A Arrogância dos Mortos | Kenzaburo Oe


A Arrogância dos Mortos | Kenzaburo Oe


A Arrogância dos Mortos | Kenzaburo Oe“Os mortos continuavam confabulando em voz carregada e compacta e essas inúmeras vozes se mesclavam dificultando a sua capacitação. Vez por outra, todos se calavam na quietude e logo retornava a algazarra. Esta se intensificava numa lentidão irritante, se retraía e novamente voltava a quietude. Um dos corpos girava sobre si com vagar e de ombros mergulhava na profundeza do líquido. Por um instante, apenas seu braço enrijecido ficava exposto sobre a superfície e o corpo retornava calmamente à tona. Eu e a estudante descemos com o supervisor da sala de anatomia ao subsolo do grande auditório da Faculdade de Medicina, através de uma escura escadaria. As solas umedecidas dos sapatos escorregavam nos frisos de metal já gastos da escadaria e toda vez que isso ocorria, a estudante emitia breves exclamações.”

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