Ulisses | James Joyce

Ulisses | James Joyce

Ulisses | James Joyce"O senhor Bloom caminhava em seu bosquete despercebido dos tristonhos anjos, cruzes, colunas truncadas, capelas familiares, esperanças pétreas pregando com olhos sursivoltos, corações e mãos da velha Irlanda. Mais sensato despender o dinheiro em alguma caridade para com os vivos. Reze pelo repouso da alma de. Fá-lo de fato alguém? Plantá-lo ali e é tudo o que cumpria. Como uma pazada de carvão em fornalha. E é aglomerá-los juntos para poupar tempo. Dia de finados. A vinte-e-sete estarei à sua tumba. Dez xelins para o jardineiro. Mantém-na limpa de ervas. Velho ele também. Arqueado em dois com sua segadora mondando. Perto do umbral da morte. Que passou desta. Que deixou esta vida. Como se o tivessem feito por própria deliberação. Com um empurrão, todos eles. 

Que esticou as canelas. Mais interessante se te contassem o que foram. Fulano de tal, carroceiro. Eu era caixeiro-viajante de linóleo de cortiça. Eu entrei em concordata a cinco xelins por libra. Ou de uma mulher com sua panela. Eu cozinhava bom guisado irlandês. Elogio de um adro-cemitério de campanha tinha de ser aquele poema de me parece Wordsworth ou Thomal Campbell. Ganhou descanso dizem os protestantes. A do velho Dr. Murren. A grande medicadora o acolheu. Afinal, é o torrão de Deus para eles. Bela casa de campo. Recém-rebocada e pintada. Lugar ideal para uma cachimbada tranquila e para ler o Church Times . Nunca se tenta embelezar os anúncios de casamento. Festões enferrujados pendendo de aldrabas, guirlandas bronzefoliadas. O que de melhor pelo preço. Ainda assim, as flores são mais poéticas. As outras são cansativas, nunca se fanando. Dizem nada. Perpétuas. Um passarinho pousava plácido num ramo de choupo. Como que empalhado. Como o presente de casamento que o edil Hooper nos deu. Chô! Nem se mexe. Sabe que não há atiradeiras para varejar contra ele. Os bichos mortos são ainda mais tristes. Milly-Bobilly enterrando o passarinhozinho morto na caixa de fósforos de cozinha, uma enfiada de margaridas e pedaços de colarezinhos partidos sobre a cova."

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