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Platero e Eu | Juan Ramon Jimenez


Platero e Eu | Juan Ramon Jimenez

Platero e Eu | Juan Ramon Jimenez
"A noite cai, nevoenta e lilás. Vagas claridades esverdeadas e cor de malva flutuam ainda atrás da torre da igreja. A estrada se encurva



–povoada de sombras, impregnada do perfume das campânulas, do bálsamo das ervas, cheia de canções, de dolência e de sonhos. De repente, um homem sombrio, de boné e aguilhão, a cara feia alumiada, instantaneamente, pela brasa do cigarro, irrompe de uma guarita miserável, encravada entre sacos de carvão. Platero se assusta.



- Que leva aí?



- Pode ver... Borboletas brancas...



O homem procura examinar a sacola com o aguilhão, e eu deixo. Abro-a e ele não vê nada. E o inefável manjar passa livre e inocente, sem pagar seus impostos à Alfândega..."



Poema a Lésbia | Catulo


Poema a Lésbia | Catulo


Poema a Lésbia | Catulo"Vivamos, minha Lésbia, e amemos,
e as graves vozes velhas
– todas –
valham para nós menos que um vintém.
Os sóis podem morrer e renascer:
quando se apaga nosso fogo breve
dormimos uma noite infinita.
Dá-me pois mil beijos, e mais cem,
e mil, e cem, e mil, e mil e cem.
Quando somarmos muitas vezes mil

misturaremos tudo até perder a conta:
que a inveja não ponha o olho de agouro
no assombro de uma tal soma de beijos."


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Poema Concreto | Décio Pignatari


Poema Concreto | Décio Pignatari

Poema Concreto | Décio Pignatari
" um
movi
mento
compondo
além
da
nuvem
um
campo
de
combate

mira
gem
ira
de
um
horizonte
puro
num
mo
mento
vivo"


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Poema de Sete Faces | Carlos Drummond de Andrade


Poema de Sete Faces | Carlos Drummond de Andrade

Poema de Sete Faces | Carlos Drummond de Andrade
"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

(...)

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo."


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Poemas Sujo | Ferreira Gullar


Poemas Sujo | Ferreira Gullar

Poemas Sujo | Ferreira Gullar
"O homem está na cidade
como uma coisa está em outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade

mas variados são os modos
como uma coisa
está em outra coisa:
o homem, por exemplo, não está na cidade
como uma árvore está
em qualquer outra
nem como uma árvore
está em qualquer uma de suas folhas
(mesmo rolando longe dela)
O homem não está na cidade
como uma árvore está num livro
quando um vento ali a folheia

a cidade está no homem
mas não da mesma maneira
que um pássaro está numa árvore
não da mesma maneira que um pássaro
(a imagem dele)
estava na água
e nem da mesma maneira
que o susto do pássaro
está no pássaro que eu escrevo
a cidade está no homem
quase como a árvore voa
no pássaro que a deixa

cada coisa está em outra
de sua própria maneira
e de maneira distinta
de como está em si mesma

a cidade não está no homem
do mesmo modo que em suas
quitandas praças e ruas

Buenos Aires, maio/outubro, 1975."


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Poemas 1966 - 1987 | Seamus Heaney


Poemas 1966 - 1987 | Seamus Heaney

Poemas 1966 - 1987 | Seamus Heaney
"Entre o dedo e o dedão a caneta
Parruda pousa; com arma pega.

Sob minha janela, um som raspante e claro
Quando a pá penetra a crosta de cascalho:
Meu pai, cavando. Olho para baixo

Até seu dorso reteso entre os canteiros
Encurvar-se, brotarem vinte anos atrás
Dobrando-se em cadência nos batatais
Onde estava cavando.

A chanca aninhada no rebordo, o cabo
Alçado contra o joelho interno com firmeza.
Ele extirpava talos altos, fincava o fio luzidio
Para espalhar batatas novas que colhíamos
Adorando a fresca dureza nas mãos.

Por Deus, o velho sabia usar uma pá.
Tal qual o velho dele.

Meu avô cortou mais turfa num dia
Do que outro homem no pântano de Toner.
Uma vez levei leite numa garrafa
Mal rolhada com papel. Ele aprumou-se
Para bebê-lo, e em seguida pôs-se a
Talhar e fatiar com precisão, lançando
Torrões nos ombros, indo mais embaixo atrás
Da turfa boa. Cavando.

O cheiro frio de barro de batata, o chape e o trape
De turfa empapada, os curtos cortes de um fio
Nas raízes vivas despertam em minha cabeça.
Mas pá não tenho para seguir homens como eles.

Entre o dedo e o dedão a caneta
Parruda pousa.
Vou cavar com ela."


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Poemas | E.E. Cummings


Poemas | E.E. Cummings

Poemas | E.E. Cummings
"eu estarei
A n d ando na Rua de seu

corposen t indoa om euredor o tráfego de
belos;músculos-afunde x p i r a n d o D
erepent
E tangendo
a curvaação de
Seu-
. . . .beIjo suas:mãos
tocarão sobre,miM como
sons surd os OU des-com ex-as fôlHas flut u and o
de Horríveis árvores ou

Mesmo Mandolinas
o lh a-
pombos voa ndoe

vol(:estão,BoRrI,f,AnDo um in-stante com luzSolar
d e p o i s)v-
endo todos se vão NegroS voo-lve-ndo


bre
minhAmíniMa

rua
onde
chegarás,

ao crep úsc ulo
n(ua e háu
m a lu
)a."

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