Ária (Música)

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Ária (Música)

Ária (Música)

Denomina-se ária a peça para cantor solista com acompanhamento instrumental, de importância fundamental na ópera, mas também presente em cantatas e oratórios. Criada no Renascimento italiano, em 1602 o termo foi usado por Giulio Caccini na publicação de uma coletânea de canções para voz solo com acompanhamento instrumental. A partir de então, a maioria das canções em estrofes publicadas na Itália chamaram-se árias e, em 1607, Monteverdi introduziu a forma na ópera, em Orfeu. No começo do século XVII, popularizaram-se as composições destinadas ao canto para uma só voz acompanhado de viola ou alaúde, como a air de cour francesa, que se originou de melodias populares, e as ayres inglesas de John Dowland e Thomas Campion.

A partir do século XVII, Giacomo Carissimi, Alessandro Stradella e outros fixaram a estrutura da cantata como breve peça dramática em verso, composta por duas ou mais árias precedidas de recitativos. No final do período barroco, a distinção formal entre música sacra e profana praticamente desaparecera: a cantata era largamente utilizada nos cultos e o oratório e as representações da paixão de Cristo desenvolveram-se de forma semelhante à ópera, com recitativos, árias, partes corais etc.

Na ópera, a ária representa uma parada dramática no ritmo dos acontecimentos, quando um personagem toma a frente da cena e expressa intensamente suas emoções e pontos de vista. Alessandro Scarlatti usou amplamente a chamada ária da capo (peça em três partes, em que a terceira é a repetição da primeira), estilo tipicamente italiano que utiliza textos curtos e destaca o virtuosismo do cantor. O  alemão Christoph Gluck, no século XVIII, defendeu maior liberdade na estrutura da ária em relação às normas acadêmicas.

A ária encontrou papel definitivo no drama lírico italiano de autores como Rossini. No século XIX, passou por grande desenvolvimento estrutural e foi empregada em todas as óperas. Richard Wagner, a partir sobretudo de Tristão e Isolda (1857-1859), abandonou as formas clássicas italianas e integrou a ária ao conjunto da ópera, no mesmo nível de importância das partes instrumentais. As profundas transformações da música ocidental no século XX, como o surgimento do novo sistema composicional dodecafônico e a formação de um imenso público atingido pelos meios de telecomunicação, trouxeram novos elementos a essa antiga forma.

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