Guerra dos Emboabas em Minas Gerais

Guerra dos Emboabas em Minas Gerais

Guerra dos Emboabas em Minas GeraisConflito entre brasileiros e portugueses, pela posse das minas de ouro no território de Minas Gerais, a Guerra dos Emboabas começou em 1708 e só terminou em 1710. Garantidos por ato régio, os paulistas se julgavam com o direito de dirigir os trabalhos de mineração, mas a enorme afluência de forasteiros e as dificuldades surgidas no abastecimento ocasionaram repetidos choques armados com os "Emboabas". (A palavra parece derivar do nome dado pelos indígenas às aves de pernas emplumadas, para referir-se aos portugueses, que usavam botas de cano alto.)

A exploração do ouro no Brasil-colônia suscitou sangrentas repressões do poder português, como a guerra dos emboabas.

O ponto de referência para o início das lutas é 12 de outubro de 1708, quando Borba Gato, superintendente das minas, determinou que o chefe dos Emboabas, Manuel Nunes Viana, grande criador de gado e contrabandista de ouro, fosse expulso de Minas Gerais. Nunes Viana, estabelecido na Bahia, também disputava em Minas Gerais o monopólio da carne, fumo e aguardentes de que necessitavam os bandeirantes, mas não era o único. Sob seu comando, os emboabas estabeleceram um governo próprio na região e decidiram atacar os paulistas concentrados em Sabará, às margens do rio das Mortes. Um contingente comandado por Bento do Amaral Coutinho atacou os paulistas, chefiados por Valentim Pedroso de Barros e Pedro Pais de Barros, no Arraial da Ponta do Morro, atual Tiradentes. Derrotados, os paulistas renderam-se a Amaral Coutinho. Este, em desrespeito às garantias dadas, trucidou cerca de 300 paulistas (alguns historiadores reduzem esse número a cinqüenta), no local que ficou conhecido como Capão da Traição, em janeiro ou fevereiro de 1709.

A paz só foi restabelecida com a chegada do capitão-general do Rio de Janeiro, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, que obrigou Nunes Viana a deixar Minas Gerais e voltar para a região do rio São Francisco. Alguns paulistas recuperaram suas antigas lavras, mas outros debandaram. Em 11 de novembro de 1709 foi criada a Capitania de São Paulo e Minas, governada por Antônio de Carvalho.

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Rio Araguaia no Estado de Mato Grosso

Rio Araguaia no Estado de Mato Grosso

Rio Araguaia no Estado de Mato Grosso
O Rio Araguaia é afluente da margem esquerda do Tocantins, rio da bacia amazônica. Nasce na serra Caiapó, no sul de Goiás, e corre no sentido geral sudoeste-nordeste. Um dos mais longos rios do Brasil, o Araguaia tem 1.902km, segundo o Conselho Nacional de Geografia; no passado, eram-lhe atribuídas extensões diversas, de até 2.627km. Em seu percurso, serve de limite entre os estados de Tocantins, Mato Grosso e Pará, e entre Mato Grosso e Goiás, onde se bifurca para formar a ilha do Bananal. O braço esquerdo, o maior, tem 300m de largura, e o direito, que mais adiante toma o nome de rio Javaés, 276m.

Um dos grandes rios do Centro-Oeste brasileiro, o Araguaia sobressai como um dos mais piscosos e por formar a ilha do Bananal, santuário ecológico e a maior ilha fluvial do mundo.

A largura média do Araguaia é de 1.600m e sua descarga na foz oscila entre 733 e 7.631m3. Navegável por 1.300km, da vila de Aruanã GO a Araguacema TO, tem como principais afluentes, pela margem esquerda, os rios Barreiros e das Mortes; pela direita, o Água Limpa e o Vermelho. O Araguaia banha as cidades de Baliza e Aragarças, em Goiás; Araguatins e Araguacema, em Tocantins; Alto Araguaia e Barra do Garça, em Mato Grosso; e Conceição do Araguaia, no Pará.

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Anhanga | O Mito Mais Antigo do Brasil

Anhanga | O Mito Mais Antigo do Brasil

Anhanga, O Mito Mais Antigo do BrasilO Mito do Anhanga, alma errante que vagava pelos campos e florestas, é dos mais antigos do Brasil. Os padres José de Anchieta, Manuel da Nóbrega e Fernão Cardim fazem referência em suas cartas ao espírito malfazejo que atemorizava os indígenas e homens do campo. André Thevet, cronista que acompanhou Villegaignon na expedição francesa ao Brasil em 1955, cita-o com o nome de agnan, enquanto Hans Staden chama-o ingang. O poeta Gonçalves Dias, que era também estudioso das culturas do Novo Continente, acreditava ser o nome derivado de mbai-aiba, coisa má. Em sua poesia, como na música de Villa-Lobos, a grafia anhangá é preferida.

Quando o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva ateou fogo a um pouco de aguardente que os índios pensavam ser água, levou-os a crer que possuía poderes mágicos. Os silvícolas chamaram-no então Anhanguera (nome derivado de anhanga), que significa diabo velho.

Os vários tipos de anhanga tomam nomes diferentes, de acordo com a forma física em que se corporificam. Mira-anhanga, tatu-anhanga, suaçu-anhanga, tapira-anhanga e pirarucu-anhanga designam o mau espírito respectivamente sob a forma de gente, tatu, veado, boi e peixe.

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José Bonifácio de Andrada e Silva

José Bonifácio de Andrada e Silva 

José Bonifácio de Andrada e Silva José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu em Santos (SP), em 13 de junho de 1763. Diplomou-se em filosofia e leis pela Universidade de Coimbra e completou em Paris os cursos de mineralogia e química. Seus estudos levaram-no a percorrer durante dez anos vários países da Europa. De volta a Portugal, ocupou a cadeira de mineralogia de Coimbra e exerceu diversos cargos ligados a sua especialidade.

Nascido no Brasil mas radicado em Portugal durante grande parte da vida, o Patriarca da Independência foi o primeiro brasileiro a ocupar um ministério, no reinado de D.Pedro I, de cujos filhos seria mais tarde nomeado tutor.

Em 1808 e 1809 participou das lutas contra as invasões francesas, tendo conquistado as patentes de major, tenente-coronel e comandante. Adepto do sistema monárquico, não poupou no entanto críticas ao governo português e admoestações severas dirigidas aos ministros de estado. É quase certo que colaborou com Francisco de Melo Franco no poema "O reino da estupidez", que satiriza os professores e métodos de ensino de Coimbra.

Regresso ao Brasil. Aos 56 anos de idade, voltou finalmente ao Brasil e recolheu-se ao sítio de Santos em companhia da família, da biblioteca com seis mil volumes e de suas preciosas coleções de moedas e minerais. Sistematizou suas ideias sobre a administração da província de São Paulo num folheto e o enviou a Lisboa. Nomeado vice-presidente da junta governante de São Paulo constituída em junho de 1821, já no ano seguinte assumiu o cargo de ministro do Reino, tornando-se o líder do movimento pela consolidação da regência de D.Pedro, em oposição às medidas recolonizadoras de Lisboa.

José Bonifácio de Andrada e Silva

A gestão de José Bonifácio como ministro foi marcada por disputas com a maçonaria, organização da qual fazia parte mas de cujo grupo político, liderado por Joaquim Gonçalves Ledo, divergia. Ledo é o provável autor da proclamação "Aos povos do Brasil" de 1°de agosto de 1822, na qual se fala em união e independência. José Bonifácio assinou, em 6 de agosto, o manifesto às nações amigas. A rivalidade provocou a demissão de José Bonifácio e seu irmão Martim Francisco, aceita por D. Pedro I poucos dias após sua aclamação como imperador, mas retratada 48 horas depois. Reassumiu com plenos poderes e se propôs colocar em prática o programa de "centralizar a união e prevenir desordens". Teve lugar então a devassa conhecida como Bonifácia, com prisão e exílio dos adversários dos Andradas.

Novo conflito surgiu com os debates da assembleia constituinte, instalada em 3 de maio de 1823, sob a chefia de Antônio Carlos de Andrada. As questões polêmicas iam da extinção do tráfico negreiro ao fortalecimento do poder imperial, permeada pela antiga rivalidade entre portugueses natos (pés-de-chumbo) e brasileiros (pés-de-cabra). A questão que determinou o afastamento de José Bonifácio foi um projeto que fixava o prazo de três meses para a expulsão dos portugueses suspeitos de posições contrárias à independência. Os Andradas mantinham-se intransigentes e recusavam até mesmo a anistia aos adversários políticos de São Paulo.

Oposição, exílio e novo regresso. Ao sair do ministério, José Bonifácio passou à oposição e fundou o jornal O Tamoio. Em 11 de novembro de 1823 dissolveu-se a assembleia e os Andradas foram presos e banidos. Exilado na França, José Bonifácio publicou em 1825 as Poesias avulsas de Américo Elísio. Retornou ao Brasil em 1829 e retirou-se para a ilha de Paquetá RJ, de onde saiu para assumir a cadeira de deputado pela Bahia, na condição de suplente, em apenas duas sessões legislativas.

Já reconciliado com D.Pedro I na época da abdicação, José Bonifácio assumiu a tutoria dos filhos do imperador. Um decreto da regência, em dezembro de 1833, suspendeu-o da função. Preso em seu domicílio de Paquetá, aguardou o resultado do processo instaurado contra ele por conspiração, só encerrado em 1835.

Da obra de José Bonifácio, além das monografias científicas, destaca-se a contribuição do estadista expressa em cinco documentos: Lembranças e apontamentos (1821), Instruções de 19 de junho (1822), Manifesto do príncipe-regente do Brasil aos governos e nações amigas (1822), Apontamentos para a civilização dos índios bravos do Império do Brasil (1823) e Representação à Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a escravatura (1825).

Em seus últimos anos de vida permaneceu em Paquetá, de onde só saía para reuniões da maçonaria e da Sociedade de Medicina. Morreu em Niterói RJ em 6 de abril de 1838.

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Hileia Amazônica | Floresta com Maior Biodiversidade do Planeta

Hileia Amazônica | Floresta com Maior Biodiversidade do Planeta

Hileia Amazônica, Floresta com Maior Biodiversidade do Planeta

Amazônia também chamada de Floresta Amazônica, Selva Amazônica, Floresta Equatorial da Amazônia, Floresta Pluvial ou Hileia Amazônica é uma floresta latifoliada úmida que cobre a maior parte da Bacia Amazônica da América do Sul. Esta bacia abrange sete milhões de quilômetros quadrados, dos quais cinco milhões e meio de quilômetros quadrados são cobertos pela floresta tropical. Esta região inclui territórios pertencentes a nove nações. A maioria das florestas está contida dentro do Brasil, com 60 por cento da floresta, seguido pelo Peru com 13 por cento e com pequenas quantidades na Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e França (Guiana Francesa). Estados ou departamentos de quatro nações têm o nome de Amazonas por isso. A Amazônia representa mais da metade das florestas tropicais remanescentes no planeta e compreende a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo. É um dos seis grandes biomas brasileiros.

No passado disputada por vários países, a Amazônia vem sendo lentamente integrada à economia brasileira. "Pulmão do mundo", maior reserva da natureza selvagem, seu desafio, para o Brasil, é o de um aproveitamento equilibrado, ecológico.
#Geografia Física da Amazônia

Geografia Física da Amazônia

Geograficamente, a região a que se dá o nome de Amazônia corresponde à bacia do Rio Amazonas, um gigantesco losango verde que, na largura, vai da pequena cidade peruana de Pongo Manseriche até o norte do Maranhão, e na altura, cuja altura vai do delta do Orinoco, na Venezuela, ao norte de Mato Grosso, no curso médio do rio Juruena.

Há, no entanto, pelo menos duas outras classificações. Uma é a da Amazônia como região Norte do Brasil, compreendendo cinco estados: Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Acre e Rondônia, o que soma em seus limites políticos 3.581.180km2 (42% da extensão territorial do país); outra é a denominada Amazônia Legal, criada pela lei n 5.173, de 27 de outubro de 1966, para fins de planejamento: alcança, além da área acima, a maior parte do Maranhão, o norte de Mato Grosso e o estado do Tocantins, totalizando 5.033.072km2 (59,1% do Brasil).

A Amazônia é terra de clima equatorial, de calor intenso e úmido, com temperaturas médias acima de 25o C e uma variação do mês mais quente ao mais frio de menos de 2o C. No sudoeste, porém, a oscilação térmica é bem maior no inverno, quando a massa polar atlântica faz a temperatura descer a 10o C ou menos, no que localmente chamam friagem. Importantes são os totais pluviométricos anuais, que ultrapassam os 1.500mm. Apesar disso, na Amazônia não é particularmente perigosa a incidência de doenças tropicais, e a região apresenta, nesse aspecto, ameaças muito menores que as de regiões parecidas da África e da Ásia.

Assim como a bacia hidrográfica do Amazonas é a maior do mundo, a floresta amazônica também é a maior floresta equatorial da face da Terra, assentada sobre a desmedida planície sedimentar que se estende entre o maciço Guiano e o planalto Brasileiro. Nesse maciço se acham as elevações mais notáveis do relevo brasileiro, como o pico da Neblina, ponto culminante do país, com 3.014m; o 31 de Março, com 2.992m; e o monte Roraima, com 2.875m. A presença da água é perene sobre depósitos aluviais holocênicos e de fertilidade variável, mas em geral específica, indissociável de seu ecossistema, com vastas extensões alagadas na maior parte do ano (igapós) e contínua rede de pequenos canais entre os rios (igarapés).

O solo é, portanto, raso, de escasso aproveitamento agrícola, mas fantástica riqueza vegetal: árvores (inclusive excelentes madeiras), fetos, epífitas, milhares de plantas, muitas das quais ainda não classificadas ou conhecidas (onde se podem achar, segundo ilustres farmacólogos os princípios ativos de novos medicamentos para inúmeras doenças).

A fauna é característica da selva tropical fechada sul-americana, onde impera a onça ou jaguar como o felino mais representativo. Compreende também antas, caititus, primatas, capivaras, cervídeos, uma das maiores concentrações de aves do mundo, sobretudo psitacídeos (araras, papagaios) e rapineiros, fauna aquática opulenta em peixes, mamíferos, crocrodilianos, e ainda a mais extraordinária reunião de insetos do planeta.

História da Amazônia

História da Amazônia

Pelo Tratado de Tordesilhas (1494), toda a região da Amazônia caberia ao reino de Castela. Portugal, no entanto, jamais se acomodou a esse artifício e, com enorme dificuldade, esforçou-se por desbravá-la e colonizá-la ao longo de mais de 200 anos. Só nas seis décadas em que amargou a dominação espanhola encontrou em seus maiores adversários aliados contra as outras potências europeias. De difícil assimilação econômica e política, a região permaneceu quase completamente isolada do resto do país até o fim do Império.


Apesar disso, muitas de suas sociedades ameríndias originais já tinham sido irremediavelmente devastadas. As desastrosas tentativas de escravização, os massacres, o próprio atrito cultural com os colonizadores contribuíram para o sacrifício quase total dos representantes das línguas aruaque, caraíba, jê, tupi e pano. Graças à existência dos aruaques, responsáveis pela cerâmica marajoara, pôde-se datar a ocupação pré-histórica da Amazônia, isto é, anterior à descoberta europeia, concluindo-se que ela já se fizera no século X.

De todas as regiões brasileiras, seguramente nenhuma contou com uma participação tão ampla do índio em seus processos de conquista e transformação econômica, na formação das etnias regionais, no vagaroso crescimento dos núcleos urbanos. Durante a primeira e efêmera fase de prosperidade, o ciclo da borracha, também o índio e seus descendentes tornaram-se mão-de-obra decisiva nas trilhas do duro trabalho dos seringais. Não obstante todas as  dificuldades (pois as tribos brasileiras remontam a padrões sociais do neolítico), sua adaptação à sociedade nacional chegou muitas vezes a resultados espantosos, sobretudo em anos mais recentes, a partir da implantação da Zona Franca de Manaus (1972).

No início, a cobiça espanhola, francesa -- que levou até à criação da França Equinocial (1612-1615) no Maranhão --, inglesa e holandesa mobilizou os portugueses para muitas medidas de ocupação ostensiva, como erguer o forte do Presépio (1616), germe da Cidade de Belém (1621) e instituir o estado do Maranhão e Grão-Pará (1612), que ia deste último até o Ceará. Vieram depois as capitanias donatárias, a viagem de Pedro Teixeira pela Amazônia em 1639 e especialmente a colonização missionária, que em meados do século XVII chegou a reunir mais de cinquenta mil índios em aldeias de aculturação, produção agrícola e artesanato.

Floresta Amazônica, Selva Amazônica, Floresta Equatorial da Amazônia, Floresta Pluvial ou Hileia Amazônica

Na época do marquês de Pombal esses núcleos originais foram secularizados, as aldeias viraram cidades como Santarém, Silves e Bragança, a produção agrícola passou a incluir o café, o algodão, o tabaco e o arroz, e a pecuária invadiu muitos dos claros da floresta, começando a abrir outros e a se expandir durante o século XIX. Na passagem deste para o século XX a Amazônia se tornou atração universal. Ainda não por suas maravilhas naturais, mas por causa da borracha, na primeira arrancada da indústria automobilística nos Estados Unidos e na Europa. Exploração violentamente predatória, antagonismo social entre seringalistas e seringueiros, muita ganância e pouco planejamento provocaram um processo rápido de urbanização, desenvolvimento corrido e de alicerces precários: com a perda do monopólio e a queda dos preços, o fracasso reanimou alguns dos maiores problemas da região.

De 1903 a 1930 as questões de fronteira encontraram soluções adequadas e implantou-se a experiência da Fordlândia e suas plantations, que chegou a promover um novo e ilusório surto de progresso, de curta duração: em 1945 estava liquidado. Vem daí uma outra história dentro da história da Amazônia que é a do interesse científico, muitas vezes entre aspas, dos países estrangeiros, no fundo não muito diferente dos motivos que originaram as disputas iniciais.

Desde Alexandre von Humboldt foram feitos estudos sobre a região, sendo ele até precedido por um brasileiro formado em Coimbra, Alexandre Rodrigues Ferreira. Depois vieram Spix, Von Martius, Henri-Anatole Coudreau, todos ao longo do século XIX, tempo de muita ciência mas também de revolução industrial e colonialismo. Na década de 1850 o projeto americano de Matthew E. Maury de exploração da região foi sabiamente absorvido por D. Pedro II que, sem desautorizar o empreendimento, criou uma porção de outros, paralelos, que acabaram por esvaziá-lo.

Já no século XX apareceram tentativas frustradas de internacionalizar a região. Assim a UNESCO (1945), propondo o Instituto Internacional da Hileia Amazônica, para pesquisas, foi embargado pelo Congresso brasileiro, e os lagos projetados pelo Hudson Institute de Nova York (1964), viram-se desaprovados pelas forças armadas brasileiras, por motivos estratégicos.

Dessa etapa para cá a ênfase vem sendo dada à construção de grandes rodovias "integradoras", que nem sempre atuaram efetivamente nesse sentido. A Belém-Brasília e a Brasília-Acre foram as mais bem-sucedidas. Outras, como a Transamazônica, mostraram-se excessivamente agressivas à natureza e às peculiaridades regionais. Na atualidade, a discussão sobre a Amazônia empolga o mundo, no domínio principalmente da ecologia. São veementemente condenadas todas as formas de agressão a suas condições naturais (desmatamentos, queimadas, garimpo poluidor e tantas outras pragas) e perseguidas como solução, até aqui em termos ideais, iniciativas que conciliem o progresso econômico, humano e social com o respeito ao meio ambiente, à riqueza da fauna e da flora amazônica. Embora ainda a maior reserva de vida selvagem do planeta, especialistas garantem que dez por cento de suas matas já foram destruídas.

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Rio Amazonas | Maior Rio do Planeta

Rio Amazonas |  Maior Rio do Planeta

Rio Amazonas, O Maior Rio do Planeta

O Rio Amazonas, localizado na América do Sul, é o  mais extenso do mundo e com maior fluxo de água por vazão, com uma média superior que a dos próximos sete maiores rios combinados (não incluindo Madeira e Rio Negro, que são afluentes do Amazonas). A Amazônia, que tem a maior bacia de drenagem do mundo, com cerca de 7.150.000 quilômetros quadrados, responsável por cerca de um quinto do fluxo pluvial total do mundo. Até 2010 achava-se que o rio Nilo, com 6.650 km, fosse o mais extenso do mundo, mas com técnicas modernas de medição constatou-se que o Amazonas, com 7.051 km, é de fato o mais extenso e com o maior fluxo de água do planeta.

Rio em que os fatos são tão assombrosos quanto as lendas, o Amazonas fertiliza uma região de quase seis milhões de quilômetros quadrados, equivalente a mais de metade da Europa: se a Amazônia é "o pulmão do mundo", sua artéria principal é o rio Amazonas.

Há ainda controvérsias sobre sua nascente, o que dá grandes variações à extensão total. A hipótese atualmente mais aceita apresenta como primeiros lances de sua formação os cursos d'água andinos (e peruanos) Apurimac-Ucayali. Com base nisso, a Carta Aeronáutica Mundial deu ao Amazonas, daí à foz, o comprimento de 6.571km, pouco menor que o do Nilo, consagrado em torno de 6.670km. Uma outra versão localiza o nascedouro em um ponto mais a sudeste e acha 7.025km de percurso. Seja como for, é difícil afirmar com segurança o comprimento do Amazonas.

Pouco característico em seus começos, o rio principia a assumir sua identidade perto de Iquitos, no Peru, onde se encontram o Ucayali e o Marañón, os dois grandes braços alternativos. É quando toma sua definitiva direção oeste-leste, correndo quase sempre a menos de 5o de latitude sul. Seu declive é mínimo, avançando serenamente pela mais ampla várzea do planeta. De Benjamin Constant, na fronteira entre o estado do Amazonas e o Peru, até a ilha de Marajó, o Amazonas só desce 65m em três mil quilômetros (em cada quilômetro, é de 20mm o gradiente médio).

O curso médio do Amazonas depende de se tomar o Marañón ou o Ucayali como principal formador. No primeiro caso, inicia em Pongo de Manseriche, no segundo, em Contamana, ambas pequenas cidades do Peru. Daí vai até Óbidos, a mil quilômetros da foz, onde já se notam efeitos das marés. Além do Peru, marcado quase de ponta a ponta pelas duas tortuosas vertentes da primeira parte do rio, o norte do Brasil (estados de Amazonas e Pará) constitui o imenso território onde o rio se expande, formando a maior bacia hidrográfica da Terra (5.846.100km2), que alcança ainda trechos da Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela e Guianas. Além dos nomes que recebe no Peru, dentro do próprio Brasil, o Amazonas é conhecido por outro nome, o de Solimões, mais ou menos entre Benjamin Constant e Manaus.

Mapa do Rio Amazonas
Sua descarga, vazão ou volume de água, é também, de longe, a maior que se conhece. Em 1963, o United States Geological Survey, associado à Universidade do Brasil e à Marinha de Guerra, mediu a vazão em Óbidos: 216.342m3 por segundo, doze vezes a do Mississippi, mais de vinte vezes a do Nilo. Vale notar que, depois de Óbidos, o Amazonas recebe as águas do Tapajós e do Xingu, na margem direita, do Maicuru, Paru e Jari, na margem esquerda.

São aspectos igualmente curiosos os registros de velocidade, largura e navegabilidade. A velocidade média, no médio e baixo cursos, é de 2,5km por hora, mas em Óbidos, onde o rio tem sua passagem mais estreita em território brasileiro (2.600m), a velocidade chega a oito quilômetros por hora. A largura é outra das medidas de cálculo difícil, por causa das muitas ilhas que se formam no leito, dando origem a uma subdivisão das águas em vários braços ou "paranás". Sem ilhas de permeio, um dos trechos reconhecidamente mais largos fica uns vinte quilômetros antes da foz do Xingu e mede 13km. Mas, nas épocas de cheia, muitas passagens vão além de cinquenta quilômetros de largura. Tudo ali é variável e dinâmico demais. Em altura, entre o nível máximo das enchentes (junho) e mais baixo da vazante (outubro-novembro), a oscilação é de 10,5m.

O Amazonas é um rio generosamente navegável. Nos 3.700km que vão da embocadura à cidade de Iquitos, sua profundidade (às vezes mais de cinquenta metros) lhe permite receber navios de alto-mar. Muitos de seus afluentes são também navegáveis, de modo que o transporte hidroviário é um dos mais fáceis da região e permanece subexplorado em todos os planos: da quantidade, da qualidade, dos recursos tecnológicos empregados com esse objetivo. Bem programado, é o meio ideal no que diz respeito à proteção da natureza.

Entre os afluentes do Amazonas há também muitos rios colossais. O Madeira é um dos vinte maiores do mundo; o Purus, o Tocantins e o Juruá estão entre os trinta principais. Em toda a rede desses afluentes, no Brasil, sobressaem, pela margem direita, o  Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu; pela margem esquerda, Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jari.

Rio Amazonas, O Maior Rio do Planeta

O estuário do rio Amazonas tem duas partes, pelo menos: o canal do Norte, mais largo, e o do Sul, conhecido ainda pelos nomes de rio Pará e baía de Marajó. De um a outro lado dos dois canais a distância é de cerca de 150km. Se se considera o estuário até a costa leste da ilha de Marajó, a medida é o dobro, girando em torno de 300km. Na verdade há mais corredores para a saída do rio. São os chamados furos de Breves, uma série de canais naturais a sudoeste da ilha de Marajó, por onde as águas se distribuem, se filtram, como se fossem muitos e cuidadosos os preparativos para entrar no oceano. Adiante surgem as ilhas: além da Marajó, a Grande de Gurupá, a Caviana, a Mexiana, a Janaucu, a Queimada etc.

O Amazonas apresenta ainda vários fenômenos muito curiosos. No baixo curso, o mais famoso é o da chamada pororoca, encontro violento das águas do rio com as do mar, com estrondo que se ouve a quilômetros de distância. As ondas sobem abruptamente e depois descem em sucessão sobre as praias, tornando perigosa a navegação. Acontece principalmente em outubro, quando as condições do rio e do mar, águas baixas e maré alta, são propícias.

Algo semelhante ocorre nas proximidades de Manaus, quando os rios Negro e Amazonas se encontram: embora não se dê a explosiva luta da pororoca, os dois custam muito a se misturar e, como suas cores são bastante diferentes, vê-se a dificuldade com que o Negro deságua, infiltrando-se aos poucos no Amazonas. As marés de água doce também são intrigantes. Ocorrem em diversos rios que acabam no mesmo estuário amazônico, e duas vezes por dia, dada a variação do nível do mar.

Perfeitamente conhecido, e às vezes apavorante, é o fenômeno das terras caídas, consequência evidente da formidável força e predomínio das águas em toda a Amazônia: as margens são solapadas e  subitamente sai da terra uma nova ilha levada pelo rio, muitas vezes com seus animais ou moradores, uma parte do gado ou instalações e casas. Mais recente é a pesquisa sobre as cores dos rios da Amazônia: há rios "brancos" ou amarelos, alaranjados, de forte castanho-escuro, verdes, negros, transparentes. A explicação está nos compostos químicos (orgânicos e inorgânicos) que prevalecem nos lugares por onde passam. O Amazonas, de um modo geral, é dos "brancos", barrento claro, ao menos em sua viagem pela planície.

Suas águas tingem as do oceano até cerca de 200km da costa, reduzindo a salinidade. Por isso o espanhol Vicente Pinzón, que em 1500 teria chegado à foz, denominou-o Mar Dulce. Em 1542 Francisco Orellana desceu o rio a partir do Peru. Quer por causa de um ataque de índios de cabelos longos, quer por acrescentar a seu relato de viagem a fantasia das mulheres guerreiras, referiu-se ao rio como das Amazonas, permanecendo esse nome para sempre.

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Aliança Liberal | Movimento Político Brasileiro

Aliança Liberal | Movimento Político Brasileiro

Aliança Liberal, Movimento Político BrasileiroMovimento basicamente político, a Aliança Liberal foi um pacto entre os estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba contra a candidatura do paulista Júlio Prestes (e de Vital Soares) à sucessão de Washington Luís. Considerando essa escolha um rompimento da alternância de poder (desde 1894) entre São Paulo e Minas Gerais -- a chamada política do "café-com-leite" --, a Aliança lançou como seus candidatos o gaúcho Getúlio Vargas e o paraibano João Pessoa.

Um dos fatos mais marcantes do cenário político brasileiro no começo do século XX, a Aliança Liberal assinalou o fim da República Velha e preparou as condições para a revolução de 1930, que, embora de caráter democratizante, acabou desaguando no Estado Novo.

Criada sob a influência de ideologias e princípios peculiares à década de 1920, expressos especialmente pelo movimento tenentista e por manifestações do modernismo de 1922, a Aliança Liberal formalizou-se em 17 de junho de 1929, no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, com as assinaturas dos governadores de Minas Gerais, deputado José Bonifácio, e do Rio Grande do Sul, deputado João Neves da Fontoura.

Sua plataforma política, no entanto, só apareceria no documento aprovado pela convenção nacional realizada em 20 de setembro do mesmo ano, no palácio Tiradentes. Incluía reformas significativas, como a adoção do voto secreto e o atendimento às principais reivindicações operárias, além de medidas como a da ampla anistia de crimes políticos punidos a partir de 5 de julho de 1922, quando se deu a revolta conhecida como dos "dezoito do forte".

Apesar de derrotada nas eleições de março de 1930, a Aliança Liberal constituiu um dos fatores decisivos da revolução que se seguiu e que levou tanto à deposição de Washington Luís quanto ao impedimento da posse do presidente eleito Júlio Prestes. O poder foi temporariamente assumido por uma junta militar, que o entregou ao líder civil do movimento, o candidato oposicionista derrotado Getúlio Vargas.

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Alexandre Rodrigues Ferreira

Alexandre Rodrigues Ferreira

Ilustração de Alexandre Rodrigues Ferreira
Alexandre Rodrigues Ferreira nasceu na Bahia em 27 de abril de 1756. Depois de desistir da carreira eclesiástica, na qual chegara a tomar ordens menores, embarcou para Portugal e matriculou-se na Universidade de Coimbra. Doutorou-se em filosofia e até 1783 trabalhou no Real Museu da Ajuda.

Estudar em detalhes e sob diferentes aspectos a realidade da Amazônia foi o objetivo da expedição científica que percorreu a região entre 1783 e 1792 e efetuou, a mando da coroa portuguesa e sob a chefia do naturalista brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira, a chamada "viagem filosófica".

Indicado pela congregação de Coimbra, desde 1778, para chefiar a expedição ao Brasil, só em princípios de 1783 foi nomeado pela coroa. Incumbido de realizar "todo gênero de observações filosóficas e políticas sobre as diferentes repartições e dependências da população, agricultura, navegação, comércio, manufaturas", desembarcou em Belém em outubro do mesmo ano. Iniciou suas pesquisas pela ilha Grande de Joannes (Marajó) e percorreu em seguida o sertão do Pará, partes de Mato Grosso e as regiões dos rios Negro, Branco, Madeira e Guaporé. De volta a Belém em janeiro de 1792, deu por encerrada a missão e em outubro regressou a Lisboa.

Dos nove anos de pesquisa, resultou uma preciosa coleção destinada ao Real Museu de Lisboa: milhares de espécimes empalhados, herbários, minerais e fósseis, acompanhados de ilustrações e de cerca de sessenta memórias, com observações referentes a zoologia, botânica, mineralogia, geografia, antropologia e etnografia. Durante a ocupação de Portugal pelas tropas napoleônicas, foi confiscado, a pedido do naturalista francês Étienne Geoffroy de Saint-Hilaire, todo o material coletado por Rodrigues Ferreira. Em 1814, a coleção de manuscritos e desenhos foi devolvida ao governo português. A injustiça, porém, já havia sido consumada, mormente porque se atribuíram a Saint-Hilaire observações e descobertas que, de fato, se deviam aos esforços de Rodrigues Ferreira.

Com a morte do naturalista, a coroa portuguesa assumiu a responsabilidade de seu acervo. O material da "viagem filosófica", confiado à Real Academia de Ciências em 1838, foi requisitado pelo governo brasileiro para publicação. Enviado ao Brasil em cinco volumes com 912 estampas, e posto à guarda da seção de manuscritos da Biblioteca Nacional, permaneceu praticamente inédito por quase dois séculos. Só em 1972 o Conselho Federal de Cultura procedeu a sua divulgação em Viagem filosófica às capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Em 1992, a Biblioteca Nacional mostrou, no Rio de Janeiro, numa exposição intitulada "Amazônia", parte do acervo de Rodrigues Ferreira, morto em Lisboa em 23 de abril de 1815.

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