Cardiologia, História e Principais Doenças Cardíacas

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Cardiologia, História e Principais Doenças Cardíacas

#Cardiologia
Cardiologia é o ramo da medicina que estuda o funcionamento, a anatomia e as doenças do coração, das artérias, das veias e, em geral, de todos os componentes do sistema cardiovascular.

A doença coronariana e outras cardiopatias constituem a principal causa de mortalidade no mundo ocidental. Basta esse fato para destacar a importância médica e social da cardiologia.

Histórico - Embora o atual conceito de cardiologia possa ser considerado de recente formulação, o estudo da circulação sangüínea e do coração é muito antigo. No século IV a.C., Herófilo de Calcedônia foi o primeiro a distinguir entre artérias e veias, tendo ainda observado que somente as primeiras pulsavam. Seu contemporâneo Erasístrato de Quio traçou o percurso de artérias e veias observáveis a olho nu, mas acreditou que por meio delas circulava ar. Já no século II da era cristã, Galeno demonstrou que as artérias continham sangue e estudou a circulação sangüínea. Contudo, sua interpretação era errônea, pois considerava que o coração era o responsável pela respiração e que o sangue atravessava o septo muscular intracardíaco.

No século XVI, Miguel Servet sugeriu, pela primeira vez na idade moderna, a existência da circulação menor, e Andreas Vesalius demonstrou a impermeabilidade da membrana intracardíaca ou septum (septo) ao sangue. Em 1620, o médico inglês William Harvey tornou possível o verdadeiro conhecimento da circulação, por formular uma hipótese segundo a qual as válvulas das veias só se abrem em direção ao coração. Desde que Harvey expôs sua teoria, o estudo do coração e do aparelho circulatório progrediu consideravelmente, em função do estudo e da pesquisa, assim como da necessidade de curar as doenças cardíacas, cada vez mais freqüentes.

Diagnóstico. Assim como nos outros ramos da medicina, em cardiologia é fundamental o estabelecimento de um diagnóstico correto graças ao qual se possa escolher o tratamento adequado. O cardiologista estuda todos os sintomas apresentados pelo paciente e, sobretudo, os habitualmente mais relacionados com as enfermidades cardíacas, como a taquicardia, a fadiga, as dores torácicas ou o intumescimento dos membros inferiores. Também examina os eventuais sintomas relacionados a lesões de certas partes do coração ou do aparelho circulatório, mediante o exame do paciente.

É possível ainda observar alterações do tecido muscular, do pericárdio (membrana que rodeia externamente o coração), das fibras especializadas em transmitir o impulso nervoso adequado que determina a contração cardíaca (sistema de Purkinje) ou das válvulas cardíacas e dos grandes vasos.

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As alterações do sistema cardiovascular podem resultar de diferentes causas, de origem congênita ou decorrente de causas adquiridas. São motivos comuns de afecção cardíaca as febres reumáticas, a insuficiente irrigação sangüínea do músculo cardíaco pelas artérias coronárias, as infecções, a tensão emocional, o tabagismo, a vida excessivamente sedentária ou uma dieta inadequada.

O diagnóstico das cardiopatias tornou-se progressivamente mais simples e correto graças ao emprego de técnicas de exame muito sensíveis e submetidas a contínuo aperfeiçoamento. Os diferentes métodos utilizados no exame cardiológico se diferenciam entre os invasivos e os não-invasivos. Os primeiros pressupõem a penetração do instrumental de observação no sistema cardiovascular do paciente, o que não se faz nos últimos.

Um dos métodos não-invasivos mais comumente utilizados na exploração cardíaca é a auscultação da batida cardíaca. Realiza-se mediante um estetoscópio, aparelho que permite escutar o ruído causado pelo fluxo sangüíneo nas cavidades auriculares e ventriculares do coração. Identificam-se assim as fases do ciclo cardíaco e, portanto, suas possíveis anomalias. Se o ritmo detectado for galopante (semelhante ao galope de um cavalo), o coração está dilatado e existe a possibilidade de produzir-se um iminente colapso cardíaco. Os murmúrios de fundo são provocados por problemas das válvulas. Pode-se também observar estenose, isto é, estreitamento nos orifícios cardíacos, e regurgitação ou fechamento incompleto de uma válvula.

Outro método que não requer invasão do sistema cardiovascular é o exame radiológico, mediante o qual se detectam aumentos das dimensões do coração, freqüentemente devidos a esforço excessivo. Empregando as técnicas radiológicas também se podem identificar possíveis depósitos calcificados em certas partes do coração. O emprego da chamada fluoroscopia parece especialmente indicado para a detecção desses depósitos, assim como de partes afetadas por infartos. Com ela é possível avaliar o coração em movimento, pela projeção de sua imagem numa tela fluorescente.

Técnicas especializadas. A contração cardíaca vem acompanhada de uma atividade de natureza elétrica, que se inicia na aurícula direita e se propaga pelo miocárdio e por todo o organismo até a superfície do corpo. Em conseqüência disso, é possível registrar os impulsos elétricos relacionados com a atividade cardíaca mediante a colocação de eletrodos em duas zonas da pele. As mudanças observadas nos impulsos elétricos são detectadas pelo eletrocardiógrafo, cujo registro gráfico é o eletrocardiograma.

Essa técnica permite detectar infarto do miocárdio, bloqueio cardíaco, taquicardia paroxística etc. Mediante a prova de esforço, na qual se submete o paciente a um exercício físico intenso enquanto se registra seu eletrocardiograma e se mede sua pressão sangüínea, é possível conhecer o rendimento do coração e descobrir um eventual risco de insuficiência cardíaca.

Quando se dirigem para um objeto ondas sonoras de alta freqüência, estas geram um eco que indica seu tempo de retorno à fonte de emissão. Regulando-se devidamente esse fenômeno, pode-se obter uma imagem fiel do objeto em questão. Se as ondas forem dirigidas ao coração, consegue-se informações sobre o movimento das válvulas e das paredes do órgão.

Para estabelecer um diagnóstico correto, às vezes é preciso recorrer a técnicas que requerem a invasão do sistema circulatório do paciente. As mais freqüentes são o cateterismo e a angiografia. No primeiro caso, introduz-se um tubo delgado e muito longo, geralmente em uma veia, até o coração. Se o que se pretende é medir a pressão cardíaca, introduz-se no cateter um líquido de tal forma que, quando a pressão aumenta no coração, o líquido retrocede. Tais retrocessos são detectados por um medidor de pressão situado na extremidade externa do cateter e indicam a pressão intracardíaca. Colocando-se uma microcâmara na ponta do cateter, pode-se visualizar o interior do coração e, dessa forma, as possíveis obstruções ou outras anomalias.

A angiografia tem como objetivo o acompanhamento do percurso do sangue por meio dos vasos sangüíneos e do coração, com visualização do circuito mediante a injeção de substâncias radioativas que possam ser observadas radiologicamente.

Principais doenças cardíacas. As doenças que afetam os órgãos integrantes do sistema cardiovascular apresentam considerável diferenciação e grande diversidade em suas manifestações. Graças ao incremento da higiene e das medidas terapêuticas, os índices de expectativa de vida crescem de modo constante, mas quanto maior a idade da população, mais cresce a incidência de doenças cardíacas.

Distinguem-se na cardiologia duas grandes áreas. A primeira compreende as afecções específicas do coração e a segunda engloba as enfermidades que se registram nas artérias, nas veias e nos vasos linfáticos. Esse último grupo define uma subdisciplina da cardiologia, a angiologia.

Entre os processos patológicos próprios do coração cabe citar como mais importantes, por sua elevada incidência, a angina do peito e o infarto do miocárdio. A primeira dessas afecções provoca um paroxismo violento de dor nos que sofrem de doença coronariana. A dor começa quase sempre ao nível da zona correspondente ao coração e se irradia, através do tórax em várias direções, inclusive para o braço esquerdo. Além da dor, o paciente acusa sensação de constrição, sufocação e morte iminente, fica pálido, com pele fria e pulso fraco. A crise raramente excede três minutos, ocorrendo em geral após esforço. A angina de peito pode ser fatal na primeira crise. É rara em jovens, sendo mais frequente no sexo masculino.

Por sua vez, o infarto do miocárdio, também de prognóstico letal em muitos casos, se deve a uma súbita interrupção da irrigação sangüínea do coração, provocada pela obstrução de um vaso.

A parada cardíaca, isto é, a ausência temporária ou permanente da contração do músculo do coração, pode ser produzida pela atuação de agentes externos, como uma forte descarga elétrica, ou por diversas enfermidades cardíacas. Entre as mais freqüentes incluem-se as inflamações das membranas interna, média e externa que recobrem as paredes do músculo cardíaco. Tais processos são, respectivamente, as endocardites, as miocardites e as pericardites.

No âmbito da angiologia, registram-se manifestações que também apresentam altos níveis de incidência. Entre as que afetam as artérias, uma das mais generalizadas é a arteriosclerose. Trata-se de um conjunto de transtornos circulatórios produzidos pelo endurecimento das paredes arteriais, o qual, por sua vez, é conseqüência das inflamações prolongadas.

O estado geral dos órgãos também condiciona a pressão da circulação sangüínea no interior das artérias. Assim, diferentes tipos de disfunções -- pulmonares, renais ou de outra natureza -- geram o processo denominado hipertensão arterial, que, definido como aumento da tensão sangüínea, é outra das doenças cardiovasculares mais difundidas.

Embora o espectro patológico do coração e dos vasos sangüíneos compreenda muitas outras doenças e eventuais complicações, cabe citar, como última angiopatia de incidência significativa, a tromboflebite. Trata-se de uma inflamação prolongada ou crônica da membrana medular (denominada túnica íntima) dos vasos venosos.

Tratamento. Em muitos casos é possível prevenir as cardiopatias ou, se já tiverem ocorrido e não forem excessivamente intensas, evitar que se acentuem. As medidas preventivas de caráter geral, que todos os cardiologistas adotam, tendem a desaconselhar uma vida muito sedentária, a evitar o aumento de peso e o tabagismo, a controlar a ingestão de gorduras de origem animal e a reduzir na medida do possível as alterações nervosas e qualquer tipo de estado de ansiedade ou de instabilidade emocional. Também é contra-indicada a ingestão de bebidas alcoólicas e se recomenda controlar com freqüência a pressão arterial, sobretudo se houver tendência à hipertensão.

Quando a cardiopatia já se manifestou e as medidas acima expostas se revelam insuficientes para controlar a lesão, o cardiologista recorre à aplicação de tratamento médico ou cirúrgico, segundo a gravidade ou a origem da doença.

Existem diferentes classes de medicamentos utilizados no tratamento de doenças cardíacas. Assim, por exemplo, os cardiocinéticos aumentam a força das contrações cardíacas, sem desacelerar a freqüência e a condução do estímulo das aurículas aos ventrículos. Desse grupo fazem parte a digitalina e o estrofanto. Por sua vez, os cardiotônicos, como a adrenalina e a coramina, estimulam a função cardíaca deprimida e atuam sobre os centros nervosos, dos quais depende a pulsação do coração. Outras drogas são empregadas para regular o ritmo cardíaco ou para tornar mais lenta a freqüência de contração do coração.

Quando se registra insuficiência cardíaca, é necessário estimular eletricamente o coração. Para isso empregam-se dispositivos denominados marca-passos, que podem ser implantados sob a pele do tórax ou na axila. Os marca-passos constam de uma bateria     que pode ser substituída quando necessário, conectada a eletrodos que se dirigem ao coração.

A cirurgia cardiovascular implica vários problemas, dada a singularidade do órgão que se deve operar. Em primeiro lugar, quando a cavidade torácica é aberta, qualquer estímulo que se produza perto do coração pode acarretar a parada do músculo cardíaco. Além disso, o coração está permanentemente cheio de sangue e, portanto, a abertura de qualquer de suas cavidades pode gerar intensa hemorragia. As primeiras cirurgias cardiológicas praticadas com segurança remontam à década de 1940.

Posteriormente surgiram meios que facilitaram as operações do coração. Assim, os cirurgiões dispõem de fibriladores, capazes de normalizar o ritmo cardíaco mediante descargas elétricas muito breves. Além disso, o emprego das máquinas denominadas coração-pulmão permite evitar o perigo de hemorragia. Nesses dispositivos, o sangue passa para o aparelho, que se encarrega de oxigená-lo e restituí-lo ao canal de fluxo.

Um dos grandes avanços da cirurgia nesse setor é a realização de transplantes de coração, cujo pioneiro foi o sul-africano Christiaan Barnard. Tais intervenções trouxeram grande esperança para os doentes cardíacos irrecuperáveis e seu índice de resultados satisfatórios experimentou notável incremento a partir da década de 1970. Na década seguinte, por outro lado, iniciou-se o processo de implantação de "corações artificiais", dispositivos mecânicos que substituem as funções do coração.

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