidos pioneiros no aproveitamento da energia atômica em todo o mundo e resultou na fabricação da primeira bomba atômica.

Embora não tivesse participado do projeto e sequer soubesse que uma bomba atômica tinha sido construída até que Hiroxima fosse arrasada, em 1945, o nome de Einstein passou para a história associado ao advento da era atômica. Durante a segunda guerra mundial, ele participou da organização de grupos de apoio aos refugiados e, terminado o conflito, após o lançamento de bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki, uniu-se a outros cientistas que lutavam para evitar nova utilização da bomba. Intensificando a militância pacifista, defendeu particularmente o estabelecimento de uma organização mundial de controle sobre as armas atômicas. Em 1945, renunciou ao cargo de diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, mas continuou a trabalhar naquela instituição.

A intensa atividade intelectual de Einstein resultou na publicação de grande número de trabalhos, entre os quais vale destacar Warum Krieg? (1933; Por que a guerra?), em colaboração com Sigmund Freud; Mein Weltbild (1949; O mundo como eu o vejo); e Out of My Later Years (1950; Meus últimos anos). A principal característica de sua obra foi uma síntese do conhecimento sobre o mundo físico, que acabou por levar a uma compreensão mais abrangente e mais profunda do universo. Suas descobertas tornaram possível entender o comportamento das partículas animadas de grande velocidade e suas respectivas leis. Os princípios da relatividade revolucionaram a física newtoniana pois, com o emprego de aceleradores, tornou-se possível obter partículas animadas de enorme velocidade, cuja mecânica em muito se afasta das leis newtonianas.

Einstein conseguiu reduzir as leis da mecânica e harmonizá-las com aquelas que regem as propriedades dos campos eletromagnéticos. Com sua concepção de fóton, permitiu que mais tarde se fundissem, na teoria ondulatória de Louis de Broglie, a mecânica e o eletromagnetismo, o que no século anterior parecia impossível. Albert Einstein morreu em Princeton, em 18 de abril de 1955.

Adolf HitlerAdolf Hitler

Adolf Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 na localidade austríaca de Braunau am Inn. Sem concluir os estudos de segundo grau em Linz, mudou-se em 1908 para Viena, onde o sonho de tornar-se pintor foi truncado quando não conseguiu ingressar na Academia de Belas-Artes. Durante sua permanência na capital austríaca, ganhou a vida precariamente pintando cartões-postais, enquanto absorvia as idéias nacionalistas e anti-semitas que mais tarde o levariam ao poder.

O ressentimento dos alemães pela derrota sofrida na primeira guerra mundial e a crise econômica e social da década de 1930 favoreceram a ascensão do partido nazista e de seu líder, Adolf Hitler.

Em 1913 mudou-se para Munique, e um ano depois, quando eclodiu a primeira guerra mundial, alistou-se no exército alemão. Recebeu a guerra com entusiasmo, como um alívio para suas frustrações e a falta de sentido de sua vida. Ferido duas vezes em combate, em 1916 e 1918, ganhou a Cruz de Ferro, importante condecoração militar.

Terminada a guerra, continuou vinculado ao Exército e, em setembro de 1919, filiou-se ao Partido Alemão dos Trabalhadores, que, um ano depois, passou a chamar-se Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores, o partido nazista. Em julho de 1921, Hitler assumiu a chefia absoluta da organização, que se nutria de elementos de diferentes categorias sociais e ideologias, como veteranos de guerra, desempregados, anticomunistas e nacionalistas.

Em 1923, depois que os franceses ocuparam a região do Ruhr para assegurar o pagamento de indenizações de guerra, Hitler dirigiu a intentona conhecida como putsch de Munique. O movimento fracassou e Hitler foi condenado a cinco anos de prisão na fortaleza de Landsberg, embora só tenha cumprido nove meses da pena. No cárcere, escreveu o primeiro volume de Mein Kampf (1925-1927; Minha luta), livro de propaganda nazista, no qual expôs suas principais idéias: o ódio aos judeus, a superioridade da raça ariana representada pelo povo alemão e a predestinação do líder (Führer) dos alemães para impor o estado germânico sobre o resto do mundo.

Recuperada a liberdade, Hitler dedicou-se a reorganizar o partido e a prepará-lo para a conquista do poder pela via eleitoral. Enfrentou oponentes dentro do partido, cuja atividade decaiu durante alguns anos. Em 1929, a crise econômica internacional afetou gravemente a Alemanha e provocou um crescimento das organizações comunistas. A classe média e os grandes industriais, alarmados, começaram a apoiar, até mesmo financeiramente, os nazistas, que nas eleições de 1930 converteram-se na segunda força política do país, com mais de seis milhões de votos.

As organizações paramilitares nazistas provocaram o terror e a desestabilização política da república de Weimar. As contínuas demissões de chanceleres (na Alemanha, cargo equivalente a primeiro-ministro) obrigaram o presidente Paul von Hindenburg a convocar novas eleições para julho de 1932. O partido de Hitler triunfou, com cerca de 14 milhões de votos. As ações terroristas recrudesceram e, em janeiro de 1933, Hindenburg nomeou Hitler chanceler. Em 27 de fevereiro, ocorreu o incêndio do Reichstag (sede do Parlamento), ateado pelos nazistas mas atribuído por eles aos comunistas, pretexto para que Hitler assumisse poderes ilimitados.

Em 2 de agosto de 1934 Hindenburg morreu, e Hitler nomeou-se presidente, comandante supremo das forças armadas e Führer do Terceiro Reich. Nos anos seguintes, seu governo perseguiu todos os grupos opositores, sobretudo os marxistas e os judeus. Criou uma poderosa polícia política, a Gestapo, e ordenou a construção de numerosos campos de concentração. Organizou, ao mesmo tempo, uma avançada indústria de guerra que converteu a Alemanha no país mais bem armado da Europa. Tornou-se muito rico mas levava uma vida ascética. Conquanto exercesse uma liderança magnética sobre os subordinados, a rotina do poder lhe desgostava e ele deixava as tarefas administrativas com os ministros. Era sujeito a freqüentes acessos de fúria.

Consolidado no poder, Hitler pôde dedicar-se à consecução de seu sonho político: a expansão do Terceiro Reich pela Europa. Depois do plebiscito de união do Sarre à Alemanha, da anexação da Áustria e da ocupação da Tchecoslováquia, o ataque à Polônia provocou a declaração de guerra por parte do Reino Unido e da França. Os dois primeiros anos da segunda guerra mundial foram favoráveis à Alemanha; mas o ataque à União Soviética em junho de 1941 marcou, depois de grandes vitórias iniciais, uma mudança decisiva na balança militar. Os soviéticos resistiram à invasão do Exército alemão, o qual, a partir de 1942, e sobretudo depois da entrada dos Estados Unidos no conflito, sofreu enorme desgaste nas diversas frentes.

Em julho de 1944, Hitler ficou ligeiramente ferido num atentado perpetrado por um grupo de militares e desde então isolou-se ainda mais. Em janeiro de 1945, quando a derrota da Alemanha era só uma questão de tempo, começou a apresentar sinais de senilidade, talvez loucura, e refugiou-se com a mulher, Eva Braun, no Bunker (abrigo subterrâneo) da chancelaria em Berlim. Ali se casaram, em 29 de abril de 1945. No dia seguinte, quando tropas soviéticas já tinham penetrado em Berlim, ambos se suicidaram. Em obediência a suas ordens, os dois corpos foram encharcados com gasolina, queimados e enterrados nos jardins do quartel-general nazista.

Segundo documentos russos divulgados em 1995, os restos de Hitler foram trasladados para uma base militar em Magdeburg. Em 1970, os despojos, mal queimados, foram cremados para que não se tornassem foco de homenagem de neonazistas.

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