Omeros | Derek Walcott


Omeros | Derek Walcott

Omeros | Derek Walcott
"Através das costas ele sentiu a vila, ouviu lá embaixo o marulhar
de jardineiras-lotações. O andorinhão marinho o observou
Depois trissou rumo ao oceano, e engolfou-se na espuma das nuvens.

Pelo tempo que uma gota leva para secar
sobre a cera de uma folha de taioba, Philoctete ficou deitado
na terra quente, sobre a espinha seixosa, a olhar o céu

alterando continentes brancos com sua geografia.
Ele iria pedir perdão a Deus. Sobre a calma baía
a relva cheirava gostoso e as nuvens se mudavam bonito.

Em seguida ouviu guerreiros acorrendo à batalha;
mas era vento a erguer os inhames mortos, o sacudir
de lança de uma palmeira. Vaqueiros aboiando gado

que não foram fazer descobrimentos, foram os descobertos,
que não foram aquinhoados com vitórias; foram os
agrilhoados, que nada arrasaram até o chão; foram o chão.

Ele seria a própria alma da paciência, como um cavalo velho
escarvando no pasto, sacudindo a crina, ou abanando
a cauda enquanto as moscas insistem em rodear sua ferida;

se um cavalo podia suportar aflições, os homens também podiam.
Apoiou-se num galho e experimentou sua pata morta
na terra elástica. Parecia sem peso como uma esponja."


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