Dupla Chama | Octavio Paz

Dupla Chama | Octavio Paz

Dupla Chama | Octavio Paz"A sexualidade é animal; o erotismo é humano. É um fenômeno que se manifesta dentro de uma sociedade e que consiste, essencialmente, em desviar ou mudar o impulso sexual reprodutor e transformá-lo numa representação. O amor, por sua vez, também é cerimônia e representação, mas é alguma coisa mais: uma purificação, como diziam os provençais, que transforma o sujeito e o objeto do encontro erótico em pessoas únicas. O amor é a metáfora final da sexualidade. Sua pedra de fundação é a liberdade: o mistério da pessoa. Não há amor sem erotismo como não há erotismo sem sexualidade. Mas a cadeia se rompe em sentido contrário: amor sem erotismo não é amor e erotismo sem sexo é impensável e impossível. Às vezes é difícil distinguir entre amor e erotismo; por exemplo: na paixão violentamente sensual que unia Paolo a Francesca. Apesar disso, o fato de que sofressem juntos sua pena, sem poder nem, sobretudo, querer se separar, revela que o amor realmente os unia. Embora seu adultério fosse particularmente grave – Paolo era irmão de Giovanni Malatesta, o esposo de Francesca – o amor refinara sua luxúria; a paixão, que os mantém unidos no inferno, se não os salva, os enobrece."

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