Casa-Grande e Senzala | Gilberto Freyre

Casa-Grande e Senzala | Gilberto Freyre

Casa-Grande e Senzala | Gilberto Freyre"A culinária nacional – seja dito de passagem – ficaria empobrecida, e sua individualidade profundamente afetada, se se acabasse com os quitutes de origem indígena: eles dão um gosto à alimentação brasileira que nem os pratos de origem lusitana nem os manjares africanos jamais substituiriam. Mas deve-se salientar que foi nas cozinhas das casas-grandes que muitos desses quitutes perderam o ranço regional, o exclusivismo caboclo, para se abrasileirarem. No extremo-norte faz-se ainda de mandioca uma comida indígena chamada macapatá: um bolo feito de massa de mandioca mole que "depois de espremida no tipiti", diz Araújo Lima, "amassada com banha de tartaruga e com pedaços de castanha crua é espalmada em pequenas porções oblongas, envolvidas em folhas de bananeira, para serem assadas em rescaldo". 

Faz-se mais uma bebida, o tarubá, de beijus que depois de ligeiramente mergulhados dentro de água, de modo a ficarem apenas umedecidos, são postos um a um sobre folhas de curumi (kurumikáa) em "uma cama de folha de bananeira estendida num jirau especial feito na casca da farinha ou na cozinha", sendo então polvilhado com puçanga e coberto com folha de curumi. Cobrem-se então todos os beijus de folha de curumi e de banana; e assim se deixa ficar por três dias – quando deles começa a escorrer uma espécie de melaço. Desfaz-se então toda a massa em água, passa-se pela urupema e deixa-se descansar. Está pronta uma deliciosa bebida que tomada em excesso embriaga. Tem um doce perfume, esse tarubá."

www.megatimes.com.br

www.klimanaturali.org