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Uso do Hífen

Uso do Hífen

Regra geral: para evitar erro de pronúncia

USA-SE
·         Com prefixo tônico, de evidência semântica: além, có, ex, grã/grão, pós/pré/pós, sem, vice, sota, nuper (exs: além-túmulo, có-fundador, ex-presidente, grã-fino/grão-mestre, pós-escolar/pré-nupcial/pró-alfabetização, sem-cerimônia, vice-reitor, sota-piloto, nuper-escolar)
·         Auto, contra, extra, infra, intra, neo, proto, pseudo, semi, supra, ultra: antes de vogal,h”, “r” ou “s” (exs: auto-ônibus, contra-almirante, extra-oficial, infra-som, intra-ocular, neo-republicano, proto-árico, pseudo-sábio, semi-selvagem, supra-renal, ultra-sensível)
·         Ante/anti, arqui, sobre antes de “h”, “r” ou “s” (exs: ante-sala/anti-higiênico, arqui-rabino, sobre-humano)
·         Inter, super antes de “h” ou “r” (exs: inter-racial, super-homem)
·         Ab, ad, ob, sob/sub antes de “r” (exs: sub-roda/sub-raça)
·         Mal, pan antes de vogalou “h” (exs: mal-educado, mal-humorado, pan-americano)
·         Circum antes de vogal
·         Bem com vida própria ou pronúncia requerida (exs: bem-querer, bem-vindo, bem-estar, bem-amado, bem-aventurado)
·         Sem-vergonha, sem-par, rio-grandense, à-toa (adjetivo - advérbio = à toa), mão-cheia, vice-versa, meia-tigela, tão-somente

NÃO SE USA
·         Um a um, de quando em quando, a fim de, ajudante de ordens, café com leite, estrada de ferro, farinha de trigo.

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História da Escrita


História da Escrita

História da Escrita
Escrita
Método de comunicação humana realizado por meio de sinais visuais que constituem um sistema.
Estes sistemas podem ser incompletos ou completos. Os sistemas incompletos, usados para anotações, são mecanismos técnicos que registram feitos significativos ou expressam significações gerais. Incluem a escrita pictográfica, a ideográfica e a usada por objetos marcados. Nos sistemas incompletos não existe correspondência entre os signos gráficos e a língua representada, o que os torna ambíguos.
Um sistema completo é aquele capaz de expressar, na escrita, tudo quanto formula oralmente. Caracteriza-se pela correspondência, mais ou menos estável, entre os sinais gráficos e os elementos da língua que transcreve. Os sistemas completos classificam-se em ideográficos (também chamados morfemáticos), silábicos e alfabéticos.
O sistema ideográfico, denominado ideograma, representa palavras completas. O sistema silábico utiliza signos que representam sons com os quais se escrevem as palavras. O sistema alfabético tem mais signos para escrever e cada signo representa um fonema. 
O primeiro escrito conhecido, anterior a 3000 a.C, é atribuído aos sumérios da Mesopotâmia. Escrito com caracteres ideográficos, propicia uma leitura pouco precisa. Identifica-se nele o princípio da transferência fonética e é possível rastrear sua história até averiguar como foi convertido em escrita ideossilábica. No caso dos egípcios, são conhecidos escritos que remontam a cerca de cem anos depois e também registram o princípio da transferência fonética. 
Outros sistemas ideossilábicos surgiram mais tarde no Egeu, Anatólia e na Indochina. Na última metade do segundo milênio antes de Cristo, os povos semíticos, que viviam na Síria e na Palestina, adotaram o silabário egípcio (ver também Línguas semíticas). Os gregos basearam-se na escrita dos fenícios e acrescentaram a ela vogais e consoantes, criando a escrita alfabética em torno de 800 a.C. 
Alfabeto, palavra que, derivada da língua grega e constituída por alpha e beta, suas duas primeiras letras, designa a série de sinais escritos que representam um ou mais sons e que, combinados, formam todas as palavras possíveis de um idioma.
Os alfabetos são diferentes dos silabários, pictogramas e ideogramas: em um silabário, cada sinal representa uma sílaba. No sistema pictográfico, os objetos são representados por meio de desenhos. Nos ideogramas, os pictogramas são combinados para representar o que não pode ser desenhado.
Os primeiros sistemas de escrita foram a escrita cuneiforme dos babilônios e dos assírios, a escrita hieroglífica dos egípcios, os símbolos da escrita chinesa e japonesa e os pictogramas dos maias.

Alfabeto do semítico setentrional
É o primeiro alfabeto de que se tem notícia e surgiu, entre 1700 a.C. e 1500 a.C., na região que hoje corresponde à Síria e à Palestina. O alfabeto semítico possui apenas 22 consoantes. Os alfabetos hebraico, árabe e fenício se basearam neste modelo. A escrita é realizada da direita para a esquerda.

Alfabetos grego e romano
Entre os anos 1000 e 900 a.C., os gregos adotaram a variante fenícia do alfabeto semítico. Depois do ano 500 a.C., o grego se difundiu por todo o mundo mediterrâneo e dele surgiram outras escritas, entre elas, a etrusca e a romana. Em conseqüência das conquistas romanas e da difusão do latim, este alfabeto se tornou a base de todas as línguas europeias ocidentais.

Alfabeto cirílico
Por volta do ano 860 d.C., os religiosos gregos, que viviam em Constantinopla, evangelizaram os eslavos e idealizaram um sistema de escrita conhecido como alfabeto cirílico. Suas variantes são as escritas russa, ucraniana, sérvia e búlgara.

Alfabeto árabe
Também tem sua origem no semítico e, possivelmente, surgiu no século IV de nossa era. Foi utilizado nas línguas persa e urdu. É a escrita do mundo islâmico.
Fenícia, antigo nome de uma estreita faixa de terra na costa leste do mar Mediterrâneo que atualmente constitui parte do Líbano. O território tem aproximadamente 320 km de comprimento e entre 8 e 25 km de largura.
Os fenícios, chamados sidônios no Antigo Testamento e fenícios pelo poeta Homero, eram um povo de língua semítica, ligado aos cananeus da antiga Palestina. Fundaram as primeiras povoações na costa mediterrânea por volta de 2500 a.C. No começo de sua história desenvolveram-se sob a influência das culturas suméria e acádia da vizinha Babilônia. Por volta de 1800 a.C., o Egito, que começava a formar um império no Oriente Próximo, invadiu e controlou a Fenícia, controlando-a até cerca de 1400 a.C. Por volta de 1100 a.C. os fenícios tornaram-se independentes do Egito e converteram-se nos melhores comerciantes e marinheiros do mundo clássico.
A contribuição fenícia mais importante para a civilização foi o alfabeto. Atribui-se também a esta cultura a invenção da tinta de púrpura e do vidro. As cidades fenícias foram famosas por sua religião panteísta e seus templos eram o centro da vida cívica. A divindade fenícia mais importante era Astarté.
Escrita, Instrumentos de, utensílios manuais utilizados para efetuar marcas alfanuméricas em ou sobre uma superfície. As inscrições se caracterizam pela eliminação de parte da superfície, a fim de gravar essas marcas. O instrumento de escrita é controlado normalmente pelos movimentos de dedos, mão, pulso e braço da pessoa que escreve.

Instrumentos antigos
A mais antiga forma de escrita ocidental é a cuneiforme, que se realizava mediante a pressão de uma vareta de três ou quatro faces sobre barro mole, que depois era cozido. O avanço importante que se seguiu foi o emprego, pelos gregos, do pincel, do martelo e do cinzel. No século I d.C., as escritas duráveis eram realizadas sobre papiro, com uma espécie de bambu afilado e mergulhado em tinta. Os pincéis planos e os bambus de ponta rômbica eram utilizados para as superfícies polidas e os rebocos ou muros de pedra, como no esgrafito. As inscrições eram realizadas com martelo e cinzel.
O nascimento e a difusão do cristianismo aumentaram a demanda por documentos religiosos escritos. Os livros em velino (ou pergaminho) vieram substituir os rolos de papiro e a pena de cálamo suplantou a pena de bambu, transformando-se no principal instrumento de escrita durante quase 1.300 anos. De igual modo, por volta do século XVIII, o papel havia substituído o velino como principal superfície de escrita e começou-se a utilizar o aço para fabricar pontas de caneta. A primeira pena de aço patenteada foi construída pelo engenheiro inglês Bryan Donkin, em 1803. A pena de cálamo caiu rapidamente em desuso.
Em 1884, Lewis Waterman, um agente de seguros de Nova York, patenteou a primeira pena esferográfica com depósito de tinta. Em 1938, Georg Biro inventou uma tinta viscosa e oleosa que servia para um tipo de caneta dotada de um rolamento na ponta. A caneta esferográfica apresentava certas vantagens sobre a caneta-tinteiro: a tinta era impermeável e quase indelével; permitia escrever sobre superfícies muito diferentes e o instrumento podia ser mantido em qualquer posição durante a escrita.
Em 1963, apareceu a chamada caneta hidrográfica, com ponta de feltro. Quem a inventou foi o japonês Yukio Horie, em 1962. As canetas hidrográficas utilizam tinturas como fluido para escrever.
Um dos instrumentos mais difundidos para escritas deléveis é o lápis. Os traços do lápis podem ser apagados com facilidade. O interior do instrumento é formado por uma mistura de grafita (uma variedade do carbono) e argila. Em 1795, inventou-se uma fórmula para misturar pó de grafita com argila, cortando o produto resultante em pequenas barras que depois eram cozidas. Em 1812, William Monroe criou um processo, empregado até hoje, mediante o qual se podia embutir a mistura grafita-argila entre dois pedaços de madeira de cedro. A lapiseira, patenteada em 1877, é formada por um estilete cilíndrico de carga, inserido num cilindro metálico ou plástico, e empurrado por um êmbolo que, ao girar, vai expulsando a ponta da carga.

Como Resumir Textos


Como Resumir Textos

Como Resumir TextosLer não é apenas passar os olhos no texto. É preciso saber tirar dele o que é mais importante, facilitando o trabalho da memória. Saber resumir as ideias expressas em um texto não é difícil. Resumir um texto é reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse.

Para se realizar um bom resumo, são necessárias algumas recomendações:

1. Ler todo o texto para descobrir do que se trata.

2. Reler uma ou mais vezes, sublinhando frases ou palavras importantes. Isto ajuda a identificar.

3. Distinguir os exemplos ou detalhes das ideias principais.

4. Observar as palavras que fazem a ligação entre as diferentes ideias do texto, também chamadas de conectivos: "por causa de", "assim sendo", "além do mais", "pois", "em decorrência de", "por outro lado", "da mesma forma".

5. Fazer o resumo de cada parágrafo, porque cada um encerra uma ideia diferente.

6. Ler os parágrafos resumidos e observar se há uma estrutura coerente, isto é, se todas as partes estão bem encadeadas e se formam um todo.

7. Num resumo, não se devem comentar as ideias do autor. Deve-se registrar apenas o que ele escreveu, sem usar expressões como "segundo o autor", "o autor afirmou que".

8. O tamanho do resumo pode variar conforme o tipo de assunto abordado. É recomendável que nunca ultrapasse vinte por cento da extensão do texto original.

9. Nos resumos de livros, não devem aparecer diálogos, descrições detalhadas, cenas ou personagens secundárias. Somente as personagens, os ambientes e as ações mais importantes devem ser registrados.

(BISOGNIN, Tadeu Rossato Descoberta & Construção, 8ª série, São Paulo, FTD, 1994.)

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Numeral e Número | Língua Portuguesa

Numeral e Número | Língua Portuguesa

Numeral e Número | Língua Portuguesa
Numeral, na nomenclatura gramatical brasileira, é a classe de palavras que designa a quantidade dos objetos ou sua posição numa série. Os numerais podem ser cardinais, quando indicadores de quantidade (um, dois, três); ordinais, quando dão ideia de ordem ou posição (primeiro, segundo); fracionários (meio, terço) e multiplicativos (duplo, triplo). Os numerais podem ser expressos em algarismos romanos (I, V, XX) ou arábicos (1, 5, 20).

Nos títulos honoríficos, na designação dos capítulos de livros e na determinação de datas e horários, empregam-se frequentemente os numerais.

Figuradamente, o numeral pode expressar número indeterminado, como por exemplo na frase: "Já lhe disse isso mais de mil vezes." Em datas, quando se trata do primeiro dia do mês, dá-se preferência ao ordinal: primeiro de janeiro (e não um de janeiro). Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos etc., empregam-se, de um a dez, os ordinais e, de 11 em diante, os cardinais. Por exemplo, diz-se papa João Paulo II (segundo), mas papa João XXIII (vinte e três). Quando aparece anteposto, o numeral é normalmente lido como ordinal, como em XX Salão do Automóvel (vigésimo).

Número

Número

Número é a flexão que as palavras variáveis sofrem, em muitas línguas, para indicar singular -- um ser único (um peixe) ou um conjunto de seres considerados como um todo (substantivo coletivo: cardume) - ou plural - mais de um ser (peixes) ou mais de um desses conjuntos (cardumes).

A diferença existente entre "um peixe" e "vários peixes", "um cardume" e "vários cardumes" exprime-se em português mediante a flexão de número. Embora a palavra cardume se refira também a muitos peixes, gramaticalmente é classificada como singular, porque se aplica a um conjunto de peixes.

Substantivos. Quanto à flexão do plural, em português os substantivos se classificam em três grupos: os terminados em vogal ou ditongo; os terminados em consoante; e os compostos.

Terminados em vogal ou ditongo. Forma-se o plural de substantivos terminados em vogal ou ditongo: (1) pelo acréscimo de -s ao singular, se o substantivo termina em vogal (livro/livros), em ditongo oral (pai/pais) e no ditongo -ão, quando a palavra é paroxítona (acórdão/acórdãos), monossilábica (mão/mãos) e ainda em alguns poucos oxítonos (cidadão/cidadãos, irmão/irmãos); (2) pela mudança do final -ão para -ões, na maioria dos oxítonos em -ão (botão/botões); (3) pela mudança do final -ão em -ães, em reduzido número de oxítonos (capitão/capitães).

Alguns substantivos terminados em -o, cuja vogal tônica é o fechado (ô), passam, no plural, a ter o aberto (ó): caroço/caroços, poço/poços. Não são poucos, porém, os substantivos que conservam no plural o o fechado do singular (cachorro/cachorros, polvo/polvos), além de palavras homógrafas de formas verbais em que o o tônico é aberto: "acordos", plural de "acordo", com o o tônico fechado, homógrafo de "acordo", do verbo "acordar", com o tônico aberto), adornos, brotos, encostos.

Há substantivos em -ão que têm mais de uma forma de plural, com preferência, contudo, para o plural em -ões: (1) plural em -ães e -ões (alazão: alazães e alazões); (2) plural em -ãos e -ões (anão: anãos e anões); (3) plural em -ãos, -ões e -ães (aldeão: aldeãos, aldeões e aldeães); (4) plural em -ães e-ãos (refrão: refrães e refrãos).

Terminados em consoanteO plural de substantivos terminados em consoante obedece às seguintes normas: (1) substantivos terminados em -r e -z formam o plural pelo acréscimo de -es ao singular (açúcar/açúcares; cartaz/cartazes), com exceção de "caráter" (caracteres); (2) os terminados em -al, -el, -ol, e -ul trocam no plural o -l por -is: catedral/ catedrais; papel/papéis; anzol/anzóis; paul/pauis. São exceções: mal/males, real/réis (moeda antiga), cônsul/cônsules; (3) os oxítonos em -il mudam o -l para -s: funil/funis; projetil/projetis (ao lado de projétil/projéteis); reptil/reptis (ao lado de réptil/répteis); (4) os paroxítonos em -il mudam a terminação para -eis: fácil/fáceis; fóssil/fósseis; (5) os terminados em -n fazem o plural mediante acréscimo de -es (cânon ou cânone/cânones) ou apenas de -s (abdômen: abdômenes ou abdomens; dólmen: dólmenes ou dolmens; líquen: líquenes ou liquens); "espécimen", além do plural "espécimens", faz "especímenes", com acréscimo de -es e deslocamento da tônica, ademais de "espécimes", do singular alternativo "espécime"; (6) os terminados em -m (índice de nasalidade da vogal anterior) mudam o-m para -n, a que se apõe o -s do plural: viagem/viagens; pudim/pudins; (7) os terminados em -s formam o plural pelo acréscimo de -es ao singular, quando são oxítonos (ananás/ananases); os paroxítonos ou proparoxítonos são invariáveis (o pires/os pires, o ônibus/os ônibus), como também o são os monossílabos (cais, pus, cós -- embora se documente o plural coses); (8) os paroxítonos em -x são invariáveis: o tórax/os tórax; o ônix/os ônix; (9) nos diminutivos formados com -zinho e -zito, o substantivo primitivo faz o plural, perdendo o -s: anõe(s) + zinhos = anõezinhos; cãe(s) + zitos = cãezitos.

Alguns substantivos só são usados no singular. Exemplos são nomes de metais (cobre), salvo quando empregados em sentido figurado ("cobres", no plural, tem o sentido de "dinheiro"), e nomes abstratos (fé). Já outros só são empregados no plural (alvíssaras, anais, antolhos, arredores, exéquias, férias, fezes, matinas, núpcias, pêsames, primícias, víveres).

Compostos Os substantivos compostos de elementos aglutinados ou de elementos justapostos sem hífen formam o plural como se fossem substantivos simples: aguardente/aguardentes; malmequer/malmequeres. Quando há hífen, distinguem-se: os formados por dois substantivos (tenente-coronel/tenentes-coronéis), substantivo e adjetivo (amor-perfeito/amores-perfeitos), adjetivo e substantivo (gentil-homem/gentis-homens), numeral e substantivo (quinta-feira/quintas-feiras), em que ambos os termos variam, salvo quando o segundo for um substantivo que funcione como determinante específico do primeiro, que será o único a variar: navios-escola, mangas-espada (mangas em forma de espada), salários-família (salários para a família).

Pronomes e adjetivosMerecem referências na flexão de número dos pronomes: o plural de modéstia (nós em lugar de eu) e o uso do vós de cerimônia (aplicável a uma só pessoa). Os adjetivos simples seguem as regras que se aplicam aos substantivos. Nos compostos, apenas o último elemento vai para o plural (luso-brasileiro/luso-brasileiros), excetuados os casos de surdo-mudo (surdos-mudos) e dos adjetivos referentes a cores, que não variam, quando o segundo elemento for substantivo (tecidos amarelo-canário).

Português | História e Estrutura da Língua Portuguesa

Português | História e Estrutura da Língua Portuguesa

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O português é uma língua neolatina ou românica. Pertencente ao grupo itálico da grande família do indo-europeu, derivou-se da principal língua itálica, o latim. É falada em Portugal, no Brasil, em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, assim como em encraves de colonização portuguesa na Ásia (Macau, Goa, Damão e Malaca) e da Oceania (Timor). A mistura com línguas nativas, na África, produziu uma série de dialetos, ditos crioulos.

A língua que Olavo Bilac chamou de "última flor do Lácio, inculta e bela" é uma das que alcançaram maior difusão geográfica em todo o mundo, pois é falada nos cinco continentes. Ademais, o português é culturalmente significativo sobretudo por sua literatura, na qual se mostra um instrumento de alta eficiência da criação estética em poesia e prosa.

HistóricoO português nasceu da evolução do latim vulgar levado pelos legionários romanos para a península ibérica, transformada em província do Império Romano em 197 a.C. César fundou, entre outras cidades, Pax Julia (cujo primeiro nome se transformaria em Beja) e criou na Lusitânia um dos baluartes da latinização do país. Estrabão observou que os turdetanos, na Bética, haviam esquecido a língua materna, e expressavam-se em latim. Essa língua radicou-se na península, até que, no século V, se deu a invasão dos bárbaros, e com ela se intensificou a corrupção da linguagem.

Com a presença dos árabes, no século VIII a decadência do latim acentuou-se, intensificada pelo fato de terem os invasores uma brilhante civilização própria. Os próprios cristãos arabizaram-se e João, bispo de Sevilha, traduziu a Bíblia para o árabe. O latim reduziu-se a alguns falares vernáculos e quase desapareceu das Espanhas, como havia de suceder no norte da África. Chegou a chamar-se "aljamia" o linguajar latino e era como se se dissesse "o bárbaro", o estrangeiro, em oposição à "aravia", a língua árabe.

A península contava ainda com outras línguas românicas importantes: o castelhano (ou espanhol) e o catalão. A região que vai do Minho ao Douro, campo de batalha frequente entre cristãos e muçulmanos, era pouco povoada e, para consolidar sua posse, D. Afonso VI de Castela, em torno de 1095, separou da monarquia leonesa o Condado Portucalense, que de direito ia do Minho ao Tejo mas, de fato, do Minho até o Mondego, e foi concedido ao conde Henrique de Borgonha. O nome provinha-lhe da cidade de Portucale, à margem direita do Douro - na verdade, a cidade do Porto, correspondendo a Cale a atual Vila Nova de Gaia, à margem esquerda. É bastante provável que antes de a região tornar-se reino independente, no século VII, o "romanço lusitânico" aí falado já constituísse uma nova língua, o "protoportuguês".

O domínio do idioma português seguiu a expansão do reino para o sul, até o Algarve, no século XIII. Os sucessos estimularam as oposições religiosas e os portugueses passaram a evitar a língua árabe. Não podendo volver ao esquecido latim, aceitaram a fala barbarizada da gente mais humilde. Os literatos compuseram uma língua de compromisso, o galaico-português, ao lançar mão dos recursos encontrados no português e no galego. Tal foi a língua dos trovadores, que se ilustraram na corte do castelo de Guimarães e até nos mosteiros.

O galaico-português enxameia de formas e palavras de uma língua e da outra, mas apresenta traços da influência franco-provençal, não possui proparoxítonos e utiliza o sufixo -udo como desinência do particípio na segunda conjugação: acendudo, atrevudo, bevudo, conhoçudo, creçudo, estendudo, vendudo etc. Com o advento da dinastia de Avis (1385), a língua portuguesa começou a afirmar sua fisionomia própria e em breve tornava-se língua nacional.

O francês antigo, bem como o provençal antigo, comparados com o francês e o provençal falados hoje, são outras línguas. Isso não ocorre com o português antigo. Este representa uma fase envelhecida do idioma, sem contudo ser outro. Velho em algumas formas, arcaico em muitas palavras, obsoleto na preferência de certas expressões (e diverso na pronúncia, provavelmente), o português dos primeiros tempos é sempre inteligível, pois a gramática é a mesma.

Como língua comum, o português formou-se inicialmente  em torno de Coimbra e mais tarde ao redor de Lisboa, conquistada aos mouros por Afonso Henriques, primeiro rei português, e depois capital da nação, centro irradiador do padrão linguístico. Na história da língua, distinguem-se dois períodos principais: (1) o arcaico, desde as origens, no século XII, ao século XV; (2) e o moderno, do século XVI em diante. Uma outra classificação considera os períodos clássico (séculos XVI e XVII) e o pós-clássico (XVIII em diante).

A disciplina gramatical teve início no período clássico, quando se elaborou a primeira gramática da língua, de Fernão de Oliveira, publicada em 1536. Também se verificou nesse período a consolidação da língua literária, de acentuada influência do latim clássico e cujo melhor exemplo é o poema épico de Camões Os lusíadas (1572), obra-prima de presença indelével nas fases que se seguiram. Não obstante a vigência de uma norma central lisboeta, o português de Portugal apresenta falares regionais no norte (trasmontano, interamnense, beirão), no centro (estremenho) e no sul (alentejano e algarvio).

No Brasil, o português foi implantado no século XVI, com os traços arcaicos que se conservavam na linguagem popular da metrópole. Graças à imigração constante, no período colonial, o português moderno prevaleceu. Na atualidade, fala-se em todo o Brasil uma língua que, sem se opor à de Portugal, dela se distingue por peculiaridades de vocabulário, os "brasileirismos", e toma como padrão a norma culta das cidades principais, o Rio de Janeiro sobretudo.

Gramática histórica Na evolução do latim ibérico para o português, observam-se certos fatos que deram à língua atual sua fisionomia.

No capítulo da fonologia, as vogais, de modo geral, mantiveram-se, a não ser o i-breve, que evolveu para ê, e o u-breve, que se transformou em ô. As consoantes iniciais mantiveram-se. As geminadas (com exceção de rr) simplificaram-se. As intervocálicas fortes abrandaram-se. Muitas das brandas intervocálicas desapareceram. Os grupos de consoantes + l, se iniciais, passaram a ch, como: plorare > chorar, flamma > chama. Se intervocálicos, deram em lh, como: triblu > trilho, vetlu > velho. As consoantes finais oclusivas freqüentemente se vocalizam no interior dos vocábulos: ora em i-reduzido: recepta > receita, regno > reino, octo > oito; ora em u-reduzido: absente > ausente, alteru > outro, octo > oito. Todos esses metaplasmos dão uma fisionomia particular ao português.

A lexiologia portuguesa de origem latina era paupérrima. Os lexicógrafos não registram mais de cinco mil palavras que tenham vindo do latim por tradição oral. O ulterior enriquecimento é obra cultural do século XIV, sobretudo do período clássico. Entretanto, todo o vocabulário denotativo é latino, excetuando-se uma ou outra palavra. Exemplos: cada (grego katá, já romanizada), fulano (árabe fulan, acrescentada por intermédio do castelhano).

Naturalmente a expansão geográfica do povo lusitano ensejou a anexação de um riquíssimo vocabulário, colhido nas cinco partes do mundo. Mas é notável a plasticidade que a língua demonstrou de aportuguesamento, de sorte que, sem estudo, ninguém pode saber a extração dos termos que emprega. Fato curioso é a eliminação constante, ao longo dos séculos, das palavras árabes, muitas das quais são, no entanto, utilíssimas.

A morfologia portuguesa simplificou-se muito. Desapareceram os casos e, portanto, as declinações, a não ser nos pronomes pessoais. O neutro singular passou a ser masculino e admitiu outro plural (lignum > lenho, lenhos); o neutro plural passou a feminino singular, admitindo também outro plural (ligna > lenha, lenhas). O caso latino que persistiu no português em geral foi o acusativo (por isso chamado caso lexicogênico), com perda do m final no singular. As desinências de graus deixaram de usar-se como tais; e as que hoje se ouvem, quando latinas, devem-se aos eruditos nas escolas.

Os verbos latinos, repartidos por quatro conjugações, esquematizaram-se em três: os da terceira conjugação latina passaram para a segunda (míttere > meter), ou para a quarta (-míttere >-mitir). Houve grande vacilação, no português antigo, sobre a conjugação que haveria de prevalecer: correger > corrigir, caer > cair etc. No português criou-se um futuro do subjuntivo, como no castelhano e no galego, proveniente do futuro perfeito do indicativo latino. Surgiu no português, como no galego, um infinitivo variável. Caducaram vários particípios, e formas nominais do verbo.

A sintaxiologia registra menor maleabilidade do português, em consequência do grande desgaste das flexões. Mas os princípios fundamentais da concordância e da regência continuam os mesmos (naturalmente não pode haver concordâncias de casos, pois que os casos desapareceram).

Gramática portuguesaA fonologia muito equilibrada, circunstância que a aproxima do francês e do italiano, é uma das principais características do português.

A língua tem 13 vogais, oito orais -- u, ô, ó, á, a, é, ê, i -- e cinco nasais -- ~u, õ, ã, ~e, ~i -- sendo que, em algumas regiões, ouvem-se outras. Carece de fonemas aspirados ou africados. Possui três pares de consoantes fricativas -- f/v, ç/z, x/j (exemplos: fé/vó, sá/zé, xá/jó); três pares de consoantes oclusivas: p/b, t/d, k/g (exemplos: pé/bom, tá/dó, que/giz); e três consoantes nasais -- m, n, ñ (exemplos: tomo, anão, manhã). A consoante lateral l pode ser usada como lh, a exemplo dos casos lado e olho, enquanto a consoante vibrante r pode ser dobrada: rã, urra (e esse r geminado pode ser substituído por um gargarizado, mais áspero do que o r-grasseyé parisiense).

Outra particularidade da língua portuguesa é o fato de o acento tônico, no caso de vocábulos polissilábicos, poder cair em qualquer das três últimas sílabas. Também é característica a existência de palavras átonas, que se arrimam nas outras por meio de próclise ou de ênclise. Os ditongos, orais e nasais, são sempre decrescentes, isto é, terminam nas vogais reduzidas u ou i, exceto quando se situam depois de k ou g, e começam por u reduzido. Conta ainda o português alguns tritongos, que podem ser parcialmente nasais. Ocorrem sempre depois de k, ou de g, e começam por u reduzido. Ditongos outros, crescentes, podem surgir na linguagem descuidada, ou em certos artifícios de linguagem poética.

A lexicologia da língua portuguesa é das mais ricas que existem, mas não apresenta aspectos especialmente singulares. É predominantemente latina, mais pela importância do que pelo número de vocábulos latinos que abriga.

A sintaxiologia da língua portuguesa revela um analitismo que decorre do amplo desenvolvimento de suas perífrases. Predomina, na construção, a ordem direta, em que o sujeito antecede o verbo e o complemento ou complementos. A voz ativa predomina sobre a voz passiva, e as orações sem sujeito - ou as de sujeito indefinido - na maioria das ocasiões não têm o sujeito gramatical usado no francês ou nas línguas germânicas, isto é, o on, o man, o one.

IdiotismosAs palavras apresentam-se ao espírito como os elementos materiais, por assim dizer, da linguagem interior. Materializam as ideias e são como que as pedras de uma construção. Mas não se podem  fazer transposições de uma língua para outra sem se obedecer a precauções. Em primeiro lugar, há, em cada língua, um número considerável de palavras auxiliares, que não correspondem a quaisquer ideias: surgem como instrumentos ou peças necessárias ao encadeamento das palavras-ideias, e nem sempre encontram correspondentes  em outras línguas. Além disso, há certos torneios particulares, e até sui generis, que decorrem de velhos hábitos adquiridos. Tudo isso constitui os chamados idiotismos.

Palavras como homem, chove, azul ou bem correspondem a noções claras, a ideias que povoam o mundo interior de quem fala. Mas é, ele ou que não encontram nenhuma correspondência ideativa. O verbo ser, em seu emprego mais corrente, apenas relaciona um nome a outro, provido este do toque nocional, variável ao infinito, que falta ao verbo (Um homem é bom ou mau, alto ou baixo, inteligente ou estúpido); ele pode referir-se a qualquer ente do gênero masculino (homem, leão, muro); que, seja pronome, seja conjunção, não contém em si nenhuma noção precisa. No primeiro caso, toma emprestado o valor de seu antecedente (a mulher, ou o homem, ou o carro que eu vi), no segundo é mera palavra de ligação (Peço-te que venhas). No latim não há o pronome ele, nem a integrante que. No russo, não se usa correntemente o verbo ser.

O curioso, porém, é que as palavras não ideativas, as chamadas denotativas, são as principais em cada língua, porque características de cada uma. São criações gramaticais. Quando não encontram versão em outras línguas, constituem idiotismos (do grego idiótes, "particular", "privado"). As palavras ideativas, pelo contrário, se não acham paralelo em outra, facilmente se podem introduzir. Basta que a ideia se comunique, e se divulgue. Palavras ideativas criam-se à vontade, ou se importam. Às vezes surgem sem necessidade alguma, por moda, por contágio. Quando as ideias desaparecem, também elas podem sair de circulação. Tudo é contingente. Mas nas palavras denotativas não é possível mexer.

Talvez os principais idiotismos do português se possam resumir do seguinte modo:
(1) A existência de cinco pronomes neutros para o singular: isto, isso, aquilo, tudo, o. Tais palavras referem-se às coisas, e podem combinar-se ainda em: tudo isto, tudo isso, tudo aquilo, tudo o. No castelhano também existem outras tantas palavras neutras: esto, eso, aquello, ello, lo. Trata-se, pois, de uma particularidade ibérica.

(2) O português constrói orações nominais (isto é, as de sujeito e predicativo, que exprimem estado ou qualidade) com três verbos distintos: ser, estar, ficar, conforme se define o ser-sujeito em caráter definitivo, provisório (ou recente), ou num momento em que ele muda de aspecto: Frederico é forte; Frederico está forte; Frederico fica forte. Nenhuma outra grande língua da Europa faz isso tão natural e agilmente.

(3) O infinitivo variável, flexionando-se pessoalmente, é um dos mais profundos traços do português. Assim sendo, essa forma verbal concorre com o subjuntivo, e o indicativo, principalmente nas orações subordinadas. Entretanto, pode alternar até com o imperativo. Peço-te passares por lá (= Peço-te que passes por lá). Creio estarmos preparados (= Creio que estamos preparados). Passar bem! (= Passe bem!). O uso do infinitivo variável foi mais extenso no português antigo e é mesmo mais notável na língua popular do que no português literário moderno. É, hoje, um maravilhoso recurso de clareza, ou de ênfase, a que é lícito recorrer mesmo quando a gramática postula o contrário.

Se não tivesse empregado o infinitivo variável, Camões teria escrito uma frase ambígua naquele célebre passo: "Ó Netuno, lhe disse, não te espantes / de Baco nos teus reinos receberes" (Os lusíadas, VI, 15). Com que ufania exclama ele, diante do estrangeiro: "Vai ver-lhe a frota, as armas, e a maneira / do fundido metal, que tudo rende, / e folgarás de veres a polícia (= civilização) / portuguesa na paz, e na milícia" (Ib., VII, 72).

Repare-se em como o segundo infinitivo, variável, torna a frase mais leve, e o pensamento mais evidente, na seguinte passagem de Alencar: "Nem por isso os outros deixaram de continuar o seu giro, e as estações de seguirem o seu curso regular" (Correr da pena). O infinitivo variável existe também no galego, e surgiu em dialetos ibéricos e itálicos.

(4) O predicativo preposicionado, isto é, introduzido por preposição, é uma das tendências que se têm acentuado no português. Embora se diga Afonso é considerado um talento, parece perfeitamente natural dizer Afonso é tido por talento, ou ainda Afonso é tido em muito. Se um português diz naturalmente ele me chamou amigo, um brasileiro preferiria recorrer à preposição: Ele me chamou de amigo. Alguns puristas chegaram a censurar de viciosa esta última construção, sem reparar que o mesmo se tem feito com outros verbos sinônimos: "D. José cognominava de renegado o fugitivo sócio" (Camilo Castelo Branco, Amor de salvação); "Está averbando de suspeita ou falazes tão ligeiras e infundadas ilações" (Latino Coelho, Camões).

(5) Um idiotismo funcional é o aspecto iterativo que modernamente se tem dado ao presente perfeito do indicativo. Enquanto nas outras línguas esse tempo evolveu naturalmente para o passado, em português não exprime simples passado, senão passado reiterado. "Tenho reclamado" não significa "reclamei", como em outras línguas, mas "reclamei, reclamei, reclamei e ainda estou no propósito de reclamar".

(6) O infinitivo preposicionado em substituição do gerúndio é também traço do português, e também moderno. É sabido que as línguas românicas criaram para o infinitivo a possibilidade de o ligarem com uma preposição e, assim, tornaram supérfluas várias formas nominais do verbo latino, como supinos, particípios, gerundivo e mesmo as formas gerundiais distintas do ablativo. O português estendeu essa possibilidade até o gerúndio ablativo, de modo que se pode dizer "está a chover", em lugar do primitivo "está chovendo". No Brasil, prefere-se o gerúndio, de uso generalizado.

(7) O emprego de "estar com" na acepção de "ter" é muito da índole portuguesa. Podemos perfeitamente dizer "tenho sede, tenho sono, tenho a chave". Também nos é lícito expressar-nos "estou sequioso, estou sonolento". Mas o mais natural será: "Estou com sede, estou com sono, estou com a chave."

(8) O analitismo português, já assinalado, pode ainda ser lembrado como um dos traços idiomáticos mais marcantes da língua. De um modo geral, as línguas românicas evolveram do sintetismo latino para um decidido analitismo. Mas talvez nenhuma chegou a tão grande desenvolvimento nesse terreno como o português. Enquanto o alemão (no ramo germânico) conservou e estimulou o gosto pela palavra composta, o português fez o contrário. Se a expressão perifrástica é desgraciosa e comprida, não se lhe pode negar, em geral, a clareza de significação. Uma palavra como apud não consegue ser tão expressiva como as suas traduções dicionarizadas: "junto de", "ao pé de", "perto de", "diante de", "ao lado de", "na presença de", "em companhia de", "em casa de", "à vista de", "segundo", "conforme", "em relação a", "no tempo de". Experimente-se traduzir o alemão bei, ou o inglês by. As perífrases verbais do português são, na verdade, uma construção infernal para o estrangeiro, mas emprestam grande sutileza à expressão.

Português no BrasilA língua que se fala no Brasil, ainda que transpareçam traços característicos locais, é em essência, como já se mostrou, a mesma que se pratica em Portugal, pois que se compendia na mesma gramática.

Foneticamente, assinale-se que no Brasil não se criou fonema novo. (No espanhol da Argentina, uma expressão como calle mayor se pronuncia aproximadamente como "káje ma'jor", fazendo-se ouvir o som de j, inexistente em terras de Castela.) Certos fonemas conhecidos no tupi-guarani não conseguiram subsistir nos vocábulos brasileiros dessa fonte. Mas é certo que portugueses e brasileiros, conquanto não pratiquem sistemas fonéticos diversos, têm hábitos por vezes diferentes.

Quanto à lexiologia, deve-se notar que não se gerou no Brasil nenhum denotativo: determinativos, pronomes, preposições, conjunções etc. são os mesmos nos dois países. O vocabulário ideativo, no entanto, enseja grandes reparos, ou porque as palavras correspondam a ideias não-correntes em Portugal, ou porque se tenha dado sentido novo a certas palavras, ou porque se introduziram outras sem necessidade. Nas últimas linhas de Os Maias, onde Eça de Queirós diz: "Então, para apanhar o americano, os dois amigos romperam a correr desesperadamente pela rampa de Santos", é possível que um escritor brasileiro escrevesse: "Então, para pegar o bonde, os dois amigos começaram a correr desesperadamente pela ladeira de Santos."

Muitas das invenções carreiam nomenclatura nova, quase nunca coincidente, de um e de outro lado do Atlântico. Dizem os portugueses: caminho-de-ferro, combóio, chulipa. E os brasileiros: estrada de ferro, trem, dormente. "Carril" tem as preferências lusitanas; os brasileiros dizem "trilho". De qualquer maneira, o vocabulário ideativo é contingente e pode renovar-se completamente sem que a língua se abale.

Quanto à morfologia, nenhuma observação a fazer. Usam-se no Brasil, absolutamente, as mesmas desinências, e nada se permite de especial. Os prefixos e sufixos são fundamentalmente os mesmos.

Na sintaxe, o ponto nevrálgico é a questão da colocação dos pronomes pessoais átonos. É que, embora átonas, tais partículas são muito mais ponderáveis no Brasil do que em Portugal. Assim sendo, os brasileiros as colocam onde lhes parecem que soam melhor. Em Portugal, sendo por demais tênues, elas correriam o risco de não ser percebidas se não se sujeitassem a posições rígidas, onde o ouvido já as espere. Alencar escreveu em Iracema: "A rola, que marisca na areia, se afasta-se o companheiro, adeja inquieta de ramo em ramo", para evitar o ciciar de um "se se afasta" (çi çi afáxta) ou para não bisar numa sílaba que lhe oferecia um "sibilo desagradável".

Ora, tal não acontece aos portugueses, que ali proferem um monossílabo (çiç afáxta). Sem se dar inteiramente consciência do fato, os brasileiros desenvolveram hábitos de sínclise pronominal que nunca foram definitivamente estabelecidos em Portugal e que estão sujeitos à moda e a gostos particulares. Os demais preceitos sintáticos acatam-se nos dois principais países de língua portuguesa.

Dialetologia portuguesaEm 1901, José Leite de Vasconcelos doutorou-se na Universidade de Paris com uma tese retumbante intitulada Esquisse d'une dialectologie portugaise (Esboço de dialetologia portuguesa) e apontou no território da metrópole diversos dialetos: o interamnense e o transmontano, ao norte; o beirão e o estremenho, ao centro; o alentejano e o algarvio, ao sul. Mas não se podem aceitar a existência desses dialetos, como os italianos ou os alemães, pois em quase nada se distinguem. Constitui um esforço de eruditismo o poder diferençá-los, tal a extraordinária unidade de expressão característica do mundo português.

O mesmo autor reconhece a existência de dialetos insulares, nos Açores e na Madeira, e aponta vários dialetos de ultramar, entre os quais o "brasileiro". Decide-o a priori, dizendo: "Se eu chamo dialeto, por exemplo, o português de Trás-os-Montes, com mais forte razão devo dar esse nome ao português do Brasil, ou 'brasileiro'..." Mas acontece que, se o Brasil for tratado com o mesmo interesse que ele demonstrou com respeito a Portugal, verifica-se que não há dialeto que se possa intitular "brasileiro": haverá muitos dialetos brasileiros, tão insignificantes no fundo quanto os de Portugal.

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Artigo | Classe de Palavras em Língua Portuguesa

Artigo | Classe de Palavras em Língua Portuguesa

Artigo | Classe de Palavras em Língua PortuguesaEm português, artigo é a palavra variável que precede o substantivo e concorda com este em número e gênero. Quando determina o substantivo de maneira particular, chama-se definido (o, a, os, as); quando a ele se refere de maneira geral, chama-se indefinido (um, uma, uns, umas). Assim como determina ou indetermina o substantivo, o artigo, anteposto a qualquer outra categoria gramatical transforma-a em substantivo, como em o amar, o sim, os longes, a louca.

Embora não seja essencial ao discurso e, por isso, em alguns casos possa até ser omitido, o artigo muitas vezes altera substancialmente o significado de uma frase como, por exemplo, se em vez de "acharam uma mulher", anuncia-se que "acharam a mulher".

Além de suas formas simples, os artigos definidos apresentam formas em que se combinam com as preposições a, de, em, por, o que dá origem a ao, do, nas, pelos etc. Quando o artigo definido feminino (a, as) se combina com a preposição a, forma-se a crase, encontro de duas vogais idênticas, escritas uma ao lado da outra no português arcaico (aa) e hoje representadas com um acento grave (à): elas chegaram cedo à cidade. Ao se substituir a palavra cidade por outra que seja masculina, percebe-se claramente a existência do artigo e da preposição: elas chegaram cedo ao lugar. Os artigos indefinidos combinam-se com as preposições em e de, o que dá origem a num, numa, nuns, numas, dum, duma etc.

Antes de nomes próprios de pessoa, a presença do artigo é de uso coloquial e familiar: "O João está?", "A Maria já foi embora", dando também conotação de informalidade o uso do artigo anteposto aos adjetivos possessivos, como em o meu pai, a nossa menina etc. Em contrapartida, a omissão do artigo, nesses casos, dá à frase um toque de elegância. Também se omite o artigo antes de certas expressões de tratamento, antes de palavras como terra e bordo quando usadas como antônimos (os passageiros vieram de bordo para terra) e antes da palavra casa, quando não se refere a uma moradia específica (chegou cedo a casa). Alguns nomes de cidade são empregados com artigo (o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto; opcionalmente, o Recife).

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Advérbio | Classificação dos Advérbios e Locução Adverbial

Advérbio | Classificação dos Advérbios  e Locução Adverbial

Advérbio | Classificação dos Advérbios  e Locução Adverbial

Advérbio é a palavra invariável que expressa uma circunstância do verbo ou a intensidade da qualidade dos adjetivos, reforça outro advérbio ou mesmo toda uma oração. Exemplos: Sairei agora. João é pouco estudioso. Falou muito mal. Possivelmente, não haverá aula amanhã. Na frase, o advérbio desempenha a função sintática de adjunto adverbial.

É difícil a comunicação sem o advérbio. Diante de uma pergunta simples como "O senhor vai se candidatar?", quase toda resposta mais completa exigirá a utilização de um advérbio.

Classificação dos advérbiosDe acordo com a ideia que exprimam, os advérbios assim se classificam: (1) advérbios de afirmação: certamente, sim etc.; (2) de dúvida: porventura, quiçá, talvez etc.; (3) de intensidade: assaz, bastante, demais, mais, meio, menos, muito, pouco, quão, quase, tão etc.; (4) de lugar: abaixo, acolá, adiante, aí, além, através, atrás, dentro, fora, longe, perto etc.; (5) de modo: assim, bem, debalde, depressa, mal, e a maioria dos terminados em "mente": ruidosamente, fatalmente etc.; (6) de negação: não; (7) de tempo: agora, ainda, amanhã, antes, cedo, então, jamais, outrora, sempre etc.

Advérbios interrogativos. São palavras ou expressões que, nas interrogações diretas ou indiretas, indicam circunstâncias de causa (Por que não dizes a verdade? Quero saber por que não dizes a verdade), lugar (Onde mora sua irmã? Não sei onde mora sua irmã), modo (Como passa você? Diga-me como passa você) e tempo (Quando prestarás exame? Quero saber quando prestarás exame).

Locução adverbial. Duas ou mais palavras com valor de advérbio formam uma locução adverbial, cuja classificação é a mesma que a dos advérbios: de afirmação (por certo), de dúvida (por acaso), de intensidade (de todo), de lugar (por aqui), de modo (às pressas), de negação (de maneira alguma), de tempo (em breve).

Advérbios em mente. Quando dois ou mais advérbios em "mente" vêm modificando a mesma palavra, costuma-se conservar o sufixo apenas no último da série. Ex.: Discursou lógica e serenamente.

Palavras de classificação à parteA Nomenclatura Gramatical Brasileira deu classificação à parte, mas sem denominação especial, a determinadas palavras habitual e impropriamente incluídas entre os advérbios. São palavras que denotam, entre outras circunstâncias, continuação (Mas você ainda não sabe da novidade... Então é certo que ele ficou zangado?), designação (Eis-me aqui), exclusão (Todos saíram, menos eu. Salvo Antônio, todos concordam), explicação (Os batráquios, a saber, os sapos, rãs e pererecas... O Brasil, isto é, o maior país da América do Sul...), inclusão (Mesmo os mais avisados podem errar. Inclusive os mais velhos não souberam como agir), realce (Eu cá não me incomodo. Ele é que sabe), retificação (Encontrei quinze, aliás, vinte pessoas. Passou toda a tarde tocando, digo, arranhando o violino).

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