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Buffalo Bill, William Frederick Cody

Buffalo Bill, William Frederick Cody

Buffalo Bill,
Buffalo Bill (William Frederick Cody) nasceu em 26 de Fevereiro de 1846 e morreu em 10 de Janeiro de 1917. A Lenda Americana de Buffalo Bill é alimentada por três eventos principais: 1 – Quando homem. 2 – Do seu Wild Old West Show, apresentado não só nos EUA, como também na Europa. 3 – E suas inumeráveis e intermináveis aventuras publicadas. Quando jovem foi por pouco tempo carteiro trabalhando para o Pony Express, depois soldado, após a Guerra Civil Americana, tornou-se caçador de bisontes, e finalmente participou como “Scout” do Exército dos EUA, em batalhas contra os Cheyennes e Sioux. Foi casado com Luisa e teve duas filhas: Arta e Ora. Em 1872 foi eleito para a Câmara dos Representantes do Estado de Nebraska e em 1883 fundou o famoso Wild Old West Show, no qual exibia índios, cowboys e exímios atiradores, escolhidos do próprio e selvagem Oeste. 

Após a sua morte, em Denver, Colorado, foram escritas centenas e centenas de biografias heróicas ou não que se contradizem entre elas. Aos 22 anos ele fundou uma cidadela chamada Roma, em Kansas, que a princípio foi engrandecendo. Mas um seu rival criou outra cidade pouco distante, a Hays City e melhor politicamente que ele, conseguiu com que a linha da Ferrovia Kansas-Pacific passasse perto de Hays City e não perto de Roma. Permanecendo por lá, algum tempo somente a família de Buffalo Bill. Durante a sua permanência no “Pony Express”, certa vez o cavaleiro que devia trocar o turno com ele, foi morto pelos índios, Buffalo Bill percorreu então, galopando sem parar 450 quilômetros, trocando 21 cavalos nesse trajecto. É um recorde que jamais foi batido. Um dia relatou: “Encontramos certa vez, índios em Arkansas, perto do Fort Larned, os fizemos correr, com a ajuda de meus homens, então escalpelamos os dois que tínhamos matado e retornamos calmamente ao Forte, com os nossos inigualáveis troféus”. Possuiu um rifle que ele chamava de “Lucrezia” e um cavalo inseparável o “Brigham”. Nos últimos anos da sua vida, ele que havia obtido e perdido milhares de dólares, durante sua meteórica carreira de entretenimento, transformou-se ao fim, num simples e mortal humano, procurando esquecer o seu passado, bebendo.

Buffalo Bill, William Frederick Cody

Billy the Kid, Henry McCarthy | Nova York

Billy the Kid, Henry McCarthy | Nova York

Billy the Kid, Henry McCarthy | Nova York
O “Desperado” mais procurado dos EUA, ainda quando vivo foi amaldiçoado e glorificado, como caridoso ou um simples cretino psicopata, era também distinguido pelo seu cinismo e por sua mira infalível. Nasceu em 23 de Novembro de 1859 com o nome de Henry McCarthy em Nova York, deixou-a em 1875 após a morte da mãe chamando-se Henry Antrim quando esteve em Silver City e tornava-se com apenas 16 anos o cowboy William Bonney no Texas. 

Possuía 1,52 mts de estatura, cabelos loiros e olhos azuis, com lineamentos regulares. Durante um Inverno, o jovem comerciante Inglês John Henry Tunstall, que possuía um armazém em Lincoln City, Novo México, e um pequeno rancho, dava trabalho a esse rapaz. Esse gesto de generosidade e também a forte amizade que ligava o jovem cowboy e o comerciante, talvez fosse o motivo que induziu Billy the Kid após a morte de John em 18 de Fevereiro de 1878 a participar ativamente de uma “Guerra”, que no fundo não era sua, porque combatiam dois grupos opostos por interesses diversos. Em 1 de Abril de 1878 o xerife William Brady e o seu vice George Hindman foram mortos em Lincoln por três homens, jamais identificados. 

A partir daquele momento, Billy the Kid com um punhado de homens temerários, continuou uma parte dessa guerra como sua vingança pessoal. Essa vingança custaria a vida de mais 300 homens. Quando esses combates se tornaram intoleráveis, o governador Lewis Wallace anunciou em 7 de Outubro de 1878, a proclamação de uma amnistia do presidente dos EUA, Rutherford B. Hayes, onde prometia impunidade a todos aqueles que depusessem as suas armas e retornassem a um laboro digno. Para Billy the Kid e seus assim chamados “Reguladores”, não sobrava mais do que deixar o país ou assumir o banditismo. O fim seria inevitável; o bando de Billy the Kid foi aniquilado homem após homem e ele próprio foi preso em 20 de Fevereiro de 1880 pelo xerife Pat Garret, numa casa perto de Stinking Springs. Em 30 de Março de 1881 foi acusado de homicídio do xerife Brady pela Corte dos EUA-District de Mesilla, em 13 de Abril foi declarado culpado e em 15 de Abril foi condenado à morte. Foi levado para a prisão de Lincoln, onde seria executado, mas ele escapou da sua cela em 28 de Abril de 1881, após ter matado dois guardas. O projétil mortal disparado por Pat Garret atingia Billy the Kid em 14 de Julho de 1881.

Billy the Kid, Henry McCarthy | Nova York

José de Alencar (Biografia)

José de Alencar (Biografia)

José de Alencar (Biografia)Logo depois da proclamação da Independência, em 1822, era invejável o prestígio de D. Pedro I, pois o povo e a maioria dos políticos o admiravam muito. Aos poucos, essa situação foi se alterando. Já por volta de 1830, o país enfrentava sérios problemas econômicos, que tinham se agravado com a falência do Banco do Brasil, em 1829, e com a Guerra da Cisplatina, que durou três anos (1825/1828).

A popularidade de D. Pedro I começou a decair e a forte oposição ao imperador apontava uma única solução para a crise: a abdicação em favor do filho, o que acabou acontecendo em abril de 1831.

O príncipe D. Pedro I, imperador do Brasil, retornou a Portugal. Governando em seu lugar ficava a Regência Trina Provisória, constituída de políticos que substituiriam seu filho e herdeiro do trono, D. Pedro de Alcântara, então com 5 anos. Nesse cenário político atuava o padre José Martiniano de Alencar, deputado pela província do Ceará, que já estivera envolvido em várias lutas liberais. No ano de sua eleição (1829), mais precisamente no dia 1º. de maio, nasceu-lhe o primeiro filho, fruto da “união ilícita e particular” (como ele próprio considerava) com a prima Ana Josefina de Alencar. A criança, nascida em Mecejana, Ceará, recebeu o mesmo nome do pai: José Martiniano de Alencar. Menino e adolescente, seria tratado no meio familiar pelo apelido de Cazuza. Quando adulto, se tornaria conhecido de todo o Brasil como José de Alencar, considerado um dos maiores escritores do nosso Romantismo.

Em 1830, a família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde José Martiniano (o pai, é claro) assumiria o cargo de senador. Quatro anos mais tarde, o ex. – padre Alencar foi nomeado governador do Ceará e voltou com a família para o Estado de origem. Aos 9 anos, Cazuza acompanhou o pai numa viagem por terra entre o Ceará e a Bahia. Essa viagem deixaria marcas profundas no futuro romancista, que recordará:

“Cenas (...) que eu havia contemplado com os olhos de menino de dez anos, ao atravessar essa regiões em jornada do Ceará à Bahia (...), agora se debuxavam na memória do adolescente...”.

A família voltou ao Rio de Janeiro, desta vez para ficar. O pai assumiu novamente seu cargo de senador e o menino começou a frequentar a Escola de Instrução Elementar.

D. Pedro de Alcântara tinha então 13 anos e já se articulava a declaração de sua maioridade, medida a quem o senador Alencar mostrava-se favorável. Em 1840, decreta-se a maioridade de D. Pedro, considerada por muitos políticos da época como a única saída para garantir a estabilidade do país. No período de 1831 a 1840, inúmeras rebeliões tinham abalado o governo regencial: a Cabanagem, a Sabinada, a Farroupilha e a Balaiada.

Quando essas rebeliões aconteceram, a família Alencar morava numa chácara no Rio de Janeiro, de onde, segundo José de Alencar, saiu “a revolução popular de 1842...” O que o escritor chamava de revolução tratava-se, na verdade, de um dos vários movimentos que ocorreram em São Paulo e Minas como protesto a medidas antiliberais do governo. Todos prontamente dominados por Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caixias.

Filho de política, o jovem Alencar assistia a tudo isso de perto. Assistia e, certamente, tomava gosto pela política, atividade em que chegou a ocupar o posto de ministro da Justiça. Mas isso ocorreria bem mais tarde.

Em meio à agitação de uma casa frequentada por muita gente, como era a do senador passou pelo Rio um Primo de Cazuza. O jovem dirigia-se a São Paulo, onde completaria o curso de Direito, e Alencar resolveu acompanhá-lo. Ia seguir a mesma carreira. Dessa decisão, ficou um registro do escritor:

“Ao chegar a São Paulo eu era uma criança de 13 anos”.
Então o cearense José Martiniano de Alencar, foi morar com o primo e mais dois colegas numa república de estudantes da Rua São Bento.

Na escola de Direito discutia-se tudo: Política, Arte, Filosofia, Direito e, sobretudo, Literatura. Era o tempo do Romantismo, novo estilo artístico importado da França. Essa estilo apresentava, em linhas gerais, as seguintes características: exaltação da Natureza, patriotismo, idealização do amor e da mulher, subjetivismo, predomínio da imaginação sobre a razão.

Mas o Romantismo não era apenas um estilo artístico: acabou tornando-se um estilo de vida. Seus seguidores, como os acadêmicos de Direito, exibiam um comportamento bem típico: vida boêmia, regada a muita bebida e farras. As farras, segundo eles, para animar a vida na tediosa cidade; a bebida, para serem tocados pelo sopro da inspiração.

Introvertido, quase tímido, o jovem Alencar mantinha-se alheio a esses hábitos, metido em estudos e leituras, lia principalmente os grandes romancistas franceses da época. Pois não tinha até começado a aprender francês com essa finalidade?

Anos depois, segundo depoimento de um amigo, Alencar iria referir-se ao “...horror daqueles tempos (...); daqueles quartos em que o fumar dos cachimbos não o deixava respirar direito...”.

O jovem cearense jamais se adaptaria às rodas boêmias tão assiduamente frequentadas por outro companheiro que também ficaria famoso: Álvares de Azevedo. Terminado o período preparatório, Alencar matriculou-se na Faculdade de Direito em 1842. Tinha 17 anos incompletos e já ostentava a cerrada barba que nunca mais raparia. Com ela, a seriedade de seu semblante ficava ainda mais acentuada.

O senador Alencar, muito doente, voltava para o Ceará em 1847, deixando o resto da família no Rio. Alencar viajou para o Estado de origem, a fim de assistir o pai. O reencontro com a terra natal faria ressurgir as recordações de infância e fixaria na memória do escritor a paisagem da qual ele jamais conseguiria se desvincular inteiramente. É esse o cenário que aparece retratado em um de seus romances mais importantes: Iracema.

Surgiram na época os primeiros sintomas de tuberculose que infernizaria a vida do escritor durante trinta anos. No seu livro Como e por que sou romancista, Alencar registrou: “... a moléstia tocara-me com a sua mão descarnada...”.

Transferiu-se para a Faculdade de Direito de Olinda. O pai, bem de saúde, logo voltava ao Rio, e Alencar, a São Paulo, onde terminaria o curso. Dessa vez morava numa rua de prostitutas, gente pobre e estudantes boêmios. Alencar continuava desligado da boêmia. Com certeza preparando sua sólida carreira, pois seu trabalho literário resultou de muita disciplina e estudo.

Aos 18 anos, Alencar já tinha esboçado o primeiro romance – Os contrabandistas. Segundo depoimento do próprio escritor, um dos inúmeros hóspedes que frequentavam sua casa usava as folhas manuscritas para... acender charutos. Verdade? Invenção? Muitos biógrafos duvidam da ocorrência, atribuindo-a à tendência que o escritor sempre demonstrou a dramatizar excessivamente os fatos de sua vida.

O que ocorreu sem dramas ou excessos foi a formatura, em1840.

No ano seguinte, Alencar já estava no Rio de Janeiro, trabalhando num escritório de advocacia. Começava o exercício da profissão que jamais abandonaria e que garantia seu sustento. Afinal como ele próprio assinalou, “não conta que alguém já vivesse, nesta abençoada terra, do produto de obras literárias”. Um dos números do jornal Correio Mercantil de setembro de 1854 trazia uma seção nova de folhetim – “Ao correr da pena” – assinada por José de Alencar, que estreava como jornalista.

O folhetim, muito em moda na época, era um misto de jornalismo e literatura: crônicas leves, tratando de acontecimentos sociais, de teatro, de política, enfim, do cotidiano da cidade.

Alencar tinha 25 anos e obteve sucesso imediato no jornal onde trabalharam posteriormente Machado de Assis (dez anos mais jovem que ele) e Joaquim Manuel de Macedo. Sucesso imediato e de curta duração. Tendo o jornal censurado um de seus artigos, o escritor desligou-se de sua função. Um resumo do que ocorreu: com a extinção do tráfico de escravos, em 1850, muito dinheiro começou a circular na economia brasileira e a Bolsa tornou-se o centro da agiotagem e das especulações financeiras que proporcionavam lucro fácil aos que já eram ricos.

Alencar viu, analisou e denunciou:

“Todo mundo quer ações de companhias (...) As cotações variam a cada momento, e sempre apresentando uma nova alta de preços. Não se conversa sobre outra coisa...”. A direção do jornal, que obviamente tinha interesses econômicos a preservar, censurou o artigo e Alencar demitiu-se. Em 8 de julho de 1855, assinou pela última vez sua coluna, nela registrando:

“Dantes os homens tinham as suas ações na alma e no coração, agora têm-nas no bolso”.

Começaria nova empreitada no Diário do Rio de Janeiro, outrora um jornal bastante influente, que passava naquele momento por séria crise financeira. Alencar e alguns amigos resolveram comprar o jornal e tentar ressuscitá-lo, investindo dinheiro e trabalho. Nesse jornal aconteceu sua estreia como romancista: em 1856 saiu em folhetins o romance Cinco Minutos. Ao final de alguns meses, completada a publicação, juntaram-se os capítulos em único volume que foi oferecido como brinde aos assinantes do jornal. No entanto, muitas pessoas que não eram assinantes do jornal procuraram comprar a brochura. Alencar comentaria: “(...)foi a única muda mas real animação que recebeu essa primeira prova. (...) Tinha leitores espontâneos, não iludidos por falsos anúncios”. Nas entrelinhas, percebe-se a queixa que se tornaria obsessiva ao longo dos anos: a de que a crítica atribuíra pouca importância a sua obra. Com Cinco minutos e, logo em seguida, A viuvinha, Alencar inaugurou uma série de obras em que buscava retratar (e questionar) o modo de vida na Corte. Nessas obras circulam padrinhos interesseiros, agiotas, negociantes espertos, irmãs abnegadas e muitos outros tipos que servem de coadjuvantes nos dramas de amor enfrentados pelo par amoroso central. É o chamado romance urbano de Alencar, tendência em que se enquadram, além dos acima citados, Lucíola, Dina, A pata da gazeta, Sonhos d’ ouro e Senhora, este último considerado sua melhor realização da ficção urbana. Além do retrato da vida burguesa da Corte, esses romances também mostram um escritor preocupado com a psicologia dos personagens, principalmente os femininos. Alguns deles, por isso, são até chamados de “perfis de mulheres”. Em todos, a presença constante do dinheiro, provocando desequilíbrios que complicam a vida afetiva dos personagens e conduzindo basicamente a dois desfechos: a realização dos ideais românticos ou a desilusão, numa sociedade em que Ter vale muito mais do que ser. Um exemplo é em Senhora, a heroína arrisca toda sua grande fortuna na compra de um marido. Alencar escreveu 21 romances. A sério se inicia com Cinco Minutos, aos 27 anos(1857), e se encerra com Encarnação, aos 48 anos(1877). Certamente, quando resolveu assumir o Diário do Rio de Janeiro, Alencar pensava também numa veículo de comunicação que permitisse a ele expressar livremente seu pensamento. Foi nesse jornal que travou sua primeira polêmica literária e política. Nela, o escritor confronta-se indiretamente com ninguém menos que o imperador Pedro II.

A história foi a seguinte: Gonçalves de Magalhães (que seria posteriormente considerado como o iniciador do Romantismo brasileiro) tinha escrito um longo poema intitulado A confederação dos Tamoios, em que faz um exaltado elogio à raça indígena. D. Pedro II, homem voltado às letras e artes, viu no poema de Magalhães o verdadeiro caminho para uma genuína literatura brasileira. Imediatamente, o imperador ordenou que se custeasse a edição oficial do poema. Alencar, sob o pseudônimo “ig”, utilizando seu jornal como veículo, escreveu cartas a um suposto amigo, questionando a qualidade da obra de Magalhães e o patrocínio da publicação por parte do imperador.

Os termos eram arrasadores:

“As viagens índias do seu livro podem sair dele e figurar em um romance árabe, chinês ou europeu (...) o senhor Magalhães não só não conseguiu pintar a nossa terra, como não soube aproveitar todas as belezas que lhe ofereciam os costumes e tradições indígenas...”

No início, ninguém sabia quem era o tal Ig, e mais cartas foram publicadas sem merecer réplica. Após a quarta carta, alguns escritores e o próprio imperador, sob pseudônimo, vieram a público na defesa de Magalhães. Ig não deixou de treplicar. A extrema dureza com que Alencar tratou o poeta Magalhães e o imperador parece refletir a reação de um homem que se considerava sempre injustiçado e perseguido. Alguns críticos acham que Alencar teria ficado furioso ao ser “passado para trás” num plano que considerava seu, pois já tinha pensado em utilizar a cultura indígena como tema de seus escritos. As opiniões sobre a obra de Magalhães denunciariam, portanto, o estado de espírito de alguém que se sentira traída pelas circunstâncias.

Qualquer que tenha sido o motivo, essa polêmica tem interesse fundamental. Discutia-se de fato, naquele momento, o que seria o verdadeiro nacionalismo na literatura brasileira, que até então tinha sofrido grande influência da portuguesa.
Alencar considerava a cultura indígena como um assunto privilegiado, que, na mão de um escrito hábil, poderia tornar-se a marca distintiva da autêntica literatura nacional. Mas veja bem na mão de um escritor hábil. Talvez ele próprio?

Aos 25 anos, Alencar apaixonou-se pela jovem Chiquinha Nogueira da Gama, herdeira de uma das grandes fortunas da época. Mas o interesse da moça era outro: um rapaz carioca também rico. Desprezado, custou muito ao altivo Alencar recuperar-se do orgulho ferido. Somente aos 35 anos ele iria experimentar, na vida real, a plenitude amorosa que tão bem soube inventar para o final de muitos aos seus romances. Desta vez, paixão correspondida, namoro e casamento rápido. A moça era Georgiana Cochrane , filha de um rico inglês. Conheceram-se no bairro da Tijuca, para onde o escritor se retirara a fim de se recuperar de uma das crises de tuberculose. Casaram-se em 20 de junho de 1864. Muitos críticos veem no romance Sonhos d’ ouro, de 1872, algumas passagens que consideram inspiradas na felicidade conjugal que Alencar parece ter experimentado ao lado de Georgiana.

Nessa altura, o filho do ex. - senador Alencar já se achava metido – e muito – na vida política do Império.

Apesar de ter herdado do pai o gosto pela política, Alencar não era dotado d astúcia e da flexibilidade que tinham feito a fama do velho Alencar.

Seus companheiros da Câmara enfatizam sobretudo a recusa quase sistemática de Alencar em comparecer a solenidades oficiais e a maneira pouco polida com que tratava o imperador. A inflexibilidade no jogo político fazia prever a série de decepções que de fato ocorreriam.

Eleito deputado e depois nomeado ministro da Justiça, Alencar conseguiu irritar tanto o imperador que este, um dia, teria explodido: “É um teimoso esse filho de padre”. Só quem conhecia a polidez de D. Pedro seria capaz de avaliar como o imperador estava furioso para referir-se assim ao ministro José de Alencar.

Enquanto era ministro da Justiça, contrariando ainda a opinião de D. Pedro II, Alencar resolveu candidatar-se ao senado. E foi o mais votado dos candidatos de uma lista tríplice. Ocorre que, de acordo com a constituição da época, a indicação definitiva estava nas mãos do imperador. E o nome de Alencar foi vetado.

Esse fato marcaria o escrito para o resto da vida. Daí para diante, sua ação política traz os sinais de quem se sentia irremediavelmente injustiçado. Os amigos foram aos poucos se afastando e sua vida política parecia ter terminado. Mas era teimoso o suficiente para não abandoná-lo.

Retirou-se para o sítio da Tijuca, onde voltou a escrever. Desse período resultam O gaúcho e A pata da gazeta (1870). Tinha 40 anos, sentia-se abatido e guardava um imenso rancor de D. Pedro II. Eleito novamente deputado, voltou à Câmara, onde ficaria até 1875. Nunca mais, como político, jornalístico ou romancista, iria poupar o imperador. Em 1865 e 1866 foram publicados as Cartas políticas de Erasmo. Partindo da suposta condição de que D. Pedro ignorava a corrupção e a decadência em que se achava o governo, Alencar dirigindo-se ao imperador tentando mostrar mostrar a situação em que se encontrava o país, com seus inúmeros problemas, entre eles o da libertação dos escravos e o da Guerra do Paraguai (1865-1870).

Comentando aquela guerra, a mais sangrenta batalha que já ocorrera na América do Sul, na qual o Brasil perdera cem mil homens, Alencar deseja ao chefe do gabinete governamental: “E ordene Deus conceder-lhe compridos anos e vigor bastante para reparar neste mundo os males que há causado. No entanto, foi a questão dos escravos que mais aborrecimentos trouxe ao escritor. Manifestando-se contra a Lei do Ventre Livre (1871), tomava ele posição ao lado dos escravocratas, despertando a ira de grande contingente de pessoas que, no país inteiro, consideravam a aprovação dessa lei uma questão de honra nacional.

Foi então que no Jornal do Comércio publicaram-se as Cartas de Semprônio (o pseudônimo escondia a figura do romancista Franklin Távora) a Cincinato (o escritor português José F. de Castilho, que Alencar um dia chamara de “gralha imunda”).

Pretextando analisar a obra de Alencar, o que se fazia era uma injuriosa campanha contra o homem e o político.

Távora e Castilho não escreveram, de fato, críticas literária válida quando julgaram as obras de Alencar como mentirosas e frutos de exageros da imaginação.

A crítica atual não tem nenhuma dúvida a respeito da importância fundamental dos romances de Alencar – principalmente os indianistas – para compreendermos o nacionalismo em nossa literatura.

Além do romance urbano do indianista, o escritor ainda incorporaria outros aspectos do Til, O tronco do ipê, O sertanejo e O gaúcho mostram as peculiaridades culturais da nossa sociedade rural, com acontecimentos, paisagens, hábitos, maneiras de falar, vestir e se comportar diferentes da vida na Corte.

Assim é que em O gaúcho a Revolução Farroupilha (1835/1840) serve como pano de fundo à narrativa. O enredo de O tronco do ipê traz como cenário o interior fluminense e trata da ascensão social de um rapaz pobre. Em Til, o interior paulista é o cenário da narrativa.

Mas Alencar não se limitou aos aspectos documentais. O que vale de fato nessas obras é, sobretudo, o poder de imaginação e a capacidade de construir narrativas bem estruturadas. Os personagens são heróis regionais puros, sensíveis, honrados, corteses, muito parecidos com os heróis dos romances indianistas. Mudavam as feições, mudava a roupagem, mudava o cenário. Mas, na criação de todos esse personagens, Alencar perseguia o mesmo objetivo: chegar a um perfil do homem essencialmente brasileiro.

Não parou aí a investigação do escritor: servindo-se de fatos e lendas de nossa história, Alencar criaria ainda o chamado romance histórico. As minas de prata é uma espécie de modelo de romance histórico tal como esse tipo de romance era imaginado pelos ficcionistas de então. A ação passa-se no século XVIII, uma época marcada pelo espírito de aventura. É considerado seu melhor romance histórico. Com o romance histórico, Alencar completava o mapa do Brasil que desejara desenhar, fazendo aquilo que sabia fazer: literatura. Os estudiosos consideram que na obra de Alencar há quatro tipos de romances: indianistas; urbano; regionalista; e histórico. Evidentemente, essa classificação é muito esquemática, pois cada um de seus romances apresenta muito aspectos que merecem ser analisados: é fundamental, por exemplo, o perfil psicológico de personagens como o herói de O gaúcho, ou ainda do personagem central de O sertanejo. Por isso, a classificação prende-se ao aspecto mais importante (mas não único) de cada um dos romances. Se hoje podemos afirmar que Alencar pretendia, com o conjunto de sua obra, traçar um perfil do Brasil, é necessário não imaginar que os tipos por ele criados, ou mesmo sua maneira de descrever os aspectos físicos da natureza brasileira, correspondem estritamente à realidade. A literatura tem o direito e o poder de criação. Portanto, se houver exageros, se os índios de Alencar nos parecem inverossímeis ou se os seus heróis regionais esbanjam invencionice, isso de forma alguma diminui o mérito de escritor. Afinal, a literatura não pretende ser um documento frio e científico da realidade, mas um espaço privilegiado, onde a palavra circula artisticamente, criando situação simbólicas. E, nesse aspecto, Alencar foi mestre, principalmente na concretização do mito do “bom selvagem”, que em tudo se opunha ao europeu civilizado. Sua preocupação maior era, efetivamente, trazer o nacionalismo para nossa literatura, objetivo que ele perseguiu até o fim da vida. Em 1876, Alencar leiloou tudo o que tinha e foi com Georgiana e os seis filhos para a Europa, em busca de tratamento para sua saúde precária. Tinha programado uma estada de dois anos. Durante oito meses visitou a Inglaterra, a França e Portugal. Seu estado de saúde se agravou e, muito mais cedo do que esperava, voltou ao Brasil. A confissão agora é de alguém profundamente abatido, desanimado:

“Perdi meu tempo na Europa; ela nada me inspirou (...) Lisboa é uma cidade morta; Paris, um caleidoscópio vertiginoso; só aqui me sinto bem”.

Apesar de tudo, ainda havia tempo para atacar D. Pedro II.

Alencar editou alguns números do semanário O Protesto durante os meses de janeiro, fevereiro e março de 1877. Nesse jornal, o escritor deixou vazar todo o seu antigo ressentimento pelo imperador, que não o havia indicado par o Senado em 1869. Um exemplo ilustra o teor dos ataques. Após referir-se às inegáveis qualidades intelectuais do imperador, Alencar questiona:

“Não seria muito mais feliz este povo, se o seu defensor perpétuo (...) estivesse agora cogitando na difícil solução da crise financeira e perscrutando a sede dos males que nos afligem?”.

Mas nem só de desavenças vivia o periódico. Foi nele que Alencar iniciou a publicação do romance Exhomem – em que se mostraria contrário ao celibato clerical, assunto muito discutindo na época. Escondido sob o pseudônimo Synerius, o escritor faz questão de explicar o título do romance Exhomem: “Literalmente exprime o que já foi homem”. Alencar não teve tempo de passar do quinto capítulo da obra que lhe teria garantido o lugar de primeiro escritor de Realismo brasileiro. Com a glória de escritor já um tanto abalada, morreu no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877. Contam que, ao saber de sua morte, o imperador D. Pedro II teria se manifestado assim: “Era um homenzinho teimoso”. Mais sábias seriam as palavras de Machado de Assis, ao escrever seis anos depois:

“... José de Alencar escreveu as páginas que todos lemos, e que há de ler a geração futura. O futuro não se engana”.

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José Ferraz de Almeida Júnior | São Paulo

José Ferraz de Almeida Júnior



José Ferraz de Almeida Júnior nasceu em Itu-SP em 1850. Após estudar com Vítor Meireles e Le Chevrel na Academia Imperial das Belas-Artes, no Rio de Janeiro, na qual ingressou em 1869, fixou-se por algum tempo em São Paulo, onde fez certo sucesso com obras como "A ressurreição" e um célebre "Cupido". Com uma pensão concedida por D. Pedro II, viajou  para a Europa em 1876, aperfeiçoando-se com Alexandre Cabanel, na Escola de Belas-Artes de Paris.

Tipos comuns do interior de São Paulo, retratados não raro em seu humilde trabalho ou imersos na rotina dos costumes locais, deram a Almeida Júnior os temas mais frequentes de sua fase madura.

JOSÉ FERRAZ DE ALMEIDA JÚNIOREm 1882 realizou sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro e participou, com o quadro "Descanso do modelo", da Exposição Geral de Belas-Artes. Voltou a expor nessa mostra em 1884, com "O derrubador brasileiro", e em 1889, quando recebeu medalha de ouro.

A parte mais importante de sua produção, constante sobretudo de telas pintadas durante a década de 1890, quando fixou-se de vez na região onde nascera, está preservada hoje na Sala Almeida Júnior da Pinacoteca do Estado de São Paulo ("Caipira picando fumo", "Amolação interrompida", "Violeiro", "Leitura", entre outras). Há também obras suas no Museu Paulista ("Partida da monção"), no Museu de Arte de São Paulo ("Monge capuchinho", "Retrato de Belmiro") e no Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro ("Descanso do modelo", "Caipiras negaceando", "Fuga para o Egito", "Recado difícil", "O remorso de Judas" e "O derrubador brasileiro").

Embora presa a uma técnica rigorosamente acadêmica, a obra de Almeida Júnior vale sobretudo pela temática genuinamente brasileira, como a do mestre Vítor Meireles e a de Pedro Américo. O pintor morreu assassinado por questões amorosas em Piracicaba-SP em 1899.

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Aluísio Jorge Andrade Franco | Dramaturgo Paulista

Aluísio Jorge Andrade Franco | Dramaturgo Paulista



Aluísio Jorge Andrade Franco nasceu em Barretos (SP) em 21 de maio de 1922. Passou no interior a maior parte da vida e formou-se como ator na Escola de Arte Dramática de São Paulo. Suas primeiras peças - O faqueiro de prata e O telescópio, ambas em 1954 - não mereceram grande atenção, mas com A moratória ele se impôs perante a crítica, que entendeu e louvou suas preocupações sociais, o paciente artesanato do texto e sua absoluta recusa de concessões ao sensacionalismo. Em síntese, A moratória mostra a família que, humilhada na cidade, na fazenda havia sido poderosa e arrogante.

ALUÍSIO JORGE ANDRADE FRANCO, DRAMATURGO PAULISTA
O conflito de indivíduos ante um meio social em desagregação e, em particular, a decadência dos barões do café no interior de São Paulo foram analisados a fundo nas peças de Jorge Andrade, dramaturgo que em meados do século XX desempenhou importante papel na renovação do teatro brasileiro.

Maior sucesso de público veio-lhe na década de 1960, com novas encenações de A moratória e também com obras como Pedreira das almas, A escada e Os ossos do barão, esta última adaptada para novela de televisão pelo próprio autor. Vereda da salvação, sobre fanáticos religiosos, foi filmada por Anselmo Duarte em 1965.

Na década de 1970, depois de contemplado com o Prêmio Molière pela publicação do ciclo de peças Marta, A árvore e O relógio, o dramaturgo teve duas obras vetadas pela censura: Senhora da Boca do Lixo e Milagre da cela, esta sobre a relação entre uma freira e seu torturador.

Valorizado por ter exposto no palco as transições socioeconômicas de seu estado natal - do ouro para o café e do café para a indústria - Jorge Andrade morreu em São Paulo SP em 13 de março de 1984.


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