Zona de Desenvolvimento Proximal

Zona de Desenvolvimento Proximal

Zona de Desenvolvimento Proximal
Zona de Desenvolvimento Proximal, segundo Vygotsky, é a distância entre o nível real de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro mais capaz. Quer dizer, é a série de informações que o estudante tem a habilidade para assimilar mas ainda não compreende - coisas que estão simplesmente fora de alcance.

Esta ideia é bem próxima à de Jim Cummins, de informação mais um (ou i + 1). Os estudantes não podem construir conhecimento novo sem uma estrutura, um fundamento em aprendizagem prévia. Lev Vygotsky diz que os estudantes em geral não são capazes de transpor um grande expediente de aprendizagem sem algum um conhecimento anterior cognitivamente relacionado, a fim de conectar e suportar a nova informação.

O fenômeno de um ser individual ser capaz de realizar suas atividades em um nível mais alto de competência com a ajuda de outros mais capazes se refere, em termos de Vygotsky, à zona de desenvolvimento de proximal (ZPD). A ZPD é provavelmente um dos constructos teóricos bem compreendidos do trabalho de Vygotsky.

Palincsar (1998), um estudante que fez trabalho considerável casando a ZPD com o constructo de "scaffolding" afirmou recentemente que “… [a ZPD] é talvez um dos mais usados e menos compreendidos constructos que aparecem na literatura educacional contemporânea” (Palincsar, 1998, pág. 370). Entre os principais motivos para essa afirmação está o fato de as pessoas terem retirado a ZPD de sua estrutura teórica original (passando a ser usada mais como ferramenta explanatória - desconsiderado o seu poder descritivo) e a interpretação literal da ideia de capacidade, através da qual as pessoas tendem a criar espaços para a performance assistida ao invés de olhar para a gama de possibilidades de artefatos culturais (inclusive elementos da própria tarefa) que estão presentes na aprendizagem e que mediam a aprendizagem na ZPD (Palincsar, 1998).

Segundo Chaiklin (2003), a “interpretação comum” da ZPD (Chaiklin, 2003, pág. 41) compreende três suposições – suposição de generalidade, por meio da qual se assume a aplicabilidade universal da ZPD; suposição de ajuda – semelhante ao argumento de Palincsar sobre a ZPD ter sido realinhada para assumir que a aprendizagem requer a intervenção de um especialista; e suposição potencial – por meio da qual a ZPD é vista como um tipo de propriedade natural do estudante que permite a melhor aprendizagem com menor dificuldade. Chaiklin (2003) critica a “interpretação comum” em três fundamentos.

Primeiro, a ZPD deve estar relacionada ao desenvolvimento global ao longo do tempo ao invés de tratar da aprendizagem de qualquer habilidade específica; segundo, é fato aceito que uma criança pode fazer mais se houver a direção e colaboração de uma pessoa mais capaz. O que muitos pesquisadores evitam é entender o significado da assistência provida em relação à aprendizagem de habilidades e o desenvolvimento global do estudante. Finalmente, o potencial de um estudante não é propriedade de uma criança (como em “nesta fase ela está em sua zona de desenvolvimento proximal”), pelo contrário, a ZPD é uma indicação de presença de imaturidade, ou do processo de amadurecimento, se você quiser, funções psicológicas que podem ser um trampolim para intervenções significantes.

Chaiklin (2003) conclui seu ensaio com vários assuntos para discussão futura (inclusive as relações entre a ZPD e o "scaffolding"), e nos estimula a revisar o constructo teórico original em seu contexto histórico e cultural antes de afastá-lo das intenções originais de Vigotski.

(a) Vigotski estava tentando levantar uma série de temas que não foram adequadamente confrontadas na literatura contemporânea que recorre a este conceito; (b) muitas das “resoluções” ou “desenvolvimentos novos” que diversos autores propuseram parecem ser uma diluição destes assuntos teóricos gerais, em lugar de uma clarificação ou aprofundamento; e (c) muitos dos argumentos, críticas e preocupações que foram levantados estão explicitamente errados ou não apontaram para a perspectiva teórica de Vygotsky. Pessoas que querem usar a zona de conceito de desenvolvimento de proximal devem, no mínimo, tentar entender os problemas teóricos e conceituais particulares a que Vygotsky tentava se referir quando formulou este conceito. (Chaiklin, 2003, pág. 59).

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