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Vida e Obra de Aristóteles


Vida e Obra de Aristóteles

Vida e Obra de AristótelesAristóteles, filho do médico Nicômaco, da família dos Ascleopiades que descendiam dos Esculápia, nasceu a 384 a. C. Sua cidade natal Estagia, ficava no litoral setentrional do Mar Ergeu. Durante sua vida teve duas esposas: a primeira foi Pítias, sobrinha do tirano Hermías, governante de Assos, antigo escravo e ex-integrante da Academia Platônica; a segunda foi Herpilis, que deu-lhe o filho Nicômaco.

O jovem Aristóteles, originário da Macedônia, chega a Atenas, centro intelectual e artístico da Grécia, em 367 ou 366 a. C., a procura de oportunidade para prosseguir seus estudos. Encontra naquela época duas grandes instituições educacionais que disputam a preferência dos jovens. Uma dirigida por Isócrates, seguidor da trilha dos sofistas, propunha-se a educar os jovens para a vida democrática ateniense, ensinando-os a arte da retórica. A outra fundada por Platão, em 387 a. C., “mostrava a seus discípulos que a atividade humana, desde que pretendesse ser correta e responsável não poderia ser norteada por valores instáveis, formulados segundo o relativismo e a diversidade das opiniões”, mas sim na investigação científica, “fundada na realidade”. Aristóteles fez opção pela Academia, mesmo sendo advertido de que ali não ingressava “quem não soubesse geometria”.

A condição de meteco de Aristóteles explicava porque não seguiu os passos do seu mestre – Platão – “um pensador político, preocupado com os destinos da Pólis e com a reforma das instituições”. Ele, frequentador da Academia por vinte anos, dedicou-se a pesquisas biológicas, contrapondo-se ao “matematismo que dominava na Academia”. Seu “espírito de observação e a índole classificadora, típicas da investigação naturalista”, constituiu os traços fundamentais de seu pensamento. Aristóteles, diante das questões políticas, assume atitude de homem de estudo, isolando-se da cidade em pesquisas especulativas, fazendo da política um objeto de estudo e não uma ocasião para agir.

Em 347 a. C. morre Platão. Mesmo tendo uma destacada atuação, Aristóteles não é escolhido para substituir o mestre na direção da Academia.

A partir de 343 a. C. e por vários anos Aristóteles é encarregado da missão de educar Alexandre, filho de Filipe da Macedônia. Em 338 a. C. os macedônicos derrotam os gregos em Queronéia, chegando ao fim a autonomia das cidades-Estados.

No ano de 336 a. C. Alexandre sobe ao trono da Macedônia e inicia a construção de seu grande império, e neste momento Aristóteles retorna a Atenas.

É em Atenas que Aristóteles funda sua escola, próximo ao templo dedicado a Apolo Liceano, que recebeu o nome de Liceu, também chamada de peripatética.

A Escola Peripatética dedicou-se, especialmente, à indagação empírica, naturalista e histórica.
Uma curiosidade sobre Aristóteles. Consta que quando ele estava estudando, segurava em uma dadas mãos uma bola de cobre e se adormecesse cairia em uma bacia de metal, despertando-o.

Com a morte de Alexandre, em 323 a. C., Aristóteles passou a ser perseguido politicamente pelos anti-manedônicos. Ele deixou Atenas e refugiou-se em Cábeis, no sudeste da Ilha de Eueria, onde morreu no verão de 322 a. C., aos 62 anos.

Aristóteles
Aristóteles


Obra de Aristóteles
A Obra de Aristóteles é vasta, foi escrita para dois públicos distintos: uma parte endereçada aos seus discípulos no Liceu, os Escritos ditos filosóficos ou científicos; a outra parte destinada à publicação para o grande público, as Obras exotéricas, redigidas em forma mais dialética do que demonstrativa.

Aristóteles dizia que “a filosofia é essencialmente teoria” e que o “homem é uma unidade substancial de alma e corpo”, além de afirmar “que todo movimento implica uma passagem de um estado a outro”.

As principais obras e seus enfoques:
Escritos lógicos: considerava a lógica instrumento da ciência e da filosofia.

Escritos sobre a física: abarcava a cosmologia e a antropologia dentro da filosofia teorética, além da metafísica. Analisava os diversos tipos de movimentos, no espaço e no tempo.

Escritos metafísicos: a metafísica. Esta obra de 14 livros foi editada após a sua morte, a partir de manuscritos sobre a metafísica geral e teológica. A metafísica “ciência do ser como ser, ou dos princípios e das causas do ser e dos seus atributos essenciais”, abrangendo do ser imóvel à Deus. Age a partir de 4 doutrinas: da potência e do ato, da matéria e da forma, do particular e do universal, do motor e da coisa movida.

Escritos morais e políticos: a Ética a Nicômaco, em dez livros; a Ética a Eudemo, inacabada; a Grande Ética, compêndio das duas anteriores, com maior destaque para a Ética a Eudemo; a Política, com 8 livros inacabada. Coloca o Estado como superior ao indivíduo.

Escritos retóricos e poéticos: a Retórica, em 3 livros; Poética, em 2 livros.

Vida e Obra de Aristóteles
Vida e Obra de Aristóteles

Evolução do Realismo de Eça de Queirós

Evolução do Realismo de Eça de Queirós

Evolução do Realismo de Eça de Queirós1.ª fase1866 a 1875 – Nesta fase Eça de Queirós escreveu folhetins na Gazeta de Portugal depois reunidos no volume Prosas Bárbaras. A essa fase pertencem O Mistério da Estrada de Sintra , Uma Campanha Alegre , Coletânea de seus artigos publicados nas Farpas. Percebe-se nessa fase , influências de Victor Hugo , Michelet , Baudelaire , Heine. Afastando-se do esquematismo ultra-romântico , ele vai se aproximando do romantismo social.

2.ª fase1875 a 1887. Eça propôs-se a partir desse momento , a realizar um inventário da sociedade portuguesa , criticando-a para então corrigi-la. O autor volta-se aos problemas sociais, coletivos , deixando de lado as particularidades , Sua ótica é positivista. A essa fase pertencem O Crime do Padre Amaro , O Primo Basílio , O Mandarim , A Relíquia e Os Maias.

3.ª fase – 1887 em diante – Da curva ideológica descrita por quase toda sua geração, Eça vai gradativamente se afastando do experimental Realismo – Naturalismo , em favor da “fantasia”. A insatisfação melancólica e o 2ceticismo irônico das frases anteriores desapareceram. Eça parece retornar um certo idealismo romântico , voltando-se para o passado e para o campo. Fazem parte dessa fase: A Ilustre Casa de Ramires , A Correspondência de Fradique Mendes , A Cidade e as Serras , A Capital , O Conde de Abranhos.

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Trovadorismo (1198-1418)


Trovadorismo (1198-1418)

Trovadorismo (1198-1418)Às primeiras décadas desta época transcorrem durante a guerra de reconquista do solo português ainda em parte sob domínio mourisco, cujo derradeiro ato se desenrola em 1249, quando Afonso III se apodera de Albufeira, Faro, Loulé, Aljezur e Porches, no extremo sul do País, batendo definitivamente os últimos baluartes sarracenos em Portugal. E apesar de Mo absorvente a prática guerreira durante esses anos de consolidação política e territorial, a atividade literária beneficiou-se de condições propícias e pôde desenvolver-se normalmente. Cessada a contingência bélica, observa-se o recrudescimento das manifestações sociais típicas dos períodos de paz e tranquilidade ociosa, entre as quais a literatura. Em resultado desse clima pós-guerra, a poesia medieval portuguesa alcança, na segunda metade do século XIII, seu ponto mais alto. A origem remota dessa poesia constitui ainda assunto controvertido;- admitem-se quatro fundamentais teses para explicá-la: a tese arábica, que considera a cultura arábica como sua velha raiz; a tese folclórica, que a julga criada pelo povo; a tese médio-latinista, segundo a qual essa poesia ter-se-ia originado da literatura latina produzida durante a Idade Média; a te se litúrgica considera-a fruto da poesia litúrgico-cristã elaborada na mesma época. Nenhuma delas é suficiente, para resolver o problema, tal a sua unilateralidade. Temos de apelar para todas, ecleticamente, a fim de abarcar a multidão de aspectos contrastantes apresentada pela primeira floração da poesia medieval. Todavia, é da Provença que vem o influxo próximo. Aquela região meridional da França tornara-se no século XI um grande centro de atividade lírica, mercê das condições de luxo e fausto oferecidas aos artistas pelos senhores feudais. As Cruzadas, compelindo os fiéis a pró-curar Lisboa como porto mais próximo para embarcar com destino a Jerusalém, propiciaram a movimentação duma fauna humana mais ou menos parasitária, em meio à qual iam os jograis. Estes, penetrando pelo chamado “caminho francês” aberto nos Pirineus, introduziram em Portugal a nova moda poética. Fácil foi sua adaptação à realidade portuguesa, graças a ter encontrado um ambiente favoravelmente predisposto, formado por uma espécie de poesia popular de velha tradição. A íntima fusão de ambas as correntes (a provençal e a popular) explicaria o caráter próprio assumido pelo trovadorismo em terras portuguesas. A época inicia-se em 1198 (ou 1189), com a “cantiga de garvaia”, dedicada por Paio Soares de Taveirós a Maria Pais Ribeiro, e termina em 1418, quando Fern5o Lopes é nomeado Guarda-Mor da Torre do Tombo, ou seja, conservador do arquivo do Reino, por D. Duarte.

Origem da Palavra Trovador
Provença, o poeta era chamado de troubadour, cuja forma correspondente em Português é trovador, da qual deriva trovadorismo, trovadoresco, trovadorescamente. No norte da França, o poeta recebia o apelativo trouvère, cujo radical é igual ao anterior: trouver (=achar): os poetas deviam ser capazes de compor, achar sua canção, cantiga ou cantar, e o poema assim se denominava por implicar o canto e o acompanhamento musical. Duas espécies principais apresentava a poesia trovadoresca: a lírico-amorosa e a satírica. A primeira divide-se em cantiga de amor e cantiga de amigo; a segunda, em cantiga de escárnio e cantiga de maldizer. O idioma empregado era o galego-português, em virtude da então unidade linguística entre Portugal e a Galiza.

CANTIGA DE AMOR — Neste tipo de cantiga, o trovador empreende a confissão, dolorosa e quase elegíaca, de sua angustiante experiência passional frente a uma dama inacessível aos seus apelos, entre outras razões porque de superior estirpe social, enquanto ele era, quando muito, fidalgo decaído. Uma atmosfera plangente, suplicante, de litania, varre a cantiga de ponta a ponta. Os apelos do trovador colocam-se alto. num plano de espiritualidade, de idealidade ou contemplação platônica, mas entranham-se-lhe no mais fundo dos sentidos; o impulso erótico situado na raiz das súplicas transubstancia-se, purifica-se, sublima-se. Tudo se passa como se o trovador “fingisse”, disfarçando com o véu do espiritualismo, obediente às regras de conveniência social e da moda literária vinda da Provença, o verdadeiro e oculto sentido das solicitações dirigidas à dama. A custa de “fingidos” ou incorrespondidos, os estímulos amorosos transcendentalizam-se: repassa-os um torturante sofrimento interior que se segue à certeza da inútil súplica e da espera dum bem que nunca chega. É a coita (= sofrimento) de amor, que, afinal, ele confessa. As mais das vezes, quem usa da palavra é o próprio trovador, dirigindo-a com respeito e subserviência à dama de seus cuidados (mia senhor ou mia dona = minha senhora), e rendendo-lhe o culto que o “ser­viço amoroso” lhe impunha. E este orienta-se de acordo com um rígido código de comportamento ético: as regras do “amor cortês”, recebidas da Provença. Segundo elas, o trovador teria de mencionar comedida-mente o seu sentimento (mesura), a fim de não incorrer no desagrado (sanha) da bem-amada; teria de ocultar o nome dela ou recorrer a um pseudônimo (senhal), e prestar-lhe uma vassalagem que apresentava quatro fases: a primeira correspondia à condição de fenhedor, de quem se consome em suspiros; a segunda é a de pecador, de quem ousa declarar-se e pedir; entendedor é o namorado; drut, o amante. O lirismo trovadoresco português apenas conheceu as duas últimas fases, mas o drut (drudo em Português) se encontrava exclusivamente na cantiga de escárnio e maldizer- Também a senhal era desconhecida de nosso trovadorismo- Subordinando o seu sentimento às leis da corte amorosa, o trovador mostrava conhecer e respeitar as dificuldades interpostas pelas convenções e pela dama no rumo que o levaria à consecução dum bem impossível- Mais ainda: dum bem (e “fazer bem” significa corresponder aos requestos do trovador) que ele nem sempre desejava alcançar, pois seria pôr fim ao seu tormento masoquista, ou inicio dum outro maior. Em qualquer hipótese, só lhe restava sofrer, indefinidamente, a coita amorosa. E ao tentar exprimir-se, a plangência da confissão do sentimento que o avassala, — apoiada numa melopeia própria de quem mais murmura suplicantemente do que fala —, vai num crescendo até a última estrofe (a estrofe era chamada na lírica trovadoresca de cobra; podia ainda receber o nome de cobla ou de talho). Visto uma ideia obsessiva estar empolgando o trovador, a confissão gira em torno dum mesmo núcleo, para cuja expressão o enamorado não acha palavras muito variadas, tão intenso e maciço é o sofrimento que o tortura. Ao contrário, a corrente emocional, movimentando-se num círculo vicioso, acaba por se repetir monotonamente, apenas mudado o grau do lamento, que aumenta em avalanche até o fim. O estribilho ou refrão, com que o trovador pode rematar cada estrofe, diz bem dessa angustiante ideia fixa para a qual ele não encontra expressão diversa. Quando presente o estribilho, que é recurso típico da poesia popular, a cantiga chama-se de refrão- Quando ausente, a cantiga recebe o nome de cantiga de maestria, por tratar-se dum esquema estrófico mais complexo, intelectualizado, sem o suporte facilitador daquele expediente repetitivo.

CANTIGA DE AMIGO — Escrita igualmente pelo trovador que compõe cantigas de amor, e mesmo as de escárnio e maldizer, esse tipo de cantiga focaliza o outro lado da relação amorosa: o fulcro do poema é agora representado pelo sofrimento amoroso da mulher, via de regra pertencente às camadas populares (pastoras, camponesas, etc.). O trovador, amado incondicionalmente pela moça humilde e ingênua do campo ou da zona ribeirinha, projeta-se-lhe no íntimo e desvenda-lhe o desgosto de amar e ser abandonada, em razão da guerra ou de outra mulher. O drama é o da mulher, mas quem ainda compõe a cantiga é o trovador: 1) pode ser ele precisamente o homem com quem a moça vive sua história; o sofrimento dela, o trovador é que o conhece, melhor do que ninguém; 2) por ser a jovem analfabeta, como acontecia mesmo às fidalgas. O trovador vive uma dualidade amorosa, de onde extrai as duas formas de lirismo amoroso próprias da época: em espírito, dirige-se à dama aristocrática; com os sentidos, à camponesa ou à pastora. Por isso, pode expressar autenticamente os dois tipos de experiência passional, e sempre na primeira pessoa (do singular ou plural), 1) como agente amoroso que padece a incorrespondência, 2) como se falasse pela mulher que por ele desgraçadamente se apaixona. É digno de nota que essa ambiguidade, ou essa capacidade de projetar-se na interlocutora do episódio e exprimir-lhe o sentimento; extremamente curiosa como psicologia literária ou das relações humanas, não existia antes do trovadorismo nem jamais se repetiu depois. No geral, quem ergue a voz é a própria mulher, dirigindo-se em confissão à mãe, às amigas, aos pássaros, aos arvoredos, às fontes, aos riachos, O conteúdo da confissão é sempre formado duma paixão in­transitiva ou incompreendida, mas a que ela se entrega de corpo e alma. Ao passo que a cantiga de amor é idealista, a de amigo é realista, traduzindo um sentimento espontâneo, natural e primitivo por parte da mulher, e um sentimento donjuanesco e egoísta por parte do homem. Uma tal paixão haveria de ter sua história: as cantigas surpreendem “momentos” do namoro, desde as primeiras horas da corte até as dores do abandono, ou da ausência, pelo fato de o bem-amado estar no fossado ou no bafordo, isto é, no serviço militar ou no exercício das armas. Por isso, a palavra amigo pode significar namorado e amante. A cantiga de amigo possui caráter mais narrativo e descritivo que a de amor, de feição analítica e discursiva. E classifica-se de acordo com o lugar geográfico e as circunstâncias em que decorrem os acontecimentos, em serranilha, pastorela, barcarola, bailada, romaria, alba ou alvorada (surpreende os amantes no despertar dum novo dia, depois de uma noite de amor).

CANTIGA DE ESCÁRNIO E CANTIGA DE MALDIZER – A cantiga de escárnio é aquela em que a sátira se constrói indiretamente, por meio da ironia e do sarcasmo, usando “palavras cobertas, que hajam dois entendimentos para lhe lo não entenderem”, como reza a Poética Fragmentária que precede o Cancioneiro da Biblioteca Nacional (antigo Colocci-Brancuti). Na de maldizer, a sátira é feita direta­mente, com agressividade, “mais descobertamente”, com “palavras que querem dizer mal e não haverão outro entendimento senão aquele que querem dizer chãmente”, como ensina a mesma Poética Fragmentária. Essas duas formas de cantiga satírica, não raro escritas pelos mesmos trovadores que compunham poesia lírico-amorosa, expressavam, como é fácil depreender, o modo de sentir e de viver próprio de ambientes dissolutos, e acabaram por ser canções de vida boemia e escorraçada, que encontrava nos meios frascários e tabernários seu lugar ideal. A linguagem em que eram vazadas admitia, por isso, expressões licenciosas ou de baixo-calão: poesia “maldita”, descambando para a pornografia ou o mau gosto, possui escasso valor estético, mas em contra­partida documenta os meios populares do tempo, na sua linguagem e nos seus costumes, com uma flagrância de reportagem viva. Visto constituir um tipo de poesia cultivado notadamente por jograis de má vida, era natural propiciasse e estimulasse o acompanha­mento de soldadeiras (= mulheres a soldo), cantadeiras e bailadeiras, cuja vida airada e dissoluta fazia coro com as chulices que iam nas letras das canções.

Olhai os Lírios do Campo (Érico Veríssimo)

Olhai os Lírios do Campo (Érico Veríssimo)

Olhai os Lírios do Campo (Érico Veríssimo)De 1938 , é um dos livros nacionais que mais alcançou grande número de edições. Conta a história de Eugênio e Olívia, dois médicos, que sofrem as angústias do mundo moderno. O livro divide-se em duas partes sendo a primeira o cruzamento de dois níveis temporais: o presente (Eugênio dentro do carro em direção ao hospital) e o passado ( sua vida de infância, seus traumas, seus traumas, seu conhecimento, com Olívia, o casamento com Eunice ,a frustração, o sentimento de se ter vendido para vencer). A Segunda parte desenvolve-se de maneira mais linear, embora o passado se misture ao presente da filha. Assim , nesta narrativa de vários planos temporais, entrelaça-se uma crítica à sociedade fútil e vazia,ao acúmulo de riquezas e à consequente hipocrisia das relações sociais. Neste mundo em crise , a voz de Olívia representaria a mensagem do próprio autor, simbolizada na metáfora do título. Uma mensagem de otimismo de confiança, que Eugênio, só compreenderá no final.

"Era preciso pensar nos outros e fazer alguma coisa em favor deles.... Por que não começar algum trabalho em benefício das crianças abandonadas? Dar-lhes alimentação adequada , boas roupas m higiene, instrução, assistência médica e dentária, colônia de férias, oportunidades de se divertirem, de serem alegres..."

É sintomático que o herói do romance, Eugênio, seja médico. O médico tornou-se na sociedade atual, aquele mediador entre a ciência , a técnica e o sentimento humanitário. Pensando primeiro em si mesmo, egoisticamente, Eugênio evolui para a solidariedade, através das colocações de Olívia, que embora morta, é um personagem presente no romance ,fazendo contraponto com Eugênio.

Vida e Obra de Eça de Queirós

Vida e Obra de Eça de Queirós


Vida e Obra de Eça de QueirósVida
José Maria Eça de Queirós , nasceu em Póvoa do Varzim 1845. Passou a infância e juventude longe dos pais pois estes não eram casados. Estudou direito na Universidade de Coimbra. Ligou-se por essa ocasião ao grupo renovador chamado “Escola de Coimbra” , Responsável pela introdução do Realismo em Portugal. Eça não participou diretamente da “Questão Coimbra” - 1865 - , a polêmica em que jovens defensores de novas idéias literárias , artísticas e filosóficas liderados por Antero de Quental , se defrontaram com os velhos românticos , ultrapassados e conservadores , liderados por Visconde de Castilho. Dedicou-se ao jornalismo depois de formado , e viajou pelo Oriente. Em 1871, participou das “Conferências Democráticas do Cassino Lisbonense” – nova etapa da campanha que implantou em Portugal as novas perspectivas culturais do Realismo falando sobre o “Realismo como nova expressão da arte”. Eça de Queirós e o representante maior da prosa realista em Portugal. Grande renovador do romance , abandonou a linha romântica , e estabeleceu uma visão critica da realidade. Afastou-se do estilo clássico , que pendurou por muito tempo na obra de diversos autores românticos , deu a frase uma maior simplicidade , mudando a sintaxe e inovando na combinação das palavras. Evitou a retórica tradicional e os lugares comuns , criou novas formas de dizer , introduziu neologismos e, principalmente utilizou o adjetivo de maneira inédita e expressiva. Este novo estilo só teve antecessor em Almeida Garrett e valeu a Eça a acusação de galicismo e estabeleceu os fundamentos da prosa moderna da Língua Portuguesa. Enfim , no dia 16 de Agosto de 1900 Eça morre em Paris. Deixava um episódio literário que veio a ser publicado aos poucos.

Obra
  1. O Crime do Padre Amaro , 1876. Segunda edição refundida , 1880.
  2. O Primo Basílio , 1878.
  3. O Mandarim , 1880.
  4. A Relíquia , 1887.
  5. Os Maias , 1888.
  6. Uma Campanha Alegre , 1890 e 1891.
  7. A Ilustre Casa de Ramires , 1900.
  8. Correspondência de Fradique Mendes , 1900.
  9. Dicionário de Milagres , 1900.
  10. A Cidade e as Serras , 1901.
  11. Contos , 1902.
  12. Prosas Bárbaras , 1903.
  13. Cartas de Inglaterra , 1905.
  14. Ecos de Paris , 1905.
  15. Cartas Familiares e Bilhetes de Paris ( 1893 – 1896 ) , 1907.
  16. Notas Contemporâneas , 1909.
  17. A Capital , 1925.
  18. O Conde de Abranhos e A Catástrofe , 1925.
  19. Correspondência , 1925.
  20. Alves & Cia , 1926.
  21. O Egito , 1926.
  22. Cartas Inéditas de Fradique Mendes e Mais Páginas Esquecidas , 1929.
  23. Novas Cartas Inéditas de Eça de Queirós , 1940.
  24. Crônicas de Londres , 1944.
  25. Cartas de Lisboa , Correspondência do Reino , 1944.
  26. Cartas de Eça de Queirós , 1945.
  27. A Tragédia da Rua das Flores , 1980.

Vento Frio | H. P.Lovecraft

Vento Frio | H. P.Lovecraft 

Vento Frio | H. P.Lovecraft
Vento Frio | H. P.Lovecraft
Vento Frio | H. P.Lovecraft



Vento Frio | H. P.LovecraftTítulo: Vento Frio
Autor: H. P. Lovecraft
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Americana
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PERGUNTAS-ME por que receio as rajadas de vento frio; por que tremo mais que as pessoas comuns ao entrar num aposento gélido e sinto náusea e repulsa quando a friagem da noite se insinua, furtiva, pelo calor de um suave dia de outono. Há quem diga que eu reajo ao frio de modo semelhante ao que outros reagem ao fedor, e serei o último a desmentir essa impressão. O que farei será relatar a situação mais horripilante em que já me encontrei e deixar a ti a tarefa de julgar se ela representa ou não urna explicação satisfatória para essa minha esquisitice.

........É falso imaginar que o horror esteja associado indissoluvelmente com o negrume, o silêncio, a solidão. Eu o conheci no esplendor fulgurante de urna tarde de sol, em meio ao clangor da metrópole e no ambiente apinhado de uma pobre e comuníssima casa de pensão, tendo a meu lado uma senhoria prosaica e dois homens robustos. Em meados de 1923, eu conseguira um emprego enfadonho e pouco rendoso numa revista, em Nova Iorque; e na impossibilidade de pagar o aluguel de uma moradia decente, comecei a vagar de uma pensão barata para outra, em busca de um quarto que combinasse as qualidades de limpeza adequada, mobiliário tolerável e preço bastante módico. Constatei, antes que passasse muito tempo, que só me restava optar entre diferentes males; entretanto, pouco depois dei com uma casa na Rua 14 Oeste que me repugnava muito menos do que as outras que eu havia experimentado.

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Memórias da Rua do Ouvidor | Joaquim Manuel de Macedo

Memórias da Rua do Ouvidor | Joaquim Manuel de Macedo 

Memórias da Rua do Ouvidor | Joaquim Manuel de MacedoTítulo: Memórias da rua do Ouvidor
Autor: Joaquim Manuel de Macedo
Gênero: Romance
Categoria: Literatura Brasileira
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Como a atual Rua do Ouvidor, tão soberba e vaidosa que é, teve a sua origem em um desvio, chamando-se primitivamente Desvio do Mar, e começando então (de 1568 a 1572) do ponto em que fazia ângulo com a Rua Direita, neste tempo com uma só linha de casas e à beira do mar. Como em 1590, pouco mais ou menos, o Desvio do Mar recebeu a denominação de Rua de Aleixo Manoel, sendo ignorada a origem dessa denominação; o autor destas Memórias recorre a uns velhos manuscritos que servem em casos de aperto, e acha neles a tradição de Aleixo Manoel, cirurgião de todos e barbeiro só de fidalgos; começa a referi-la, mas suspende-a no momento em que vai entrar em cena a heroína, que é mameluca, jovem e linda, e deixa os leitores a esperar por ele sete dias.

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