Islamismo | História e Doutrina Muçulmana

Islamismo | História e Doutrina Muçulmana

#Islamismo | História e Doutrina MuçulmanaReligião monoteísta baseada nos ensinamentos de Mohammed, ou Muhammad, chamado pelos europeus da época de Maomé. A palavra islã significa submeter-se e exprime a obediência à lei e à vontade de Alá (Allah, Deus em árabe). Seus seguidores são conhecidos como muçulmanos – Muslim, em árabe, aquele que se subordina a Deus. Eles se dividem em dois grandes grupos: os sunitas (84%) e os xiitas (16%).

A história de Maomé – O profeta Maomé (570-632) nasce em Meca, na Arábia Saudita. Começa a pregar aos 40 anos, quando, segundo a tradição, recebe uma mensagem do arcanjo Gabriel, que lhe ordena pregar em nome do Deus único. Na época, as religiões da península Arábica eram o cristianismo bizantino, o judaísmo e o politeísmo. Maomé passa a pregar sua mensagem monoteísta e encontra grande oposição. Perseguido em Meca, emigra para Medina, em 622. Esse fato, nomeado Hégira, é o marco inicial do calendário muçulmano. Em Medina, ele é reconhecido como profeta e legislador, assume a autoridade espiritual e temporal, vence a oposição judaica e estabelece a paz entre as tribos árabes. Quase dez anos depois, Maomé e seu exército ocupam Meca. Morre, em 632, como líder de uma religião em expansão.

Livros e doutrinas – O Alcorão (do árabe al-qur’ãn, leitura), livro sagrado do islamismo, é a coletânea das revelações divinas recebidas por Maomé de 610 a 632. Seus principais ensinamentos são a onipotência de Deus e a necessidade de bondade, generosidade e justiça nas relações entre as pessoas. A segunda fonte de doutrina do Islã, a Suna, é um conjunto de preceitos baseados nos hadith (ditos e feitos do profeta).

Preceitos religiosos – A Sharia define normas de conduta, comportamento e alimentação, além dos cinco pilares da religião. O primeiro pilar é a shahada ou testemunho: não há outro Deus a não ser Alá, e Maomé é seu profeta. O segundo são as cinco orações diárias comunitárias (sãlat). O terceiro é uma taxa chamada zakat. O quarto consiste em cumprir o jejum nos dias do mês do Ramadã. O quinto pilar é o hajj, ou a peregrinação a Meca. A esses cinco pilares, a seita khawarij adicionou o jihad. Traduzido comumente como Guerra Santa, significa a batalha para difundir os princípios do Islã. Mas o jihad não é aceito por toda a comunidade islâmica. Muitos enfatizam seu aspecto interior – a luta do indivíduo contra os próprios erros.

Alcorão
Islamismo no Brasil - Os islâmicos creem em um só Deus, Alá, e nos ensinamentos de Maomé (chamado O Profeta), contidos no Corão, seu livro sagrado. A palavra islã significa submeter-se e exprime a obediência à lei e à vontade de Alá. Também acreditam na predestinação, na existência do paraíso, do inferno e no dia do juízo final, quando Alá virá julgar todos os povos de acordo com suas ações em vida. O primeiro grande contingente de muçulmanos que chega ao Brasil é formado por africanos trazidos como escravos. Em 1835, eles participam da Revolta dos Malês, na Bahia, uma rebelião contra a escravidão. Vencidos, os malês dispersam-se. A primeira mesquita islâmica só é fundada em 1929, em São Paulo. A convergência de imigrantes árabes para a fronteira do estado do Paraná com o Paraguai faz com que a região, especialmente Foz do Iguaçu, se transforme em um dos lugares de maior concentração de muçulmanos do país. Segundo o Censo de 2000, há 27,2 mil islâmicos no país.

Alcorão - Segundo a tradição muçulmana, ao longo de vinte anos Deus (Alá) revelou a Maomé, por intermédio do arcanjo Gabriel, o conteúdo de uma tábua conservada no céu "a mãe do livro"  que se tornou o texto sagrado do Islã: o Alcorão ou Corão (do árabe "al-Quram", "o recitativo" ou "o discurso").

Composição e estrutura - Enquanto recebia a revelação, Maomé a recitava aos discípulos, que a decoravam ou registravam em fragmentos. A compilação do livro em seu estado atual se deve ao terceiro califa (sucessor do profeta), Utman, que, temendo a perda do texto devido à morte, em campanhas militares, de muitos recitadores do Alcorão, mandou recolher as diversas cópias e estabelecer a definitiva. Para evitar novas confusões, ordenou a destruição de todas as demais versões, embora uma ou outra se tenha salvo. As dificuldades para estabelecer o texto foram agravadas pelo desenvolvimento ainda incipiente da escrita árabe e pelas diferentes interpretações que os diversos recitadores davam ao texto.

Os compiladores não seguiram uma ordem cronológica, difícil de determinar, nem uma sistematização temática, mas ordenaram os capítulos conforme instruções específicas do profeta. De modo geral, situaram os de maior extensão antes dos menores. No total, o livro se compõe de 114 capítulos ou suratas, divididos em versículos (aiat), que começam com uma invocação a Alá. Sua extensão, de aproximadamente oitenta mil palavras, é semelhante à do Novo Testamento cristão.

Conteúdo - Pela data provável em que Maomé recitou originalmente os capítulos e, sobretudo, em virtude dos temas tratados e do estilo, podem-se atribuir diversos períodos ao conteúdo do Alcorão, embora essa periodização não se reflita no texto. Um mesmo capítulo pode tratar de temas heterogêneos; outros incluem alguma revelação posterior sobre seu tema.

Período de Meca - O primeiro período da pregação de Maomé, iniciado por volta do ano de 612 da era cristã, caracterizou-se por um enfático apelo à conversão e à obediência religiosa e moral, ante o iminente julgamento, que traria consigo o castigo dos pecadores, especialmente dos ricos e poderosos,e o prêmio aos justos, sob o poder absoluto e transcendente de Deus. Em geral, os textos estão escritos numa peculiar combinação de poesia e prosa, a chamada "prosa rimada", que durante vários séculos caiu em desuso por ser considerada herética a intenção de imitar o livro sagrado.

Período de Medina - Depois de fugir de Meca em 622, a pregação de Maomé se fez ora contra aquela cidade, ora com o propósito de consolidar a organização dos crentes. As invectivas contra Meca reproduzem os temas da "pregação no deserto": o povo ofuscado pela riqueza recusa o Deus único, mata os profetas e, em seu endurecimento, é castigado por Deus. Quanto à organização dos crentes, num primeiro momento Maomé preparou a luta contra Meca. Posteriormente, subjugada a cidade (630), sua preocupação voltou-se para as prescrições jurídicas -- ritos, preces, casamentos, alimentação -- que haveriam de reger a vida religiosa, política, social e familiar da sociedade islâmica. Escritas em tom mais prosaico que as iniciais, as suratas desse período constituem o fundamento de todo o direito islâmico.

Fontes - Os muçulmanos não questionam as fontes do Alcorão e o consideram uma obra literalmente revelada. Outros estudos críticos apontam três fontes principais: tradições árabes, crenças judaicas e relatos cristãos, estes últimos transmitidos pelo contato pessoal com mercadores de passagem ou radicados entre os árabes, e não por textos bíblicos ou pela doutrina oficial. Moisés e Jesus Cristo, para Maomé, revelaram a mensagem de Deus, mas seus povos a desvirtuaram. Deus se teria revelado a Maomé para confirmar, emendar ou substituir as revelações anteriores.

Comentários e traduções - O texto do Alcorão tem caráter sagrado, até mesmo na grafia, de modo que deve ser recitado em árabe, mesmo quando o crente não entenda essa língua. Os muçulmanos se opuseram sempre a traduções, sobretudo para as línguas ocidentais. Até hoje exigem que, se realizadas, sejam acompanhadas do texto em árabe. Foi esse o caso, por exemplo, da edição trilíngue, em castelhano, latim e árabe, hoje perdida, feita pelo espanhol Juan de Segovia na primeira metade do século XV. Os fiéis  usam os textos, artisticamente copiados, como relíquias ou amuletos.

Por outro lado, nem todas as interpretações atuais são seguras. Algumas prescrições se mostram contraditórias, e não é fácil afirmar qual seja seu sentido preciso. O fato de que, com frequência, as suratas se limitem a mencionar os princípios islâmicos, sem articulá-los num conjunto doutrinal, também suscita divergências em torno de questões de lei e de dogma.

A veneração pelo texto, a par de sua dificuldade, deu origem a inumeráveis estudos filosóficos, gramaticais e enciclopédicos, tanto sobre o próprio Alcorão como sobre os textos da cultura árabe que pudessem esclarecê-lo. A crítica científica do século XIX contribuiu também com seus métodos e estudou as relações internas, a semântica e a cosmovisão subjacente ao livro. Posteriormente se chegou a uma classificação cronológica dos textos (Nöldeke-Schwally-Blachère) de notável precisão. Os muçulmanos consideram o Alcorão a obra mais perfeita da literatura árabe, tão perfeita que seria impossível ter sido composta por homens.

Ensinamentos do Alcorão. A pregação de Maomé se baseia num monoteísmo absoluto. Existe um só Deus, criador, onipotente e misericordioso; um juízo final premiará os bons e castigará os pecadores, na vida extraterrena. A criação reflete o poder, a sabedoria e a autoridade de Deus, mas Deus é totalmente distinto da criação, embora nela esteja intimamente presente: "Mais próximo do homem que sua própria veia jugular."

O homem é como que o representante de Deus na criação, mas, apesar disso, ignorante e louco. É livre, à diferença do resto da criação,  para seguir ou não a revelação e os mandamentos divinos; no entanto, também se salienta que Deus tem absoluto controle dos homens, o que se pode quase interpretar como predestinação.

O Alcorão não pretendeu ser um tratado teológico, mas ofereceu o fundamento sobre o qual filósofos e teólogos construíram sistemas coerentes, ainda que com as variedades correspondentes às interpretações de cada seita. A partir dessa base teológica, o Alcorão foi e continua a ser um código moral, social e político.

Xiitas, Segunda Maior Seita Dentro do Islã

Xiitas, Segunda Maior Seita Dentro do Islã

Os Xiitas (em inglês Shi'a ou Shi'ite) são a segunda maior seita de crentes do Islã, constituindo cerca de 10-15% do total dos muçulmanos. (A maior seita é a dos muçulmanos Sunitas, que são 85% da totalidade dos muçulmanos). Os Xiitas muçulmanos consideram Ali, o genro e primo do profeta Maomé, como o seu sucessor e olham com indiferença os restantes três dos quatro Califas que o sucederam. Eles também consideram 12 descendentes de Ali como Imams, ou sucessores espirituais do profeta.

Dispersão geográfica - Há muçulmanos xiitas espalhados por todas as partes do mundo, mas alguns países têm uma concentração particularmente forte: O Irã é quase totalmente Xiita, e o Iraque, um país onde cerca de 95% da população é muçulmana, cerca de dois terços são xiitas. Eles eram oprimidos pelo partido Baath de Saddam Hussein composto sobretudo por Sunitas. Encontram-se também grandes populações de xiitas no Paquistão (20%), na província oriental da Arábia Saudita (10%), no Bahrain (quase 70%), no Oman e grupos menores noutras partes do Golfo Pérsico.

Seitas dentro do xiismo - Há dois grandes grupos de crentes dentro do Islão Xiita, sendo a maioria (que se encontra sobretudo no Irã e Iraque) seguidora da versão "dos doze" do Xiismo. O termo "Xiita" é muita vezes tido como um equivalente dos 12. Há porém outras seitas "dos sete", sendo a maior delas a dos Ismailis. Os do sétimo (que aceitam somente até a sétima geração) e os dos 12º diferem quanto aos direitos de sucessão após a morte de Maomé, mas eles concordam que os Sunitas usurparam a devida autoridade dos descendentes familiares de Maomé.

Existem ainda outros grupos minoritários que surgiram do xiismo, tais como os Zaidis, que acreditam nos primeiros quatro Imams (tal como os dos 12 e os dos 7), mas que divergem quanto ao quinto. Por isso é que são conhecidos como os dos cinco.

De acordo com os dos 12, os doze descendentes de Ali são Imams e detêm um estatuto especial; eles são inferiores ao profeta, mas superiores ao comum dos mortais. Eles são vistos como sucessores diretos corporais e espirituais do profeta, infalíveis, inspirados divinamente e escolhidos por Deus.

O Imam oculto - Ambas as maiores seitas xiitas acreditam que o último Imam (quer tenha sido o sétimo ou o décimo-segundo) foi escondido em vida por Deus. Este Imam oculto (escondido) é capaz de enviar mensagens aos fiéis. Alguns xiitas iranianos acreditavam que o falecido Ayatollah Khomeini (não confundir com Ayatollah Khamenei, o actual Ayatollah supremo do Irã) teria recebido inspiração do 12º e último Imam.

Crentes divergem quanto à questão de saber o que irá acontecer ao último Imam, chamado Muhammad al-Mahdi, ou salvador, quando regressar (apesar de algumas seitas reservarem esse título para Isa). Acredita-se normalmente que o último Imam será acompanhado pelo profeta de Deus Jesus e irá revelar a mensagem de Deus a Maomé à humanidade. No Islã Xiita é obrigação de cada muçulmano seguir um Marja vivo. Há vários Marjas xiitas vivos hoje, com: Ayatollah Khamenei, Ayatollah Ali al-Sistani, Ayatollah Fazil Linkarani, Ayatollah Sadiq Sherazi etc.

O ritual da ashura - Alguns muçulmanos xiitas por vezes mutilam o peito e fazem cortes na testa com uma espada durante o ritual anual que marca a Ashurah. Isto é, no entanto, apenas uma prática cultural e não é prescrita em quaisquer ensinamentos religiosos xiitas. O dia de Ashurah marca a lembrança da morte de um dos seus mais importantes imams, o Imam Husain. Husain (ou al-Husain) foi o filho de Ali e o neto do profeta Maomé e é um símbolo de martírio para os xiitas.

Membros da fé Bahá'í também aceitam a sucessão dos 12 xiita como correcta, apesar de eles também acreditarem que o décimo-segundo Imam tenha regressado como o Báb. Os Bahá'ís são considerados heréticos por muitos xiitas.

Almôadas, Dinastia Muçulmana

Almôadas - Por volta do ano 1110, ao voltar de uma viagem pelo Oriente, Abdala ibn Tumart proclamou-se mahdi (guia da comunidade muçulmana) e pregou o dogma da unidade divina, rejeitando a concepção antropomórfica de Deus e a tendência ao politeísmo, características dos almorávidas, e impondo obediência rigorosa aos preceitos do Alcorão. Refugiando-se nos montes Atlas, criou uma confederação de tribos berberes dirigidas pelo Conselho dos Cinquenta, formado por dez colaboradores e quarenta representantes das tribos. Ao morrer em 1130, ibn Tumart foi sucedido por Abd al-Mumin, o verdadeiro artífice do império almôada. Em 1147 al-Mumin ocupou Marrakech, capital do império almorávida e numa série de campanhas, de 1151 a 1160, terminou por ocupar todo o Magreb central e oriental. Após ser proclamado príncipe dos crentes, decidiu intervir na Espanha e na Tunísia, passando a controlar todo o sul da península ibérica, até o rio Tejo.

Nos séculos XII e XIII, a dinastia muçulmana dos almôadas (em árabe, al-muwahidun, "unitários") estabeleceu um vasto império em todo o norte da África e no sul da Espanha, do Atlântico à Líbia e do Tejo ao Saara.

Seu filho Abu Yaqub Yusuf, que lhe sucedeu em 1163, logrou repetidamente deter a ofensiva cristã, embora não evitasse a perda de Cuenca, e finalmente morreu no sítio de Santarém (1184), Abu Yusuf Yaqub al-Mansur, filho do anterior, derrotou Afonso de Castela na batalha de Alarcos, em 1195. Entretanto, logo os espanhóis empreenderam a reconquista com crescente vigor, obtendo em 1212 a importante vitória de Las Navas de Tolosa, durante o reinado do quarto califa, Mohamed al-Nasir. Os almôadas receberam também sucessivos golpes no norte da África. O império começou a desagregar-se e, na península ibérica, pulverizou-se em pequenos reinos mouriscos. A tomada de Marrakech, em 1269, pôs fim à dinastia.

Os almôadas foram acima de tudo guerreiros religiosos, dominados pela ideia de expansão. Sob sua dominação, a indústria e o comércio prosperaram e surgiu um intenso intercâmbio com cidades cristãs como Gênova, Marselha e Pisa. As artes, sobretudo a arquitetura, conheceram grande florescimento atestado pelos monumentos criados por artistas andaluzes em Rabat, Marrakech e Sevilha. A ciência e a filosofia tiveram notáveis expressões em Ibn Tufail e Averróis.

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