11 DE SETEMBRO DE 2001 - TERRORISMO NOS ESTADOS UNIDOS

11 DE SETEMBRO DE 2001 - TERRORISMO NOS ESTADOS UNIDOS

11 de Setembro de 2001 - Terrorismo nos Estados Unidos

08h45 - Um Boeing 767-200 da United Airlines que decolou de Boston às 7h59 para o vôo 175, rumo a Los Angeles com 65 passageiros e nove tripulantes, é desviado e se choca com a torre sul do World Trade Center, em Nova York;

09h03 - Um segundo Boeing 767-200, da American Airlines, que partiu de Boston às 8h10 para o vôo 11, rumo a Los Angeles com 92 pessoas a bordo, atinge a torre norte do World Trade Center, diante das câmeras de TV;
 
09h40 - Em Washington, um outro jato da American Airlines (um Boeing 757) choca-se com instalações do Pentágono, nas proximidades da área de pouso de helicópteros. Faria o vôo 77, do Aeroporto de Dulles a San Francisco, com 58 passageiros e 11 tripulantes. Parte de um dos edifícios do Pentágono ficou muito danificada. Em seguida, as autoridades determinam a evacuação da Casa Branca, Capitólio e Departamento de Estado;
 
10h05 - A torre sul do World Trade Center desaba;
 
10h10 - Cai em Somerset County, Estado da Pennsylvania, um Boeing 757 da United Airlines com 38 passageiros, dois pilotos e cinco comissários de bordo. Era o vôo 93, que partiu de Newark às 10h01 em direção a San Francisco. Um passageiro conseguiu fazer uma ligação para Centro de Emergência de Westmoreland: "Fomos sequestrados, fomos seqüestrados! Isso não é um trote!", disse ele. As causas da queda não foram esclarecidas. O Boeing pode ter sido derrubado pelos próprios seqüestradores, mas a Força Aérea tinha ordens para abater aviões seqüestrados;
 
10h11 - Desaba parte do prédio do Pentágono atingido pelo avião;
 
10h13 - A cúpula das Nações Unidas determina a evacuação de suas instalações em Nova York. No total, 11,7 mil pessoas trabalham no edifício-sede, Unicef e na unidade de programas de desenvolvimento;
 
10h30 - A torre norte do WTC desaba e provoca uma enorme nuvem de poeira e fumaça sobre Manhattan;
 
10h35 - Em Washington, um carro-bomba explode perto do Departamento de Estado;
 
10h36 - O governo determina que prédios públicos federais sejam evacuados em Nova York, Washington e Chicago;
 
15h55 - O prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, divulga o primeiro número de feridos na cidade: 2.100, dos quais pelo menos 200 em estado crítico. Nada foi dito sobre o número de mortos;
 
16h10 - Incêndio no Anexo 7 do World Trade Center, com 47 andares, onde funcionava a Salomon Brothers. O prédio foi afetado pelo desabamento das duas torres;
 
17h20 - Cai o Anexo 7, o terceiro prédio do WTC afetado pelos ataques terroristas;
 
2h30 de quarta-feira em Cabul - Explosões são registradas na capital do Afeganistão, principalmente na região do aeroporto. Não são ouvidos sons de aviões. EUA negam que tenham bombardeado o "país suspeito" de ter originado os atentados de hoje.

 11 DE SETEMBRO DE 2001 - TERRORISMO NOS EUA
 11 DE SETEMBRO DE 2001 - TERRORISMO NOS EUA

MÉDICOS E MEDICAMENTO NO BRASIL

MÉDICOS E MEDICAMENTO NO BRASIL

Médicos e Medicamento no Brasil


No Brasil há dois médicos para cada mil habitantes, acima do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), um para mil habitantes. A distribuição desses profissionais é desigual. Enquanto 62% trabalham nas capitais, que concentram 24% da população brasileira, existem centenas de municípios sem médico. Nos estados do Acre, do Amapá, do Tocantins e de Sergipe, 98% dos profissionais atuam nas capitais. Na Região Sudeste, com 42% da população brasileira, estão 57% dos médicos. Já o Nordeste, onde moram 28% dos brasileiros, tem 16% desses profissionais atuantes.

Medicamento no BrasilO Brasil ocupa o 6º lugar no ranking do mercado farmacêutico mundial e movimentou 42,9 bilhões de dólares em 2016. O consumo de medicamentos reduziu-se a partir de 1998. Atualmente, o varejo oferece mais de 13 mil medicamentos, entre tradicionais e genéricos. Nem todos têm acesso a eles. A população com renda acima de dez salários mínimos concentra quase 50% do consumo, mas a metade dos brasileiros não possui dinheiro suficiente para remédios.

Genéricos - A política mais conhecida do Ministério da Saúde para facilitar o acesso aos medicamentos é a dos genéricos. Eles custam até 35% menos que os remédios de referência, os produtos de marca comercial no mercado, embora tenham o mesmo princípio ativo e sejam vendidos em doses e indicações terapêuticas iguais. Assim, a procura por genéricos cresce ano a ano e corresponde a 9% do total de medicamentos vendidos. Segundo a legislação mundial de patentes, qualquer remédio pode ser copiado 15 anos após o início de sua comercialização. A Lei nº 9787 permite a fabricação e a venda de genéricos no Brasil desde 1999. Nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, políticas semelhantes já são adotadas há mais de 20 anos.

Farmácia Popular – Com preços até 85% mais baixos que os de mercado, o programa Farmácia Popular quer beneficiar quem não consegue manter o tratamento por causa dos altos preços dos remédios. São 89 itens, como analgésicos, antibacterianos e antiinfecciosos, além de medicamentos para hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas. Para comprar com desconto, basta levar uma receita médica (da rede pública ou privada) a um dos postos de atendimento em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Goiânia e em Salvador. O programa conta com uma verba de 530 milhões de reais e beneficia 950 mil pessoas por mês.

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA

HISTÓRIA DA ASTRONOMIA História da Astronomia

A astronomia teve origem na perplexidade do homem diante dos fenômenos naturais e em sua necessidade de resolver problemas como a medição do tempo e a navegação. Por isso, durante séculos a observação astronômica sofreu profundas modificações e aperfeiçoamentos. Antes vinculada à astrologia, a astronomia tornou-se uma rigorosa disciplina científica que possibilita conhecer a composição, a estrutura e o deslocamento dos corpos celestes.

Inícios e antiguidade

É indiscutível que o homem primitivo observava os acontecimentos que se repetiam no céu, como as fases da Lua ou as diversas posições dos planetas e das estrelas mais visíveis. No entanto, os primeiros registros astronômicos sistemáticos apareceram na Mesopotâmia, no contexto das civilizações suméria, acadiana e babilônica. Três mil anos antes da era cristã já se conheciam na Suméria algumas constelações. Séculos mais tarde, os sacerdotes-astrônomos da Babilônia, além de identificar os planetas mais próximos, desenvolveram um sistema preciso de projeções que permitia predizer os movimentos da Lua, e também um calendário baseado nos deslocamentos lunares.

Na Grécia, a partir do século VI a.C., duas escolas de filosofia, a pitagórica e a platônica, apresentaram diferentes concepções do cosmo. Embora distintas, as duas interpretações tinham um princípio comum que sustentava a existência de uma ordem inteligível e racional, capaz de descrever e predizer os acontecimentos celestes por meio da observação e do cálculo. Para Pitágoras, que viveu no século VI a.C., o céu era formado de esferas concêntricas em que os astros se fixavam. De acordo com essa teoria, tais esferas giravam em certa ordem visível a partir da Terra, que constituía o centro do universo.

A escola pitagórica empenhou-se em explicar o universo segundo um modelo matemático, baseado na harmonia dos números. Apesar de se limitar a reunir em sua filosofia observações da época, Platão recomendou a seus discípulos da Academia que considerassem os corpos celestes como objetos obrigados a descrever movimentos circulares, com o que poderiam predizer suas translações. Aristóteles fixou, de maneira definitiva, a concepção do cosmo como uma série de esferas concêntricas que giram ao redor da Terra, cada uma delas mais etérea que a anterior.

Esse sistema não conseguia explicar, por exemplo, as diferenças de brilho entre as estrelas, que se supunha estarem presas a uma mesma esfera, ou as distâncias fixas de Mercúrio e Vênus em relação ao Sol. É necessário, porém, esclarecer que essa interpretação dava aos acontecimentos celestes explicação racional, por meio de um modelo geométrico em que a intervenção divina era fonte e fim do processo, mas não o afetava em seu transcurso. Com base nesse sistema, outro grego, Hiparco, talvez o maior astrônomo da antiguidade, elaborou no século II a.C., um catálogo de 850 astros e sustentou que a Terra não está no centro geométrico do cosmo, mas inteiramente fora dele. Na mesma época, o alexandrino Cláudio Ptolomeu firmou em seu Almagesto o que haveria de ser o dogma da astronomia nos séculos seguintes: a tese de que a Terra permanece imóvel no centro do universo. Acreditou até que podia demonstrá-lo com o argumento de que, se o planeta girasse, os objetos lançados para o alto não voltariam a cair no mesmo lugar. Aprovou também a teoria das esferas celestes e organizou um catálogo astronômico de 1.022 astros.

A civilização romana deu parcas contribuições à ciência astronômica, uma vez que praticamente se limitou a preservar os conhecimentos adquiridos. A obra dos grandes astrônomos antigos foi acumulada em suas bibliotecas e, posteriormente, nas de Constantinopla, de onde passou às mãos dos árabes.

Idade Média e Islã

Para a civilização muçulmana, o conhecimento do céu constituía uma disciplina afim às próprias crenças religiosas, pois permitia encontrar em qualquer ponto da abóbada celeste o caminho para Meca e, conseqüentemente, oferecia um referencial para que o crente assumisse a posição correta para as preces cotidianas. Os astrônomos islâmicos, porém, foram bem além do uso religioso da astronomia. Embora interessados principalmente na astrologia, traduziram as obras antigas, compilaram tábuas que regulavam os movimentos celestes, apuraram a precisão dos instrumentos de medição e registro já existentes, como o astrolábio, e realizaram novas observações. Enquanto isso, nos reinos cristãos imperava ainda o sistema de Aristóteles. Só no século XII da era cristã se reavivou o interesse pela astronomia. Em 1270 Afonso X o Sábio, rei de Castela, fez publicar as Táblas alfonsíes, que descreviam supostos caminhos percorridos pelos astros e também se baseavam no sistema de círculos de esferas. No final da Idade Média, as viagens de Colombo e Fernão de Magalhães, que demonstraram definitivamente a esfericidade da Terra, bem como a multiplicação dos conhecimentos propiciada pela imprensa, levaram ao descrédito os antigos sistemas astronômicos.

Renascimento

Em 1543, o polonês Nicolau Copérnico publicou De revolutionibus orbium coelestium (Sobre as revoluções do céu), obra na qual afirmava claramente que o Sol ocupa o centro do universo, a Lua gira ao redor da Terra e todos os planetas descrevem revoluções em torno do Sol. Demonstrou também que a Terra gira em torno de si mesma, em ciclos de um dia. O aparecimento, mais tarde, de tábuas baseadas na teoria de Copérnico determinou a aceitação de seus princípios por parte dos homens de ciência da igreja. A interpretação de Copérnico despertava a desconfiança desse setor, por privar o homem da posição central que acreditava ocupar no universo.

O passo subseqüente foi dado por Tycho Brahe. Dinamarquês apaixonado pela astronomia, dedicou vinte anos à observação metódica das estrelas e foi o primeiro a dar à astronomia um método sistemático. Embora tenha trabalho antes da invenção do telescópio, suas observações foram extremamente precisas. Chegou mesmo a perceber o efeito da refração da atmosfera ao determinar a posição dos corpos celestes. O surgimento de uma estrela nova, em 1572, levou-o a questionar a validade da teoria que sustentava a imutabilidade do céu, e uma série de cometas que pôde observar desmentiram, com seus surpreendentes movimentos, a teoria das esferas.

Brahe também detectou indícios de que a distância das estrelas à Terra era maior do que supunha Copérnico, de modo que nem este nem Aristóteles pareciam ter razão. Brahe imaginou que o Sol se movesse ao redor da Terra e os outros astros ao redor dele, mas não propôs nenhuma teoria nova. Insistiu, porém, na importância da precisão das observações. Ao deixar de servir ao rei da Suécia, mudou-se para Praga a fim de trabalhar com Kepler, a quem passou um grande acervo de anotações.

Foi o alemão Johannes Kepler quem completou o estabelecimento das leis que regem o movimento dos astros. Enriquecendo seus conhecimentos com as anotações e experiências de Tycho Brahe, Kepler empreendeu o estudo da órbita de Marte e comparou sistematicamente suas observações com os conhecimentos antigos. Concluiu que o planeta não seguia uma rota circular, mas elíptica, o que demonstrava e aperfeiçoava a teoria de Copérnico. Em sua Astronomia nova (1609), obra revolucionária que firmava as bases de uma nova concepção científica, Kepler formulou a primeira de suas três leis. A primeira sustentava que os planetas descrevem uma elipse da qual o Sol é um dos focos. A segunda demonstrava que os planetas giram em torno do Sol, de tal modo que uma linha traçada a partir deles até o Sol atravessa sempre áreas iguais em iguais intervalos de tempo. Dez anos depois Kepler mostrou que o quadrado do período em que um planeta gira em torno do Sol é proporcional ao cubo da distância média que o separa deste.

Galileu e Newton

As lentes e suas propriedades de concentrar os raios luminosos eram conhecidas desde muito. Só em fins do século XVI, no entanto, passaram a ser encaixadas em dispositivos ópticos que permitissem ampliar o tamanho aparente dos objetos observados. O telescópio expandiu-se rapidamente por toda a Europa, mas foi Galileu Galilei quem pela primeira vez o apontou para o céu como instrumento de observação astronômica. Espírito clássico, astrônomo, matemático, pai da física e da mecânica, Galileu contemplou a Via Láctea em suas verdadeiras dimensões: "uma massa de inumeráveis estrelas", como ele próprio disse. Descobriu também os satélites de Júpiter e detectou as fases de Vênus, a rotação e as manchas do Sol, as crateras e montanhas da Lua. Em 1610 tornou públicas as suas observações em Siderius nuncius (Mensageiro celeste) e, no Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo, ptolemaico e copernicano (1632; Diálogo sobre os principais sistemas do mundo, o ptolomaico e o copernicano), endossou a teoria do astrônomo polonês, já que tudo levava a crer que a Terra girasse ao redor de si mesma e do Sol. Os postulados de Galileu, que ainda em seu tempo foram censurados e acarretaram ao autor severa repressão por parte da igreja, constituíram uma base sólida para o desenvolvimento de deduções subseqüentes, tanto na física como na astronomia.

Aristóteles acreditava que um objeto só se desloca enquanto se mantém a força que o impele, e que, se o objeto perde o contato com ela, seu movimento cessa. Os fatos experimentais registrados até o século XVI pareciam confirmar a invalidez dessa tese, que se mostrava ainda mais inadequada com respeito aos astros. A mecânica medieval sustentava que a ação de uma causa incorpórea sobre todo corpo em movimento incorporava-se a este e o tirava de seu repouso espontâneo. Galileu inverteu o pressuposto aristotélico de que o estado natural de todo corpo é a inércia. Suas experiências sobre a queda livre mostraram-lhe que os corpos mantêm naturalmente seu movimento enquanto uma outra força não os detenha e, além disso, caem cada vez mais depressa. Possuem, pois, uma aceleração, que faz com que a distância da queda s varie segundo o quadrado do tempo t empregado. Esse postulado é expresso na fórmula s=t2.

Assim enunciado, o princípio da inércia permitiu a Galileu descartar a antiga objeção ptolomaica segundo a qual, se a Terra se movesse, as coisas lançadas para cima não cairiam no mesmo lugar, como acontece. Ao contrário, os corpos em movimento tendem a manter-se em tal estado e participam, por isso, do deslocamento do planeta. Essa última contribuição de Galileu completou-se com as reflexões de Descartes, que, na busca de um sistema capaz de unificar os conhecimentos humanos de seu tempo, formulou o princípio da inércia tal como modernamente é conhecido. Os termos de sua definição determinaram que todo corpo opõe uma força de inércia ao movimento, mas depois continua a se deslocar devido à inércia. Esses novos conceitos suscitaram uma polêmica apaixonada no século XVII.

A síntese da renovação das teorias astronômicas concretizou-se na obra de Isaac Newton, que haveria de encontrar, para o problema do movimento, uma formulação matemática que se podia aplicar a qualquer corpo físico, inclusive aos astros. Sua contribuição foi enfeixada em três leis. Pela primeira, os corpos tendem a permanecer em determinado estado: quando se acham imóveis, continuam assim até que uma força atue sobre eles; se, ao contrário, se movem, o deslocamento prossegue em linha reta até que outra força os detenha. A segunda lei de Newton afirma que, caso se produza uma modificação no movimento de um corpo, a alteração é proporcional à força que o provoca e se efetua em linha reta em relação a ela. A terceira lei assegura que a toda ação sempre se opõe uma reação igual e contrária. As forças que dois corpos exercem um sobre o outro, conseqüentemente, são análogas.

Livres de sua própria força, no entanto, os planetas se deslocariam em linha reta e, desse modo, o giro ao redor do Sol devia estabelecer-se, segundo Newton, por existir uma atração (a gravitação) a que os corpos celestes opõem sua inércia. Newton expressou algebricamente esse princípio de gravitação e demonstrou que dois pontos materiais cujas massas são m e m', separados por uma distância d, exercem um sobre o outro uma força de atração f, cuja direção é a da reta que os une e cujo valor é onde k é uma constante. Com a publicação de Philosophiae naturalis principia mathematicae (1687; Princípios matemáticos da filosofia natural), difundiu-se a lei da gravitação universal, que permitiu entender que os planetas traçam órbitas elípticas, uma vez que sobre eles não atua apenas a gravitação do Sol, mas também a dos outros planetas.

Séculos XVIII, XIX e XX

A partir das idéias de Newton, os progressos do conhecimento astronômico foram constantes. Euler aperfeiçoou o modelo das órbitas planetárias e demonstrou como elas mudam de tamanho e excentricidade conforme a atração dos demais corpos celestes. D'Alembert determinou a precessão dos equinócios (movimento retrógrado do eixo de rotação da Terra ao redor do pólo da eclíptica) sobre sólidas bases teóricas, e Lagrange e Laplace fixaram os limites das órbitas elípticas (seus cálculos levaram-nos inclusive a estimar a idade do sistema solar). Por sua vez, Gauss descobriu a maneira de determinar a órbita de um planeta com apenas três posições observadas, o que lhe permitiu calcular a situação do primeiro asteróide, Ceres, cuja existência seria confirmada em 1801 por Giuseppe Piazzi e Heinrich Olbers.

No início do século XVIII, o astrônomo inglês Edmond Halley propôs que os cometas vistos em 1531, em 1607 e em 1682 eram um único, que passa perto da Terra a intervalos de aproximadamente 76 anos. Sua hipótese estava certa. O matemático francês Alexis-Claude Clairault calculou os efeitos que as forças de atração de Júpiter e Saturno exerciam sobre aquele cometa. Assim, em 1758 afirmou que ele alcançaria seu periélio, o momento de maior aproximação do Sol, em abril de 1759. Errou em apenas um mês: o Halley apareceu em março daquele ano. O trabalho conjunto de diversos astrônomos finalmente permitiu a Laplace integrar os percursos dos corpos que compõem o sistema solar segundo o modelo gravitacional de Newton. Seu Traité de mécanique céleste ( Tratado de mecânica celeste) foi publicado em 1789.

Em 1781 o astrônomo inglês Willian Herschell descobriu o planeta Urano. Os estranhos movimentos do astro fizeram-no supor que ele sofria a influência de outro, ainda desconhecido, cuja órbita foi calculada antes de ser observado pela primeira vez. Tratava-se de Netuno, que Urbain le Verrier descobriu em 1846. Os problemas adicionais apresentados pelo percurso de Urano foram resolvidos pelo americano Percival Lowell, que em 1915 defendeu a existência de um outro planeta desconhecido: Plutão. Essa hipótese foi confirmada em 1930, embora Plutão só fosse observado em 1950.

O conhecimento dos corpos celestes não parou de crescer desde o século XVIII, até a recente descoberta de objetos como os quasares ou os buracos negros, cuja complexidade e dimensões seriam inconcebíveis para os astrônomos que lançaram os alicerces a partir dos quais se desenvolveu o estudo científico do universo.

Instrumental e metodologia

Entre os instrumentos a que se recorre para a exposição de teorias astronômicas, destacam-se os atlas celestes, por sua constante utilização a partir do século XVII. Os que foram organizados por meio do telescópio têm origem no atlas do inglês John Flamsteed. Elaborado no começo do século XVIII, arrolava 2.866 estrelas. No século XIX o astrônomo alemão Eduard Schönfeld publicou o primeiro atlas com astros do hemisfério boreal, em que já figuravam 324.198 corpos celestes. Um argentino, Macon Thome, estendeu-o ao hemisfério austral, atingindo um total de 641.000. Em 1930, a aplicação da fotografia à prospecção celeste serviu de base à elaboração do Henry Draper Catalogue, com mais de 400.000 astros. Mais tarde, os observatórios astronômicos passaram a contar seus achados em milhões.

No século XIX, a astronomia ficou ainda mais ligada à física do que estivera a partir de Newton. Joseph von Fraunhoffer, célebre construtor de telescópios, pela primeira vez decompôs a luz do Sol através de um prisma. Em 1859, Gustav Robert Kirchhoff pôde explicar que os raios de diversas cores que se obtêm desse modo revelam a composição química do corpo que os emite. A parir de tais estudos experimentais desenvolveu-se uma nova geração de instrumentos (espectrômetros, fotômetros e calorímetros).

Juntamente com os novos instrumentos, avançadas técnicas de fabricação de emulsões fotográficas possibilitaram a obtenção de imagens cada vez mais exatas e mais nítidas dos astros. Os telescópios aumentaram de tamanho e alcance. O telescópio eletrônico levou essas qualidades ao extremo, embora sempre dentro das possibilidades que oferecia o céu noturno, cujas perturbações impedem uma observação clara. Em 1957, quando se lançou ao espaço o primeiro satélite artificial, os astrônomos viram abrir-se a possibilidade de abandonar o planeta como ponto de observação. Os satélites e as mais avançadas sondas espaciais são capazes de colher e transmitir, do espaço exterior, dados de que nem se tem conhecimento na Terra.

Em 1932, registraram-se os raios radioelétricos emitidos pela Via Láctea. Desenvolveu-se desde então um novo campo, a radioastronomia, baseada na análise da emissão e absorção de radiações. Por meio dela, realizaram-se grandes avanços nos estudos sobre a atividade solar, a estrutura da nossa galáxia e a origem dos raios cósmicos. A radioastronomia revelou ainda a existência de complexas estruturas galácticas como os pulsares e os quasares.
Astronomia no Brasil. Em 1639, por iniciativa de Maurício de Nassau, foi instalado o primeiro observatório do hemisfério sul na torre maior do palácio de Friburgo, na ilha de Antônio Vaz, em Pernambuco. Ali o cientista alemão Georg Marcgrave fez a primeira observação científica de um eclipse nas Américas. Ainda no século XVII foram importantes as contribuições de astrônomos jesuítas como Valentim Stancel e Aluísio Conrado Pfeil.

Em 1780 foi decidida a criação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. Uma comissão portuguesa dirigida pelo cosmógrafo Bento Sanches da Orta passou a trabalhar no morro do Castelo, mas a instituição só foi oficialmente fundada em 15 de outubro de 1827. Em 1850 já contava com os instrumentos necessários às suas atividades, isto é,  um círculo mural, uma luneta meridiana, aparelhos magnéticos e meteorológicos. Emmanuel Liais, do Observatório de Paris, foi o primeiro diretor do Imperial Observatório, como passou a se chamar. Sua mudança para o morro de São Januário se deu em 1922, na gestão de Henrique Charles Morize, que o dotou de uma luneta equatorial Cooke, de 46cm de abertura, com duas câmaras astrofotográficas Taylor e outros valiosos instrumentos de pesquisa. Já com o nome de Observatório Nacional, foi um dos 15 observatórios a colaborar com o Bureau Internacional da Hora no traçado da primeira curva senoidal da variação anual da rotação da Terra, feito pelo astrônomo francês de origem russa Nikolas Stoyko.

Entre a década de 1920 e a de 1950 o observatório contou com a personalidade altamente realizadora de Lélio Gama, que coordenou importantes pesquisas e procurou atualizar o equipamento disponível. Foi estudada a variação de latitude do Rio de Janeiro, criou-se com avançada tecnologia o Serviço de Hora, procedeu-se ao levantamento magnético e gravimétrico do país. Os grandes planetas receberam especial atenção a partir de 1956, e assinalaram-se contribuições originais no campo da observação das estrelas duplas: em 1968, iniciou-se ali, pela primeira vez na América do Sul, o emprego da técnica de exposições fotográficas múltiplas no acompanhamento das binárias visuais.

Outras instituições astronômicas mais tarde criadas no país são o Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo, o Observatório Astronômico do Instituto Tecnológico da Aeronáutica de São José dos Campos e o Centro de Radioastronomia e Astrofísica da Universidade Mackenzie, que instalou em Atibaia SP um grande observatório radioastronômico.

Cronologia da Astronomia Cronologia da Astronomia

1800 a.C. – Diversos povos já têm registros astronômicos muito acurados sobre os eclipses e o movimento das estrelas e dos planetas. Os centros mais avançados de observação se encontram na China, no Egito e no Oriente Médio, lugares onde a astronomia parece ter sido uma das atividades mais antigas.

750 a.C. – Os egípcios notam que o Sol passa pelo céu de maneira regular e que esse movimento poderia ser usado para contar o tempo. Surgem os mais antigos relógios de sol. Muitos consistiam apenas de uma vareta enterrada no solo, com um círculo desenhado à volta. À medida que o Sol percorria o céu no decorrer do dia, a sombra da vareta apontava para diferentes pontos do círculo, permitindo, com um pouco de experiência, determinar a hora com certa precisão.

600 a.C. – O mais antigo método para calcular um eclipse é registrado pelos gregos. O sábio Tales de Mileto (624 a.C.-546 a.C.) calcula e prevê a chegada de um eclipse que deve ter acontecido no dia 28 de maio de 285 a.C. É o que avaliam os astrônomos de hoje, de acordo com os conhecimentos que têm sobre o movimento do Sol no passado.

350 a.C. – O matemático grego Eudoxo de Cnidos (400 a.C.-350 a.C.?) deixa o primeiro registro de um mapa astronômico. Com grande sofisticação, esse mapa se baseia numa "grade" de linhas imaginárias, muito semelhantes às linhas de longitude e latitude empregadas hoje pela geografia. A diferença é que, em vez da superfície da Terra, as linhas de Eudoxo percorrem o céu, centradas na estrela polar. Nessas linhas, o matemático anota a posição das estrelas já conhecidas. Possivelmente, outros povos, em especial os chineses, também tenham tido mapas celestes por essa época.

240 a.C. – O grego Eratóstenes (276 a.C.-194 a.C.) faz o primeiro cálculo da circunferência da Terra e encontra a distância de 39.690 km. Sua experiência é considerada prodigiosa, já que a margem de erro é praticamente desprezível.

Eratóstenes mede a Terra – O sábio grego avalia a circunferência da Terra usando um método simples e genial. Primeiro, ele supõe que a Terra seja uma esfera. Ele sabe, também, que toda esfera tem uma circunferência de 360º. Ou seja, esse é o ângulo que se percorre ao dar uma volta completa no planeta. Então ele imagina o seguinte: se 360º representam uma volta inteira, quantos graus existem num percurso mais curto? Para descobrir isso, Eratóstenes visita duas cidades do Egito: Alexandria, onde vive, e Syene, a 833 km de distância. Em cada lugar ele finca uma vareta no chão e mede sua sombra na mesma hora do dia. Pela diferença de tamanho das sombras, descobre que as cidades estão separadas 7,5º - um ângulo 48 vezes menor que a circunferência completa. Aí, Eratóstenes multiplica 48 por 833 (a distância entre Alexandria e Syene em km) e encontra os 39.690 km. Os historiadores não têm certeza do valor exato das unidades usadas pelo grego. Mesmo assim, é certo que seu cálculo chega a menos de 400 km da medida atual da circunferência completa da Terra.

140 – O grego Claudius Ptolomeu faz uma importante síntese da astronomia. A Terra seria o centro do Universo e a sua volta, presos a esferas de cristal, girariam o Sol, os planetas e as estrelas. Abandonado pela ciência moderna, esse sistema descreve o movimento dos astros com bastante precisão e continua em vigor um milênio e meio após sua criação.

1054 – Astrônomos chineses registram, pela primeira vez, a morte de uma estrela. Situada na constelação de Touro, ela se torna, de uma hora para outra, a luz mais forte do céu. Suplanta até o planeta Vênus, de brilho mais intenso. Por três semanas, a estrela em explosão pode ser vista mesmo durante o dia. Ela reluz até o ano de 1056. Hoje se sabe que as estrelas desaparecem numa explosão chamada nova, ou, se o astro é muito grande, supernova. A que os chineses viram era uma nova.

1252 – O rei Alfonso X (1221-1284) de Castela (Espanha), celebrizado como Alfonso, o Sábio, manda refazer as tabelas que indicam o movimento dos planetas no céu. Com os novos cálculos, os europeus obtêm dados mais exatos sobre os eventos astronômicos, aperfeiçoando o sistema de Ptolomeu.

1304 – Os artistas, às vezes, conseguem ampliar os conhecimentos científicos com seu trabalho. É o que faz o pintor italiano Giotto di Bondone (1267?-1337), que mostra, num de seus quadros, a primeira imagem de um cometa. Muito brilhante, o cometa havia causado grande impressão na Europa em 1301. Giotto decide usar sua imagem na pintura A Adoração dos Reis Magos.

1472 – O astrônomo alemão Regiomontano, cujo nome verdadeiro é Johann Müller (1436-1476), cria o primeiro registro exato da órbita de um cometa. Noite após noite, ele anota o nome das estrelas pelas quais o cometa vai passando, enquanto muda de posição no céu. Regiomontano usa as estrelas como mapa: fixas no céu, elas servem de pano de fundo para o movimento do astro nas proximidades da Terra.

1543 – A primeira grande revolução no estudo do céu é liderada pelo padre polonês Nicolau Copérnico. Em seu livro Sobre a Revolução dos Corpos Celestes, ele defende o heliocentrismo: teoria de que todos os planetas, inclusive a Terra, giram em torno do Sol. O novo sistema, apesar de ser bem mais complicado que seu antecessor, do ponto de vista matemático, explica com mais clareza e mais lógica os movimentos dos astros.

Novo centro do mundo – O impacto da teoria de Copérnico é monumental. Além de revelar um novo sistema celeste, derruba a concepção de que o homem tem um lugar especial no cosmo. Isso vai contra a doutrina da Igreja Católica, que adota o ponto de vista de Ptolomeu situando a Terra e o homem no centro do Universo. Essa convicção, no entanto, tem seus dias contados, e não só porque a Terra passa a ser um entre os diversos planetas que orbitam o Sol. Surgem também indícios de que ela seja feita das mesmas substâncias que os outros mundos. É o que conclui o italiano Galileu ao apontar pela primeira vez um telescópio para o céu, observando Lua, Júpiter e Saturno.

1577 – O dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601) analisa cuidadosamente o percurso de um cometa e, pelo tempo que ele demora para cruzar o céu, deduz que está muito longe. Se estivesse perto, passaria mais rápido. Com isso, conclui que os cometas são corpos celestes e não atmosféricos, como acreditavam os gregos antigos. Brahe possuía, na ilha de Hven, o mais bem equipado observatório da época e também havia observado, em 1572, a segunda grande explosão estelar desde a era de ouro da astronomia chinesa.

1610 – Durante milênios, os astrônomos da Antiguidade haviam observado o céu a olho nu e viam tanto os planetas quanto as estrelas como simples pontos de luz. O sábio italiano Galileu Galilei (1564-1642) torna-se o primeiro a construir um instrumento precursor dos telescópios. Ao apontá-lo para o céu, constata que os planetas são feitos da mesma matéria que a Terra. Para fazer esse equipamento, Galileu se inspira num aparelho de olhar a distância criado pelo construtor holandês de óculos Hans Lippershey.

1781 – O sexto planeta, Urano , é descoberto pelo inglês William Herschel (1738-1822), professor de música e astrônomo amador. O inglês John C. Adams (1819-1892) e o francês Urbain-Joseph Leverrier (1811-1877) encontram Netuno em 1846. Plutão seria identificado em 1930 pelo americano Clyde Tombaugh (1906-). Os planetas Mercúrio , Vênus , Marte , Júpiter e Saturno já eram acompanhados pelos povos antigos.

1845 – O irlandês William Parsons, conde Rosse (1800-1867), constrói o maior telescópio de sua época, com uma lente de 1,83 m de diâmetro. Com ele, descobre as primeiras galáxias espirais. Hoje se sabe que são conjuntos de bilhões de estrelas semelhantes à Via Láctea. Estão situadas a pelo menos 2 milhões de anos-luz (1 ano-luz mede 9,5 bilhões de km).

1851 – A primeira prova do movimento de rotação da Terra é fornecida por um pêndulo. É que a rotação do planeta obriga os pêndulos a rodar, oscilando a cada momento numa direção diferente. Sabendo disso, o físico francês Jean-Bernard-Leon Foucault (1819-1868) constrói um pêndulo gigante, com um fio de aço de 60 m de comprimento preso a uma bola de ferro de 31 kg. Registra os desvios sofridos pela bola e fornece a primeira prova inequívoca da rotação da Terra.

1862 – O físico sueco Anders Jonas Angströn (1814-1874) anuncia que o Sol contém hidrogênio. Ele faz a descoberta ao comparar a luz solar com a luz produzida em laboratório pelo hidrogênio aquecido. Pela semelhança, Angströn conclui que esse elemento é abundante na estrela mais próxima da Terra.

1905 – Difícil de observar, porque fica muito perto do Sol e é ofuscado por sua luz, Mercúrio só começa a ser estudado para valer nesse século. É quando o italiano Giovanni Virginio Schiaparelli (1835-1910) nota umas poucas manchas e linhas na superfície do planeta. O astrônomo percebe que seu telescópio sempre aponta para as mesmas marcas e deduz que a rotação de Mercúrio é peculiar: ele sempre vira a mesma face para o Sol e, portanto, também mantém a outra face sempre voltada para a Terra. A gravidade solar, por causa da proximidade, puxa o planeta com muita força e controla sua rotação.

1929 – Uma das descobertas mais importantes deste século é feita pelo norte-americano Edwin Powell Hubble (1889-1953). Ele anuncia que todas as galáxias se afastam umas das outras, fugindo para distâncias cada vez maiores. Isso leva a crer que o Universo está em expansão. Ele teria nascido como um ponto bem pequeno, há uns 13 bilhões de anos, explodido e passado a crescer como um balão. Dessa forma, todas as galáxias ficam cada vez mais longe umas das outras. Essa maneira de ver o cosmo é conhecida como a Teoria do Big Bang.

A explosão do Universo – Antes de Hubble observar diretamente a expansão do Universo pela fuga das galáxias, diversos teóricos sugerem que ele tenha nascido de uma grande explosão (Big Bang, em inglês). O primeiro é o holandês Willem de Sitter (1872-1934). Para ele, a expansão cósmica pode ser deduzida da Teoria da Relatividade Geral , de Einstein. Chegam à mesma conclusão o russo Alexander Aleksandrovitch Friedman (1888-1925), em 1922, e, em 1927, o francês Georges Lemaître (1894-1966).

1932 – Ao investigar, a pedido da Companhia Telefônica Bell, um ruído enigmático captado por uma de suas antenas, o técnico de rádio Karl Guthe Jansky (1905-1950) percebe que a empresa estava registrando um sinal vindo do espaço. Ele aponta como possível fonte das emissões a constelação de Sagitário. Ela fica no centro da Via Láctea, repleto de estrelas. É esse conjunto de astros que a antena estava sintonizando. Jansky descobre um novo meio de estudar as estrelas: basta "ouvir" suas emissões de rádio que são também uma forma de luz, embora os olhos não possam vê-la. Boa parte do brilho das estrelas é emitida nessa forma.

1934 – O astrônomo suíço Fritz Zwicky (1898-1974) afirma que explosões estelares muito violentas podem deixar como resíduo um novo tipo de astro. São as estrelas de nêutrons, cuja massa é composta apenas de partículas subatômicas - os nêutrons. Elas surgem porque, ao morrer, a estrela-mãe esmaga seu próprio núcleo. Para ter uma idéia, uma esfera como o Sol, depois de uma compressão desse tipo, ficaria com uns 4 ou 5 km de raio. Hoje se acredita que esses astros sejam idênticos aos pulsares .

1947 – O holandês-americano Gerard Peter Kuiper (1905-1973) descobre que a atmosfera de Marte é composta de gás carbônico. Ao analisar a luz refletida pelo planeta, não acha sinal de oxigênio nem de vapor d'água, dois ingredientes considerados essenciais à vida.

1948 – O primeiro físico a tentar analisar o Big Bang - a grande explosão que dá início ao Universo - é o ucraniano Guiorgui Gamov (1904-1968). Ele declara que o Universo jovem deve ter sido um caldo denso e tórrido de partículas subatômicas. Gamov tenta calcular a temperatura desse caldo e supõe que, nesses momentos iniciais, o Universo teria liberado uma forte onda luminosa, mais tarde chamada de radiação de fundo. Com isso, ele indica o caminho para o desenvolvimento da Teoria do Big Bang .

As provas do Big Bang – Os cosmologistas conhecem três evidências bem claras de que o Universo realmente surgiu de uma grande explosão, o chamado Big Bang, há cerca de 13 bilhões de anos. A primeira é a fuga das galáxias: pelo telescópio, observa-se que todas as galáxias se estão afastando umas das outras, justamente como seria de esperar se o cosmo estivesse crescendo ou em expansão. A segunda evidência é o brilho da explosão. Ela banha a Terra de todos os lados ao mesmo tempo, na forma de ondas de rádio bem curtas, o que significa que podem ser sintonizadas até hoje por qualquer aparelho de TV, aparecendo na tela como um chuvisco permanente. Finalmente, calcula-se que a detonação cósmica deva ter produzido apenas dois elementos químicos, e em proporção bem definida: 75% de hidrogênio e 25% de hélio. E é essa a proporção dos gases no espaço.

1963 – O norte-americano de origem holandesa Maarten Schmidt (1929-) descobre os astros mais distantes e mais poderosos que existem, os quasares. São focos minúsculos de luz que aparecem apenas como um ponto brilhante aos telescópios, mas estão a distâncias incríveis, acima de 10 bilhões de anos-luz. Schmidt deduz, então, que, se os quasares podem ser vistos a essa distância, é porque emitem mais energia que mil galáxias juntas. Sua hipótese é que os quasares sejam núcleos de galáxias muito jovens e, por isso, extremamente energéticas.

1964 – O brilho do Big Bang - isto é, a luz que emergiu durante a explosão que criou o Universo, há cerca de 13 bilhões de anos - é detectado pelos norte-americanos Arno Allan Penzias (1933-) e Robert Woodrow Wilson (1936-). Ao tentar aumentar a eficiência de uma antena de comunicação com satélites, eles sintonizam um ruído assustador que parecia vir, ao mesmo tempo, de todas as direções do céu. Consultam o físico Robert Henry Dicke (1916-), que afirma que uma luz com essa característica só pode ser o próprio brilho do Universo. Como ela brotou da totalidade do cosmo, continua a percorrê-lo em todas as direções.

1967 – O inglês Anthony Hewish (1924-) capta sinais de rádio do primeiro pulsar, um tipo de estrela que emite radiação na forma de pulsos regulares. Alguns desses pulsos chegam à Terra ao ritmo de um a cada milésimo de segundo. Isso acontece porque o pulsar lança um único feixe de luz (ou de ondas de rádio, que, para os físicos, também são uma forma de luz). Como o astro gira, esse feixe passa pelos telescópios de tempos a tempos, como se fossem pulsos.

1971 – Surge o primeiro indício concreto de que os buracos negros existem. Esses astros representam as maiores concentrações de matéria do Universo. Quem detecta o possível buraco negro é o canadense C.T. Bolt. Ele chega a essa conclusão ao analisar os dados de um telescópio de raios X apontado para a Constelação de Cisne. Os buracos negros haviam sido previstos na Teoria da Relatividade Geral pelo astrônomo alemão Karl Schwarzchild (1873-1916).

1977 – O matemático norte-americano Alan Guth (1947-) cria a Teoria da Inflação Cósmica. Ele sugere que o Universo, além de ter nascido de uma explosão, teria passado por uma fase superexplosiva nos primeiros instantes de sua existência.

1983 – Encontrados os primeiros sinais de planetas fora do Sistema Solar. Eles estariam girando em torno da estrela Vega, que fica a 26 anos-luz daqui. Nas imagens obtidas pelo norte-americano Fred Gillett, Vega aparecia cercada por nuvens de gás e poeira que podem ser planetas ainda em formação.

1987 – No Observatório de Cerro Tololo, no Chile, o canadense Ian Shelton observa a primeira supernova próxima da Terra. Ela brilhou numa galáxia vizinha da Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães. Supernovas são explosões de grandes estrelas ao morrer.

1992 – O radiotelescópio orbital Cobe fotografa o brilho do Big Bang. Com precisão extraordinária, ele capta minúsculas diferenças de intensidade no brilho cósmico . Essas variações teriam sido as sementes que deram origem às galáxias, há cerca de 12 bilhões de anos.

1998 – Duas equipes internacionais - uma liderada pelo norte-americano Saul Perlmutter, ligado ao Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (EUA), e outra pelo também norte-americano Brian Schmidt, do Observatório de Monte Stromlo (Austrália) - anunciam, no início do ano, que o Universo crescerá para sempre. Tudo indica que não existe possibilidade de o cosmo expandir-se até certo ponto e depois voltar a encolher, como alguns cientistas chegaram a supor. Os astrônomos mediram a velocidade de um grande número de galáxias e concluíram que elas se expandem num ritmo crescente. Se forem confirmadas, as medições significam que o cosmo ficará mais e mais vazio, frio e escuro nos bilhões de anos à frente, até o desaparecimento de todos os corpos celestes.

1999 – Os astrônomos confirmam que o Universo está se expandindo há 13 bilhões de anos. Desde 1995, dados coletados pelo Telescópio Espacial Hubble criaram dúvida ao sugerir uma idade de apenas 10 bilhões de anos. Mas foram descobertas incorreções em diversas medidas, como a das distâncias entre as galáxias, que interferiram no cálculo da idade do cosmo.

1999 – Uma impressionante fulguração que chega à Terra normalmente na forma de raios gama, sumindo segundos depois, é captada pela primeira vez como um facho de luz. Verifica-se, então, que vêm de distâncias imensas, e o fato de mesmo assim terem um brilho intenso indica que contêm imensa quantidade de energia. Não há ainda uma explicação para essas fulgurações, conhecidas desde 1997 pelo nome de erupções de raios gama. A hipótese mais provável é que sejam estrelas gigantes explodindo no estágio final da existência. Nesse caso, os astros se transformariam em buracos negros.

2000 – Uma grande equipe internacional de pesquisa, chamada Boomerang, divulga imagem com precisão inédita do brilho remanescente do Big Bang, a explosão que deu origem ao cosmo há 13 bilhões de anos. A partir dela, os cientistas deduziram que a geometria interna do Universo é plana - significa que é possível se mover em linha reta pelo espaço. Se a geometria fosse esférica ou hiperbólica, todo o movimento acabaria tomando um trajeto curvo, seja na forma de um arco de círculo, seja na forma de uma hipérbole. Nesse caso, o cosmo estaria perdendo velocidade e, no futuro, voltaria a encolher. Mas, como a geometria é plana, sabe-se que a expansão prosseguirá indefinidamente, fortalecendo conclusões anteriores, obtidas por outros cientistas.

2002 - Surge a primeira evidência forte de que existem galáxias negras — compostas apenas de uma matéria escura, de natureza ainda desconhecida pela ciência. Mas sabe-se que a matéria escura existe pela rotação das galáxias normais: Elas giram muito mais depressa do que deveriam, se tivessem apenas átomos brilhantes. A velocidade cresce com a massa: quanto maior a massa, maior a rapidez. Todas as galáxias, então, têm sua dose de matéria escura, mas aparentemente existem galáxias feitas apenas desse material misterioso. O astrônomo inglês Neil Trentham desconfiou disso porque viu um turbilhão de gás e poeira caindo em certa direção, como se tivesse sendo atraído pela gravidade de uma grande massa celeste. Mas no foco do turbilhão nada se vê: poderia ser uma galáxia negra.

2003 - Surge o primeiro sistema de planetas parecido com o que gira em torno do Sol. Os planetas descobertos giram em volta de outra estrela, situada a 90 anos-luz de distância da Terra (1 ano-luz mede 9,5 trilhões de quilômetros). Essa estrela não tem nome; é conhecida por uma sigla: HD 70642. É muito parecida com o Sol: é amarela e tem aproximadamente 5 bilhões de anos de idade. Seus planetas também podem ser parecidos com os do Sol. Os autores da descoberta, anunciada em julho de 2003, foram os americanos Paul Butler e Geoffrey Marcy.

MEIOS DE TRANSPORTES NO BRASIL

MEIOS DE TRANSPORTES NO BRASILMeios de Transportes no Brasil

Após o crescimento em 2014, os serviços de transportes registrou crescimento menor em 2015 devido a crise mundial que se iniciou no fim de 2008 e se agravou no Brasil em 2015. A participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) também vem caindo nos últimos anos: de 3,2%, em 1995, para 2,4%, em 2000, e com alta significativa de 2,1% em 2010.

Estrutura - A participação dos diferentes meios – rodoviário, ferroviário, aquaviário (cabotagem e fluvial), aéreo e dutoviário – no total de carga transportada permanece praticamente inalterada entre 1996 e 2015, de acordo com informações do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). O transporte por rodovias lidera, seguido pelo ferroviário, e pelo aquaviário. Segundo especialistas do setor, a matriz de transportes tem distorções que precisam ser corrigidas. Uma das mais graves é o uso de caminhões para transportar cargas por grandes extensões, encarecendo o frete e saturando as já precárias rodovias brasileiras. Ferrovias e hidrovias, cujos custos são mais baixos, ainda são subutilizadas.

Transporte Rodoviário - Segundo o DNIT, do 1,7 milhão de quilômetros de estradas brasileiras, somente 193 mil quilômetros estão asfaltados em 2008. A Pesquisa Rodoviária CNT 2008, ao avaliar 74.681 quilômetros de estradas, conclui que o estado geral de conservação, sinalização e pavimentação das rodovias é deficiente, ruim ou péssimo em 74,7% da área percorrida. Ainda assim é o sistema mais usado no país. Responde por 60,5% do movimento de cargas.

Transporte de carga - O transporte rodoviário de cargas no Brasil tem 39,6 mil empresas prestadoras de serviços, 50 mil transportadores de carga própria e 402 mil autônomos e responde por 60,5% da movimentação no mercado interno. O faturamento anual do segmento gira em torno de 21,4 bilhões de reais, gerando quase 400 mil empregos diretos, segundo dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas.

Frota de veículos - Estima-se que a frota nacional tenha cerca de 42,7 milhões de veículos em 2008, e o estado de São Paulo concentra 36,8% da frota do país. A idade média dos veículos é de 9,4 anos, segundo o Sindipeças. Já a taxa média de habitantes por veículo é de 8,6. As nações desenvolvidas registram 1,2 habitantes por veículo.

Transporte Ferroviário - O sistema ferroviário brasileiro totaliza apenas 29.798 quilômetros, concentrando-se nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Na Argentina, por exemplo, são 34.091 quilômetros e nos Estados Unidos, 228.464 quilômetros. Do total da rede brasileira, pelo menos 35% têm mais de 60 anos. Embora a malha ferroviária não seja extensa, o sistema ferroviário nacional é o maior da América Latina em termos de carga transportada, atingindo 186 bilhões de tku (tonelada por quilômetro útil) em 2008. Depois de anos de abandono, a partir de 2002 – com a privatização – o setor voltou a receber investimentos.

Metrô - Seis cidades brasileiras têm rede metroviária: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e o Brasília. O metrô de São Paulo é o maior e mais antigo: tem 57,6 quilômetros, transporta 506 milhões de passageiros por ano e entrou em operação em 1974. No Rio de Janeiro, o segundo maior, a rede de 34,9 quilômetros transporta 113 milhões de passageiros por ano.

Transporte Hidroviário - Existem 82 portos em território nacional. Em 2002, os portos movimentam 529 milhões de toneladas, 4% mais que no ano anterior. O sistema é responsável por 13,9% do movimento de cargas no Brasil.

Navegação marítima - A via marítima é o principal meio de transporte do comércio exterior brasileiro. Em 2008, a frota nacional tem 128 navios. A navegação de longo curso – que realiza viagens internacionais – é responsável por 70% da carga transportada e a de cabotagem, que faz navegação entre portos brasileiros, 26%, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Navegação fluvial – Dos 42 mil quilômetros de rios navegáveis no país, apenas 8,5 mil são efetivamente utilizados. A navegação fluvial deveria ser usada em maior escala como forma de baratear o preço de produtos, principalmente os de exportação – o custohidroviário é 50% menor que o ferroviário e 80% mais baixo que o rodoviário. Os desafios do setor são o alto custo de transformação de rios em hidrovias e a construção de plataformas para interligar o sistema hidroviário aos demais modos de transporte.

Transporte Aeroviário – O transporte aeroviário é responsável por 2,4% do movimento total de passageiros e 0,3% no de cargas no Brasil, em 2014. Em 2015, as companhias aéreas brasileiras transportam 74,2 milhões de passageiros, registrando queda de 5% em relação ao ano anterior, quando foram transportados 35,9 milhões, de acordo com a Infraero. Os vôos nacionais respondem por 86,6% do total (29,6 milhões de passageiros) e os internacionais, por 13,4% (4,5 milhões de pessoas). Em 2008, o aumento de exportações gera falta de navios e contêineres, o que aumenta o transporte aeroviário de cargas. Até novembro de 2008, a receita da Infraero (estatal que administra a maioria dos aeroportos brasileiros) é de 609 milhões de reais com a movimentação de cargas em seus aeroportos. Trata-se de um aumento de 17,4% em relação ao ano anterior.

GEOGRAFIA HUMANA DO BRASIL

GEOGRAFIA HUMANA DO BRASIL

Geografia Humana do Brasil

A Geografia Humana do Brasil tem por objetivo analisar as características da população brasileira, a diversidade étnica e cultural, os aspectos socioeconômicos, o quantitativo e a distribuição populacional, a divisão regional, entre outros temas relacionados. Para entendermos a atual estrutura da população brasileira, é importante uma abordagem histórica da ocupação do país e a formação da identidade nacional.

O Brasil é considerado um dos países de maior diversidade étnica do mundo, sua população apresenta características dos colonizadores europeus (brancos), dos negros (africanos) e dos indígenas (população nativa), além de elementos dos imigrantes asiáticos. A construção da identidade brasileira levou séculos para se formar, sendo fruto da miscigenação (interação entre diferentes etnias) entre os povos que aqui vivem.

Além de miscigenado, o Brasil é um país populoso. De acordo com dados do último Censo Demográfico, realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população total do país é de 190.755.799 habitantes. Essa quantidade faz do Brasil o quinto mais populoso do mundo, atrás da China, Índia, Estados Unidos da América (EUA) e Indonésia, respectivamente.

Apesar de populoso, o Brasil é um país pouco povoado, pois a densidade demográfica (população relativa) é de apenas 22,4 habitantes por quilômetro quadrado. Outro fato que merece ser destacado é a distribuição desigual da população no território nacional. Um exemplo desse processo é a comparação entre o contingente populacional do estado de São Paulo (41,2 milhões) com o da região Centro-Oeste (14 milhões).

O território brasileiro é dividido em cinco Regiões (Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul), que somadas apresentam 26 estados e 1 Distrito Federal. As Regiões brasileiras são estabelecidas pelo IBGE, cujo critério utilizado é agrupar em um mesmo complexo regional estados com semelhanças nos aspectos físicos, sociais, econômicos e culturais. Tal medida visa facilitar o desenvolvimento de políticas públicas no país.

CIVILIZAÇÕES ORIENTAIS DA ANTIGUIDADE


Civilizações Orientais e Ocidentais da Antiguidade

São as mais antigas civilizações da história, que surgem entre 4.000 a.C. e 2.000 a.C., às margens dos rios Tigre e Eufrates (Mesopotâmia), Jordão (Palestina), Nilo (Egito), Amarelo (China), Indo e Ganges (nos atuais Paquistão e Índia). A maioria desenvolve-se no chamado Crescente Fértil, região propícia ao cultivo que vai do rio Nilo até o Golfo Pérsico. Algumas sociedades, porém, que aparecem posteriormente e não contam com o poder fertilizador de grandes rios, vivem de atividades pastoris (hebreus, hititas), do comércio (fenícios, cretenses) e de conquistas militares (assírios, hititas e persas). Possuem características comuns, como a escrita, a arquitetura monumental, a agricultura extensiva, a domesticação de animais, a metalurgia, a escultura, a pintura em cerâmica, a divisão social em classes e a religião organizada.

De modo geral, a forma de governo da maioria das sociedades é a Monarquia teocrática e hereditária. As instituições monárquicas do Egito e da Mesopotâmia – representadas respectivamente pelo faraó e pelo patesi – influenciam os chefes de Estado das demais civilizações. Num primeiro momento, estabelecem-se politicamente em cidades-estados. Posteriormente, por meio de guerras, constroem impérios como o Babilônico, o Persa e o Assírio. A religião é politeísta e o deus Sol, um dos mais importantes. As exceções são os hebreus, único povo monoteísta da Antiguidade, e os persas, que acreditam na existência de duas forças divinas – o bem e o mal. A arte também recebe forte influência religiosa e tem como temas mais constantes as divindades, os reis, as batalhas e os aspectos da vida cotidiana. A arquitetura é monumental, com edifícios religiosos e governamentais de grande porte. Essas civilizações deixam importantes contribuições, como o alfabeto, a Bíblia, as pirâmides, as técnicas de irrigação, os conhecimentos de astronomia, de astrologia, os sistemas de pesos e medidas e os calendários lunares e solares. As principais civilizações são a suméria, a acadiana, a babilônica, a assíria, a egípcia, a hebraica, a fenícia, a hitita, a persa, a chinesa e a hindu. Apesar de estar no Ocidente, os cretenses possuem características comuns com outros povos da Antiguidade oriental.

Civilização EgípciaCivilização Egípcia

No Período Neolítico, tribos nômades indo-européias instalam-se na região do vale do rio Nilo, onde constroem cidades-estados, como Tebas, Memphis e Tânis. Estabelecem um Estado unificado por volta de 3200a.C. e introduzem uma monarquia centralizada no faraó, soberano hereditário, absoluto e considerado a encarnação divina. As cidades-estados são transformadas em nomos, divisões administrativas da monarquia governadas por nomarcas. Até 2700 a.C., o Egito mantém-se relativamente isolado. Por volta de 2000 a.C. dá os primeiros passos para romper esse isolamento. Realiza incursões contra os beduínos do Sinai e conquista suas minas de cobre e pedras preciosas. A invasão dos hicsos, de origem caucasiana, interrompe essa expansão. O Egito expulsa os hicsos em 1600 a.C. e, em seguida, conquista Síria, Palestina, Mesopotâmia, Chipre, Creta e ilhas do mar Egeu. Em 332 a.C. passa a integrar o Império Macedônico e, a partir de 30 a.C., o Império Romano.

A agricultura e o comércio de produtos naturais são a base da economia. Desenvolvem técnicas de irrigação e de construção de barcos. Com a unificação, a propriedade da terra passa dos clãs ao faraó, aos nobres e aos sacerdotes. Os membros dos clãs são transformados em servos, que trabalham nas minas, na construção de palácios, templos e monumentais pirâmides de pedra (túmulos dos faraós). Os egípcios empregam a técnica de mumificação de corpos, fazem o primeiro calendário lunar e destacam-se na astronomia, na engenharia e nas artes. Lançam os fundamentos da geometria e do cálculo e criam a escrita hieroglífica (com ideogramas). Politeístas, cultuam o deus Sol e representam as divindades com formas humanas.

Civilização Hebraica Civilização Hebraica 

Os hebreus são um povo nômade de origem semita que recebe posteriormente a denominação de judeu. Em 2000 a.C., sob a liderança do patriarca Abraão, os pastores hebreus migram da Mesopotâmia para a terra de Canaã, na Palestina. Em 1800 a.C., chefiados por Jacó, apelidado Israel (neto de Abraão), saem de Canaã e vão para o Egito, em 1700 a.C., onde são escravizados. Entre 1220 a.C. e 1180 a.C., voltam a Canaã em busca de um território guiados pelo patriarca Moisés, no episódio bíblico conhecido como Êxodo. De 1200 a.C. a 1010 a.C., as 12 tribos organizam-se numa confederação político-religiosa para defender seus santuários. A partir de 1010 a.C., o reino unificado expande-se, dominando todas as cidades-estados de Canaã. Em 926 a.C., divide-se nos reinos de Judá, ao sul (cuja capital é Jerusalém), e de Israel, ao norte, que voltam a se unir em 852 a.C. Em 586 a.C. são incorporados ao Império Babilônico e deportados para a Babilônia: inicia-se a diáspora judaica, a dispersão dos judeus pelo mundo. Em 538 a.C. são incorporados ao Império Persa e, em 63 a.C., ao Império Romano. Os judeus recusam-se a cultuar o imperador romano, Jerusalém é destruída e, no ano 70, inicia-se a segunda diáspora.

Praticam a agricultura, o pastoreio, o artesanato e o comércio. Têm por base social o trabalho de escravos e servos. As tribos são dirigidas de forma absoluta pelos chefes de família (patriarcas), que acumulam as funções de sacerdote, juiz e chefe militar. Com a unificação destas, a partir de 1010 a.C., elegem juízes para vigiar o cumprimento do culto e da lei. Depois se unem em torno do rei. Produzem uma literatura dispersa, mas importante, contida em parte na Bíblia e no Talmude. Criam a primeira religião monoteísta da história, o judaísmo, baseada nos Dez Mandamentos revelados a Moisés no monte Sinai.

Civilização FeníciaCivilização Fenícia

Os fenícios são um povo de origem semita da costa setentrional do mar Vermelho (atual Líbano). Por volta do ano 1000 a.C., cidades-estados instauram a Fenícia como federação, sob a hegemonia de Tiro. Colonizam o sul da península Itálica, parte da Sicília, litoral sul da península Ibérica e norte da África, onde fundam Cartago em 814 a.C. A partir de 800 a.C., a Fenícia faz parte, sucessivamente, do Império Babilônico, do Persa e do Macedônico. Com a queda de Tiro, em 332 a.C., a hegemonia passa para Cartago, que enfrenta os romanos nas Guerras Púnicas. Cartago é derrotada em 146 a.C.

A principal atividade econômica dos fenícios é o comércio marítimo. Realizam grande intercâmbio com as cidades gregas e egípcias e as tribos litorâneas da África e da península Ibérica, no Mediterrâneo. Possuem uma poderosa classe de comerciantes ricos e utilizam o trabalho escravo. A base da organização política são os clãs familiares, detentores da riqueza e do poder militar. Cada cidade-estado é governada por um rei, indicado pelas famílias mais poderosas. Desenvolvem técnicas de navegação e de fabricação de barco, vidro, tecido e artesanato metalúrgico. Criam também um alfabeto, posteriormente adotado com modificações pelos gregos e a partir do qual é instituído o alfabeto latino. Sua religião é politeísta, com cultos e sacrifícios humanos.

Civilização CretenseCivilização Cretense

Por volta de 3000 a.C., a ilha de Creta, no Mediterrâneo, é habitada por povos heterogêneos (principalmente arianos procedentes da Ásia Menor). A partir de 2600 a.C., instalam povoados portuários, como Cnossos e Maliá, que funcionam como entrepostos comerciais. São dominados pelos aqueus em 1450 a.C.

Praticam a agricultura, a metalurgia do bronze e do ouro, mas a base da economia é um ativo comércio marítimo de bens e produtos manufaturados com os Estados vizinhos do Egito e do Oriente Médio. O trabalho é exercido por escravos. O poder é centralizado no rei. Constroem grandes palácios (como o de Cnossos), dedicam-se a afrescos e à cerâmica e desenvolvem, em placas de argila, a escrita pictográfica Linear A (com alguns hieróglifos emprestados e copiados dos egípcios) e a Linear B (uma forma primitiva do grego). As tabuletas relatam fatos sobre as administrações dos palácios. São politeístas e cultuam deuses humanos e animais.

Civilização BabilônicaCivilização Babilônica

Por volta de 2000 a.C., amoritas do deserto invadem as cidades-estados sumerianas e acadianas e fundam a cidade da Babilônia. Sob o reinado de Hamurabi (? –1750 a.C.), entre 1792 a.C. e 1750 a.C., a Mesopotâmia é mais uma vez unificada e inicia-se o I Império Babilônico, que vai da Suméria até o Golfo Pérsico. Em 1513 a.C., os hititas destroem a capital e põem fim ao Império. De 614 a.C. a 539 a.C., sob a liderança do rei Nabucodonosor II (630 a.C.-561 a.C.), floresce o II Império Babilônico. No final desse período, a Babilônia é incorporada ao Império Persa pelo rei Ciro II (590/580 a.C.-529 a.C.).

Os babilônios organizam um Estado centralizado e despótico. Seguem o Código de Hamurabi, o mais antigo código penal da história. O progresso econômico leva ao embelezamento das cidades, com a construção de palácios, templos, da Torre de Babel e dos Jardins Suspensos da Babilônia – considerados uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Transcrevem obras literárias mesopotâmicas para o acadiano e instituem impostos em benefício de construções públicas. Criam a astrologia e a astronomia e aperfeiçoam a matemática com a invenção do círculo de 360 graus e a hora de 60 minutos. São politeístas e divinizam o rei.
Civilização Suméria

Civilização Suméria

Os sumérios instalam-se ao sul da Mesopotâmia entre 3250 a.C. e 2800 a.C. Colonizam o vale do rio Eufrates e dão origem às primeiras cidades organizadas como Estados independentes: Ur, Uruk, Eridu, Nippur, Kish e Lagash. Dominam os semitas (conjunto de povos nômades habitantes da região, ligados por um mesmo parentesco lingüístico) até 2300 a.C., quando, enfraquecidos por guerras internas, são dominados pelos acadianos. Recuperam o poder em 2050 a.C., mas não resistem aos amoritas, povo semita do norte, nem aos elamitas, da Pérsia, em 1950 a.C.

Desenvolvem a agricultura com técnicas de irrigação e drenagem de solo, construção de canais, diques e reservatórios, utilizando instrumentos de tração animal. Constroem templos de elaborada arquitetura, que servem como centro político, religioso e econômico. São politeístas e veneram divindades da natureza e deuses ligados aos sentimentos. O rei é o chefe supremo. Criam a escrita cuneiforme (gravação de figuras com estilete sobre tábua de argila) e fazem cerâmica e escultura de pedra e metal. Na matemática instituem o método de dividir o círculo em seis partes iguais.

Civilização AssíriaCivilização Assíria

Os assírios resultam da mestiçagem entre as tribos de semitas da Samaria (região da Palestina) e os povos do norte do rio Tigre. O Império Assírio novo (883 a.C.-612 a.C.), que se estende da Pérsia (atual Irã) à cidade egípcia de Tebas, atinge o apogeu sob o reinado de Sargão II. As principais cidades-estados são Assur e Nínive.

Formam o primeiro Exército organizado e o mais poderoso até então. Desenvolvem armas de ferro e carros de combate puxados a cavalo. Impõem práticas cruéis aos vencidos, como a mutilação. Os guerreiros e sacerdotes desfrutam muitos privilégios: não pagam tributos e são grandes proprietários de terra. A população, formada por camponeses e artesãos, é sujeita ao serviço forçado na construção de imensos palácios e estradas e ainda paga altos tributos. Os assírios implantam a horticultura e aperfeiçoam o arado. São politeístas e possuem um deus supremo, Assur.
Civilização Acadiana

Civilização Acadiana

Os acadianos originam-se de tribos semitas que habitam o norte da Mesopotâmia a partir de 2400 a.C. Sob o reinado de Sargão, conquistam e unificam as cidades-estados sumérias, inaugurando o I Império Mesopotâmico. Formam os Estados de Isin e Larsa. O império desmorona-se em 2180 a.C., após as invasões dos gutis, povos asiáticos das montanhas da Armênia.

O Estado é centralizado e tem no rei o chefe supremo. De religião politeísta, constroem monumentais palácios ao lado dos templos sumérios. Avançam na arte militar, com tropas de grande mobilidade no deserto e armamentos leves, como o venábulo (lança). Dão forma silábica à escrita cuneiforme e transcrevem obras literárias sumérias.

Civilização HititaCivilização Hitita

Os hititas são um povo nômade procedente do Cáucaso, estabelecem um reino na Capadócia em 1640 a.C., tendo Kussar como capital. Empreendem uma política expansionista em direção à Síria, à Babilônia e ao Egito, mas são dominados pelos gregos (aqueus) em 1200 a.C. Desenvolvem a mineração de ferro, a agricultura, o artesanato e o comércio nos mercados e caravanas. Servos e escravos (prisioneiros de guerra ou por dívidas) encarregam-se do trabalho. Ricos comerciantes e a nobreza administram os negócios do Estado por meio de uma monarquia hereditária. O rei centraliza o poder: é juiz supremo, sumo-sacerdote e chefe do Exército. Possuem normas de direito nas quais são previstas penas pecuniárias (pagas com dinheiro), privação de liberdade e escravidão. Criam as escritas hieroglífica e cuneiforme. Politeístas, cultuam divindades da natureza.

Civilização ChinesaCivilização Chinesa

Desde a Pré-História, muitos povos ocupam a China. O primeiro reino dinástico surge por volta de 2000 a.C. Durante quase 2 mil anos, sucedem-se disputas internas pelo poder. A primeira unificação ocorre em 221 a.C., com a dinastia Chin, substituída pela dinastia Han em 206 a.C. Expandem-se pela Ásia Central e Sudeste Asiático e, no século I, ampliam o domínio até o Golfo Pérsico.

Desenvolvem a agricultura, a metalurgia de cobre e bronze e, a partir de 700 a.C., o comércio e a fabricação de seda, tecidos e artesanato de cerâmica. Entre os séculos I a.C. e III, introduzem novas técnicas agrícolas, como a rotação de culturas e a adubação. Inventam o papel, a bússola e sistemas monetário e de pesos e medidas. A sociedade evolui da forma comunal de propriedade para a posse territorial pela nobreza. Os camponeses tornam-se servos, pagando obrigações aos senhores territoriais. As dinastias são monárquicas. As funções administrativas e sacerdotais cabem ao imperador. Possuem uma escrita com ideogramas e literatura rica, na qual se destacam Kung Fu-tseo (Confúcio), Lao-tsé e Mo-ti. São politeístas, cultuam a natureza e os antepassados. No século VI a.C., os ensinamentos de Lao-tsé transformam-se em religião, o taoísmo. O budismo é difundido a partir do século I a.C.

Civilização PersaCivilização Persa

Os persas, tribos nômades aparentadas dos escitas, do Cáucaso, deslocam-se para o planalto do Irã, mesclando-se aos povos locais (medas). Por volta de 700 a.C., cidades-estados como Pasárgada e Persépolis vivem sob hegemonia meda. Em 539 a.C., os persas derrotam os medas e, sob a liderança de Ciro II, iniciam o Império Persa. Ciro submete as sociedades da Mesopotâmia, consolida a hegemonia na Pérsia, conquista a Babilônia, o reino da Lídia e as colônias gregas da Ásia Menor. A partir de 522 a.C., durante o reinado de Dario, o Grande (558 a.C.?-486 a.C.), o Império estende-se para Trácia, Macedônia e parte da Índia. Sem conseguir administrar rebeliões no vasto território, Xerxes (519 a.C.-465 a.C.), que sucede Dario em 486 a.C., entra em conflito com as cidades gregas. As Guerras Médicas (492 a.C.-448 a.C.) acabam com a vitória dos gregos. Em 331 a.C., os persas são submetidos ao Império Macedônico.

Praticam a agricultura, a pecuária, o artesanato, a metalurgia e a mineração de metais e pedras preciosas. Realizam intensos intercâmbios comerciais, constroem estradas de pedra e canais para facilitar o transporte, as trocas e o correio a cavalo. Implantam uma economia monetária e um sistema de pesos e medidas e instituem impostos fixos. No topo da estrutura social está a nobreza territorial, militar e burocrática e, na base, servos e escravos. Em 539 a.C., com Ciro II, passam a viver sob Monarquia absoluta. Criam uma literatura diversificada, particularmente a religiosa. Seguem os ensinamentos do profeta Zaratustra (ou Zoroastro), que realiza importante reforma religiosa no século VI a.C. A religião persa é dualista: os deuses são Ahura-Mazda, o bem, e Arimã, o mal.

Civilização HinduCivilização Hindu

Os dravidianos habitam o vale do rio Indo e Ganges desde 2500 a.C. Em 1750 a.C, a Região Norte é invadida pelos arianos, que dominam a península. Do confronto entre os dois povos nasce a civilização hindu. Dissolve-se em diversos reinos independentes de 185 a.C. até o ano 320, quando a dinastia Gupta conquista a hegemonia. Escitas e hunos destroem a dinastia em 535, dividindo o reino em dois Estados.

Possuem agricultura avançada, com plantações irrigadas por canais. Desenvolvem a metalurgia (exceto a do ferro) e o comércio fluvial. A sociedade é dividida em castas: a dos sacerdotes (brâmanes), dos guerreiros (chátrias), dos camponeses (vaisia) e dos servos (sudras). Os párias, marginalizados, não têm casta e podem ser escravizados. As regras sociais são ditadas pelo Código de Manu, elaborado pelos sacerdotes. Utilizam formas geométricas, animais e motivos religiosos nas gravuras, na cerâmica e nas edificações. A religião é politeísta e o deus principal, Shiva. A partir de 1500 a.C., seguem os vedas (saber sagrado), os mais antigos documentos da literatura sacra. Admitem inúmeras divindades subjetivas (verdade, juramento) e naturais (aurora, fogo, Sol). Por volta de 525 a.C., o príncipe Sidarta Gautama torna-se Buda e passa a difundir o budismo.


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