Sudão | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Sudão

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Sudão | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Sudão


Geografia – Área: 1.886.068km². Hora local: +5h. Clima: árido tropical (N) e tropical (S). Capital: Cartum. Cidades: Cartum (3.000.000) (aglomeração urbana), Omdurman (1.380.400), Cartum do Norte (790.000), Port Sudan (350.000), Kassala (280.600). 

População – 40 milhões; nacionalidade: sudanesa; composição: árabes sudaneses 39%, grupos étnicos autóctones 58% (principais: bejas), outros 3%. Idiomas: árabe (oficial), inglês. Religião: islamismo 95,3%, cristianismo 1,7%, crenças tradicionais 2,9%, sem religião e ateísmo 0,1%. Moeda: dinar sudanês.

Relações Exteriores – Organizações: Banco Mundial, FMI, ONU, UA. Embaixada: 2210, Massachusetts Avenue NW, Washington D.C. 20008, EUA; e-mail: info@sudanembassyus.org, site na internet: www.sudanembassyus.org.

Governo – República presidencialista (ditadura militar desde 1989). Div. administrativa: 26 estados. Partidos: Congresso Nacional (NC), Congresso Nacional Popular (PNC), Aliança das Forças do Povo Trabalhador (APWF). Legislativo: unicameral – Assembleia Nacional, suspensa desde 1999. Constituição: 1998.

Segundo maior país da África, o Sudão tenta encerrar em 2005 a guerra civil existente desde a década de 1950 que opõe o governo muçulmano a guerrilheiros cristãos e animistas no sul do país. Ao mesmo tempo, enfrenta uma terrível "crise humanitária" em Darfur, no oeste. As guerras e as secas prolongadas deixam cerca de 2 milhões de mortos nos últimos anos. O deserto da Líbia e o da Núbia e o clima árido predominam no norte. O sul está coberto por savanas e florestas tropicais. A bacia do rio Nilo é fonte de energia elétrica e de irrigação para as plantações. A maioria da população vive da agricultura de subsistência e da pecuária. O petróleo é o principal produto de exportação do país.

SUDÃO - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DO SUDÃO
Mapa antigo do Sudão

História do Sudão 

Conhecido na Antiguidade como Núbia, o Sudão é incorporado ao mundo árabe na expansão islâmica do século VII. O nome do atual país deriva da expressão árabe Bilad-as-Sudan, ou "terra dos negros", usada desde a Idade Média. Entre 1820 e 1822, é conquistado e unificado pelo Egito e entra depois na esfera de influência do Reino Unido. Em 1881 eclode uma revolta nacionalista chefiada por Muhammad Ahmed bin’ Abd Allah, líder religioso conhecido como Mahdi, que expulsa os ingleses em 1885. Com a morte de Mahdi, os britânicos retomam o Sudão em 1898. Em seguida, a região é submetida ao domínio egípcio-britânico e, em 1956, obtém sua independência como República. Em 1955 começa no sul a guerrilha separatista contra o domínio muçulmano.

Sudão Atual (em Vermelho)
Fundamentalismo – Em 1985, o general Gaafar Nimeiry, governante desde 1969, é derrubado num levante popular. Eleições em 1986 colocam no poder o Partido Umma. O primeiro-ministro Sadiq al-Mahdi negocia com os rebeldes separatistas do Exército de Libertação do Povo Sudanês (SPLA), que opera no sul sob o comando de John Garang, mas não consegue o fim da guerra civil. O governo é deposto em 1989 pelo general Omar Hassan al-Bashir. Cresce então a influência do fundamentalismo islâmico, liderado pela Frente Islâmica Nacional, de Hassan al-Turabi. Em 1991, o país adota um Código Penal baseado na lei islâmica, a Sharia. Os combates entre o SPLA e o governo prosseguem nos anos 1990. Em 1993, 600 mil refugiados morrem de fome. Em 1994, milhares de sudaneses do sul fogem para outros países da região.

Terrorismo – O Egito acusa o governo sudanês de apoiar o atentado contra o presidente Hosni Mubarak, em junho de 1995, e a relação entre os dois países se deteriora. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) exige a extradição de três suspeitos. Diante da recusa sudanesa, a ONU adota sanções econômicas ao país. Em 1996, Al-Bashir vence – com 76% dos votos – as primeiras eleições presidenciais desde 1986. Em janeiro de 1998, os Estados Unidos (EUA) decretam embargo ao Sudão, sob a acusação de apoio ao terrorismo, e bombardeiam uma fábrica acusada de produzir armas químicas na capital, Cartum.

Bandeira do SudãoEstado de emergência – Em 1999, o Sudão começa a exportar petróleo, extraído no sul do país. Acirra-se nesse ano a disputa entre Al-Bashir e Al-Turabi, presidente da Assembleia Nacional. Em dezembro, Al-Bashir fecha o Parlamento e decreta estado de emergência. Nas eleições presidenciais, em 2000, boicotadas pela maioria da oposição, Al-Bashir é reeleito com 86,5% dos votos.

Em 2001, a polícia prende Al-Turabi e outros líderes do partido islâmico Congresso Nacional Popular (PNC). Sob pressão internacional, Al-Bashir promete apoio à luta contra o terrorismo, e a ONU suspende as sanções contra o país. Em 2002, o governo e o SPLA iniciam negociações de paz. Em outubro de 2003, Al-Turabi é libertado. Em março de 2004, o governo desmantela tentativa de golpe de Estado e prende oficiais do Exército e dirigentes do PNC, incluindo Al-Turabi. Em junho, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, visita o Sudão, vai a Darfur e classifica o conflito como "genocídio". Em agosto, 100 mil manifestantes protestam em Cartum contra resolução da ONU sobre Darfur.

Acordo de paz – Em janeiro de 2005, o governo e os rebeldes do sul chegam a um acordo de paz. Será formado um governo autônomo no sul por seis anos, ao fim dos quais haverá um plebiscito sobre a independência da região. Nesse período, as receitas com o petróleo serão divididas em 50% entre o governo central e o regional. Além disso, a lei islâmica (Sharia) não vai vigorar no sul, de maioria não muçulmana.
Cartum, Capital do Sudão
Cartum, Capital do Sudão

Crise humanitária em Darfur

O conflito na região de Darfur, no desértico oeste do Sudão, chama a atenção do mundo há dois anos. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, afirma que é "a mais grave crise humanitária" do planeta. Os combates já causaram mais de 70 mil mortes e há 2,2 milhões de refugiados, parte dos quais no vizinho Chade. O conflito começa em fevereiro de 2003, quando grupos armados iniciam um movimento separatista, acusando o governo do Sudão – vinculado à elite islâmica do país – de desprezar a população local. Darfur é habitado por uma maioria negra, ligada à agricultura, e uma minoria nômade (autodenominada árabe), que vive da criação de animais. O governo sudanês reage com violência à ação dos separatistas e se apoia na milícia árabe local chamada Janjaweed, que inicia uma "limpeza étnica", matando milhares de pessoas das populações negras e praticando estupros, pilhagens e a destruição de aldeias inteiras. No decorrer de 2004, cresce a pressão internacional sobre o governo do Sudão para desarmar a milícia. Mesmo chamando os Janjaweed de "criminosos", o governo sudanês não age contra eles. Em abril começam as negociações entre o governo e os separatistas, e se chega a um cessar-fogo não efetivado até o fim de 2004. A partir de julho, a União Africana desloca tropas para proteger os mais de 130 campos de refugiados na região. Mas as condições nos campos são terríveis, e a Organização Mundial de Saúde afirma que morrem neles 10 mil pessoas ao mês, vitimadas pela fome, pelas doenças e pela violência. A ONU exerce forte pressão e ameaça retomar as sanções contra o Sudão, não efetivadas até janeiro de 2005.

Divisão do Sudão

Atualmente depois da divisão com o Sudão do Sul, o Sudão encontra-se dividido em 16 estados (wilayat), que por sua vez se dividem em 90 distritos.

al-Mahdi. Líder Mulçumano da Núbiaal-Mahdi. Líder Mulçumano da Núbia

Mohamed Ahmad ibn al-Sayid Abdala nasceu no distrito de Dongola, Núbia (depois Sudão), em 12 de agosto de 1844. Interessado precocemente por assuntos religiosos, evitou a ortodoxia conformista e ao longo de sua vida aperfeiçoou uma interpretação fundamentalista e mística do Islã. Chegou a acreditar que o domínio otomano na Núbia e a corrupção religiosa eram as duas faces da mesma moeda. Conseguiu reunir a sua volta os diversos setores descontentes do país -- dos agricultores aos mercadores de escravos e aos devotos, unidos pelo ódio comum aos turcos e europeus -- e os integrou num poderoso movimento, ao mesmo tempo político e religioso. Em 29 de junho de 1881 proclamou-se mahdi e desde então passou a ser designado por esse título.

Convencido de que desempenhava uma alta missão religiosa contra os governos muçulmanos desviados da pureza corânica, al-Mahdi criou um estado islâmico fundamentalista que se estendeu do mar Vermelho ao centro da África.

Nos quatro anos seguintes, al-Mahdi apoderou-se de imensos territórios -- sua influência chegou até a Nigéria -- e de riquezas e armas das quais se valeu para aniquilar três exércitos egípcios enviados ao sul para combatê-lo. Sua maior façanha, em 26 de janeiro de 1885, foi a conquista da capital do Sudão, Khartum, cujo comandante militar era o britânico Charles George Gordon, que morreu na batalha. Al-Mahdi fixou-se na cidade de Ondurman, onde morreu, vítima de febre tifoide, em 22 de junho de 1885. Sua vida foi tema de escritores ocidentais, entre os quais o britânico Rudyard Kipling e o alemão Karl May, que não foram rigorosamente fiéis aos fatos. A importância de al-Mahdi começou a ser avaliada com isenção no Ocidente no início do século XX.


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