Álcalis e Alcaloides

Tags

Álcalis e Alcaloides

#Álcalis e Alcalóides

Álcalis - Denomina-se álcalis aos hidróxidos e carbonatos dos metais alcalinos (lítio, sódio, potássio, rubídio e césio), alcalino-terrosos (cálcio, estrôncio e bário) e aos sais de amônio e tálio. Desse grupo, os dois compostos de maior importância industrial são o carbonato de sódio ou barrilha (Na2CO3) e o hidróxido de sódio ou soda cáustica (NaOH).

Os alquimistas conheciam muitas das características exibidas pelas substâncias quando em solução aquosa, classificando-as em ácidos e álcalis.

A barrilha é utilizada principalmente na fabricação de vidros, participando, em menor volume, nas indústrias de sabões e detergentes, de óleos, têxtil, metais não ferrosos, siderurgia e refino de petróleo. Obtém-se a partir da água do mar, através do processo Solvay, cujas etapas principais são: (1) amoniacação da salmoura; (2) carbonatação da salmoura; (3) filtração; (4) calcinação do bicarbonato; e (5) densificação. Essa última fase utiliza a barrilha leve (peso específico em torno de 0,5), de largo uso comercial, e a torna mais densa para produzir a barrilha pesada, utilizada especialmente na indústria vidreira.

A soda cáustica, assim chamada por seu alto poder de corrosão, é utilizada na fabricação de rayon, sabão, óleos vegetais (refinação), celulose, papéis, têxteis e outros. Pode ser produzida na forma anidra (sólida, em flocos, escamas ou grânulos) com um teor de 98% de NaOH, ou em soluções aquosas de diversas concentrações (as mais comuns têm cinquenta por cento de NaOH). O processo usual de sua obtenção é a eletrólise da solução de cloreto de sódio.

Alcalóides
Alcaloides,  História,  Nomenclatura,  Efeitos fisiológicos, Ocorrência e obtenção - Os alcaloides são compostos químicos naturais, de origem vegetal, derivados de bases orgânicas nitrogenadas. São geralmente substâncias cristalinas, incolores, não voláteis, de gosto amargo, insolúveis em água e solúveis em álcool etílico, éter, clorofórmio, tetracloreto de carbono, álcool amílico e benzeno. Alguns são líquidos e solúveis em água, como a conina e a nicotina, uns poucos corados, como a berberina, que é amarela. A maioria dos alcaloides livres é levogira (giram o plano da luz polarizada para a esquerda), alguns são oticamente inativos e outros, dextrogiros (giram o plano da luz polarizada para a direita). Cabe observar que as soluções dos sais de alcaloides apresentam, frequentemente, sinal e poder rotatório diferente daqueles dos alcaloides livres e que as diferenças dependem da concentração e da natureza do solvente.

O grupo dos alcaloides compreende princípios ativos com diversas aplicações. Enquanto a emetina e a efedrina apresentam grande utilidade terapêutica, outros representantes do grupo, originalmente empregados como analgésicos, são largamente consumidos como estupefacientes. Exemplos são a cocaína e a morfina.

HistóriaDesde épocas remotas sabe-se que os extratos brutos de certas plantas são remédios eficientes ou venenos poderosos. Por isso, já no início da química orgânica os pesquisadores se interessaram pelo isolamento e a identificação dos princípios ativos neles contidos. Em 1806, Friedrich Wilhelm Sertürner, farmacêutico alemão, isolou do ópio um composto básico a que, dada sua notável propriedade sedativa, deu o nome de morfina. Por volta de 1810, o médico português Bernardino Antônio Gomes isolou da cinchona (quina) uma substância cristalina, que denominou cinchonina. Anos depois, o químico e farmacêutico francês Pierre-Joseph Pelletier, orientando-se pelo trabalho de Sertürner, isolou outros alcaloides, como a quinina, a cinchonina, a estricnina, a colquicina e a veratrina.

Em 1840, a maioria dos alcaloides mais importantes estava isolada e identificada, sobressaindo entre eles, além dos acima citados, os seguintes: a piperina (da pimenta do reino); a cafeína (do café); a conina ou cicutina (da cicuta); a atropina (da beladona); a codeína e a tebaína (do ópio); a hiociamina (do meimendro); a emetina (da ipecacuanha); a curarina (do curare); e a aconitina (do acônito).

Nomenclatura - A nomenclatura dos alcaloides é complicada, por isso todos eles têm nomes comuns com os quais se conhecem no mercado e na medicina. É costume designar os alcaloides segundo o gênero ou espécie da planta de que procedem, tal como a pliocarpina (de Pliocarpus jaborandi), a nicotina (Nicotiana tabacum) e a harmanina (Peganum harmala), porém muitos outros se designam atendendo a diferentes razões. Alguns recebem nomes baseados em seus efeitos fisiológicos, como ocorre com a emetina (um emético) e a morfina (um soporífero). Os alcaloides da granada, as peletierinas, se denominam assim em honra de Pelletier.

Ocorrência e obtenção Encontram-se alcaloides em apocináceas, papaveráceas, papilionáceas, ranunculáceas e rubiáceas. Os alcaloides mais simples ocorrem, frequentemente, em plantas muito diversas, mesmo sem afinidade botânica, ao passo que os mais complexos (nicotina, cocaína, quinina etc.) se limitam a uma dada espécie, que lhes serve, por vezes, como caráter distintivo. Uma espécie raramente contém apenas um alcaloide.

A retirada dos alcaloides de uma planta se faz, com as adaptações necessárias aos casos particulares, por processos que se assemelham ao empregado por Sertürner para o isolamento da morfina. O extrato aquoso ou o alcoólico da matéria-prima é reduzido a pó e depois tratado por um ácido inorgânico diluído (clorídrico ou sulfúrico) o qual, combinando-se com os alcaloides insolúveis, os transforma em sais solúveis. Depois de separada do resíduo (por filtração ou decantação), a solução resultante é tratada por um agente (carbonato de sódio, amônia ou cal), que libera os alcaloides, fazendo-os precipitar-se. Em seguida, esses alcaloides são  isolados, purificados mediante tratamento com solventes (álcool, éter, clorofórmio etc.) e cristalizados em condições adequadas.

Efeitos fisiológicosMuitos alcaloides são venenos poderosos e alguns, pela ação farmacológica específica que exercem, têm emprego em medicina. Os alcaloides do curare produzem paralisia dos músculos voluntários; essa propriedade os torna úteis, em doses apropriadas, como adjuvantes da anestesia; os alcaloides do esporão do centeio (fungo que contamina as sementes do centeio tornando-as tóxicas) têm, entre outras ações, o poder de aumentar a motilidade do útero nas últimas fases da gravidez (ação ocitócica); a atropina, que bloqueia a ação periférica dos nervos parassimpáticos, é utilizada  para controle da atividade da musculatura lisa do trato gastrintestinal e para a suspensão dos reflexos de acomodação do olho à luz.

Muitos alcaloides apresentam estreita margem de segurança entre a dose terapêutica e a tóxica. Como a obtenção do alcaloide puro é, em grande número de casos, muito dispendiosa, impõe-se na prática o emprego de extratos brutos. Entretanto, a composição de tais extratos é geralmente incerta. Fatores diversos, como o clima, a estação do ano e a idade da planta determinam variações significativas em seu teor de alcaloides. Importa, portanto, a normalização de cada partida dos produtos medicamentosos que contêm alcaloides, e isso se faz ou por dosagem química de seus princípios ativos, quando possível, ou por ensaio biológico de seus efeitos sobre um animal de laboratório.

Os alcaloides naturais, empregados em medicina, apresentam, muitas vezes, efeitos colaterais desagradáveis ou inconvenientes. Uma das metas da química orgânica é a preparação de alcaloides sintéticos, em bases econômicas, e a síntese de sucedâneos que, mantendo os efeitos terapêuticos, sejam desprovidos de efeitos colaterais ou os tenham atenuados, inclusive o hábito ao medicamento. Bons resultados no campo dos sucedâneos já foram obtidos, entre outros, em relação à cocaína (anestésico local), à morfina (poderoso analgésico) e ao quinino (antimalárico).

www.klimanaturali.org