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Movimento Feminista no Brasil e no Mundo

Movimento Feminista no Brasil e no Mundo

Movimento Feminista no Brasil e no Mundo

A década de 1960 aconteceram grandes inflexões para a sociedade contemporânea. Nos Estados Unidos da América, o “baby-boom” do pós-guerra estabeleceu o surgimento de uma geração de jovens inseridos na prosperidade material e tecnológica de um mundo em plena transformação. As novas conquistas obtidas no campo dos transportes, da medicina e da eletrônica causavam a configuração de uma época aparentemente cingida pelo signo da modernidade.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a maciça inserção das mulheres no mercado de trabalho estabeleceu um novo campo de possibilidades para aquela que antes era vista como a “rainha do lar”. A partir desse processo de relativa emancipação, muitas delas reivindicaram novos campos de conquista nunca antes imaginados.

Na década de 1960, o advento da pílula anticoncepcional permitiu uma "libertação" dos comportamentos sexuais antes restritos à monogamia e às relações matrimoniais. Paralelamente, o meio "intelectual" também passou a se voltar para a essa questão com a difusão de livros de autoras que se interessavam em desconstruir o papel da mulher na sociedade. Entre outras obras, podemos destacar “O Segundo Sexo” de Simone Beauvoir e “A mística do feminino” de Betty Friedan.

Muitas mulheres saíram às ruas com o intuito de reivindicar os mesmos direitos assegurados pela constituição liberal de seus países. Entre outras questões, lutavam para que as faixas salariais de homens e mulheres fossem devidamente equiparadas. Nas décadas de 1960 e 1970 o feminismo se consolidou enquanto movimento político integrado a muitas outras bandeiras de lutas civis e minoritárias.

Em resposta a tais movimentações, aconteceu a adoção de várias políticas de igualdade que visavam responder aos anseios estabelecidos no período. Instituições de defesa dos direitos das mulheres e outros órgãos de natureza governamental passaram a sensibilizar outras parcelas da sociedade com respeito a essa causa. Com isso muitas bandeiras de luta passaram a ser prestigiadas pela aprovação de leis específicas.

A partir da década de 1980, o feminismo pareceu perder a sua força. A causa deixou de ser uma meta a ser alcançada depois que os próprios representantes do Estado reconheceram a legitimidade de tais reivindicações. Contudo, essa faceta da história contemporânea ainda se desdobrou em uma mudança de comportamento que rompeu com os paradigmas tradicionais da família e, até mesmo, do homem. A vitória feminista ainda ecoa em transformações ainda visíveis no nosso cotidiano.

Sociologia - O Que é Sociologia?

Sociologia - O Que é Sociologia?

#Sociologia - O Que é Sociologia?

A Sociologia constitui um projeto intelectual tenso e contraditório. Para alguns representa uma poderosa arma a serviço dos interesses dominantes, para outros ela é a expressão teórica dos movimentos revolucionários. Por sua posição de contradição foi proscrita de centros de ensino e universidades da América do Sul (Brasil, Argentina, Chile, etc.) todos em regimes ditatoriais. Foi acusada ainda de ser disfarce do marxismo e teoria de revolução.

Historicamente, a sociologia é um conjunto de conceitos, de técnicas e de métodos de investigação produzidos para explicar a vida social. Como princípio para o autor, a sociologia é o resultado de uma tentativa de compreensão de situações sociais radicalmente novas, criadas pela então nascente sociedade capitalista.

O Surgimento da Sociologia - Podemos entender a sociologia como uma das manifestações do pensamento moderno. Desde Copérnico, a evolução do pensamento era exclusivamente científico. A sociologia veio preencher a lacuna do saber social, surgindo após, a constituição das ciências naturais e de várias ciências sociais. A sua formação constitui um acontecimento complexo para o qual concorreram circunstâncias históricas e intelectuais e intenções práticas. O seu surgimento ocorre num momento histórico determinado, coincidente com os últimos momentos da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista.

A criação da sociologia não é obra de um só filósofo ou cientista mas o trabalho de vários pensadores empenhados em compreender as situações novas de existência que estavam em curso.

As transformações econômicas, políticas e culturas verificadas no século XVII, marca de forma indelével a sociologia. As revoluções industrial e a francesa patrocinam a instalação definitiva da sociedade capitalista. Somente por volta de 1830, um século depois, surgiria a palavra sociologia, fruto dos acontecimentos das duas revoluções citadas. A revolução industrial, à parte a introdução da máquina a vapor e os aperfeiçoamentos dos métodos produtivos, determinou o triunfo da indústria capitalista pela concentração e controle de máquinas, terras e ferramentas onde as massas humanas eram simples trabalhadores despossuídos.

Cada passo da sociedade capitalista capitaneava a desintegração e o solapamento de instituições e costumes reinantes, para constituir-se em novas formas de organização social. As máquinas não simplesmente destruíam os pequenos artesãos, como obrigava-os à forte disciplina, nova conduta e relação de trabalho até então desconhecidas.

Em 80 anos (entre 1780 e 1860), a Inglaterra conseguiu mudar radicalmente a sua face. Pequenas cidades passou a grandes cidades produtoras e exportadoras. Estas bruscas transformações implicariam em nova organização social, pela transformação da atividade artesanal em manufatureira e fabril, como também pela emigração do campo para a cidade onde mulheres e crianças em jornadas de trabalho desumana percebiam salários de subsistência e constituía-se em mais da metade da força de trabalho industrial. Estas cidades se transformaram num verdadeiro caos, vez que sem condições para suportar um vertiginoso crescimento, deram lugar a toda sorte de problemas sociais, tais como, surtos de epidemias de tifo e cólera, vícios, prostituição, criminalidade, infanticídio que dizimaram parte das suas populações.

Este fenômeno, o da revolução industrial, determinou o aparecimento do proletariado e o papel histórico que ele desempenharia na sociedade capitalista. Os seus efeitos catastróficos para a classe trabalhadora geraram sentimentos de revolta traduzidos externamente na forma de destruição de máquinas, sabotagens, explosão de oficinas, roubos e outros crimes, que deram lugar à criação de associações livres e sindicatos que permitiram o diálogo de classes organizadas, cientes de seus interesses com os proprietários dos instrumentos de trabalho.

Estes importantes acontecimentos e as transformações sociais verificadas despertaram a necessidade investigação. Os pensadores ingleses que testemunhavam estas transformações e com elas se preocupavam não eram homens de ciência ou sociólogos profissionais. Eram homens de atitude que desejavam introduzir determinadas modificações na sociedade. Participavam de debates ideológicos onde estavam presentes correntes conservadoras, liberais e socialistas, visando orientação de ações para conservar, modificar radicalmente ou reformar a sociedade de seu tempo. Isto quer dizer que os precursores da sociologia se encontravam entre militantes políticos e entre as pessoas que se preocupavam com os problemas sociais. Entre eles estavam os pensadores: Owen (1771-1858), William Thompson (1775-1833), Jeremy Bentham (1748-1832), etc., cujos escritos foram de importância capital para a formação e constituição de um saber sobre a sociedade.

A sociologia constitui uma resposta intelectual às novas situações colocadas pela revolução industrial, como por exemplo, a situação dos trabalhadores, o aparecimento das cidades industriais, as transformações tecnológicas, a organização do trabalho na fábrica, etc. É a formação e uma estrutura social específica – a sociedade capitalista – que impõe uma reflexão sobre a sociedade, suas transformações, suas crises, e sobre seus antagonismos de classe.

A observação e o experimento como fontes da exploração dos fenômenos da natureza propiciou a acumulação de fatos. O relacionamento entre estes, possibilitaria o seu controle e domínio.

O pensamento filosófico do século XVII contribuiu para popularizar os avanços do pensamento científico. “A teologia deixaria de ser a forma norteadora do pensamento. A autoridade em que se apoiava um dos alicerces da teologia, cederia lugar a uma dúvida metódica que possibilitasse um conhecimento objetivo da realidade” (Francis Bacon 1561-1626). Para ele o novo método de conhecimento (observação e experimentação), ampliaria infinitamente o poder do homem e deveria ser estendido e aplicado ao estudo da sociedade.

O uso sistemático da razão, do livre exame da realidade, representou um grande salto para libertar o conhecimento do controle científico, da tradição, da “revelação” e, conseqüentemente, para a formulação de uma nova atitude intelectual diante dos fenômenos da natureza e da cultura.

Se no século XVIII os dados estatísticos voavam, dando conta de uma produtividade desconhecida, o pensamento social também divagava rumo a novas descobertas. Se o processo histórico possui lógica, pode ser compreendido e assim abrir novas pistas para o estudo racional da sociedade (Vico 1668-1744). Para ele é o homem que produz a história. Daí, afirmava que a sociedade podia ser compreendida porque, ao contrário da natureza, ela constitui obra dos próprios homens. Esta postura influenciou os historiadores escoceses da época, como David Hume (1711-1776) e Adam Ferguson (1723-1816), e seria posteriormente desenvolvida e amadurecida por Hegel e Marx.

Foi também dessa época a disposição e tratar a sociedade a partir do estudo de seus grupos e não dos indivíduos isolados, a cuja corrente pertencia Adam Ferguson que foi influenciado pelas ideias de Bacon de que é a indução, e não a dedução, que nos revela a natureza do mundo, e a importância da observação enquanto instrumento para a obtenção do conhecimento.

É a intensidade dos conflitos entre as classes dominantes da sociedade feudal e a burguesia revolucionária que leva os filósofos, seus representantes intelectuais, a atacarem de forma impiedosa a sociedade feudal e sua estrutura de conhecimento, e a negarem abertamente a sociedade existente.

Os iluministas, enquanto ideólogos da burguesia, com posições revolucionárias, atacavam firmemente os fundamentos da sociedade feudal e seus privilégios e as restrições que esta impunha aos interesses econômicos e políticos da burguesia. Estes iluministas reformularam as ideias e procedimentos de seus antecessores como Descartes, Bacon, Hobbes: ao invés de usarem a dedução como a maioria dos pensadores do século XVII, os iluministas insistiam numa explicação da realidade baseado no modelo das ciências da natureza, influenciados mais por Newton (modelo de conhecimento baseado na observação, experimentação e acumulação de dados), do que por Descartes (método de investigação baseado na dedução).

Combinando o uso da razão e da observação, os iluministas analisaram quase todos os aspectos da sociedade (população, comércio, religião, moral, família, etc.).O objetivo do estudo era demonstrar que as instituições eram irracionais e injustas, que atentavam contra a natureza dos indivíduos e impediam a liberdade do homem, por isso deviam ser eliminadas. Para eles o indivíduo possuía razão, perfeição inata e era destinado à liberdade e à igualdade social. Reivindicavam a liberação do indivíduo de todos os laços sociais tradicionais, tal como as corporações, a autoridade feudal, etc.

O visível progresso das formas de pensar, fruto das novas maneiras de pensar e viver, contribuía para afastar interpretações fundadas em superstições e crenças infundadas e abria espaço para a constituição de um saber sobre os fenômenos histórico-sociais.

O “homem comum” da época também passou a deixar de encarar, cada vez mais, as instituições sociais, as normas, como fenômenos sagrados e imutáveis submetidos a forças sobrenaturais, percebendo-os como produtos da atividade humana passíveis de serem conhecidos e mudados.

A ferrenha crítica dos iluministas às instituições feudais constituía-se em claro indício da putrefação da luta que a burquesia travava no plano político contra a classe feudal dominante. Na França, as forças burguesas ascendentes colidia com a típica monarquia absolutista que privilegiava aproximadamente quinhentas mil pessoas em detrimento de vinte e três milhões de habitantes, no final do século XVIII. Estes privilégios incluía isenção de impostos, direito de receber tributos feudais e impedia a formação de livre-empresa e a exploração eficiente da terra e incapaz de criar uma administração padronizada através de uma política tributária racional e imparcial.

A burguesia, ao tomar o poder em 1789, insurgiu-se definitivamente contra os fundamentos da sociedade feudal, ao construir um Estado que assegurasse sua autonomia diante da Igreja e que incentivasse e protegesse a empresa capitalista. Aconteceu aí uma liquidação do regime antigo. Em menos de um ano a velha estrutura e o Estado monárquico estavam liquidados, inclusive abolindo radicalmente a antiga forma de sociedade e suas tradicionais instituições, arraigados costumes e hábitos, promovendo sensíveis alterações na economia, na política e na vida cultural. Neste contexto se situam a abolição das corporações e dos grêmios e a promulgação de legislação que limitava os poderes patriarcais na família, coibindo os abusos da autoridade do pai e forçando-o a uma divisão igualitária da propriedade. Confiscou propriedades da Igreja, suprimiu os votos monásticos e responsabilizou o Estado pela educação. Acabou com antigos privilégios de classe e amparou e incentivou o empresário.

O choque da revolução foi tão intenso, que após quase setenta anos de seu triunfo, o pensador francês Alexis de Tocqueville disse dela: “A revolução segue seu curso: à medida que vai aparecendo a cabeça do monstro, descobre-se que, após ter destruído as instituições políticas, ela suprime as instituições civis e muda, em seguida, as leis, os usos, os costumes e até a língua; após ter arruinado a estrutura do governo, mexe nos fundamentos da sociedade e parece querer agredir até Deus...” Este espanto também foi partilhado por outros como Durkheim, Sant-Simon, Comte, Le Play, etc.

A Formação Sociológica - No final do século passado, o matemático francês Henri Poicaré referiu-se à sociologia como ciência de muitos métodos e poucos resultados. Ao que tudo indica, atualmente poucos duvidam dos resultados alcançados pela sociologia. A sua realidade é atestada pelas inúmeras pesquisas dos sociólogos, pela sua presença nas universidades e empresas e nos organismos estatais. Ao lado desta crescente presença da sociologia no nosso dia-a-dia, continua porém chamando a atenção de todos os que se interessam por ela os freqüentes e acirrados debates travados em seu interior sobre o seu objeto de estudo e seus métodos de investigação.

A falta de um entendimento comum entre os sociólogos sobre a sua ciência possui, em boa medida, uma relação com a formação de uma sociedade dividida pelos antagonismos de classe. A existência de interesses opostos na sociedade capitalista penetrou e invadiu a formação da sociologia. Este contexto histórico influenciou enormemente suas visões sobre como deveria ser analisada a sociedade, o que refletiu também no conteúdo político de seus trabalhos. Este antagonismo deu origem ao aparecimento de diferentes tradições sociológicas ou distintas sociologias como afirmam alguns sociólogos.

Não podemos esquecer que a sociologia surgiu num momento de grande expansão do capitalismo e por isto mesmo alguns sociólogos otimistas assumiram, diante da sociedade capitalista nascente, que os interesses e os valores da classe dominante eram representativos do conjunto da sociedade e que os conflitos entre as classes sociais eram passageiros.

Os conservadores chamados de “profetas do passado” construíram suas obras contra a herança dos filósofos iluministas. Não eram intelectuais que justificavam a sociedade por suas realizações políticas ou econômicas. Ao contrário, a inspiração do pensamento conservador era a sociedade feudal, com sua estabilidade e acentuada hierarquia social. Não se interessavam em defender uma sociedade moldada nos princípios defendidos pelos iluministas nem um capitalismo que se transformava mostrando sua faceta industrial e financeira. O fascínio que as sociedades da Idade Média exercia sobre estes pensadores conferiu-lhes e às suas obras um forte sabor medieval. Por interesse direto, alguns deles eram defensores ferrenhos das instituições religiosas, monárquicas e aristocráticas em franco processo de desmantelamento.

As ideias dos conservadores eram um ponto de referência para os pioneiros da sociologia, interessados na preservação da nova ordem econômica e política que estava sendo implantada. Adaptando, inclusive, algumas concepções dos “profetas do passado” às novas circunstâncias históricas, pela impossibilidade total de retorno ao passado.

É entre os autores positivistas, como Saint-Simon, Auguste Comte e Emile Durkheim, que as ideias dos conservadores exerceriam uma grande influência. É comum encontrarmos a inclusão de Saint-Simon (1760-1825) entre os primeiros pensadores socialistas. Foi considerado o “mais eloqüente dos profetas da burguesia”, um grande entusiasta da sociedade industrial. Todavia, entendia que o problema da restauração da ordem devia ser enfrentado, porque a sociedade francesa pós-revolucionária parecia-lhe “perturbada” pois nela reinava um clima de “desordem” e de “anarquia”.

Saint-Simon acreditava que a nova época era a do industrialismo, que trazia consigo a possibilidade de satisfazer todas as necessidades humanas e constituía a única fonte de riqueza e prosperidade. Percebeu que no avanço que estava ocorrendo no conhecimento científico havia uma grande lacuna, nesta área do saber, qual seja, a inexistência da ciência da sociedade. Admitia, mesmo tendo uma visão otimista da sociedade industrial, a existência de conflitos entre os possuidores e os não possuidores.

Várias das obras de Saint-Simon seriam retomadas por Auguste Comte (1798-1857) seu secretário particular, pensador menos original, embora mais sistemático que Saint-Simon, a quem deve suas principais ideias. A motivação da obra de Comte repousa no estado de “anarquia” e de “desordem” de sua época histórica. Segundo ele as sociedades européias encontravam-se em um verdadeiro estado de caos social. Entendia que se as ideias religiosas não teriam mais forças para reorganizarem a sociedade, muito menos as ideias dos iluministas. Era extremamente impiedoso no ataque a esses pensadores, a quem chamava de “doutores em guilhotina”, vendo em suas ideias o “veneno da desintegração social”. Para ele, para haver coesão e equilíbrio na sociedade, seria necessário restabelecer a ordem nas ideias e nos conhecimentos, criando um conjunto de crenças comuns a todos os homens.

Comte considerava como um dos pontos altos de sua sociologia a reconciliação entre a “ordem” e o “progresso”, pregando a necessidade mútua desses dois elementos para a nova sociedade. Também para Durkheim (1858-1917) a questão da ordem social seria uma preocupação constante. De forma sistemática, ocupou-se em estabelecer o objeto de estudo da sociologia assim como indicar o seu método de investigação. Foi através dele que a sociologia penetrou a Universidade, conferindo a esta disciplina o reconhecimento acadêmico. Sua obra foi elaborada em época de crises econômicas constantes, quando o desemprego e a miséria provocava o acirramento das lutas de classe, com os operários utilizando a greve como instrumento de luta e fundando seus sindicatos.

Vivendo nesta época em que as teorias socialistas ganhavam terreno, Durkheim não poderia ignorá-las, tanto é que em certo sentido, suas ideias constituíam a tentativa de fornecer uma resposta às formulações socialistas. Discordava das teorias socialistas mormente quanto à ênfase atribuída aos fatos econômicos para diagnosticar a crise das sociedades européias. Acreditava que a origem dos problemas não era de natureza econômica, mas originados na fragilidade da moral em orientar adequadamente o comportamento dos indivíduos.

Preocupado em estabelecer um objeto de estudo e um método para a sociologia, Durkheim, dedicou-se a esta questão, salientando que nenhuma ciência poderia constituir-se sem uma área própria de investigação. A sociologia deveria ocupar-se com os fatos sociais que se apresentavam aos indivíduos como exteriores e coercitivos. Isto quer dizer que o indivíduo quando nasce já encontra a sociedade formada criada pelas gerações passadas, cuja organização deverá ser transmitida às gerações futuras através da educação.

O seu pensamento marcou decisivamente e sociologia contemporânea, principalmente as tendências que têm-se preocupado com as questões da manutenção da ordem social. A sua influência fora do meio acadêmico francês começou por volta de 1930, quando, na Inglaterra, dois antropólogos, Malinowski e Radcliffe-Brown, armaram a partir de seus trabalhos os alicerces do método de investigação funcionalista (busca de explicação das instituições sociais e culturais em termos da contribuição que estas fornecem para a manutenção da estrutura social). Nos Estados Unidos, a partir daquela data, as suas ideias começaram a ganhar terreno no meio universitário, exercendo grande fascínio em inúmeros pesquisadores. No entanto, foram dois sociólogos americanos Mertom e Parsons, em boa medida, os responsáveis pelo desenvolvimento do funcionalismo moderno e pela integração da contribuição de Durkheim ao pensamento sociológico contemporâneo, destacando a sua contribuição ao progresso teórico desta disciplina.

A formação e o desenvolvimento do conhecimento sociológico crítico e negador da sociedade capitalista, sem dúvida liga-se à tradição do pensamento socialista, que encontra-se em Marx (1818-1883) e Engels (1820-1903) a sua elaboração mais expressiva. Estes pensadores não estavam preocupados em fundar a sociologia como disciplina específica. A rigor não encontramos neles a intenção de estabelecer fronteiras rígidas entre os diferentes campos do saber, tão ao gosto dos “especialistas” de nossos dias. Eles, em suas obras, interligavam disciplinas como antropologia, ciência política, economia, procurando oferecer uma explicação da sociedade como um todo, colocando em evidência as suas dimensões globais. Seus trabalhos não foram elaborados nos bancos das universidades, mas freqüentemente, no calor das lutas políticas.

A formação teórica do socialismo marxistas constitui uma complexa operação intelectual, na qual são assimiladas de maneira crítica as três principais correntes do pensamento europeu do século passado, tais como, o socialismo, a dialética e a economia política. O socialismo pré-marxista, também denominado “socialismo utópico”, constituía uma clara reação à nova realidade implantada pelo capitalismo, principalmente quanto às suas relações de exploração. Marx e Engels, ao tomarem contato com a literatura socialista da época, assinalaram as brilhantes ideias de seus antecessores sem deixarem de elaborar algumas críticas a este socialismo, a fim de dar-lhe maior consistência teórica e efetividade prática. Assinalavam que as lacunas existentes neste tipo de socialismo possuíam uma relação com o estágio de desenvolvimento do capitalismo da época, uma vez que as contradições entre burquesia e proletariado não se encontravam ainda plenamente amadurecidas.

Atuavam os “utópicos” como representantes dos interesses da humanidade, não reconhecendo em nenhuma classe social o instrumento para a concretização de suas ideias. A filosofia alemã da época de Marx encontrara em Hegel uma de suas mais expressivas figuras. Como se sabe, a dialética ocupava posição de destaque em seu sistema filosófico. A tomarem contato com a dialética hegeliana, eles ressaltaram o caráter revolucionário, uma vez que o método de análise de Hegel sugeria que tudo o que existia, devido às suas contradições, tendia a extinguir-se. A crítica que eles faziam à dialética hegeliana se dirigia ao seu caráter idealista. Assim procuraram “corrigi-la “, recorrendo ao materialismo filosófico de seu tempo.

A intenção e conferir à sociologia uma reputação científica encontra em Max Weber (1864-1920) um marco de referência. Durante toda sua vida, insistiu em estabelecer uma clara distinção entre o conhecimento científico, fruto de cuidadosa investigação, e os julgamentos de valor sobre a realidade. A busca de uma neutralidade científica levou Weber a estabelecer uma rigorosa fronteira entre o cientista, homem do saber, das análises frias e penetrantes e o político, homem de ação e de decisão comprometido com as questões práticas da vida. Essa posição de Weber, que tantas discussões têm provocado entre os cientistas sociais, constitui, ao isolar a sociologia dos movimentos revolucionários, um dos momentos decisivos da profissionalização dessa disciplina. A ideia de uma ciência social neutra seria um argumento útil e fascinante para aqueles que viviam e iriam viver da sociologia como profissão.

A sociologia por ele desenvolvida considerava o indivíduo e a sua ação como ponto chave da investigação. Com isso, ele queria salientar que o verdadeiro ponto de partida da sociologia era a compreensão da ação dos indivíduos e não a análise das “instituições sociais” ou do “grupo social”, tão enfatizadas pelo pensamento conservador.

O Desenvolvimento Sociológico - Se o contexto histórico do surgimento e da formação da sociologia coincidiu com um momento de grande expansão do capitalismo, infundindo otimismo em diversos sociólogos com relação a civilização capitalista, os acontecimentos históricos que permearam o seu desenvolvimento tornaram no mínimo problemáticas as esperanças de democratização que vários sociólogos nutriam com relação ao capitalismo. O desenvolvimento desta ciência tem como pano de fundo a existência de uma burguesia que se distanciara de seu projeto de igualdade e fraternidade, e que , crescentemente, se comportava no plano político de forma menos liberal e mais conservadora, utilizando intensamente os seus aparatos repressivos e ideológicos para assegurar a sua dominação.

O aparecimento das grandes empresas, monopolizando produtos e mercados, a eclosão de guerras entre as grandes potências mundiais, a intensificação da organização política do movimento operário e a realização de revoluções socialistas em diversos países, eram realidades históricas que abalavam as crenças na perfeição da civilização capitalista.

A profunda crise em que mergulhou a civilização capitalista em nosso tempo não poderia deixar de provocar sensíveis repercussões no pensamento sociológico contemporâneo. O desmoronamento da civilização capitalista, levado a cabo pelos diversos movimentos revolucionários e pela alternativa socialista fez com que o conhecimento científico fosse submetido aos interesses da ordem estabelecida. As ciências sociais, de modo geral, passaram a ser usadas para produzir um conhecimento útil e necessário à dominação vigente.

A antropologia foi largamente utilizada para facilitar a administração de populações colonizadas; a ciência econômica e a ciência política forneceram freqüentemente seus conhecimentos para a elaboração de estratégias de expansão econômica e militar das grandes potências capitalistas. A sociologia também, em boa medida, passou a ser empregada como técnica de manutenção das relações dominantes. As pesquisas de inúmeros sociólogos foram incorporadas à cultura e à prática das grandes empresas, do Estado moderno, dos partidos políticos, à luta cotidiana pela preservação das estruturas econômicas, políticas e culturais do capitalismo moderno. O sociólogo de nosso tempo passou a desenvolver o seu trabalho, via de regra, em complexas organizações privadas ou estatais que financiam suas atividades e estabelecem os objetivos e as finalidades da produção do conhecimento sociológico. Envolvido nas malhas e nos objetivos que sustentam suas atividades, tornou-se para ele extremamente difícil produzir um conhecimento que possua uma autonomia crítica e uma criatividade intelectual.

O desenvolvimento da sociologia na segunda metade do nosso século foi profundamente afetado pela eclosão da duas guerras mundiais. Tal fato não poderia deixar de quebrar a continuidade dos trabalhos que vinham sendo efetuados, interrompendo drasticamente o intercâmbio de conhecimentos entre as nações.

A sociologia, a partir dos anos cinqüenta, seria arrastada e envolvida na luta pela contenção da expansão do socialismo, pela neutralização dos movimentos de libertação das nações subjugadas pelas potências imperialistas e pela manutenção da independência econômica e financeira destes países em face dos centros metropolitanos.

É neste contexto que surge a melancólica figura do sociólogo profissional, que passa a desenvolver as suas atividades de correção da ordem, adotando uma atitude científica “neutra” e “objetiva”. Na verdade, a institucionalização da sociologia como profissão e do sociólogo como “um técnico”, um “profissional como outro qualquer “, foi realizada a partir da promessa e rentabilidade que os sociólogos passaram a oferecer a seus empregadores potenciais, como o Estado moderno, as grandes empresas privadas e os diversos organismos internacionais empenhados na conservação da ordem em escala mundial. A profissionalização da sociologia, orientada para legitimar os interesses dominantes, constitui campo fértil para uma classe média intelectualizada ascender socialmente.

Bibliografia
www.klimanaturali.org
O que é Sociologia, de Carlos Benedito Martins, Editora Brasiliense, 1994, Coleção Primeiros Passos; 57, 100 pág.

Custo de Vida

Custo de Vida

Custo de VidaCusto de vida é a quantia de dinheiro necessária para consumir bens e serviços em certa quantidade e de certa qualidade, o que caracteriza um padrão de vida. Esses dois conceitos - custo de vida e padrão de vida - estão portanto em relação inversa: para um mesmo indivíduo ou família, com a mesma renda, quanto maior o custo de vida, mais baixo tende a ser seu padrão de vida. Quando um indivíduo mora numa casa ou apartamento confortável, alimenta-se bem e com regularidade, tem acesso a bons serviços de saúde, boas escolas, a atividades culturais e de lazer, diz-se que tem um bom padrão de vida. Esse conceito, no entanto, é determinado por fatores subjetivos, pois um padrão de vida considerado excelente por um indivíduo pode ser apenas razoável para outro. Para que se possa falar de custo de vida é preciso estabelecer um conjunto ideal de bens e serviços e medir seus preços em dois momentos diferentes para conhecer sua variação.

As pessoas e as famílias têm necessidade de morar, alimentar-se, vestir-se, cuidar da saúde, estudar e divertir-se. Todos esses itens custam dinheiro e a variação de preços dos bens e serviços afeta o padrão de vida das pessoas. O registro de preços em diferentes momentos permite verificar a variação para mais ou para menos no custo de bens e serviços e, consequentemente, no padrão de vida.

VariaçõesAs condições de vida de uma sociedade e o poder de compra de seus integrantes, bem como as mudanças nessas variáveis, podem ser avaliados pela medição do custo de vida. Esses dados são essenciais para determinar o valor dos salários, pensões e aposentadorias. O que se mede é sempre o preço das mercadorias e por isso se propõe a expressão "índice de preços ao consumidor" ou "índice de preços a varejo" para substituir "custo de vida". O fundamental, no entanto, é estabelecer a variação de preços, a fim de comparar o custo de vida em momentos ou períodos diferentes.

O impacto da variação do custo de vida sobre os salários ou rendimentos dos indivíduos ou grupos sociais acarreta aumento ou diminuição de seu poder aquisitivo, que é a capacidade de adquirir certa quantidade de bens e serviços de certa qualidade. Em consequência das disparidades entre o custo de vida e os salários ou rendimentos de indivíduos, famílias, grupos ou camadas sociais, pode-se verificar se houve mudança de seu nível de vida, ou seja, a média das condições sócio-econômicas reais em que vive um grupo, camada social, comunidade ou povo.

Histórico As primeiras avaliações do custo de vida remontam ao período compreendido entre 1829 e 1879, quando o engenheiro e sociólogo francês Frédéric Le Play realizou estudos sobre a pobreza e descreveu as condições de vida de algumas famílias operárias na França. Em 1903, o sociólogo britânico Charles Booth publicou um estudo semelhante sobre as condições de vida do proletariado inglês. Tanto o estudo de Le Play quanto o de Booth e de outros pesquisadores procuraram determinar em valores absolutos - e não sob a forma de índices - os gastos indispensáveis à sobrevivência de uma família e a renda necessária para cobri-los.

Progressivamente, a definição dos indicadores foi se tornando mais precisa. Assim, todos os métodos de aferição do custo de vida se baseiam, de maneira geral, na evolução dos preços de bens e serviços consumidos por determinada camada da população, residente numa área geográfica definida. O conjunto de bens e serviços definido pode representar o mínimo necessário para manter a vida e a saúde de uma família de determinada classe sócio-econômica, ou os hábitos efetivos de consumo de determinada camada da população. No primeiro caso, o consumo mínimo se determina com base em informações rigorosas fornecidas por especialistas da área médica, de nutrição e outras; no segundo, os dados se obtêm mediante pesquisa dos orçamentos familiares.

Por maior que seja o cuidado em conferir rigor científico a essas aferições, elas apresentam sempre resultados aproximados devido à multiplicidade de fatores subjetivos que intervêm no consumo. Como exemplos, citem-se a tendência à procura de similares mais baratos cada vez que um produto aumenta de preço, o surgimento de novos produtos e o desaparecimento de outros e os novos hábitos de consumo. O aumento ou diminuição da renda e do poder aquisitivo de alguns segmentos sociais alteram os parâmetros do custo de vida, cujo cálculo se torna ainda mais complexo em presença de inflação, que se exerce em todas as instâncias da circulação de mercadorias -- produtor, importador, exportador, atacadista e varejista -- e não apenas no conjunto de bens e serviços que representa a pauta de consumo de um grupo sócio-econômico específico.

No Brasil, o cálculo do índice do custo de vida passou a ser feito de forma sistemática desde a instituição do salário mínimo, em 1936. Por esse instrumento, todo trabalhador tem direito, em pagamento dos serviços prestados, a um salário teoricamente capaz de satisfazer, em determinada região do país e em determinada época, suas necessidades básicas de habitação, alimentação, vestuário, higiene e transporte. O cálculo dos índices de custo de vida é efetuado, desde 1944, pela Fundação Getúlio Vargas, com critérios que variaram ao longo do tempo. O sistema de ponderação, que atribui diferentes pesos aos itens de consumo, também se modificou para melhor espelhar as consequências da evolução de preços. Foi estabelecido um painel sazonal de ponderação para produtos como hortaliças e frutas, cuja oferta oscila em função da época do ano. Influenciadas pelo processo inflacionário, que exige índices de reajuste para períodos cada vez mais curtos, as pesquisas passaram a tomar como referência não o ano todo, mas o trimestre e depois cada mês.

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Classes Sociais e Teoria das Classes Sociais

Classes Sociais e Teoria das Classes Sociais

Classes Sociais e Teoria das Classes SociaisDenominam-se classes sociais os grupos econômica e politicamente distintos em que se divide cada sociedade. Sua diferenciação depende, pois, das relações que mantêm dentro do sistema produtivo vigente e de sua respectiva divisão de trabalho. De modo geral, todas as sociedades civilizadas apresentaram alguma forma de divisão em classes, cada qual com atribuições, ofícios, oportunidades, ganhos e interesses diversos, de modo que também se distinguem no plano do poder e contrapõem-se como dominantes e dominadas.

Embora os romanos já denominassem "classes" os diferentes grupos de contribuintes de impostos, só na segunda metade do século XVIII a palavra adquiriu seu significado moderno, tornando-se conceito primordial da sociologia e da ciência política.

Do fim do Império Romano até as revoluções burguesas dos séculos XVII e XVIII, o sistema feudal imperou na maior parte da Europa, com rígida divisão em três classes sociais: a nobreza, o clero e o campesinato. Não havia em sua estrutura nada do que os sociólogos viriam a chamar de "mobilidade social", isto é, a possibilidade de que membros de uma classe se deslocassem para outra: a diferença era legitimada pela lei dos homens e pela lei de Deus, determinada pelo nascimento e herança familiar.

Com o desenvolvimento do sistema capitalista e a ascensão da burguesia, politicamente consumada na Inglaterra e na França dos séculos XVII e XVIII, a estratificação social alterou-se, adquirindo uma mobilidade que se consagrará nas constituições parlamentaristas e republicanas. A posição social   de cada um passou a depender de sua participação no processo produtivo, e seu poder a ter como referencial predominante o capital que souber acumular.

Essa mudança ocorreu no quadro socioeconômico que se estendeu do início da revolução comercial, em que a burguesia emergiu e se organizou como classe, até a primeira etapa da revolução industrial, em que tiveram origem tanto a classe operária como as classes médias das modernas sociedades industriais.

Teoria das classes sociais A diferenciação social só passou a ser objeto de estudos sistemáticos com Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Inspirados na insurreição burguesa contra a aristocracia monárquica, defenderam, cada um a seu modo, os direitos naturais do homem e o contrato social, mesmo nos casos em que o monarca acumulasse todo poder, o que Hobbes preconizou em seu Leviathan (1651).

Também os economistas ingleses Adam Smith e David Ricardo, que já usavam a expressão "classe trabalhadora", destacaram em suas análises do capitalismo que o conflito entre os fatores de produção (terra, trabalho e capital) acarretaria por si mesmo o antagonismo entre os grupos sociais correspondentes. Os franceses François Fourier e Pierre Proudhon ocuparam-se igualmente do problema e tentaram resolvê-lo com as soluções ditas utópicas.

Coube, porém, ao marxismo aprofundar o conceito de classe social, embora seus teóricos iniciais, os alemães Karl Marx e Friedrich Engels, não tenham  desenvolvido o estudo específico da questão. Marx morreu justamente quando escrevia o terceiro livro de Das Kapital (O capital), onde deveria tratar das classes sociais. Para Marx e Engels, a história demonstra que a determinado estado de desenvolvimento das forças produtivas corresponde um tipo concreto de relações de produção, criadas pelos homens para prover a satisfação de suas necessidades e que envolvem a propriedade, a interação entre exploradores e explorados, e entre classe dominante e classe dominada.

Segundo o marxismo, tais relações não são determinadas pela vontade dos indivíduos, nem por um contrato social - como afirmara Rousseau - mas impostas pelas condições materiais do processo produtivo. Para Marx, a luta de classes desempenha papel essencial na evolução histórica. A classe capitalista, detentora dos bens de produção, domina a sociedade e apropria-se da força de trabalho da classe operária, autêntica criadora da riqueza.

Como consequência e reflexo dessa dominação econômica, a classe capitalista controla também o estado e a produção dos valores espirituais (ideias, artes, religião) e, nessa perspectiva, o próprio sistema conteria em si o germe de sua destruição, ou seja, tornaria inevitável a rebelião dos trabalhadores e a criação de uma sociedade sem classes, em que desaparece a ideologia, representação do mundo forjada pela classe dominante, de acordo com sua posição e seus interesses vitais. Para Marx, até o advento da sociedade comunista a história da humanidade não seria mais do que a história da luta de classes.

Apoiado nesses alicerces da teoria marxista da estratificação social, Lenin mais tarde definiu as classes sociais como os grandes grupos de pessoas que, dentro de uma sociedade, se diferenciam: (1) pelo lugar que ocupam em um sistema de produção histórica e socialmente determinado; (2) pelas relações em que se encontram no que se refere aos meios de produção existentes (relações que, em grande parte, são estabelecidas e formalizadas mediante leis); (3) pelo papel que desempenham na organização social do trabalho; e, consequentemente, (4) pelo modo e proporção segundo os quais desfrutam de parte da riqueza social de que dispõem.

Classes Sociais

Embora a teoria clássica marxista constitua sempre a principal referência para qualquer estudo do tema,  muitos estudiosos a criticaram e elaboraram teorias diferentes. O sociólogo alemão Max Weber, por exemplo, apesar de dividir a sociedade capitalista fundamentalmente em "possuidores" e "não-possuidores", censurou a ênfase dada por Marx aos fatores econômicos e incluiu, como outros elementos de estratificação social, o status e o prestígio. Outras tendências, como a dos sociólogos da corrente funcionalista (para a qual cada componente do todo societário exerce uma função útil e necessária), contestaram o conceito de luta de classes e afirmaram que estas contribuem para estabelecer o equilíbrio da organização social, pelo que nunca deixariam de existir.

No século XX, a partir da implantação das sociedades socialistas, pensadores marxistas negaram que também elas fossem constituídas de classes sociais, mas autores como o iugoslavo Milovan Djilas, que escreveu The New Class (1957; A nova classe), sustentaram que passara a haver nesses países um novo sistema de classes sociais dominado por poderosa burocracia política, cujo melhor exemplo foi a nomenklatura soviética.

Classificação mais difundidaA diferenciação social mais empregada pela sociologia dos países de capitalismo avançado na segunda metade do século XX baseia-se não no conceito marxista da relação com os meios de produção, mas nos níveis de renda, e dispõe as classes sociais em três grandes grupos: alta, média e baixa, por sua vez subdivididas em alta e baixa, do que resultam seis subdivisões: alta-alta e alta-baixa, média-alta e média-baixa, baixa-alta e baixa-baixa. Os componentes mais prósperos de uma classe confundem-se com os da classe superior e os mais pobres com os da inferior.

Funcionalismo (Teoria Antropológica e Etnológica)

Funcionalismo (Teoria Antropológica e Etnológica)

#Funcionalismo (Teoria Antropológica e Etnológica)Teoria antropológica e etnológica, sustentada principalmente por Bronislaw Malinowski e A. R. Radcliffe-Brown, o funcionalismo adota como postulado básico o fato de que todo sistema social tem uma "unidade funcional", cujas partes se acham interligadas em grau suficiente de harmonia ou consistência interna. Cada atividade representa a satisfação de uma necessidade e, consequentemente, cada elemento cultural tem sua função. O elemento cultural desempenha uma função, como os demais, e portanto os fatos culturais, em qualquer nível, explicam-se pela função que exercem.

Baseadas no princípio biológico segundo o qual os órgãos dos seres vivos devem ser considerados de acordo com as funções que exercem, a sociologia e também a psicologia e a antropologia passaram a aplicar modelo semelhante no estudo de seus objetos, o que configurou uma abordagem que, a partir do século XIX, passou a denominar-se funcionalismo.

O funcionalismo destaca as necessidades biológicas como as primeiras e mais importantes para a existência do grupo. Essas necessidades são, em sua maioria, universais, como abrigo, segurança, repouso, alimentação, reprodução etc., e delas decorrem as outras. Em decorrência dessas necessidades básicas, surgem as respostas culturais. Assim, por exemplo, a reprodução é uma necessidade para a vida do grupo e tem sua resposta cultural na existência do parentesco. A necessidade de bem-estar do indivíduo ou do grupo encontra seu elemento cultural na habitação; as necessidades de saúde são atendidas pela higiene; as de segurança, pela proteção; enfim, cada necessidade básica cria um elemento de cultura (necessidade derivada) com o fim de exercer a função de atendê-la.

Imperativos culturais

A ideia do funcionalismo desenvolveu-se das necessidades básicas para as derivadas, que são chamadas "imperativos culturais". Em suas primeiras obras, Malinowski restringiu a quatro esses imperativos : (1) economia; (2) controle social; (3) educação; (4) organização política.

A economia representa o conjunto cultural das funções exercidas para atender às necessidades fundamentais da vida. Compreendem-se aí as funções de produzir alimentos, conservá-los e distribuí-los. Abrange, portanto, todo o conjunto dos elementos que dizem respeito, em primeiro lugar, à alimentação, e em segundo lugar, à preservação e defesa dos alimentos.

O segundo imperativo, o do controle social, refere-se às relações entre os indivíduos e os grupos, e dos diversos grupos uns com os outros. Situa-se aí tudo quanto diz respeito à conduta na vida social, às prescrições e normas que devem ser mantidas nas relações em sociedade.

O terceiro imperativo, o da educação, compreende as normas culturais necessárias à manutenção e à permanência do grupo: educação intelectual, disciplina, manutenção dos valores culturais, continuidade dos hábitos e usos comuns. Finalmente, a organização política constitui o conjunto de elementos culturais por meio dos quais funcionam as relações entre os diversos elementos do grupo, a constituição das autoridades, dos poderes e da hierarquia. Todos os elementos culturais representativos do comportamento político estão incluídos nesse grupo.

Essa classificação foi bastante criticada porque não incluiu elementos fundamentais na vida do grupo, como, por exemplo, as ideias religiosas e artísticas. Já que tais ideias existem em todos os grupos humanos, elas teriam portanto de exercer uma função representativa das necessidades espirituais e artísticas. Em obra posterior, Malinowski acrescentou dois novos imperativos culturais: a religião e a estética. Na religião, compreendem-se todas as manifestações espirituais, as novas ideias de religiosidade, como necessidades básicas na vida do grupo; e na estética encontra-se o conjunto de atividades relativas à criação artística.

Apesar das restrições ao funcionalismo, pode-se observar que suas ideias muito contribuíram para o desenvolvimento da etnologia. Além disso, o funcionalismo consagrou um princípio hoje adotado por todas as escolas: o que estabelece, no estudo de um povo ou de um grupo, que devem ser considerados todos os aspectos, e não apenas elementos isolados. Outros modelos funcionalistas foram propostos pelos sociólogos americanos Robert Merton, Talcott Parsons e Norbert Wiener.

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Boicote (Sociologia)

Boicote (Sociologia)

Boicote (Sociologia)Ocorre o boicote quando um grupo, sentindo-se prejudicado por outro, procura em represália impedir qualquer tipo de relacionamento social ou comercial de seu desafeto, para forçá-lo a mudar de atitude. O termo surgiu quando Charles Boycott, administrador rural da Irlanda, decidiu em 1880 aumentar extorsivamente os aluguéis de suas terras, levando os trabalhadores a cruzar os braços. Assim, na origem a palavra foi sinônimo de greve.

Ao longo da história, o boicote tem sido eficiente arma de protesto, como ocorreu quando os Estados Unidos (em 1980), a União Soviética (1984) e Cuba (1988) deixaram de participar dos Jogos Olímpicos por questões políticas.

No entanto, há muitas outras formas de boicote. Por exemplo, quando uma empresa elabora uma "lista negra" de funcionários grevistas, para boicotar sua admissão em outras empresas, ou quando consumidores decidem não comprar mais um determinado produto, por ter preço extorsivo, ou por não concordarem com mudanças em sua fórmula ou com sua publicidade. Nos Estados Unidos, em 1991, feministas conclamaram as mulheres a não adquirirem determinados produtos, por considerarem seus anúncios ofensivos à mulher.

O boicote pode usar vários instrumentos, como o protecionismo fiscal, o protesto diplomático com a retirada de embaixadores, e até bélico, como o bloqueio marítimo. O boicote pode ser feito apenas pelas pessoas que se consideram diretamente prejudicadas (boicote primário). Quando buscam induzir outras à mesma atitude, em nome da solidariedade, trata-se de boicote secundário.

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Biografia (Relato da Vida de uma Pessoa)

Biografia (Relato da Vida de uma Pessoa)

Biografia (Relato da Vida de uma Pessoa)Biografia é o relato da vida de uma pessoa e dos aspectos de sua obra, frequentemente abordados de um ponto de vista crítico e não apenas historiográfico. Como todo gênero literário, assumiu diversas formas de expressão ao longo do tempo. Os mais antigos  relatos biográficos conhecidos confundem realidade e tradição mitológica e têm um claro propósito apologético. Já na Idade Média e até o século XVIII, tomam um caráter fundamentalmente historiográfico para, mais tarde, atribuir ao biografado um papel protagônico, valorizando a análise psicológica. Modernamente, a teoria psicanalítica influenciou várias gerações de biógrafos e outra corrente preferiu a composição artística, que resultou na biografia romanceada.

Cultivado desde a antiguidade clássica, o gênero  biográfico tornou-se instrumento de grande importância para a reconstrução histórica de períodos remotos. As crônicas biográficas de reis, senhores feudais e santos são, em muitos casos, os únicos documentos disponíveis sobre fatos ocorridos em suas épocas.

PrimórdiosO Oriente não conheceu o gênero biográfico na concepção moderna. Apesar de constituírem uma forma de relato, as crônicas sobre reis assírios, bem como algumas inscrições tumulares com dados referentes a suas vidas, não são documentos biográficos. O mesmo ocorre no Egito, onde se registram vestígios biográficos sobre faraós, sacerdotes e personagens ilustres. As fontes mais remotas da biografia encontram-se nos documentos e lendas sobre episódios da vida dos patriarcas e reis de Israel e dos heróis épicos das antigas sagas gregas, germânicas e célticas.

Os ensinamentos de santos e sábios encontrados na  Bíblia, as sentenças e ditos de Buda, os fragmentos antológicos de Confúcio e as palavras dos sete sábios da Grécia antiga também estão nos primórdios do gênero biográfico, assim como as crônicas de reis da literatura medo-persa. A literatura islâmica, na qual se encontra um surpreendente perfil biográfico de Maomé, de autor desconhecido, além de esboços de vidas de califas, sultões, ministros, cientistas, escritores e religiosos, oferece um complexo mosaico da cultura muçulmana. Na Índia, houve tentativas de perfis biográficos de alguns sultões mongóis que dominaram a região, com forte presença de elementos mitológicos.

Na China, a biografia ficou restrita às informações de comentaristas e historiógrafos como Tso Chiu-ming, Kung-yang e Kuliang, cujos ideais tradicionalistas ilustram o Livro da primavera e do outono. O conceito de biografia ampliou-se com o trabalho do historiador Ssu-ma Chien. Típico do universo cultural sino-nipônico é o grande número de necrológios sobre figuras importantes.

Antiguidade clássica - Os primeiros biógrafos gregos foram Platão, com sua Apologia de Sócrates, em  que traça um retrato mais filosófico que propriamente biográfico do pensador ateniense, e Xenofonte, que nas Memórias de Sócrates oferece uma visão mais cotidiana do filósofo. Em Anábase, Xenofonte relata a retirada dos Dez Mil, um episódio de sua própria vida. Ainda na Grécia se destacam os trabalhos biográficos de Aristóxeno de Tarento, tido como o criador da biografia literária, Dicearco de Messina, Filóstrato e Diógenes Laércio.

Em Roma, onde o interesse pelo indivíduo constitui traço característico da obra de escritores e historiadores, mencionam-se as contribuições  precursoras de Áccio, Ático, Cornélio Nepos e Valério  Probo. Varrão escreveu cerca de 700 biografias de poetas gregos e romanos, Quinto Cúrcio  relatou a vida de Alexandre o Grande e Suetônio estabeleceu um modelo de biografia literária, com De viris illustribus (Sobre os homens ilustres), e outro de biografia política, com De vitae Caesarum (A vida dos imperadores).

Uma obra de Tácito, De vita et moribus Julii Agricolae (ou simplesmente Agricola, como é mais conhecida), elogio às virtudes de seu sogro e datada do ano 98 da era cristã, é considerada a primeira biografia na acepção moderna. Em Bioi paraleloi (Vidas paralelas) Plutarco compôs os retratos de 23 homens públicos gregos e romanos numa obra que fixou algumas das linhas mestras do gênero e influenciou vários autores do Renascimento e até do século XVIII, devido à objetividade da análise.

Idade MédiaO acervo biográfico medieval é rico em vidas de santos, abades, heróis nacionais e senhores feudais. No que diz respeito aos textos profanos, importa mencionar Vita Caroli Magni (Vida de Carlos Magno), de Einhard (ou Eginhard), estadista e estudioso franco qua fazia parte da corte de Carlos Magno, cujo estilo imita Suetônio. No século IV surgiu o primeiro modelo de obra autobiográfica, As confissões, de santo Agostinho, que exerceu profunda influência sobre Pascal, Kierkegaard e Rousseau. No final da Idade Média destacam-se as obras de Petrarca e de Boccaccio, que, apesar do espírito ainda medieval, já incluem preocupações humanistas próprias do Renascimento. La vita di Dante, de Bocaccio, que prenuncia a análise psicológica moderna, foi fundamental para a evolução do gênero.

RenascimentoO interesse da mentalidade renascentista pela personalidade humana criou coleções e dicionários biográficos, nacionais e universais, que, favorecidos pela invenção da imprensa, chegaram a alcançar grande voga no século XIX. Na Itália, destacam-se Vite di uomini illustri fiorentini (Vidas de florentinos ilustres), de Filippo Villani, e Vite dei più celebri pittori, scultori e architetti (Vidas dos mais célebres pintores, escultores e arquitetos), de Vasari, sobre artistas do Renascimento. Entre os perfis individuais, menos numerosos, destacam-se Vita di Torquato Tasso, de Giuseppe de Manso, e a biografia de Galileu escrita por Vicenzo Viviani.

Na Espanha, as obras mais importantes são Generaciones y semblanzas (Gerações e retratos), de Fernán Pérez Guzmán, e Claros varones de Castilla, de Fernando del Pulgar. Na França, destaca-se  Commentaires (1592), de Blaise de Monluc e, na Inglaterra, The History of King Richard the Third (1557; História do rei Ricardo III), de Thomas More, e Life of Cardinal Wolsey (Vida do cardeal Wolsey), de Thomas Cavendish, que permaneceu em manuscrito até 1641. A Crônica do condestável D. Nuno Álvares Pereira é atribuída ao português Fernão Lopes.

Idade ModernaDominado pela estética do barroco e do classicismo, o século XVII não apresentou grande evolução na área da biografia, exceto na Inglaterra. Izaak Walton introduziu diversas modificações na técnica do relato biográfico e passou a incorporar cartas como fonte de informação no próprio texto da obra. Escreveu excelentes biografias dos chamados poetas metafísicos, como John Donne e George Herbert.  Outros biógrafos ingleses de relevo são John Aubrey,  o bispo Gilbert Burnet e Margareth Cavendish.

Na França dominaram as memórias, como as do cardeal de Retz (1662-1677), publicadas em 1717, mas Pierre de Bourdeille, senhor de Brantôme, escreveu uma série de biografias, em 1665, e Jacques de Thou, uma Historia mei temporis (1604-1620; História de minha época). No fim do século XVII, introduziu-se no gênero a crítica histórica, de caráter polêmico. Exemplo dessa tendência é o Dictionnaire historique et critique, de Pierre Bayle, que exerceu enorme influência sobre a crítica da religião no século XVIII. Na Itália, Giovani Battista Passeri deu continuidade à obra de Vasari, biografando artistas do período barroco.

Na Inglaterra do século XVIII, Edward Gibbon escreveu uma das melhores biografias da língua inglesa, Memoirs of my Life and Writings (1795; Memórias de minha vida e meus escritos). Destacam-se ainda as autobiografias de Kenelm Digby e Colley Cibber. No final do século, Samuel Johnson publicou uma monumental antologia crítica de poetas ingleses e o filósofo David Hume escreveu My Own Life (1777; Minha própria vida). Na literatura americana, a Autobiography (1766), de Benjamin Franklin, alcançou êxito sem precedentes. Na Itália, são dignas de menção as autobiografias de Carlo Goldoni (1787) e de Carlo Gozzi (1797).

Uma das obras-primas do gênero autobiográfico é Les Conféssions (1781-1788), de Jean-Jacques Rousseau, que antecipou a mentalidade romântica do século XIX. A última década do século XVIII assistiu ao aparecimento da primeira grande biografia no sentido moderno: Life of Samuel Johnson (1791; Vida de Samuel Johnson), de James Boswell, que reformulou a técnica de exposição e a estrutura biográfica.

Ao longo do século XIX, a contribuição inglesa continuou a sobrepujar as demais literaturas no gênero. As duas biografias capitais do século são as de Sir Walter Scott, escrita por John Gibson Lockhart, e a de Charles Dickens, por John Foster.

Século XXA biografia romanceada, gênero até então desconhecido, no qual o autor recria ficcionalmente o material de pesquisa, surgiu no século XX. Os mestres da nova corrente são Stefan Zweig e Emil Ludwig, na Alemanha, e André Maurois e Romain Rolland, na França. Zweig, dominado pelo sentido trágico da existência, biografou figuras como Maria Antonieta e Maria Stuart. Ludwig, mais popular, retratou Beethoven, Goethe, Napoleão e Bismarck. Maurois escreveu biografias de Shelley, Disraeli, Dickens e Voltaire, enquanto Roland biografou Danton, Michelangelo e Tolstoi.

Fora dos limites da biografia romanceada mantiveram-se historiadores como o polonês Isaac Deutscher, autor (em inglês) de Trotski (1954-1963) e de Stalin (1967). Nos Estados Unidos, Carl Sandburg é admirado por sua monumental biografia de Abraham Lincoln, em seis volumes.

Brasil O gênero biográfico teve no Brasil alguns de seus melhores cultores em Joaquim Nabuco, com Um estadista do império, biografia de seu pai, Nabuco de Araújo (1899); Lúcia Miguel-Pereira, com Machado de Assis, estudo crítico e biográfico (1936); Francisco de Assis Barbosa, com A vida de Lima Barreto (1952); Raimundo Magalhães Júnior, com Machado de Assis desconhecido (1955), Viana Moog, com Eça de Queirós e o século XX (1938), Rui Castro, com O anjo pornográfico: a vida de Nelson Rodrigues (1992) e Fernando Morais, com Chatô: o rei do Brasil, a vida de Assis Chateaubriand (1994). No plano autobiográfico, destacam-se as obras de Graciliano Ramos (Infância, 1945), Helena Morley (Minha vida de menina, 1952), Oswald de Andrade (Sob as ordens de mamãe, 1954) e Pedro Nava (Baú de ossos, 1972).

Sociologia, Ideias e Teorias Sociológicas

Sociologia, Ideias e Teorias Sociológicas

#Sociologia, Ideias e Teorias Sociológicas

Sociologia é a ciência que estuda a natureza, causas e efeitos das relações que se estabelecem entre os indivíduos organizados em sociedade. Assim, o objeto da sociologia são as relações sociais, as transformações por que passam essas relações, como também as estruturas, instituições e costumes que têm origem nelas. A abordagem sociológica das relações entre os indivíduos distingue-se da abordagem biológica, psicológica, econômica e política dessas relações. Seu interesse focaliza-se no todo das interações sociais e não em apenas um de seus aspectos, cada um dos quais constitui o domínio de uma ciência social específica. As preocupações de ordem normativa são estranhas à sociologia e não lhe cabe a aplicação de soluções para problemas sociais ou a responsabilidade pelas reformas, planejamento ou adoção de medidas que visem à transformação das condições sociais.

Disciplina que se distingue das demais ciências sociais pela abrangência de seu objeto, a sociologia busca conhecer, mediante métodos científicos, a totalidade da realidade social como tal, sem proposta de transformação.

Vários obstáculos impediram a constituição da sociologia como ciência, desde que ela surgiu, no século XIX. Entre os mais importantes citam-se a inexistência de terminologia clara e precisa; a tendência a subjetivar os fatos sociais; a multiplicidade de temas de seu interesse e aplicação; as afinidades partilhadas com outras ciências sociais; a dificuldade de experimentação, já que os elementos com que lida são seres humanos; e a proliferação de métodos, técnicas e escolas que tentaram elaborar uma teoria sociológica unificada como instrumento adequado de análise, descrição e interpretação dos fenômenos sociais.

AntecedentesO interesse pelos fenômenos sociais já existia na Grécia Antiga, onde foram estudados pelos sofistas. Os filósofos gregos, porém, não  elaboraram uma ciência sociológica autônoma, já que subordinaram os fatos sociais a exigências éticas e didáticas. Assim, a contribuição grega à sociologia foi apenas indireta.

Um pensamento social existiu na Idade Média, mas sob uma forma não-sistemática de raciocínio e análise dos fenômenos sociais, pois se baseava na especulação e não na investigação objetiva dos fatos. Além disso, nesse período anulou-se a distinção entre as leis da natureza e as leis humanas e impôs-se a concepção da ordem natural e social como decorrência da vontade divina, que não seria passível de transformação. Assim, eivado de conotações ideológicas, éticas e religiosas, o pensamento social medieval pouco evoluiu.

As profundas modificações econômicas, sociais e políticas ocorridas na sociedade europeia nos séculos XVIII e XIX, em decorrência da revolução industrial, permitiram o surgimento do capitalismo e libertaram  pensamento dos dogmas medievais. Assim, as ciências naturais e humanas fizeram rápidos progressos.

Os principais antecedentes da sociologia são a filosofia política, a filosofia da história, as teorias biológicas da evolução e os movimentos pelas reformas sociais e políticas, que ensaiaram um levantamento das condições sociais vigentes na época. Nos primórdios da sociologia, foram mais influentes a filosofia da história e os movimentos reformistas.

A história permitiu o acesso ao conhecimento de dados objetivos sobre a sociedade, acumulados ao longo do tempo. Além disso, a evolução da historiografia contribuiu em parte para o aperfeiçoamento dos métodos empíricos de compilação de dados e a análise dos fatos sociais. Em relação aos movimentos reformistas, a sociologia partilhou com eles sua preocupação com os problemas sociais e não mais aceitou como fato natural condições como a pobreza, sequela da industrialização. Incorporou também os procedimentos dos reformistas, que se basearam nos métodos das ciências naturais para fazer levantamentos sociais, numa tentativa de classificar e quantificar os fenômenos sociais.

A pré-história da sociologia situa-se, assim, num período aproximado de cem anos, de 1750 a 1850, entre a publicação de L'Esprit des lois (O espírito das leis), de Montesquieu, e a formulação das teorias de Auguste Comte e Herbert Spencer. Sua constituição como ciência ocorreu na segunda metade do século XIX.

O termo sociologia foi consagrado por Auguste Comte na obra Cours de philosophie positive (1839; Curso de filosofia positiva), em que batizou a nova "ciência da sociedade" e tentou definir seu objeto. No entanto, a palavra sociologia continuou suscetível de inúmeras interpretações e definições no que diz respeito à delimitação de seu objeto, pois cada escola sociológica criou suas próprias definições, de acordo com as perspectivas teóricas, filosóficas e metodológicas adotadas. Todas essas definições, no entanto, partilhavam um substrato comum: o estudo das relações e interações humanas.

AbrangênciaAs ciências sociais se constituem a partir de dois pilares: a teoria e o método. A teoria se ocupa dos princípios, conceitos e generalizações; o método proporciona os instrumentos necessários para a pesquisa científica dos fenômenos sociais.

A sociologia subdivide-se em disciplinas especializadas: a sociologia do conhecimento, da família, dos meios rurais e urbanos, da religião, da educação, da cultura etc. A essa lista seria possível acrescentar um sem-número de novas especializações, como a sociologia da vida cotidiana, do teatro, do esporte etc., já que os interesses do pesquisador se orientam para a compreensão e explicação sistemática, mediante a utilização das teorias e dos métodos mais adequados, dos aspectos sociais de todos os setores e atividades da vida humana.

Teorias sociológicas. Na sociologia, a teoria é o instrumento de entendimento da realidade, dentro da qual se enunciam as leis gerais. Difere, por isso, da doutrina social, de cunho normativo e ideológico, e a ela se opõe.

As teorias sociológicas enunciadas ao longo dos séculos XIX e XX centralizaram-se em algumas questões básicas. Entre elas distinguem-se a determinação do que representam a sociedade e a cultura; a fixação de unidades elementares para seu estudo; a especificação dos fatores que condicionam sua estabilidade ou sua mudança; a descoberta das relações que mantêm entre si e com a personalidade; a delimitação de um campo; e a especificação de um objeto e de métodos de estudos próprios à sociologia.

O desenvolvimento da teoria sociológica pode ser analisado de acordo com três grandes temas: os tipos de generalização empregados, os conceitos e esquemas de classificação e os tipos de explicação.
São seis os tipos de generalização geralmente aceitos: (1) correlações empíricas entre fenômenos sociais concretos; (2) generalizações das condições sob as quais surgem as instituições e outras formas sociais; (3) generalizações que afirmam que as mudanças que determinadas instituições experimentam estão regularmente associadas às mudanças que ocorrem em outras instituições; (4) generalizações sobre a existência de repetições rítmicas de vários tipos; (5) generalizações que enumeram as principais tendências evolutivas da humanidade; e (6) elaboração de leis sobre as repercussões e hipóteses relacionadas ao comportamento humano.

A sociologia se mostrou mais fecunda no campo da elaboração de conceitos e esquemas de classificação. No entanto, e apesar de terem sido criados muitos conceitos, as definições existentes continuam ainda insatisfatórias, o que impede a classificação adequada das sociedades, dos grupos e das relações sociais, assim como o descobrimento de conceitos centrais que permitam a elaboração de uma teoria sistemática. Verifica-se que numerosos conceitos foram utilizados com significados distintos por diferentes sociólogos. Mais ainda, tentativas recentes de aperfeiçoar a base da conceituação atribuíram importância excessiva à definição do conceito e relegaram a segundo plano sua finalidade fundamental, a utilização.

As teorias de explicação dividem-se em dois tipos principais, a causal e a teleológica. A primeira, que seria uma ciência natural da sociedade, indaga o porquê dos fenômenos sociais, qual a causa de sua ocorrência. A segunda indaga a finalidade dos fenômenos sociais, com que objetivo eles ocorrem, e tenta interpretar o comportamento humano em termos de propósitos e significados.

Métodos sociológicosDistinguem-se sete métodos na sociologia: histórico, comparativo, funcional, formal ou sistemático, compreensivo, estatístico e monográfico. O método histórico ocupa-se do estudo dos acontecimentos, processos e instituições das civilizações passadas para proceder à identificação e explicação das origens da vida social contemporânea.

O método comparativo, considerado durante muito tempo o método sociológico por excelência porque permitia a realização de correlações tanto restritas como gerais, estabelece comparações entre diversos tipos de grupos e fenômenos sociais com o fim de descobrir diferenças e semelhanças.

O método funcional estuda os fenômenos sociais do ponto de vista de suas funções. O sistema social total de uma comunidade seria integrado por diversas partes inter-relacionadas e interdependentes e cada uma delas desempenharia uma função necessária à vida do conjunto. Nessa abordagem são evidentes as analogias entre a sociedade e um organismo, o que levou seus partidários a tentativas de diferenciar o funcionamento normal das instituições e sistemas sociais de seu funcionamento patológico.

O método formal, ou sistemático, analisa as relações sociais existentes entre os indivíduos, sobretudo no que diz respeito às diversas formas que essas relações podem assumir independentemente de seu conteúdo. Em completa oposição ao formal, o método compreensivo atribui uma importância fundamental ao significado e aos motivos das ações sociais, isto é, a seu conteúdo. O método estatístico enfatiza a medição matemática dos fenômenos sociais. No entanto, como a maior parte dos dados sociológicos é do tipo qualitativo, não se pode adotar tratamento estatístico rígido.

Por último, o método monográfico centraliza-se no estudo aprofundado de casos particulares: um grupo, uma comunidade, uma instituição ou um indivíduo. Cada um dos objetos de estudo deve necessariamente representar vários outros para que seja possível estabelecer generalizações.

Técnicas sociológicas - Antes de mais nada, é preciso estabelecer a diferença entre métodos e técnicas sociológicas. Os métodos representam uma opção estratégica e não devem ser confundidos com os objetivos da investigação, enquanto as técnicas constituem níveis de etapas práticas de operação limitada, ligadas a elementos concretos e adaptadas a uma finalidade determinada. O método é, portanto, uma concepção intelectual que coordena um conjunto de técnicas.

Entre as principais técnicas utilizadas na investigação sociológica figuram as entrevistas, as experiências de grupo, as histórias de vida ou de caso e os formulários ou questionários, que podem ser de tipo fechado, que oferecem alternativas prévias de resposta, ou aberto, que permitem ao entrevistado uma liberdade maior de expressão. Tais técnicas não são necessariamente excludentes, pois permitem a utilização simultânea e complementar.

Principais correntes sociológicas -  De acordo com as classificações geralmente aceitas, são cinco as correntes principais da sociologia: organicismo positivista, teorias do conflito, formalismo, behaviorismo social e funcionalismo.

Organicismo positivista -  Primeira construção teórica importante surgida na sociologia, nasceu da hábil síntese que Comte fez do organicismo e do positivismo, duas tradições intelectuais contraditórias.

O organicismo representa uma tendência do pensamento que constrói sua visão do mundo sobre um modelo orgânico e tem origem na filosofia idealista. O positivismo, que fundamenta a interpretação do mundo exclusivamente na experiência, adota como ponto de partida a ciência natural e tenta aplicar seus métodos no exame dos fenômenos sociais. Assim, os primeiros conceitos da nova disciplina foram elaborados de acordo com analogias orgânicas, três das quais são fundamentais para a compreensão dessa corrente sociológica: (1) o conceito teleológico da natureza, que implica uma postura fatalista, já que as metas a serem alcançadas estão predeterminadas, o que impede qualquer tentativa de alterá-las; (2) a ideia segundo a qual a natureza, a sociedade e todos os demais conjuntos existentes perdem vida ao serem analisados e por isso não se deve intervir em tais conjuntos. Essa noção leva, em consequência, à adoção de uma atitude de laissez-faire; e (3) a crença de que a relação existente entre as diversas partes que compõem a sociedade é semelhante à relação que guardam entre si os órgãos de um organismo vivo.

Os fundadores da nova disciplina adaptaram essa síntese ao ambiente social e intelectual de seus países: Auguste Comte, na França, Herbert Spencer, no Reino Unido, e Lester Frank Ward, nos Estados Unidos. Os três eram partidários da divisão da sociologia em duas grandes partes, estática e dinâmica, embora tenham atribuído importância maior à primeira. Algumas diferenças profundas, porém, marcaram seus pontos de vista.

Comte propôs, para o estudo dos fenômenos sociais, o método positivo, que exige a subordinação dos conceitos aos fatos e a aceitação da ideia segundo a qual os fenômenos sociais estão sujeitos a leis gerais, embora admita que as leis que governam os fenômenos sociais são menos rígidas do que as que regulamentam o biológico e o físico. Comte dividiu a sociologia em duas grandes áreas, a estática, que estuda as condições de existência da sociedade, e a dinâmica, que estuda seu movimento contínuo. A principal característica da estática é a ordem harmônica, enquanto a da dinâmica é o progresso, ambas intimamente relacionadas. O fator preponderante do progresso é o desenvolvimento das ideias, mas o crescimento da população e sua densidade também são importantes. Para evoluir, o indivíduo e a sociedade devem atravessar três etapas: a teológica, a metafísica e a positiva.

Comte não aceitou o método matemático e propôs a utilização da observação, da experimentação, da comparação e do método histórico. Para Comte, a sociedade era um organismo no qual a ordem não se realiza apenas automaticamente; é possível estabelecer uma ordem planejada, baseada no conhecimento das leis sociais e de sua aplicação racional a problemas e situações concretas.

Spencer, o segundo grande pioneiro, negou a possibilidade de atingir o progresso pela interferência deliberada nas relações entre o indivíduo e a sociedade. Para ele, a lei universal do progresso é a passagem da homogeneidade para a heterogeneidade, isto é, a evolução se dá pelo movimento das sociedades simples (homogêneas), para os diversos níveis das sociedades compostas (heterogêneas). Individualista e liberal, partidário do laissez-faire, Spencer deu mais ênfase às concepções evolucionistas e usou com largueza analogias orgânicas. Distinguiu três sistemas principais: de sustentação, de distribuição e regulador. As instituições são as partes principais da sociedade, isto é, são os órgãos que compõem os sistemas. Seu individualismo expressou-se numa das diferenças que apontou: enquanto no organismo as partes existem em benefício do todo, na sociedade o todo existe apenas em benefício do individual.

Ward compartilhou das ideias de Spencer e Comte mas não incorreu em seus extremos -- individualismo e conservadorismo utópico. Deu grande ênfase, porém, ao aperfeiçoamento das condições sociais pela aplicação de métodos científicos e a elaboração de planos racionais, concebidos segundo uma imagem ideal da sociedade.

Depois da fase dos pioneiros, surgiu o chamado período clássico do organicismo positivista, caracterizado por uma primeira etapa, em que a biologia exerceu influência muito forte, e uma segunda etapa em que predominou a preocupação com o rigor metodológico e com a objetividade da nova disciplina.

O organicismo biológico, inspirado nas teorias de Charles Darwin, considerava a sociedade como um organismo biológico em sua natureza, funções, origem, desenvolvimento e variações. Segundo essa corrente, praticamente extinta, o que é válido para os organismos é aplicado aos grupos sociais. A segunda etapa clássica do organicismo positivista, também chamada de sociologia analítica, foi marcada por grandes preocupações metodológicas e teve em Ferdinand Tönnies, Émile Durkheim e Robert Redfield seus expoentes máximos.

Para Tönnies, a sociedade e as relações humanas são fruto da vontade humana, manifesta nas interações. O desenvolvimento dos atos individuais permite o surgimento de uma vontade coletiva. A Tönnies deve-se a distinção fundamental entre "sociedade" e "comunidade", duas formas básicas de grupos sociais que surgem de dois tipos de desejo, o natural e o racional. Segundo Tönnies, não são apenas tipos de grupos mas também etapas genéticas -- a comunidade evolui para a sociedade.

O núcleo organicista da obra de Durkheim encontra-se na afirmação segundo a qual uma sociedade não é a simples soma das partes que a compõem, e sim uma totalidade sui generis, que não pode ser diretamente afetada pelas modificações que ocorrem em partes isoladas. Surge assim o conceito de "consciência coletiva", que se impõe aos indivíduos. Para Durkheim, os fatos sociais são "coisas" e como tal devem ser estudados.

Provavelmente o sociólogo que mais se aproximou de uma teoria sistemática, Durkheim deixou uma obra importante também do ponto de vista metodológico, pela ênfase que deu ao método comparativo, segundo ele o único capaz de explicar a causa dos fenômenos sociais, e pelo uso do método funcional. Afirmou que não basta encontrar a causa de um fato social; é preciso também determinar a função que esse fato social vai preencher. Sociólogos posteriores, como Marcel Mauss, Claude Lévi-Strauss e Mikel Duffrenne, retomaram de forma atenuada o realismo sociológico de Durkheim.

Um dos principais teóricos do organicismo positivista, Redfield analisou a diferença existente entre as sociedades consideradas em sua totalidade e sugeriu a utilização da dicotomia sagrado/secular. Em suas análises utilizou, de forma mais avançada e profunda, a grande tipologia do organicismo positivista clássico, basicamente sociedade/comunidade, e suas diversas configurações.

Teorias do conflitoSegunda grande construção do pensamento sociológico, surgida ainda antes que o organicismo tivesse alcançado sua maturidade, a teoria do conflito conferiu à sociologia uma nova dimensão da realidade. A partir de seus pressupostos, o problema das origens e do equilíbrio das sociedades perdeu importância diante dos significados atribuídos aos mecanismos de conflito e de defesa dos grupos e da função de ambos na organização de formas mais complexas de vida social. O grupo social passou a ser concebido como um equilíbrio de forças e não mais como uma relação harmônica entre órgãos, não-suscetíveis de interferência externa.

Antes mesmo de ser adotada pela sociologia, a teoria do conflito já havia obtido resultados de grande importância em outras áreas que não as especificamente sociológicas. É o caso, por exemplo, da história; da economia clássica, em especial sob a influência de Adam Smith e Robert Malthus; e da biologia nascida das ideias de Darwin sobre a origem das espécies. Dentro dessas teorias, cabe destacar o socialismo marxista, que representava uma ideologia do conflito defendida em nome do proletariado, e o darwinismo social, representação da ideologia elaborada em nome das classes superiores da sociedade e baseada na defesa de uma política seletiva e eugênica. Ambas enriqueceram a sociologia com novas perspectivas teóricas.

Os principais teóricos do darwinismo social foram o polonês Ludwig Gumplowicz, que explicava a evolução sociocultural mediante o conflito entre os grupos sociais; o austríaco Gustav Ratzenhofer, que utilizou a noção do choque de interesses para explicar a formação dos processos sociais; e os americanos William Graham Sumner e Albion Woodbury Small, para os quais a base dos processos sociais residia na relação entre a natureza, os indivíduos e as instituições.

O darwinismo social assumiu conotações claramente racistas e sectárias. Entre suas premissas estão a de que as atividades de assistência e bem-estar social não devem ocupar-se dos menos favorecidos socialmente porque estariam contribuindo para a destruição do potencial biológico da raça. Nesse sentido, a pobreza seria apenas a manifestação de inferioridade biológica.

Formalismo -  A terceira corrente teórica do pensamento sociológico, que definiu a sociologia como o estudo das formas sociais, independente de seu conteúdo, legou à sociologia um detalhado estudo sobre os acontecimentos e as relações sociais. Para o formalismo, as comparações devem ser feitas entre as relações que caracterizam qualquer sociedade ou instituição, como, por exemplo, as relações entre marido e mulher ou entre patrão e empregado, e não entre sociedades globais, ou entre instituições de diferentes sociedades. O interesse pela comparação entre relações permitiu à sociologia alcançar um nível mais amplo de generalização e conferiu maior importância ao indivíduo do que às sociedades globais. Essa segunda característica abriu caminho para o surgimento da psicologia social.

Os dois ramos principais dessa corrente são o formalismo neokantiano e o fenomenológico. O primeiro, baseado na divisão kantiana do conhecimento dos fenômenos em duas classes -- o estudo das formas, consideradas a priori como certas, e dos conteúdos, que seriam apenas contingentes -- teve grandes teóricos nos alemães Georg Simmel, interessado em determinar as condições que tornam possível o surgimento da sociedade, e Leopold von Wiese, que renovou a divisão kantiana entre forma e conteúdo quando a substituiu pela idéia de relação.

Em oposição à interpretação positivista e objetiva do formalismo kantiano, o ramo fenomenológico contribuiu com uma perspectiva subjetivista. Concentrou-se não nas formas ou relações que a priori determinam o surgimento de uma sociedade e sim nas condições sociopsicológicas que a tornam possível. Tem grande importância, portanto, o estudo dos dados cognitivos, isto é, das essências que podem ser diretamente intuídas, para cuja análise o filósofo alemão Edmund Husserl propôs um método de redução a fim de alcançar diversos níveis de profundidade.

Behaviorismo social -  Surgida entre 1890 e 1910, o behaviorismo social se dividiu em três grandes ramos -- behaviorismo pluralista, interacionismo simbólico e teoria da ação social -- e legou à sociologia preciosas contribuições metodológicas. O behaviorismo pluralista, formado a partir da escola de imitação-sugestão representada pelo francês Gabriel Tarde, centralizou-se na análise dos fenômenos de massas e atribuiu grande importância ao conceito de imitação para explicar os processos e interações sociais, entendidos como repetição mecânica de atos.

Os americanos Charles Horton Cooley, George Herbert Mead e Charles Wright Mills são alguns dos teóricos do interacionismo simbólico que, ao contrário do movimento anterior, centralizou-se no estudo do eu e da personalidade, assim como nas noções de atitude e significado para explicar os processos sociais.

O alemão Max Weber foi o expoente máximo do terceiro movimento do behaviorismo, a teoria da ação social. Com seu original método de "construção de tipos sociais", instrumento de análise para estudo de situações e acontecimentos históricos concretos, exerceu poderosa influência sobre numerosos sociólogos posteriores.

Funcionalismo - A reformulação do conceito de sistema foi o centro de todas as interpretações que constituem a contribuição do funcionalismo, última grande corrente do pensamento sociológico e integrada por dois importantes ramos: o macrofuncionalismo, derivado do organicismo sociológico e da antropologia, e o microfuncionalismo, inspirado nas teorias da escola psicológica da Gestalt e no positivismo. Entre os adeptos do funcionalismo estão os antropólogos culturais Bronislaw Malinowski e A. R. Radcliffe-Brown.

O macrofuncionalismo se caracteriza pela unidade orgânica que considera fundamental: os esquemas em larga escala. Foi o italiano Vilfredo Pareto quem permitiu a transição entre o organicismo e o funcionalismo, quando concebeu o conceito de sistema, conferindo-lhe correta formulação abstrata. A forma da sociedade, segundo ele, é determinada pela interação entre os elementos que a compõem e a interação desses elementos com o todo, o que implica a existência de uma determinação recíproca entre diversos elementos: a introdução de qualquer mudança provoca uma reação cuja finalidade é a recuperação do estado original (noção de equilíbrio sistêmico).

O microfuncionalismo desenvolveu-se na área de análise dos grupos em sua dinâmica e não na área do estudo da sociedade como um sistema. O americano Kurt Lewin, com a teoria sobre os "campos dinâmicos", conjuntos de fatos físicos e sociais que determinam o comportamento de um indivíduo na sociedade, abriu novos caminhos para o estudo dos grupos humanos.

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