Instrumentos Musicais


Instrumentos Musicais

Instrumentos Musicais
São os instrumentos que produzem sons por meio da vibração do ar em uma coluna com orifícios. Popularmente chamados de instrumentos de sopro.


Instrumentos Musicais Flauta
nome dado a vários tipos de instrumento feitos de um tubo dotado de orifícios, soprado perpendicular ou transversalmente.No Brasil, as flautas são conhecidas também como pifes, pífaros ou pífanos. Podem ser feitas de bambu, madeira ou até de canosde PVC ou ferro. São bastante comuns na música brasileira, principalmente na Região Nordeste.
Instrumentos Musicais Sanfona
instrumento de fole com pregas que movimentam o ar quando comprimidas ou distendidas, produzindo som. Também conhecida como acordeão ou gaita no sul do país, ela pode possuir teclados e botões. Aparece em várias tradições musicais, como os bailes gaúchos, as congadas, os reisados nordestinos e as festas juninas.

www.megatimes.com.br
www.klimanaturali.org

lumepa.blogspot.com

Anedota

Anedota
Narrativa geralmente curta, de tom humorístico, cujo objetivo é o divertimento. A pessoa disposta a contá-la deve ter habilidade para apresentar os fatos de forma a criar um suspense que, depois, deve ser quebrado com uma informação imprevisível ou irônica, que leve o ouvinte ao riso. São comuns as anedotas que nascem de realidades socioculturais, como a do "doutor" e do "caipira":

Um advogado parou seu carrão numa estrada de terra do interior e gritou para um caipira: – Ei, abra aquela porteira! O bom caipira se admirou: – Mai quem é mecê pra me mandá desse jeito?! – Ora, eu sou doutor, da Capital. Estudei na universidade, sei tudo. – Ara, pois intão deve de sabê abri a portera tamém, uai.


Conto

Conto
Narrativa oral que trata das relações entre homens, animais e seres fantásticos. De origem distante e incerta, os contos, principalmente os de fada, estão difundidos no mundo inteiro. No Brasil, os contos populares são, em sua maior parte, de origem portuguesa, mas há também aqueles nascidos nas culturas indígenas e africanas. Embora os personagens variem, muitos temas são comuns a diversas partes do mundo, ou seja, possuem caráter universal. Entre eles estão histórias sobre o abandono de crianças e a ganância, como em João e Maria e A Gata Borralheira, respectivamente. Há também contos cujos personagens são animais; os mais famosos narram as disputas entre a onça e o macaco e as corridas do coelho e do jabuti. Eles simbolizam o poder da inteligência e da persistência sobre a força física.


Modernismo


Modernismo

ModernismoO termo modernismo, na história das artes, foi usado para designar dois movimentos: um na América espanhola e na Espanha, no fim do século XIX, predominantemente literário, e o outro no Brasil das décadas de 1920 e 1930, que abriu um prolongado processo renovador de literatura e das artes plásticas. Em Portugal, nas décadas de 1910 e 1920, os grupos de renovação estética só empregaram a palavra casualmente, junto a outras como futurismo.

MODERNISMO HISPÂNICO
Modernismo, na literatura de língua espanhola, é um movimento originário de países hispano-americanos e que se firmou por volta de 1880, principalmente sob influência do parnasianismo e simbolismo franceses. A renovação das técnicas literárias caracterizou-se sobretudo pelo refinamento verbal e pela inovação de metros, ritmos e imagens. Impôs-se, também, uma espécie de nova sensibilidade, marcada pelo amor do raro, do requintado e exótico. Os primeiros poetas a destoarem da retórica romântica, prejudicada pelo sentimentalismo e, em alguns, pelo caráter melodramático -- e que podem ser considerados precursores da corrente modernista -- foram os cubanos José Martí e Julián del Casal, os mexicanos Díaz Mirón, Manuel Gutiérrez Nájera e Manuel Othón, e o colombiano Asunción Silva. É com o nicaragüense Rubén Darío, contudo, que o movimento se delineia de maneira mais nítida: ampla liberdade de invenção nos temas, imagens e metros, gosto pelo raro e exótico, atitude aristocrática, valorização da musicalidade, vocabulário suntuoso e preciosismo. O livro Azul (1888), de Darío, é obra definitiva, de sentido inovador e revolucionário.

A partir de Darío e sob sua liderança, o movimento propagou-se rapidamente por todos os países da América espanhola. O argentino Leopoldo Lugones, já em seu primeiro livro de poemas, Las montañas del oro (1897; As montanhas do ouro), apresenta notável versatilidade e orquestração verbal, domínio pleno das palavras, musicalidade que se enriquece com extraordinária riqueza de timbres. O mexicano Gutiérrez Nájera, capaz de muito requinte formal e cultor de uma arquitetura estilística haurida em Baudelaire e nos parnasianos franceses, foi o fundador da revista Azul, órgão divulgador do modernismo. No Uruguai, Julio Herrera y Reissig, por alguns considerado voz mais forte e genuína do que o próprio Darío, escreve poesia de intensos traços modernistas: satanismo, exotismo, metáforas arrojadas, sinestesias. Também sobressaíram o peruano José Santos Chocano, o colombiano Guillermo Valencia e o mexicano Amado Nervo.

Da América o movimento adentrou a Espanha, onde teve em Salvador Rueda seu precursor e em Francisco Villaespesa, Manuel Machado, Eduardo Marquina e Emilio Carrère os nomes mais proeminentes. A influência estética de Darío fez-se sentir, particularmente a de suas Prosas profanas (1896), de forma burilada e viva sonoridade. Buscava-se a superação das fronteiras nacionais, sonhava-se com países distantes, com o encanto de Paris. Evocações do Oriente enfeitiçavam os espíritos, a exemplo da América, onde o movimento cultuava a mitologia e as reminiscências históricas estrangeiras. A realidade hispano-americana afigurava-se de tal modo contraditória a seus escritores, que eles se evadiam para realidades ideais, em busca de maior encanto e significado poético nas coisas: Grécia, Roma, o Renascimento, os reinos orientais, a Versalhes do século XVIII. Se o principal traço do modernismo foi a renovação poética, não podem ser esquecidos alguns de seus mais brilhantes escritores que se dedicaram ao romance, conto e ensaio. Foi grande nome do romance modernista o venezuelano Manuel Díaz Rodríguez, em livros como Ídolos rotos (1901) e Sangre patricia (1902; Sangue patrício), de personagens pessimistas, derrotistas, em que se projeta a situação do autor, intelectual culto em país ainda algo bárbaro. Outros nomes de importância indiscutível são o do argentino Enrique Larreta, que escreveu La gloria de don Ramiro (1908; A glória de dom Ramiro) e o do colombiano José Maria Rivas Groot, autor do romance Resurrección (Ressurreição). No ensaísmo, o uruguaio José Enrique Rodó passou a ser o ideólogo do movimento: em Ariel (1900), explica, em estilo inconfundivelmente modernista, a aversão do movimento ao materialismo dos Estados Unidos e o orgulho de pertencer à "raça latina espiritualista". Por volta de 1914, concomitantemente ao desgaste dos modelos europeus, tão caros aos hispano-americanos, o movimento modernista esgotou-se, com seus cultores já cansados do artificialismo formal e da evasão da realidade. O golpe de misericórdia foi dado pelo escritor mexicano Enrique González Martínez, que usou a estética modernista para atuar contra ela própria, como no célebre soneto "Tuércele el cuello al cisne" ("Torce o pescoço do cisne").

MODERNISMO NO BRASIL
Conhece-se por modernismo, no Brasil, o movimento de renovação literária, musical e artística que se originou com a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922, e que teve implicações tanto culturais quanto políticas. Enquanto a Europa vivia uma agitação espiritual, no Brasil imperava uma estagnação no campo das artes, o que levou um grupo de artistas e intelectuais a tomar a dianteira de verdadeira revolução, cujo marco foi o evento. Foi intenso o impacto junto ao público, que reagiu com incompreensão das novas tendências. Muitas apresentações foram vaiadas, outras aplaudidas, mas o que se queria era mesmo o escândalo: chocar para mudar, apresentar "ousadas novidades", que revelassem a realidade brasileira como tal. Domício Proença Filho (1967; Estilos de época na literatura) enumera as características do movimento: "(1) contra o passado: 'sabemos discernir o que não queremos'; (2) contra a ênfase oratória, a eloqüência, o hieratismo parnasiano, o culto das rimas ricas, do metro perfeito e convencional, da linguagem classicizante e lusitanizante; (3) contra o academicismo, contra o tradicionalismo; (4) contra os tabus e preconceitos; em contrapartida, a favor da perseguição permanente de três princípios fundamentais, como assinala Mário de Andrade: (a) direito à pesquisa estética; (b) atualização da inteligência artística brasileira; (c) estabilização de uma consciência criadora nacional."

ANTECEDENTES
Podem-se alinhar vários fatos que, entre 1912 e 1922, prepararam a eclosão do movimento modernista brasileiro: em 1912 Oswald de Andrade retornou ao Brasil e trouxe na bagagem os ecos do Manifesto futurista de Marinetti. Divulgou-os em São Paulo, pessoalmente e pela imprensa; Lasar Segall fez em São Paulo (1913) a primeira mostra de pintura não-acadêmica realizada no Brasil; Anita Malfatti realizou sua primeira exposição de pintura em São Paulo (1914), com telas influenciadas pelo expressionismo alemão; nesse mesmo ano foi publicado em O Estado de S. Paulo o artigo "As lições do futurismo", de Ernesto Bertarelli. Em 1915, Oswald de Andrade defendeu, no jornal O Pirralho, a necessidade de se dar à pintura brasileira motivações nacionais; com um ideário de ousada modernidade, foram publicados em Portugal os dois números (março e junho) da revista Orfeu, o primeiro dirigido pelo escritor português Luís de Montalvor e o brasileiro Ronald de Carvalho, o segundo por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.

Em 1916, Alberto de Oliveira proferiu conferência na Academia Brasileira de Letras, em que afirmou: a "consciência das novas tendências", inclusive do futurismo de Marinetti; que "formas literárias desconhecidas e desconhecidos gêneros" surgiram e que "virão amanhã as novas idéias de um novo período social". O ano de 1917 foi riquíssimo em acontecimentos importantes na trilha do modernismo: foram publicados os livros Juca Mulato, de Menotti del Picchia, Carrilhões, de Murilo Araújo, A cinza das horas, de Manuel Bandeira, Há uma gota de sangue em cada poema, de Mário de Andrade, e Nós, de Guilherme de Almeida. Em função de tais obras, João Ribeiro declarou que Olavo Bilac e Alberto de Oliveira já estavam fora de época. Ainda nesse ano, Anita Malfatti fez sua segunda exposição de pintura, que mobilizou intelectuais e artistas inconformados. Suas telas, muito renovadoras, sofreram feroz crítica de Monteiro Lobato, que preveniu os espíritos conservadores contra as novas concepções. Em 1918, Andrade Muricy chamou a atenção, num ensaio crítico, para a presença de novas vozes na poesia nacional. Em 1920, a obra do escultor Vítor Brecheret, o "Monumento às bandeiras", em São Paulo, empolgou os novos artistas.

Finalmente, em 1921, a atuação dos rebeldes fez-se ostensiva e com alto senso de cumplicidade: repudiaram as visões de mundo expressas nos ideais romântico, parnasiano e realista; empenharam-se na independência da mentalidade brasileira e abandonaram as sugestões de origem européia, sobretudo de Portugal e da França; rejeitaram o aprisionamento da linguagem nas preocupações com a rima, a métrica e a rigidez gramatical que caracterizava a dicção lusitana e apregoaram a necessidade de uma nova linguagem, mais adequada à representação da vida e dos problemas contemporâneos. Os novos autores rejeitaram também o regionalismo, que caricaturava o Brasil como país involuído, ignorante do progresso e da técnica, cujos influxos, na verdade, já percebia e assimilava. Foi então que Oswald de Andrade divulgou Paulicéia desvairada (1922), livro de poemas de Mário de Andrade, mais uma fonte de polêmica e escândalo. Mário, por sua vez, publicou a série de artigos "Mestres do passado", em que analisou à luz de critérios então inusitados a poesia de Francisca Júlia, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Vicente de Carvalho. De retorno ao Brasil, Graça Aranha foi escolhido pelo grupo para liderar a projetada Semana de Arte Moderna, cuja idéia surgiu durante uma exposição de pintura de Di Cavalcanti, na livraria de Jacinto Silva, onde habitualmente se reunia um grupo de jovens escritores e artistas.

DIVISÃO DO MOVIMENTO
Após atingidas as metas da Semana, o grupo de 1922 entrou num processo de desagregação: estavam unidos em torno do repúdio ao que não queriam e agora dividiam-se em correntes à procura de uma identidade mais definida. As principais sãs as que se seguem.

(1) Corrente dinamista (Rio de Janeiro), cujo traço marcante foi um espírito futurista, uma valorização poética da técnica no mundo moderno, uma preocupação com o progresso material, o movimento, a velocidade. Ronald de Carvalho, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Agripino Grieco, Villa-Lobos e Álvaro Moreyra foram seus representantes mais expressivos.

(2) Corrente primitivista ou anarcoprimitivista (São Paulo), encabeçada por Oswald de Andrade, que propôs-se remontar às fontes originais da civilização brasileira, anterior à colonização portuguesa, e ao primitivismo, sem compromisso com a ordem social estabelecida. Considerava a moral cristã uma moral de escravos e suas posições foram apresentadas inicialmente no "Manifesto do Pau-Brasil" (1924), com a divisa "Tupi or not tupi", e retomadas na Revista de Antropofagia e no "Manifesto Antropofágico" (1928), que se opôs ao movimento Anta (1927).

(3) Corrente nacionalista (São Paulo), contra a influência européia e a favor de uma literatura de motivos brasileiros, folclóricos e indígenas. Englobou os seguintes movimentos: (a) verde-amarelismo (1925), de tendências políticas direitistas e que via na poesia pau-brasil uma imitação mal-feita do dadaísmo francês; (b) movimento Anta (1927), que, inspirado nas obras de Euclides da Cunha e Oliveira Viana, entre outros, buscava analisar em profundidade os problemas da vida brasileira; derivou daí o integralismo de Plínio Salgado; (c) movimento da Bandeira (1936), de filosofia autoritária, que desembocou no Estado Novo.

(4) Corrente espiritualista (Rio de Janeiro), que defendeu a tradição do mistério, a herança simbolista, a conciliação do passado com o futuro e a universalidade temática; foi o grupo da revista Festa, integrado por Cecília Meireles, Augusto Frederico Schmidt e Tasso da Silveira, entre outros.

(5) Corrente desvairista (descentralizada), que preconizou a criação de uma língua nacional e a renovação da poesia por meio dessa língua, além de advogar a liberdade da pesquisa estética. Teve como figura central Mário de Andrade.
(6) Corrente do sentimentalismo intimista e esteticista, definida no próprio nome e representada pelos poetas Guilherme de Almeida e Ribeiro Couto.

Quando o modernismo chegou ao ponto decisivo de seu ciclo histórico, por volta de 1930, começaram a surgir outras orientações, valores, pesquisas, buscas artísticas. Os pioneiros da semana de 1922 e seus seguidores desbastaram o terreno para os pósteros, em meio a dificuldades e esforços nem sempre reconhecidos, e deixaram um legado que redefiniu e enriqueceu o patrimônio cultural brasileiro.

Avultam, entre os melhores frutos da arrancada modernista, a música de Villa-Lobos, Camargo Guarnieri e Francisco Mignone; a escultura de Vítor Brecheret, Bruno Giorgi e Mário Cravo; as obras em prosa e verso de Mário de Andrade (como Macunaíma) e de Oswald de Andrade (como Memórias sentimentais de João Miramar); e de Manuel Bandeira do Ritmo dissoluto (1924) e de Libertinagem (1930).

A geração seguinte, dita de 1930, em que se afirmaram autores como Jorge de Lima, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos, levou adiante e aperfeiçoou a liberdade estética, a autenticidade cultural e vários outros valores de inspiração modernista, a ponto de se poder dizer que a verdadeira identidade da literatura brasileira, embora já se anunciasse, pioneiramente, em poemas de Gregório de Matos, só a partir de Mário de Andrade iniciou seu processo de amadurecimento.

Cavalhadas


Cavalhadas

Cavalhadas
Folguedo que evoca os torneios medievais e as batalhas entre cristãos e mouros, com enredo baseado no livro Carlos Magno e os Doze Pares de França, uma coletânea de histórias fantásticas sobre esse rei. Os personagens principais são os cavaleiros, que se vestem de azul (cristãos) ou vermelho (mouros), armados de lanças e espadas. A Corte é representada por personagens como o rei, o general, príncipes, princesas, embaixadores e lacaios, todos vestidos com ricas fantasias. A cavalhada mais famosa é a da cidade de Pirenópolis, em Goiás, onde a festa inclui também personagens mascarados que representam o povo. Vestidos com roupas coloridas e montados em cavalos enfeitados, eles saem pelas ruas a galope, fazendo algazarra. A encenação pode durar até três dias, cada dia com uma batalha representada por diferentes jogos eqüestres. Ao final, os cristãos vencem os mouros, que acabam se convertendo ao cristianismo. As cavalhadas acontecem nas Festas do Divino, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.
www.megatimes.com.br
www.klimanaturali.org

lumepa.blogspot.com

Romantismo II


Romantismo II

Romantismo II

Impetuoso e vital, o romantismo surgiu como um movimento que privilegiava a subjetividade individual, em oposição à estética racionalista clássica, e representou a exaltação do homem, da natureza e do belo. Dá-se o nome de romantismo à tendência estética e filosófica que dominou todas as áreas de pensamento e criação artística de meados do século XVIII a meados do XIX. Como expressão do espírito de rebeldia, liberdade e independência, o romantismo propôs-se a descortinar o misterioso, o irracional e o imaginativo na vida humana, assim como explorar domínios desconhecidos para libertar a fantasia e a emoção, reencontrar a natureza e o passado.

O qualificativo "romântico" começou a ser usado, em inglês e francês, no século XVII, no sentido de "relativo a narrativa imaginosa", e aplicava-se a um tipo de forma poética -- o roman ou romant --, herdeira dos romances medievais e dos contos e baladas que floresceram na Europa nos séculos XI e XII. O fascínio pelo misterioso e sobrenatural e a atmosfera de fantasia e heroísmo que dominavam essas composições ampliaram o sentido do qualificativo, que, símbolo de uma nova estética, encontrou suas primeiras manifestações, eminentemente literárias, nos movimentos pré-românticos britânicos e alemães. A partir do fracasso das revoluções políticas de 1848 no continente, seus postulados entraram em decadência e o movimento terminou por se desagregar em ecletismo. A importância subjetiva da arte e das ciências no Ocidente acentuou-se a partir do declínio da sociedade medieval, estruturada sobre os dogmas da religião. A comprovação científica dos fatos substituiu o estabelecimento dogmático das verdades e o culto à arte tornou-se uma das principais alternativas de expressão da espiritualidade entre os intelectuais ocidentais. Filósofos e artistas como Hegel e Berlioz afirmaram que, para eles, a arte era uma religião. No período romântico, esse fervor aliou-se ao amor, à natureza e à idolatria de homens de gênio, cujo primeiro objeto foi Napoleão.

A mentalidade do homem do século XX formou-se com a marca dessas grandes rupturas explicitadas pelo romantismo. A reivindicação de total liberdade criadora e de expressão para o artista; a idéia da "arte pela arte", como depositária de verdades que não podiam ser contaminadas por interesses econômicos, políticos ou sociais; a ética do artista, que deveria agir de acordo com aquilo que sentia ser necessário comunicar aos outros homens; o desprezo pelas conveniências, pelo utilitarismo, pela monotonia da vida diária, são idéias já expressas em 1835 por Gautier, poeta romântico, no prefácio à novela Mademoiselle de Maupin e que, no final do século XX, norteavam ainda a identidade social do gênio artístico.

LITERATURA
O romantismo elevou a figura do poeta a um papel central de profeta e visionário. A apreensão da verdade deveria se dar diretamente a partir da experiência sensorial e emocional do escritor; a imitação dos modelos clássicos foi abandonada. São criações românticas o mito do artista e do amante incompreendidos e rejeitados pela sociedade ou pela amada. Denominou-se Sturm und Drang (tempestade e tensão) o movimento pré-romântico entre 1770 e 1780, que propiciou as bases para o desenvolvimento do novo estilo, na Alemanha e depois no resto do mundo. Na fase inicial, Jean Paul, pseudônimo de Johann Paul Richter, festejado pelo público, lançou Vorschule der Aesthetik (1804; Noções fundamentais de estética), tratado em que criticava Kant e Schiller. Sua obra literária conjugava sentimentalismo, elementos góticos, digressões moralizantes, meditações religiosas e filosóficas, pseudocientificismo e humorismo. Johann Wolfgang von Goethe -- que escreveu Die Leiden des jungen Werthers (1774; Os sofrimentos do jovem Werther), livro que foi acusado, na época, de induzir ao suicídio vários jovens -- encabeçou toda uma geração de bons autores, que incluiu Ludwig Tieck, Novalis, Friedrich Hölderlin e Wilhelm Heinrich Wackenroder. Uma das figuras importantes do movimento foi Friedrich von Schlegel, de formação classicista, que concebeu uma Grécia dionisíaca, numa antecipação das idéias de Nietzsche. Seu romance libertino Lucinde (1799) causou grande escândalo, mas o autor foi posteriormente considerado o maior teórico do romantismo alemão.

IMPORTÂNCIA DE SHAKESPEARE
O crítico e dramaturgo alemão Gotthold Ephraim Lessing foi um dos primeiros a recomendar aos britânicos que tomassem Shakespeare -- cuja obra data do século XVI e tipifica o direito do artista criativo de inventar suas próprias formas e ultrapassar qualquer cânone estético ou técnico -- como modelo para uma literatura nacional. A obra shakespeariana influenciou românticos de todas as nacionalidades. Embora não negassem o perigo da liberdade excessiva, os românticos não pretendiam uma fórmula de sucesso, mas valorizavam a exploração, a invenção e a multiplicidade das emoções e verdades que levariam à revigoração uma cultura decadente. O dramaturgo inglês representava também a possibilidade de quebrar a hegemonia da tragédia francesa na Europa e, com ela, a tirania cultural exercida pela França.

A literatura romântica britânica prenunciou-se na novela gótica, iniciada com o famoso The Castle of Otranto, (1765; O castelo de Otranto) de Horace Walpole. As reconstruções de ambientes medievais, os cenários históricos e exóticos e a revalorização do lúgubre nessas obras definiram alguns dos traços do romantismo. Os romances históricos de Walter Scott transcenderam as fronteiras britânicas. Ambientados na Escócia medieval, ilustram a extensão da curiosidade romântica pelo incomum, já que a Escócia era vista como um lugar selvagem, fora dos centros civilizados, e a Idade Média, como um período igualmente bárbaro e distanciado no tempo. William Wordsworth e Samuel Taylor Coleridge criaram uma teoria poética baseada no livre fluxo das emoções intensas e na fantasia, que norteou a produção de John Keats, Percy Shelley e Lord Byron.

Na França, o gosto romântico pelo selvagem e o primitivo foi antecipado por Jean-Jacques Rousseau, que defendia um modo de vida natural, sem a influência alienante da civilização. Madame de Staël, que realizou um retrato idealizado da Alemanha em De l'Allemagne (1813; Da Alemanha), e François Chateaubriand, cuja obra Le Génie du christianisme (1802; O gênio do cristianismo) não impediu as dúvidas acerca de seu espírito católico, foram considerados os primeiros escritores românticos do país. Na França a classificação do vocabulário em "nobre" e "comum" -- ou seja, impróprio para a poesia -- estava firmemente estabelecida, inclusive em dicionários. Os românticos, liderados por Victor Hugo, usavam as palavras proibidas sempre que possível e a estréia de Hernani, de Hugo, em 1830, causou por isso grande escândalo. Seu prefácio ao drama Cromwell (1827) constitui verdadeiro manifesto literário. Dentre seus principais romances destacam-se Notre-Dame de Paris (1831) e Les Misérables (1862; Os miseráveis). Na Rússia, Espanha e Polônia, a literatura romântica também se desenvolveu. Na Itália, Portugal e Estados Unidos, o movimento teve forte caráter nacionalista.

TEATRO
A expressão Sturm und Drang, que designou o movimento pré-romântico alemão, foi retirada do título de uma peça de Friedrich Maximilian von Klinger Der Wirrwarr, oder Sturm und Drang (1776; Confusão, ou tempestade e tensão). No entanto, no efervescente clima romântico, a produção teatral não passou de alguns poucos trabalhos isolados, de Shelley, Byron e, mais notavelmente, de Heinrich von Kleist. Ironicamente, o novo papel de Shakespeare como emancipador produziu uma paralisia na criação dramática até meados do século XIX. Os poetas ingleses, sobretudo, sucederam-se em tentativas frustradas de produção teatral, intimidados pelo gênio do passado.

ARTES PLÁSTICAS
Arquitetura.
Na esteira do nacionalismo que ressurgiu em toda a Europa, cada país buscou as próprias raízes. A arquitetura romântica abandonou os ideais clássicos e recriou estilos da Idade Média, principalmente o gótico, por sua exaltação espiritual. Construíram-se edifícios neogóticos, neo-românicos, neobizantinos, e mesclaram-se estilos, numa reprodução dos cenários dos romances históricos. O neogótico desenvolveu-se principalmente no Reino Unido, onde se transformou em estilo oficial. Entre os monumentos do período destaca-se o Parlamento de Westminster, projeto de Sir Charles Barry e Augustus Welby Northmore Pugin. Na França merecem menção a obra neogótica de Viollet-le-Duc, restaurador de monumentos medievais, e o grandioso edifício eclético da Ópera de Paris, de Jean-Louis Charles Garnier. Os mais consagrados monumentos românticos da Alemanha são as catedrais neogóticas de Estrasburgo e Colônia. Uma nova arquitetura surgiu na construção de estradas. Túneis, pontes e terminais foram concebidos sob a pressão dos novos problemas relativos à topografia e velocidade dos veículos. O notável uso feito do concreto e do aço inspirou a arquitetura do século XX.

Pintura.
A visualização dos sentimentos dos personagens retratados e a expressividade das paisagens foram a tônica da pintura romântica, que exaltou o passional e destacou a morte e a loucura como o fatal destino do homem. Priorizou a intimidade do indivíduo e o confronto com o desconhecido e o misterioso na busca do sentido da vida. A visão trágica do homem imerso na natureza poderosa e imponente trouxe a idéia do "sublime". O Reino Unido teve dois paisagistas românticos magistrais. John Constable pintou paisagens com cores vívidas, inaceitáveis para o gosto da época. William Turner antecipou o impressionismo em seu trabalho com as cores e, como Constable, incorporou a técnica da aquarela a seus quadros a óleo. William Blake, poeta e pintor do fantástico e visionário, elaborou uma cosmologia própria baseada em mitos cristãos e utilizou primorosa técnica de aquarela. Contra a visão clássica de que a mais elevada forma de pintura deveria descrever a verdade mais abrangente, Blake afirmou: "Particularizar é o único mérito."

Em 1824, a exposição de paisagens britânicas no Salão de Paris serviu de marcante inspiração aos artistas franceses. Eugène Delacroix é considerado o principal pintor romântico francês. Com cores fortes e vivas e pinceladas livres e pastosas, Delacroix criou tonalidades até então desconhecidas e retratou com vívido realismo episódios literários e históricos de sua época, como "A matança de Quios", massacre dos camponeses gregos pelos turcos. Fascinava-se com a vida nômade dos habitantes do deserto no norte da África e outros temas exóticos para a cultura européia. Théodore Géricault chocou o público parisiense com "A balsa de Medusa", que retratava os sobreviventes de um naufrágio ocorrido em 1816, à deriva e à míngua. Realizou também uma série de retratos de loucos. A pintura romântica alemã floresceu nas primeiras décadas do século XIX com as obras dos chamados nazarenos, alemães radicados em Roma que, com seus temas religiosos, contribuíram para a propagação do cristianismo. Entre eles, estavam Johann Friedrich Overbeck, Peter von Cornelius e outros. A paisagem como experiência grandiosa aparece idealizada nos quadros de Caspar David Friedrich. Ante a glória de uma natureza misteriosa, com montanhas imensas e planícies desertas, a mesquinhez do homem.

MÚSICA
O romantismo trouxe grande mudança para a vida profissional dos músicos, seus instrumentos e a própria criação musical, que viveu uma época de grande esplendor. Com a formação de um público urbano burguês, pagante, freqüentador de teatros -- os novos locais de espetáculo --, os compositores deixaram de trabalhar para a igreja e os príncipes tornaram-se autônomos, na busca de maior independência em seu trabalho. Foram inventados novos instrumentos e a orquestra incorporou o flautim, o corne-inglês, o contrafagote e vários instrumentos de percussão. A criação de novos elementos formais, as transformações harmônicas e os novos timbres permitiram a expressão cada vez mais elaborada das emoções, das nuanças sutis às mais extremadas paixões. O lied, gênero romântico por excelência, atingiu a máxima pureza melódica e fusão musical entre a voz e o piano nas peças compostas por Schubert, Schumann, Brahms e Wolf. O grande gênio romântico foi Beethoven, iniciador de uma tradição sinfônica grandiosa, que utilizava seqüências harmônicas inusitadas, de grande impacto aos ouvidos do público da época, habituado à previsível e equilibrada harmonia clássica. Berlioz criou a sugestiva sinfonia programática, em que uma idéia extramusical, ligada à ação dramática, conduz a composição. A instrumentação é utilizada para criar uma ambientação sonora que pode incluir motivos musicais que representam fatos ou personagens e até mesmo imitam certos ruídos. Também na música o romantismo significou a afirmação da individualidade do artista. Isso se evidencia nas inúmeras obras para um só intérprete, como as compostas por Chopin, Liszt e Schumann para piano solo.

A ópera recebeu um impulso especial com o conceito de Gesamtkunstwerke, a obra de arte total do alemão Richard Wagner, que tirou as vozes do permanente primeiro plano e fez com que se inserissem na textura instrumental. Realizou assim o que chamou de melodia infinita: o recitativo passa à ária por meio de modulações e as cadências só se completam no final do ato. O italiano Giuseppe Verdi manteve a tradição italiana de argumentos dramáticos e nacionalistas, em que a arte vocal sobrepuja a orquestração. Verdi levou o drama romântico a níveis extraordinários de imaginação melódica, força expressiva e domínio técnico. A afirmação do subjetivismo romântico ensejou a formação de escolas nacionais. Na Hungria, Ferenc Erkel, autor do hino nacional, buscou no folclore os temas para suas óperas. Franz Liszt, compositor de obras pianísticas, inovou com a sonata de tema único, em substituição ao "desenvolvimento" clássico, e com o poema sinfônico. O russo Mikhail Glinka redescobriu cantos e ritmos populares e reintroduziu um antigo sistema composicional, o modalismo próprio da música sacra eslava de seus ancestrais.

ROMANTISMO NO BRASIL
À época do romantismo europeu, o Brasil mantinha estruturas de latifúndio, escravismo, economia de exportação e uma monarquia conservadora, remanescentes do puro colonialismo: condições socioculturais muito diferentes das encontradas nos países da vanguarda romântica européia. A partir de 1808, a permanência da corte portuguesa no Brasil transformou cultural e economicamente a vida da colônia, com a implantação da imprensa e do ensino universitário. O subseqüente processo de independência, em 1822, ativou ainda mais a efervescência intelectual e nacionalista já instalada.

LITERATURA E TEATRO
O romantismo brasileiro teve na literatura sua máxima expressão e assumiu um caráter de verdadeira revolução, acentuado pelas circunstâncias sociais e políticas peculiares às primeiras décadas do novo império. Integrou-se também ativamente à agitação ideológica que precedeu a abolição da escravatura e a proclamação da república. Apesar das fortes influências francesas, inglesas e alemãs, o romantismo literário assumiu no país características próprias: (1) adaptação dos modelos europeus ao ambiente nacional; (2) introdução de motivos e temas locais, sobretudo indígenas, para a literatura que devia expressar a nacionalidade; (3) reivindicação do direito a uma linguagem brasileira; (4) inclusão obrigatória da paisagem física e social do país, com o enquadramento do regionalismo na literatura; (5) ruptura com os gêneros neoclássicos e criação de uma literatura autônoma. Iniciadora do movimento, a revista Niterói foi fundada em 1836 e editada em Paris por Domingos José Gonçalves de Magalhães, visconde de Araguaia, autor de Suspiros poéticos e saudades (1836); e Manuel de Araújo Porto Alegre, barão de Santo Ângelo. As primeiras obras brasileiras, sob forte influência de Lamartine e dos poetas alemães, caracterizaram-se pelo nacionalismo e religiosidade. Joaquim Manuel de Macedo, com A moreninha (1844), é considerado o iniciador do romance brasileiro. Manuel Antônio de Almeida publicou sob pseudônimo o romance mais despojado e resistente do período romântico: Memórias de um sargento de milícias (1854-1855). Típico romance de costumes, que ocupa posição única e destoa da produção literária da época, teve sua importância resgatada pelos modernistas. O romancista José de Alencar, grande teórico e propugnador de uma linguagem brasileira, estimulou a renovação, a valorização dos temas e motivos locais, não só indígenas, como em O guarani (1857) e Iracema (1865), mas igualmente históricos e regionais, como em As minas de prata (1865), O gaúcho (1870), O sertanejo (1876). O regionalismo foi representado sobretudo na obra de Bernardo Guimarães, com O seminarista (1872) e A escrava Isaura (1875), e Alfredo Taunay, com Inocência (1872).

Antônio Gonçalves Dias é considerado o maior poeta romântico brasileiro. Sua vasta e multiforme obra compreende a poesia lírica e intimista de Primeiros cantos (1847) e Segundos cantos (1848), e outras, de caráter medieval, como as Sextilhas de frei Antão (1848). Seguiu-se um período de individualismo subjetivista e angústia existencial, de amores contrariados e tédio. Transparece na produção dos jovens poetas a influência do "mal do século", do satanismo de Byron, da melancolia de Musset e do amargo pessimismo de Leopardi e Espronceda. A Lira dos vinte anos (1853, póstumo), de Álvares de Azevedo, é obra típica desse romantismo em que predominava a idéia da morte prematura, que realmente atingiu seus representantes. Mesmo Casimiro de Abreu, que cantou em As primaveras (1859) a vida, a força da juventude e a natureza, morreu jovem como os demais. Fagundes Varela, autor de Cantos e fantasias (1866) e Cantos meridionais (1869), dispersou seu talento na boêmia e na vida desregrada e inconstante. O último período teve como paradigma a poesia dita "condoreira", de versos grandiloqüentes, inspirada em Victor Hugo. Manifestou-se primeiramente no agitado ambiente da Faculdade de Direito do Recife, de onde se difundiu para todo o país. Caracterizou-se por temas sociopolíticos e patrióticos e idéias igualitárias. Invadiu salões, ruas, praças e teatros e proporcionou às platéias animados duelos declamatórios. Os intelectuais, empolgados pelas campanhas da guerra do Paraguai, da abolição e da república, ansiavam por transformações liberais e democráticas como as que ocorriam na Europa. Dominou a cena Antônio de Castro Alves, com uma obra lírica e combativa, em que se destacam Espumas flutuantes (1870) e Os escravos (1883, póstumo). O movimento se prolongou até a década de 1880, quando foi eclipsado pelo parnasianismo e pelo realismo. Ainda nas primeiras décadas do século XX, no entanto, registraram-se algumas manifestações extemporâneas do estilo. Gonçalves Dias foi o mais importante autor teatral brasileiro do final do século XIX. Embora inferior a sua produção poética, sua dramaturgia adquiriu alguma importância histórica em meio à fraca produção romântica do teatro nacional.

MÚSICA
Ao lado da literatura, a música brasileira expressou as principais características do movimento romântico mundial, ligadas sobretudo ao nacionalismo e à afirmação da identidade cultural. Carlos Gomes foi o principal compositor romântico do país. Suas obras, que denotam forte influência da música italiana, então dominante, apresentam traços tipicamente brasileiros. A maior parte dos músicos da época buscou a valorização de elementos nacionalistas, embora a formação do compositor erudito no Brasil dependesse ainda completamente das escolas européias. Isso muitas vezes resultou apenas em abordar temas folclóricos nativos numa linguagem musical francesa ou alemã. Na virada do século, o nacionalismo iniciado com o movimento romântico expressou-se mais fortemente na obra de Alberto Nepomuceno e Antônio Francisco Braga e, já em pleno século XX, configurou-se como a mais importante e autônoma tendência estética da história da música erudita no país. Destacaram-se compositores como Henrique Oswald, Leopoldo Miguez, Francisco Mignone e, sobretudo Heitor Villa-Lobos, internacionalmente reconhecido.

Romantismo no Brasil


Romantismo no Brasil

Romantismo no BrasilNo Brasil, o momento histórico em que ocorre o Romantismo tem que ser visto a partir das últimas produções árcades, caracterizadas pela satírica política de Gonzaga e Silva Alvarenga, bem como as idéias de autonomia comuns naquela época. Em 1808, com a chegada da corte, o Rio de Janeiro passa por um processo de urbanização, tornando-se um campo propício à divulgação das novas influências européias; a Colônia caminhava no rumo da independência.

Após 1822, cresce no Brasil independente o sentimento de nacionalismo, busca-se o passado histórico, exalta-se a natureza da pátria; na realidade, características já cultivadas na Europa e que se encaixavam perfeitamente à necessidade brasileira de ofuscar profundas crises sociais, financeiras e econômicas. De 1823 a 1831, o Brasil viveu um período conturbado como reflexo do autoritarismo de D. Pedro I: a dissolução da Assembléia Constituinte ; a Constituição outorgada; a Confederação do Equador; a luta pelo trono português contra seu irmão D. Miguel; a acusação de Ter mandado assassinar Líbero Badaró e, finalmente, a abdicação. Segue-se o período regencial e a maioridade prematura de Pedro II. É neste ambiente confuso e inseguro que surge o Romantismo brasileiro, carregado de lusofobia e, principalmente, de nacionalismo.

São palavras de Gonçalves de Magalhães:
“Não se pode lisonjear muito o Brasil de dever a Portugal sua primeira educação, tão mesquinha foi ela que bem parece Ter sido dada por mãos avaras e pobres. No começo do século atual, com as mudanças e reformas que tem experimentado o Brasil, novo aspecto apresenta a sua literatura. Uma só idéia absorve todos os pensamentos, uma idéia até então desconhecida; é a idéia da pátria; ela domina tudo, e tudo se faz por ela, ou em seu nome. Independência, liberdade, instituições sociais, reformas políticas, todas as criações necessárias em uma nova Nação, tais são os objetivos que ocupam as inteligências, que atraem a atenção de todos, e os únicos que ao povo interessam.”

Características
Um dos fatos mais importantes do Romantismo foi a criação de um novo público, uma vez que a literatura torna-se mais popular, o que não acontecia com os estilos de época de características clássicas. Surge o romance , forma mais acessível de manifestação literária; o teatro ganha novo impulso, abandonando as formas clássicas. Com a formação dos primeiros cursos universitários em 1827 e com o liberalismo burguês, dois novos elementos da sociedade brasileira representam um mercado consumidor a ser atingido: o estudante e mulher. Com a vinda da família real, a imprensa passa a existir no Brasil e, com ela, os folhetins, que desempenharam importante papel no desenvolvimento no romance romântico.

No prefácio de Suspiros poéticos e saudades, Gonçalves de Magalhães nos dá uma ótima visão do que era o romantismo para um autor romântico:

“É um livro de poesias escritas segundo as impressões dos lugares; ora assentado entre as ruínas da antiga Roma, meditando sobre a sorte dos impérios; ora no cimo dos Alpes, a imaginação vagando no infinito como um átomo no espaço; ora na gótica catedral, admirando a grandeza de Deus, e os prodígios do cristianismo; ora entre os ciprestes que espalham sua sombra sobre os túmulos; ora enfim refletindo sobre a sorte da pátria, sobre as paixões dos homens, sobre o nada da vida. Poesias d’alma e do coração, e que só pela alma e pelo coração devem ser julgadas. Quanto à forma, isto é, a construção, por assim dizer, material das estrofes, nenhuma ordem seguimos; exprimindo as idéias como elas se apresentaram, para não destruir o acento da inspiração; além de que, a igualdade de versos, a regularidade das rimas, e a simetria das estrofes produz uma tal monotonia, que jamais podem agradar.”

Realmente, Gonçalves de Magalhães define o Romantismo e suas características básicas sob dois aspectos: o de conteúdo e o de forma.

Quanto ao conteúdo, os românticos cultivavam o nacionalismo , que se manifestava na exaltação da natureza da pátria, no retorno ao passado histórico e na criação do herói nacional, no caso brasileiro, o índio (o nosso cavaleiro medieval). Da exaltação do passado histórico vem o culto à Idade Média, que, além de representar as glórias e tradições do passado, também assume o papel de negar os valores da Antigüidade Clássica. Da mesma forma, a natureza ora é a extensão da pátria ora é um prolongamento do próprio poeta e seu estado emocional, um refúgio à vida atribulada dos centros urbanos do século XIX.

Outra característica marcante no romantismo e verdadeiro “cartão de visita” de toda a escola foi o sentimentalismo , a valorização dos sentimentos, das emoções pessoais: é o mundo interior que conta, o subjetivismo . e à medida que se volta para o eu, para o individualismo, o pessoalismo, perde-se a consciência do todo, do coletivo, do social. A constante valorização do eu gera o egocentrismo ; os poetas românticos se colocavam como o centro do universo. É evidente que daí surge um choque da realidade e o seu mundo. A derrota inevitável do eu leva a um estado de frustração e tédio. Daí as seguidas e múltiplas fugas da realidade : o álcool, o ópio, as “casa de aluguel” (prostíbulos), a saudade da infância, a idealização da sociedade, do amor e da mulher. No entanto, essa fugas tem ida e volta, exceção feita à maior de todas as fugas românticas: a morte.

Já ao final do Romantismo brasileiro, a partir de 1860, as transformações econômicas, políticas e sociais levam a uma literatura mais próxima da realidade; a poesia reflete as grandes agitações, como a luta abolicionista, a Guerra do Paraguai, o ideal de República. É a decadência do regime monárquico e o aparecimento da poesia social de Castro Alves. No fundo, uma transição para o realismo.

Quanto ao aspecto formal, a literatura romântica se apresenta totalmente desvinculada dos padrões e normas estéticas do Classicismo. O verso livre , sem métrica e estrofação, e o verso branco , sem rima, caracterizam a poesia romântica.
Romantismo - Poesia

Aquarela do Brasil


Oh! Oi, essas fontes murmurantes
Onde eu mato minha sede
E onde a lua vem brincar
Oi, esse brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Brasil, Brasil...
Deixa cantar de novo o trovador
À merencória luz da lua
Toda a canção do meu amor
Oi, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil, Brasil...

O romantismo se inicia no Brasil 1836, quando Gonçalves de Magalhães publica na França a Niterói – Revista Brasiliense, e no mesmo ano lança um livro de poesias românticas intitulado Suspiros poéticos e saudades.

Em 1822, D. Pedro I concretiza um movimento que se fazia sentir, de forma mais imediata, desde 1808: a independência do Brasil. A partir desse momento, o novo país necessita inserir-se no modelo moderno, acompanhando as nações independentes da Europa e América. A imagem do português conquistador deveria ser varrida; há a necessidade de auto-afirmação da pátria que se formava. O ciclo da mineração havia dado condições para que as famílias mais abastadas mandassem seus filhos à Europa, em particular França e Inglaterra, onde buscam soluções para os problemas brasileiros, apesar de não possuir o Brasil a mesma formação social dos países industrializados da Europa, representada pelo binômio burguesia/ proletariado. A estrutura social brasileira ainda era marcada pelo binômio aristocracia/ escravo; o “ser burguês” era mais um estado de espírito, norma de comportamento, do que uma posição econômica e social.

É nesse contexto que encontramos Gonçalves de Magalhães viajando pela Europa. Em 1836, vivendo o momento francês, funda a revista Niterói , da qual circularam apenas dois números, em paris. Nela, publica o “Ensaio sobre a história da literatura brasileira”, considerado o nosso primeiro manifesto romântico:

“Não, oh! Brasil! No meio do geral merecimento tu não deves ficar imóvel e tranqüilo, como o colono sem ambição e sem esperança. O germe da civilização, depositado em seu seio pela Europa, não tem dado ainda todos os frutos que deveria dar, vícios radicais têm tolhido seu desenvolvimento. Tu afastaste do teu colo a mão estranha que te sufocava, respira livremente, respira e cultiva as ciências, as artes, as letras as indústrias e combate tudo o que entrevá-las pode.”
O ano de 1881 é considerado marco final do romantismo, quando são lançados os primeiros romances de tendência naturalista e realista (O mulato, de Aluísio Azevedo, e Memórias de Brás Cubas , de Machado de Assis), embora desde 1870 já ocorressem manifestações do pensamento realista na Escola de Recife, em movimento liderado por Tobias Barreto.

As gerações românticas
Como vimos no início do capítulo, percebe-se nitidamente uma evolução no comportamento dos autores românticos; a comparação entre os primeiros e os últimos representantes dessa escola revela traços peculiares a cada fase, mas discrepantes entre si. No caso brasileiro, por exemplo, há uma distância considerável entre a poesia de Gonçalves Dias e a Castro Alves. Daí a necessidade de dividir o Romantismo em fases ou gerações. Assim é que no Romantismo brasileiro podemos reconhecer três gerações :
Primeira Geração – geração nacionalista ou indianista
Marcada pela exaltação da natureza, volta ao passado histórico, medievalismo, criação do herói nacional na figura do índio, de onde surgiu a denominação de geração indianista. O sentimentalismo e a religiosidade são outras características presentes. Entre os principais autores podemos destacar Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães e Araújo Porto Alegre.
Segunda Geração – geração do “mal do século”
Fortemente influenciada pela poesia de Lord Byron e Musset, é chamada, inclusive, de geração byroniana. Impregnada de egocentrismo, negativismo boêmio, pessimismo, dúvida, desilusão adolescente e tédio constante – característicos do ultra-romantismo, o verdadeiro “mal do século”- seu tema preferido é a fuga da realidade, que se manifesta na idealização da infância, nas virgens sonhadas e na exaltação da morte. Os principais poetas dessa geração foram Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela.
Terceira geração – geração condoreira
Caracterizada pela poesia social e libertária, reflete as lutas internas da Segunda metade do reinado de D. Pedro II. Essa geração sofreu intensamente a influencia de Victor Hugo e de sua poesia político-social, daí ser conhecida como geração hugoana. O termo condoreirismo é conseqüência do símbolo de liberdade adotado pelos jovens românticos : o condor, águia que habita o alto da cordilheira dos Andes. Seu principal representante foi Castro Alves, seguido por Tobias Barreto e Sousândrade.
Alguns dos principais autores românticos
Casimiro de Abreu
Poeta brasileiro, Casimiro José Marques de Abreu nasceu em São João da Barra, no estado do Rio, em 4 de janeiro de 1837. Poeta de grande inspiração, seus versos ainda hoje apreciados, lidos com admiração. “As Primaveras”, sua coletânea de poemas, ainda continua agradando ao grande público, e as edições sucedendo. Faleceu a 19 de outubro de 1860, com a idade de 23 anos.
José Martiniano de Alencar
Foi bacharel em direito, jornalista, professor, crítico, teatrólogo e Poeta. Escreveu sobre o pseudônimo de IG, em 1856, as “Cartas sobre a Confederação dos Tamoios”. É considerado o fundador do romance brasileiro, já que no Brasil foi o primeiro a dar ao país um verdadeiro estilo literário. Sua obra está repleta de um nacionalismo vibrante, toda ela escrita numa tentativa de nacionalismo puro, numa temática nova, muito brasileira. Publicou :
“O Guarani”, “Iracema”, “Ubirajara”, “As Minas de Prata”, “O Garatuja”, “O Ermitão da Glória”, “Lucíola”, “A Pata da Gazela”, “O Gaúcho”, “O Tronco do Ipê”, “O Sertanejo” e muitos outros. Faleceu em 1877.
Antônio Frederico Castro Alves
Nasceu na Bahia, em 1847. É considerado um dos maiores poetas brasileiros. Em 1863, começou a participar da campanha abolicionista, escrevendo em um jornal acadêmico seus primeiros versos em defesa da abolição da escravatura: “A Canção do Africano”. Castro Alves participou ativamente das inquietações de espírito, da agitação poética e patriota e das lutas liberais que empolgavam sua geração. Em 1868 transferiu-se do Rio de Janeiro para São Paulo, onde continuou sua campanha abolicionista, declamando seus poemas antiescravista em praça pública. Foi acometido de tuberculose e um acidente ocorrido em uma caçada acabou por consumi-lo. Faleceu em 6 de junho de 1871. Deixou vasta bagagem literária, entre artigos, poesias, etc. “A Cachoeira de Paulo Afonso”, “A Revolução de Minas” ou “Gonzaga”, drama e o livro “Espumas Flutuantes”.

Manuel Antônio Álvares de Azevedo
Poeta brasileiro nascido em São Paulo, a 12 de setembro de 1831. “Lira dos Vinte Anos” é o título de sua obra principal, deixada inédita e publicada após a sua morte ocorrida em dez de março de 1852, no Rio de Janeiro. Escreveu ainda “A Noite na Taverna”, livro de contos, e mais “Conde Lopo”, um Drama, incompleto, aliás. Deixou também traduções e comentários críticos.

Antônio Gonçalves Dias
Poeta brasileiro, nasceu no estado do Maranhão, a 10 de agosto de 1823. Em 1840 foi estudar direito em Portugal, no Colégio de Artes, e foi lá que escreveu sua famosa “Canção do Exílio”. Já formado, embarcou para o Brasil, onde permaneceu muitos anos. Em 1847, lançou “Os Primeiros Cantos” e, 1848, “Os Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão”. Em 1849, foi nomeado professor de latim e História do Brasil no Colégio Pedro II. Em 1851, foram publicados os “Últimos Cantos”. Em 1862, bastante enfermo , embarcou para Europa. Em 1864, voltando ao Brasil, faleceu em um naufrágio. Gonçalves Dias é o patrono da cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras.

Joaquim Manuel Macedo
Romancista, poeta e jornalista brasileiro, nasceu em 1820 e faleceu no Rio de Janeiro em 1882. Pode ser considerado um dos pioneiros do romance no Brasil. Seu primeiro romance “A Moreninha”, lançado em 1844, até hoje é sucesso. Foi médico, professor, deputado da Assembléia Provincial e deputado federal. Escreveu também “O Forasteiro”, “O Moço Louro”, “Os Dois Amores”, “O Culto do Dever”, “A Namoradeira”, e outras obras. É patrono da cadeira nº 20 da Academia Brasileira de Letras.

Bernardo Joaquim da Silva Guimarães
Jornalista, professor, crítico e poeta, nasceu em Ouro Preto, em 1825. Formado em Direito, viveu a atmosfera romântica da época. Estreou com um livro de versos “Contos da Solidão” em 1852, ao qual se seguiram “Poesias”, “Folhas de Outono” e “Novas Poesias”. Bernardo Guimarães foi um dos iniciadores do regionalismo romântico com a publicação de “O Ermitão de Muquém”, lançado em 1869. Abrangendo o tema da escravidão, escreveu “Escrava Isaura” e ainda “O Garimpeiro”, e “O Seminarista”. Morreu em 1884.

Romantismo – Prosa
Um índio
Um índio descerá
De uma estrela colorida e brilhante
De uma estrala que virá
Numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul na América num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros
Das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas tecnologias
Virá
Impávido que nem muhammad ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como peri
Virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O aché do afoché filhos de ghandi
Virá
Um índio preservado
Em pleno corpo físico
Em todo sólido todo
Gás e todo líquido
Em átomos palavras cor em gesto em cheiro em sombra em luz em som magnífico
Num ponto eqüidistante
Entre o atlântico e o pacifico
Do objeto sim resplandecente
Descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá fará não sei dizer assim de um modo explícito
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder Ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio.
(Caetano Veloso)
O início da prosa literária brasileira ocorreu no Romantismo. Com o gradual desenvolvimento de algumas cidades, sobre tudo o Rio de Janeiro, a cidade da corte, formou-se um público composto basicamente de jovens da classe alta, cujo ócio permitia a leitura de romances e folhetins. Esse público leitor buscava na literatura apenas distração. Torcia por suas personagens, sofria com as desilusões das heroínas e tranqüilizava-se com o inevitável final feliz. E, tão logo chegava ao fim, fechava o livro esquecia-o, esperando o próximo, que lhe oferecia praticamente as mesmas emoções. O público de hoje substituiu os romances e folhetins pelas telenovelas e fotonovelas, mas ainda continua em busca de distração, passando o tempo a torcer e chorar por seus heróis...

TENDÊNCIAS DO ROMANCE ROMÂNTICO
Romance urbano
É o que desenvolve tema ligado à vida social, principalmente do Rio de Janeiro. A variedade dos tipos humanos, os problemas sociais e morais decorrentes do desenvolvimento da cidade, tudo serviu de fonte para os nossos romancistas, dentre os quais se destacam: José de Alencar (Senhora ; Lucíola), Joaquim Manuel de Macedo (A Moreninha; O Moço Loiro) e Manuel Antônio de Almeida (Memórias de um sargento de milícias).


Barroco na Literatura

Barroco na Literatura

Barroco na Literatura Definição da palavra Barroco

A palavra “barroco” tem sua origem controvertida. Enquanto alguns afirmam que está ligada a um processo relativo à memória que indicava um silogismo aristotélico de conclusão falsa, outros defendem que designaria um tipo de pérola de forma irregular, ou mesmo um terreno desigual, assimétrico.

Padre Antônio Vieira
Ninguém angariou tantas críticas e inimizades quanto o "impiedoso" Padre Antônio Vieira, detentor de um invejável volume de obras literárias, inquietantes para os padrões da época.

Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia cristã (por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos); os pequenos comerciantes (por defender o monopólio comercial) e os administradores e colonos (por defender os índios). Essas posições, principalmente a defesa dos cristãos-novos, custaram a Vieira uma condenação da Inquisição, ficando preso de 1665 a 1667. A obra do Padre Antônio Vieira pode ser dividida em três tipos de trabalhos: Profecias, Cartas e Sermões.

As Profecias constam de três obras: História do Futuro, Esperanças de Portugal e Clavis Prophetarum. Nelas se notam o sebastianismo e as esperanças de que Portugal se tornaria o "quinto império do Mundo". Segundo ele, tal fato estaria escrito na Bíblia. Aqui ele demonstra bem seu estilo alegórico de interpretação bíblica (uma característica quase que constante de religiosos brasileiros íntimos da literatura barroca). Além, é claro, de revelar um nacionalismo megalomaníaco e servidão incomum.

O grosso da produção literária do Padre Antônio Vieira está nas cerca de 500 cartas. Elas versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos novos e sobre a situação da colônia, transformando-se em importantes documentos históricos.

O melhor de sua obra, no entanto, está nos 200 sermões. De estilo barroco conceptista, totalmente oposto ao Gongorismo, o pregador português joga com as idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos de retórica dos jesuítas. Um dos seus principais trabalhos é o Sermão da Sexagésima, pregado na capela Real de Lisboa, em 1655. A obra também ficou conhecida como "A palavra de Deus". Polêmico, este sermão resume a arte de pregar. Com ele, Vieira procurou atingir seus adversários católicos, os gongóricos dominicanos, analisando no sermão "Porque não frutificava a Palavra de Deus na terra", atribuindo-lhes culpa.

Gregório de Matos Guerra
Uma das principais referências do barroco brasileiro é Gregório de Matos Guerra, poeta baiano que cultivou com a mesma beleza tanto o estilo cultista quanto o conceptista .

Na poesia lírica e religiosa, Gregório de Matos deixa claro certo idealismo renascentista, colocado ao lado do conflito (como de hábito na época) entre o pecado e o perdão, buscando a pureza da fé, mas tendo ao mesmo tempo necessidade de viver a vida mundana. Contradição que o situava com perfeição na escola barroca do Brasil. É patente do movimento nativista quando ele separa o que é brasileiro do que é exploração lusitana.

Carpe Diem
O tema central do Barroco se encontra na antítese entre a vida e a morte. Daí decorre o sentimento da brevidade da vida, da angústia da passagem do tempo, que tudo destrói. Diante disso, o homem barroco oscila entre a renuncia e o gozo dos prazeres da vida.

Quando pensa no julgamento de Deus, foge dos prazeres e procura apoio na fé. Quando a fé é insuficiente, a atração dos prazeres o envolve e cresce o desejo de desfrutar da vida. Por isso, o Carpe Diem, expressão latina que significa “aproveita o dia (presente)”, é um dos temas freqüentes da arte barroca. A mocidade ou a juventude é freqüentemente comparada à flor que é bonita por pouco tempo e logo morre. Daí o apelo dos poetas barrocos.

O Carpe Diem é um tema que vinha já da Antiguidade, mas no Barroco foi desenvolvido de forma angustiada, pois era uma tentativa de fundir os opostos, de conciliar o que, no fundo, é inconciliável: a razão e a fé, a matéria e o espírito, a vida carnal e a vida espiritual.

Barroco X Renascimento
O homem do período renascentista acreditava que a cultura mais perfeita era a cultura desenvolvida em meio ao paganismo. Acreditava que a arte, a ciência e a erudição tinham florescido durante o período clássico, Grécia e Roma, e na capacidade de ação do homem, na sua atuação como ser dono do Universo e capaz de modificar tudo à sua volta. Na literatura eram imitados os textos da antiguidade Clássica. Já o homem do período barroco estava dividido entre a religião e o paganismo, entre a verdade e a mentira, o amor e a solidão, o pecado e o perdão. As poesias são rebuscadas e utilizam o jogo de idéias, são assimétricas e apresentam antíteses, reflexo do conflito em que o homem barroco vivia

Literatura Barroca
Literatura barroca é uma área da literatura ocidental, produzida sobretudo no séc XVII, teve a sua compreensão e interpretação crítica extraordinariamente aprofundada e esclarecida graças à introdução no uso crítico e historiográfico do conceito de barroco literário. O termo veio das artes plásticas e visuais, com um sentido pejorativo, designando a arte do período subseqüente ao Renascimento, que era interpretada como uma forma degenerada dessa arte, pela perda da clareza, pureza, equilíbrio, em troca do exagero ornamental e das distorções. Originalmente tal como era corrente nos séculos X.VI e XVII barroco significava arte bizarra, artificial. A etimologia do termo é controvertida. Designando pérola de superfície irregular, teria sido usada por espanhóis e portugueses (barrueco e barroco). Por outro lado, a palavra fora usada pela escolástica medieval, como termo mnemônico do silogismo e assim aparece em Montaigne com intenção irônica, pois então queria dizer raciocínio estranho, vicioso, confundindo o falso e o verdadeiro. Até o século XIX, permaneceu este o significado: argumentação barroco; imagem barroca; figura barroca.

A revisão da questão se deve a Jacob Burckhardt, no Cicerone (1855). Mas a sua reformulação definitiva para a história da arte, e depois para a crítica literária, foi empreendida por Heinrich Wolffin (1864-1945) desde 1879 ao reabilitar a arte barroca, mostrando-a como uma forma peculiar, com valor estético e significado próprios. Estabeleceu Wolfflin a teoria da análise formal das artes, pela qual a passagem de um tipo de arte para outro se processaria segundo princípios internos. Assim, à arte renascentista sucedeu a barroca, não como um declínio, porém como o desenvolvimento natural para um estilo posterior, que já não é táctil, porém visual, não é linear, porém pictórico, não é composto em plano mas em profundidade, nem em partes coordenadas mas subordinadas a um conjunto, não é fechado mas aberto, não tem claridade absoluta mas relativa. Tal teoria da definição dos estilos artísticos, à luz dessas categorias, foi aplicada à análise da literatura, nas obras que exprimiram a oposição entre o Renascimento e o barroco, como o Orlando Furioso de Ariosto e a Jerusalém Libertada do Tasso. De 19l4 em diante o termo foi absorvido pela crítica literária, e se ampliaram os estudos interpretativos da literatura seiscentista. As velhas denominações , “seiscentismo” , “gongorismo” “eufuísmo”, “marinismo”, “conceptismo”, “culteranismo”, “cultismo”, “preciosismo”, de sentido pejorativo, passaram a ser compreendidas como referindo-se a formas imperfeitas ou não desenvolvidas do barroco e são hoje melhor englobadas sob o rótulo de barroco.

Assim, o barroco é o estilo artístico e literário, e mesmo o estilo de vida, que encheu o período entre o final do século XVI e o século XVIII, em todos os povos do Ocidente, com variantes locais de tempo e fisionomia artística, embora com unidade de características estéticas e estilísticas. Mas, ao lado do elemento formal peculiar, o barroco é ligado a uma ideologia, que lhe empresta unidade espiritual, e essa ideologia foi fornecida pela Contra-Reforma.O barroco foi o estilo, a arte de atributos morfológicos adequados á expressão do conceito da vida dinamizado pela Contra-Reforma em reação ao Renascimento, e de modo a traduzir--se em todas as manifestações artísticas, a16m ao vestuário, da jardinagem, das festas.A ideologia tridentina comunicou à época e à arte uma fisionomia trágica , dilacerada entre os pólos celeste e terrestre, entre a carne e o espírito, procurando incutir no homem o horror do mundo, o medo da morte, o pavor do inferno, conquistando-o para o céu pela captação de imaginação e seus sentidos, para o que usa o ornamental e o espetacular. O homem barroco é contraditório, em estado de conflito, saudoso do paraíso e ao mesmo tempo seduzido pelo mundo e pela carne. A literatura barroca, destarte, apresenta caracteres típicos:o fusionismo (união dos detalhes num todo orgânico), o claro-escuro, o eco, a união do racional e do irracional (expressa nas figuras estilísticas paradoxo), a ambigüidade, o caráter grandioso e ornamental (expresso no exagero de figuras estilísticas), figuras de estilo que traduzem o estado de conflito e tensão espiritual (antíteses, paradoxos, contorções, hipérboles, etc) ; o uso dos concetti, wit, agudeza, do tipo de estilo conhecido como genus humile, de forma; epigramática, sentenciosa, breve. É um estilo chamado filosófico, de pensamento, mais para ser lido do que ouvido, oposto ao estilo ciceroniano, redondo, oratório. A literatura barroca inclui grandes nomes do seiscentismo: Góngora, Quevedo, Cervantes, Calderón, Lope de Vega, Gracián, Tasso, Marino, Donne, Crashaw, Shakespeare, Montaigne, Pascal, Antônio Vieira, Rodrigues Lobo, Gregório de Matos, Soror Juana de la Cruz e muitos outros.


www.megatimes.com.br
www.klimanaturali.org

lumepa.blogspot.com

Arquivo