Venezuela | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Venezuela

Venezuela | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Venezuela

VENEZUELA - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DA VENEZUELA

Geografia – Área: 912.050 km². Hora local: -1h. Clima: tropical. Capital: Caracas. Cidades: Caracas (2.060.000), Maracaibo (1.810.000), Valência (1.410.000), Barquisimeto (910.000), Ciudad Guayana (760.000) (2017).

População – 29 milhões (2017); nacionalidade: venezuelana; composição: eurameríndios 67%, europeus ibéricos 21%, afro-americanos 10%, ameríndios 2%. Idioma: espanhol (oficial). Religião: cristianismo 94,8% (católicos 94,4%, outros 5,6% - dupla filiação 5,2%), outras 3%, sem religião e ateísmo 2,2%. Moeda: bolívar.

Relações Exteriores – Organizações: Banco Mundial, Comunidade Andina, FMI, Grupo do Rio, OEA, OMC, ONU, Opep. Embaixada: Tel. (61) 322-1011, fax (61) 226-5633 – Brasília (DF); e-mail: embven.sec2@rudah.com.br.

Governo – República presidencialista. Div. Administrativa: 22 estados, 1 distrito federal (Caracas) e 72 dependências federais. Presidente: Nicolás Maduro (MVR) (desde 2013). Partidos: Movimento V República (MVR), Movimento ao Socialismo (MAS), Ação Democrática (AD), Social-Cristão (Copei). Legislativo: unicameral – Assembleia Nacional, com 165 membros. Constituição: 1999.

Situada no norte da América do Sul, a Venezuela apresenta litoral recortado, com penínsulas e ilhas no mar do Caribe. Grande parte da população vive na região costeira, onde se localizam as principais cidades. A oeste e a norte estendem-se duas cadeias de montanhas, com picos de até 5 mil metros. O rio Orinoco atravessa o país, cortando florestas tropicais, savanas e a área pantanosa próxima à foz. Na região do lago Maracaibo, o maior da América do Sul, concentra-se a extração de petróleo, a principal atividade econômica nacional, responsável por 80% das exportações. Nos últimos anos, a nação passa por profunda crise social e política, que se agrava no governo de Hugo Chávez e se agrava com Nicolás Maduro desde 2013, colocando a Venezuela à beira da ruptura institucional.

História da Venezuela

BANDEIRA DA VENEZUELAHabitada por índios arauaques e caraíbas, a região é visitada por Cristóvão Colombo em 1498. No ano seguinte é batizada pelos espanhóis de Pequena Veneza (Venezuela), por causa das habitações lacustres ali existentes. Organizado inicialmente como Capitania Geral do Vice-Reino de Nova Granada, o território tem colonização lenta, só adquirindo maior importância para a Coroa a partir do século XVIII, em virtude das plantações de café e cacau, em que se utiliza mão-de-obra escrava africana. Sob o comando de Simón Bolívar e com a ajuda do Haiti, a independência é obtida em 1819. Forma-se a Grã Colômbia (Venezuela, Colômbia, Panamá e Equador), presidida por Bolívar, que parte em 1824 para libertar a Bolívia e o Peru. Em 1830, a Venezuela retira-se da federação e uma Assembleia Constituinte elege o general José Antonio Páez presidente. Ele permanece no poder até 1848, apoiado pela oligarquia local. Segue-se quase um século de ditaduras, guerras civis e disputas fronteiriças. Grandes jazidas de petróleo são descobertas no início do século XX. Uma revolução em 1945 derruba o regime ditatorial e, pela primeira vez, um partido político – a social-democrata Ação Democrática (AD) – conquista o poder, liderado por Rómulo Betancourt. Em 1947, uma nova Constituição institui pela primeira vez eleições para presidente. A AD elege o presidente Rómulo Gallegos, que institui o voto universal e amplia as reformas sociais, mas, em 1948, é deposto por militares. A junta que assume o poder é chefiada a partir de 1953 por Marcos Pérez Jiménez, derrubado em 1958. Realizam-se novas eleições, ganhas pela AD com o apoio do Partido Social-Cristão (Copei). O partido permanece por mais um mandato no poder, até 1969. Bipartidarismo Rafael Caldera, do Copei, eleito presidente em 1969, pacifica a nação após dez anos de guerrilhas e legaliza os partidos de esquerda. Seu sucessor, Carlos Andrés Pérez (1974/1978), da AD, governa um país enriquecido com a alta do petróleo. A AD volta ao poder em 1983, com Jaime Lusinchi, governo marcado por corrupção, queda no preço do petróleo e moratória, em 1988. Eleito presidente mais uma vez, Andrés Pérez impõe, em 1989, um duro pacote econômico, que provoca levantes populares e tentativas de golpe. Em 1992, um grupo de militares tenta derrubar Pérez, mas fracassa. Mais de mil militares são presos, incluindo o coronel Hugo Chávez, fundador do movimento nacionalista, que exige a revisão da política econômica e o combate à corrupção. Em 1993, Pérez é afastado sob acusação de desviar 17 milhões de dólares da verba secreta da Presidência.

 VENEZUELA

Chávez presidente – O ex-presidente Rafael Caldera reelege-se em 1993 e anistia Chávez. A crescente tensão faz Caldera adotar, em 1996, um plano econômico orientado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Seguem-se greves e protestos. No pleito presidencial de 1998, Chávez é eleito pela coligação Polo Patriótico, com 56,2% dos votos.

Nova Constituição – Um referendo em abril de 1999 autoriza a convocação de eleições para uma Assembléia Nacional Constituinte, em que o Polo Patriótico obtém 121 das 131 cadeiras. Para seu plano de emergência, que destina 900 milhões de dólares à construção de casas populares e a incentivos agrícolas, Chávez conta com a receita do petróleo, cujo preço sobe 150% em 1999. A nova Constituição é aprovada em referendo e promulgada em dezembro de 1999. Ela muda o nome do país para República Bolivariana da Venezuela e mexe nas instituições do Estado. Elimina o Senado e institui o Parlamento com apenas uma câmara. Amplia os poderes do presidente, cujo mandato passa de cinco para seis anos, com direito à reeleição. No campo econômico, mantém a propriedade privada e o controle da terra pelos grandes proprietários. Consagra ainda o monopólio do petróleo, reforça a seguridade social e reduz a jornada semanal de trabalho para 44 horas – o que provoca protestos dos empresários.

Chávez vence as eleições presidenciais em julho de 2000, com 60% dos votos. Seu principal oponente é Francisco Arias Cárdenas, um dos líderes da tentativa de golpe de 1992, que obtém 37%. Em agosto, Chávez viaja para o Oriente Médio, onde faz a primeira visita oficial de um presidente eleito após a Guerra do Golfo ao ditador do Iraque, Saddam Hussein, e se reúne com o líder líbio Muammar Kadafi. Os encontros são vistos como desafios à política externa norte-americana.

Chávez anuncia, em 2002, leis que desapropriam latifúndios, estatizam os direitos de pesca e aumentam a cobrança sobre permissão de exploração de petróleo. A Fedecámaras, representante dos empresários, protesta e organiza, com outras forças de oposição, uma greve geral contra Chávez que para o país de 9 a 11 de abril de 2002. A paralisação degenera em conflitos, com 13 mortos. Em 12 de abril, um grupo de oficiais anuncia a renúncia de Chávez e nomeia o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, para o posto. Carmona dissolve a Assembleia Nacional e demite os juízes do Supremo Tribunal. Em resposta ao golpe, milhares de partidários de Chávez, vindos dos bairros populares, tomam o centro da capital. A seguir, comandantes se rebelam e exigem respeito ao mandato presidencial. Sob pressão, Carmona abandona o palácio, e Chávez retoma o posto em 14 de abril. Carmona e os oficiais que o apoiaram são detidos.

Enfrentamento – Em dezembro de 2002, um locaute (paralisação por decisão patronal) e uma nova greve geral pela renúncia de Chávez param o país. As manifestações e os protestos duram semanas, derrubando a produção de petróleo de 2,8 milhões de barris ao dia para apenas 150 mil barris diários. As paralisações refletem o ânimo político da nação: ocorrem protestos e escassez de comida nas regiões centrais de Caracas, onde vivem as classes média e alta, enquanto não há greve na periferia, habitada pelas camadas mais pobres. O país chega à beira da guerra civil. A desorganização da economia atinge diretamente os Estados Unidos (EUA), o principal importador do petróleo venezuelano. Seu governo, que apoia a oposição, começa então a pressioná-la para que busque um acordo com Chávez. O movimento perde força em fevereiro de 2003, terminando após 63 dias.

Referendo – Com mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA), Chávez e a oposição retomam o diálogo. Em maio, chega-se a um acordo: até a metade do mandato de Chávez, a oposição pode usar o dispositivo legal do referendo, pelo qual a população decide se o presidente continua ou interrompe seu mandato. O acordo, porém, é frágil, pois Chávez coloca obstáculos à realização da consulta. A oposição inicia a coleta de assinaturas necessárias para convocar o referendo e o Supremo Tribunal designa uma Comissão Nacional Eleitoral (CNE) para decidir sobre o assunto. Em agosto, a oposição entrega à CNE 2,4 milhões de assinaturas, o número mínimo, mas o pedido é anulado porque muitas das adesões foram recolhidas fora do prazo legal.

Ocorre então uma nova coleta, seguida de novas contestações judiciais da parte dos partidários de Chávez. A CNE exige que a oposição angarie assinaturas suplementares, o que é feito, e, finalmente, o referendo é marcado. Em 15 de agosto de 2004, 9 milhões de venezuelanos – um recorde de participação eleitoral – vão às urnas e, por 59,3% dos votos, apoiam a permanência de Chávez como presidente, contra 40,7% a favor de novas eleições. A oposição afirma que o referendo foi manipulado por partidários de Chávez, mas observadores internacionais – entre os quais o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter e representantes da OEA – confirmam a legitimidade da votação. Fortalecido com o resultado, Chávez encaminha ao Congresso uma nova lei sobre os meios de comunicação, com duras penalidades para as emissoras envolvidas em tentativas de subverter a ordem constitucional. Em novembro de 2004, um atentado mata o promotor Danilo Baltazar, responsável pelo processo judicial contra os autores do fracassado golpe de Estado em 2002. O governo venezuelano acusa pelo crime oposicionistas que estariam agindo a partir dos EUA.

O petróleo é a base da economia

Dona das maiores reservas petrolíferas do hemisfério ocidental e única nação do Ocidente a integrar a Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela é um país rico com população pobre. Ele é o quinto maior produtor mundial de petróleo e fornece boa parte do óleo consumido nos EUA. A receita obtida com a extração, comandada pela gigantesca estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), responde por mais de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e gera mais de dois terços de tudo o que o governo arrecada em tributos. Esse dinheiro é transferido ao setor privado por meio de contratos de obras públicas, concessões e licenças de exportação, além de reforçar o sistema de previdência social. É por isso que a greve de dois meses contra Chávez, iniciada em dezembro de 2002, que derrubou a produção da PDVSA, atingiu duramente o conjunto da Venezuela.

Rio Orinoco

Principal rio da Venezuela, o Orinoco tem a terceira bacia em importância da América do Sul, com 948.000km2, que abrange quatro quintos do território venezuelano e um quarto do da Colômbia. Nasce a 1.074m de altitude, na serra Parima, sul da Venezuela, próximo à fronteira brasileira. Descreve uma ampla curva em forma de arco, convexa para oeste, e percorre 2.740km em terras venezuelanas. Em seus primeiros trechos, corre por uma forte inclinação na direção oeste-noroeste. Ao alcançar 500m de largura, seu leito se bifurca. A partir daí, o curso do rio segue a direção noroeste. No alto curso o rio lança um braço, o canal Casiquiare, que desemboca no rio Negro, afluente do Amazonas.

Cristóvão Colombo, em carta à rainha Isabel I de Castela, descreveu a foz do Orinoco como a "porta do paraíso", tal a expectativa de encontrar o reino mítico de Eldorado ao longo do curso desse rio.

Rio Orinoco
Rio Orinoco
A trajetória do Orinoco continua por uma região de corredeiras. Em San Fernando de Atabapo, o rio muda de direção para o norte e forma a fronteira com a Colômbia ao longo de 322km, até Puerto Páez, de onde segue até Puerto Ayacucho. A partir da confluência com o Apure, dirige-se para leste e separa os llanos venezuelanos das encostas setentrionais do sistema Parima. O Orinoco torna-se mais largo e forma um enorme delta de vinte mil quilômetros quadrados, com 36 bocas, limitado a oeste pelo canal Mánamo e ao sul pelo rio Grande, e deságua no oceano Atlântico, ao sul da ilha de Trinidad.

O rio se alimenta do degelo das neves e das chuvas em toda a extensão de sua bacia. Os afluentes que recebe em sua margem direita -- como o Cunucunuma, o Ventuari, o Cuchivero, o Caura e o Caroní -- vêm do sistema Parima. Os da margem esquerda -- entre eles o Guaviare, o Meta, o Arauca e o Apure -- vêm da cordilheira dos Andes.

O volume de água anual do Orinoco é de trinta mil metros cúbicos por segundo. As enchentes ocorrem durante a estação chuvosa, de maio a outubro, na passagem por Ciudad Bolívar. O nível máximo de água é atingido entre julho e agosto. A diferença entre o auge da enchente e o mínimo da vazante chega a 13m. O rio arrasta um volume de 45 milhões de toneladas de sedimentos por ano, o que provoca rápida expansão do delta sobre o oceano Atlântico.

A maior parte da vegetação da bacia do Orinoco é formada pelo cerrado dos llanos. Nas terras altas do leste e do sul crescem densas florestas tropicais. A fauna aquática inclui espécies como o crocodilo do Orinoco, cujo comprimento pode ultrapassar seis metros, e a piranha.

Cristóvão Colombo descobriu o delta do Orinoco em 1498, durante a terceira viagem à América. Em 1500, Vicente Yáñez Pinzón ratificou o descobrimento. A palavra indígena orinucu, que significa "rio" ou "água rápida", foi adotada pelo conquistador espanhol Diego de Ordaz para denominar o rio Orinoco. Ordaz subiu o rio em 1531, num percurso de mais de 800km. No mesmo ano, Antonio de Berrio desceu pelo Casanare e pelo Meta até a foz do Orinoco.

Bacia do Rio Orinoco
Bacia do Rio Orinoco
Durante o século XVII os jesuítas fundaram missões ao longo do rio e em 1744 descobriram o canal Casiquiare. O naturalista alemão Alexander von Humboldt percorreu o Orinoco em 1800, quando realizou um estudo da região dos llanos, documentado em seu livro Voyage aux régions équinoxiales du Nouveau Monde (Viagens às regiões equinociais do Novo Mundo). Em 1951 uma expedição venezuelana comandada pelo major Rísquez Iribarren descobriu a nascente do rio.

A navegação regular pelo Orinoco, em barcos a vapor, iniciou-se em 1860. O rio é navegável por navios de grande calado até a confluência do Caroní, em Ciudad Guayana, mas barcos menores podem alcançar mais de mil quilômetros de distância da foz.

A maior riqueza da bacia do rio Orinoco são as jazidas de ferro e bauxita nos planaltos do sudeste. Uma ferrovia liga Cerro Bolívar, principal centro de mineração, a Puerto Ordaz. Também há minas importantes em El Pao. Com o incentivo do governo venezuelano, criaram-se indústrias, centrais hidrelétricas e assentamentos urbanos na região do baixo Orinoco. Os principais portos e centros de desenvolvimento econômico ligados ao rio são Ciudad Bolívar e Ciudad Guayana.

Simon Bolívar

Simon Bolívar

Revolucionário sul-americano nascido em Caracas, no Vice-Reinado de Nova Granada, posteriormente Venezuela, que dedicou sua vida à luta contra a presença espanhola na América do Sul. Filho de família ilustre e abastada, fazendeiros de origem espanhola, tornou-se órfão aos nove anos e foi entregue a um tio, Carlos Palacios, e aos cuidados maternais de uma negra, Hipólita, a quem dedicou afeição filial. Foi educado sob os cuidados de Simón Carreño Rodríguez (1771-1854), pedagogo revolucionário, que lhe infundiu o amor à liberdade.

Viajou para a Espanha (1799), para completar seus estudos. Após visitar México, Havana e Paris, chegou a Madri, onde casou-se (1801) com uma nobre, Maria Teresa del Toro y Alaysa, que infelizmente morreu em Caracas, um ano depois. Iniciou (1804) nova viagem pelos Estados Unidos e Europa e, em Paris, assistiu à coroação de Napoleão I, e aproximou-se das doutrinas de Rousseau, Montesquieu e Voltaire, e conheceu Alexander von Humboldt. Ao retornar à Venezuela (1807), já consciente da inevitável luta pela independência das colônias espanholas, participou de reuniões secretas em residências de famílias tradicionais que eram favoráveis a esses movimentos.

Teve participação ativa na formação da Junta Suprema de Caracas (1810) e foi nomeado coronel de milícias. Viajou a Londres em missão diplomática, com a finalidade de conseguir fundos e ajuda para a revolução, mas não teve êxito, porém encontrou e voltou acompanhado de Francisco Miranda, chefe de uma anterior e malograda tentativa revolucionária (1806). Após o Congresso Nacional declarar a independência da Venezuela (1811), Miranda foi nomeado generalíssimo e ele encarregado da defesa da posição estratégica de Puerto Cabello. Traido de um oficial, as forças espanholas prenderam Miranda (1812) e ele refugiou-se em Caracas, onde conseguiu um salvo-conduto para Curaçao. alguns meses após chegou com outros companheiros a Cartagena, em Nova Granada, a atual Colômbia, e publicou o documento conhecido como Manifesto de Cartagena, no qual pregava a união dos revolucionários, condenava as debilidades do federalismo e pedia o fim do poder espanhol na Venezuela.

O governo republicano de Cartagena o encarregou (1813) de comandar uma expedição militar à Venezuela. Inicialmente vitorioso recebeu o título de Libertador, porém, alguns meses, setores do clero unidas às classes mais baixas da população índia e mestiça, derrubaram o governo republicano, obrigando-o a se refugiar na Jamaica, onde redigiu a Carta de Jamaica, reafirmando sua confiança na causa da emancipação dos povos americanos.

Tentou uma aproximação com os ingleses, que não lhe deram ouvidos. Após nova tentativa que contou com o apoio material do presidente do Haiti, Alexandre Petion, foi derrotado novamente (1816), refugiando-se agora no Haiti. Nova campanha libertadora foi iniciada pela região do Orenoco, desta vez com o apoio dos llaneros, guerrilheiros sob o comando de José Antonio Páez, e milhares de legionários europeus enviados em seu auxílio. Reunidos em Angostura (1819), com os deputados das províncias venezuelanas, expôs seu plano político, depois de converter a cidade em sede do governo e capital provisória da república.

Apresentou um projeto de constituição onde propunha a criação de um grande estado, mediante a união da Venezuela, Nova Granada e Quito, o hoje Equador, sob o nome de Grande Colômbia. Nos três anos seguintes obteve sucessivas vitórias, atravessou os Andes, conseguiu o triunfo decisivo em Boyacá (1819), e três dias depois entrou vitorioso em Bogotá. Em dezembro do mesmo ano, o Congresso de Angostura aprovou a criação da República da Colômbia, da qual o Libertador foi nomeado presidente. Firmou o armistício de seis meses (1820), em Santa Ana, com o general espanhol Pablo Morillo. As hostilidades recomeçaram no ano seguinte, mas os realistas foram derrotados definitivamente na batalha de Carabobo (1821), o que pôs fim ao domínio espanhol na Venezuela.

O Congresso promulgou a constituição definitiva da Colômbia e ratificou a presidência do herói. Em maio do ano seguinte, depois das batalhas de Bomboná e Pichincha, Quito capitulou e o território equatoriano foi integrado ao da república colombiana. Em 26 de julho, ele e o general José de San Martín reuniram-se em Guayaquil, para decidir o destino do Peru, onde ainda havia tropas espanholas. O seu ponto de vista prevaleceu e o chefe argentino renunciou a qualquer pretensão sobre o Peru. As vitórias de Junín (1824) e de Ayacucho (1824), esta última comandada por Antonio José de Sucre, seu lugar-tenente, terminaram definitivamente com o poderio espanhol no continente sul-americano.

Embora o congresso para promover a união das repúblicas hispano-americanas realizado no Panamá (1826), seu último ideal, tenha fracassado, o herói chegara ao ponto culminante de seu poder: era presidente da Colômbia, chefe supremo do Peru e presidente da Bolívia. Todavia, as aspirações regionalistas não tardaram a promover a desagregação da grande nação idealizada e, progressivamente, a situação tornou-se insustentável. Foi obrigado a renunciar à presidência vitalícia do Peru (1828), a Bolívia se tornou independente (1829) e, pouco depois, a Venezuela se separou da Grande Colômbia.

Com o assassinato de Sucre (1830), a saúde minada pela tuberculose, sem recursos e sem apoio político, foi acolhido por seu amigo espanhol Joaquín de Mier, na quinta de São Pedro Alexandrino, perto de Santa Marta, Colômbia, onde morreu em 17 de dezembro (1830), após 47 anos de vida. Seu corpo foi trasladado por Páez para Caracas, onde repousa no Panteão Nacional.

Antonio José de Sucre

Antonio José de Sucre

Antonio José de Sucre nasceu em 3 de fevereiro de 1795 em Cumaná, cidade situada no vice-reino da Nova Granada, atualmente na Venezuela. Oriundo de família abastada, foi educado em Caracas, onde se formou como engenheiro e matemático. Desde muito jovem, combateu ao lado das forças que lutavam pela emancipação das colônias espanholas. Revelou seu talento como estrategista militar em Cartagena, em 1815. Promovido a general de brigada em 1818, três anos depois ascendeu à patente de marechal por sua destreza na direção das operações bélicas. Nessa ocasião foi enviado ao sul da Grã-Colômbia, região que mais tarde seria o Equador, no comando de uma milícia.

Artífice da independência da Bolívia e libertador do Equador, o general e político Antonio José de Sucre erigiu-se como uma das grandes figuras do movimento emancipador da América Latina.

Em 1821, as tropas de Sucre rumaram para o norte até Guayaquil, onde ele proclamou o protetorado da Grã-Colômbia. Em seguida, suas forças derrotaram as espanholas sucessivamente em Pichincha, em 1822, e em Ayacucho, em 1824, sob a liderança máxima de Simón Bolívar. Em consonância com o sentimento da população local, Sucre proclamou, em La Paz, a independência da República de Bolívar, posterior Bolívia, em 19 de fevereiro de 1825. Ocupou a presidência do novo estado até 1828, quando se retirou para o Equador, ante a pressão de forças peruanas opositoras de seu regime.

Bolívar então encarregou Sucre de uma missão junto ao bispo de Santa Marta, José María Estévez, com o fim de evitar que a Venezuela se separasse da Grã-Colômbia. A missão não teve êxito e no retorno, em marcha para Quito, Sucre foi emboscado na montanha de Berruecos por um grupo de seguidores de José María Obando, opositor de Bolívar. Sucre morreu assassinado nessa região em 4 de junho de 1830.

Andrés Bello

Andrés Bello

Andrés Bello nasceu em Caracas, Venezuela, a 29 de novembro de 1781. Aos 19 anos acompanhou Alexander von Humboldt em suas viagens pela América do Sul. Aprendeu inglês e francês muito jovem, e na Universidade de Caracas estudou filosofia, direito e medicina. Tornou-se preceptor de Simón Bolívar e em junho de 1810 ambos foram enviados em missão diplomática a Londres, onde Bello passou 19 anos como secretário das legações do Chile e da Colômbia.

Poeta e erudito, Bello exerceu imensa influência na cultura sul-americana do século XIX. Sua Gramática de la lengua castellana (1847) é ainda fundamental.

A unidade linguística da América espanhola tornou-se uma de suas metas. Publicou os livros de poemas Silvas americanas e Silva a la agricultura de la zona tórrida (1826), de exaltação à natureza americana. Literária e politicamente conservador, pretendeu renovar as letras americanas, embora usasse formas clássicas latinas.

Em 1829 aceitou o cargo de ministro do Exterior do Chile e mudou-se para Santiago. Participou da vida cultural e política daquele país, chegando a senador. Fundou a Universidade do Chile, em Santiago, de que foi reitor até morrer, em 15 de outubro de 1865. Sua filosofia influenciou os governos conservadores do Chile, e o projeto do Código Civil chileno, de que foi autor, inspirou o de vários países da região.

MAPA DA VENEZUELA

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