Bons Dias | Machado de Assis

Bons Dias | Machado de Assis

Bons Dias | Machado de AssisTítulo: Bons Dias
Autor: Machado de Assis
Gênero: Romance
Categoria: literatura Brasileira
Arquivo: PDF
Tamanho: KB

Baixar (Download)

Hão de reconhecer que sou bem criado. Podia entrar aqui, chapéu à banda, e ir logo dizendo o que me parecesse; depois ia-me embora, para voltar na outra semana. Mas, não senhor; chego à porta, e o meu primeiro cuidado é dar-lhe os bons dias. Agora, se o leitor não me disser a mesma cousa, em resposta, é porque é um grande malcriado, um grosseirão de borla e capelo; ficando, todavia, entendido que há leitor e leitor, e que eu, explicando-me com tão nobre franqueza, não me refiro ao leitor, que está agora com este papel na mão, mas ao seu vizinho. Ora bem!

Feito esse cumprimento, que não é do estilo, mas é honesto declaro que não apresento programa. Depois de um recente discurso proferido no Beethoven, acho perigoso que uma pessoa diga claramente o que é que vai fazer; o melhor é lazer calado. Nisto pareço-me com o principie (sempre é bom parecer-se a gente com príncipes, em alguma cousa, dá certa dignidade, e faz lembrar um sujeito muito alto e louro parecidíssimo com o imperador, que há cerca de trinta anos ia a todas as festas da Capela Imperial, pour étonner de bourgeois; os fiéis levavam a olhar para um e para outro, e a compará-los, admirados, e ele teso, grave, movendo a cabeça à maneira de Sua Majestade. São gostos de Bismark. O príncipe de Bismark tem feito tudo sem programa público; a única orelha que o ouviu, foi a do finado imperador, - e talvez só a direita, com ordem de o não repetir à esquerda. O parlamento e o país viram só o resto.

Deus fez programa, é verdade ("E Deus disse: Façamos o homem, à nossa imagem e semelhança, para que presida" etc. Gênesis, I, 26): mas é preciso ler esse programa com muita cautela. Rigorosamente, era um modo de persuadir ao homem a alta linhagem de seu nariz. Sem aquele texto, nunca o homem atribuiria ao Criador, nem a sua gaforinha, nem a sua fraude. É certo que a fraude, e, a rigor. a gaforinha são obras do diabo, segundo as melhores interpretações; mas não é menos certo que essa opinião é só dos homens bons; os maus creem-se filhos do céu - tudo por causa do versículo da Escritura.

www.klimanaturali.org

Americana | Machado de Assis

Americana | Machado de Assis

Americana | Machado de AssisTítulo: Americanas
Autor: Machado de Assis
Gênero: Poesia
Categoria: Literatura Brasileira
Arquivo: PDF
Tamanho: 100 KB

Baixar (Download) sinopse
Americanas é título de um livro de poemas do escritor brasileiro Machado de Assis, publicado em 1875, e que reúne poesias variadas, onde a tônica é o romântico retrato de personagens femininos do país antigo e em busca de identidade. As virtudes, portanto, são a tônica que perpassam todos os poemas.


www.klimanaturali.org

O Alienista | Machado de Assis

O Alienista | Machado de Assis 

O Alienista | Machado de AssisTítulo: O Alienista
Autor: Machado de Assis
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
Arquivo: PDF
Tamanho: 114 KB

As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo el-rei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia.

—A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo.

Dito isso, meteu-se em Itaguaí, e entregou-se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com as leituras, e demonstrando os teoremas com cataplasmas. Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas,—únicas dignas da preocupação de um sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte.

D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos. A índole natural da ciência é a longanimidade; o nosso médico esperou três anos, depois quatro, depois cinco. Ao cabo desse tempo fez um estudo profundo da matéria, releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera para Itaguaí, enviou consultas às universidades italianas e alemãs, e acabou por aconselhar à mulher um regímen alimentício especial. A ilustre dama, nutrida exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resistência,—explicável, mas inqualificável,— devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes.

Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas; o nosso médico mergulhou inteiramente no estudo e na prática da medicina. Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção,—o recanto psíquico, o exame de patologia cerebral. Não havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada. Simão Bacamarte compreendeu que a ciência lusitana, e particularmente a brasileira, podia cobrir-se de "louros imarcescíveis", — expressão usada por ele mesmo, mas em um arroubo de intimidade doméstica; exteriormente era modesto, segundo convém aos sabedores.

—A saúde da alma, bradou ele, é a ocupação mais digna do médico.

—Do verdadeiro médico, emendou Crispim Soares, boticário da vila, e um dos seus amigos e comensais.

A vereança de Itaguaí, entre outros pecados de que é argüida pelos cronistas, tinha o de não fazer caso dos dementes. Assim é que cada louco furioso era trancado em uma alcova, na própria casa, e, não curado, mas descurado, até que a morte o vinha defraudar do benefício da vida; os mansos andavam à solta pela rua. Simão Bacamarte entendeu desde logo reformar tão ruim costume; pediu licença à Câmara para agasalhar e tratar no edifício que ia construir todos os loucos de Itaguaí, e das demais vilas e cidades, mediante um estipêndio, que a Câmara lhe daria quando a família do enfermo o não pudesse fazer. A proposta excitou a curiosidade de toda a vila, e encontrou grande resistência, tão certo é que dificilmente se desarraigam hábitos absurdos, ou ainda maus. A idéia de meter os loucos na mesma casa, vivendo em comum, pareceu em si mesma sintoma de demência e não faltou quem o insinuasse à própria mulher do médico.

Memorial de Aires | Machado de Assis

Memorial de Aires | Machado de Assis

Memorial de Aires | Machado de AssisTítulo: Memorial de Aires
Autor: Machado de Assis
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
Arquivo: PDF
Tamanho: 323 KB

Baixar (Download)
Referia-me ao Conselheiro Aires. Tratando-se agora de imprimir o Memorial, achou-se que a parte relativa a uns dous anos (1888-1889), se for decotada de algumas circunstâncias, anedotas, descrições e reflexões, — pode dar uma narração seguida, que talvez interesse, apesar da forma de diário que tem. Não houve pachorra de a redigir à maneira daquela outra, — nem pachorra, nem habilidade. Vai como estava, mas desbastada e estreita, conservando só o que liga o mesmo assunto. O resto aparecerá um dia, se aparecer algum dia.

A Semana | Machado de Assis

A Semana | Machado de Assis

A Semana | Machado de AssisTítulo: A Semana
Autor: Machado de Assis
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
Arquivo: PDF
Tamanho: 556 KB

Baixar (Download)
sinopse
Primeiro de três volumes, abrangendo os anos de 1892 e 1893, das 248 crônicas que Machado de Assis publicou até 1897 na Gazeta de Noticias, com o título, A Semana. É quase um terço da série, e termina num momento significativo, quando a Gazeta foi suspensa por um mês, ao desafiar a rígida censura durante a Revolta da Armada. Neste volume se incluem algumas das crônicas mais famosas de Machado, como o necrológio do livreiro O punhal de Martinha O autor de si mesmo e Saltadores da Tessália.

As edições anteriores de A Semana foram a de Mário de Alencar, de 1910, com somente 108 crônicas, a Jackson das Obras Completas, de 1937, com muitos erros, e uma, também da Jackson, de 1957, confiada a Aurelio Buarque de Holanda Ferreira, esta mais cuidada, anotada, mas ignorando evidentes erros de impressão.

Em nossa edição, seguindo os mesmos princípios da dos Bons Dias! ( Editora Hucitec, 1990). John Gledson, apesar de usar o texto de Aurélio como referência, retornou à Gazeta de Notícias, anotando erros de impressão e momentos duvidosos. As notas situam as crônicas no seu momento histórico e as tornam mais compreensíveis. No fim do livro acha-se extenso índice de nomes, obras, cidades, países, acidente geográficos etc.

Estas crônicas, publicadas todos os domingos no talvez mais importante, popular e respeitado jornal do Rio de Janeiro, trazem à tona a reação de Machado de Assis à cena política e social que o cercava. Supostamente leves e triviais, mais recreativas do que educativas, carregam toda a ironia do Autor num período muito turbulento, no início da Rapública.

A Chave | Machado de Assis

A Chave | Machado de Assis

A Chave | Machado de AssisTítulo: A Chave
Autor: Machado de Assis
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
Arquivo: PDF
Tamanho: 353 KB

Baixar (Download)

Não sei se lhes diga simplesmente que era de madrugada, ou se comece num tom mais poético: a Aurora, com seus róseos dedos... A maneira simples é o que melhor me conviria a mim, ao leitor, aos banhistas que estão agora na Praia do Flamengo - agora, isto é, no dia 7 de outubro de 1861, que é quando tem princípio este caso que lhes vou contar. Convinha-nos isto; mas há lá um certo velho, que me não leria, se eu me limitasse a dizer que vinha nascendo a madrugada, um velho que... digamos quem era o velho. Imaginem os leitores um sujeito gordo, não muito gordo - calvo, de óculos, tranqüilo, tardo, meditativo. Tem sessenta anos: nasceu com o século. Traja asseaiamente um vestuário da manhã; vê-se que é abastado ou exerce algum alto emprego na administração. Saúde de ferro. Disse já que era calvo; equivale a dizer que não usava cabeleira. Incidente sem valor, observará a leitora, que tem pressa. Ao que lhe replico que o incidente é grave, muito grave, extraordinariamente grave. A cabeleira devia ser o natural apêndice da cabeça do major Caldas, porque cabeleira traz ele no espírito, que também é calvo. Calvo é o espírito. 

O major Caldas cultivou as letras, desde 1821 até 1840 com um ardor verdadeiramente deplorável. Era poeta; compunha versos com presteza, retumbantes, cheios de adjetivos, cada qual mais calvo do que ele tinha de ficar em 1861. A primeira poesia foi dedicada a não sei que outro poeta, e continha em germe todas as odes e glosas que ele havia de produzir. Não compreendeu nunca o major Caldas que se pudesse fazer outra cousa que não glosas e odes de toda a casta, pindáricas ou horacianas, e também idílios piscatóricos, obras perfeitamente legítimas na aurora literária do major. Nunca para ele houve poesia que pudesse competir com a de um Dinis ou Pimentel Maldonado; era a sua cabeleira do espírito. Ora, é certo que o major Caldas, se eu dissesse que era de madrugada, dar-me-ia um muxoxo ou franziria a testa com desdém. - Madrugada! era de madrugada! murmuraria ele. Isto diz aí qualquer preta: - "nhanhã, era de madrugada..." Os jornais não dizem de outro modo; mas numa novela... Vá pois! A aurora, com seus dedos cor-de-rosa, vinha rompendo as cortinas do oriente, quando Marcelina levantou a cortina da barraca. A porta da barraca olhava justamente para o oriente, de modo que não há inverossimilhança em lhes dizer que essas duas auroras se contemplaram por um minuto. Um poeta arcádico chegaria a insinuar que a aurora celeste enrubesceu de despeito e raiva. Seria porém levar a poesia muito longe. Deixemos a do céu e venhamos à da terra. Lá está ela, à porta da barraca com as mãos cruzadas no peito, como quem tem frio; traja a roupa usual das banhistas, roupa que só dá elegância a quem já a tiver em subido grau. É o nosso caso.

TMS, O Novo Sistema de Transferências da FIFA

TMS, O Novo Sistema de Transferências da FIFA

TMS, O Novo Sistema de Transferências da FIFABlatter celembra a implantação do TMS (Foto: AE)

O novo sistema de transferências da Fifa terá de ser obrigatoriamente usado por todas as afiliadas da entidade. O Transfer Matching System (TMS) visa tornar as transações internacionais mais rápidas, padronizadas e transparentes.

O sistema foi introduzido em fevereiro de 2008 em caráter experimental em 18 países. Hoje, está implementado em todas as federações associadas à Fifa e compreendendo 3.633 clubes.

- Esse é um momento histórico para o futebol. TMS é um sistema on-line simples mas que terá um tremendo impacto nas transferências internacionais de jogadores. Graças a ele, as autoridades terão mais detalhes disponíveis em cada negociação. Mas, o mais importante, é o aumento da transparência nas transações e a ajuda que nos dá para lutar contra a lavagem de dinheiro e na proteção de menores em transferências - disse Joseph Blatter, presidente da Fifa.

No sistema, os clubes que estiverem realizando uma transação terão que incluir informações detalhadas da negociação, como empresários envolvidos, valores e bancos envolvidos. Se os dados cedidos não forem iguais, a transferência será bloqueada pela entidade. Além disso, as equipes serão punidas.

Ao todo, mais de 30 campos com informações terão de ser computados no sistema. Na questão de jogadores menores de idade, O TMS também será um banco de dados com o acompanhamento da carreira dos atletas e histórico dos mesmos servindo para achar os clubes formadores que serão compensados financeiramente no caso de uma possível transferência.

www.klimanaturali.org

Geografia do Estado do Ceará

Geografia do Estado do Ceará

Geografia do Estado do Ceará
Localizado ao norte da região Nordeste do Brasil, o Estado do Ceará ocupa área de 146.817 km² (a área acrescida da massa de água passa para 148.016 km²), limitando-se a leste com os Estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, ao sul com o Estado de Pernambuco e a oeste com o Estado do Piauí. Ao norte é banhado pelo oceano Atlântico numa extensão de 573 km, com litoral pouco recortado, onde aparecem planícies costeiras e praias cobertas por dunas de beleza singular. Junto ao litoral, as altitudes não ultrapassam 100 metros. Em direção ao interior, no entanto, o terreno passa a ter características de planalto, alcançando altitudes médias de 400 a 500 metros. Trata-se de parcela do Planalto Nordestino, uma das unidades do Planalto Atlântico, cuja monotonia é quebrada em certos pontos, por blocos elevados de rochas mais resistentes, entre os quais se destaca a Serra de Baturité, com altitudes que chegam a mais de 1.000 metros. Esse complexo inclui a Serra Grande ou Chapada do Ibiapaba, a oeste; a Chapada do Araripe, ao sul; e a Chapada do Apodi, a leste. A região meridional e centro-oriental é drenada pelo rio Jaguaribe, o maior do Estado, que corre numa extensão de 800 metros. Ao norte, destaca-se o rio Acaraú e a oeste o rio Poti, que após atravessar o boqueirão existente na Chapada do Ibiapaba, junta-se ao rio Parnaíba, já em território do Estado do Piauí. Encontram-se ainda entre os mais importantes do Estado, os rios Salgado, Conceição, Acaraú, Banabuiú, Trussu, Pacoti e Piranji. Com excessão do trecho ao longo da costa e das chapadas e pequenas serras, o clima em boa parte do território do Estado do Ceará é semi-árido, com médias pluviométricas inferiores a 600 mm e irregularidade nas precipitações, o que ocasiona secas periódicas. Em conseqüência desse fenômeno, os cursos d’água são temporários, permanecendo secos ao longo de todo o verão, e a vegetação dominante é a das caatingas, com sua paisagem típica, de pequenas árvores retorcidas. A área ocupada por caatingas no Ceará atinge 129.162,7 km², o que corresponde a 88 % da área total do Estado. As temperaturas médias são elevadas, oscilando entre 24º e 30º C. Existem 701 açudes no Estado, com capacidade para 10 bilhões e 610 milhões de m3  de água. A existência de tais reservatórios hídricos permite o desenvolvimento agrícola e a criação pecuária nas regiões semi-áridas, onde a escassez de água é freqüente.

A população do Estado do Ceará, segundo o IBGE, é de 9.860.900 habitantes, distribuídos entre 184 municípios. A cidade mais populosa é a capital, Fortaleza, com 1.768.637 habitantes. Na região metropolitana de Fortaleza vivem 2.307.017 pessoas, distribuídas entre as cidades de Caucaia, com 165.099 habitantes, Maracanaú (157.151 habitantes) e Maranguape (71.705 habitantes). Entre os municípios de maior população nas demais regiões do Estado, estão Juazeiro do Norte, com 173.566 habitantes, Sobral (127.489 habitantes), Crato (90.519 habitantes), Itapipoca (77.263 habitantes), Iguatu (75.649 habitantes) e Quixadá, com 72.224 habitantes. A densidade demográfica é de 43,36 habitantes por km2.

A população na faixa etária de 0 a 14 anos representa 38,7 % do total, enquanto o grupo entre 15 e 59 anos representa 53,6 %, e a população de 60 anos ou mais não ultrapassa 7,7 % do total. Nas zonas urbanas encontram-se 65,67 % da população, enquanto na área rural vivem 34,67 %. As mulheres são maioria no Estado, somando 51,47 % do total de habitantes, enquanto os homens não ultrapassam 48,53 % do total. O índice de mortalidade infantil indica um total de 65 óbitos por mil crianças nascidas vivas.

O chefe do Poder Executivo do Estado do Ceará é o Governador, eleito para um mandato de quatro anos. O atual Governador do Estado, Senhor Tasso Jereissati, foi eleito em 3 de outubro de 1994, representando o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o mesmo ao qual pertence o Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Este é o terceiro mandato de Governador do PSDB no Estado. Ciro Gomes, que sucedeu a Tasso Gereissati, em seu primeiro mandato, também pertence ao PSDB. O Ceará está representado no Congresso Nacional em Brasília, capital do País, por três Senadores e 22 Deputados Federais. A Assembléia Legislativa do Estado compõe-se de 46 Deputados Estaduais, para um total de 4.006.533 eleitores.

Em 1995, existiam 16.741 escolas de ensino básico no Estado do Ceará; 493 escolas de ensino médio; e nove escolas de nível superior. O índice de analfabetismo no Estado, em 1994, era de 30,2 % (pessoas com mais de 15 anos), segundo dados da Secretaria de Educação e Cultura do Estado.

A economia do Ceará está estruturada sobre a produção agroindustrial e o comércio. A característica marcante da agropecuária cearense é a competitividade das espécies nativas, com destaque para o caju, algodão, lagosta, camarão e mandioca, entre outros. Na agricultura é também expressiva a importância do arroz, feijão, cana-de-açúcar, milho, mamona, tomate, banana, laranja, coco-da-baía e
melão. Face as características de forte insolação durante o ano todo, os frutos tropicais como acerola, caju, manga, melão, mamão, banana e uva entre outros, apresentam excepcional qualidade organoléptica, concentrando alto teor de sólidos solúveis e vitaminas.

O rebanho do Estado era composto em 1994, de 2,18 milhões de cabeças de bovinos, 1,19 milhões de suínos, 1,08 milhões de caprinos, 1,33 milhões de ovinos e 19,68 milhões de aves. A avicultura é atualmente a atividade mais organizada e dinâmica, com crescimento contínuo nos últimos 15 anos. Mais recentemente, iniciou-se no Ceará, a criação de lagosta em cativeiro, uma atividade que deverá receber novos adeptos. A produção de pescado correspondeu a 6.023 toneladas de lagosta, 1.702 toneladas de camarão, 16.022 toneladas de peixe do mar e 1.862 toneladas de peixe de açude, no mesmo ano.

No setor industrial destacam-se as transformações de fibras têxteis, confecções, calçados, alimentos, metalurgia e química. Dos produtos industriais, os têxteis e confecções apresentam maior dinamismo e atração de novos investimentos no Estado. Na pauta de exportações, destacam-se a amêndoa da castanha-de-caju, lagosta, pargo, camarão, melão, produtos têxteis e confecções. Castanha-de-Caju - Além das qualidades nutritivas e medicinais contidas na castanha originária do caju, seu sabor exótico tornou-a popular ao longo dos anos. É largamente apreciada em todos os países do mundo, para o acompanhamento de drinks ou na composição de aperitivos sofisticados. Pode ser processada para a elaboração de sucos, mel, vinho e licor, além de ser também utilizada industrialmente para a produção de doces, sorvetes, chocolates etc. O cajueiro é uma árvore nativa do Nordeste brasileiro, introduzida em outros países como a Índia e Moçambique, pelos colonizadores portugueses. Esses dois países, juntamente com o Brasil, são responsáveis por 80 % da produção mundial de castanha-de-caju. O Brasil participa com 35 % desse total e exporta 90 % de sua produção. A Região Nordeste é responsável por 99 % da produção nacional de castanha-de caju, que chega a 1,2 milhões de toneladas por ano, e o Estado do Ceará responde por 48 % desse total.

O Ceará dispõe de fontes de água mineral, jazidas de ferro, calcário, argila, berilo, magnésio, granito, petróleo, gás natural, fosfato e urânio. Tendo em vista a posição geográfica favorável e o clima, relevo e ambiente natural, o Governo do Ceará vem investindo na melhoria das condições de infra-estrutura, para facilitar o desenvolvimento do turismo.

Geografia do Estado do CearáFormação Histórica
A história do Ceará tem início com a criação da "Capitania do Siará", doada em 1535 a Antonio Cardoso de Barros. Em 1603, uma expedição comandada pelo açoriano Pêro Coelho de Souza fundou na região, a colônia denominada Nova Luzitânia. Juntamente com o grupo, chegou também um rapaz de 17 anos, Martim Soares Moreno, considerado o verdadeiro fundador do Ceará. Conhecedor da língua e dos costumes indígenas, mantinha amizade fraternal com os nativos, o que lhe valeu fundamental apoio para a derrocada dos franceses e holandeses que também pretendiam colonizar a região. Em 1619, depois de muitas lutas contra invasores estrangeiros, naufrágios e prisões, Soares Moreno obteve uma carta régia que lhe dava o título de Senhor da Capitania do Ceará, lá se fixando por muitos anos. Seu romance com a índia Iracema foi imortalizado pelo escritor brasileiro José de Alencar, em seu livro intitulado "Iracema".

O Ceará fez parte do Estado do Maranhão e Grão-Pará em 1621. Foi ainda invadido duas vezes, em 1637 e 1649, pelos holandeses que ocupavam a região onde hoje se encontra o Estado de Pernambuco, mantendo-se a ele subordinado até conquistar sua autonomia, em 1799. O desenvolvimento da pecuária em Pernambuco e na Bahia levou criadores a ocuparem o interior do Ceará. As vilas foram se formando junto às grandes fazendas ou nos pontos de descanso das tropas vindas do sul.

Em 1824, o Ceará participou da Confederação do Equador, juntamente com os Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. O Estado começou a se desenvolver na segunda metade do século XIX, com a chegada da navegação a vapor, das estradas de ferro, da iluminação a gás e do telefone. Foi a primeira província brasileira a libertar os escravos, em 1884, e também uma das primeiras a aderir à República.

Fortaleza ocupa uma área de 336 km2, a capital do Estado do Ceará encontra-se localizada no litoral da costa atlântico-norte brasileira, a uma altitude de apenas 27 metros, distante 2.285 km de Brasília, a capital federal. Sua população compõe-se de 53,65 % de mulheres e 46,35 % de homens, ocupados primordialmente na indústria têxtil, de calçados, de couro e de transformação de produtos vegetais, como a castanha-de-caju. É significativo também o volume de mão-de-obra empregado no comércio e no setor de serviços, especialmente o turismo.

A cidade de Fortaleza foi fundada em 1810 e é hoje a quinta maior cidade brasileira em número de habitantes. Constitui-se importante centro turístico, com praias constantemente procuradas por turistas brasileiros e do exterior. Entre os principais pontos turísticos da cidade, destacam-se o Museu de Arte e Cultura Populares, localizado no mesmo local onde funciona a sede da EMCETUR, prédio da antiga cadeia local, onde também podem ser encontradas mais de 100 pequenas lojas que comercializam produtos artesanais da região; o Mercado Central, com mais de 600 boxes de vendas dos mais variados artigos, desde produtos artesanais, bordados e redes, a ervas medicinais e artigos de utilidade doméstica; o teatro José de Alencar, que possui estrutura de ferro em estilo art-nouveau, construído em 1910 e restaurado em 1991; o Museu Histórico e Antropológico do Ceará; o Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará; e o Centro de Preservação da História Ferroviária do Ceará.

As praias constituem atração especial na região de Fortaleza. No centro da cidade encontram-se as praias de Iracema, Formosa, do Ideal, do Diário, do Meireles e do Mucuripe, atraentes por sua paisagem e oportunidades de lazer em sua orla, como restaurantes, bares e pistas para caminhadas e ciclismo. A paisagem da praia do Mucuripe, com suas jangadas chegando e saindo para a pesca, é muito apreciada por turistas, que podem ainda alugar saveiros para explorar locais do litoral, impossíveis de serem apreciados por terra. Ainda próxima ao centro da cidade de Fortaleza, encontra-se a praia do Futuro, com grandes dunas de areia e águas límpidas, próprias para o banho de mar.

Lindas praias cobertas de dunas e coqueiros podem ainda ser encontradas nas proximidades da cidade de Fortaleza. A noroeste, destacam-se as praias de Icaraí e Cumbuco, a sudeste encontra-se o balneário de Porto das Dunas, com o Beach Park e Aqua Park, onde podem ser alugados buggies, barcos e equipamentos diversos para a prática de esportes aquáticos.

Geografia do Estado do Ceará

Outros atrativos turísticos:
Aquiraz - Primeira capital do Estado do Ceará, antes que esta fosse transferida para Fortaleza, a cidade de Aquiraz, com 45.000 habitantes, encontra-se próxima ao Porto das Dunas, 31 km a sudeste de Fortaleza. Com arquitetura colonial preservada ao longo do tempo, destacam-se como atrações da cidade as ruínas do colégio dos Jesuítas e dois edifícios situados na Praça Cônego Araripe, que abrigam a igreja de São José Ribamar, construída em 1756, e o Museu de Arte Sacra, cuja construção remonta também ao século XVIII.

Beberibe - Nas redondezas de Beberibe, 78 km a sudeste de Fortaleza, encontramse praias classificadas entre as mais bonitas do Nordeste brasileiro como Morro Branco e Fontes, onde cascatas de água límpida descem das colinas para o mar, e onde também pode ser encontrada (em Fontes) uma pequena gruta de rocha, que emerge da água nas ocorrências de maré baixa. Outras praias de rara beleza da região incluem as de Marambaia, Barra da Sucatinga e Pirajuru.

Baturité - Localizada 92 km a sudoeste de Fortaleza, encontra-se na serra de Baturité um dos pontos mais altos do Estado do Ceará, o Pico Alto, com 1.114 metros de altura. A região oferece diversos atrativos naturais aos visitantes, como cachoeiras e vegetação exuberante, além da beleza da arquitetura colonial do século XVIII.

Juazeiro do Norte - Localizada 520 km ao sul do Estado do Ceará, é a maior cidade do Estado. Como principal ponto turístico da cidade, destaca-se o monumento ao Padre Cícero, com 27 metros de altura (terceira maior estátua do mundo), responsável pela maior romaria do norte e nordeste do País. Destaca-se também o rico artesanato em madeira, palha, couro e sisal da região, assim como trabalhos realizados em ouro.

Crato - Situada a 542 km de Fortaleza, a cidade foi criada no século XVII. A região oferece diversos atrativos naturais aos visitantes, além de balneários que se formam ao Sopé da Chapada do Araripe, com suas Estâncias Hidrominerais e Clubes de Veraneio.

Parque Nacional Ubajara - Fundado em 1959, com área de 563 hectares, está situado na região noroeste do Estado, 350 km a leste de Fortaleza. No interior do parque encontra-se estreita faixa da Chapada de Ibiapaba, que forma a divisa entre os Estados do Ceará e Piauí. Trata-se de região acidentada, com altitudes significativas para a área, e diferentes tipos de rochas, que formam grutas de vários tamanhos. A vegetação predominante é de palmas de carnaúba, juazeiros e cactus. A fauna inclui raposas selvagens, macacos, marsupiais, porcos-espinhos e várias espécies de pássaros. O parque possui ainda grande quantidade de cursos d’água, cachoeiras e um pequeno lago. Sua maior atração, no entanto, é a Gruta de Ubajara, uma caverna situada a 535 metros de altitude, com formações de stalactite e diversas câmaras nomeadas em função de suas formações rochosas: "Sala da
Rosa", "Sala do Cavalo", "Oratório" etc. Na entrada da gruta encontra-se o "Sino de Pedra", uma rocha que ecoa como o som de um sino, quando golpeada.

Geografia do Estado do Ceará

Alguns Projetos do Governo do Estado
SANEAR - O Programa de Infra-Estrutura Básica e Saneamento de Fortaleza (SANEAR) foi instituído pelo Governo estadual com o objetivo de melhorar a qualidade ambiental da cidade e elevar o padrão de vida da população urbana, através de obras de esgotamento sanitário, drenagem pluvial e coleta e disposição dos resíduos sólidos. Trata-se de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que colocou o Estado do Ceará em sua pauta de prioridades, em razão da credibilidade administrativa alcançada por sucessivos Governos do Estado e a eficiência na solução dos problemas públicos. O SANEAR divide-se em três sub-programas: Drenagem Urbana, Esgotamento Sanitário e Limpeza Pública. Além de reforçar as instituições ou organismos estaduais e municipais encarregados da operação e manutenção dos vários serviços prestados, o Programa inclui a implantação de um projeto de educação sanitária e a instalação de equipamentos de macro e micro medidores de água no município de Fortaleza. Entre os benefícios imediatos trazidos pelo Programa, encontra-se a geração de empregos diretos e indiretos; a geração de renda; a preservação e conservação do meio-ambiente; a melhoria da qualidade de vida da população; e o controle ambiental das fontes potencialmente poluidoras na Região Metropolitana de Fortaleza.

Projeto Habitar - Destinado a melhorar o padrão de moradia nas periferias urbanas do Estado, o Projeto Habitar engloba uma visão abrangente do espaço de convivência humana, pois inclui, além da construção da moradia, o fornecimento de saneamento básico, acesso a serviços urbanos e aos equipamentos sociais, bem como a preservação ambiental. Os núcleos beneficiados representam micro-áreas que se encontram social e economicamente segregadas da cidade, seja pela ausência de infra-estrutura, ou pela ocupação indevida. As famílias que ocupam tais áreas de risco são reassentadas em terrenos próximos, providos de toda infraestrutura. As casas são construídas em regime de mutirão, administrado por uma Sociedade Habitacional legalmente constituída pelos beneficiários, cabendo ao Poder Público o fornecimento do material de construção e a orientação técnica, além do terreno. Contando exclusivamente com recursos do Governo do Estado, aplicados pela Secretaria do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, este projeto vem se desenvolvendo desde julho de 1991 e abrange sete municípios, beneficiando um total de 12.850 famílias.

PROURB - O Projeto de Desenvolvimento Urbano do Estado do Ceará (PROURB) visa à melhoria da infra-estrutura urbana e ao gerenciamento dos recursos hídricos do Estado. O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) financia 62 % dos US$ 242,7 milhões previstos para os investimentos programados, num prazo de cinco anos. As ações do PROURB/CE incluem a ampliação do Projeto Habitar, com o aumento da oferta e distribuição de água em áreas prioritárias, apoiado em eficiente sistema de gestão. A implementação desse projeto implica a ação dos setores públicos envolvidos, especialmente as Prefeituras Municipais. A Secretaria do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente coordena o Projeto com apoio da Secretaria de Recursos Hídricos e do Banco do Estado do Ceará, gestor dos Fundos de Financiamento do PROURB/CE. PAPP/São José - Tem como objetivo financiar investimentos e/ou empreendimentos em comunidades rurais no Estado, com a meta de financiar 4 mil projetos (produtivos, infra-estrutura e sociais) e atender a 120 mil famílias. A execução do projeto está a cargo da Secretaria de Planejamento (SEPLAN) e o público-alvo são pequenos produtores rurais, pescadores, artesãos, donas-de-casa, mães e pais de jovens e grupos similares, que pretendam incrementar ou estabelecer pequenos negócios. O projeto abrange todos os municípios, com exceção daqueles que integram a Região Metropolitana de Fortaleza.

PRODETUR - O Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo no Nordeste compõe-se de múltiplas ações que visam à implantação de infra-estrutura favorável para a atividade turística no Ceará. Visa, também, a incentivar investimentos na indústria do turismo, na agroindústria e em serviços complementares às atividades de turismo e, por conseqüência, reduzir os efeitos de encadeamentos indiretos sobre o emprego e a renda. Nesse sentido, coloca-se como instrumento de orientação e parceria em investimentos das inciativas pública e privada. Ao governo cabem as ações de infra-estrutura básica, fortalecimento institucional local, conservação ou recuperação do meio-ambiente e de orientação de investimentos. Cabe à iniciativa privada a implementação de investimentos em projetos de prestação de serviços e de atividades produtivas, que assegurem odesenvolvimento econômico da região.

Porto do Pecém - O projeto objetiva desafogar o Porto do Mucuripe e criar uma infra-estrutura para viabilizar outros projetos do Estado, voltados à interiorização econômica. O empreendimento terá acesso facilitado pela rodovia translitorânea, que está sendo implantada através do PRODETUR. O porto tem as seguintes características:

. Tipo "off-shore";
. Dois piers de atracação;
. Quebramar de proteção de 1.700 metros de comprimento;
. Calado de 15 metros a 16,5 metros.

PROARES - O Programa de Apoio às Reformas Sociais está centrado na melhoria de vida de crianças e adolescentes que se encontram fora da escola e em situações de risco pessoal e social. Tem três componentes básicos: (1) capacitação de beneficiários e entidades não-governamentais; (2) fortalecimento institucional dos órgãos participantes; e (3) investimentos em experiências exemplares. O PROARES pretende potencializar os programas sociais exitosos e atuar de forma criativa e integrada no combate às causas da pobreza de crianças e adolescentes.

Arquivo