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Psicose | O Que é Psicose?

Psicose | O Que é Psicose?

#Psicose | O Que é Psicose?
A psicose é utilizada em diferentes sentidos e em diversas situações. É comum que tenhamos contato com este termo através de filmes e livros, os quais se referem a um comportamento anormal, ou ainda como referência de um medo ou terror, que acomete várias pessoas ao mesmo tempo, aparecendo como “psicose coletiva”. As definições em psiquiatria também são muitas e não há nenhuma plenamente satisfatória. A psicose é caracterizada por alterações psicológicas muito graves e muito mais comprometedoras que outros distúrbios, como é o caso da neurose. 


Para diagnosticar uma psicose, o profissional observa o nível de consciência do paciente, se ele está sonolento, desperto ou em vigília, se é capaz de se concentrar, de memorizar, se tem noção de tempo e de espaço, se reage afetivamente, se tem ideias a respeito das coisas que se lhe apresentam, se é capaz de raciocinar e se tem percepção e juízo da realidade. Todas estas observações apontam o nível de comprometimento apresentado por um psicótico. A característica psicológica que apresenta um nível de comprometimento mais preocupante é o juízo da realidade apresentado pelo paciente. A comunicação fica quase totalmente prejudicada, porque esta síndrome provoca a incapacidade de reconhecer fatos e fazer relações entre eles. A principal alteração do juízo é caracterizada pelo aparecimento do delírio, onde o paciente distorce totalmente a realidade e acredita plenamente nas suas fantasias, ficando irredutível a qualquer tentativa de argumentação lógica. 

A psicose não se refere a uma doença específica, trata-se de uma síndrome, ou seja, de um conjunto de doenças diferentes, que possuem sinais e sintomas semelhantes. A esquizofrenia é um dos quadros psicóticos de maior importância. As doenças afetivas, que se caracterizam por fases de depressão e mania, podem também se apresentar como quadros psicóticos, apresentando os conteúdos afetivos da doença como características do delírio. A fase depressiva apresenta delírios de ruína, de culpa, prejuízo, morte, o paciente se sente responsável por grandes catástrofes mundiais, por guerras e desastres. Na fase maníaca os delírios são de grandeza ou de poder. Os quadros psicóticos são caracterizados também por visões de situações fúnebres, por depressão, a pessoa pode chorar muito e ouvir vozes que podem ser de comando ou podem estar chamando pessoas que já morreram, além de outros delírios. A psicose pode aparecer em qualquer fase da vida.

O autismo é um exemplo de uma psicose típica da infância que se caracteriza por um alheamento e pela falta de contato com as pessoas. O uso de drogas como LSD e cocaína podem causar sintomas psicóticos. O álcool também pode causar alucinose alcoólica e o delirium tremens. Algumas doenças como tumores cerebrais e até a AIDS podem levar ao aparecimento da síndrome. A psicose é tratada com medicamentos e, em casos mais graves, a internação é inevitável, mesmo que tenha como objetivo um tratamento rápido com alta precoce. O indivíduo psicótico não tem consciência do seu estado e, por este motivo, pode recusar a medicação. Estas características da síndrome reforçam a ideia da importância da intervenção da família até que o paciente possa tomar conta de si próprio.

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Morte | Conceitos Etimológicos sobre a Morte

Morte | Conceitos Etimológicos sobre a Morte

#Morte | Conceitos Etimológicos sobre a MorteMorte, do ponto de vista físico, é o que ocorre quando cessa a vida de um indivíduo, seja por causas naturais, como velhice ou alterações funcionais devidas ao desgaste dos tecidos e órgãos, seja por motivos acidentais e causas externas. Na morte rompe-se o equilíbrio biológico e físico indispensável à manutenção da vida.

O único fenômeno que desperta no homem igual ou maior interesse que a vida humana é, possivelmente, a extinção da própria vida. Pelo que envolve de inelutável, trágico e misterioso, a morte é objeto de estudo da medicina, da psicologia, da filosofia e da antropologia.


Na natureza, vida e morte estão indissoluvelmente unidas, pois a primeira é condição para a segunda. Além disso, a vida de alguns seres depende da morte de outros, numa complexa cadeia de ações interdependentes em que alguns organismos se alimentam de outros para obter a matéria e a energia de que necessitam. Na cadeia natural da vida, a própria evolução das espécies depende da morte.

Em filosofia, a morte ou a consciência da morte é tema de reflexão sobre o homem e a existência. Do ponto de vista da antropologia social, o fenômeno inevitável da morte é estudado em suas representações nas diferentes sociedades. Por meio da comparação sistemática, verifica-se como as várias sociedades humanas classificam e absorvem o fato de que, periodicamente, alguns de seus membros desaparecem. Na morte, manifesta-se o problema do desaparecimento do corpo físico, do indivíduo e também de sua própria vida social. É preciso que se cuide não só de dar lugar a um corpo - transformado em objeto inerte - por motivos práticos, como também é necessário que se restabeleça uma continuidade na vida social momentaneamente interrompida.

No funeral, a coletividade manifesta as diferenças de significado entre, por exemplo, a morte de um chefe de família, considerado um ser social completo, e a de uma criança na primeira infância, quando ainda não se constituiu em representante completo de seu grupo social, que nela apenas havia começado a investir. Por meio dos rituais, o grupo reorganiza suas relações e encontra um momento para refletir sobre as próprias convenções e sua finitude.

As religiões que separam o corpo da alma, com isso, visam à imortalidade. De outra maneira, busca-se a imortalidade de figuras políticas importantes ao dar seus nomes a ruas e praças. Para imortalizar um membro de uma coletividade, escolhe-se como referência uma das máscaras sociais desse indivíduo, geralmente a que teve maiores consequências para o grupo ao qual pertenceu. Reduzem-se, assim, todos os papéis sociais desempenhados pelo indivíduo a somente aquele que foi mais importante do ponto de vista público. Machado de Assis, por exemplo, é cultuado como escritor, e não como marido ou funcionário, numa relação em que o homem e o papel público que desempenhou se identificam de maneira quase absoluta. A imortalidade, desse modo, concilia num plano sociológico (ou simbólico) a morte do corpo (que ameaça todo o grupo social) com a sobrevivência e a perpetuidade do sistema social. Por isso, todas as sociedades conhecidas pela antropologia social cuidam da imagem social do morto.


Morte física. A suspensão das funções vitais nos seres humanos se reconhece por uma série de sinais, dos quais os mais importantes são: (1) paralisação dos centros nervosos vitais, representada por perda da consciência, da mobilidade voluntária, da reação reflexa aos estímulos e do tono muscular; (2) paralisação da respiração, o que provoca imobilidade respiratória, silêncio auscultatório e quietude radioscópica costodiafragmática; (3) parada das funções circulatórias, com paralisação cardíaca e da corrente sanguínea, o que se manifesta por cessação das pulsações, expressão de morte, palidez, desingurgitação, diminuição da tensão ocular, descoloração retiniana, apagamento do brilho da córnea e deformação ovalar da pupila.

Imediatamente após a morte produz-se um estado de relaxamento e flacidez em todos os músculos do corpo. Após certo tempo, no entanto, inicia-se um lento processo de contração muscular, conhecido pelo nome de rigidez cadavérica, que afeta tanto a musculatura estriada do aparelho locomotor como o miocárdio, o diafragma e os músculos de fibra lisa. Terminados os processos abióticos, iniciam-se novas atividades bioquímicas que conduzem o cadáver à destruição ou desintegração. São os processos cadavéricos destrutivos: autólise e putrefação.

Em consequência do aumento dos recursos à disposição da medicina em tempos recentes, como transplantes de órgãos e aparelhos de manutenção artificial das funções vitais, cresceu também o interesse na definição de critérios para determinar a ocorrência da morte, especialmente importantes em casos de potenciais doadores de órgãos e de indivíduos cuja vida depende do funcionamento de equipamentos. Entre esses novos critérios, o mais importante é a ausência de funcionamento do tronco cerebral - área na base do cérebro que se junta ao topo da medula espinhal e controla as funções de consciência, respiração e pressão sanguínea do organismo - e a parada irreversível da respiração espontânea. Diante dessas evidências, diz-se que ocorreu morte cerebral e não há possibilidade de recuperação.

O diagnóstico de morte cerebral se faz em três etapas e visa a determinar se houve perda irreversível da função do tronco cerebral. Primeiro se apura a causa do coma e se procura estabelecer com certeza que o paciente sofreu lesão irreversível na estrutura cerebral. O conceito de irreversibilidade se baseia na ausência de melhora com a passagem do tempo e com as seguidas tentativas de reverter o quadro clínico. Depois, devem ser excluídas todas as causas possíveis de uma disfunção reversível do tronco cerebral, como hipotermia, intoxicação por drogas ou perturbação metabólica grave. Finalmente, deve-se demonstrar a ausência de todos os reflexos do tronco cerebral, além de confirmar que o paciente é incapaz de respirar, mesmo sob forte estímulo.

Um teste de função do tronco cerebral dura menos de meia hora. O médico verifica a presença das seguintes reações normais: (1) constrição das pupilas em resposta a estímulos luminosos; (2) piscar de olhos em resposta ao estímulo da córnea; (3) contrações da face como reação à pressão firme logo acima do globo ocular; (4) movimentos oculares em resposta à inserção de água gelada nos ouvidos; e (5) tosse ou engasgo após a introdução de um cateter nas vias aéreas. O teste deve ser feito em duas ocasiões diferentes.

A concepção de morte relacionada à perda da capacidade de estar consciente (embora os conteúdos da consciência não tenham sido afetados), combinada à apneia irreversível, fornece equivalentes filosoficamente seguros, eticamente aceitáveis e clinicamente aplicáveis aos conceitos de "separação da alma com relação ao corpo" e de "perda do sopro vital", tão importantes para algumas culturas.


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História da Astrologia

História da Astrologia

História da AstrologiaA astrologia estuda a influência dos astros, especialmente por meio dos signos, no caráter, no comportamento e no destino dos homens. A grande popularidade de que essa disciplina desfruta modernamente, aliada ao rigor matemático e à coerência interna de suas relações, faz com que muitos pretendam para ela a categoria de ciência, sem levar em conta que seus postulados, embora plausíveis, não podem ser submetidos a comprovação experimental.

Desde tempos imemoriais os homens acreditaram que os astros exercem influência sobre sua vida e sobre os acontecimentos. Um sistema complexo de relações, em que se misturam matemática e adivinhação, foi estabelecido pelas antigas civilizações mesopotâmicas, com o propósito de determinar as leis que regem as relações entre os astros, os homens e os fatos.


HistóriaA astrologia nasceu na Babilônia, relacionada à matemática e à astronomia, disciplinas muito desenvolvidas naquela civilização. O sistema astrológico babilônio constava de seis mil signos, cuja observação e interpretação visavam a estabelecer uma relação entre os acontecimentos terrenos e a organização celeste, a fim de melhor atender à vontade dos deuses. Desta derivava a legitimidade do poder constituído e a ela deviam prestar contas o rei e demais dirigentes.

Para os antigos povos mesopotâmicos, os próprios deuses estavam submetidos aos azares do destino, de forma semelhante ao que ocorria com os mortais. Não se acreditava que o destino de cada indivíduo fosse predeterminado em detalhe, mas a astrologia permitia conhecer, em linhas gerais, as obrigações e possibilidades de vitória ou derrota dos governantes sem, no entanto, desprezar a noção de responsabilidade. O código de Hamurabi (século XII  a.C.) prescrevia severas penas para médicos e arquitetos incompetentes, e não lhes reconhecia o direito de invocar o destino para justificar erros. Os astros assinalavam tendências gerais; descobrir as regras que eles ditavam levava à retidão, não à fatalidade.

Vários séculos antes de nossa era a astrologia já era conhecida na Índia, China, Egito, Pérsia e Grécia. Nesta última, seu desenvolvimento foi favorecido pela obra de filósofos como Heráclito e Pitágoras. Os gregos sistematizaram os conhecimentos astrológicos de maneira particular. Entre os séculos VI  e III a.C. modificaram o zodíaco babilônio, dando-lhe a configuração que conhecemos atualmente, e atribuíram cada divisão do círculo zodiacal a um deus. Planetas e deuses ocupantes de cada casa zodiacal teriam influência sobre a conformação física, o temperamento e o destino das pessoas. O horóscopo, sistema que relaciona datas e lugares geográficos à posição dos astros, passou a ser usado para previsões no campo das atividades políticas, bélicas e de colonização.

Durante a antiguidade clássica, a astrologia confundiu-se com a astronomia e perdeu o caráter sagrado, mas não sua natureza tradicional e empírica. Teve muito prestígio durante a Idade Média, apesar da condenação da igreja, que a considerava contrária à doutrina cristã. Entre os árabes as práticas astrológicas também se disseminaram: foram criadas várias escolas às quais concorriam astrólogos árabes, persas e hebreus. No Renascimento, a astrologia conheceu um momento de apogeu: grandes astrônomos da época, como Tycho Brahe e Copérnico, valorizavam a disciplina; artistas representavam seus símbolos em quadros, esculturas e edifícios, bem como pensadores aspiravam a construir um sistema universal de relações que estabelecesse a correspondência entre o macrocosmo celeste e o microcosmo humano.

Com o desenvolvimento e prestígio crescente das ciências exatas, porém, as práticas astrológicas durante muitos anos permaneceram limitadas aos horóscopos - muitas vezes forjados - publicados por jornais e revistas. Mas atualmente ganharam novo alento. Multiplicaram-se as publicações especializadas e firmou-se a profissão de astrólogo, misto de adivinho e conselheiro, que faz previsões e sugere comportamentos baseados principalmente no mapa astral - configuração celeste no momento do nascimento do consulente - que elabora.


Zodíaco e astrologia
A carta celeste se divide, para a astrologia, em 12 casas, cada uma presidida por uma constelação, que dá origem a um signo do zodíaco. O signo principal ou solar, o signo ascendente e o signo lunar determinam uma série de características e tendências relativas à constituição física, caráter e preferências da pessoa nascida sob sua influência. Os quatro elementos da natureza -- água, ar, fogo e terra - se relacionam, cada um, a três signos e emprestam  suas características aos nativos dos mesmos. Os signos de água são Peixes, Câncer e Escorpião; os de ar, Aquário, Gêmeos e Libra; os de fogo, Áries, Leão e Sagitário e os de terra são Capricórnio, Touro e Virgem. Para a astrologia, as pessoas nascidas sob um signo de fogo são dinâmicas e empreendedoras, enquanto que os nativos dos signos de água apresentam temperamento oscilante e flexível.

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Atitude

Atitude

#AtitudeO americano Gordon Allport definiu a atitude como uma disposição nervosa e mental, fruto da experiência e que exerce uma influência dinâmica e orientadora sobre todos os objetos e situações com os quais guarda alguma relação. Nesse sentido, pode-se considerar a atitude como uma forma de motivação social (portanto, de caráter secundário em relação à motivação biológica, de tipo primário), que impulsiona e orienta a ação para determinados objetivos ou metas. Grande parte da conduta humana, sobretudo a conduta social, seria inexplicável sem o conceito de "atitude", que tem recebido diversas interpretações na psicologia moderna.

Além dos processos motivacionais, é possível encontrar na atitude componentes cognitivos e afetivos. De fato, tem-se conjecturado sobre a interconexão entre as variáveis de caráter emotivo da personalidade, isto é, a relação entre os traços do temperamento e as atitudes.

Por outro lado, cabe definir as atitudes como algo mais distante das "tendências" e mais próximo das "convicções", que guiam a ação mediante o reforço da orientação para um determinado objetivo. Nessa perspectiva, uma atitude é menos específica que um motivo, uma vez que não se refere a uma tendência realmente existente, mas somente à probabilidade de que ela possa ocorrer em  determinadas circunstâncias. Outra diferença entre motivo e atitude residiria no caráter relativamente variável do primeiro frente à maior persistência da segunda, que seria uma disposição geral do indivíduo de enfrentar os fatos de determinada maneira.

Na linguagem geral, o termo tende, porém, a ser particularizado: fala-se, assim, de uma atitude agressiva perante certas situações por parte de uma pessoa, o que não implica que ela possua, habitualmente, uma personalidade agressiva.

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Pensamento

Pensamento

PensamentoPensamento é o conjunto de atividades que se incluem no estudo dos processos cognitivos superiores da formação de conceitos, do raciocínio e da solução de problemas. O pensamento se caracteriza por exigir períodos mais ou menos longos de latência, durante os quais as atividades internas são suspensas ou interrompidas. A latência ocorre quando o indivíduo se defronta com situações novas, mais ou menos complexas, para as quais não encontra esquemas de resposta já montados ou estruturados por aprendizagem prévia.

A psicologia moderna, e sobretudo a escola behaviorista, raramente fala de inteligência, a não ser em relação a sua medida nos testes. Fala de pensamento, entendendo por isso o processo de procura da solução de um problema.


A manifestação máxima do pensamento é o raciocínio, pelo qual se chega a novas verdades a partir de outras anteriormente conhecidas. O raciocínio se desenvolve de duas formas: a indução, que parte dos dados particulares para alcançar uma lei geral; e a dedução, que de verdades gerais destaca afirmações particulares. A natureza das premissas no procedimento dedutivo, assim como os fatores emocionais, influem na aparição de erros lógicos nos raciocínios. A forma mais perfeita do raciocínio é o pensamento criativo, caracterizado por desenvolver-se em várias fases: preparação ou organização dos dados existentes; determinação da dificuldade do problema e elaboração de pensamentos sobre o assunto; aparição espontânea de pensamentos relacionados com o problema; e iluminação ou organização de uma ideia central ou esquema que proporciona a solução do problema.

Formação de conceitos
Cabe distinguir o pensamento de outros processos afins, como a percepção e a imaginação. Frente à percepção, que exige a presença real de objetos, e ao contrário do que ocorre com a imaginação que, apesar de não ter a mesma exigência, também os representa iconograficamente (isto é, sob a forma de imagens), o pensamento pode prescindir dos objetos e, o que é mais importante, representa-os de forma simbólica. Essa representação simbólica se efetua por meio de um processo de abstração. A partir de uma seleção feita sobre os dados sensoriais, o pensamento constrói conceitos representativos do mundo exterior e do que nele acontece.

Raciocínio e processo de solução de problemas
Costuma-se definir a psicologia do pensamento como a teoria de todos os processos de solução de problemas, mas seu campo de estudo compreende as propostas de realização de tarefas de caráter estritamente intelectual. São qualificados como intelectuais alguns dos processos cuja realização foi observada nos animais superiores, especialmente nos primatas. Não obstante, comprovou-se que, conquanto os animais possam utilizar instrumentos e consegui-los por meios naturais, não podem elaborá-los utilizando outros instrumentos. Foi demonstrado que sua manipulação dos conceitos se dá sempre na relação imediata conceito-efeito físico, sem que se dê nenhuma elaboração de segunda ordem na relação conceito-conceito.

A perspectiva behaviorista tenta explicar o processo de solução de problemas usado por todos os organismos superiores, inclusive o homem. Para isso, utiliza uma estratégia de aprendizagem em que um organismo é orientado para um objetivo determinado, que se traduz na execução de atividades inicialmente frustradas e depois progressivamente acertadas em virtude de avanços parciais que se produzem por casualidade. Essa conduta cada vez mais acertada tende a repetir-se, enquanto os atos errôneos "se extinguem", desaparecem. A tática é aplicável não só ao problema concretamente estudado, mas a todos os demais do mesmo tipo.

Os psicólogos da escola gestaltista concederam muita atenção às questões relacionadas com o pensamento em geral, e com o processo de solução de problemas em particular. Para esses teóricos era mais importante compreender do que acumular dados experimentais em torno do processo, como fazem os behavioristas. Isso não os impediu de realizar um grande número de experiências, orientadas especificamente para a comprovação de determinados princípios gerais, como o da reorganização dos diferentes elementos que constituem o problema. Segundo os psicólogos dessa escola, todo problema tem uma "estrutura" que deve ser descoberta, equilibrada ou reorganizada. Esses processos se produzem em virtude de uma iluminação repentina (insight), que permite vislumbrar a solução desejada ou a forma do processo que a ela conduz. As contribuições dessa corrente foram de grande valia para a constituição da perspectiva cognitiva.

Na psicologia cognitiva, que considera os sujeitos humanos como sistemas de processamento de informação, o processo de solução de problemas é estudado no contexto da realização de uma tarefa que constitui o problema, cuja resolução tem lugar num "espaço de busca de soluções" situado dentro do sistema. As estratégias de busca da solução podem ser, nessa perspectiva, de tipo algoritmo (mecânico) ou de tipo heurístico. Em geral, a estratégia será algorítmica se o espaço de busca for pequeno (se o número de soluções possíveis for manejável), enquanto serão adotadas táticas de caráter heurístico (isto é, recursos que permitem limitar de forma aproximada o espaço de busca) se as soluções possíveis são muitas ou infinitas. Em qualquer um dos casos, o hábito prévio adquirido pelo sujeito com respeito à tarefa em questão ou outras parecidas influi sobre a realização. Também têm influência muitos outros fatores, entre eles a forma das instruções que definem o problema e o tempo dado para a busca da solução. Uma das estratégias possíveis para a busca de soluções consiste na aplicação de um raciocínio de tipo lógico, de caráter dedutivo ou indutivo, que pode ajustar-se de forma mais ou menos estrita às regras da lógica, o que pode tomar a forma de raciocínio específico de um contexto determinado (matemático, físico etc.)
Psicologia intercultural do pensamento
Na medida em que o pensamento ocupa posição central na determinação da conduta, submetida a influências culturais, e aparentemente se veja afetado por fatores como a memória e a percepção, que apresentam indícios de variação intercultural, autores de diversas tradições teóricas tentaram descobrir as relações entre cultura e pensamento mediante a realização de estudos interculturais. Os estudos confirmaram que a influência cultural está presente em todos os níveis de pensamento, desde a percepção até a resolução de problemas, mediante mecanismos como o estabelecimento da pertinência do problema proposto ou a familiaridade com o mesmo. Tais fatores podem modificar-se de um contexto cultural para outro, o que significa que nem todas as culturas estão igualmente preparadas para responder de forma flexível e adequada a certos tipos de problema.

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Associação em Psicologia

Associação em Psicologia

Associação em Psicologia

A associação é um princípio geral da psicologia, estreitamente ligado à memória, segundo o qual a lembrança de um acontecimento pode evocar outros fatos, experiências ou situações a ele relacionados. O associacionismo, aplicado a diferentes fenômenos mentais, tornou-se uma concepção teórica presente em todas as escolas psicológicas.

Um dos mais conhecidos experimentos realizados em psicologia foi descrito por Pavlov, que testou em cobaias a teoria dos reflexos condicionados. Dando alimento a um cachorro, repetidas vezes, logo após fazer soar uma sineta, em pouco tempo pôde verificar que o animal salivava ao ouvir o ruído familiar, ainda que não recebesse comida. O reflexo foi criado pela associação da ideia de ruído com a de alimento.


Embora o filósofo grego Aristóteles já tivesse enumerado as três condições da associação (similitude, contraste e proximidade), considera-se o associacionismo uma doutrina originada na Inglaterra. O termo "associação de ideias" foi utilizado pela primeira vez por John Locke na obra An Essay Concerning Human Understanding (1609; Ensaio sobre o conhecimento humano). David Hume, em A Treatise of Human Nature (1739; Tratado da natureza humana), afirma que as formas básicas de associação ocorrem por semelhança, proximidade no tempo ou no espaço e por uma relação de causa e efeito.

Depois de Hume, os principais associacionistas foram David Hartley, no século XVIII, James e John Stuart Mill, Alexander Bain e Herbert Spencer, no século XIX. Houve muitas divergências quanto à classificação das formas de associação e ao estabelecimento de uma nomenclatura para designá-las, mas em geral pode-se afirmar que os associacionistas partem de concepções sensualistas, mecanicistas e atomistas. Segundo esses pensadores, o conhecimento procede de um ou mais sentidos. Pelas repetições próprias do funcionamento mental, os dados sensoriais se combinam e podem restabelecer-se com ideias ou representações mentais.

Na década de 1880, o filósofo Francis H. Bradley e os psicólogos James Ward e George F. Stout lideraram na Inglaterra uma forte reação contra o associacionismo. Negavam que o conhecimento se baseasse apenas em sensações e davam ênfase ao elemento intencional.

O filósofo americano William James, em The Principles of Psychology (1890; Princípios de psicologia), substituiu o conceito de associação de idéias pelo de associação de processos nervosos determinados por uma superposição ou uma imediata sucessão de estímulos. Em 1903, o russo Ivan Pavlov usou métodos experimentais para estudar a associação e concluiu que todo comportamento deriva da atividade reflexa do cérebro. As teorias do reflexo condicionado e muitas escolas behavioristas sustentavam as teses básicas do associacionismo e estavam, portanto, sujeitas às mesmas críticas. Isso se aplica também às teorias psicológicas baseadas na noção de estímulo e resposta, que tiveram grande difusão nos Estados Unidos e subsistem ainda sob outras formas.

A multiplicação dos experimentos associacionistas tornou evidente a fragilidade conceitual da doutrina. O americano Edward L. Thorndike demonstrou que a simples repetição influi pouco ou nada no estabelecimento da relação entre estímulo e resposta. Considerando mais importante o efeito decorrente de uma ação, relacionou esse efeito com as noções de prazer e dor em The Fundamentals of Learning (1932; Os fundamentos da aprendizagem). O psicólogo americano Clark Hull em Principles of Behavior (1943; Princípios do behaviorismo) relaciona a aprendizagem à intensidade do impulso destinado a atender a uma necessidade. Esses autores não rejeitaram os princípios do associacionismo, mas reivindicaram uma reformulação dos mesmos. Outros, como os gestaltistas, negaram radicalmente o associacionismo no que se refere aos processos mentais superiores.

Na atualidade, poucos estudiosos atribuem às teorias associacionistas a importância que lhes davam seus criadores, mas o princípio da associação é universalmente aceito como atuante em todas as instâncias da aprendizagem pela experiência.


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Antipsiquiatria

Antipsiquiatria

#Antipsiquiatria

As propostas da antipsiquiatria surgiram no fim da década de 1950 como resposta ao tratamento tradicional da esquizofrenia - divisão da personalidade -, que, à diferença de outras doenças mentais, só havia sido pesquisada parcialmente, sem que se considerasse de modo global a situação do esquizofrênico. O principal representante do grupo, o inglês R. D. Laing, no livro The Divided Self (1960; O eu dividido), afirmou ser a insegurança - frequentemente gerada no âmbito familiar e social - a causa pela qual o ego, como defesa, se cindia, convertendo-se em "outra pessoa" alheia aos sofrimentos anteriores.


O radicalismo proposital do termo antipsiquiatria mostra até que ponto esse movimento se opõe aos conceitos psiquiátricos tradicionais, especialmente aos de doença mental, cura e normalidade.

De acordo com essa perspectiva geral, a antipsiquiatria defendeu uma revisão dos conceitos de saúde mental e loucura, negando que se possa dar a eles um valor fixo. Prescreveu a abolição das instituições destinadas a abrigar doentes mentais e o fim de tratamentos agressivos que visam a "tranquilizar" o paciente, como o eletrochoque e a administração de sedativos.

Do ponto de vista do tratamento, isso implica que o psiquiatra não se limite a "analisar" de fora o paciente, mas participe de seu universo pessoal e social. A análise terapêutica deve supor uma situação de influência e intercâmbio recíprocos entre o terapeuta e o doente; o psiquiatra deve ter consciência de que aquilo que ele mesmo chama de cura não tem por que coincidir com o que o paciente deseja. A ideia básica, em suma, é a ruptura dos condicionamentos sociais que possibilitam a identificação dos doentes mentais e dos terapeutas em seus respectivos papéis, e o consequente estabelecimento, entre ambos, de uma relação de igual para igual.

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Aptidão e inteligência | Conjunto de Caracteres Psíquicos

Aptidão | Conjunto de Caracteres Psíquicos

Aptidão | Conjunto de Caracteres PsíquicosEntende-se por aptidão a tendência natural que diferencia um psiquismo - conjunto dos caracteres psíquicos de um indivíduo - de outro. As aptidões, que podem ser de tipos muito diversos, aparecem em diferentes etapas do amadurecimento do indivíduo. A musical, por exemplo, embora possa manifestar-se antes dos dez anos, normalmente só se estabiliza a partir dessa idade, o que também ocorre com a aptidão para tarefas mecânicas. A aptidão matemática, por sua vez, aparece por volta dos 14 e a científica, aos 17.

Por que Mozart manifestou tão cedo seu gênio musical? Por que, em qualquer época e em qualquer área do saber, aparecem crianças-prodígio? A profunda curiosidade que esta questão sempre suscita é explicada pelos estudos psicológicos sobre a aptidão.


Aptidão e inteligência
Diversos autores têm analisado de maneira diferente a relação entre aptidões e inteligência. As duas posições mais representativas sobre o assunto são as de Charles Spearman e Louis Leon Thurstone.

Spearman, psicólogo e matemático britânico, fundador da psicologia experimental, considerou que o êxito em qualquer tarefa é determinado por uma aptidão geral - a inteligência, fator sempre presente - e por uma aptidão específica para essa tarefa. Ante essa concepção bifatorial, o americano Thurstone mantinha outra, que foi denominada multifatorial: o êxito na tarefa depende de uma multiplicidade de fatores de igual importância.

Atualmente costuma-se distinguir a inteligência geral (que se pode medir com testes psicológicos não verbais, e ainda com os de raciocínio verbal e aritmético) de outros fatores, como o raciocínio espacial, as aptidões mecânicas e a destreza manual. Diferenciam-se também os fatores verbais educativos ou culturais.

O conhecimento das aptidões da criança é fundamental para que se dirija seu trabalho escolar. O mesmo ocorre com os jovens no que se refere a sua orientação profissional. Hoje em dia, são normais em muitos países o acompanhamento e a medição das aptidões, sobretudo nos ambientes pedagógicos, o que favorece a rápida detecção de problemas e a adoção, se for o caso, de medidas específicas de recuperação.

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Esquizofrenia

Esquizofrenia

Esquizofrenia é um grave distúrbio psíquico, caracterizado pela dissociação mental, que provoca a perda de contato com a realidade. O psiquiatra alemão Emil Kraepelin foi quem primeiro reuniu sob a classificação inicial de "demência precoce" o conjunto de sintomas de uma perturbação mental profunda. Kraepelin também realizou um grande esforço de análise e classificação desses sintomas. Seu trabalho permitiu diferenciar a síndrome esquizofrênica de outras alterações psicopatológicas.

Alteração associativa, dissolução dos laços afetivos e autismo - rompimento profundo das ligações com o mundo exterior - e sensação subjetiva de irrealidade são sintomas básicos da esquizofrenia.

Sob a classificação de esquizofrenia são agrupados vários distúrbios hoje claramente distintos: a esquizofrenia simples, a hebefrênica, a catatônica e a paranoide. Suas causas não estão bem identificadas. Ainda que o fator hereditário seja relevante, fatores psicológicos e sociais influem em sua manifestação.


Síndrome esquizofrênica
Os sintomas básicos da esquizofrenia constituem uma síndrome de caráter primário, na qual aparecem frequentemente a sensação de perda do controle da própria atividade psíquica, uma vivência de despersonalização, uma percepção catastrófica da realidade, associada a outros delírios, e alucinações.

A cisão da personalidade, típica do esquizofrênico, faz com que o indivíduo seja incapaz de perceber a realidade de forma normal. A vida psíquica parece dominada pela incoerência e pelo absurdo. O indivíduo estranha, ao menos no início, o que lhe acontece. É levado então a se afastar progressivamente da realidade e a se refugiar de forma autista em seu mundo interior. Essa estranheza é plenamente justificada, já que as vivências absurdas surgem nitidamente na consciência do indivíduo que as experimenta e parecem reais. Isso é motivo para que, nas primeiras fases da doença, ele as perceba como algo imposto.

O aspecto externo do esquizofrênico costuma variar entre a normalidade, o artificialismo, a afetação e a extravagância mais absoluta. É comum a desorientação cronotópica (dissociação entre tempo e espaço), associada em muitos casos a fenômenos alucinatórios e a distúrbios da auto-identificação. Isso leva às vezes a uma sensação de distanciamento com relação à própria personalidade e de estranheza diante do mundo externo habitual. O processo acaba em um total desdobramento da personalidade e no aparecimento de uma nova identidade, que não precisa de uma justificativa racional. Dessa forma, é frequente a alteração da estrutura corporal e a percepção do próprio corpo de forma contraditória e, algumas vezes, absurda.

Discurso e pensamento esquizofrênicos
O esquizofrênico produz um discurso verbal absolutamente característico, qualificado como "estilo esquizofrênico". Nesse tipo de discurso aparecem com frequência palavras e expressões altissonantes, neologismos atípicos e formas verbais não-controladas. O tom de voz pode chegar a ser muito baixo. O discurso se torna incoerente na fase de desagregação máxima e é impossível manter uma conversa normal com o paciente.

O esquizofrênico se queixa frequentemente de uma invasão de seu próprio pensamento, sensação que se traduz como um "roubo de ideias" ou um "pensamento sonoro". A capacidade de raciocínio se vê profundamente afetada e é ainda mais transtornada pelo surgimento de ideias delirantes, que não apresentam relação aparente com uma alteração somática, nem com uma experiência anterior. Essas ideias aparecem de improviso, como uma inspiração ou intuição, ou como uma interpretação absurda de um fato ou objeto. Não se acham sistematizadas ou racionalizadas.

Tipos de esquizofrenia
Na chamada esquizofrenia simples, pouco comum, o mais importante é o progressivo empobrecimento psíquico e a acentuação, também progressiva, dos comportamentos autistas e extravagantes. Outro processo de rápida evolução é o da esquizofrenia hebefrênica. Ocorrem distúrbios de pensamento, sensação de falta de controle da vida psíquica, vivência de interceptação do pensamento e perda do sentido de realidade. Aparecem, também, problemas de linguagem e de estrutura corporal. Nem sempre ocorrem alucinações. A afetividade e a conduta social experimentam alterações profundas.

A esquizofrenia catatônica está associada a alterações da psicomotricidade e ao bloqueio das ações voluntárias. Nas primeiras fases, o movimento pode ser feito de forma estereotipada e repetitiva. O mesmo acontece com a fala, que pode chegar a desaparecer completamente. No que diz respeito ao movimento, pode ocorrer, em fases mais avançadas, imobilidade completa (estado hipocinético) ou hiperatividade (estado hipercinético).

A esquizofrenia paranoide se caracteriza pela presença de ideias delirantes e de alucinações. O delírio não está completamente sistematizado, e outros sintomas esquizofrênicos aparecem nas últimas fases. Esse tipo de esquizofrenia costuma manifestar-se em idades mais avançadas.

Um único indivíduo pode experimentar vários tipos de esquizofrenia ao mesmo tempo. Em alguns casos, pode haver também uma associação com sintomas de outras psicoses, principalmente as maníaco-depressivas.

Evolução e tratamento
Em seu estado final, a esquizofrenia pode chegar à demência. Acredita-se que uma quarta parte dos casos apresenta melhora espontânea e que os casos de demência esquizofrênica alcançam a mesma proporção. O tratamento clássico com métodos de choque (coma insulínico e eletrochoque) foi substituído progressivamente pelos psicofármacos (cloropromacina, reserpina e seus derivados) e pela psicoterapia analítica, ocupacional e de ressocialização.


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Angústia | Uma Interpretação Freudiana

Angústia | Uma Interpretação Freudiana

Angústia | Uma Interpretação FreudianaTodo ser humano já experimentou alguma vez uma sensação de intranquilidade contínua, um estado de tensão diante de tudo o que o rodeia, sem que isso corresponda aparentemente a um motivo determinado. São esses estados anímicos e as causas que os provocam que a psicologia moderna tenta explicar com seus estudos sobre a angústia.

Interpretação freudiana
Segundo o criador da teoria psicanalítica, Sigmund Freud, a angústia é um estado afetivo próprio da condição humana, resultante de uma consciência de desamparo que provoca tensões dolorosas e intensas. Em sua fase mais primitiva, essas tensões constituem a raiz dos diferentes afetos e também da angústia. Para Freud, a angústia do nascimento, provocada pela separação do novo ser do corpo da mãe, é a manifestação mais primitiva desse sentimento.


Freud distingue com clareza entre a angústia real -- que é uma reação à percepção de um perigo externo, ou seja, de um dano esperado e previsto, reação ligada ao reflexo de fuga -- e a angústia neurótica.   A primeira é simplesmente uma forma matizada de medo e pode, inclusive, ser positiva, já que o organismo "antecipa" um fato e reage ativamente diante dele, mediante sonhos ou jogos nos quais se reproduz a situação temida. Dessa forma, a pessoa descobre que pode superar o medo e transforma o jogo, à medida que repete a experiência, em instrumento para aprender a controlar o mundo.

A angústia neurótica, ao contrário, tem caráter "flutuante", isto é, não se liga a nenhuma realidade concreta, de modo que a pessoa espera atentamente o aparecimento de qualquer situação que possa justificar tal angústia. Em consequência, a angústia deixa de ser um sinal adaptativo, um modo de reação, e se transforma em algo patológico, em uma "angústia derivada" cuja origem estaria em impulsos sexuais reprimidos.

Além da neurose de angústia, na qual ocorre uma tensão interna geral, para Freud existe também uma histeria de angústia, em que esta última se acha vinculada a uma situação especial. Nesses casos, a pessoa está perturbada por algum conflito cuja causa, mantida inconsciente graças a um mecanismo de defesa, é substituída por representações figuradas desse conflito, o que cria o estado de angústia. O papel da psicanálise consiste em conseguir que a pessoa  descubra por si mesma e assuma sem traumas o que esse estado oculta, desenvolvendo mecanismos normais de adaptação.

Outras concepções da angústia
A interpretação freudiana do conceito de angústia como um resultado emocional da antecipação de uma possível situação de perigo ou dor exerceu influência sobre autores de posições teóricas muito diferentes. O behaviorista americano John Watson, por exemplo, realizou diversas experiências para demonstrar que o medo é uma resposta condicionada à dor.

As concepções sobre a origem da angústia, de qualquer forma, variam enormemente; há desde os que a entendem como uma resposta à incapacidade de compreender a realidade exterior até os que afirmam ser ela proveniente de um estado de expectativa prolongado diante de algum fato que não chega a ocorrer.

De maneira genérica, pode-se dizer que a psicologia contemporânea aborda o problema da angústia sob duas perspectivas: (1) estabelecer se ela constitui um estado transitório ou se, ao contrário, é uma predisposição, um elemento da personalidade; (2) determinar se de fato a angústia tem uma causa definida ou se pode resultar de motivos e situações muito diversos.


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Alienação | Condição Psico-Sociológica de Perda de Identidade Individual

Alienação | Condição Psico-Sociológica de Perda de Identidade Individual

Alienação | Condição Psico-Sociológica de Perda de Identidade IndividualAlienação é a condição psico-sociológica de perda da identidade individual ou coletiva decorrente de uma situação global de falta de autonomia. Encerra portanto uma dimensão objetiva - a realidade alienante - e a uma dimensão subjetiva - o sentimento do sujeito privado de algo que lhe é próprio.

Capaz de ameaçar o trabalho e a consciência humana desde seus primórdios, a alienação afeta principalmente o homem do mundo moderno, em que as relações sociais se tornam cada vez mais determinadas por seu aspecto mercantil ou econômico-financeiro.

O conceito de alienação é comum a vários domínios do saber. Em psicologia e psiquiatria, fala-se de alienação para designar o estado mental da pessoa cuja ligação com o mundo circundante está enfraquecida. Em antropologia, a alienação é o estado de um povo forçado a abandonar seus valores culturais para assumir os do colonizador. Em sociologia e comunicação, discute-se a alienação que a publicidade e os meios de comunicação suscitam, dirigindo a vontade das massas, criando necessidades de consumo artificiais e desviando o interesse das pessoas para atividades passivas e não participativas.


Em filosofia política, fala-se de alienação para designar a condição do trabalhador que, à semelhança de uma peça de engrenagem, integra a estrutura de uma unidade de produção sem ter nenhum poder de decisão sobre sua própria atividade nem direitos sobre o que produz. Transcendendo o âmbito da produção, a alienação se estende às decisões políticas sobre o destino da sociedade, das quais as grandes massas permanecem alijadas, e mesmo ao âmbito das vontades individuais, orientadas pela publicidade e pelos meios de comunicação de massas.

Histórico. O conceito de alienação tem raízes no pensamento de Hegel e Karl Marx, mas cabe destacar uma importante observação complementar, a de Ludwig Feuerbach, mestre de Marx, para quem as formas paroxísticas da alienação humana seriam o êxtase e o arrebatamento religiosos.

Para Hegel, a alienação é um processo essencial pelo qual a consciência ainda ingênua, convencida de que a realidade do mundo é independente dela mesma, chega a tornar-se consciência de si. Essa transformação da consciência em consciência de si é descrita na Phänomenologie des Geistes (1807; Fenomenologia do espírito). Para Hegel, o concreto reside na unidade dos termos contraditórios que entram em confronto. Cada termo é a negação de seu próprio oposto, sendo o movimento interno do sujeito a "negação da negação". A luta desses opostos é mortal, pois o ser de cada um deles está no outro, que o desafia e nega. A posse de si mesmo fica assim condicionada à destruição do outro, que detém a verdade e o absoluto. Concebida nesses termos, a alienação é, portanto, além de profunda, necessariamente intrínseca e primordial: o ser de cada indivíduo não reside em si próprio e sim em seu oposto, no qual corre o risco de se diluir.

Para Marx, a alienação refere-se a uma situação resultante dos fatores materiais dominantes da sociedade, caracterizada por ele sobretudo no sistema capitalista, em que o trabalho humano se processa de modo a produzir coisas que imediatamente são separadas dos interesses e do alcance de quem a produziu, para se transformarem, indistintamente, em mercadorias.

Marx, situando o homem na raiz da história (o homem concreto, que define com o trabalho sua relação com seus semelhantes e com a natureza), inverte a dialética hegeliana. De acordo com a dialética de Marx, o processo de alienação leva o ser genérico do homem -- expresso pelo trabalho -- a converter-se em instrumento de sua sobrevivência, o que ocorre, primeiro, na relação do produtor com o produto e, em seguida, na relação do produtor com os consumidores do produto. A alienação transforma o operário em escravo de seu objeto, mas o processo não se detém aí, já que o trabalho é mercadoria que produz bens de consumo para outrem. Na verdade, ocorre a alienação do homem perante o próprio homem: ao produzir um bem que não lhe pertence, o homem propicia o jugo daquele que não produz sobre a produção e o produto, deixando assim que o outro, alheio à produção, se aproprie dela.

Dá-se assim a "reificação" ou coisificação social, ou seja, a conversão de todas as relações sociais em formas de mercadorias, que abrangeriam o próprio homem, desse modo já submerso na fantasmagoria das relações entre as coisas. Sintetizando-se o problema, a alienação seria ocasionada pela divisão de trabalho e, de outro lado, pela separação entre o trabalho e o produto dele resultante. Os reflexos alienatórios seriam inevitáveis tanto na filosofia como nas instituições políticas e sociais, na religião, na literatura e nas artes.


Filosofia política contemporânea. Pensadores marxistas, muitas vezes desligados das principais correntes da tradição materialista-dialética retomaram os conceitos de alienação e reificação. György Lukács, por exemplo, fala de um mundo cristalizado de coisas e relações "coisísticas", ressaltando que a forma de mercadoria assume uma universalidade objetiva e subjetiva-objetiva, o que significa que todos os objetos são avaliados e trocados como mercadorias. O fenômeno da alienação se estende da fábrica a todos os setores da sociedade.

Louis Althusser postula que a teoria da alienação implica uma retomada humanista e ideológica dos Manuscritos projetada na doutrina não-humanista do fetichismo de O capital. O brasileiro José Artur Gianotti fala mesmo no desaparecimento dos conceitos marxistas de mercadoria e de fetiche da mercadoria.

No existencialismo marxista de Sartre também está presente o conceito de alienação, assim como no pensamento de Herbert Marcuse, voltado principalmente para a alienação alimentada pelos meios de comunicação. Na linha de Marcuse, os demais pensadores da Escola de Frankfurt -- Walter Benjamin e Theodor Adorno principalmente -- tratam a questão da arte como produto industrial e do objeto de arte como mercadoria.

Atualmente, o que se entende como trabalho humano abstrato nada mais é do que o princípio real do processo efetivo da produção de quaisquer mercadorias. Nenhuma teoria pode modificar ou negar a situação básica produtora de alienação, inerente ao modo capitalista de produção, assim como o conceito de trabalho abstrato está indissoluvelmente ligado aos meios de produção desse sistema.

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Os Complexos Psicológicos Que Afetam a Humanidade

Os Complexos Psicológicos Que Afetam a Humanidade 

Os Complexos Psicológicos Que Afetam a Humanidade
O senso comum utiliza-se bastante do termo “complexo” para se referir a complexo de inferioridade, de superioridade e outros mais que se referem de forma equivocada a este termo introduzido por Jung. Os complexos foram descobertos por ele durante seus experimentos com associações. Jung começou a perceber que algumas palavras indutoras provocavam reações perturbadoras que revelavam o contato com conteúdos emocionais ocultos e são estes conteúdos que Jung denominou “complexos”. Os complexos são agrupamentos de conteúdos psíquicos carregados de afetividade que estabelecem associações com outros elementos, formando unidades vivas que possuem existência autônoma e que atraem todos os fenômenos psíquicos que ocorram ao alcance de seu campo de ação. O complexo interfere na vida consciente, envolvendo-nos em situações contraditórias, provocando lapsos e gafes, perturbando a memória, arquitetando sonhos e sintomas neuróticos.


A causa mais frequente da origem dos complexos são os conflitos, mas choques e traumas emocionais também são suficientes para sua formação. O bem-estar ou mal-estar da vida de cada pessoa depende dos complexos, que têm maior ou menor autonomia, dependendo da conexão maior ou menor com a totalidade da organização psíquica. Apesar do mal-estar que os complexos podem causar, a psicologia junguiana não os consideram como elementos patológicos, mas como sinal de conteúdos conflitivos que não foram assimilados. Os complexos podem ainda significar uma nova possibilidade de atuação, podem funcionar como um estímulo para que o indivíduo se esforce mais para sua própria realização. A patologia só aparece quando os complexos exigem uma quantidade muito grande de energia psíquica para si. Para que um complexo seja assimilado é necessário que o indivíduo compreenda os conflitos em termos intelectuais, mas que também exteriorize os afetos envolvidos, através de descargas emocionais que eram realizadas pelos antigos através de danças e cantos repetidos. Mesmo em bibliografias do próprio Jung, o conceito de complexo pode aparecer de forma diferenciada, porque, afinal, é mais uma complexidade da psique humana que está sendo estudada incessantemente.

Rebeldia
De todos os adolescentes são esperados comportamentos rebeldes e a rebeldia já virou, inclusive, sinônimo de adolescência. Esta relação feita entre esta fase da vida e este padrão comportamental faz com que a rebeldia seja entendida como uma característica própria da idade, que passa com o tempo e que, como tal, não pode ser solucionada nem discutida. Na verdade a rebeldia é um comportamento comum na fase adolescente, comum no sentido de frequente e não de próprio desta fase. O próprio da fase adolescente, universal e que inevitavelmente acontece com todos os jovens normais, são as mudanças corporais, o aparecimento do interesse sexual, a mudança de outros tipos de interesse e uma nova forma de se relacionar com o mundo, que não é mais infantil nem adulta e que, portanto, caracterizam uma fase de transição muito marcante.

Todas as transformações biológicas e físicas provocam reações diferentes nas pessoas que lidam com o adolescente. Uma grande confusão a respeito do que permitir, o que proibir e o que pode ser aceito desta nova pessoa, acontece com os adultos. Todas as modificações da adolescência provocam conflitos na forma do adulto se relacionar com o adolescente e a sociedade também provoca discussões e leis confusas, que autorizam o voto e outras responsabilidades e desautorizam responsabilidade criminal e outras coisas, fazendo com que a maturidade do jovem seja vista de diferentes formas. Tudo isto é polêmico, controverso e confuso e é este conjunto de coisas que caracteriza o ambiente do adolescente como confuso e conflituoso. A institucionalização das características adolescentes também provocam expectativas de que com todos eles, tudo aconteça exatamente da mesma forma nesta fase e a criança que cresce ouvindo que será assim a partir de determinada idade, provavelmente desenvolve alguns comportamentos para responder ao esperado, sem que isto se desenvolvesse normalmente.

Frente a estes aspectos, é desleal atribuir à fase adolescente toda a responsabilidade pela rebeldia comum nesta fase. Dependendo da relação familiar e do grupo de convívio do adolescente, suas características podem ser diferentes do esperado. Nem todos os jovens desenvolvem os mesmos comportamentos convencionados como característicos, e nem todas as famílias têm problemas na definição de como educar o adolescente. A rebeldia pode ser apenas uma reação à falta de jeito dos adultos para lidar com esta nova fase, da falta de compreensão, apoio e esclarecimento das modificações, que podem assuntar o jovem, se forem absolutamente desconhecidas, e de outros problemas de trato com esta pessoa, que não pode mais ser tratada como a criança que era, e que não tem maturidade suficiente para assumir uma vida adulta. Se os adultos que se relacionam com o adolescente continuam a tratá-lo como criança, se não conseguem aceitar que os interesses dele são outros e não tiverem condições de estabelecer uma relação de colaboração e confiança, a probabilidade de rebeldia na adolescência continuará sempre fazendo com que esta característica seja marcante nesta fase.

Psicoterapia, tratamento dos distúrbios mentais por procedimentos baseados na comunicação verbal e emocional, assim como em outros comportamentos simbólicos. 

Psicoterapia PsicanalíticaPsicoterapia Psicanalítica
Estimulado pelas demonstrações de Jean Martin Charcot, Sigmund Freud empregou a hipnose para "desenterrar" a associação livre, mediante a qual os pacientes se aprofundavam no conhecimento do inconsciente, atitude que ele considerava curativa. Alguns dos discípulos mais destacados de Freud fundaram posteriormente escolas próprias. O mais influente foi Karl Gustav Jung, cujos princípios se baseavam em tentar ajudar os pacientes a reconhecer suas próprias forças internas para conseguir o crescimento e a realização pessoal, superando, assim, os conflitos. Outro dos discípulos de Freud foi Alfred Adler, que afirmava que os distúrbios psicológicos provêm de um modo de vida defeituoso, que supõe a adoção de opiniões e metas equivocadas pela falta de interesse social. 

Psicoterapia Humanística
A mais clássica das terapias humanistas é a psicoterapia centrada no paciente. Carl Rogers via o indivíduo dirigido por uma tendência inata de sobrevivência e reafirmação que o levaria ao crescimento pessoal, à maturidade e ao enriquecimento vital. Outro enfoque humanista, a terapia de Gestalt, foi desenvolvida pelo alemão Fritz Perls. Ele afirmava que a civilização moderna conduz à neurose, já que a força dos indivíduos para reprimir seus desejos naturais frustra sua tendência inata para adaptar-se biológica e psicologicamente ao ambiente. 
Terapia de ComportamentoEsta terapia aplica os métodos próprios da psicologia experimental aos problemas do paciente. Os terapeutas do comportamento não buscam significados ocultos, mas sim, centralizam-se nos fenômenos observáveis e mesuráveis. Recentemente, começaram a prestar mais atenção à influência do pensamento no comportamento e suas terapias; hoje, tem um enfoque mais cognitivo.

Terapia de GrupoA psicoterapia de grupo é mais barata que a individual e oferece outra vantagens. A interação entre os membros do grupo é considerada como a principal fonte de melhora e o trabalho do terapeuta consiste em controlar e facilitar esta interação. Um tipo especial de tratamento de grupo é a terapia familiar, onde se tenta estabelecer uma relação de entendimento entre seus componentes, logrando, assim, o bem-estar de cada um deles. 

Novos enfoques
Desde o final da década de 1960, desenvolveu-se um grande número de métodos terapêuticos novos, alguns deles muito controvertidos como a "terapia fundamental" do psicólogo americano Arthur Janov e a "análise transacional", baseada nos trabalhos de Eric Berne. Outra tendência mais recente é o uso de métodos exatos para superar períodos de crise. Existem dois tipos principais de terapia exata: a primeira dirigida a eliminar a ansiedade e a segunda para romper as defesas habituais do paciente e provocar mudanças. 

Psicose
Psicose
A psicose é utilizada em diferentes sentidos e em diversas situações. É comum que tenhamos contato com este termo através de filmes e livros, os quais se referem a um comportamento anormal, ou ainda como referência de um medo ou terror, que acomete várias pessoas ao mesmo tempo, aparecendo como “psicose coletiva”. As definições em psiquiatria também são muitas e não há nenhuma plenamente satisfatória. A psicose é caracterizada por alterações psicológicas muito graves e muito mais comprometedoras que outros distúrbios, como é o caso da neurose. 


Para diagnosticar uma psicose, o profissional observa o nível de consciência do paciente, se ele está sonolento, desperto ou em vigília, se é capaz de se concentrar, de memorizar, se tem noção de tempo e de espaço, se reage afetivamente, se tem ideias a respeito das coisas que se lhe apresentam, se é capaz de raciocinar e se tem percepção e juízo da realidade. Todas estas observações apontam o nível de comprometimento apresentado por um psicótico. A característica psicológica que apresenta um nível de comprometimento mais preocupante é o juízo da realidade apresentado pelo paciente. A comunicação fica quase totalmente prejudicada, porque esta síndrome provoca a incapacidade de reconhecer fatos e fazer relações entre eles. A principal alteração do juízo é caracterizada pelo aparecimento do delírio, onde o paciente distorce totalmente a realidade e acredita plenamente nas suas fantasias, ficando irredutível a qualquer tentativa de argumentação lógica. 
A psicose não se refere a uma doença específica, trata-se de uma síndrome, ou seja, de um conjunto de doenças diferentes, que possuem sinais e sintomas semelhantes. A esquizofrenia é um dos quadros psicóticos de maior importância. As doenças afetivas, que se caracterizam por fases de depressão e mania, podem também se apresentar como quadros psicóticos, apresentando os conteúdos afetivos da doença como características do delírio. A fase depressiva apresenta delírios de ruína, de culpa, prejuízo, morte, o paciente se sente responsável por grandes catástrofes mundiais, por guerras e desastres. Na fase maníaca os delírios são de grandeza ou de poder. Os quadros psicóticos são caracterizados também por visões de situações fúnebres, por depressão, a pessoa pode chorar muito e ouvir vozes que podem ser de comando ou podem estar chamando pessoas que já morreram, além de outros delírios. A psicose pode aparecer em qualquer fase da vida.

O autismo é um exemplo de uma psicose típica da infância que se caracteriza por um alheamento e pela falta de contato com as pessoas. O uso de drogas como LSD e cocaína podem causar sintomas psicóticos. O álcool também pode causar alucinose alcoólica e o delirium tremens. Algumas doenças como tumores cerebrais e até a AIDS podem levar ao aparecimento da síndrome. A psicose é tratada com medicamentos e, em casos mais graves, a internação é inevitável, mesmo que tenha como objetivo um tratamento rápido com alta precoce. O indivíduo psicótico não tem consciência do seu estado e, por este motivo, pode recusar a medicação. Estas características da síndrome reforçam a ideia da importância da intervenção da família até que o paciente possa tomar conta de si próprio.

Nascimento da psicologia Social
Nascimento da psicologia Social
Nasce na segunda metade do Séc XIX, em alguns países da Europa, e um pouco mais tarde nos Estados Unidos e outros países.

Para alguns, a Psicologia Social surgiu no ano de 1859, junto com a edição da revista “ Grande Enciclopédia Soviética”, de Steintahl e Lazarus.  Esta revista coloca a Psicologia Social como um ramo da psicologia burguesa.

Para outros, a Psicologia Social surge nos últimos anos do séc.XIX, junto ao processo de psicologização da Sociologia.

Como se pode observar, não há um consenso quanto à data e ao contexto em que nasceu a Psicologia Social.

A Psicologia Social não-soviética tem em comum com a Sociologia burguesa a tendência a justificar a ideologia do capitalismo. Mas não se pode reduzir a Psicologia Social burguesa à sua função ideológica; ela também se ocupa de problemas reais, e dispõe de métodos para obter e elaborar a informação científica.

Segundo Kuzmin, a Psicologia Social tomou dois caminhos distintos: um tenta atender as necessidades da Psicologia; o outro, atende à política das classes dominantes (tal como a Sociologia burguesa). Assim sendo, torna-se difícil afirmar que a Psicologia Social está mais próxima da Psicologia ou da Sociologia.

Para Mansurov, a Psicologia Social surge graças aos êxitos das várias Ciências Sociais. Entretanto, reconhece que só esse motivo não foi o bastante; o que influiu mesmo foram os interesses ideológicos e políticos da burguesia.

Mansurov reforça a ideia dos que veem a Psicologia Social como um ramo da Sociologia burguesa, pronta para defender a classe dominante do crescente movimento revolucionário da classe operária.

Segundo Pariguin (autor do texto), a Psicologia Social vai muito além desse caráter ideológico que alguns estudiosos tentam impor a ela. Seria medíocre acreditar numa Psicologia Social servindo apenas aos interesses de uma minoria.

Quem fugiu um pouco dessa análise simplista foi I.S.Kon, relacionando o surgimento da Psicologia Social com a psicologização da Sociologia. Para ele, a Psicologia do meado do nosso século ignorava os fatores sociais e a natureza específica da consciência coletiva. Ocupava-se apenas da Psicologia do indivíduo.

Para o autor, considerar as raízes gnosiológicas da Psicologia Social é tão importante quanto considerar suas raízes sociais. Assim sendo, a Psicologia Social surge também para atender as necessidades do desenvolvimento do saber científico.

Fontes da Psicologia Social:
Gordon Allport aponta Platão como fundador da tendência irracionalista na Psicologia Social. Isso porque Platão subestimava a capacidade de raciocínio das massas. De um modo geral, os filósofos antigos desprezavam o papel das massas populares na sociedade.

Helvécio destacava a importância do meio social para a educação do homem x  o papel da consciência e das paixões do indivíduo para o desenvolvimento da sociedade.

Feuerbach deu ênfase ao fator emocional no processo de comunicação das pessoas, e às relações humanas no desenvolvimento de todas as relações sociais.

Hegel foi um dos que psicologizaram o processo histórico. Ele justificava as ações das massas como advindas de suas necessidades e paixões.

Muitas questões relativas à Psicologia Social estão presentes nas obras dos primeiros pensadores burgueses. A despeito disso, não podemos considerá-los fundadores da Psicologia Social como disciplina científica independente.

Impensável também, creditar aos idealistas subjetivos a criação da Psicologia Social, visto que eles tinham como realidade única o mundo subjetivo da pessoa.

E os idealistas objetivos ? Consideravam como realidade única tão somente a ideia absoluta. Também estão descartados como criadores da Psicologia Social.

A luta de classes, que foi o fio condutor das revoluções burguesas dos séculos XVII-XIX, trouxe à tona a necessidade de um estudo acerca da psicologia dos movimentos de massas, para a compreensão adequada do sentido dos acontecimentos históricos.

Nesse momento de crise da tradicional concepção idealista da história, quem melhor traduziu as particularidades psicossociais de certas camadas foi Balzac, com seus retratos sobre os tipos sociais da França do séc. XIX.

Balzac conseguiu atrair a atenção de filósofos e sociólogos para os problemas da psicologia das classes, através da sua arte.

Para Labriola, foi Balzac, e não Augusto Comte, quem descobriu a psicologia  de classes.

Indo de encontro ao pensamento burguês, os historiadores franceses Thierry, Mignet e Guizot foram os primeiros a reconhecer o papel relevante das massas populares na história.

Segundo Thierry, é mais cômodo para a maioria dos historiadores atribuir a algum herói certas mudanças de ordem profunda na sociedade, ao invés de admitir o papel imprescindível do povo nessas mudanças.

Os trabalhos de Marx e Engels tiveram grande influência sobre os sociólogos e psicólogos burgueses, que passaram a considerar o movimento revolucionário das massas como força progressista do desenvolvimento histórico.

O estudo da psicologia dos povos e das massas é fator originante da Psicologia Social.
Nascimento da Psicologia como ramo de destintos setores da sociologia:
Vários setores da Sociologia tinham interesse pelo desenvolvimento da Psicologia Social. A Lingüística, por exemplo, foi primordial para a Psicologia Social propriamente dita, através dos trabalhos de Lazarus, Stheinthal, e até mesmo de Wilhelm Wundt.

Além da Lingüística, influíram também a Antropologia, a Etnografia e a Arqueologia. Mais especificamente na área psicológica, encontramos influências da Psicologia Geral e da Psiquiatria.

Podemos localizar as primeiras bases da orientação psicossocial na Psicologia, nos trabalhos dos psicólogos Baudouin e McDougall, Wundt e Ribot.

No início do séc. XX, o psiquiatra Sigmund Freud utilizou-se da Psicologia Social para estudar o caráter social e psiquicamente condicionado das neuroses e psicoses de massas.

Particularidades do nascimento da corrente psicológica na sociedade burguesa: 

Cronologicamente, podemos situar o processo de psicologização da Sociologia burguesa na última década do século passado. Aceito esse processo, muitos sociólogos burgueses não tiveram outra saída a não ser admitir que “ ao século dos heróis sucedia o século das massas”, como afirmou o sociólogo e publicista francês G. Le Bon.

Mas, apesar de reconhecerem o poder das massas, os sociólogos burgueses e os psicólogos sociais ainda guardavam resquícios das tradições filosóficas. Reforçando essas tradições, a defesa do capitalismo apontava o movimento revolucionário das massas como algo irracional e destrutivo.

Dessa forma, os psicossociólogos burgueses não foram capazes de legitimar o importante papel das massas na história, dentro de uma concepção científica.

O psicossociólogo G. Tarde e o sociólogo Mikhailovski consideravam de fundamental importância a autoridade do herói e seu poder de sugestão sobre o inconsciente coletivo. Acreditavam que o povo necessita de um modelo a ser imitado, por não ser capaz de agir de forma consciente.

Vendo na Psicologia Social um instrumento ideológico, pronto para defender a exploração dos trabalhadores, reacionários como G. Tarde, Le Bon e Sighele elaboraram a Psicologia Social nessa direção, tratando os povos como anarquistas e bandidos, destruidores da ordem.

Para Le Bon, conhecer as particularidades psicológicas de um povo é o primeiro passo para dominá-lo.

A Psicologia Social como ciência independente nasce entre 1930-1940.

Etapas fundamentais do desenvolvimento da psicologia social burguesa. Seus ramos e traços característicos

A psicologia social burguesa do final do séc . XIX e inicio do séc . XX: 
Podemos distinguir duas etapas no desenvolvimento da Psicologia Social burguesa: a primeira vai da segunda metade do séc. XIX até o primeiro quartel do séc. XX; a segunda vai desse período até os dias atuais.

No primeiro período, duas tendências são notadas: uma vê a psicologia do indivíduo como produto da sociedade; outra está centrada no indivíduo ( psico-individual ), e tenta  explicar tanto a psicologia da sociedade como todas as outras manifestações da vida social. Dentro desta tendência, encontram-se duas correntes: a organicista e da psicologia profunda.

Os organicistas baseavam-se nas reações psíquicas elementares que o homem herdou dos animais, para explicar os fenômenos da vida social.

Os que se ocuparam da psicologia profunda ( dentre eles, Freud ) tentavam descobrir o mecanismo psicológico da conduta do indivíduo, considerando o impulso sexual. Contudo, a concepção psicossocial de Freud é anti-científica.

Diferentemente de Freud, Mikhailovski e G. Tarde situavam os processos psíquicos inconscientes na autoridade do indivíduo e na capacidade imitativa das massas.

Apesar das divergências todos os representantes da psicologia profunda procuravam explicar a vida social por fatores psicológicos.

Entre fins do séc. XIX e início do séc. XX, desenvolveu-se na Psicologia Social a tendência sociológica, que colocava o indivíduo como produto da sociedade. Ribot, Blondel e Piaget defendiam essa ideia.

Outra corrente que surge nesse período na Psicologia Social é a tendência biossocial. Os neopositivistas P. Caullet e E. V. de Roberti foram representantes dessa corrente. 

Augusto Comte enfatiza o caráter socialmente condicionado da psique humana; Durkheim fala do caráter socialmente determinado das funções psíquicas.

Dentro da corrente biossocial, surge o behaviorismo, que considerava os fatores biológicos, interagindo com os processos fisiológicos e o meio social.

O behaviorismo, que teve seu auge durante a Primeira Guerra Mundial, mais tarde foi perdendo terreno para a psicologia profunda, sobretudo para o freudismo, e depois para o neofreudismo.

Um aspecto relevante da Psicologia Social burguesa é a sua tendência ao monismo, como se um único fenômeno pudesse explicar toda a Psicologia.

Outra característica desse período é a concepção irracionalista do homem, de sua psique e de sua conduta. Este pensamento ia de encontro às ideias racionalista de Kant, Hegel e Herbart.

O rápido desenvolvimento das concepções irracionalistas na Psicologia Social tinham base na crise política e ideológica, e também na Filosofia burguesa.

Na Psicologia Social desse período também destacava-se o conceptualismo, que pretensamente elaborava esquemas teóricos gerais para explicar todos os fenômenos sociais.
A psicologia social bruguesa no sec. XX:
Entre os anos 20 e momento atual situa-se a segunda grande etapa da história da Psicologia Social burguesa.

A função aplicada da Psicologia Social nesta fase faz com que diminua o interesse dos psicólogos pelas questões teóricas. Passa-se das amplas generalizações filosóficas para o estudo de pequenas esferas e pequenos grupos sociais.

Após a Segunda Guerra Mundial, os sociólogos e psicólogos sociais burgueses direcionaram seu  objeto de estudo para os pequenos grupos sociais. A partir daí, o pequeno grupo passa a ser visto como a espinha dorsal de toda a estrutura da Psicologia Social.

Esta concepção microssociológica tem a intenção de mascarar as diferenças de classes, aparentando uma homogeneidade social na sociedade burguesa contemporânea.

Uma das características desta corrente é a tentativa de fundamentar o empirismo como método fundamental de investigação.

A oposição entre os métodos empíricos de investigação e a teoria vem comprovar a grande crise metodológica da moderna Psicologia Social burguesa.

Em 1924, Allport generalizou a experiência das primeiras investigações experimentais, assentando as primeiras bases da elaboração metodológica dos problemas relacionados com a experimentação psicossocial.

Embora o experimento psicossocial mereça seu reconhecido valor, não podemos considerá-lo como uma descoberta original da Psicologia Social.

Segundo o psicossociólogo C2urtis, atualmente os psicólogos sociais burgueses defendem a ideia de interação  ( sociedade – indivíduo).

Surgiram novas correntes, como neobehaviorismo e a sociometria, dentre outras.

Uma novidade da Psicologia Social burguesa é o princípio da condicionalidade social. Os sociólogos Parsons e Mead criaram a “teoria dos papéis”.

Essa novas tendências afetam também a concepção freudiana, que passa a considerar as inclinações do homem como resultado da influência do “meio sociológico”.

Psicologia Infantil
Psicologia Infantil é o estudo do comportamento infantil que inclui características físicas, cognitivas, motoras, linguísticas, perceptivas, sociais e emocionais, desde o nascimento até a adolescência. As duas questões básicas para os psicólogos infantis são: determinar como as variáveis ambientais (o comportamento dos pais, por exemplo) e as características biológicas (as predisposições genéticas) interagem no comportamento e estudar como essas mudanças se relacionam e influem mutuamente. 

Estudo Científico
No século XIX, a teoria da evolução de Darwin impulsionou o exame científico do desenvolvimento infantil. O instinto de sobrevivência das muitas espécies animais estimulou o interesse pela observação das crianças, para identificar as diferentes formas de adaptação ao ambiente e o peso da herança em seu comportamento. Em 1916, Lewis Terman introduziu o teste de inteligência (teste de Stanford–Binet), que conduziu a uma série de estudos sobre o desenvolvimento intelectual da criança. Na década de 1920, Arnold Gesell analisou o comportamento infantil através de filmagens, nas quais as crianças foram observadas em idades diferentes, estabelecendo pela primeira vez um desenvolvimento intelectual por etapas, semelhante ao seu desenvolvimento físico. 

Estudos Ambientais
Sigmund Freud insistiu no efeito das variáveis ambientais e na importância do comportamento dos pais durante a infância dos filhos. John B. Watson, principal representante do behaviorismo, analisou as variáveis ambientais como estímulos progressivamente associados a respostas. No início da década de 1960, Jean Piaget utilizou métodos de observação e experimentação que integram variáveis psicológicas e ambientais. 

Teorias Evolutivas ou de Desenvolvimento
As teorias evolutivas relacionam características do comportamento com etapas específicas do crescimento. A teoria freudiana da personalidade e a teoria da percepção e cognição de Piaget são as principais. Ambas explicam o desenvolvimento humano em termos interativos. Segundo Freud, uma personalidade sadia baseia-se na satisfação de necessidades instintivas. Por sua vez, Piaget afirmou que, desde o nascimento, os seres humanos aprendem ativamente, inclusive sem incentivos externos.

Desenvolvimento Infantil
Os diversos aspectos do desenvolvimento da criança abrangem o crescimento físico, as mudanças psicológicas e emocionais e a adaptação social. Existe uma concordância geral de que os modelos de seu desenvolvimento estão determinados por condições genéticas e circunstâncias ambientais: existe um componente genético nas características da personalidade; o crescimento físico depende da saúde; até os dois anos de idade, ocorrem as mudanças mais drásticas na atividade motora. A velocidade para adquirir estas capacidades é determinada de forma congênita. 

Destaca-se a capacidade para compreender e utilizar a linguagem: Noam Chomsky estabeleceu que o cérebro humano está especialmente estruturado para isso, porque esta capacidade não requer uma aprendizagem formal e se desenvolve desde que a criança tem seus primeiros contatos com o mundo exterior. Por outro lado, a formação da personalidade é considerada um processo pelo qual as crianças aprendem a evitar os conflitos e a administrá-los quando aparecem. Os pais excessivamente austeros ou permissivos podem limitar as chances de uma criança tentar evitar ou controlar seus problemas. Está claro que as atitudes dos pais e seus valores influem no desenvolvimento dos filhos. 

As relações sociais infantis supõem interação e coordenação dos interesses mútuos, onde são adquiridos modelos de comportamento social através dos jogos. Além disso, a criança aprende a necessidade de um comportamento cooperativo e de uma organização para alcançar objetivos em grupo. As crianças aprendem o que é aceitável e inaceitável no seu comportamento e, mediante a socialização, conhecem o conceito de moralidade. O pensamento moral apresenta um nível inferior (a regra se cumpre sozinha para evitar o castigo) e um superior (a pessoa compreende racionalmente os princípios morais universais necessários para a sobrevivência social). 

Tendências Atuais 
Atualmente, os psicólogos concordam que determinados fatores de risco biológico, como crianças que nascem abaixo do peso normal, a falta de oxigênio antes ou durante o parto e outros problemas físicos ou fisiológicos, são importantes para o seu desenvolvimento e comportamento posteriores. Também se investiga o papel das variáveis cognitivas na aprendizagem dos papéis sexuais e os estereótipos sobre as diferenças de sexo. Os modelos sexuais foram definidos na nossa cultura, mas a pressão favorável para a mudança destes modelos está rompendo pouco a pouco estes estereótipos, permitindo que um indivíduo mude ou adapte seu comportamento às exigências das situações específicas com as quais vai conviver. 
A psicanálise nasce na Áustria e tem como grande criador Sigmund Freud (1856 - 1939), que era médico em Viena e fundamenta a psicanálise na prática médica, recuperando para a psicologia a importância da afetividade. O objeto de estudo da psicanálise é o inconsciente, o que quebra com a tradição da psicologia como ciência da consciência e da razão. Esta linha teórica ousou colocar “processos misteriosos” do psiquismo, as “regiões obscuras”, como é o caso das fantasias, dos sonhos, esquecimentos e outros problemas internos do homem, como problemas científicos. Foi a investigação destes processos psíquicos que levou Freud à criação da psicanálise. A teoria baseia-se em conhecimentos sistematizados sobre o funcionamento da vida psíquica, caracterizando leis gerais sobre a psique humana.

A psicanálise utiliza-se da interpretação para buscar o significado oculto das coisas. Seu método de investigação consiste em buscar o significado inconsciente das palavras, ações e produções imaginárias de um indivíduo. Este método é baseado em associações livres do indivíduo, que dão validade às interpretações. Os psicanalistas têm uma prática para o tratamento psicológico, através da análise psicoterápica que visa cura ou auto-conhecimento. O paciente é analisado e, como nada sabe, ou sabe muito pouco a respeito dos motivos de sua doença, o profissional tem como função lhe ensinar a compreender a composição das formações psíquicas mais complicadas, reduzindo os sintomas que provocam sofrimento. Toda a psicanálise está muito vinculada ao trajeto pessoal de Freud, porque grande parte da produção de conhecimento teórico foi baseada em experiências pessoais do autor, que foram transcritas em várias obras. Freud formou-se em medicina na universidade de Viena em 1881.

Especializou-se em psiquiatria, trabalhou em um laboratório de fisiologia e deu aulas de neuropatologia. Ele começou a clinicar por problemas financeiros e seus pacientes eram pessoas que sofriam de “problemas nervosos”. Quando terminou a residência, Freud ganhou uma bolsa para estudar em Paris, onde trabalhou com Charcot, um psiquiatra francês que tratava as histerias através da hipnose. Esta prática foi utilizada por Freud quando ele voltou a Viena e, nesta ocasião, teve um importante contato com Josef Breuer, que ajudou na continuidade das investigações. Breuer era médico famoso e tratava de um caso muito significativo. A paciente chamava-se Ana O. e sofria de distúrbios somáticos que produziam paralisia com contratura muscular, inibições e dificuldade de pensamento.

Nesta época, Ana O. cuidava do pai doente e a conclusão do tratamento foi que ela tinha pensamentos e afetos em relação ao desejo de que o pai morresse. Estas ideias e pensamentos foram reprimidos e substituídos por sintomas que só eram esclarecidos sob hipnose, onde a paciente relatava as suas origens. Segundo Freud a rememoração destes sintomas fazia com que eles desaparecessem. Breuer parou de trabalhar com hipnose, porque nem todos os pacientes prestavam-se a ser hipnotizados e, portanto, mudou sua técnica para a concentração que se dava através da conversação normal. A principal função da clínica psicanalítica, que se dá através da análise, é buscar a origem dos sintomas ou dos comportamentos manifestos, ou do que a pessoa verbaliza. Para atingir os objetivos da psicanálise, é necessário vencer as resistências do indivíduo que impedem o acesso ao inconsciente. A psicanálise entrou em modismo, o que levou diversos autores a produzirem, em nome desta teoria, trabalhos cujo conteúdo, métodos e até mesmo os resultados, não condizem com a psicanálise propriamente dita.


Personalidade é um termo que apresenta muitas variações de significado. Em geral representa uma noção de unidade integrativa do ser humano, pressupondo uma ideia de totalidade. No senso comum é usada para se referir à capacidade de rápidas tomadas de decisão, para se referir a uma característica marcante da pessoa, como timidez ou extroversão por exemplo, ou ainda para se referir a alguém importante ou ilustre: “uma personalidade”. A personalidade atribuída a uma pessoa pode definir, para o senso comum, se esta pessoa é boa ou má. A psicologia evita este juízo de valor. A personalidade seria um conjunto de características que diferenciam os indivíduos. 


Estes atributos seriam permanentes e dizem respeito à constituição, temperamento, inteligência, caráter, um jeito específico de se comportar. Para as teorias que utilizam o conceito de personalidade, ela significa a “organização dinâmica dos aspectos cognitivos, afetivos, fisiológicos e morfológicos do indivíduo”. Fala-se também em personalidade básica, que seriam as atitudes, tendências, valores e sentimentos dos membros de uma sociedade. A personalidade pressupõe a possibilidade de um indivíduo se diferenciar, ser original e ter particularidades. Através desta ideia pode-se predizer o que a pessoa fará em determinada situação, pode-se ter ideia de como ela reagiria. Nem todas as teorias trabalham com este conceito porque ele tem uma noção implícita de estrutura, de estabilidade e portanto de características que não mudam. 

No entanto, ela é fruto de uma organização progressiva do ser humano e não apenas entendida como um fenômeno em si. Ela evolui de acordo com a organização interna do indivíduo. A psicanálise afirma que a estrutura da personalidade já está formada aos quatro ou cinco anos de idade, enquanto que, para Piaget, ela começa a se formar entre os oito e doze anos. O caráter, temperamento e os traços de personalidade são termos que se referem a esta noção. Alguns distúrbios podem se relacionar à personalidade, gerando conceitos patológicos, como é o caso da personalidade múltipla (ver em amnésia).


Para a maioria dos profissionais em psicologia, a percepção diz respeito ao processo através do qual os objetos, pessoas, situações ou acontecimentos reais se tornam conscientes. É através da percepção que o ser humano conhece o mundo à sua volta de forma total e complexa. A percepção distingue-se da memória, porque diz respeito a acontecimentos presentes e também é diferente da inteligência e pensamento na medida em que se refere a situações concretas.


A percepção é mais um conceito em psicologia que possui diferentes considerações, a depender da abordagem teórica. Ela pode ser entendida como produto de vários elementos sensitivos ligados a experiências que o indivíduo tem anteriormente, pode ser entendida de maneira bem global, sendo irredutível às sensações, ou pode ter características tão amplas que se confunde com qualquer processo cognoscitivo. Para que o objeto possa ser percebido, ele deve se destacar do mundo fenomenológico, possuindo uma estrutura interna maior do que os outros objetos que o cercam para que se constitua uma “boa figura”, caracterizando o resto como “fundo” sobre o qual ele se destaca.

A “figura” e o “fundo” podem sofrer modificações, dependendo de diversos fatores relacionados com a percepção. A estimulação é fundamental na definição do que constitui a “figura” e no que constitui o “fundo”. Muitas vezes a passagem de “figura” para “fundo” e vice-versa acontece por causa da saturação produzida pelo sistema nervoso quando a estimulação torna-se excessiva. A atitude de um indivíduo, a movimentação do objeto, movimentação da cabeça, interposição dos objetos, tamanho relativo, perspectiva linear e o jogo de luzes e sombras também são alguns dos fatores que determinam o que se define como “figura” e o que se caracteriza como “fundo”. A percepção depende de uma série de fatores precisos, mesmo quando se trata da percepção de um movimento ilusório ou da movimentação de outro objeto que não o que realmente se move.

Paranoia
No senso comum, a paranoia caracteriza-se como uma dificuldade de relacionamento, a pessoa começa a achar que os outros estão sempre contra ela, é muito desconfiada, e esta caracterização do senso comum pode apontar, apenas, para pessoas inseguras. A paranoia é um quadro psicótico onde a pessoa descreve tramas contra si própria, onde há um sentimento de perseguição, a pessoa sente-se como se o mundo estivesse contra ela e tudo que acontece parece ser uma conspiração.


Para o paciente paranoico, até mesmo familiares, amigos e vizinhos podem estar envolvidos na conspiração. A pessoa diz que as pessoas da rua, da televisão e do rádio falam mal dela, que fazem “macumba” contra ela e geralmente refere-se a gravadores, câmeras escondidas e outros aparelhos que a ficam vigiando tempo integral. Mostrar a um paciente que tudo isto que ele relata é irreal, é uma atitude inútil, porque este tipo de avaliação errônea da realidade é um delírio.

O paciente ainda apresenta outras complicações como alucinações auditivas, onde ouve vozes que o ofendem ou comentam seus atos e que, em alguns casos, podem ser vozes que ordenam coisas que o paciente sente-se incapaz de desobedecer. Alguns paranoicos podem negar que estão ouvindo vozes, mas se o profissional observá-lo cuidadosamente, pode surpreendê-los falando sozinhos ou rindo sem motivo, como se estivessem ouvindo algo. O paciente pode se referir a uma perda do controle de seus atos e pode, também, interromper seu discurso ou começar a falar coisas sem sentido, sem conexão com o assunto anterior. Muitas vezes o paranoico pensa que os outros podem saber o que ele está pensando e tem a sensação de que seus pensamentos saem de sua cabeça como um alto-falante. Em alguns casos o paranoico pode se tornar agressivo.

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