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Por Que Ler um Livro...

Por Que Ler um Livro...

Por Que Ler um Livro...
Ler um livro é desinteressar-se a gente deste mundo comum e objetivo para viver noutro mundo. A janela iluminada noite adentro isola o leitor da realidade da rua, que é o sumidouro da vida subjetiva. Árvores ramalham. De vez em quando passam passos. Lá no alto estrelas teimosas namoram inutilmente a janela iluminada. O homem, prisioneiro do círculo claro da lâmpada, apenas ligado a este mundo pela fatalidade vegetativa do seu corpo, está suspenso no ponto ideal de uma outra dimensão, além do tempo e do espaço. No tapete voador só há lugar para dois passageiros: Leitor e autor.

O leitor ingênuo é simplesmente ator. Quero dizer que, num folhetim ou num romance policial, procura o reflexo dos seus sentimentos imediatos, identificando-se logo com o protagonista ou herói do romance. Isto, aliás, se dá mais ou menos com qualquer leitor, diante de qualquer livro; de modo geral, nós nos lemos através dos livros.

Mas no leitor ingênuo, essa lei dos reflexos toma a forma de um desinteresse pelo livro como obra de arte. Pouco importa a impressão literária, o sabor do estilo, a voz do autor. Quer divertir-se, esquecer as pequenas misérias da vida, vivendo outras vidas desencadeadas pelo bovarismo da leitura. E tem razão. Há dentro dele uma floração de virtualidades recalcadas que, não encontrando desimpedido o caminho estreito da ação, tentam fugir pela estrada larga do sonho.

Assim éramos nós então, por não sabermos ler nas entrelinhas. E daquela primeira fase de educação sentimental, que parecia inevitável como as espinhas, passava quase sempre o jovem monstro para uma crise de hipercrítica. Devido à necessidade de um restabelecimento de equilíbrio, o excesso engendrava o excesso contrário. A pouco e pouco os românticos perdiam terreno em proveito dos naturalistas. Dava-se uma verdadeira subversão de valores na escala da sensibilidade e a fantasia comprazia-se em derrubar os antigos ídolos. Formava-se muitas vezes, coincidindo com manifestações mórbidas que são do domínio da psicanálise, um pedantismo da clarividência, tão nocivo como a intemperança imaginosa ou sentimental, e talvez mais ingênuo, pois refletia um ressentimento de namorado ainda ferido nas suas primeiras ilusões.

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Algoritmo

Algoritmo

#Algoritmo

Um algoritmo é um procedimento geral de resolução de problemas mediante a execução de uma seqüência de passos elementares, a partir dos dados iniciais. O algoritmo da multiplicação de números inteiros, por exemplo, decompõe essa operação em uma sucessão de somas e produtos de números de um só algarismo.

É necessário, na construção de um algoritmo, levar em conta todas as alternativas possíveis de manipulação dos dados disponíveis. A obtenção de algoritmos é particularmente importante quando sua aplicação pode ser mecanizada, como, por exemplo, por meio de um computador. Como essas máquinas só realizam operações muito simples, um programa não passa de um algoritmo formado por instruções que o computador possa executar.

Para resolver problemas matemáticos semelhantes, é útil dispor de um método geral de solução, com regras formais bem definidas. Se o problema apresenta alta complexidade, recorre-se a sua decomposição em uma série de outros algoritmos menos complexos.

Quando se torna necessário optar entre dois algoritmos que resolvem o mesmo problema, deve-se analisar fundamentalmente duas circunstâncias. Primeiro, é preciso ter em conta a rapidez do processo; em segundo lugar, a presença de erros. Como são obtidos a partir de mecanismos de medição, os dados de entrada raramente são exatos e o algoritmo também introduz um erro. Na ausência de outros fatores, cumpre recorrer ao algoritmo que minimize o crescimento do erro. Em muitos casos, ademais, convém considerar o custo econômico embutido na utilização de um ou outro algoritmo.

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Aprendizagem, Tipos de aprendizagem

Aprendizagem, Tipos de aprendizagem

#AprendizagemEm psicologia, aprendizagem é o processo de modificação da conduta por treinamento e  experiência. Varia da simples aquisição de hábitos à  de técnicas mais complexas. Como característica essencial do psiquismo humano, o ato de aprender difere do adestramento animal pelo seu caráter criador, dinâmico e intencional. A motivação, a inteligência e a hereditariedade influenciam a aprendizagem, cujos elementos básicos são o estímulo, a resposta, o impulso e o reforço. A psicologia vem emprestando ao assunto singular importância, mesmo em relação a problemas como a neurose, considerada uma aprendizagem defeituosa, cujo tratamento consistiria em um verdadeiro reaprendizado.

A capacidade de aprendizagem é comum ao animal irracional e ao ser humano, criança ou adulto. Representa uma adaptação ao meio e é necessária à sobrevivência de todo o ser vivo.

Tipos de aprendizagem. A lista dos comportamentos que se aprende inclui a aprendizagem associativa ou condicionada, tanto a clássica como a operante; a aprendizagem por discriminação, em que o indivíduo  aprende a reagir diante de uma esfera limitada de características sensoriais, como certo tom de cor; por hábito, que consiste na cessação de resposta a estímulos repetidos; por formação de conceitos, caracterizada pelo processo de classificar experiências em função de traços comuns. Abrange também a aprendizagem perceptiva; a de solução de problemas; e a psicomotora, isto é, a formação de comportamentos neuromusculares, que reagem a sinais dos sentidos. A imitação, o insight e o imprinting ("estampagem") constituem outros tipos de aprendizado.

Do século XVII até meados do século XX, a preocupação dos teóricos era demonstrar cientificamente que determinados princípios universais regiam todos os processos da aprendizagem e explicavam as formas e causas de seu funcionamento. Uma rigorosa e objetiva metodologia visava enfeixar o comportamento de todos os organismos em um sistema unificado de leis semelhantes às das ciências naturais. A partir da década de 1970, porém, os psicólogos, tendo em vista as lacunas das teorias gerais da aprendizagem, começaram a ver que a questão não podia ser abarcada por um único sistema.

A última tentativa de integrar todo o saber psicológico em uma teoria abrangente ocorreu na década de 1930. Três pensadores foram Edwin R. Guthrie, Clark L. Hull e Edward C. Tolman. Guthrie argumentava que as respostas (não as percepções ou os estados mentais) formavam em última instância os componentes mais importantes da aprendizagem. Hull sustentava que a força do hábito, resultado de  sequências de estímulo e resposta suscitadas pela recompensa, constituía o aspecto essencial da aprendizagem, concebida como um processo gradual. Tolman defendia o princípio de que o objetivo visado pelo sujeito é a base do comportamento. Diversos temas abordados por esses pensadores continuam tendo a máxima relevância no estudo da aprendizagem.

Um desses temas é a associação. Ela reside em sua essência na observação de que o sujeito percebe algo em seu meio (sensações) e o resultado é uma tomada de consciência de que há alguma coisa no mundo exterior (ideias). As associações que levam às ideias incluem: a proximidade dos objetos ou ocorrências no espaço e no tempo, a similaridade, a frequência, a proeminência e a atração.

Uma questão que não ficou resolvida reside em saber o que se associa. Um grupo liderado por Guthrie e Hull sustentava que as associações se davam entre estímulos e respostas passíveis de observação. A aprendizagem associativa, a capacidade que o animal tem para associar um estímulo anteriormente irrelevante a uma determinada resposta,  ocorre sobretudo pelo processo de condicionamento, em que o reforço cristaliza novas formas de conduta. A mais recente experiência de condicionamento que se conhece foi realizada pelo fisiólogo russo do século XIX, Ivan P. Pavlov, que condicionou cães para salivarem ao som de campainhas.

As teorias de estímulo e resposta não explicaram, porém, muitos dos fenômenos da aprendizagem e pareciam francamente reducionistas, não levando em conta os processos interiores do indivíduo. Tolman encabeçou um outro grupo, cuja tese era que as associações abarcavam um estímulo e uma impressão sensorial subjetiva. Outro tema atual é o reforço, noção que decorre da descoberta de que é possível reforçar um padrão de comportamento com recompensas ou punições. Persiste, porém, um debate teórico acalorado no que se refere aos mecanismos do reforço.

Muitos psicólogos contestam a validade universal da teoria da associação e afirmam a importância de outros fatores na aprendizagem. Os gestaltistas, por exemplo, acreditam que os processos mais importantes da aprendizagem envolvem uma reestruturação das relações com o meio e não simplesmente uma associação das mesmas. Os psicolinguistas (isto é, os que estudam os aspectos psicológicos da linguagem) sustentam que a aprendizagem de uma língua abarca um número de palavras e locuções muito grande para ser explicado satisfatoriamente pela teoria associacionista. Afirmam esses pesquisadores que a aprendizagem da língua radica em alguma estrutura básica de organização, talvez uma "gramática" inata e geneticamente herdada.

Outras questões que se avultam nas atuais teorias da aprendizagem incluem o papel da motivação; os estágios da aprendizagem; os processos e a natureza da evocação, do esquecimento e da recuperação de informações (memória). A genética do comportamento ajuda a elucidar questões importantes como a distinção entre comportamento aprendido e herdado. Outros cientistas estudam conceitos não passíveis de quantificação, como a imagem, os processos cognitivos, a conscientização e a vontade.

Base fisiológica da aprendizagem. Os mecanismos da aprendizagem e da lembrança parecem depender de mudanças algo permanentes no sistema nervoso. Os efeitos da aprendizagem são inicialmente retidos no cérebro, mediante um processo reversível sucedido por uma mudança neural mais duradoura. Foram assim propostos dois tipos de processos neurológicos. A função da memória a curto prazo, temporária e reversível, talvez decorra de um mecanismo fisiológico (como uma transformação sináptica, elétrica ou química), que mantém vivo o traço da memória por um período limitado de tempo. A memorização mais permanente (a longo prazo) pode depender de transformações na estrutura física ou química dos neurônios; as mudanças sinápticas parecem ser de uma importância primordial. As lembranças ou imagens avulsas parecem ter uma localização definida.

Guardam certa afinidade com o problema da   aprendizagem os processos algo complexos do raciocínio, da solução de problemas, e do comportamento articulado e expresso pela linguagem, que vêm sendo estudados principalmente nos casos de lesão cerebral. No homem, o tecido cerebral pode ser grandemente destruído sem nenhum prejuízo aparente para esses processos. Já as lesões que ocorrem em áreas específicas e restritas do córtex cerebral, (especialmente os lobos temporal, parietal e occipital) podem provocar problemas em áreas relacionadas com a linguagem, como a leitura e a fala.

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Ábaco

Ábaco

Ábaco
Ábaco é um instrumento usado desde a antiguidade para efetuar as operações elementares. Consta de um bastidor no qual se inserem diversas varetas no sentido horizontal, e por cada uma deslizam dez contas. A vareta inferior corresponde às unidades, a segunda às dezenas, a terceira às centenas e assim sucessivamente. Para representar um número, se deslocam pelas varetas tantas contas quantas sejam necessárias para as unidades, as dezenas etc. No ábaco está implícito o sistema decimal de numeração instituído depois da invenção do instrumento.

Durante a ocupação do Japão por tropas dos Estados Unidos, logo após a segunda guerra mundial, ocorreu uma curiosa disputa entre um soldado americano, perito no manejo de máquinas de calcular, e um funcionário japonês habituado ao uso do ábaco. A prova consistia em efetuar rapidamente as quatro operações aritméticas. O japonês venceu em quatro das cinco questões propostas, demonstrando a eficácia do antigo sistema de cálculo.

Alguns modelos contam com dez varetas, que correspondem a igual número de dedos, com dez contas em cada vareta. Outro tipo de ábaco apresenta varetas divididas em duas partes, uma com cinco contas e outra com duas. As contas da primeira parte correspondem a uma unidade e as da segunda, a cinco unidades. Os romanos empregavam um modelo de ábaco no qual as varetas eram substituídas por sulcos feitos numa tábua e as contas, por pedras.

O ábaco foi usado pelas civilizações pré-colombianas, mediterrâneas e do Extremo Oriente. Sua utilização significou um grande avanço para o cálculo aritmético na antiguidade. Em alguns países do Extremo Oriente o uso do ábaco perdura até os dias atuais.

Academia, Patronos e Membros da Academia Brasileira de Letras

Academia, Patronos e Membros da Academia Brasileira de Letras

#Academia, Patronos e Membros da Academia Brasileira de Letras

A palavra vem do nome próprio Academo, herói grego a que se consagrou um jardim de oliveiras perto de Atenas. A princípio akadémeia foi apenas esse jardim, depois a escola de filosofia fundada por Platão e que ali se estabeleceu, origem do uso da denominação para instituições de ensino superior. Atualmente, no Brasil, o termo também é usado por entidades destinadas a preparação e prática esportivas. A escola de Platão foi muito conhecida durante quase um milênio, pois durou de 387 a.C. até 529 da era cristã. Dedicada ao culto das musas, abrigou igualmente o ensino de matemática, música e astronomia, bases da dialética de Platão.

Entendida inicialmente apenas como um bosque, com Platão a academia adquiriu sentido filosófico e cultural. Do século XVI em diante, surgiram academias que foram importantes instituições de ensino superior e, paralelamente, congregações muitas vezes famosas de escritores, artistas, músicos e cientistas.

Aos atuais significados da denominação ligam-se ainda uma série de fatos muito posteriores, relativos à valorização da cultura clássica pelos humanistas, desde o século XV na península italiana e desde o século XVI na França. Da era napoleônica em diante, até a reforma de 1968, os franceses utilizaram a palavra para nomear as unidades administrativas mais abrangentes do ensino superior, que correspondem ao que hoje, na maior parte dos países, se chama universidade.

Todavia, nos tempos modernos, a significação mais corrente é a que de fato começou a ser empregada no Renascimento italiano, daí passando para a França e outros países, para designar associações de artistas, cientistas, escritores, cujo fim é debater e divulgar seus trabalhos, ou promover sua própria representação social. Algumas dessas instituições mais antigas, como a Accademia della Crusca, fundada em Florença em 1582 e que editou excelente dicionário de italiano de 1612 em diante, deram exemplo precoce de importante contribuição cultural à coletividade.

Desde o início do século XVII surgiram academias de orientação mais sistemática, às vezes voltadas para o desenvolvimento da língua e da literatura, da música ou das artes plásticas, às vezes das ciências físicas e naturais. Tornaram-se modelos, nessa direção, a Reale Accademia Nazionale del Lincei (1603), de Roma, a Royal Society (1660), de Londres, a Académie Royale des Sciences (1666), de Paris, e especialmente a Académie Française (1635), paradigma das academias de letras.

Nos séculos XVIII e XIX numerosas instituições semelhantes, de ciências, artes ou letras, apareceram na Alemanha, na Rússia, em Portugal, na Bélgica, Suécia, Estados Unidos e Japão, mais ou menos nessa ordem. Entre as primeiras academias de artes plásticas esteve a Reale Accademia delle Arti del Disegno, de Florença (1563), seguida pela Académie Royale de Peinture et Sculpture, de Paris (1648) -- a partir de 1795 Académie des Beaux Arts --, pela Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, Madri (1744) e várias outras. As academias de música também tiveram início nos séculos XVI e XVII, na Itália primeiro, em seguida na França e, no século XVIII, na Inglaterra.

Uma peculiaridade francesa foi a criação, em 1814, do Institut de France, que centralizou e reorganizou as diversas academias existentes no país. Dentre estas, a de letras foi determinante, por sua repercussão, para o surgimento de muitas outras, como a Real Academia Española (1714), a Svenska Akademien (1786, Academia Sueca), que distribui o famoso Prêmio Nobel, a Academia Mexicana de la Lengua, a Académie Royale de Langue et de Littérature Françaises, fundada em Bruxelas (1920), a Academia Argentina de Letras (1931) e a Academia Brasileira de Letras, fundada no Rio de Janeiro em 15 de dezembro de 1896. Deve ser vista como caso à parte a British Academy (1901; Academia Britânica), por sua pluralidade de campos, já que envolve 14 seções, com programas filosóficos, filológicos, literários, teológicos, históricos, sociológicos, econômicos, arqueológicos, orientalistas, jurídicos.

Muitas destas academias destinadas a tratar de outros assuntos que não a língua e a literatura, ou de outros além destes, ficaram amplamente conhecidas ao longo do tempo: a Accademia Romana Pontificia di Storia e d'Archeologia, hoje no Vaticano, criada no século XV  e reorganizada em 1754; a Académie des Sciences (Paris, 1666); a Academia Real da História (Lisboa, 1720), depois Academia Portuguesa da História; a Academia das Ciências de Lisboa, criada em 1783 com uma divisão em ciências naturais, ciências exatas e belas-artes (nesta parte incluindo as questões da língua e da literatura); a Academia de Ciências de São Petersburgo (1724); a Academia de Ciências de Göttingen (1751); a Academia Bávara de Ciências (Munique, 1759); a Academia Neerlandesa de Artes e Ciências (Amsterdam, 1808); a Academy of Natural Sciences of Philadelphia (1812), a mais antiga do gênero nos Estados Unidos; a Academia Austríaca de Ciências (1847); a California Academy of Sciences (San Francisco, 1853); a Academia Norueguesa de Ciências e Letras (Oslo, 1857); a Academy of Sciences (Washington, 1863); a Academia do Japão (Tóquio, 1879); a Academia Brasileira de Ciências (Rio de Janeiro, 1916); e a Academia Chinesa de Ciências (1928).

No Brasil. Graças à notoriedade alcançada desde o Renascimento por diversas academias italianas e francesas, a partir do século XVIII a tendência repercute no Brasil, a princípio na formação de pequenas associações de escritores nos moldes das que já se haviam constituído em Portugal, como a Academia dos Generosos (Lisboa, 1647) e a dos Singulares (1664). Assim se fundou na Bahia a Academia Brasílica dos Esquecidos (1724), no Rio de Janeiro a dos Felizes (1736) e a dos Renascidos (1759), e depois, com caráter mais formal, a Academia Científica do Rio de Janeiro (1772-1779).

A Academia Brasileira de Letras surgiu à imagem e semelhança da francesa e por iniciativa de escritores como Medeiros e Albuquerque, Lúcio Mendonça, Machado de Assis, Joaquim Nabuco. De acordo com o modelo que elegeu, congrega quarenta membros efetivos e perpétuos. Dentre estes, 25 têm de morar no Rio de Janeiro. Há também, permanentemente, vinte membros correspondentes estrangeiros. Teoricamente, pode candidatar-se a acadêmico todo brasileiro nato que seja autor de obra literária de reconhecida importância, ou de obra impressa de outra natureza, mas com qualidades literárias. Na prática, o critério decisivo é o prestígio social, antes e depois da eleição.


Patronos e membros da Academia Brasileira de Letras
1 Patrono: Adelino Fontoura. Fundador: Luís Murat. Sucessores: Afonso d'Escragnolle Taunay (1929); Ivan Lins (1958); Bernardo Élis (1975).
2 Patrono: Álvares de Azevedo. Fundador: Coelho Neto. Sucessores: João Neves da Fontoura (1936); João Guimarães Rosa (1962); Mário Palmério (1968).
3 Patrono: Artur de Oliveira. Fundador: Filinto de Almeida. Sucessores: Roberto Simonsen (1945),; Aníbal Freire (1949); Herberto Sales (1971).
4 Patrono: Basílio da Gama. Fundador: Aluísio Azevedo. Sucessores: Alcides Maia (1913); Vianna Moog (1945); Carlos Nejar (1988).
5 Patrono: Bernardo Guimarães. Fundador: Raimundo Correia. Sucessores: Osvaldo Cruz (1912); Aluísio de Castro (1917); Cândido Mota Filho (1960); Raquel de Queirós (1977).
6 Patrono: Casimiro de Abreu. Fundador: Teixeira de Melo. Sucessores: Artur de Jaceguai (1907); Goulart de Andrade (1915); Barbosa Lima Sobrinho (1937).
7 Patrono: Castro Alves. Fundador: Valentim Magalhães. Sucessores: Euclides da Cunha (1903); Afrânio Peixoto (1910); Afonso Pena Júnior (1947); Hermes Lima (1968); Pontes de Miranda (1979); Dinah Silveira de Queirós (1980); Sérgio Corrêa da Costa (1983).
8 Patrono: Cláudio Manuel da Costa. Fundador: Alberto de Oliveira. Sucessores: Oliveira Viana (1937); Austregésilo de Ataíde (1951); Antônio Callado (1994).
9 Patrono: Gonçalves de Magalhães. Fundador: Magalhães de Azeredo. Sucessores: Marques Rebelo (1964); Carlos Chagas Filho (1974).
10 Patrono: Evaristo da Veiga. Fundador: Rui Barbosa. Sucessores: Laudelino Freire (1923); Osvaldo Orico (1937); Orígenes Lessa (1981); Ledo Ivo (1986).
11 Patrono: Fagundes Varela. Fundador: Lúcio de Mendonça. Sucessores: Pedro Lessa (1910); Eduardo Ramos (1922); João Luís Alves (1925); Adelmar Tavares (1926); Deolindo Couto (1963); Darci Ribeiro (1991).
12 Patrono: França Júnior. Fundador: Urbano Duarte. Sucessores: Augusto de Lima (1903); Vítor Viana (1935); José Carlos de Macedo Soares (1937); Abgar Renault (1968).
13 Patrono: Francisco Otaviano. Fundador: Visconde de Taunay. Sucessores: Francisco de Castro (1899); Martins Júnior (1902); Sousa Bandeira (1905); Hélio Lobo (1918); Augusto Mayer (1960); Francisco de Assis Barbosa (1970); Sérgio Paulo Rouanet (1992).
14 Patrono: Franklin Távora. Fundador: Clóvis Bevilacqua. Sucessores: Antônio Carneiro Leão (1944); Fernando de Azevedo (1967); Miguel Reale (1975).
15 Patrono: Gonçalves Dias. Fundador: Olavo Bilac. Sucessores: Amadeu Amaral (1919); Guilherme de Almeida (1930); Odilo Costa, filho (1969); D. Marcos Barbosa (1980).
16 Patrono: Gregório de Matos. Fundador: Araripe Júnior. Sucessores: Félix Pacheco (1912); Pedro Calmon (1936); Lígia Fagundes Teles (1985).
17 Patrono: Hipólito da Costa. Fundador: Sílvio Romero. Sucessores: Osório Duque Estrada (1915); Roquette-Pinto (1927); Álvaro Lins (1955); Antônio Houaiss (1971).
18 Patrono: João Francisco Lisboa. Fundador: José Veríssimo. Sucessores: Homem de Melo (1916); Alberto Faria (1918); Luís Carlos (1926); Pereira da Silva (1933); Peregrino Júnior (1945); Arnaldo Niskier (1984).
19 Patrono: Joaquim Caetano. Fundador: Alcindo Guanabara. Sucessores: D. Silvério Gomes Pimenta (1919); Gustavo Barroso (1923); Silva Melo (1960); Américo Jacobina Lacombe (1974); Marcos Almir Madeira (1993).
20 Patrono: Joaquim Manuel de Macedo. Fundador: Salvador de Medonça. Sucessores: Emílio de Meneses (1914); Humberto de Campos (1919); Múcio Leão (1935); Aurélio Lira Tavares (1970).
21 Patrono: Joaquim Serra. Fundador: José do Patrocínio. Sucessores: Mário de Alencar (1905); Olegário Mariano (1926); Álvaro Moreira (1959); Adonias Filho (1965); Dias Gomes (1991).
22 Patrono: José do Patrocínio, o Moço. Fundador: Medeiros e Albuquerque. Sucessores; Miguel Osório de Almeida (1935); Luís Viana Filho (1954); Ivo Pitanguy (1990).
23 Patrono: José de Alencar. Fundador: Machado de Assis. Sucessores: Lafayette Rodrigues Pereira (1909); Alfredo Pujol (1917); Otávio Mangabeira (1930); Jorge Amado (1961).
24 Patrono: Junqueira Ribeiro. Fundador: Garcia Redondo. Fundadores: Luís Guimarães Filho (1917); Manuel Bandeira (1940); Ciro dos Anjos (1969); Sábato Magaldi (1994).
25 Patrono: Junqueira Freire. Fundador: Franklin Dória, barão de Loreto. Sucessores: Artur Orlando (1907); Ataulfo de Paiva (1916); José Lins do Rego (1955); Afonso Arinos de Melo Franco (1958); Alberto Venâncio Filho (1991).
26 Patrono: Laurindo Rabelo. Fundador: Guimarães Passos. Sucessores: Paulo Barreto (1910); Constâncio Alves (1922); Ribeiro Couto (1934); Gilberto Amado (1963); Mauro Mota (1970); Evaristo de Morais Filho (1984).
27 Patrono: Maciel Monteiro. Fundador: Joaquim Nabuco. Sucessores: Dantas Barreto (1910); Gregório da Fonseca (1931); Levi Carneiro (1936); Otávio de Faria (1972); Eduardo Portela (1981).
28 Patrono: Manuel Antônio de Almeida. Fundador: Inglês de Sousa. Sucessores: Xavier Marques (1919); Menotti del Picchia (1943); Oscar Dias Corrêa (1989).
29 Patrono: Martins Pena. Fundador: Artur Azevedo. Sucessores: Vicente de Carvalho (1909); Cláudio de Sousa (1924); Josué Montello (1954).
30 Patrono: Pardal Mallet. Fundador: Pedro Rabelo. Sucessores: Heráclito Graças (1906); Antônio Austragésilo (1914); Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1961); Nélida Piñon (1989).
31 Patrono: Pedro Luís Pereira. Fundador: Luís Guimarães Júnior. Sucessores: João Ribeiro (1898); Paulo Setúbal (1934); Cassiano Ricardo (1937); José Cândido de Carvalho (1974); Geraldo França de Lima (1989).
32 Patrono: Araújo Porto Alegre. Fundador: Carlos de Laet. Sucessores: Ramiz Galvão (1928); Viriato Correia (1938); Joraci Camargo (1967); Genolino Amado (1973); Ariano Suassuna (1989).
33 Patrono: Raul Pompéia. Fundador: Domício da Gama. Sucessores: Fernando Magalhães (1926); Luís Edmundo (1944); Afrânio Coutinho (1962).
34 Patrono: Sousa Caldas. Fundador: João Manuel Pereira da Silva. Sucessores: barão do Rio Branco (1898); Lauro Muller (1912); D. Aquino Correia (1926); Raimundo Magalhães Júnior (1956); Carlos Castelo Branco (1982); João Ubaldo Ribeiro (1993).
35 Patrono: Tavares Bastos. Fundador: Rodrigo Otávio. Sucessores: Rodrigo Otávio Filho (1944); José Honório Rodrigues (1969); Celso Ferreira da Cunha (1987); Cândido Mendes de Almeida (1989).
36 Patrono: Teófilo Dias. Fundador: Afonso Celso. Sucessores: Clementino Fraga (1939); Paulo Carneiro (1971); José Guilherme Merquior (1982); José de Scantimburgo (1991).
37 Patrono: Tomás Antônio Gonzaga. Fundador: Silva Ramos.; Sucessores: Alcântara Machado (1931); Getúlio Vargas (1941); Assis Chateaubriand (1954); João Cabral de Melo Neto (1968).
38 Patrono: Tobias Barreto. Fundador: Graça Aranha. Sucessores: Santos Dumont (1931); Celso Vieira (1933); Maurício de Medeiros (1965); José Américo de Almeida (1966); José Sarney (1980).
39 Patrono: Francisco Adolfo de Varnhagen. Fundador: Oliveira Lima. Sucessores: Alberto de Faria (1928); Rocha Pombo (1933); Rodolfo Garcia (1934); Elmano Cardim (1950); Otto Lara Resende (1979); Roberto Marinho (1993).

40 Patrono: Visconde do Rio Branco. Fundador: Eduardo Prado. Sucessores: Afonso Arinos (1901); Miguel Couto (1916); Alceu Amoroso Lima (1935); Marcus Vinícius Rodrigues Vilaça (1985).

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Oceanografia, História e Exploração Econômica do Oceano

Oceanografia, História e Exploração Econômica do Oceano

#Oceanografia, História e Exploração Econômica do Oceano

Oceanografia é o estudo científico de todos os aspectos dos mares e oceanos do mundo, inclusive de suas características químicas e físicas, sua origem e estrutura geológica, bem como das formas de vida do meio ambiente marinho. Não é uma ciência independente, mas a aplicação das ciências básicas à explicação do oceano e dos fenômenos que nele ocorrem. Tradicionalmente, divide-se em oceanografia física, química, biológica e geológica.

O conhecimento dos mares atrai a atenção do homem não apenas pelo interesse econômico despertado por seus vastos recursos naturais, mas também pela curiosidade de descobrir a origem da vida e do próprio planeta, temas a que a oceanografia dedica seus estudos.

A oceanografia física concentra-se no estudo das propriedades da água do mar (temperatura, densidade, pressão etc.), seus movimentos (ondas, correntes e marés) e as interações entre as águas oceânicas e a atmosfera. A oceanografia química lida com a composição da água do mar e os ciclos biogeoquímicos que a afetam.

A oceanografia biológica também chamada ecologia marinha, estuda as plantas e animais marinhos, seus ciclos de vida e a produção de alimentos no mar. A geologia marinha estuda a estrutura, características e evolução das bacias oceânicas. A diferença entre a geologia marinha e a oceanografia geológica é apenas de ponto de vista ou atitude do pesquisador. Se um geólogo estuda um sedimento do fundo do mar mais para explicar o oceano do que o sedimento, faz oceanografia geológica e não geologia marinha.

No fim do século XX, a oceanografia era a soma total desses ramos, cada um dos quais baseado nos dados obtidos em expedições oceanográficas ou por outros meios. A pesquisa oceanográfica inclui a coleta e o estudo de amostras de água do mar e da vida marinha, o sensoriamento remoto dos processos oceânicos por aviões e satélites, além de sondagens e mapeamento sísmico da crosta terrestre sob os mares.

O conhecimento mais profundo dos oceanos permite prever com maior precisão mudanças climáticas de longo prazo, bem como explorar de forma mais eficaz os recursos marinhos. A oceanografia também é vital para compreender o efeito dos poluentes sobre a qualidade das águas oceânicas, tema que cresce em importância diante do aproveitamento cada vez maior dos recursos extraídos do mar.

HistóriaEmbora a oceanografia seja uma ciência recente, a curiosidade que tem como objeto os oceanos já se manifestou na Grécia Antiga, nas observações de Posidônio de Apaméia sobre as marés. Os grandes descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI aumentaram o conhecimento dos europeus sobre os oceanos e outras regiões do mundo. Até o século XVIII, no entanto, esse saber não adquirira caráter autenticamente científico, o que só ocorreu a partir do trabalho do conde Luigi Ferdinando Marsigli, autor do primeiro tratado de oceanografia, publicado em 1771, em Veneza. O oceanógrafo estudou as variações de temperatura e de densidade da água marinha em relação à profundidade.

As expedições polares de John Ross e James Clark Ross, na primeira metade do século XIX, forneceram dados sobre as zonas profundas dos oceanos Ártico e Antártico. A partir das investigações do naturalista Joseph Hooker, participante da expedição de James Clark Ross, Victor Hensen deu o nome de plâncton aos organismos microscópicos que constituem a base da cadeia alimentar do mar.

Os estudos de cientistas como Thomas Henry Huxley e Edward Forbes estimularam a realização da expedição do Challenger, considerada o ponto de partida da oceanografia como ciência autônoma. Por recomendação da Royal Society, de Londres, a corveta a vapor Challenger, da Marinha britânica, viajou entre 1872 e 1876 pelos oceanos Atlântico, Pacífico e Antártico, recolhendo amostras e fazendo sondagens. A publicação, entre 1880 e 1895, do relatório da expedição representa o primeiro grande passo da moderna oceanografia. À expedição científica do Challenger sucederam-se muitas outras, como a do Fram, navio norueguês que explorou o oceano Glacial Ártico entre 1893 e 1896, e a do Discovery britânico, que navegou pelo oceano Glacial Antártico entre 1925 e 1927.

Em 1902 criou-se em Copenhague o Conselho Internacional para a Exploração do Mar, que atravessou as duas guerras mundiais sem interromper suas prolíficas atividades. Embora já existissem laboratórios de pesquisa em vários países, o conselho e seu laboratório constituem realmente o primeiro instituto oceanográfico na acepção moderna do termo, e sua criação complementa a expedição do Challenger na criação da oceanografia moderna. Posteriormente, o príncipe Alberto I de Mônaco deu grande impulso à oceanografia. Também fundou o Museu de Oceanografia, em Mônaco (1910), e o Instituto Oceanográfico, em Paris (1911). O reconhecimento da nova atividade científica data, no entanto, de 1921, quando a União Internacional de Geodésia e Geofísica criou a Associação Internacional de Oceanografia Física, sua seção de oceanografia.

Embora na expedição do navio alemão Meteor ao Atlântico sul em 1925 já tivesse sido utilizado um sondador sonoro (ecobatímetro, ou sonar) para sondagem quase contínua do fundo, a grande aplicação dos estudos de som se deu na detecção de submarinos. E, se o nascimento da oceanografia se deve à viagem do Challenger e à criação do Conselho Internacional para a Exploração do Mar, foi a segunda guerra mundial que, por empenho sobretudo da Marinha americana, lhe consolidou definitivamente a posição.

Tais avanços não teriam sido possíveis, no entanto, se a Marinha não contasse com a colaboração do Instituto Oceanográfico Scripps, na Califórnia, e do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, em Massachusetts. Foram sobretudo essas duas entidades de pesquisa que, associadas aos laboratórios da Marinha -- o Laboratório de Pesquisas Navais e o Laboratório de Propagação do Som na Água --, empenharam-se, entre outras, em pesquisas sobre o comportamento das ondas sonoras em meio aquoso e sobre a previsão de ondas. Também no Reino Unido se realizaram pesquisas sobre esses temas.

Entre os progressos associados às pesquisas que se fizeram em função das guerras inclui-se a sondagem pelo eco ou pelo som, que revolucionou os processos de representação do relevo submarino. Anos mais tarde, novo passo foi dado com as sondagens por ultra-sons. Durante a segunda guerra mundial, quando se utilizou o radar na navegação, ampliou-se o estudo sistemático dos oceanos, realizado por diversos países, devido à necessidade de conhecer detalhadamente a plataforma continental e a dinâmica das águas do mar, a fim de permitir o desembarque de veículos anfíbios.

Do Instituto Oceanográfico Scripps resultou a publicação do monumental The Oceans (1942; Os oceanos), primeiro tratado de oceanografia a reunir a oceanografia física, a química, a biológica e a geológica, que se tornou referência obrigatória em qualquer trabalho oceanográfico. Em 1953, o Reino Unido combinou num instituto único -- o Instituto Nacional de Oceanografia, em Wormley, Surrey -- as atividades oceanográficas do departamento de hidrografia do laboratório de pesquisas da Marinha e do comitê do Discovery. No campo internacional já se fundara, em 1921, em Mônaco, o Bureau Hidrográfico Internacional, que com muita lentidão realizava, como único encargo oceanográfico, a carta batimétrica dos oceanos, mas que traria importantes contribuições para a normalização do serviço hidrográfico no mundo.

A partir da década de 1950, a oceanografia ganhou grande impulso graças ao invento do batiscafo, que permitiu fazer observações importantes a mais de 11.000m de profundidade, na fossa das Marianas. Ao mesmo tempo, numerosos navios americanos, britânicos e soviéticos prosseguiram a obra iniciada no século anterior. Pesquisas de cientistas franceses, liderados pelo oficial da Marinha Jacques Yves Cousteau, se propuseram não só a explorar o fundo do mar, como também o estudo da fisiologia da imersão, dando origem a notáveis melhoramentos em vários tipos de trabalhos subaquáticos. Devem-se a Cousteau admiráveis documentários cinematográficos sobre a exploração submarina, entre os quais Le Monde du silence (1953; O mundo do silêncio), em colaboração com Louis Malle.

O Conselho Internacional de Uniões Científicas, sobretudo por meio de seu Comitê Científico sobre Pesquisa Oceânica, projetou e realizou o Ano Geofísico Internacional (1957-58), colaboração de mais de cinquenta países em estudos do planeta, inclusive de seu oceano. A Comissão Oceanográfica Internacional manteve os dois centros coletores de dados, em Washington e Moscou, e continuou a estimular estudos e expedições conjuntas, dos quais são exemplos a Equalant (estudos do Atlântico tropical), a expedição ao oceano Índico e o estudo combinado do mar do Caribe.

A fim de estimular a colaboração oceanográfica entre os países e ajudar o desenvolvimento da oceanografia no mundo, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) criou, em 1961, seu escritório de oceanografia, que levou à criação, pelos países-membros, da Comissão Oceanográfica Intergovernamental, com sede na própria UNESCO, em Paris.

Exploração Econômica do Oceano O mar é visto principalmente como provedor de alimento. No entanto, muitas outras atividades econômicas se desenvolvem nos oceanos, como o transporte marítimo (fretes), a extração de petróleo e de materiais contidos na água, tais como sal, magnésio, compostos de magnésio e bromo, ou no fundo do mar, como carvão, minério de ferro, enxofre, estanho, ilmenita, rutílio, zircônio, monazita, cromita, fosforita, aragonita, calcita, barita, diamantes, ouro, platina, areia e cascalho.

O grande interesse pelo petróleo encontrado no fundo do oceano, sobretudo nas plataformas continentais, e o interesse pelos nódulos polimetálicos que recobrem as grandes profundidades oceânicas convenceram os governos da importância de apoiar a pesquisa tecnológica para permitir os avanços necessários para que o homem pudesse ocupar efetivamente o oceano e nele trabalhar. Assim, foram desenvolvidos os engenhos de intervenção, como submarinos, batiscafos, torres de sondagem e mesmo laboratórios submersos.

O fato de se saber que a produção potencial máxima da pesca se limita ao dobro da que se obtinha na segunda metade do século XX estimulou grandes esforços na direção da piscicultura, para complementar, ou mesmo substituir, a pesca. Atividade costeira e das mais ameaçadas pela poluição, a piscicultura introduziu nos programas oceanográficos a preocupação com o problema da preservação do meio ambiente marinho. A magnitude do esforço necessário levou os Estados Unidos a reunirem, em 1970, todas as agências dedicadas ao mar e à atmosfera numa agência única, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Antes disso, em 1967, a França havia criado um poderoso órgão central de coordenação e de estímulo à atividade oceanográfica, a Comissão Nacional para a Exploração dos Oceanos.

Brasil Em 1946, sob a direção do cientista francês Vladimir Besnard, criou-se o Instituto Paulista de Oceanografia, que em 1971 se instalou em sede especial na Universidade de São Paulo (USP). O instituto tem bases em Cananeia e Ubatuba, além de um laboratório de Fisiologia Marinha em São Sebastião. Nas universidades de Pernambuco e Ceará, pequenos institutos foram ampliados e se transformaram em laboratórios de ciência do mar. Em Rio Grande (RS) há um rico museu oceanográfico, com milhares de exemplares de conchas e moluscos.

A primeira preocupação com a oceanografia no Brasil, no entanto, nasceu no Ministério da Marinha, que em 1948 incluiu o assunto no curso de formação de oficiais-hidrógrafos. Por ocasião do Ano Geofísico Internacional, o navio-escola Almirante Saldanha foi inteiramente dedicado ao levantamento oceanográfico das águas brasileiras. E o interesse de levar a efeito explorações na Antártica levou o Brasil a organizar expedições oceanográficas àquele continente, utilizando dois navios, o Barão de Teffé, da Marinha, e o Professor Vladimir Besnard, da USP. Em 1994 a Marinha adquiriu para esse fim outro navio, o Ari Rongel.

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Arquivologia - Organização de Arquivos

Arquivologia - Organização de Arquivos

#Arquivologia - Organização de ArquivosArquivologia é o conjunto de conhecimentos sobre a organização de arquivos, tanto no que se refere ao recolhimento e conservação de documentos, títulos e textos de valor permanente e elaboração dos respectivos instrumentos de pesquisa, como no que toca à eliminação de peças de valor transitório e controle dos arquivos em formação. Inclui também as tarefas dos arquivistas. O termo arquivística pode, de modo geral, ser empregado como sinônimo de arquivologia.

Considerada disciplina, técnica e arte, a arquivologia é uma ciência auxiliar da história. Fonte de consulta para todos os fins, um arquivo organizado constitui valioso patrimônio e pode documentar o passado de uma nação.

Os arquivos de determinada origem constituem um todo orgânico denominado fundo, grupo, núcleo ou corpo de arquivos, no qual se incluem documentos escritos e iconográficos, como os audiovisuais, discos, fitas magnéticas e filmes. Começam também a ser objeto da arquivologia os arquivos eletrônicos. Os arquivos econômicos, de empresas comerciais, bancárias, industriais, desde que se revistam de importância histórica, como ocorre, em alguns casos, com papéis de famílias e pessoas ilustres, interessam à arquivística.

A preocupação dos governos e autoridades em conservar determinados documentos em lugares seguros por motivos de ordem administrativa, jurídica ou militar, remonta à antiguidade, sobretudo no que diz respeito a títulos de propriedade. Os eruditos do Renascimento foram os primeiros a ocupar-se dos arquivos como fonte da história, dando início aos estudos de diplomática, que levariam à moderna crítica histórica. A partir da revolução francesa, os arquivos tornaram-se bem público, proclamando-se o direito do povo de acesso aos documentos, cuja preservação foi oficialmente reconhecida como de responsabilidade do Estado.

Uma arquivística essencialmente voltada para os diplomas medievais surgiu no século XIX, principalmente após a criação da École des Chartes (Escola das Cartas), que passaria a formar arquivistas paleógrafos altamente qualificados. Em meados do mesmo século lançaram-se as bases da arquivística moderna, com os princípios do respect des fonds (todos os documentos originais de uma autoridade administrativa, corporação ou família devem ser mantidos em grupos, separados segundo a natureza das instituições que os criaram); da proveniência (os documentos públicos devem ser agrupados de acordo com as unidades administrativas que os originaram); do respeito à ordem original (o arranjo dado aos documentos pelos órgãos criadores deve ser mantido nos arquivos gerais ou de custódia permanente); e da centralização (unidade e indivisibilidade dos arquivos públicos nacionais).

Uma série de fatos novos, diretamente relacionados com os progressos da civilização, marcam a arquivologia na segunda metade do século XX. São eles, entre outros: adoção de arquitetura moderna e funcional nos prédios de arquivos; uso de microfilmagem de substituição; programas de história oral; restauração de documentos pelo emprego de máquinas e material sintético; intervenção dos arquivistas na gestão de papéis administrativos e nos arquivos econômicos, pessoais e familiares; aparecimento de depósitos intermediários de arquivos ou centros de pré-arquivamento; tentativas de aplicar as conquistas da eletrônica ao trabalho arquivístico.

O grande problema da arquivologia contemporânea é o volume de papéis criados e acumulados pelas administrações e a necessária eliminação de documentos depois de avaliados. O arquivista desenvolve padrões de avaliação, elabora planos de descarte, prepara tabelas e listas de material repetitivo de descarte automático. As listas e tabelas de descarte especificam o período de retenção de documentos comuns à maioria dos serviços existentes, e tabelas especiais cogitam de cada administração em particular. O arquivista pode recorrer a especialistas para decidir quanto à destinação dos documentos.

O primeiro tratado moderno de arquivística, de autoria dos holandeses Samuel Muller, Johan Adriaan Feith e Robert Fruin, data de 1898 e intitula-se, em edição brasileira, Manual de arranjo e descrição de arquivos (1960).

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