Lolita | Vladímir Nabókov

Lolita | Vladímir Nabókov

Lolita | Vladímir Nabókov"Estávamos sentados em almofadas amontoadas no chão e Lo estava entre mim e a mulher (ela própria se havia introduzido entre nós, a minha querida). Eu, por minha vez, entreguei-me a uma descrição jovial de minhas aventuras árticas. A musa da invencionice pôs-se nas mãos um rifle e eu atirei contra um urso branco, que se sentou e exclamou: "Ah!". Durante o tempo todo, sentia vivamente a proximidade de L. e, enquanto falava, gesticulava na abençoada obscuridade e me valia daqueles meus gestos invisíveis para tocar-lhe a mão, o ombro e a bailarina de lã e gaze com a qual ela brincava e que constantemente se insinuava até o meu colo – e, por fim, quando eu havia envolvido completamente a minha resplendente querida naquela onda de carícias etéreas, me atrevi a passar a mão pela sua perna nua, junto de sua nervosa canela, e regozijava-me com as minhas próprias piadas e tremia, e ocultava os meus tremores e, uma ou duas vezes, senti, com meus lábios ágeis, o calor de seus cabelos, esticando o focinho em meio de um gracejo e acariciando-lhe a boneca. Ela também se mexia muito, até que, finalmente, a mãe lhe disse, em tom áspero, que deixasse daquilo, tirando-lhe a boneca e jogando-a em meio da escuridão, enquanto eu ria e me dirigia a Mrs Haze através das pernas de Lo, a fim de permitir que minha mão subisse pelas magras costas de minha nymphet e lhe sentisse a pele através de sua camisa de menino."

www.megatimes.com.br

www.klimanaturali.org