O Sistema da Natureza | Barão de Holbach

O Sistema da Natureza | Barão de Holbach

O Sistema da Natureza | Barão de Holbach"Exame das provas da Existência de Deus

Platão, esse grande criador de quimeras, disse que aqueles que só admitem o que podem ver e apalpar são estúpidos e ignorantes pois se recusam a admitir a realidade das coisas invisíveis .Os nossos teólogos falam-nos a mesma linguagem: as religiões européias foram visivelmente infectadas pelas fantasias platônicas, que são sem dúvida alguma o resultado de noções obscuras e da metafísica ininteligível dos padres egípcios, caldeus, assírios aos quais Platão foi beber a sua pretendida filosofia. Na verdade, se esta consiste no conhecimento da natureza, somos forçados a concordar que a doutrina platônica não merece realmente tal nome, visto que afinal afastou o espírito humano da natureza visível para o lançar no mundo intelectual, onde só encontrou quimeras. Contudo, é esta filosofia fantástica que regula ainda todas as nossas opiniões. Os nossos teólogos, guiados pelo entusiasmo de Platão, só entretêm os seus espectadores com espíritos, inteligências de substâncias incorporais, potências invisíveis, Anjos, Demônios, virtudes misteriosas, efeitos sobrenaturais, iluminações divinas, idéias inatas etc.

A acreditarmos neles, os nossos sentidos são-nos inteiramente inúteis; a experiência não serve para nada; a imaginação, o entusiasmo, o fanatismo, e os movimentos de receio que os preconceitos religiosos fazem nascer em nós, são inspirações celestes , advertências divinas, sentimentos sobrenaturais que devemos preferir à razão, ao juízo, ao bom senso. Depois de nos terem imbuído desde a infância com tais máximas para nos ofuscarem e cegarem, fácil é convencerem-nos dos maiores absurdos, dando-lhe o imponente nome de Mistérios , e impedindo-nos de examinar aquilo em que querem que acreditemos. Seja como for, responderemos a Platão e a todos os Doutores que, como ele, nos impõe a necessidade de acreditar o que não podemos compreender, que para aceitar que uma coisa existe é preciso ter dela alguma idéia; que esta idéia só nos pode chegar pelos sentidos; que tudo o que os sentidos nos não dão a conhecer é como se não existisse; e se é absurdo negar a existência do que se não conhece, mais extravagante é conceder-lhe qualidades desconhecidas, e estúpido tremer em frente de fantasmas, ou respeitar vãos ídolos revestidos de qualidades incompatíveis combinadas pela nossa imaginação que nunca consultou nem a experiência nem a razão."

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