Enxerto ou Enxertia em Botânica

Enxerto ou Enxertia em Botânica

Enxerto ou Enxertia em BotânicaEnxerto, ou enxertia, é o processo de multiplicação vegetal que consiste basicamente em soldar um galho ou broto de uma planta ao tronco enraizado de outra, em geral mais resistente, para que nela se desenvolva com características aprimoradas. A parte implantada, chamada garfo ou enxerto, conserva as características da planta da qual procede. A parte que recebe o enxerto, chamada cavalo ou porta-enxerto, extrai do solo os nutrientes necessários à evolução do conjunto.

As técnicas básicas de enxerto provêm de tempos remotos, praticadas por chineses, gregos e romanos para multiplicar certas plantas, como a videira. Acredita-se que tais técnicas tenham sido inspiradas pela observação de galhos de espécies diferentes postos em contato pelo crescimento, fenômeno comum nas matas.

Entre as vantagens do enxerto, que constitui na prática uma relação de simbiose, sobressai a garantia de que as novas mudas reproduzirão as qualidades da planta-mãe, no tocante por exemplo a suas flores e frutos. Outra vantagem é que o uso de cavalos rústicos permite criar mudas vigorosas de espécies ou variedades muito suscetíveis a doenças e pragas. A enxertia é bastante comum na multiplicação de híbridos que, se nascem de sementes pelo processo sexuado, ficam expostos aos acasos da recombinação genética e podem sofrer mutações. A multiplicação vegetativa por meio de enxerto se pratica também para tornar mais precoces o florescimento e a frutificação, pois em geral os cavalos já têm um ano ou mais na terra quando recebem a parte enxertada.

Das várias regras a serem observadas para o bom êxito da operação, duas são fundamentais. A primeira diz respeito à compatibilidade entre o enxerto e o porta-enxerto, pois só plantas de espécies que tenham entre si certo grau de parentesco e analogia entre suas estruturas anatômicas podem ser enxertadas. A segunda regra recomenda a justaposição das camadas geratrizes (câmbios) das duas plantas, para assegurar a perfeita união de seus tecidos.

Tipos de enxertos. Existem numerosas modalidades de enxerto, todas contidas, de certo modo, nos três tipos principais que a fruticultura emprega. No enxerto por aproximação ou encostia, dois galhos de duas plantas, ambas enraizadas, são unidos em certo ponto onde parte da casca é removida. Depois que o enxerto "pega", corta-se abaixo desse ponto o galho que serviu como garfo.

O enxerto de garfo ou garfagem resume-se à implantação de um pedaço de galho da planta a ser multiplicada sobre um porta-enxerto compatível, mais rústico e já enraizado. A garfagem varia conforme a fenda aberta e a maneira de encaixe: pode ser, em relação ao cavalo, lateral ou no topo. O enxerto de borbulha consiste na inserção de uma gema ou broto da planta, extraído com casca e em forma de escudo, sob a casca fendida e levantada do porta-enxerto.

Para que um enxerto dê resultado, é fundamental que se ajustem perfeitamente as partes interligadas, com enfaixe do conjunto para que se acelere a fusão. O ponto da enxertia é revestido de cera, às vezes de mástique, parafina e barro, e os amarrilhos são feitos geralmente com ráfia. Os enxertos de borbulha, comuns para multiplicar macieiras, pereiras e fruteiras cítricas, e os de encostia, bem menos usados, mas recomendáveis para abieiros e sapotizeiros, são feitos após o início da primavera. Os enxertos de garfo, para plantas como caquizeiros e videiras, costumam ser praticados antes do fim do inverno, época de repouso vegetativo.

Mudas resultantes de enxerto, depois que vão para a terra, exigem frequentes inspeções de seu estado geral. Brotos ladrões, que nasçam eventualmente num porta-enxerto, abaixo do ponto de enxertia, devem ser podados logo, para impedir que o cavalo cresça sozinho, rejeitando a parte que lhe foi implantada.

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