História e Crise do Petróleo de 1973

História e Crise do Petróleo de 1973

História e Crise do Petróleo de 1973O Petróleo é um composto de hidrocarbonetos em seus três estados. Contém também pequenas quantidades de compostos de enxofre, oxigênio, nitrogênio.

Origem: restos de matéria orgânica, bactérias, produtos nitrogenados e sulfurados no petróleo indicam que ele é o resultado de uma transformação da matéria orgânica acumulada no fundo dos oceanos e mares durante milhões de anos, sob pressão das camadas sedimentares que foram se depositando e formando rochas sedimentares.

Jazidas: O petróleo é encontrado na natureza não como uma espécie de rio subterrâneo u camada líquida entre rochas sólidas. Ele ocorre sempre impregnando rochas sedimentares, como os arenitos. Como essas rochas são permeáveis, o óleo “migra” através delas pelo interior da crosta terrestre. Se for detido pôr rochas impermeáveis, acumula-se, formando então as jazidas. Das jazidas conhecidas, as mais importantes estão no Oriente Médio, Rússia e repúblicas do Cáucaso, Estados Unidos, América Central e na região setentrional da América do Sul.

História: Na antiguidade, era usado para fins medicinais ou para lubrificação e era conhecido com os nomes de óleo de pedra, óleo mineral e óleo de nafta. Atribuíam-se ao petróleo propriedades laxantes, cicatrizantes e anti-sépticas. Era considerado eficaz também no tratamento da surdez e na cura de tosse, bronquite, congestão pulmonar, gota, reumatismo e mau-olhado. Das pirâmides do Egito à Arca de Noé, são muitas as referências à presença do petróleo na vida dos povos da antiguidade. Sacerdotes hebreus, por exemplo, usavam o petróleo nos sacrifícios, para acender fogueiras nos altares, e as chamas que irrompiam eram consideradas manifestações divinas. Conta a Bíblia que Deus, desgostoso com a raça que criara, ordenou a Noé a construção de uma arca e sua calafetação com betume, antes de inundar o mundo com o dilúvio. E o termo betume representava, possivelmente, resíduo de petróleo obtido na superfície. O betume, uma forma pastosa de petróleo encontrada a céu aberto, teria sido o cimento aplicado na construção da Torre de Babel, nas Pirâmides do Egito, no templo de Salomão ou nos famosos Jardins Suspensos de Nabucodonosor. Milênios antes de Cristo, o petróleo, já era um valorizado produto comercial, usado também para embalsamar corpos, iluminar, impermeabilizar moradias e palácios, pavimentar estradas ou construir embarcações. Para Gregos e Romanos, a principal aplicação era bélica: lanças incendiárias embebidas em betume eram uma de suas armas mais eficazes.

Ao longo de vários séculos, o petróleo foi recolhido na superfície. A primeira mineração só aconteceu em 1742, na Alsácia ( limite da França com a Alemanha ). Em Baku, capital do Azerbaijão, na ex-União Soviética, no início do século XIX, os russos cavavam com a mão os primeiros poços, que atingiam profundidades de até 30 metros. Os métodos eram bastante primitivos, mas mesmo assim a utilização do petróleo ampliava-se. Passou a ser usado como medicamento, curando cálculos renais, escorbuto, cãibras e gota, além de tônico para o coração e remédio contra reumatismo.

Só na Segunda metade do século passado os métodos primitivos, de pouquíssimo rendimento, deram lugar à ousada ideia de perfurar poços mais profundos. Foi um ex-maquinista de trem, o americano Edwin drake, quem passou à História como autor da façanha. Perfurado em 1859 na Pensilvânia, Estados unidos, o poço aberto pôr Drake com um equipamento que funcionava como um bate-estaca, pelo sistema de percussão, produziu 19 barris pôr dia, encorajando muitas outras tentativas.

Cinco anos depois da descoberta de drake, funcionavam nos Estados unidos 543 companhias dedicadas ao novo ramo de atividade. O petróleo passou então a ser utilizado em larga escala, substituindo os combustíveis disponíveis, principalmente o carvão, na indústria, e os óleos de rício e de baleia, na iluminação. Com a invenção dos motores a explosão, no final do século, começou-se a empregar frações até então desprezadas do petróleo, e suas aplicações multiplicaram-se rapidamente. No final do século XIX, dez países já extraiam petróleo de seus subsolos.

Extração: Nos dias de hoje a extração do petróleo varia de acordo com a quantidade de gás acumulado na jazida. Se a quantidade de gás for grande o suficiente, sua pressão pode expulsar pôr si mesma o óleo, bastando uma tubulação que comunique o poço com o exterior. Se a pressão for fraca ou nula, será preciso ajuda de bombas de extração.

O Refino: O petróleo bruto, tal como sai do poço, não tem aplicação direta. Para utilizá-lo, é preciso fracioná-lo em seus diversos componentes, processo que é chamado de refino ou destilação fracionada. Para isso aproveitam-se os diferentes pontos de ebulição das substâncias que compõem o óleo, separando-as para que sejam convertidas em produtos finais.

Subprodutos mais importantes : O gás, uma das frações mais importantes obtidas na destilação, é composto das subst6ancias com ponto de ebulição entre 165 0C e 30 0C, como o metano, o etano, o propano e o butano. O éter de petróleo tem ponto de ebulição entre 30 0C e 90 0C e é formados pôr cadeias de cinco a sete carbonos. A gasolina, um dos subprodutos mais conhecidos, tem ponto de ebulição entre 30 0C e 200 0C, é formada de uma mistura de hidrocarbonetos que possuem de cinco a 12 átomos de carbono. Para obter querosene, o ponto de ebulição fica entre 175 0C e 275 0C. Íleos mais pesados, com cadeias carbonadas de 15 a 18 carbonos, apresentam uma temperatura de ebulição entre 175 0C e 400 0C. As ceras, sólidas na temperatura ambiente, entram em ebulição em torno de 350 0C. no final do processo, resta o alcatrão, o resíduo sólido.

O processo de refino: O processo começa pela dessalinização do petróleo bruto em que são eliminados os sais minerais. Depois, o óleo é aquecido a 320 0C em fornos de fogo direto e passa para as unidades de fracionamento, onde podem ocorrer até três etapas diferentes. A etapa principal é realizada na coluna atmosférica: o petróleo aquecido é introduzido na parte inferior da coluna junto com vapor de água para facilitar a destilação. Desta coluna surgem as frações ou extrações laterais, que ainda terão de ser transformadas (5) para obter os produtos finais desejados.

Começava assim um grande negócio e mais um capítulo da história daquela que se tornaria a principal matéria prima do século XX, capaz de transformar as relações econômicas do mundo, dando impulso à industrialização e ao progresso tecnológico, diminuindo distâncias e aumentando o conforto das pessoas. O petróleo é um elemento básico para a moderna sociedade industrial. Além de fornecer o combustível usado em usinas termelétricas, constituindo portanto uma fonte de energia elétrica, com ele se fabricam vários combustíveis (gasolina, querosene, óleo) usados na indústria e nos veículos automotores. Além disso, constitui matéria prima importante para inúmeros tipos de indústrias químicas, como a de plásticos, de asfalto, de borracha sintética centenas de produtos químicos e farmacêuticos, e várias outras

Para Ter uma ideia melhor do que o petróleo representa para a nossa época, pensemos no seguinte: acordamos de manhã, tomamos banho sob um chaveiro elétrico ( que normalmente é de plástico, derivado do petróleo ), vestimos a roupa ( alguns tecidos, como o náilon, são feitos a partir do petróleo ) calçamos os sapatos ( seguramente as solas tiveram petróleo como matéria-prima ) e vamos tomar café ( talvez as xícaras sejam de plástico, ou a manteigueira); saímos à rua e olhamos passas os carros ( movidos a gasolina, com dezenas de componentes fabricados a partir do petróleo ); resolvemos ouvir um pouco de música e escolhemos um disco ( que não pode ser feito sem o petróleo ) e o colocamos na aparelhagem de som ( na qual há muito plástico ).

Pôr esses exemplos, podemos perceber como estamos mergulhados numa “civilização do petróleo como esse recurso natural é importante atualmente.

Na realidade, a sociedade industrial foi construída com base na abundância e nos baixos preços do petróleo. Quando se começou a perceber que ele não é inesgotável e quando seus preços começaram a subir ( a partir de 1973 ), configurou-se a famosa crise do petróleo ou crise energética.

Quanto ao total das reservas mundiais conhecidas, há diferentes dados, fornecidos pôr organizações diversas. De acordo com alguns desses dados, o petróleo existente em nosso planeta seria suficiente apenas para os próximos trinta anos; segundo outros, mesmo deixando de lado a possibilidade de encontrar novas reservas, as atualmente conhecidas dariam para mais de cinquenta anos de consumo. Em todo caso, uma coisa é certa: o petróleo é uma riqueza natural que existe em quantidades limitadas e que um dia se esgotará, seja daqui a vinte, quarenta ou sessenta anos. É necessário, portanto, pesquisar novas fontes de energia e novos substitutos para o petróleo como matéria-prima.
Crise do Petróleo de 1973

Crise do Petróleo de 1973

Crise mundial provocada pelo embargo ao fornecimento de petróleo aos Estados Unidos da América e às potências europeias estabelecido em 1973 pelas nações árabes, membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A medida é tomada em represália ao apoio dos EUA e da Europa Ocidental à ocupação, no mesmo ano, de territórios palestinos por Israel, durante a Guerra do Yom Kipur. Após o embargo, a Opep estabelece cotas de produção e quadruplica os preços.

Essas medidas desestabilizam a economia mundial e provocam severa recessão nos EUA e na Europa, com grande repercussão internacional. Donos de dois terços das reservas de petróleo do mundo, países como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuweit controlam o volume de produção e o preço do produto desde 1960, quando criam a Opep. Por causa do obstáculo iniciado em 1973, conhecido por primeiro choque do petróleo, os países industrializados acabam o ano de 1974 com um déficit de cerca de US$ 11 bilhões e os subdesenvolvidos, de quase US$ 40 bilhões. Em 1979 acontece o segundo choque do petróleo, causado pela revolução iraniana que derruba o xá Reza Pahlevi (1919-1980) e instala uma república islâmica no país. A produção de petróleo é gravemente afetada, e a nação não consegue atender nem mesmo às suas necessidades. O Irã, que era o segundo maior exportador da Opep, atrás apenas da Arábia Saudita, fica praticamente fora do mercado. O preço do barril de petróleo, então, atinge níveis recordes e agrava a recessão econômica mundial no início da década de 80.

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