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Revolução Industrial e Mecanização Industrial (XVIII)

Revolução Industrial e Mecanização Industrial (XVIII)

Revolução Industrial e Mecanização Industrial (XVIII)
A Revolução Industrial foi conjunto de mudanças ocorridas na segunda metade do século XVIII, as quais marcaram o início da mecanização industrial. De fato, as mudanças sócio-políticas ocorridas nos século anteriores foram essenciais para o desencadeamento da Revolução Industrial e da modernização dos meios de produção.

A constante ascensão da burguesia, que sempre ansiava maiores lucros e menores custos, foi um destes fatores. Também podemos ressaltar o aumento populacional na Europa e a ampliação da demanda dos mercados consumidores. Diante destas situações, se iniciou na Inglaterra um processo marcado por significativos avanços tecnológicos.

O pioneirismo inglês pode ser explicado a partir de muitos fatores. O primeiro deles é a enorme acumulação de recursos durante o capitalismo comercial. A presença abundante de carvão mineral em seu subsolo também foi algo decisivo, uma vez que esta era a principal fonte de energia na época. Além disso, também podemos citar a grande quantidade de mão-de-obra disponível na Inglaterra, fato provocado pelas políticas dos cercamentos.

Entre alguns exemplos de avanços tecnológicos registrados nesta época, podemos citar a máquina de fiar, o tear mecânico e hidráulico, o barco e a locomotiva a vapor. Embora a Revolução Industrial tenha dado maior velocidade ao processo de transformações da matéria-prima e aberto portas para o desenvolvimento do capitalismo, também resultou na ocorrência de sérios problemas sociais.

Com o êxodo rural provocado pelos cercamentos, havia mão-de-obra em abundância nas cidades, o que levou à desvalorização do trabalho realizado nas fábricas. Para se ter uma ideia, os empregados tinham que trabalhar 18 horas por dia em péssimos ambientes de trabalho para receber um mísero salário ao fim do mês. Tal realidade foi motivo para diversas manifestações e a criação dos primeiros sindicatos.

Posteriormente, o capitalismo industrial ganhou outras feições, o que muitos chamam de outras “fases” da Revolução Industrial. Na segunda metade do século XIX, surgiu a eletricidade, a ferrovia, o telégrafo e o motor a combustão (Segunda Revolução Industrial). Já na segunda metade do século XX, ocorreram novos e significativos avanços tecnológicos nas áreas da microeletrônica, robótica industrial, computadorização e biotecnologia, o que é chamado de Terceira Revolução Industrial.

Processo de mudança de uma economia agrária e baseada no trabalho manual para uma dominada pela indústria mecanizada. Tem início na Inglaterra por volta de 1760 e alastra-se para o resto do mundo. Caracteriza-se pelo uso de novas fontes de energia, pela invenção de máquinas que aumentam a produção, pela divisão e especialização do trabalho, pelo desenvolvimento do transporte e da comunicação e pela aplicação da ciência na indústria. Provoca profundas transformações na sociedade: o declínio da terra como fonte de riqueza, o direcionamento da produção em larga escala para o mercado internacional, a afirmação do poder econômico da burguesia, o surgimento do operariado e a consolidação do capitalismo como sistema dominante na sociedade.

I Revolução Industrial

I Revolução Industrial – O pioneirismo inglês, no século XVIII, deve-se ao acúmulo de capital – em razão da rápida expansão do comércio ultramarino e continental –, às reservas de carvão e ferro, à grande quantidade de mão-de-obra, ao avanço tecnológico e à existência de mercados consumidores. Em sua origem está a Revolução Gloriosa (1688), que assinala o final do absolutismo inglês e coloca a burguesia no controle do Estado. A disponibilidade de capital e o sistema financeiro eficiente facilitam os investimentos dos empresários, que constroem ferrovias, estradas, portos e sistemas de comunicação, favorecendo o comércio. Os campos são apropriados pela burguesia, no processo chamado de cercamento, originando extensas propriedades rurais. Com isso, os camponeses são expulsos das terras, migram para as cidades e tornam-se mão-de-obra à disposição. Por outro lado aumenta a produção de alimentos, contribuindo para o crescimento populacional.

Avanços técnicos – O desenvolvimento de máquinas – como a máquina a vapor e o tear mecânico – permite o crescimento da produtividade e a racionalização do trabalho. Com a aplicação da força a vapor às máquinas fabris, a mecanização difunde-se na indústria têxtil. Para melhorar a resistência delas, o metal substitui a madeira, estimulando a siderurgia e o surgimento da indústria pesada de máquinas. A invenção da locomotiva e do navio a vapor acelera a circulação das mercadorias.

Oferta de mão-de-obra – O novo sistema industrial institui duas novas classes opostas: os empresários, donos do capital, dos modos e bens de produção, e os operários, que vendem sua força de trabalho em troca de salário. A Revolução Industrial concentra os empregados em fábricas e muda radicalmente o caráter do trabalho. Para aumentar o desempenho dos operários, a produção é dividida em várias etapas. O trabalhador executa uma única tarefa, sempre do mesmo modo. Com a mecanização, o trabalho desqualifica-se, o que reduz os salários. No início, os empresários impõem duras condições aos operários para ampliar a produção e garantir margem de lucro crescente. Estes, então, se organizam em associações para reivindicar melhores condições de trabalho, dando origem aos sindicatos.

II Revolução Industrial

II Revolução Industrial – Inicia-se a partir de 1870, com a industrialização da França, da Alemanha, da Itália, dos Estados Unidos da América e do Japão, entre outros. Novas fontes de energia (eletricidade e petróleo) e produtos químicos, como o plástico, são desenvolvidos, e o ferro é substituído pelo aço. Surgem máquinas e ferramentas mais modernas. Em 1909, Henry Ford cria a linha de montagem e a produção em série. Na segunda metade do século XX, quase todas as indústrias já estão mecanizadas e a automação alcança todos os setores das fábricas. As inovações técnicas aumentam a capacidade produtiva das indústrias e o acúmulo de capital. As potências industriais passam a buscar outros mercados consumidores.

III Revolução Industrial
III Revolução Industrial
III Revolução Industrial
III Revolução Industrial – No período pós-II Guerra Mundial a partir da década de 1950, surgem complexos industriais e empresas multinacionais. As indústrias química e eletrônica crescem. Os avanços da automação, da informática e da engenharia genética são incorporados ao processo produtivo, que depende cada vez mais de alta tecnologia e de mão-de-obra especializada. A informatização substitui, em alguns casos, a mão-de-obra humana, contribuindo para a eliminação de inúmeros postos de trabalho.

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Império Napoleônico na França (1804 - 1815)

Império Napoleônico na França (1804 - 1815)

Império Napoleônico na França (1804 - 1815)

Império estabelecido por Napoleão Bonaparte na França, entre 1804 e 1815. Resultado da Revolução Francesa, dissemina os ideais da burguesia em ascensão pela Europa. Com política expansionista, o Império estende-se por todo o continente em seu apogeu, por volta de 1810. Chega ao fim com a derrota francesa na Batalha de Waterloo.

Antecedentes – Líder militar de sucesso, Napoleão ganha prestígio e apoio popular nas guerras da França contra a Itália e a Áustria (1796-1797) e contra o Egito (1798). Por isso é escolhido pela burguesia francesa para solucionar a grave crise que se havia instalado no governo revolucionário. Em 1799, Napoleão dá um golpe de Estado, conhecido como Golpe do 18 Brumário (data que corresponde ao calendário estabelecido pela Revolução Francesa e equivale a 9 de novembro do calendário gregoriano). A Constituição republicana é suprimida e substituída por outra, autoritária, concentrando todo o poder nas mãos do primeiro-cônsul, cargo que ele passa a ocupar. Nesse período, chamado de Consulado (1799-1804), Napoleão realiza obras de pacificação e de organização dos territórios franceses. Participa da redação do Código Civil, que confirma a vitória da revolução burguesa e influencia a legislação de todos os países europeus no século XIX. Institui os princípios de igualdade, de propriedade das terras, das heranças, a tolerância religiosa e o divórcio. No exterior assina tratados de paz com a Áustria (1801) e com a Inglaterra (1802).

O Império – O Império Napoleônico nasce de forma oficial em 1804, quando um plebiscito referenda o primeiro-cônsul como imperador da França. Napoleão é sagrado pelo papa Pio VII na Catedral de Notre Dame, em dezembro do mesmo ano. Coroado sob o nome de Napoleão I, preocupa-se em consolidar seu poder, modernizar a França e retomar a tradição do despotismo esclarecido.

Império Napoleônico na França (1804 - 1815)
A convivência com as potências europeias torna-se insustentável por causa da política de guerra permanente do Império, que leva à formação de coalizões contra os franceses. Napoleão I tenta invadir a Inglaterra, mas é derrotado. Volta-se, então, para a Europa Central. Vence a Áustria na Batalha de Austerlitz. Por meio de guerras e acordos, domina a Itália, a Holanda (Países Baixos) e boa parte da Alemanha. Após invadir a Prússia oriental e a Polônia (1806), Napoleão obriga a Rússia a aliar-se à França contra os ingleses e estabelece um bloqueio continental que impede o comércio de mercadorias inglesas na Europa.

O expansionismo gera novas dificuldades. Em 1809, o Exército imperial enfrenta rebeliões militares na Espanha e assiste à formação de uma nova coalizão contra o Império. No mesmo ano, Napoleão derrota novamente a Áustria e assina a Paz de Viena. A aproximação dos dois Estados é reforçada pelo casamento do imperador com a arquiduquesa Maria Luísa da Áustria. Em 1810, o Império Napoleônico atinge o máximo de seu poder, com a anexação da Holanda e do litoral alemão. Nessa época, o Império tem 71 milhões de habitantes, dos quais apenas 27 milhões são franceses.

Decadência – Em 1812, a aliança franco-russa é quebrada pelo czar Alexandre, que rompe o bloqueio contra os ingleses. Napoleão empreende então a campanha contra a Rússia. Entra em Moscou e, durante a retirada, o frio e a fome dizimam grande parte do Exército francês. Enquanto isso, na França, o general Malet, apoiado por setores descontentes da burguesia e da antiga nobreza francesas, arma uma conspiração para dar um golpe de Estado contra o imperador. Napoleão retorna imediatamente a Paris e controla a situação. Mas, no exterior, o Império começa a decair. Tem início então a luta da coalizão europeia contra a França. Com a capitulação de Paris, o imperador é obrigado a abdicar. O Tratado de Fontainebleau, de 1814, exila Napoleão na ilha de Elba, de onde foge no ano seguinte. Desembarca na França com um Exército e reconquista o poder. Inicia então o Governo dos Cem Dias. A Europa coligada retoma sua luta contra o Exército francês. Napoleão entra na Bélgica em junho de 1815, mas é derrotado pelos ingleses na Batalha de Waterloo e abdica pela segunda vez, pondo fim ao Império Napoleônico. Após a derrota de Napoleão, o Congresso de Viena (1815) reúne as potências vitoriosas com o objetivo de reorganizar o mapa político da Europa. Sob a liderança de Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia são restauradas dinastias e fronteiras alteradas pelas guerras napoleônicas. A Santa Aliança, organização política internacional, é criada para impedir novos movimentos revolucionários.

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Império Mongol na Ásia Central

Império Mongol na Ásia Central

Império Mongol na Ásia Central
O Império Mongol foi originado pela unificação das tribos mongóis, situadas na Ásia Central (atual Mongólia), que se estende do início do século XIII até a metade do século XIV. Em 1206, Temüjin (1154?-1227), um chefe de clã, é eleito Gêngis Khan (supremo soberano) e conquista a China entre 1211 e 1215. Volta-se para o oeste, atravessa a Pérsia em 1221 e, ao final do governo, amplia seus domínios do Adriático ao Pacífico. Esses avanços são consolidados pelo neto Kublai Klan (1215-1294). Por volta de 1240, ele alcança o rio Danúbio, exercendo influência em grande parte dos continentes asiático e europeu. Na China, Kublai funda a dinastia estrangeira Yuan, de 1280 a 1368, e transforma Pequim em um dos mais importantes centros mundiais. Impulsiona o comércio de caravanas, promovendo o intercâmbio entre Ocidente e Oriente.

Em 1278, Marco Polo chega à China, abrindo caminho a outros viajantes. Os europeus começam então a importar seda e porcelana do país, além de conhecimentos técnicos, como a produção de explosivos à base de pólvora. Mas, em 1368, os mongóis são expulsos do território pela dinastia Ming, que fecha a rota da seda e o acesso chinês ao mundo mediterrâneo. Com a desagregação do Império no século XIV, a população divide-se em tribos nômades, inimigas entre si, favorecendo o controle dos chineses, que as submetem até 1691.

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União Ibérica (Espanha e Portugal - 1580 a 1640)

União Ibérica (Espanha e Portugal - 1580 a 1640)

União Ibérica (Espanha e Portugal - 1580 a 1640)Período também chamado de Domínio Espanhol, em que Portugal fica submetido à Espanha entre 1580 e 1640, em razão da crise sucessória da monarquia portuguesa e do expansionismo da dinastia dos Habsburgos. A união das coroas ibéricas, que equivale na verdade à anexação de Portugal pela Espanha, tem grande repercussão no Brasil, ao favorecer a expansão de seu território e ao provocar invasões de países inimigos da Espanha. Em 1578, o rei dom Sebastião morre na batalha de Alcácer-Quibir, durante uma cruzada ao Marrocos, e o reino de Portugal fica sem herdeiro e sucessor direto. O cardeal dom Henrique, tio de dom Sebastião, assume o trono e morre dois anos depois. Com ele acaba a dinastia de Avis e se inicia uma crise de sucessão dinástica. O principal pretendente é o rei Felipe II, um neto de dom Manuel I, o Venturoso (1495-1521), em cujo reinado foi descoberto o Brasil. Felipe II , da casa Habsburgo, além da Espanha, reinava sobre o Sacro Império Romano-Germânico e os Países Baixos. Felipe II impõe sua aceitação como rei de Portugal. É assinado o Tratado da União Ibérica entre as duas Coroas, que formalmente mantêm a autonomia dos reinos, mas na prática submete Portugal à Espanha. O tratado vigora até 1640, quando Portugal recupera plena autonomia graças ao movimento da Restauração, liderado por dom João IV, com apoio da Holanda e da Inglaterra. A guerra contra a Espanha, porém, perdura até 1661.

Consequências para o Brasil

O acordo da União Ibérica traz duas conseqüências importantes para o Brasil. Uma delas é a livre movimentação entre os domínios portugueses e espanhóis na América, o que facilita e estimula a penetração dos luso-brasileiros no interior do território, ultrapassando a demarcação estabelecida no tratado de Tordesilhas. A outra é a retaliação sofrida pela colônia por parte de nações estrangeiras inimigas da Espanha, como nas invasões francesas e nas invasões holandesas. Neste último caso, o apoio da Holanda à Restauração obriga Portugal a manter-se afastado da guerra no Nordeste e até, durante alguns anos, a recusar apoio direto aos luso-brasileiros que lutavam pela expulsão dos holandeses.
União Ibérica (Espanha e Portugal - 1580 a 1640)

Após a morte do rei português D. Sebastião na batalha de Alcácer-Quibir, um grande conflito travado entre os portugueses e um grande exército marroquino liderado pelo Sultão de Marrocos Mulei Moluco, em 1578, a dinastia filipina viveu uma crise sucessória sem fim, uma vez que D. Sebastião não deixara herdeiros.


Embora posteriormente seu tio-avô, Cardeal-Rei D. Henrique, tenha assumido o trono, logo morreu dois anos depois, em 1580. Sendo assim, Felipe II, rei da Espanha e neto do falecido rei português D. Manuel I, foi reconhecido rei de Portugal, sob as promessas de respeitar os costumes e privilégios dos portugueses.


A União Ibérica se tornou um dos maiores impérios da história. Detentora de toda a tecnologia existente na época, tal associação dominou territórios em praticamente todas as partes do mundo.


Para o Brasil, a formação da União Ibérica resultou em significativas mudanças. Uma delas foi a extinção da linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, o que permitiu uma expansão para o oeste e para o interior do continente. As entradas, expedições exploratórias realizadas pela Coroa com o fim de encontrar riquezas e capturar índios, resultaram em uma efetiva expansão territorial.


Além disso, a União Ibérica abriu precedentes para que os inimigos da Espanha atacassem territórios portugueses para, de forma indireta, afetar os espanhóis. O Brasil foi exemplo claro disto: durante esse período, ingleses, holandeses e franceses tentaram se fixar no Brasil. Entre estas agressões, podemos ressaltar a invasão holandesa em Pernambuco, a qual alcançou o monopólio da atividade açucareira na região e durou cerca de 25 anos (1630 -1654).


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Nazismo e o Reich do Führer Adolf Hitler

Nazismo e o Reich do Führer Adolf Hitler

Nazismo e o Reich do Führer Adolf Hitler
O Reich do Führer
Chamou-se III Reich porque havia o I Reich (O Sacro Império Romano Germânico que Oton I fundou em 962 e durou até 1806); e o II Reich, nascido em 1871 sob Guilherme I, com a unificação alemã. Adolf Hitler suprimiu o Estado federalista. Os Estados receberam chefes Por ele indicados. Dissolveu a Assembleia do Reino. O país adotou a bandeira do Partido Nazista, com a suástica. Os membros do partido ocuparam todos os cargos da administração e a vida política reduziu-se a manifestações anuais do nazismo - os congressos realizados em Nuremberg. O Parlamento, todo nazista, reunia-se conforme a vontade de Adolf Hitler de ser aclamado.

Os judeus, duramente perseguidos, foram excluídos da administração, ensino, jornalismo, atividades artísticas e literárias. Passaram à condição de súditos; perderam os direitos civis, o acesso a lugares públicos; casamento de “ariano” com judeu passou a ser punido como crime de profanação racial. A partir de 1938, a violência cresceu: espancamentos, destruição de sinagogas e casas, uso de sinais identificadores e proibição de deixar o país. Mesmo assim, Einstein, Thomas Mann e muitos outros conseguiram fugir. Milhares de obras foram excluídas dos museus ou destruídas, como arte degenerada: abstracionismo, impressionismo, cubismo.

O Estado intervinha moderadamente na economia. Procurava controlar o mundo do trabalho e orientar a produção sem alterar basicamente a estrutura capitalista. Integrou as atividades de modo a harmonizar a produção. O Estado fixava a jornada de trabalho, os salários e os lucros, mas tembém velava pela formação profissional e pelo lazer. Suprimiu as liberdades sindicais e o direito de greve. No campo, o Estado nacional-socialista criou o Erbhof, domínio familiar de menos de 125 acres (menos de 21 alqueires), inalienável, indivisível e transmissível somente a um só herdeiro.

Realizou-se uma frente de trabalhadores, operários e camponeses e uma frente de patrões, em estilo corporativo, tudo supervisionado pelo Führer. As grandes empresas foram protegidas; impôs-se a formação de cartéis e acelerou-se a concentração industrial.

O novo Reich buscou o desenvolvimento com base em planos quadrienais. No primeiro Plano, iniciado em 1933, realizaram-se obras públicas para absorver desempregados: aeroportos, estradas, ferrovias, tudo com finalidade estratégica. O desemprego desapareceu em 1937. Mas o grande trunfo estava no desenvolvimento secreto da indústria bélica, que provocou a retomada industrial.

A falta de recursos monetários levou Schacht, ministro da economia de 1934 a 1937, a obrigar o pagamento de importações com produtos da indústria alemã. Isto correspondia às necessidades dos países da Europa central, exportadores de produtos primários. O Segundo Plano quadrienal, a partir de 1936, agora sob a direção do marechal Goering, tinha Por finalidade libertar a Alemanha de matérias-primas importadas. Retomou-se a exploração de minérios, avançou-se na pesquisa têxtil e na produção de borracha, carburantes e petróleo.

Em 1939, a indústria alemã é a segunda do mundo. Mas faltam minérios para a siderurgia. A agricultura fornece 75% do que o país precisa. A indústria bélica exige mais e mais matéria prima. A indústria de bens de consumo ficou prejudicada, tal como o comércio exterior, reduzido à metade. Havia limites para essa autarquia - essa auto-suficiência econômica. A acumulação de estoques levaria necessariamente à tese expansionista, à busca do espaço vital, sobretudo na Europa central. Essa necessidade vinha a calhar para a propaganda nazista em torno da questão nacional.

Hitler e o nazismo

Hitler e o nazismo

Adolf Hitler nasceu em 1888 em Brunau, na Áustria, filho de um empregado de alfândega. Aos 21 anos, mudou-se para Viena e tentou sem sucesso entrar na Academia de Belas-Artes para estudar pintura e arquitetura.

Vivia de expedientes, como pintar cartões postais. Perambulava pelos bares, lia jornais e livros, pernoitava em asilos. Autodidata, assimilava mal as leituras. Desprezava judeus, marxistas e as massas, todas incapazes, segundo ele, do sentimento nacional - ideias apreendidas da pequena burguesia vienense. Em 1913, com 25 anos, mudou-se para Munique. Lutou na Grande Guerra com bravura. Ferido duas vezes, foi condecorado com a Cruz de Ferro. No hospital, remoía a derrota, que atribuía não à eficiência do inimigo, mas à traição de grupos políticos radicais dentro da própria Alemanha. Voltou a Munique e passou a trabalhar na sessão de imprensa e propaganda do Quarto Comando das Forças Armadas, a Reichswerth.

Em setembro de 1919, Hitler aderiu a um grupo pomposamente chamado de Partido Trabalhista Alemão, fundado por um mecânico ferroviário. Seu programa falava em bem-estar do povo, igualdade perante o estado, anulação dos tratados de paz, exclusão dos judeus da comunidade.

Hitler pôs sua capacidade oratória a serviço do grupo e contribuiu para a mudança de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães - Nazi (abreviado do alemão Nationalsozialist). O símbolo era a bandeira vermelha com a cruz gamada. Possuíam um jornalzinho. O capitão Roehm incorporou uma organização paramilitar, as SA (Seções de Assalto), encarregadas de perturbar as reuniões dos adversários. O confuso programa denunciava judeus, marxistas e estrangeiros; prometia trabalho e a supressão das regras citadas em Versalhes.

Em 1921, aos 33 anos de idade, Hitler tornou-se chefe do Partido, que tinha apenas 3.000 filiados.

Depois de fracassar na tentativa de golpe em Munique (1923), Hitler foi condenado a cinco anos de prisão. Cumpriu oito meses, que aproveitou para escrever a primeira parte de seu livro Mein Kampf (Minha Luta).

Inspirando-se no bolchevismo, reorganizou seu partido, dando-lhe mais eficiência e disciplina, dotando-o de estruturas administrativas e hierárquicas regionais, de um jornal e de formações paramilitares: além da SA, as SS, brigadas de segurança. Organizou a juventude hitlerista e atraiu sindicatos, associações de médicos, professores, juristas, funcionários e outros profissionais.

Fundamentos e ideologia do Nazismo

A ideologia Nazista incorporou velhos princípios, com significado novo. Subsídios importantes foram fornecidos Por escritores e pensadores: o anti-semitismo, de teorias racistas de Gobineau, Chamberlain e Wagner; o pangermanismo, de Wagner; o neopaganismo, de Rosemberg; o Estado forte e a regeneração nacional, de Spengler; a idéia do Terceiro Reich, de Van der Bruck; o nacionalismo exaltado, de Jüger e Von Solomon. O programa do Partido Trabalhista (1920) e os textos de Hitler sintetizavam sua proposta ideológica.

Racismo, ponto fundamental do nazismo. O povo alemão pertenceria a uma raça ariana superior. Sua missão será dominar o mundo sem se contaminar Por raças ou elementos “inferiores”: franco maçonaria, liberalismo, marxismo, igreja católica e os judeus, cujo espírito liberal crítico os transformava e no principal elemento de dissolução da “pureza da raça”.

Totalitarismo, desdobramento do racismo. O indivíduo pertenceria ao Estado: seria um instrumento da comunidade racial. Assim, o Estado não poderia ser liberal e nem parlamentar, pois não poderia dividir-se em função de interesses sociais. Como o fascismo, o nazismo era antiparlamentar, antiliberal e antidemocrático. Da mesma forma, deveria ter um único chefe, o Führer. Ele simbolizaria a Alemanha e teria toda a responsabilidade das decisões, embora pudesse submetê-las a plebiscitos. Esses princípios podiam ser resumidos assim: um povo (Volk), um império (Reich) e um chefe (Führer).

Antimarxismo e anticapitalismo, desdobramentos do princípios fundamentais também. O marxismo era produto do pensamento judaico (Karl Marx), que propunha a luta de classes; o capitalismo seria danoso ao agravar as desigualdades e atentar contra a unidade do Estado. Hitler passou a destinguir o capital nacional, útil à comunidade, do capital internacional, impregnado de judaísmo.

Unipartidarismo, decorrencia do conjunto.. Hitler pregava que a nova ordem seria atingida nos quadros de um Estado totalitário, fundado sobre o fanatismo nacional e fervor racista; vanguarda seria o Partido Nacional-Socialista, partido único, hierarquizado e dirigido segundo o principio da chefia absoluta. O chefe supremo era ele, que tinha como suplente Rudolf Hess, substituído após 1941 Por Martins Bormann. As forças paramilitares das Waffen SS, comandadas por Himmler, chegaram a ter 500.000 homens; eram tropas de elite, ligadas ao exército. Himmler assumiu o controle da polícia política, a Gestapo.

Nacionalismo reinvidicativo, para o nazismo, era preciso destruir as “humilhações” do Tratado de Versalhes e integrar as comunidades germânicas da Europa (Áustria, Sudetos, Dantzig). Em suma, conquistar para a Alemanha, na Polônia e na Ucrânia, em espaço vital, o que implicava ajustar contas primeiro com os franceses, aliados dos eslavos.

O partido único controlava toda a a população, pela fiscalização das informações e da propaganda, conduzida Por um ministro especialista nisso: Goebbels. Ele supervisionava imprensa, literatura, cinema, rádio - este, a grande arma da comunicação com as massas.

Tiveram grande importância o lazer dos jovens e dos trabalhadores e a educação da juventude nazista, uma elite fanatizada, obrigada a trabalhar a a partir de 1935.

A Tomada do poder na Alemanha

Com a crise de 1929, os nazistas passaram a fazer proclamações, gigantescas paradas e desfile das SA e SS. Hitler surgia como o campeão da luta contra o bolchevismo. Empresas capitalistas passaram a dar-lhe apoio financeiro a partir de 1932. Reunindo descontentes de todo lado, especialmente na classe média e no campo, o partido saltou dos 400.000 membros em 1928 para 1,5 milhão em 1930; e dos 2,3% de votos para 18,3%. Fez 107 deputados, contra 77 comunistas.

Em 1932, Hindemburg encarregou o católico Brüning de combater o comunismo. A violência nazista obrigou a dissolver as SA e SS. A crise o obrigou também a tomar medidas socializantes: controle de mercado, socialização de bancos. O velho marechal Hindemburg foi reeleito com 19 milhões de votos, mas Hitler obteve 13 milhões.

Brüning projetou colonizar as grandes propriedades e os latifundiários pressionaram Hindemburg. O chanceler Von Pappen dissolveu o parlamento e convocou eleições. Os nazistas tiveram 37,3% dos votos e fizeram 230 deputados, graças ao apoio maciço da burguesia, proletarizada pela crise. Hindemburg recusou-se a fazer de Hitler chanceler e, convocadas novas eleições, permaneceu a vantagem dos nazistas.

O novo chanceler, o general Von Schleiter, queria quebrar a força de nazistas e comunistas organizando uma ditadura corporativa ao modelo italiano; pretendia fazer reformas sociais com o apoio dos sindicatos. Mas o que conseguiu foi atrair a ira dos grandes capitalistas. Von Pappen, ligado a eles, aproximou-se de Hitler; propôs a ele diminuir a agressão verbal contra os capitalistas. E Hitler foi nomeado chanceler em 30 de janeiro de 1933.
O empresariado e os conservadores monarquistas achavam que iam manobrá-lo. Os comunistas poderiam ter evitado a chegada de Hitler ao poder caso tivessem apoiado o centro, dando-lhe maioria no Parlamento. Mas também achavam que Hitler cairia logo.

Terror e ditadura
Em apenas 23 meses, numa sucessão de golpes de força. ilegalidades e assassinatos, Hitler implantaria sua ditadura pessoal. Com autorização de Hindemburg, dissolveu o Parlamento e encarregou Goering de preparar as novas eleições. Este chamou as SA e SS, sob o pretexto de que as tropas regulares eram insuficientes para garantir a ordem.

A campanha eleitoral foi um terror. Reuniões invadidas, jornais depredados, líderes rivais assassinados. Em 27 de fevereiro de 1933, os nazistas incendiaram o Parlamento e culparam os comunistas, que foram presos junto com os socialistas e liberais. Restabeleceu-se a pena de morte e suspenderam-se as garantias individuais e civis.

A alegada conspiração comunista fez com que os nazistas tivessem 44% dos votos; os 81 comunistas eleitos foram excluídos do Parlamento e os nazistas ficaram em maioria absoluta. Em 23 de março, Hitler obteve o voto de plenos poderes, com apoio dos católicos, que acreditavam numa concordata, como havia acontecido na Itália de Mussolini.

Hitler começou a aplicar o programa nazista. Suspendeu os partidos políticos, menos o nazista, extinguiu os sindicatos, diminuiu os privilégios dos Estados em favor do poder central e tomou medidas anti-semitas.

A principal oposição surgiu dentro do próprio partido: Roehm, chefe das SA, aproximou-se do general Von Schleiter e planejou um golpe, com apoio dos 3 milhões de homens de sua força paramilitar, constituída basicamente de desempregados. Em 30 de junho de 1934, centenas de oponentes foram massacrados, entre ele Schleiter; adeptos de Roehm foram metralhados de surpresa em uma reunião. Foi a Noite dos Longos Punhais. Em toda a Alemanha, foram 3.000 assassinatos. Muitos outros foram juntar-se a comunistas e judeus nos campos de concentração, recém abertos, como Dachau e Buchenwald. Os generais, que viam na SA uma perigosa concorrente, felicitaram Hitler.

O regime definiu as relações com a Igreja. Concordata assinada com o Papa Pio XI impunha aos bispos o dever de prestar juramento ao chanceler. O Papa protestou, não contra a ditadura, mas contra o paganismo nazista. A tentativa de unificar a Igreja Luterana em torno do dr. Müller, bispo do Reich, provocou a reação de mais de 500 pastores, remetidos imediatamente aos campos de concentração.

Hindemburg morreu no fim de 1934. Hitler acumulou as funções de chanceler e presidente. Todos os funcionários oficiais e das forças armadas deveriam prestar-lhe juramento pessoal de fidelidade.

Totalitarismo na Europa

Totalitarismo na EuropaDe forma bastante simples, podemos definir totalitarismo como um regime no qual um único indivíduo domina todo o Estado, tomando para si todos os tipos de poderes existentes. O totalitarismo foi algo presente no contexto do pós-guerra, tendo como suas expressões máximas o Nazismo de Adolf Hitler, na Alemanha, o Fascismo de Mussolini, na Itália, e o Stalinismo de Josef Stalin, na União Soviética.

A principal característica de um regime totalitarista é a eliminação de toda e qualquer oposição política. Desta forma, para os totalitaristas, a existência de múltiplas organizações partidárias prejudicaria o empenho de toda a nação em direção a um único caminho. Por isso, há a adoção de um sistema unipartidário.

No contexto econômico, a intervenção do Estado é algo de fácil conclusão. Nesse sentido, o governo procurava se enriquecer mais e mais, colocando o fator mercado em segundo plano. Assim, o Estado assumia o controle de todos os bens e fontes de recursos existentes por meio da administração de empresas estatais. Podemos destacar também a ênfase dada pelos regimes totalitaristas na indústria de base, bélica e de tecnologia, setores estratégicos em casos de uma eventual guerra.

Outra característica marcante do totalitarismo é a existência de uma política de intolerância a quaisquer manifestações contrárias às suas formas de atuar. Desta forma, muitos cidadãos eram presos, torturados, exilados ou até mesmo mortos por causa de suas ideologias políticas contrárias ao regime instalado.

Os regimes totalitaristas utilizavam a propaganda como principal instrumento de domínio ideológico da população. Assim, faziam uso da história da nação e das imagens de heróis nacionais para despertar na população um sentimento de patriotismo e orgulho.

É importante ressaltar que cada regime totalitarista teve certas características peculiares. Além disso, podemos afirmar que, embora o totalitarismo seja algo difícil de ser aceito no mundo atual, predominantemente democrático, é possível localizarmos traços do regime em políticas adotadas por muitos países.

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Absolutismo Monárquico na Inglaterra e na França

Absolutismo Monárquico na Inglaterra e na França

Absolutismo Monárquico na Inglaterra e na França
A partir da Baixa Idade Média, a Europa começou a passar por significativas transformações sociais, econômicas, políticas e culturais. O renascimento comercial permitiu a criação de uma burguesia forte. Entretanto, as raízes do modelo de organização feudal eram óbvios empecilhos aos interesses dos burgueses. Além disso, durante a Alta Idade Média, o poder dos reis era, na prática, semelhante ao dos senhores feudais. Estas duas situações resultaram em uma espécie de aliança entre rei e burguesia: esta pagava impostos àquele e em troca recebia sua proteção.

Tal aliança levou à criação gradual das monarquias nacionais, ou seja, países com idiomas próprios, territórios e moedas definidas. A formação das monarquias nacionais foi essencial para o enriquecimento ainda maior da burguesia e para o aumento da arrecadação de impostos para os monarcas.

Além disso, a expansão marítimo-comercial permitiu que os reis obtivessem grandes tesouros, o que tornou seus poderes maiores ainda. Vale lembrar também que nesta época a Igreja se encontrava enfraquecida pela Reforma Protestante. Todos estes fatores foram decisivos para a criação do absolutismo, ou seja, um sistema de governo no qual os reis têm um poder universal, acima de todos os grupos sociais.

Entre os principais reis absolutistas, podemos citar Henrique VIII (Inglaterra), Elizabeth I (Inglaterra) e Luís XIV (França).


1- As bases das monarquias nacionais:
a- Justiça real
b- Exército real
c- Imposto único
d- Moeda única
e- Teoria – rei representante de Deus na terra

2- Fatores que contribuíram para a centralização do poder real
a- O crescimento do poder real juntamente com a expansão do comércio
b- Apoio que os comerciantes davam aos reis
c- A perda parcial do poder da nobreza, em benefício do rei

3- Teóricos do absolutismo
Surgiram várias teorias justificadoras do estado absolutista:

a- Nicolau Maquiavel – defende que a política deve atender ao interesse nacional.
b- Thomas Hobbes – em seu livro Leviatã, mostra que o estado seria uma grande entidade todo poderosa que dominaria todo cidadão. Para Hobbes a autoridade do Estado deve ser absoluta, para proteger os cidadãos contra a violência e o caos da sociedade primitiva. É licito o rei governar despoticamente já que o próprio povo deu o poder absoluto.
c- Jacques Bossuet – para ele o poder real emana de Deus. A autoridade do rei é sagrada, ele age como um ministro de Deus e rebelar-se contra ele é rebelar-se contra Deus.
d- Jean Bodin – autor de a República, defende a ideia da soberania não partilhada. Para ele o poder também emana de Deus e o príncipe tem o poder de legislar sem precisar do consentimento de quem quer que seja.
e- Hugo Grotius – defende o governo despótico, o poder ilimitado do estado, afirmando que sem ele estabeleceria o caos e a turbulência política.

Absolutismo Monárquico na Inglaterra e na França

Absolutismo, Teoria do Absolutismo

Absolutismo é a forma de governo caracterizada pela concentração total de poder em mãos de um só indivíduo ou de um grupo de indivíduos. As chefias coletivas constituem, porém, casos excepcionais do sistema governamental absolutista, podendo ser consideradas etapas na evolução do processo de concentração integral do poder ou situações sui generis, em que a divisão de forças entre os chefes não permite a afirmação de superioridade por parte de um só dos componentes do núcleo dirigente.

"O estado sou eu." A conhecida sentença de Luís XIV da França, o Rei Sol, sintetiza a essência do absolutismo: o regime político em que uma pessoa, o soberano, exerce o poder em caráter absoluto, sem quaisquer limites jurídicos.

O que caracteriza o absolutismo é a ausência completa de limitações ao exercício do poder. Não há pesos e contrapesos reguladores das relações entre o poder executivo e as agências legislativas e judiciárias constituintes da organização estatal. A maquinaria constitucional, quando existente, está sempre à mercê da vontade do governante, que a pode alterar sem aprovação de órgão público.

O sistema encontra sua mais fiel representação nas formas de governo das monarquias da Europa ocidental nos séculos XVII e XVIII. O soberano possuía, de direito e de fato, a soma total dos atributos do poder: legislava, julgava, nomeava e demitia, instituía e cobrava impostos, organizava e comandava as forças armadas.

História
Nos primeiros séculos do feudalismo o rei era apenas o primus inter pares (primeiro entre iguais), governava por escolha e consentimento da nobreza e dela dependia para fazer a guerra e concluir a paz, assim como para impor ao estado um sistema fiscal. Nessa fase do regime feudal, a vida política das nações foi marcada por um antagonismo constante entre o poder real, que procurava expandir-se, e os interesses da nobreza, que tendiam a limitá-lo.

A luta terminou no século XVI com a subordinação da nobreza ao poder real. A ideia do absolutismo firmou-se com a outorga aos monarcas dos atributos da majestade e com a submissão das igrejas nacionais ao controle temporal do soberano.
Teoria do absolutismo

Teoria do absolutismo

Em busca de bases ideológicas que conferissem legitimidade ao poder absoluto, os monarcas faziam derivar diretamente de Deus sua autoridade sobre os homens e as coisas incluídas nos limites de seus domínios. O direito divino concedia ao governante o poder temporal, enquanto o espiritual cabia ao papa. Cedo, porém, a expansão das tendências absolutistas levou o monarca a pretender também a direção suprema do movimento religioso nacional. A igreja, com interesses universais e uma política própria, tornou-se uma rival capaz de contestar e limitar o poder absoluto do soberano.

Ao procurar atingir as prerrogativas reais, a Reforma protestante contribuiu para fortalecer a tese do direito divino, dispensando a ação intermediária de Roma. Por sua vez, os governantes  viram nas ideias da Reforma o veículo adequado para abolir a influência de Roma e assumir também o comando da vida espiritual de seus povos.

Paradoxalmente, o chamado "despotismo esclarecido" do século XVIII, em contestação frontal aos dogmas religiosos, não impedia aos monarcas reclamarem, mais que em qualquer outra época, origem divina para os poderes  que se atribuíam. E o reinado de Luís XIV, que se estendeu do fim do século XVII ao princípio do XVIII, constitui o momento culminante do absolutismo.

As teorias do direito divino perderam definitivamente a força depois da revolução francesa e da independência dos Estados Unidos. Chegam, porém, até nossos dias os vestígios desse período, com os títulos e prerrogativas formais de certas monarquias, como a inglesa, em que o monarca é também chefe da igreja (anglicana) e exerce seus poderes "pela graça de Deus".

A monarquia absoluta fundamentou-se, no entanto, em argumentos de maior conteúdo racional que a origem divina. O chamado "pai do patriarcalismo", Sir Robert Filmer, sustentava na primeira metade do século XVII que o estado era a família, e o rei era o pai. A submissão à autoridade patriarcal era o veículo e a essência do dever político.

Seu contemporâneo, Thomas Hobbes, um dos mestres da filosofia política inglesa, arguía em sua obra De corpore político (1650; Do corpo político) que o homem só pode viver em paz, em sociedade, se concordar em se submeter ao poder político absoluto de um soberano. Para Hobbes, a delegação total de poderes era um ato de auto-preservação, e o soberano devia colocar-se acima das leis e além de qualquer tipo de limitação. Hobbes admitia que o poder absoluto pudesse ser exercido por uma assembleia representativa, mas considerava preferível o governo individual. Nisso, aproxima-se da maioria dos teóricos do absolutismo.

Mesmo entre os pensadores que, como Jean-Jacques Rousseau, no século XVIII, partiam da premissa de uma "vontade coletiva", expressa pela maioria dos cidadãos, a ideia do governo pelo povo rapidamente se transforma no exercício do poder por um chefe único, em nome do povo.

Prática do absolutismo
Francisco I da França (1515-1547) pode ser considerado um absolutista, com a Itália fornecendo as máximas despóticas e os juristas do direito romano as bases teóricas doutrinárias. O primeiro estado nacional, porém, onde as doutrinas absolutistas vigoraram com nítida configuração foi o eleitorado de Brandemburgo, núcleo do poder dinástico em que se fundou o reino da Prússia.

A captação dos recursos financeiros indispensáveis à formação e controle das forças armadas constituiu o instrumento de que se serviu Frederico Guilherme o Grande Eleitor (1640-1688) para implantar em seus domínios o sistema absoluto. Ao fim de um período de atritos com a nobreza, logrou estabelecer o princípio  que isentava a aplicação da renda pública dos votos das classes representativas de interesses locais. A nobreza foi compensada às expensas dos camponeses, e os Junkers (nobres), ao entregarem o poder político, consolidaram uma influência econômica e social no interior do país, com os resultados que mais tarde se fizeram sentir na organização política e social da Prússia

Data desses primórdios do absolutismo uma das mais constantes características do sistema, a formação de uma classe burocrática que termina por controlar, ou ao menos diluir, o poder individual do governante. A burocracia com efeito limitativo, apta a manipular o poder conferido ao soberano absoluto, foi uma constante em todas as sociedades despóticas, cercadas de uma elite que se perpetuava no governo.

Os movimentos revolucionários de cunho liberal que sacudiram a Europa em 1848 puseram fim definitivamente aos regimes monárquicos de caráter absolutista.

Absolutismo moderno
No século XX, com a crescente complexidade da máquina governamental, insuscetível de controle individual, regimes totalitários apresentam aspectos de absolutismo burocrático, em que os governantes dividem a autoridade com funcionários que controlam o sistema econômico nacional e as forças responsáveis pela continuidade do poder. Embora com o abandono da forma monárquica, os regimes totalitários apresentam extrema concentração de poder em mãos do governante. O governo é exercido em nome do estado ou em representação de uma doutrina político-social dominante.

As ditaduras do século XX inovam, porém, em relação a suas antecessoras, ao estender à sociedade como um todo a autoridade política. Outro aspecto que constitui novidade nas formas modernas absolutistas é exemplificado pelas doutrinas fascistas e nazistas, que dominaram a Itália e a Alemanha até o fim da segunda guerra mundial.

 Luís XIV (1638-1715), da FrançaAbsolutismo Monárquico (Séculos XVII e XVIII)

Sistema de governo no qual o poder é concentrado nas mãos do monarca, característico dos regimes da maioria dos Estados europeus entre os séculos XVII e XVIII. Os reis controlam a administração do Estado, formam exércitos permanentes, dominam a padronização monetária e fiscal, procuram estabelecer as fronteiras de seus países e intervêm na economia nacional por meio de políticas mercantilistas e coloniais. Também criam uma organização judiciária nacional, a justiça real, que se sobrepõe ao fragmentado sistema feudal.

A centralização do poder desenvolve-se a partir da crise do feudalismo. Com o crescimento comercial, a burguesia tem interesse em disputar o domínio político com os nobres e apoia a concentração do poder. A Reforma Protestante do século XVI também colabora para o fortalecimento da autoridade monárquica, pois enfraquece o poder papal e coloca as igrejas nacionais sob o controle do soberano. Com a evolução das leis, com base no estudo do direito romano, surgem teorias que justificam o absolutismo, como as de Nicolau Maquiavel (1469-1527), Jean Bodin (1530-1595), Jacques Bossuet (1627-1704) e Thomas Hobbes (1588-1679).

O Estado absolutista típico é a França de Luís XIV (1638-1715). Conhecido como o Rei Sol, a ele é atribuída a frase que se torna o emblema do poder absoluto: "O Estado sou eu". Luís XIV atrai a nobreza para o Palácio de Versalhes, perto de Paris, onde vive em clima de luxo inédito na história do Ocidente. Na Inglaterra, no início do século XVI, Henrique VIII, segundo rei da dinastia Tudor, consegue impor sua autoridade aos nobres com o apoio da burguesia e assume também o poder religioso. O processo de centralização completa-se no reinado de sua filha Elizabeth I. No século XVIII surge o despotismo esclarecido, uma nova maneira de justificar o fortalecimento do poder real, apoiada pelos filósofos iluministas.

O processo de extinção do absolutismo na Europa começa na Inglaterra com a Revolução Gloriosa (1688), que limita a autoridade real com a Declaração de Direitos (Constituição), assinalando a ascensão da burguesia ao controle do Estado. Na França, o absolutismo termina com a Revolução Francesa (1789). Nos outros países europeus, ele vai sendo derrotado com as Revoluções Liberais do século XIX.

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Fim da União Soviética (URSS) em 1991

O Fim da União Soviética (URSS) em 1991 e as Novas Repúblicas (CEI)

O FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA (URSS) EM 1991A União Soviética foi um dos países mais importantes para a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, também foi um dos países mais abalados economicamente. Mesmo assim, o governo de Joseph Stálin foi capaz de realizar um eficiente planejamento, colocar a URSS nos trilhos do desenvolvimento e transformá-la em uma das grandes potências mundiais, ao lado dos Estados Unidos.

Após ter governado a URSS por 29 anos, Stálin morreu em 1953, sendo sucedido por Nikita Krushev. O governo de Stálin, embora tenha transformado a União Soviética em uma potência, foi marcado pelo autoritarismo, ditadura, falta de liberdade e corrupção. Krushev, quando assumiu o poder, decidiu acabar gradativamente com a política autoritária do governo anterior e procurou adotar uma política de paz com os países capitalistas.

No entanto, em 1964, Krushev foi deposto, sob a acusação de abuso de poder. Em seu lugar assumiu Leonid Brejnev, o qual governou até 1982. Foi justamente nessa época (por volta de década de 70) que os problemas econômicos e sociais se acentuaram. Em razão da URSS se manter isolada economicamente da maior parte do mundo, sua indústria se tornou atrasada. Se há alguns anos o país fora um grande exportador de alimentos, passou a ser importador. Com o declínio da atividade industrial e agrícola, surgiram inúmeros problemas sociais, principalmente o aumento do desemprego.

Após a morte de Brejnev, em 1982, Andropov e Constantin Tchernenko assumiram o governo. No entanto, foi em 1985, com a entrada de Mikhail Gorbatchev, que a União Soviética passou por bruscas mudanças políticas, econômicas e sociais. Ciente dos problemas que o país passava, Gorbatchev propôs dois planos: a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência).

A perestroika nada mais era do que um conjunto de medidas que propunha modernizar e dinamizar a economia do país. Assim, o plano autorizava a existência de empresas privadas, a entrada gradual de multinacionais e estimulava a concorrência entre as empresas. Já a glasnost previa a diminuição da atuação do Estado na vida do cidadão, ou seja, nas questões civis. Por meio da glasnost, foi dada liberdade de expressão, os presos políticos foram soltos, entre outras medidas.

Com estas profundas mudanças, tornou-se claro que a União Soviética estava com seus dias contados. Temendo o quadro político que estava instalado na Rússia, as outras repúblicas começaram a exigir autonomia. Em 1991, quase todos os países já eram independentes. O fim definitivo da URSS foi oficializado em 21 de dezembro de 1991, com a criação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), organização supranacional formada por Rússia, Ucrânia, Bielorrússia (atual Belarus), Cazaquistão e Uzbequistão.
Fim da URSS

Fim da URSS

A estagnação econômica a partir de meados da década de 70, aliada à corrida armamentista, coloca em evidência as deficiências e distorções estruturais da sociedade soviética e a necessidade de reformas urgentes. A URSS enfrenta dificuldades crescentes para manter sua hegemonia na Europa Oriental, recua na Ásia, África e América Latina e naufraga no Afeganistão.

Mikhail Gorbatchov (1934- ), funcionário de carreira do Partido Comunista da União Soviética, torna-se um dos principais assessores de Iuri Andropov durante o curto governo deste, entre 1982 e 1984. Em março de 1985 é eleito secretário-geral do partido, após a morte de Konstantin Tchernenko, que substituíra Andropov. Em 1986, desencadeia a glasnost e a perestroika, que, como ele próprio reconhece depois, definem o que deve ser destruído e mudado, mas não o que deve ser construído no lugar das estruturas antigas. Isso desencadeia movimentos que Gorbatchov não consegue controlar, conduzindo uma grave crise econômica, social e política, à sua própria queda, em 1991, e à desintegração da União Soviética. Seus entendimentos com os Estados Unidos e a Europa Ocidental para o desarmamento e a eliminação dos regimes socialistas na Europa oriental lhe granjeiam grande prestígio internacional, particularmente no Ocidente.

Perestroika – A perestroika, ou reestruturação econômica, é iniciada em 1986, logo após a instalação do governo Gorbatchov. Consiste num projeto ambicioso de reintrodução dos mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e retomada do crescimento. A perestroika visa liquidar os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados nacionais e estrangeiros. O Estado continua como principal proprietário, mas é permitida a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio varejista e serviços não-essenciais. Na agricultura é permitido o arrendamento de terras estatais e cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento é projetada por meio da conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo, e de investimentos estrangeiros.

Glasnost – A glasnost, ou transparência política, desencadeada paralelamente ao anúncio da perestroika, é considerada essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política nacional de realizar as reformas. Abrange o fim da perseguição aos dissidentes políticos, marcada simbolicamente pelo retorno do exílio do físico Andrei Sakharov, em 1986, e inclui campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas com a intervenção ativa dos meios de comunicação e a crescente participação da população. Avança ainda na liberalização cultural, com a liberação de obras proibidas, a permissão para a publicação de uma nova safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número crescente de jornais e programas de rádio e TV que abrem espaço às críticas.

Desagregação nacional – A descompressão política, que permite a expressão do descontentamento numa escala inédita desde a Revolução de 1917, combinada com o impasse na condução das reformas econômicas, mergulha a União Soviética numa crise no final dos anos 80. A produção se desorganiza devido à ausência de uma estratégia definida de reestruturação econômica. O único ponto claro da perestroika é a liquidação do antigo sistema de planejamento centralizado. A estruturação de um novo sistema é obscura. Organizam-se máfias, constituídas por antigos dirigentes de empresas e ministérios, que se apropriam do patrimônio público e acumulam fortunas. O Partido Comunista se divide em facções antagônicas. A União se desagrega, como resultado da pressão de movimentos nacionalistas e autonomistas nas diversas repúblicas. Um plebiscito, em 1990, aprova a continuidade da União, mas conflitos étnicos agravam o processo desagregador. O governo central perde poder sobre as repúblicas.

Golpe de Agosto – Em 19 de agosto de 1991, Gorbatchov enfrenta um golpe de Estado dado por civis e militares conservadores, que pretendem manter a União e revogar boa parte das reformas liberalizantes. Mas a reação ao golpe conta com o apoio da maioria das Forças Armadas e da população, assim como de diversas repúblicas. Em Moscou a resistência é dirigida por Boris Yeltsin (presidente da Rússia), Ruslan Khasbulatov (presidente do Parlamento da União) e pelo general Alexander Rutskoi, tendo como centro a defesa do Parlamento (Casa Branca).

Dissolução do império – Como conseqüência da resistência aos golpistas e do enfraquecimento da posição política de Gorbatchov, Yeltsin assume o poder de fato, proibindo o funcionamento do Partido Comunista na Rússia. O poder crescente de Yeltsin força a renúncia de Gorbatchov, em dezembro de 1991. As repúblicas declaram independência sucessivamente: a Lituânia, a Estônia e a Letônia em 22 de agosto, seguidas pela Ucrânia (24/8), Bielorrússia (25/8), Geórgia e Moldávia (27/8), Azerbaijão, Quirguizia e Uzbesquistão (30/8), Tadjiquistão (9/9) e Armênia (22/9). Em 9 de dezembro de 1991, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia formam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), dando por revogada a existência da URSS. Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomênia, Quirguizia e Tadjiquistão aderem à CEI em 14 de dezembro.

A CEI e as Novas RepúblicasA CEI e as Novas Repúblicas

Desde sua fundação, a Comunidade dos Estados Independentes vem se debatendo com sua natureza ambígua: embora não seja um país, é mais do que uma simples comunidade econômica de nações, pois tem Forças Armadas centralizadas, o rublo ainda circula nas repúblicas que a integram e mantém-se em grande parte intacta a relação de supremacia da Rússia sobre as demais unidades da extinta Federação. Mas a explosão de contradições durante muito tempo represadas pelo Kremlin abala a coesão e as instituições ainda precárias da nova comunidade. Divergências sobre o controle do arsenal nuclear e a ratificação do Tratato Start, de desarmamento, que a URSS tinha assinado com os EUA em julho de 1991; desentendimentos sobre a partilha proporcional, entre as repúblicas, da antiga dívida externa soviética, de US$ 74 bilhões; e a necessidade de conformar-se às regras do FMI para obter, no Ocidente, uma ajuda de US$ 24 bilhões, prometida pelos Estados Unidos e pela Alemanha, são alguns dos problemas globais enfrentados pela CEI em 1992.

Lutas pela independência – Mas há outros litígios que, em alguns casos, degeneraram em guerra aberta: a presença de 130 mil soldados do ex-Exército Vermelho na Letônia, Lituânia e Estônia, sob a alegação de que é preciso garantir a segurança da comunidade russa residente nesses países, mantém a tensão entre a Rússia e os Estados bálticos. Na Moldávia, o governo luta com os separatistas da autoproclamada República do Trans-Dniestr, habitada por russos e ucranianos que temem a possibilidade de integração dessa república à Romênia (os separatistas contam com o apoio do 14o Exército russo, estacionado em sua região). No Cáucaso, a Armênia e o Azerbaidjão continuam lutando pela posse do enclave de Nagorno-Karabakh, com grande número de baixas de parte a parte. Entre a Rússia e a Ucrânia, além da disputa pelo controle da frota do mar Negro e do arsenal nuclear, há também a disputa pela posse da Criméia, habitada majoritariamente por russos, mas sob jurisdição ucraniana desde 1954 (o território luta pela independência, não se contentando com o status de autonomia relativa concedido por Kíev). A Geórgia, embora não pertença à CEI, tem também conflitos internos: além do que opõe os partidários e opositores do ex-presidente Zviad Gamsakhurdia, deposto em janeiro de 1992, há também a guerra das autoridades de Tbilisi com a Ossétia do Sul, território georgiano que reivindica a anexação à Ossétia do Norte, pertencente à Federação Russa (todas essas questões são herança da política stalinista de separar os grupos étnicos para enfraquecê-los).

Federação russa – A própria Federação Russa, as voltas com problemas políticos e econômicos dos mais graves, é uma colcha de retalhos de reivindicações das minorias étnicas que a compõem e ameaçam fazê-la implodir da mesma forma que a ex-URSS. O novo Tratado da Federação Russa, assinado por Boris Yeltsin, em março de 1992, com 18 das 20 repúblicas autônomas que a integram não encontra uma solução para seus problemas mais sérios: a reivindicação de soberania da Tartária, proclamada em 21/3/1992; o separatismo da Chechenia-Inguchétia, convertida em duas unidades independentes por um decreto do Soviete Supremo de junho de 1992; o desejo da comunidade russo-alemã de restaurar a antiga República Autônoma do Volgf, eliminada por Stalin em 1941; e a proposta de que a lakutia e a Buriatia, o distrito da Niénetz e as repúblicas de Komi e Tuva, territórios autônomos da Sibéria, fundem-se nos Estados Unidos do Norte da Ásia. Em todos esses casos, a secessão seria economicamente desastrosa para Moscou, que perderia o controle sobre o petróleo tártaro, as jazidas de ouro buriatas e de gás natural nenétsio, o cobalto tuvânio, os diamantes iakútios, e assim por diante. Para complicar as coisas, o presidente Boris Yeltsin encontra-se, desde o início de 1992, em rota de colisão com Ruslán Khásbulatov, o presidente do Parlamento, com quem debate a distribuição do poder. Isso os levará, até o final do ano, à confrontação aberta.

Comunidade dos Estados Independentes (CEI) – Instituída em 21/12/1991, integrada pela maior parte das repúblicas que formavam a extinta União Soviética: Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Geórgia, Moldávia, Quirguízia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomênia, Ucrânia, Uzbequistão e Azerbaidjão. Sede em Minsk, na Bielorrússia. É gerida por conselhos de chefes de Estado e de governo das repúblicas participantes. A CEI não é um país, pois cada uma de suas unidades constitutivas é politicamente soberana; mas é mais do que uma comunidade econômica, pois tem forças armadas centralizadas. Além disso, embora os países membros estejam criando gradualmente suas próprias moedas, o rublo ainda circula paralelamente na maioria delas.

Tendências Contemporâneas
Os últimos 25 anos são marcados por uma rápida e intensa reordenação da política e da economia em todo o mundo. Na política, o principal fator de mudança é o fim da polarização Estados Unidos-União Soviética. A perestroika de Gorbatchov e a queda do muro de Berlim precipitam o desmonte da União Soviética. Emergem conflitos localizados, antes abafados pela polarização. Muitos deles têm caráter étnico ou religioso. O racismo e o extremismo de direita ganham novo fôlego. E o crescimento do fundamentalismo islâmico assusta o Ocidente. Na economia, novos blocos são formados. Os Tigres Asiáticos aceleram seu desenvolvimento, os Estados Unidos enfrentam dura concorrência do Japão em seu próprio território e a velha idéia da unificação da Europa é mais uma vez retomada com a criação da Comunidade Econômica Européia – hoje, União Européia.

Socialismo e social-democracia – A desagregação da União Soviética e o fracasso das experiências socialistas no Leste Europeu, assim como as reformas de mercado na China, disseminam a idéia de que a doutrina socialista está morta. A solução para alcançar a justiça econômica e social passa a ser a social-democracia, que desde a década de 50 administra o sistema capitalista em bem-sucedidas sociedades europeias, ou o próprio liberalismo ou neoliberalismo, que pretende deixar o capitalismo funcionar sem qualquer amarra. Entretanto, a social-democracia e o neoliberalismo também entram em crise no início da década de 90, por sua incapacidade em dar solução aos problemas sociais postos pelos novos parâmetros da revolução tecnológica.

Conflitos – Em 1994 persistem conflitos regionalizados na ex-URSS, ex-Iugoslávia, África, Índia e Sri Lanka. Na ex-URSS os conflitos mais graves são a guerra entre a Armênia e o Azerbaijão, a luta na Moldávia entre as populações de etnia romena e russa, a luta dos rebeldes da Abcásia para separar a região da Geórgia e a guerra civil no Tadjiquistão, que opõe, de um lado, uma aliança entre militantes islâmicos e os partidários de uma democracia em moldes ocidentais e, do outro, os antigos dirigentes comunistas apoiados pelo Exército russo. Na ex-Iugoslávia, sérvios, croatas e muçulmanos travam uma guerra para definir da maneira mais favorável o mapa da inevitável partilha da Bósnia entre os três grupos étnicos. Na vizinha Croácia, persiste a tensão entre o governo nacional e as milícias formadas pela minoria sérvia, que controlam um terço do território do país. Na África continua a guerra fratricida de Angola e os conflitos em Ruanda, na Somália e no Chade. Entre os conflitos étnicos da Índia, sobressai a campanha movida por grupos extremistas hindus contra a numerosa minoria muçulmana. No Sri Lanka, a rebelião tâmil contra a maioria cingalesa continua a manifestar-se em atentados terroristas.

A CEI - Comunidade de Estados Independentes
A Comunidade de Estados Independentes, formada pelas repúblicas da antiga União Soviética, tende cada vez mais a dar ênfase à independência dos Estados-membros e desprezar o aspecto de comunidade. Apesar de manterem laços econômicos muito estreitos, como herança da antiga União, e de formalmente constituírem forças armadas unificadas, cada república procura estruturar suas próprias forças armadas e libertar-se das antigas dependências econômicas, criando relações separadas tanto com a Europa e os Estados Unidos quanto com a Ásia. As tensões étnicas permanecem, assim como os problemas políticos. A Rússia, após o confronto entre o Parlamento e o presidente Yeltsin, em 1993, mantém seu plano de reconversão econômica, com altas taxas de desemprego mas inflação em baixa, e procura reconquistar a hegemonia sobre as demais repúblicas.

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