Arenito, Rocha Sedimentar

Arenito, Rocha Sedimentar


O arenito é uma rocha sedimentar com granulometria na faixa de 0,01 a 2mm, originada pela deposição de grãos de areia no fundo dos oceanos, mares, lagos e rios. Posteriormente os arenitos tornam-se compactos devido ao efeito de fenômenos diagenéticos, ou seja, aqueles em virtude dos quais sedimentos incoerentes aos poucos se convertem em sedimentos consolidados. Depois dos argilitos e folhelhos, os arenitos são as rochas mais comuns entre as sedimentares.

Uma das rochas sedimentares mais abundantes na crosta terrestre, o arenito é muito utilizado na indústria de construção, como revestimento e na fabricação de vidro e concreto.

O arenito puro compõe-se quase exclusivamente de grãos de quartzo arredondados e ligados por um cimento que tanto pode ser sílica, de coloração branca, carbonato de cálcio, de coloração cinza, ou ainda substância ferruginosa, com tonalidades avermelhadas. Não são raros, porém, os arenitos não cimentados e que mostram consolidação incipiente, apenas por forte e estreita justaposição dos grãos constituintes.

Além dos grãos de quartzo, encontram-se nessas rochas, geralmente em diminutas percentagens, outros minerais, tais como: zircão, ilmenita, granada, turmalina, epídoto, moscovita etc. Distinguem-se diversos tipos de arenitos conforme variação na composição mineralógica ou na forma dos grãos. Assim, são denominados grit os arenitos que apresentam grânulos de quartzo angulosos. Quando na composição mineralógica estão presentes vinte por cento ou mais de minerais do grupo dos feldspatos, o arenito é chamado arcózio. Se, ao invés de feldspato, estiverem presentes minerais escuros, em quantidade semelhante, o arenito recebe o nome de grauvaca.

Os arenitos são rochas comuns em muitas das formações sedimentares encontradas no Brasil, sendo característicos os arenitos triásicos intercalados às eruptivas basálticas do sul do Brasil, Uruguai e Argentina.

Os arenitos que ficam em contato com as intrusões básicas mencionadas tornam-se, via de regra, endurecidos, além de adquirirem fratura concoide (semelhante a uma concha). Assim metamorfoseados, são amplamente empregados como pedras de construção e revestimento.

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Zona da Mata Nordestina

Zona da Mata Nordestina

Zona da Mata NordestinaNa Zona da Mata Nordestina, principal área econômica do Nordeste, localizam-se algumas das maiores cidades da região, tais como Recife (Pernambuco), Salvador (Bahia), Maceió (Alagoas), Aracaju (Sergipe), Natal (Rio Grande do Norte) e João Pessoa (Paraíba), e dois polos industriais, nas áreas metropolitanas de Salvador e Recife.

Localizada entre o agreste e o oceano Atlântico, a Zona da Mata Nordestina não sofre os efeitos das secas e se caracteriza pela exuberância e grande porte da vegetação e pela fertilidade do solo. Sua denominação deriva da cobertura vegetal original, a mata atlântica, floresta tropical que recobria a fachada atlântica do país e foi derrubada de maneira sistemática após o início da colonização, a partir do século XVI, com vistas à utilização das terras para a agricultura. Essa derrubada tornou-se intensa com a monocultura da cana-de-açúcar, que ali encontrou, além de condições ideais de produção, facilidade para o escoamento do produto.

Constituíram-se na Zona da Mata Nordestina, primeira região do Nordeste a ser ocupada, grandes propriedades destinadas ao cultivo da cana e à produção de açúcar. Essas propriedades logo se organizaram em comunidades praticamente autônomas que, pela necessidade de mão-de-obra, recorreram ao trabalho escravo do negro. Estabeleceram-se desse modo focos de mestiçagem que tiveram influência decisiva na formação étnica e cultural da região.

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Povos Europeus

Povos Europeus

Povos Europeus

A estrutura etnocultural da Europa, apesar de sua diversidade, revela uma uniformidade de conjunto superior à de qualquer outra parte do mundo. Em nenhum dos outros continentes houve uma homogeneização racial como a caucasóide, um predomínio linguístico semelhante ao da família indo-europeia, um ordenamento religioso e moral como o do cristianismo, uma defesa quase unânime de valores comuns como as cruzadas e as guerras contra os árabes e os tártaros, um sentimento intelectual tão fortemente partilhado quanto a latinidade e ainda, nas bases históricas, uma evolução social e econômica tão uniforme como a que se verificou desde a implantação do feudalismo até o triunfo do capitalismo.

É difícil dividir as áreas geográficas e humanas do continente europeu a partir das características físicas ou raciais de sua população, resultante de intensa e prolongada miscigenação. Os modos de vida, as línguas e os modelos sociais e políticos são indicadores mais expressivos das peculiaridades dos povos europeus.

Nesse sentido, pode-se dizer que a história da Europa e dos povos que a protagonizaram é a do assentamento indo-europeu. Somente em cinco ocasiões a população indo-europeia se viu diante da possibilidade de conviver com povos de outra ascendência. A primeira foi com os cartagineses, povo semita que habitava o norte da África e disputou com Roma a hegemonia do mundo mediterrâneo nos séculos III e II a.C. No ano 451 da era cristã, as hordas dos hunos, comandadas por Átila, foram também vencidas pelos exércitos romanos, unidos aos visigodos, na batalha dos Campos Catalaunienses, na Champagne.

Os árabes, que no ano 711 iniciaram a invasão da Europa pela península ibérica, em 732 foram detidos por Carlos Martel em Poitiers. Outra oportunidade foi a da penetração dos mongóis, que no século XIII chegaram até a Silésia, no oeste, e até Trieste, no sul, e deixaram marcas profundas na Europa oriental. Por fim, nos séculos XVI e XVII, os turcos otomanos chegaram perto de Viena. O contato mais duradouro, porém, foi com os árabes, que ocuparam grande parte da península ibérica de 711 a 1492.

As grandes vias de penetração dos povos que constituem a Europa foram os Balcãs, península que constitui a conexão com a Anatólia; a planície situada entre o sul dos Urais e o mar Cáspio, ponto de união com a Ásia central; e a península ibérica, acessível a partir da África. Dentro da Europa, os vales dos grandes rios como o Volga, o Danúbio, o Ródano e o Reno foram as rotas principais seguidas pelos movimentos migratórios dos europeus.
Povos Europeus

A aplicação de modernas técnicas de pesquisa, como a do carbono radioativo, aos estudos pré-históricos permitiu datar a evolução da população e da cultura pré-históricas no continente europeu. Assim, foram estabelecidas quatro fases, na primeira das quais, iniciada há cerca de oito mil anos, apareceram comunidades de povos agricultores na Grécia e em Creta. Os vestígios desses assentamentos mostram semelhanças com os encontrados na Síria, no Iraque e no Irã.

Na segunda e na terceira fases, por volta do sexto milênio antes da era cristã, estabeleceram-se comunidades no sul dos Balcãs, distribuídas pelo território compreendido entre a costa adriática da Croácia e Montenegro e o rio Prut, entre a Romênia e a Moldova. A cultura desses povoadores foi comum à das primeiras comunidades da Grécia. Um milênio mais tarde, a população estendeu-se pelo centro e norte da Europa.

Por volta de 4000 a.C., parece ter havido um confronto cultural entre os povos agrícolas do vale do Danúbio e os caçadores e pescadores do norte da planície europeia. Ao mesmo tempo, desenvolveu-se nas regiões que mais tarde seriam a Suíça e a França, nas ilhas britânicas e no Mediterrâneo uma cultura diferente: a megalítica, cujos restos se conservaram durante milênios em Carnac (Bretanha francesa), Stonehenge (Inglaterra) e nas ilhas do Mediterrâneo.

Tanto a cultura neolítica como a idade do bronze se estenderam do mar Egeu até o nordeste. Por volta de 2000 a.C., os povoadores da Europa repartiram-se em dois principais grupos mediterrâneos e alguns alpinos. A idade do ferro começou na Europa em 1000 a.C., com duas grandes culturas: a de Hallstatt, localizada sobretudo na Áustria e adotada por numerosos povos indo-europeus, e a de La Tène, na Suíça, dos celtas.

O povo celta apareceu na história da Europa precisamente no período de La Tène e expandiu-se para as Gálias, as ilhas britânicas, a península ibérica e, em menor proporção, para a península itálica. Parece ter alcançado os Cárpatos, de onde teria se estendido até a Bulgária, a Romênia, a Trácia e a Macedônia. Além dos celtas, os principais povos indo-europeus, isto é, povos cuja língua pertence à família indo-europeia, foram os gregos, os itálicos (oscos, umbros, latinos), os germanos, os bálticos e os eslavos.

No conjunto, a população europeia pertence à raça branca ou caucasóide, com alguns tipos gerais predominantes nas diferentes regiões do continente. A altura, a forma da cabeça e do nariz, a cor dos olhos, o tipo e cor do cabelo definem cinco grupos principais.

O tipo nórdico, que ocupa as regiões situadas em torno dos mares Báltico e do Norte, é ligeiramente dolicocéfalo (possui crânio alongado), tem grande estatura e pele, cabelo e olhos muito claros. O tipo europeu oriental encontra-se na zona compreendida entre a Polônia central e a Rússia: tem a cabeça mais redonda (braquicéfalo), é mais baixo e apresenta pele, olhos e cabelos claros.

O tipo mediterrâneo estende-se pela península ibérica, sul da Itália, sudeste dos Balcãs e Ucrânia: é dolicocéfalo, de baixa estatura e moreno. O alpino, na maior parte da Europa central e ocidental, é um tipo intermediário em relação ao mediterrâneo e ao europeu oriental no que se refere à cor da pele, olhos e cabelo, além da estatura, e apresenta mais pronunciada braquicefalia. O dinárico, por último, situa-se nos montes Dináricos, nos Cárpatos e nos Alpes austríacos, semelhante ao alpino, mas de estatura mais elevada.

Essas características raciais, contudo, não bastam para definir com nitidez um mapa dos povos europeus. Em primeiro lugar, porque muitos desses tipos se encontram espalhados por todo o continente, em consequência da miscigenação, e em segundo porque alguns deles têm maior relação com os hábitos alimentares ou as formas de vida do que com uma verdadeira caracterização racial.

Mais importantes são as distinções étnicas derivadas da língua e das tradições culturais. Assim, os grupos étnicos principais seriam o germânico, espalhado pela Escandinávia, Alemanha, Holanda (Países Baixos) e maior parte das ilhas britânicas; o latino, que ocupa a península ibérica, a França, parte da Suíça,  Itália e Romênia; e o eslavo, situado na Europa oriental. Restam outros numerosos grupos menores, em geral definidos pela língua, como os gregos, celtas, ilírios, finlandeses, húngaros, turcos e bascos.

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Biogeografia e os Domínios Morfoclimáticos Brasileiros

Biogeografia e os Domínios Morfoclimáticos Brasileiros

Biogeografia e os Domínios Morfoclimáticos Brasileiros
Regiões biogeográficas
Compreende-se por biogeografia a ciência que estuda a distribuição dos seres vivos no planeta, suas causas e consequências. Disciplina que constitui o elo da ligação entre a geografia física e a humana, a biogeografia envolve o conhecimento tanto da repartição atual das plantas e dos animais pelos variados ambientes em que sobrevivem, como dos fatores que intervêm nesse processo. Na abordagem biogeográfica, não há nada na natureza que exista  isoladamente e por isso é indispensável conhecer as causas da associação ou afastamento de determinadas espécies, assim como os diferentes aspectos morfológicos pelos quais estas se apresentam.

No conjunto das discussões sobre meio ambiente e desenvolvimento, um dos temas que mais despertam interesse é o da conservação da biodiversidade, ou seja, da pluralidade das espécies que vivem num dado ambiente. Esse interesse, até mesmo de origem política, aponta para a importância do estudo da biogeografia, uma disciplina relativamente nova, estreitamente ligada à ecologia.

Os grandes acontecimentos geológicos, como as glaciações, a separação dos continentes, as transgressões marinhas e formação das montanhas, foram os responsáveis mais significativos pela caracterização da flora e da fauna de cada paisagem natural da Terra e, desse modo, por sua divisão biogeográfica. Em função da presença ou ausência de certos animais (zoogeografia) ou plantas (fitogeografia), os geógrafos dividiram a Terra em diversas regiões biogeográficas.

Regiões biogeográficas. A primeira divisão zoogeográfica foi realizada, no século XIX, pelo naturalista britânico Alfred Russell Wallace, que tomou como modelo a distribuição dos mamíferos. Contemporaneamente, diferenciam-se cinco regiões zoogeográficas, que incluem a repartição das aves migratórias e dos cardumes de peixe, obviamente de definição mais difícil: (1) holártica, que contém as sub-regiões paleártica (Europa, norte da África e parte não-tropical da Ásia) e neártica (América do Norte); (2) paleotropical, que compreende as sub-regiões etiópica (restante da África e Arábia) e oriental (parte tropical da Ásia); (3) australiana (que reúne Austrália, Nova Zelândia, Nova Guiné e as ilhas tropicais do Pacífico); (4) neotropical (constituída da América do Sul e América Central); e (5) antártica.

As fronteiras entre essas diferentes regiões não são precisas, de modo que existem zonas de transição em que se podem achar espécies ligadas a duas regiões diferentes. Uma das zonas de transição mais extensas situa-se entre a sub-região oriental e a australiana. Compreende as ilhas Celebes, as Molucas e outros arquipélagos menores.

As regiões fitogeográficas são bem mais numerosas do que as zoogeográficas. Existem mais de trinta áreas diferentes. Essa diversidade, por si só, já indica o problema que representa a seleção de critérios para determinar corretamente as divisões. Entre outras coisas, é preciso identificar as espécies que definem os limites de uma região e justificar a escolha do sistema que fundamenta tal distinção. Além disso, existem fatores que condicionam a expansão de algumas espécies. De modo geral, as plantas têm menos condicionamentos físicos para se expandir do que os grandes animais, já que suas sementes podem ser levadas a grandes distâncias pelo vento (dispersão anemocórica), pela água (hidrocórica) ou pelos insetos (entomocórica).

As grandes regiões subdividem-se em sub-regiões e estas em províncias, nas quais se tornam determinantes os fatores locais. Assim, portanto, é comum registrarem-se descontinuidades na distribuição das espécies animais e vegetais por força de condições locais como as climáticas, as geológicas ou as intrínsecas das camadas superficiais do solo. À medida que se sobe uma montanha muito alta, por exemplo, verificam-se mudanças tanto na fauna quanto na flora. É comum, também, que um dos lados da montanha, aquele a que primeiro cheguem as massas de nuvens, registre maior volume de precipitação do que o outro. Um e outro condicionamento suscitam diferenças notáveis nas comunidades de seres vivos assim afetadas.

Região holártica. Também chamada boreal, a região holártica, inclui toda a terra existente ao norte de uma linha que passa pelas zonas desérticas do México, pelo Saara e pela cordilheira do Himalaia. Envolve ainda uma sub-região ártica, situada no extremo norte e nas proximidades do círculo polar ártico. Nesta faixa, a terra encontra-se quase permanentemente coberta de gelo e apenas durante o rápido verão ocorre o crescimento de ervas, musgos, líquens e alguns arbustos que constituem a vegetação característica da tundra. Na parte meridional, não existem árvores de alto porte: apenas bétulas e sabugueiros. Entre seus animais peculiares estão o urso polar, a raposa ártica, o lemingo (Lemmus lemmus), a rena, a lebre ártica, as focas e os leões marinhos. Convivem também ali algumas espécies de aves e insetos.

Ao sul da sub-região ártica estende-se um cinturão florestal de coníferas que ocupa a maior extensão da região holártica. Esse tipo de mata denomina-se taiga e é integrado por árvores como o pinheiro, o abeto ou o cedro, bem como por arbustos e líquens. Seus animais adaptam-se à vida arbórea. Observam-se entre os mais característicos o lince, o castor, o arminho, o esquilo, o pica-pau e o bico-cruzado. Alguns dos grandes mamíferos peculiares à paisagem são o cervo canadense e a rena da taiga.

No terço meridional da região holártica estendem-se matas caducifólias e, na parte centro-asiática, as estepes. A elevação das temperaturas suscita, no extremo sul, o aparecimento de paisagens como a da floresta mediterrânea europeia, composta basicamente de azinheiros, carvalhos e diversos arbustos. Nesses pontos mais meridionais da região holártica, existe um maior número de espécies de anfíbios, répteis e peixes. Alguns dos animais característicos são o camelo, o veado, o urso pardo, a camurça, o texugo, a perdiz e o pintarroxo. Na sub-região neártica, algumas espécies são consideradas oriundas da região neotropical, como o tatu e o gambá.

Na sub-região etiópica distingue-se uma grande variedade de ambientes: bosques úmidos, estepes e savanas, em que se registra a mais elevada densidade populacional de mamíferos em todo o globo. São representativas dessa região espécies como o leão, o rinoceronte, os antílopes, a girafa, o gorila, o chimpanzé, o elefante, a zebra e o hipopótamo.

Região paleotropical. Dentro da região paleotropical, a sub-região oriental apresenta savanas no planalto central da Índia, florestas tropicais de montanha em sua parte sul-ocidental e florestas úmidas na zona limítrofe com o Himalaia. Representam bem essa região o elefante asiático, o tigre, a anta malaia, o rinoceronte asiático, o orangotango, várias espécies de outros macacos e de morcegos. Outro de seus traços peculiares é a grande variedade de répteis.

Região australiana. A região australiana, que na verdade deveria denominar-se oceânica, possui uma fauna muito particular, composta de marsupiais e monotremados, grupo a que pertence o conhecido ornitorrinco.

Região neotropical. Observa-se na região neotropical grande diversidade de ambientes, desde os picos andinos até as florestas tropicais das planícies e planaltos. São espécies autóctonas o tatu, o porco-espinho, o tamanduá-bandeira, a lhama, a cutia, a chinchila, a sucuri, numerosos macacos e aves.

Região antártica. Por estar a região antártica permanentemente coberta de gelo, torna-se difícil ali o desenvolvimento das condições adequadas à vida. A maior parte dos animais dessa área habita as faixas litorâneas, em que vivem pinguins, albatrozes, focas e alguns insetos. A vegetação é semelhante à da tundra em algumas ilhas subantárticas.

O limite entre a região neotropical e a sub-região neártica encontra-se aproximadamente sobre a latitude do estado mexicano de Sonora. Considera-se que, do ponto de vista evolutivo, a união entre as duas zonas ocorreu em época relativamente recente, motivo pelo qual a primeira desenvolveu uma fauna tão peculiar como a australiana.

A biogeografia e as outras ciências. Fator decisivo para o avanço da biogeografia foi a análise das causas que motivavam a distribuição em regiões. A partir desse momento, a biogeografia converteu-se em ciência interdisciplinar.

Uma vez que todos os organismos dispõem de determinados espaços dentro dos quais podem viver, a ecologia, ciência que estuda as características do meio e sua relação com os seres vivos, reúne valiosos dados para esclarecer quais podem ser os fenômenos limitadores que, em certas regiões, impossibilitam a sobrevivência de uma ou mais espécies. Dois dos fatores mais importantes são os de caráter climático e os relacionados com a composição do solo.

Os fatores climáticos, tais como temperatura, umidade, horas de sol, precipitações e ventos, afetam bastante os seres vivos. Alguns deles, como a temperatura, apresentam uma distribuição geográfica que segue certas leis. Em meados do século XIX, Alexander von Humboldt observou que a temperatura aumenta aproximadamente 1o C a cada dois graus de latitude a partir do polo até o equador, e Frank Michler Chapman descobriu que, inversamente, diminui 1o C a cada 200m de elevação a partir do nível do mar.

O conhecimento de regras desse tipo ajuda a predizer que espécies podem ser encontradas em uma determinada região. Por exemplo, Carl Bergmann, naturalista alemão do século XIX, assegurou que, entre espécies afins dos homeotermos (aqueles que mantêm constante sua temperatura corporal), as de maiores dimensões tendem a habitar mais perto do polo ou em lugares mais altos, já que um animal de maior tamanho dispõe de melhor relação massa/superfície e despende menos energia para manter sua temperatura diante do frio exterior.

Também é fundamental conhecer a composição do solo da região, pois depende dela, em grande parte, o tipo de vegetação que ali se pode desenvolver e, indiretamente, as espécies de animais que a área pode abrigar. Embora os fatores climáticos permitam o crescimento de grandes plantas tropicais, um solo salinizado, ou no qual não proliferem as substâncias nutritivas necessárias a tais espécies, pode levar à desertificação da área.

Biogeografia histórica. Entre outros aspectos, a moderna biogeografia ocupa-se da distribuição dos seres vivos ao longo da história. Relaciona-se assim com a paleontologia, que estuda os seres já desaparecidos mediante seus restos fósseis. Essa aproximação é fruto do interesse por conhecer não apenas a atual distribuição dos seres vivos, mas também a passada, assim como as maneiras pelas quais essa distribuição se modificou.

A moderna teoria da evolução sustenta que todos os seres vivos atuais provêm de antepassados comuns, pelo que se poderia construir uma árvore genealógica em que se incluiriam tanto os seres que habitam o planeta como aqueles que se extinguiram. Com relação a isso, registrou-se desde os começos da difusão da teoria evolucionista uma exaltada polêmica entre os monofiletistas, que creem em uma origem única da vida, e os polifiletistas, que acham ter a vida surgido em diferentes momentos da história da Terra.

A biogeografia, com a ajuda da paleontologia, desempenhou nesse debate uma função de equilíbrio, mediante a apresentação de dados que identificam, na superfície terrestre, os pontos ou focos iniciais a partir de onde se expandiu uma espécie ou um conjunto de espécies. Assim, por exemplo, costuma-se situar o centro inicial de dispersão dos vertebrados terrestres na região holártica. O maior problema desse método de estudo está na obtenção de todos os dados paleontológicos necessários.

Outro dos problemas abordados pela teoria da evolução, e sobre o qual a biogeografia histórica pode lançar certa luz, é o do insulamento. Segundo alguns biólogos, não pode aparecer uma nova espécie a não ser que, num dado momento, ela fique isolada daquela de que provém. Em conjunção com a geologia, a biogeografia pode estudar as possíveis causas de antigos insulamentos e comprovar se a distribuição de restos fósseis se acha correlacionada com a existência de barreiras como cordilheiras, mares etc.  Pode estudar, ainda, as diversas influências que tais barreiras puderam exercer sobre diferentes espécies.

Exemplo significativo da utilidade da colaboração entre a geologia e a biogeografia é a explicação da existência de animais da mesma espécie em lugares que atualmente se encontram muito afastados. Para isso, é preciso recorrer à teoria geológica da deriva dos continentes, segundo a qual todas as terras emersas no começo estavam unidas, dando-se posteriormente a separação nos atuais continentes. Assim se explicaria, por exemplo, a existência dos dipnoicos (ordem de peixes arcaicos da qual só algumas espécies sobreviveram) na África do Sul, Austrália e América do Sul, regiões que, nos tempos pré-históricos, se achavam ao sul de um mesmo continente.

Em alguns casos, o homem contribuiu para fazer variar a distribuição de certas espécies. Em migrações, viagens e campanhas militares transportou sementes e animais, o que algumas vezes ocasionou desastres ecológicos, visto que a introdução de uma nova espécie em um ecossistema pode alterá-lo consideravelmente. Do mesmo modo, a prática da agricultura influiu na difusão de algumas espécies cultiváveis e no desaparecimento de outras em vastas regiões, devido à sistemática derrubada de árvores.

O conhecimento da distribuição das espécies de seres vivos, propiciado pela biogeografia, assim como o de suas relações e inter-relações com o meio, proporcionado pela ecologia, tornam-se fundamentais quando se trata de promover a utilização racional dos recursos naturais. Daí por que o desenvolvimento e integração da biogeografia e da ecologia no campo das ciências biológicas constituem fato muito auspicioso para o estudo da natureza.
Os domínios morfoclimáticos brasileiros

Os domínios morfoclimáticos brasileiros

As faunas e floras do hemisfério norte acham-se bem catalogadas. Sua evolução e distribuição relacionam-se com os ciclos de glaciação que se desenrolaram durante o pleistoceno. Não se dá o mesmo com os continentes tropicais, cujas floras e faunas estão ainda mal catalogadas e pior ainda mapeadas. Até recentemente não se dispunha de uma teoria adequada a sua interpretação. Procurou-se aplicar aos continentes tropicais, sem muito sucesso, os esquemas adotados para o hemisfério norte.

O conceito de domínios morfoclimáticos, fixado pelo geógrafo brasileiro Aziz Nacib Ab'Saber, e a utilização de dados modernos sobre ciclos climáticos do passado geológico recente, abriram novas possibilidades para a abordagem biogeográfica dessas regiões. Os componentes básicos da teoria são os seguintes: (1) cada domínio morfoclimático corresponde a uma ampla área nuclear, poligonal, onde se sobrepõem padrões característicos de clima, topografia e vegetação; (2) as faixas que separam essas áreas nucleares podem ser amplas e podem contar com vegetação de tipo intermediário ou com mosaicos da vegetação característica dos domínios vizinhos; (3) dentro de cada área nuclear pode haver enclaves (intromissões) de vegetação característica de outros domínios.

O último item é corolário de um fato importante, evidenciado pela moderna geomorfologia tropical: as áreas nucleares dos domínios sofreram oscilações muito rápidas e extensas, determinadas por ciclos climáticos durante os quais se alternam fases mais úmidas e fases mais secas. Tais ciclos são de  milhares ou dezenas de milhares de anos, e não de milhões, como se pensava. Por isso se tem hoje por certo que, há pouco tempo e por mais de uma vez, as florestas da América do Sul e da África tenham sido submetidas a retrações enormes, reduzindo-se a alguns refúgios isolados, cercados de formações abertas.  Considera-se provável que, durante algumas das fases em que as florestas voltaram a se expandir, elas tenham alcançado desenvolvimento maior que o de hoje, e que regiões florestais atualmente separadas por formações abertas tenham estado em contato direto em passado não remoto.

Até agora, o conceito de domínios morfoclimáticos só foi aplicado ao Brasil, ainda não se estendendo ao restante da América do Sul. Como o Brasil compreende, porém, alguns domínios muito grandes, favorece a exemplificação das normas básicas da teoria, assim como de padrões de distribuição e do tipo de problemática com que hoje se defronta a biogeografia das regiões tropicais.

Os domínios morfoclimáticos brasileiros são seis, designados pelas formações vegetais que os caracterizam. Três deles contêm florestas: a Hileia Amazônica, a Floresta Atlântica e a Floresta de Araucária. Os três outros são de formações abertas: os cerrados, as caatingas e os campos do sul. A flora de cada uma dessas regiões é inteiramente peculiar. No caso da fauna, contudo, a catalogação, o mapeamento e a informação ecológica ainda são incompletos, mesmo no caso de classes mais conhecidas, como as das aves e dos mamíferos.

A utilização de uma espécie animal em estudos de biogeografia depende de sua fidelidade a determinado tipo de ambiente. Certas espécies são dotadas de grande versatilidade ecológica e podem sobreviver em ambientes muito diversos, de modo que não exprimem as limitações ecológicas de cada domínio. Entre os mamíferos, por exemplo, a suçuarana, puma ou onça-parda (Felis concolor), é encontrada em todos os tipos de ambiente da América, dos quase desertos até as florestas densas, das montanhas Rochosas do Canadá até a Patagônia. Outros mamíferos de bastante versatilidade, embora não tanta, são a onça-pintada (Leo onca), a anta (Tapirus terrestris) e o veado-catingueiro (Mazama simplicicornis).

A maioria das espécies, porém, compreende animais totalmente vinculados a determinado tipo de ambiente, e é por esse princípio que se orienta a zoogeografia ecológica. As diferenças faunísticas entre as formações abertas e fechadas são expressivas.

Ilustra bem a flexibilidade com que os domínios morfoclimáticos se relacionam a separação, no Brasil, entre a hileia e a mata atlântica, marcada por ampla faixa de formações abertas. Pode-se comprovar que tal situação antecede a colonização europeia. As espécies em comum existentes num e noutro habitat, no entanto, indicam que no passado teria havido continuidade entre as duas florestas, ou teriam existido, nas formações abertas intervenientes, florestas ciliares (matas de galeria) suficientemente extensas para permitir a permuta faunística.

Tão notáveis, porém, quanto as semelhanças entre as duas florestas são as suas diferenças, em que as peculiaridades amazônicas sobressaem mais do que as atlânticas. Nas relações entre o cerrado e a caatinga, realidades que possuem extenso contato uma com a outra, a similaridade pesa bem mais que os traços particulares, às vezes sutis, mas inegáveis. Dos mais curiosos é o fenômeno dos enclaves, como é o caso dos brejos, pequenas áreas de mata no interior da caatinga, e das zonas de cerrado dentro da hileia ou dentro de mata atlântica. Por sua pequena extensão, esses enclaves não abrigam conjuntos faunísticos como os das áreas nucleares de cada domínio. Quase sempre, porém, neles se encontram populações isoladas de espécies características das áreas nucleares, como a cascavel, por exemplo, presentes nos enclaves de cerrados amazônicos, mas incapaz de penetrar em nenhuma faixa da mata.

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Povos Asiáticos

Povos Asiáticos

Povos Asiáticos

Do ponto de vista antropológico, existem na Ásia três grandes áreas claramente diferenciadas. De um lado encontra-se o sudoeste asiático, ocupado principalmente por povos turcos, irânicos ou iranianos e semitas. De outro se coloca o resto do continente, no qual a cordilheira do Himalaia estabelece uma fronteira aproximada entre duas grandes áreas antropológicas: no sul e no oeste, o mosaico étnico da Índia e os países indianizados; no norte e no leste, as diversas variantes do tronco racial mongoloide.

A população do imenso continente asiático corresponde a mais da metade do gênero humano. Nela estão representados os principais troncos étnicos, que se distribuem pelo espaço continental de modo muito complexo.

O interior da Ásia foi o núcleo primitivo de povos que, no decorrer dos séculos, invadiram sucessivamente as terras do leste, do sul e do oeste do continente. Refugiados em lugares montanhosos ou selváticos, encontram-se remanescentes de povos muito antigos, sobreviventes em meio às grandes massas humanas caucasoides (raças brancas) ou mongoloides (raças amarelas). Os negroides da Índia, do Sri Lanka (Ceilão), de Formosa (Taiwan) e da Insulíndia (ilhas a oeste da Nova Guiné, ao norte da Austrália e ao sul do mar da China Meridional), assim como a ínfima minoria branca do Japão, os ainos, entre a maioria de raça amarela, atestam que as etnias mais numerosas e representativas da Ásia ocupam suas atuais regiões físicas em consequência de migrações relativamente recentes, em muitos casos posteriores à pré-história.

Os chineses chegaram a seu atual território invadindo-o a partir da Ásia central. Através da Coreia, os povos mongoloides ocuparam o arquipélago japonês. Os povos arianos da Índia procedem das terras situadas no noroeste do subcontinente. Birmaneses e siameses se deslocaram dos territórios meridionais do Tibet e da China para o sul e o sudoeste. Turcos e mongóis chegaram há apenas alguns séculos, em invasões procedentes da Ásia central, aos lugares onde estão fixados atualmente. Povos mongoloides originários do continente se estabeleceram nas grandes ilhas da Insulíndia em épocas não muito remotas, onde se misturaram pouco a pouco com as etnias primitivas. Todos os fluxos de população mencionados fazem parte de um movimento centrífugo -- do interior da Ásia para as áreas costeiras e as ilhas -- que se manifestou durante muitos milênios no continente, embora tenham existido migrações de menor importância em sentido contrário.

Sudoeste da Ásia

A região situada entre a costa do Mediterrâneo e o mar Vermelho, a oeste, o rio Indo, a leste, o oceano Índico, ao sul, e as estepes da Ásia central, ao norte, é considerada o berço da civilização, já que em suas férteis terras irrigadas foram praticadas pela primeira vez a agricultura e a domesticação de animais.

Duas sub-regiões étnicas encontram-se claramente diferenciadas. No norte, a sucessão de planaltos e cordilheiras que constituem a península da Anatólia, as terras próximas ao Cáucaso, o Irã e o Afeganistão é habitada fundamentalmente por povos de estirpe indo-europeia; povos irânicos vivem no planalto iraniano e no Afeganistão, enquanto na Anatólia o elemento turco - de cujas características raciais se falará adiante -, se superpõe a uma base étnica mediterrânea. Na península arábica, ao contrário, a etnia predominante é a semita, com grande maioria árabe e o pequeno enclave hebreu de Israel.

Os povos turcos são recentes na região. Vieram da estepe fria da Ásia central no começo do segundo milênio da era cristã, empurrados pelas invasões mongóis. Mais tarde, misturados às etnias mediterrâneas e armênicas que já povoavam a Anatólia, chegaram a constituir a base étnica fundamental dessa península.

Povos do Cáucaso

O Cáucaso é uma região etnicamente muito complexa, na qual, ao lado de povos irânicos  como os curdos, que se estendem por zonas da Turquia, Irã, Iraque e Síria , coexistem turcos e tártaros, de implantação posterior. Os povos caucasianos mais antigos apresentam numerosas diferenças linguísticas e culturais.

Desde épocas muito remotas, o povo armênio, indo-europeu, habitava as zonas próximas ao monte Ararat. Muito reduzida em sua região de origem, os armênios habitam hoje, além da Armênia, países como a Geórgia, onde seus membros vivem como imigrantes.

Hindustão

A complexidade étnica do subcontinente indiano é proverbial. O sul da Índia é ocupado por povos dravídicos, de pele escura mas com traços faciais muito semelhantes aos dos europeus. O norte, ao contrário, é povoado por arianos indo-europeus, de tez progressivamente mais clara no norte e no noroeste, onde se observa o elemento irânico. Deve-se ainda levar em conta a influência tibetana, que se faz sentir nas proximidades do Himalaia, e a presença de relíquias de etnias primitivas, hoje quase diluídas nas anteriores. Entre essas etnias estão os vedas das montanhas do Sri Lanka e os grupos mundas das montanhas e selvas do continente.

Acredita-se que as planícies do Indo e do Ganges tenham sido habitadas primitivamente por povos mundas, enquanto os drávidas ocupavam toda a península hindustânica. Povos dravídicos devem ter sido os criadores das grandes civilizações do Indo, contemporâneas das mesopotâmicas. Em meados do segundo milênio antes da era cristã ocorreram as arrasadoras invasões arianas, que eliminaram quase por completo os mundas, confinando-os às zonas mais inacessíveis, e pressionaram os povos dravídicos para o sul, embora em muitos pontos se tenha produzido uma fusão. No Sri Lanka, os arianos obrigaram os vedas a se refugiarem nas montanhas. Muito mais tarde, uma minoria dravídica se instalou naquele país insular.

Norte e leste do Himalaia

O tronco racial mongoloide se caracteriza por traços físicos muito particulares: a pele é amarelada, embora de tom muito variável; o cabelo é grosso, liso e negro e a pilosidade facial e corporal, muito escassa. As extremidades costumam ser relativamente curtas em comparação com o tronco. No rosto destacam-se os pômulos salientes, o nariz achatado e os olhos, aos quais a presença da característica dobra mongólica (epicanto) dá a aparência de oblíquos.

Os povos de raça mongoloide ocupam majoritariamente a Ásia, no norte e no leste do Himalaia. Do norte para o sul, distinguem-se no continente asiático três sub-raças principais: mongoloides do norte, do centro e do sul. Em geral, na sub-raça do norte a tez costuma ser mais clara e a estatura e corpulência, superiores.

Insulíndia

Os povos mongoloides do sul se estendem pelo sul do Tibet e da China, Indochina, Insulíndia e Filipinas. Nas grandes ilhas, os povos mongoloides se superpuseram aos habitantes primitivos, protomalaios, de tez escura e cabelo crespo; com o tempo, confundiram-se as características físicas de uns e de outros, o que resultou no tipo racial malaio, de rosto achatado, lábios grossos e cabelo liso, além do característico tom azeitonado da pele. Nas ilhas mais afastadas do continente e menos povoadas ainda existem povos protomalaios: dayak de Bornéu, igorot das Filipinas, batak de Sumatra etc.

Indochina

A população que ocupa as planícies do Vietnã é de características raciais mongoloides e de civilização chinesa. Nas montanhas, ao contrário, vivem povos mongóis no norte e proto-indochineses, de cor acobreada, no sul. O Camboja é habitado por povos khmer, muito indianizados.

No começo da era cristã, as fronteiras meridionais dos povos mongoloides só chegavam até as planícies do norte do Vietnam. Os birmaneses e tailandeses desceram do Tibet e do Yunnan, no sul da China, até ocuparem seus atuais territórios, respectivamente Myanmar (Birmânia) e Tailândia, depois do século XI.

Povos mongoloides do centro: China, Japão, Coreia. O Extremo Oriente caracteriza-se pela grande homogeneidade étnica. A população é de raça mongoloide, com as pequenas exceções do enclave japonês dos ainos e de alguns povos de pele escura das montanhas de Formosa. Supõe-se que os ainos sejam descendentes dos primitivos povoadores caucasoides que ocuparam as ilhas japonesas numa migração pré-histórica e foram artífices da antiquíssima cultura Jomon. Invasões mongoloides procedentes da Coreia teriam completado a atual configuração étnica japonesa, poucos séculos antes da era cristã.

A influência da cultura chinesa foi predominante nessa região. Além disso, por sua posição geográfica, a China serviu de ponte entre o Japão e a Coreia e o resto do continente, transmitindo-lhes, entre outros elementos de cultura, o budismo. No plano linguístico, porém, o japonês e o coreano constituem um bloco claramente diferenciado.

Ásia central. A extensa região de estepes e desertos que se estende pelo coração do continente, do mar Cáspio até a Manchúria, é habitada por duas etnias principais: no oeste, o Turcomenistão russo e chinês é território de diversos povos turcos, quirguizes, usbeques, turcomanos, tártaros e outros. A etnia turco-tártara, ou turaniana, caracteriza-se pelo rosto largo e os pômulos salientes, pelo que foi frequentemente incluída entre as etnias mongoloides. Contudo, os turcos carecem de dobra epicântica nos olhos e têm mais pelos faciais e corporais do que os mongoloides. Essas características justificaram a tese que afirmava ser a turaniana uma etnia de contato entre os grandes troncos raciais mongoloide e caucasoide.

A parte oriental da Ásia central, a Mongólia e, ao sul, o planalto do Tibet são habitados por povos mongoloides. Os do planalto tibetano têm pele mais escura que a dos chineses e em muitos casos seus olhos carecem de epicanto. Com frequência apresentam traços pré-mongoloides, sem dúvida herdados de etnias menos diferenciadas que a mongoloide propriamente dita, dentro da qual se subsumiram.

Ao longo dos séculos, turcos e mongóis foram povos pastores nômades que, graças à domesticação do cavalo, tinham grande facilidade de deslocar-se em massa por milhares de quilômetros, através das estepes. Em repetidas ocasiões, esses povos invadiram o império chinês pelo sul e pelo leste, os impérios persa e bizantino pelo oeste e também o norte da Índia.

Povos da Sibéria

As condições rigorosas do clima siberiano tornam pouco apropriados à fixação humana os territórios do norte da Ásia. Mesmo assim, a Sibéria tem sido povoada, ainda que escassamente, desde o fim da última glaciação.

A maior parte da população siberiana, concentrada nas cidades e nas redondezas das vias de comunicação, é russa, chegada da Europa nos últimos 150 anos. No entanto, são muitos os povos nativos que ainda persistem. Os mais numerosos são os samoiedos, que ocupam o noroeste da Sibéria; os tungues, povos que provavelmente tiveram origem nas margens do lago Baikal, e os iacutos, do grupo turco, chegados da Ásia central em épocas relativamente recentes. No extremo leste da Sibéria vivem os povos mais antigos da região, os paleossiberianos, de caracteres étnicos mongoloides pouco diferenciados, junto com os esquimós do mar de Bering.

Os povos manchus, aparentados com os tungues, são hoje uma minoria em seu país, a Manchúria, majoritariamente habitada por imigrantes chineses.

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Aquífero Guarani

Aquífero Guarani


Aquífero Guarani

São aquelas que ocupam os espaços existentes entre as rochas do subsolo e se movem pelo efeito da força da gravidade. Elas formam os aquíferos, cujas reservas são estimadas em 112 trilhões de metros cúbicos em território brasileiro. Assim como os rios se dividem em bacias hidrográficas, as águas subterrâneas são classificadas em províncias – que geralmente abastecem os rios. No Brasil há dez províncias: Amazonas, Parnaíba, São Francisco, Paraná, Centro-Oeste, Costeira e as dos Escudos Setentrional, Central, Oriental e Meridional.

Na província do Paraná se localiza o Aquífero Guarani, a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul . O Guarani estende-se pelos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e por partes do território do Uruguai, do Paraguai e da Argentina. Ele pode fornecer até 43 trilhões de metros cúbicos de água por ano, o suficiente para abastecer uma população de 500 milhões de habitantes. Uma camada de rocha basáltica protege o aquífero das contaminações do solo. No entanto, uma pesquisa realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em 2002 apontou níveis de agrotóxicos próximos aos do limite de risco para a saúde humana na região de Ribeirão Preto (SP) e em outras quatro áreas: nas nascentes do rio Araguaia, no limite setentrional do aquífero, na região de Lajes (SC), em Alegrete (RS) e no interior do Paraná. Nessas regiões, o risco de contaminação é grande porque o aquífero não é protegido pela rocha basáltica.

Outros Aquíferos

Embora não haja no Brasil dados precisos sobre as características e a capacidade da maioria desses reservatórios de água subterrâneos, sabe-se que outros aquíferos importantes são o Serra Grande, o Cabeças e o Poti-Piauí, que ocupam uma área localizada entre o Piauí e o Maranhão; o São Sebastião, na Bahia; o Açu, no Rio Grande do Norte; o Solimões e o Alter do Chão, na Amazônia; além do Bauru e do Serra Geral, no Sudeste.

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Rio Paraíba do Sul - Brasil

Rio Paraíba do Sul - Brasil
Rio Paraíba do Sul - Brasil
Rio Paraíba do Sul
O rio Paraíba do Sul nasce do encontro dos rios Paraibuna e Paraitinga, na serra da Bocaina, na porção leste do estado de São Paulo, entre Moji das Cruzes e Jacareí, a 1.800m de altitude. Com extensão de cerca de 1.100km, banha parte dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e marca parte da divisa entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Entre seus afluentes se contam, pela margem direita, os rios Piraí, Piabanha, Paquequer e Dois Rios e, pela esquerda, Pirapitinga, Pomba e Muriaé.

O vale do Paraíba, escavado entre as serras da Mantiqueira e do Mar, deve a riqueza primitiva de seus núcleos urbanos à cultura da cana-de-açúcar. O rio, outrora piscoso, pagou um alto preço pelo progresso, poluído pelos rejeitos industriais das mesmas cidades que ajudou a crescer.

Ao chegar à cidade de São Fidélis RJ, forma as cachoeiras de Lavrinhas, do Salto e do Funil, antes de desaguar no Atlântico, nos arredores de São João da Barra RJ. O Paraíba do Sul banha, entre outras, as cidades paulistas de São José dos Campos e Guaratinguetá, e, no estado do Rio de Janeiro, Resende, Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí, Três Rios e Campos dos Goitacases. Navegável na parte mais baixa de seu curso, desempenhou papel de importância fundamental para o desenvolvimento agrícola e industrial de uma vasta região. Entre os principais produtos industriais do vale do Paraíba se contam têxteis, com centro em Taubaté, automóveis e material de transporte. Funciona ainda nessa área a fábrica de aviões da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), em São José dos Campos.

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Rio Paraguai e a Bacia do Paraguai

Rio Paraguai e a Bacia do Paraguai
Rio Paraguai e a Bacia do Paraguai
Rio Paraguai
Quinto rio em extensão da América do Sul, o Rio Paraguai banha os territórios do Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. Principal afluente do Rio Paraná, rio que, ao juntar-se com o Uruguai, forma o rio da Prata, o Paraguai corre em sentido norte-sul, com inclinação pouco pronunciada, ao longo de 2.550km. Tem uma bacia hidrográfica de mais de 985.000m².

No idioma guarani, paraguay significa "rio das coroas de palmas", nome que se refere aos grandes palmeirais que margeiam o curso do Paraguai, rio que nasce no Brasil, atravessa terras paraguaias e desemboca no rio Paraná, perto da fronteira com a Argentina.

Com o nome de Pedras de Amolar, o rio Paraguai nasce no planalto central do Mato Grosso, 300m acima do nível do mar. Seu curso alto, estreito e recortado, torna-se navegável a partir da cidade de Cáceres (MT), a 240km da nascente. Após receber as águas do Jauru, o Paraguai penetra na região do pantanal mato-grossense e atinge a fronteira da Bolívia. Recebe então, pela margem esquerda, o Cuiabá, o Taquari e o Miranda, e marca um trecho da fronteira entre Brasil e Paraguai até encontrar-se com o Apa. Da confluência com o Apa, a 1.550km da nascente, até desembocar no Paraná, o Paraguai ocupa um leito largo e relativamente raso ao longo da planície pantaneira.

Em seguida, o rio Paraguai percorre 320km em território paraguaio e, após receber o Pilcomayo pela margem direita, delimita 240km de fronteira entre o Paraguai e a Argentina. Em seu curso baixo, de Assunção até a foz, atravessa a região das lombadas Valentinas, onde forma numerosos meandros, ilhas e pântanos. Nessa altura recebe afluentes caudalosos, como o Vermelho e o Tebiquari. Em seguida deságua no rio Paraná, perto da cidade argentina de Corrientes.

Rio Paraguai e a Bacia do Paraguai
Bacia do Paraguai
O regime fluvial do Paraguai varia muito em seus diversos trechos, ainda que no conjunto seja bastante regular. Nas cabeceiras e no pantanal é do tipo tropical, com cheias em fevereiro e secas entre julho e agosto. Ao sul de Corumbá MS, o caudal máximo é registrado após o outono, em julho, e o mínimo entre dezembro e janeiro. As planícies inundadas do pantanal, no norte, e do lago Ipacaraí, no sul, atuam como represas naturais e regulam o fluxo sazonal das águas. As margens do rio são marcadas por extensos bosques e savanas, e em suas águas vivem peixes como o dourado, a piranha e o pacu.

A bacia do Paraguai é escassamente povoada e tem restrito desenvolvimento econômico. As principais atividades são a pecuária e a agricultura de subsistência. Embora a profundidade do leito não permita o tráfego de navios de grande calado, a navegação nas águas do rio Paraguai é intensa, sobretudo no trecho compreendido entre Assunção e a desembocadura. Destacam-se ao longo de seu curso os portos de Corumbá e Porto Esperança, no Brasil; Puerto Suárez, na Bolívia; e Puerto Sastre, Concepción e Assunção, no Paraguai.

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