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Taoismo e a Filosofia Chinesa

Taoismo e a Filosofia Chinesa

Taoismo e a Filosofia ChinesaReligião que nasce da escola de filosofia chinesa centrada no conceito de "caminho" (Tao). Como filosofia (Tao chia), sua origem é atribuída aos ensinamentos do sábio Erh Li, ou Lao Tsé, que teria vivido no século VI a.C. O taoísmo religioso (Tao ciao) surge na dinastia Han, no século II, e assimila alguns dos elementos religiosos mais antigos da China. Prega a sabedoria do Tao, a única fonte do Universo. Toda a vida é regida pelos elementos yin (feminino) e yang (masculino), que se complementam e se transformam em eterno movimento, equilibrados pelo Tao. O taoísta aspira a fundir-se ao Tao e atingir a imortalidade. Para isso, precisa viver em harmonia e equilíbrio com o próprio corpo e com a natureza e desapegar-se do mundo material.

A mescla do folclore chinês e do longínquo Oriente, ciências ocultas, cosmologia, yôga, meditação, poesia, filosofia quietista e misticismo exaltado, pode ser englobada em uma só palavra: Taoísmo (doutrina que leva à união com o Tao).

Agora vejamos: Tao, literalmente, significa "caminho", "via" ou "senda". É o Todo, é a Unidade, o eterno e o Extenso. É também o Incognoscível.

Muito já foi dito e escrito sobre os fundadores do Taoísmo. Eis aqui uma versão que consideramos correspondente à realidade, a respeito do Imperador Amarelo, considerado como o fundador oficial do Taoísmo. A época a qual pertenceu o Imperador Amarelo, também conhecido como Huang Ti, remonta à Idade de Ouro da China (2852-2255 a.C.). A ele é atribuído o descobrimento e a transmissão do "segredo da imortalidade". Huang Ti foi um dos Dragões de Sabedoria que governaram a China em seu período áureo.

Segundo conta a lenda, Huang Ti conseguiu destilar o elixir de ouro. Ttomou parte dessa droga e voou até o Reino dos Imortais, não sem antes transmitir a certas pessoas a receita. Esstas pessoas são as que poderíamos chamar de Autênticos Taoístas.

Os Autênticos Taoístas, por meio da prática da doutrina, aspiravam converter-se em muito mais do que deuses. Entre as técnicas para conseguir seus objetivos, podemos destacar a Alquimia Secreta, que é composta de Yôga Dual e Yôga Interno, onde se requer como base essencial a quietude e um estado de perfeita espontaneidade. Mas, submergindo-nos no mais profundo, você poderá perguntar, em que consiste o chamado Yôga Secreto.

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Aristotelismo | Aristóteles

Aristotelismo | Aristóteles

Dá-se o nome de aristotelismo à atividade e ao pensamento das escolas filosóficas que se inspiraram na obra de Aristóteles. O Estagirita desenvolveu uma forma de raciocinar baseada no silogismo, pelo qual duas premissas básicas (a maior e a menor) levam a uma conclusão. Para definir essas premissas básicas, usou o raciocínio indutivo. Dominou um enorme volume de dados empíricos nas ciências naturais, e grande parte de seus textos são descritivos.

Mais do que qualquer outro pensador, Aristóteles determinou a orientação e o conteúdo da história intelectual do Ocidente. Durante séculos seu sistema filosófico e científico mediou o pensamento cristão e islâmico, e até o fim do século XVII o mundo ocidental foi aristotélico.

Aristóteles criou uma vastíssima ontologia, ou teoria da natureza e relações do ser, na qual as substâncias interagem de várias maneiras para produzir objetos que diferem em propriedades como quantidade, qualidade, tempo, posição e condição de ação. A partir dessa ontologia, Aristóteles desenvolveu uma filosofia da natureza em que a matéria sofre processos de mudança dinâmica e espontânea que são, por sua vez, mediados por princípios preexistentes de forma e estrutura. Elaborou então uma hierarquia de existências que começam com os quatro corpos primários (terra, água, fogo, ar), os quais formam substâncias inorgânicas e, depois, os seres vivos: as plantas apresentam as funções de crescimento, nutrição e reprodução; os animais possuem, além dessas, as de sensação, desejo e locomoção; e os seres humanos, a faculdade da razão. Com sua alma racional, o homem pode exercer a suprema atividade, a obtenção do conhecimento.

Após a morte de Aristóteles, a escola peripatética dedicou-se a investigações científicas. A filosofia do Liceu foi retomada por discípulos como Teofrasto de Eresso e Eudemo de Rodes, que editou os escritos éticos do Corpus aristotelicum. Depois da redescoberta e exegese das obras de Aristóteles por Andronico de Rodes, por volta do ano 50 a.C., o pensamento aristotélico foi objeto de muitas exposições e comentários no mundo greco-romano. Com a queda do Império Romano, as obras de Aristóteles se perderam no Ocidente, mas foram preservadas por sábios e exegetas árabes, siríacos e judeus, entre os quais há que destacar Avicena e Averroés. Com efeito, entre os séculos IX e XIII, a filosofia islâmica fundou-se em várias interpretações do pensamento aristotélico. Os muçulmanos mantiveram vivo o legado de Aristóteles e o devolveram à Europa nos séculos XII e XIII, quando santo Tomás de Aquino faria do aristotelismo o alicerce filosófico da teologia cristã. A força do aristotelismo declinou com a afirmação da ciência moderna, mas ainda afeta de modo sutil a orientação do pensamento ocidental. Modernamente, por exemplo, serviu de ponto de partida para a "psicologia descritiva" de Franz Brentano e contribuiu para a fenomenologia de Edmund Husserl. Reponta ainda no neotomismo.

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Filosofia Indiana

Filosofia Indiana

Filosofia indiana é a denominação genérica que se dá ao conjunto de concepções, teorias e sistemas desenvolvidos pelas civilizações do subcontinente indiano. Três conceitos fundamentam o pensamento filosófico indiano: o eu, ou alma (atman), as ações (karma), e a libertação (moksha). Exceto pelo charvaka (materialismo radical), todas as filosofias indianas lidam com esses três conceitos e suas inter-relações, embora isso não signifique que aceitem sua validade objetiva precisamente da mesma maneira.

Ao contrário dos gregos, os hindus desprezaram a física e a cosmologia em favor da ontologia e podem ser considerados os verdadeiros fundadores da lógica e da metafísica. Taranto narra a visita de um filósofo hindu a Sócrates, e o Timeu de Platão é de nítida inspiração hinduísta.

Dos três conceitos, o karma, que representa a eficácia moral das ações humanas, parece ser o mais tipicamente indiano. O conceito de atman corresponde, de certa maneira, ao conceito ocidental do eu espiritual transcendental ou absoluto. O conceito de moksha como o mais alto ideal igualmente aparece no pensamento ocidental, especialmente durante a era cristã, embora talvez nunca tenha sido tão importante quanto o é para a mente hindu. A maioria das filosofias indianas aceita o moksha como algo possível, e a "impossibilidade do moksha" (anirmoksha) é tida como uma falácia material que pode tornar viciosa uma teoria filosófica.

Textos sagrados - Os escritos sagrados da cultura hindu, sobretudo os Vedas (os mais antigos textos sagrados da Índia), os Upanishads e o Mahabharata, há muito influenciam o pensamento filosófico indiano. Os hinos védicos, escrituras hindus datadas do segundo milênio antes da era cristã, são os mais antigos registros remanescentes, na Índia, do processo pelo qual a mente humana produz seus deuses, bem como do processo psicológico da produção de mitos, que leva a profundos conceitos cosmológicos.

Os Upanishads (tratados filosóficos indianos) contêm uma das primeiras concepções da realidade universal, onipresente e espiritual que conduzem ao monismo radical (absoluto não-dualismo, ou unidade essencial da matéria e do espírito). Também contêm antigas especulações dos filósofos indianos sobre a natureza, a vida, a mente e o corpo humanos, além de ética e filosofia social.

Sistemas ortodoxosOs sistemas clássicos, ou ortodoxos, chamados darsanas, discutem questões como o status do indivíduo finito; a distinção, assim como a relação, entre corpo, mente e indivíduo; a natureza do conhecimento e os tipos de conhecimento válidos; a natureza e a origem da verdade; os tipos de entidades que se pode dizer que existem; a relação entre realismo e idealismo; a questão sobre se os universos ou as relações são básicos; e o importantíssimo problema do moksha, ou libertação, sua natureza e os caminhos que a ela conduzem.

As várias filosofias indianas apresentam, no entanto, tal diversidade de visões, teorias e sistemas, que se torna quase impossível distinguir características comuns a todas. A aceitação da autoridade dos Vedas caracteriza todos os sistemas ortodoxos (astika): Nyaya, Vaisesika, Samkhya, Ioga, Purva Mimansa e Vedanta. Os sistemas não-ortodoxos (nastika) entre eles o charvaka, o budismo e o jainismo, rejeitam a autoridade védica. Mesmo entre os filósofos ortodoxos, porém, a fidelidade aos Vedas limitou muito pouco a liberdade das especulações, e os Vedas podiam ser citados para legitimar uma vasta diversidade de ideias, fossem monistas ou atomistas.

Mimansa, ou Purva Mimansa, é o sistema que fornece regras para a interpretação dos Vedas e oferece uma justificativa filosófica para a observância do ritual védico. O Vedanta forma a base da maioria das escolas modernas do hinduísmo e seus principais textos são os Upanishads e o Bhagavad-Gita. Ao contrário do Mimansa, é um sistema interessado na interpretação filosófica dos Vedas, mais que com seus aspectos ritualísticos.

Em sânscrito, Vedanta significa a "conclusão" (anta) dos Vedas. Como eram muitas as interpretações, desenvolveram-se várias escolas de Vedanta que, no entanto, têm muitas crenças em comum: transmigração do eu e o desejo de libertar-se do ciclo de renascimentos (samsara); a autoridade dos Vedas como meio para essa libertação; Brahma como motivo da existência do mundo; e o atman como agente de seus próprios atos e, portanto, receptor das consequências da ação (phala). Todas as escolas de Vedanta rejeitam tanto as filosofias heterodoxas do budismo e do jainismo como as conclusões das outras escolas ortodoxas. Sua influência no pensamento indiano é tão profunda que se pode dizer que, em qualquer de suas formas, a filosofia hindu se tornou Vedanta.

A Nyaya examina em profundidade o método de raciocínio conhecido como inferência. Essa escola é importante por sua análise da lógica e da epistemologia. Já o Vaisesika sobressai por suas tentativas de identificar, inventariar e classificar as entidades da realidade que se apresentam à percepção humana. A Samkhya adota um dualismo coerente entre as ordens da matéria e as do eu, ou alma. Nessa escola, o conhecimento correto consiste na habilidade do eu de se distinguir da matéria. A Ioga influenciou muitas outras escolas por sua descrição da disciplina prática para realizar intuitivamente o conhecimento metafísico proposto pelo sistema Samkhya, a que a Ioga está intimamente relacionada.

Cada uma dessas escolas de pensamento foi sistematizada por meio dos conjuntos de sutras. Ao reunir um determinado número de aforismas, fórmulas ou regras breves e de fácil memorização, os sutras resumem cada uma das doutrinas.

Filosofia indiana e pensamento ocidental. Entre os temas considerados pelo pensamento indiano e ignorados pelo ocidental estão a origem (utpatti) e a apreensão (jnapti) da verdade (pramanya). Os problemas que os filósofos indianos na maioria ignoraram, mas que ajudaram a dar forma à filosofia ocidental, incluem a questão se o conhecimento surge da experiência ou da razão, além das distinções entre o juízo analítico e sintético e entre verdades contingentes e necessárias.

A filosofia indiana começou a interessar o Ocidente no século XVIII, quando foi feita a tradução do Bhagavad-Gita. No século seguinte, Anquetil-Duperron traduziu do persa, em latim, cinquenta dos Upanishads. Foi também no século XIX que a Índia entrou em contato com o pensamento ocidental, especialmente com as filosofias empiristas, utilitaristas e agnósticas da Grã-Bretanha. No fim do século, John Stuart Mill, Jeremy Bentham e Herbert Spencer eram os pensadores mais influentes nas universidades indianas.

As ideias influenciadas pelo pensamento ocidental serviram para criar uma vertente de orientação secular e racional, ao mesmo tempo em que estimularam movimentos sociais e religiosos, entre os quais o movimento Brahmo (Brahma) Samaj, fundado por Rammohan Ray. No fim do século XIX, o grande santo Ramakrishna Paramahamsa de Calcutá renovou o interesse pelo misticismo, e muitos jovens racionalistas e céticos se converteram à fé que ele representava. Ramakrishna pregava uma diversidade essencial de caminhos que levam à mesma meta. Seus ensinamentos ganharam forma intelectual no trabalho de Swami Vivekananda, seu famoso discípulo.

Século XXA primeira faculdade de filosofia da Índia surgiu na Universidade de Calcutá, no início do século XX, e o primeiro catedrático da matéria foi Sir Brajendranath Seal, acadêmico versátil que dominava diversas disciplinas científicas e humanísticas. Sua principal obra publicada é As ciências positivas dos antigos hindus, que discorre sobre a história da ciência e relaciona os conceitos filosóficos hindus a suas teorias científicas.

Em pouco tempo, porém, os filósofos mais estudados nas universidades indianas passaram a ser os alemães Kant e Hegel, e os sistemas filosóficos antigos foram avaliados à luz do idealismo alemão. A noção hegeliana do espírito absoluto encontrou ressonância na antiga noção vedanta de Brahma. O mais eminente estudioso hindu hegeliano é Hiralal Haldar, que abordou o problema da relação da personalidade humana com o absoluto, como se evidencia em seu livro Neo-hegelianismo. O acadêmico kantiano que se tornou mais conhecido foi K. C. Bhattacharyya.

Alguns indianos que viveram na primeira metade do século XX merecem menção por suas contribuições originais ao pensamento filosófico. Sri Aurobindo, ativista político que mais tarde se tornou yogin, vê a ioga como uma técnica não apenas de libertação pessoal, mas também de cooperação com a necessidade cósmica de evolução que levará o homem a um estado de consciência supramental. Rabindranath Tagore caracterizou o absoluto como a pessoa suprema e colocou o amor acima do conhecimento.

Para Mahatma Gandhi, líder social e político, a unidade da existência, que ele chamou de "verdade", pode realizar-se pela prática da não-violência (ahimsa), em que a pessoa atinge o limite máximo da humildade. Sob a influência do idealismo hegeliano e da filosofia da mudança, de Henri Bergson, o poeta e filósofo Mohamed Iqbal concebeu uma realidade criativa e essencialmente espiritual.

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Filosofia Analítica

Filosofia Analítica

Filosofia Analítica

Dentro do pensamento contemporâneo, o que se costuma chamar de filosofia analítica não é exatamente um movimento homogêneo, e sim um conjunto de tendências. Mas essa denominação genérica é plenamente justificável, na medida em que, diante dos problemas filosóficos, essas tendências partilham uma determinada atitude que não tinha sido desenvolvida anteriormente.

O que faz essas correntes parecerem aparentadas entre si é a ênfase em ver a filosofia, antes de tudo, como análise - ou seja, elucidação, esclarecimento. Nesse aspecto, seu interesse voltou-se fundamentalmente para a lógica e a análise dos conceitos subjacentes à linguagem, considerando que muitos dos dilemas filosóficos habituais podem ser resolvidos -- ou deixados de lado, por insolúveis - mediante o estudo dos termos em que estão expostos.

Por suas concepções, a filosofia analítica se liga à tradição empirista anglo-saxônica. Não é de estranhar, portanto, que seu início se identifique com dois filósofos britânicos de Cambridge, Bertrand Russell e G. E. Moore, ambos nascidos na década de 1870, e que o enfoque dado por eles à percepção se vincule estreitamente ao proposto por John Locke no século XVII.

Bertrand Russell se caracterizou por abordar os problemas filosóficos através da lógica formal e por considerar que o único meio de adquirir conhecimento do mundo eram as ciências físicas. A teoria de Russell estava profundamente relacionada com a dos positivistas lógicos da escola de Viena, para os quais a tarefa principal da filosofia era distinguir entre as afirmações demonstráveis a partir da lógica e dos dados empíricos e as que não passavam de enunciados metafísicos indemonstráveis, ou "pseudoproposições".

Moore, ao contrário, nunca achou que fosse preciso empregar a lógica formal ou converter a filosofia em ciência. Defendeu o senso comum frente à grandiloquência metafísica e sustentou que o caminho adequado para resolver um problema filosófico consistia em perguntar qual era sua causa.

Figura básica na história da filosofia analítica, com dois períodos criativos diferenciados e mesmo antitéticos, foi o lógico austríaco Ludwig Wittgenstein, que ensinou em Cambridge. Sua primeira fase é representada pelo Tractatus logico-philosophicus (1922; Tratado lógico-filosófico), no qual defendia um atomismo lógico. No nível linguístico, as proposições são os átomos, ou seja, os enunciados mais simples se podem fazer sobre o mundo. Sua segunda fase foi marcada pelas Philosophische Untersuchungen (1953; Pesquisas filosóficas), publicadas depois da morte do autor, que nelas adotou pontos de vista diametralmente opostos aos anteriores. Nessa segunda obra, ele sustentou que a linguagem é um instrumento que pode ser empregado para um número indefinido de propósitos, uma instituição humana não sujeita a regras. Os "jogos da linguagem" são usos linguísticos e correspondem à função pragmática e ativa da linguagem. As ideias de Wittgenstein nessa etapa foram acompanhadas por pensadores como os ingleses John Austin e Gilbert Ryle, os quais enfatizaram a função social da linguagem e a usaram como campo de investigação para o estudo dos processos mentais do indivíduo.

A gramática transformacional generativa do americano Noam Chomsky, que deu novo rumo às teorias linguísticas, por sua vez adotava pontos desenvolvidos por Austin e Ryle. O enfoque mais positivista da filosofia analítica também permanece latente em diversos pensadores, entre os quais outro americano, Willard Van Orman Quine.

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Iluminismo e Filosofia

Iluminismo e Filosofia

#Iluminismo e FilosofiaIluminismo foi o movimento cultural e intelectual europeu que, herdeiro do humanismo do Renascimento e originado do racionalismo e do empirismo do século XVII, fundava-se no uso e na exaltação da razão, vista como o atributo pelo qual o homem apreende o universo e aperfeiçoa sua própria condição. Considerava que os objetivos do homem eram o conhecimento, a liberdade e a felicidade. O Iluminismo foi chamado pelos franceses de Siècle des Lumières, ou apenas Lumières, pelos ingleses e americanos de Enlightenment e pelos alemães de Aufklärung.

No decorrer do século XVIII, as ideias do Iluminismo sobre Deus, a razão, a natureza e o homem cristalizaram-se numa cosmovisão que deitou raízes e acabou por produzir avanços revolucionários na arte, na filosofia e na política.

Características gerais. O Iluminismo avaliou com otimismo o poder e as realizações da razão humana, e a crença na possibilidade de reorganizar a sociedade segundo princípios racionais. Não ignorou a história, mas a encarou de modo crítico, sem aceitar a ideia de que a evolução da humanidade fosse inexoravelmente determinada pelo passado. Esse enfoque retirou do otimismo dos pensadores iluministas qualquer caráter metafísico. Ao contrário, a visão iluminista tinha por base a possibilidade, aberta a cada ser humano, de ter consciência de si mesmo e de seus erros e acertos, e de ser dono de seu destino: a confiança nos efeitos moralizadores e enobrecedores da instrução se completava na exortação a todas as pessoas para que pensassem e julgassem por si próprias, sem orientação alheia. A crítica iluminista dirigiu-se contra a tradição e a autoridade daqueles que se arrogavam a tarefa de guiar o pensamento, e contra o dogmatismo que os justificava.

Essa luta contra as verdades dogmáticas deu-se, na esfera política, com a oposição ao absolutismo monárquico. É certo que houve alguns casos em que monarcas apoiaram e estimularam as novas ideias, atitude que ficou conhecida como "despotismo esclarecido". Esse apoio não configurava uma aliança, pois era quase sempre superficial e ditado por conveniências políticas ou estratégicas.

A riqueza e complexidade do movimento iluminista teve como base alguns pontos gerais: em primeiro lugar, a influência que os empreendimentos científicos do século XVII e início do século XVIII tiveram sobre as novas ideias. Na astronomia e na física, por exemplo, Galileu Galilei, Johannes Kepler e Isaac Newton levaram a conceber o universo como "natureza", ou seja, como um domínio ou realidade dinâmica, regida por leis gerais que a razão sempre poderia acabar por descobrir. Em segundo lugar, e como consequência, a substituição da ideia de um Deus pessoal, responsável pelos acontecimentos humanos e eventos naturais, por um deísmo, que valorizava a ideia abstrata de Deus como princípio ordenador da natureza, "arquiteto do mundo" e criador de suas leis, mas que não intervém diretamente nele. Embora a ideia do deísmo não tenha sido compartilhada por todos os pensadores iluministas -- alguns mantiveram a crença em um Deus transcendente ao qual a humanidade concernia diretamente, enquanto outros radicalizaram suas opiniões e chegaram ao ateísmo --, essa foi a tendência dominante do pensamento da época.

Tudo isso levou à crença no "progresso histórico" da humanidade, concebido não como produto de um plano divino, mas como resultado da razão e dos esforços humanos. Formou-se assim pela primeira vez a ideia de "humanidade" como integração de todos os povos, acima de circunstanciais diferenças étnicas ou situações temporais ou espaciais.

Como resultado lógico, a atividade e tarefa que os pensadores iluministas se atribuíam não ficou centrada na criação de grandes sistemas especulativos, e sim na difusão da cultura e na abertura de novas perspectivas para a compreensão da realidade. Os gêneros literários se diversificaram, surgiram inúmeras publicações, e a diversidade de temas de estudo e de reflexão firmou-se como um dos traços que permaneceram na cultura contemporânea.

Para avaliar globalmente o Iluminismo, deve-se levar em conta que, embora houvesse uma atmosfera cultural comum em quase toda a Europa, as diferenças nacionais e a existência de sistemas políticos distintos determinaram condições e pontos de vista diversos. O Iluminismo francês, por exemplo, foi mais anticlerical e de orientação política do que o Iluminismo britânico, o qual se desenvolveu em um país onde já havia se estabelecido uma monarquia liberal; já na Alemanha, o debate intelectual se concentrou em questões metafísicas e religiosas.

Desenvolvimento e principais tendências. O Iluminismo produziu as primeiras teorias modernas seculares sobre a psicologia e a ética. O filósofo empirista inglês John Locke foi, de certo modo, o primeiro iluminista. Em seu Essay Concerning Human Understanding (1689; Ensaio acerca do entendimento humano), Locke rejeitou a escolástica, que baseava a explicação do mundo em conceitos, e recusou também o apriorismo cartesiano: para Locke, os objetos do entendimento ou conhecimento não poderiam ser entidades constituídas prévia e independentemente dele, nem tampouco ideias inatas. Assim, considerou que, na ocasião do nascimento, a mente humana é como uma página em branco, uma tabula rasa na qual a experiência vai formando o caráter individual. Essas ideias, radicalizadas por David Hume, ensejaram uma nova visão da ética e da sociedade. As ações corretas e a organização social justa dependeriam do exercício da faculdade da razão.

Na França, a organização política não tinha a flexibilidade e funcionalidade do sistema inglês, de modo que a reação contra a rigidez hierárquica e a desigualdade levou quase forçosamente a ideais revolucionários, que apareceram de modo bem definido em obras como a do barão de Montesquieu, L'Esprit des lois (1748; O espírito das leis). Nela, o autor postulava um liberalismo de tipo britânico, assegurado - e essa foi sua grande contribuição à filosofia política - pela separação dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Voltaire foi, em grande medida, o símbolo do "século das luzes" francês; atacou com dureza o absolutismo e a igreja, exaltou a razão e advogou um deísmo que assumiu algumas vezes formas quase místicas e irracionais.

Denis Diderot e Jean Le Rond d'Alembert produziram o grande monumento intelectual do Iluminismo: a Encyclopédie, obra portentosa que consistia numa série de artigos e ensaios de vários pensadores e especialistas, que versavam sobre o homem e suas "ciências, artes e ofícios". A Encyclopédie, que se estendeu por 35 volumes e teve notável influência intelectual na França e em outros países, deu grande importância ao progresso e à ciência.

Jean-Jacques Rousseau foi uma das grandes figuras das Luzes. Para ele, a moral surge com a sociedade, pressupõe o princípio da ordem e exige a liberdade. A única sociedade política aceitável para o homem é a que está fundada no consentimento geral. Rousseau não preconizou a revolução nem incitou a ela, mas suas ideias influenciaram os revolucionários franceses. Por sua riqueza e originalidade, são também um marco inaugural do romantismo e uma das referências do pensamento moderno.

Na Aufklärung, destacou-se Christian Wolff. Diferente das Lumières, o Iluminismo germânico sofreu influência da reforma luterana e do empirismo de Locke, e apresentou grande atração pelas matemáticas. Todas essas tendências se incorporaram a um núcleo central representado pela problemática metafísica. A estética foi estudada principalmente por Gotthold Ephraim Lessing. Immanuel Kant é o resumo por excelência do Iluminismo e iniciou uma nova forma de pensamento.

Em outros lugares da Europa, as ideias iluministas penetraram menos. Na Itália, Giambattista Vico propôs  uma definição e um projeto racionais da história, na qual distinguia três idades: a dos deuses, a dos heróis e a dos homens. Na península ibérica, o predomínio da teologia cristã tradicional tolheu as novas ideias, que encontraram maior difusão nas colônias hispano-americanas e no Brasil, e contribuíram para a formação do pensamento social e político dos líderes do movimento de independência.

Significado histórico. O Iluminismo extinguiu-se, ao menos em parte, pelos excessos de algumas de suas ideias. A oposição às ideias religiosas e a usurpação da figura de Deus tornaram-no estéril e sem atrativos aos olhos de muitos para quem a religião era fonte de consolo, esperança e sentimento de comunhão. O culto quase ritualístico à razão abstrata, elevada à categoria de autêntica divindade, levou também a cultos de tipo esotérico ou obscurantista. E o período do "Terror", que se seguiu à revolução francesa foi um golpe para a convicção iluminista de  uma sociedade justa e pacífica, fundada em princípios racionais partilhados por todos os cidadãos.

Os pensadores iluministas deixaram como legado a definição e desenvolvimento de muitos dos conceitos e termos empregados ainda hoje no tratamento de temas estéticos, éticos, sociais e políticos. E o mundo contemporâneo herdou deles a convicção, rica de esperanças e projetos, de que a história humana é uma crônica de contínuo progresso.

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O Absoluto Segundo Aristóteles

O Absoluto Segundo Aristóteles 

O Absoluto Segundo Aristóteles Do ponto de vista metafísico, o absoluto seria, segundo Aristóteles, "o que existe e subsiste em si e por si", ou seja, o motor imóvel aristotélico, causa de todas as causas, que, como fundamento último da realidade, não é afetado pelas leis desta. A determinação do conceito de absoluto e o estabelecimento de sua relação com a realidade sensível é um dos problemas fundamentais da história da filosofia.

O absoluto, assim concebido como pura transcendência, não pode ser definido positivamente. Pode-se dizer que o absoluto não tem causas, pois se as tivesse dependeria de outra coisa; não tem forma, pois seria determinado por ela; e que nada existe fora dele, pois nesse caso não seria absoluto. Essa concepção de absoluto se encontra nos fundamentos do pensamento medieval e, mais especificamente, na teologia negativa, que identifica o absoluto com Deus, de quem só se pode saber o que não é e não o que é. Nicolau de Cusa afirmava, no século XV, que "o conhecimento da verdade absoluta transcende nosso entendimento finito" e que "Deus se entende incompreensivelmente".

A concepção de absoluto como entidade substantiva diferente de Deus aparece no idealismo alemão, em fins do século XVIII e começo do seguinte. Para os filósofos do período, o absoluto é o fundamento último da razão e esta, da realidade. Kant afirma que o fundamento último da razão tem que ser absolutamente incondicionado.

Fichte levou a ideia de absoluto ao extremo subjetivismo, identificando-o com o eu universal. Friedrich Schelling entendia o absoluto como fundamento universal da realidade, que contém em si mesmo seu princípio espiritual. A unidade entre sujeito e objeto proposta por Schelling, que Hegel qualificou de "indiscriminada", foi a base da crítica hegeliana a sua concepção de absoluto.

Nenhuma dessas concepções metafísicas sobre o absoluto conseguiu solucionar o problema de sua relação com o intelecto. Hegel tentou resolvê-lo concebendo a razão humana como um capítulo ou espécie de outra razão superior, a do espírito absoluto, que se realiza a si mesmo no tempo, mediante um processo dialético, de natureza lógica, que é também histórico. Em última instância, o protagonista do processo é o próprio espírito absoluto, que pensa a si mesmo e faz culminar o processo com a consciência absoluta de si mesmo. As ideias de Hegel sobre o absoluto foram o ponto de partida para a obra de outros pensadores, como o britânico F. H. Bradley e o americano Josiah Royce.

Com uma abordagem idealista ou materialista, a noção de absoluto foi tentada pelas mais diversas correntes de pensamento filosófico, desde os pré-socráticos, com seu princípio monista, até Schopenhauer, com o conceito de vontade cega, passando pela ideia de substância, formulada por Spinoza, e pelo materialismo dialético, próprio da filosofia marxista.

Na filosofia moderna, a noção de absoluto confunde-se com a de totalidade e de fundamento do real, seja ela concebida de um ponto de vista idealista ou materialista. A reflexão sobre o absoluto tem constituído a tarefa básica de todas as filosofias, seja para tomá-lo como postulado ou, como acontece na analítica contemporânea, para afirmar a impossibilidade de emitir juízo algum sobre ele.

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Ascetismo | Origens do Ascetismo

Ascetismo | Origens do Ascetismo

#Ascetismo, Origens do AscetismoA doutrina dualista defendida pelo neoplatônico Plotino, que identifica o espírito com o bem e a matéria com o mal, expressa na verdade um sentimento antiquíssimo. Ao longo da história, as religiões, em sua maioria, tiveram em comum a tendência para incluir a negação do prazer e dos desejos entre os caminhos do enriquecimento espiritual.

Entende-se por ascetismo a negação de desejos físicos ou psicológicos, visando à consecução de um ideal ou meta espiritual. O termo deriva do grego askeo, "exercitar", "treinar". Na Grécia Antiga, a palavra era empregada para designar os exercícios físicos com que os atletas se preparavam, e órficos e pitagóricos logo passaram a usá-la para identificar as normas de austeridade que regiam suas comunidades. Foram, porém, os estóicos e os cínicos os primeiros que entenderam o ascetismo como a negação da matéria diante do espírito e conceberam a mortificação e o sacrifício como meios para transcender as limitações da carne. O cínico Diógenes praticou o desprezo absoluto pelas coisas materiais, e em Roma o êxito da filosofia estoica preparou o terreno para o cristianismo nascente. Mais modernamente, fenômenos tão díspares quanto o faquirismo e a cavalaria andante podem ser relacionados com o termo ascetismo.

Variantes do ascetismo nas principais religiões. O ascetismo assume grande variedade de formas, do jejum à autoflagelação, pois existem incontáveis maneiras de se reprimirem as paixões e os instintos do corpo. Assim, seriam variedades de ascetismo o celibato, a rejeição dos bens materiais ou a provocação de dor.

O cristianismo revelou tendências ascéticas quase desde seu início. Primeiro surgiram no Oriente os eremitas e as figuras de são Clemente e são João Crisóstomo. Mais tarde, no Ocidente, as obras de santo Agostinho e são Bento definiram o ideal ascético na alta Idade Média, que chegou a extremos em certas comunidades monásticas: os monges sírios, por exemplo, se encerravam em celas estreitíssimas e evitavam qualquer movimento.

A Bíblia não dita nenhuma norma de ascetismo, mas o anseio de santidade justifica o desprezo da carne e da riqueza, tendo inspirado o celibato, a pobreza e o jejum como meios de purificação da alma. Conseqüência disso foi o aparecimento de ordens religiosas como a dos franciscanos, que praticaram um ascetismo naturalista.

As convulsões que assolaram a Europa a partir do século XIII trouxeram consigo um grande desejo de penitência e mortificação. Apareceram as flagelações e os cilícios. Depois da Reforma, surgiu no catolicismo um ascetismo místico que já não pretendia ser caminho da perfeição, mas meio de chegar à identificação com Deus. O Concílio de Trento (1545-1563) provocou o aparecimento de um ascetismo de férrea disciplina, exemplificado nos Exercícios espirituais, de santo Inácio de Loyola. No protestantismo não foram comuns as práticas ascéticas extremadas, mas os ideais de austeridade e renúncia estiveram presentes em muitas de suas comunidades.

Junto com o cristianismo, o budismo é a religião que mais importância dá ao ascetismo, isso porque na doutrina de Buda o sofrimento está intimamente ligado ao desejo. Os monges budistas, porém, evitam um ascetismo extremo, já que consideram ser este, na verdade, outro modo de ceder aos desejos. No hinduísmo e no islamismo as práticas ascéticas são, em geral, de tipo moderado, baseadas na austeridade e na contemplação espiritual.

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