O Poço e o Pêndulo | Edgar Allan Poe


O Poço e o Pêndulo | Edgar Allan Poe


O Poço e o Pêndulo | Edgar Allan Poe"Entre as freqüentes e intensas tentativas de recordar, entre as lutas encarniçadas para recolher alguns vestígios daquele estado de aparente aniquilamento, no qual a minha alma havia mergulhado, momentos houve em que eu sonhava ser bem sucedito; houve períodos breves, bastante breves, em que evoquei as altas figuras que, arrebatando e carregando, em silêncio, recordações, a lúcida razão de uma época posterior me assegura se relacionarem, apenas, àquela condição de aparente inconsciência. Essas sombras de memória falam indistintamente, para baixo... para baixo, cada vez mais baixo, até que um horrível vertigem me oprimiu, a simples idéia daquela descida sem fim. Falam-me, também, de um vago horror no coração, por causa mesma daquele sossego desnatural do coração. Depois, sobrevém uma sensação de súbita imobilidade em todas as coisas; como se aqueles que me transportavam (cortejo espectral) houvessem ultrapassado, na sua descida, os limites do ilimitado e houvessem detido, vencidos pelo extremo cansaço da tarefa. Depois disso, reevoco a monotonia e a umidade; e, depois, tudo é loucura; a loucura de uma memória que se agita entre coisas repelentes."

(...)

"E então, como continuasse ainda a caminhar, cautelosamente, para diante, vieram-me, em tropel, à memória, mil vagos boatos a respeito dos horrores de Toledo. Narravam-se estranhas coisad dos calabouços, que eu sempre considerara como fábulas, coisas, no entanto, estranhas e demasiado espantosas para serem repetidas, a não ser num sussurro. Ter-me-iam deixado para morrer de fome no mundo subterrâneo das trevas? Ou que sorte, talvez mesmo mais terrível, me esperava? Conhecia muito bem o caráter de meus juízes para duvidar de que o resultado seria a morte, e morte de insólita acritude. O modo e a hora era tudo o que me preocupava e perturbava."

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