Novas Regras Gramaticais


Novas Regras Gramaticais

Novas Regras GramaticaisAnálise do Comportamento e as novas regras gramaticais
O que estão achando das novas regras gramaticais que vigoraram a partir de 2009? Muito estranhas? Complicaram mais a língua portuguesa?

O que significa afirmarmos que a adaptação às novas regras gramaticais pode ser complicada, sobretudo no início?

As regras gramaticais especificam a topografia de um comportamento verbal (vocal ou textual), em termos de sua relação com uma contingência estabelecida pela cultura, como por exemplo a nova regra:

"Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui."
ou seja,
"Escreva palavras com gue, gui, que, que, sem o trema [resposta] para que a comunidade verbal aprove sua escrita [consequência]"

O problema é que em nossa história de vida, nosso comportamento foi condicionado sob controle de outras regras que, agora, mudaram. O que antes era reforçado (no caso, usar o trema), agora será punido, por exemplo, por um professor de português no caso de um aluno do ensino médio, ou pela revisão de uma editora de livros. O que antes era punido (esquecer o trema), agora será reforçado.

Além da mudança, ainda não tivemos tempo para nos expor às novas contingências, isto é, neste caso a regra é um antecedente verbal que especifica consequências que ainda não aconteceram. Quando passarmos por esse processo de modelagem, provavelmente "nos acostumaremos". O que isso quer dizer? Que a exposição às consequências fará com que nosso comportamento fique sob controle destas, com menos necessidade de verbalizarmos ou consultarmos a regra a cada escrita de palavra. Ainda bem!!!

E como fica a "terapia analítico-comportamental", uma vez que o hífen foi modificado em uma porção de palavras, e retirado em grande parte delas? Fiquei preocupada com isso: "analiticocomportamental" daria uma cacofonia bem embaraçosa.

Escrevemos "terapia analítico-comportamental", corretamente, ao invés de "analítico comportamental", "analítica comportamental" ou algo do tipo, devido à seguinte regra gramatical:

Os adjetivos compostos, normalmente, têm apenas o seu segundo elemento alterado, o qual concordará com o substantivo que está modificando.

Exemplos:
política econômico-financeira / políticas econômico-financeiras
aliança luso-brasileira / alianças luso-brasileiras

Percebam que o substantivo ("política") é feminino, e somente o segundo ajetivo ("financeira") concorda com ele, enquanto que "luso" não foi flexionado. No caso da nossa terapia, temos, analogamente:

"terapia" = substantivo
"comportamental"= ajetivo (qualifica a terapia, assim como junguiana, freudiana, humanista e assim por diante, todas no feminino
"analítico" = torna o ajetivo composto e, segundo a regra gramatical, não se flexiona.

A nova regra gramatical alterou uma porção de palavra com hífen, entretanto, somente aqueles constituídos de PREFIXO + hífen + NOME. Não é o caso de "analítico-comportamental" (nome composto de dois abjetivos). Sem contar que podemos considerá-la um nome próprio, tanto é que há uma certa confusão sobre escrever com iniciais maiúsculas ou minúsculas. Como nome próprio, não precisa de alteração em função das novas regras.

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