O Túnel | Ernesto Sabato

O Túnel | Ernesto Sabato

O Túnel | Ernesto Sabato"Foi como se as imagens de um pesadelo desfilassem vertiginosamente sob a luz de um foco monstruoso. Enquanto me vestia com rapidez, passaram diante de mim todos os momentos suspeitos: a primeira conversa telefônica, com a assombrosa capacidade de simulação e a vasta aprendizagem revelada nas mutações de sua voz; as escuras sombras em torno de Maria, dilatando-se através de tantas frases enigmáticas; e esse temor de "fazer-me mal", que só podia significar "far-te-ei mal com minhas mentiras, com minhas inconsequências, com meus atos ocultos, com a simulação de meus sentimentos e sensações", já que não podia fazer-me mal por amar-me de verdade; e a dolorosa cena dos fósforos; e como no princípio havia se esquivado aos meus beijos e só cedera ao amor físico quando a havia posto ante o extremo de confessar sua aversão ou, no melhor dos casos, o sentido maternal e fraternal do seu carinho; o que, desde logo, me impedia de crer nos seus arrebatamentos de prazer, em suas palavras e em suas atitudes de êxtase.

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