Adaptação Biológica

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Adaptação Biológica

Adaptação Biológica

A adequação dos seres vivos a seu habitat natural foi explicada cientificamente pela teoria da evolução das espécies. Os peixes, dotados de nadadeiras e guelras, e os mamíferos, com patas apropriadas à locomoção em terra firme, exemplificam o fenômeno da adaptação, que se pode verificar em milhões de espécies de animais e plantas.

Adaptação biológica é o processo de transformação do organismo que o torna apto a viver em equilíbrio com o meio ambiente. As hipóteses para explicar a adaptação foram ensaiadas desde a antiguidade, mas só constituíram um corpo teórico com Lamarck e Darwin, no século XIX. Ambos estabeleceram duas linhas básicas e antagônicas de pensamento evolutivo.

A teoria de Lamarck, exposta em sua Filosofia zoológica, não faz distinção entre os dois tipos de adaptação: a que ocorre com o indivíduo em resposta imediata a alterações ambientais, sem modificar seu patrimônio hereditário, e a da população em geral, que envolve compromisso genético ao longo de muitas gerações. Darwin, no livro A evolução das espécies, expôs a teoria da seleção natural derivada da luta pela sobrevivência e atribuiu a ela as modificações sofridas pelos seres vivos.

As pesquisas genéticas desenvolvidas no século XX corroboraram a hipótese de Darwin. Os cientistas modernos aceitam que fenômenos como o escurecimento da pele de quem toma sol, por exemplo, constituem resposta do corpo sem repercussão genética, e são intransferíveis às gerações seguintes. A influência do ambiente na evolução é apenas indireta, pois as transformações genéticas se fazem por seleção natural, que elimina os exemplares menos aptos à sobrevivência.

O tipo de adaptação denominado divergente ocorre a partir de um mesmo tronco evolutivo que se adapta de maneiras diversas de acordo com o ambiente. As patas das aves, adaptadas à rapinagem (gaviões), a nadar (patos) ou a trepar (papagaios) são um exemplo desse tipo de evolução. A adaptação convergente se verifica em seres de origens distantes que adquirem órgãos ou funções semelhantes. É o caso dos mamíferos aquáticos, como as baleias e golfinhos, que tomaram o aspecto de peixe por adaptação à vida aquática.

Na adaptação convergente, os órgãos que se correspondem denominam-se homólogos. Assim é a relação entre as asas das aves e os braços humanos, órgãos surgidos a partir das patas anteriores dos répteis ancestrais. Os órgãos homólogos têm origem embrionária diversa mas servem à mesma função. É o que ocorre com as asas do morcego, formadas por dobras da pele distendida sobre os dedos, e as asas das aves, montadas sobre o esqueleto.

Todos os seres vivos, no entanto, têm um potencial de compensação frente a pequenas variações do meio. Essa faculdade chama-se acomodação. Nesse caso se incluem a contração e a dilatação da pupila conforme receba mais ou menos luz. A adaptação de espécies introduzidas artificialmente em determinada região denomina-se aclimatação. As linhagens domésticas de animais e plantas são quase todas aclimatadas. A adaptação em alto grau de uma espécie ao meio chama-se superespecialização e pode levá-la a extinguir-se na ocorrência de grave alteração ambiental.