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Deus | Conceito Metafísico e Cosmológico de Deus

Deus | Conceito Metafísico e Cosmológico de Deus

Ser supremo, causa primeira, existente por si,  absoluto, infinito, eterno, perfeito, onipotente, onisciente, o bem supremo (Summum bonum). Esses atributos de Deus poderiam ser admitidos por todas as religiões e aceitos - ainda que para negar a existência divina - pelos ateus.
O mistério de Deus. Deus é proposto pela razão e pelo sentimento como explicação do universo, da origem do homem, dos valores e da moral - verdade, bem, justiça, amor. Assim, se Deus existe, deve ser diferente de tudo e superior a tudo aquilo que se pretende explicar com sua existência, superior inclusive à razão humana, para a qual constitui um mistério. Apesar disso, é possível chegar, pela razão ou pela fé, à convicção da existência de Deus e mesmo a uma definição e a uma descrição dele. Qualidades que se atribuem a Deus, como infinitude e onisciência, no entanto, são apenas analogias com conceitos que a razão humana pode admitir: a essência de Deus é misteriosa para o homem. Até mesmo os que afirmam ter contemplado Deus consideraram a experiência indescritível em termos humanos.

Deus | Conceito Metafísico e Cosmológico de Deus

Se Deus fosse transparente e compreensível ao entendimento humano, seria apenas uma criatura a mais, algo pertencente ao mundo, e não a razão última de todas as coisas. A ideia genérica de Deus é, pois, um símbolo que indivíduos, grupos e culturas usam de várias formas e com significações distintas, para indicar e exprimir sua visão daquilo que se poderia denominar realidade última.

Tradição metafísica. Na civilização ocidental, a ideia de Deus está profundamente marcada pela influência que a cultura grega exerceu em sua formação. Desde seus primórdios, a filosofia grega dedicou-se a procurar resposta às perguntas: qual a explicação para a unidade do mundo sensível? O que explica a ordem do universo e o fato de que ele não se transforme em caos? Qual é a realidade permanente que está no fundo da transitoriedade de tudo o que ocorre no tempo? Tais perguntas revelam uma intuição fundamental da cultura grega: os processos de mutação por que passa o mundo material se dão sobre uma unidade básica, estável e atemporal.

A resposta que, de início, pareceu mais simples aos pensadores gregos afirmava que o sensível permanece contínuo e integrado por ser a expressão material e diversificada de uma única substância fundamental. Mais tarde, Parmênides e Heráclito afirmaram que a unidade do mundo não reside no próprio mundo, mas numa instância suprema que, sem ser material e sensível, consiste em ordem e unidade. O Ser, segundo Parmênides, e o logos, segundo Heráclito, não são substâncias, mas entidades de natureza puramente intelectual que só podem ser apreendidas pelo pensamento, mas não apreendidas pelos sentidos. Assim, o que se vê é explicado pelo que não se vê, o material é elucidado pela ideia e os processos temporais adquirem transparência pela mediação da mente. Em Platão e Aristóteles essa tendência teve as mais perfeitas formulações de que era capaz a mentalidade grega.

Essa maneira de entender Deus torna-se, assim, transparente: Deus é o símbolo para a ideia mais alta, o fundamento de tudo o que existe e o princípio lógico que permite entender o que existe. A visão de Deus confunde-se assim com a mais alta forma de intuição intelectual. É ele o primeiro princípio sobre o qual a existência e a explicação do mundo se assentam.

A questão da existência de Deus se torna então absolutamente fundamental, porque dela dependem não só a existência do cosmos (ordem) como também a possibilidade de seu conhecimento. Essa exigência científica constitui base para a formulação dos tradicionais argumentos da existência de Deus e de toda a teologia natural. São eles o argumento cosmológico, o teleológico e o ontológico.

Argumento cosmológico. Ao contemplar o universo, a mente humana formula as perguntas que qualquer outro fenômeno lhe sugere. De onde vem? Que força o produziu? Ora, o cosmo não contém em si mesmo a resposta para a pergunta sobre suas origens. A explicação do cosmo se encontra fora dele, numa causa primeira, não causada, Deus. A primeira elaboração filosófica desse argumento se encontra em Platão. Seu ponto de partida é o movimento, que embora possa ser classificado de várias formas, em última análise é redutível a dois tipos: movimento espontâneo e movimento comunicado.
O movimento espontâneo deve obrigatoriamente anteceder ao movimento comunicado, pois somente se ele já existir poderá ser depois comunicado. A matéria é inerte e só se move em decorrência de uma força exterior. No homem, somente a alma é fonte de movimento espontâneo. Essa é a razão por que, sem a alma, o corpo é morto. De forma análoga, todos os movimentos no universo que não decorrem da ação direta do homem têm de ser explicados por referência a uma fonte maior de movimento espontâneo: a alma do mundo. Considerando que todos os movimentos do cosmo são ordenados e racionais, conclui-se que a alma do mundo é racional e boa.

Argumento teleológico. A decifração de um dos mais fascinantes enigmas do universo é tentada pelo argumento teleológico da existência de Deus. Que os homens, capazes de ter e expressar desejos, sejam capazes de agir com uma intenção e consciência teleológicas, isto é, dirigidas para um objetivo, é explicável. Entretanto, como se poderá entender que os animais e mesmo vegetais, sem nenhuma ideia consciente de finalidade, sejam capazes de agir na direção de propósitos que eles mesmos desconhecem?

Do ponto de vista da experiência humana, o comportamento intencional só pode ser explicado por referência a uma mente e a uma vontade que o orientem. Portanto, só admitindo que o universo é governado por uma mente se poderá explicar a teleologia que se observa nos níveis inconscientes da realidade. Esse argumento se encontra em santo Tomás de Aquino e em reformulações posteriores, das quais as mais influentes são as de Alfred North Whitehead e Teilhard de Chardin.

Argumento ontológico. O pensamento idealista, que desde Platão tem sido uma das principais vertentes do pensamento ocidental, explica a existência de Deus com o argumento ontológico. Esse argumento se baseia no princípio segundo o qual aquilo que é necessário do ponto de vista lógico é também necessário do ponto de vista ontológico, ou seja, tudo o que é impossibilidade lógica é também impossível no real. O real é inteligível porque sua própria essência é racional.

O primeiro a elaborar o argumento ontológico de forma sistemática foi santo Anselmo, na obra Proslogium (Premissa). Mesmo o tolo, que em seu coração afirma não existir Deus, tem na mente uma ideia de Deus, pois em caso contrário não poderia negar essa ideia. Deus é o mais alto pensamento possível, "aquilo que de maior nada pode ser pensado". Tal ideia não pode existir no intelecto apenas, pois, se assim fosse, um conceito maior seria possível, ou seja, o de um ser existente que, além dos predicados pensados pela mente, tivesse um outro, o da existência. Logicamente, santo Anselmo conclui, o mais alto pensamento possível não pode existir na mente apenas e corresponde a um ser existente.

Tradição hebraica. A outra tradição que, ao lado da grega, entrou na formação da civilização ocidental foi a hebraica. Sua atitude em face do mundo era profundamente diferente da helênica. A mentalidade grega era dominada pela busca dos fundamentos do Ser. Sua preocupação última era encontrar o logos explicativo do real. A mentalidade hebraica, ao contrário, não se originou de uma atitude especulativa e intelectual. Os estudiosos em geral concordam em que foi o êxodo a experiência determinante das categorias de razão peculiares ao povo hebreu.

O êxodo foi uma crise decisiva que marcou a transição de uma situação de cativeiro para uma de liberdade: experiência ética e, em última análise, política. É isso o que explica o fato de estar o nome de Deus sempre ligado a esse evento, no universo linguístico da Bíblia. Falar sobre Deus é referir-se ao poder e à intenção que libertaram um bando de escravos, transformando-o num povo possuído pelo senso de identidade e de destino.

Assim, o Deus de Israel é o Deus do êxodo. Ele não é o princípio último de inteligibilidade do real, atemporal e imutável, que ao explicar a racionalidade do mundo tende sempre a justificá-lo. Ao contrário, ele é vontade que faz história por meio de crises que dissolvem o presente, abrindo-o para um futuro novo.   Esse evento e esse símbolo passaram a ser o modelo para a compreensão de tudo o que ocorre na história. São eles o ponto de partida para a lógica hebraica e a base de suas categorias de pensamento.

Tradição científico-tecnológica. O início da época moderna é marcado por uma mudança radical na atitude do homem em face do mundo. O ideal de conhecimento explicativo e contemplativo dá lugar à preocupação prática de dominar a natureza. Conhecer não é procurar a essência dos fenômenos, mas manipular a matéria. Conhecer é saber das condições necessárias para que certos eventos se deem. O critério de verificação da validade de uma teoria científica passou a ser sua capacidade para prever adequadamente o comportamento da matéria, porque só então ela funciona como instrumento para o controle da natureza. O verdadeiro se identifica com o prático.

Quais foram as consequências dessa mudança para o significado de Deus? Num mundo em que o conhecimento se define em termos pragmáticos, parece evidente que o objetivo de controle só é atingido na medida que o homem elimina todos os imponderáveis e, entre eles, Deus. Na verdade, Deus já não pode ser usado como hipótese explicativa, dentro da lógica física, astronômica, tecnológica ou mesmo biológica. Deus deixou de ter a função explicativa que possuía no universo intelectual grego. Gradualmente, Deus foi empurrado para fora dos limites do mundo conhecido. Ao avanço da explicação científica correspondia o recuo de Deus, que foi relegado aos setores ainda obscuros da realidade.

Ao lado disso, o empirismo é incompatível com as bases sobre as quais se assentavam os argumentos tradicionais da existência de Deus. Se, de acordo com o empirismo, todas as ideias têm origem nas sensações, o critério para a verificação de sua validade é sua correspondência a um objeto sensível definido. Assim sendo, todas as ideias que não correspondam a objetos da experiência sensível devem ser rejeitadas como ilusões. Como não há nenhum conteúdo sensível que corresponda a Deus, isto significa que Deus é nada mais que uma forma de consciência falsa. A necessidade lógica deixou de ter uma necessidade ontológica e passou a ser considerada como simples processo psicológico de associação de ideias, enquanto que a razão foi destituída de sua significação metafísica e passou a ser encarada como cópia passiva do sensível.

A mente, dessa forma, foi proibida de se aventurar além dos limites da experiência e com isso a linguagem acerca de Deus foi também proibida. Como diriam os positivistas lógicos, o conceito Deus não é verdadeiro nem falso, ele é "destituído de significação", por não se referir a nenhum conteúdo sensível da experiência. Aquilo que está para além da experiência não pode ter nenhuma significação dentro do círculo por ela limitado.

Em suma, a tradição científico-tecnológica criou, na expressão muito sugestiva do pensador alemão Heinrich Rickert, um "problema habitacional para Deus", pois o eliminou como objeto de conhecimento. Ela não tem condições para negar nem para afirmar a existência de Deus, ou, mais precisamente, é a eliminação de Deus como hipótese explicativa do mundo que permite a explicação científica deste.

Teologia como antropologia. O ideal de objetividade e a compreensão da mente como simples cópia do real vêm sendo abalados no período contemporâneo. Para a psicanálise, o vasto campo das representações simbólicas inconscientes não pode ser compreendido segundo a lógica empirista que confere verdade aos símbolos em função de sua correspondência a conteúdos sensíveis objetivos: os sonhos não podem ser interpretados segundo essa lógica, porque os símbolos, ao contrário dos signos que simplesmente apontam para certos objetos da experiência consciente, são maneiras pelas quais o homem representa para si mesmo as relações vividas de forma inconsciente com o mundo.

A partir de Kierkegaard, o existencialismo muito contribuiu para mostrar que a consciência, longe de ser algo semelhante a uma câmara fotográfica que copia "o que" lhe é dado, revela também o "como" de sua relação existencial com a realidade. Mesmo para a ciência, a maneira de ver objetivamente é condicionada pelas atitudes valorativas que se encontram no próprio início da vida consciente. O homem, assim, não pode ver o mundo de forma desinteressada; sua visão é determinada por sua vida mental, que gira em torno de uma matriz emocional.

Essa mudança de perspectiva tornou possível a recuperação do símbolo Deus como algo carregado de significação. Não mais como signo que aponta para um objeto que transcende a experiência, passou-se a ver nele um símbolo cujo conteúdo é a própria condição do homem. O estudo do significado de Deus em nada difere da interpretação dos sonhos. Como sugeriu Feuerbach em Das Wesen des Christentums (1841; A essência do cristianismo), Deus é o diário secreto em que o homem coloca suas mais altas ideias sobre si mesmo. O segredo da teologia é a antropologia, porque teologia é uma forma simbólica, projetada, pela qual o homem fala sobre si mesmo.

Friedrich Schleiermacher já havia chegado a uma conclusão semelhante em Der christliche Glaube (1821-1822; A fé cristã), ao afirmar que o símbolo Deus não se refere a um objeto, mas antes a uma forma de sentimento: "Estar em relação com Deus é o mesmo que a consciência de absoluta dependência." O mesmo critério antropológico é ainda encontrado em Paul Tillich, quando identifica Deus com a preocupação última do homem, e em Rudolph Bultmann, quando afirma que cada afirmação sobre Deus é, ao mesmo tempo, uma afirmação a respeito do homem e vice-versa.

Esse critério, no entanto, implica total subjetivismo. Como Rudolf Otto observa em sua fenomenologia do divino, em Das Heilige (1917; O sacro), a consciência tem sempre um ponto objetivo de referência. A consciência não existe em si, mas é sempre uma forma de relação: "consciência de". A consciência de Deus, portanto, se é essencialmente um fato antropológico, não pode confundir-se com uma produção ou ilusão da consciência. Deus é o nome de uma relação realmente vivida.

Morte de Deus. A proclamação nietzschiana da morte de Deus deve ser entendida dentro do quadro acima descrito. Ela nada tem a ver com o empirismo e o positivismo, próprios da mentalidade científico-tecnológica. Que significa dizer que Deus está morto? Nietzsche percebeu que, para a civilização ocidental, Deus era um nome que simbolizava valores que não mais representavam as relações vividas entre o homem e seu mundo. Deus era uma forma taquigráfica de referir a negação da história, da liberdade, do futuro e da própria vida. Sua proclamação da morte de Deus tem por objetivo indicar a decadência cultural de uma civilização que adotou valores contrários à vida e os batizou com o nome de Deus. A morte de Deus é sua forma de se referir à agonia da civilização ocidental. Em Nietzsche essa proclamação ganha caráter ético, pois, a menos que Deus morra, o homem não terá condições para reconstruir a civilização sobre novas bases.

A chamada teologia da morte de Deus, em voga na década 1950-1960, não tem a profundidade da proclamação de Nietzsche; reflete, em larga medida, as influências do positivismo lógico, do empirismo, da ideologia da secularização e do cientificismo.

Ressurgimento da metafísica. A mais recente doutrina surgida no Ocidente sobre Deus inspira-se em concepções muito antigas de origem hindu. O avanço do estudo das religiões comparadas e do simbolismo religioso e esotérico de todas as civilizações permitiu o surgimento de uma nova escola metafísica e teológica, que alguns chamam tradicionalista (designação que não agrada a seus próprios membros). Os representantes mais destacados dessa corrente são René Guénon, Ananda K. Coomaraswamy, Frithjof Schuon, Titus Burckhardt, Seyyed Hossein Nasr, Martin Lings e Leo Schaya.
A variedade de suas origens nacionais e religiosas é significativa: eles procuram expor a unidade da doutrina metafísica que se oculta por trás da multiplicidade de símbolos das várias religiões e tradições espirituais, do hinduísmo ao Islã, do taoismo à religião dos índios sioux, e identificam a ideia de Deus com a Possibilidade Universal, que, como fundamento do conceito de probabilidade, é indispensável mesmo a uma explicação científica da realidade. Com base nisso, rejeitam categoricamente tanto as limitações criadas pelo empirismo quanto a teologia "sentimental" e antropológica, condenando-as, e também à psicanálise e ao nietzscheísmo, como meras expressões da crise psicológica de uma civilização que perdeu o senso da unidade do real.

Os Dez Mandamentos

Os Dez Mandamentos


Os Dez Mandamentos são o documento revelado por Deus a Moisés no monte Sinai, conforme a tradição judaico-cristã. Pela aliança que se estabeleceu então entre Deus e os judeus, estes se comprometeram a observar os mandamentos e, como recompensa, seriam conduzidos à terra prometida. Os dez mandamentos - cujo texto se encontra, com variações mínimas, nos livros bíblicos do Êxodo e Deuteronômio - estavam inscritos em duas tábuas: deveres para com Deus e deveres para com o próximo, que guardam, no entanto, um equilíbrio entre o religioso e o social na conduta humana. Deus assume como ofensa a ele dirigida a injustiça cometida contra o próximo.

Os Dez MandamentosExemplo de equilíbrio e concisão, o decálogo que constitui a essência do pacto entre Iavé e o povo de Israel representa a perfeita síntese não só das religiões judaica e cristã, mas também da moral natural que rege as atividades humanas.

Moisés, ao formular os dez mandamentos, foi sem dúvida influenciado por uma sabedoria humana já existente nas religiões do Oriente Médio antigo, principalmente no Egito de seu tempo. O Livro dos mortos, por exemplo, que orientava os egípcios em sua viagem para o além, interrogava o defunto sobre deveres semelhantes aos que aparecem no decálogo. Ao conduzir Israel à liberdade, Moisés teve uma experiência religiosa singular, em consonância com a fé dos patriarcas. Como Abraão, sentiu a exigência religiosa e moral como um convite íntimo de Deus para a felicidade pessoal e coletiva, pelos caminhos da vontade divina. Para os profetas, esse convite dirigido a um povo é virtualmente universal (Is 2:1-5) e será sentido em cada coração humano (Jr 31:31-34).

O livro do Êxodo indica, em várias ocasiões, o número dez para os mandamentos do Sinai. Judeus, católicos, ortodoxos e protestantes conservam esse número e aceitam o conteúdo do texto bíblico, mas resumem-no e enumeram-no de forma diferente. Para os judeus, o prólogo "Eu sou Iavé, teu Deus..." constitui o primeiro mandamento; o segundo encerra a proibição de adorar outros deuses e de idolatria. Católicos e luteranos aceitam os dois anteriores como um só e dividem como nono e décimo a cobiça da mulher e dos bens alheios. Os ortodoxos e protestantes de tradição calvinista aproximam-se da versão judaica: o prólogo e a proibição de adorar a outros deuses é um mandamento e a condenação da idolatria outro.

Embora censurasse o legalismo autossuficiente dos fariseus, Jesus assumiu a lei antiga: "Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los mas dar-lhes pleno cumprimento." (Mt 5:17). A plenitude da Lei e dos Profetas é o amor de Deus e do próximo (Mt 22:35-40), que é o dom de Deus por excelência (Rm 5:5). Nas igrejas cristãs, o decálogo, núcleo da lei antiga, tem sido usado como instrumento pedagógico na formação da consciência religiosa e moral. Santo Agostinho introduziu o decálogo nos ensinamentos para o batismo. No século XIV, o decálogo foi compilado nos manuais para a confissão. Protestantes e católicos incluem-no nos catecismos para a juventude; e os anglicanos, no serviço da comunhão.

Ateísmo | Conceito Filosófico e Religioso

 Ateísmo | Conceito Filosófico e Religioso

Ateísmo na filosofia ocidental
A definição de ateísmo como toda postura teórica ou de vida que negue a existência de Deus parece ter significado preciso. O certo, porém, é que a própria diversidade das concepções humanas sobre Deus envolve sua negação em um manto de inevitável ambiguidade.

Ao longo da história, o qualificativo "ateu" foi com frequência empregado de modo pejorativo contra pessoas ou comunidades que em nada correspondiam ao conceito moderno de ateísmo. Assim, Sócrates, cujas concepções influenciaram decisivamente o desenvolvimento da espiritualidade ocidental, foi acusado de ateu por não acreditar nas divindades atenienses. Sob outra perspectiva, o fato de uma pessoa que não admite a existência de um Deus único, livre e pessoal afirmar sua crença em alguma outra realidade transcendente, Deus ou Ser Supremo, muito possivelmente não abalará, no crente de uma fé monoteísta, a convicção de que essa pessoa é ateia. Portanto, a compreensão do ateísmo exige uma análise do significado histórico do termo, de suas relações com outras posturas - filosóficas ou religiosas - com as quais se identificou ou a que se opôs e, em indissolúvel ligação com isso, das diferentes formas de ateísmo.

Ateísmo na filosofia ocidental

Antiguidade. A dificuldade de se aplicar o conceito atual de ateísmo a pensadores de outras épocas se patenteia já no caso do primeiro filósofo grego conhecido, Tales de Mileto, que identificava o princípio vital com a água; a depender de onde se põe a ênfase - se na noção de princípio ou na da água como entidade física -, tal afirmação pode ser entendida como transcendente ou como meramente materialista. Entre os sofistas, Crítias denunciou as religiões como invenções dos políticos para controlarem o povo e, no século III a.C., Evêmero esboçou uma interpretação racionalista da religião, considerando os deuses como antigos heróis divinizados.

Platão achava que a pior forma de ateísmo é a das pessoas más, que esperam poder propiciar a divindade mediante doações e oferendas que lhes justifiquem os descaminhos. Entre os ateus materialistas da antiguidade, foram particularmente radicais os gregos Demócrito e Epicuro, assim como o romano Lucrécio. De Epicuro é o célebre argumento: se Deus quer suprimir o mal e não pode, é impotente; se pode mas não quer, é invejoso; se não quer nem pode, é invejoso e impotente; se quer e pode, por que não o faz? Para os estoicos, Deus, Razão, Destino e Natureza constituem uma mesma coisa; mas seu panteísmo fundamenta uma calorosa e profunda religiosidade.

Renascimento e racionalismo

Na Idade Média esboçaram-se indícios de algumas posições ateias, mas a organização política e social impediu que ganhassem formulação explícita. Foram as novas concepções do Renascimento, com seus interesses antropocêntricos, sua volta à avaliação de todas as coisas segundo a medida do homem, seu paganismo cultural, sua descoberta da natureza e do método científico, que diluíram a concepção teológica medieval e orientaram numerosos pensadores para o materialismo, o panteísmo ou o deísmo -- e da relação das duas últimas doutrinas com o ateísmo trataremos adiante.

Assim, entre os séculos XV e XVI, o italiano Pietro Pomponazzi negou a imortalidade da alma e, veladamente, a existência de Deus. Seu compatriota Maquiavel separou a política da religião e considerou esta última um instrumento do poder: Roma deve mais a Numa Pompílio, que lhe deu os primeiros regulamentos religiosos, do que a seu próprio fundador, Rômulo. Outro italiano, Giordano Bruno, foi queimado na fogueira em 1600, acusado de ateu por suas teses panteístas, nas quais identificava Deus com a unicidade infinita. No século seguinte, o judeu holandês Baruch de Spinoza foi acusado de ateísmo por assemelhar Deus à substância.

Iluminismo

O movimento cultural do século XVIII conhecido como Iluminismo apresentava-se como continuação do Renascimento em seu racionalismo e antropocentrismo, embora a medida humana já não fosse a do sábio ou a do artista, mas a de todo cidadão, a quem se dirigia a Enciclopédia. Os ingleses adotaram o deísmo -- o Deus da razão meramente humana; David Hume, como empirista, rejeitou toda metafísica e, portanto, as provas racionais da existência de Deus, mas declarou aceitar, como homem, a irracionalidade da fé, gerada pelo medo do desconhecido. Os franceses seguiram duas correntes distintas: a mais radical, a do materialismo ateu, era representada por Denis Diderot, entre outros, e a corrente deísta foi significativamente exposta por Voltaire, para quem Deus era o "Geômetra Eterno". Na Alemanha, Kant negou a possibilidade da prova metafísica da existência de Deus. A religião de Hegel era pura intelectualidade, tendo sido interpretada como teísta, como panteísta e como ateia.

Ateísmo moderno

A partir de meados do século XIX, o ateísmo se tornou mais explícito e militante. O alemão Ludwig Feuerbach subverteu a dialética hegeliana, concedendo primazia à sensação frente à razão. Paralelamente, inverteu a relação Deus-homem. Não foi Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança; foi o homem que projetou suas melhores qualidades sobre a tela do conceito de Deus.

Em suas teses sobre Feuerbach, Marx criticou o fato de que a filosofia se tivesse limitado a interpretar o mundo, em vez de tratar de modificá-lo. O estudo da história levou Marx à conclusão de que as estruturas sociais vão sendo construídas como muros protetores para evitar a mudança das relações de produção: a religião é o ópio, o consolo adormecedor do povo.

Nietzsche, sob uma postura mais existencialista, não proclamou a inexistência de Deus, mas sua morte nas mãos dos homens, o que provocaria uma mudança de valores que prepararia a chegada do super-homem.

Já no século XX, o ateísmo seria expressado das mais diversas formas. Para Freud, a religião é uma projeção simbólica do inconsciente, na qual Deus ocupa a imagem paterna. Para o positivismo lógico do círculo de Viena, as proposições "Deus existe" ou "Deus não existe" carecem de sentido e sobre elas não é possível emitir juízo algum. Para Jean-Paul Sartre, o ateísmo é um pressuposto existencial, necessário para preservar a liberdade humana.

Conceito filosófico e religioso

Tipos de ateísmo. Muito concisamente, pode-se dizer que o ateísmo é constituído por todas as doutrinas ou atitudes que negam a existência de Deus. Quando se trata apenas de atitudes, temos um ateísmo prático. Quando se prescinde totalmente de Deus para elaborar uma teoria sobre o homem e o universo, temos um ateísmo teórico negativo. Quando se nega explicitamente sua existência, como fazem os materialistas, trata-se de um ateísmo teórico positivo. Esta última concepção, que nega não só a existência de Deus, mas a de qualquer realidade que não seja a meramente física, é aquela que em geral se associa ao conceito de ateísmo, e portanto constitui a melhor referência para assinalar as diferenças entre essa e outras doutrinas filosóficas.

Ateísmo e outras posturas filosóficas e religiosas

Em primeiro lugar, é preciso distinguir o ateísmo de outras duas doutrinas que frequentemente se confundem com ele: o agnosticismo e o ceticismo. Alguns pensadores não negam nem afirmam a existência de Deus, mas consideram que não é possível chegar a nenhuma conclusão sobre o tema. Esses pensadores são denominados agnósticos, e entre eles se podem incluir os positivistas, que só afirmam aquilo que é objeto da experiência. Outros -- os céticos -- negam a possibilidade de se conhecer qualquer verdade e, por conseguinte, a possibilidade de se conhecer a existência de Deus. Desta forma, o ateu se diferencia do agnóstico no sentido de que não admite sequer a mera possibilidade da existência de Deus, e do cético pelo fato de admitir a possibilidade de conhecimento, embora negue Deus.

Por outro lado, as doutrinas que afirmam a existência de Deus originaram três posturas básicas: o teísmo, característico das religiões monoteístas, afirma a existência de um Deus único, pessoal e transcendente; o panteísmo identifica Deus com o universo; o deísmo crê em um Deus que criou o mundo e lhe deu leis, mas que não intervém nos acontecimentos posteriores à criação, e do qual não é possível conhecer coisa alguma. Panteístas e deístas, contudo, foram frequentemente acusados de ateísmo pelos teístas.

Ateísmo e panteísmo, é certo, compartilham a ideia da inexistência de um Deus transcendente. Mas o panteísmo, em sua variante mais comum, não tende a definir a natureza do universo, nem considera que sua natureza última tenha que ser necessariamente material, e até frequentemente lhe atribui um caráter espiritual. Nesse sentido, portanto, o ateísmo e o panteísmo diferem; mas não é menos certo que, do ponto de vista teísta, a assimilação dos dois se justifica, uma vez que ambos rejeitam a noção de um Deus pessoal criador do mundo. Parece muito menos lógico que possam ser considerados ateus os deístas, que admitem explicitamente a existência de um Deus supremo conhecido pela razão, embora prescindam de qualquer elemento sobrenatural e neguem sua comunicação com os homens.

Possibilidade de um ateísmo religioso

Logo depois da segunda guerra mundial surgiu entre os protestantes um movimento religioso denominado "teólogos da morte de Deus" - ou ainda cristãos ateus - que pretendeu depurar a ideia de Deus daquilo que consideravam aderências culturais espúrias, dos temores que turvavam a busca do verdadeiro Deus. Para esses pensadores, como o suíço Karl Barth, o teísmo corre o risco de crer que apreendeu o infinito, que expressou o inefável; isto é, por pouco deixa de converter Deus em um ídolo. Ao precisar com inflexibilidade lógica sua linguagem sobre Deus, destrói seu mistério, coisifica Deus. O ateísmo, ao contrário, quando rejeita como incompreensível o conceito de infinito, devolve-lhe sua carga de mistério. Dessa forma, seria preciso destruir o Deus metafísico para facilitar a busca do Deus vivo: as atitudes de autêntico amor -- descobertas por alguns deles nos campos de concentração -- são um veículo de comunicação melhor do que os conceitos.

O conceito de ateísmo, em suma, só adquire significado cabal na medida em que é confrontado com uma determinada doutrina e um conceito específico de divindade. Finalmente, ante a impossibilidade de se precisar um conceito da divindade comum a todas as religiões, as posturas não relacionadas estritamente com a existência ou inexistência de uma realidade superior - por exemplo, a descrença na imortalidade pessoal - costumam levar à qualificação de uma pessoa como ateia.

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10 Seitas mais Estranhas do Mundo

10 Seitas mais Estranhas do Mundo

Os sociólogos frequentemente discordam sobre a definição de “seita”. Parte do consenso parece residir no fato de que estes são grupos religiosos com pouco reconhecimento da sociedade. Outros afirmam que uma seita está ligada a um grupo ideológico com um líder carismático e/ou autoritário que priva seus seguidores de boa parte de seu livre-arbítrio exercendo uma grande influência sobre eles. Qualquer que seja a melhor definição aqui nós apresentamos algumas das seitas mais malucas de todos os tempos.

PEOPLES TEMPLE / JONESTOWN
1.PEOPLES TEMPLE / JONESTOWN
O reverendo Jim Jones começou a Peoples Temple (talvez mais conhecida como Jonestown) para ajudar os sem-teto, deempregados e doentes de todas as raças, mas ex-membros afirmaram que abusos eram comuns dentro do grupo. Para remover este grupo do olhar examinador da sociedade, Jim começou uma colônia nas selvas da Guyana, onde esperava construir uma utipia tropical. Quando um congressista visitou a comunidade juntamente com três jornalistas para investigar alegações de abuso eles foram mortos quando tentavam deixar o local. Depois deste tiroteio 913 membros da comunidade beberam cianureto com suco, em um suicídio em massa. Há registros de audio e vídeo do evento e muitas pessoas foram forçadas a beber o veneno, incluindo centenas de crianças.

AUM SHINRIKYO
2.AUM SHINRIKYO
Fundada em algum ponto da década de 1980, Aum Shinrikyo é famosa pelos ataques ao metrô de Tóquio com o gás sarin em 1995, matando 12 e ferindo mais de 5 mil pessoas. As crenças da seita são frequentemente descritas como uma mistura de aspectos destrutivos de várias religiões. Vários seguidores acreditavam que iriam desenvolver super-poderes e outros saboreavam a chande de lutar contra o materialismo japonês.

HEAVEN’S GATE
3.HEAVEN’S GATE
Os seguidores da seita Heaven’s Gate, liderados por Marshall Applewhite, pensavam que a Terra e tudo que há nela seria “reciclado” e acreditavam que poderiam pegar uma carona no cometa Hale-Bopp, em março de 1997, o que os permitiria sobreviver. Os 39 membros, incluindo Marshall, envenenaram a si mesmos em turnos em uma mansão na Califórnia, vestindo tênis da Nule e tarjas ao redor do braço que diziam “Equipe de Desembarque Heaven’s Gate”.

FAMÍLIA MANSON
4.FAMÍLIA MANSON
Charles Manson, que aprendeu a tocar guitarra na prisão, formou a sua “família” de criminosos em 1968. Charles pensavam que uma guerra de raças entre brancos e negros iria eclodir em 1969. Quando isso não ocorreu ele enviou seus seguidores em uma série de assassinatos para “mostrar aos negros como se fazia”, mas as vítimas eram as pessoas que não o haviam ajudado em sua carreira musical.

DAVIDIANOS
5.DAVIDIANOS
Considerada um das maiores dissientes da igreja Adventista do Sétimo Dia, os Davidianos são famosos pela revolta de 1993 no seu complexo Waco, no Texas, EUA, que acabou com a vida de 76 pessoas. O evento resultou mais ou menos no desaparecimento do que muitos consideravam uma seita, que acreditava no apocalipse iminente.

COMUNIDADES DE BHAGWAN SHREE RAJNEESH
6.COMUNIDADES DE BHAGWAN SHREE RAJNEESH
O místico indiano Bhagwan Shree Rajneesh fundou diversas cidades ocultistas no Oregon, EUA, durate os anos 1980, estranhamente cheias de carros da marca Rolls Royce. Bhagwan supostamente envenenou centenas de pessoas em Dalles, Oregon, com a bactérias Salmonella, em 1984, para colocar as eleições locais em favor da seita.

ORDEM DO TEMPLO SOLAR
7.ORDEM DO TEMPLO SOLAR
O grupo foi criado em 1984 por Luc Jouret, um belga e neo-nazista. O grupo seria cristão e também conhecido como a segunda vinda de Cristo e os Cavaleiros Templários. Alega-se que uma criança foi sacrificada por pensarem ser o anticristo em 1994, dias depois ele e dúzias de seguidores cometeram suicídio. Os franceses hoje consideram a organização criminosa.

O CORPO DE CRISTO
8.O CORPO DE CRISTO
Esta seita é um pequeno grupo autoritário que se baseia em “revelação direta” e não na bíblia. Esta pequena seita apareceu nas manchetes por haver levado duas crianças à morte por inanição. Samuel Robidoux, um bebê de dez meses morreu de subnutrição. Ele não foi alimentado porque sua mãe estava esperando por um sinal de Deus para fazê-lo. O filho de Rebecca Corneau, Jeremiah, morreu logo após nascer por falta de cuidados médicos básicos. Um dos antigos membros deixou o grupo depois de dez anos e deu para a polícia um diário que descrevia o que ocorreu com as crianças.

RAELIANOS
9.RAELIANOS
Se você acredita que naves espaciais semearam a maioria das religiões, que transferência mental é possível e clonagem pode levar à reencarnação, então você pode ser um candidato para a igreja Raeliana que começou na França na década de 1970. Uma seguidora da seita apareceu nas manchetes em 2003 por haver afirmado que havia concebido o primeiro clone humano, mas em seguida o evento foi avaliado como um trote.

HO NO HANA
10.HO NO HANA
Ho No Hana Sanpogyo é uma seita japonesa chamada também de “seita da leitura do pé”. É chamada assim porque seu fundador, Hogen Fukunaga, afirma conseguir diagnosticar doenças ao examinar os pés das pessoas. Ele fundou o grupo em 1987 e afirmava ser a reencarnação de Jesus Cristo e Buda. O grupo já afirmou possuir 30 mil membros. Hogen cobrava US$ 900 pelas leituras de pé. Ele foi acusado de fraudar donas de casa e teve que pagar mais de um milhão de dólares em danos. Hoje o nome da seita mudou para “Yorokobi Kazoku no Wa”.

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Bahai | Adeptos da Fé Bahai

Bahai | Adeptos da Fé Bahai

Bahai | Adeptos da Fé Bahai

Casa de Adoração Bahá'í | Nova Delhi, Índia

Os adeptos da fé Bahai, credo de intenção ecumênica, acreditam na fraternidade universal e dedicam-se a abolir os preconceitos de raça, classe e religião.

O movimento Bahai foi fundado em meados do século XIX por Mirza Husayn Ali Nuri, conhecido como Baha Allah (Glória de Deus). Seguidor do Bab, ou Mirza Ali Mohamed de Shiraz, que em 1844 afirmou ser o Bab (Porta) para o imam (encarnação perfeita da fé islâmica), Baha Allah reivindicou a liderança de sua comunidade em 1867 (ou 1863) ao proclamar-se publicamente "aquele através de quem Deus Se manifestaria", o espírito divino profetizado por Bab. Os Bahais consideram Baha Allah a mais recente de uma série de manifestações divinas que incluem Jesus, Maomé, Zoroastro e o Buda.

A fé Bahai baseia-se na convicção de que o Bab e Baha Allah são manifestações de Deus. A terceira figura de importância na fé é Abdul-Baha (Servo da Glória), primogênito de Baha Allah. As palavras, orais e escritas, dessas três figuras formam a literatura sagrada da fé Bahai. O legado de Baha Allah, de mais de uma centena de obras, inclui Kitab i-Aqdas (O mais sagrado dos livros), Ketab-e Iqan (O livro da certeza), As palavras ocultas, Os sete vales e a Epístola ao filho do lobo.

A participação na comunidade Bahai está aberta a todos os que creiam em Baha Allah e lhe aceitem os ensinamentos. Não há cerimônias iniciáticas, sacramentos ou clero. Todo fiel, porém, tem a obrigação de rezar diariamente, jejuar 19 dias por ano, ficando sem comer ou beber do amanhecer até o pôr-do-sol, abster-se completamente de narcóticos, álcool ou qualquer substância que afete a mente, praticar a monogamia, obter o consentimento dos pais para casar-se e participar da festa dos Dezenove Dias no primeiro dia de cada mês do calendário Bahai. Os  crentes procuram criar juntos aos templos instituições assistenciais como um asilo de velhos, um orfanato e um hospital. Não há pregação nos templos, apenas a recitação das escrituras de todas as religiões.

A comunidade Bahai governa-se de acordo com os princípios gerais proclamados por Baha Allah e por meio de instituições criadas por ele e aperfeiçoadas por Abdul-Baha. As assembléias espirituais locais escolhem anualmente delegados que elegem uma assembléia nacional. As assembléias nacionais realizam periodicamente uma convenção internacional que elege o órgão governativo máximo, a Casa Universal de Justiça. Esta tem por incumbência aplicar as leis promulgadas por Baha Allah e legislar sobre assuntos não previstos nos textos sagrados. Sua sede localiza-se em Haifa, Israel, nas cercanias dos túmulos do Bab e Abdul-Baha e do túmulo de Baha Allah, em Bahji, perto de Acre. Os principais templos Bahai encontram-se na Rússia (Isqabad) e nos Estados Unidos (Wilmette, Illinois).

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Barnabitas

Barnabitas 

#Barnabitas

Apesar de relativamente poucos, os barnabitas já deram à Igreja Católica numerosos bispos e cardeais, como também sábios e santos. Dedicam-se especialmente à catequese e a obras de assistência social em hospitais e prisões.

Por barnabitas são conhecidos os membros da Ordem dos Clérigos Regulares de São Paulo, fundada em 1530 por santo Antônio Maria Zacarias. O nome popular advém do fato de seus padres oficiarem na igreja de São Barnabé, em Milão; o nome oficial, da devoção do fundador por São Paulo.

Em 1579, mediante um breve do papa Gregório XIII, foram aprovadas as constituições definitivas da ordem. Apoiando-se nas decisões do Concílio de Trento (1545-1563), os barnabitas dedicaram-se à reforma do clero e dos fiéis em geral, e a partir de 1605 orientaram seus esforços também para a educação de jovens.

Foi ainda no século XVII que a ordem começou a se espalhar por outros países. Os primeiros barnabitas desembarcaram no Brasil em 1903. Entre seus estabelecimentos destacam-se a basílica de Nossa Senhora de Nazaré, no Pará, célebre por seu "círio" ou procissão de velas, e o Colégio Santo Antônio Maria Zacarias, no Rio de Janeiro.

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Maniqueismo

Maniqueismo

#Maniqueísmo

Denomina-se maniqueismo a doutrina religiosa pregada por Maniqueu - também chamado Mani ou Manes - na Pérsia, no século III da era cristã. Sua principal característica é a concepção dualista do mundo como fusão de espírito e matéria, que representam respectivamente o bem e o mal.

Considerado durante muito tempo uma heresia cristã, possivelmente por sua influência sobre algumas delas, o maniqueismo foi uma religião que, pela coerência da doutrina e a rigidez das instituições, manteve firme unidade e identidade ao longo de sua história.

Maniqueu e sua doutrinaManiqueu nasceu em 14 de abril do ano 216, no sul da Babilônia, região atualmente situada no Iraque, e na juventude sentiu-se chamado por um anjo para pregar uma nova religião. Pregou na Índia e em todo o império persa, sob a proteção do soberano sassânida Sapor (Shapur) I. Durante o reinado de Bahram I, porém, foi perseguido pelos sacerdotes do zoroastrismo e morreu em cativeiro entre os anos 274 e 277, na cidade de Gundeshapur.

Maniqueu se acreditava o último de uma longa sucessão de profetas, que começara com Adão e incluía Buda, Zoroastro e Jesus, e portador de uma mensagem universal destinada a substituir todas as religiões. Para garantir a unidade de sua doutrina, registrou-a por escrito e deu-lhe forma canônica. Pretendia fundar uma religião ecumênica e universal, que integrasse as verdades parciais de todas as revelações anteriores, especialmente as do zoroastrismo, budismo e cristianismo.

O maniqueismo é fundamentalmente um tipo de gnosticismo, filosofia dualista segundo a qual a salvação depende do conhecimento (gnose) da verdade espiritual. Como todas as formas de gnosticismo, ensina que a vida terrena é dolorosa e radicalmente perversa. A iluminação interior, ou gnose, revela que a alma, a qual participa da natureza de Deus, desceu ao mundo maligno da matéria e deve ser salva pelo espírito e pela inteligência.

O conhecimento salvador da verdadeira natureza e do destino da humanidade, de Deus e do universo é expresso no maniqueismo por uma mitologia segundo a qual a alma, enredada pela matéria maligna, se liberta pelo espírito. O mito se desdobra em três estágios: o passado, quando estavam radicalmente separadas as duas substâncias, que são espírito e matéria, bem e mal, luz e trevas; um período intermediário (que corresponde ao presente) no qual as duas substâncias se misturam; e um período futuro no qual a dualidade original se restabeleceria. Na morte, a alma do homem que houvesse superado a matéria iria para o paraíso, e a do que continuasse ligado à matéria pelos pecados da carne seria condenada a renascer em novos corpos.

Maniqueismo como religiãoA ética maniqueista justifica a gradação hierárquica da comunidade religiosa, uma vez que varia o grau de compreensão da verdade entre os homens, fato inerente à fase de interpenetração entre luz e trevas. Distinguiam-se os eleitos, ou perfeitos, que levavam vida ascética em conformidade com os mais estritos princípios da doutrina. Os demais fiéis, chamados ouvintes, contribuíam com trabalho e doações. Por rejeitar tudo o que era material, o maniqueismo não admitia nenhum tipo de rito nem símbolos materiais externos. Os elementos essenciais do culto eram o conhecimento, o jejum, a oração, a confissão, os hinos espirituais e a esmola.

Por sua própria concepção da luta entre o bem e o mal e sua vocação universalista, o maniqueismo dedicou-se a intensa atividade missionária. Como religião organizada, expandiu-se rapidamente pelo Império Romano. Do Egito, disseminou-se pelo norte da África, onde atraiu um jovem pagão que mais tarde, convertido ao cristianismo, seria doutor da igreja cristã e inimigo ferrenho da doutrina maniqueista: santo Agostinho. No início do século IV, já havia chegado a Roma.

Enquanto Maniqueu foi vivo, o maniqueismo se expandiu para as províncias ocidentais do império persa. Na Pérsia, apesar da intensa perseguição, a comunidade maniqueista se manteve coesa até a repressão dos muçulmanos, no século X, que levou à transferência da sede do culto para Samarcanda. Missionários maniqueistas chegaram no fim do século VII à China, onde foram reconhecidos oficialmente até o século IX. Depois foram perseguidos, mas persistiram comunidades de adeptos no país até o século XIV. No Turquestão oriental, o maniqueismo foi reconhecido como religião oficial durante o reino Uighur - séculos VIII e IX - e perdurou até a invasão dos mongóis, no século XIII.

Posteridade do maniqueismo Embora não haja dados que permitam estabelecer uma vinculação histórica direta, o pensamento maniqueista inspirou na Europa medieval diversas seitas ou heresias dualistas surgidas no seio do cristianismo. Entre elas, cabe citar a dos bogomilos, na Bulgária (século X) e, sobretudo, a dos cátaros ou albigenses, que se propagou no sul da França no século XII. Este último movimento foi uma das mais poderosas heresias da Europa, sufocada de modo sangrento no início do século seguinte.