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Romantismo


Romantismo

RomantismoImpetuoso e vital, o romantismo surgiu como um movimento que privilegiava a subjetividade individual, em oposição à estética racionalista clássica, e representou a exaltação do homem, da natureza e do belo. Dá-se o nome de romantismo à tendência estética e filosófica que dominou todas as áreas de pensamento e criação artística de meados do século XVIII a meados do XIX. Como expressão do espírito de rebeldia, liberdade e independência, o romantismo propôs-se a descortinar o misterioso, o irracional e o imaginativo na vida humana, assim como explorar domínios desconhecidos para libertar a fantasia e a emoção, reencontrar a natureza e o passado.

O qualificativo "romântico" começou a ser usado, em inglês e francês, no século XVII, no sentido de "relativo a narrativa imaginosa", e aplicava-se a um tipo de forma poética -- o roman ou romant --, herdeira dos romances medievais e dos contos e baladas que floresceram na Europa nos séculos XI e XII. O fascínio pelo misterioso e sobrenatural e a atmosfera de fantasia e heroísmo que dominavam essas composições ampliaram o sentido do qualificativo, que, símbolo de uma nova estética, encontrou suas primeiras manifestações, eminentemente literárias, nos movimentos pré-românticos britânicos e alemães. A partir do fracasso das revoluções políticas de 1848 no continente, seus postulados entraram em decadência e o movimento terminou por se desagregar em ecletismo. A importância subjetiva da arte e das ciências no Ocidente acentuou-se a partir do declínio da sociedade medieval, estruturada sobre os dogmas da religião. A comprovação científica dos fatos substituiu o estabelecimento dogmático das verdades e o culto à arte tornou-se uma das principais alternativas de expressão da espiritualidade entre os intelectuais ocidentais. Filósofos e artistas como Hegel e Berlioz afirmaram que, para eles, a arte era uma religião. No período romântico, esse fervor aliou-se ao amor, à natureza e à idolatria de homens de gênio, cujo primeiro objeto foi Napoleão.

A mentalidade do homem do século XX formou-se com a marca dessas grandes rupturas explicitadas pelo romantismo. A reivindicação de total liberdade criadora e de expressão para o artista; a idéia da "arte pela arte", como depositária de verdades que não podiam ser contaminadas por interesses econômicos, políticos ou sociais; a ética do artista, que deveria agir de acordo com aquilo que sentia ser necessário comunicar aos outros homens; o desprezo pelas conveniências, pelo utilitarismo, pela monotonia da vida diária, são idéias já expressas em 1835 por Gautier, poeta romântico, no prefácio à novela Mademoiselle de Maupin e que, no final do século XX, norteavam ainda a identidade social do gênio artístico.

José de Alencar


José de Alencar


José de AlencarJosé Martiniano de Alencar nasceu em Mecejana, perto de Fortaleza, Ceará, em 1.º de maio de 1829. Com 1 ano de vida a família de Alencar se mudou para o Rio de Janeiro. Em 1840, ele estava matriculado no colégio de Instrução Elementar. Seis anos mais tarde Ingressa na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Em 1848, transferi-se para a Faculdade de Direito de Olinda. Dois anos depois se forma em Direito. Em 1854, inicia no Rio de Janeiro, sua colaboração no Correio Mercantil. E em 1856, começa a trabalhar como redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro. Publica as Cartas sobre a confederação dos Tamoios. Polêmica com Gonçalves de Magalhães. Estréia na ficção com o romance Cinco minutos. Em 1857, publica com grande repercussão O guarani, primeiro em folhetins, depois em livro. Três anos depois falece o pai do escritor – José Martiniano de Alencar -, que fora revolucionário e político influente. Em 1861, elege-se deputado. Reeleito em várias legislaturas subseqüentes. Em 1868 foi eleito Ministro da Justiça durante dois anos no Gabinete Conservado. Passado esses dois anos abandonou a carreira política, magoado com o imperador Pedro II. Vítima de tuberculose, viaja para a Europa, tentando curar-se. Falece no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877.

Este só foi um resumo da vida de JOSÉ DE ALENCAR vamos nos aprofundar na sua vida, nas suas belíssimas obras tanto em livros como em teatros, crônicas, etc. Vamos saber mais sobre JOSÉ DE ALENCAR, a época que viveu, a sua primeira paixão, o seu primeiro livro, etc. Garanto a você que vai ler este trabalho que a vida de Alencar é muito bonita e trágica como alguns de seus romances. Seus romances que vale a pena ler: são histórias belíssimas.

Alencar nasceu no reinado de Dom Pedro I e morreu no de Pedro II. Entre 1829 e 1877, datas de seu nascimento e morte, o romancista foi contemporâneo do Primeiro Reinado, dar Regências e do governo pessoal de Pedro II. Nascido em 1829, Alencar tinha apenas dois anos por ocasião da abdicação de Pedro I e onze anos quando Pedro II subiu ao trono. Foi, portanto, sob o governo de Pedro II que Alencar desenvolveu seus estudos de Direito e suas atividades profissionais, literários, jornalísticos e políticos, sendo, então, propriamente, um contemporâneo do Segundo Reinado.
De 1831 a 1840, o Brasil foi governado pelos regentes, isto é, por políticos que substituíam o imperador – menino: o futuro Dom Pedro II tinha apenas cinco anos quando Dom Pedro I abdicou.

Mais ou menos aos onze anos, por volta de 1840, o menino Alencar assistia a uma movimentação incomum pelos cômodos e corredores de sua casa, no Rio de Janeiro. Eram reuniões secretas, onde as discussões políticas eram uma espécie de conspiração. Alencar ficou sabendo depois: realizavam-se em sua casa as reuniões do Clube da Maioridade, onde seu pai tomava parte ativa, e cujos os membros desejavam antecipar a declaração de maioridade do herdeiro do trono. Esses políticos estavam insatisfeitos com os governantes dos sucessivos regentes, acusado-os de não controlarem as sucessivas revoltas que explodiam por todos os cantos: Rio de Janeiro, Pará, Maranhão, Rio Grande do Sul, Santa Catarina. Dessas revoltas, de período das Regências, devemos salientar a do Rio Grande do Sul: a Guerra dos Farrapos (1835-1845), que servirá de pano de fundo para a história de Manuel Canho, herói de o gaúcho. Para aqueles políticos, a solução era centralizar o governo na mão de uma só pessoa, o imperador; acreditavam que, com isso, seria mais fácil a pacificação do país. Assim, em 1840, D. Pedro é declarado maior dos catorze anos e proclamado imperador do Brasil, iniciando-se o seu reinado, que durará 1889, quando da proclamação da Republica. Os dez primeiros anos do Segundo Reinado são marcados pelo fortalecimento do regime e pela panificação do país. Já em 1840, o poder das Assembléias Provinciais é limitado, em favor do poder central do Império, e, em 1841, o jovem monarca recebe a plenitude do Poder Moderador, que lhe permitirá governar com poderes absolutos. Nos primeiros dez anos do Segundo Reinado terminaram as revoltas provinciais: 1842 (São Paulo e Minas Gerais), 1845 (Rio Grande do Sul) e 1848 ( Pernambuco). Pacificado o país, consolidou-se o poder central, apoiado no forte grupo conservador, representado pelos bacharéis, formados nas faculdades de Direto de São Paulo e Recife, que se sobrepõem aos partidos Literal e Conservador, partidos esses que, na verdade, representavam apenas facções políticas dos senhores de terra, sem nenhuma diferença ideológica acentuada. Em 1847, institucionaliza-se definitivamente o regime parlamentar, com a criação do cargo de presidente do Conselho de Ministros. A estabilidade política do Império vai de 1850 a 1870. Paralelamente a essa estabilidade política interna, o Império Brasileiro fará uma série de intervenções militares nos países vizinhos: nos países do Prata - Uruguai e Argentina (1851-1852 e 1865) – e no Paraguai (1864-1870). Em 1870, quando o Império comemorava a vitória no Paraguai, o jornal A República, do Rio de Janeiro, divulga um manifesto que dá início ao movimento para a implantação da República no Brasil. Três anos depois (1873), realiza-se a primeira reunião do Partido Republicano Paulista, em Itu, Estado de São Paulo. A partir de 1870, começa o lento processo de decadência do Império, que terminará com a Proclamação da República, em 1889.

Nessas quase vinte anos (1870-1889), quatro grandes questões agitarão o Império, concorrendo para o seu desmoronamento: o Movimento Republicano (que se inicia em 1870); a campanha pela abolição da escravidão (que se inicia em 1871); a Questão Religiosa (que se inicia em 1872); e a Questão Militar ( que se inicia em 1883). Embora tenha até assinado uma lei que proibia a exposição e venda de escravos em praça pública (em 1868, como ministro da Justiça), Alencar não viu a Abolição (1888) nem a República (1889). Quando Alencar morre, em 1877, faltam uns poucos doze anos para o fim desse Segundo Reinado do qual foi um contemporâneo participante em tantas frentes.
IV.

ROMANCES

O GUARANI, 4 vols., RJ Empresa Tipográfica Nacional do Diário, 1857. Publicado principalmente em folhetins, no Diário do Rio de Janeiro, sem o nome do autor.
CINCO MINUTOS, RJ, Empresa Tipográfica Nacional do Diário, 1857.
A VIUVINHA, RJ, Empresa Tipográfica Nacional do Diário, 1860.
LUCÍOLA, RJ, Garnier, 1862.
DIVA, RJ, Garnier , 1864.
IRACEMA, RJ, Viana & Filho, 1865.
GAÚCHO, 2 vols., RJ, Garnier, 1870.
A PATA DA GAZELA, RJ, Garnier, 1870.
TRONCO DO IPÊ, 2 vols., RJ, Garnier, 1871.
GUERRA DOS MASCATES, 2 vols., RJ, Garnier, 1871-1873.
SONHOS D’OURO, 2 vols., RJ, Garnier, 1872.

TIL, 4 vols., RJ, 1872.

ALFARRÁBIOS, (O GARATUJA, O ERMITÃO DA GLÓRIA, A ALMA DE LÁZARO), 2 vols., RJ, Garnier, 1873.
UBIRAJARA, RJ, Garnier, 1874.
SENHORA, 2 vols., RJ, Garnier, 1875.
SERTANEJO, 2 vols., RJ, Garnier, 1875.
ENCARNAÇÃO, RJ, 1893.

TEATRO

A NOITE DE SÃO JOÃO, RJ, Empresa Tipográfica Nacional do Diário, 1857.
VERSO E REVERSO, RJ, Empresa Tipográfica Nacional do Diário, 1857.
O DEMÔNIO FAMILIAR, RJ, Soares & Irmão, 1858.
AS ASAS DE UM ANJO, RJ, Soares & Irmão, 1860.
MÃE, RJ, Paula Brito, 1862.
A EXPIAÇÃO, RJ, A. Cruz Coutinho, 1867.
O JESUÍTA, RJ, Garnier, 1875.
O CRÉDITO, Rev. Brasileira, RJ, 1893.

ENSAIOS LITERÁRIOS, CRÍTICOS E FILOSÓFICOS

“Questões de Estilo”, ensaios literários, SP, 1847-1850.
“Ao Correr da Pena”, crônicas semanais no Correio mercantil, RJ, 1854, SP.
Tip. Alemã, 1874.
“Cartas sobre a Confederação dos Tamoios”, RJ, Empresa Tipográfica Nacional do Diário, 1856.
“Como e Porque Sou Romancista”, RJ, Leuzinger, 1893.

ESCRITOS E DISCURSOS POLÍTICOS E JURÍDICOS

“Ao Imperador” – CARTAS POLÍTICAS DE ERASMO, RJ, Garnier, 1865.
“Ao Povo” – CARTAS POLÍTIAS DE ERASMO, RJ, Tip. de Pinheiros Cia.

O Iluminismo


O Iluminismo

progresso intelectual dos séculos XVII e XVIII deveu-se, antes, a fatores decorrentes dos principais movimentos econômicos e culturais da história européia desde o fim da Idade Média. As conquistas da filosofia e da ciência nesses séculos, juntamente com as novas atitudes que daí resultaram, constituem a Revolução Intelectual. Esta revolução teve um alcance bastante amplo e os seus resultados foram, talvez, mais significativos para a nossa geração atual. Durante os séculos XV, XVI, XVII a burguesia associou-se à monarquia, como forma de desenvolver suas atividades comerciais. O capitalismo, sistema criado com a expansão das relações econômicas mais dinâmicas, nasceu no momento em que as monarquias nacionais começavam a se impor. Era o sistema econômico da burguesia, baseado principalmente na propriedade privada das ferramentas, das fábricas e das matérias-primas, ou seja, dos meios de produção, e havia se desenvolvido com a ajuda da monarquia absoluta e da política mercantilista. Mas, com o tempo, o capitalismo e a burguesia “perceberam” que o absolutismo e o mercantilismo iam, pouco a pouco, representando um obstáculo a sua expansão. Isso porque a política mercantilista era rigidamente protecionista e as taxações acabavam atrapalhando a liberdade de negociar e de fabricar. Por essas razões havia uma tendência para eclodir uma crise entre a burguesia e o absolutismo do Antigo Regime.

A Revolução Intelectual
Talvez possamos dizer que a Revolução Intelectual teve uma tríplice paternidade: Descartes, Newton e Locke.

René Descartes (1596-1650), famoso francês que inaugurou o movimento filosófico dominante do século XVII, soldado de fortuna, matemático e físico, foi um inabalável defensor do racionalismo na filosofia. Não foi o primeiro expoente da razão como caminho do conhecimento, certamente, mas seu racionalismo diferia do pregado pela maioria dos pensadores que o precederam. Seu método foi o instrumento matemático da dedução pura. Consistia em partir de verdades ou axiomas simples e evidentes por si mesmos e depois raciocinar com base neles para chegar às conclusões particulares. Descartes, acreditava ter encontrado um axioma de tal ordem no seu famoso princípio: “Penso, logo existo.”. Partindo daí, afirmava ser possível deduzir um conjunto perfeitamente lógico de conhecimentos universais. Em seu livro ‘Discurso sobre o Método’, aponta os passos essenciais para atingir a verdade: Mas Descartes não é importante apenas como pai do novo racionalismo; deve-se-lhe também, em parte, a introdução do conceito de um universo mecanicista. Ensinava que todo o mundo material pode ser definido em função da extensão e do movimento. “Dai-me a extensão e o movimento”, afirmou certa vez, atrevidamente, “e construirei o universo.”. Dos seus vários ensinamentos, o novo racionalismo e o mecanicismo foram, indubitavelmente, os que tiveram mais influência. E seus princípios cartesianos foram adotados de uma forma ou de outra, pela maioria dos filósofos do século XVII, seus mais notáveis sucessores intelectuais foram o judeu holandês Benedito (ou Baruch) Spinoza e o inglês Thomas Hobbes.

Spinoza colocou a razão como toda a fonte do conhecimento, rejeitando qualquer tipo de revelação. Desenvolveu sua filosofia incorporando o racionalismo e o mecanicismo, mas não o dualismo de Descartes.Viveu na Holanda depois de ter sido expulso da sinagoga por criticar certos dogmas da fé judaica. Suas críticas baseavam-se na idéia de que só existe uma substância essencial no universo, da qual o espírito e a matéria não passam de aspectos diferentes. Essa substância única é Deus, que se identifica com a própria Natureza: puro panteísmo, mas se baseava na razão e não na fé. Por isso era perseguido por todas as correntes religiosas.

Hobbes concordava com os seus dois contemporâneos na crença do único meio de busca da verdade filosófica. Porém recusou-se a aceitar tanto o dualismo de Descartes como o panteísmo de Spinoza. Segundo ele, não existe absolutamente nada senão a matéria. E que o bem é simplesmente aquilo que dá prazer, o mal o que traz sofrimento. Sendo assim, uma vez que os homens diferem constitucionalmente uns dos outros, também devem variar as concepções do prazer e da dor, e o bem e o mal só podem ser relativos. Desse modo, o materialismo e mecanicismo de Hobbes evoluíram para o hedonismo.


O Pré-Iluminismo
A inspiração do Iluminismo proveio, em parte, do racionalismo de Descartes, Spinoza e Hobbes, mas os verdadeiros fundadores do movimento foram Newton e Locke.

Isaac Newton (1642-1727), famoso inglês que abriu novas perspectivas para as ciências, teve suma importância nas transformações do pensamento, quando, através de minuciosos estudos matemáticos e físicos, formulou novas leis acerca da mecânica que rege o mundo. Durante a Renascença, Galileu Galilei descobrira a lei da queda dos corpos na superfície da terra, enquanto Johann Kepler deduzira os princípios do movimento planetário. Estava reservado a Newton estender a idéia das leis físicas invariáveis a todo o universo. O seu famoso princípio: “cada partícula de matéria, no universo, atrai todas as outras partículas com uma força inversamente proporcional ao quadrado da distância entre elas e diretamente proporcional ao produto das respectivas massas”, foi considerado válido não somente para a Terra mas para todos os sistemas solares através dos espaços infinitos. Partindo daí, era fácil chegar à conclusão de que todos os acontecimentos da natureza são governados por leis universais, capazes de serem formuladas com tanta precisão quanto os princípios matemáticos. Estava dado o golpe de morte na concepção medieval de um universo regido por leis divinas. A filosofia newtoniana não excluía a idéia de Deus, mas despojava-o do poder de guiar suas estrelas nas suas órbitas ou de fazer parar o sol.

Tentando avaliar sua carreira científica, ele disse certa vez: "Tenho a impressão de ter sido uma criança brincando à beira-mar, divertindo-me em descobrir uma pedrinha mais lisa ou uma concha mais bonita que as outras, enquanto o imenso oceano da verdade continua misterioso diante de meus olhos".

John Locke
(1632-1704), contemporâneo da Revolução Gloriosa de 1688 na Inglaterra, rejeitou a doutrina cartesiana das idéias inatas, filósofo, afirmou que todo o conhecimento humano deriva da percepção sensorial. Essa teoria, conhecida como sensacionismo, já fora estabelecido por Hobbes, mas foi Locke o primeiro dos filósofos modernos a desenvolve-la de forma sistemática. Para Locke a mente humana ao nascer é uma tabula rasa, um papel em branco no qual absolutamente nada está escrito, nem mesmo a idéia de Deus ou qualquer noção de certo ou errado. E que receberia impressões através dos sentidos, a partir das experiências do indivíduo. As sensações são a base do conhecimento; a razão ou o entendimento, combina e organiza essas idéias simples, chegando assim às verdades mais gerais. Foi essa combinação de sensacionismo e de racionalismo que constitui um dos elementos básicos da filosofia iluminista. Locke tem grande importância, também, pela sua defesa da tolerância religiosa e pela sua teoria política liberal, onde ele condena o absolutismo monárquico, revelando grande preocupação em proteger a liberdade individual do cidadão. Ensinava que os governos haviam surgido em função de um contrato estabelecido entre os homens visando a preservação desses direitos. Assim, caso o governo não cumprisse essa sua razão de ser, a sociedade teria à rebelião, à substituição do Estado tirânico. Neste trecho de sua obra ‘Ensaio sobre o Entendimento Humano’ ele fala sobre as idéias. Locke utiliza o termo "idéia" com um significado amplo. Inclui todos os diferentes modos da experiência de consciência: representação e imagem, percepção, conceito ou noção, sentimento, etc., um uso muito diverso do que, por exemplo, faz Platão.





O Iluminismo
O século XVIII conheceu várias revoluções. A Revolução Industrial, a Revolução Francesa e também a Revolução Intelectual. O auge da Revolução Intelectual em filosofia de deu com o Iluminismo, também chamado de “Ilustração” ou “Filosofia das Luzes”. Esse movimento iniciado na Inglaterra e rapidamente difundido pelo norte da Europa, condenava o Antigo Regime, combatendo assim o absolutismo monárquico, que era considerado um sistema injusto por impedir a participação burguesa nas decisões políticas e impedir a realização de seus ideais. Combatia também o mercantilismo, que impedia à livre iniciativa e o desenvolvimento espontâneo do capitalismo e, o poder da igreja, pois esse poder baseava-se em verdades reveladas pela fé. Isso se chocava com a autonomia intelectual defendida pelo racionalismo iluminista.

As suas idéias tinham por base o racionalismo, isto é, a primazia da razão humana como fonte do conhecimento. Os Iluministas sonhavam com um mundo perfeito, regido pelos princípios da razão, sem guerras e sem injustiças sociais, onde todos pudessem expressar livremente seu pensamento. Visto pelos intelectuais como um movimento que iluminava a capacidade humana de criticar e almejar um mundo melhor, transformou o século XVII no Século das Luzes. Os iluministas teorizavam sobre um mundo novo que correspondia ao início da Revolução Industrial e que seria completado com a Revolução Francesa. As raízes do Iluminismo estão no progresso científico advindo do Renascimento. Esse movimento repercutiu sobre todo o mundo. Antes mesmo de influenciar a Revolução Francesa, que estava por vir, teve influências sobre a Revolução Americana, que resultou na formação dos Estados Unidos.

A principal característica das idéias iluministas, era a explicação racional para todas as questões que envolviam a sociedade. Em suas teorias, alguns pensadores iluministas, como filósofos e juristas, preocuparam-se com as questões políticas, sociais e religiosas, enquanto outros, como os economistas, procuraram uma maneira de aumentar a riqueza das nações. De modo geral, esses pensadores defendiam a liberdade, a justiça, a igualdade social e Estados com divisão de poderes e governos representativos. Acreditavam que esses elementos eram essenciais para uma sociedade mais equilibrada e para a felicidade do homem.

Os principais pensadores iluministas no campo do liberalismo social foram: Voltaire, Montesquieu e Rosseau. E no campo econômico: Quesnay e Smith.

François-Marie Arouet (1694-1778), ou Voltaire, simboliza o Esclarecimento mais ou menos como Lutero simboliza a Reforma e Leonardo da Vinci, a Renascença Italiana. Voltaire é mais conhecido como um campeão da liberdade individual. Considerava como totalmente bárbaras todas as restrições à liberdade de expressão e de opinião. Expressando isso com uma famosa frase, amiúde citada como o mais alto exemplo de tolerância intelectual: “Não concordo com uma única palavra do que dizei, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo”.

Se havia, porém, uma forma de opressão que odiasse, esta era a tirania da religião organizada. Voltaire trovejou contra a crueldade da igreja em torturar e queimar homens inteligentes que se atreveram a por em dúvida os seus dogmas. Defendia a liberdade de religião e de pensamento, bem como a igualdade perante a lei. A burguesia francesa simpatizava com suas idéias, pois estas se adequavam às suas necessidades. Crítico dos privilégios de classe, foi apelidado de o "filósofo burguês". Ele não defendia o direito das camadas populares, por achar que eram inferiores. Julgava que os países atrasados deveriam ter um governo absolutista esclarecido, e os mais avançados um governo republicano e liberal.

Em conseqüência de um dos seus panfletos, ridicularizando nobres e funcionários pomposos, foi encarcerado na Bastilha e depois exilado para a Inglaterra, onde permaneceu por três anos e escreveu sua primeira obra filosófica: “Cartas Inglesas”, onde divulgava as idéias de Newton e de Locke, aos quais ele passara a considerar como dois dos maiores gênios que já tinham existido.

Charles Louis de Secondat (1689-1755), ou Montesquieu, grande escritor francês. Suas teorias políticas sugeriam que os grandes países deveriam adotar o despotismo esclarecido, os médios, a monarquia constitucional, e os pequenos, a república. Em seu livro, “O Espírito das Leis” (1748), criticou os costumes de seu tempo, ficando muito conhecido pela sua “doutrina dos três poderes” que defendia, como meio para garantir a liberdade, a divisão do poder político em três partes: Legislativo, Executivo e Judiciário: "É uma verdade eterna: qualquer pessoa que tenha o poder, tende a abusar dele. Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder". Esta obra inspirou os redatores da Constituição de 1791 e tornou-se a fonte das doutrinas constitucionais liberais, que repousam na separação dos poderes legislativo, executivo e judiciário.

Como Voltaire, também não defendia as populações mais pobres. Na verdade, esses pensadores eram coerentes, pois defendiam somente os interesses da nova classe social que despontava como revolucionária: a burguesia liberal.
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), o único pensador que talvez tenha se aproximado dos anseios populares. Defendia a idéia de soberania popular, isto é, a vontade coletiva deve se impor sobre a vontade individual. Nisso Rousseau estava bem avançado para sua época, pois criticava o individualismo burguês antes mesmo que a burguesia estivesse no poder. Ele repudiou muitas das pressuposições fundamentais que vinham de Newton e de Locke, assim como David Hume (1711-1776) o principal céptico do Iluminismo. Incurável desadaptado que era, a chafurdar no atoleiro das suas paixões, era conhecido como o pai do romantismo e seria assombroso se Rousseau tivesse defendido as teorias racionalistas. Afirmava que adorar a razão como guia infalível da conduta e da verdade é agarrar-se a um caniço quebrado. Certamente a razão tem a sua utilidade, mas não vale como resposta completa.

No seu estudo “Discurso sobre a Origem e Fundamentos das Desigualdades entre os Homens”, Rousseau argumenta que todos os males da civilização são originados da propriedade privada, que determinou as diferenças sociais e o surgimento de dominadores e dominados. Para superar esta dominação, ele propunha um contrato social, que deveria ser elaborado por toda a comunidade e não por indivíduos isolados. A soberania reside no povo; a vontade individual não é importante, mas sim a vontade da maioria, que deveria ser expressa através do voto. O contrato social iria garantir a igualdade de todos.
Caixa de texto: É possível estabelecer com simplicidade o núcleo da idéia do contrato social: cada um de nós coloca sua pessoa e autoridade sob a direção suprema da vontade geral; e o grupo recebe cada indivíduo, como uma parte indivisível do todo (...). A fim de que o contrato social não seja apenas uma fórmula vazia, todos precisam compreender que todo indivíduo que se recusa a obedecer à vontade geral deve ser forçado por seus companheiros a faze-lo. É uma maneira de dizer que pode ser necessário forçar um homem a ser livre, sendo neste caso a liberdade, a obediência à vontade de todos. (Jean-Jacques Rousseau, O Contrato Social)

Para Rousseau, o homem que pensa é um animal depravado. Suas obras influenciaram os homens de sua época e foram fontes de consulta dos pensadores futuros. Emílio e Nova Heloísa forneceram as diretrizes da pedagogia moderna e o Contrato Social, os fundamentos do governo democrático.

Não foi apenas o absolutismo o alvo das críticas iluministas; eles também discordavam do mercantilismo, a política econômica adotada naquele sistema de governo. Entre os colaboradores da Enciclopédia existia um pequeno grupo dedicado à nascente ciência econômica. Eram os chamados fisiocratas, que lançaram os fundamentos da economia como ciência. Acreditavam que a atividade econômica, assim como as demais atividades humanas, estava submetida a leis naturais. A lei da oferta e da procura (a lei do mercado), por exemplo, deveria predominar na economia dos diversos países. Dessa forma, a política mercantilista com sua regulamentação de preços, salários e monopólios pelos governos, passou a ser criticada.
Caixa de texto: Que o soberano e a nação nunca percam de vista que a terra é a última fonte de riquezas e que o agricultor que as multiplica (...) Que a propriedade dos bens fundiários e das riquezas mobiliárias seja assegurada aos possuidores legítimos, pois a segurança da propriedade é o fundamento essencial da ordem econômica da sociedade (...) Que uma nação que tem um grande território a cultivar e a facilidade de exercer um grande comércio dos gêneros agrícolas não alargue demasiadamente o emprego do dinheiro e dos homens às manufaturas e ao comércio de luxo, em prejuízo dos trabalhos e das despesas da agricultura; pois, preferentemente a tudo, o reino deve ser bem povoado de ricos cultivadores (...) Que se favoreça a multiplicação dos gados, pois são eles que fornecem às terras o estrume que produz ricas colheitas (...) Que cada um seja livre de cultivar no seu campo as produções que o seu interesse, as suas faculdades e a natureza do terreno lhe sugiram para obter maior produção possível (...) Que se mantenha a mais inteira liberdade de comércio (...). (François Quesnay, Máximas Gerais do governo econômico de um Reino Agrícola, in Gustavo d Freitas, op. cit.)

François Quesnay (1694-1774), líder entre os fisiocratas, médico e economista francês que atacava a intervenção do Estado na economia e defendia a liberdade de comprar e vender onde cada um achasse mais conveniente. O lema dos fisiocratas que ficou famoso: “Laissez faire, Laissez passer”, atendia perfeitamente às necessidades da burguesia, desejosa de afastar o controle do Estado sobre a economia. Para Quesnay, apenas a terra era a verdadeira produtora de riqueza; o comércio era considerado estéril, pois consistia na mera transferência de mercadorias e não gerava riquezas.
Caixa de texto: Nenhum homem recebeu da natureza o direito de comandar os outros. A liberdade é um presente do céu, e cada indivíduo da mesma espécie tem o direito de gozar dela logo que goze da razão (...) Toda outra autoridade (que a paterna) vem duma origem, que não é a natureza. Examinando-a bem, sempre se fará remontar a uma destas duas fontes: ou a força e a violência daquele que dela apoderou; ou o consentimento daqueles que lhe são submetidos, por um contrato celebrado ou suposto entre eles e aquele a quem deferiram a autoridade. O poder que se adquire pela violência não é mais que uma usurpação e não dura senão pelo tempo em que a força daquele que comanda prevalece sobre a daqueles que obedecem (...) O poder que vem do consentimento dos povos supõe necessariamente condições que tornem o seu uso legítimo útil à sociedade, vantajoso para a república, e que o fixem e restrinjam entre limites; pois o homem não pode nem deve dar-se inteiramente e sem reserva a outro homem, porque há um Senhor superior acima de tudo, ao qual somente ele pertence por inteiro. (Denis Diderot, artigo Autoridade Política na Enciclopédia, in Gustavo de Freitas, op. Cit.)
Adam Smith (1723-1790), economista escocês, diz que o trabalho de uma nação é a principal fonte geradora dos bens que necessita a comunidade. O aumento da produtividade do trabalho depende de sua divisão, que repousa essencialmente, na propensão que tem a natureza humana para trocar uma coisa por outra. A acumulação de capital funciona como uma das condições prévias dessa divisão. Quanto à noção do valor, surgiu como troca de mercadorias. O termo valor apresenta dois significados, o de utilidade e o de poder de compra, sendo o primeiro valor de uso, e o segundo valor de troca. O trabalho seria a medida do valor de todas as mercadorias. Estudando o problema do preço, concluiu o economista que as rendas, os salários e os lucros são meros componentes da renda. No que se refere à acumulação capitalista, divide o capital em fixo e circulante. O primeiro consiste, principalmente, em máquinas, edifícios, implementos agrícolas, enquanto o segundo compreende o dinheiro, as matérias-primas e as mercadorias acabadas, ainda em mãos do industrial ou do comerciante. Analisando a estrutura da sociedade capitalista, Adam Smith chegou a extraordinária conclusão, para a sua época, da divisão da sociedade em três classes fundamentais da sociedade capitalista: o operariado, os capitalistas e os proprietários de terras.

É famosa sua metáfora da mão invisível: “...de modo geral, ninguém se propõe promover o interesse público, nem sabe até que ponto o promove; pensa apenas em seu próprio ganho, mas, agindo desse modo, é levado por uma mão invisível a promover um fim que não estava em suas intenções. Logicamente, tal atitude leva a contemplar com circunspeção a ingerência do Estado na atividade econômica”.

Adam Smith representa não apenas um ponto de partida na Ciência Econômica, mas também a afirmação de muitas questões de importância perene na mesma.


A Enciclopédia
A Encyclopédie, pretendia ser uma suma completa dos conhecimentos filosóficos e científicos da época. Colaboraram com este conjunto de livros mais de trezentos pensadores. A tônica da obra era o anticlericalismo, o materialismo e principalmente o liberalismo político. Por isso era contrário às monarquias absolutistas e à Igreja. No entanto que foi proibida pelas autoridades e passou a circular clandestinamente. Os iluministas sonhavam, enfim, com um mundo onde houvesse colaboração entre os homens para alcançar a felicidade comum.
Diderot e d’Alembert foram os principais componentes de um grupo conhecido como os Enciclopedistas, que organizaram e publicaram a Grande Enciclopédia.

Denis Diderot (1713-1784), filósofo francês que assumiu a direção, apesar de inúmeras dificuldades, até a sua conclusão. Afirmava que “os homens jamais serão livres enquanto não seja estrangulado o último rei com as tripas do último padre”. Diderot escreveu um artigo na Enciclopédia, no qual coloca críticas ao absolutismo e defende um poder vindo do consentimento do povo.

Jean Le Rond d’Alembert (1717-1783), escritor, filósofo e matemático francês. Cético em religião e meta-física, defensor da tolerância, expôs, no Discours préliminaire de 'l Encyclopédie, a filosofia natural e o espírito científico que presidiu à elaboração dessa obra. Membro da Academia de Ciências, deixou os Elogios acadêmicos e trabalhos de matemática sobre as equações diferenciais e a mecânica. Sua obra básica é o Tratado de dinâmica (1743). Para d’Alembert a garantia única de progresso residia no esclarecimento universal. Sustentava, por isso, que as verdades da razão e da ciência deviam ser ensinadas às massas, na esperança de que um dia o mundo inteiro pudesse libertar-se do obscurantismo e da tirania.

O Despotismo Esclarecido

Os governantes absolutistas de alguns países europeus adotaram certos princípios iluministas, promovendo em seus Estados uma série de reformas nos campos social e econômico. Esses governantes ficaram conhecidos como déspotas esclarecidos. De modo geral, a palavra déspota refere-se a ditador, mas ao mencionarmos déspotas esclarecidos, estamos nos referindo aos monarcas absolutistas que mostraram-se receptivos a certos princípios iluministas.

Essa reforma se deu principalmente no campo da educação, com incentivo à educação pública através da construção de escolas, do apoio a academias literárias e científicas e da divulgação de textos eruditos. E no campo referente a tributações, com o aperfeiçoamento do sistema de arrecadação tributária, procurando tornar menos opressiva a carga de tributos cobrados das classes populares. Os principais déspotas esclarecidos foram:

Catarina II (1762-1796), da Rússia: O monarca Pedro, O Grande, fez planos de modernização para a Rússia, construiu a cidade de Petersburgo. Catarina II, A grande, modernizou essa cidade e deu continuidade a obra de Pedro. Mas reprimiu todos os movimentos camponeses de caráter reivindicatório.

José II (1741-1790), da Áustria: José II tentou modernizar a Áustria através de uma reforma agrária, diminuiu o poder da igreja católica, confiscando suas terras; mas essa reforma acabou sendo frustrada pela resistência dos nobres proprietários.

Frederico II (1712-1786), da Prússia: Frederico II construiu escolas de ensino elementar e estimulou o desenvolvimento industrial e agrário, dando assim continuidade as reformas de Frederico I que se fortaleceu e ganhou prestígio graças às medidas reformistas adotadas em relação à educação e política exterior.

Carlos III (1716-1788), da Espanha: Carlos III iniciou uma série de reformas administrativas, financeiras e fiscais para dar novo alento à economia. Além disso, combateu o poder excessivo da Igreja Católica, suprimiu a Inquisição e expulsou os jesuítas.

Caixa de texto: Nenhum homem recebeu da natureza o direito de comandar os outros. A liberdade é um presente do céu, e cada indivíduo da mesma espécie tem o direito de gozar dela logo que goze da razão (...) Toda outra autoridade (que a paterna) vem duma origem, que não é a natureza. Examinando-a bem, sempre se fará remontar a uma destas duas fontes: ou a força e a violência daquele que dela apoderou; ou o consentimento daqueles que lhe são submetidos, por um contrato celebrado ou suposto entre eles e aquele a quem deferiram a autoridade. O poder que se adquire pela violência não é mais que uma usurpação e não dura senão pelo tempo em que a força daquele que comanda prevalece sobre a daqueles que obedecem (...) O poder que vem do consentimento dos povos supõe necessariamente condições que tornem o seu uso legítimo útil à sociedade, vantajoso para a república, e que o fixem e restrinjam entre limites; pois o homem não pode nem deve dar-se inteiramente e sem reserva a outro homem, porque há um Senhor superior acima de tudo, ao qual somente ele pertence por inteiro. (Denis Diderot, artigo Autoridade Política na Enciclopédia, in Gustavo de Freitas, op. Cit.)
Sebastião José de Carvalho e Melo, ou Marquês de Pombal (1750-1777), de Portugal: Foi um dos mais importantes ministros do rei José I, colocou em prática medidas que reforçaram o setor comercial, instituindo as companhias comerciais monopolistas, subsidiando manufaturas numa tentativa rudimentar de instaurar a industrialização de Portugal. Pombal também expulsou os jesuítas do reino e expropriou os bens da Companhia de Jesus.


Romance Sertanejo ou Regionalista


Romance Sertanejo ou Regionalista

Romance Sertanejo ou RegionalistaAtração pelo pitoresco e o desejo de explorar e investigar o Brasil do interior, fizeram o autor romântico se interessar pela vida e hábitos das populações que viviam distantes das cidades. Abriam-se assim, para o romantismo, o campo fecundo do romance sertanejo, que até hoje continua a fornecer matéria a nossa literatura. Nessa linha, destacam-se José de Alencar, Taunay (Inocência) e Bernardo Guimarães (A escrava Isaura; O Seminarista).

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Romance Histórico


Romance Histórico

Romance HistóricoFoi um dos principais meios encontrados pelos românticos para a reinterpretação nacionalista de fatos e personagens da nossa história, numa revalorização e idealização de nosso passado. Nessa linha, os autores mais importantes são: José de Alencar (O Guarani; As Minas de Prata; A guerra dos Mascates), Bernardo Guimarães (Lendas e romances; histórias e tradições da província de Minas Gerais) e Franklin Távora (O Matuto; Lourenço).

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Literatura


Literatura

Condicionada pela tradição cultural e pelo devir histórico, a literatura tem, no entanto, uma dimensão que não se define somente pelas circunstâncias em que se produz. Nela, o talento individual do artista e a sensibilidade para os problemas de seu tempo são determinantes para mostrar, discutir ou criticar os principais aspectos de uma cultura. Literatura é o conjunto de todas as manifestações verbais (orais ou escritas), e de intenção estética, seja do espírito humano em geral, seja de uma dada cultura ou sociedade. Na origem, a literatura de todos os povos foi oral, caráter que manteve mesmo após a invenção e difusão da escrita. As primeiras obras literárias conhecidas são registros escritos de composições oriundas de remota tradição oral. Todas as literaturas do Ocidente têm em comum, fundamentalmente, a herança grega e latina. Preservadas, transformadas e difundidas pelo cristianismo, as obras da Grécia antiga e de Roma foram transmitidas para as línguas vernáculas da Europa e das regiões colonizadas pelos europeus. Literatura antiga. O fato indiscutível sobre a literatura ocidental antiga é que a maior parte dela se perdeu. O fogo, as guerras e a destruição pela passagem do tempo subtraíram suas obras à posteridade, e são poucas as peças que os paleontólogos resgatam de tempos em tempos. Cada uma das cinco civilizações mais antigas que se conhecem - Babilônia e Assíria, Egito, Grécia, Roma e a cultura dos israelitas na Palestina - entrou em contato com uma ou mais dentre as outras. Nas duas mais antigas, a assírio-babilônica, com suas tábulas de argila quebradas, e a egípcia, com seus rolos de papiro, não se encontra relação direta com a idade moderna. Na Babilônia, porém, se produziu o primeiro código completo de leis e dois épicos de mitos arquetípicos - o Gilgamesh e o Enuma elish que vieram a ecoar e ter desdobramentos em terras bem distantes. O Egito, que detinha a intuição mística de um mundo sobrenatural, atiçou a imaginação dos gregos e romanos. Da cultura hebraica, a principal herança literária para o Ocidente veio de seus primeiros manuscritos, como o Antigo Testamento da Bíblia. Essa literatura veio a influenciar profundamente a consciência ocidental por meio de traduções para as línguas vernáculas e para o latim. Até então, a ensimesmada espiritualidade do judaísmo mantivera-a afastada dos gregos e romanos.

Embora influenciada pelos mitos religiosos da Mesopotâmia, da Anatólia e do Egito, a literatura grega não tem antecedentes diretos e aparentemente se originou em si mesma. Nos gregos, os escritores romanos buscaram inspiração para seus temas, tratamento e escolha de verso e métrica, valores que transmitiu para os primeiros tempos da Idade Média, quando a cultura da Grécia já fora absorvida pela tradição latina, para só no Renascimento ser redescoberta. Todos os gêneros importantes de literatura -- épica, lírica, tragédia, comédia, sátira, história, biografia e prosa narrativa -- foram criados pelos gregos e romanos, e as evoluções posteriores são, na maioria, extensões secundárias. O épico grego de Homero foi o modelo do épico latino de Virgílio; os fragmentos líricos de Alceu e Safo encontraram continuidade na obra de Catulo e Ovídio; e à história de Tucídides seguiu-se a de Tito Lívio e a de Tácito. O ideal humano que transparece nas literaturas grega e latina, formado após a civilização ter emergido dos séculos iniciais de barbárie, ainda seria transformado, antes do fim do mundo antigo, no ideal do espiritualismo judaico-cristão, cujos escritores prenunciaram a literatura medieval. Literatura medieval. O surgimento do cristianismo nos territórios que haviam formado o Império Romano incutiu na Europa a atitude geral para com a vida, a literatura e a religião dos primeiros doutores da igreja. No Ocidente, a fusão das filosofias cristã e clássica formou a base do hábito medieval de interpretar simbolicamente a vida. Por intermédio de santo Agostinho, os pensamentos platônico e cristão reconciliaram-se. A organização permanente e uniforme do universo grego recebeu forma cristã e a natureza tornou-se um sacramento, revelação simbólica da verdade espiritual. A igreja não apenas estabeleceu o objetivo da literatura, como cuidou de preservá-la. Ao longo dos tempos, os mosteiros criados nos séculos VI e VII conseguiram preservar a literatura clássica do Ocidente, enquanto a Europa era varrida por godos, vândalos, francos e, mais tarde, escandinavos. Os autores clássicos romanos assim preservados e as obras que continuavam a ser escritas em latim predominaram sobre as obras vernáculas durante quase toda a Idade Média. A Cidade de Deus, de santo Agostinho; a História eclesiástica, do venerável Beda; e a crônica dinamarquesa de Saxo Grammaticus, por exemplo, foram todas escritas em latim, como a maioria das principais obras sobre filosofia, teologia, história e ciência.

A literatura europeia pré-cristã tinha uma tradição oral que foi resgatada na Edda poética e nas sagas, ou épicos heroicos, da Islândia, no Beowulf anglo-saxônico e na Hildebrandslied (Canção de Hildebrando) alemã. Todas essas obras pertenciam a uma tradição comum alemã, mas foram registradas por escribas cristãos muito depois do evento histórico que relatam. Seus elementos pagãos se fundiram com o pensamento e sentimento cristãos. Numerosas baladas, em países diversos, também revelam uma antiga tradição nativa de declamação oral. Entre os mais conhecidos dos muitos gêneros que surgiram nas literaturas vernáculas medievais estão o romance e a lírica amorosa, que combinavam elementos das tradições orais populares com as da literatura refinada. O romance usou fontes clássicas e arturianas numa narrativa poética que substituiu os épicos heroicos da sociedade feudal, como a Canção de Rolando, lenda sobre o heroísmo dos cavaleiros. No romance, temas complexos como amor, lealdade e integridade pessoal se juntaram na busca da verdade espiritual, amálgama encontrado em todas as literaturas ocidentais europeias da época. A lírica amorosa teve antecedentes heterogêneos. As origens do amor cortês são discutíveis, como o é a influência de uma tradição de poesia popular amorosa. Fica claro, porém, que os poetas do sul e norte da França, que cantavam a mulher idealizada, foram imitados ou reinterpretados em toda a Europa: na escola siciliana da Itália, nos Minnesingers (trovadores) da Alemanha, nos versos latinos da Carmina Burana e nos cancioneiros portugueses, espanhóis e galegos do século XIII ao XVI.

Grande parte da literatura medieval, no entanto, é anônima e dificilmente datável. Autores como Dante, Chaucer, Petrarca e Boccaccio, que surgiram no fim do período, foram os mais abalizados comentaristas da cena medieval, ao mesmo tempo que anunciavam os grandes temas e formas da literatura renascentista.

Renascimento. O despertar de um novo espírito de curiosidade intelectual e artística foi a característica dominante do Renascimento. Esse fenômeno político, religioso e filosófico postulou o ressurgimento do espírito da Grécia antiga e de Roma. Na literatura, isso significou um interesse renovado e a releitura dos grandes escritores clássicos. Acadêmicos buscaram e traduziram textos antigos "perdidos", cuja disseminação foi possível graças aos progressos da imprensa na Europa, a partir de 1450. A arte e a literatura atingiram no Renascimento uma estatura nunca vista em períodos anteriores. A época foi marcada por três situações históricas principais: primeiramente, o novo interesse pelo saber, representado pelos acadêmicos clássicos conhecidos como humanistas, que forneceram modelos clássicos de grande interesse para os novos escritores; segundo, a nova forma do cristianismo, iniciada pela Reforma protestante liderada por Lutero, que chamou a atenção dos homens para o indivíduo e sua vida interior, a ponto de gerar nos países católicos a réplica da Contra-Reforma; em terceiro lugar, as grandes navegações, que culminaram com a descoberta da América em 1492 por Colombo, com repercussão nos países que fundaram impérios ultramarinos, assim como na imaginação e consciência da maior parte dos escritores da época. A esses devem adicionar-se muitos outros fatores, como o progresso da ciência e da astronomia, e a situação política da Itália no fim do século XV. A nova liberdade e o espírito inquiridor nas cidades-estados italianas favoreceram o aparecimento dos grandes precursores do Renascimento: Dante, Petrarca e Boccaccio. 

Na França, o Renascimento manifestou-se na poesia dos componentes do grupo conhecido como Pléiade e nos ensaios de Michel de Montaigne, enquanto em Portugal o grande poeta épico Camões marcava a fundo o século XVI e, na Espanha de meio século depois, revelava-se Cervantes. No século XVI, o acadêmico holandês Erasmo sintetizou a evolução do humanismo, que incorporava o espírito da curiosidade crítica, o interesse pelo saber clássico, a intolerância para com a superstição e um profundo respeito pelo homem como a mais complexa das criações de Deus. Um aspecto da influência da Reforma protestante na literatura foi a grande quantidade, nesse período, de traduções da Bíblia em línguas vernáculas, o que estabeleceu novos modelos para a prosa. O ímpeto renascentista manteve-se vigoroso até o século XVII, quando John Milton sintetizou o espírito do humanismo cristão. Século XVII. Na política e na sociedade, tanto quanto na literatura, o século XVII foi um período de grandes turbulências. O Renascimento preparara o ambiente receptivo essencial para a disseminação das ideias da nova ciência e da filosofia. Uma retrospectiva autêntica dessa fase também precisa levar em conta o efeito das convulsões sociais e políticas ocorridas do início aos meados do século. Na Inglaterra, houve a guerra civil (1642-1651) e a restauração da monarquia (1660); na França, as insurreições da Fronde (1648-1653), nas quais estava envolvido La Fontaine; na Alemanha, os conflitos religiosos e políticos da guerra dos trinta anos (1618-1648); e, nos Países Baixos, a luta pela independência da Espanha (1568-1648). As lutas civis, políticas e religiosas que dominaram a primeira metade do século eram também uma resposta à Contra-Reforma. Referências ao conflito religioso se infiltraram nas formas e temas da literatura. Uma reação a isso - particularmente na Itália, na Alemanha e na Espanha, mas também na França e na Inglaterra - foi o desenvolvimento de um estilo em arte e literatura conhecido como barroco, mais peculiar à obra de Giambattista Marino, na Itália, Luis de Góngora na Espanha e Martin Opitz von Bobenfeld na Alemanha. Na Inglaterra, a poesia metafísica era a principal tendência do verso inglês da primeira metade do século. Essa denominação, primeiramente aplicada por Dryden à obra de John Donne, é hoje utilizada para designar um grupo de poetas diferençados por seus estilos individuais, altamente intelectualizados, que tinham afinidades com a literatura barroca, especialmente no caso de Richard Crashaw. Possivelmente, o traço mais vivo do século XVII tenha sido o conflito entre a tendência a continuar imitando os clássicos do Renascimento e a aspiração à novidade trazida pelos cientistas e pensadores, bem como pelas novas experiências com novas formas literárias. Em todos os países, delineou-se o conflito entre antigos e modernos, estes a exigir um estilo de prosa mais adequado aos novos tempos de ciência e exploração. Os modernos, na França, eram seguidores de Descartes. Na Inglaterra, encontrava-se uma tendência similar no trabalho da Royal Society, que incentivava o uso de uma linguagem mais simples, uma maneira de falar mais transparente e natural, adequada ao discurso racional, comparável às grandes realizações da prosa de Milton e Dryden. Século XVIII. Sobre o século XVIII pesaram, quase nas mesmas proporções, dois impulsos básicos: razão e paixão. O respeito à razão se revelava na busca da ordem, da simetria, do decoro e do conhecimento científico; o cultivo dos sentimentos estimulou a filantropia, a exaltação das relações pessoais, o fervor religioso e o culto da sensibilidade. Na literatura, o impulso racional favoreceu a sátira, o debate, a inteligência e a prosa simples; a paixão inspirou o romance psicológico e a poesia do sublime. 

O culto da inteligência, da sátira e do debate fez-se evidente, na Inglaterra, nas obras de Alexander Pope, Jonathan Swift e Samuel Johnson, em conformidade com a tradição de Dryden, do século XVII. O romance tornou-se uma forma de arte maior na literatura inglesa, em parte pelo realismo racionalista das obras de Henry Fielding, Daniel Defoe e Tobias Smollett e, em parte, pela perquirição psicológica dos romances de Samuel Richardson e do Tristram Shandy, de Laurence Sterne. Na França, as obras mais representativas do período são os textos filosóficos e políticos do Iluminismo, sobretudo os de Voltaire e de Rousseau, de profunda influência em toda a Europa e prenúncios teóricos da revolução que se avizinhava. Na Alemanha, que por algum tempo seguiu os modelos francês e inglês, a grande época da literatura veio no fim do século, quando o cultivo dos sentimentos e da grandeza emocional encontrou sua mais poderosa expressão no movimento conhecido como Sturm und Drang (Tempestade e Tensão). Dois grandes nomes da literatura alemã e universal, Goethe e Schiller, autores de teatro e poesia, avançaram muito além da turbulência do Sturm und Drang. Século XIX. Um dos períodos mais interessantes e vitais de toda a história das literaturas foi o século XIX, de especial interesse por ser a época de formação de muitas tendências literárias modernas. Nesse período, nasceram ou começaram a se formar o romantismo, o simbolismo e o realismo, assim como algumas das vertentes do modernismo do século XX. Romantismo. O movimento literário dominante no início do século XIX foi o romantismo que, na literatura, teve origem na fase do Sturm und Drang na Alemanha. Essa afirmativa é uma importante correção da noção habitual que se tem da literatura romântica como se tivesse começado com a poesia inglesa de Wordsworth e Coleridge, e a publicação, em 1798, das Lyrical Ballads de ambos. Além disso, embora seja verdade que a revolução francesa e a revolução industrial foram dois dos principais fatores políticos e sociais a influenciar os poetas românticos da Inglaterra do início do século XIX, muitos traços do romantismo na literatura surgiram a partir de fontes literárias e filosóficas. Os antecedentes filosóficos foram fornecidos no século XVIII principalmente por Jean-Jacques Rousseau, cuja ênfase no indivíduo e no poder da inspiração influenciou Wordsworth e também escritores românticos da primeira fase: Hölderlin e Ludwig Tieck, na Alemanha; e o francês Jacques-Henri Bernardin de Saint-Pierre, cujo Paul et Virginie (1787) antecipou alguns dos excessos sentimentais do romantismo do século XIX. Os românticos acreditavam que a verdade das coisas poderia ser explicada somente por meio do exame de suas próprias emoções no contexto da natureza e das condições primitivas. Por causa da ênfase na inspiração, o poeta assumiu o papel central -- como profeta e visionário. Ao mesmo tempo, rejeitava-se a imitação dos clássicos. Duas posições típicas do poeta romântico eram a mística visionária de Keats e o super-homem de Lord Byron. A corrente romântica atravessou toda a Europa e chegou à Rússia. Em poesia, o estilo se manifesta em Musset, Lamartine e Victor Hugo, na França; José de Espronceda y Delgado, na Espanha; Niccoló Ugo Foscolo e Giacomo Leopardi, na Itália, onde se identificou com os sentimentos nacionalistas; Aleksandr Puchkin, na Rússia; e Adam Mickiewicz, na Polônia. O sentimento nacionalista também se acha na obra do português Almeida Garrett e, nos Estados Unidos, nas histórias de James Fenimore Cooper, na poesia de Walt Whitman e na obra de Henry Wadsworth Longfellow.

O ímpeto da poesia romântica começou a esgotar-se aproximadamente após 1830 e abriu caminho para estilos mais objetivos, porém muitos de seus temas e artifícios, tais como o do artista incompreendido ou do amante infeliz, continuaram a ser empregados. Pós-romantismo. O primeiro poeta pós-romântico foi possivelmente um alemão, Heinrich Heine, mas a poesia alemã de meados do século XIX em sua maior parte seguiu Wordsworth, embora novas tendências fossem encontradas em Karl August von Platen-Hallermünde e no austríaco Nikolaus Lenau. A principal corrente pós-romântica apareceria na França, onde ganhou força um movimento conhecido como parnasianismo. Originado com Théophile Gautier, o parnasianismo, mais que uma reação ao romantismo, foi de certa maneira um seu desdobramento. Ao concentrar-se nos elementos puramente formais da poesia, na estética e na "arte pela arte", mudou a direção da poesia francesa e teve muita influência em outros países. Um de seus mais ilustres representantes, Charles Baudelaire, capaz de acreditar que "tudo que não fosse arte era feio e inútil", processou ao mesmo tempo uma ruptura profunda com o movimento e anunciou os caminhos da poesia moderna. Outro precursor dos modernos foi o americano Edgar Allan Poe, traduzido para o francês pelo próprio Baudelaire. Difundiram-se, pouco depois, os movimentos impressionista e simbolista, tomados de empréstimo à pintura, à escultura e à música. Paul Verlaine, o primeiro dos impressionistas, usava a sugestão e ritmos fugazes para conseguir seus efeitos. O simbolismo - uso seletivo das palavras e imagens para evocar atmosferas e significados sutis -- aparece ainda nas obras de Mallarmé e Rimbaud.

A democratização da educação aumentou a procura do romance. No começo do século XIX, Jane Austen já satirizara os excessos do romance gótico, precursor do romantismo medievalizante do fim do século XVIII. Na França, o conflito entre inteligência e emoção apareceu nas obras de Benjamin Constant (Adolphe, 1816), mais notavelmente em Le Rouge et le noir (1830; O vermelho e o negro) de Stendhal e, posteriormente, em Madame Bovary (1857) de Gustave Flaubert. O realismo da obra de Flaubert e de Honoré de Balzac foi levado adiante por Guy de Maupassant na França, Giovanni Verga na Itália e Eça de Queirós em Portugal. Culminou no naturalismo de Émile Zola, que classificou sua prosa, em romances como Thérèse Raquin (1867), de "autópsia literária". Realismo e nacionalismo, contudo, parecem menos relevantes na visão de outros grandes escritores que se seguiram, como George Eliot, Charles Dickens e Thomas Hardy na Inglaterra e especialmente os russos Nikolai Gogol, Lev Tolstoi, Anton Tchekhov e Fiodor Dostoievski. Em tais escritores, observa-se uma aguda opção pela literatura de inquirição psicológica e social, estimulada pelas forças do liberalismo, do humanismo e do socialismo de muitos países ocidentais. Século XX. Quando o século XX começou, as condições sociais e culturais que predominavam na Europa e na América não eram muito diferentes daquelas de meados e fim do século XIX. Pouco depois, porém, Joseph Conrad, Henry James e D. H. Lawrence anunciavam em sua obra literária a transição de um mundo relativamente estável para uma época turbulenta, que começou com a primeira guerra mundial, em que se dava o despertar de uma nova consciência moral na literatura e nas artes. É o que se encontra sobretudo na ficção de A la recherche du temps perdu (Em busca do tempo perdido), de Marcel Proust -- cujo primeiro volume, Du côté de chez Swann (No caminho de Swann), é de 1913; em Les Caves du Vatican (1914; Os subterrâneos do Vaticano), de André Gide; no Ulysses (1922), de James Joyce; em Der Prozess (O processo, publicado postumamente em 1925), de Franz Kafka; e em Der Zauberberg (1924; A montanha mágica), de Thomas Mann. 

Várias influências que marcaram grande parte da literatura posterior a 1920 já estavam em evolução na obra desses escritores. Seu trabalho, como o de alguns outros da mesma época, mostrava interesse pelo inconsciente e o irracional. Duas importantes fontes dessa literatura foram Friedrich Nietzsche, filósofo alemão a quem tanto Gide quanto Mann, por exemplo, muito deviam, e Freud, cujos estudos psicanalíticos, por volta da década de 1920, exerceram poderosa influência sobre os intelectuais do Ocidente. O abandono das tendências e estilos do século XIX não se limitou aos escritores de ficção. O primeiro Manifeste du surréalisme (1924), de André Breton, foi a afirmação inicial de um movimento que pedia espontaneidade e ruptura total com a tradição. No surrealismo, a influência de Freud transparecia pela importância atribuída aos sonhos, na escrita automática e em outros métodos não lógicos e, embora tenha durado pouco como movimento formal, teve efeito duradouro na arte e na poesia do século XX. As incertezas da nova época e a diversidade de tentativas de lidar com ela ou lhe conferir coerência artística também pode ser observada em Duineser Elegien (1922; Elegias de Duíno) e Sonette an Orpheus (1923; Sonetos a Orfeu), de Rainer Maria Rilke; em Waste Land (1922; A terra inútil) de T. S. Eliot; e na obra de Fernando Pessoa. O período internacionalista e experimental da literatura do Ocidente nas décadas de 1910 e 1920 foi importante não apenas pelas grandes obras então produzidas, mas também porque estabeleceu um padrão para o futuro. Nas maiores obras da fase, revelou-se bem o senso progressivo de crise e de urgência, além das dúvidas com relação à estabilidade psicológica da personalidade individual e do questionamento profundo de todas as soluções filosóficas e religiosas para os problemas humanos. Na década de 1930, essas características do pensamento próprias do século XX persistiram e se expandiram para o domínio da política, na medida que os escritores se dividiam entre os que apoiavam o engajamento político em seus textos e aqueles que reagiam conservadoramente contra a dominação da arte pela política. Nem a segunda guerra mundial solucionou esse impasse. Questões semelhantes a essa ainda permaneciam em discussão no final do século.

Literatura após 1945. Seria tentador explicar a aparente escassez de grandes escritores no período imediatamente posterior à segunda guerra mundial como resultado inevitável da pressão acumulada pelo impacto dos progressos sociais e tecnológicos que se aceleraram em virtude do conflito. Sob tais circunstâncias instáveis e incertas, não pareceria totalmente estranho que os atos de escrever e ler, tal como são tradicionalmente entendidos, sofressem interrupção. De fato, em certos países de alto desenvolvimento tecnológico, como os Estados Unidos, a palavra impressa, em si, pareceu a alguns críticos ter perdido sua posição central, deslocada na mente popular para uma cultura eletrônica e visual que não exige a participação intelectual da audiência. Assim, os meios de comunicação criaram uma cultura popular internacional em vários países ocidentais, mas em nada contribuíram para responder às questões sobre a importância contemporânea da literatura. Dadas as condições extraordinárias em que trabalha o escritor moderno, não é surpreendente que seja difícil julgar a qualidade de sua produção, nem que a experimentação radical tenha seduzido grande número de autores. As formas tradicionais da escrita perdem suas características essenciais e se dissolvem umas nas outras, como os romances cuja linguagem adquire características de poesia, ou os que são transformados numa espécie de reportagem, enquanto a experimentação gráfico-visual deu aos poemas a aparência de pinturas verbais. A experimentação formal, no entanto, é apenas um aspecto da questão literária contemporânea, e afirmar que a literatura moderna desde a segunda guerra mundial foi essencialmente experimental seria ignorar outras tendências que se manifestaram no início do século e que ainda continuam a ser discutidas. Na opinião da maior parte dos bons críticos, apesar da escassez de grandes nomes e da natureza possivelmente transitória de muito do que se escreve nesta época de temas e estilos tão variados, é muito provável que uma boa literatura esteja sendo produzida.

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Vicente do Rego Monteiro

Vicente do Rego Monteiro

Vicente do Rego MonteiroRespondendo a um inquérito entre artistas, organizado por Walmir Ayala, Vicente do Rego Monteiro alinhou, como influências que mais fundamente o marcaram. ‘o Futurismo, o Cubismo, a estampa japonesa, a arte negra, a Escola de Paris. nosso Barroco e sobretudo a arte do nosso ameríndio da ilha de Marajó". Nascido em Recife, em 1899, numa família de artistas. já em 1911 Vicente do Rego Monteiro estava em Paris (em companhia da irmã mais velha), cursando, por pouco tempo, a Academia Julian. Talento precoce, cri 1913 participou do Salão dos Independentes, na capital francesa. De volta ao Brasil em 1917, dois anos mais tarde realizou, em Recife, sua primeira mostra individual; em 1920 e 1921, apresentou-se no Rio de Janeiro, em São Paulo e Recife. Em São Paulo entrou em contato com os artistas e intelectuais que desencadeariam a Semana de Arte Moderna da qual participou com dez de pinturas: três retratos, duas O duas Lendas Brasileiras, Baile no e dois quadros intitulados Cubismo. Logo em seguida retornou a Paris, e integrou-se a tal ponto na vida artística e cultural da capital francesa que nos anos 20, era dos pintores estrangeiro mais conceituados na França, com assídua e notável participação em mostras duais e coletivas. Expondo na Galeria Fabre, em 1925, mereceu do critico Maurice Raynal as mais elogiosas referências: "Em vez de se dedicar comodamente caligrafia acadêmica, Rego Monteiro repudiou essa tradição latina, que sufoca geralmente os artistas do seu país, para ressuscitar a influência da tradição indígena, que devia ser a primeira a provocar e inspirar todo artista brasileiro". Em 1928, nova individual, na Galeria Bernheim, Jeune, também em Paris, motivou comentários favoráveis do grande pintor e teórico do Purismo. Amédée Ozenfant. No ano seguinte, o crítico Geo-Charles consagrou-lhe um ensaio dos mais elogiosos. Por essa época, 

Vicente integrou-se aos principais grupos de vanguarda artística parisiense, juntando-se a Ozenfant, Metzinger e Herbin no grupo L’Effort Moderne. Quadros de sua autoria eram adquiridos pelo Museu de Arte Moderna e pelo Museu do Jeu de Paume. de Paris, pelo Museu de Grenoble e pelo Palácio dos Congressos Internacionais, de Liège. Alternando praticamente toda a sua existência entre a França e o Brasil, Vicente só pouco antes de falecer desfrutou algum prestigio maior em sua terra natal, onde nunca chegou a receber a consideração que sua importância exigia. Por outro lado, nem sempre ele se manteve fiel à pintura, pois considerava-se pelo menos tão bom poeta quanto pintor. Foi o fundador da revista Renovação, em Recife, e de 1947 a 1956 manteve em Paris La Presse à Bras, editora que lançou várias plaquetas de poesia; com outros poetas, fundou o Mia de Poémes do Salâo de Maio (1948/52) e organizou o Primeiro Congresso Internacional de Poesia, realizado cm Paris em 1952. Como escritor, mereceu, em 1960,0 Prêmio Apollinaire, por seu Livro de poemas Broussais La Charité. 

Em 1957, fixou-se no Brasil. passando a lecionar sucessivamente na Escola de Belas-Artes de Recife, na de Brasília e de novo na de Recife. Em 1966 o Museu de Arte de São Paulo dedicou-lhe uma retrospectiva, o mesmo tendo feito, após sua morte, em 1970,0 Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Muitas das melhores telas de Rego Monteiro perderam-se num incêndio, no fim da década de 20; anos mais tarde, o artista tentou reproduzi-Ias de memória ou lançando mão de esboços e desenhos preliminares; mas, evidentemente, as obras perderam muito em emoção e sentimento. Em seus melhores momentos, Vicente é pessoal, embora aparentado a outros artistas de seu tempo. Sua peculiaridade é a insistência com que abordou temas nacionais, o que o transforma em precursor de uma tendência artística latino-amencana. Seu mundo de idéias oscilava entre as figuras do panteão americano e a Bíblia, os clássicos e outros temas grandiloqüentes, que tornam sua arte grave e profunda. Mas ele sentiu também, como poucos, a sedução do movimento fascinado que era pela dança e pelo esporte — e, homem de seu tempo, em determinada fase da carreira viu-se empolgado pelo não figurativismo. Características de sua arte são a plasticidade, a sensação volumétrica que se desprende dos planos, a textura quase imaterial, de tão leve, o forte desenho, esquematizado. e a ciência da composição, que o torna um clássico, preocupado com a construção das formas. Vicente do Rego Monteiro foi também escultor, tendo deixado figuras em madeira, articuladas, num espírito afim com o do cubista Léger. Sua influência tendeu a crescer após sua morte: a ele, de certo modo, é que se referem muitos dos melhores artistas contemporâneos do Nordeste, inclusive João Câmara e Gilvan Samico.