Acerola (Malpighia glabra)

Acerola (Malpighia glabra)

Acerola (Malpighia glabra)Pequena fruta de sabor ácido, do tamanho de uma pitanga e, como esta, vermelha quando madura, a acerola ou cereja-das-antilhas (Malpighia glabra) é produzida por um arbusto de dois a três metros de altura, da família das malpighiáceas, a mesma do murici. Os pés de acerola começam a frutificar entre o segundo e o terceiro ano de vida, mantendo-se ativos, com várias safras por ano, durante pelo menos meio século. Cada arbusto é capaz de dar de vinte a trinta quilos por ano da fruta, que tem de um a três centímetros de diâmetro e pesa de dois a dez gramas.

Introduzida no Brasil, em Pernambuco, em meados do século XX, a acerola é, das frutas conhecidas, a que apresenta maior teor de vitamina C. Em cem gramas de sua polpa há 3.400mg de vitamina C ou ácido ascórbico, contra apenas cinquenta miligramas na laranja ou no limão, trinta miligramas na manga e quinze miligramas na maçã.

Pouco exigente em relação aos tipos de solo, a acerola se desenvolve bem em climas tropicais e subtropicais, preferindo temperaturas em torno dos 26o C e chuvas bem distribuídas, de 1.200 a 1.600mm anuais. As sementes -- três em cada fruta -- germinam em pouco menos de um mês, gerando mudas que devem ser plantadas, quando estiverem com 30 a 35cm de altura, a espaçamentos de três a quatro metros.

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Flamboyant, Árvore da Família das Papilonáceas

Flamboyant, Árvore da Família das Papilonáceas

Flamboyant, Árvore da Família das Papilonáceas

Flamboyant (Delonix ou Poinciana regia) é uma árvore de crescimento rápido, que atinge de 6 a 12m de altura, esta árvore pertence à família das papilionáceas ou leguminosas, a mesma do tamarindeiro, que é igualmente muito copada, e de importantes espécies produtoras de vagens comestíveis, como o feijão, a ervilha e a soja.

Nativo de Madagascar, o flamboyant foi introduzido na maioria das regiões tropicais como espécie ornamental, devido à exuberância de suas flores, que desabrocham no verão, e à imponência da copa. O nome francês, que se traduz por "flamejante", alude às flores cor de fogo - vermelhas, alaranjadas ou amarelas - e é corrente em várias línguas.

São características do flamboyant as grandes folhas bipenadas, ou subdivididas como as penas das aves. Compostas por numerosos pares de folíolos, atingem de trinta a sessenta centímetros de comprimento. As flores, em geral muito abundantes, dispõem-se em corimbos ou cachos na extremidade dos ramos ou na axila das folhas superiores. O fruto é uma vagem castanho-escura e lenhosa que atinge cerca de cinquenta centímetros e contém diversas sementes, por meio das quais se processa a multiplicação da espécie. Pouco exigente em relação ao tipo de solo, o flamboyant adapta-se melhor ao clima quente, que lhe proporciona mais precoce e abundante floração.

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Feijão, Planta Leguminosa

Feijão, Planta Leguminosa

Feijão, Planta Leguminosa

Feijão é uma planta leguminosa anual da família das papilionáceas (também chamadas fabáceas), principalmente do gênero Phaseolus, cultivada desde a pré-história com fins alimentares. Sua ampla difusão em todo o mundo e a fecundação cruzada permitiram a criação de centenas de variedades, que, quanto ao porte, dividem-se em dois grupos: o das anãs, de caule curto e reto, e o das volúveis, de caule longo, alto, trepador, e que necessitam ser tutoradas.

O cultivo do feijão generalizou-se em grande parte do continente americano e várias outras regiões, graças sobretudo ao elevado valor nutritivo de suas sementes, ricas em proteínas e fibras, e de sua capacidade de adaptação a diferentes solos e condições agrícolas.

Histórico - Embora durante muito tempo se tenha acreditado que o feijão era originário da Índia ou mesmo da Ásia subtropical, gregos e romanos o haviam utilizado na alimentação. Os escritores da época, porém, só o descreveram de forma ligeira e incompleta. Existem vários gêneros e dezenas de espécies de feijão, muitas delas nativas do sul do Brasil e outras regiões das Américas. Ao lado do milho, mandioca, fumo e amendoim, era cultivado pelos índios brasileiros.

Variedades - As variedades anãs têm ciclo mais curto e maturação relativamente uniforme. Costuma-se dividir o feijoeiro anão em dois tipos. Um abrange variedades de ótimo paladar, casca delicada e cozimento fácil, como o roxinho, vermelhinho, rosinha, branco, brancão, preto, carrapatinho e bolinha. O segundo tipo compreende variedades consideradas inferiores, como o mulatinho, chumbinho e bico-de-ouro, mais produtivas e menos exigentes que as de outros feijões. No grupo das variedades volúveis, o ciclo é mais longo, a maturação parcelada, e geralmente se cultivam em hortas. Incluem-se nessa categoria o crista-de-galo, branco alemão, espada-batalha, e amarelo-da-argélia.

De forma geral, o feijão comum (Phaseolus vulgaris), espécie mais difundida no Brasil, é um pouco pubescente, de caules finos e retos: atinge até sessenta centímetros de altura ou, em trepadeira, até três metros de extensão. Tem folhas alternas, longopecioladas, compostas de três folíolos peciolados, e flores brancas, branco-amareladas, lilacíneas ou roxas, de até 25mm, dispostas em raminhos axilares muito mais curtos que as folhas. O fruto é uma vagem linear, reta ou curvada, de até 15mm de largura, que contém numerosas sementes reniformes de uma só cor (variedade unicolor) ou com mácula de outra cor (maculatus), ou com manchas pequenas em número variável (pardinus), ou ainda com linhas desiguais cruzadas (variegatus).

A espécie Vigna catjang foi trazida para o Brasil pelos primeiros colonizadores, proveniente da Índia, da China, mais provavelmente de Madagascar. Essa espécie, ao se difundir no país, confundiu-se com a Vigna sinensis, planta mais ou menos ereta, de até sessenta centímetros de altura, ou trepadora prostrada do mesmo comprimento e que provavelmente veio com americanos emigrados após a guerra da secessão. Nos Estados Unidos, tem o nome de cow pea. As duas espécies são muito semelhantes e possuem numerosas variedades, entre as quais o feijão-macassar, o feijão-de-corda, feijão-mineiro, feijão-miúdo, feijão-fradinho, feijão-gurutuba, feijão comprido etc. São menos saborosas que o feijão comum.

Dentre outras espécies encontradas no Brasil destaca-se o feijão-de-lima (Phaseolus lunatus), perene, venenoso em estado silvestre, mas anual e inofensivo quando cultivado ininterruptamente. Originário da América do Sul, é usado na alimentação humana e a fécula extraída de seus grãos possui alto valor nutritivo. A variedade de sementes brancas, popularmente conhecida como fava branca, é a mais difundida no Brasil. Há ainda o feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), empregado como forragem.
A soja, ou feijão-de-soja, de grande importância para a economia brasileira, é de origem chinesa e tem sido por milhares de anos a principal fonte de alimento e óleo na China e no Japão. Era desconhecida na América e na Europa até o começo do século XX.

Cultivo no mundo - A difusão extraordinária do cultivo do feijão em todos os continentes deve-se ao fato de que, embora planta tropical e subtropical, se adapta facilmente aos climas temperados, por ter o ciclo vegetativo curto (90 a 120 dias). A maior área cultivada é a do Extremo Oriente e os maiores índices de produtividade ocorrem nos Países Baixos (Holanda) e na Bélgica, com cerca de 2.600 kg/ha.

Valor alimentício e composição - Ingrediente essencial à alimentação da grande maioria dos brasileiros e também consumido em larga escala pela população de diversos países, o feijão comum contém vitaminas B e C, caseína vegetal, globulina, ácido cítrico, sacarose, entre outros componentes.

As sementes do feijão comum e do feijão-de-lima possuem basicamente a seguinte composição: de 21 a 25% de proteínas, de 58 a 64% de carboidratos e cerca de 1,5% de gorduras. A variedade do feijão-fradinho, muito consumido no Brasil (inclusive em pratos de cozinha afro-brasileira como o acarajé), tem a seguinte composição química: água, matéria azotada, graxa não-azotada, fibrosa e mineral. Identificou-se ainda 0,4% de ácido silícico e areia, 34,62% de ácido fosfórico e 4,43% de nitrogênio.

Os grãos, secos ou verdes, prestam-se à preparação de vários pratos regionais. No Brasil, o mais famoso é certamente a feijoada, muito apreciada principalmente no Nordeste e no Sudeste, e apontada na Europa como um dos pratos mais representativos das Américas, com lugar de destaque no Larousse gastronomique. Em São Paulo e Minas Gerais, o virado à paulista e o feijão tropeiro são outros pratos importantes e preparados com o feijão-mulatinho.

Tanto o grão como a rama do feijão também constituem excelente forragem para o gado. Na medicina popular, a fécula é usada no preparo de cataplasmas. Finalmente, as folhas e ramas, após as colheitas, são usadas como adubo, especialmente por sua eficiência na incorporação e fixação de nitrogênio ao solo.

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Enxerto ou Enxertia em Botânica

Enxerto ou Enxertia em Botânica

Enxerto ou Enxertia em BotânicaEnxerto, ou enxertia, é o processo de multiplicação vegetal que consiste basicamente em soldar um galho ou broto de uma planta ao tronco enraizado de outra, em geral mais resistente, para que nela se desenvolva com características aprimoradas. A parte implantada, chamada garfo ou enxerto, conserva as características da planta da qual procede. A parte que recebe o enxerto, chamada cavalo ou porta-enxerto, extrai do solo os nutrientes necessários à evolução do conjunto.

As técnicas básicas de enxerto provêm de tempos remotos, praticadas por chineses, gregos e romanos para multiplicar certas plantas, como a videira. Acredita-se que tais técnicas tenham sido inspiradas pela observação de galhos de espécies diferentes postos em contato pelo crescimento, fenômeno comum nas matas.

Entre as vantagens do enxerto, que constitui na prática uma relação de simbiose, sobressai a garantia de que as novas mudas reproduzirão as qualidades da planta-mãe, no tocante por exemplo a suas flores e frutos. Outra vantagem é que o uso de cavalos rústicos permite criar mudas vigorosas de espécies ou variedades muito suscetíveis a doenças e pragas. A enxertia é bastante comum na multiplicação de híbridos que, se nascem de sementes pelo processo sexuado, ficam expostos aos acasos da recombinação genética e podem sofrer mutações. A multiplicação vegetativa por meio de enxerto se pratica também para tornar mais precoces o florescimento e a frutificação, pois em geral os cavalos já têm um ano ou mais na terra quando recebem a parte enxertada.

Das várias regras a serem observadas para o bom êxito da operação, duas são fundamentais. A primeira diz respeito à compatibilidade entre o enxerto e o porta-enxerto, pois só plantas de espécies que tenham entre si certo grau de parentesco e analogia entre suas estruturas anatômicas podem ser enxertadas. A segunda regra recomenda a justaposição das camadas geratrizes (câmbios) das duas plantas, para assegurar a perfeita união de seus tecidos.

Tipos de enxertos. Existem numerosas modalidades de enxerto, todas contidas, de certo modo, nos três tipos principais que a fruticultura emprega. No enxerto por aproximação ou encostia, dois galhos de duas plantas, ambas enraizadas, são unidos em certo ponto onde parte da casca é removida. Depois que o enxerto "pega", corta-se abaixo desse ponto o galho que serviu como garfo.

O enxerto de garfo ou garfagem resume-se à implantação de um pedaço de galho da planta a ser multiplicada sobre um porta-enxerto compatível, mais rústico e já enraizado. A garfagem varia conforme a fenda aberta e a maneira de encaixe: pode ser, em relação ao cavalo, lateral ou no topo. O enxerto de borbulha consiste na inserção de uma gema ou broto da planta, extraído com casca e em forma de escudo, sob a casca fendida e levantada do porta-enxerto.

Para que um enxerto dê resultado, é fundamental que se ajustem perfeitamente as partes interligadas, com enfaixe do conjunto para que se acelere a fusão. O ponto da enxertia é revestido de cera, às vezes de mástique, parafina e barro, e os amarrilhos são feitos geralmente com ráfia. Os enxertos de borbulha, comuns para multiplicar macieiras, pereiras e fruteiras cítricas, e os de encostia, bem menos usados, mas recomendáveis para abieiros e sapotizeiros, são feitos após o início da primavera. Os enxertos de garfo, para plantas como caquizeiros e videiras, costumam ser praticados antes do fim do inverno, época de repouso vegetativo.

Mudas resultantes de enxerto, depois que vão para a terra, exigem frequentes inspeções de seu estado geral. Brotos ladrões, que nasçam eventualmente num porta-enxerto, abaixo do ponto de enxertia, devem ser podados logo, para impedir que o cavalo cresça sozinho, rejeitando a parte que lhe foi implantada.

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Jasmim, Planta Ornamental

Jasmim, Planta Ornamental

Jasmim, Planta Ornamental

O jasmim-verdadeiro ou jasmim-dos-poetas (Jasminum officinale), que dá em cachos terminais as pequenas flores brancas de que se extrai a essência usada em perfumaria, é uma trepadeira delicada, nativa do Irã, mas há muito aclimatada ao Brasil. Pertence à família das oleáceas, a mesma da oliveira e do lilás.

Planta ornamental famosa pelo perfume, o jasmim tornou-se, na tradição popular, tanto símbolo de paz e ternura como indicativo de paixão.

O gênero Jasminum inclui cerca de 300 espécies de arbustos ou trepadeiras que produzem flores de suave fragrância e são nativas de todos os continentes, exceto a América do Norte. Muitas dessas outras espécies também estão presentes no Brasil, como o jasmim-da-Itália (J. floribundum) e o jasmim-da-Espanha (J. simplicifolium), ambos de flores brancas; o jasmim-junquilho (J. odoratissimum) e o jasmim-amarelo (J. humile), ambos de flores amarelas; e o jasmim-da-bahia ou jasmim-do-rio (J. azoricum), de flores branco-rosadas.


Comumente o nome jasmim é aplicado a plantas de outras famílias, que só têm em comum com o jasmim-verdadeiro o perfume intenso. É o caso da gardênia (Gardenia jasminoides), rubiácea chamada de jasmim-do-cabo; e do jasmim-manga, como se tornou mais conhecida a pluméria, arbusto da família das apocináceas de que há três espécies muito empregadas em jardinagem (Plumeria alba, de flores brancas; P. lutea, de flores cor-de-pêssego; e P. rubra, de flores vermelhas).

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Cana-de-Açúcar, Cultivo da Cana-de-Açúcar

Cana-de-Açúcar, Cultivo da Cana-de-Açúcar

Cana-de-Açúcar, Cultivo da Cana-de-Açúcar

A Cana-de-Açúcar é uma gramínea perene, pertencente ao gênero Saccharum, própria de climas tropicais e subtropicais. As variedades hoje cultivadas são quase todas híbridas, das espécies S. officinarum, S. spontaneum e S. robustum, entre outras. As principais características que as variedades devem apresentar são: alta produção, boa riqueza em açúcar, resistência a pragas e moléstias, baixa exigência quanto a solos, época de maturação adequada.

A cana-de-açúcar, seguida da beterraba, constitui a principal fonte primária para a produção do açúcar, um dos alimentos de grande consumo mundial. Além disso, serve como matéria-prima para o fabrico de álcool, aguardente, papel e outros produtos.

Indicações para o cultivo - São usados como mudas, para o plantio, toletes de vinte a trinta centímetros com algumas gemas ou brotos bem desenvolvidos. A cana-de-açúcar exige temperatura média anual de 20o C e um mínimo de 1.200mm de chuvas. Necessita de um período quente e úmido para vegetar e de outro frio e seco para amadurecer, isto é, para os colmos ou caules acumularem açúcar. Desenvolve-se melhor em solos profundos, argilosos, com boa fertilidade e boa capacidade de armazenamento de água, mas não sujeitos a se encharcarem. O pH mais favorável está na faixa de 5,5 a 6,5, abaixo do que é recomendada a calagem ou correção calcária.

O preparo do solo consiste em aração profunda e gradação. Nos terrenos não ocupados anteriormente com cana, faz-se uma aração dois a três meses antes do plantio, e em seguida, quando necessária, a calagem. Pouco antes do plantio, faz-se nova aração, cruzando a primeira, e depois duas gradações cruzadas. Nos terrenos já cultivados com cana, a primeira aração é feita depois do corte para arrancar e extirpar as soqueiras velhas; em seguida procede-se como no caso anterior. Na época do plantio das mudas, acrescenta-se ao terreno arado e gradeado uma mistura pronta de adubos e fazem-se sulcos de profundidade entre 25 a 30cm e espaçamento de 1,30 a 1,50m.

No Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, São Paulo e demais estados do centro-sul, a cana de ano e meio é plantada de janeiro a março, sendo colhida 18 meses depois, a partir de junho do ano seguinte. A cana de ano, plantada de setembro a outubro, é colhida na mesma época do ano seguinte. De modo geral prefere-se a cana de ano e meio, por dar maiores rendimentos. No Norte e no Nordeste planta-se de junho a setembro.

A adubação química, em quantidades variáveis de acordo com os tipos de solo, baseia-se em combinações dos três nutrientes básicos: nitrogênio, fósforo e potássio. Para a adubação verde, recomendam-se Crotolaria juncea e Dolichos lab-lab, por produzirem bastante massa verde em período curto. Semeadas após o arrancamento das touceiras, essas leguminosas devem ser cortadas e incorporadas ao solo cinco meses mais tarde. A vinhaça é aplicada em sulcos, bem antes do plantio, para permitir sua fermentação, na dose de 250.000l/ha.

Dispersão histórica - Originária da Nova Guiné, a cana-de-açúcar foi levada dali para o sul da Ásia, onde foi usada, de início, principalmente em forma de xarope. Data do ano 500, na Pérsia, a primeira evidência do açúcar em sua forma sólida. A propagação das culturas de cana no norte da África e sul da Europa deve-se aos árabes, na época das invasões. Nesse mesmo período, os chineses a levaram para Java e Filipinas.

Típica de climas tropicais e subtropicais, a planta não correspondeu às tentativas para cultivá-la na Europa. No século XIV, continuou a ser importada do Oriente, embora se tivesse propagado, em escala modesta, por toda a região mediterrânea. A guerra entre Veneza e os turcos levou à procura de outros centros abastecedores. Surgiram daí culturas nas ilhas da Madeira, implantadas pelos portugueses, e nas Canárias, graças aos espanhóis.

Foi contudo a América que ofereceu à cana-de-açúcar excelentes condições para seu desenvolvimento. Mais tarde, as maiores plantações do mundo se concentrariam nesse continente. Depois de Colombo ter levado as primeiras mudas para São Domingos, em sua segunda viagem (1493), as lavouras estenderam-se a Cuba e outras ilhas do Caribe. Dali a planta foi levada, por outros navegantes, para as Américas Central e do Sul.

No Brasil, há indícios de que o cultivo da cana-de-açúcar seja anterior à época dos descobrimentos, mas seu desenvolvimento se deu posteriormente, com a criação de engenhos e plantações com mudas trazidas pelos portugueses. Já em fins do século XVI, os estados de Pernambuco e Bahia contavam mais de uma centena de engenhos, tendo as culturas florescido de tal modo que o Brasil, até 1650, liderou a produção mundial de açúcar, com grande penetração no mercado europeu.

Quase metade da produção mundial de cana-de-açúcar é assegurada atualmente por quatro nações das Américas -- Brasil, Cuba, México e Estados Unidos. Seguem-se, pela importância de suas safras, países asiáticos como a Índia, a China e as Filipinas. No Brasil, após meados da década de 1970, a crise do petróleo tornou intensa a produção de etanol, a partir da cana-de-açúcar, para utilização direta em motores a explosão (hidratado) ou em mistura com a gasolina (anidro). Desde então o álcool combustível, saído de modernas destilarias que em muitos pontos do país substituíram os antigos engenhos, passou a absorver parte ponderável da matéria-prima antes destinada sobretudo à extração do açúcar.

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Carvalho, Árvore do Gênero Quercus

Carvalho, Árvore do Gênero Quercus

Carvalho, Árvore do Gênero Quercus

Árvore longeva, capaz de viver mais de 500 anos, e de porte imponente, variando entre vinte e quarenta metros de altura, o carvalho pertence ao gênero Quercus, da família das fagáceas, a mesma da faia e do castanheiro europeu. Existem cerca de 500 espécies, nas quais variam tanto o porte das plantas quanto a conformação das folhas.

O carvalho revestiu grande parte do solo da Europa e da América do Norte antes das intervenções do homem na natureza. É conhecido como carvalho-da-europa no Brasil, onde foi introduzido no início do século XX, sobretudo em parques e jardins de zonas elevadas nos estados do Sul e do Sudeste.

O carvalho é uma planta monoica, ou seja, contém no mesmo pé flores de ambos os sexos. As masculinas agrupam-se em espigas delgadas e pendentes. As femininas, em espigas curtas, têm ovário de três lojas, em cada uma das quais são encontrados dois óvulos. Destes, só um se desenvolve, de maneira que o fruto -- chamado glande ou bolota e usado na alimentação de suínos -- é comparável a um aquênio (fruto pequeno e seco, de uma só semente).

As diferentes espécies de carvalho podem ser separadas em dois grupos, conforme suas folhas sejam persistentes ou não. Entre as espécies de folhas lobadas e caducas, uma das mais encontradas na Europa é o carvalho-pedunculado (Quercus pedunculata), cuja ocorrência se estende até as regiões do Volga. O carvalho-séssil (Quercus sessiliflora) foi um dos mais atingidos pela extração da madeira, excelente para marcenaria e construção.

Os carvalhos de folhas persistentes revelam-se bem adaptados ao clima mediterrâneo seco e quente e a outros semelhantes. O carvalho-verde ou azinheira (Q. ilex), de tronco curto e grosso, já formou extensas matas, em épocas remotas. O carvalho-sobreiro (Q. suber) é objeto de cultura florestal, especialmente no sul da Europa e no norte da África, para a extração de cortiça. A casca, a madeira e os frutos do carvalho são ricos em tanino, substância utilizada para curtir o couro.

Carvalho

Campos, Características da Vegetação de Campos

Campos, Características da Vegetação de Campos

Campos, Características da Vegetação de Campos

Trato extenso de terra, em que predominam as gramíneas e ciperáceas, o campo pode apresentar relevo horizontal ou ondulado. Região apropriada ao pastoreio, pela abundância de forrageiras e pela facilidade de localização e manejo das reses.

Os campos têm papel destacado na história da pecuária extensiva, e recebem no Brasil vários qualificativos, que buscam traduzir peculiaridades regionais.

São muitas as expressões regionais qualificativas do campo. Assim, campo de lei é aquele de qualidade ideal para a pecuária; campo limpo é o coberto por gramíneas e ervas rasteiras, ao contrário do sujo, que é aquele onde também ocorrem arbustos e outras plantas; campo nativo é a pastagem natural, por oposição ao campo feito, que é o plantado pelo homem, quase sempre de grama ou de qualquer outra forragem. É o campo artificial, contrário ao natural.

Há campos em que abundam arbustos e espinhos, que prejudicam a pastagem própria para o gado -- são os campos ditos carrasquentos; outros apresentam a flora baixa misturada a uma vegetação lenhosa xerófila, com árvores baixas, de troncos irregulares -- são os campos cerrados. O campo coberto é o de transição entre os campos e as matas, e embora ofereça pastagem, está entremeado de arvoredo escasso. O campo de baixada ou de várzea é o que se opõe ao de sertão, o primeiro por ser facilmente alagável, o outro pela secura. Há ainda o campo dobrado, com altos e baixos, e o campo de serra, localizado nas abas e altos das serras e também dito pelada.

A distribuição dos campos no Brasil é bastante irregular. Na planície amazônica, os campos são geralmente de várzea, e permanecem alagados na época das cheias. Recebem por vezes a designação de campinaranas ou falsas campinas. Entre Minas Gerais e Rio de Janeiro são mais comuns os campos de serra, ou serranos, como se observa na parte superior do maciço do Itatiaia e das serras de Caparaó, Órgãos e Caraça. Em São Paulo encontram-se os campos limpos, também abundantes no Mato Grosso do Sul.

No Centro-Oeste os campos não ocupam grandes extensões contínuas, em meio ao domínio geral do cerrado. Com exceção dos campos de várzea, como os varjões do Araguaia, ocupam geralmente superfícies altas e planas e assumem aspectos diversos, correspondentes às denominações de campo limpo e sujo. No Sul a ocorrência do campo beneficia-se de uma topografia suave, com cobertura herbácea contínua, entremeada de tufos ou de subarbustos isolados, principalmente na área da campanha gaúcha. A região Sul é a mais rica do Brasil em áreas campestres com aproveitamento de pastagens, o que explica o desenvolvimento de sua pecuária.

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