Tristes Trópicos | Claude Lévi-Strauss

Tristes Trópicos | Claude Lévi-Strauss

Tristes Trópicos | Claude Lévi-Strauss"Todos os bens dos Nambikwara cabem facilmente na cesta levada pelas mulheres, no decurso da vida nômada. Estas cestas são de bambu rachado, tecido em ponto aberto com seis tiras (dois pares perpendiculares entre si e um par oblíquo), formando uma rede de largas malhas estreladas; alargando ligeiramente no orifício superior, terminam em dedo de luva em baixo. A sua dimensão pode atingir um metro e meio, o que quer dizer que são por vezes tão grandes como a pessoa que a transporta. 

Põem-se no fundo algumas tortas de mandioca, cobertas de folhas; e, por cima, mobiliário e utensilagem: recipientes feitos com cabaças, facas feitas com uma lasca cortante de bambu, ou com pedras grosseiramente talhadas, ou ainda com pedaços de ferro — obtidos por troca — e fixados, com a ajuda de cera e de cordéis, entre duas ripas de madeira, formando o cabo; brocas compostas por um furador de pedra ou de ferro, montado na extremidade de um cabo que se faz rodar entre as palmas das mãos. Os indígenas possuem machados e machadinhas de metal, recebidas da comissão Rondon, e os seus machados de pedra já só são utilizados como bigornas para modelar objetos de concha ou de osso; continuam a utilizar mós e polidores de pedra. A cerâmica é desconhecida dos grupos orientais (entre os quais comecei as minhas pesquisas), e mantém-se grosseira nos outros lugares. Os Nambikwara não têm pirogas e atravessam os cursos de água a nado, auxiliando-se por vezes com bocados de madeira, como se fossem bóias."

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