O Paraíso Perdido | John Milton

O Paraíso Perdido | John Milton

O Paraíso Perdido | John Milton"Se pudesse crer que a morte ameaçada devesse seguir ao que tentei, eu suportaria, sozinha, o pior destino e não procuraria persuadir-te; melhor seria morrer abandonada que te induzir a uma ação perniciosa à tua tranqüilidade, principalmente depois que estou assegurada da maneira extraordinária do teu amor, tão verdadeiro, tão fiel e sem igual. Sinto, porém, de outra maneira o resultado; sinto, não a morte, mas a vida aumentada, abertos os olhos, novas esperanças, novas alegrias, um gosto tão divino que qualquer doçura que antes tenha penetrado nos meus sentidos me parece, perto desta, insípida e amarga. Pela minha experiência, Adão, prova-o livremente, e entrega aos ventos o terror da morte.

Assim dizendo, ela abraçou-o e chorou de alegria, ternamente; era ter ganho muito que Adão tivesse enobrecido o seu amor, a ponto de incorrer, por ela, no descontentamento divino ou na morte. Em recompensa (pois criminosa condescendência merecia essa ótima recompensa), com mão liberal, ela lhe dá o fruto do ramo sedutor e belo. Adão não teve escrúpulos em comê-lo, apesar do que sabia.

Não foi enganado, mas apaixonadamente vencido pelo encanto da mulher!

A terra tremeu até as entranhas, como de novo nas dores, e a natureza soltou segundo gemido. O céu se cobriu, fez ouvir surdo trovão e chorou algumas lágrimas tristes, quando se consumou o mortal pecado original!

Adão não se precaveu, comendo até a saciedade. Eva não temia reiterar sua primeira transgressão, a fim de agradar mais ao esposo com a sua amada companhia. Ambos, agora, como ébrios dum novo vinho, nadam em alegria; imaginam sentir, em si próprios, a Divindade, que lhes faz nascer as asas com que desdenharão a terra. Mas esse traiçoeiro fruto operou outro efeito, acendendo pela primeira vez o desejo carnal. Adão começou a lançar olhares lascivos sobre Eva; Eva os retribuía também, voluptuosamente: ardem em sensualidade."

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