Turcomenistão | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Turcomenistão

Turcomenistão | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Turcomenistão


Geografia – Área: 488.100 km². Hora local: +8h. Clima: árido frio. Capital: Ashkhabad. Cidades: Ashkhabad (830.000), Turkmenabat (ex-Chärjew) (220.000), Dashhowuz (180.000), Mary (130.000), Balkanabat (ex-Nebitdag) (125.000) (2018).

População – 5,7 milhões (2018); nacionalidade: turcomana; composição: turcomanos 73%, russos 10%, uzbeques 9%, cazaques 2%, outros 6%. Idiomas: turcomano (oficial), russo. Religião: islamismo 87,2%, sem religião 9%, outras 2,4%, ateísmo 1,4%. Moeda: manat turcomano.

Relações Exteriores – Organizações: Banco Mundial, CEI, FMI, ONU. Embaixada: 2207, Massachusetts Avenue NW, Washington D.C. 20008, EUA; e-mail: turkmen@earthlink.net, site na internet: turkmenistanembassy.org.

Governo – República presidencialista. Div. administrativa: 5 regiões subdivididas em distritos. Presidente: Saparmyrat Niyazov (Partido Democrático do Turcomenistão) (desde 1990, reeleito em 1992, com o mandato prorrogado pelo Parlamento em 1999). Partido: Democrático do Turcomenistão (único legal). Legislativo: unicameral – Assembléia, com 50 membros. Há ainda o Conselho do Povo, com 65 membros eleitos, 50 membros da Assembléia, funcionários do governo e representantes de todos os distritos do país, num total de cerca de 2,5 mil integrantes. Constituição: 1992. 

O Turcomenistão situa-se na costa do mar Cáspio, onde está uma grande reserva de petróleo quase inexplorada. O deserto de Karakum ocupa 80% do território e assenta-se sobre imensas jazidas de gás natural, a principal fonte de receita do país no comércio exterior. A construção de um grande canal – o Karakumskiy – a partir do rio Amu Dária, iniciada nos anos 1950, permite irrigar grandes áreas, ampliando a agricultura, mas provoca efeitos ambientais catastróficos sobre o mar de Aral, que está diminuindo. Independente desde 1990, com a desagregação da União Soviética (URSS), a nação vive sob um regime autocrático, centrado no culto à personalidade do presidente Niyazov.

Turcomenistão, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Turcomenistão

Bandeira do TurcomenistãoHistória do Turcomenistão

Na Antiguidade, a região é incorporada a vários impérios: Persa, Macedônico, Árabe. O povo turcomano se forma por volta do século XI, a partir da fusão de tribos turcas com grupos autóctones. Entre os séculos XV e XVIII, as tribos do sul caem sob domínio persa, enquanto as do norte se tornam vassalas dos canatos (reinos) uzbeques de Khiva e Bukhara.Em 1869, a Rússia ocupa o território. Depois da Revolução Russa, uma força contra-revolucionária, apoiada pelos britânicos, resiste às tropas soviéticas até 1920. O Exército Vermelho ocupa o país, em 1924, e o Turcomenistão é integrado à URSS. Pela primeira vez na história, o país adquire unidade política. A coletivização forçada das terras transforma a economia, que passa de pastoril (nômade) a agrícola. A construção do imenso canal de irrigação de Karakumskiy estimula a agricultura desde os anos 1970.

Independência – Em agosto de 1990, o Soviete Supremo (Parlamento) declara a soberania do país. O comunista Saparmyrat Niyazov é eleito presidente. A economia entra em declínio, pois o Turcomenistão tem dificuldade para escoar a produção de gás. Seu único gasoduto atravessa o território russo, sendo a Ucrânia e a Federação Russa os principais importadores. O país, freqüentemente, não é pago pela Ucrânia. Também se desentende com os russos sobre o valor do produto. Em 1997, o Turcomenistão inaugura gasoduto para escoar a produção para a Europa via Irã e Turquia. A nação firma compromisso em 2000 para construir outro gasoduto até o Paquistão, atravessando território afegão.

Em 2001, o ex-ministro das Relações Exteriores Boris Shikhmuradov anuncia, na Federação Russa, a formação de uma frente de oposição no exílio. Em 2002, o presidente Niyazov sai ileso de uma tentativa de assassinato. O governo acusa a oposição. Shikhmuradov, que havia retornado ao país, é acusado e condenado à prisão perpétua. Mais 46 pessoas são condenadas.

Ashkhabad, Capital do Turcomenistão
Gasoduto – Em 2002, o país acerta com o novo governo do Afeganistão a construção de um gasoduto em direção ao Paquistão, o que permite à nação negociar melhores condições para a venda do gás aos russos. Niyazov rompe, em 2003, um acordo de dez anos com a Federação Russa e determina que os russos com dupla nacionalidade escolham apenas uma. Temendo a perda de direitos, muitos deles saem do Turcomenistão. Em outubro de 2004, o presidente anuncia anistia para 9 mil presos políticos. No mês seguinte, Niyazov encontra o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, para assinar tratados de cooperação, encerrando anos de relação conflituosa. Dois anos antes, Niyazov havia acusado o governo uzbeque de participar do atentado a sua vida.

Presidente do Turcomenistão impõe culto à personalidade

O presidente Saparmyrat Niyazov promove um culto à personalidade que leva ao extremo a prática inaugurada pelo ditador soviético Josef Stálin (1924-1953). Em 2002, ele chega a mudar o nome dos meses do ano para incluir referências a sua pessoa. Janeiro passa a ser chamado de Turkemenbashi ("Pai de todos os turcomanos"), título que Niyazov se atribui. Abril ganha o nome de sua mãe, Gurbansoltan-edhze, e setembro vira Rubkhnama, ou "Renovação Espiritual", título de um livro do ditador.Niyazov justifica a mudança pela suposta necessidade de criar uma identidade cultural turcomana. Ele tem o rosto estampado em todas as cédulas de dinheiro, garrafas de vodca e pacotes de chá. Niyazov já baniu o teatro, o balé, o circo e o uso da barba – e impõe o pagamento de um imposto a todo homem de outra etnia (mesmo nascido no Turcomenistão) que se case com uma turcomana. Em 2004 anuncia o plano de construção de um castelo de gelo numa das áreas mais quentes do planeta. Promove celebrações baseadas no slogan "Um Deus (Alá), uma Pátria, um Líder". O Conselho do Povo aprova a Presidência vitalícia para Niyazov. Ele marca eleições para 2008, mas os partidos de oposição estão proibidos.

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