Babbitt | Sinclair Lewis

Babbitt | Sinclair Lewis

Babbitt | Sinclair Lewis"Babbitt deu um gemido, virou-se e procurou refugiar-se de novo no seu sonho. Já não podia ver mais que o rosto dela, atrás das águas túrbidas. O homem do calorífero fechou de estalo a porta do porão. Um cão ladrou no pátio do vizinho. No momento em que Babbitt ia mergulhando voluptuosamente numa onda tépida e indistinta, o distribuidor de jornais passou assobiando e o Advocate Times, cintado, veio chocar-se na porta da frente. 

Babbitt despertou sobressaltado, sentindo uma constrição no ventre. Apenas tranqüilizado, trespassou-o um ruído irritante e muito conhecido: alguém procurava por um Ford em movimento: prra-pa-pa, prra-pa-pa, prra-pa-pa. Também automobilista fervoroso, Babbitt dava à manivela com o chofer invisível, esperava com ele, durante um tempo indeterminável, que o motor se pusesse a roncar, exasperava-se com ele quando o ruído morria e recomeácava o paciente, o infernal prra-pa-pa, cadência seca e fechada, cadência de manhã friorenta, exasperante e fatal. E só quando a voz do motor, elevando-se, lhe indicou que o Ford se pusera em movimento, libertou-se ele dessa tensão ofegante. Lançou um olhar à sua árvore favorita, à ramagem do ulmeiro que se destacava sobre o céu dourado, e esforçou-se por voltar ao sono como quem procura uma droga. Babbitt, que fôra um menino cheio de confiança na vida, já não se interessava muito pelas aventuras possíveis mas improváveis de cada novo dia. Conseguiu esquivar-se à realidade até que soou o despertador, às sete e vinte."

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