Abertura Musical

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Abertura Musical

Abertura Musical

As primeiras óperas, escritas no período barroco, começavam de forma abrupta, sem uma peça instrumental que as antecedesse. Foi somente no início do século XVII, por iniciativa de Monteverdi, que as óperas passaram a ser dotadas de abertura.

Peça orquestral de introdução a óperas, operetas, cantatas, oratórios e obras de música sacra, a abertura evoluiu de simples preparação do ambiente tonal a uma síntese da obra a que serve de pórtico. Inicialmente, não tinha uma relação maior com a obra executada em seguida, destinando-se apenas a preparar o espírito dos ouvintes para a apresentação de uma peça musical. Assim, as aberturas das óperas sérias e cômicas de Cimarosa são perfeitamente iguais.

Foi somente em meados do século XVII que Lully criou óperas e bailados com aberturas expressivas, identificadas com o clima psicológico das obras que preludiavam. Suas aberturas começavam com um movimento grave e majestoso, seguido de outro, vivo e alegre, e encerravam-se com uma repetição do primeiro, porém com diferente trabalho temático. Essa forma, conhecida como abertura francesa, perdurou até meados do século XVIII, quando Gluck criou, para Ifigênia em Áulida (1774), uma abertura grandiosa de estilo classicista, que resume espiritualmente a ópera. Weber, por outro lado, sistematizou o emprego dos temas principais da ópera como temas sinfônicos da abertura, notadamente na de Der Freischütz (O franco-atirador).

Essas duas tendências reuniram-se em Wagner: suas aberturas para O navio fantasma, Tannhäuser e Os mestres cantores são sinfonias às quais o enredo da ópera serve de programa, e os temas são os motivos principais da própria ópera. Em outros casos, como em Tristão e Isolda, a abertura é substituída por um prelúdio, mais breve, também com uso de motivos da ópera, mas sem pretensão de esgotá-los; nesses casos, voltou-se ao uso da abertura como mera preparação de espírito dos ouvintes. O mesmo acontece em muitas óperas italianas e francesas (Verdi, Bizet) do século XIX.

Já a forma italiana, atribuída a Alessandro Scarlatti, inicia-se com um movimento vivo (ou allegro), seguido de um trecho lento (ou adagio), finalizando com um movimento rápido (ou presto). Mais tarde, essa forma foi modificada, com a introdução de um minueto, transformado posteriormente em scherzo por Beethoven, dando origem ao esquema da sinfonia moderna.

As aberturas das óperas do século XIX seguem um dos seguintes tipos: a abertura em forma de sonata, de que é exemplo Don Giovanni, de Mozart, e a que pertencem também as aberturas independentes ou de concerto; a abertura de pot-pourri, em que se coordenam os temas mais salientes da ópera, e de que são exemplo muitas aberturas de Rossini, como Guillaume Tell; a abertura sinfônica, em que os temas principais da ópera preludiada são expostos como síntese prévia da obra.

Desse gênero são as aberturas de Weber para Der Freischütz, Oberon e Euryanthe; as de Wagner, sobretudo a de Tannhäuser; as de Verdi; e a de O guarani de Carlos Gomes. A ópera do século XX dispensa em geral a abertura.