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Fim da União Soviética (URSS) em 1991

O Fim da União Soviética (URSS) em 1991 e as Novas Repúblicas (CEI)

O FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA (URSS) EM 1991A União Soviética foi um dos países mais importantes para a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, também foi um dos países mais abalados economicamente. Mesmo assim, o governo de Joseph Stálin foi capaz de realizar um eficiente planejamento, colocar a URSS nos trilhos do desenvolvimento e transformá-la em uma das grandes potências mundiais, ao lado dos Estados Unidos.

Após ter governado a URSS por 29 anos, Stálin morreu em 1953, sendo sucedido por Nikita Krushev. O governo de Stálin, embora tenha transformado a União Soviética em uma potência, foi marcado pelo autoritarismo, ditadura, falta de liberdade e corrupção. Krushev, quando assumiu o poder, decidiu acabar gradativamente com a política autoritária do governo anterior e procurou adotar uma política de paz com os países capitalistas.

No entanto, em 1964, Krushev foi deposto, sob a acusação de abuso de poder. Em seu lugar assumiu Leonid Brejnev, o qual governou até 1982. Foi justamente nessa época (por volta de década de 70) que os problemas econômicos e sociais se acentuaram. Em razão da URSS se manter isolada economicamente da maior parte do mundo, sua indústria se tornou atrasada. Se há alguns anos o país fora um grande exportador de alimentos, passou a ser importador. Com o declínio da atividade industrial e agrícola, surgiram inúmeros problemas sociais, principalmente o aumento do desemprego.

Após a morte de Brejnev, em 1982, Andropov e Constantin Tchernenko assumiram o governo. No entanto, foi em 1985, com a entrada de Mikhail Gorbatchev, que a União Soviética passou por bruscas mudanças políticas, econômicas e sociais. Ciente dos problemas que o país passava, Gorbatchev propôs dois planos: a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência).

A perestroika nada mais era do que um conjunto de medidas que propunha modernizar e dinamizar a economia do país. Assim, o plano autorizava a existência de empresas privadas, a entrada gradual de multinacionais e estimulava a concorrência entre as empresas. Já a glasnost previa a diminuição da atuação do Estado na vida do cidadão, ou seja, nas questões civis. Por meio da glasnost, foi dada liberdade de expressão, os presos políticos foram soltos, entre outras medidas.

Com estas profundas mudanças, tornou-se claro que a União Soviética estava com seus dias contados. Temendo o quadro político que estava instalado na Rússia, as outras repúblicas começaram a exigir autonomia. Em 1991, quase todos os países já eram independentes. O fim definitivo da URSS foi oficializado em 21 de dezembro de 1991, com a criação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), organização supranacional formada por Rússia, Ucrânia, Bielorrússia (atual Belarus), Cazaquistão e Uzbequistão.
Fim da URSS

Fim da URSS

A estagnação econômica a partir de meados da década de 70, aliada à corrida armamentista, coloca em evidência as deficiências e distorções estruturais da sociedade soviética e a necessidade de reformas urgentes. A URSS enfrenta dificuldades crescentes para manter sua hegemonia na Europa Oriental, recua na Ásia, África e América Latina e naufraga no Afeganistão.

Mikhail Gorbatchov (1934- ), funcionário de carreira do Partido Comunista da União Soviética, torna-se um dos principais assessores de Iuri Andropov durante o curto governo deste, entre 1982 e 1984. Em março de 1985 é eleito secretário-geral do partido, após a morte de Konstantin Tchernenko, que substituíra Andropov. Em 1986, desencadeia a glasnost e a perestroika, que, como ele próprio reconhece depois, definem o que deve ser destruído e mudado, mas não o que deve ser construído no lugar das estruturas antigas. Isso desencadeia movimentos que Gorbatchov não consegue controlar, conduzindo uma grave crise econômica, social e política, à sua própria queda, em 1991, e à desintegração da União Soviética. Seus entendimentos com os Estados Unidos e a Europa Ocidental para o desarmamento e a eliminação dos regimes socialistas na Europa oriental lhe granjeiam grande prestígio internacional, particularmente no Ocidente.

Perestroika – A perestroika, ou reestruturação econômica, é iniciada em 1986, logo após a instalação do governo Gorbatchov. Consiste num projeto ambicioso de reintrodução dos mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e retomada do crescimento. A perestroika visa liquidar os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados nacionais e estrangeiros. O Estado continua como principal proprietário, mas é permitida a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio varejista e serviços não-essenciais. Na agricultura é permitido o arrendamento de terras estatais e cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento é projetada por meio da conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo, e de investimentos estrangeiros.

Glasnost – A glasnost, ou transparência política, desencadeada paralelamente ao anúncio da perestroika, é considerada essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política nacional de realizar as reformas. Abrange o fim da perseguição aos dissidentes políticos, marcada simbolicamente pelo retorno do exílio do físico Andrei Sakharov, em 1986, e inclui campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas com a intervenção ativa dos meios de comunicação e a crescente participação da população. Avança ainda na liberalização cultural, com a liberação de obras proibidas, a permissão para a publicação de uma nova safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número crescente de jornais e programas de rádio e TV que abrem espaço às críticas.

Desagregação nacional – A descompressão política, que permite a expressão do descontentamento numa escala inédita desde a Revolução de 1917, combinada com o impasse na condução das reformas econômicas, mergulha a União Soviética numa crise no final dos anos 80. A produção se desorganiza devido à ausência de uma estratégia definida de reestruturação econômica. O único ponto claro da perestroika é a liquidação do antigo sistema de planejamento centralizado. A estruturação de um novo sistema é obscura. Organizam-se máfias, constituídas por antigos dirigentes de empresas e ministérios, que se apropriam do patrimônio público e acumulam fortunas. O Partido Comunista se divide em facções antagônicas. A União se desagrega, como resultado da pressão de movimentos nacionalistas e autonomistas nas diversas repúblicas. Um plebiscito, em 1990, aprova a continuidade da União, mas conflitos étnicos agravam o processo desagregador. O governo central perde poder sobre as repúblicas.

Golpe de Agosto – Em 19 de agosto de 1991, Gorbatchov enfrenta um golpe de Estado dado por civis e militares conservadores, que pretendem manter a União e revogar boa parte das reformas liberalizantes. Mas a reação ao golpe conta com o apoio da maioria das Forças Armadas e da população, assim como de diversas repúblicas. Em Moscou a resistência é dirigida por Boris Yeltsin (presidente da Rússia), Ruslan Khasbulatov (presidente do Parlamento da União) e pelo general Alexander Rutskoi, tendo como centro a defesa do Parlamento (Casa Branca).

Dissolução do império – Como conseqüência da resistência aos golpistas e do enfraquecimento da posição política de Gorbatchov, Yeltsin assume o poder de fato, proibindo o funcionamento do Partido Comunista na Rússia. O poder crescente de Yeltsin força a renúncia de Gorbatchov, em dezembro de 1991. As repúblicas declaram independência sucessivamente: a Lituânia, a Estônia e a Letônia em 22 de agosto, seguidas pela Ucrânia (24/8), Bielorrússia (25/8), Geórgia e Moldávia (27/8), Azerbaijão, Quirguizia e Uzbesquistão (30/8), Tadjiquistão (9/9) e Armênia (22/9). Em 9 de dezembro de 1991, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia formam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), dando por revogada a existência da URSS. Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomênia, Quirguizia e Tadjiquistão aderem à CEI em 14 de dezembro.

A CEI e as Novas RepúblicasA CEI e as Novas Repúblicas

Desde sua fundação, a Comunidade dos Estados Independentes vem se debatendo com sua natureza ambígua: embora não seja um país, é mais do que uma simples comunidade econômica de nações, pois tem Forças Armadas centralizadas, o rublo ainda circula nas repúblicas que a integram e mantém-se em grande parte intacta a relação de supremacia da Rússia sobre as demais unidades da extinta Federação. Mas a explosão de contradições durante muito tempo represadas pelo Kremlin abala a coesão e as instituições ainda precárias da nova comunidade. Divergências sobre o controle do arsenal nuclear e a ratificação do Tratato Start, de desarmamento, que a URSS tinha assinado com os EUA em julho de 1991; desentendimentos sobre a partilha proporcional, entre as repúblicas, da antiga dívida externa soviética, de US$ 74 bilhões; e a necessidade de conformar-se às regras do FMI para obter, no Ocidente, uma ajuda de US$ 24 bilhões, prometida pelos Estados Unidos e pela Alemanha, são alguns dos problemas globais enfrentados pela CEI em 1992.

Lutas pela independência – Mas há outros litígios que, em alguns casos, degeneraram em guerra aberta: a presença de 130 mil soldados do ex-Exército Vermelho na Letônia, Lituânia e Estônia, sob a alegação de que é preciso garantir a segurança da comunidade russa residente nesses países, mantém a tensão entre a Rússia e os Estados bálticos. Na Moldávia, o governo luta com os separatistas da autoproclamada República do Trans-Dniestr, habitada por russos e ucranianos que temem a possibilidade de integração dessa república à Romênia (os separatistas contam com o apoio do 14o Exército russo, estacionado em sua região). No Cáucaso, a Armênia e o Azerbaidjão continuam lutando pela posse do enclave de Nagorno-Karabakh, com grande número de baixas de parte a parte. Entre a Rússia e a Ucrânia, além da disputa pelo controle da frota do mar Negro e do arsenal nuclear, há também a disputa pela posse da Criméia, habitada majoritariamente por russos, mas sob jurisdição ucraniana desde 1954 (o território luta pela independência, não se contentando com o status de autonomia relativa concedido por Kíev). A Geórgia, embora não pertença à CEI, tem também conflitos internos: além do que opõe os partidários e opositores do ex-presidente Zviad Gamsakhurdia, deposto em janeiro de 1992, há também a guerra das autoridades de Tbilisi com a Ossétia do Sul, território georgiano que reivindica a anexação à Ossétia do Norte, pertencente à Federação Russa (todas essas questões são herança da política stalinista de separar os grupos étnicos para enfraquecê-los).

Federação russa – A própria Federação Russa, as voltas com problemas políticos e econômicos dos mais graves, é uma colcha de retalhos de reivindicações das minorias étnicas que a compõem e ameaçam fazê-la implodir da mesma forma que a ex-URSS. O novo Tratado da Federação Russa, assinado por Boris Yeltsin, em março de 1992, com 18 das 20 repúblicas autônomas que a integram não encontra uma solução para seus problemas mais sérios: a reivindicação de soberania da Tartária, proclamada em 21/3/1992; o separatismo da Chechenia-Inguchétia, convertida em duas unidades independentes por um decreto do Soviete Supremo de junho de 1992; o desejo da comunidade russo-alemã de restaurar a antiga República Autônoma do Volgf, eliminada por Stalin em 1941; e a proposta de que a lakutia e a Buriatia, o distrito da Niénetz e as repúblicas de Komi e Tuva, territórios autônomos da Sibéria, fundem-se nos Estados Unidos do Norte da Ásia. Em todos esses casos, a secessão seria economicamente desastrosa para Moscou, que perderia o controle sobre o petróleo tártaro, as jazidas de ouro buriatas e de gás natural nenétsio, o cobalto tuvânio, os diamantes iakútios, e assim por diante. Para complicar as coisas, o presidente Boris Yeltsin encontra-se, desde o início de 1992, em rota de colisão com Ruslán Khásbulatov, o presidente do Parlamento, com quem debate a distribuição do poder. Isso os levará, até o final do ano, à confrontação aberta.

Comunidade dos Estados Independentes (CEI) – Instituída em 21/12/1991, integrada pela maior parte das repúblicas que formavam a extinta União Soviética: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Geórgia, Moldávia, Quirguízia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomênia, Ucrânia, Uzbequistão e Azerbaidjão. Sede em Minsk, na Bielorrússia. É gerida por conselhos de chefes de Estado e de governo das repúblicas participantes. A CEI não é um país, pois cada uma de suas unidades constitutivas é politicamente soberana; mas é mais do que uma comunidade econômica, pois tem forças armadas centralizadas. Além disso, embora os países membros estejam criando gradualmente suas próprias moedas, o rublo ainda circula paralelamente na maioria delas.

Tendências Contemporâneas
Os últimos 25 anos são marcados por uma rápida e intensa reordenação da política e da economia em todo o mundo. Na política, o principal fator de mudança é o fim da polarização Estados Unidos-União Soviética. A perestroika de Gorbatchov e a queda do muro de Berlim precipitam o desmonte da União Soviética. Emergem conflitos localizados, antes abafados pela polarização. Muitos deles têm caráter étnico ou religioso. O racismo e o extremismo de direita ganham novo fôlego. E o crescimento do fundamentalismo islâmico assusta o Ocidente. Na economia, novos blocos são formados. Os Tigres Asiáticos aceleram seu desenvolvimento, os Estados Unidos enfrentam dura concorrência do Japão em seu próprio território e a velha idéia da unificação da Europa é mais uma vez retomada com a criação da Comunidade Econômica Européia – hoje, União Européia.

Socialismo e social-democracia – A desagregação da União Soviética e o fracasso das experiências socialistas no Leste Europeu, assim como as reformas de mercado na China, disseminam a idéia de que a doutrina socialista está morta. A solução para alcançar a justiça econômica e social passa a ser a social-democracia, que desde a década de 50 administra o sistema capitalista em bem-sucedidas sociedades europeias, ou o próprio liberalismo ou neoliberalismo, que pretende deixar o capitalismo funcionar sem qualquer amarra. Entretanto, a social-democracia e o neoliberalismo também entram em crise no início da década de 90, por sua incapacidade em dar solução aos problemas sociais postos pelos novos parâmetros da revolução tecnológica.

Conflitos – Em 1994 persistem conflitos regionalizados na ex-URSS, ex-Iugoslávia, África, Índia e Sri Lanka. Na ex-URSS os conflitos mais graves são a guerra entre a Armênia e o Azerbaijão, a luta na Moldávia entre as populações de etnia romena e russa, a luta dos rebeldes da Abcásia para separar a região da Geórgia e a guerra civil no Tadjiquistão, que opõe, de um lado, uma aliança entre militantes islâmicos e os partidários de uma democracia em moldes ocidentais e, do outro, os antigos dirigentes comunistas apoiados pelo Exército russo. Na ex-Iugoslávia, sérvios, croatas e muçulmanos travam uma guerra para definir da maneira mais favorável o mapa da inevitável partilha da Bósnia entre os três grupos étnicos. Na vizinha Croácia, persiste a tensão entre o governo nacional e as milícias formadas pela minoria sérvia, que controlam um terço do território do país. Na África continua a guerra fratricida de Angola e os conflitos em Ruanda, na Somália e no Chade. Entre os conflitos étnicos da Índia, sobressai a campanha movida por grupos extremistas hindus contra a numerosa minoria muçulmana. No Sri Lanka, a rebelião tâmil contra a maioria cingalesa continua a manifestar-se em atentados terroristas.

A CEI - Comunidade de Estados Independentes
A Comunidade de Estados Independentes, formada pelas repúblicas da antiga União Soviética, tende cada vez mais a dar ênfase à independência dos Estados-membros e desprezar o aspecto de comunidade. Apesar de manterem laços econômicos muito estreitos, como herança da antiga União, e de formalmente constituírem forças armadas unificadas, cada república procura estruturar suas próprias forças armadas e libertar-se das antigas dependências econômicas, criando relações separadas tanto com a Europa e os Estados Unidos quanto com a Ásia. As tensões étnicas permanecem, assim como os problemas políticos. A Rússia, após o confronto entre o Parlamento e o presidente Yeltsin, em 1993, mantém seu plano de reconversão econômica, com altas taxas de desemprego mas inflação em baixa, e procura reconquistar a hegemonia sobre as demais repúblicas.

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Feudalismo | Como Surgiu o Feudalismo?

Feudalismo | Como Surgiu o Feudalismo?

O FEUDALISMO
Entre os séculos V e X, a Europa passou por significativas mudanças de cunho social, político e econômico. A crise do Império Romano resultou em uma grande diminuição da atividade comercial, originando a ascensão de uma economia baseada na subsistência. As invasões bárbaras geraram um clima de bastante insegurança, obrigando as populações urbanas a migrarem para o campo.

Este conjunto de fatores resultou no que chamamos de feudalismo, que nada mais é do que um modo de organização social e político baseado nas relações entre senhor feudal e servo. Os reis cediam grandes pedaços de terra aos nobres em troca de apoio militar. Cada porção de terra era chamada de feudo, e seus donos, senhores feudais. Tal título era hereditário, ou seja, passava de pai  para filho.

A economia feudal era baseada na agricultura e na pecuária. A força de trabalho dos feudos era composta por antigos servos e plebeus da sociedade romana. Tais indivíduos firmavam uma espécie de pacto com os senhores feudais, no qual se comprometiam a lhe servir, pagar impostos e cumprir diversas outras obrigações. Em troca, o senhor feudal lhe dava proteção e o direito de usar a terra para seu próprio sustento.

Desta forma, o poder dos senhores feudais passou a ser maior até mesmo do que o do próprio rei, uma vez que este não era capaz de interferir diretamente nas regras estabelecidas dentro dos feudos.

Durante cinco séculos, aproximadamente, o feudalismo foi a forma de organização predominante em toda a Europa. Tal situação só mudou a partir do desenvolvimento de técnicas e instrumentos de produção mais modernos, aspecto que resultou em uma nova ascensão do comércio e no crescimento expressivo dos centros urbanos.

Como surgiu o feudalismo

Como surgiu o feudalismo

O feudalismo nasceu depois que o Império Romano virou picadinho por causa das invasões bárbaras no século V. Entretanto, os invasores bárbaros não liquidaram completamente a civilização romana. Na verdade, as novas sociedades que surgiram na Europa foram o resultado da mistura de elementos da sociedade romana com elementos da sociedade dos invasores germânicos.

Feudalismo

O Feudalismo

Para entender o feudalismo, temos que lembrar que a história existe mesmo. O que queremos dizer com isso? Que a economia funcionava de um modo totalmente diferente de hoje, quando vivemos num mundo capitalista. Lembre bem, no feudalismo investir e lucrar não eram os objetivos econômicos.

A sociedade feudal era basicamente rural. Isso quer dizer que quase todas as pessoas viviam no campo. O trabalho na agricultura era pesado e cansativo, mas os trabalhadores camponeses ficavam com poucos frutos. O motivo ‚ que as terras pertenciam a uns poucos privilegiados, os nobres.

Os nobres, também chamados de senhores feudais, eram proprietários do feudo. Eles tinham uma vida mansa. Moravam no castelo, não trabalhavam nem um pouco e passavam boa parte do dia se empanturrando de comida e bebida. Usavam boas roupas, gostavam de ouvir a música dos trovadores e eram grandes guerreiros, utilizando pesadas armaduras no campo de batalha. É claro que essa mordomia toda só era possível porque o senhor feudal (o nobre) vivia à custa do trabalho dos servos.

Os servos não eram escravos, pois não pertenciam aos nobres. Não podiam ser vendidos para outro senhor feudal. Mas também não eram livres a ponto de ir procurar emprego onde quisessem. Portanto, ainda não existiam anúncios classificados na porta dos castelos. Os camponeses servos tinham direito a usar um pedaço de terra do feudo para cultivar para si e para criar alguns animais. Observe que o senhor feudal não fazia nenhum investimento, e até mesmo os instrumentos de trabalho (foices, machados, ancinhos,bois para movimentar o arado) pertenciam aos servos. No final, os servos acabavam ficando apenas com uma parte do que haviam produzido, pois deviam muitas obrigações feudais ao nobre. Vida dura, a dos servos. trabalhavam como mulas e, sempre ameaçados pelo fantasma da fome, dormiam perto do chiqueiro e acordavam com os bichos.

O feudo era, antes de tudo, uma grande propriedade rural, um latifúndio. O trabalho era todo realizado pelos servos. Eles tinham que cultivar a área senhorial ( de 30% a 40% da área total do feudo). Havia ainda as terras comunais, utilizadas tanto pelo senhor (por intermédio do trabalho dos servos domésticos quanto pelos camponeses. Essa área servia de pastagem a animais, colheita de frutas e madeira e era exclusiva para a caça do nobre.

O senhor feudal morava em seu castelo, em geral um confortável casarão de madeira. Só no apogeu do feudalismo, e pertencentes a grandes senhores, que os castelos seriam de pedra. Os camponeses moravam mesmo em barracos de barro e palha, pulguentos e gelados. Sem televisão para fazer esquecer a própria miséria.

A economia do feudo tendia a ser de subsistência, ou seja, o feudo geralmente produzia apenas para a sobrevivência das pessoas que viviam nele. A produtividade era baixa e por isso sobrava pouco para comerciar. O que nos leva a concluir que o comércio e as cidades (que dependem da comida produzida no campo) eram pouco desenvolvidos.

As obrigações feudais
Os senhores feudais exploravam descaradamente os servos. Aparentemente, havia uma comunidade entre eles (e não um contrato assinado, como há no capitalismo): os servos trabalhavam enquanto o senhor lhes dava proteção em caso de guerra e abrigo em caso de calamidade. Na prática havia mesmo ‚ coerção: o nobre tinha a seu serviço um bando de cavaleiros mal-encarados e armados até os dentes, prontos para meter a espada no servo desdentado metido a desobediente.

Assim, o servo devia diversas obrigações aos senhores feudais. As mais destacadas eram:
• Corvéia. Trabalho de graça do servo, alguns dias por semana, em área senhorial. Também havia a obrigação de construir pontes, reparar o castelo, elogiar o nobre e dizer que ele era muito inteligente e generoso...

• Talha. O servo devia entregar ao senhor feudal parte de sua colheita (uns 10%) e uma O importante quantidade fixa de aves, mel, ovos, porcos, objetos de madeira e lã.

• Banalidades. Inúmeras taxas, criadas a inúmeros pretextos, e que não eram nada banais. Podiam ser taxas pelo uso do moinho, do forno, lagar (tanque para espremer uvas e fazer vinho), multas, impostos para comprar equipamentos militares e mais outros tantos.

A fragmentação Política
No apogeu do feudalismo, entre os séculos IX e XIII, a Europa estava dividida em inumeráveis feudos. Cada um deles era um minimundo isolado, com suas próprias leis, cobranças de impostos, força armada. Todos esses feudos, claro, seguiam a vontade dos seus proprietários nobres. O rei, portanto, não passava de um grande nobre, com pouca autoridade além do próprio feudo. Não tinha controle sobre todos os súditos.

A hierarquia feudal teve origem nas guerras do passado, ainda no tempo das invasões bárbaras. Um grande chefe militar vencedor distribuía as terras conquistadas para seus auxiliares mais próximos, que assim se tornavam seus vassalos.

Os vassalos tinham a obrigação de dar apoio militar ao seu suserano (o chefe que lhes tinha cedido um feudo), de pagar o resgate se ele fosse capturado numa batalha, de puxar o saco dele e rir de suas piadas sem graça.

Os vassalos também podiam distribuir parte de suas terras para pessoas que seriam, por sua vez, seus vassalos, e assim por diante, numa corrente que unia desde os senhores feudais mais poderosos, até a pequena nobreza. Repare que os servos, de certa maneira, eram o grau mais baixo da hierarquia da vassalagem.

A Igreja católica e o feudalismo

A Igreja católica e o feudalismo

A Igreja católica era extremamente poderosa. Em primeiro lugar, porque a maioria das pessoas era católica fervorosa. Depois, porque a Igreja era rica, dona de vastos feudos. Muitos de seus bens vinham de doações que nobres deixavam em testamento. Geralmente, os altos postos eclesiásticos (da Igreja) eram preenchidos por filhos da nobreza. Ou seja, a cúpula da Igreja e os nobres pertenciam à mesma classe dominante, a dos senhores feudais.

A Igreja também dominava a vida cultural. Assim como os servos se subordinavam aos senhores, a vida cultural era serva dos padres. Os clérigos (homens da Igreja ) eram das poucas pessoas que sabiam ler. Numa época em que não havia televisão nem programas de auditório, a Igreja era uma grande fonte de informação e até de lazer. Tudo o que se dizia e se pensava devia ter a autorização dela. Quem a contrariasse era considerado um herege (inimigo do cristianismo) e atirado numa masmorra fria e úmida ou numa quente e sequinha fogueira.

Como se vê, a Igreja tinha um importante papel político. Ela era aliada dos senhores feudais e muitas das ideias que difundia serviam para tornar as pessoas mais obedientes aos nobres. Nos sermões dos padres, os camponeses ouviam abobrinhas do tipo "é preciso se conformar com a pobreza, pois foi Deus quem a desejou". É por isso que muitas revoltas sociais contra a exploração feudal foram consideradas heresias. Outra ideia difundida era a de que a sociedade feudal seria eterna, pois teria sido Deus que desejou que "uns rezassem (a Igreja), outros combatessem (os nobres) e outros trabalhassem (os servos)". Desse modo, os trabalhadores estavam subjugados pela espada e pela cruz.

A justiça feudal
Imagine que um servo se sentisse injustiçado pelo senhor feudal. A quem ele iria reclamar? Àquele que controlava as leis e julgamentos no feudo, ou seja... o próprio senhor feudal!

O nobre poderia, gentilmente, propor para "deixar o julgamento nas mãos de Deus". como seria isso? O servo deveria segurar um ferro em brasa, ou então ser amarrado a uma pedra enorme e atirado no fio: diziam que se ele fosse inocente Deus não o deixaria queimar-se ou afogar-se... Dá para perceber que poucos servos conseguiam o que queriam.

Novas forças econômicas
A partir do século IX a economia feudal europeia começou a se desenvolver com firmeza. Já não existiam mais os ataques dos povos bárbaros nem as pestes (epidemias de doenças mortais) que tanto tinham preocupado a Europa nos séculos anteriores.

Descobertas tecnológicas permitiram o crescimento da produção. Isso resultou em mais comida e bebida na mesa, melhores roupas e mais objetos - não só para os nobres mas até para alguns servos. É fácil reparar que essa melhoria nas condições de existência estimulou o crescimento da população. O efeito também foi inverso: mais gente, mais produção, mais desenvolvimento econômico.

Muitos feudos começaram a produzir excedentes, ou seja, mais do que precisavam para manter sua sobrevivência física. Era possível então vender esse excedente e, com o dinheiro obtido, comprar outras coisas, vindas de outras regiões. Dá para perceber que por causa disso, o comércio cresceu um bocado. As moedas, muito úteis no comércio, adquiriram maior importância. Quanto mais desenvolvido é o mundo das mercadorias, maior o poder do dinheiro. Quanto mais poderoso é o dinheiro, mais frágeis são os homens...

Era comum os comerciantes se reunirem em alguns locais para trocar mercadorias, informações e moedas, para beber e contar vantagens sobre suas conquistas amorosas. Tratava-se das feiras medievais. Algumas dessas feiras ficaram tão importantes que se tornaram permanentes e deram origem a cidades.

Nas cidades vivia a maioria dos comerciantes e artesãos, que vendiam ou faziam as mercadorias que os nobres tanto apreciavam. A cidade e o campo foram especializando suas atividades econômicas. Ou seja, enquanto o campo se dedicava principalmente à agricultura e à criação de animais, as cidades começaram a concentrar os artesãos e comerciantes. Os nobres apreciavam sua mercadorias vendidas pelos comerciantes e artesãos, e não hesitavam em botar a mão na bolsa e pagar em ouro. Com isso, claro, as cidades foram crescendo e enriquecendo. Como muitas delas ficavam dentro das terras dos nobres, também tinham que pagar tributos feudais. Mas a partir do século XIV muitas cidades tinham se tornado ricas o bastante para se libertar dos senhores feudais e obter plena autonomia.

As cidades medievais, cercadas de muralhas de proteção, tinham o nome de burgos. Nelas, moravam os trabalhadores e a classe social que estava nascendo e que daria muito o que falar: a burguesia.

A crise do século XIV

A crise do século XIV

No século XIV, aconteceu a primeira grande crise do feudalismo. Simplesmente, a economia feudal não consegui mais produzir o suficiente para alimentar a população que crescia cada vez mais. É fácil entender. Os senhores feudais não investiam em tecnologia. Por causa disso, o aumento da produção agrícola tinha vindo, principalmente do desbravamento de novas terras. Chegou um momento em que não havia mais terras disponíveis para ampliar o cultivo. Veio, então, a fome. Para piorar, os nobres e os reis aumentaram os impostos. Como sempre, os pobres é quem pagaram o pato, sem comer tal pato. Aliás, sem comer quase nada.

O comércio italiano com os árabes levou para a Europa tapetes, porcelana, especiarias e ... a PESTE NEGRA. Os burgos estavam entulhados de gente que vivia em casebres mergulhados em esgotos e habitados por certos animaizinhos domésticos sorridentes e peludos como ratos. Como você sabe, os ratos podem transmitir muitas doenças. Foi o que aconteceu. A peste bubônica fez seus estragos: quase 40% da população do continente morreu. Foi uma catástrofe demográfica. A população da Europa só voltaria a ser a mesma no século XVII.

Cidades inteiras foram abandonadas. A mão fria da morte fez faltar mão-de-obra nos feudos. As rendas dos senhores feudais caíram. Muitos deles tiveram que vender seus bens para pagar o que deviam aos banqueiros. Pra se segurar, a nobreza caiu de sola em cima dos mais fracos: aumentou o número de tributos sobre os servos humildes e descalços. Estouraram então muitas rebeliões camponesas. As mais famosas foram as jacqueries, na França. Os camponeses invadiam os castelos e tomavam tudo o que podiam. Depois, dividiam entre si as terras do senhor feudal.

Até quando durou o feudalismo?
A burguesia e as relações de produção capitalistas germinaram por volta dos séculos XI e XII, quando começou um intenso crescimento urbano e comercial. Elas foram se desenvolvendo no interior do feudalismo como uma praga que cresceu até destruir a sociedade feudal. Quando essa destruição final aconteceu? No momento das revoluções burguesas. Foram elas que garantiram o triunfo do capitalismo e da burguesia. Na Inglaterra, por exemplo, a revolução ocorreu em 1640-1689. Na França, em 1789-l8l4. Na Europa, no Japão e nos Estados Unidos o capitalismo afirmou seu domínio pleno durante o século XIX.

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Expansão Marítima Espanhola

Expansão Marítima Espanhola

A expansão marítima espanhola favoreceu a conquista de colônias e o fortalecimento da Coroa Espanhola.
Ao contrário de Portugal, os espanhóis tiveram de resolver vários problemas relacionados ao processo de formação de sua monarquia nacional, para só então empreender a aventura pelos mares. Ao longo de toda a Baixa Idade Média, os reinos católicos de Aragão e Castela lutavam para estabelecer a expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica.

No ano de 1492, a aliança matrimonial entre os herdeiros desses tronos asseguraram a vitória contra os muçulmanos na chamada Guerra de Reconquista. A partir de então, o recém-formado governo espanhol decide contratar os serviços de um navegador italiano chamado Cristóvão Colombo. Na época, os reis espanhóis investem no projeto de criação de uma rota que dava acesso às Índias através da navegação do Atlântico rumo a Oeste.

Expansão Marítima Espanhola

Em princípio, a ideia era de que a circunavegação da Terra pudesse oferecer um novo acesso ao continente indiano. Contudo, os três navios utilizados para esse fim acabaram batendo na ilha de Guanaani, no Caribe. Após batizar a ilha de San Salvador, Colombo fez outras viagens onde encontrou as ilhas de Cuba, Bahamas e São Domingos. Ainda pensando estar nas Índias, Colombo batizou os moradores locais de “índios”.

Pouco tempo depois, outros navegadores e companheiros de viagem demonstraram que Cristóvão Colombo havia feito a descoberta de um novo continente entre a Europa e a Ásia. O navegador florentino Américo Vespúcio foi o responsável por oficializar tal constatação e, por tal razão, acabou tendo o nome usado para nomear a América, o mais novo continente do mundo.

Após essa valorosa conquista marítima, o navegador Vasco de Balboa conseguiu, em 1513, alcançar o oceano Pacífico atravessando a América Central. Em um projeto ainda mais ousado – executado entre 1519 e 1521 – a expedição de Fernão de Magalhães realizou a primeira circunavegação ao redor do mundo. Dos quinhentos e doze tripulantes dessa corajosa viagem, apenas dezoito sobreviveram no retorno à Europa.
Durante seu processo de expansão, os espanhóis adentraram o interior das terras conquistadas em busca de metais preciosos. Nesse contexto, encontraram diversas civilizações contras as quais travaram um sangrento processo de conquista e dominação. E assim, pela cobiça e a força das armas, os espanhóis formaram um grande império colonial que fortalecia a Coroa Espanhola.

Capitalismo e Seu Desenvolvimento

Capitalismo e Seu Desenvolvimento

O capitalismo constituiu-se como forma de organização ao longo do tempo, desde o fim da Idade Média, baseado na exploração da mais-valia dos trabalhadores.

Capitalismo, ou modo de produção capitalista, é uma forma de organização social marcada pela separação entre os proprietários e controladores dos meios de produção (máquinas, matérias-primas, instalações etc.) e os que não possuem e não controlam os meios de produção, dependendo exclusivamente da venda de sua força de trabalho, através do salário, para sobreviver.
O capitalismo iniciou sua formação nos séculos finais da Idade Média, quando paulatinamente as formas artesanais de trabalho – concentradas principalmente nas corporações de ofício – foram dando lugar a uma divisão social trabalhista pela qual alguns mestres-artesãos passaram a ter a propriedade das ferramentas e matérias-primas, levando-os a assalariar pessoas que com seu trabalho produziam as mercadorias. Era o início da ruptura com a forma de organização social baseada na servidão entre senhores e servos.

Um mercado de trocas entre os diversos tipos de mercadorias (produtos e pessoas) garantiria a venda do que era produzido, exercendo o dinheiro um papel fundamental no mercado, em virtude de sua função de intermediário na realização das trocas.

Capitalismo e Seu Desenvolvimento

O intercâmbio dessas mercadorias garantiria um lucro ao capitalista. Para alguns estudiosos do capitalismo, o lucro seria proveniente da venda da mercadoria no mercado por um preço superior ao que custou para sua produção. Dessa forma, o lucro se encontraria no mercado de trocas.

Para alguns críticos do capitalismo, o lucro do capitalista provém da diferença do valor do salário pago ao trabalhador em relação ao valor total produzido por ele, no período em que ele executou sua ação de trabalho.

Por exemplo: um trabalhador foi contratado para trabalhar por um dia em uma jornada de oito horas, com um salário de R$ 50,00. Entretanto, nas primeiras quatro horas, esse mesmo trabalhador produziu mercadorias no valor de R$50,00, sendo que nas demais quatro horas de trabalho ele produziria o mesmo valor, que seria apropriado pelo capitalista como o resultado de um trabalho não pago. Seria essa a origem do lucro do capitalista, conhecido também como mais-valia. A pessoa que ganhou maior notoriedade por apontar a mais-valia como origem do lucro foi o alemão Karl Marx, cuja principal obra, O Capital, pretendeu dissecar o funcionamento do capitalismo.
A mais-valia seria então o resultado de uma relação social de produção, cuja organização do processo de trabalho teria como característica principal a divisão entre os que são proprietários e controlam os meios de produção e aqueles que não têm propriedade e nem controlam os meios de produção, sendo obrigados a venderem sua força de trabalho em troca de um salário para sobreviverem. Essa divisão seria a base da divisão da sociedade capitalista, entre duas classes antagônicas: a burguesia exploradora e os trabalhadores explorados.

A expansão das forças de produção e da organização do trabalho capitalista, com o assalariamento e a exploração da mais-valia, proporcionou um avanço tecnológico que ficou conhecido como Revolução Industrial. Ela ocorreu inicialmente na Inglaterra a partir do século XVIII, expandindo-se para os países da Europa Ocidental e EUA no século seguinte, alcançando toda a superfície do planeta no século XX.

A necessidade de exploração da mais-valia para a produção de capital e sua acumulação levou ao fortalecimento das relações sociais de produção capitalista. No aspecto econômico, ela resultou no desenvolvimento industrial, tecnológico e de meios de comunicação, bem como na integração entre as várias unidades de produção e os locais de venda para garantir a realização das trocas de mercadorias. Resultou ainda na criação do sistema financeiro, que deu às instituições bancárias o controle sobre a circulação de capital e do dinheiro.

Mas as relações sociais de produção capitalista em desenvolvimento necessitavam de que o Estado fosse reestruturado para garantir a exploração da mais-valia. Houve a necessidade de uma nova conformação política da sociedade para que as relações sociais de produção se desenvolvessem com mais liberdade. O principal evento que marcou essa nova conformação política foi a Revolução Francesa de 1789, que através de uma ação violenta criou as instituições clássicas do capitalismo, como o parlamento, os códigos jurídicos, um exército moderno e a constituição de um poder executivo. Essa seria a estrutura política clássica do capitalismo.

Ao longo do século XIX e início do século XX, o desenvolvimento do capitalismo levou a uma intensa concentração de capital, com a criação de grandes conglomerados econômicos; à transformação de um grande contingente de pessoas em trabalhadores assalariados e ao surgimento de inúmeros países, que pretendiam criar as condições para o desenvolvimento capitalista em suas fronteiras. Dessa expansão resultou ainda o colonialismo e a I Guerra Mundial, já no século XX.

Por outro lado, a exploração da mais-valia provocou a miséria de um número crescente de trabalhadores, que passaram a lutar por melhorias em suas condições de vida e trabalho. Para isso, criaram sindicatos e diversas formas de associação de trabalhadores (cooperativas, comitês de fábrica etc.) através dos quais lutavam pela garantia de direitos. Com o acúmulo de experiências, os trabalhadores passaram também a perceber a necessidade de alcançar o poder político e econômico, no Estado e nas empresas, para que a exploração da mais-valia fosse extinta. Com isso, conquistaram o direito ao voto, o direito de organização e o direito de greve.

Como foi necessária uma ação violenta para que o capitalismo constituísse suas estruturas econômicas e políticas, aos trabalhadores também foram necessárias ações violentas de tomada do poder. No início do século XX, revoluções contra o capitalismo ocorreram em alguns países, alcançando maior fama a Revolução Russa de 1917. Depois de afastarem os inimigos, os revolucionários russos vitoriosos anunciaram a construção do socialismo, o que seria uma forma de organização social antagônica ao capitalismo. O principal caminho para essa construção passaria pelo controle que o Estado teria sobre o mercado de troca de mercadorias, planejando toda a produção econômica da sociedade e organizando de acordo com esses preceitos todos os demais âmbitos sociais.

Uma nova guerra mundial, agora a segunda, levaria o mundo a se dividir entre os países capitalistas e os países ditos socialistas, os primeiros eram adeptos ao livre mercado e os segundos eram defensores de um controle do Estado sobre a economia.

O planejamento econômico pelo Estado era apontado como o contrário do mercado capitalista, no qual o interesse empresarial privado imperava, existindo uma livre troca, de acordo com os interesses de seus agentes. Essa situação impedia uma racionalização da produção. Além disso, o Estado como proprietário dos meios de produção levaria ao fim da exploração da mais-valia, já que não haveria apropriação privada do trabalho não pago. O Estado se confundia com o interesse coletivo.

Mas o desenvolvimento histórico do capitalismo leva-nos a pensar se havia tanta diferença assim entre um e outro tipo de organização social. Os EUA, o país exemplar do capitalismo do livre mercado, conheceram uma forte interferência e planejamento do Estado após a década de 1930, como a recuperação dos estragos da crise econômica de 1929, atuando como agente ativo na concentração de capitais. A URSS, o símbolo do socialismo, manteve a exploração da mais-valia, agora não mais com os proprietários dos meios de produção, mas sim com gestores e uma burocracia partidária e estatal que controlava o trabalho de milhões de trabalhadores e se apropriava do trabalho não pago através dos privilégios decorrentes dos cargos que ocupavam no partido, nas empresas e no Estado.
Existem vários críticos que apontam os dois modelos como sendo duas formas de realização do capitalismo. De um lado um capitalismo formado por grandes empresas que controlam vários setores do mercado dito livre concorrencial, realizando, na verdade, um planejamento de mercado, em virtude do montante de capital acumulado. De outro, um capitalismo de Estado, no qual as instituições estatais controlam as empresas e planejam os mercados, principalmente através dos gestores dessas instituições. O elemento comum seria a permanência da exploração da mais-valia dos trabalhadores por burgueses e gestores (burocratas das empresas e do Estado), já que aqueles continuam afastados do controle dos meios de produção e da capacidade de decidir sobre a organização das relações sociais de produção.

Expansão Marítima Portuguesa

Expansão Marítima Portuguesa

Após a deflagração da Revolução de Avis, Portugal passou por um processo de mudanças onde a nacionalização dos impostos, leis e exércitos favoreceram a ascendência das atividades comerciais de sua burguesia mercantil. A prosperidade material alcançada por meio desse conjunto de medidas ofereceu condições para o investimento em novas empreitadas mercantis.
Nesse período, as principais rotas comerciais estavam voltadas no trânsito entre a Ásia (China, Pérsia, Japão e Índia) e as nações mercantilistas europeias. Parte desse câmbio de mercadorias era intermediada pelos muçulmanos que, via Mar Mediterrâneo, introduziam as especiarias orientais na Europa. Pelas vias terrestres, os comerciantes italianos monopolizavam a entrada de produtos orientais no continente.

A burguesia portuguesa, buscando se livrar dos altos preços cobrados por esses intermediários e almejando maiores lucros, tentaram consolidar novas rotas marítimas que fizessem o contato direto com os comerciantes orientais. Patrocinados pelo interesse do infante Dom Henrique, vários navegadores, cartógrafos, cosmógrafos e homens do mar foram reunidos na região de Sagres, que se tornou um grande centro da tecnologia marítima da época.

Expansão Marítima Portuguesa

Em 1415, a Conquista de Ceuta iniciou um processo de consolidação de colônias portuguesas na costa africana e de algumas ilhas do Oceano Atlântico. Esse primeiro momento da expansão marítima portuguesa alcançou seu ápice quando os navios portugueses ultrapassaram o Cabo das Tormentas (atual Cabo da Boa Esperança), que até então era um dos limites do mundo conhecido.

É interessante notar que mesmo com as inovações tecnológicas e o grande interesse comercial do mundo moderno, vários mitos Antigos e Medievais faziam da experiência ultramarina um grande desafio. Os marinheiros e navegadores da época temiam a brutalidade dos mares além das Tormentas. Diversos relatos fazem referência sobre as temperaturas escaldantes e as feras do mar que habitavam tais regiões marítimas.

No ano de 1497, o navegador Vasco da Gama empreendeu as últimas explorações que concretizaram a rota rumo às Índias, via a circunavegação do continente africano. Com essa descoberta o projeto de expansão marítima de Portugal parecia ter concretizado seus planos. No entanto, o início das explorações marítimas espanholas firmou uma concorrência entre Portugal e Espanha que abriu caminho para um conjunto de acordos diplomáticos (Bula Intercoetera e Tratado de Tordesilhas) que preestabeleceram os territórios a serem explorados por ambas as nações.
O processo de expansão marítima português chegou ao seu auge quando, em 1500, o navegador Pedro Álvares Cabral anunciou a descoberta das terras brasileiras. Mesmo alegando a descoberta nessa época, alguns historiadores defendem que essa descoberta foi estabelecida anteriormente. Anos depois, com a ascensão do processo de expansão marítima de outras nações europeias e a decadência dos empreendimentos comercias portugueses no Oriente, as terras do Brasil tornaram-se o principal foco do mercantilismo português.

Burguesia | Conceitos de Burguesia

Burguesia | Conceitos de Burguesia

Surgida como um corpo estranho e de difícil integração na estrutura jurídica do feudalismo, a burguesia assumiu no correr dos séculos uma crescente importância histórica, cuja consequência foi o desmoronamento do sistema feudal e uma profunda transformação da atividade e do pensamento humanos.
Origens históricas. O termo burguês designava na Idade Média quem, nas velhas cidades europeias, burgos, se dedicava ao artesanato e, sobretudo, às atividades comerciais. Do ponto de vista das relações jurídicas da sociedade medieval, o termo se aplicava a pessoas cuja condição não dependia de sua relação com a terra, isto é, que não integravam o grupo dos senhores nem o dos servos. Com o tempo, o setor mais rico e poderoso desse grupo social atingiu relativa independência e passou a ocupar uma posição intermediária entre a nobreza e o povo.

Burguesia | Conceitos de Burguesia

Os capitais acumulados em um comércio cada vez mais desenvolvido reforçaram a autonomia dessa classe diante dos reis e senhores feudais, dando lugar às primeiras formas de capitalismo urbano e consolidando a autonomia das cidades, cujos governos já se encontravam nas mãos dos burgueses mais poderosos. Esse processo ocorreu em toda a Europa, porém com maior intensidade na Alemanha, França, Itália e Países Baixos.

A partir do Renascimento, a burguesia enriqueceu a ponto de conceder aos reis e à alta nobreza créditos substanciais que lhes asseguraram o êxito de suas ambições bélicas e políticas. Assim, foi uma célebre família de banqueiros alemães, os Fugger, que financiou a campanha de Carlos I da Espanha pelos votos dos príncipes eleitores alemães que o elegeram monarca do Sacro Império Romano-Germânico, com o nome de Carlos V.

Com os grandes descobrimentos e a abertura das rotas comerciais para o Oriente e para o Ocidente nos séculos XV e XVI, a burguesia viu crescer seu poder e suas riquezas. As rígidas estruturas feudais que continuavam mantendo o arcabouço jurídico do absolutismo, eram, porém, um obstáculo à realização de seus interesses básicos. Assim, a burguesia assumiu a liderança na luta contra o chamado antigo regime e, com o triunfo da revolução francesa, pôs termo à ordem feudal.

Triunfo da burguesia. A revolução industrial, iniciada na Grã-Bretanha no século XVIII, associou os interesses da burguesia ao desenvolvimento industrial, identificando burguesia com capitalismo. A progressiva necessidade de mão-de-obra para as novas indústrias redundou na proletarização crescente dos camponeses e artesãos. A sociedade dividiu-se em burgueses - donos dos meios de produção - e proletários, que possuíam apenas sua força de trabalho.

Em oposição à sociedade feudal cujos membros, em função do nascimento, se achavam divididos entre privilegiados e não privilegiados, a nova sociedade pretendia ser igualitária, sendo a posição de seus integrantes determinada pelo mérito pessoal. Mas esse princípio não prevaleceu. A riqueza substituiu os privilégios feudais como principal meio de galgar posições na nova sociedade. Concretizados seus objetivos, a burguesia abandonou a liderança da luta em prol dos ideais revolucionários -- liberdade, igualdade, fraternidade -- dedicando-se basicamente à defesa de seus interesses. Surgiram, assim, as novas ideologias e os movimentos socialistas, e o termo burguesia adquiriu um sentido pejorativo que se conservou até os nossos dias.
Oposição burguesia-proletariado. Desde seu aparecimento em meados do século XIX, o pensamento marxista baseou-se na radical oposição social, econômica e ideológica entre a burguesia e o proletariado, e viu nessa oposição o estágio histórico preparatório do desaparecimento da primeira e o advento de uma sociedade sem classes. Todavia o século XX iria presenciar o desenvolvimento de uma poderosa classe média que não apresentava as características atribuídas pelo marxismo ao proletariado - paupérrimo e indefeso - e à burguesia - exploradora e acumuladora de capital. Essa evolução deu lugar a novas teorias que levam em conta a progressiva complexidade das sociedades modernas.

Crise do Mercantilismo e do Absolutismo

Crise do Mercantilismo e do Absolutismo

Crise do Mercantilismo e do Absolutismo

No decorrer do século XVIII, o absolutismo e o mercantilismo (sistema político e econômico que causou a expansão marítima e a exploração colonial) sofreram uma forte crise em razão da ascensão dos ideais propagados pelos intelectuais iluministas (principalmente o Liberalismo político e econômico).

O absolutismo, no âmbito da política, configurou-se como sistema político que considerava o poder real como tendo uma origem divina. Na economia, o sistema mercantilista embargou a produção e o crescimento da produção dos principais países europeus que haviam passado pelo processo de industrialização (França e Inglaterra).

Juntamente com a ascensão iluminista, cresceu o descrédito ao absolutismo. O filósofo francês Voltaire (1694-1778), por exemplo, era um árduo crítico à ideia do direito divino dos reis. Ele defendia limites ao poder do monarca e contestava a autoridade do clero.

No mercantilismo, a burguesia angariava novos mercados para a venda de seus produtos industrializados, isto é, ela desejava obter liberdade comercial, acabando, assim, com a exclusividade comercial, com o sistema de monopólios e com o Pacto Colonial, próprios da economia mercantilista.
Naquele contexto histórico, com a ascensão das ideias iluministas e da industrialização, o mercantilismo se constituiu como obstáculo ao progresso das atividades econômicas, ou seja, ao desenvolvimento econômico das nações.

A principal proposta de rompimento com o absolutismo monárquico partiu do aristocrata, jurista e filósofo francês Montesquieu (1689-1755). Na sua obra, o Espírito das Leis, ele defendeu e formulou a teoria da distinção e da separação de poderes em Executivo, Legislativo e Judiciário, fato que distinguiu as democracias contemporâneas tendo como marco inicial a independência dos Estados Unidos.

Contudo, no século XVIII as formas de governar pautadas no absolutismo e os princípios econômicos baseados no mercantilismo foram questionados pelo movimento que ascendia naquele contexto: o iluminismo. Somente no final do século XVIII, o mercantilismo e o absolutismo entraram um uma crise sem retorno e foram substituídos pelo liberalismo político e econômico.

Ascensão do Império Otomano

Ascensão do Império Otomano

Ascensão do Império Otomano

A ascensão do Império Otomano ocorreu entre os séculos XIV e XV, na região da Anatólia, ou Ásia Menor, a partir de constantes guerras contra o Império Bizantino.

O Império Otomano foi um dos mais duradouros e poderosos impérios da história da humanidade. Esse império teve início em 1299 e só entrou em declínio após a Primeira Guerra Mundial, no início da década de 1920. Sabemos também que, apesar de não ter sido fundado por árabes, a sua característica principal foi a de ter sido uma potência muçulmana intercontinental. Mas como ocorreu a ascensão desse império? Bem, para compreendermos esse acontecimento, é necessário saber um pouco sobre a história dos povos turcos e como eles se converteram ao islamismo.

Os turcos pertencem a um grupo etnolinguístico de povos nômades, que migraram do extremo norte do continente asiático em direção ao sudeste asiático, bem como em direção ao Oriente Médio e à região do Cáucaso. No Oriente Médio, por volta do século IX, quando a civilização islâmica estava em plena expansão, os turcos entraram em contato com os árabes islamizados e, progressivamente, foram sendo convertidos ao Islã.

Esses turcos islamizados desenvolveram uma dinastia específica dentro do Islã, conhecida como seljúcida. Os seljúcidas criaram um califado no Oriente Médio, com sede em Bagdá, ao qual estiveram vinculados muitos sultanatos islâmicos. O grande líder seljúcida foi Tughril, que governou de 1037 a 1063. Os sultanatos dos seljúcidas espalhavam-se pelos três continentes do mundo antigo: o asiático, o europeu e o africano. Um desses sultanatos foi fundado no fim do século XIII, no ano de 1299, na região da Anatólia (ou Ásia Menor), atual Turquia. O criador desse sultanato chamava-se Osman de Sogut (1280-1326).

A dinastia de Osman ficou conhecida pelo nome de Osmanli, em turco, ou Othman, em árabe. Daí deriva a expressão “otomano”, que ficou associada ao império construído por tal dinastia. No século XIV, os otomanos (ou turcos-otomanos) conseguiram promover intensas campanhas militares na região do Cáucaso e na Ásia Menor, tendo como alvo principal o Império Bizantino, cuja sede era Constantinopla. Em pouco tempo, grande parte das cidades que antes estavam sob influência bizantina passou para o domínio otomano.

No século XV, sob a liderança do sultão Mehmed II, os otomanos conseguiram invadir e subjugar Constantinopla, que caiu em 1453 e foi convertida em capital otomana, tendo seu nome mudado para Istambul (o qual permanece até hoje). A partir de Constantinopla, os sucessores de Mehmed II conseguiram criar um império intercontinental e logo se proclamaram califas (líderes máximos espirituais) de todo o mundo islâmico, que passou a ser por eles controlados nos quatro séculos que se seguiram.

Revolução Científica do Século XVII

Revolução Científica do Século XVII

Revolução Científica do Século XVII
Um dos acontecimentos mais importantes da Idade Moderna é a Revolução Científica do século XVII, operada sobretudo pela grande figura de Galileu Galilei.

O que entendemos hoje por “ciência” remete a um conjunto de fatores, mas os principais são: 1) aplicação técnica (o que chamamos de tecnologia) e 2) formulação teórica. Essa concepção de ciência começou a ser elaborada desde o fim da Idade Média, mas só atingiu sua primeira configuração sólida no século XVII, principalmente com Galileu Galilei. Esse momento da história do pensamento científico é chamado por alguns pesquisadores de Revolução Científica do século XVII.

Para se entender o motivo de o século XVII ter sido tão revolucionário para a história do pensamento científico (tal como foi o século XX com a mecânica quântica), é necessário saber o que se entendia por “ciência” até então e quais foram os elementos que apareceram na Modernidade e que contribuíram para tal revolução.

Na Grécia Antiga e durante uma boa parte da Idade Média, a ciência (que os gregos denominavam de episteme) era um tipo de conhecimento voltado para a descrição dos fenômenos terrestres e para a identificação da relação entre eles e os fenômenos de ocorrência nas esferas celestes, ou o “cosmos harmônico”. Havia ainda a preocupação com a relação entre esses fenômenos com os princípios metafísicos, dispostos sob os conceitos de “substância”, “ato”, “potência”, “acidente”, entre outros.

A partir da Alta Idade Média, mas, sobretudo, nos séculos XV e XVI, quando emergiu na Europa o Renascimento Cultural, uma nova concepção de mundo ou de “cosmos” passou a surgir. Essa nova concepção, nos termos em que o historiador da ciência Alexandre Koyré se expressa, não é mais aquela do “cosmos harmônico e fechado” das esferas celestes, elaborado por Aristóteles, mas o Universo Infinito, que seria explicado por Kepler, Galileu, Titcho Brahe e Newton.

O universo visto como algo que pode ser explicado, e mais, explicado matematicamente, era algo completamente radical para a época. O papel de Galileu na sistematização dessa concepção revolucionária foi decisivo, já que ele foi um dos primeiros a aperfeiçoar instrumentos técnicos, como o telescópio, para melhor observação dos fenômenos. Foi Galileu Galilei quem deu um novo rumo às pesquisas sobre o movimento, com a elaboração da lei da inércia, e recuperou as teses de Copérnico sobre a translação terrestre. Essa última investida de Galileu comprometeu-o, já que, católico, teve que explicar sua teoria a um tribunal da Inquisição (ver imagem no topo).

A junção entre observação, experimentação e formulação de uma explicação teórica e matemática — explicação essa que pode resultar na construção de artefatos tecnológicos capazes de medir e calcular o fluxo dos fenômenos naturais e também manipular a própria natureza, constitui o alicerce da ciência moderna, que se forjou sob o signo da Revolução Científica do século XVII.

Império Babilônico na Mesopotâmia e Nabucodonosor

Império Babilônico na Mesopotâmia e Nabucodonosor

Reinado de Nabucodonosor  - Após a morte de Hamurabi, a Babilônia perdeu força e foi invadida e conquistada por diversas tribos da região. Voltou a ganhar poder e importância somente no século VI AC, durante o reinado de Nabucodonosor. Este rei retomou as conquistas e ampliou as áreas de domínio e influência. Ordenou a construção de muralhas em volta da cidade. Dentro das muralhas foram construídos diversos templos e palácios luxuosos, decorados com pinturas e jardins. Para sua esposa, Nabucodonosor ordenou a construção dos famosos Jardins Suspensos da Babilônia (uma das sete maravilhas do mundo antigo).



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Civilização Maia e Seu Domínio na América Central

Civilização Maia e Seu Domínio na América Central

Civilização Maia e Seu Domínio na América CentralA Civilização Maia foi uma das mais complexas a viver na América antes da chegada dos conquistadores europeus. Ocupou uma região da América Central, em locais que correspondem hoje à planície de Iucatã, no México, e aos territórios da Guatemala, de Belize e de Honduras. Não é possível realizar uma datação exata da origem dos povos maias, mas os registros mais antigos datam do século I a.C., conhecendo a civilização seu apogeu econômico, cultural e militar entre os séculos III e XI. Quando os espanhóis chegaram à região no século XVI, a civilização maia já se encontrava em declínio.

A sociedade maia se baseava economicamente na agricultura do milho, produção realizada por camponeses que viviam nos arredores das cidades-Estado. Em relação à forma de organização do trabalho, esses camponeses estavam submetidos a uma espécie de servidão coletiva, sendo o produto do trabalho, realizado servilmente, apropriado pelos grupos sociais dominantes, compostos principalmente por guerreiros e sacerdotes, reproduzidos através de critérios de hereditariedade.

Essas características davam um caráter teocrático à organização política dos maias. O prestígio desses guerreiros e sacerdotes possivelmente estava ligado às suas ações de guerra e captura dos vencidos, utilizados muitas vezes em sacrifícios nos rituais religiosos. O comando desses grupos sociais dominantes cabia ao Halach Uinic, uma figura política que centralizava as funções de contatos externos e controle interno das populações, principalmente a administração das cidades-Estado e a cobrança de impostos.

Cidades-Estado como Palenke, Tikal, Copan, El Tajin (atual Vera Cruz), Xochicalco (atual Morelos) e Colula (atual Puebla) se transformaram em centros urbanos da civilização maia, deixando como registros suntuosos palácios e templos religiosos, onde a população adorava uma infinidade de deuses ligados a elementos da natureza, como a chuva, o sol, o milho, a lua etc.

Apesar de ter contado em seu auge com uma população de aproximadamente dois milhões de habitantes, os registros escritos da cultura maia foram quase totalmente destruídos, o que impede um conhecimento mais amplo sobre essa civilização. Entretanto, sabe-se da existência de um sistema de escritas baseadas em hieróglifos, mas que ainda não foram totalmente decifrados.

Porém, uma série de outros aspectos culturais é de conhecimento dos estudiosos dessa civilização. Destacam-se os conhecimentos na matemática, criando sistemas de cálculos e de expressão numérica nos quais a noção do zero exercia uma função de enorme importância. Esse tipo de conhecimento matemático permitiu também o desenvolvimento de um apurado conhecimento astronômico, levando à elaboração de complexos calendários, como o Tzolkin, o calendário religioso de 260 dias, e o Haab, o calendário civil de 365 dias, divididos em 18 meses de 20 dias, sendo cinco dias adicionais.

Civilização Maia

Utilizados combinadamente, esses calendários foram as formas mais precisas de acompanhamento do tempo da natureza já construídas pelos homens. Esses calendários possibilitaram ainda aos maias acompanharem movimentos celestes de milhares de anos, bem como os eclipses e os movimentos planetários.

Entretanto, quando os espanhóis chegaram à América Central, a civilização maia já estavam em franco declínio, com suas cidades-Estado arruinadas, cujas causas ainda são desconhecidas. Tal situação pode estar relacionada ao fortalecimento de outras civilizações da região, como os toltecas e os astecas, que possivelmente subjugaram os maias.

Rebelião Túpac Amaru

Rebelião Túpac Amaru

Rebelião Túpac Amaru

A instalação do sistema colonial hispânico na América foi marcada por um processo massivo de eliminação de boa parte das populações indígenas que aqui viviam. No entanto, conforme assinalado pelo poeta chileno Pablo Neruda, a “cruz”, a “espada” e a “fome” não foram suficientes para encerrar as resistências da população indígena frente ao colonizador espanhol. No século XVIII, a infiltração das ideias iluministas e liberais só vieram a potencializar essa relação de conflito entre índios e espanhóis.

Ao mesmo tempo, não podemos criar uma ideia absoluta de que toda a população indígena era radicalmente contra o processo de dominação espanhola. Para ampliar a mão-de-obra disponível, muitos colonizadores empreendiam acordos com as lideranças indígenas locais. Os chamados caciques ou curacas, líderes máximos das comunidades indígenas, eram acionados pelos espanhóis para garantir a dominação sobre uma determinada população nativa.

Em troca do apoio ao colonizador espanhol, o curaca recebia parte dos impostos arrecadados ou a não obrigação do trabalho compulsório impostos pelos espanhóis. Dessa forma, os colonizadores vislumbravam manter as estruturas da dominação colonial sem a necessidade de empreender uma desgastante luta, que na verdade ia contra os interesses coloniais ao exigir gastos na organização de tropas ou na própria diminuição da mão-de-obra disponível.

No entanto, no ano de 1780, um líder curaca chamado José Gabriel Condorcanqui se indispôs aos interesses das elites metropolitanas. Dizendo ser descendente do lendário líder inca Túpac Amaru, conhecido por resistir ao início da dominação espanhola na América, Condorcanqui liderou uma insurreição indígena no Peru. Sendo uma grande exceção entre as populações indígenas da região, Condorcanqui estudou na Universidade de São Marcos (Lima, Peru) e lá teve contato com a história de Túpac Amaru e com ideais do pensamento iluminista.

Inspirado por essas ideias, Condorcanqui mudou seu nome para Túpac Amaru II e organizou um movimento emancipacionista que contou com o apoio da elite criolla. A rebelião começou em 1780, com a execução de um dos chefes espanhóis da administração colonial. Em pouco tempo, milhares de mestiços, indígenas, escravos e colonos empobrecidos decidiram não mais obedecer às exigências e tributos da Coroa Espanhola.

A popularização dos ideais da rebelião Túpac Amaru começava a representar uma ameaça real aos interesses das elites criollas. Com isso, o movimento acabou se desintegrando e perdendo sua articulação política. Túpac Amaru II foi preso e julgado pelas autoridades metropolitanas. Servindo de exemplo para as demais populações indígenas, Tupac teve a língua cortada e teve seu corpo arrastado por uma tropa de cavalos. Depois do episódio, outras lutas sangrentas resultaram na execução de 80 mil rebeldes.

Ânfora, Recipiente de Forma Ovóide

Ânfora, Recipiente de Forma Ovóide

#Ânfora, Recipiente de Forma OvóideÂnfora é um recipiente de forma ovóide, dotado de duas asas, boca geralmente estreita e alongada, e fundo pontiagudo (para ser enterrado na areia), ou terminado num pé cônico. Com diferentes características, esses recipientes proliferaram em numerosas culturas, desde a grega e a romana até a islâmica, já na Idade Média, e normalmente eram destinados à conservação e ao transporte de grãos, azeite e outros produtos. Em alguns períodos históricos - entre os mais significativos, cabe mencionar o baixo Império Romano -, eram utilizadas como urnas funerárias, para guardar as cinzas dos mortos. Vasos desse tipo, profusamente decorados, foram descobertos em numerosos sepulcros romanos, datados entre os séculos I e IV da era cristã.

As ânforas constituem um testemunho valioso e uma importante referência cronológica, já que sua ampla variedade de formas e decorações permite estabelecer com precisão a época e a civilização de que procedem.

Em acepção particular, delimitada à cultura grega, o conceito de ânfora costuma ser associado ao de vaso, diferenciando-se a ânfora de colo (pescoço), com um estreitamento na parte superior, e a ânfora de uma só peça. Ambas apresentam a decoração característica dos vasos gregos; as primeiras datam do chamado período geométrico (em torno de 900 a.C.), e as segundas do século VII a.C. Tanto a cultura grega como a romana utilizaram medidas de capacidade chamadas ânforas: a ática correspondia a cerca de 39 litros, e a romana a 25,3.

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Ciência, História e Classificação das Ciências

Ciência, História e Classificação das Ciências 

Ciência, História e Classificação das Ciências

Em termos gerais, ciência se confunde com qualquer saber humano. Em sentido estrito, define-se ciência como as áreas do saber voltadas para o estudo de objetos ou fenômenos agrupados segundo certos critérios e para a determinação dos princípios que regem seu comportamento, segundo uma metodologia própria.

Tão antiga quanto a própria existência do homem é sua inquietude diante da percepção e da compreensão dos objetos e dos fenômenos que o cercam. As noções sobre astronomia, geometria e física herdadas de antigas civilizações, como a Suméria, a egípcia, a babilônia e a grega, constituem o alicerce do pensamento científico contemporâneo.

Origem das ciênciasEm última instância, a origem da ciência radica na capacidade de raciocínio do homem e em sua disposição natural para observar. Os primeiros seres humanos se deixaram fascinar pelo espetáculo oferecido pelos astros e, após observação contínua de sua movimentação, perceberam certa regularidade nos ciclos solar e lunar e na passagem periódica de cometas. A primeira grande conquista científica foi, portanto, a constatação de que certos fenômenos se repetem.

A imitação da natureza e a necessidade de superá-la e dominá-la, as inovações técnicas exigidas por cada sociedade para satisfazer seus interesses bélicos e comerciais e o prazer intelectual do conhecimento foram fatores decisivos no desenvolvimento inicial da ciência. Cada etapa da evolução científica esteve impregnada da filosofia de seu tempo e, em algumas épocas, houve grande empenho em justificar teoricamente certas concepções políticas ou teológicas. O conflito ideológico entre ciência e religião, ou entre ciência e ética, foi um traço marcante de muitas civilizações ao longo da história.

O vertiginoso avanço científico verificado nos séculos XIX e XX favoreceu o aparecimento de correntes de pensamento que pretendiam substituir os preceitos morais pelos princípios da ciência. Esse propósito, no entanto, viu-se prejudicado pelas questões éticas levantadas pela utilização das descobertas científicas. Embora na maior parte dos casos os estudos científicos não suscitem problemas metafísicos e proporcionem bem-estar e progresso, comprovou-se que podem converter-se em poderoso instrumento de destruição quando postos a serviço da guerra. O aproveitamento da energia nuclear para fins militares toldou em parte o ideal científico racionalista.

Por outro lado, surgiram recentemente outras questões polêmicas, envolvendo a engenharia genética, sobretudo no que se refere à manipulação das primeiras fases da vida humana, com a inseminação artificial, a fecundação in vitro, o congelamento de embriões e a possível produção de clones humanos.

Classificação das ciênciasA ambição de saber própria do ser humano fez aumentar de tal forma o volume do conhecimento acumulado que este supera em muito o saber particular de cada indivíduo, tornando necessária a criação de sistemas de ordenação e classificação. O próprio conceito de ciência e sua evolução histórica trazem a necessidade de estipular a área de conhecimento que compete a cada disciplina científica. Criou-se assim a taxionomia, ou teoria da classificação, disciplina independente que determina o objeto de cada área do conhecimento científico.

Classificação das ciências
Aristóteles formulou uma primeira classificação que distinguia três grupos: o das ciências teóricas (física, matemática e metafísica), o das ciências práticas (lógica e moral) e o das ciências produtivas (arte e técnica). Entre os muitos métodos classificatórios menciona-se especialmente o do físico francês André-Marie Ampère, do início do século XIX, segundo o qual as ciências se dividiam em duas áreas: as chamadas ciências cosmológicas (subdivididas em cosmológicas propriamente ditas e fisiológicas), que estudavam a natureza, enquanto as ciências noológicas (subdivididas em noológicas propriamente ditas e sociais) referiam-se aos raciocínios abstratos e às relações dos seres humanos em sociedade.

Embora se haja mantido a pluralidade de critérios no que se refere à ordenação científica, a tendência moderna é definir várias áreas de conhecimento e englobar em cada uma delas múltiplas disciplinas. O conjunto das ciências exatas agrupa a matemática, a  física e a química. As ciências biológicas ocupam-se do estudo dos seres vivos em diversos níveis (celular, de tecidos, de órgãos etc.) e compreendem grande número de disciplinas, como a botânica, a zoologia, a genética, a ecologia etc. Uma terceira área de conhecimento agrupa as ciências geológicas e geográficas, que tratam dos fenômenos relativos à Terra, e as astronômicas, relacionadas ao cosmos. Em outra esfera situam-se as ciências médicas, também muito diferenciadas, e um quinto segmento engloba as ciências sociais (economia, sociologia, demografia etc.).

As diversas disciplinas podem também classificar-se em dois grandes grupos, segundo seu objeto seja puramente científico, sem finalidade prática imediata (a chamada pesquisa de ponta) ou integrem a área das ciências aplicadas, como as pesquisas tecnológicas que se desenvolvem nas áreas mais especializadas da engenharia, arquitetura, metalurgia e muitas outras.

História da Ciência História da CiênciaAdmitindo-se a curiosidade e a ânsia de conhecer como qualidades inatas do gênero humano, pode-se afirmar que o nascimento da ciência deu-se com as primeiras observações dos homens primitivos, antes mesmo que fosse inventada a escrita.

Primeiras civilizaçõesAlguns monumentos megalíticos, como o cromlech de Stonehenge, na Inglaterra, são testemunho de que os europeus pré-históricos possuíam noções de astronomia e geometria muito superiores às que lhes foram atribuídas durante séculos.

Os primeiros centros importantes de irradiação científica localizaram-se na China, na Índia e no Oriente Médio

A sabedoria e a técnica chinesas superaram as ocidentais durante quase toda a antiguidade. Os sábios chineses mediram fenômenos celestes em tempos muito remotos e progrediram extraordinariamente na alquimia, na medicina e na geografia, apoiados por seus governantes. Os indianos, mais interessados em questões metafísicas, desenvolveram muito a matemática e deram ao mundo moderno o sistema de numeração, transmitido e aperfeiçoado pelos árabes. No Egito prestava-se mais atenção à resolução de problemas técnicos, enquanto na Mesopotâmia os caldeus e babilônios dedicaram-se sobretudo à astronomia e à matemática, além de aperfeiçoarem as técnicas de irrigação e construção de canais.

Cultura grega O surgimento de uma cultura como a grega, isenta de misticismo exacerbado e onde os deuses eram mais sobre-humanos que divinos, deu lugar aos primeiros modelos racionalistas. Sua filosofia foi a mais importante da antiguidade e serviu de modelo à ciência teórica, baseada na educação e não na experiência, conhecida como filosofia natural. A tradição helênica consagrou Tales, que viveu em Mileto, cidade grega da Anatólia ocidental, no século VI a.C., como o primeiro representante dessa corrente de pensamento. Tales procurou a ordem universal (kosmos em grego significa ordem) mediante a determinação dos elementos fundamentais que compõem o mundo e considerou o destino como motor dos corpos, que se encaminham naturalmente para seu próprio fim. Não deixou escritos, mas discípulos transmitiram e complementaram suas teorias. Chegou-se assim à suposição de que todos os corpos conhecidos se formavam dos quatro elementos: terra, fogo, água e ar.

Fundamental para a ciência grega foi o pensamento de Pitágoras, um dos primeiros a medir fenômenos físicos. Estabeleceu ele as leis acústicas pelas quais se relacionam as notas musicais e aplicou a mesma teoria à disposição dos planetas, do Sol, da Lua e das estrelas no firmamento: esses corpos celestes girariam em volta da Terra em sete esferas concêntricas.

A síntese do pensamento grego veio com Aristóteles, cuja preocupação foi manter a concepção espiritualista de seu mestre, Platão, integrando-a, porém, numa explicação científica do mundo físico. Aristóteles adotou o modelo de esferas concêntricas de Pitágoras. Seus acertos na classificação dos seres vivos foram excepcionais, embora, por falta de conhecimentos matemáticos suficientes, tenha enunciado teorias físicas que, devido ao enorme prestígio que conquistaram na Idade Média, constituíram mais entrave do que benefício na história da ciência. Destaca-se também a figura de Arquimedes, que, discípulo do matemático Euclides, descobriu importantes leis da hidrostática, as roldanas e a alavanca.

As teorias gregas, que atribuíam ao mundo físico os ideais de beleza e perfeição plasmados em suas esculturas, viram-se seriamente abaladas depois da conquista da Mesopotâmia por Alexandre o Grande, pois os cálculos e medidas astronômicas dos caldeus puseram a descoberto falhas e incoerências nos modelos cósmicos aristotélicos. Mais tarde, Ptolomeu conseguiu reduzir as discrepâncias adotando o sistema geocêntrico, que situava a Terra no centro do universo.

A medicina grega atribuía causas naturais a todas as doenças. Hipócrates, estudioso da anatomia e do corpo humano, é considerado o pioneiro da medicina, embora esta tenha chegado ao apogeu na época helenística alexandrina. Destacaram-se então os estudos de Galeno de Pérgamo, que descobriu as veias, as artérias e os nervos, aos quais caberia propagar a energia vital pelo corpo.

Roma, Islã e cristianismo medieval O esplendor da ciência de Arquimedes e Euclides coincidiu com o estabelecimento do poder romano no Mediterrâneo. Os romanos limitaram-se a preservar os estudos dos gregos e preferiram resolver problemas de engenharia e arquitetura. Com a decadência e queda do Império Romano, os textos da antiguidade clássica praticamente desapareceram na Europa. A expansão do cristianismo, que se produziu nos últimos séculos do Império Romano, deu novo alento às interpretações espirituais e teológicas do mundo. Somente os mosteiros serviram de refúgio para a ciência antiga, pois neles os monges fizeram cópias manuscritas e comentários dos livros salvos dos saques promovidos pelas tribos germânicas que invadiram o continente.

A civilização árabe assimilou o acervo cultural do Ocidente e transmitiu o saber antigo à cristandade pela ocupação da península ibérica. Traduziram a obra de Aristóteles e de outros filósofos, fizeram progressos na medicina, na astronomia e na alquimia e inventaram a álgebra. Nesse contexto, sobressaem as figuras de Averroés, tradutor e comentarista da obra aristotélica, e de Avicena, cujo Canon foi o texto básico de medicina durante toda a Idade Média.

A cultura cristã medieval submeteu todo o conhecimento ao enfoque teológico. Registraram-se, no entanto, alguns avanços tecnológicos notáveis. As pesquisas no campo da óptica atingiram grande desenvolvimento e a utilização de novas máquinas (como jogos de roldanas) e ferramentas (maças, cinzéis, rolos) permitiram aperfeiçoar os processos de construção e deram base técnica aos estilos arquitetônicos românico e gótico.

Revolução Científica e Revolução Industrial Revolução Científica e Revolução IndustrialA consolidação do estado como instituição, a intensificação do comércio e o aperfeiçoamento da tecnologia militar contribuíram para aumentar o interesse pelas realizações técnicas. O Renascimento, primeiro na Itália e depois no resto da Europa, contribuiu com uma visão mais completa dos clássicos da antiguidade e levou ao humanismo, que concebia o homem como imagem de Deus, capaz e digno de criar. O exemplo máximo de gênio criador do Renascimento foi Leonardo da Vinci, que se destacou como artista, inventor, engenheiro e perito em anatomia humana.

Os antigos modelos teóricos já não comportavam o volume gigantesco dos novos conhecimentos e, por isso, a maior parte das perguntas ficava sem resposta. Era preciso estabelecer um modelo básico e uma metodologia que servissem de orientação para os novos estudos. Esses recursos foram fornecidos por Copérnico, Galileu, Newton e outros cientistas, que tiveram de superar dois obstáculos de monta: as idéias e o prestígio de Aristóteles, muito arraigados no espírito medieval, e a hegemonia dos princípios defendidos pela igreja.

O heliocentrismo, modelo que situa o Sol no centro do universo, já fora usado por Aristarco de Samos na Grécia antiga. Não podendo ser confirmado pela experiência, foi superado pelo geocentrismo de Ptolomeu. Copérnico enfrentou o mesmo problema ao formular sua teoria heliocêntrica, embora apoiado pelos estudos e observações de outros astrônomos, como Tycho Brahe, Kepler e Galileu, que foi o primeiro a utilizar o telescópio.

A obra De humani corporis fabrica libri septem (1543; Sete livros sobre a organização do corpo humano), de Andreas Vesalius, aplicou um novo método ao estudo do corpo humano, que contestava Galeno em  algumas opiniões, até então tidas como irrefutáveis. A química, ainda centrada na análise da enorme quantidade de substâncias descobertas pelos alquimistas, só encontrou seu caminho científico moderno com Lavoisier, no século XVIII.

No século XVII, Newton publicou sua obra magna: Philosophiae naturalis principia mathematica (1687; Princípios matemáticos da filosofia natural), em que não só anunciava as leis fundamentais do movimento dos corpos e da gravitação universal, como apresentava um método de trabalho que se mostraria aplicável a muitas áreas científicas. Simultaneamente com Leibniz, Newton inventou o cálculo infinitesimal, que daria a seus sucessores um valioso instrumento matemático. Uma das conseqüências mais importantes das idéias e do método newtonianos manifestou-se no século XVIII, quando Coulomb enunciou uma lei análoga à lei de Newton para a mecânica, aplicável à eletricidade.
As ciências biológicas progrediram mais lentamente que as ciências técnicas. No século XVIII, porém, surgiu a primeira classificação rigorosa de animais e vegetais que se conhece desde a época de Aristóteles. Com ela, o sueco Carl von Linné, conhecido como Lineu, lançou as bases da taxionomia moderna na classificação botânica e zoológica.

Atomismo, Evolução e Relatividade Atomismo, Evolução e RelatividadeNo século XIX surgiu um novo enfoque das ciências, marcado de certa forma pela descoberta do mundo microscópico e pela formulação de modelos atômicos. A conexão entre as forças elétricas e magnéticas, corroborada por Oërsted e Faraday, deu origem a uma teoria unitária das modalidades físicas de ação recíproca que se mantém até hoje. Houve grandes progressos nos métodos matemáticos e, consequentemente, na formulação de complexos modelos teóricos. Joule e Helmholtz estabeleceram o princípio de conservação da energia e Helmholtz descobriu também a natureza eletromagnética da luz.

Com a teoria atômica de Dalton e o sistema periódico de Mendeleiev, a química consolidou seus princípios e seu método, enquanto a biologia teve grande impulso com os estudos de classificação realizados por Cuvier. Ainda no século XIX, o naturalista inglês Darwin provocou uma autêntica revolução, que durante muitos anos foi objeto de controvérsia, com a publicação do livro On the Origin of the Species by Means of Natural Selection (1859; A origem das espécies), onde se acha exposta a célebre teoria da evolução. Em 1838, Schwann e Schleiden lançaram as bases da teoria celular. Pouco depois, Pasteur e Koch estudaram a natureza dos germes microscópicos causadores das enfermidades e criaram as primeiras vacinas. As ciências sociais progrediram e deram nascimento à sociologia e à economia como disciplinas científicas e independentes.

O século XX principiou com a descoberta da radioatividade natural por Pierre e Marie Curie e o anúncio de novas doutrinas revolucionárias. A confirmação do conceito evolucionista das espécies e a extensão dessa ideia ao conjunto do universo, junto com a teoria quântica de Planck e a teoria da relatividade de Einstein, levaram a um conceito não-causal do cosmo, em que só é lícito adquirir conhecimento a partir de dados estatísticos, cálculos de probabilidade e conclusões parciais. Nada disso implica um retrocesso na validade do método científico, pois não se duvida que esse método assegurou enormes progressos tecnológicos, mas sim um reconhecimento, por parte da ciência, de sua incapacidade de dar respostas cabais sobre a natureza e a origem do universo.

Na segunda metade do século XX, os métodos de observação de alta precisão apresentaram notáveis progressos com o descobrimento do microscópio eletrônico, no qual as lentes foram substituídas por campos eletromagnéticos e a luz por um feixe de prótons, e dos microscópios de raios X e de ultrassom, com grande poder de resolução.

A reunião de disciplinas como a automação, destinada ao estudo e controle dos processos em que o homem não intervém diretamente, e a informática, ou conjunto de técnicas dedicadas à sistematização automática da informação, nasceram outras disciplinas como a robótica, que se ocupa do desenho e do planejamento de sistemas de manipulação a distância. Essa área de conhecimento teve aplicação, por exemplo, na astronáutica. Permitiu que o homem chegasse à superfície da Lua ou viajasse pelo espaço cósmico.

No campo da astronomia foram criadas disciplinas como a astronomia das radiações ultravioleta e infravermelha, dos raios X, gama e outros. Esses progressos se devem aos conhecimentos da física nuclear, que permitiram descobrir uma enorme quantidade de fenômenos e de corpos celestes, como os buracos negros, objetos astrais de densidade elevada e que não emitem radiação, e os quasares, objetos semelhantes às estrelas que emitem radiações de grande intensidade.

A ciência moderna tem-se esforçado para obter novos materiais e fontes de energia alternativas para o carvão e o petróleo. O progresso da técnica permitiu a fabricação de semicondutores e dispositivos eletrônicos que conduziram aos computadores modernos. O domínio dos processos atômicos e nucleares possibilitou a construção de centrais elétricas e instrumentos de precisão. A aplicação de novas tecnologias na medicina e o maior conhecimento do corpo humano e de seus mecanismos proporcionaram uma melhora apreciável nas condições de vida dos habitantes do planeta.

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